2º ANO ENSINO MÉDIO – 1º BIMESTRE
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LITERATURA
REALISMO – ESTÉTICA REALISTA
Realismo
O Realismo é um movimento artístico que buscou objetividade e olhar crítico sobre a
sociedade do final do século XIX.
Por Me. Fernando Marinho
Ilustração do próprio
autor, Gustave Flaubert, para o livro Madame Bovary, umas das obras-primas do
Realismo.
jhjhO Realismo foi um dos principais movimentos artísticos do final do século XIX.
Com diversas formas de manifestação, a arte realista teve grande importância tanto
na Europa quanto no Brasil. Na Literatura, autores como Gustave Flaubert
e Machado de Assis são considerados como leitura obrigatória para quem pretende
compreender o movimento.
Leia mais: Conheça a geração do Romantismo que possui aspectos realistas
Origem do Realismo
O Realismo é um movimento artístico cujo precursor, na Literatura, é o francês
Gustave Flaubert. A obra Madame Bovary é considerada o primeiro romance
realista da história da Literatura. O livro Memórias póstumas de Brás Cubas, de
Machado de Assis, é considerado a narrativa inaugural do movimento no Brasil.
Veja, abaixo, um trecho inicial desse romance machadiano:
AO LEITOR
Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para
cem leitores, coisa é que admira e consterna. O que não
admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro
não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinquenta, nem
vinte e, quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na
verdade, de uma obra difusa, na qual eu, Brás Cubas, se
adotei a forma livre de um Sterne, ou de um Xavier de Maistre,
não sei se lhe meti algumas rabugens de pessimismo. Pode
ser. Obra de finado. Escrevi-a com a pena da galhofa e a tinta
da melancolia, e não é difícil antever o que poderá sair desse
conúbio. Acresce que a gente grave achará no livro umas
aparências de puro romance, ao passo que a gente frívola não
achará nele o seu romance usual; ei-lo aí fica privado da
estima dos graves e do amor dos frívolos, que são as duas
colunas máximas da opinião.
Mas eu ainda espero angariar as simpatias da opinião, e o
primeiro remédio é fugir a um prólogo explícito e longo. O
melhor prólogo é o que contém menos coisas, ou o que as diz
de um jeito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito
contar o processo extraordinário que empreguei na composição
destas Memórias, trabalhadas cá no outro mundo. Seria
curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessário ao
entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te
agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-
te com um piparote, e adeus.
Brás Cubas.
Em Memórias póstumas de Brás Cubas,
Machado de Assis
Nota-se que, nesse trecho do romance, é possível perceber algumas das
características fundamentais do Realismo, tais como a perspectiva objetiva e não
idealizada da sociedade, assim como uma fina ironia, típica da obra de Machado de
Assis.
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Contexto histórico do Realismo
Desenvolvimento de teorias científicas na Europa, tais como o
Evolucionismo;
Comunismo;
Determinismo;
Positivismo;
Abolição da escravidão no Brasil, em 1888;
Proclamação da República brasileira, em 1889;
Principais características do Realismo
As principais características do Realismo remetem a uma oposição ao movimento
artístico anterior, o Romantismo. Nesse sentido, opondo-se à idealização amorosa,
os realistas representavam figuras humanas profundas, que fugiam aos estereótipos
de herói, da amada ou do vilão, típicos dos românticos. Além disso, a perspectiva
egocêntrica, muito comum na segunda geração do romantismo, é substituída por um
olhar o mais objetivo possível, buscando representar a realidade de modo
impessoal ou crítico, sempre afastando o olhar apaixonado dos objetos retratados.
Principais autores e obras do Realismo
O Realismo foi um movimento amplo e teve manifestações em diversas formas de
artes. Nesse sentido, vale a pena conhecer a obra dos seguintes artistas para
compreender melhor a estética realista:
Gustave Courbet;
Jean-François Millet;
Auguste Rodin;
Jean-Baptiste Camille Corot;
Francesco Hayez.
Realismo na Literatura
Para além da obra de Gustave Flaubert, autor do já citado Madame Bovary, vale a
pena conhecer outros autores europeus como:
Balzac;
Eça de Queirós;
Émile Zola;
Dostoiévski.
Realismo no Brasil
O Realismo é a escola literária que analisa a realidade. Tem origem na França e, no
Brasil, surge depois do Romantismo e antes do Simbolismo, compreendendo os
anos 1881 a 1893 - o mesmo período em que o Naturalismo e o Parnasianismo
também ocorreram.
Marcado pelo objetivismo, pela veracidade e pela denúncia social, o Realismo
brasileiro tem início com a obra de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás
Cubas”, publicada em 1881.
Contexto histórico do realismo no Brasil
Quando o Realismo surge no Brasil em 1881, o País passava pelo processo do
abolicionismo, um movimento que tinha surgido na Europa e promoveu o fim da
escravidão brasileira em 1888.
Na mesma altura, em 1889, ocorre a Proclamação da República.
É nesse cenário, influenciado pelo Positivismo, pelo Socialismo e pelo Marxismo,
que se desenvolvem ao longo dos anos 1800, que o Realismo surge no Brasil.
Características do realismo brasileiro
Inversão dos ideais do Romantismo;
Enfoque no homem e no seu cotidiano;
Crítica social;
Linguagem simples e objetiva;
Personagens e ambientes descritos de forma detalhada.
O Realismo no Brasil dá enfoque ao homem, ao seu cotidiano e à crítica social.
Assim, por meio de uma linguagem simples e objetiva, as obras são ricas na
descrição de detalhes - características que visam aproximar o leitor o mais possível
da realidade.
O Realismo em Portugal, por sua vez, tem enfoque no combate ao Romantismo e a
sua idealização da sociedade, bem como no ataque à burguesia, à monarquia e ao
clero.
Assim, tenta mostrar como a mentalidade romântica ilude as pessoas e como era
preciso dar espaço à ciência.
Obras do realismo brasileiro
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis (1881)
Clássico da literatura brasileira, Memórias Póstumas é a obra de maior destaque de
Machado de Assis, e aquela que inaugura o Realismo no Brasil.
Isso porque é uma obra ousada, a partir da qual tem início o processo de inversão
dos ideais românticos ao desmascarar interesses presentes nas relações sociais.
Dividida em 160 capítulos, começa com o relato da morte do seu narrador, Brás
Cubas, o “defunto autor”.
Dom Casmurro, de Machado de Assis (1899)
Outra incrível obra de Machado de Assim, Dom Casmurro trata da desconfiança na
relação conjugal, mais uma vez opondo-se aos ideais do romantismo.
Dom Casmurro apresenta-se em 148 capítulos, que não são suficientes para revelar
a dúvida quanto à traição de Capitu com Escobar. Capitu é o amor da vida do
narrador Bentinho, conhecido como “Dom Casmurro”; Escobar é o seu melhor
amigo.
Quincas Borba, Machado de Assis (1891)
É com Quincas Borba que se completa a trilogia realista de Machado de Assis, obra
em que o autor aborda a questão dos casamentos por interesse.
Composta por 201 capítulos curtos, o narrador da obra é onisciente e, por vezes,
chega a se comunicar com o leitor.
O Ateneu, de Raul Pompeia (1888)
Importante obra do realismo, ao mostrar a realidade de um colégio interno através
de descrições detalhadas, O Ateneu constitui uma crítica à sociedade.
O livro, inicialmente publicado em folhetins, é composto por 12 capítulos, e pode ser
considerado autobiográfico, uma vez que fala de uma realidade vivida pelo próprio
autor, que estudou num colégio interno.
Canções sem Metro, de Raul Pompeia (1900)
Canções sem Metro é uma prosa poética que inaugura o poema em prosa no Brasil.
Apesar do fato de dar início a esse tipo de expressão que conjuga os gêneros
literários prosa e poesia -, é uma obra que poucos conhecem e, inclusive, é vista por
alguns como um fracasso de Pompeia.
Os 2 autores brasileiros da escola realista
Machado de Assis (1839-1908)
Considerado um dos maiores escritores da Literatura Brasileira, Machado de Assis
foi também jornalista e crítico literário.
Figura singular, um dos fundadores e diretor da Academia Brasileira de Letras,
escreveu poesia, contos, crônicas, romances e teatro.
Marcada por temas sociais, críticas à burguesia e profunda análise psicológica dos
personagens, sua prosa é dividida em dois momentos: uma fase com a presença de
características românticas, e outra marcadamente realista.
Raul Pompeia (1863-1895)
Jornalista, escritor e orador brasileiro, Raul Pompeia publica seu primeiro romance,
Uma Tragédia no Amazonas, em 1880.
O grande destaque dessa fase é o seu romance intitulado O Ateneu (1888),
primeiramente publicado nos folhetins e posteriormente a obra completa.
Figura polêmica, envolveu-se na campanha abolicionista e nas causas republicanas.
Além disso, foi caluniado e afastado pelos amigos e, diante disso, suicidou-se no dia
25 de dezembro de 1895.
Aluísio Azevedo, Rodolfo Teófilo e Visconde de Taunay são realistas?
Machado e Pompeia são os autores em cujas obras as características do realismo
são marcantes. Além de ambos, no período realista Aluísio Azevedo, Rodolfo Teófilo
e Visconde de Taunay transportam em alguns trabalhos marcas realistas.
Aluísio Azevedo e Rodolfo Teófilo pertencem ao Naturalismo, o qual é considerado
por alguns estudiosos uma vertente do Realismo. Isso porque as duas escolas
literárias apresentam semelhanças - especialmente no que respeita à representação
da realidade e a inversão dos ideais do Romantismo.
Visconde de Taunay, por sua vez, pertence ao Romantismo. No entanto, sua obra
de maior destaque, Inocência, conjuga características românticas e realistas. Para
alguns críticos literários, Inocência, marca a transição do autor entre uma escola e
outra.
Realismo em Portugal
O Realismo em Portugal desenvolve-se nos últimos anos da década de 60 do
século XIX e tem como marco a Questão Coimbrã.
O movimento reflete o pensamento da elite intelectual do país insatisfeita com o
clero e a monarquia. É um período de agitação política, social e cultural que toma
conta de grandes centros educacionais, como em Coimbra.
A Escola Realista de Portugal estende-se até 1890, quando Eugênio de Castro
publica a obra "Oaristos", um livro de poesias que seguia o modelo simbolista
importado da França.
Questão Coimbrã
É o clima ideal para o desenvolvimento do movimento que ficou conhecido como
"Questão Coimbrã" (1865), quando se defrontam jovens estudantes de Coimbra que
estavam atentos às novas ideias vindas da Alemanha, França e Inglaterra.
Nos anos 70, os intelectuais que integravam o grupo de Coimbra promovem um clico
de palestras que ficou conhecido por "Conferências Democráticas do Casino
Lisbonense".
Entre os participantes do ciclo está o jovem Eça de Queiros, que estava alheio à
Questão Coimbrã, mas havia aderido ao novo pensamento realista.
Contexto Histórico
O Realismo é usado para denominar a reação aos ideais românticos que
caracterizaram a segunda metade do século XIX.
A Europa está na segunda fase da Revolução Industrial, conhece o desenvolvimento
do pensamento científico e das doutrinas filosóficas e sociais difundidas por Hegel,
Augusto Comte, Marx e Engels e o evolucionismo de Darwin.
Características
Objetivismo e Cientificismo
Materialismo e negação dos sentimentos
Reação à monarquia e ao clero
Preocupação com o presente
Principais Autores e Obras
Antero de Quental (1842 - 1891)
A produção poética de Antero de Quental é apresentada em três momentos, todos
ligados à trajetória de vida do autor.
As primeiras poesias são anteriores à Questão Coimbrã e ainda refletem o modelo
romântico. Já os poemas "Odes Modernas" são denominados como um marco em
sua obra e apontam uma fase de poesia revolucionária com forte influência do
movimento em Coimbra.
O livro mais revelador de Antero de Quental é "Os Sonetos", definidos pela crítica
literária como tecnicamente perfeitos e lógicos.
Eça de Queirós (1845 - 1900)
A fase realista de Eça de Queirós é marcada pela trilogia "Cenas da Vida
Portuguesa", com as obras "O Primo Basílio", "Os Maias" e "O Crime do Padre
Amaro".
Nas obras, o autor monta um painel da sociedade portuguesa e retrata os múltiplos
aspectos da vida cotidiana: a cidade provinciana, a influência do clero, a pequena e
a média burguesia de Lisboa, os intelectuais e a aristocracia.