CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFIPMOC
Curso: Medicina Período: 7º Semestre/Ano: 1º Semestre de 2025
Aluno: Matheus Soares Miranda
TICS - ORIENTAÇÕES AO PACIENTE - PreEP
1 - Quais as orientações para o paciente candidato à PreEP? Quanto ao tempo para
se alcançar a proteção (mucosa anal e vaginal)? Após quanto tempo podemos
considerar como interrupção? Quanto ao uso simultâneo de álcool e drogas. É
seguro o uso na gestação e durante amamentação? O que fazer caso esquecer do
uso do medicamento em um ou dois dias? O que orientar a um paciente portador de
Hepatite B?
A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma estratégia recomendada para pessoas em
maior risco de infecção pelo HIV. Consiste no uso de antirretrovirais (geralmente tenofovir
e emtricitabina) para reduzir o risco de aquisição do HIV por via sexual ou uso de drogas
injetáveis. A PrEP, quando utilizada corretamente, oferece alta eficácia na prevenção do
HIV.
O tempo para atingir níveis adequados de proteção contra HIV depende da via de
exposição:
• Mucosa anal: Para o sexo anal receptivo, considerado de alto risco para a transmissão
do HIV, a proteção máxima é alcançada após 7 dias consecutivos de uso diário da PrEP.
Isso ocorre porque os níveis do medicamento no tecido retal se acumulam rapidamente,
fornecendo proteção efetiva.
• Mucosa vaginal: A proteção completa para o sexo vaginal (incluindo uso vaginal e
pênis-vaginal) leva mais tempo. Para pacientes expostos pelo sexo vaginal, a PrEP atinge
a eficácia plena após 20 dias de uso contínuo. Essa diferença se deve à menor
concentração de fármacos no tecido vaginal em comparação ao tecido retal.
A PrEP é considerada interrompida após 7 dias consecutivos de não uso. Isso significa
que, após esse período, a proteção contra o HIV está comprometida, e a pessoa não está
mais adequadamente protegida contra o vírus.
Se o paciente optar por retomar a PrEP, deve-se aguardar novamente os 7 dias para o
sexo anal e 20 dias para o sexo vaginal, até que a proteção seja restaurada. Durante esse
período de "reativação" da PrEP, é fundamental o uso de métodos adicionais de barreira,
como preservativos.
O uso de álcool e drogas recreativas não interfere diretamente na eficácia da PrEP. Não
há contraindicação quanto ao uso concomitante de PrEP e substâncias como álcool ou
outras drogas ilícitas. No entanto, é importante destacar que o uso dessas substâncias
pode aumentar a probabilidade de práticas sexuais de risco, devido ao comprometimento
do julgamento e do comportamento sob influência.
Dessa forma, os pacientes devem serorientados a ter cautela e a sempre usar
preservativos em situações de vulnerabilidade
potencial.
A PrEP é considerada segura para ser utilizada durante a gestação e o aleitamento em
mulheres que estão em risco de adquirir o HIV. Estudos sugerem que os medicamentos
usados na PrEP (tenofovir e emtricitabina) não aumentam o risco de malformações
congênitas ou complicações obstétricas significativas.
Além disso, a transmissão vertical do HIV (da mãe para o bebê) pode ser evitada com o
uso da PrEP, tornando seu uso durante a gestação uma estratégia importante para
proteger tanto a mãe quanto o feto. Da mesma forma, a PrEP pode ser utilizada durante a
amamentação, sem risco significativo de transmissão de medicamentos para o leite
materno em níveis que possam prejudicar o lactente.
A adesão regular à PrEP é crucial para garantir sua eficácia. Caso o paciente esqueça
de tomar uma dose por um dia, ele deve tomá-la assim que se lembrar, continuando o uso
conforme prescrito. A proteção contra o HIV não é significativamente comprometida após
um esquecimento de um dia.
No entanto, se o paciente esquecer de tomar o medicamento por dois dias consecutivos
ou mais, a eficácia pode ser reduzida, especialmente para o sexo vaginal. Nesses casos,
é necessário retomar o uso diário e aguardar o tempo necessário para que a proteção
seja restabelecida (7 dias para sexo anal e 20 dias para sexo vaginal). Durante este
período, recomenda-se o uso de métodos de barreira adicionais, como preservativos.
O tenofovir, um dos componentes da PrEP, é também ativo contra o vírus da hepatite B
(HBV). Portanto, pacientes que vivem com infecção crônica pelo HBV podem se
beneficiar da PrEP, pois a terapia tem um efeito duplo: prevenindo o HIV e tratando a
hepatite B.
No entanto, a interrupção abrupta da PrEP em pacientes com hepatite B pode levar à
reativação ou exacerbação da hepatite, com risco de danos hepáticos graves. Dessa
forma, pacientes com hepatite B devem ser orientados a não interromper o uso da PrEP
sem supervisão médica, e a manter um acompanhamento regular com exames de função
hepática.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição
(PrEP) de Risco à Infecção pelo HIV. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Preexposure
Prophylaxis for the Prevention of HIV Infection in the United States – 2021 Update: A
Clinical Practice Guideline. 2021.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Consolidated guidelines on HIV prevention,
testing, treatment, service delivery and monitoring: recommendations for a public health
approach. Geneva: WHO, 2022.