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Princípios do Processo Civil e Custas

O documento aborda noções gerais do processo civil em Portugal, incluindo a organização judiciária, tipos de tribunais e patrocínio judiciário. Também discute os princípios fundamentais do processo civil e as custas processuais, detalhando a aplicação das leis e as obrigações financeiras das partes envolvidas. Além disso, menciona as especificidades do processo penal e as custas associadas ao arguido em caso de condenação.

Enviado por

Inês Leal
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Princípios do Processo Civil e Custas

O documento aborda noções gerais do processo civil em Portugal, incluindo a organização judiciária, tipos de tribunais e patrocínio judiciário. Também discute os princípios fundamentais do processo civil e as custas processuais, detalhando a aplicação das leis e as obrigações financeiras das partes envolvidas. Além disso, menciona as especificidades do processo penal e as custas associadas ao arguido em caso de condenação.

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RESUMOS PRÁTICA FORENSE E CUSTAS PROCESSUAIS

(1º TESTE)

I. NOÇÕES GERAIS DE PROCESSO CIVIL

PROCESSO CIVIL - CONHECIMENTOS PRÉVIOS


• LOSJ - esta é importante porque se vamos propor uma ação temos de saber a qual tribunal, qual a competência a nível
territorial, material, hierárquico…
• Princípios gerais do processo civil - relembrar regras que são subjacentes ao processo civil. Obrigações das partes,
consequências em caso de incumprimento, atribuição de competências…
• Patrocínio judiciário - saber quando é que pode/deve haver representação (advogado, advogado estagiário, solicitador),
ou autorrepresentação.
• Processo declarativo - fases principais.

ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA PORTUGUESA - LOSJ

Órgãos de soberania
è PR - poder moderador
è AR - poder legislativo
è Governo - poder executivo
è Tribunais - poder judicial - poder de decidir os litígios apresentados pelos cidadãos, guiando-se pelas normas decididas
pela AR.

TRIBUNAIS
• Função jurisdicional
o Art. 202º CRP
o Os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome
do povo
• Independência
o Art. 203º CRP
o Os tribunais são independentes e apenas estão sujeitos à lei.
No que respeita à decisão de justiça, os tribunais decidem sem dependência do Estado, apesar de ser este a atribuir salários e a sua
colocação em tribunais.

è Tribunais judiciais
è STJ
è Tribunais da Relação
è Tribunais de comarca - começa sempre aqui, e os outros tribunais funcionam como tribunais de recurso.
Em circunstâncias muito excecionais, a 1ª instância pode ser na Relação ou no STJ: por exemplo, julgar um juiz não pode ser efetuado
na 1ª instância.

Supremo Tribunal de Justiça


• Órgão superior de hierarquia dos tribunais judiciais
• Secções: cível, social e criminal (art. 47º LOSJ) - social é, por exemplo, conflitos de trabalho.
O juiz deve ser tratado como conselheiro no STJ.

Tribunais da Relação
• Lisboa, Évora, Coimbra, Guimarães e Porto
• Tribunais de 2ª instância
• Secções: cível, penal, social, família e menores, comercio e propriedade intelectual e de
concorrência, regulação e supervisão (art. 67º LOSJ)
• Alçada: 30.000€ (44º LOSJ)
Aqui são tratados por venerandos desembargadores. Na 1ª instância são meritíssimos. Advogados, advogados estagiários e
solicitadores são tratados por ilustre mandatário. Aos conselheiros (STJ) abordamos como colendos conselheiros.

1
Tribunais de 1ª Instância
• Tribunais de comarca
• Alçada: 5.000€ (44º LOSJ)
• 23 comarcas
• Tribunais de competência territorial alargada
Como é que chegamos ao valor? Sendo questões pessoais (por exemplo, divórcio) não dá para dizer com certeza o valor, mas o código
ajuda-nos a atribuir valores. Vamos treinar isto quando fizermos peças processuais.
• Juízos de competências especializada
o Central cível
o Local cível
o Central criminal
o Local criminal
o Local de pequena criminalidade
o Instrução criminal - 119º LOSJ
o Família e menores - 122º LOSJ
o Trabalho - 126º LOSJ
o Comércio - 128º LOSJ
o Execução - 122º LOSJ
• Juízos de competência genérica - 130º nº 1 e 2 LOSJ
• Juízos de proximidade - 130º nº 5 LOSJ
Existem comarcas e dentro delas há juízos, e para saber qual é o juízo temos de saber qual é a matéria em questão.

Cíveis
• Juízo local cível
o Ações de valor até 50.000€
• Juízo central cível - 117º LOSJ
o Ações de valor superior a 50.000€
Criminais
• Juízo local de pequena criminalidade - 130º nº 4 LOSJ - só existe em Lisboa e no Porto. Se não for nestes locais,
vai para o juízo local criminal.
o Processo especial:
• Sumário, abreviado e sumaríssimo
o Recursos de contraordenação
• Com coima até 15.000€
• Juízo local criminal
o Tribunal singular - até 5 anos
• Juízo central criminal - 118º LOSJ
o Tribunal coletivo ou de júri - se for + de 5 anos. 3 juízes

2
PATROCÍNIO JUDICIÁRIO

Patrocínio judiciário obrigatório - advogado


1. 40º nº 1 a) - nas causas de competência de tribunais com alçada em que seja admissível recurso
2. 40º nº 1 b) - nas causas em que independentemente do seu valor seja admissível recurso
3. 40º nº 1 c) - nos recursos nas causas propostas nos tribunais superiores
4. 58º nº 1 - nas execuções de valor superior a 30.000€ ou inferior a isso, mas superior a 5.000€
5. 58º nº 2 - No apenso de verificação de créditos, quando reclamado crédito de valor superior a 5.000€
6. 58º nº 3 - Nas execuções de valor superior a 5.000€ diferentes das referidas antes, além de advogado,
pode ser estagiário ou solicitador.

Patrocínio judiciário - solicitador


1. Quaisquer processos em requerimentos que não se levantem questões de direito
2. Em quaisquer processos que não seja obrigatória a constituição de advogado
3. Nas execuções de valor superior a 5.000€ diferentes das referidas no art. 58º nº 1 e 2 CPC

Representação das partes no processo


• Nomeação oficiosa
o Insuficiência económica - aqui o Estado assume as despesas
• E arguido no processo-crime -o arguido em processo-crime tem de ser acompanhado por advogado.
No sistema criminal não há advogado em causa própria- se o arguido for advogado tem de se fazer
representar por outro advogado. Quando a pessoa é acusada de um crime tem de ser um advogado. Aqui o
Estado não assume as despesas, ele nomeia o advogado e no fim pede as custas ao arguido.
• Contrato de mandato - 1157º CC
o Declaração verbal no processo
o Procuração forense

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Princípios fundamentais e estruturantes do processo civil:


1. Dispositivo - art. 3º n º 1 e 6 e nº1 1ª parte CPC
2. Contraditório - art. 3º nº 1 in fine e nº 3 e nº 4 CPC - (nº 3) ao longo do processo vão ter de ser tomadas decisões
sem que não possa ser ouvida a outra parte.
3. Igualdade das partes - art. 4º CPC

3
4. Ónus de alegação das partes - art. 5º nº 1 CPC - causa de pedir é onde se desenvolvem os factos que
fundamentam o meu pedido (é a alegação que o autor faz); é a narrativa que resulta da resolução de um direito. ≠ do pedido,
uma vez que este é, como isto aconteceu (ou seja, esta é a causa de pedir), segue-se a consequência pelos factos que
justificaram a causa de pedir.
5. Poderes de cognição do tribunal - art. 5º nº 2 e 3 CPC - o juiz está limitado àquilo que as partes dizem. Se
houverem factos complementares da causa de pedir, o juiz pode também decidir.
6. Inquisitório - art. 6º e art. 411º CPC - apesar dos princípios anteriores, o juiz tem ainda alguns poderes de, por ele
próprio, ir em descoberta da verdade. Este princípio diz que a própria parte que vai decidir (juiz) pode determinar a prática de
atos probatórios além daquilo que foi pedido. É um art. genérico (6º).
7. Oficialidade - art. 6º nº 1 e 2 do CPC - ajuda no andamento do processo.
8. Gestão processual - art. 6º nº 1 e 2 CPC - ajuda no andamento do processo.
9. Cooperação - art. 7º nº 1 a 4 CPC - quando uma das partes só consegue fazer prova de um facto com documentos
que estão na posse do outro, tem de existir esta cooperação, porque impõe-se que a outra parte junte o documento. O
princípio da cooperação também leva já à resposta da parte contrária às exceções invocadas por uma das partes num
articulado que não está previsto ou na audiência prévia.
10. Dever de boa-fé processual - art. 8º CPC - com a cooperação, também devem estas agir por boa-fé e
reciprocamente corrigirem-se.
11. Dever de recíproca correção - art. 9º nº 1 e 2 CPC

Princípios fundamentais abordados ao longo do CPC:


12. Princípio da adequação formal - art. 547º CPC - temos de mover o processo como o CPP prevê.
13. Princípio da imediação - 591º CPC
14. Princípio da concentração - art. 552º nº 2, 572º e 573º nº 1 CPC - as partes têm de esgotar toda a sua
argumentação nos articulados. O autor tem de alegar todos os factos que integrem o direito que ele diz que está em causa, e
tem de o fazer na PI; assim como o réu tem de invocar todos os factos e meios de defesa, mesmo através de impugnação ou
exceção, de forma completa, ou seja, não pode depois, invocar outros factos (exceto factos supervenientes). Além disso,
este princípio também pode surgir com o convite ao aperfeiçoamento.
15. Princípio da oralidade - 591º CPC
16. Princípio da identidade do juiz - art. 605º e 607º CPC - o mesmo juiz que recebeu o processo deve levá-lo até ao
final.
17. Princípio da legalidade - Art. 131º CPC
Estes arts. Vamos ver mais à frente

II. CUSTAS PROCESSUAIS


———————————————————-
Lei aplicável
Regulamento das custas processuais
CPC
CPP
———————————————————-

ÂMBITO DE APLICAÇÃO

O RCP aplica-se a todos os processos e procedimentos:


• Nos tribunais judiciais
• Nos tribunais administrativos e fiscais
• No BNI
• No balcão do arrendatário e do senhorio (BAS) (arts. 21º a 26º do DL. Nº 1/2013 alt. L. 56/2013)
• Nos cartórios notariais (processo de inventario)

REGIMES ESPECIAIS

Processos:
4
• Tribunal constitucional
• Julgados de paz
• AT: processos tributários e fiscais na fase que decorre junto dos órgãos de execução fiscal
Não vamos dar esta matéria

ÂMBITO DAS CUSTAS PROCESSUAIS - ART. 3º CPC - 529º

As custas processuais compreendem:


Não confundir custas processuais com taxas de justiça.
• A taxa de justiça
o Montante devido pelo impulso processual de cada interveniente
o Art. 6º, 8º, 9º, 13º a 15º RCP
• Os encargos
o Despesas resultantes da marcha do processo, requeridas pelas partes ou ordenadas pelo juiz.
- há alguns atos que custam dinheiro, e a parte que pede esse ato é que vai ter de adiantar. Por exemplo, perícia,
tradutores, intérpretes. Já as ordenadas pelo juiz são adiantadas pelos tribunais. Por exemplo, inspeção ao local.
o Art. 16 a 24º RCP
• As custas de parte
o O que cada parte gastou com o processo e tenha direito a ser compensada - despesas com
solicitador e advogado: a parte que perdeu tem de pagar pelas despesas que o vencedor teve com estes. Em alguns
países da Europa há alguma compensação, mas não paga tudo.
o Art. 25º e 26º RCP
• Não incluem:
o As multas e as penalidades

Sujeitos a custas
Quem recorre ao tribunal tem de pagar custas
• Exceto se estiver isento - art. 4º RCP
• Os casos de insuficiência económica beneficiem de isenção através do apoio judiciário
Quem perde, paga.

CUSTAS E PROCESSO PENAL - 513º CPP

Notas:
Ø processo penal é o conjunto de regras que explicam a tramitação de um processo inicial no qual é decidida a aplicação de
uma pena ou sanção a alguém. ≠ do processo civil, porque não é um processo de partes, porque o MP age para garantir que a
lei é cumprida, independentemente dos intervenientes (por exemplo, com os menores, os trabalhadores…); no processo
penal, o MP tem um papel mais intenso, porque é preciso saber o que acontece a alguém que pôs um direito em causa (o MP
analisa a prova, e condena quem cometeu um crime) - o MP defende sempre a legalidade porque se for feita prova de que não
há crime o MP não se agarra à ideia de que existirá um crime.
Ø No processo penal, não há muitas formas de abreviar o processo, ao contrário do processo civil, em que podem chegar a
acordos e tornar o processo mais curto. Com os crimes públicos em processo penal deve ser seguida a sua tramitação até ao
fim.
Ø As regras de processo penal são específicas e desviam-se do processo civil, havendo apenas algumas normas que se
aplicam e as restantes estando previstas no processo penal.
Resumindo: este não é um processo de partes, não é verdadeiramente alguém contra alguém (é sobre se alguém merece ser punido
pela prática de um facto ou não).

Custas do arguido
o Quando é condenado - quando este é condenado significa que o arguido praticou factos que constituem crime e nada
mais há a fazer. A conta é desde logo feita se não houver recurso.
o Quando perde recurso - se o arguido recorre e o recurso não é provido, paga custas.
o 1 só taxa ainda que vários crimes - não obstante, o arguido paga pelo processo e não pelo número de crimes que
comete. O arguido ser acusado por mais de um crime o acréscimo de despesas é mínimo (por exemplo, pode acrescer ao nº
de vítimas por se falar de vários crimes, mas tirando isso não acresce imenso nas custas).
• Não há custas (516º CPP) - há situações em que há uma condenação, mas o arguido não paga as custas, sendo esta
uma exceção ao 513º CPP. Nestes casos não há julgamento.

5
o Arquivado por dispensa de pena - 280º CPP - o juiz pode tomar a decisão de dispensar uma pena, não
havendo uma sentença condenatórias (não se aplicando nenhuma pena). Aplicável apenas a penas no máximo de 6
meses.
o Suspensão provisória do processo - 281º CPP – aplicável a penas até 5 anos. Aqui a suspensão não pode
ser superior a 2 anos, mas varia de acordo com o caso.
Estes 2 casos apenas são relativos a penas menores. Nestes casos, sendo a sua primeira ocorrência, pode haver apenas um
aviso e nem fica com cadastro. Ambas são sentenças condenatórias, porque poderia ter sido condenado, e o arguido não paga
as custas, isto porque não há julgamentos nem recursos, não se gasta dinheiro com essas fases processuais.

Custas do assistente - 515º CPP


Nos crimes privados e semipúblicos, é necessário que o ofendido se constitua assistente, e a seguir ao inquérito (feito pelo MP) quem
vai arguir é o assistente. Sendo assim, o assistente é o ofendido com estatuto processual, que pode recorrer, arguir, interpor recurso,
etc.. Se o assistente é aquele que tem mais poder no processo, vai ter mais custas, porque tem direito a moldar o processo.
• Se se acusa e arguido for absolvido, ainda que parcialmente - situações em que quem fez a acusação foi o
assistente e no final perdeu. Há situações em que o assistente acompanha o MP: se perderem, o MP não paga, mas o
assistente sim.
o Exceto por facto superveniente - 517º CPP - ele pode ter acusado e depois acontecer algo que surgiu
depois que veio mostrar que ele deve ser absolvido e aí não paga.
• Se perder recurso, ainda que parcialmente - se o assistente recorrer e pagar, tem de pagar as custas
• Se desistir - o ofendido, nos crimes semipúblicos e particulares, é o ofendido que tem de fazer queixa, daí que pode
desistir, mas tem de pagar pelas custas do processo, mesmo que tenha uma razão valida para desistir, porque a desistência
não tem de ser fundamentada.
• Se não acusar injustificadamente - aqui é só para os crimes particulares. Estes são os crimes em que o ofendido tem
de fazer queixa, constituir-se assistente e no fim do inquérito tinha de deduzir a acusação particular. No fim do inquérito, o
MP notifica o assistente e diz que foi feita a investigação e diz que na sua opinião existem/não existem indícios de crime. Se
não existirem indícios de crime e o assistente não acusar não paga custas porque agiu corretamente; contudo, se houverem
indícios de crime e o assistente não acusar, aqui é injustificado.
• Se for rejeitada a sua acusação - as acusações são rejeitadas não por questões de substância, mas sim por questões
de forma. Ao contrário do que se pensa, não se julga porque o marido matou a mulher - tem de estar tudo expresso e
evidenciado, de forma correta e bem escrita. Tem de existir um objeto, uma descrição para que o arguido se possa defender.

Taxa de justiça do assistente


O processo penal existe por causa do jus exponiendo (poder do Estado).
O Estado tem a função de responsabilizar as pessoas pela violação das regras. Ademais, vimos as taxas de justiça (custos devidos
pelo impulso do processo - por exemplo, na PI, nas defesas, recursos…).
O arguido, quando se quer defender, apresenta a contestação, e se quiser defender, não há taxa de justiça para ele. Isto porque ele
está a ser acusado, não deve pagar para se defender, porque quem o acusou é que deve provar que existiu o crime.
Mesmo o assistente não paga taxa de justiça para recorrer, mas paga 2 taxas de justiça.
• Constituição de assistente - art. 8º nº 1 RCP - se ele quer ter mais poder no processo tem de pagar uma taxa de
justiça. Se o arguido for condenado, esta taxa está incluída no seu pagamento das custas.
o 1UC = 102€
• Requerimento de abertura de instrução - art. 8º nº 2 RCP - o assistente abre instrução (que é facultativa) quando
o MP arquivou o processo de inquérito. Por exemplo, alguém fez uma queixa e o inquérito defende que não há indícios de
crime, que se arquive. Entendendo o assistente que há, pode requerer a abertura da instrução se não concordar com a
decisão de arquivar.
o 1UC
As taxas de justiça são pagas pelo assistente. O arguido paga taxas de justiça em processo contra-ordenacional.

Imagine-se que no dia 20 de maio deu um murro a Almiro e partiu-lhe os óculos. Foi feita a investigação, foi provado que existiu indícios
e foi julgado. O arguido paga então as taxas de justiça, o que acontece aos óculos? No processo penal, quem sofre danos com o crime
tem de pedir no próprio processo-crime

Custas do pedido cível


• Regras do RCP
o Art. 4º nº 1 al. n) - isenção <20UC = 2040€.Quando é inferior a 2040€, o demandante está isento de pagar
taxas de justiça, e por isso o arguido está isento de pagar taxas de justiça para contestar.
o Art. 15º nº 1 al. d) - dispensa > 20 UC + de 2040€. Com este pedido, está dispensado de pagar taxa de
justiça. Como funciona a dispensa? A sentença é seguinte ao julgamento, em que se absolve ou condena. Quando
faço o pedido, depois do inquérito, só sei a resposta com o fim do julgamento. Tem de pagar taxas de justiça quando
sair a sentença; aí é notificado para pagar a taxa de justiça a que estava dispensado. Se o arguido contestar também
está dispensado a uma 1ª instância, mas depois da sentença também tem de pagar.

Custas do denunciante - 520º CPP

6
• Denuncia de má-fé ou com negligência grave - por exemplo, para se vingar do seu vizinho (Bernardo) que
estacionou no seu lugar de garagem, António denuncia um caso de violência doméstica contra este, mas Bernardo nem é
casado. Tem de ser aquele que denunciou o caso a pagar as taxas.
• Art. 8º nº 6 RCP

Custas de intervenientes - 521º CPP


• Quem entorpecer o andamento do processo ou implicar uma disposição substancial de tempo e
meios - se algum dos intervenientes no processo da origem a adiamentos, não envia relatórios a tempo para julgamento, por
exemplo, pode o juiz decidir que ele vai ser responsável por pelo menos uma parte das custas.

Custas do Ministério Público - 522º CPP


• Isenção - como está a cumprir o seu dever de analisar o processo, decidir se há indícios de crime ou não…, não paga taxas
de justiça.

Custas e processo contra-ordenacional


• Art. 8º nº 7 e 8 RCP
• Recurso de impugnação de decisão final administrativa - falamos aqui das custas judiciais. Mediante uma
decisão administrativa o arguido tem sempre direito de impugnar a decisão - discutir para um juiz a decisão administrativa.
Esta taxa de justiça paga-se quando for admitida em tribunal, entao não tenho de a pagar logo (porque 1º vai para a
administração e só depois passa para os tribunais). Se a coima já estiver paga, não há taxa de justiça - a AP pode ter
condenado ao pagamento de uma coima e se eu a pagar e impugnar na mesma não paga taxa de justiça. = 1UC = 102€.
• Só com admissão judicial da impugnação

CUSTAS E PROCESSO CIVIL

Art. 527º CPC - quem paga?

• Princípio da causalidade
o Quem deu causa
o Parte vencida - se proponho uma ação contra uma companhia de seguros que assinou com um veículo que teve
um acidente em que era culpado esse veículo, se fizer prova dos factos e o tribunal entender que o contrato estava
em vigor e esse veículo foi culpado é a companhia de seguros que tem de pagar.
o Ver 535º - pode acontecer que uma ação seja procedente, mas não na totalidade. A parte vencida pagava as
custas, mas na proporção do decidido - foi condenado a pagar apenas uma parte do que foi pedido. Isso significa
que se eu ganhei 75% o outro terá de pagar 75% das custas.
• Princípio do proveito - Há casos em que é muito difícil saber quem é que perdeu, ou é parte vencida - existe um critério
subsidiário, previsto na 2ª parte do 527º nº 1 - princípio do proveito.
o Quem tira vantagem
o Não há vencedor nem vencido
o Ex: divisão de coisa comum; processo de inventário - em casos de compropriedade, o legislador permite
que se finde a propriedade, por acordo ou não (divisão de coisa comum); nestes casos não se pode dizer que há
alguém deu causa à ação. Quando se decide, decide-se quem fica com a coisa e quem tem direito a ser ressarcido
na sua parte da casa.
Primeiro aplicar-se-à o critério da causalidade e so depois o do proveito, a título subsidiário.

Repartição das custas - art. 536º CPC


A partes apresentam as suas perspectivas na PI e na contestação. Pode acontecer que se suscite a prova de um facto relevante para o
processo, por exemplo, pelo que terá de se apurar qual das partes ficará responsável pelas custas, ou se poderão ser divididas.
• Circunstâncias supervenientes não imputáveis às partes
o As custas são repartidas em partes iguais entre as partes.
• Circunstâncias supervenientes imputáveis às partes - na proporção do facto têm de pagar as custas. Imagine-se
o caso de acidente de aviação; depois da PI e contestação, a seguradora, ao ouvir as primeiras testemunhas no julgamento,
vê que não vai ganhar e paga o que deve ao autor. Aqui, já está pago tudo e o juiz so tem de decidir os danos não patrimoniais
- aqui, é a seguradora que tem de pagar as custas.
o Extinção da instância por impossibilidade ou inutilidade superveniente da lide: responsável o
autor/exequente.

7
Taxa sancionatória excecional (art. 531º CPC) - remissão para art. 10º RCP e vice-versa
• Por decisão fundamentada do juiz - o juiz, explicando, tem de dizer porque é que entende que a(s) parte(s) estão a
fazer um uso indevido do processo;
• Casos excecionais;
• Valor: entre 2 UC e 15 UC (art. 10º RCP) - é aplicado diretamente do juiz e tem ela própria uma fundamentação;
• Requerimentos, recursos, reclamações ou incidente manifestamente improcedente;
• E a parte não tenha agido com prudência ou diligência devida - há um grau de cuidado que existe entre as
partes, não se pode dizer que não sabia de algum acontecimento.

Encargos - art. 532º CPC - + 20º RCP


São as operações/diligências que têm de se fazer durante o processo.
Há pouco falamos das custas que integram estas componentes todas; durante o processo tem sempre de se ir pagando algumas
custas.
Com os encargos, tirando casos em que o tribunal adianta, as partes têm de pagar o encargo a que deram origem. Depois, como os
encargos fazem parte das custas, vamos ver mediante os princípios analisados anteriormente quem paga, mas antes tem de se dar um
adiantamento. No final, a conta de custas inclui os encargos feitos durante o processo e a parte vencida paga.
• Cada parte paga os encargos a que tenha dado origem
o A final são pagos pela parte vencida.
• São pagos pela parte que requereu ou tenha interesse
o Quando ambas têm interesse no ato que gere encargo, pagam ambas. - por exemplo, ambas têm
interesse numa perícia, tem de ser pedidas (podem chegar a acordo as partes ou decide o juiz) e ambas pagam.

Custas de parte - 533º CPC


A custas de parte são as despesas que uma das partes teve com o processo e que deva ser compensada por ela. Porque as partes
podem ter muitas despesas em virtude do processo, mas podem não dever ser compensadas por elas (Este 2º requisito é importante).
• Suportadas pela parte vencida na proporção do seu decaimento
• Tem o dever de as pagar à parte vencedora - não há acerto de contas, nas custas de parte só quem ganhou é que
tem direito.

A. Taxas de justiça pagas;


B. Encargos efetivamente suportados;
C. Remunerações pagas ao agente de execução de despesas por este efetuadas;
D. Honorários do mandatário e despesas por este efetuadas;
Quem lê o 533º assim, pensa que se pode pedir todos os honorários do mandatário. Contudo, se consultarmos o art. 26º RCP, no que
respeita a honorários, apenas pode ser compensado metade das taxas de justiça pagas (Nº 3). Na D) colocava-se um cálculo de tudo
somado x0,5.
• Objeto de nota discriminativa e justificativa - art. 25º RCP. + 26º RCP - é um documento feito pela parte
vencedora com as indicações do art. 25º.

Nota justificativa
• Prazo: 10 dias
o Desde o trânsito em julgado ou após a notificação de que foi obtida a totalidade do pagamento
ou do produto da penhora - é com este documento que a parte vencedora tem direito a receber pelas custas
que teve. Tem de ser requerida neste prazo.
• A parte vencedora envia a nota ao tribunal e à parte vencida. - o tribunal não vai notificar a parte vencida das
custas de parte; é a parte vencedora no prazo de 10 dias acima notifica. Se não apresentar a nota discriminativa não posso
executar as custas de parte devidas, caso a parte vencida não pague.

Elementos da nota justificativa


1. Indicação parte, processo e mandatário ou agente de execução;
2. Quantias efetivamente pagas a título de taxa de justiça;
3. Indicação das quantias pagas pela parte a título de despesas ou encargos;
4. Indicação das quantias pagas honorários (Advogado ou AE)
a. Limite de 50% do somatório das taxas de justiça pagas pela parte vencida e vencedora (26º nº
3 al. c) RCP)
5. Indicação do valor a receber (25º nº 2 al. e) RCP)

Taxa de justiça - art. 5º RCP


São devidas pelos articulados, incidentes, recursos e sem isso a peça não produzira os seus efeitos a não ser que haja apoio judiciário.

8
• É fixada em função do valor e da complexidade
• Ver tabelas - depende do valor da ação, das partes (grandes litigantes, por exemplo - quem foi parte em mais 200 ações no
tribunal)
• Expressa Unidade Conta (UC)
o Atualizada anualmente indexante de apoios sociais (IAS) - desde que saiu esta norma, em 2008, nunca
houve atualização. As tabelas falam em unidades de conta.
o Valor da UC: 102€ - como se pagam? Emissão e pagamento de um DUC (Documento de unidade de conta).

Tabelas X
• Regra: tabela I
o Em princípio tabela I-A
o Recursos tabela I-B
o Ação ou recurso de especial complexidade, o juiz pode, a final, aplicar a tabela I-C
o Litigância em massa aplica-se a tabela I-C e II-B
• Casos especiais tabela II
o Procedimentos cautelares
o Incidentes da instância
o Execuções e as diversas oposições às mesmas
o Reclamação de créditos
o Esclarecimento, retificações e reforma da sentença
o Processos de competência exclusiva do MP
o Execuções por custas, coimas ou multas

Art. 7º RCP - regras especiais


• Recursos: taxa paga pelo recorrente com as alegações e pelo recorrido, com as contra-alegações (tab.
IB - art. 7º n° 2)
• Processos de expropriação - o recorrente paga com a interposição do recurso da decisão arbitral
(Tabela I-A - art. 7 n° 3 do RCP)
• Processos especiais, incidentes, procedimentos cautelares, execuções, injunção (Tabela II)
• Execuções por custas, multas ou coimas é o executado responsável pelo pagamento das custas
(Tabela II - art. 7° n° 5 RCP)
• Injunção: se seguir como ação, a taxa de justiça é paga 10 dias a contar da distribuição, descontando-
se, no caso do autor, o valor pago de taxa na interposição.

Base tributável é valor da causa (art. 11º RCP)


Fixação do valor em casos especiais (art. 12º RCP)
Recursos: valor da sucumbência, se determinável
• No requerimento de interposição, deve ser indicado esse valor (art. 12º nº 2 RCP)

Responsabilidade e pagamento

Taxa de justiça
• Integralmente e de uma só vez, por cada parte ou sujeito processual - 14º nº 1
• Possibilidade de pagamento em 2 prestações, uma com o articulado outra em 10 dias, contados da
notificação da data de audiência final - 14º nº 2 -a 1º na PI ou contestação, conforme seja o autor ou o réu. Se não
pagarmos no prazo, que normalmente não está escrito na guia, corre-se o risco de o articulado não ser considerado. - Tirando
casos muitos concretos, por uma questão profissional, devemos pagar tudo de uma só vez.
• Art. 145º CPC: junto com a peça o comprovativo do seu pagamento prévio ou comprovativo do
deferimento do pedido de apoio judiciário. - Conjugar com art. 529º CPC. Com a exceção do apoio judiciário (pode
ser pedido antes ou durante a entrada da ação), a taxa de justiça paga-se previamente (quando damos entrada da peça
processual ela tem de estar paga) e de forma autoliquidada (porque é a parte que tem de emitir o DUC e tem de integrar isso
com a peça).

Falta de pagamento da taxa de justiça


Com exceção da petição inicial que será recusada (558.º, al. f) CPC), a falta de junção do comprovativo do
prévio pagamento da taxa de justiça não implica recusa do articulado, mas a parte tem de juntar o
comprovativo do pagamento nos 10 dias subsequentes, sob pena de aplicação das cominações previstas nos

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arts. 570° e 643. ° do CPC - Aplica-se o 570º porque vai existir uma multa. A multa de não ter pago a taxa de justiça é igual ao valor
da taxa, além do valor da taxa inicial, com os limites previstos.

Encargos (16° RCP)


1. Reembolsos ao Instituto de Gestão Financeira;
2. Despesas adiantadas pela Direção-Geral dos Impostos;
3. Diligências forças de segurança;
4. Pagamentos pela produção ou entrega de documentos, prestação de serviços ou atos análogos;
5. Compensações a testemunhas;
6. Pagamentos por passagem de certidões exigidas pela lei processual, quando a parte beneficie de apoio
judiciário;
7. Despesas resultantes de depósitos públicos;
8. Retribuições por intervenção acidental no processo;
9. Despesas de transporte e ajudas de custo.

Remunerações peritos, tradutores e intérpretes - art. 17º RCP


- Taxa variável:
• em função do serviço ou deslocação
• em função da fração ou do número de páginas de parecer, peritagem ou tradução
• o prestador de serviços indica o valor, dentro dos limites da tabela IV anexa ao RCP

Multas - 27º RCP


As multas não se incluem nas custas processuais. Quem é multado tem de pagar de imediato, sob pena se a multa entrar em conta
final acrescida de 50%.
• Montante fixado na lei
• Fixação entre 0,5 UC e 5 UC
• Casos excecionalmente graves: até 10 UC
• Casos de litigância de má fé
• Sempre fixado pelo juiz

Pagamento das multas - 28º RCP


• Prazo de 10 dias
• Não sendo paga, transita para a conta de custas, com acréscimo de 50%.
• São sempre pagas pela parte, ainda que tenha apoio judiciário
Se a multa for de quem vencer emite-se as guias para o que tem de pagar a multa.

Conta de custas - 29º RCP X


Elaborado em 10 dias
• trânsito em julgado da decisão resp. custas
• Pagamento voluntário ou obtenção do produto da penhora (execução)
• Após liquidação do ativo (insolvência)
Dispensa da conta - alíneas art. 29º nº 1 RCP
Uma conta por sujeito - 30º RCP
Possibilidade de reforma e reclamação - 31º RCP
Execução por custas - art. 35º RCP

Pagamento em prestações X
Pessoas singulares
• valor até 12 UC
o Até 6 prestações mensais e sucessivas de, no mínimo, 0.5 UC
• Valor superior a 12 UC
o Até 12 prestações mensais e sucessivas de, no mínimo 1 UC
Pessoas coletivas
• valor até 20 UC
o Até 6 prestações mensais e sucessivas de, no mínimo, 0.5 UC
• Valor superior a 20 UC
o Até 12 prestações menos ais e sucessivas de, no mínimo, 1 UC
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