Ensino de Finanças Corporativas na Graduação
Ensino de Finanças Corporativas na Graduação
RIBEIRÃO PRETO
2015
2
RIBEIRÃO PRETO
2015
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Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho, por qualquer meio
convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte.
Aprovado em:
Banca Examinadora
AGRADECIMENTOS
Primeiro agradeço a Deus pela oportunidade de realizar este trabalho em uma das melhores
instituições de ensino do Brasil: a FEA-RP USP.
Seria impossível a realização deste trabalho sem a colaboração e o apoio de pessoas muito
especiais.
Agradeço ao meu orientador Prof. Alberto Borges Matias pelas valiosas ideias, sugestões e
críticas durante a realização do trabalho e pelo conhecimento e experiência, profissionais e
acadêmicas, compartilhadas nestes anos.
Ao meu pais Tomaz e Regina, sempre grandes incentivadores dos meus estudos.
A minha esposa Lucia, minha maior inspiração em realizar este trabalho. Obrigado pela
paciência nos momentos de desabafo e pelas diversas orientações dadas ao longo do trabalho.
À Profa. Dra. Sonia Valle e ao Prof. Dr. Carlos Bonacin pelas contribuições na banca de
qualificação e aos professores Dr. Andrei Albuquerque e Dr. Roy Martelanc pelas contribuições
na banca de defesa.
Um agradecimento especial ao Prof. Dr. Claudio Miranda e ao Prof. Dr. Dirceu Tornavoi pelo
apoio, atenção e contribuições ao longo da pesquisa.
Aos colegas de turma, André Barra, Paula Nardi, Marcelo Nogueira, Ana Paula, Mateus Rocha
e Ligia, pelo convívio, pela amizade e pelos momentos de descontração durante as aulas.
Ao Instituto Federal de São Paulo (IFSP) por autorizar meu afastamento para a conclusão do
trabalho.
RESUMO
ABSTRACT
RODRIGUES, E. R. The teaching corporate finance: proposal the programmatic contents for
the finance area subject in degree in Administration courses. 2015. 207 f. Tese (Doutorado) –
Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto. Universidade de
São Paulo, Ribeirão Preto, 2015.
By means of MEC (Ministry of Education), the National Curriculum Guidelines define the
specific areas of vocational training content to be met in the curricular organization of
undergraduate courses in Brazil, but it does not suggest or detail which content should be
offered in each of these areas. In this sense, this study aims at proposing the programmatic
contents for the Finance area subject in Degree in Administration courses. Over the years,
Finances come undergoing several changes in response to movements of the economy, financial
markets and business, requiring greater specialization of the financial manager and the constant
updating of its teaching. To achieve this purpose, this study was conducted in four stages. First,
we analyzed the Finance works available in the Brazilian and international publishing. After
that, we also considered the curriculum matrices and teaching plans of Finance subject in
Degree in Administration courses which presented the highest grades in ENADE. From this
research it was possible to identify 252 subjects with different nomenclatures. On average, 4.5
disciplines are offered more frequently between the 3rd and 6th terms in courses that are taken
every semester and on the 2nd , 3rd and 4th grades, on courses with an annual basis, with an
average workload of 104 hours . It could be realized that the work "Financial Management
Principles" (GITMAN) was the most noted one as basic bibliography. National and
international academic publications in the financial area published between 2010 and 2014 were
also evaluated. It was observed that the sub-areas with the largest number of publications are
Financial and Capital Market and Corporate Governance and Finance. The next stage was to
search the opinion of market professionals about the importance of education and finance
knowledge in their current occupation, what was done through a web survey. It was possible to
interview 453 professionals among which 219 belonged to the Finance area and 234 belonged
to other areas of management. For 60% of respondents from the financial area and 51 % of
professionals from other areas, the Finance content learned in undergraduation courses
currently has a great contribution to their professional activity. Based on this survey seven
subjects with professional qualification in this area were created totaling 420 hours / class ,
distributed in the curriculum, according to their goals. The first one presents the introductory
aspects of corporate finance and personal finance. Over the next three semesters, it is suggested
to offer subjects that address the long-term financial decisions (financing and investments) and
the short term ones (working capital) with the goal of showing the students the main
characteristics of these decisions and their implications for management and the overall result
of the organization. In the following semesters it is suggested to offer a subject on financial
economic analysis which teaches the student to evaluate the results from financial decisions
and another subject which addresses the financial planning from the various business activities
and results set as a target through the budget. In the last semester, we suggest offering more
strategic issues, such as international finance, mergers and acquisitions, risk management and
corporate governance.
LISTA DE TABELAS
LISTA DE QUADROS
LISTA DE FIGURAS
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 25
1.1 Problema de pesquisa .................................................................................................................... 27
1.2 Objetivos ....................................................................................................................................... 28
1.2.1 Objetivos específicos ...................................................................................................... 28
1.3 Justificativa.................................................................................................................................... 29
1.4 Estrutura do trabalho ..................................................................................................................... 31
2 REFERENCIAL TEÓRICO ...................................................................................................... 33
2.1 Evolução do Estudo de Finanças ................................................................................................... 33
2.1.1 Da Abordagem Tradicional à aplicação da Teoria Econômica nas Finanças Empresariais
(décadas de 1920 ao início 1950) .................................................................................... 34
2.1.2 Moderna Teoria de Finanças ........................................................................................... 36
2.1.3 Da década de 1980 ao início do século XXI ................................................................... 39
2.1.4 Os desafios atuais e futuros da área de Finanças ............................................................ 43
2.2 Discussões acadêmicas sobre ensino de Finanças ......................................................................... 46
2.2.1 Discussões acadêmicas sobre cursos de Finanças ........................................................... 47
2.2.2 Trabalhos sobre metodologia de ensino dos conteúdos de Finanças .............................. 51
[Link] Trabalhos sobre conteúdos específicos ................................................................... 51
[Link] Trabalhos sobre a aplicação de diferentes metodologias de ensino ........................ 53
[Link] Trabalhos sobre o processo de aprendizagem ......................................................... 54
[Link] Trabalhos relacionados às diferenças entre a teoria e a prática em Finanças ......... 55
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................................. 57
3.1 Delineamento da pesquisa ............................................................................................................. 57
3.2 Plano de coleta de dados e amostragem ........................................................................................ 58
3.3 Formulário de coleta dos dados primários..................................................................................... 61
3.3.1 Primeira parte do questionário: formação acadêmica e atividade profissional ............... 61
3.3.2 Segunda parte do questionário: opinião sobre o conhecimento de Finanças .................. 62
3.3.3 Terceira parte do questionário: opinião sobre o ensino de Finanças ............................... 63
3.3.4 Desenvolvimento das amostras ....................................................................................... 64
3.4 Técnica para análise dos dados...................................................................................................... 66
4 LITERATURA DE FINANÇAS NO BRASIL ......................................................................... 69
4.1 Análise dos Manuais de Finanças.................................................................................................. 69
4.2 Análise das obras com conteúdos específicos ............................................................................... 79
4.3 Obras de Finanças publicadas no mercado editorial internacional ................................................ 87
4.4 Considerações finais sobre o levantamento das obras ................................................................... 89
5 ENSINO DE FINANÇAS NO BRASIL..................................................................................... 91
5.1 Características dos cursos de Administração no Brasil ................................................................. 91
24
1 INTRODUÇÃO
Surgiu como campo de estudo no início de 1900, uma vez que até essa data, era considerada
como parte dos estudos de Economia. Desenvolveu-se sobre três abordagens: a tradicional,
cujo enfoque eram os principais acontecimentos da vida financeira das empresas, ao invés dos
problemas administrativos rotineiros; a administrativa, que enfatizou as decisões
administrativas do cotidiano e, ainda, uma terceira abordagem, que discutiu a participação da
teoria econômica nos estudos das finanças empresariais (WESTON, 1977).
Desde então, vem passando por uma evolução técnica e conceitual, ajustando-se às oscilações
da economia e às necessidade de modelos de gestão mais eficientes e eficazes, devido ao
desenvolvimento das organizações, da complexidade dos negócios e das operações de mercado,
além de eventos como a globalização e os avanços na tecnologia da informação.
As finanças corporativas, segundo Assaf Neto (2010), incorporaram, em seu escopo, as grandes
evoluções do mundo contemporâneo, elevando sua importância para as empresas e exigindo
maior especialização e atualização do administrador financeiro.
Sua atividade principal, como gestor dos recursos financeiros da empresa, envolve dois tipos
de decisões: a decisão de investimento, direcionadas à aplicação do capital em busca de retornos
futuros e às decisões de financiamento, que dizem respeito à captação e composição das fontes
de financiamento.
empresas pode ser rastreada até sua origem na seleção de uma única função objetiva e o
desenvolvimento de modelos financeiros aconteceu em torno dessa função: a maximização do
valor da empresa. Nesse sentido, Ross, Wasterfield e Jordam (2008) definem finanças
corporativas como o estudo do relacionamento entre as decisões de negócios e o valor da
empresa.
Além disso, o conhecimento financeiro pode ser útil aos profissionais que se especializaram em
diferentes áreas de gestão, como marketing, recursos humanos, produção e operações,
contabilidade entre outras. Basicamente, seu estudo é importante por dois motivos: primeiro,
porque as pessoas precisam ter conhecimento básico de Finanças para administrar seus recursos
pessoais, que podem envolver diversas situações, como escolher o melhor tipo de aplicação
financeira ou a melhor forma de financiar um imóvel.
Segundo, porque muitas das decisões de negócios possuem implicações financeiras. De acordo
com Gitman (2010), todos os gestores de uma empresa, independente dos cargos que ocupem,
interagem com o pessoal da área financeira por diversos motivos, como a contratação de
27
Diante desse cenário, o ensino de Finanças será avaliado, utilizando como referência os cursos
de graduação em Administração. Esse curso será analisado, pois, além de atender a necessidade
de conhecimento financeiro pelos futuros administradores, independente de se especializarem
em outra área de negócios, propõe a oferta de conteúdos relacionados à área financeira em suas
diretrizes curriculares.
No entanto, a resolução cita apenas as áreas especificas e não sugere, ou detalha, os conteúdos
que podem ser oferecidos. Contudo, a área financeira é muito ampla e seus estudos podem ser
divididos em diversos temas, como mercado de capitais e instituições, investimentos e
administração financeira (BRIGHAM; EHRHARDT, 2007).
E todos esses temas ainda são divididos em conteúdos específicos como Matemática Financeira,
Administração do Capital de Giro, Decisões de Investimentos e Financiamento, Análise das
Demonstrações Financeiras, Orçamento Empresarial, Mercado Financeiro, entre outros.
Sem detalhamento, os conteúdos podem ser distribuídos entre as várias disciplinas do curso,
sem um padrão específico, que pode ser definido de acordo com a formação e a experiência dos
professores responsáveis pela disciplina, ou conforme determinação da coordenação do curso.
Alguns conteúdos poderão ter maior aprofundamento, outros tratados de maneira mais
28
E isso pode influenciar o desempenho acadêmico do aluno. De acordo com Raehsler et al.
(2012), a identificação de novos fatores que influenciam positivamente o desempenho muitas
vezes pode sinalizar necessidade de mudanças no currículo escolar. E o desempenho acadêmico
em Finanças pode ser melhorado com a elaboração de um bom currículo de negócios.
Nessa perspectiva, foi definido o seguinte problema para esta pesquisa: qual o conteúdo
programático adequado para a área temática de Finanças, nos cursos de graduação em
Administração?
1.2 Objetivos
Com base no problema de pesquisa apresentado, o objetivo geral deste estudo é propor o
conteúdo programático adequado para a área temática de Finanças, nos cursos de graduação em
Administração.
2. Analisar a matriz curricular e os planos de ensino das disciplinas de Finanças dos cursos
de graduação em Administração com melhores notas no Enade;
3. Identificar quais subáreas de Finanças estão sendo mais pesquisadas nos principais
periódicos nacionais e internacionais;
1.3 Justificativa
No Brasil, o tema ainda é pouco explorado, até mesmo nos periódicos específicos da área. A
Revista Brasileira de Finanças (RBFin), por exemplo, dedica-se exclusivamente à área de
finanças e economia, mas não aborda temas relacionados ao ensino. Já a Revista de Finanças
Aplicadas (RFA), também especializada na área, não especifica, no seu foco e escopo, o ensino
de Finanças, além de não possuir nenhuma publicação sobre o tema.
Nesse sentido, o presente trabalho justifica-se pela discussão de um tema pouco explorado nas
pesquisas nacionais e que pode contribuir no debate de novas propostas no ensino de Finanças
nos cursos de graduação em Administração.
30
Uma pesquisa realizada em 2011, pelo Conselho Federal de Administração (CFA), apresentou
um levantamento sobre o perfil, formação, atuação e oportunidades de trabalho do
administrador que concluiu o curso de Administração, entre 2000 e 2011. Foram entrevistados
administradores, professores universitários e empresários.
Além dos administradores, 1.533 empresários responderam o questionário. Alguns pontos que
destacam a importância da área financeira:
Conhecimentos específicos que devem ser priorizados pelo administrador e que indicam
a realidade do perfil desse profissional na sua organização: 1º administração estratégica
(50%) e 2º administração financeira e orçamentária (47%);
Apesar disso, Cherobino (2012) afirma que os jovens profissionais dessa área, estão chegando
ao mercado de trabalho com problemas de formação. Em Finanças, não existe espaço para
achismos. A formação técnica precisa ser impecável e o profissional que quer crescer na área
precisa ser sincero consigo mesmo e buscar entender os pontos fortes e fracos de sua graduação
para programar seus próximos passos no estudo.
Além da prática profissional, esse cenário faz com que o ensino das finanças corporativas fique
cada dia mais estimulante e desafiador, exigindo do docente o acompanhamento das
transformações que vêm acontecendo nos últimos anos, seja na economia, no mercado
financeiro e no mundo dos negócios, mantendo sempre atualizado seu material didático,
explicando a teoria por meio de exemplos práticos e contemporâneos, que reflitam a realidade
prática dos profissionais.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Os estudos sobre Finanças Empresariais começaram por volta do início do século XX, com o
desenvolvimento dos mercados nacionais dos EUA, consequência da construção das redes
transcontinentais ferroviárias e do grande número de fusões que aconteceram nessa época.
A primeira obra, tratando exclusivamente sobre Finanças, foi escrita em 1897, por Thomas L.
Greene, com o título Corporation Finance. Nesse livro, encontra-se o embrião do
desenvolvimento dos estudos de Finanças, espelhando bem a natureza das empresas e dos
problemas financeiros da época (ARCHER; D´AMBROSIO, 1969). Neste mesmo ano, a revista
Political Science Quarterly publicou uma crítica sobre a obra.
Neste pequeno volume o Sr. Greene prestou um valioso serviço para todos os
estudantes de economia e do desenvolvimento corporativo, por meio da formulação e
apresentação concisa dos princípios que governam a empresa financeira moderna. Sua
experiência como escritor financeiro e como funcionário corporativo, o preparou para
este trabalho notável muito bem feito (CROWELL, 1897).
Após essa obra, a área de Finanças passou por avanço significativo com a publicação do
trabalho do professor Arthur Stone Dewing, intitulado Corporate Promotions and
Reorganization em 1914. Nessa obra, foram analisadas as causas fundamentais das iniciativas
e falência que resultaram nas reorganizações das empresas da época, destacando, como
principal fator contribuinte, a má administração financeira (WESTON, 1977).
Nessa época, segundo Weston (1977), a principal preocupação do administrador financeiro era
proteger a empresa da falência e de possíveis reorganizações, e a escolha da composição da
estrutura de capital teve grande significação.
Esse foi um dos principais temas que impulsionou o estudo de Finanças nos anos seguintes. Em
1919, o professor Dewing publicou outro livro sobre as finanças das sociedades anônimas (The
Financial Policy of Corporations). Segundo Archer e D´Ambrósio (1969, p. 21), essa obra
“acabaria por tornar-se um clássico na matéria, estabelecendo as características básicas dos
livros de Finanças dos trinta anos seguintes”. Corroborando, Van Horne (1974) afirma que a
obra reuniu todo o pensamento financeiro, propondo novas ideias de maneira acadêmica,
estabelecendo o padrão do ensino de Finanças por vários anos.
34
O tema central do livro foi o ciclo de vida das empresas e o impacto dessas implicações sobre
a atividade de financiamento das mesmas. As obras seguintes a essa preparam o caminho para
a chamada Abordagem Tradicional no ensino das finanças empresariais.
No próximo tópico são apresentados os principais pontos que caracterizam essa abordagem e o
desenvolvimento dos estudos sobre Finanças até o início da década de 1950.
O estudo das finanças empresariais, após a publicação da obra de Dewing, deu maior
importância ao ciclo de vida das empresas e aos seus problemas financeiros. Archer e
D´Ambrósio (1969) afirmam que o estudo de Finanças, a partir desta época, tinha como
característica uma abordagem tradicional.
Essa abordagem, que se desenvolvera nas décadas de 1920 e 1930, partia da perspectiva de um
indivíduo que não pertence à firma – um fornecedor de fundos ou um investidor – não dando
ênfase à tomada interna de decisões na empresa (VAN HORNE, 1974).
A década de 1930 é caracterizada pela recessão econômica. De acordo com Weston (1977), a
recessão de 1929 carregou consigo uma grande quantidade de falências e reorganizações
financeiras, aumentando a preocupação com a liquidez. Esses temas tornaram-se parte
importante no estudo de Finanças, com valorização do enfoque tradicional, dando maior
atenção à reorganização e à falência das empresas, evidenciando a importância de sólida
estrutura financeira (WESTON, 1977).
A década de 1940 sofreu as consequências da Segunda Guerra Mundial e toda atividade naquele
momento estava voltada para os esforços de guerra, o que aumentou a liquidez como um todo.
Apesar disso, Weston (1977) afirma que havia preocupação quanto à capacidade de
financiamento da produção de bens duráveis e de consumo que haviam sido abandonados
35
durante a guerra. Nesse momento, a ênfase dos estudos de Finanças foi na escolha das estruturas
financeiras que pudessem suportar as pressões do pós-guerra.
Os processos internos, como estimativas de orçamentos de caixa, controle dos valores a receber,
análise de compras e controle de estoques, receberam maior destaque e atenção, ampliando o
espaço dos gestores financeiros.
Ainda no início da década de 1950, surge uma terceira abordagem, com ênfase na participação
da Teoria Econômica nos estudos das Finanças das empresas. Segundo Archer e D´Ambrósio
(1969), Joel Dean publica, em 1951, a obra intitulada Capital Budgeting que viria a provocar o
ressurgimento do interesse pela teoria econômica nas finanças empresariais. A obra de Dean é
uma aplicação da teoria econômica formal para as decisões empresariais, sobre investimentos
internos e seu financiamento, tendo influência sobre o desenvolvimento do que hoje é
conhecido como orçamento de capital (ROBERTS, 1957).
Em 1963, Ezra Salomon publica a obra The Theory of Financial Management, contribuindo
para a divulgação dessa nova abordagem, condensando a teoria econômica aplicada às finanças
empresariais. O enfoque da obra é a análise detalhada da seleção de projetos de investimento
em relação ao custo das várias formas de fundos de capital, considerando como critério a
maximização do valor presente líquido da empresa (CUNNINGHAM, 1964).
Van Horne (1974), foi o desenvolvimento de modelos de avaliação para uso na tomada de
decisões financeiras, ganhando importância a análise crítica da estrutura de capital e da política
de dividendos.
O foco dos estudos financeiros, segundo Assaf Neto (2010), passou de normativo para um
enfoque de pesquisa positiva, onde os resultados são questionados e os efeitos das decisões
financeiras sobre o valor da empresa são analisados.
Essa evolução foi acompanhada por uma mudança no foco da literatura a partir de questões
normativas: "O que são as políticas de investimento, de financiamento, ou de dividendos?",
para as teorias positivas, voltadas para resolução de questões como: "Quais são os efeitos do
investimento alternativo, financiamento ou políticas de dividendos sobre o valor da empresa?
”. Essa mudança de ênfase da pesquisa foi necessária para fornecer a base científica para a
formação e análise das decisões corporativas (JENSEN; SMITH, 1984).
Nesse aspecto, os professores Franco Modigliani e Merton H. Miller (conhecidos como MM),
prestaram contribuição duradoura para o campo de Finanças. Suas proposições podem ser
consideradas como um ponto de partida, pois representam a primeira tentativa de aplicar uma
rigorosa lógica econômica para a tomada de decisões financeiras, transformando o estudo de
finanças corporativas em uma disciplina mais sistemática e científica (CHEW, 2001).
37
Em 1958, publicam o artigo The Costs of Capital, Corporation Finance, and the Theory of
Investment, considerado, até então, como o mais influente da área de Finanças, dando origem
ao que se convencionou chamar de a Moderna Teoria de Finanças. Com base em um conjunto
bem restrito de pressupostos, Modigliani e Miller (1958) provaram que o valor total de mercado
de uma empresa não é afetado pela sua estrutura de capital, permanecendo inalterado
independente de como fosse dividido o mix de títulos para financiá-lo.
No entanto, esse estudo foi baseado em alguns pressupostos como a não incidência de impostos,
isenção de custos de falência e de que os investidores podem tomar recursos emprestados nos
mesmos prazos que a empresa. Embora tais pressupostos sejam irreais, o resultado da pesquisa
sobre a irrelevância da estrutura de capital foi extremamente importante.
Em 1963, MM publicam outro trabalho, intitulado Corporate Income Taxes and the Cost of
Capital: A Correction, onde reconhecem a dedutibilidade das despesas financeiras na apuração
do imposto de renda, favorecendo a dívida em relação ao capital próprio. Concluem que um
aumento no endividamento da organização reduz o custo total do capital, maximizando,
consequentemente, o valor de mercado da empresa.
Segundo Jensen e Smith (1984), no final dos anos 1950 testemunhou-se a formulação dos
principais elementos da base da moderna teoria financeira. Os principais temas são descritos
sucintamente, a seguir.
1) Hipótese de Mercado Eficiente (HME): propõe que o preço das ações reflete rapidamente
todas as informações que estão disponíveis publicamente, não havendo possibilidades de
ganhos anormais.
De acordo com Jensen e Smith (1984), a HME é talvez a hipótese mais extensivamente testada
em todas as ciências sociais e diversos estudos foram desenvolvidos para explicar o
comportamento do preço das ações (COWLES, 1933; KENDALL, 1953; MANDELBROT,
1966; SAMUELSON, 1965; WORKING, 1934).
Todavia, o trabalho proposto por Fama (1970), sobre a eficiência de mercado, representa até
hoje um dos pilares de sustentação da Moderna Teoria de Finanças. Com base em testes
empíricos, Fama (1970) estruturou três formas de eficiência com base na relevância das
informações disponíveis: Formas Fraca, Semi Forte e Forte.
38
A Forma de Eficiência Fraca indica que as informações dos preços históricos dos títulos estão
completamente incorporadas nos preços correntes. A Forma de Eficiência Semi Forte indica
que os preços refletem toda informação disponível ao público (notícias, demonstrações
financeiras, periódicos, séries históricas de preços etc.), e a Forma de Eficiência Forte indica
que o preço dos títulos reflete toda informação relevante existente no mercado, seja pública ou
privada.
2) Teoria do Portfólio: aborda a melhor composição de uma carteira de ativos, com o objetivo
de maximizar a utilidade do investidor pela relação risco e retorno. De acordo com Jensen e
Smith (1984), pouca atenção foi dada a esse tema antes da publicação de Markowitz (1959).
Nesse trabalho, Markowitz (1959) analisa a questão normativa de como escolher carteiras que
maximizem a utilidade esperada nas condições em que os investidores escolhem carteiras com
base no retorno e riscos esperados, medidos pela variância do retorno da carteira.
4) Teoria de Opções (Option Princing Theory): uma opção é um contrato que confere ao seu
titular o direito de comprar e vender um ativo específico, por um preço predeterminado, em
uma data de vencimento estipulada, ou antes dela. O modelo de Precificação de Opções que
ajudou a fomentar o crescimento nas negociações de opções foi desenvolvido por Black e
Scholes (1973), ficando conhecido como modelo Black-Scholes (BRIGHAM; EHRHARDT,
2007).
1
Capital Asset Price Model
39
5) Teoria da Agência: em meados da década de 1970, era crescente nos Estados Unidos a
preocupação com as divergências que surgiam entre os interesses dos administradores e dos
acionistas, dando origem a um ramo de pesquisa conhecido como Teoria da Agência.
A base inicial dessa teoria para a administração financeira foi desenvolvida por Jensen e
Meckling (1976). Os autores argumentam que os problemas de agência, acontecem a partir dos
conflitos de interesses e são comuns em qualquer organização e em qualquer nível da gestão
das firmas.
Para atenuar os problemas de agência, Gitman (2010) comenta que os acionistas incorrem aos
custos de agência, que são os de manter uma estrutura de governança corporativa, capaz de
monitorar o comportamento dos administradores.
Hipótese de Mercado Eficiente (HME) Cowles, 1933; Kendall, 1953; Mandelbrot, 1966;
Samuelson, 1965; Working, 1934; Fama, 1970.
Modelo de Precificação de Ativos (CAPM) Sharpe, 1964; Lintner, 1965; Mossin, 1966.
Segundo Copeland, Koller e Murrin (2002), fatores como o surgimento de um mercado ativo
de controle acionário, nos anos 1980, dos grupos de Leverage Buyout (LBO2), combinado com
o surgimento de títulos de alto rendimento provocaram uma reação das empresas estabelecidas
e de seus executivos.
Todos esses fatores e circunstâncias fizeram com que a alta administração repensasse o seu
papel e o de suas empresas, especificamente no que se refere à criação de valor. O que o
mercado busca agora não é lucro e sim o valor gerado pela empresa. Segundo Stewart (2005),
a administração deveria focar a maximização de valor, por meio de uma medida conhecida
como Valor Econômico Agregado (EVA), que representa o lucro operacional menos o custo de
todo o capital empregado.
Similar à apuração do lucro contábil, mas como uma diferença importante, o EVA considera o
custo da capital próprio, ignorado no lucro líquido, divulgado nas demonstrações financeiras.
Young e O’Byrne (2001) explicam que as ideias básicas do EVA não são novas, mas podem
ser consideradas como uma inovação, uma vez que tornaram a teoria de finanças e suas
implicações gerencias mais acessíveis aos administradores corporativos com pouco
conhecimento de Finanças.
2
Leverage Buyout (LBO): operação em que se adquire uma empresa para reestruturação e que envolve
normalmente a participação dos administradores como adquirentes.
41
Outros eventos, a partir da década de 1980, como crescente onda mundial de privatizações, a
reforma dos fundos de pensão e do crescimento da poupança privada, a onda de aquisições, a
desregulamentação e a integração do mercado de capitais, destacaram questões sobre o tema
Governança Corporativa (BECHT; BOLTON; RÖELL, 2005).
Grande parte da pesquisa sobre esse tema é baseada em um modelo universal, delineado pela
teoria do agente principal. A premissa central desse quadro é que os gestores e os acionistas
têm diferentes graus de acesso a informações específicas da empresa, e os gestores, como
agentes dos acionistas (principais), podem se envolver em comportamentos egoístas, podendo
vir a prejudicar a maximização da riqueza dos acionistas.
A partir da década de 1990, a gestão de riscos ganhou importância nas pesquisas da área
financeira. Nessa década, de acordo com Assaf Neto (2010), as finanças corporativas tornaram-
se mais instrumentalizadas a operar no contexto do conflito risco e retorno, devido às estratégias
empresarias que envolviam derivativos, opções, swaps e hedges.
Segundo Shiller (2002), ainda na década de 1990, uma parte do foco da discussão acadêmica
desviou a atenção das análises econométricas de séries temporais sobre os preços, dividendos
e lucros e novos modelos foram desenvolvidos com base na psicologia humana no que se refere
aos mercados financeiros.
Começou a ser desenvolvido o campo das Finanças Comportamentais. Esse campo procurou
explicar e aumentar a compreensão dos padrões de raciocínio dos investidores, incluindo os
processos emocionais envolvidos e o grau em que elas influenciam o processo de tomada de
decisão (RICCIARDI; SIMON, 2000).
Brigham e Ehrhardt (2007) apontam que duas tendências são cada dia mais importantes na
gestão financeira das organizações: a globalização das empresas e o crescente uso da tecnologia
da informação. Essas tendências oferecem às empresas novas oportunidades para aumentar sua
lucratividade e reduzir riscos.
Outros temas, relacionados à maior eficiência nos processos administrativos e gerenciais das
organizações, com influência na área financeira, também foram desenvolvidos e amplamente
discutidos nessa época.
Em 1970, o israelense Eliyahu Goldratt desenvolve a Teoria das Restrições (TOC), com o
objetivo de resolver problemas relacionados às restrições presentes nos processos de produção,
com maior divulgação na década de 1980, por meio da obra A Meta. Nessa obra, Goldratt e
Cox (1993) criticam os métodos tradicionais da contabilidade de custos e desqualifica o uso de
medidas físicas para a avaliação de desempenho.
Com o objetivo de reduzir as distorções provocadas pelos critérios arbitrários de rateio dos
custos indiretos, os professores Robin Cooper e Robert Kaplan desenvolvem, em meados da
década de 1980, a metodologia ABC (Activity-Based Costing). Como ferramenta gerencial,
pode-se oferecer maior precisão no custeio dos produtos, proporcionando maior qualidade na
análise de desempenho e no gerenciamento de atividades.
No final da década de 1970, foi desenvolvido um modelo baseado na visão de gestão por
resultado econômico, denominado Gecon (modelo de Gestão Econômica). Segundo Catelli
(2001, p. 30), “uma preocupação básica deste sistema é o de espelhar em termos econômicos e
financeiros o que ocorre nas atividades operacionais da empresa”. Os eventos dessas atividades
são mensurados por receitas e custos e geram resultados econômicos.
Gecon (modelo de Gestão Econômica) Espelhar em termos econômicos e financeiros o que ocorre
nas atividades operacionais da empresa.
Quadro 2.2 - Principais temas relacionados a área de Finanças desenvolvidos a partir da década de
1980
O papel da área financeira e da natureza dos negócios como um todo mudou significativamente
nos últimos anos, influenciado pelo crescimento dos mercados globais, dos avanços na
tecnologia e nas mudanças nos investimentos.
Existem hoje muitas oportunidades para que as Finanças venham a contribuir no mundo
empresarial, dada a acelerada transformação das economias em todo o mundo, a revolução
digital em curso, a crescente interdependência e o aumento da volatilidade do mercado global.
Tudo isso está relacionado à mudança de foco nos acionistas, para interesses mais amplos dos
stakeholders, em parte impulsionados por uma sociedade mais conectada por meios de
comunicação social quase instantâneos e a transmissão global de notícias
(PRICEWATERHOUSECOOPERS LLP (PWC), 2014).
44
Para enfrentar os desafios futuros, a KPMG (2009) comenta que a área de Finanças deverá:
melhorar a utilização da tecnologia; promover maior treinamento e desenvolvimento da equipe
financeira e maior autopromoção em relação às demais áreas da empresa, de modo a contribuir
para a melhor qualidade no processo de tomada de decisão.
Os quatro princípios, de acordo com a PWC (2014), que norteiam o futuro da área financeira
estão apresentados a seguir:
Navegação: uma das funções futuras da área financeira será a criação das condições
para a condução efetiva da empresa, fornecendo processos mais flexíveis e adaptáveis,
com relatórios em tempo real, análises rápidas, elaborando previsões dinâmicas e
45
integradas, que vão ao encontro das necessidades do negócio em sua busca por
estratégias de crescimento.
Conectividade: a área financeira vai precisar usar sistemas e conduzir recursos de forma
mais eficiente para satisfazer as necessidades de negócios, criando uma organização
mais conectada.
Segundo a KPMG (2009), o principal desafio da área será a dificuldade em encontrar e reter
profissionais qualificados em Finanças. As organizações devem se esforçar para garantir que
sua equipe financeira tenha as habilidades e competências para enfrentar os desafios de um
ambiente de trabalho em rápida evolução. Nesse sentido, determinadas habilidades deverão ser
melhoradas, conforme apresentado na Figura 3.
A figura mostra, principalmente, que o profissional de Finanças deve ter a habilidade de usar e
saber analisar dados não financeiros e entender o papel da área financeira dentro do negócio.
Isso mostra que as habilidades necessárias vão além do conhecimento técnico na área.
Com a crescente demanda por mais trabalhos no campo da economia prática, que se
desenvolveu no início do século XX, e com o rápido crescimento das escolas de administração
de empresas uma série de cursos adicionais no campo das Finanças foram desenvolvidos
(MOULTON, 1921).
Conforme Moulton (1921), os cursos de finanças eram divididos em duas classes: aqueles
desenvolvidos principalmente no campo da teoria, como normalmente seriam encontradas em
um departamento de economia e os de natureza mais prática, como seria de esperar em uma
escola de administração de empresas.
Estudos mais aprofundados sobre a questão da educação escolar de negócios, com investigação
mais estruturada sobre o tema, foram apresentados na reunião anual da American Finance
Association (AFA)3, em dezembro de 1948 (SMITH; GOUDZWAARD, 1970).
Utilizando uma amostra de 58 escolas de negócios nos Estados Unidos, Calkins (1949),
analisou os conteúdos de Finanças dos cursos oferecidos por essas instituições e discorreu se
os mesmos atendiam a demanda dos profissionais em Finanças. Concluiu que os cursos não
atendiam as necessidades das empresas e que o valor da formação do aluno não era reconhecido
pelo mercado. De modo geral, as escolas dividiam os conteúdos de Finanças em oito partes:
3
Fundada em 1939, na Filadélfia (EUA), a AFA é uma organização acadêmica, dedicada ao estudo e promoção
do conhecimento em economia financeira.
48
Com base nessa estrutura de conteúdo, Calkins (1949), sugeriu que o ensino da área fosse
classificado em seis divisões com duas grandes classificações:
Em 1950, a AFA conduziu um debate com professores de Finanças, com vasta experiência no
ensino de graduação, para discutir alguns temas, entre eles quais deveriam ser os objetivos de
um curso de finanças. O resultado desse debate foi publicado em quatro partes, na edição de
setembro de 1950 do The Journal of Finance (BOSLAND, 1950; CALKINS, 1950, HALLEY,
1950; HUNT, 1950).
Na primeira parte, Halley (1950) enfatizou que os objetivos específicos e os conteúdos dos
cursos de Finanças Corporativas eram definidos de acordo com as circunstâncias de cada
instituição de ensino. Aspectos como tamanho das classes, métodos utilizados, experiência do
corpo docente dificultavam a padronização dos cursos. Sugeriu que alguns temas poderiam ser
utilizados como objetivos gerais adaptáveis a todas as instituições, como terminologia
financeira, estruturas de capital, instrumentos e instituições financeiras.
A integração dos ensinamentos da área financeira com outras áreas de negócios foi tema da
segunda e terceira parte da publicação. O papel dos professores de Finanças é o de educar os
alunos para a vida empresarial, enfatizando os aspectos sociais das decisões financeiras feitas
pelas empresas. Nesse sentido, o objetivo do curso é fazer com que o aluno conheça as
operações financeiras de uma empresa, e consiga explicar a lógica por trás das decisões
financeiras, independente do seu porte (CALKINS, 1950).
Dependendo do público-alvo, os objetivos dos cursos de Finanças devem ser diferentes, pois
podem ser oferecidos para alunos de outras áreas de conhecimento, sob o ponto de vista de
ensino geral, e para alunos que vão aprofundar seus estudos na área.
Como ensino geral, os cursos devem informar o aluno sobre as instituições e as práticas
financeiras mais importantes utilizadas no mercado financeiro. Para os cursos destinados à
formação de administradores financeiros, podem ser destacados três pontos principais: as
49
Bosland (1950) argumenta, na quarta parte, que o objetivo de um curso de Finanças é promover
equilíbrio entre o ensino generalista e abstrato dos cursos de economia, cujo foco eram as
consequências que uma política geral poderia trazer para as empresas de maneira individual e
o ensino exclusivo sobre aspectos específicos de problemas financeiros.
Sintetizando o debate, Upton (1950) afirma que dois objetivos foram fortemente realçados: a
da formação profissional, descrita como preparação para a vida empresarial e o ensino geral
como preparação para a vida social. Esses objetivos são necessariamente regidos por certos
fatores tais como os objetivos educacionais da universidade, o tamanho das classes, a
experiência, a formação e a carga de trabalho do professor.
Até o final da Segunda Guerra Mundial, o ensino de Finanças era essencialmente baseado na
abordagem tradicionalista, com muita ênfase no financiamento de longo prazo e do ponto de
vista de usuários externos como bancos e investidores.
Após a Segunda Guerra Mundial, houve séria insatisfação em relação à estrutura e à ênfase do
conteúdo tradicional. A necessidade da mudança de ênfase e conteúdo, após esse período pode
ser atribuída ao declínio na importância do financiamento de longo prazo em relação ao
financiamento de curto prazo e da gestão de capital de giro (SOLOMON, 1966).
Como parte do currículo das escolas de negócios, Brigham (1973) sugere que o núcleo
financeiro deve permanecer orientado para o financiamento das empresas. Tradicionalmente, o
currículo deve apresentar três pontos: gestão empresarial ou de negócios financeiros,
investimentos e instituições e mercados financeiros.
50
Muitas vezes, há grande diferença entre o que os executivos e docentes de Finanças enxergam
como currículo ideal. Com base em pesquisas com banqueiros, diretores financeiros de
empresas e docentes de Finanças, Demong, Pettit e Campsey (1979) sugeriram que um
currículo de Finanças deve acentuar a comunicação e as habilidades das pessoas, bem como
habilidades analíticas. Os autores concluíram que os docentes acreditam que há necessidade
crescente de habilidades quantitativas e em informática, enquanto os profissionais de mercado
enfatizam pessoas e a habilidade de comunicação.
Chang (2005) questiona quais as teorias e modelos devem ser ensinados aos alunos de Finanças.
Segundo o autor, os livros-texto apresentam diversos temas em comum e que o docente tem
que determinar a extensão e profundidade da abordagem, o nível de dificuldade e a metodologia
para ensinar cada tema.
No Brasil, Vicente, Cândido e Matias (2002) fizeram uma proposta curricular para as
disciplinas de Finanças para os cursos de graduação em Administração. Segundo os autores, a
estrutura do currículo dessa área deve levar em consideração a geração de valor, como elemento
fundamental para o entendimento da maximização do valor da empresa.
Todos esses trabalhos mostram a percepção e preocupação dos pesquisadores em relação aos
cursos e às disciplinas de Finanças. O tópico a seguir apresenta alguns trabalhos que abordam
aspectos específicos no ensino da área.
51
Diversos trabalhos foram publicados ao longo dos anos, com o objetivo de apresentar sugestões
de melhorias no ensino de Finanças, focando determinados pontos como: o ensino específico
de determinados conteúdos, a relação teoria x prática, metodologia utilizada em sala de aula e
a percepção do aluno em relação ao ensino.
O Capital Asset Pricing Model (CAPM) apresenta a relação entre risco de mercado e retorno
esperado. Finch, Fraser e Scheff (2011) afirmam que a interpretação dessa relação é tratada de
forma diferente entre os livros didáticos de administração financeira. Nesse sentido,
desenvolveram duas ferramentas, uma equação e um gráfico que ilustram como os diferentes
níveis de risco beta traduzem o retorno esperado.
A estimativa de Fluxos de Caixa de uma empresa e seu uso correto em orçamento de capital ou
valor da empresa estão entre os conceitos abordados em disciplinas de finanças corporativas.
No entanto, dependendo da fonte de referência, o fluxo de caixa de uma empresa pode ser
definido de forma diferente, muitas vezes criando confusão para os alunos. Nesse sentido, Datar
e Emm (2014) fornecem uma referência concisa para os principais blocos de construção da
análise do fluxo de caixa descontado, a ser usado como um auxílio no ensino por docentes de
Finanças.
52
Ramirez (2009) enfatiza que o currículo tradicional de finanças corporativas, oferecido pelas
escolas de negócio, dá pouca importância a elementos comportamentais, chamando a atenção
para a necessidade do conteúdo de Finanças Comportamentais.
O ensino eficaz deve envolver os alunos e ajudá-los a ver e fazer conexões entre o conteúdo da
disciplina e sua vida. Vihtelic (1996) propõe que o ensino de Finanças Pessoais deve preceder
os conteúdos introdutórios de administração financeira no currículo de graduação de negócios.
O autor comenta a importância da inclusão de práticas reflexivas, oferecendo aos alunos a
oportunidade de praticar e refletir usando suas próprias circunstâncias de vida, das suas famílias
e dos seus amigos. Os casos podem ser utilizados para incentivar o diálogo, perguntando aos
alunos o que eles fariam em determinada situação, e se concentrar em como eles gostariam de
implementar as alterações propostas.
Gup (1994) investigou quais temas os docentes da área financeira e diretores executivos (CEOs)
consideram como mais importantes nas disciplinas introdutórias de Finanças. A pesquisa
mostrou que docentes e CEOs consideram Valor Presente como tema mais importante. No
entanto, a opinião sobre o próximo tema mais importante difere amplamente. Docentes
apontaram Orçamento de Capital como o segundo mais importante, enquanto os CEOs
apontaram Contabilidade, considerado como o menos importante para os docentes. O autor
especula que essa diferença reflete a exposição frequente dos executivos com as informações
contábeis.
Ghisi, Famá e Pimenta (2001) propõem uma estrutura didática para disciplinas que envolvam
os temas de Economia e Finanças Internacionais, de forma a contribuir para o aprimoramento
do ensino de Finanças nas escolas brasileiras de administração.
53
A procura por adequações e inovações nos métodos de ensino tradicionais vem sendo realizada
com o intuito de que o processo de ensino e aprendizado possa ser implementado pelos docentes
para a obtenção de melhores resultados no âmbito da formação de novos profissionais
(MOREIRA; FONTENELE, 2011).
O estudo de caso é uma metodologia amplamente utilizada nos cursos de graduação e pós-
graduação. Sua aplicação envolve o desenvolvimento de uma atividade específica, direcionada
ao processo de aprendizagem (BRUNER et al., 1999). Para usar uma abordagem baseada em
estudo de casos, o docente deve acreditar que analisar experiências reais é uma forma melhor
para se aprender Finanças em relação à utilização de uma outra metodologia (GRADDY, 2004).
Algumas publicações apresentam a importância da utilização dessa metodologia nas disciplinas
de Finanças, mostrando diferentes formas de aplicabilidades (BRIGHAM et al., 1972;
EITEMAN; SMITH, 1974; GITMAN; LEWIS; YATES, 1987).
Outra sugestão, é a utilização de estudo de casos “ao vivo", onde os alunos devem analisar um
problema atual e real e atuar como consultores, apresentando suas análises e recomendações
para os executivos de empresas (SIMKINS, 2001).
Coval, Gadzik e Stafford (2007) descrevem como simulações interativas do mercado são usadas
para ensinar Finanças no curso de mercados dinâmicos na Harvard Business School. Nessa
mesma linha, Kazemi (2015) apresenta os benefícios da integração do sistema Bloomberg no
ensino de Economia nas aulas de Finanças. Segundo o autor, essa metodologia difere de
métodos tradicionais de ensino, trazendo os alunos para o laboratório do mundo real por meio
da utilização de notícias e dados em tempo real.
Mahar e Paul (2010) sugerem o exemplo da área de esportes para ensinar finanças e economia,
criando um elo entre o conhecido (esportes) e o desconhecido (finanças corporativas).
Graham (2011) comenta que vários estudantes acreditam que muito do que eles aprendem em
sala de aula é "teoria" acadêmica não tendo aplicabilidade prática no seu local de trabalho sendo
irrelevante o conteúdo da disciplina. Nesse sentido o autor sugere a utilização de pesquisas com
executivos financeiros no ensino de Finanças.
Alguns fatores como motivação, frequência às aulas, ensino das disciplinas de pré-requisito às
disciplinas de Finanças, tipo de instituição de ensino e a quantidade de crédito (horas) por
semestre influenciam o desempenho dos alunos nessa área (AL-TAMINI; AL-SHAYEB, 2002;
CORDEIRO; SILVA, 2012; DIDIA; HASNAT, 1998; GOMES; NOGUEIRA; MOL, 2013;
TRINE; SCHELLENGER, 1999).
Azevedo et al. (2012) analisaram alguns fatores que influenciam o interesse dos alunos de
Administração pelas disciplinas de Finanças, como conhecimento técnico sobre Finanças,
relevância teórica/prática da área, interesse em uma carreira na área e qualidade docente sob a
ótica discente.
Após avaliar 1.452 alunos que frequentaram a disciplina de Administração Financeira, Raehsler
et al. (2012), concluíram que existe forte ligação teórica e quantitativa entre as disciplinas de
matemática, economia e contabilidade e a nota final dos alunos nessa disciplina.
55
O diálogo permanente entre docentes e gestores financeiros é muito importante e tem uma série
de benefícios. A interação entre a academia e a prática em Finanças pode ser mutuamente
benéfica. Por exemplo, o uso de procedimentos práticos da área financeira nas universidades
pode melhorar a gestão e a organização da educação. O diálogo também pode ser útil na
elaboração de agendas acadêmicas de pesquisa, cursos e programas de ensino (AGGARWAL,
1993).
Lundsten et al. (2013) realizaram uma pesquisa com 59 profissionais de Finanças onde foi
solicitada a opinião sobre a relevância dos periódicos acadêmicos da área, para seus respectivos
empregos, e concluíram que o processo de publicação reduz o interesse dos profissionais em
pesquisas acadêmicas, devido ao lapso de tempo entre os resultados da investigação e a sua
publicação. Corroborando esse resultado, Trahan e Gitman (1995) afirmam que os profissionais
de Finanças possuem pouco interesse nas pesquisas acadêmicas em finanças corporativas.
Outras pesquisas analisaram a opinião de profissionais da área financeira, confirmando a
existência de uma lacuna entre a teoria e a prática (GRAHAM; HARVEY, 2001; PETRY;
SPROW, 1993; RAMIREZ; WALDMAN; LASSER, 1991).
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa, segundo Cervo e Bervian (2002, p. 63) “é uma atividade voltada para a solução de
problemas teóricos ou práticos com o emprego de processos científicos”. A formulação do
problema é a primeira etapa de uma pesquisa científica. Nesse contexto, o presente trabalho
tem como problema a proposta de um conteúdo programático adequado para a área temática de
Finanças nos cursos de graduação em Administração.
Primeiro foi elaborada uma revisão bibliográfica sobre o tema. Essa fase é de extrema
importância, pois é ela que irá proporcionar conhecimentos na área de estudo para que as demais
etapas do projeto sejam desenvolvidas. De acordo com Cooper e Schindler (2003) a seção da
revisão da literatura examina estudos de pesquisas recentes ou historicamente importantes,
relatórios dos segmentos que atuam como base para o estudo proposto dentre outros.
No contexto deste trabalho, essa fase incluirá levantamento de obras e de artigos científicos em
revistas e periódicos nacionais e estrangeiros que abordem a evolução cronológica do estudo e
do ensino de Finanças.
Quantos aos objetivos, a presente pesquisa é exploratória, pois pretende-se que tenha um caráter
de descoberta, conforme os preceitos de Hair et al. (2006, p. 84), quando afirmam que “quando
bem conduzida, a pesquisa exploratória abre uma janela para as percepções, comportamentos e
necessidades”. Para Cooper e Schindler (2003), a exploração serve para vários objetivos, dentre
eles, construir maior clareza nos conceitos, desenvolver maior conhecimento sobre o tema, bem
como conhecer variáveis importantes relacionadas ao tema.
A pesquisa documental, segundo Gil (2002, p. 45), “vale-se de materiais que não recebem ainda
um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetivos de
pesquisa”. Sua importância, afirmam Raupp e Beuren (2004), é justificada por organizar
informações que se encontram dispersas, formando uma nova fonte de consulta. No caso desta
pesquisa serão utilizados as matrizes curriculares e os planos de ensino de disciplinas dos cursos
selecionados, bem como a análise dos livros didáticos e artigos científicos da área de Finanças.
E, em seguida, foi utilizado o levantamento. Segundo Gil (2002), esse tipo de pesquisa
caracteriza-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer.
Procede-se à solicitação de informações a um grupo de pessoas sobre o problema estudado. No
presente trabalho, foi levantado a opinião de profissionais de mercado em relação ao
conhecimento e ensino da área de Finanças.
Neste tópico será detalhado o plano de coleta de dados desta pesquisa. Primeiro, foi efetuado o
levantamento dos dados secundários, divididos em três partes, descritas a seguir.
Primeiro foi identificado quais são as principais editoras nacionais que publicam e
comercializam obras da área de gestão e economia. Foram selecionadas as editoras Atlas, Grupo
A, Pearson, Cengage Learning, Saraiva e Elsevier/Campus, devido ao maior número de obras
publicadas nessas áreas. Em seguida, foi efetuado o levantamento das obras da área de Finanças
no site dessas editoras. Como cada site apresenta seus catálogos de maneira diferente, as obras
foram pesquisadas nas categorias: Finanças, Contabilidade e Finanças, Administração e por
meio de busca utilizando as palavras-chave: finanças e financeira.
59
b) Levantamento das matrizes curriculares e dos planos de ensino das disciplinas da área
temática de Finanças, dos cursos de graduação em Administração selecionados
Primeiro, foi necessário definir quais as Instituições de Ensino (IES) que oferecem cursos de
graduação em Administração que seriam pesquisadas. Foi definido como critério de seleção o
Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Esse exame está integrado ao Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e mensura o desempenho dos estudantes
em relação aos conteúdos programáticos previstos nas diretrizes curriculares do respectivo
curso de graduação. Cada curso é classificado em conceitos que vão de um a cinco. Cursos com
conceito três serão aqueles que atendem plenamente os critérios de qualidade para funcionarem.
Da mesma forma, cursos com conceito cinco serão cursos de excelência, devendo ser vistos
como referência pelos demais (BRASIL, 2015).
Dessa maneira, foram selecionados os cursos com conceito quatro e cinco, no Enade de 2012,
uma vez que podem ser considerados cursos de referência, segundo o MEC. Os cursos foram
levantados a partir de uma planilha com os dados do exame, disponível no site do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
Ainda foram acrescentados os cursos de duas instituições que não participaram do Enade 2012,
mas que obtiveram nota máxima no Provão 2003 (Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade - FEA-SP e Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão
Preto - FEARP-SP), totalizando 307 cursos.
Em seguida, foram verificados se nos sites dessas instituições estavam disponíveis ao público
a matriz curricular, os planos de ensino e os e-mails dos coordenadores de curso, com o objetivo
de levantar informações sobre as disciplinas da área temática de Finanças.
Primeiro foram definidos quais seriam os periódicos utilizados para a avaliação dos artigos.
Foram levantados os periódicos nacionais da área de Administração e de Ciências Contábeis
que publicam artigos de Finanças e que estão classificados no estrato A2 na área de avaliação
de Administração, Ciências Contábeis e Turismo na Webqualis Capes.
Podem também ser utilizados incentivos para aumentar o índice de respostas. Nesse sentido,
optou-se por fazer uma doação da quantia de R$0,50 para cada questionário respondido, ao
Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Ribeirão Preto (Gacc), conforme destacado no
convite da pesquisa no Apêndice A. No próximo tópico detalha-se a formulação da coleta de
dados dessa fase.
61
O questionário usado nesta pesquisa foi desenvolvido em três partes. A primeira refere-se à
caracterização do entrevistado em relação em relação à sua formação acadêmica e atividade
profissional, a segunda parte busca a opinião dos entrevistados sobre a importância do
conhecimento financeiro em sua atividade profissional e a terceira a opinião em relação ao
ensino de Finanças estudado na graduação.
Para a elaboração da estrutura e das questões, foram consultados quatro especialistas na área de
gestão financeira, sendo três docentes (um do Instituto Federal do Triângulo Mineiro - IFTM e
dois da FEA-RP/USP) e um consultor financeiro com mais de 30 anos de experiência
profissional.
Torna-se cada vez mais importante que profissionais das áreas de marketing, contabilidade,
produção, recursos humanos e outras conheçam a área de Finanças, a fim de realizar um bom
trabalho em seus próprios campos (BRIGHAM; HOUSTON, 1999).
Nesse sentido, foi solicitada a opinião dos profissionais que não atuam na área financeira, sobre
seu interesse por temas ou atividades da área financeira e a importância do conhecimento de
Finanças na sua atual atividade profissional. As questões foram elaboradas com escalas de 1 a
5, sendo 1 “Não gosto de finanças” e 5 “Gosto muito de finanças” e 1 “Não tem importância”
e 5 “Muito importante”.
Em seguida, foi questionado somente aos profissionais que trabalham como funcionários de
empresas ou como consultores, das áreas de Finanças e de Controladoria, qual a relevância de
determinadas atividades financeiras no desenvolvimento de suas atividades diárias. Foi
solicitada a opinião dos profissionais de Controladoria junto com a opinião dos profissionais de
Finanças, devido à proximidade das duas áreas.
O entrevistado tinha a opção de escolher uma alternativa, numa escala de 1 a 5, sendo 1 “Pouco
relevante” e 5 “Muito relevante”. Também foram incluídas as opções “Não conheço” e “Não
se aplica à minha atividade” para evitar respostas aleatórias em alternativas que não fossem de
conhecimento ou lembrança do respondente.
63
As atividades financeiras foram definidas com base na literatura de Finanças (ASSAF NETO,
2010; FREZATTI, 2006; MATIAS, 2007; PADOVEZE, 2005; SILVA, 2008) e abordam temas
relacionados ás decisões financeiras de investimento e financiamento, gestão do capital de giro,
mercado financeiro e planejamento, controle e análise financeira.
Para os docentes de outras áreas, foi questionado se existe alguma relação entre as disciplinas
que atualmente ministram com determinados conteúdos de Finanças. A escala utilizada vai de
1 a 5, sendo 1 “Baixa relação” e 5 “Alta relação” e acrescentadas as opções “Não sei avaliar” e
“Não existe nenhuma relação”.
A última questão desta parte foi efetuada aos docentes de todas as áreas. Foi questionado com
qual frequência são utilizadas atividades em suas aulas, com as opções “Baixa frequência”,
“Média frequência”, “Alta frequência” e “Não aplico (aplicava) ”.
Na terceira parte do questionário, foram elaboradas dez questões com o objetivo de levantar a
opinião dos entrevistados sobre o aprendizado de Finanças.
Com relação ao ensino dos conteúdos, foi solicitado ao entrevistado que escolhesse entre as
opões “Foi ensinado”, “Não foi ensinado” e “Não me lembro”. Em outra, questionou-se quais
desses conteúdos poderiam ter sido mais aprofundados ou ensinados na graduação.
O hábito de leitura dos entrevistados foi verificado por meio de duas questões de múltipla
escolha.
64
No que tange à opinião do entrevistado sobre as dificuldades no aprendizado e o que pode ser
melhorado no ensino de Finanças nos cursos de graduação, foram elaboradas duas questões
abertas. Esse tipo de questão foi escolhido para que o respondente tivesse a liberdade de expor
sua visão particular sobre o tema, apontando sugestões ou críticas com base na sua experiência.
Para o desenvolvimento desta parte da pesquisa, foi adotada a técnica de amostragem não
probabilística por conveniência, onde a obtenção de uma amostra de determinados elementos é
baseada na conveniência do pesquisador. A vantagem dessa técnica é sua utilidade para
determinado modelo de estudo que não procura uma representatividade de elementos de uma
população, mas, sim, uma controlada escolha de indivíduos com certas características
específicas (SAMPIERI; COLADO; LUCIO, 2006).
É utilizada, segundo Mattar (2007), para atestar ou obter ideias sobre determinado assunto de
interesse. Como o foco desta pesquisa é o ensino de Finanças nos cursos de graduação em
Administração, os elementos escolhidos para a definição da amostra foram profissionais da área
de gestão. O objetivo dessa escolha foi o de levantar a opinião de profissionais que atuam na
área de Finanças e de profissionais que atuam em outras áreas de gestão, mas graduados em
Administração.
Para a busca dos profissionais com esses perfis, foram definidas duas fontes de dados: os
associados ao Conselho Federal de Administração (CFA) e usuários da rede social LinkedIn.
Em seguida, foi analisado o site da rede social LinkedIn. O site é uma rede de relacionamentos
profissionais, composto por pessoas e organizações, conectadas em diversos tipos de grupos,
que compartilham interesses comuns (profissionais ou sociais).
A busca por profissionais que se adequassem ao perfil da pesquisa foi realizada em grupos e
comunidades de profissionais ligados às áreas de Administração, Finanças e Contabilidade, de
diversas regiões do país. Em alguns, foi necessária a solicitação e aprovação do gerente do
grupo para a participação como membro.
Dessa maneira, o questionário foi enviado para o e-mail de 2.961 profissionais por meio do
programa Lime Survey. Do total enviado, houve retorno de aproximadamente 21%, ou seja,
637 responderam o questionário. Desse total, foram excluídas 99 respostas por terem sido
preenchidas de forma parcial, totalizando uma amostra de 538 profissionais.
Com base no número de questionários respondidos, foi efetuado uma doação de R$ 500,00 ao
GACC de Ribeirão Preto. O recibo de doação e a carta de agradecimento estão,
respectivamente, nos apêndices D e E.
O levantamento dos e-mails foi realizado entre os dias 6/4/2015 e 8/6/2015. Durante o
levantamento, os questionários foram sendo enviados para os entrevistados. Foram enviadas
três ondas de solicitação de respostas, com quinze dias de intervalo entre elas, terminando a
coleta no dia 25/7/2015.
Em seguida, foi realizada a higienização dos dados. Primeiro foram identificadas as respostas
de profissionais com perfis que não se adequam aos objetivos da pesquisa. Foram excluídas 85
respostas de profissionais que não atuam na área financeira e são não graduados em
Administração.
Também foram analisados possíveis casos extremos, provenientes de entrevistados que possam
ter respondido em apenas um ponto das escalas do questionário. Por meio de um gráfico box-
plot, identificaram-se quatro casos diretamente acima dos limites de distribuição. Como o
número encontrado foi baixo, decidiu-se não excluir esses casos do questionário.
A análise dos dados secundários foi efetuada utilizando as técnicas de análise de conteúdo.
Segundo Sampieri, Colado e Lucio (2005) são técnicas para estudar a comunicação de uma
forma objetiva, sistemática que quantifica os conteúdos em categorias. Bardin (2011)
complementa que a maioria dos procedimentos dessa análise organiza-se em redor de um
processo de categorização. As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de
elementos, agrupamento esse efetuado em razão das características comuns desses elementos.
Após o levantamento nos sites das editoras, as obras foram classificadas em dois grupos. O
primeiro refere-se às obras mais abrangentes, que tratam de vários temas da área financeira e
que normalmente têm títulos muito parecidos como: Administração Financeira, Fundamentos
de Administração Financeira, Princípios da Administração Financeira e Finanças Corporativas.
Essas obras serão denominadas Manuais de Finanças.
Após a classificação das obras, foram definidas as seguintes categorias de análise: títulos
disponíveis, identificando as obras nacionais e as traduzidas para o português e os conteúdos
abordados, agrupados em temas financeiros.
b) Análise das matrizes curriculares e dos planos de ensino das disciplinas da área temática de
Finanças, dos cursos de graduação em Administração
Primeiro os dados desta etapa foram classificados em duas categorias: disciplinas e bibliografia
básica utilizada.
Em seguida, foram definidas novas categorias de análise das disciplinas e das bibliografias. Em
relação às disciplinas, foram analisadas as nomenclaturas, o período e a carga horária. Em
seguida, foi analisada a quantidade dos conteúdos abordados, os tipos de atividades práticas e
a disponibilidade de material adicional, no site da editora, das bibliografias mais observadas
nos planos de ensino.
67
A análise dos artigos limitou-se a duas categorias: quantidade de artigos publicados e sua
distribuição pelas subáreas de Finanças.
As subáreas temáticas foram delimitadas com base no sistema de classificação denominado JEL
codes, desenvolvido pelo Journal of Economic Literature (JEL), com algumas adaptações. Esse
método é utilizado como padrão de classificação da literatura acadêmica no campo da
economia. No quadro 3.1 estão descritas as subáreas utilizadas na classificação.
Subáreas Temas
Econometria, métodos estatísticos, métodos
Métodos Matemáticos e Quantitativos matemáticos, modelos de equações simples e
múltiplas
Bancos, empresas de seguros, fundos de pensão,
Instituições e Serviços Financeiros
agências de rating,
Decisões de investimento, portfólio, mercado de
Mercado Financeiro e de Capitais ações, preço de ativos, informação e eficiência de
mercado, finanças comportamentais.
Orçamento de capital, investimentos empresariais,
estrutura e custo de capital, política de dividendos,
Finanças Corporativas e Governança
gestão de riscos, gestão capital de giro, fusões e
aquisições, valuation, governança corporativa.
Estudos direcionados a empresas e mercados
Finanças Internacionais financeiros de países diferente da revista que foi
publicado o artigo.
Quadro 3.1 - Subáreas de Finanças
Todos os dados dessa fase foram sumarizados e analisados utilizando as técnicas da estatística
descritiva, utilizando como suporte as planilhas eletrônicas do Microsoft Excel.
Os dados coletados por meio do questionário foram tratados utilizando o software SPSS
(Statistica Package for Social Sciences), base 17.0. Os dados foram analisados utilizando a
distribuição de frequências e as técnicas estatísticas descritivas.
68
69
Neste Capítulo será apresentado o levantamento das obras de Finanças disponíveis no mercado
editorial brasileiro, publicados e editados pelas principais editoras que publicam livros da área
de gestão e economia. Para a análise, as obras foram classificadas em Manual de Finanças e
Obras de Conteúdos Específicos.
Nessa categoria foram identificados 37 títulos diferentes nos sites pesquisados. A maior parte
das obras é editada pelas Editoras Atlas (13 obras) e Grupo A (11 obras), representando 65%
do total de manuais.
Desse número, 20 obras são de autores nacionais e 17 traduzidas para o português. Todas as
editoras possuem ao menos uma obra traduzida e uma nacional em seus catálogos, com exceção
da Editora Grupo A, cujas obras são todas traduzidas. A lista das obras está no Quadro 4.1.
70
Curso de Administração Financeira e Orçamento: princípios e aplicações Souza 1ª 2014 Nacional Atlas
Finanças Corporativas e Valor Assaf Neto 7ª 2014 Nacional Atlas
Fundamentos de Administração Financeira Assaf Neto e Guasti 2ª 2014 Nacional Atlas
Administração Financeira e Orçamentária Hoji 10ª 2012 Nacional Atlas
Administração Financeira na Prática Hoji 4ª 2012 Nacional Atlas
Curso de Administração Financeira Assaf Neto e Guasti 2ª 2011 Nacional Atlas
Fundamentos de Finanças Corporativas Salazar 1ª 2010 Nacional Atlas
Finanças Corporativas e Mercados Carmona 1ª 2009 Nacional Atlas
Finanças Empresariais Kuhnem 2ª 2008 Nacional Atlas
Administração Financeira: Decisões de Curto Prazo, Decisões de longo Prazo, Indicadores de Desempenho Morante e Jorge 2ª 2007 Nacional Atlas
Princípios de Administração Financeira Jordan, Westerfield e Ross 2ª 2000 Traduzidos Atlas
Fundamentos e Técnicas de Administração Financeira Braga 1ª 1989 Nacional Atlas
Administração Financeira Sanvicente 3ª 1987 Nacional Atlas
Administração Financeira - Teoria e Prática Ehrhardt e Brigham 13ª 2012 Traduzido Cengage
Finanças Corporativas - Teoria e prática Luzio 1ª 2012 Nacional Cengage
Introdução a Administração Financeira Padoveze 2ª 2011 Nacional Cengage
Administração Financeira e Finanças Empresariais Mariano e Menezes 1ª 2012 Nacional Elsevier
Administração Financeira Lemes Jr. e Rigo e 3ª 2010 Nacional Elsevier
Cherobim
Fundamentos da Moderna Administração Financeira Brighan e Houston 11ª 2009 Traduzido Elsevier
Administração Financeira: Corporate Finance Jaffe, Westerfield e Ross 10ª 2015 Traduzido Grupo A
Fundamentos de Administração Financeira Ross, Jordan e Westerfield 9ª 2013 Traduzido Grupo A
Finanças - Revista e Ampliada Cornett, Adair e Nofsinger 1ª 2013 Traduzido Grupo A
Finanças Empresariais - Essencial Berk e DeMarzo 1ª 2010 Traduzido Grupo A
Fundamentos de Finanças Empresariais Berk, DeMarzo e Harford 1ª 2010 Traduzido Grupo A
Finanças Empresariais Berk e DeMarzo 1ª 2008 Traduzido Grupo A
Continua
71
Conclusão
Os conteúdos foram identificados a partir da análise dos sumários dos manuais selecionados.
Em seguida, os conteúdos foram agrupados em seis tópicos, de acordo com os diferentes temas
da área financeira, detalhadas no Quadro 4.2. A análise foi desenvolvida com base nos
conteúdos mais abordados pelos manuais.
Temas Conteúdos
Introdução Administração Financeira
Função Financeira da Empresa
I - Introdução as Finanças Corporativas
Problema de Agência
Tipo e objetivos de Empresas
Demonstrações Financeiras
Análise das Demonstrações Financeiras
II – Planejamento e Controle Financeiro
Orçamento Empresarial
Cálculos Financeiros
Mercado Financeiro / Mercado de Capitais
Produtos / Investimentos Financeiros
Risco e Retorno
III - Mercados Financeiros
Teoria de Portfólios/Carteiras
Avaliação de Ações/Títulos
Precificação de Ativos
Orçamento de Capital
Técnicas de Análise de Investimentos
IV- Finanças Corporativas de Longo Prazo Risco e Incerteza Avaliação de Investimentos
Estrutura / Custo de Capital
Política de Dividendos
Fontes de Financiamento LP
Administração do Capital de Giro
Administração de Disponibilidades/Caixa
V- Finanças Corporativas de Curto Prazo Administração de Valores a Receber
Administração do Estoque
Técnicas e Gestão de Tesouraria
Finanças Internacionais
Fusões e Aquisições
Dificuldades Financeiras
Gestão Baseada em Valor/ Avaliação de Empresas
VI -Tópicos Especiais
Finanças Comportamentais
Gestão Tributária
Software Financeiro
Governança Corporativa
Quadro 4.2 - Principais conteúdos abordados nos Manuais de Finanças
73
Todos os manuais analisados possuem pelo menos um capítulo sobre o tema. Os mais
observados estão apresentados abaixo:
Análise das Demonstrações Financeiras: 29 manuais tratam sobre esse tema. Neste
conteúdo aborda-se a análise econômica e financeira das organizações, por meio de
técnicas como análise horizontal e vertical e de indicadores econômicos e financeiros,
com o objetivo de avaliar o desempenho geral das empresas.
Tema III - Mercados Financeiros: inclui temas relacionados ao ambiente financeiro e seu papel
na administração financeira das organizações, como investimentos financeiros, mercado de
capitais, risco e retorno, avaliação de ações e precificação de ativos. O segmento de mercado
financeiro, conforme Assaf Neto e Lima (2011, p. 4), “estuda os comportamentos dos mercados,
seus vários títulos e valores imobiliários negociados e as instituições financeiras que atuam
neste segmento”.
Todos os manuais apresentam pelo menos um capítulo ou tópico sobre esse tema. Os mais
abordados são apresentados na Tabela 4.2.
Tema IV - Finanças Corporativas de Longo Prazo: nessa parte estão resumidos os conteúdos
que dizem respeito às decisões de investimentos e financiamentos de longo prazo nas
organizações. De acordo com Damodaran (2002) ao tomar essas decisões, a gestão financeira
tem como objetivo a maximização do valor da empresa.
Os conteúdos mais abordados são demonstrados na Tabela 4.3. Os conteúdos com maior
frequência estão relacionados abaixo:
Tabela 4.3 - Conteúdos de finanças corporativas de longo prazo nos manuais de finanças
pesquisados
Tabela 4.4 - Conteúdos de finanças corporativas de curto prazo nos manuais de finanças
pesquisados
No próximo tópico serão analisadas a disponibilidade e os conteúdos das obras que abordam
temas específicos da área de Finanças.
78
79
No que tange aos conteúdos do Tema III - Mercados Financeiros, foram observadas 28 obras.
Desse total, apenas quatro são de autores estrangeiros. No Quadro 4.3 são apresentados os
diferentes títulos.
81
Os principais conteúdos abordados nessas obras são: Estrutura do Sistema Financeiro, a divisão
do Mercado Financeiro (Monetário, Crédito, Capital e de Câmbio), Fundamentos de Avaliação,
Avaliação de Ações, Modelos de Precificação de Ativos, Risco e Retorno e Derivativos
Com relação aos conteúdos de Finanças Corporativas de Longo Prazo (Tema IV), foram
observadas 23 obras, sendo apenas duas de escritores estrangeiros. A maior parte das obras
refere-se, especificamente, à análise de viabilidade de projetos de investimentos. Apenas uma
obra, Finanças Corporativas de Longo Prazo, organizada pelo professor Alberto Borges Matias,
da FEA-RP USP, apresenta diversos conteúdos específicos de finanças de longo prazo,
enfatizando a importância da gestão financeira de longo prazo na geração de valor das
organizações.
Os principais conteúdos abordados nessas obras são: Matemática Financeira, Fluxo de Caixa
(Orçamento de Capital), Técnicas de Análise de Investimentos, Análise de Risco, Estrutura e
Custo de Capital e Fontes de Finanças de Longo Prazo. O Quadro 4.4 apresenta os títulos
encontrados.
83
Desse total, três obras abordam, de maneira geral os conteúdos de Capital de Giro, destacando
a obra Finanças Corporativas de Curto Prazo, também organizada pelo professor Alberto B.
Matias, que apresenta alguns conteúdos não abordados nas outras obras, como Sistemas de
Informação, Gestão do Valor, Gestão Tributária e Aspectos Comportamentais do Capital de
Giro. Em relação às demais obras, quatro focam o tema Fluxo de Caixa e as outras três Análise
de Crédito.
Uma observação em relação a esses conteúdos, é que a maioria dos livros de Análise das
Demonstrações Financeiras aborda um capítulo sobre a análise do capital do giro, com base em
índices extraídos das demonstrações financeiras.
E foram observadas 42 obras que abordam os diversos temas citados no Tema VI. A maior parte
aborda o tema Avaliação de Empresas (Valuation), com quinze observações e Finanças
Internacionais, com 6 observações. As demais obras tratam de outros temas como Finanças
Comportamentais, Finanças para Empreendedores, Finanças Básicas, entre outros. As obras são
destacadas no Quadro 4.6.
85
Conclusão
Neste tópico serão apresentadas as características das principais obras de Finanças publicadas
no mercado internacional. O critério de escolha foi o volume de obras mais vendidas no site
[Link], empresa multinacional de comércio eletrônico.
Em seguida, as obras foram selecionadas, por meio do catálogo de livros do site, utilizando o
filtro de buscas: “Book: Business & Money: Finance: Corporate Finance”. Foram selecionadas
para a análise apenas as 20 obras mais vendidas, até a data da pesquisa (22/9/2015). Entre essas
obras, oito são traduzidas e publicadas no Brasil. As obras são apresentadas no Quadro 4.7.
É possível notar a concentração de alguns autores, com mais de uma obra publicada, em metade
das obras selecionadas.
Isso ocorre porque os autores publicam uma obra mais completa e a partir dessa, publicam uma
nova obra com cortes e eliminação de alguns conteúdos e adaptações para cursos introdutórios
de Finanças. De acordo com Brigham e Houstoun (1999), ao contrário do livro-texto maior, é
possível abordar diversos tópicos em um único período letivo.
No Brasil, esse modelo de publicação é utilizado pelo professor Alexandre Assaf Neto, da FEA-
RP USP. A obra do autor, Finanças Corporativa e Valor compõe uma série de livros de Finanças
com as obras Fundamentos de Administração Financeira e Curso de Administração Financeira,
publicados em parceria com o professor Fabiano Guasti Lima, também da FEA-RP USP e
diferenciadas pela extensão e profundidade na abordagem dos conteúdos.
88
Fundamentals of Corporate Finance Ross, Westerfield e Jordan 11ª 2015 The Mcgraw-Hill
Fundamentals of Financial Management Brigham e Houston 8ª 2014 Thomson One
Essentials Corporate Finance Ross, Westerfield e Jordan 8ª 2013 The Mcgraw-Hill
Corporate Finance Ross e Westerfield 10º 2013 The Mcgraw-Hill
Financial Management: Theory & Practice Brigham e Ehrhardt 14ª 2013 Thomson One
Principles of Corporate Finance Brealey e Myers 11º 2013 The Mcgraw-Hill
Investment Banking: Valuation, Leveraged Buyouts, and Mergers &
Acquisitions Rosenbaum e Pearl 2ª 2013 Wiley
Venture Deals: Be Smarter Than Your Lawyer and Venture Capitalist Feld e Mendelson 2ª 2012 Wiley
Corporate Finance Berk e DeMarzo 3ª 2013 Pearson
Financial & Managerial Accounting Warren, Reeve e Duchac 13ª 2015 Cengage
Foundations of Financial Management with Time Value of Money Block e Hirt 15ª 2013 The Mcgraw-Hill
Newnan, Lavelle e
Engineering Economic Analysis Eschenbach 12ª 2013 Oxford University
Intermediate Financial Management Brigham e Daves 12ª 2015 Thomson One
Fundamentals of Corporate Finance Brealey e Myers 8ª 2014 The Mcgraw-Hill
Financial Intelligence, Revised Edition: A Manager's Guide to Knowing
What the Numbers Really Mean Berman, Knight e Case 1ª 2013 Harvard Business
Principles of Managerial Finance Gitman e Zutter 14ª 2014 Pearson
Valuation: Measuring and Managing the Value of Companies Koller, Goedhart e Wessels 6ª 2015 Wiley
Foundations of Finance Keown, Martin e Petty 8ª 2013 Pearson
Managerial Accounting: Tools for Business Decision Making Weygandt e Kimmel 7ª 2014 Wiley
Fundamentals of Corporate Finance Berk e DeMarzo 3ª 2014 Pearson
Quadro 4.7 - Obras internacionais de Finanças mais vendidas no site [Link]
89
Outro ponto observado foi a atualização da literatura. A última edição das obras avaliadas
aconteceu entre os anos 2012 e 2015 e nove obras estão acima da sua décima edição. O Quadro
4.8 compara as obras traduzidas e publicadas no Brasil com as edições originais.
Publicação no Publicação no
exterior Brasil
Edição Ano Edição Ano
Título do livro Autores
Atual Edição Atual Edição
Fundamentals of Corporate Ross, Westerfield
Finance e Jordan 11ª 2015 9ª 2013
Fundamentals of Financial Brigham e
Management Houston 8ª 2014 11ª 2009
Ross, Westerfield
Corporate Finance e Jaffe 10º 2013 10º 2015
Financial Management: Theory & Brigham e
Practice Ehrhardt 14ª 2013 13ª 2012
Principles of Corporate Finance Brealey e Myers 11º 2013 8ª 2008
Corporate Finance Berk e DeMarzo 3ª 2013 1ª 2008
Principles of Managerial Finance Gitman e Zutter 14ª 2014 12ª 2010
Fundamentals of Corporate
Finance Berk e DeMarzo 3ª 2014 1ª 2010
Quadro 4.8 - Comparação entre as obras publicados no exterior e no Brasil
Os dados confirmam que a maior parte das obras traduzidas no Brasil apresentam defasagem
de atualização nas suas edições, com diferenças de até cinco anos entre a obra original e a
traduzida. A única obra com edição atualizada no Brasil, foi Corporate Finance (ROSS;
WESTERFIELD; JAFFE).
Os Manuais de Finanças apresentam conteúdos sobre os mais diversos temas da área financeira.
Devido à amplitude de temas, podem ser utilizados, por exemplo, como bibliografia em mais
de uma disciplina de Finanças, e complementado por obras de conhecimentos específicos.
Boa parte dos manuais traduzidos estão em edições superiores às obras nacionais, mostrando a
consolidação dessas obras no mercado nacional. Mas a utilização dessas obras merece destaque.
Por ser escrito nos EUA ou na Europa, o livro é dirigido aos alunos universitários dessas
localidades e muitos temas tratados não se aplicam à realidade brasileira.
Determinados fatores que influenciam a administração financeira das organizações, como taxas
de juros, oferta de crédito, legislação tributária, políticas econômicas entre outros, diferem dos
países de origem das publicações internacionais. Conceitos financeiros consagrados em outros
ambientes econômicos encontram dificuldades de adaptação na realidade empresarial
brasileira, demandando um conjunto de ajustes e reflexões nem sempre seguidos pelo mercado
(ASSAF NETO, 2010).
Dessa maneira, a aplicação de estudos realizados em outros países muitas vezes não se justifica
para a realidade brasileira. Procianoy (2010) comenta que a carência de material
exclusivamente brasileiro é real, deixando claro que, no campo de Finanças, as realidades
econômica e legal de cada país fazem importantes diferenças na gestão das empresas.
Mesmo em algumas obras escritas por autores brasileiros, os exemplos são baseados em grandes
corporações que, mesmo representando grande parte da riqueza gerada no país, são poucas em
relação ao número de pequenas e médias empresas. De acordo com o SERVIÇO BRASILEIRO
DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE, 2013), em 2012, as pequenas
e médias empresas responderam por 99% das empresas no país, com um total de 6,3 milhões
de estabelecimentos em atividade, gerando um total de 16,2 milhões de empregos no período.
Nesse sentido, Salim (2010) comenta que é competência especial do professor balancear os
conteúdos, mostrando os pontos de convergência e de contraste entre os conhecimentos válidos
em cada contexto.
Outro ponto importante é a dificuldade de manter uma obra atualizada, devido as rápidas
mudanças nas práticas de administração financeira e dos mercados financeiros. Segundo Ross,
Westerfield e Jordan (2008) essas mudanças geram novos encargos para os que ensinam
finanças corporativas. É importante distinguir o permanente do provisório para evitar que se
acompanhe apenas o mais recente, ou ao contrário, que o foco fique apenas no conhecimento
já consolidado e não seja feita nenhuma atualização.
91
A análise do ensino de Finanças neste trabalho foi limitada aos cursos de graduação em
Administração. Neste Capítulo serão apresentadas as principais características desse curso no
Brasil e um panorama do ensino da área temática de Finanças.
Ao final será apresentado breve levantamento do ensino de Finanças nas principais escolas de
negócios do mundo.
No que diz respeito à organização curricular, a Resolução define que os cursos deverão
contemplar conteúdos que revelem inter-relações com a realidade nacional e internacional e
contextualizados na aplicabilidade no âmbito das organizações e que atendam os seguintes
campos de formação: básica, profissional, conteúdos de estudos quantitativos e suas tecnologias
e complementar.
Cada uma dessas áreas, porém, possui uma grande amplitude de temas que poderão ser
oferecidos em diversas disciplinas, com nomenclaturas, cargas horárias, períodos e conteúdos
diferentes, devido à autonomia e flexibilização conferida às instituições de ensino.
No próximo tópico, será analisado como estão sendo oferecidos, especificamente, os temas da
área de Finanças, objeto deste estudo.
Dos 307 cursos selecionados como amostra, 281 disponibilizam a matriz curricular, sendo que
desse total, 100 disponibilizam os planos de ensino, permitindo a análise das duas categorias e
26 não fornecem nenhum tipo de informação.
Com base na matriz curricular divulgada no site, foi enviado um e-mail aos coordenadores dos
181 cursos restantes, solicitando os planos de ensino das disciplinas da área de Finanças. Desse
total, 46 coordenadores enviaram os planos.
93
As DCN não definem um critério mínimo ou padrão para a oferta dos conteúdos em relação a
disciplinas, período e carga horária que possam ser comparados e avaliados como adequados
ou não. Nesse sentido, este levantamento tem o objetivo de verificar como esses itens estão
sendo oferecidos nos cursos selecionados para análise. O resultado será utilizado como base
para a sugestão de uma matriz curricular para as disciplinas de Finanças.
Para análise dessa etapa, foram obtidos dados completos ou parciais de 281 instituições das 307
selecionadas. Nesse ponto, foi possível identificar algumas diferenças em relação às disciplinas
oferecidas nos cursos de Administração, tais como: nomenclatura, quantidade, carga horária e
o período de oferecimento das disciplinas.
Foram encontradas 1.252 ocorrências, sendo 252 disciplinas com diferentes nomenclaturas. A
Tabela 5.1 apresenta o resumo com as nomenclaturas mais utilizadas e que representam 50%
do total observado.
A disciplina de maior ocorrência é Matemática Financeira, com 17% do total das ocorrências e
oferecida em 76% dos cursos analisados. Em seguida, vem as disciplinas Administração
Financeira, Administração Financeira I, Administração Financeira II e Mercado de Capitais,
com 5% do total das ocorrências.
Quanto à distribuição dos conteúdos, foi possível observar um padrão somente nas disciplinas
Matemática Financeira, Mercado de Capitais, Orçamento Empresarial e Análise das
94
Em seguida, foram analisados os períodos onde são oferecidas as disciplinas. As DCN do curso
de Administração orientam as instituições de ensino a organizar seus currículos de acordo com
os regimes acadêmicos, seja seriado anual ou seriado semestral.
Essa informação estava disponível em 266 cursos, em 1.164 ocorrências. Do total de cursos,
255 são oferecidos em regime semestral e onze em regime anual. As Tabelas 5.3 e 5.4 mostram
a distribuição das disciplinas por períodos.
95
A tabela mostra que a oferta das disciplinas na área de Finanças concentra-se no meio do curso,
entre o 3° e o 6° período, totalizando 64,4% da oferta nesses períodos. As disciplinas optativas
representam 13,3% do total.
Nos cursos com oferta anual, as disciplinas concentram-se no 2°, 3° e 4° ano, representando
72% do total.
A informação da Carga Horária (CH) das disciplinas foi encontrada em 242 planos,
demonstrada na Tabela 5.5.
As obras utilizadas como bibliografia básica foram encontradas nos planos de ensino e projetos
pedagógicos disponíveis nos sites de 100 IES e de mais 46 instituições cujos coordenadores de
curso enviaram os planos por e-mail, totalizando 146 IES e 551 disciplinas analisadas.
Dessa amostra, foram observados o total de 1.788 ocorrências com 314 títulos diferentes. A
Tabela 5.6 apresenta as 18 obras mais observadas e que representam 50% do total de
ocorrências. Para simplificar a apresentação, foram desconsideradas as edições, os anos e a
editora de todas as obras, enfatizando o título e os autores.
Entre os títulos mais observados, oito são manuais de finanças e dez são obras de conteúdos
específicos, sendo: cinco de matemática financeira, dois de mercado financeiro, dois de análise
das demonstrações financeiras e um de gestão de capital de giro.
As DCS também não fazem sugestão de obras para serem utilizadas como bibliografia básica.
A única referência do MEC foi a publicação de um manual denominado Biblioteca básica para
os cursos de graduação em Administração, em 1997. Esse manual sugere informações sobre as
bibliografias e ementários pertinentes de cada matéria constante no Currículo Mínimo do Curso
de Administração.
Para a área financeira são sugeridas 83 obras. Comparando com as obras da Tabela 5.6, apenas
duas são coincidentes: MATARAZZO, D. C. Análise financeira de Balanços: abordagem
básica e gerencial e ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. A. Administração
financeira: corporate finance. Um dos motivos da baixa coincidência pode ser a desatualização
do manual.
Esta análise também não tem o objetivo de julgar se as obras mais observadas são as mais ou
menos adequadas ao ensino de Finanças. Segundo Brasil (1997), cada curso deve verificar o
que é mais relevante, a partir de sua realidade interna e externa, para então definir o ementário
e as bibliografias mais pertinentes que poderão ser utilizadas para a consolidação da missão,
dos objetivos e do perfil profissional pretendidos pelo curso.
Dos oito manuais mais citados, quatro são traduzidos para o português e quatro são de autores
nacionais. O Quadro 5.1 apresenta as informações editoriais das obras.
99
Ano
Edição Total de
Nome da obra Autor (es) Editora edição
atual páginas
atual
Princípios de administração
financeira. GITMAN, L. J. Pearson 12ª 2010 800
Finanças corporativas e valor. ASSAF NETO, A. Atlas 7ª 2014 824
Administração financeira: LEMES JUNIOR, A. B.;
princípios, fundamentos e práticas CHEROBIM, A. P. M. S.; RIGO,
brasileiras. C. M. Campus 3ª 2010 632
Administração financeira: ROSS, S. A.; WESTERFIELD,
corporate finance. R. W.; JAFFE, J. A. Grupo A 10º 2015 1072
Administração Financeira: Uma
abordage prática. HOJI, M. Atlas 5ª 2004 497
Princípios de administração ROSS, S. A. ; WESTERFIELD,
financeira R. W. e JORDAN, B. D. Atlas 2ª 2000 528
Curso de administração financeira. ASSAF NETO, A., LIMA, F. G. Atlas 3ª 2014 877
Fundamentos da moderna BRIGHAM, E. F. e HOUSTON,
administração financeira. J. F. Campus 1ª 1999 736
Quadro 5.1 - Manuais de Finanças avaliados
As obras traduzidas possuem, na média, um número maior de páginas (784) sendo ROSS, S.
A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. A. Administração financeira: corporate finance a obra
com maior número, 1.072 páginas. As nacionais possuem em média 708 páginas e a obra com
maior número é ASSAF NETO, A., LIMA, F. G. Curso de administração financeira, com 877
páginas.
As obras com maior número de edições também são as traduzidas, sendo GITMAN, L. J.
Princípios de Administração Financeira na 12ª edição e ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.;
JAFFE, J. A. Administração financeira: corporate finance na 10ª edição. A obra nacional com
maior número de edições é ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor, na 7ª edição.
Alguns autores estão presentes em mais de uma obra. Entre as obras nacionais duas são de
autoria do professor Alexandre Assaf Neto, Finanças Corporativas e Valor e Curso de
Administração Financeira (escrita em parceria com o professor Fabiano Guasti Lima).
Entre as obras traduzidas, duas são de autoria dos professores Stephen A. Ross e Randolph W.
Westerfield, Administração financeira: corporate finance, (em parceria com Jeffrey Jaffe) e
Princípios de administração financeira (em parceria com Bradford D. Jordan), sendo essa última
uma condensação da primeira. Além dessas duas, os autores ainda publicaram Fundamentos de
Administração Financeira e Administração Financeira (também em parceria com Bradford D.
Jordan).
100
A análise dos manuais será realizada em três categorias: quantificação dos conteúdos
abordados, quantidade e tipos de atividades práticas e a disponibilidade de material adicional
no site da editora.
Foram consultados os sumários das oito obras selecionadas. Os conteúdos foram compilados
por temas e divididos em seis tópicos conforme apresentado no Quadro 4.2, no Capítulo 4 deste
trabalho. A quantificação foi elaborada somente com base nas páginas destinadas aos
conteúdos, não sendo consideradas as páginas de prefácio, sumário, glossário, bibliografia,
índices e apêndices. As Tabelas 5.7 e 5.8 apresentam a quantificação.
O tema com maior conteúdo de páginas entre as obras nacionais e traduzidas são Finanças de
Longo Prazo. Os conteúdos discutidos envolvem Orçamento de Capital, Análise de
Investimentos, Estrutura de Capital e Política de Dividendos. A obra que mais aprofunda sobre
tema é ROSS, S. A.; WESTERFIELD, R. W.; JAFFE, J. A. Administração financeira:
corporate finance, dedicando 426 páginas ao tema.
O segundo tema mais abordado pelas obras nacionais são os instrumentos de apoio à
Administração Financeira. Todas as obras abordam um capítulo sobre cálculos financeiros e
análise das demonstrações financeiras, comum também às obras traduzidas. Além desses
conteúdos, a obra HOJI, M. Administração Financeira, uma Abordagem Prática, acrescenta os
conteúdos relacionados a orçamento empresarial e formação do preço de venda.
Entre as obras traduzidas, o segundo tema com maior número de páginas é Mercado Financeiro,
representando, em média, 21% do total das obras.
O tema Finanças de Curto de Prazo, que trata da gestão do capital de giro, praticamente tem,
em média, a mesma quantidade de páginas entre as obras traduzidas e nacionais, e em
quantidade inferior aos temas de Finanças de Longo Prazo, Instrumentos de apoio à
Administração Financeira e Mercado Financeiro. Além de ser pouco abordado nos manuais,
também são poucas as obras específicas sobre o tema disponíveis no mercado brasileiro.
101
Tabela 5.7 - Quantificação em páginas dos principais conteúdos dos manuais de Finanças de autores brasileiros
LEMES JUNIOR;
Temas/Autores ASSAF NETO HOJI ASSAF NETO; LIMA. Média
CHEROBIM; RIGO.
I - Introdução Administração Financeira 29 4% 45 7% 15 3% 28 3% 29 4%
II - Instrumentos de apoio Administração Financeira 86 12% 118 20% 288 61% 176 22% 167 26%
III - Mercado Financeiro 148 20% 68 11% 19 4% 220 27% 114 17%
IV- Finanças Corporativas de Longo Prazo 255 35% 165 27% 81 17% 196 24% 174 27%
V- Finanças Corporativas de Curto Prazo 101 14% 78 13% 61 13% 102 13% 86 13%
VI -Tópicos Especiais 115 16% 127 21% 8 2% 80 10% 83 13%
Total 734 100% 601 100% 472 100% 802 100% 652 100%
Tabela 5.8 - Quantificação em páginas dos principais conteúdos dos manuais de Finanças traduzidos
ROSS;
ROSS; WESTERFIELD;
Temas/Autores GITMAN WESTERFIELD; BRIGHAM; HOUSTON Média
JAFFE.
JORDAN
I - Introdução Administração Financeira 37 5% 21 2% 10 3% 27 4% 24 4%
II - Instrumentos de apoio Administração Financeira 164 23% 114 12% 101 27% 136 21% 129 19%
III - Mercado Financeiro 122 17% 186 19% 76 20% 178 28% 141 21%
IV- Finanças Corporativas de Longo Prazo 220 31% 426 44% 121 32% 188 19% 239 35%
V- Finanças Corporativas de Curto Prazo 68 10% 104 11% 50 13% 114 18% 84 12%
VI -Tópicos Especiais 104 15% 116 12% 18 5% 0 0% 60 9%
Total 715 100% 967 100% 376 100% 643 100% 675 100%
102
Neste tópico, foi observada a quantidade de questões, testes, exercícios e estudos de caso
disponíveis em cada capítulo dos temas analisados. As Tabelas 5.9 e 5.10 apresentam a
quantificação.
Com base nas informações observadas, é possível afirmar que as obras traduzidas são mais
didáticas que as nacionais, sob o ponto de vista de disponibilidade de atividades práticas em
cada capítulo da obra. Em média, as obras apresentam 456 exercícios, 336 questões e 15 estudos
de caso. A obra com mais atividades é GITMAN, L. J. Princípios de Administração Financeira,
com 596 exercícios, 298 questões e 24 estudos de caso.
Assim como no número de páginas, Finanças de Longo Prazo é o tema com maior média de
volume de atividades.
As obras nacionais, em média, disponibilizam 148 exercícios (209% a menos que as obras
traduzidas), 146 testes, 240 questões (40% a menos) e 6 estudos de caso (144% a menos).
Apesar de duas obras não oferecerem nenhum tipo de atividade, a Editora Atlas disponibiliza
no site um caderno de exercícios do livro ASSAF NETO, A. Finanças corporativas e valor e
um livro só de exercícios de HOJI, M. Administração Financeira, uma Abordagem Prática.
103
Tema I - - - - - - 10 - - - - - 5 5 - - 5 5 10 -
Tema II - - - - 65 - 39 - - - - - 30 30 - - 48 30 39 -
Tema III - - - - 25 - 31 1 - - - - 31 35 - - 28 35 31 1
Tema IV - - - - 30 - 67 3 - - - - 38 40 - - 34 40 67 3
Tema V - - - - 21 - 45 - - - - - 20 21 - - 21 21 45 -
Tema VI - - - - 15 - 48 2 - - - - 15 15 - - 15 15 48 2
Total - - - - 156 - 240 6 - - - - 139 146 - - 148 146 240 6
Tema I 21 - 27 1 - - 11 - - - 23 - - - 37 11 - 25 1
Tema II 140 - 59 4 58 - 13 - 137 - 59 - 93 - 66 3 107 - 49 4
Tema III 113 - 54 4 159 - 87 2 89 - 58 - 71 - 131 4 108 - 83 3
Tema IV 193 - 78 8 262 - 130 2 103 - 83 - 79 - 162 6 159 - 113 5
Tema V 57 - 35 3 52 - 24 - 52 - 42 - 51 - 93 2 53 - 49 3
Tema VI 72 - 45 4 22 - 26 1 - - - - - - - 24 - 18 3
Total 596 - 298 24 553 - 291 5 381 - 265 - 294 - 489 15 456 - 336 15
104
Algumas editoras disponibilizam em seus sites materiais adicionais de suas obras, para alunos
e/ou docentes, como forma de reforçar o aprendizado do aluno com novas atividades, e dar
maior suporte ao docente no ensino dos conteúdos das obras.
Entre as obras analisadas, três não possuem nenhum material adicional no site da sua editora,
três disponibilizam para alunos e docentes e dois somente para os docentes.
O material disponibilizado aos alunos das obras traduzidas é mais diversificado, com planilhas
eletrônicas, guia de calculadora financeira, vídeos, além de disponibilizar novas atividades
práticas como exercícios, estudos de caso e testes.
O Quadro 5.2 apresenta o material adicional de cada manual disponível no site das editoras.
Material
Nome da obra Autor (es) Alunos Docente
Planilhas dos exemplos do
livro, guia de calculadora Manual do professor e
Princípios de administração
GITMAN, L. J. financeira, estudos de casos, apresentação em Power
financeira.
exercícios e testes de auto Point dos capítulos
avaliação.
Manual do professor e
Finanças corporativas e valor. ASSAF NETO, A. Caderno de exercícios apresentação em Power
Point dos capítulos
Administração financeira: LEMES JUNIOR, A.
Estudos de caso dos
princípios, fundamentos e B.; CHEROBIM, A. Não disponível
capítulos
práticas brasileiras. P. M. S.; RIGO, C. M.
Manual do professor,
apresentação em Power
Planilhas dos exemplos do
ROSS, S. A.; Point dos capítulos,
Administração financeira: livro, guia de calculadora
WESTERFIELD, R. biblioteca de imagens,
corporate finance. financeira, estudos de casos,
W.; JAFFE, J. A. planilhas em excel,
vídeos.
banco de testes, Wall
Street survivor
Administração Financeira na
HOJI, M. Não disponível Não disponível
prática.
ROSS, S. A. ;
Princípios de administração
WESTERFIELD, R. Não disponível Não disponível
financeira
W. e JORDAN, B. D.
Manual do professor e
Curso de administração ASSAF NETO, A.,
Não disponível apresentação em Power
financeira. LIMA, F. G.
Point dos capítulos
Fundamentos da moderna BRIGHAM, E. F. e
Não disponível Não disponível
administração financeira. HOUSTON, J. F.
Quadro 5.2 - Material adicional dos manuais disponível no site das editoras
Essa análise mostra que as obras traduzidas, possuem em média, mais páginas abordando os
diversos conteúdos sobre a área financeira e didaticamente são melhores na questão da oferta
105
de atividades práticas, na própria obra e no site da editora. Essa quantidade maior de atividades
pode auxiliar o docente a preparar suas aulas e servir de reforço aos alunos nas disciplinas da
área.
Outro ponto que diferencia as obras traduzidas das obras nacionais é a preocupação com os
elementos pedagógicos, distribuídos ao longo dos capítulos, como: objetivos de aprendizagem,
destaque dos principais termos, dicas de margem, destaque nas principais equações, história
descrevendo como uma empresa real lidou com as questões discutidas no capítulo e tabelas de
resumo. Todos esses itens são explicados no prefácio das obras.
Este tópico tem o objetivo de fazer uma breve análise de como estão sendo oferecidas as
disciplinas de Finanças nos cursos de negócios de escolas internacionais.
O critério de seleção dos cursos foram os rankings publicados em dois sites especializados nas
áreas de economia e gestão: Bloomberg Business (THE COMPLETE ..., 2014) e Financial
Times (EUROPEAN ..., 2014), que elegeram, em 2014, respectivamente, as melhores escolas
de negócios dos EUA e da Europa.
Para a análise, foram selecionadas as 50 escolas de negócios mais bem posicionadas nos
rankings, sendo 25 norte-americanas e 25 europeias, que oferecem cursos de graduação em
Administração (Undergraduated Business e Bachelor of Business Administration). Escolas que
oferecem apenas cursos de pós-graduação não foram avaliados. O Quadro 5.3 apresenta as
escolas selecionadas.
106
Os cursos de gestão das escolas norte americanas oferecem um quadro de disciplinas básicas,
que abrangem temas gerais nos primeiros semestres curso e diversas disciplinas eletivas
(courses) nas várias áreas de concentração da Administração. Isso permite que o aluno escolha
a área de concentração dos seus estudos entre várias opções como finanças, marketing,
contabilidade, sistemas de informação, empreendedorismo, gestão de operações e gestão de
pessoas.
Os sites das 25 escolas norte americanas foram analisados, buscando identificar se as ementas
e a bibliografia dos cursos estavam disponíveis ao público. Apenas 13 disponibilizam as
ementas das disciplinas e somente uma divulga a bibliografia recomendada.
107
Tabela 5.11 - Disciplinas eletivas de Finanças oferecidas nos cursos de negócios nos EUA
Disciplinas Frequência %
Investimentos e Mercado Financeiro 70 46%
Finanças Corporativas 43 28%
Mercado Imobiliário 14 9%
Finanças Internacionais 12 8%
Gestão de Bancos 10 7%
Finanças Pessoais 3 2%
Mercado de Seguros 1 1%
Total 153 100%
Quanto às escolas europeias, não foi possível fazer uma análise mais completa, pois somente
cinco fornecem as ementas das disciplinas obrigatórias e eletivas. De modo geral, observou-se
que cursos possuem uma duração de três anos e apenas a Stockholm School of Economics
oferece o sistema de concentração em uma determinada área do conhecimento, semelhante aos
cursos norte-americanos.
109
A Revista Brasileira de Finanças (RBFin), apesar ser classificada no extrato B1, foi incluída na
amostra devido ao fato de ter sido o primeiro periódico nacional dedicado especificamente ao
campo de Finanças e ser a mais bem classificada no Webqualis Capes, entre outras revistas
especializadas na área. Os periódicos selecionados foram:
Inicialmente foram analisados 1.021 artigos, publicados entre 2010 e 2014. Desse total, 238
foram classificados como de Finanças, considerando o tema, título e palavras-chave. Artigos
cujos temas fazem fronteira com a Economia e a Contabilidade não foram considerados. A
Tabela 6.1 resume a quantidade de artigos por periódico.
110
Todos os artigos publicados na RBFin foram considerados como de Finanças. Entre os demais
periódicos, os que mais publicam artigos da área financeira, em suas próprias edições, são o
RCF e o BBR, com 27% de artigos publicados em relação à publicação de outros temas na
própria revista.
Entre elas, excetuando a RBFin, o periódico com maior número de artigos de Finanças
publicados no período, foi a BBR, com 34 publicações. A Tabela 6.2 apresenta a evolução das
publicações no período analisado.
Apesar do crescimento de publicações na área entre 2010 e 2012, esse volume diminuiu a partir
de 2013, chegando a 47 publicações em 2014, mesmo número de publicações de 2011. Apesar
da redução de publicações nesses dois anos, as publicações de Finanças na RAE aumentaram
de 3 publicações em 2013 para 10, em 2014.
A maior parte das publicações de Finanças, no período pesquisado, são das subáreas de
Mercado Financeiro e de Capitais (45%) com 108 artigos publicados e de Finanças
Corporativas e Governança com 85 publicações (36% do total). Outras pesquisas também
confirmam a maior frequência de publicações nessas subáreas.
Leal, Oliveira e Soluri (2013) avaliaram 461 artigos de Finanças publicados em 11 periódicos
científicos nacionais, entre 2000 e 2010, e observaram que as áreas temáticas mais publicadas
nesse período foram Apreçamento de Ativos e Gestão de carteiras (119 publicações), temas de
Mercados Financeiros e de Capitais e Finanças Corporativas (111 publicações). Os autores
sugerem que a maior incidência de artigos nessa subárea é favorecida pela disponibilidade dos
dados, em bases como Economática e Bloomberg.
Camargo, Silva e Dias (2009) analisaram 391 artigos da área de Finanças no Brasil, publicados
nos anais do congresso do Enanpad (Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-
Graduação em Administração), entre 2000 e 2008. Segundo o levantamento, a subárea Finanças
Corporativas representou 32,7% do total, com 128 artigos publicados. Em seguida, a área de
Investimentos (20,2%) com 79 artigos e Mercados Financeiros e de Capitais (17,4%) com 68
artigos foram as subáreas mais observadas. Se analisados em conjunto, esses dois temas, devido
à sua proximidade, representam 34,3% do total da produção em Finanças no período analisado.
Camargo, Coutinho e Amaral (2005) traçaram o perfil da área de finanças do Enanpad, por
meio de um levantamento da produção científica realizada entre 2000 e 2004. Os autores
identificaram que os temas mais abordados no período foram: Finanças Corporativas (30,99%),
Derivativos e Gestão de Risco (25,73%) e Mercado de Capitais (18,71%). Porém, ao ponderar
essas duas últimas como sendo uma só, elas passam a representar 44,44% do total, confirmando
a preferência dos pesquisadores por essa área.
112
Mais estudos em empresas de capital fechado, por exemplo, que abordem tópicos relacionados
à administração financeira de micro, pequenas e médias empresas, como gestão de caixa,
captação de recursos financeiros, planejamento e controle financeiro, dificuldades financeiras,
formação de preço de venda, investimentos de expansão, entre outros, podem contribuir com
os estudos da área financeira no Brasil.
A subárea de Finanças Internacionais foi pouco explorada nesse período, assim como nos
estudos de Camargo, Coutinho e Amaral (2005), que observaram 3,51% de publicações desse
tema em relação ao total, e de Camargo, Silva e Dias (2009) com 3,8% do total de publicações.
Essa baixa atratividade, pode ser explicada por esses temas estarem mais relacionados à
economia do que a administração (CAMARGO; SILVA; DIAS, 2009).
113
Nesta seção, foram analisados os artigos publicados nos principais periódicos internacionais de
Finanças. O critério de seleção das revistas foi seu fator de impacto publicado na edição de
2014, do JCR (Journal Citation Reports), reconhecido por avaliar periódicos indexados na Web
of Science.
Foram escolhidos os cincos periódicos que publicam artigos de Finanças, com maior fator de
impacto em cinco anos (2009 a 2013). O Quadro 6.1 apresenta um resumo das publicações.
Comparando com as publicações nacionais, é possível verificar a tendência por publicações nas
mesmas subáreas.
A maior parte das publicações são de Mercado Financeiro e de Capitais, com 792 artigos (42%
do total) e Finanças Corporativas e Governança, com 434 artigos (23% do total). Os temas
menos explorados são Métodos Matemáticos e Quantitativos e Finanças Internacionais, com
4% das publicações. A Tabela 6.4 resume os artigos por subárea.
Ashton et al. (2009) avaliaram as publicações das áreas de Contabilidade e Finanças das
universidades do Reino Unido, entre os anos 2001 e 2007. Observaram aumento na quantidade
e qualidade da pesquisa em finanças nesse período, com considerável aumento nas publicações
sobre o mercado de derivativos e poucos trabalhos sobre finanças comportamentais e mercados
emergentes. Na subárea finanças corporativas, identificaram que a maior parte dos artigos são
empíricos, explorando temas tradicionais como política de dividendos e impostos, estrutura de
capital, governança corporativa e controle, incluindo fusões e aquisições, IPOs e teoria da
agência.
Keloharju (2008) avaliou os 300 artigos mais citados na área das Finanças durante o período de
2000 a 2006, em 29 revistas especializadas em Finanças, 21 em Economia, seis em
Contabilidade, e duas em Pesquisa de Operações. Separando os artigos por subárea, identificou
que, do total, 121 artigos são de Mercado Financeiro (40%) e 61 são de Finanças Corporativas
e Governança (29%). O autor também detalhou os artigos por temas e os mais citados foram:
precificação de ativos (21%), política de financiamento, risco financeiro e gestão de risco,
estrutura de capital (11%) e decisão de investimentos: portfólio de carteiras (7%).
Benson, Faff e Smith (2014) realizaram uma revisão da pesquisa acadêmica em Finanças nas
quatro principais revistas da Ásia e Bacia do Pacífico. Os autores levantaram diversas
características dos artigos publicados nessas revistas, entre eles as principais áreas de
investigação. Analisaram 342 artigos entre os anos de 2011 e 2013 e identificaram que as áreas
com maior número de publicações foram Finanças Corporativas, com 37% das publicações.
Em seguida as duas áreas mais pesquisadas foram Investimentos, com 27%, e Opões, futuros e
115
derivativos, com 9%. Como essas duas áreas podem ser classificadas na subárea de Mercado
Financeiro, o percentual de publicações dessa subárea é de 36%.
O levantamento mostra que pesquisas acadêmicas na área de Finanças nos últimos anos, ao
redor do mundo, estão concentradas nas subáreas Mercado Financeiros e de Capitais e Finanças
Corporativas e Governança.
A primeira subárea engloba temas relacionados aos ativos financeiros, aos mercados onde esses
são negociados, a análise de investimentos individuais, a construção e diversificação de
carteiras e precificação de ações, entre outros. Ashton et al. (2009) observaram alto padrão de
qualidade para as pesquisas dessa subárea em termos de rigor, no que diz respeito à utilização
de técnicas econométricas e utilização de grandes bancos de dados.
Apesar desse papel, os livros didáticos ainda são mais utilizados no ensino, como meio de
comunicação escrita, do que as publicações acadêmicas. O objetivo aqui não é aprofundar na
discussão, mas apresentar algumas vantagens e desvantagens da utilização de artigos
acadêmicos no ensino.
Almeida (2010) aponta algumas vantagens das revistas acadêmicas em relação aos livros
didáticos, como velocidade de publicação, possibilidade de circulação e custo. Segundo o autor,
a velocidade de publicação é significativa, pois um livro demora muito para ser escrito,
traduzido e editado e determinados assuntos podem ficar ultrapassados. Um determinado fato
publicado em jornais e revistas de negócios pode ser comentado em uma revista acadêmica em
poucos meses.
Uma desvantagem observada é em relação à distância entre o que está sendo pesquisado e a
prática profissional. Segundo Bennis e O’Tolle (2005), apesar da qualidade das pesquisas,
116
poucas são fundamentadas em práticas reais de negócios e o foco da educação de negócios está
cada vez menos relevante para os profissionais.
Neste Capítulo serão apresentados os resultados e as análises dos dados obtidos na aplicação
do questionário. Primeiro será apresentado o perfil da amostra e, posteriormente, serão
apresentados os resultados sobre a opinião dos profissionais acerca do conhecimento e ensino
de Finanças.
Quanto à categoria administrativa das IES dos cursos, 77,5% dos entrevistados formaram em
instituições particulares e 22,5% em instituições públicas, ilustrado no Gráfico 1.
118
22%
IES Públicas
IES Privadas
78%
No que tange à área de atuação, a maior parte da amostra é de profissionais que atuam na área
de Finanças (48%), seguidos dos profissionais de Administração Geral (21%), como mostra a
Tabela 7.2.
Com relação à situação profissional, 73% dos profissionais trabalham como funcionários de
empresas, 8% atuam como consultores e 4% como docentes. Também é possível observar na
Tabela 7.3 que 15% dos profissionais conciliam as atividades de funcionários de empresa ou
consultoria com a docência.
No que tange aos cargos dos funcionários que trabalham em empresas, inclusive os que
conciliam a atividade com a docência, 26% são gerentes, 23% analistas, 18% supervisores ou
coordenadores e 17% são diretores. Na Tabela 7.4 mostram-se os cargos.
Em relação ao setor de atividade das empresas que os profissionais atuam, 40% são do setor de
serviços, 20% indústria e 13% comércio. Os demais setores são apresentados na Tabela 7.5.
Em relação à opinião dos 234 profissionais que não atuam na área financeira, 69% responderam
que gostam ou gostam muito de temas ou atividades relacionadas a Finanças e 82% consideram
importante ou muito importante o conhecimento dessa área na prática de sua atual atividade
profissional.
120
Descriptives
Std.
N Mean Deviation
Você gosta de temas ou atividades Marketing e Vendas 27 3,70 ,953
relacionadas a área de Finanças Recursos Humanos 23 4,04 1,022
Produção e Operações 10 4,20 ,789
Controladoria 22 4,45 ,963
Contabilidade 7 3,43 1,272
Logística 14 3,64 1,393
Administração Geral 93 3,81 1,182
Outros 38 3,95 1,114
Total 234 3,90 1,122
Você considera importante possuir Marketing e Vendas 27 4,33 ,920
conhecimento de Finanças, na Recursos Humanos 23 4,09 1,276
prática de sua atual atividade
Produção e Operações 10 4,30 ,823
profissional?
Controladoria 22 4,45 ,963
Contabilidade 7 4,57 ,787
Logística 14 4,64 ,497
Administração Geral 93 4,22 1,112
Outros 38 4,42 ,858
Total 234 4,31 1,007
Quadro 7.1 - Opinião sobre o conhecimento de Finanças
Foi conduzido o teste de Kruskal-Wallis para verificar se existiam diferenças entre as áreas. O
resultado não apresentou evidências estatísticas que permitam rejeitar a hipótese de diferença
entre os grupos analisados no nível de significância de 10%. O teste está apresentado no Quadro
7.2.
121
Com relação às atividades financeiras mais relevantes para os 231 profissionais de Finanças e
Controladoria, no desenvolvimento de sua atividade profissional, 89% consideram relevante ou
muito relevante a elaboração de relatórios gerenciais, seguido da projeção e controle de fluxo
de caixa (81%), análise econômica financeira (79%), elaboração e acompanhamento do
orçamento (75%) e captação e aplicação de recursos financeiros (71%). A Tabela 7.6 mostra a
frequência das demais atividades.
Os fatores foram agrupados utilizando o método dos componentes principais por meio da matriz
rotacionada pelo método Varimax. Os fatores menores que 0,50 foram excluídos, para não
poluir a análise. A matriz acumulou as variáveis em quatro temas principais que, acumulados,
explicam 69,32% da variância total. De acordo com Hair et al. (2005), a regra para este critério
é que uma solução fatorial deve explicar um mínimo de 60% de variação total. Os resultados
podem ser observados no Quadro 7.3.
Component
1 2 3 4
Elaboração e acompanhamento de orçamento ,858
Análise econômica financeira ,750
Elaboração relatórios gerenciais ,750
Análise de Custos ,743
Avaliação de projetos de investimentos ,737
Gestão de Riscos ,584
Administração Portfólio ,846
Operações Estruturadas ,824
Administração de Carteiras ,816
Gestão de Produtos Financeiros ,802
Operações de Cambio
Análise de Crédito ,804
Gestão de Cobrança ,680
Negociação de Seguros ,611
Captação e aplicação recursos financeiros ,525
Atividades de contas a pagar e contas a receber ,895
Conciliação bancária ,774
Projeção e controle fluxo de caixa ,590
Qui-
quadrado 1507,232
aprox.
Teste de esfericidade de Bartlett
df 153
Sig. 0
Quadro 7.4 - Testes de adequação dos dados para a realização da análise fatorial
No segundo fator, foram agrupadas as atividades que são desenvolvidas, normalmente por
profissionais que atuam no mercado financeiro.
As operações de câmbio não tiveram similaridade com nenhum dos fatores formados, porque
estão intrinsicamente ligadas aos demais fatores.
No que tange ao ensino de Finanças, o conteúdo que os docentes da área financeira aprofundam
ou aprofundam muito na abordagem em sala de aula é a análise das demonstrações financeiras
(73%), seguido dos temas de análise de investimentos, fontes de financiamento de longo prazo
e custo e estrutura de capital, citados por 64% dos docentes. O tema menos ministrado pelos
docentes é Finanças Pessoais, ministrado por 22 docentes. A Tabela 7.7 ilustra a frequência dos
demais conteúdos.
124
No que tange à relação dos conteúdos de Finanças com as disciplinas dos 53 docentes das outras
áreas de gestão, 57% citaram que Gestão de Estoques possui relação ou muita relação com suas
disciplinas, 55% citaram análise das demonstrações financeiras e 51% citaram orçamento e
aplicação dos recursos financeiros. A frequência dos demais conteúdos está apresentada na
Tabela 7.9.
126
Tabela 7.9 - Conteúdos de Finanças com maior relação nas disciplinas de outras áreas de gestão
N Frequência %
Gestão de Estoques 53 30 57%
Análise Financeira de Resultados 53 29 55%
Orçamento 53 27 51%
Aplicação de Recursos Financeiros 53 27 51%
Análise Viabilidade de Investimentos 53 26 49%
Contratação de Recursos Financeiros 53 21 40%
Cálculos Financeiros (Juros) 53 19 36%
Gestão de Fluxo de Caixa 53 17 32%
Gestão de Crédito e Cobrança 53 12 23%
Com respeito às atividades utilizadas no ensino de suas disciplinas, 55% dos docentes citaram
utilizar com maior frequência exercícios e estudos de caso desenvolvidos com base na própria
experiência profissional, 42% utilizam casos reais divulgados na imprensa (revistas, sites de
negócios, jornais etc.) e 38% utilizam exercícios e estudos de caso extraídos da bibliografia e
29% utilizam exercícios e estudos de caso com base em artigos científicos.
A Tabela 7.11 mostra a frequência dos conteúdos de Finanças que foram, ou não, ensinados
nos cursos de graduação dos entrevistados.
Observa-se que os conteúdos mais ensinados, de acordo com os profissionais foram Matemática
Financeira (96%), Análise das Demonstrações Financeiras (92%) e Administração de Estoques
(86%). Já o conteúdo Finanças Pessoais foi o menos ensinado, segundo 54% dos entrevistados,
seguidos de Técnica e Gestão de Tesouraria (53%) e Administração de Crédito e Cobrança
(46%).
Quanto aos conteúdos que poderiam ter sido mais aprofundados ou ensinados, na opinião dos
entrevistados, os mais citados pelos profissionais da área de Finanças foram Técnicas e Gestão
de Tesouraria (51%), Gestão de Riscos (49%) e Produtos Financeiros (47%). Quanto à opinião
128
dos profissionais das outras áreas de gestão os conteúdos mais citados foram Gestão de Riscos
(52%), Análise de Investimentos (44%) e Orçamento Empresarial (41%).
Quanto ao ensino de Finanças Pessoais, 83% dos entrevistados consideram importante ou muito
importante acrescentar esse tema nos cursos de graduação.
Com relação ao aprendizado, 16% dos entrevistados tiveram dificuldades ou muita dificuldade
em aprender os conteúdos de Finanças. Quanto às variáveis que podem dificultar o aprendizado,
os entrevistados citaram alguns pontos, agrupados em sete categorias, apresentadas na Tabela
7.12. Dos 453 entrevistados, 44 não deram opinião.
Dentro das categorias, os pontos mais citados pelos entrevistados foram: a dificuldade de
relacionar a teoria e sua aplicabilidade na prática, os cálculos exigidos nas disciplinas e a falta
do conhecimento básico de matemática, a falta de didática dos docentes, a necessidade de
ampliar e aprofundar em conteúdos de disciplinas afins, como contabilidade, economia e
estatística, e a dificuldade com alguns conteúdos específicos, a qualidade do material e a falta
de exemplos e exercícios mais relacionados à prática e à baixa carga horária das disciplinas de
Finanças.
Com relação às diferenças entre a teoria e a prática, 64% citaram que existem diferenças ou
muitas diferenças entre o que é ensinado em sala de aula e a prática executada no mercado.
Com relação aos fatores que contribuem com essas diferenças, 90% citaram a utilização de
exemplos práticos e atuais durante as aulas, 86% a clareza quanto à utilização dos conceitos na
prática e a falta de experiência prática do professor sobre o conteúdo e 82% apontaram a
didática do professor. Os demais fatores são apresentados na Tabela 7.13.
129
Tabela 7.13 - Fatores que contribuem para as diferenças entre a teoria e a prática
N Frequência %
Utilização de exemplos práticos e atuais durante as aulas 453 406 90%
Clareza quanto a utilização dos conceitos na prática 453 391 86%
Falta de experiência prática do professor sobre o conteúdo 453 389 86%
Didática do professor 453 372 82%
Entender a relação da disciplina de Finanças com as outras disciplinas de outras
453 361 80%
áreas
Estímulo em relação ao interesse pela disciplina 453 344 76%
Entender a importância do conhecimento de finanças dentro do curso de
453 344 76%
graduação
Pouco conhecimento teórico do professor sobre o conteúdo 453 316 70%
Bibliografia utilizada 453 278 61%
No que tange aos hábitos de leitura dos entrevistados, 20% responderam que não costumam ler
artigos científicos, 38% leem ocasionalmente, 24% leem apenas quando precisam pesquisar um
tema específico e 19% leem com frequência. Quanto à leitura de matérias de Finanças em
jornais e revistas de negócios, 5% responderam que não costumam ler, 40% leem
ocasionalmente, 8% leem apenas quando precisam pesquisar um tema específico e 47% leem
com frequência, demonstrados nas Tabelas 7.14 e 7.15.
Com respeito à opinião no que pode ser melhorado no ensino de Finanças nos cursos de
graduação, 24 dos 453 entrevistados afirmaram não ter opinião sobre o assunto. As opiniões
dos demais foram classificadas em cinco categorias, cujas frequências são apresentadas na
Tabela 7.16:
130
A maior parte dos entrevistados que deram opinião, citaram a metodologia de ensino como
ponto a ser melhorado nos cursos de graduação. Do total, 43% apontaram a necessidade da
utilização de metodologias que apresentem casos práticos no ensino dos conteúdos de Finanças.
As sugestões dadas foram a utilização de estudos de casos de situações reais do ambiente
empresarial, apresentação da teoria com a utilização de exemplos práticos e utilização de
material mais atualizado. Ainda sobre metodologia, 34 entrevistados deram a sugestão da
utilização de determinadas atividades como seminários e palestras com executivos, utilização
da internet e da tecnologia no ensino, utilização de simuladores e visita dos alunos a empresas.
O segundo ponto mais citado foi em relação aos docentes, sendo experiência prática citada por
47 entrevistados. Foi comentada a importância da experiência prática e da atualização do
docente em relação ao conteúdo ministrado e que docentes “muito teóricos” dificultam o
aprendizado do tema que está sendo ensinado. Outros 39 comentam que a didática do docente
influencia o aprendizado do aluno e consideram importante a clareza e confiança nas
explicações e a capacidade de mostrar a aplicabilidade prática em relação ao que está sendo
ensinado.
Opiniões sobre os conteúdos também foram observados por 18% dos entrevistados. Foi
sugerida a inclusão de determinados conteúdos de contabilidade e de finanças por 39
entrevistados, tendo Finanças Pessoais como o conteúdo mais citado. Ainda sobre esse ponto,
38 entrevistados comentaram sobre a aplicabilidade prática dos conteúdos em determinados
segmentos, como a utilização em empresas de pequeno e médio porte e em empresas de
131
comércio e de serviços, pois a maioria dos exemplos é de grandes empresas industriais e muitas
vezes retirados dos livros-texto.
E, ainda, 6% dos entrevistados deram a sugestão para que se aumente a carga horária e o número
de disciplinas que abordam os conteúdos de Finanças. A categoria “outros” refere-se às
respostas que não se encaixam em nenhuma das categorias analisadas anteriormente.
Esses resultados demonstram que o principal ponto de melhoria está mais relacionado à pessoas
(relação professor e alunos) e as metodologias utilizadas em sala de aula do que propriamente
em relação aos conteúdos que são ministrados nos cursos de graduação.
132
133
Administração Financeira
Análise Financeira Administração de Bens e Valores
Apuração do EVA. (Economic Value Added) Administração de Capitais
Assessoria Financeira Controladoria
Assistência Técnica Financeira Controle de Custos
Consultoria Técnica Financeira Levantamento de Aplicação de Recursos
Diagnóstico Financeiro Arbitragens
Orientação Financeira Controle de Bens Patrimoniais
Pareceres de Viabilidade Financeira Participação em outras Sociedades - (Holding)
Projeções Financeiras Planejamento de Recursos
Projetos Financeiros Plano de Cobrança
Sistemas Financeiros Projetos de Estudo e Preparo para Financiamento
Quadro 8.1- Atividades de Administração Financeira listadas pelo CFA
Contabilidade
Economia Estatística
Financeira
Fundamentos de
Finanças
Estratégias de
Finanças
Finanças Governança
Gestão de Riscos
Internacionais Corporativa
As disciplinas com conteúdos de formação básica geralmente são oferecidas no início do curso.
Neste trabalho, a sugestão é a oferta de disciplinas que abordem conteúdos que tenham relação
com a área de Finanças, como economia, contabilidade e estatística.
A sugestão é que a disciplina aborde conteúdos relacionados aos seguintes temas econômicos:
b) Contabilidade Financeira: a área de Finanças também possui relação com a área contábil.
Entre as funções do contabilista, de acordo com Gitman (2010), estão o desenvolvimento e a
apresentação de dados financeiros utilizados na mensuração do desempenho e na avaliação
econômica da empresa, por meio das demonstrações financeiras.
As disciplinas de formação profissional foram definidas com base nos temas financeiros
definidos a partir do sumário dos Manuais de Finanças, analisados no Capítulo 4 e que
englobam os aspectos introdutórios da área de Finanças, as decisões financeiras de curto e longo
prazo e planejamento e controle financeiro.
Essa sequência é importante, pois os alunos aprendem primeiro como são tomadas as decisões
financeiras e, em seguida, aprendem a analisar a influência dessas decisões nos resultados da
empresa. Depois aprendem a metodologia para planejar e projetar os resultados almejados.
A maioria dos cursos de Administração, 76% do total analisado, oferece uma disciplina
específica de Matemática Financeira. Nessa proposta, a sugestão é distribuir os conteúdos desse
tema nas demais disciplinas de Finanças.
A sugestão é fracionar o ensino de matemática financeira, para que o aluno não tenha sobrecarga
de conhecimento em um único período e trabalhe bem cada conteúdo nas disciplinas nas quais
serão necessários seus conhecimentos. Entre as maiores dificuldades em aprender Finanças,
segundo 23% dos profissionais entrevistados, está o aprendizado de matemática. Nesse sentido,
a distribuição será feita nas disciplinas.
Nos próximos tópicos serão apresentadas cada uma das disciplinas obrigatórias, mostrando seus
objetivos e conteúdos. Os planos de ensino, com a metodologia, bibliografia e conteúdo
programático são apresentados no Apêndice C.
Disciplina introdutória com o objetivo de apresentar a área financeira aos alunos. A sugestão é
a abordagem mais ampla e básica dos principais conceitos da área, apresentando ao aluno o que
são as Finanças, sua aplicabilidade prática dentro das organizações e na vida pessoal e a relação
com as demais áreas e disciplinas do curso de Administração.
O objetivo das finanças corporativas é a geração de valor econômico. O valor, segundo Matias
(2007), pode ser gerado por meio de diversas estratégias financeiras, entre as quais as decisões
de financiamento de longo prazo.
O conteúdo da disciplina será estruturado com base em quatro temas, detalhados a seguir.
O ideal é utilizar, além de exercícios que estão nos livros-texto de matemática financeira,
simulações de operações financeiras, como financiamento imobiliário, simulação de operações
financeiras do BNDES, entre outras, para que o aluno entenda a aplicabilidade prática da
disciplina, utilizando calculadora financeira e planilhas eletrônicas.
A abordagem do mercado de capitais pode ser classificada de duas maneiras, conforme a origem
dos recursos. Primeiro, como créditos de longo prazo, explicando o funcionamento de algumas
operações, como arrendamento mercantil, project finance e forfaiting.
Um ponto que deve ser destacado no ensino desses conteúdos é a diferença entre os mercados
financeiros norte-americano e brasileiro, principalmente se o livro-texto utilizado for de uma
obra traduzida.
O custo de capital pode ser definido, segundo Damodaran (2002), como a média ponderada dos
custos de diferentes componentes do financiamento, utilizados pela empresa para financiar suas
necessidades financeiras. Os principais tópicos a serem abordados sobre esse tema são
apresentados abaixo:
Custo do capital de terceiros, onde será abordado o custo financeiro das operações de
empréstimos e financiamento no Brasil, a diferença entre taxas de juros nominal e
efetiva e a questão da dedutibilidade fiscal dos encargos financeiros na provisão do
imposto de renda.
Custo do capital próprio, abordando a metodologia CAPM (Capital Asset Pricing
Model), enfatizando sua utilização prática no cálculo do valor econômico e em
processos de avaliação de empresas.
Custo médio ponderado de capital, apresentando o cálculo do custo da captação de longo
prazo da empresa, ponderado pela participação de recursos de terceiros e recursos
próprios.
Estrutura de capital e alavancagem, discutindo as principais teorias sobre a estrutura
ótima de capital e o cálculo e interpretação do grau de alavancagem financeira da
organização.
Além dos livros-texto, sugere-se a utilização de artigos acadêmicos empíricos, como forma de
reforçar ao aluno a aplicabilidade prática do tema que está sendo ensinado.
Os dividendos são o principal meio de as empresas devolverem dinheiro aos seus acionistas.
As decisões de uma empresa sobre a política de dividendos frequentemente se interligam a
outras decisões de financiamento e investimento, impactando no valor da empresa (BREALEY;
MYERS; ALLEN, 2008).
Nesse tema, deverão ser discutidos os aspectos básicos da política de dividendos e recompra de
ações, a prática legal da distribuição no Brasil e os juros sobre o capital próprio na legislação
brasileira.
Segundo Matias (2007), uma organização pode elaborar três tipos de projetos de investimentos:
operacionais, financeiros e estratégicos. A sugestão é trabalhar nessa disciplina os principais
aspectos relacionados aos investimentos operacionais e financeiros e na disciplina Estratégias
Financeiras, os investimentos estratégicos. Os conteúdos seriam distribuídos como mostrado a
seguir:
Apresentação das técnicas de cálculo de operações financeiras com fluxo de caixa não
homogêneos. Essas técnicas serão a base dos cálculos que serão realizados na análise de
investimentos discutida ao logo da disciplina.
Assim como na disciplina anterior, sugere-se a aplicação de exercícios práticos, além dos
exercícios dos livros-texto, utilizando calculadora financeira e planilhas eletrônicas.
b) Investimentos operacionais
Os conteúdos desse tema estão relacionados aos investimentos realizados pelas organizações,
sob a perspectiva do orçamento de capital. De acordo com Gitman (2010), no orçamento de
capital são avaliados e selecionados os investimentos de longo prazo condizentes com o
objetivo empresarial de maximizar a riqueza dos proprietários.
A abordagem também deve ser sempre relacionada com os conteúdos da disciplina Decisões
de Financiamento, mostrando a importância das duas decisões financeiras na geração de valor
nas organizações.
Durante a apresentação desses conteúdos, podem ser utilizadas notícias sobre investimentos
realizados pelas empresas brasileiras ou estrangeiras de sites especializados em economia e
negócios, e notícias disponíveis no site do BNDES sobre a liberação de recursos para
investimentos em empresas nos mais diversos setores.
c) Investimentos financeiros
Além dos investimentos operacionais, estudados sob a perspectiva da empresa, também são
objeto de estudo das Finanças os investimentos financeiros. Esses tipos de investimento,
segundo Brigham e Ehrhardt (2007), se concentram nas decisões tomadas pelos investidores
individuais e institucionais à medida que escolhem títulos para suas carteiras de investimentos.
Conteúdos abordados neste tema:
Essa disciplina aborda os conteúdos das finanças de curto prazo. Segundo Matias (2007), no
curto prazo, as finanças empresariais contemplam o capital de giro e a administração dos seus
principais componentes, visando o equilíbrio entre a liquidez e rentabilidade das organizações.
Na literatura financeira, a abordagem inicial desse tema é feita utilizando o balanço patrimonial.
De acordo com Ross, Westerfield e Jaffe (2007), como as finanças de curto prazo concentram
sua atenção no capital de giro líquido, tem-se a impressão de que se trata de um tema de
contabilidade. Porém, a tomada de decisões a respeito do capital de giro envolve fluxos de
caixa.
Nesse sentido, essa disciplina trata dos aspectos operacionais e táticos da gestão financeira de
curto prazo, focando o fluxo de caixa e as diversas atividades e decisões empresariais que
afetam a liquidez da empresa. A análise do capital de giro, utilizando as demonstrações
financeiras, será abordada na disciplina Análise Econômica Financeira.
Outro ponto que deve ser destacado durante a abordagem desse tema é a relação da gestão
financeira com as outras atividades da empresa. Como a sugestão da oferta dessa disciplina é
no sexto período, o aluno até esse momento, provavelmente, já terá visto os conteúdos das
outras áreas de gestão, facilitando essa visualização. A seguir, são apresentados os principais
tópicos adotados.
Deverão ser discutidos os principais impactos no caixa da empresa em função das decisões das
seguintes áreas:
Neste tópico deverão ser apresentadas as principais operações realizadas pela área financeira,
na gestão do capital de giro.
d) Gestão de Tesouraria
Neste tópico serão discutidas as principais funções de tesouraria. A finalidade básica dessa
atividade, de acordo com Hoji (2003, p. 137) é “assegurar os recursos e instrumentos
financeiros necessários para a manutenção e viabilização dos negócios da empresa”. Pontos a
serem abordados:
Para que o aluno assimile melhor o conteúdo, sugerem-se palestras de profissionais dessa área
e de gerentes de bancos, para que compartilhem sua experiência profissional sobre os temas
que estão sendo discutidos em sala de aula. Outra sugestão é levar os alunos nas empresas para
conhecer o funcionamento do departamento financeiro e as rotinas diárias na gestão do capital
de giro.
Todo conteúdo deve ser conduzido de maneira prática, com a utilização de demonstrações
financeiras de empresas de capital aberto, permitindo que o aluno tenha contato com situações
reais do mundo empresarial. Conteúdos da disciplina:
b) Estrutura das principais demonstrações financeiras. Fazer uma revisão da estrutura e das
principais contas do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício.
f) Análise da gestão de valor: o valor de uma empresa é movido por sua capacidade de geração
de fluxo de caixa no longo prazo. E a capacidade de geração de fluxo de caixa, segundo
Copeland, Koller e Murrin (2002) é movida pelo crescimento no longo prazo dos retornos
obtidos pela empresa sobre o capital investido em relação ao custo de capital. Nesse sentido,
nessa etapa serão apresentadas:
Nas análises, o aluno deve ser conduzido a refletir sobre os motivos da variação dos resultados
econômicos relacionada às decisões financeiras tomadas e às decisões das demais áreas da
empresa.
O orçamento, de acordo com Hoji (2003), é um dos instrumentos mais importantes utilizados
em tomadas de decisões financeiras. A sua elaboração envolve a empresa toda, pois deve estar
baseada no compromisso dos gestores em termos de metas a serem alcançadas, proporcionando
condições de avaliação do desempenho geral das suas áreas internas e dos seus gestores
(FREZATTI, 2006).
b) Sistema orçamentário:
Essa etapa do orçamento, de acordo com Padoveze (2005), engloba todos os orçamentos
específicos que atingem a estrutura hierárquica da empresa, englobando as áreas administrativa,
comercial e de produção. O orçamento operacional compreende as seguintes etapas:
Orçamento de vendas
Orçamento de produção (operações): política de estocagem, capacidade operacional,
custos de materiais
Orçamento despesas departamentais: mão-de-obra, custos indiretos de fabricação e
despesas gerais departamentais;
Nessa disciplina, é importante o uso de um estudo de caso completo, que envolva a elaboração
completa de um orçamento, para facilitar o entendimento do aluno. Outras metodologias
sugeridas são palestras de profissionais que atuam nessa área e que seja solicitado ao aluno,
atividades que envolvam a elaboração do orçamento de uma empresa real.
153
a) Finanças internacionais
Com o aumento das transações comerciais e financeiras entre os países, é importante para o
administrador conhecer como os princípios básicos de finanças corporativas também se aplicam
às empresas com atuação internacional. Uma das complicações mais significativas das finanças
internacionais é o câmbio. De acordo com Ross et al. (2013), ao tomar decisões de
investimentos e financiamentos, os mercados de câmbios oferecem informações e
oportunidades importantes para uma empresa com atuação internacional.
b) Fusões e aquisições
As empresas podem adotar como estratégia de expansão dos seus negócios as operações de
fusão e aquisição. Segundo levantamento da Deloitte (2015), no mercado nacional tem sido
observado maior intensidade nessas transações, dada a familiaridade dos empresários locais
com a economia e o interesse em aproveitar o momento para consolidar posições estratégicas
através de fusões ou aquisições em seus setores de atuação.
A percepção das empresas brasileiras é a de que a gestão de riscos é um tema cada vez mais
importante e estratégico. Grande parte das empresas brasileiras, conforme Deloitte (2014),
estão percebendo a importância de ter um processo maduro de gestão de riscos e estão
direcionando esforços para estabelecer uma estrutura formal, com métodos, áreas e pessoas
dedicadas a executar essas funções.
Nesse tema, os principais tópicos a serem discutidos são: riscos de crédito, riscos de mercado,
riscos operacionais, riscos de liquidez e riscos legais.
Nos últimos anos, desencadeou-se uma crise de confiança em instituições públicas e privadas,
devido a turbulências financeiras nos principais centros do mercado de capitais. Esse fato
aumentou a exigência de transparência e responsabilidade para empresas e governos,
aumentando também a necessidade de boas práticas de governança corporativa.
a) Finanças Internacionais
À medida que as condições internacionais se alteram Madura (2008) comenta que, também,
mudam as oportunidades e o risco, e que as empresas e profissionais com maior capacidade de
responder às alterações do ambiente financeiro serão recompensadas.
Sugestão de conteúdos:
b) Governança Corporativa
Sugestões de conteúdos:
c) Gestão de Riscos
Para acrescentar valor, as empresas precisam correr riscos. O cenário econômico mundial
sempre apresentará momentos de incertezas que demandarão das empresas resiliência e
capacidade de identificar e rapidamente responder com ações para gerenciar os riscos
(DELOITTE, 2014).
Uma boa gestão dos riscos financeiros, segundo Matias (2007), traz para a empresa redução das
perdas reais, aumento do lucro, aumento do seu valor, além de aumento de competitividade. Na
disciplina Estratégias em Finanças, são abordados os conceitos gerais dos principais tipos de
riscos empresariais. Nessa disciplina serão abordados conteúdos relacionados a métodos de
gestão de riscos, como: seguros, derivativos: contratos a termo e futuros, swaps, mercado de
opções e cobertura de riscos cambiais.
Teoria do portfólio
Modelo de precificação de ativos
Finanças comportamentais.
Diversos fatores podem ser classificados como razões para se avaliar uma empresa como
processos de fusão e aquisição, disseminação das estratégias da gestão baseada em valor,
caracterizadas pela busca da maximização dos lucros e riqueza dos acionistas e a necessidade
de se calcular o preço justo das ações e das empresas (MARTELANC; PASIN; PEREIRA,
2010).
Todas as decisões financeiras, segundo Assaf Neto (2010), encontram-se vinculadas ao objetivo
básico da criação de valor da empresa. Sua definição exige coerência e rigor conceituais na
formulação do modelo de cálculo.
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesse sentido, o objetivo deste trabalho foi propor o conteúdo programático para a área temática
de Finanças nos cursos de graduação em Administração. Ao longo do tempo essa área vem
sofrendo diversas mudanças, em reposta aos movimentos das condições econômicas, dos
mercados e do mundo dos negócios, exigindo maior especialização do administrador financeiro
e a constante atualização do seu ensino.
Para o alcance desse objetivo, o trabalho foi desenvolvido com base no levantamento da
literatura financeira disponível no mercado editorial brasileiro e internacional, no panorama
atual do ensino de Finanças nos cursos de Administração mais bem classificados no Enade, nas
pesquisas acadêmicas nacionais e internacionais e na opinião de profissionais de mercado das
áreas de gestão, sobre o ensino e o conhecimento em Finanças.
No que tange à literatura, o meio de comunicação escrita mais formal, voltado para o ensino
são os livros, especialmente os livros didáticos e os livros-texto (ALMEIDA, 2010). Sendo
assim, a escolha dos livros a serem utilizados constitui tarefa de importância vital para uma boa
aprendizagem dos alunos. No entanto, avaliar produção na forma de livros trata-se de exercício
peculiar, uma vez que não existem exemplos no mundo de países que classifiquem livros
(CAPES, 2009).
De modo geral, os conteúdos são distribuídos entre as obras de maneira semelhante, na seguinte
sequência: capítulo introdutório sobre Finanças, demonstrações financeiras e suas análises,
matemática financeira, risco e retorno, avaliação de ações, decisões de investimentos de longo
prazo, decisões de financiamento de longo prazo, decisões financeiras de curto prazo e tópicos
especiais de finanças.
160
Quanto as obras de Conteúdos Específicos, foram identificados 184 títulos diferentes. O tema
com menor volume de obras é Finanças de Curto Prazo, com apenas 10 obras, representando
5% do total identificado. Isso mostra que o tema é pouco explorado no mercado editorial
brasileiro, oferecendo menos opções para profissionais e docentes que precisam desse
conteúdo, em relação aos demais temas financeiros.
Como forma de auxiliar os docentes nesse processo, o MEC publicou, em 1997, um manual
intitulado Biblioteca Básica para os Cursos de Graduação em Administração, sugerindo
algumas obras nacionais, de cada matéria constante no antigo Currículo Mínimo do Curso de
Administração, servindo como guia para os dirigentes e professores deste curso.
Especificamente na área financeira, foram sugeridos 86 títulos.
Todavia, devido à falta de atualização desde então, esse material não é o melhor parâmetro de
escolha de adoção de determinados títulos pelos docentes. Dessa maneira, esse levantamento
pode contribuir com a atualização desse manual, no que se refere as obras de administração
financeira e orçamentária.
Nos cursos de graduação no Brasil, a oferta das disciplinas e de suas respectivas cargas horárias,
são definidas, com base no Parecer CNE/CES 67/2003. Foi estabelecido, como um dos
princípios para as DCN dos cursos de graduação, ampla liberdade na composição da carga
horária a ser cumprida para a integralização dos currículos, assim como na especificação das
unidades de estudos a serem ministradas (BRASIL, 2003). Essa liberdade reflete a falta de
padrão e a heterogeneidade na oferta das disciplinas.
161
No levantamento, foram observadas 252 disciplinas com diferentes títulos. Algumas com
definições específicas de um determinado conteúdo, como Matemática Financeira, Análise das
Demonstrações Financeiras, Orçamento Empresarial e Mercado de Capitais, e outras com
nomes mais abrangentes como Administração Financeira e Administração Financeira e
Orçamentária. Nessas últimas, os conteúdos oferecidos basicamente são relacionados aos temas
de Finanças Corporativas de Curto e Longo Prazo, mas sem nenhum critério aparente na
distribuição dos conteúdos.
Quanto à bibliografia básica, a obra mais observada nos planos de ensino analisados foi
Princípios de Administração Financeira (Gitman).
As obras traduzidas são mais didáticas que as nacionais, sob o ponto de vista da oferta de
atividades práticas e dos elementos pedagógicos, distribuídos ao longo dos capítulos,
facilitando o manuseio da obra.
Mesmo com essas características, no entanto, é preciso fazer algumas ressalvas quanto à
utilização dessas obras, conforme comentado anteriormente. Os textos apresentados nessas
obras não refletem a realidade do aluno, pois a teoria é explicada utilizando como exemplos
grandes corporações e o mercado financeiro norte-americano.
Nesse sentido, o papel do docente, ao adotar essas obras, é frisar aos alunos o que são práticas
nos EUA e práticas no Brasil, quando diferentes. Uma sugestão é a utilização de exemplos da
realidade nacional, utilizando notícias de sites de negócios e economia, como Valor Econômico,
Exame etc. Caso o docente tenha experiência profissional na área que está ministrando o
conteúdo, pode ilustrar a apresentação da teoria, e até mesmo formular estudos de casos,
utilizando sua experiência prática.
4
The Association to Advance Collegiate Schools of Business
162
Esse levantamento mostra o que atualmente está sendo pesquisado em Finanças. Dependendo
do tema e do tipo de artigo (empírico ou teórico), essas pesquisas podem contribuir com o que
está sendo ensinado em sala de aula, permitindo relacionar a teoria dos livros-texto com
pesquisas mais atualizadas, reforçando para o aluno a utilidade prática dos conteúdos.
Um tema pouco explorado nas publicações nacionais, ao contrário das revistas internacionais,
é o tema de ensino em Finanças. Esse tema pode representar uma oportunidade de começar
discussões que contribuam com a qualidade do ensino nos cursos de graduação.
No que tange à opinião sobre o conhecimento e o ensino de Finanças, foram entrevistados 453
profissionais de mercado, que atuam em diversas áreas de gestão e diferentes formações
acadêmicas.
A maior parte dos entrevistados que atuam em outras áreas de gestão afirmaram como
importante ou muito importante o conhecimento de Finanças na prática de suas atividades
profissionais que gostam ou gostam muito de temas ou atividades relacionadas a essa área,
reforçando a necessidade do conhecimento financeiro para não financistas.
Quanto à opinião dos profissionais de Finanças, maior parte dos entrevistados destacaram cinco
atividades financeiras como as mais relevantes na sua atividade profissional: elaboração de
relatórios gerencias, projeção e controle de fluxo de caixa, análise econômica financeira,
elaboração e acompanhamento do orçamento e captação e aplicação de recursos financeiros.
163
As quatro atividades mais citadas sugerem maior preocupação desses profissionais com
aspectos relacionados a planejamento, controle e análise financeira. Esse resultado pode ter o
viés da maior necessidade profissional dos respondentes, mas sinaliza a importância desses
conteúdos no dia a dia profissional.
No que tange ao ensino, maior parte dos entrevistados da área de Finanças afirmaram que os
conteúdos ensinados na graduação contribuem ou contribuem muito para o desenvolvimento
da atual atividade profissional.
Outro conteúdo considerado importante ou muito importante pela maior parte dos respondentes
no ensino de graduação é Finanças Pessoais. A inclusão desse tema, no ensino médio e
fundamental, já vem sendo discutido pelo Banco Central do Brasil, por meio do projeto
Cidadania Financeira. A discussão também pode ser ampliada para os cursos de graduação em
Administração e de outras áreas do conhecimento.
Ao ser questionado sobre o que pode ser melhorado no ensino de Finanças, novamente a maior
parte dos entrevistados citou aspectos relacionados à prática. Foram apontados a necessidade
da utilização de metodologias que apresentem casos práticos no ensino dos conteúdos de
Finanças e sugerem uma série de atividades que podem ser utilizadas em sala de aula, além da
necessidade do docente ter conhecimentos práticos, além de teóricos, do conteúdo que está
sendo ministrado em aula.
Esse resultado mostra que os principais aspectos que influenciam o ensino, estão relacionados
a aspectos metodológicos e didáticos do docente, sendo os conteúdos pouco citados pelos
entrevistados. Isso mostra a importância de uma maior discussão desses temas, para melhor
qualidade do ensino.
164
Com base em todo esse levantamento, e nos campos de atuação do administrador, citados pelo
CFA, foi elaborado um conjunto de disciplinas, sugeridas como conteúdos programáticos da
área temática de Finanças, para os cursos de graduação em Administração.
No que tange aos Conteúdos de Formação Profissional, foram elaboradas sete disciplinas,
totalizando 420 horas/aula, distribuídas ao longo da matriz curricular, de acordo com os seus
objetivos. Primeiro, sugere-se a oferta de uma disciplina que apresente as noções gerais de
Finanças e que aborde também conteúdos de Finanças Pessoais.
Nos três semestres seguintes, a sugestão é a oferta de disciplinas que abordem as grandes
decisões financeiras de longo prazo (financiamento e investimentos) e de curto prazo (gestão
do capital de giro). O objetivo é o aluno conhecer as principais características e como devem
ser tomadas as decisões financeiras na administração das organizações, entendendo o impacto
no resultado global e sua relação com as decisões das outras áreas da empresa.
Nos semestres seguintes, sugere-se a oferta de uma disciplina de análise econômica financeira
que ensine o aluno a identificar e avaliar os resultados provenientes das decisões financeiras e
empresariais, apresentadas nas disciplinas anteriores e uma que aborde o planejamento
financeiro das diversas atividades empresariais e os resultados estabelecidos como meta, por
meio do orçamento.
A sugestão da oferta dessas duas disciplinas, mais ao final do curso, é devido à probabilidade
de o aluno já ter cursado as principais disciplinas das outras áreas, que envolvem as grandes
funções administrativas: marketing, recursos humanos e produção e operações, permitindo que
o aluno visualize a relação e as implicações das diversas áreas da empresa na análise e no
planejamento financeiro.
E, no último semestre, sugere-se a oferta de uma disciplina que aborde temas mais estratégicos
e atuais, como finanças internacionais, fusões e aquisições, gestão de riscos e governança
corporativa.
165
Quanto aos Conteúdos de Formação Complementar, foram sugeridas seis disciplinas que deem
possibilidade ao aluno de aprofundar seus conhecimentos financeiros em finanças
internacionais, governança corporativa, gestão de riscos e investimentos e mercados
financeiros, avaliação de empresas e uma mais específica, destinada à gestão financeira de
instituições financeiras.
Uma das limitações deste estudo está relacionada aos planos de ensino dos cursos de graduação
analisados. É possível que o docente deixe de abordar determinados conteúdos e que utilize
outras obras como bibliografia, em relação ao que está definido no plano de ensino.
Segundo, é que atualmente o MEC qualifica os cursos por meio do Enade. Esse fato pode
influenciar coordenadores e docentes a direcionarem o ensino dos conteúdos do curso de modo
a atender as exigências do exame, comprometendo o ensino direcionado à prática de mercado.
Ainda em relação a essa questão, neste trabalho não foram analisadas as provas do Enade e do
antigo Provão, não sendo possível afirmar se existe uma relação entre o que está sendo ensinado
e o que é exigido no exame.
Outra sugestão seria ampliar a pesquisa do ensino de Finanças, analisando a matriz curricular e
planos de ensino de outros cursos de graduação, como Ciências Contábeis, Economia e
Engenharia de Produção, e também aplicar questionários para profissionais dessas áreas.
167
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177
APÊNDICES
Prezado(a) Sr(a).
Sou aluno do Doutorado em Administração da FEARP-USP e estou realizando uma pesquisa acadêmica, sob
orientação do Prof. Dr. Alberto Borges Matias. O objetivo é analisar a percepção do profissional de mercado, das
áreas de gestão, em relação ao ensino de Finanças nos cursos de graduação.
Para cada questionário preenchido e enviado, o GACC - Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Ribeirão
Preto receberá uma doação*.
Ressalto que os resultados serão de uso restrito e será mantido o anonimato dos participantes.
Assim, conto com sua valiosa colaboração para responder algumas questões. O formulário é de rápido
preenchimento e deve ser preenchido no seguinte link:
Cordialmente,
*Será realizada uma doação no valor de R$0,50 por questionário adequadamente preenchido e enviado. A iniciativa
da doação é de total responsabilidade do doutorando. O pagamento será feito até 10 dias após o término do estudo ao
GACC – Grupo de Apoio à Criança com Câncer, entidade beneficente, sem fins lucrativos, que desenvolve atividades
técnico-científicas e assistenciais que complementam o tratamento oferecido às crianças com câncer pelo Hospital das
Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP). Maiores informações sobre o GACC podem ser obtidas no
endereço [Link]
178
179
A1: Qual o curso de graduação que você se formou? Se tiver mais de uma graduação, escolha o
curso mais relevante para sua atual atividade profissional.
Administração de Empresas
Ciências Contábeis
Economia
Engenharias
Outra graduação, qual?
A2: Qual sua formação de Especialização/MBA? Se tiver mais de uma, escolha o curso mais
relevante para sua atual atividade profissional.
Não Fiz
Administração de Empresas; Gestão Empresarial
Controladoria; Finanças; e afins
Contabilidade
Outras áreas específicas de Administração (Não Financeira)
Engenharias
Outro curso, qual?
A5: Qual o tipo da instituição de ensino que você se formou no curso de graduação escolhido no
início da pesquisa.
Pública
Particular
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Profissional de mercado e docente' ou 'Somente
profissional de mercado (empresa pública ou privada)' na questão '7 [b1]' ( Qual a situação que melhor indica a sua atuação
profissional. ) Favor escolher apenas uma das opções a seguir:
Presidente
Diretor
Gerente
Supervisor/Coordenador
Analista
Auxiliar/Assistente
Trainee
Estagiário
181
Indústria
Comércio
Serviço
Mercado Financeiro
Agronegócio
Educação
Outro ramo, qual?
B1: Você gosta de temas ou atividades relacionadas a área de Finanças? Marque de 1 a 5 sendo, 1
"Não gosto de Finanças" e 5 "Gosto muito de Finanças" *
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Marketing e Vendas' ou 'Recursos Humanos' ou
'Produção e Operações' ou 'Outros' ou 'Administração Geral' ou 'Controladoria' ou 'Contabilidade' ou 'Logistica' na questão '11
[b5]' (Qual a sua principal área de atuação? )
1
2
3
4
5
B2: Você considera importante possuir conhecimento de Finanças, na prática da sua atual
atividade profissional? Marque de 1 a 5, sendo: 1 "Não tem importância" e 5 "Muito
importante". *
182
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Somente profissional de mercado (empresa pública ou
privada)' ou 'Somente consultor de empresas' ou 'Profissional de mercado e docente' ou 'Consultor de empresas e docente' na
questão '7 [b1]' ( Qual a situação que melhor indica a sua atuação profissional. ) e A resposta foi 'Contabilidade' ou
'Logistica' ou 'Marketing e Vendas' ou 'Recursos Humanos' ou 'Produção e Operações' ou 'Administração Geral' ou 'Outros'
na questão '11 [b5]' ( Qual a sua principal área de atuação? )
1
2
3
4
5
B3: Dentre as atividades descritas abaixo, indique a relevância de cada uma para o
desenvolvimento da sua atual atividade profissional. Marque 1 como sendo “Pouco relevante” e
5 como “Muito relevante”
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Consultor de empresas e docente' ou 'Profissional de
mercado e docente' ou 'Somente consultor de empresas' ou 'Somente profissional de mercado (empresa pública ou privada)'
na questão '7 [b1]' ( Qual a situação que melhor indica a sua atuação profissional. ) e A resposta foi 'Controladoria' ou
'Finanças' na questão '11 [b5]' ( Qual a sua principal área de atuação? )
Não se aplica
Não a minha
1 2 3 4 5 conheço atividade
Conciliação bancária
Projeção e controle
fluxo de caixa
Atividades de contas a
pagar e contas a
receber
Captação e aplicação
recursos financeiros
Elaboração relatórios
gerenciais
Análise de Crédito
Gestão de Cobrança
Análise econômica
financeira
Avaliação de projetos
de investimentos
Elaboração e
acompanhamento de
orçamento
Operações de Cambio
Análise de Custos
Gestão de Riscos
183
Não se aplica
Não a minha
1 2 3 4 5 conheço atividade
Administração
Portfólio
Administração de
Carteiras
Gestão de Produtos
Financeiros
Operações
Estruturadas
Negociação de
Seguros
B4: Em relação as disciplinas de Finanças que você ministrou nos últimos cinco anos, marque de
1 a 5, o grau de profundidade na abordagem dos conteúdos abaixo, sendo: 1 para "Baixa
Profundidade" e 5 para "Alta profundidade". *
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Profissional de mercado e docente' ou 'Consultor de
empresas e docente' ou 'Somente docente de ensino superior' na questão '7 [b1]' ( Qual a situação que melhor indica a sua
atuação profissional. ) e A resposta foi 'Finanças' na questão '11 [b5]' ( Qual a sua principal área de atuação? )
Nunca ministrei
1 2 3 4 5 este conteúdo
Administração de Caixa
Administração de Valores
a Receber
Administração Estoques
Administração de Crédito
e Cobrança
Técnicas e Gestão de
Tesouraria
Análise de Investimentos
Fontes de Financiamento
de Longo Prazo
Custo e Estrutura de
Capital
Política de Dividendos
Produtos Financeiros
Mercado de Capitais
Gestão de Riscos
Avaliação de Empresas
184
Nunca ministrei
1 2 3 4 5 este conteúdo
Análise das
Demonstrações
Financeiras
Orçamento Empresarial
Matemática Financeira
Finanças Pessoais
B5: Quais as principais obras você utiliza como bibliografia básica nas disciplinas de Finanças?
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Consultor de empresas e docente' ou 'Profissional de
mercado e docente' ou 'Somente docente de ensino superior' na questão '7 [b1]' ( Qual a situação que melhor indica a sua
atuação profissional. ) e A resposta foi 'Finanças' na questão '11 [b5]' ( Qual a sua principal área de atuação? )
B6: Com qual frequência você utiliza as atividades listadas abaixo, na(s) disciplina(s) que você
ministra:
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Consultor de empresas e docente' ou 'Profissional de
mercado e docente' ou 'Somente docente de ensino superior' na questão '7 [b1]' (Qual a situação que melhor indica a sua
atuação profissional. )
Aplicação de
exercícios e
estudos de caso
extraídos da
bibliografia básica
ou de outras obras
sobre o tema
Aplicação de
exercícios e
estudos de caso
desenvolvidos com
base na sua
experiência
profissional
Aplicação de
exercícios e
estudos de caso
elaborados com
base em casos
reais divulgados na
imprensa (revistas,
sites de negócios,
jornais, etc)
Aplicação de
exercícios e
estudos de caso
elaborados com
base em artigos
científicos
B7: Os temas de Finanças listados abaixo, possuem alguma relação com os conteúdos das
disciplinas que você ministra? Marque de 1 a 5, sendo 1 como "Baixa relação" e 5 "Alta
relação".
Só responder essa pergunta sob as seguintes condições: A resposta foi 'Somente docente de ensino superior' ou 'Profissional
de mercado e docente' ou 'Consultor de empresas e docente' na questão '7 [b1]' ( Qual a situação que melhor indica a sua
atuação profissional. ) e A resposta foi 'Controladoria' ou 'Contabilidade' ou 'Logistica' ou 'Marketing e Vendas' ou
'Recursos Humanos' ou 'Produção e Operações' ou 'Administração Geral' ou 'Outros' na questão '11 [b5]' ( Qual a sua
principal área de atuação? )
186
Não existe
Não sei nenhuma
1 2 3 4 5 avaliar relação
Gestão de Fluxo
de Caixa
Gestão de Crédito
e Cobrança
Cálculos
Financeiros (Juros)
Planejamento e
Controle de Gastos
Análise Financeira
de Resultados
Orçamento
Contratação de
Recursos
Financeiros
Aplicação de
Recursos
Financeiros
Análise Viabilidade
de Investimentos
Gestão de
Estoques
C1: Abaixo estão listados alguns conteúdos relacionados a área de Finanças. Em cada conteúdo,
marque a opção mais apropriada de acordo com seu curso de graduação. *
Por favor, escolha a resposta adequada para cada item:
Foi ensinado Não foi ensinado Não me lembro
Administração de Caixa
Administração de Valores a
Receber
Administração Estoques
Administração de Crédito e
Cobrança
Técnicas e Gestão de
Tesouraria
Análise de Investimentos
Fontes de Financiamento de
Longo Prazo
187
Política de Dividendos
Produtos Financeiros
Mercado de Capitais
Gestão de Riscos
Avaliação de Empresas
Orçamento Empresarial
Matemática Financeira
Finanças Pessoais
C2: Os conteúdos de Finanças que você estudou na graduação, contribuem hoje no desempenho
da sua atividade profissional? Marque o nível de contribuição sendo, 1 como "Não contribuem"
e 5 para "Contribuem muito"
Favor escolher apenas uma das opções a seguir:
1
2
3
4
5
C3: Quais conteúdos poderiam ter sido mais aprofundados (ou ensinados) pelos professores que
ministraram as disciplinas de Finanças no seu curso de graduação, e que na sua opinião,
poderiam contribuir mais na sua atual atividade profissional? *
Por favor, escolha as opções que se aplicam:
Administração de Caixa
Administração de Valores a Receber
Administração Estoques
Administração de Crédito e Cobrança
Técnicas e Gestão de Tesouraria
Orçamento de Caixa
Análise de Investimentos
Custo e Estrutura de Capital
Fontes de Financiamento de Longo Prazo
Política de Dividendos
Produtos Financeiros
Mercado de Capitais
Gestão de Riscos
188
C5: Na sua opinião, quais são as principais dificuldades para se aprender Finanças?
C6: Na sua opinião, seria importante acrescentar o ensino de Finanças Pessoais nos cursos de
graduação? Marque o nível de importância sendo, 1 como "Não é importante" e 5 para "Muito
Importante"
1
2
3
4
5
C7: Em seu ponto de vista, existem diferenças entre a teoria de Finanças ensinada em sala de aula
e a prática aplicada no mercado? Marque de 1 a 5 sendo, 1 como "Não existe diferença" e 5 para
"Existem muitas diferenças". *
1
2
3
4
5
C8: Algumas variáveis podem aumentar a distância entre a Teoria (o que é aprendido em sala de
aula) e a Prática (atividade profissional do dia-a-dia). De acordo com sua opinião, marque as
189
variáveis que mais influenciam no aumento desta distância, sendo: 1 como "Não tem influência"
e 5 como "Tem muita influência”.
Não sei
1 2 3 4 5 avaliar
Conhecimento teórico
do professor sobre o
conteúdo
Experiência prática do
professor sobre o
conteúdo
Didática do professor
Bibliografia utilizada
Estimulo em relação ao
interesse pela
disciplina
Utilização de exemplos
práticos e atuais
durante as aulas
Entender a importância
do conhecimento de
Finanças dentro do
curso de graduação
Clareza quanto a
utilização dos
conceitos na prática
C10: Você tem o hábito de ler matérias sobre Finanças em jornais/revistas semanais de negócios
como Valor Econômico, Exame, entre outras?
Não costumo ler
Leio ocasionalmente
Leio apenas quando preciso pesquisar um tema específico
Leio com frequência
C11: Em sua opinião, o que pode ser melhorado no ensino dos conteúdos de Finanças nos cursos
de graduação?
190
191
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Fundamentos de Finanças 2º
80 4
Ementa
Introdução às finanças corporativas; Noções de mercado financeiro; Finanças pessoais; Introdução à
Matemática financeira
Objetivos
Apresentar ao aluno os principais conceitos introdutórios e a aplicabilidade prática de Finanças e sua
relação com as demais áreas de gestão. O aluno também deverá ter as noções básicas do mercado
financeiro e da matemática financeira.
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados
Apresentação de artigos de revistas de negócios e de economia
Resolução de exercícios utilizando calculadoras financeiras e planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
ASSAF NETO, A; LIMA, F. G. Curso de administração financeira. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
LEMES JR; RIGO, M; CHEROBIM, M. S. Administração Financeira. 3ª ed. São Paulo: Campus,
2010.
SOBRINHO, J. D. V. Matemática financeira. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2000.
Bibliografia Complementar:
ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas aplicações. 12ª ed. São Paulo: Atlas, 2012
BREALEY, R. A.; MYERS, S. C.; ALLEN, F. Princípios de Finanças Corporativas. 8ª ed. São
Paulo: McGraw-Hill, 2008.
FRANKBERG, L. Guia Prático para cuidar do seu orçamento: viva melhor sem dívidas. Rio de
Janeiro: Campus, 2002.
GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
2010.
SANTOS, J. O. Finanças Pessoais para todas as idades. São Paulo: Atlas, 2014.
192
Conteúdo Programático:
Introdução à administração financeira: conceito, áreas de estudo, oportunidades profissionais
Papel do administrador financeiro e os objetivos da administração financeira
Finanças e outras áreas do conhecimento: principais impactos da economia nas decisões
financeiras,
Implicações financeiras nas demais áreas funcionais da empresa (marketing e vendas, recursos
humanos e produção e operações)
Noções gerais mercado financeiro: relação entre empresa e o mercado financeiro, estruturas do
mercado, sistema financeiro nacional e políticas econômicas
Finanças pessoais: planejamento financeiro (elaboração de orçamento pessoal, dicas de crédito
e investimento)
Noções básicas de matemática financeira: conceito de juros, sistemas de capitalização simples e
composta e anuidade com séries temporais uniformes
193
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Finanças de Longo Prazo: Decisões de Financiamento 3º
80 4
Ementa
Cálculos financeiros nas decisões de financiamento; Instituições e fontes de recursos mercado de
crédito e de capitais; Custo de capital; Política de distribuição de resultados
Objetivos
Apresentar ao aluno os principais aspectos que envolvem as decisões de financiamento das
organizações, como as fontes de recursos financeiros disponíveis, o custo destes recursos e um
panorama do funcionamento dos mercados de crédito e de capitais.
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados;
Utilização de artigos de jornais e revistas de negócios, economia e finanças
Utilização de artigos acadêmicos
Entrevista e palestras com profissionais da área
Aplicação de exercícios e estudos de casos
Utilização de simuladores de financiamento
Utilização de planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
FORTUNA, E. Mercado Financeiro: produtos e serviços. 20ª ed. São Paulo: Qualitymark, 2015.
MATIAS, A.B. Finanças corporativas de longo prazo. São Paulo: Atlas, 2007.
Bibliografia Complementar:
ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas aplicações. 12ª ed. São Paulo: Atlas, 2012
ASSAF NETO, A.. Mercado Financeiro. 12ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
2010.
PINHEIRO, J. L. Mercado de Capitais. 7ª ed. São Paulo: São Paulo: Atlas, 2014.
ROSS, S. A. et. al. Fundamentos de Administração Financeira. 9ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
194
Conteúdo Programático:
Cálculos financeiros nas decisões de financiamento: sistemas de amortização (SAC, SAF e
SAA)
Mercado de crédito: principais produtos financeiros e instituições
Mercado de capitais: principais produtos financeiros e instituições
Utilização de capital próprio: abertura de capital da empresa
Custo de capital: custo do capital de terceiros
Custo de capital: custo do capital próprio
Custo de capital: custo médio ponderado de capital
Política de distribuição de resultados
195
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Finanças de Longo Prazo: Decisões de Investimentos 4º
80 4
Ementa
Cálculos financeiros nas decisões de investimento; Investimentos operacionais: características e
técnicas de análise; Investimentos financeiros.
Objetivos
Conhecer o processo das decisões de investimentos, sob a perspectiva das empresas e de investidores
individuais e a importância na geração de valor
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados;
Utilização de artigos de jornais e revistas de negócios, economia e finanças
Entrevista e palestras com profissionais da área
Aplicação de exercícios e estudos de casos
Utilização de simuladores de investimentos financeiros
Utilização de planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2014.
SOUZA, A.; CLEMENTE, A. Decisões Financeiras e Análise de Investimentos. 6ª ed. São Paulo:
Atlas, 2008.
MATIAS, A.B. Finanças corporativas de longo prazo. São Paulo: Atlas, 2007.
Bibliografia Complementar:
ASSAF NETO, A. Matemática Financeira e suas aplicações. 12ª ed. São Paulo: Atlas, 2012
GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
2010.
KOPITTKE, B. H. Análise de Investimentos. 11ª Ed. São Paulo: Atlas, 2011.
LAPPONI, J. C. Projetos de Investimentos de Empresas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2007
ROSS, S. A. et. al. Fundamentos de Administração Financeira. 9ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
196
Conteúdo Programático:
Cálculos financeiros em análise de investimentos: fluxos de caixa não uniformes
Tipos de investimentos: principais características de investimentos operacionais, financeiros e
estratégicos
Orçamento de capital: projeção do fluxo de caixa incremental
Técnicas de análise de investimentos: payback (original e descontado), valor presente líquido
(VPL), taxa interna de retorno (TIR), taxa interna de retorno modificada (TIRM)
Características e avaliação de títulos de renda fixa
Mercado secundário de ações e avaliação de ações
Risco e Retorno: medidas estatísticas de risco e retorno
Seleção de carteiras
197
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Finanças de Curto Prazo: Gestão do capital de giro 5º
80 4
Ementa
Introdução às finanças de curto prazo; Decisões empresariais que impactam a gestão do capital de
giro; Gestão operacional de caixa; Gestão de Tesouraria
Objetivos
Apresentar os aspectos operacionais e táticos da gestão financeira de curto prazo, focando o fluxo de
caixa e as diversas atividades e decisões empresariais que afetam a liquidez da empresa.
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados;
Utilização de artigos de jornais e revistas de negócios, economia e finanças
Entrevista e palestras com profissionais da área
Aplicação de exercícios e estudos de casos
Visita a empresas para conhecer a rotina dos trabalhos de tesouraria
Utilização de planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
ASSFA NETO, A; SILVA, C. A. T. Administração do Capital de Giro. 4ª Ed. São Paulo: Atlas,
2012.
MATIAS, A.B. Finanças Corporativas de Curto Prazo. São Paulo: Atlas, 2007.
SILVA, E. C. Como Administrar o Fluxo de Caixa das Empresas. 8ª Ed. São Paulo: Atlas, 2014.
Bibliografia Complementar:
ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2014
GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12ª ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall,
2010.
LEMES JR; RIGO, M; CHEROBIM, M. S. Administração Financeira. 3ª ed. São Paulo: Campus,
2010.
HOJI, M. Administração Financeira e Orçamentária. 11ª ed. São Paulo: Atlas, 2014
ROSS, S. A. et. al. Fundamentos de Administração Financeira. 9ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2013.
198
Conteúdo Programático:
Introdução: fluxo financeiro na empresa
Decisões empresariais que impactam a gestão do caixa: Área comercial, Áreas de produção e
operações, Área de recursos humanos, Aspectos tributários
Análise do ciclo operacional e do ciclo financeiro
Gestão operacional de caixa
Administração das contas a receber
Administração das contas a pagar
Planejamento e controle: elaboração do fluxo de caixa
Relacionamento com instituições financeiras
Gestão de tesouraria
Saldo mínimo de caixa
Decisões de aplicação de sobras de caixa
Decisões de financiamento de déficit de caixa
199
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Análise Econômica Financeira 6º
80 4
Ementa
Objetivos da análise econômica e financeira; recapitulando a estrutura das demonstrações financeiras;
análise do desempenho operacional; análise da gestão do caixa; análise da geração de valor; emissão
de relatórios e apresentação de resultados.
Objetivos
Ensinar as técnicas de análise permitindo que o aluno visualize o impacto das decisões empresariais
nos resultados da organização. O aluno também deve ser orientado na explicação dos resultados, por
meio de relatórios gerenciais e apresentações para pessoas interessadas, tais como acionistas, gestores
e bancos.
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados;
Utilização de artigos de jornais e revistas de negócios, economia e finanças
Entrevista e palestras com profissionais da área
Aplicação de exercícios e estudos de casos utilizando demonstrações financeiras de
empresas reais
Utilização de planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
MATARAZZO, D. Análise Financeira de Balanços. 7ª Ed. São Paulo: Atlas, 2010.
MATIAS, A.B. Análise Financeira Fundamentalista de Empresas. São Paulo: Atlas, 2007
SILVA, J. P. Análise Financeira das Empresas. 12ª Ed. São Paulo: Atlas, 2013.
Bibliografia Complementar:
ASSAF NETO, A. Finanças Corporativas e Valor. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2014
COPELAND, T.; KOLLER, T.; MURRIN, J. Avaliação de Empresas: calculando e gerenciando o
valor das empresas. 3ª ed. São Paulo: Makron Books, 2002.
IUDICIBUS, S. Análise de Balanços . 10ª Ed. São Paulo: Atlas, 2009.
MARTINS, E.; MIRANDA, J. G.; DINIZ, J. A. Análise Didática das Demonstrações Contábeis.
São Paulo: Atlas, 2014.
YOUNG, S. D.; O’BYRNE, S. F. EVA e gestão baseada em valor: guia prático para implementação.
Porto Alegre: Bookman, 2001.
200
Conteúdo Programático:
Objetivos da análise econômica financeira: fonte de informações, tipo de análises e principais
usuários
Estrutura das principais demonstrações financeiras
Análise vertical e horizontal
Análise do desempenho empresarial: utilização do modelo E2S
Análise da estratégia de captação e aplicação de recursos
Análise da eficiência operacional
Análise da solvência
Análise da gestão de caixa
Análise dos índices de prazos médios
Análise das necessidades líquidas de capital de giro
Análise das contas de tesouraria
Análise da gestão de valor
Cálculo e análise do retorno sobre o capital investido (ROIC)
Cálculo e análise do lucro econômico
Cálculo e análise dos direcionadores de valor (Análise Du Pont)
Elaboração de relatórios gerenciais e apresentação dos resultados
201
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Orçamento Empresarial 7º
80 4
Ementa
Apresentação dos conceitos básicos do orçamento; organização do sistema orçamentário; estruturação
do orçamento: modelo de gestão econômica para criação de valor, orçamento operacional, orçamento
das atividades financeiras; projeção das demonstrações financeiras; controle e acompanhamento
orçamentário.
Objetivos
Apresentar ao aluno como as decisões empresariais devem ser planejadas, para que se atinja resultados
pré-determinados, tendo como meta a criação de valor econômico.
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados;
Utilização de artigos de jornais e revistas de negócios, economia e finanças
Entrevista e palestras com profissionais da área
Aplicação de um exemplo prático na condução da disciplina
Visita a empresas para conhecer o processo orçamentário na prática
Utilização de planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
CARNEIRO, M.; MATIAS, A.B. Orçamento empresarial: teoria prática e nonas técnicas. São
Paulo, Atlas: 2011.
PADOVEZE, C. L.; TARANTO, F. C. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São
Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009.
SANVICENTE; A. Z.; SANTOS, C. C. Orçamento na administração de empresas: planejamento
e controle. 2ª Ed. São Paulo: Atlas, 1995
Bibliografia Complementar:
FREZATTI, F. Orçamento Empresarial: planejamento e controle gerencial. 3ª Ed. São Paulo: Atlas,
2006.
HOJI, M. Administração Financeira e Orçamentária. 11ª ed. São Paulo: Atlas, 2014
HORNGREN, C. T.; SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. O. Contabilidade Gerencial. 12ª Ed.
Prentice Hall, 2004.
SÁ, C. A. Orçamento Empresarial. São Paulo: Atlas, 2014.
WELSCH, G. A. Orçamento Empresarial. 4ª Ed. São Paulo: Atlas, 1983.
202
Conteúdo Programático:
Apresentação dos conceitos básicos de orçamento
Sistema orçamentário
Definição do comitê orçamentário
Elaboração do cronograma e a participação das várias áreas da empresa
Sistema de informação utilizados
Cenários e levantamento de premissas orçamentárias
Modelo de gestão econômica para criação de valor
Criação de valor: atividade produtiva e valor agregado
Valor da empresa e o planejamento orçamentário
Orçamento operacional
Orçamento de vendas
Orçamento de produção (operações): política de estocagem, capacidade operacional,
custos de materiais
Orçamento despesas departamentais: mão-de-obra, custos indiretos de fabricação e
despesas gerais departamentais
Orçamento financeiro
Orçamento de investimentos
Orçamento de financiamentos
Projeção das demonstrações financeiras
Controle orçamentário
Análise das variações
Elaboração de relatório e apresentação das variações
Cobrança dos responsáveis de cada área onde aconteceram as variações
203
PLANO DE ENSINO
Curso: Administração Ano: 2015
Disciplina Semestre / Período
Estratégias Financeiras 8º
80 4
Ementa
Noções de finanças internacionais; Fusões e aquisições; Gestão de riscos financeiros; Aspectos gerais
de governança corporativa
Objetivos
Apresentar temas relacionados a estratégias empresariais que contribuem com a geração de valor
econômico da organização.
Metodologia de Ensino
Utilização de livro-textos indicados;
Utilização de artigos de jornais e revistas de negócios, economia e finanças
Utilização dos relatórios de administração de empresas de capital aberto
Utilização de planilhas eletrônicas
Bibliografia Básica:
BREALEY, R. A.; MYERS, S. C.; ALLEN, F. Princípios de Finanças Corporativas. 8. Ed. São
Paulo: McGraw-Hill, 2008.
MADURA, J. Finanças Corporativas Internacionais. Cengage Learning. 8ª Ed. São Paulo:
Cengage Learning, 2008.
ROSS, S. A. et. al. Fundamentos de Administração Financeira. 9. Ed. Porto Alegre: AMGH
Editora, 2013
Bibliografia Complementar:
LEMES JR; RIGO, M; CHEROBIM, M. S. Administração Financeira. 3ª ed. São Paulo: Campus,
2010.
LIMA, F. G. Análise de Riscos. São Paulo: Atlas, 2015.
MATIAS, A.B. Finanças Corporativas de Longo Prazo. São Paulo: Atlas, 2007.
OLIVEIRA, D. P. R. Governança corporativa na prática. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
ROSSETTI, J. P.; ANRDADE, A. Governança Corporativa. 7 Ed. São Paulo: Atlas, 2014.
204
Conteúdo Programático:
Noções de finanças internacionais: mercados de câmbio e taxas de câmbio, operações comercias
com exterior: importação e exportação e hedge financeiro
Fusões e aquisições: conceitos e fundamentos, a decisão econômica e financeira e os processos
de negociação das fusões e aquisições
Gestão de riscos financeiros: riscos de crédito, riscos de mercado, risco operacionais, riscos de
liquidez e riscos legais.
Aspectos gerais de governança corporativa
205