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Momento

O texto narra a história de um homem lidando com a dor da perda de sua filha, enquanto se encontra em um bar com uma amiga, Bianca, e reflete sobre suas memórias. Em paralelo, dois jovens, Luke e Ferris, enfrentam a violência do mundo ao seu redor, utilizando suas habilidades para proteger crianças de abusos. A narrativa explora temas de amor, perda, e a luta contra a dor e a injustiça.

Enviado por

Uriel Ariantos
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Momento

O texto narra a história de um homem lidando com a dor da perda de sua filha, enquanto se encontra em um bar com uma amiga, Bianca, e reflete sobre suas memórias. Em paralelo, dois jovens, Luke e Ferris, enfrentam a violência do mundo ao seu redor, utilizando suas habilidades para proteger crianças de abusos. A narrativa explora temas de amor, perda, e a luta contra a dor e a injustiça.

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A garoa fina insistia em bater na jaqueta, mesmo ela mal molhando o tecido.

Era
sempre assim quando a lua estava alta. Ele olhou por sobre o ombro e entrou, sem
medo. Não precisava mais ter tanta atenção. “Coisa de velho”, pensou, mas logo
esqueceu. Olhou para o bar e foi direto para seu banco, como sempre. Do outro lado do
balcão, seu velho amigo já jogou o apoio e deixou um copo em cima. Sabia que aquela
dose era grátis mas sempre deixava o valor dela como gorjeta. Não achava justo, por
mais que ele dissesse que era por gratidão. Tinha feito apenas seu trabalho, e mais nada.
Virou a dose em um gole, deixando a garganta queimar. Era bom, já que o forçava
a ficar acordado, algo que nunca mais queria. Manter os olhos abertos era um pedido
para que as lembranças voltassem, e cada vez que elas vinham era sempre pior.
- Velhos hábitos não mudam.
- Boa noite para você também, Bianca.
Cumprimentou a moça sem realmente olhá-la. Continuava linda, mas a dor era
maior. As marcas das noites mal dormidas ao redor dos olhos não conseguiam diminuir
a beleza daquele par de esmeraldas. Fez um sinal, e o barman deixou duas doses na
frente deles.
- Você passou no tumulo também, não foi?
- Vou sempre que posso. E você?
- Todos os dias. Estou morando do lado do cemitério. Consigo ver o túmulo do
meu quarto.
- Pelo menos ainda consegue vê-la... – sentiu a voz dela vacilar. Fez que ia pousar
a mão em seu ombro, mas desistiu no meio do caminho. Não podia mais fazer aquilo.
Era doloroso demais, e a última coisa que queria era que Bianca sofresse mais.
Ela lhe entregou algo debaixo do copo. Era uma anotação, feita em alguma receita
jogada fora. Ainda estava no hospital. Que bom. Desdobrou com a ponta dos dedos, e
tinha pelo menos seis nomes e endereços ali.
- Sim, eu sei o que anda fazendo. Podia ser que nem eu, se afogando nas garrafas
até desmaiar, mas eu desisti de julgar. Às vezes é melhor mesmo extravasar.
- Bianca, eu...
- Não fala. Só... se cuida, tá bom? – deixou algumas notas no balcão e fez que ia
sair, mas ele segurou sua mão. Apesar do tamanho, tinha uma ternura paternal, de
cuidado, o que diferia completamente de sua aparência. Ela lhe olhou, e percebeu a
aliança em sua mão – Ainda a mantém?
- Eu escolhi amar apenas duas pessoas nesse mundo, Bianca. E minha decisão
nunca mudará. – Acariciou a mão dela, soltando os dedos devagar – Toma cuidado. Isso
aqui é... Perigoso.
- Uma das enfermeiras namora um investigador. Ela é língua solta, então só
prestei atenção um pouco mais que o normal.
- Se é assim... – soltou sua mão, voltando para o balcão – Obrigado.
Ela saiu a passos rápidos. Sim, aquela dor nunca passaria. Mesmo depois de dois
anos nada mudou. A dor era a mesma. Os médicos dizem que pararia de ver sua filha
nos cantos depois de seis meses, mas a única coisa que ficava em seus ouvidos era a
risada, a voz doce daquele pequeno tesouro, que foi embora tão cedo.
Sentiu seu pulmão pesar, mas uma mão delicada correu por suas costas, dando-lhe
aquela energia estranha que o recuperava. Pensou em olhar para o lado, mas apenas
deixou um risinho escapar pelo canto da boca, agradecer pelas bebidas e sair, olhando
para o alto e admirando a lua.
- Quer conversar, Ronny?
- Obrigado Leylenne, mas logo passa. – Pegou o bilhete do bolso e mostrou para
ela. Aquele som delicado das asas de borboleta realmente lhe acalmava – Temos
trabalho a fazer.
- Não quer ir um pouco para casa? Tomar um banho, comer algo...
- To fedendo?
- Não, seu bobo... Droga, será que não entende o que quero dizer?
Colocou a mão para trás e a trouxe para perto. Ela sempre se escondia em suas
costas. Não era tão grande assim para esconder aquela fada. Ela tinha quase um metro e
sessenta, pele acinzentada, com cabelos tão escuros quanto a noite, e, mesmo assim, ela
brilhava muito mais do que qualquer letreiro de neon ou holofote ao redor. Seus olhos
eram poços profundos de um negro assustador, mas ele conseguia ver a beleza deles.
Com cuidado, a puxou para um abraço, tentando acalmá-la.
- Vai dar tudo certo. Precisamos fazer isso. Por ela.
- Sim... Por seu amor...
- Eu disse que amo duas pessoas nesse mundo. O que eu tinha por minha filha é
completamente diferente. É algo muito maior e mais importante do que “amor”.
- S-sério?
- Claro que sim. Minha ligação com ela nunca será rompida por nada, nem mesmo
a morte.
Soltou a fada, indo para sua moto. Ela parou um momento, observando-o ligar o
veículo. Quando juntou os pontos, pulou na garupa e o abraçou com força. Se era isso
mesmo, seria o veículo de sua vingança, o meio dele escoar todo o ódio e tristeza. Era
seu Sonho, e ficaria com ele até que tudo acabasse – até que esse mundo chegasse ao
fim...

-x-X-x-
Ferris se ajeitou ao lado de Luke calmamente. Sabia que o garoto ficava tonto
após sair de um Momento, ainda mais depois de tudo o que tinha acontecido. Queria
realmente entender porque os mais velhos eram sempre tão grosseiros com os pequenos,
porque usavam tantas ameaças contra aqueles que deveriam proteger e amar. Ajeitou as
patas e baixou a cabeça, fungando para a garoa que se instaurara na cidade.
Ergueu uma das orelhas, e percebeu que era só o garoto abrindo a mochila e
pegando algo de dentro. Claro, estava com fome. Devia ter prestado atenção naquilo
também. Que péssimo guardião era. Bufou de novo, voltando a se ajeitar, mas ele
deixou um biscoito na sua frente.
- Ainda está crocante, como você gosta.
- Não estou com fome. Pode comer sossegado.
- Sei... E depois vai ficar choramingando por aí dizendo que queria...
- Não sou um certo moleque de cabelo arrepiado e nariz escorrendo...
Luke puxou a manga do casaco e limpou o nariz, por reflexo. Claro que estava
limpo. Ferris sempre fazia isso para irritá-lo. Clicou a língua, mania que tinha quando
estava irritado, e se virou para o lado. A cobertura não era muito grande, então não dava
para ele sair de perto, como sempre fazia.
- Tá doendo?
- Não, eu consegui desviar. Você me ensinou, lembra?
- Claro que lembro, mas você insiste em ter que usar tudo o que te ensinei!
- E não era pra fazer isso?
- Era pra não precisar usar isso!
- E porque me ensinou?
Ferris fez que ia responder, mas apenas voltou a se ajeitar, enrodilhando as patas.
Queria dizer que nenhum pai devia espancar o filho, nenhuma mãe deveria prender uma
criança no armário, nenhuma avó deveria fazer um neto se ajoelhar em pedras e rezar
para alguma coisa falsa em busca de perdão por coisas que não fez... Mas o que uma
criança de dez anos saberia? Ele mal viu o mundo! Só conhecia as paredes de seu quarto
e as paginas dos livros que deixavam ao seu alcance! A raiva no peito só aumentava, e
sabia que aquilo logo daria problema. Levantou, agitando o pelo, e saiu da cobertura.
- Aonde vai?
- Bexiga cheia. Vê se não some.
Pulou rapidamente entre os canos e saídas de ar. Aquilo era realmente um prédio.
Não olhou muito bem por onde tinham saltado, só sabia que ali era seguro. Pelo menos
ali não tinha nenhuma régua de metal ou tamanco de madeira...
Realmente, não tinha, mas tinha sim pessoas que usam coisas piores. A voz de
choro logo chegou aos ouvidos – e, se chegaram aos seus, chegaram aos de Luke.
Correu de volta, e o garoto já estava na beirada do prédio, olhando para a rua. Um casal
puxava uma criança pelos braços, que gritava de desespero. Os outros, ao redor,
simplesmente ignoravam, provavelmente achando que eram os pais lidando com a birra
do filho.
Mas os dois sabiam que não era aquilo. Era pior. A criança estava com medo,
aquilo não era natural. Sim, filhos temem a ira dos pais, mas não era aquilo. Eles eram
estranhos, e a névoa ao redor deles indicava intenções horríveis.
- Ferris, morda minha mão.
- Você acabou de sair de um Momento! Ainda é muito cedo!
- Ferris, morda-a-minha-mão.
Ele não ia parar. Não adiantou ter explicado o mal que aquilo fazia, que deveria
ser feito de outro jeito. Luke era teimoso, por maior que fosse a bondade e boa intenção
que tinha. E a mão dele já estava perto o suficiente de sua boca. Ou ele fazia ou o garoto
faria do jeito errado.
Respirou fundo, deu alguns passos para trás e voltou correndo, de mandíbula
aberta. Os dentes cravaram na mão do garoto, enquanto seu corpo se unia ao Sonho
outra vez, rasgando o véu da realidade e permitindo que ambos entrassem no Momento.
O garoto caiu pesadamente na frente dos adultos. Seus olhos escuros não
conseguiam acompanhar a miríade do Sonho que o cercava, na forma de um longo e
pesado mando de pele de lobo, repleto de dentes e farpas, que nascia da ponta do braço
esquerdo. Luke e Ferris eram um ser só, um Momento único no mundo, e não pensaram
um segundo que fosse antes de pular e golpear o rosto do homem, que caiu sem face,
enquanto a pele de lobo devorava sua carne e seus pensamentos. A mulher gritou,
assustada tanto por ser pega quanto pela violência, mas ninguém a ouviria. O mundo
estava travado antes do Véu, e nada iria salvá-la.
- Crianças não devem chorar. Adultos não devem machucar. Famílias não
devem destruir esperanças!
A cada frase, a dupla golpeava a mulher, o manto como se fosse um chicote
grosso, rasgando carne, quebrando ossos e espalhando sangue. Depois de oito
movimentos, ela nada mais era do que uma mancha na calçada destruída. Com a fúria
sumindo do garoto, ele olhou para a criança, que o observava maravilhado. Seu herói
furioso, com capuz de lobo, muito mais alto do que ele. Se ajoelhou, e cobriu a criança
com o manto, sumindo daquele lugar.
Após algum tempo, o menino se viu de novo na frente de casa, onde diversos
carros e luzes cercavam seus pais. Papai tinha trabalhado até tarde de novo, e a mamãe
estava doente. Queria ajudar eles, e foi pegar as cartas na caixa de correio quando
aquele casal chegou. Depois disso... o que tinha acontecido mesmo?
Foi isso que ele disse, pois era o que o manto de lobo ecoou em seus ouvidos. Um
pouco mais longe, atrás de uma árvore, Ferris soltava a mão de Luke, que quase caiu
desmaiado, mas se manteve firme, vendo o que aconteceria com o garoto. Seus pais o
abraçaram, preocupados, e os policiais, assustados, ficaram aliviados ao ver o pequeno
bem e em segurança. Viu uma das policiais, com olhos brilhantes, ainda lhe olhar por
sobre o ombro. Talvez aquela pequena serpente em seu ombro realmente fosse um
amigo além do Véu, mas ela nada disse ou fez, apenas tranquilizando o parceiro. Feliz
por ter ajudado, o rapaz deu meia volta e começou a andar.
- Hey, o que diabos pensa que tá fazendo?
- Tem mais gente por aí precisando de ajuda.
- Tá bom, Superman. E vai fazer o que? Colocar um “S” no peito e vestir a cueca
por cima da calça?
- Não. Primeiro, vou comprar um par de hamburguers ali naquele restaurante –
apontou para uma loja na esquina, com a carteira dos sequestradores na mão - , depois,
vamos dar uma olhada em um prédio aqui perto. Não foi a primeira vez que aquela
dupla fez aquilo...
-x-X-x-
Cecilia olhou pela janela, ainda esperando que a chuva parasse. Era a quarta vez
naquela semana que, ao cair da noite, o céu fechava e a água não parava de cair. Sabia
que Apollyon não gostava de chuvas, por isso pegou um chocolate na gaveta e desceu
para a sala de música. Com certeza ele estaria lá, já que seus pais tinham saído.
E lá estava ele. O som do piano sendo tocado lhe deixava mais calma, já que
tinham discutido ontem. Abriu a porta devagar e entrou, sem atrapalhá-lo. Era vaidoso
quando estava tocando, principalmente aquela música. As escamas dele brilhavam
naquele tom de arco-íris, trocando rapidamente de cores ao acompanhar as notas.
Quando terminou, ela aplaudiu rapidamente, e o dragão finalmente a olhou.
- A princesa resolveu sair de sua torre, afinal... Que surpresa...
- Sério que ainda está chateado com o que falei ontem? – foi para perto, com o
doce escondido nas costas. Ele virou o longo pescoço em sua direção, os olhos afilados,
como se a analisasse. Com um movimento rápido, moveu o corpanzil, abrindo as asas
para enganá-la e foi para suas costas, agarrando seus ombros com delicadeza e pegando
o chocolate, lançando-o rapidamente na boca.
- Digamos que com esta oferenda, eu “relevarei”.
- Ah, para! – abraçou o dragão, afundando o rosto nas escamas do peito dele.
Tinha aquele cheiro gostoso de verbena, que a relaxava desde a infância – Eu pensei que
não ia te chatear falar sobre o Rodolfo...
O monstro a soltou, afastando-se em seu modo galante, mas ela sabia que estava
com raiva. Suas escamas começaram a ficar escuras, e os espinhos que corriam do topo
da cabeça, entre os chifres, até a ponta da cauda, começaram a saltar.
- Eu lhe disse tantas vezes, princesa... Tantas e TANTAS vezes! Aquele rapaz não
merece nem mesmo respirar o mesmo ar que você, querida! Veja, veja! – abriu uma das
asas, deixando as escamas reflexivas – Veja este cabelo sedoso, que cuido... Cuidamos
desde a juventude, esta pele alva e perfeita, sem marcas, estes olhos de jóias... E aquele
Tolo e Fútil humano simplesmente não lhe dá toda a atenção que merece! Ele não
passa em nosso crivo, e não deve ter sua atenção – muito menos suas lágrimas de
tristeza!
- Apollyon... – afagou a asas dele, enquanto o dragão voltava à coloração clara e a
rodeava – Agradeço por sua preocupação, mas não posso ficar aqui, sozinha, para
sempre! Uma hora ou outra vai ter que deixar alguém entrar em nossa relação.
- Princesa, mas é claro! Não é isso que estou dizendo! – acariciou os ombros dela
outra vez, deixando o rosto mais perto – Mas o que digo é que devemos escolher
alguém “melhor”. Charles, quem sabe?
- O loirinho da turma de química?
- Claro! Este mesmo! – esticou outra asa, refazendo o rosto do rapaz – Lembre-se
do cuidado que ele tem contigo, princesa. As palavras doces, o jeito carinhoso... Eu me
recordo de cada pequeno verso que ele lhe mandou naqueles bilhetes.
- Não sei... Ele é fofo, mas não faz muito meu jeito. É muito fechado, meio sem
sal...
- Oras, o que queres? Um bife ou um parceiro? – o dragão riu alto, e a garota logo
o acompanhou. Ele era exagerado, mas sempre se preocupou com ela. Desde a infância,
quando viviam sozinhos naquele casarão, longe dos pais e de qualquer amigo. Ele era a
única pessoa com quem podia conversar, já que seu pai proibia que ela falasse com
qualquer pessoa que não fosse da família – e também proibia que se aproximassem, que
ela saísse da casa, que ela levantasse fora do horário, que comesse a mais... Bom, o que
é que ele não proibia...
Afagou o pescoço do dragão, sentando no banco do piano e teclando devagar. Ele
logo a acompanhou, as garras longas tocando as notas com delicadeza. Eram uma dupla
perfeita, uma união que ia além de qualquer Momento. Relaxou seu corpo no dele, e
deixou que o monstro a levasse além do Véu da realidade...
...Exatamente como o monstro queria...
- Ah, essa garota está cada dia pior! Logo vai abrir as pernas para qualquer
humano idiota! – arrumou os cabelos, finalmente no controle total do corpo dela. O
vestido de escamas logo mudou de forma, imitando as roupas dela. Sabia que os pais
daquela pirralha logo chegariam, então precisava ser rápido. Aquele tal Charles – ou
qualquer que fosse o nome do imbecil, realmente não ligava – era completamente
Apagado. Ele abandonou seu Sonho ainda na infância, então seria fácil alimentar-se de
sua vontade. Um beijo ou dois seriam suficientes, algo tolerável. Ainda sentia um pouco
suas garras pulando para a Realidade, mas logo rearranjou suas escamas. Durante a
Possessão, não podia ferir aquela carne, ou uma parte sua seria fixada naquela criança.
Ela era uma ferramenta excelente, e coisas assim não podem ter danos.
Passou por um espelho, e se olhou. Sim, no reflexo, suas asas ainda ruflavam
orgulhosas. Suas escamas tinham a forma da orgulhosa armadura que ostentava nos
tempos antigos, quando o Sonho dominava a Realidade. Se fizesse tudo certo, não
demoraria muito mais para que a possessão passasse de seus trinta minutos para o resto
da tola vida daquela moleca.
- Mais alguns anos... Mais algum tolo e fugaz tempo que vocês, humanos, tanto se
orgulham. Logo Apollyon será único, que não haverá mais nada em sua torre brilhante
para te apoiar, “princesa”...
-X-

“Momento”,
DeadHeart

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