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Classificações e Tipos de Crimes

O documento classifica crimes em diversas categorias, como materiais e formais, comuns e próprios, comissivos e omissivos, entre outros. Também aborda modalidades de flagrante e tipos de peculato, além de detalhar as qualificadoras do furto e suas respectivas penas. As informações fornecem uma visão abrangente sobre a tipificação e penalização de diferentes crimes no contexto jurídico.

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Eduardo Glauber
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Classificações e Tipos de Crimes

O documento classifica crimes em diversas categorias, como materiais e formais, comuns e próprios, comissivos e omissivos, entre outros. Também aborda modalidades de flagrante e tipos de peculato, além de detalhar as qualificadoras do furto e suas respectivas penas. As informações fornecem uma visão abrangente sobre a tipificação e penalização de diferentes crimes no contexto jurídico.

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Classificações de Crimes

1. Crimes Materiais e Formais:

 Crimes Materiais: Dependem da produção de um resultado naturalístico para


a consumação. Exemplos: homicídio, furto. O crime se consuma quando há
uma modificação no mundo físico.

 Crimes Formais (ou de Mera Conduta): A consumação ocorre com o mero


comportamento típico, independentemente de um resultado. Exemplos:
extorsão mediante sequestro, corrupção passiva.

2. Crimes Comuns, Próprios e de Mão Própria:

 Crimes Comuns: Não exigem condições especiais para autor ou vítima.


Exemplos: homicídio, furto.

 Crimes Próprios: Exigem uma condição especial do autor. Exemplos:


infanticídio (só a mãe pode praticá-lo).

 Crimes de Mão Própria: Crimes personalíssimos, só podem ser praticados pelo


sujeito específico. Exemplos: falso testemunho, prevaricação.

3. Crimes Comissivos e Omissivos:

 Crimes Comissivos: Resultam de uma ação (exemplo: homicídio).

 Crimes Omissivos: Resultam de uma inação. São divididos em:

 Omissivos Próprios: O legislador descreve a omissão como crime


(exemplo: omissão de socorro).

 Omissivos Impróprios: Omissão de um garantidor que tem o dever de


agir. Exemplo: um salva-vidas que não socorre uma pessoa em perigo.

4. Crimes Dolosos, Culposos e Preterdolosos:

 Crimes Dolosos: O agente tem a intenção de praticar o crime ou assume o


risco (dolo direto ou eventual).

 Crimes Culposos: O agente é descuidado em relação ao resultado (negligência,


imprudência, imperícia).

 Crimes Preterdolosos: O agente tem dolo em relação a um resultado menos


grave, mas o resultado mais grave ocorre por culpa (exemplo: lesão corporal
seguida de morte).

5. Crime Instantâneo

 Definição: Consome-se em um momento específico.

 Exemplo: Roubo, que se consuma no momento da subtração.


6. Crime Permanente

 Definição: A consumação se prolonga no tempo.

 Exemplo: Sequestro, onde a vítima permanece em cativeiro.

7. Crime Instantâneo de Efeitos Permanentes

 Definição: Consumação ocorre em um único instante, mas o efeito é duradouro.

 Exemplo: Homicídio, onde a morte é irreversível.

8. Crimes Consumados e Tentados

 Crime Consumado: Todos os elementos do tipo penal foram reunidos.

 Crime Tentado: Início da execução, mas o resultado não é alcançado por


fatores externos.

9. Crime de Atentado ou de Empreendimento

 Definição: Tentativa punida com a mesma pena do crime consumado.

 Exemplos: Votar mais de uma vez (art. 309 do Código Eleitoral) e tentar evadir-
se com violência (art. 352 do Código Penal).

10. Crimes de Dano e de Perigo

 Crimes de Dano: Exigem uma lesão efetiva ao bem jurídico.

 Crimes de Perigo: Não exigem lesão, mas sim a exposição ao risco.

o Perigo Concreto: Necessita comprovação do risco.

o Perigo Abstrato: Risco é presumido, não se admite prova em contrário.

11. Crimes Simples, Complexos e Ultra Complexos

 Crime Simples: Um único tipo penal, protegendo um único bem jurídico (ex:
homicídio).

 Crime Complexo: Combinação de dois tipos penais, protegendo mais de um


bem jurídico (ex: roubo).

 Crime Ultra Complexo: Combinação de três ou mais tipos penais (ex: roubo
majorado pelo uso de arma).
Espécies de Flagrante no CPP
1. Flagrante Próprio: O agente é surpreendido no momento em que comete a infração ou
logo após. Exemplo: a polícia pega alguém esfaqueando uma vítima ou com a arma na
mão logo após o crime.
2. Flagrante Impróprio: O agente é perseguido logo após a prática do crime. A
perseguição deve ser ininterrupta. Não há limite de tempo para a perseguição.
3. Flagrante Presumido: O agente é encontrado logo depois do crime com objetos, armas
ou papéis que façam presumir sua autoria. Não há perseguição, mas existem indícios
que ligam o agente ao crime.
Flagrante em Crimes Permanentes
 Flagrante em Crimes Permanentes: O agente é considerado em flagrante enquanto a
permanência da infração durar. Exemplo: sequestro ou cárcere privado.
Flagrante Obrigatório e Facultativo
 Flagrante Obrigatório: A polícia deve agir e prender em flagrante em situações
específicas.
 Flagrante Facultativo: Qualquer pessoa pode efetuar a prisão, mas não é uma
obrigação. Exemplo: um cidadão que vê um crime ocorrendo.
Modalidades Reconhecidas pela Doutrina
1. Flagrante Preparado: A polícia induz o agente à prática do crime, criando o cenário.
Este flagrante é considerado ilegal se a intervenção policial tornar impossível a
consumação do crime (Súmula 145 do STF).
2. Flagrante Esperado: A polícia aguarda a consumação do crime, sem interferir. Essa
modalidade é reconhecida e frequentemente cobrada em provas.
3. Flagrante Prorrogado: A prisão em flagrante pode ser retardada com autorização
judicial para capturar outros envolvidos, prevista em legislações específicas, como a de
combate ao crime organizado e de drogas.
Modalidades de Peculato
1. Peculato Apropriação:

o Definição: O funcionário público apropria-se de bens que já estão em sua


posse em razão do cargo.

o Verbo chave: Apropriar-se. Exemplo: Um policial que usa uma viatura para fins
pessoais

2. Peculato Desvio:

o Definição: O funcionário público dá destinação diversa ao bem que está em sua


posse em razão do cargo.

o Verbo chave: Desviar. Exemplo: Um delegado que decide ficar com um veículo
apreendido em vez de devolvê-lo ao proprietário.

3. Peculato Furto:

o Definição: O funcionário subtrai um bem que não deveria ter posse, utilizando-
se da facilidade do cargo.

o Verbo chave: Subtrair. Exemplo: Um policial que rouba um celular do batalhão.

4. Peculato Culposo:

o Definição: O funcionário concorre culposamente para o crime de outrem,


sendo negligente ou imprudente.

o Diferencial: A reparação do dano pode extinguir a punibilidade se feita antes


da sentença irrecorrível. Exemplo: Um escrivão que deixa a delegacia aberta e,
com isso, facilita um furto.

5. Peculato Mediante Erro de Outrem:

o Definição: O funcionário apropria-se de um bem recebido por erro da vítima.

o Verbo chave: Apropriar-se. Exemplo: Um oficial de justiça que recebe um bem


a mais devido a um erro do devedor.

Observações Importantes

 Sujeito ativo: Regra geral, apenas funcionários públicos podem cometer peculato.
Particular pode ser responsabilizado se agir em coautoria com um funcionário público.

 Peculato Culposo é o único crime contra a administração pública que admite


modalidade culposa.

 Reparação do Dano: A reparação é crucial no peculato culposo e pode extinguir a


punibilidade se realizada antes do trânsito em julgado da sentença.
FURTO - QUALIFICADORAS

1. Qualificadoras do Furto
 Pena Geral:

o Furto simples: reclusão de 1 a 4 anos.

o Furto qualificado: reclusão de 2 a 8 anos.

2. Destruição de Obstáculo

 Definição: A destruição ou rompimento deve ser de obstáculos que impedem a


subtração do bem, não do bem em si.

 Exemplo: Quebrar um cadeado qualifica; quebrar o vidro do carro não qualifica.

3. Abuso de Confiança

 Definição: O criminoso usa uma posição privilegiada para acessar o bem.

 Exemplo: Um funcionário que fura o patrão só qualifica se tiver acesso privilegiado ao


bem.

4. Furto Mediante Fraude

 Definição: Uso de enganação para desproteger o bem da vítima.

 Diferença do Estelionato: No furto, o criminoso subtrai o bem; no estelionato, a vítima


entrega o bem.

 Exemplo: Distrair um vendedor para furtar um produto.

5. Escalada

 Definição: Subir algo acima do normal para furtar.

 Exemplo: Pular um muro alto.

6. Destreza

 Definição: Habilidade acima da média para furtar.

 Exemplo: Punguista (batedor de carteira).

7. Chave Falsa

 Definição: Uso de qualquer instrumento que funcione como chave.

 Exemplo: Usar um grampo para abrir uma fechadura.

8. Concurso de Pessoas

 Definição: Furto praticado com a ajuda de duas ou mais pessoas.

 Nota: Um adolescente pode contar para qualificar o crime.

9. Furto Qualificado com Explosivos


 Parágrafo 4 A: Reclusão de 4 a 10 anos se houver uso de explosivos que causem perigo
comum.

10. Furto Mediante Fraude com Dispositivo Eletrônico

 Parágrafo 4 B: Reclusão de 4 a 8 anos se o furto com fraude envolver dispositivos


eletrônicos.

11. Furto de Veículo Automotor

 Parágrafo 5: Reclusão de 3 a 8 anos se o veículo for transportado para outro estado ou


exterior, independentemente de realmente cruzar a divisa.

12. Furto de Semoventes

 Parágrafo 6: Reclusão de 2 a 5 anos para subtração de animais domesticáveis (ex.


gado).

13. Furto de Substâncias Explosivas

 Parágrafo 7: Reclusão de 4 a 10 anos se a subtração for de explosivos ou materiais para


sua fabricação.

14. Resumindo as Penalidades

 Furto Simples: 1 a 4 anos.

 Furto Qualificado: 2 a 8 anos (varia conforme a qualificadora).

 Furto com Explosivos: 4 a 10 anos (crime hediondo).

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