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Hume e a Indução na Ciência e Pseudociência

O documento discute a perspectiva empirista de David Hume sobre a indução e a distinção entre ciência e pseudociência, enfatizando a importância da experimentação e da verificação empírica. Também aborda as teorias de Karl Popper e Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência, destacando a falsificabilidade e a incomensurabilidade dos paradigmas. Por fim, analisa a objetividade do conhecimento científico, considerando tanto critérios objetivos quanto fatores subjetivos que influenciam a prática científica.

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Margarida Costa
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Hume e a Indução na Ciência e Pseudociência

O documento discute a perspectiva empirista de David Hume sobre a indução e a distinção entre ciência e pseudociência, enfatizando a importância da experimentação e da verificação empírica. Também aborda as teorias de Karl Popper e Thomas Kuhn sobre a evolução da ciência, destacando a falsificabilidade e a incomensurabilidade dos paradigmas. Por fim, analisa a objetividade do conhecimento científico, considerando tanto critérios objetivos quanto fatores subjetivos que influenciam a prática científica.

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Hume, a resposta empirista

--- O PROBLEMA DA INDUÇÃO ---

Para David Hume, a indução associada às inferências causais não se apresenta justificada em
factos racionais mas sim em experiências empíricas.

Estas inferências podem ser feitas por generalização ou por previsão.

Nestas inferências causais do tipo indutivo está sempre está sempre subjacente o princípio
da uniformidade da natureza, isto é, a causas semelhantes seguem-se sempre efeitos
semelhantes.

O que é a ciência?
--- A CIÊNCIA E A PSEUDOCIÊNCIA---

A ciência é um modo de conhecimento, que nos proporciona uma compreensão do mundo


baseada em factos, capaz de nos apresentar de modo fiável e seguro uma interpretação de
uma realidade.
Normalmente, este modo de conhecimento é baseado na experimentação e daí que as
teorias científicas aspirem a uma explicação o mais rigorosa possível.
A pseudociência são informações ou crenças que não sendo científicas, isto é, validadas
segundo as regras do método experimental, se fazem passar por científicas.

A visão científica de que o conhecimento deve ser sempre sustentado numa base
experimental (o cientismo) nega todos os outros modos de conhecimento fundamentais e
existentes que a humanidade necessita para a sua afirmação, nomeadamente aqueles que
se prendem com a sua subjetividade (emoções, crenças, etc.).

--- DO SENSO COMUM À CIÊNCIA ---

O senso comum é um modo de conhecimento que resulta de uma acumulação de


informações, crenças e ideias dispersas, que vamos obtendo nas experiências diárias.
Este tipo de conhecimento é transmitido de geração em geração, e apresenta as seguintes
CARACTERÍSTICAS:

 Prático e funcional;
 Assistemático;
 Ametódico;
 Superficial e por vezes contraditório.

Concluindo, este modo de conhecimento resulta de uma atitude acrítica, dogmática, e por
vezes ingénua, razão pela qual é sempre superficial e imediática.

Características da ciência:
 É um tipo de conhecimento que se sustenta em instrumentos de medida, ou seja, em
modelos mecânicos (rigor);
 Constrói leis e teorias explicativas sistemáticas;
 Descreve, explica e prevê as relações entre os fenómenos;
 Usa uma linguagem específica, técnica e rigorosa;
 Encontra-se sujeita a correções e alterações;
 Baseia-se em investigações e métodos próprios.
O problema da demarcação – teorias
científicas e não científicas
Sendo as teorias científicas um modo sistematizado e explicativo de um facto, esta condição
necessária não é suficiente para garantir que se trata de uma teoria científica, porque há
teorias sistematizadas e explicativas que não são científicas, é o caso das previsões dos
astrólogos que têm estas características, e que não são científicas no sentido de não terem
uma prova factual.
Perante esta dificuldade surgem então dois critérios de demarcação segundo a perspetiva
de alguns filósofos, são eles: o VERIFICACIONISMO (confirmabilidade) e o FALSIFICACIONISMO

--- O CRITÉRIO DA VERIFICABILIDADE ---

Este critério permite verificar se uma teoria é científica apenas se as suas afirmações forem
empiricamente verificáveis, isto é, se for possível verificar pela experiência aquilo que ela
afirma.
Esta verificação não tem necessariamente que ser prática, uma vez que é possível a
verificação através das observações ou raciocínios lógicos.

OBJEÇÃO ao VERIFICACIONISMO:

Este critério é redutor na medida em que é impossível observar todas as partes que são
generalizadas na conclusão.
No caso dos cisnes, é impossível observar todos os existentes, logo quando se
generaliza toma-se a parte pelo todo.

--- CONFIRMABILIDADE ---

Neste critério o desafio é tentar validar o que se afirma na teoria.


No caso dos cisnes brancos o desafio é confirmar pelas observações que efetivamente
todos são brancos.
--- O CRITÉRIO DA FALSIFICABILIADE ---
Neste critério, defendido por Popper, o desafio é assujeitar as teorias à sua falsificabilidade.
Assim, uma teoria é científica apenas se for empiricamente falsificável, ou seja apenas se for
possível falsificar pela experiência aquilo que ela afirma.

No critério da falsificabilidade, uma teoria é mais científica quanto mais conteúdo empírico
ela tiver e ao mesmo tempo conter um alcance maior de objetos abrangidos.

No final da aplicação deste critério podem ocorrer 2 tipos de situação:


 A teoria é falsificável se resistir no teste da falsificabilidade, ou seja se se mantiver.
 A teoria é falsificada se efetivamente não passar no teste da falsificabilidade, e neste
caso a teoria pode ser corregida ou substituída.

O método científico e o problema da


verificaçã0 das hipóteses
--- A PRESPETIVA INDUTIVISTA DO MÉTODO CIENTÍFICO---
Para Francis Bacon e Stuart Mill (filósofos indutivistas), a indução e a experimentação são
elementos fundamentais na formação de conhecimento.
Para sustentar a sua posição propõe uma metodologia que consiste em estabelecer de
forma rigorosa e objetiva dois tipos de contexto a considerar em todo este processo, são
eles: o cotexto da descoberta e o contexto da justificação.

FASES do CONTEXTO da DESCOBERTA:

- Observação dos factos ou fenómenos: nesta fase o cientista deve promover uma
observação neutra, isenta, rigorosa, objetiva, imparcial e várias vezes repetida, fazendo
registos sistematizados.
- Formulação da hipótese: nesta fase o cientista procura descobrir a relação existente entre
os factos observados e através da indução inferir enunciados particulares ou singulares
explicativos das relações em causa.
FASES do CONTEXTO da DESCOBERTA:
- Experimentação: nesta fase o cientista submete as várias hipóteses a uma verificação
experimental de moda a confirmá-las ou negá-las.
- Generalização dos resultados: nesta fase o cientista, tendo por base os resultados das
experimentações, estabelecem uma lei que expressa as relações entre os fenómenos/ factos

CRITICAS ao INDUTIVISMO:
 A observação não é necessariamente o ponto de partida para fazer ciência.
 A observação não é totalmente neutra, imparcial ou isenta de preconceitos.
 Há teorias sobre factos que não são observáveis.
 O raciocínio indutivo não confere o rigor lógico necessário as teorias cientificas – o
problema da indução.

--- A PERSPECTIVA FALSIFICACIONISTA DO METODO CIENTÍFICO ---

Um dos grandes defensores deste método é Karl Popper que considera que a indução não é
racionalmente justificável (os problemas relativos à indução) mas isso não significa que não
seja possível existir conhecimento científico.
Perante este facto, Popper considera que o conhecimento resultante do método científico
é apenas verosímil (isto é que pode ser verdadeiro ou falso). Face a isto, o que Popper
propõe é que as leis científicas sejam sujeitas ao critério da falsificabilidade e desta forma
possam ser dedutivamente corroboradas (mantêm-se) ou então refutadas (alteram-se).

Conjeturas: é o conjunto de teorias ou hipóteses que o cientista submete aos testes que
vieram a sua refutação ou falsificação.

CRÍTICAS À PERSPECTIVA DE POPPER:


 O processo de falsificação ou refutação não é o procedimento mais comum entre os
cientistas.
 Popper apresenta uma conceção idealizada da ciência, uma vez que considera que o
papel da ciência é meramente normativo (diz como cientistas deviam proceder) e não
apenas puramente descritivo (não diz como procedem).
 A história mostra-nos que a ciência não parece ter evoluído por um processo assente
nas refutações.
 Popper subestima o valor para o progresso das ciências das previsões bem-sucedidas.
 Popper não dá conta do conhecimento útil da ciência.
Os problemas da evolução da ciência e da
objetividade do conhecimento científico
Na perspetiva falsificacionista de Popper, o método científico assenta na proposta de
conjeturas (teorias) e na tentativa sistemática de as refutar.
O ponto de partida dos cientistas são sempre os problemas e as teorias explicativas dos
mesmos.
Uma teoria científica que resistiu à tentativa de refutação (teoria corroborada) pode
também vir a ser derrubada. Daí resulta o caráter conjetural das teorias científicas.

--- A PERSPECTIVA DE POPPER SOBRE A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA---


Popper defende que a ciência avança em direção à verdade. No entanto, nenhuma teoria
mesmo aquela que é corroborada, é completamente definitiva e verdadeira. Apenas pode
conseguir uma maior aproximação à verdade (verossimilhança). Contudo, as explicações
científicas são sustentadas em critérios rigorosos e lógicos e não em crenças metafisicas ou
puras especulações
Na perspetiva de Popper as teorias atuais apesar de verossímeis são mais abrangentes que
as anteriores e este processo evolutivo faz-se sempre de modo revolucionário.

--- A PERSPECTIVA DE POPPER SOBRE A OBJETIVIDADE DA CIÊNCIA---

 O conhecimento científico é independente de valores, opiniões e crenças;


Logo, a ciência é objetiva porque a avaliação das teorias depende apenas de critérios
objetivos.
 Sucesso em testes independentes;
 Capacidade explicativa;
 Capacidade de prever novos fenómenos.

 O conhecimento científico é um "conhecimento sem conhecedor" (não depende de


quem o formula).
 A ciência é conjetural, ela não atinge a verdade, mas a verdade é a sua meta.
--- A PERSPECTIVA DE KUHN SOBRE A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA---

Kuhn defende que a ciência não evolui de forma linear mas sim através de diferentes
perspetivas que se vão sucedendo na abordagem e explicação dos factos.

Ao estudar a história da ciência constatou que existiriam grandes períodos de estabilidade


no contexto científico mas também curtos períodos de instabilidade que foram seguidos de
grandes transcrições e períodos revolucionários.

É dentro dos paradigmas que a atividade científica se desenvolve sendo que o contexto
histórico e sociológico são também elementos condicionadores do trabalho da comunidade
científica.

Paradigma: modelo de referência reconhecido que estabelece os instrumentos, os valores,


os objetivos e os pressupostos metafísicos, bem como as teorias fundamentais que naquela
época a comunidade científica aceita como válidas.

O desenvolvimento da ciência no seio do Paradigma faz-se por ETAPAS, são elas:

PRÉ-CIÊNCIA: é uma fase em que os conhecimentos estão desorganizados, nem sempre


devidamente confirmados e que por outro lado não se enquadra em nenhum paradigma.

CIÊNCIA NORMAL: é uma fase em que os conhecimentos já estão devidamente sustentados,


organizados, enquadrados no conjunto de teorias e métodos defendidos pela comunidade
científica e que formam o paradigma vigente (desenvolvimento cumulativo).

ANOMALIA: é uma fase em que surgem problemas a que o paradigma vigente não consegue
dar resposta ou então surge uma nova teoria para o mesmo problema.

CRISE: é um momento em que que existem muitas dúvidas que obriga a comunidade
científica a reunir-se e entrar em um período de instabilidade (acumulação de anomalias).

CIÊNCIA EXTRAORDINÁRIA: é uma fase onde se misturam teorias por vezes divergentes e a
comunidade científica tem que tomar opções (época de crise).

REVOLUÇÃO CIENTÍFICA (mudança de paradigma): fase em que a comunidade científica


conclui que as anomalias verificadas são muitas e que o paradigma já não as sustenta e tal
tem que ser substituído
(não cumulativo)

NOVO PARADIGMA - volta outra vez a ser ciência normal.


O QUE CARACTERIZA UM PARADIGMA?

Paradigmas são incomensuráveis, isto é, não medíveis (não são possíveis ser quantificáveis
de acordo com as suas informações no sentido de se puder afirmar que o paradigma atual
tem mais informação do que o anterior), nem comparáveis uma vez que podem não existir
elementos comuns, nem semelhanças entre eles.
Um Paradigma é sempre dependente da perspetiva de entender o real tendo em
consideração o contexto em que se desenvolve. Daí que não se pode afirmar que a mudança
de paradigma significa uma aproximação à verdade mas apenas um modo
diferente de interpretar.

CRÍTICAS A THOMAS KUHN


 A tese da incomensurabilidade é desajustada e pouco plausível;
 Kuhn acaba por cair numa posição relativista sobre a ciência;
 A conversão a um novo paradigma implica irracionalidade na atividade científica.

--- A PERSPECTIVA DE KUHN SOBRE A OBJETIVIDADE DA CIÊNCIA---

A ciência não é totalmente objetiva porque interferem 2 tipos de critérios:

CRITÉRIOS OBJETIVOS:

 Exatidão - Capacidade da teoria de prever fenómenos com precisão;


 Consistência - Coerência interna da teoria e compatibilidade com teorias
estabelecidas;
 Alcance - Extensão dos fenómenos explicados pela teoria;
 Simplicidade - Preferência por teorias mais simples;
 Fecundidade - Potencial da teoria em gerar novas hipóteses e investigações.

FATORES SUBJETIVOS:

 A personalidade e experiências pessoais;


 O contexto histórico e sociológico da ciência;
 As crenças e valores da comunidade científica.

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