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Competência e Processo Civil: Fundamentos

O documento aborda a teoria geral do processo e do direito processual civil, destacando a importância da competência para garantir um processo justo. São apresentados os princípios da competência, as regras do Código de Processo Civil e as classificações de processos, além dos sujeitos do processo e intervenções de terceiros. O texto também discute a incompetência, suas classificações e as implicações legais decorrentes.

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Competência e Processo Civil: Fundamentos

O documento aborda a teoria geral do processo e do direito processual civil, destacando a importância da competência para garantir um processo justo. São apresentados os princípios da competência, as regras do Código de Processo Civil e as classificações de processos, além dos sujeitos do processo e intervenções de terceiros. O texto também discute a incompetência, suas classificações e as implicações legais decorrentes.

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Competência e processo

Competência, processo e os seus sujeitos.


Prof. Thiago Dias Delfino Cabral
1. Itens iniciais

Propósito
Apresentar os principais institutos da teoria geral do processo e do direito processual civil necessários para
que o operador do direito compreenda o que é um processo e quais são os institutos necessários para que
uma demanda seja ajuizada e processada perante o Poder Judiciário.

Objetivos
• Reconhecer as regras de competência previstas no Código de Processo Civil.
• Identificar as classificações de processo e o conceito de procedimento.
• Definir os sujeitos do processo, as espécies de litisconsórcio e de intervenções de terceiros e os atos
processuais.

Introdução
Neste conteúdo, estudaremos alguns elementos essenciais do processo, de forma que, ao final, haja a
compreensão de noções mínimas de um dos mais importantes instrumentos existentes no direito.

De forma mais específica, no primeiro módulo, estudaremos o instituto da competência, apresentando o


conceito e os regentes princípios necessários para que um processo seja ajuizado e tramite no juízo correto.
Neste módulo, também analisaremos os critérios para definição do juízo competente, a regra geral de
competência, os foros especiais, as espécies de incompetência e as situações de modificação de
competência.

No segundo módulo, apresentaremos o conceito e as espécies de processo e procedimentos, oportunidade


na qual explicaremos a importância do processo eletrônico para maximização do princípio do acesso à justiça.
No terceiro e último módulo, estudaremos os sujeitos do processo, as espécies de intervenção de terceiros e
os atos processuais.
1. As regras de competência previstas no Código de Processo Civil

Competência
Conceito e princípios
A competência decorre do princípio do devido processo legal (CÂMARA, 2015, p. 46) e é necessária para
garantir um processo justo e, em última instância, o próprio Estado Democrático de Direito. Explique-se: esse
instituto organiza o exercício da jurisdição, permitindo a racionalização da administração da justiça, a
promoção do acesso à justiça e a garantia de que o jurisdicionado saberá, de antemão, o juízo responsável por
processar e resolver seu conflito (SCHENK, 2015, p. 238).

Para alcançar essa finalidade, a competência se alicerça em três princípios:

Do juiz natural
O primeiro princípio impõe que o juízo responsável por processar e julgar um processo seja
previamente estabelecido por lei. Por esse motivo, e conforme indicado no art. 44 do Código de
Processo Civil (CPC), há regras de fixação de competência na Carta Magna, em diplomas legislativos
federais, estaduais e, até mesmo, em regramentos dos tribunais brasileiros (CÂMARA, 2015, p. 46).

Carta Magna: conforme indica Cássio Scarpinella


Bueno (2019), é na Constituição Federal que “está
regulada (taxativamente) a competência, inclusive
originária do STF (art. 102), do STJ (art. 105), dos
Tribunais Regionais Federais (art. 108) e da Justiça
Federal (art. 109)” (2019).

Da perpetuação da jurisdição
O princípio da perpetuação da jurisdição impede a modificação da competência após o registro ou
distribuição da petição inicial (ARAUJO; MELLO, 2015, p. 83). O art. 43 do CPC, contudo, mitiga esse
princípio, permitindo a alteração da competência caso haja extinção do juízo competente ou alteração
em regra de competência de caráter absoluto.

Conforme Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2020) “o segundo caso
mencionado refere-se a situações de competência absoluta” (em regra, competência material e
funcional). Nesses casos, como a competência absoluta é prevista levando em consideração a
necessidade de uma melhor organização do Poder Judiciário para a prestação da tutela jurisdicional,
a sua modificação deve ser imediatamente atendida.
Da competência-competência
O princípio competência-competência impõe que o juízo em que houve o registro/distribuição da
demanda seja o primeiro a analisar se possui competência para processar e julgar o litígio que lhe foi
submetido (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 200).

Critérios para definição do juízo competente


Existem três critérios para definição do juízo competente para julgamento de uma demanda (MARINONI,
2020):

• Objetivo
• Territorial
• Funcional

Fredie Didier Júnior (2016, p. 199) ensina que “o critério objetivo é aquele pelo qual se leva em consideração a
demanda apresentada ao Poder judiciário como o dado relevante para a distribuição da competência”. Nesse
caso, o juízo competente é definido com base em questões objetivas, como as partes, a natureza da
controvérsia e o valor da causa (ARAUJO; MELLO, 2015, p. 82).

Pelo critério funcional, a competência é fixada com base nas funções exercidas pelos órgãos jurisdicionais, os
quais podem atuar de forma coordenada para prática de um ato processual (competência funcional horizontal)
ou hierarquizada (competência funcional vertical) (DIDIER JÚNIOR, 2015, p. 217-218). O critério territorial
estabelece a competência do órgão jurisdicional segundo limites geográficos (MARINONI, 2020).

Regras de competência
A regra geral do CPC é que o juízo competente para processamento e julgamento de uma ação de direito
pessoal ou real mobiliária é o domicílio do réu (art. 46 do CPC) (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 219). Existem,
contudo, regras específicas que merecem ser apresentadas esquematicamente:

Dispositivo
Hipótese Juízo Competente
legal do CPC

Ação de direito pessoal ou real


Art. 46, § 1º mobiliária com réu com Qualquer dos domicílios do réu
diversos domicílios

Ação de direito pessoal ou real


Domicílio do autor ou local onde réu for
Art. 46, § 2º mobiliária com réu com
encontrado
domicílio desconhecido

Ação de direito pessoal ou real


Art. 46, § 3º mobiliária com réu com Domicílio do autor
domicílio fora do Brasil

Ação de direito pessoal ou real


Art. 46, § 3º mobiliária com autor e réu com Qualquer foro
domicílios fora do Brasil

Ação de direito pessoal ou real


Autor pode escolher qualquer dos
Art. 46, § 4º mobiliária com réus com
domicílios do réu para demandar
domicílios distintos
Domicílio/residência do réu ou no local
Art. 46, § 5º Execução fiscal
que for encontrado

Art. 47 Ação de direito real imobiliária Foro do local do imóvel

Ação de direito real imobiliária


que não verse sobre direito de Autor pode ajuizar demanda no foro do
propriedade, vizinhança, local do imóvel, do domicílio do réu ou no
Art. 47, § 1º
servidão, divisão e foro estipulado em convenção de eleição
demarcação de terras e de de foro
nunciação de obra nova

Art. 47, § 2º Ação possessória imobiliária Foro do local do imóvel

Inventário, partilha,
arrecadação, cumprimento de
disposições de última vontade,
Art. 48 impugnação ou anulação de Foro de domicílio do autor da herança
partilha extrajudicial e todas
as ações em que o espólio for
réu

Art. 48,
Autor da herança não possui Foro onde ficam localizados os bens
parágrafo
domicílio imóveis
único, I

Art. 48, Autor da herança não possui


Qualquer um dos foros onde ficam
parágrafo domicílio e possui bens
localizados os bens imóveis
único, II imóveis em diferentes foros

Art. 48, Autor da herança não possui


Qualquer foro que possua bens do autor
parágrafo domicílio tampouco bens
da herança
único, II imóveis

Art. 49 Réu ausente Último domicílio do réu

Foro do domicílio do representante ou


Art. 50 Réu incapaz
assistente

Ação ajuizada por estado ou


Art. 52 Foro do réu
Distrito Federal

Art. Foro de domicílio do autor, do local onde


Ação ajuizada contra estado
52¸parágrafo ocorreu ato/fato/situação sub judice e
ou Distrito Federal
único capital do respectivo ente federado.

A depender da situação, pode ser


competente: o domicílio do guardião de
Ação de divórcio, separação, filho incapaz; o último domicílio do casal
anulação de casamento e caso não haja filho incapaz; o de domicílio
Art. 53, I
reconhecimento ou dissolução do réu, se nenhuma das partes residir no
de união estável antigo domicílio do casal; e o domicílio da
vítima de violência doméstica e familiar na
forma da Lei Maria da Penha.

Art. 53, II Ação de alimentos Domicílio ou residência do alimentando

Ação em que pessoa jurídica


Art. 53, III, a Sede da pessoa jurídica
está inserida no polo passivo

Ação que discute obrigação


Foro da agência/sucursal da pessoa
Art. 53, III, b de filial de pessoa jurídica
jurídica
inserida no polo passivo
Ação em que sociedade/
Foro onde sociedade/associação exercem
Art. 53, III, c associação sem personalidade
suas atividades
jurídica estiver no polo passivo

Ação de cumprimento de
Art. 53, III, d Foro onde a obrigação deve ser cumprida
obrigação

Ação sobre direito previsto no


Art. 53, III, e Foro onde reside o idoso
Estatuto do Idoso

Ação de reparação de dano


decorrente de ato praticado
Art. 53, III, f por serventia notarial ou de Sede da serventia/ofício
registro no cumprimento de
suas funções

Ação de reparação de dano ou


Art. 53, IV, a e na qual o réu for
Lugar do ato/fato
b administrador/gestor de
negócio alheio

Ação de reparação de dano


Art. 53, V decorrente de delito ou Domicílio do autor ou local do fato
acidente de veículos

As regra geral do CPC

Por fim, apontamos que a Justiça Federal possui competência para processar qualquer ação inserida nas
hipóteses do art. 109 da Constituição Federal e qualquer ação em trâmite na Justiça Estatual que venha a
sofrer a intervenção da União, de entidades da Administração Pública Federal Direta ou Indireta ou de
conselhos de fiscalização profissional.

Nessa situação, haverá a remessa dos autos para a Justiça Federal na forma do art. 45 do CPC. No entanto,
Fredie Didier Júnior (2016, p. 238) aponta que “os autos não serão remetidos se houver pedido cuja
apreciação seja de competência do juízo junto ao qual foi proposta a ação” (art. 45, §1°, CPC). Nesse caso, o
juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não
apreciará o mérito daquele em que exista interesse da União, suas entidades autárquicas ou empresas
públicas (art. 45, §2°, CPC).

Atenção
O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença
ensejou a remessa for excluído do processo (art. 45, §3°, CPC; enunciado no 224 da súmula do STJ).
Finalmente, “a decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não pode ser
reexaminada no Juízo Estadual" (enunciado no 254 da súmula do STJ).

Incompetência
A incompetência ocorre quando um processo tramita em juízo que não possui competência para processá-la e
julgá-la. A incompetência pode ser absoluta ou relativa (art. 64 do CPC) e, após ser suscitada, o juiz
concederá prazo para manifestação das partes (art. 64, § 2º do CPC). Caso reconheça sua incompetência, o
juiz enviará os autos ao juízo competente (art. 64, § 3º do CPC) (SCHENK, 2015, p. 239).
Conforme bem colocado por Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero
(2020), enquanto não apreciada a preliminar de incompetência, o juízo originário proferirá decisões
liminares que serão posteriormente analisadas e, se for o caso, ratificadas pelo juiz competente.

Incompetência absoluta
A incompetência absoluta objetiva proteger interesses públicos (CÂMARA, 2015, p. 52), motivo pelo qual as
regras dessa espécie de competência não podem ser alteradas por convenção das partes ou impactadas
pelas normas de conexão e continência (MARINONI, 2020).

Em virtude do art. 62 do CPC, o critério funcional e alguns critérios objetivos (natureza do litígio e partes
em litígio) são absolutos.

(CÂMARA, 2015, p. 52)

Também implicam em incompetência absoluta o desrespeito ao limite do valor da causa das demandas
ajuizadas nos Juizados Especial Cíveis (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 217) e ao critério territorial previsto no art. 47,
§ 1º do CPC.

O desrespeito às regras de competência absoluta pode ser conhecido de ofício pelo Poder Judiciário a
qualquer momento (CÂMARA, 2015, p. 52), na forma do art. 64, § 1º do CPC. Verificada a incompetência
absoluta, os autos serão remetidos ao juízo competente para ratificação das decisões proferidas pelo juízo
incompetente (art. 64, §§ 3º e 4º do CPC) (MARINONI, 2020).

Incompetência não constatada

Caso não alegue a incompetência na primeira oportunidade e não haja a posterior ratificação dos atos
proferidos pelo juízo incompetente, o réu arcará com os custos necessários para repetição dos atos
processuais (SCHENK, 2015, p. 239).

Incompetência constatada

Se a incompetência for constatada após o fim do processo, permite-se o ajuizamento de ação


rescisória para desconstituir a decisão judicial (art. 986, II, do CPC) (BUENO, 2019).

Incompetência relativa
A incompetência relativa protege interesses privados (CÂMARA, 2015, p. 52), motivo pelo qual essas regras
podem ser alteradas por convenção das partes (MARINONI, 2020). Essa espécie de incompetência,
normalmente, decorre do descumprimento do critério territorial (ARAUJO; MELLO, 2015, p. 97) ou de regra que
estabeleça o juízo competente de acordo com o valor da causa (CÂMARA, 2015, p. 52).

A incompetência relativa não pode ser conhecida de ofício, devendo ser arguida pelo réu ou pelo Ministério
Público na primeira manifestação do processo (CÂMARA, 2015, p. 52), na forma dos arts. 64 e 65, parágrafo
único, do CPC. Na visão de Cássio Scarpinella Bueno (2019), “como é sempre difícil conceber que o Ministério
Público seja réu, a previsão tende a se restringir aos casos em que atuar na qualidade de fiscal da ordem
jurídica (art. 178)”.

Atenção
Caso não seja suscitada na primeira oportunidade, o juízo incompetente tornar-se-á competente por
meio do fenômeno da prorrogação da competência (SCHENK, 2015, p. 241) e a decisão proferida por
esse novo juízo competente não poderá ser objeto de ação rescisória (MARINONI, 2020). Assim como na
incompetência absoluta, seu reconhecimento implicará a remessa dos autos ao juízo competente para
análise da validade dos atos praticados pelo juízo incompetente.

Incompetências absoluta e relativa


No vídeo, o professor fala sobre o regime da incompetência e das incompetências absoluta e relativa.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Modificação de competência
Segundo Fredie Didier Júnior, a competência de um juízo é alterada e/ou prorrogada “quando se amplia a
esfera de competência de um órgão judiciário para conhecer certas causas que não estariam, ordinariamente,
compreendidas em suas atribuições jurisdicionais” (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 225).

Atenção
Existem quatro situações que impõem a modificação da competência relativa: 1. A conexão (art. 54 do
CPC).2. A incontinência (art. 54 do CPC).3. A existência de cláusula de eleição de foro (art. 63 do CPC).
4. A preclusão do direito de arguir a incompetência relativa (BUENO, 2019). Como já nos dedicamos ao
estudo dessa última situação na seção anterior, analisaremos as três primeiras situações.

Conexão
A conexão ocorre quando há uma relação entre duas demandas (OLIVEIRA, 2015, p. 218). De forma mais
específica, o art. 55 do CPC estabelece que “reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for
comum o pedido ou a causa de pedir”.

Quando existir identidade entre o pedido ou causa de pedir (BUENO, 2019), impõe-se a reunião dos
processos (art. 55, § 1º do CPC) no juízo prevento (art. 58 do CPC) (CÂMARA, 2015, p. 53), que será
aquele em que houve a primeira distribuição/registro das demandas conexas (art. 59 do CPC)
(MARINONI, 2020).

Dois ou mais processos também serão reunidos no mesmo juízo para evitar a prolação de decisões
contraditórias (art. 55, § 3º do CPC). Trata-se de uma medida extremamente importante que, inclusive, deve
ser adotada caso haja conexão entre uma demanda de conhecimento e um processo de execução (art. 55,
§2°, I do CPC – DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 234). Entende-se, assim, que o legislador objetivou maximizar a
eficiência do Poder Judiciário, que não pode designar dois juízos distintos para solucionar causas conexas ou
com risco de decisão contraditória (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 230). É por esse motivo que não ocorrerá a
reunião das demandas se uma delas tiver sido sentenciada (enunciado nº 235 da súmula do STJ e parte final
do § 1º do art. 55 do CPC) (BUENO, 2019).

Enunciado nº 235 da súmula do STJ


A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado.

Incontinência
A incontinência é uma espécie de conexão (CÂMARA, 2015, p. 53) que ocorre quando os pedidos de uma
demanda englobam os pleitos de outro processo (art. 56 do CPC) (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 232).

De acordo com o art. 57 do CPC, a solução para essa situação dependerá do momento do registro/
distribuição da ação mais ampla (demanda continente).

(BUENO, 2019)

Se a primeira demanda proposta for a continente, a demanda contida deverá ser extinta sem resolução de
mérito. Entretanto, se a demanda continente tiver sido proposta depois, os processos devem ser reunidos no
juízo prevento.

Cláusula de eleição de foro


As partes podem celebrar convenção de eleição de foro para estabelecer o juízo competente para solucionar
determinado(s) conflito(s) (arts. 63 e 64 do CPC) (CÂMARA, 2015, p. 54). A liberdade das partes nessa
espécie de convenção processual é ampla: permite-se a fixação de diversos foros competentes para resolver
um conflito (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 226).

Para que seja válida e vinculante aos herdeiros das partes (art. 63, § 2º do CPC), a convenção de eleição de
foro deve ser celebrada por escrito (art. 63, § 1º do CPC). Entretanto, o juiz declarará sua ineficácia caso a
considere abusiva após manifestação das partes sobre o tema (art. 63, § 3º do CPC).

Nesse contexto, Fredie Didier Júnior (2016, p. 228) ensina que:


Considera-se abusiva a cláusula de foro de eleição em contratos de consumo: i) se, no momento da
celebração, a parte aderente não dispunha de intelecção suficiente para compreender o sentido e as
consequências da estipulação contratual; ii) se da prevalência de tal estipulação resultar inviabilidade ou
especial dificuldade de acesso ao Judiciário; iii) se se tratar de contrato de obrigatória adesão, assim
entendido o que tenha por objeto produto ou serviço fornecido com exclusividade por determinada
empresa.

(STJ, 4ª T., Resp. 56.711-4-SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo, j. 07.02.1995)

Verificando o aprendizado

Questão 1

(Consulplan - Advogado da Mesa Diretora do município de Arcos/MG - 2020). De acordo com


o que dispõe o Código de Processo Civil brasileiro quanto ao foro competente, é correto
afirmar que, em regra, tem-se o foro:

Do domicílio do autor, para a ação de reparação de dano.

Do domicílio do devedor, nas ações de pedido de alimentos.

Do lugar, onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica.

Do domicílio do réu, para as ações de reparação de dano por acidente de veículos.

Da situação da coisa, nas ações relativas a direitos pessoais.

A alternativa C está correta.


Conforme exposto no primeiro módulo, o art. 53, III, a do CPC estabelece que a competência de demanda
ajuizada contra uma empresa é do local onde fica a sede desta.
A alternativa A está errada porque o art. 53, IV, a do CPC estabelece que a competência para ação de
reparação de danos é do juízo onde ocorreu o ato/fato sub judice.

A alternativa B está errada porque o art. 53, II, do CPC estabelece que o juízo competente para julgar ação
de alimentos é do domicílio/residência do alimentando.

A alternativa D está errada porque o art. 53, V, do CPC estabelece que o juízo competente para julgar ação
de reparação de dano decorrente de delito ou acidente de veículos é do juízo onde ocorreu o ato/fato sub
judice.

Questão 2

(CESPE/CEBRASPE - Juiz Substituto de Direito do TJPA - 2020). De acordo com o Código de


Processo Civil (CPC), o domicílio para fins de competência do foro em ação ajuizada em
desfavor de sociedade sem personalidade jurídica que tenha descumprido obrigação
contratual será o do local onde:

A obrigação tiver sido contraída.

A obrigação deverá ser satisfeita.

O representante for encontrado.

O representante legal tiver residência fixa.

A sociedade exercer suas atividades.

A alternativa E está correta.


O art. 53, III, c do CPC é claro ao dispor que o foro competente para “ação em que for ré sociedade ou
associação sem personalidade jurídica” é aquele onde a sociedade exerce sua atividade.
2. As classificações de processo e o conceito de procedimento

Processo
Conceito e natureza jurídica
Outro elemento essencial para o direito processual é o processo, que, segundo Leonardo Greco (2015),
consiste em: “conjunto complexo de atos coordenados que são praticados pelos diversos sujeitos
processuais, através dos quais se prepara e se exerce a jurisdição para a solução das demandas ou
postulações que lhe são submetidas”.

Atenção
O objetivo desse instrumento público é pacificar conflitos (COUTINHO; CARMO, 2018) pela correta
aplicação do direito material nos litígios (DIDIER JÚNIOR, 2016, p. 40), garantindo, assim, o
estabelecimento de uma ordem jurídica justa (CINTRA, 2015, p. 65).

Diante de sua importância, questionou-se a natureza jurídica do processo. Embora existisse uma corrente
contratualista, a doutrina majoritária concordou com a teoria de Oskar Von Bulow segundo a qual o processo
estabelece uma relação jurídica de direito público entre o juiz e as partes, da qual defluem direitos, deveres,
ônus e poderes (BUENO, 2019).

É apontado que:

Houve quem considerasse o processo uma relação puramente linear, uma relação contratual entre as
duas partes. Com efeito, em determinado período do direito romano, em que havia a chamada
litiscontestação, o processo possuía uma natureza predominantemente contratual, consensual. Há ainda
uma concepção alemã, que é defendida até os dias atuais, segundo a qual o processo é uma relação
angular, em que todos os vínculos se travam através do juiz e, assim, as partes não têm nenhum vínculo
entre si, pois todos os seus vínculos passam necessariamente pelo juiz.

(GRECO, 2015)

Pressupostos de existência e validade do processo


O legislador estabeleceu pressupostos para a existência e validade do processo, de forma que esse
instrumento alcançasse seus objetivos em tempo razoável e respeitando as garantias previstas na
Constituição Federal e no Código de Processo Civil.
Os pressupostos são aquelas exigências legais sem cujo atendimento o processo, como relação jurídica,
não se estabelece ou não se desenvolve validamente. E, em consequência, não atinge a sentença que
deveria apreciar o mérito da causa. São, em suma, requisitos jurídicos para a validade da relação
processual. São, pois, requisitos de validade do processo.

(THEODORO JÚNIOR, 2015)

Cassio Scarpinella Bueno (BUENO, 2019) aponta que são:

Pressupostos de existência

A provocação do órgão jurisdicional por meio de petição inicial, a existência de jurisdição pelo juízo
provocado e a citação de demandado.

Pressupostos de validade do processo

O cumprimento dos requisitos legais da petição inicial; a competência do órgão julgador; a


imparcialidade do juiz; a capacidade das partes; a capacidade postulatória das partes e a validade da
citação (MARINONI, 2020).

Humberto Theodoro Júnior também aponta que, para a validade de um processo, não pode existir
(THEODORO JÚNIOR, 2015):

• Litispendência
• Coisa julgada
• Convenção de arbitragem
• Qualquer outra nulidade prevista em lei

De toda forma, caso exista algum vício de existência ou validade, caberá ao juiz buscar saná-lo (THEODORO
JÚNIOR, 2015) de forma que possa julgar o mérito da causa, respeitando, assim, o princípio da primazia do
julgamento de mérito previsto no art. 4º do CPC (BUENO, 2019).

Pressupostos processuais
Veja no vídeo mais dos pressupostos processuais de existência e de validade.

Conteúdo interativo
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Espécies de processos
Estabelecidos os pressupostos de existência e validade do processo, devemos estudar as formas de
utilização desse instrumento. No caso, e para fins didáticos, há três espécies de processo:

1
Processo de conhecimento
O juiz analisará as alegações e provas apresentadas pelas partes (MARINONI, 2020) para, em um
segundo momento, declarar o direito material aplicável, com a consequente solução do litígio
(THEODORO JÚNIOR, 2015). Por meio dessa espécie de processo, uma pessoa pode obter uma
tutela jurisdicional contra ato ilícito ou contra eventual dano que tenha sofrido.

2
Processo de execução
Serão praticados atos para satisfazer um crédito previamente reconhecido em favor do autor,
denominado exequente, contra o réu, que passa a ser conhecido como executado (THEODORO
JÚNIOR, 2015).

3
Processo cautelar
Serão adotados atos para preservar a futura satisfação de um direito/crédito, de forma que não haja
risco de ausência de efetividade de uma demanda de conhecimento ou execução (MARINONI,
2020).

Essa classificação, contudo, não impede que, no mesmo processo, o juiz adote medidas cognitivas,
executórias e cautelares para garantir a efetividade do processo. Também não impede que, após o trânsito em
julgado de decisão proferida no processo de conhecimento, a parte vencedora busque o cumprimento da
decisão no próprio processo, requerendo, assim, medidas de caráter executivo.

Trata-se, aliás, de medida plenamente possível, pois:

O processo deve ser compreendido de forma sincrética, no sentido de que ele não aceita distinções. Há
um só processo, em que são visíveis, com maior ou com menor nitidez, fases ou etapas, sucessivas ou
concomitantes, em que atividades ora cognitivas, ora satisfativas, com maior ou menor intensidade, são
praticadas pelo magistrado, sempre com a preocupação maior de prestar tutela jurisdicional àquela parte
que, na perspectiva de direito material, faz jus a ela.

(BUENO, 2019)

Processo eletrônico
A tecnologia tem sido utilizada por diversas áreas do conhecimento (NEVES; CAMBI, 2017), motivo pelo qual
não causa surpresa que alguns ordenamentos jurídicos estrangeiros (v.g.: Estados Unidos, Espanha e
Portugal) tenham adotado medidas para aplicá-la no processo.
Atenção
O direito processual brasileiro também não ficou imune ao contexto tecnológico de nossa sociedade,
tanto que diversas reformas legislativas foram realizadas para ampliar a utilização da tecnologia no
processo, como: (i) A Lei Federal nº 10.259/01, que permitiu a comunicação dos atos processuais nos
Juizados Especiais por meio eletrônico (NOVAES, 2016). (ii) A Lei Federal nº 11.280/06, que alterou o
CPC para permitir a comunicação eletrônica de atos processuais (COUTINHO; CARMO, 2018). (iii) As Leis
Federais nos 11.341 e Lei 11.382, que permitiram, respectivamente, (a) a comprovação do dissídio
jurisprudencial por julgado retirado da internet e (b) institui a penhora online (NOVAES, 2016). (iv) A Lei
Federal nº 11.419/06 que regulamentou o processo eletrônico no Brasil (NEVES; CAMBI, 2017).

Saiba mais
Alexandre Henrique Tavares Saldanha e Pablo Diego Veras Medeiros (2018) apontam que, “os avanços
tecnológicos aumentaram o fluxo de informações, as formas de acesso a elas e seu valor capital,
mudaram os sistemas de comunicação, além de provocar mudanças nas formas de sentir o tempo e o
espaço, uma vez que as distâncias se relativizam com as facilitações trazidas pela internet, e as
exigências de velocidade são alteradas conforme se altera a rapidez de processamento de dados
informacionais.”

Todas essas alterações, especialmente a promulgação da Lei do Processo Eletrônico, trouxeram críticas sobre
a utilização da tecnologia no processo. De forma mais específica, apontou-se que o processo eletrônico seria
mais uma barreira ao acesso à justiça porque diversas pessoas teriam dificuldades de montar a estrutura
necessária para acessar o sistema eletrônico e de utilizar o processo eletrônico propriamente dito
(SALDANHA; MEDEIROS, 2018). Por outro lado, há quem defenda que a utilização da tecnologia:

(i) Reduz o tempo de tramitação do processo (NOVAES, 2016), permitindo a remoção de alguns benefícios
processuais.

(ii) Auxilia a preservação do meio-ambiente por reduzir o consumo de papel.

(iii) Permite que as partes e o juiz tenham uma maior flexibilidade sobre o tempo gasto para analisar e praticar
atos nos processos (SALDANHA; MEDEIROS, 2018).

(iv) Garante uma economia de custos para os tribunais brasileiros (NEVES; CAMBI, 2017).

Todas essas vantagens demonstram que o processo eletrônico não consiste em uma nova barreira ao acesso
à justiça, mas em um mecanismo que garante uma maior efetividade do processo e aproximação entre o
jurisdicionado e o Poder Judiciário (NOVAES, 2016).
Nesse contexto, o Código de Processo Civil de
2015 deve ser elogiado porque, ao mesmo
tempo que incorporou as reformas legislativas
realizadas nas últimas duas décadas, dispôs,
nos seus arts. 198 e 199, sobre o dever de o
Poder Judiciário disponibilizar os equipamentos
necessários ao jurisdicionado para utilização do
processo eletrônico e de facilitar o acesso às
tecnologias para pessoas com deficiência
(NEVES; CAMBI, 2017). Ou seja, o referido
diploma legislativo incentivou a utilização da
tecnologia no processo e buscou garantir o
acesso à justiça ao estabelecer medidas que
reduzem a vulnerabilidade tecnológica do cidadão brasileiro (SALDANHA; MEDEIROS, 2018).

Procedimento
Procedimento é o conjunto de regras formais existente em determinado processo para permitir que o conflito
seja resolvido (SOUZA, apud ALVIN, 2012, p. 226).

Ou seja, consiste na forma por meio da qual o processo se materializa (BUENO, 2019).

Para Leonardo Greco (2015), a distinção entre processo e procedimento está no fato de que: “o primeiro é o
conjunto de atos e vínculos gerados pelos diversos sujeitos que dele participam, enquanto o segundo é o
conjunto de requisitos formais desses atos e o modo pelo qual se encadeiam numa série contínua, que está
sempre em movimento”.

Trata-se de um instituto extremamente relevante, uma vez que o legislador estabelece uma série de
procedimentos especiais para maximizar a tutela de determinados direitos, cabendo ao operador estudá-los
para ter ciência da melhor forma de impedir uma lesão ou ameaça de lesão de direito.

Saiba mais
Na visão de Luis Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2020), o legislador
desenhou procedimentos diferenciados para a tutela dos direitos, adaptados desde logo em abstrato
pelo fato de a execução preceder à cognição (como no caso da execução fundada em título executivo
extrajudicial, art. 771 e ss.) ou pela necessidade de maior adequação do processo ao direito material, o
que pode determinar cortes na cognição no plano horizontal para limitação do debate a determinadas
questões (como no caso das ações possessórias, em que o debate está limitado à posse, sendo vedada
qualquer discussão dominial, arts. 554 e ss.) ou particularizações procedimentais em atenção a certas
especificidades do direito material posto em juízo (como no caso da ação de consignação em
pagamento, arts. 539 e ss.) ou a certas especificidades do modo como determinado direito pode ser
evidenciado no processo (como no caso da ação monitória, em que o direito só pode ser demonstrado
mediante prova escrita, art. 700 e ss.).

Verificando o aprendizado

Questão 1
(VUNESP - Procurador Jurídico do Instituto de Previdência Municipal de Marília/SP - 2019). A
doutrina majoritária atual, com base no disposto no Código de Processo Civil, classifica os
pressupostos processuais como positivos ou negativos, sendo os positivos divididos em
pressupostos de existência e de validade. Sobre o tema, considerando o entendimento
doutrinário, são pressupostos:

Negativos de validade: inexistência de perempção, litispendência e coisa julgada.

Positivos de existência: legitimidade processual, citação e jurisdição.

Positivos de validade: demanda, capacidade postulatória e compromisso arbitral.

Positivos de existência: compromisso arbitral, citação válida e competência.

Positivos de validade: jurisdição, demanda e legitimidade processual.

A alternativa A está correta.


Conforme exposto neste módulo, um processo somente será válido se não houver litispendência, coisa
julgada, convenção de arbitragem ou qualquer outra nulidade processual prevista em lei.

Questão 2

Assinale a afirmativa correta a respeito das espécies de processo:

O processo de conhecimento ou cognição visa prevenir, conservar, defender ou assegurar a eficácia de um


direito, não buscando satisfazê-lo.

O processo de execução é aquele em que predominam os atos para a satisfação de um direito constante de
título executivo que prevê um crédito.

O processo cautelar é predominantemente satisfativo de direitos.

D
O processo de execução busca uma proteção à efetividade de outra pretensão, sem satisfazer direitos.

O processo de conhecimento visa a prática de atos materiais, sem a definição de quem possui razão.

A alternativa B está correta.


No processo de execução, a atividade judicial é sobretudo para satisfazer o direito que decorre de um título
executivo.
3. Os sujeitos do processo, as espécies de litisconsórcio e de intervenções de terceiros e os atos
processuais

Sujeitos do Processo
O objeto do terceiro módulo deste conteúdo diz respeito aos sujeitos que efetivamente participam ou podem
participar do processo, quais sejam: as partes, o juiz, os auxiliares da justiça, o Ministério Público, a Defensoria
Pública e os advogados.

Partes
As partes são os sujeitos do processo que utilizam o Poder Judiciário para solucionar um conflito existente.

Via de regra, a pessoa que ajuíza a ação é chamada de autora ao passo que a outra é denominada ré (GRECO,
2015).

Na visão de Marinoni, Arenhart e Mitidiero (2020):

Será parte no processo aquele que demandar em seu nome (ou em nome de quem for demandada) a
atuação de um pedido e aquele outro contra quem esse deve ser atuado. O pedido é o elemento que
determina quem é parte no processo e quem não é.

(Marinoni, Arenhart e Mitidiero, 2020)

Existem, contudo, alguns requisitos para que uma pessoa possa mover a máquina judiciária, quais sejam:
possuir direitos e obrigações na forma do Código Civil (capacidade de ser parte) e aptidão para exercê-los
(capacidade de estar em juízo) (BUENO, 2019). A pessoa também precisa de capacidade postulatória, que é a
habilitação para apresentar pretensões perante o Poder Judiciário (MARINONI, 2020).

As partes também devem agir de forma leal, cooperativa e de boa-fé no decorrer do processo (GRECO, 2015),
com o consequente cumprimento das obrigações previstas no art. 77 do CPC (BUENO, 2019).

Juiz
Na condição de representante do Estado
(GRECO, 2015), o juiz exerce função
jurisdicional, sendo responsável pela condução
e julgamento do processo dentro dos limites
propostos pelas partes (art. 141 do CPC) e de
forma imparcial (MARINONI, 2020).

Para que essa função seja exercida com


isenção, o CPC estabelece situações que
impedem ou trazem questionamentos sobre a
possibilidade de o magistrado julgar
determinada causa (arts. 144 e 145) (BUENO, 2019).

Esse diploma legislativo também impõe uma série de deveres ao juiz. De forma mais específica, Leonardo
Greco (2015) indica que:

Os artigos 35 e 36 da Lei Complementar n. 35/79 enumeram claramente pelo menos oito deveres dos juízes,
estritamente vinculados à sua atuação no processo:

Dever 1
Cumprir e fazer cumprir a lei.

Dever 2
Sentenciar e despachar dentro dos prazos que lhe são conferidos.

Dever 3
Ser um gestor eficiente do processo, velando pelo seu andamento nos prazos legalmente previstos e
fiscalizando os seus subordinados.

Dever 4
Tratar os demais sujeitos processuais com respeito e compreensão.

Dever 5
Ser pontual no expediente e nas audiências.
Ser

Dever 6
Ser acessível, atendendo a qualquer momento aos que o procurarem em busca de providência
urgente.

Dever 7
Velar pelo exato recolhimento das custas e demais despesas processuais.

Dever 8
Abster-se de manifestar opinião sobre processo pendente.

Adicionalmente, o art. 139 do CPC estabelece que são deveres do juiz (BUENO, 2019):
• Garantir a igualdade entre as partes.

• Buscar a celeridade processual.

• Promover a autocomposição entre as partes.

O descumprimento dos deveres previstos no CPC ou em qualquer outra lei específica pode levar à
responsabilidade civil do juiz, na forma do art. 143 do CPC (GRECO, 2015).

Auxiliares da justiça
O art. 149 do CPC dispõe sobre uma série de sujeitos processuais responsáveis por auxiliar o exercício da
jurisdição, como:

1. O escrivão
2. O chefe de secretaria
3. O oficial de justiça
4. O perito
5. O depositário
6. O administrador
7. O intérprete
8. O tradutor
9. O mediador
10. O conciliador judicial
11. O partidor
12. O distribuidor
13. O contabilista
14. O regulador de avarias

Alguns desses sujeitos participam de todos os processos (v.g.: escrivão, chefe de secretaria e oficial de
justiça) ao passo que outros são utilizados em situações específicas, como:

• Na produção de uma prova (v.g.: perito, contabilista).


• Na adoção de uma medida necessária para garantir a efetividade do provimento judicial (v.g.:
depositário, administrador).
• Na busca pela pacificação do litígio pela autocomposição (v.g.: mediador e conciliador judicial)
(GRECO, 2015).

Ministério Público
O Ministério Público é uma instituição regulamentada nos arts. 127 a 129 da Constituição Federal e no CPC,
que atua “na defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses e direitos sociais e individuais
indisponíveis” (art. 176 do CPC).

Cássio Scarpinella Bueno aponta que as seguintes funções institucionais do Ministério Público se relacionam
ao direito processual civil (BUENO, 2019):
(i) Zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos
assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia.

(ii) Promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio
ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.

(iii) Promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos
Estados nos casos previstos na Constituição.

(iv) Defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas.

(v) Exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo lhe
vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas, porque é esta a função
institucional reservada às advocacias públicas.

Para cumprir essas funções, o Ministério Público pode atuar no processo na condição de autor (CAMARA,
2015, p. 121) ou de fiscal da lei, opinando sobre o cumprimento das normas jurídicas (GRECO, 2015) .

Defensoria Pública
A Defensoria Pública é uma instituição regulamentada na Constituição Federal (arts. 134 e 135) e no CPC
(arts. 185 a 187) que tem a função de garantir o acesso à justiça de pessoas economicamente
hipossuficientes, representando-as em juízo e extrajudicialmente (BUENO, 2019).

A representação da Defensoria Pública em juízo é feita de forma gratuita e abrange todos os graus
do Poder Judiciário (CÂMARA, 2015, p. 122).

Os Advogados
O advogado é o sujeito processual responsável
pela representação judicial das partes ou de
terceiros interessados (GRECO, 2015) e,
segundo a Constituição Federal, “é
indispensável à administração da justiça, sendo
inviolável por seus atos e manifestações no
exercício da profissão, nos limites da lei” (art.
133).

Via de regra, o advogado estará presente em


todo processo judicial, somente sendo
dispensada sua atuação em situações previstas
em lei (Ex.: processos no juizado especial cível
com valor da causa de até 20 salários mínimos, na forma do art. 9º da Lei Federal nº 9.099/95), caso a parte
seja o Ministério Público e quando a parte for representada pela Defensoria Pública ou pela Advocacia Pública
(BUENO, 2019).

Litisconsórcio e intervenção de terceiros


Conceito de litisconsórcio
Um processo pode ser movido por um ou mais autores contra um ou mais réus. Esse fenômeno é denominado
litisconsórcio (THEODORO JÚNIOR, 2015) e é extremamente importante para o sistema processual por
maximizar a eficiência do processo e tutela jurisdicional (MARINONI, 2020) e por garantir um tratamento
igualitário entre os jurisdicionados (BUENO, 2019).

Saiba mais
O litisconsórcio pode ocorrer em virtude da comunhão de direitos/obrigações, da conexão e da
“afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito” (art. 113 do CPC). Como já analisamos a
conexão, somente explicaremos a comunhão de direitos e obrigações (art. 113, I do CPC) e a afinidade
de questões fáticas ou jurídicas (art. 113, II do CPC).

A primeira situação ocorre quando duas pessoas partilham um mesmo direito/ obrigação (CÂMARA, 2015, p.
80) ao passo que a outra ocorre quando há uma questão fática ou jurídica primordial no processo que diga
respeito a mais de uma pessoa do polo ativo ou passivo (MARINONI, 2020).

Classificações dos litisconsórcios


O litisconsórcio pode ser classificado de acordo com:

• O polo da demanda
• O momento de formação
• Sua obrigatoriedade
• Suas consequências para os litisconsortes

Em primeiro lugar, o litisconsórcio será ativo se houver uma pluralidade de autores, passivo se existir
multiplicidade de réus, e misto se essa situação ocorrer em ambos os polos (BUENO, 2019).

Pela segunda classificação proposta, o litisconsórcio será inicial caso seja formado no início da demanda e
ulterior se for formado no decorrer da demanda (MARINONI, 2020).

Pela terceira classificação proposta, o litisconsórcio pode ser facultativo ou necessário:


Litisconsórcio necessário

O litisconsórcio será necessário quando


Litisconsórcio facultativo houver comunhão de direitos/obrigações
entre os réus, situação que impõe a
Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz
inserção de todos no polo passivo (art.
Arenhart e Daniel Mitidiero (2020) ensinam
113, inciso I do CPC). Como ninguém
que “o litisconsórcio facultativo é aquele
pode ser obrigado a ajuizar uma
simplesmente autorizado da legislação”. Essa
demanda, não existe litisconsórcio ativo
espécie de litisconsórcio ocorre em caso de
unitário (Idem, 81). No litisconsórcio
demandas conexas ou quando houver
necessário, o juiz tem o dever de
afinidade entre questões fáticas e jurídicas
determinar a correção do polo passivo
(art. 113, incisos II e III do CPC) (BUENO, 2019).
sob pena de extinção da demanda (art.
Por uma questão de eficiência processual,
115 do CPC) (MARINONI, 2020). Caso o
pode ser limitado caso haja um número
juiz não constate esse vício, a decisão
excessivo de pessoas no polo passivo (art. 113, §
será ineficaz se o litisconsórcio for
1º, do CPC) (BUENO, 2019).
simples (CÂMARA, 2015, p. 83) e nula se
for o caso de litisconsórcio unitário
(BUENO, 2019).

No entanto, quando o litisconsórcio é simples e quando será unitário?

Segundo Luiz Marinoni, Arenhart e Mitidiero (2020), “será simples o litisconsórcio toda vez que possível o
tratamento não uniforme do ponto de vista da solução da causa, sendo possível que o juiz julgue o litígio de
modo distinto para cada um dos litisconsortes. Unitário será o litisconsórcio quando a demanda tiver de ser
julgada de maneira uniforme para todos os litisconsortes (art. 116)”.

Por fim, apontamos que, segundo Cassio Scarpinella Bueno (2019), o litisconsórcio pode ser classificado de
acordo com as espécies de pedidos formulados na demanda. Nesse contexto, o litisconsórcio pode ser
sucessivo, alternativo ou eventual (BUENO, 2019).

Regime aplicável no caso de litisconsórcio


O art. 117 do CPC estabelece que “os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte
adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um
não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar”.

Litisconsórcio unitário
Litisconsórcio simples
A situação jurídica das partes é
Cada parte é autônoma e seus atos não analisada conjuntamente, de forma que
impactam na posição jurídica do outro os atos e omissões de um litisconsorte
litisconsorte (MARINONI, 2020). beneficiam o outro (CÂMARA, 2015, p.
85).

Por fim, aponta-se que cada sujeito do processo pode agir individualmente para permitir a tramitação do
processo (MARINONI, 2020) e o prazo dos litisconsortes é contado em dobro caso possuam procuradores
distintos em processo que tramite por meio físico (art. 229 do CPC) (BUENO, 2019).

Intervenção de terceiros
Após analisar os sujeitos do processo, precisamos enfrentar outro tema importante: a intervenção de
terceiros, que ocorre quando uma pessoa que não participa do processo passa a integrá-lo (CÂMARA, 2015, p.
86).
Na visão de Cássio Scarpinella Bueno (2019), as intervenções de terceiros “são técnicas que querem
implementar concretamente o disposto no art. 5º, LXXVIII, da CF e o princípio da eficiência processual nele
constante e codificado no art. 4º”.

Embora existam diversas modalidades,


somente analisaremos aquelas inseridas no
título III do livro III do CPC, quais sejam:

• A assistência (arts. 119 a 124)


• A denunciação da lide (arts. 125 a 129)
• O chamamento ao processo (arts. 130 a
132)
• O incidente de desconsideração de
personalidade jurídica (arts. 133 a 137)
• O amicus curiae (art. 138)

Essas espécies de intervenção podem ser classificadas em (MARINONI, 2020):

Forçadas
Autônomas Caso decorram de ato praticado por
alguma das partes (v.g.: denunciação da
Caso sejam instauradas por iniciativa do
lide, chamamento ao processo e
terceiro (v.g.: assistência e amicus curiae).
incidente de desconsideração de
personalidade jurídica).

Assistência
A assistência é modalidade de intervenção por meio da qual um terceiro ingressa na demanda para auxiliar
uma das partes na obtenção de decisão favorável à parte auxiliada e para si (art. 119 do CPC) (CAMARA, 2015,
p. 87).

Embora seja admissível em qualquer momento processual (MARINONI, 2020), o assistente somente poderá
praticar atos a partir do momento que ingressar no processo (art. 119, parágrafo único, do CPC) (BUENO,
2019).

O procedimento para efetivação dessa intervenção é simples: após o terceiro apresentar pedido de
assistência por meio de petição simples, as partes poderão impugná-lo no prazo de 15 dias (art. 120 do CPC).

Se não houver impugnação e não for caso de rejeição liminar pela ausência de interesse jurídico, o juiz deferirá
o pedido.

Caso haja impugnação, o juiz decidirá a questão sem suspender o processo (MARINONI, 2020).
Atenção
Existem duas espécies de assistência: a simples e a litisconsorcial. Na primeira espécie, o terceiro
intervém no processo porque tem interesse jurídico em uma sentença favorável ao assistido (MARINONI,
2020). Nessa situação, o assistente será considerado terceiro (MARINONI, 2020) salvo omissão ou
revelia do assistido (art. 121, parágrafo único do CPC), situação que implicará na atuação como
substituto processual. Essa regra é inaplicável caso o assistido disponha do direito, uma vez que esse
ato é considerado válido e eficaz (art. 122 do CPC) (CÂMARA, 2015, p. 89).

Segundo Marinoni, Arenhart e Mitidiero (2020), “constitui-se, certamente, em forma exata de intervenção de
terceiro, uma vez que o assistente simples, mesmo depois de admitido a ingressar no processo, não perde a
condição de terceiro em face das partes e do litígio”.

Por ser um terceiro, não se aplica o regime da coisa julgada ao assistente simples (MARINONI, 2020). No
entanto, não será possível discutir “a justiça da decisão” por força do art. 123 do CPC, o qual implica a eficácia
preclusiva da coisa julgada, impedindo a impugnação dos fundamentos da decisão em outro processo
(CÂMARA, 2015, p. 89).

De toda forma, existem exceções para essa regra:

A eficácia da intervenção, (...), não incide em duas hipóteses, previstas nos dois incisos do art. 123. Na
primeira, quando a intervenção do assistente tiver sido tardia e, como tal, incapaz de modificar o
resultado desfavorável; na segunda, terá que comprovar o desconhecimento de alegações ou de provas
não empregadas pelo assistido por dolo ou culpa, que o prejudicaram.

(BUENO, 2019)

Na assistência litisconsorcial, o terceiro-interveniente é o titular da relação jurídica discutida em juízo (art. 124
do CPC), possuindo todos os direitos da parte assistida e sendo atingido pelos efeitos da coisa julgada
(MARINONI, 2020).
Denunciação da lide

A denunciação da lide é a modalidade de intervenção de terceiros pela qual o autor e/ou o réu
(denunciantes) formulam, no mesmo processo, pedido de tutela jurisdicional em face de um terceiro
(denunciado), viabilizando, desde logo, o exercício de eventual direito de regresso em face dele na
eventualidade de virem (autor e/ou réu) a sucumbir em juízo.

(BUENO, 2019)

Trata-se de um instituto que materializa o direito de regresso sem impedir que, em caso de rejeição do pedido
de intervenção, seja ajuizada demanda autônoma para exercer esse direito (CÂMARA, 2015, p. 89).

A denunciação da lide pode ser proposta por uma das partes contra “o alienante imediato, no processo
relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da
evicção lhe resultam” (art. 125, I, do CPC). Assim, garante o direito decorrente de evicção.

A denunciação da lide também pode ser proposta “àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a
indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo” (art. 125, II, do CPC). Há inúmeras
hipóteses que se enquadram nessa situação, valendo indicar, para fins exemplificativos, que a denunciação da
lide é muito utilizada contra seguradoras (CÂMARA, 2015, p. 90).

Saiba mais
O CPC permite em seu art. 125 que, em caso de denunciação da lide, o denunciado apresente uma nova
denunciação da lide contra outro terceiro caso ocorra uma das duas hipóteses narradas nos parágrafos
anteriores.

O pedido de denunciação da lide será aceito se houver compatibilidade entre as instruções probatórias da
demanda principal e da demanda regressiva (BUENO, 2019). Caso seja aceito, o juiz determinará a citação do
denunciado no prazo de trinta dias, período no qual o processo ficará suspenso.

O denunciado será assistente simples do denunciante na demanda principal (art. 119 do CPC) e, na ação
regressiva, atuará como demandado (CÂMARA, 2015, p. 90). O pedido da ação regressiva somente será
julgado em caso de procedência da demanda principal.

Chamamento ao processo
Cássio Scarpinella Bueno (2019) ensina que “o chamamento ao processo é a intervenção de terceiros pela
qual o réu (chamante) convoca terceiro (chamado), que passará a ser litisconsorte passivo, com o objetivo de
ser responsabilizado conjunta e imediatamente em face do autor”. Por meio dessa espécie de intervenção, há
a integração ao processo de terceiro com legitimidade passiva decorrente da obrigação discutida no
processo.
O art. 130 do Código de Processo Civil
estabelece que pode ocorrer o chamamento ao
processo “do afiançado, na ação em que o
fiador for réu” (inciso I), “os demais fiadores, na
ação proposta contra um ou alguns deles”
(inciso II), “dos demais devedores solidários,
quando o credor exigir de um ou de alguns o
pagamento da dívida comum” (inciso III). Pela
leitura desses dispositivos, conclui-se que o
CPC permitiu a utilização desta intervenção
contra terceiros que são coobrigados, assim
como o réu (MARINONI, 2020).

Caso o pedido de chamamento ao processo seja deferido, o terceiro integrará o processo na qualidade de réu.

Por esse motivo, o julgamento de procedência da demanda implicará na criação de um título executivo judicial
estampando o dever do terceiro e dos demais coobrigados de cumprirem a obrigação discutida no processo
(MARINONI, 2020). Se um dos réus realizar o pagamento integral da obrigação, poderá cobrar a quota-parte
dos demais coobrigados com base na sentença de procedência.

Incidente de desconsideração de personalidade jurídica


Por meio do incidente de desconsideração de personalidade jurídica, uma parte objetiva responsabilizar
terceiro por ato decorrente da utilização indevida de uma pessoa jurídica (BUENO, 2019).

De acordo com Alexandre Freitas Câmara (2015, p. 97), esse instrumento também é utilizado para “viabilizar a
extensão da responsabilidade patrimonial de modo a viabilizar que se alcance os bens da sociedade para
garantir o pagamento das dívidas do sócio”.

Esse incidente é instaurado por provocação da parte (art. 133 do CPC) (Idem, p. 96)
independentemente do momento em que estiver o processo (art. 134 do CPC) (MARINONI, 2020).
Nesse contexto, permite-se a formulação do pedido de desconsideração na petição inicial, situação
que dispensará a apresentação de incidente próprio (art. 134, § 2º do CPC).

A desconsideração da personalidade jurídica será deferida caso haja o preenchimento dos requisitos previstos
nas leis materiais aplicáveis para cada espécie de relação jurídica (v.g.: código civil, código de defesa do
consumidor, dentre outros) e o respeito ao direito do contraditório e da ampla defesa, o que impõe a
permissão do terceiro de produzir qualquer prova (CAMARA, 2015, p. 95-102).

Atenção
O julgamento de procedência do incidente implicará na desconsideração da personalidade jurídica, de
forma que, a depender da situação, o patrimônio dos sócios será responsável pela dívida da sociedade
ou o patrimônio da sociedade será responsabilidade pela dívida dos sócios (MARINONI, 2020).

Amicus Curiae
O Amicus Curiae é instituto previsto no art. 138 do CPC e, segundo Bueno (2019), consiste em intervenção na
qual o terceiro atua:
No processo por iniciativa própria, por provocação de uma das partes ou, até mesmo, por determinação
do magistrado com vistas a fornecer elementos que permitam o proferimento de uma decisão que leve
em consideração interesses dispersos na sociedade civil e no próprio Estado.

(BUENO, 2019)

Nessa modalidade de intervenção, o terceiro pode atuar de forma imparcial visando solução técnica para a
controvérsia ou de forma parcial para defender um interesse específico. Na primeira espécie, o amigo da corte
auxilia na produção de uma decisão adequada, ao passo que, na segunda, é um instrumento de efetivação do
contraditório (MARINONI, 2020).

De toda forma, ambos os amici curiae possuem papel importante no processo, na medida em que fornecem
informações e documentos essenciais para o órgão julgador avaliar a controvérsia da forma mais aprofundada
possível (CAMARA, 2015, p. 106). Por esse motivo, há quem defenda sua participação em todos os processos
que geram um precedente (BUENO, 2019).

Entretanto, quando será possível a intervenção de um


amicus curiae?

A resposta está no art. 138 do CPC, o qual prevê sua participação quando houver uma “relevância da matéria”
ou uma “especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia”. Basta um
desses requisitos para que seja cabível a participação do amigo da corte (BUENO, 2019), que deverá ser uma
“pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada”.

Sobre o procedimento desta intervenção, nos é ensinado que:

Estabelece o CPC que o juiz ou o relator, diante da relevância da matéria, da especificidade do tema
objeto da demanda ou da repercussão social da controvérsia, poderá, em decisão irrecorrível, de ofício
ou a requerimento das partes ou do terceiro que pretenda se manifestar, solicitar ou admitir a
intervenção de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade
adequada, no prazo de quinze dias da sua manifestação (art. 138). A admissão do amicus curiae não
implica alteração de competência (art. 138, § 1.°). Os poderes do amicus curiae devem ser
dimensionados pelo órgão jurisdicional à luz do caso concreto (art. 138, § 2.°). É certo, porém, que o
legislador desde logo deferiu ao amicus curiae o poder de recorrer da decisão que inadmite a sua
participação no processo, o de opor embargos declaratórios e de recorrer da decisão do incidente de
resolução de demandas repetitivas (art. 138, § 3.°).

(MARINONI; ARENHART; MITIDIERO, 2020)


Intervenções de terceiros
O vídeo abordará as diversas formas de intervenções de terceiro, seus conceitos e características básicas.

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Atos processuais
Conceito e espécies
Os atos praticados pelos sujeitos dos processos no decorrer de demanda e que a impactam em alguma
medida são denominados processuais (MARINONI, 2020). Tais atos são interdependentes (GRECO, 2015), mas
objetivam alcançar a finalidade do processo, que é a solução da controvérsia (THEODORO JÚNIOR, 2015).

Atenção
O juiz pode proferir atos: (i) Decisórios (ex.: sentença ou decisões interlocutórias). (ii) Que impulsionam o
processo à prolação de atos decisórios (arts. 2º, 139, 203, § § 3º e 4º do CPC). (iii) Que instruem o
processo com provas (art. 370 do CPC). (iv) Necessários ao cumprimento das decisões judiciais
(GRECO, 2015). Já as partes podem praticar atos para: apresentar postulações em juízo; dispor de
direitos, instruir suas alegações e cumprir determinações judiciais, seja pela apresentação de
documentos seja para comparecer em juízo (GRECO, 2015). Via de regra, os atos das partes produzem
efeitos imediatos em virtude do art. 200 do CPC.

Os auxiliares da justiça podem praticar atos para movimentar o processo, cumprir decisões do juízo e
documentar o processo.

(GRECO, 2015)
Forma e publicidade dos atos processuais
Os atos processuais independem de qualquer forma a não ser que haja previsão legal que deva ser cumprida
pela(s) parte(s) (art. 188 do CPC) (THEODORO JÚNIOR, 2015). Entretanto, a instrumentalidade do processo
impõe que um ato processual seja aceito a despeito de descumprir os requisitos legais desde que atinja sua
finalidade e não cause prejuízo para a outra parte (MARINONI, 2020).

Os atos processuais devem ser praticados em português (art. 192 do CPC) (THEODORO JÚNIOR, 2015) e, via
de regra, são públicos (art. 189 do CPC). Existe, contudo, a possibilidade de decretação de sigilo sobre
determinados atos processuais, especialmente para preservar a intimidade e a dignidade das partes.

De forma mais específica, nos é ensinado que é:

Admitido o segredo de justiça apenas quando: I) em que o exija o interesse público ou social; II) que
versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e
guarda de crianças e adolescentes; III) em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à
intimidade; e IV) que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que
a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo.

(MARINONI; ARENHART; MITIDIERO, 2020)

Tempo dos atos processuais


Por força do art. 212 do CPC, “os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte)
horas”.

Excepcionalmente, podem ser realizados após o referido horário para permitir a eficácia da medida
(art. 212, § 1º do CPC).

Nesse ponto, o processo eletrônico traz uma


vantagem ao permitir a prática de determinados
atos em qualquer momento desde que dentro
do prazo legal (art. 213 do CPC). Exemplo: um
advogado pode apresentar uma petição às 5h
da manhã ao passo que um juiz pode proferir
decisão às 22h..

Por fim, aponta-se que, via de regra, os atos


processuais não são praticados durante o
recesso forense/feriados/dias não úteis, com
exceção de alguns atos de comunicação (art.
214, I, do CPC) e de medidas de urgência (art.
214, II, do CPC).

Prazos processuais
Segundo Bueno (2019), “prazo é o espaço de tempo existente entre dois termos, o inicial e o final, em que o
ato processual deve ser praticado sob pena de não poder ser mais produzido”. Para permitir que o processo
alcance seus objetivos e respeite o princípio da duração razoável (art. 5º, LXXVIII da CF), o CPC estabeleceu
prazos para o cumprimento dos atos processuais (MARINONI, 2020) em seus arts. 218 a 232.

Em virtude da limitação deste trabalho, apresentaremos a forma de contagem dos prazos e as classificações
de acordo com a origem, os objetivos, as consequências em caso de descumprimento e os destinatários.

Primeira classificação

Pela primeira classificação, o prazo será legal se houver previsão legal, e judicial caso seja definido
pelo juízo (CAMARA, 2015, p. 137). Se não houver previsão legal tampouco fixação pelo juízo, o prazo
será de 5 dias por força do art. 213, § 3º do CPC (MARINONI, 2020).

Segunda classificação

De acordo com a segunda classificação, o prazo será dilatório se tiver sido estabelecido para garantir
o direito de defesa de uma parte, e aceleratório se tiver sido fixado visando garantir o princípio da
duração razoável do processo (CAMARA, 2015, p. 139).

Terceira classificação

Pela terceira classificação, o prazo será próprio caso seu descumprimento impeça sua posterior
realização em virtude de preclusão, e impróprio caso seja possível praticar o ato em outro momento
processual (MARINONI, 2020).

Quarta classificação

Segundo a quarta e última classificação proposta, o prazo será comum se for destinado para ambas
as partes, e particular se for de responsabilidade de uma das partes (MARINONI 2020).

Por fim, tecemos algumas linhas sobre a contagem do prazo. De acordo com Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio
Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2020), “o prazo flui – corre – a partir do momento em que existe. Conta-se o
prazo a partir do momento em que é computado para fins da própria extinção (art. 231)”.

Se o prazo tiver sido estabelecido em dias, somente serão considerados para fins de contagem os dias em
que houver expediente forense por força do art. 219 do CPC. Se o prazo tiver sido estabelecido em outra
unidade de tempo (hora, semana, mês ou ano), a contagem deverá ser contínua (CÂMARA, 2015, p. 137).

Verificando o aprendizado

Questão 1

(GUALIMP - Procurador Jurídico da Câmara de Nova Venécia/ES - 2019). Estão incluídos no


conceito de Auxiliares da Justiça, EXCETO:

O escrivão, o Chefe de Secretaria e o Oficial de Justiça


B

O Depositário e o Administrador

As Testemunhas e os Advogados

Os Conciliadores e Mediadores Judiciais

O Perito

A alternativa C está correta.


Conforme exposto neste módulo, o advogado representa judicialmente as partes e os terceiros
interessados, de forma que não está abrangido pelo conceito de auxiliar da justiça previsto no art. 149 do
CPC. Da mesma forma, as testemunhas não estão incluídas na previsão do referido dispositivo legal.

Questão 2

(FAPIFA - Advogado do CREA-PR - 2019). Sobre a intervenção de terceiros no processo civil, é


INCORRETO afirmar que:

Por intervenção de terceiros, entende-se a permissão legal para que um sujeito alheio à relação jurídica
processual originária ingresse em processo já em andamento.

Segundo o Código de Processo Civil, a assistência não é uma intervenção de terceiro típica.

O chamamento ao processo é uma intervenção de terceiro típica admitida no CPC/2015.

O amicus curiae é espécie típica de intervenção de terceiro segundo o CPC.

A assistência é uma intervenção de terceiro típica do Código de Processo Civil.


A alternativa B está correta.
A assistência é uma modalidade de intervenção de terceiro devidamente regulamentada nos arts. 119 a 124
do CPC.
4. Conclusão

Considerações finais
No decorrer deste conteúdo, constatamos que o estudo da competência é essencial para o operador do
direito conhecer o órgão jurisdicional responsável por processar e julgar uma demanda proposta no Poder
Judiciário.

Em seguida, verificamos que o processo é um mecanismo de resolução de conflitos que possui três espécies
(conhecimento, execução e cautelar) e que se materializa por meio de procedimentos específicos
regulamentados em lei.

Por fim, constatamos que diversos sujeitos atuam (ou podem atuar) o processo, uma demanda pode ser
movida por/contra diversas pessoas, terceiros podem intervir no processo e os atos processuais são
essenciais para o processo.

Todos os institutos apresentados demonstram que o processo é um mecanismo extremamente complexo que
precisa ser estudado profundamente para que haja a pacificação dos litígios existentes em nossa sociedade.

Podcast

O professor Thiago Cabral faz um resumo sobre os assuntos mais importantes que foram vistos acima.

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Para saber mais sobre os assuntos explorados neste conteúdo, procure ler:

• HARTMANN, G. K. Competência no processo civil. Salvador: Juspodivm, 2021.

Referências
ALVIM, J. E. C. O futuro dos procedimentos no novo código de processo civil. In: RODRIGUES, Walter dos
Santos; SOUZA, Marcio Cristina Xavier de. O novo código de processo civil: o projeto do CPC e o desafio das
garantias fundamentais. Rio de Janeiro: Elsevier. 2012.

ARAUJO, L. C. Competência. In: ARAUJO, Luis Carlos; MELLO, Cleyson de Moraes (coords.). Curso do Novo
Processo Civil. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2015.

BUENO, C. S. Manual de Direito Processual Civil. 5. ed. São Paulo: Saraiva. 2019. Consultado na internet em:
abr. 2021.
CÂMARA, A. F. O novo processo civil brasileiro. São Paulo: Atlas. 2015.

CINTRA, A. C. A. et al. Teoria Geral do Processo. 31. ed. São Paulo: Malheiros. 2015.

COUTINHO, C. M. C.; CARMO, G. M. Processo eletrônico no novo processo civil: limites e possibilidades
democráticas. Revista de Processo, v. 284, 2018.

DIDIER JÚNIOR, F. Curso de Direito Processual Civil – Volume 1 – 18. ed. Salvador: Juspodium. 2016.

GRECO, L. Instituições de Processo Civil. v. 1. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense. 2015. Consultado na internet em:
13 abr. 2021.

MARINONI, L. G. et al. Curso de Processo Civil. v. 2: Tutela dos direitos mediante procedimento comum – 6. ed.
São Paulo: Revista dos Tribunais. 2020.

NEVES, A. R.; CAMBI, E. Processo e tecnologia: do processo eletrônico ao plenário virtual. In: Revista dos
Tribunais, v. 986, 2017.

NOVAES, M. D. A evolução e desafios do processo judicial eletrônico. Revista de Direito do Trabalho, v. 167,
2016, São Paulo.

OLIVEIRA, B. S. Comentários aos artigos 54 a 63 do Código de Processo Civil. In: WAMBIER. Teresa Arruda
Alvim et al (coords). Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil. 2ª Tiragem. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais. 2015.

SALDANHA, Alexandre Henrique Tavares; MEDEIROS, Pablo Diego Veras. Processo judicial eletrônico e
inclusão digital para acesso à justiça na sociedade da informação. In: Revista de Processo, vol. 277, mar, 2018,
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Consultado na internet em: 13 abr. 2021.

SCHENK, Leonardo Faria. Comentários aos artigos 64 a 69 do Código de Processo Civil. In: WAMBIER. Teresa
Arruda Alvim et al. Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil. 2ª Tiragem. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais. 2015.

THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. v. 1. 56. ed. Rio de Janeiro: Forense. 2015.
Consultado na internet em: 13 abr. 2021.

VIANA, S. Comentários aos artigos 42 a 53 do Código de Processo Civil. In: WAMBIER. Teresa Arruda Alvim et
al. Breves Comentários ao Novo Código de Processo Civil. 2ª Tiragem. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2015.

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