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Noções de Direito Penal para Concursos

O documento apresenta um curso de Noções de Direito Penal, ministrado por Renan Araujo, com foco em teoria e exercícios práticos. Ele aborda conceitos fundamentais como crime, contravenção, e os elementos do fato típico, além de teorias sobre conduta. O curso é estruturado em aulas com acesso a videoaulas e um fórum de dúvidas para suporte aos alunos.

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Noções de Direito Penal para Concursos

O documento apresenta um curso de Noções de Direito Penal, ministrado por Renan Araujo, com foco em teoria e exercícios práticos. Ele aborda conceitos fundamentais como crime, contravenção, e os elementos do fato típico, além de teorias sobre conduta. O curso é estruturado em aulas com acesso a videoaulas e um fórum de dúvidas para suporte aos alunos.

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Aula 00

Prefeitura Marabá-PA/ GCM-Marabá-PA


(Guarda Municipal) Noções de Direito
Penal - 2024 (Pós-Edital)

Autor:
Renan Araujo

04 de Janeiro de 2025

02221544200 - elizeu neto souza saldanha


Renan Araujo
Aula 00

Índice
1) Apresentação Cursos Penal
..............................................................................................................................................................................................3

2) Conceito de Crime - Crime e Contravenção


..............................................................................................................................................................................................5

3) Fato Típico: Elementos e causas de exclusão


..............................................................................................................................................................................................7

4) Crime Doloso, Crime Culposo e Preterdolo


..............................................................................................................................................................................................
41

5) Crime consumado, tentado e impossível


..............................................................................................................................................................................................
51

6) Noções Iniciais sobre Ilicitude (Antijuridicidade)


..............................................................................................................................................................................................
66

7) Estado de Necessidade
..............................................................................................................................................................................................
68

8) Legítima Defesa
..............................................................................................................................................................................................
72

9) Outras Causas de Exclusão da Ilicitude


..............................................................................................................................................................................................
79

10) Erro de Tipo e Erro de Proibição


..............................................................................................................................................................................................
83

11) Erro Acidental


..............................................................................................................................................................................................
91

12) Questões Comentadas - Fato Típico - FGV


..............................................................................................................................................................................................
96

13) Questões Comentadas - Fato Típico - VUNESP


..............................................................................................................................................................................................
134

14) Questões Comentadas - Fato Típico - FCC


..............................................................................................................................................................................................
146

15) Questões Comentadas - Ilicitude - Multibancas


..............................................................................................................................................................................................
169

16) Questões Comentadas - Erro - Multibancas


..............................................................................................................................................................................................
203

17) Lista de Questões - Fato Típico - FGV


..............................................................................................................................................................................................
244

18) Lista de Questões - Fato Típico - VUNESP


..............................................................................................................................................................................................
265

19) Lista de Questões - Fato Típico - FCC


..............................................................................................................................................................................................
273

20) Lista de Questões - Ilicitude - Multibancas


..............................................................................................................................................................................................
286

21) Lista de Questões - Erro - Multibancas


..............................................................................................................................................................................................
305

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Renan Araujo
Aula 00

APRESENTAÇÃO
Olá, pessoal!

É com imenso prazer que estou aqui, mais uma vez, pelo ESTRATÉGIA CONCURSOS, tendo a oportunidade
de poder contribuir para a aprovação de vocês! Nós vamos estudar teoria e comentar muitos exercícios sobre
DIREITO PENAL!

E aí, preparados para a maratona?

Bom, está na hora de me apresentar a vocês, certo?


==28dc4f==

Meu nome é Renan Araujo, tenho 36 anos, sou Defensor Público Federal desde 2010, atuando na Defensoria
Pública da União no Rio de Janeiro, e mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da UERJ. Antes,
porém, fui servidor da Justiça Eleitoral (TRE-RJ), onde exerci o cargo de Técnico Judiciário, por dois anos.

Minha trajetória de vida está intimamente ligada aos Concursos Públicos. Desde o começo da Faculdade eu
sabia que era isso que eu queria para a minha vida! E querem saber? Isso faz toda a diferença! Algumas
pessoas me perguntam como consegui sucesso nos concursos em tão pouco tempo. Simples: Foco + Força
de vontade + Disciplina. Não há fórmula mágica, não há ingrediente secreto! Basta querer e correr atrás do
seu sonho! Acreditem em mim, isso funciona!

É muito gratificante, depois de ter vivido minha jornada de concurseiro, poder colaborar para a aprovação
de outros tantos concurseiros, como um dia eu fui! E quando eu falo em “colaborar para a aprovação”, não
estou falando apenas por falar. O Estratégia Concursos possui índices altíssimos de aprovação em todos os
concursos!

Nossas aulas serão disponibilizadas conforme o cronograma que consta na área do aluno. Em cada aula eu
trarei algumas questões que foram cobradas em concursos públicos, para fixarmos o entendimento sobre
a matéria.

Além da teoria e das questões, vocês terão acesso, ainda, ao fórum de dúvidas. Não entendeu alguma coisa?
Simples: basta perguntar ao professor Yuri Moraes, que é o mestre responsável pelo Fórum de Dúvidas,
exclusivo para os alunos do curso.

Além dos nossos livros digitais (PDFs), nosso curso também é formado por videoaulas. Nas videoaulas
iremos abordar os tópicos do edital com a profundidade necessária, a fim de que o aluno possa esclarecer
pontos mais complexos, fixar aqueles pontos mais relevantes, etc.

No mais, desejo a todos uma boa maratona de estudos!

Prof. Renan Araujo

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​ CONCEITO DE CRIME
O Crime é um fenômeno social, disso nenhum de vocês dúvida. Entretanto, como conceituar o
crime juridicamente?

Muito se buscou na Doutrina acerca disso, tendo surgido inúmeras posições a respeito. Vamos
tratar das principais.

O Crime pode ser entendido sob três aspectos: Material, legal e analítico.

Sob o aspecto material, crime é toda ação humana que lesa ou expõe a perigo um bem jurídico
de terceiro, que, por sua relevância, merece a proteção penal. Esse aspecto valoriza o crime
enquanto conteúdo, ou seja, busca identificar se a conduta é ou não apta a produzir uma lesão a
um bem jurídico penalmente tutelado.

Assim, se uma lei cria um tipo penal dizendo que é proibido chorar em público, essa lei não
estará criando uma hipótese de crime em seu sentido material, pois essa conduta nunca será
crime em sentido material, pois não produz qualquer lesão ou exposição de lesão a bem jurídico
de quem quer que seja. Assim, ainda que a lei diga que é crime, materialmente não o será.

Sob o aspecto legal, ou formal, crime é toda infração penal a que a lei comina pena de reclusão
ou detenção, nos termos do art. 1° da Lei de Introdução ao CP.1

Percebam que o conceito aqui é meramente legal. Se a lei cominar a uma conduta a pena de
detenção ou reclusão, cumulada ou alternativamente com a pena de multa, estaremos diante de
um crime.

Por outro lado, se a lei cominar a apenas prisão simples ou multa, alternativa ou
cumulativamente, estaremos diante de uma contravenção penal.

Esse aspecto consagra o sistema dicotômico adotado no Brasil, no qual existe um gênero, que é
a infração penal, e duas espécies, que são o crime e a contravenção penal.

Vejam que quando se diz “infração penal”, está se usando um termo genérico, que pode tanto
se referir a um “crime” ou a uma “contravenção penal”. O termo “delito”, no Brasil, é sinônimo
de crime.

O crime pode ser conceituado, ainda, sob um aspecto analítico, que o divide em partes, de
forma a estruturar seu conceito.

1
Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente,
quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; contravenção, a infração penal a que a lei comina,
isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas. alternativa ou cumulativamente.

1
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Primeiramente surgiu a teoria quadripartida do crime, que entendia que crime era todo fato
típico, ilícito, culpável e punível. Hoje é praticamente inexistente.

Depois, surgiram os defensores da teoria tripartida do crime, que entendiam que crime era o fato
típico, ilícito e culpável. Essa é a teoria que predomina no Brasil, embora haja muitos defensores
da terceira teoria.

A terceira e última teoria acerca do conceito analítico de crime entende que este é o fato típico e
ilícito, sendo a culpabilidade mero pressuposto de aplicação da pena. Ou seja, para esta
corrente, o conceito de crime é bipartido, bastando para sua caracterização que o fato seja típico
e ilícito.

As duas últimas correntes possuem defensores e argumentos de peso. Entretanto, a que


predomina ainda é a corrente tripartida. Portanto, na prova objetiva, recomendo que adotem
esta, a menos que a banca seja muito explícita e vocês entenderem que eles claramente são
==28dc4f==

adeptos da teoria bipartida, o que acho pouco provável.

Todos os três aspectos (material, legal e analítico) estão presentes no nosso sistema
jurídico-penal. De fato, uma conduta pode ser materialmente crime (furtar, por exemplo), mas
não o será se não houver previsão legal (não será legalmente crime). Poderá, ainda, ser
formalmente crime (no caso da lei que citei, que criminalizava a conduta de chorar em público),
mas não o será materialmente se não trouxer lesão ou ameaça a lesão de algum bem jurídico de
terceiro.

Esse último conceito de crime (sob o aspecto analítico), é o que vai nos fornecer os subsídios
para que possamos estudar os elementos do crime (Fato típico, ilicitude e culpabilidade).

O fato típico é o primeiro dos elementos do crime, sendo a tipicidade um de seus pressupostos.
Vamos estudá-lo, então!

2
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​ FATO TÍPICO E SEUS ELEMENTOS


O fato típico também se divide em elementos, são eles:

⇒ Conduta penalmente relevante

⇒ Resultado naturalístico

⇒ Nexo de causalidade

⇒ Tipicidade

11 Conduta

Três são as principais teorias1 que buscam explicar a conduta: Teoria causal-naturalística (ou
clássica), finalista e social.

Para a teoria causal-naturalística (ou causalista, ou naturalista, ou clássica), conduta é a ação


humana que provoca o resultado. Assim, basta que haja movimento corporal com alguma
voluntariedade para que exista conduta. Esta teoria está praticamente abandonada, pois entende
que não há necessidade de se analisar o conteúdo da vontade do agente nesse momento,
guardando esta análise (dolo ou culpa) para quando do estudo da culpabilidade.2

EXEMPLO: José, seguindo todas as regras de prudência no trânsito, dirige seu veículo.
Em determinado momento, José faz uma curva à direita e acaba atropelando Maria,
pessoa que de forma imprudente havia tentado atravessar a rua fora da faixa de
pedestres. Maria sofreu lesões corporais. José, nesse caso, com sua conduta, deu
causa às lesões em Maria. Para a teoria causalista, já haveria conduta penalmente
relevante por parte de José (independentemente de não ter havido dolo ou culpa).

1
Temos, ainda, outras teorias de menor relevância para fins de concurso, como a teoria funcionalista teleológica de
CLAUS ROXIN, segundo a qual a noção de “conduta” deve estar vinculada à função do Direito Penal (que é a de
proteção de bens jurídicos). Logo, conduta seria a ação ou omissão, dolosa ou culposa, que provoque (ou seja
destinada a provocar) uma ofensa relevante ao bem jurídico.

Há, ainda, o funcionalismo sistêmico (também chamado de radical), cujo principal expoente é JAKOBS. Para essa
teoria a conduta deve ser analisada com base na função que o Direito Penal cumpre no sistema social, mais
precisamente, a função de reafirmar a ordem violada pelo ato criminoso. Assim, para esta teoria, a conduta seria a
ação ou omissão, dolosa ou culposa, que viola o sistema e frustra a expectativa normativa (expectativa de que todos
cumpram a norma). Importa saber, portanto, se houve violação à norma, não importando se há alguma ofensa a bens
jurídicos.
2
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 287/288

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Assim, para a teoria causalista a conduta seria um simples processo físico, um processo
físico-causal, desprovido de qualquer análise valorativa quanto à finalidade do agente. A
finalidade seria objeto de análise na culpabilidade. Exatamente por isso, para os adeptos da
teoria causalista, o dolo e a culpa (elemento subjetivo do delito) seriam elementos da
culpabilidade.

Para a teoria finalista, que foi idealizada por Hans Welzel, a conduta humana é a ação (positiva ou
negativa) voluntária dirigida a uma determinada finalidade. Assim:

CONDUTA = Ação ou omissão voluntária dirigida a uma


determinada finalidade

O finalismo, portanto, rompeu com a concepção clássica e sua compreensão meramente


mecanicista da conduta. Com isso, o dolo e a culpa, elementos que até então eram objeto de
análise na culpabilidade (valoração da conduta do agente como uma “culpabilidade dolosa” ou
“culpabilidade culposa”), foram deslocados para dentro do fato típico, mais precisamente para
dentro da conduta, motivo pelo qual se fala hoje em conduta dolosa ou conduta culposa.

Vejam que a “vontade” a que se refere como elemento da conduta é uma vontade de
meramente praticar a conduta, ainda que o resultado que se pretendesse não fosse ilícito.
Quando a vontade (elemento da conduta) é dirigida ao fim criminoso, o crime é doloso. Quando
a vontade é dirigida a outro fim (que até pode ser criminoso, mas não aquele), poderemos estar
diante de um crime culposo.

Assim, podemos dizer que no crime doloso a finalidade da conduta do agente se dirige ao
resultado criminoso, ao passo que no crime culposo há conduta voluntária, mas não dirigida ao
fim criminoso, embora dirigida à causa desse resultado.

EXEMPLO 1: José quer matar Maria e joga seu veículo contra a vítima, matando-a por
atropelamento. Temos, aqui, uma conduta dolosa, eis que dirigida ao resultado
criminoso.

EXEMPLO 2: José, ao dirigir seu veículo de forma descuidada, acaba por atingir Maria,
vindo a provocar sua morte em razão do atropelamento. A conduta de José era
voluntária, mas a voluntariedade não tinha por finalidade alcançar o resultado
provocado. José agiu com voluntariedade no que tange a dirigir de forma descuidada
(que foi a causa do resultado). Vê-se, portanto, que mesmo no crime culposo a
conduta é voluntária, sendo involuntário o resultado.

Esta é a teoria adotada em nosso ordenamento jurídico.

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Vejamos os termos do art. 20 do CP3:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

Ora, se a lei prevê que o erro sobre um elemento do tipo exclui o dolo e a culpa, se inevitável,
ou somente o dolo, se evitável, é porque entende que estes elementos subjetivos estão no tipo
(fato típico), não na culpabilidade. Assim, a conduta penalmente relevante somente se verifica
diante da existência de um elemento subjetivo, seja ele o dolo ou a culpa, de forma que a
finalidade do agente deve ser compreendida como elemento da conduta e, portanto,
consagrada está a teoria finalista.

A grande evolução da teoria finalista, portanto, foi conceber a conduta como um “acontecimento
final”4, ou seja, somente há conduta quando o agir de alguém é dirigido a alguma finalidade (seja
ela lícita ou não).

Para terceira teoria, a teoria social, a conduta é a ação humana, voluntária e que é dotada de
alguma relevância social, ou seja, a conduta capaz de ser valorada como inadequada
socialmente, e, portanto, dotada de relevância jurídica.5

Há críticas a esta teoria, pois a relevância social não seria um elemento estruturante da conduta,
mas uma qualidade que esta poderia ou não possuir. Assim, a conduta que não fosse socialmente
relevante continuaria sendo conduta. Ademais, a teoria social da ação é criticada pela sua
absoluta imprecisão e por utilizar em sua concepção elementos estruturantes da antijuridicidade
(ilicitude).6

Como dito anteriormente, a conduta penalmente relevante é a ação ou omissão dirigida a


determinada finalidade. Logo, podemos ter conduta por meio de ação (conduta comissiva,
traduzida em “fazer alguma coisa”) e por meio de omissão (conduta omissiva, traduzida por “não
fazer alguma coisa”).

Analisaremos cada uma delas.

1.1 Conduta comissiva

Na conduta comissiva o agente “faz” alguma coisa, ou seja, trata-se da conduta por meio de uma
ação, um movimento corporal externo.7

3
DOTTI, René Ariel. Curso de Direito Penal, Parte Geral. 4. ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2012, p. 397
4
DOTTI, René Ariel. Curso de Direito Penal, Parte Geral. 4. ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2012, p. 396
5
DOTTI, René Ariel. Op. cit. p. 397
6
ROXIN, Claus. Derecho penal, parte general: Tomo I. Civitas. Madrid, 1997, p. 246/247
7
JESUS, Damásio. E. de. Direito Penal. Vol.1 – Parte Geral, 24º edição. São Paulo, Saraiva, 2001, p. 237

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EXEMPLO: José, desejando matar Maria, a agride com pauladas na cabeça, causando
sua morte. Nesse caso, temos um exemplo claro de conduta comissiva (fazer alguma
coisa).

A imensa maioria dos tipos penais traduz-se em crimes de conduta comissiva (ex.: homicídio,
furto, roubo, lesão corporal, etc.). Porém, mesmo nos casos em que o tipo penal exige do agente
uma conduta positiva (ação, conduta comissiva), é possível que alguém seja responsabilizado na
forma omissiva (são os chamados crimes comissivos por omissão, ou omissivos impuros, que
veremos adiante).

1.2 Conduta omissiva

Na conduta omissiva o crime é praticado mediante uma omissão, um “não fazer alguma coisa”.
O fundamento do crime omissivo reside no fato de que a norma penal pressupõe uma “ação
esperada”, ou seja, pune-se alguém por não ter feito alguma coisa porque se esperava que
tivesse feito. Adota-se, portanto, a teoria normativa no que tange à omissão, na medida em que
o relevante para o Direito não é a omissão em si mesma, mas a violação da norma mandamental
(pois se a norma pune a conduta de “não fazer” é porque havia um mandamento implícito para
“fazer”).

EXEMPLO: José, servidor público, por vingança, indevidamente deixa de expedir uma
certidão, com o fim de prejudicar Marcos, seu desafeto, que seria o beneficiado pela
expedição do documento.

Vemos, assim, que a conta de José foi a de “deixar de praticar o ato de ofício a que estava
obrigado”, configurando, assim, o crime de prevaricação (art. 319 do CP). Trata-se de uma
conduta omissiva.

Mas, a omissão de José, veja, só tem relevância jurídico-penal quando confrontada com a ação
esperada (que era a de expedir a certidão). Assim, o relevante na omissão é a “ausência de
realização da conduta esperada”.

O crime omissivo pode ser de duas ordens:

⇒ Crime omissivo próprio (ou puro)


⇒ Crime omissivo impróprio (ou impuro)

Nos crimes omissivos puros o agente se omite quando o tipo penal estabelece que a omissão,
naquelas circunstâncias, é a conduta que tipifica o delito. Ou seja, o tipo penal descreve uma
omissão típica:

EXEMPLO: Pedro passava por uma rua quando percebeu que Maria se encontrava
caída no chão, clamando por ajuda. Pedro até podia ajudar, sem que isso

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representasse qualquer risco para sua pessoa. Todavia, Pedro decidiu não prestar
socorro à Maria.

No exemplo anterior, Pedro se omitiu, deixando de prestar socorro a quem necessitava, mesmo
podendo fazer isso sem risco pessoal. Neste caso, Pedro praticou um crime omissivo próprio,
pois o art. 135 do CP criminaliza exatamente essa conduta. Vejamos:

Art. 135 - Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco
pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao
desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro
da autoridade pública:

Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.

Como se vê, o tipo penal estabelece que aquele que não fizer o que norma determina
responderá por aquele crime. Assim, no crime omissivo puro o agente simplesmente descumpre
a norma penal que impunha o dever de agir.

Nesse caso, é irrelevante avaliar se houve qualquer resultado (no exemplo, é irrelevante saber se
houve dano à vítima), pois o agente responde criminalmente pelo simples fato de ter violado a
norma penal, descumprindo o mandamento.

Nos crimes omissivos impuros, ou impróprios, também chamados de crimes comissivos por
omissão não há um tipo penal que estabeleça como crime uma conduta omissiva. Na verdade,
ao agente será imputado determinado tipo penal que descreve uma conduta comissiva (um
“fazer”), mas porque se omitiu quando tinha o dever legal de agir para evitar determinado
resultado, um dever específico, não imposto à generalidade das pessoas.

EXEMPLO: Maria é casada com José. Todavia, Maria possui uma filha de 11 anos de
idade, Joana, oriunda de seu casamento anterior. Certo dia, Maria descobre que José
está tendo relações sexuais com sua filha. Com receio de que José se separe dela,
Maria não adota nenhuma providência, ou seja, acompanha a situação sem nada fazer
para impedir que sua filha seja estuprada. Neste caso, Maria praticou um crime
omissivo impróprio. Isto porque Maria tinha o específico dever de proteção e cuidado
em relação à sua filha, de forma que tinha o dever de agir para impedir que a filha
fosse vítima daquele crime, ou seja, tinha o dever de agir para impedir a ocorrência do
resultado.

Maria, então, será responsabilizada pelo crime de estupro de vulnerável (que é um


crime que se pratica mediante ação, mediante um fazer alguma coisa). Trata-se,
portanto, de uma conduta omissiva imprópria, ou comissiva por omissão.

Veja que Maria não estuprou a própria filha, mas responde pelo crime de estupro de vulnerável
porque, na qualidade de garantidora (aquele que tem o dever legal de agir para evitar o

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resultado), deixou de agir e, por conta disso, sua omissão é considerada penalmente relevante, já
que o resultado poderia ter sido evitado caso tivesse cumprido seu dever de garantidora.

Logo, na omissão impura ou imprópria, o agente é responsabilizado por um tipo


comissivo, da mesma forma que aquele que pratica o referido tipo
comissivamente, não porque sua conduta tenha dado causa ao resultado (pois,
“do nada, nada surge”), mas porque essa omissão é juridicamente equiparada à
causação do resultado.

Se nos crimes omissivos puros a análise do resultado é irrelevante, porque o agente responde
simplesmente por ter se omitido, nos crimes omissivos impuros a análise do resultado é
penalmente relevante, pois o próprio resultado será imputado àquele que se omitiu.

Vamos a outro exemplo:

EXEMPLO: Maria, desejando matar seu filho Bruno, de apenas 07 meses, deixa de dar
alimentos ao bebê, de forma que o menino morre por inanição. Veja,
Naturalisticamente falando, Maria não matou o próprio filho, mas dolosamente deixou
de agir para evitar a morte. Porém, como Maria tem o dever de proteção e cuidado
em relação ao filho, sua omissão dolosa será juridicamente equiparada à causação do
resultado, de forma que Maria responderá por homicídio doloso consumado.

Portanto, para que alguém seja responsabilizado por determinado crime na modalidade
“comissivo por omissão”, é necessário que tenha se omitido quando, tendo o dever legal de
evitar o resultado, podia agir para evitá-lo.

Mas, quem tem o dever de agir? O art. 13, §2º do CP estabelece que:

Art. 13 (...) § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e


podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído


pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.


(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Resumidamente, o dever de agir abrange quem:

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⇒ Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância – A posição de garantidor


deriva da lei (ex.: pai, mãe, tutor, etc.). Ex.: O pai que leva seu filho de 04 anos à praia e,
de forma negligente, preocupa-se mais em conversar com os amigos, deixando a criança
sem vigilância, vindo esta a morrer afogada.
⇒ De alguma forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado – Aqui o agente,
embora não possuindo um dever legal de agir, colocou-se deliberadamente na posição de
garantidor, assumindo o encargo de evitar o resultado. Ex.: Maria conta à vizinha Joana
que precisa sair para fazer compras. Joana, então, se prontifica a cuidar de Bruno, filho de
Maria, criança com apenas 02 anos de idade. Joana, então, assumiu a posição de
garantidora, voluntariamente assumindo o encargo de tomar conta da criança até o
retorno da mãe.
⇒ Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado – Nessa
modalidade o agente, de alguma forma, pratica um fato que provoca o risco de ocorrência
do resultado, tendo, portanto, o dever de agir.

1.3 Conduta mista

Há crime de conduta mista quando o tipo penal descreve duas condutas necessárias para que
haja adequação típica, sendo uma delas positiva (uma ação) e outra negativa (uma omissão). Um
exemplo clássico é o art. 169, §único, II do CP:

Art. 169 – (...)

Parágrafo único - Na mesma pena incorre:

Apropriação de coisa achada

II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente,


deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à
autoridade competente, dentro no prazo de quinze dias.

Como se vê, há duas condutas, sendo a primeira delas uma ação (apropriar-se daquilo que
achou, conduta comissiva) e a segunda delas uma omissão (deixar de restituir ao dono ou
entregar à autoridade competente).

12 Resultado naturalístico

O resultado naturalístico é a modificação do mundo real provocada pela conduta do agente.8

Entretanto, apenas nos crimes chamados materiais se exige um resultado naturalístico para a
consumação do crime. Nos crimes formais e de mera conduta não há essa exigência.

Os crimes formais são aqueles nos quais o resultado naturalístico é previsto pelo tipo penal, mas
a sua ocorrência é irrelevante para a consumação do crime. Já os crimes de mera conduta são
8
BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 354

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aqueles em que não há um resultado naturalístico previsto no tipo penal. Vamos a um exemplo
de cada um dos três:

⇒ Crime material – Homicídio. Para que o homicídio seja consumado, é necessário que a
vítima venha a óbito (resultado naturalístico). Caso isso não ocorra, estaremos diante de
um homicídio tentado.
⇒ Crime formal – Extorsão (art. 158 do CP). Para que o crime de extorsão se consume não é
necessário que o agente obtenha a vantagem ilícita, bastando o constrangimento à vítima,
mediante violência ou grave ameaça, com o intuito de obter vantagem econômica
indevida. O recebimento de vantagem econômica indevida é o resultado naturalístico
previsto no tipo penal, mas a ocorrência desse resultado não é necessária para a
consumação.
⇒ Crime de mera conduta – Violação de domicílio. Nesse caso, a mera presença do agente,
indevidamente, no domicílio da vítima caracteriza o crime. Não há um resultado
naturalístico previsto para esse crime. O tipo penal descreve apenas a conduta do agente,
que é uma conduta violadora da norma penal, mas não descreve um resultado
naturalístico.

Além do resultado naturalístico (que nem sempre estará presente), há também o resultado
jurídico (ou normativo), que é a ofensa ao bem jurídico tutelado pela norma penal. Esse resultado
sempre estará presente!

EXEMPLO: Crime de concussão (quando o funcionário público exige vantagem


indevida em razão da função). No crime de concussão, o resultado jurídico é a ofensa
ao bem jurídico tutelado, que é a moralidade administrativa, a probidade
administrativa, etc. O resultado naturalístico é o recebimento da vantagem indevida.
Por se tratar de crime formal, a consumação do crime de concussão se dá com a
prática da conduta (“exigir vantagem indevida em razão da função”), ainda que o
resultado naturalístico não ocorra. Porém, o resultado jurídico estará presente, por
meio da ofensa aos valores protegidos pela norma (moralidade administrativa, a
probidade administrativa, etc.).

Assim, para a pergunta “Há crime sem resultado jurídico? ” a resposta é NÃO!9

9
Pelo princípio da ofensividade, não é possível haver crime sem resultado jurídico. BITENCOURT, Cezar Roberto.
Op. cit., p. 354

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13 Nexo de Causalidade

Nos termos do art. 13 do CP:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é


imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a
qual o resultado não teria ocorrido.

Assim, o nexo de causalidade pode ser entendido como o vínculo que une a conduta do agente
ao resultado naturalístico ocorrido no mundo exterior. Portanto, só se aplica aos crimes materiais!

Algumas teorias existem acerca do nexo de causalidade:

Teoria da equivalência dos antecedentes (ou teoria da conditio sine qua non) – Para esta teoria, é
considerada causa do crime toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
Assim, para se saber se uma conduta é ou não causa do crime, devemos retirá-la (mentalmente)
do curso dos acontecimentos e ver se, ainda assim, o crime ocorreria (processo hipotético de
eliminação de Thyrén).

EXEMPLO: Marcelo acorda de manhã, toma café (1), compra uma arma (2) e encontra
Júlio, seu desafeto, disparando três tiros contra ele (3), causando-lhe a morte.
Retirando-se do curso o café tomado por Marcelo (1), concluímos que o resultado teria
ocorrido do mesmo jeito. Entretanto, se retirarmos a compra da arma (2) do curso do
processo, o crime não teria ocorrido. Do ponto de vista meramente físico-causal,
portanto, os itens 2 e 3 são ações que podem ser consideradas como “causa” do
resultado.

O inconveniente claro desta teoria é que ela permite que se coloquem como causa situações
absurdas, como a venda da arma ou até mesmo o nascimento do agente, já que se os pais não
tivessem colocado a criança no mundo, o crime não teria acontecido. Naturalmente, isso não
pode ser admitido, de forma que é necessário limitar o alcance físico-natural da teoria da
equivalência dos antecedentes.

Assim, para solucionar o problema, criou-se outro filtro que é o elemento subjetivo. Logo, só
será considerada causa a conduta que é indispensável ao resultado e que foi praticada com dolo
ou culpa. Assim, no exemplo anterior, o vendedor da arma não seria responsabilizado, pois nada
mais fez que vender seu produto, não tendo a intenção (nem sequer imaginou) de ver a morte da
vítima. O vendedor da arma, portanto, contribuiu no processo causal (do ponto de vista
meramente natural ou físico), mas sua conduta não pode ser considerada causa, eis que não há
que se falar em dolo ou culpa de sua parte10.

10
A questão, modernamente, poderia ser solucionada, inclusive, pela compreensão da teoria da imputação objetiva,
na medida em que o vendedor da arma, se o fez dentro dos ditames legais, não criou nem aumentou um risco
proibido pelo Direito. Ou seja, o vendedor da arma, ao exercer sua função social esperada, apenas criou um risco
tolerado pelo Direito.

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Essa foi a teoria adotada pelo Código Penal, como regra.

Teoria da causalidade adequada – Trata-se de teoria também adotada pelo Código Penal,
porém, somente em uma hipótese muito específica11. Trata-se da hipótese de concausa
superveniente relativamente independente que, por si só, produz o resultado12. Como assim?
Vamos explicar desde o começo!

As concausas são circunstâncias que atuam paralelamente à conduta do agente em relação ao


resultado. As concausas podem ser: absolutamente independentes e relativamente
independentes.

As concausas absolutamente independentes são aquelas que não guardam relação com a
conduta do agente, e podem ser preexistentes (existiam antes da conduta), concomitantes
(surgiram durante a conduta) e supervenientes (surgiram após a conduta). Exemplos (vamos
analisar apenas a conduta de José, ok?):

EXEMPLO (1) José resolve matar Bruno, e dispara contra ele três tiros. Bruno é
alvejado pelos disparos, mas vem a falecer no hospital não em razão dos disparos, mas
por conta de uma comida envenenada, que ingerira horas antes dos disparos. Veja que
o envenenamento da vítima é uma concausa absolutamente independente dos
disparos de José, sendo anterior à conduta deste (concausa pré-existente).

__________________________________________________

EXEMPLO (2) José decide matar Bruno, e começa a disparar contra ele projéteis de
arma de fogo. Entretanto, durante a execução, o teto da casa de Bruno desaba sobre
ele, vindo a causar-lhe a morte. Aqui, a causa concomitante (queda do teto) não possui
qualquer relação com a conduta de José, ou seja, a conduta de José não foi
determinante para a queda do teto. Temos, então, uma concausa absolutamente
independente concomitante.

__________________________________________________

EXEMPLO (3) José decide matar Bruno, ministrando em sua bebida certa dose de
veneno. Entretanto, antes que o veneno faça efeito, Bruno vai para casa normalmente.
No caminho para casa, Bruno acaba sendo atingido por um raio, vindo a falecer em
razão disso. Perceba que o raio é uma concausa superveniente (veio depois)
absolutamente independente em relação à conduta de José.

__________________________________________________

11
Esta teoria, em sua concepção original, poderia ser utilizada para diversas outras situações. No nosso CP, porém,
foi adotada para a hipótese de concausa superveniente relativamente independente que, por si só, produz o
resultado.
12
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Parte Especial. 7º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015, p.
232/233

10

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Em todos estes casos, José NÃO responde pelo resultado ocorrido. Por qual motivo? Sua
conduta NÃO FOI a causa da morte (aplica-se a própria e já falada teoria da equivalência dos
antecedentes). Se suprimirmos a conduta de José nos três exemplos, o resultado morte ainda
assim teria ocorrido da mesma forma. Logo, a conduta dele NÃO é considerada causa.

Ah, então o agente não pratica crime algum? Naturalmente que pratica. O agente responderá,
nos três exemplos citados, por homicídio doloso tentado. Ou seja, o evento morte não será
imputado ao agente, respondendo o infrator pelo crime na forma tentada.

Entretanto, pode ocorrer de a concausa ter alguma relação com a conduta do agente, ou seja,
esse outro evento que se insere no processo causal (concausa) não é considerado
completamente dissociado da conduta do agente. Essas são as chamadas concausas
relativamente independentes, que também podem ser preexistentes, concomitantes ou
supervenientes.

Mais uma vez, vou dar um exemplo de cada uma das três e explicar quais os efeitos
jurídico-penais em relação ao agente. Primeiro começarei pelas preexistentes e concomitantes.
Após, falarei especificamente sobre as supervenientes.

EXEMPLO (1) Caio decide matar Maria, desferindo contra ela golpes de facão,
causando-lhe a morte. Entretanto, Maria era hemofílica (condição conhecida por Caio),
tendo a doença contribuído em grande parte para seu óbito. Nesse caso, embora a
doença (concausa preexistente) tenha contribuído para o óbito, Caio responde por
homicídio consumado. Por qual motivo? Sua conduta FOI a causa da morte (aplica-se
a própria e já falada teoria da equivalência dos antecedentes). Se suprimirmos a
conduta de Caio, o resultado teria ocorrido? Não. Caio teve a intenção de produzir o
resultado? Sim. Logo, responde pelo resultado (homicídio consumado).

___________________________________________________

EXEMPLO (2) Pedro resolve matar João, e coloca em seu drink determinada dose de
veneno. Ao mesmo tempo, Ricardo faz a mesma coisa. Pedro e Ricardo querem a
mesa coisa, mas não se conhecem nem sabem da conduta um do outro. João ingere a
bebida e acaba falecendo. A perícia comprova que qualquer das doses de veneno,
isoladamente, não seria capaz de produzir o resultado. Porém, a soma de esforços de
ambas (a soma das quantidades de veneno) produziu o resultado. Assim, Pedro
responde por homicídio consumado (João também, claro).

11

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Por qual motivo Pedro (que é quem nos interessa aqui) o resultado morte será imputado a
Pedro? Sua conduta FOI a causa da morte (aplica-se a própria e já falada teoria da equivalência
dos antecedentes). Se suprimirmos a conduta de Pedro, o resultado teria ocorrido? Não. Pedro
teve a intenção de produzir o resultado? Sim. Logo, responde pelo resultado (homicídio
consumado).

Até aqui nós conseguimos resolver todos os casos pela teoria da equivalência dos antecedentes,
da seguinte forma:

⇒ Nas concausas absolutamente independentes – Em todos os casos a conduta do agente


não contribuiu para o resultado. Logo, pelo juízo hipótese de eliminação, a conduta do
agente não foi causa. Portanto, não responde pelo resultado.
⇒ Nas concausas relativamente independentes (preexistentes e concomitantes) – Em todos
os casos a conduta do agente contribuiu para o resultado. Logo, pelo juízo hipótese de
eliminação, a conduta do agente foi causa. Portanto, responde pelo resultado.

Agora é que a coisa complica um pouco.

No caso das concausas supervenientes relativamente independentes, podem acontecer duas


coisas:

▪ A causa superveniente produz por si só o resultado


▪ A causa superveniente se agrega ao desdobramento natural da conduta do agente e
ajuda a produzir o resultado.

EXEMPLO (1) - Pedro resolve matar João, e dispara 25 tiros contra ele, usando seu
fuzil. João fica estirado no chão, é socorrido por uma ambulância e, no caminho para o
Hospital, sofre um acidente de carro (a ambulância bate de frente com uma carreta) e
vem a morrer em razão do acidente, não dos ferimentos causados por Pedro.

Nesse caso, Pedro responde apenas por tentativa de homicídio.

Por qual motivo? Sua conduta não foi a causa da morte. Mas, se suprimirmos a conduta de
Pedro, o resultado teria ocorrido? Não. Pedro teve a intenção de produzir o resultado? Sim.

Então por que não responde pelo resultado??

Porque aqui o CP adotou a teoria da causalidade adequada. A causa superveniente (acidente de


trânsito) produziu por si só o resultado, já que o acidente de ambulância não é o desdobramento
12

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natural de um disparo de arma de fogo (esse resultado não é consequência natural e previsível da
conduta do agente13).

Perceba que a concausa superveniente (acidente de carro), apesar de produzir sozinha o


resultado, não é absolutamente independente, pois se não fosse a conduta de Pedro, o acidente
não teria ocorrido (já que a vítima não estaria na ambulância).

Por isso dizemos que, aqui, temos:

▪ Concausa superveniente relativamente independente – O evento superveniente (acidente


de ambulância) não é completamente desconectado da conduta do infrator, tendo com
ele alguma relação.
▪ Que por si só produziu o resultado – Apesar disso, a conduta de Pedro foi relevante
apenas por criar a situação, mas não foi a responsável efetiva pela morte. Ou seja, a
conduta de Pedro, de fato, contribuiu de alguma forma no processo causal, sendo uma
condição sem a qual não teria havido o acidente. Mas, do ponto de vista do resultado
(morte) ocorrido, o que efetivamente o produziu foi o acidente, não a conduta de Pedro.

EXEMPLO (2) - No mesmo exemplo anterior, João é socorrido e chegando ao


Hospital, é submetido a uma cirurgia. Durante a cirurgia, o ferimento infecciona e João
morre por infecção. Nesse caso, a causa superveniente (infecção hospitalar) não
produziu por si só o resultado, tendo se agregado aos ferimentos para causar a morte
de João. Nesse caso, Pedro responde por homicídio consumado.

Mas qual a diferença entre o exemplo (1) e o exemplo (2)? A diferença básica reside no fato de
que:

⇒ No exemplo (1) – A conduta do agente é relevante em apenas um momento: por criar a


situação (necessidade de ser transportado pela ambulância).
⇒ No exemplo (2) - A conduta do agente é relevante em dois momentos: (a) cria a situação,
ao fazer com que a vítima tenha que ser operada; (b) contribui para o próprio resultado (já
que a infecção do ferimento não é um novo nexo causal).

Teoria da imputação objetiva – A teoria da imputação objetiva, que foi melhor desenvolvida por
Roxin14, tem por finalidade ser uma teoria mais completa em relação ao nexo de causalidade, em
contraposição às "vigentes" teoria da equivalência das condições e teoria da causalidade
adequada.

Para a teoria da imputação objetiva, a imputação só poderia ocorrer quando o agente tivesse
dado causa ao fato (causalidade física) mas, ao mesmo tempo, houvesse uma relação de

13
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Ed. Saraiva, 21º edição. São Paulo, 2015, p.
324/325
14
ROXIN, Claus. Derecho penal, parte general: Tomo I. Civitas. Madrid, 1997, p. 362/411

13

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causalidade normativa, assim compreendida como a criação ou aumento de um risco não


permitido para o bem jurídico que se pretende tutelar. Para esta teoria, a conduta deve:

a. Criar ou aumentar um risco – Assim, se a conduta do agente não aumentou nem criou um
risco, não há crime15. Exemplo clássico: José conversa com Paulo na calçada. Pedro,
inimigo de Paulo, atira um vaso de planta do 10º andar, com a finalidade de matar Paulo.
José vê que o vaso irá cair sobre a cabeça de Paulo e o empurra. Paulo cai no chão e
fratura levemente o braço. Neste caso, José deu causa (causalidade física) às lesões
corporais sofridas por Paulo. Contudo, sua conduta não criou nem aumentou um risco. Ao
contrário, José diminuiu um risco, ao evitar a morte de Paulo.
b. Risco deve ser proibido pelo Direito – Aquele que cria um risco de lesão para alguém, em
tese não comete crime, a menos que esse risco seja proibido pelo Direito. Assim, o filho
que manda os pais em viagem para a Europa, na intenção de que o avião caia, os pais
morram, e ele receba a herança, não comete crime, pois o risco por ele criado não é
proibido pelo Direito.
c. Risco deve ser criado no resultado (levando-se em conta o alcance de proteção da norma
violada) – Assim, um crime não pode ser imputado àquele que não criou o risco para
aquela ocorrência. Explico: Imaginem que José ateia fogo na casa de Maria. José causou
um risco, não permitido pelo Direito. Deve responder pelo crime de incêndio doloso, art.
250 do CP. Entretanto, Maria invade a casa em chamas para resgatar a única foto que
restou de seu filho falecido, sendo lambida pelo fogo, vindo a falecer. Nesse caso, José
não responde pelo crime de homicídio, pois o risco por ele criado não se insere nesse
resultado, que foi provocado pela conduta exclusiva de Maria. A morte de Maria é um
resultado indireto não imputável a José, configurando-se como situação de autocolocação
dolosa em perigo (Maria se colocou por conta própria em perigo).

E como funciona a causalidade nos crimes omissivos?

Nos crimes omissivos puros não há que se falar em resultado naturalístico, eis que este não deriva
da conduta do agente, que é punido pelo mero descumprimento da norma mandamental, ou
seja, é punido apenas pela simples conduta de “não fazer”, independentemente de qualquer
resultado naturalístico. Logo, não há propriamente nexo causal objetivo, mas mero nexo
normativo (nexo entre a conduta e a violação da norma).

No caso dos crimes omissivos impuros (ou omissivos impróprios ou comissivos por omissão),
porém, há um resultado naturalístico imputado ao agente. Mas, como se sabe, obviamente não
foi a omissão do garantidor que deu causa (fisicamente falando) ao resultado. Portanto, não há
uma causalidade natural entre a omissão e o resultado (por razões óbvias). O resultado
naturalístico, portanto, é imputável ao agente por meio de um raciocínio de equivalência (“não
impedir o resultado” é juridicamente equiparado a “produzir o resultado”), no que se
convencionou chamar de nexo de causalidade normativa.

15
ROXIN, Claus. Op. cit., p. 365

14

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Porém, para que tal resultado naturalístico possa ser imputado ao garantidor que se omitiu, é
necessário que ele tenha podido, nas circunstâncias, agir para evitar o resultado. Mais que isso: é
necessário um juízo hipotético, ou seja, deve-se demonstrar que, se caso praticada a conduta
omitida, o resultado não teria ocorrido. Ou seja, fala-se aqui num nexo de evitação, buscando
identificar, com certo grau de probabilidade, que o resultado não teria ocorrido caso a conduta
devida tivesse sido efetivamente realizada pelo agente.

14 Tipicidade

4.1 Tipicidade formal

A tipicidade pode ser de duas ordens: tipicidade formal e tipicidade material.


==28dc4f==

A tipicidade formal nada mais é que a adequação da conduta do agente a uma previsão típica
(norma penal que prevê o fato e lhe descreve como crime). Assim, o tipo do art. 121 é: “matar
alguém”. Portanto, quando Marcio esfaqueia Luiz e o mata, está cometendo fato típico
(tipicidade formal), pois está praticando uma conduta que encontra previsão como tipo penal.

Não há muito o que se falar acerca da tipicidade formal. Basta que o intérprete proceda ao
cotejo entre a conduta praticada no caso concreto e a conduta prevista na Lei Penal (subsunção).
Se a conduta praticada se amoldar àquela prevista na Lei Penal, o fato será típico, ou seja, haverá
adequação típica, por estar presente o elemento “tipicidade”.

CUIDADO! Nem sempre a conduta praticada pelo agente se amolda perfeitamente ao tipo penal
(adequação imediata). Às vezes é necessário que se proceda à análise de outro dispositivo da Lei
Penal para se chegar à conclusão de que um fato é típico (adequação mediata).

EXEMPLO: Imaginem que Abreu (El Loco) dispara contra Adriano (El Imperador), que
não morre. Nesse caso, como dizer que Abreu praticou fato típico (homicídio tentado),
se o art. 121 diz “matar” alguém, o que não ocorreu? Nessa hipótese, conjuga-se o
art. 121 do CP com seu art. 14, II, que diz ser o crime punível na modalidade tentada.

Assim, a adequação típica pode ser:

15

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⇒ Imediata (direta) – Conduta do agente é exatamente aquela descrita na norma penal


incriminadora. Ex.: José atira em Maria, querendo sua morte, e Maria morre. Há
adequação típica imediata ao tipo penal do art. 121 do CP.
⇒ Mediata (indireta) – A conduta do agente não corresponde exatamente ao que diz o
tipo penal, sendo necessária uma norma de extensão. Ex.: Paulo empresta a arma
para que José mate Maria, o que efetivamente ocorre. Paulo não praticou a conduta
de “matar alguém”, logo, a adequação típica depende do art. 29 do CP (que
determina que os partícipes respondam pelo crime). Assim: art. 121 + art. 29 do CP.

4.2 Tipicidade material

Por fim, temos ainda a tipicidade material, que é a ocorrência de uma ofensa (lesão ou exposição
a risco) significativa ao bem jurídico.

Assim, não haverá tipicidade material quando a conduta, apesar de formalmente típica (prevista
na Lei como crime), não for capaz de afetar significativamente o bem jurídico protegido pela
norma. Um exemplo disso ocorre nas hipóteses em que há aplicação do princípio da
insignificância.

EXEMPLO: José subtrai uma folha de papel em branco, pertencente à escola em que
o filho estuda. Neste caso, a conduta é formalmente típica (está prevista na Lei como
crime de furto). Todavia, não há tipicidade material, já que não é uma conduta capaz
de ofender significativamente o bem jurídico protegido pela norma (o patrimônio da
escola).

4.3 Tipicidade conglobante

A teoria da tipicidade conglobante, desenvolvida por Zaffaroni16, sustenta que a tipicidade


comporta não apenas a existência de um aspecto proibitivo, mas a inexistência, no mesmo
ordenamento jurídico, de normas que permitam ou ordenem a prática da mesma conduta, por
uma questão de coerência sistêmica.

Para esta teoria, um fato nunca poderá ser considerado típico quando sua prática for tolerada ou
determinada pelo sistema jurídico. Assim, os adeptos de tal teoria sustentam que o conceito de
conduta típica não pode ser obtido pela análise apenas da subsunção da conduta ao tipo penal
incriminador, mas dependeria de uma análise mais ampla, que levasse em consideração outras
normas jurídicas.

Desta forma, se uma conduta, embora corresponda a um tipo penal incriminador, é praticada
porque ordenada pelo ordenamento jurídico (estrito cumprimento do dever legal) ou é praticada
porque se trata do exercício regular de um direito do agente (exercício regular de Direito), jamais
poderá ser considerada como fato típico, já que embora presente uma tipicidade formal
(baseada apenas na adequação ao tipo), não haverá tipicidade conglobante (que analisa o
ordenamento jurídico como um todo).
16
Eugénio Raul Zaffaroni, doutrinador argentino.

16

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EXEMPLO: José, oficial de Justiça, cumprindo um mandado de reintegração de posse,


entra na residência de Caio, contra a vontade do morador, tendo que arrombar a porta
para tanto, o que danifica a fechadura. Veja que, para a Doutrina tradicional, a conduta
de José é típica, mas não haverá ilicitude (antijuridicidade), pois se entende que o
estrito cumprimento do dever legal é uma excludente de ilicitude. Porém, para a teoria
da tipicidade conglobante a conduta de José não poderia sequer ser considerada
típica, já que se trata da prática de uma conduta ordenada pelo Direito.

Para fins de prova, deve-se responder sempre com base na Doutrina clássica (no exemplo acima,
haveria fato típico, mas não ilicitude). Somente se deve responder com base na teoria da
tipicidade conglobante se for este o comando da questão.

4.4 Conceito e espécies de tipo penal

Tipo penal é o modelo abstrato de comportamento proibido ou permitido previsto na Lei penal.
Com base nisso, podemos concluir pela existência de:

Tipos penais incriminadores – São aqueles que estabelecem um padrão de conduta considerada
criminosa (ex.: furto, roubo, homicídio, extorsão). Vejamos:

Art. 121. Matar alguém:

Pena - reclusão, de seis a vinte anos.

Como se vê, o art. 121 traz um modelo abstrato de comportamento considerado proibido
(preceito penal primário), estabelecendo a sanção penal correspondente (preceito penal
secundário).

Tipos penais permissivos – São aqueles que estabelecem um padrão de conduta permitida pelo
Direito. Ex.: Art. 25 (legítima defesa):

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

Como se vê, o padrão de comportamento descrito no art. 25 (agir para repelir injusta agressão,
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, usando moderadamente dos meios necessários)
configura uma conduta permitida pelo Direito, motivo pelo qual o art. 25 traz o que se chama de
“tipo permissivo”.

Na hora da prova, quando você encontrar a expressão “tipo penal” certamente a Banca estará se
referindo ao tipo penal incriminador, embora o correto fosse especificar. Porém, fica o registro.

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Fala-se, ainda, em tipo penal mandamental, mas esse nada mais é que um tipo penal
incriminador que descreve uma conduta omissiva, ou seja, ao descrever a omissão típica, a
omissão considerada criminosa, o tipo penal estaria estabelecendo um mandamento ao
indivíduo, para que ela faça alguma coisa, e omissão em fazer aquilo que dele se espera
configura crime. Ex.: Omissão de socorro (art. 135 do CP). Como se vê, portanto, o tipo
mandamental acaba sendo um tipo penal incriminador.

4.5 Elementos do tipo penal

O tipo penal é composto por alguns elementos, sendo eles os elementos objetivos, normativos e
subjetivos. Os dois primeiros (elementos objetivos e normativos) formam o que se chama de tipo
penal objetivo, a conduta que, uma vez materializada, configura o delito. Os elementos
subjetivos formam o tipo subjetivo.

Primeiramente temos os elementos objetivos (ou descritivos), que são aqueles que podem ser
compreendidos pela simples constatação da realidade fática, sem que seja necessário um juízo
de valor por parte do intérprete. Temos como exemplos de elementos objetivos ou descritivos as
expressões “matar” e “alguém”, que são encontradas no tipo penal do homicídio. Qualquer
pessoa é capaz de compreender o alcance de tais expressões, sendo que “matar“ corresponde a
tirar a vida e “alguém” se refere a um ser humano vivo.

Temos ainda os elementos normativos, que são aqueles que demandam do intérprete um juízo
de valor, uma análise valorativa acerca da expressão, e podem se referir a termos jurídicos
(“documento”, “funcionário público”, etc.) ou extrajurídicos (“moléstia grave”, “moléstia
venérea”, “decoro”, etc.). Podem, ainda, fazer referência ao que se chama de “antijuridicidade
típica”, situações em que se exige do agente, para fins de tipificação da conduta, que o fato seja
praticado em contrariedade às normas, como ocorre com as expressões “indevidamente”, “sem
justa causa”, fora dos casos previstos em lei”, etc., que são expressões que indicam uma
antinormatividade necessária para que o fato típico se verifique.

Por fim, há os elementos subjetivos, que são aqueles relacionados ao animus do agente, ou seja,
sua relação anímica no que tange à conduta. O dolo ou a culpa sempre serão necessários para a
configuração de um delito, de forma que todo crime deverá ter algum elemento subjetivo, seja
ele o dolo, seja ele a culpa. Porém, é possível que o tipo penal estabeleça a necessidade de um
elemento subjetivo específico do tipo, uma intenção especial que norteia a conduta do agente. É
o que se verifica nas expressões “com o fim de”, “com o intuito de“, “para o fim de”, etc.

Vejamos o seguinte exemplo:

Art. 313-A. Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos,


alterar ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados ou
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bancos de dados da Administração Pública com o fim de obter vantagem indevida


para si ou para outrem ou para causar dano: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de
2000)

No dispositivo acima, que trata do crime de “inserção de dados falsos em sistema de


informações”, também conhecido como “peculato eletrônico” (embora este nome seja
terrivelmente equivocado), os elementos grifados em negrito (“funcionário autorizado”,
“indevidamente” e “administração pública”) podem ser considerados elementos normativos do
tipo, pois é necessário um juízo de valor para se extrair o real sentido de tais expressões. Já o
que está grifado de forma sublinhada pode ser considerado um elemento subjetivo do tipo, mais
precisamente um elemento subjetivo específico do tipo penal, ou seja, a finalidade especial que
deve nortear a conduta do agente que pratica a conduta.

4.6 Funções do tipo penal

O tipo penal desempenha algumas funções no sistema jurídico-penal. A classificação delas varia
de autor para autor, mas é possível identificar as principais funções reconhecidas pela Doutrina,
conforme veremos a seguir.

Primeiramente, a Doutrina cita a função garantidora, ou função de garantia. O tipo penal


representa um garantia para o cidadão, pois o tipo penal, como modelo abstrato que descreve o
comportamento proibido, limita o alcance da proibição penal, de forma que, ao descrever a
conduta proibida, está permitindo tudo aquilo que não estiver expressamente previsto no tipo
penal. Trata-se de uma garantia porque o cidadão passa a saber que se a conduta X não está
prevista no tipo penal, significa que não está abrangida pela criminalização, sendo permitida sua
prática, o que confere segurança jurídica aos indivíduos.

Há, ainda, uma função fundamentadora e limitadora, na medida em que o tipo penal fundamenta
o poder punitivo do Estado (o Estado somente pode punir o indivíduo porque a conduta
praticada corresponde ao tipo penal) e ao mesmo tempo limita o poder punitivo do Estado, que
não poderá exercer seu ius puniendi fora das hipóteses legais.

Existe ainda uma função seletiva desempenhada pelo tipo penal, pois quando o tipo penal
descreve determinada conduta como sendo proibida e, portanto, criminosa, está elegendo um
bem jurídico para proteger (até porque a função do Direito Penal deve ser a de exclusiva
proteção de bens jurídicos), seja ele a vida, a saúde, o patrimônio, a honra, etc., de forma que o
tipo penal serve para selecionar os bens jurídicos que serão objeto de proteção pelo Direito
Penal.

Fala-se, ainda, numa “função diferenciadora do erro”, pois o tipo penal, ao descrever de forma
adequada e pormenorizada a conduta criminalizada, com todos os seus elementos estruturantes,
serve como parâmetro para que se possa definir se houve erro sobre elemento do tipo. O dolo
do agente deve abranger todos os elementos da figura típica e, havendo desconhecimento sobre
qualquer destes elementos, haverá erro de tipo.

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Por fim, mas não menos importante, o tipo penal exerce uma função indiciária. A função indiciária
se refere à relação entre tipicidade e ilicitude. O tipo penal não representa uma certeza de
ilicitude, mas por representar um modelo de comportamento proibido pela norma penal, dá
indícios de ilicitude. Ou seja, quando alguém pratica uma conduta típica isso gera uma presunção
de ilicitude, ou seja, uma presunção relativa de que tal conduta é contrária ao Direito, já que, se é
uma conduta prevista como crime na Lei, provavelmente não era lícito ao agente praticá-la.
Contudo, a tipicidade não pode ser tida como certeza da ilicitude, pois pode ser que o fato
tenha sido praticado sob o amparo de alguma causa de exclusão da ilicitude (ex.: legítima
defesa), hipótese na qual não haverá ilicitude, embora a conduta seja típica.

Diz-se, portanto, que o CP adota a teoria da indiciariedade na relação entre tipicidade e ilicitude,
também chamada de teoria do tipo penal indiciário ou teoria da ratio cognoscendi (MAYER,
1915).

EXEMPLO: José, dolosamente, matou Maria. Se eu digo isso a você, você tem certeza
de que se trata de um fato típico, e é razoável presumir que seja um fato também
ilícito (já que a princípio não é lícito às pessoas saírem por aí matando umas as outras).
Porém, essa presunção relativa de ilicitude pode ser afastada caso fique comprovado
que José agiu amparado por alguma causa de exclusão da ilicitude, como por
exemplo a legítima defesa.

4.7 Classificação dos tipos penais

Os tipos penais podem ser classificados em:

⇒ Tipos congruentes (simétricos) e tipos incongruentes (assimétricos)


⇒ Tipos fechados e tipos abertos
⇒ Tipos simples e tipos mistos (alternativos ou cumulativos)
⇒ Tipos fundamentais e tipos derivados

Os tipos congruentes são aqueles em que há perfeita correlação entre a conduta objetivamente
considerada (tipo objetivo) e a intenção do agente (tipo subjetivo). Ex.: Homicídio doloso
consumado. No homicídio doloso consumado, o que se exige para a configuração do delito em
sua forma objetiva (“matar alguém”) corresponde exatamente à intenção do agente. Já nos tipos
incongruentes existe uma diferença entre o tipo subjetivo e o tipo objetivo, ou seja, o que se
exige que aconteça no plano material (tipo objetivo) é diferente do que se exige como intenção
do agente (tipo subjetivo). Ex.: Extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP). Na extorsão
mediante sequestro, o agente deve sequestrar dolosamente alguém, com o fim de exigir
pagamento pelo resgate. Apesar de se exigir do agente essa intenção específica, o efetivo
recebimento do resgate não é necessário para a consumação do delito, de forma que se o
agente não consegue obter seu intento, ainda assim o crime estará consumado. Há, portanto,
uma discrepância entre o que se exige como intenção (tipo subjetivo) e o que se exige no plano
material (tipo objetivo).

Temos ainda a classificação em tipos fechados e tipos abertos. Nos tipos fechados há a descrição
completa da conduta criminalizada, com todos os seus elementos caracterizadores (ex.:
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homicídio, furto, roubo). Já nos tipos abertos o tipo penal não descreve de forma adequada a
conduta que deve ser praticada pelo agente, seja porque usa expressões vagas ou imprecisas,
seja porque tal delimitação não é possível. Ex.: tipos penais culposos. Os tipos penais culposos,
como regra, são tipos abertos, pois o tipo penal não descreve como a conduta culposa deve ser
praticada, não descreve a negligência, imprudência ou imperícia, limitando-se a estabelecer que
haverá punição se o resultado for obtido a título de culpa.

Os tipos penais simples, por sua vez, são aqueles que possuem apenas uma conduta
criminalizada em seu bojo, ou seja, trazem apenas um verbo definidor de conduta criminosa. Ex.:
Homicídio (art. 121 do CP), em que há apenas uma conduta: “matar alguém”; furto (art. 155 do
CP), em que a conduta é “subtrair coisa alheia móvel”. Já nos tipos penais mistos, o tipo penal
descreve mais de uma conduta que pode caracterizar o delito (há uma pluralidade de verbos que
traduzem condutas criminalizadas). Os tipos penais mistos podem ser alternativos ou cumulativos:

Tipos mistos alternativos – Nestes, apesar de haver uma pluralidade de condutas configuradoras
do delito, a prática de mais de uma delas, no mesmo contexto, configura um só crime, e não
pluralidade de crimes. Ex.: Tráfico ilícito de entorpecentes (art. 33 da Lei de Drogas). Vejamos:

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor
à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever,
ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Perceba que existem diversas condutas possíveis (“importar, vender, ter em depósito”, etc.).
Qualquer uma delas já configura o crime em questão. Porém, se um mesmo agente, num mesmo
contexto, praticar mais de uma das condutas, haverá apenas um crime de tráfico ilícito de
entorpecentes, e não vários.

EXEMPLO: José importou 10 kg de cocaína. Após, dirigiu-se ao local onde a droga


seria entregue e pegou a droga, transportando-a a para sua casa, onde manteve em
depósito por 03 meses. Após esse período, vendeu a droga a outra pessoa. Veja que
José praticou 04 das condutas possíveis (importar, transportar, ter em depósito e
vender), mas haverá um único crime de tráfico ilícito de entorpecentes.

Tipos mistos cumulativos – Já nos tipos mistos cumulativos a prática de mais de uma das
condutas previstas no tipo não irá configurar um único crime, mas pluralidade de crimes. Ou seja,
o agente responderá por tantos crimes quantas forem as condutas praticadas. Ex.: art. 198 do CP.

Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta

Art. 198 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a celebrar


contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem
matéria-prima ou produto industrial ou agrícola:

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Pena - detenção, de um mês a um ano, e multa, além da pena correspondente à


violência.

No tipo penal acima, se houver a prática de mais de uma das condutas, haverá mais de um crime.

EXEMPLO: José, mediante grave ameaça, obrigou o agricultor Pedro a celebrar com
ele contrato de trabalho, bem como obrigou Pedro a não fornecer seus produtos
agrícolas a Marcelo. Nesse caso, José praticou duas das condutas previstas no tipo e
responderá por dois crimes.

Temos, por fim, a classificação em tipos fundamentais e tipos derivados. Os tipos fundamentais
são aqueles que apresentam a conduta criminosa em sua forma simples, sua forma básica, e
geralmente17 estão previstos no caput, na cabeça do artigo. Ex.: furto simples (art. 155, caput, do
CP); homicídio simples (art. 121, caput, do CP). Já os tipos derivados são aqueles que (como o
nome já diz) derivam de outro tipo penal, apresentando uma forma diferente do mesmo crime,
podendo ser qualificados, privilegiados ou formas equiparadas. Ex.: Furto qualificado pelo
emprego de chave falsa (art. 155, §4º, III do CP); Homicídio qualificado (art. 121, §2º do CP);
Favorecimento pessoal em sua forma privilegiada (art. 348, §1º do CP).

​ CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES


A Doutrina penal, ao longo das décadas, buscou classificar os crimes de acordo com algumas
características (necessidade de ocorrência do resultado naturalístico, exigência de uma condição
especial do infrator, momento consumativo, etc.).

Essas classificações são relevantes? Algumas sim, outras nem tanto, e algumas são
absolutamente desnecessárias, criadas simplesmente por alguém que não tinha muito o que
fazer em determinado momento da vida e decidiu que iria inventar alguma coisa pra deixar como
legado (?) e, principalmente, vender livro.

Porém, como infelizmente é possível que você venha a se deparar com alguma destas
classificações na sua prova, é necessário estudá-las. Porém, como prezo pelo seu tempo, vou
dividir as classificações em “mais relevantes” e “menos relevantes”. Vamos a elas então.

21 Classificações mais relevantes

Crimes materiais, formais e de mera conduta – Nos crimes materiais, o tipo penal exige um
resultado naturalístico para a consumação do crime (Ex.: Homicídio, art. 121 do CP). Nos crimes

17
Uma exceção fica por conta do crime de excesso de exação, em que a figura fundamental de tal delito aparece no
§1º do art. 316 do CP.

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formais (também chamados de crimes de resultado cortado ou de consumação antecipada, o


tipo penal prevê o resultado naturalístico mas a ocorrência desse resultado não é necessária para
a consumação do delito (ex.: concussão, art. 316 do CP. Por fim, nos crimes de mera conduta o
tipo penal sequer descreve um resultado naturalístico, prevendo apenas a conduta do agente
(ex.: violação de domicílio, art. 150 do CP).

Crimes comuns e crimes próprios – No crime comum o tipo penal não exige nenhuma qualidade
especial do sujeito ativo (infrator). Ex.: furto. Já no crime próprio o tipo penal exige do sujeito
uma condição especial, de fato ou de direito, para que o crime possa se verificar. Ex.: Peculato
(art. 312 do CP), que exige do infrator a condição de funcionário público; Infanticídio (art. 123 do
CP), que exige do sujeito ativo a qualidade de ser a mãe da vítima e estar sob a influência do
estado puerperal.

Obs.: É possível que um extranei (alguém que não possui a qualidade exigida pelo tipo) venha a
ser responsabilizado por um crime próprio, desde que pratique o delito em concurso de pessoas
com alguém que possua a qualidade exigida pelo tipo, e conheça tal condição de seu comparsa.
Isso se dá porque, na forma do art. 30 do CP, a condição pessoal de um dos agentes se comunica
com os demais, quando for uma circunstância que configura elemento do tipo penal.

Crimes de mão própria (ou crime de atuação pessoal ou de conduta infungível) – São crimes em
que o tipo penal exige que a conduta descrita seja praticada direta e pessoalmente pelo sujeito
previsto no tipo penal, não sendo possível a delegação da execução a outra pessoa. Ex.: Falso
testemunho (art. 342 do CP). Somente a testemunha pode praticar o crime de falso testemunho,
não sendo possível que outra pessoa preste o falso testemunho em seu lugar. Não há, portanto,
possibilidade de delegação da execução para terceiros.

Estranhos podem participar do crime, na qualidade de partícipes (ex.: advogado que induz a
testemunhar a mentir em Juízo).

Crimes de dano (ou de lesão) e crimes de perigo – Nos crimes de dano o tipo penal descreve
uma conduta que efetivamente lesiona o bem jurídico. Ex.: furto (art. 155 do CP). No furto o
agente efetivamente provoca um dano ao patrimônio da vítima, já que a vítima perderá parte de
seu patrimônio com a subtração da coisa. Nos crimes de perigo o tipo penal descreve uma
conduta que apenas expõe o bem jurídico a uma situação de risco de lesão.

Dividem-se em crimes de perigo concreto e perigo abstrato.


Nos crimes de perigo concreto é necessário que fique demonstrado o efetivo risco a quem o
bem jurídico foi exposto pela conduta do agente. Ex.: Incêndio (art. 250 do CP). O tipo penal do
crime de incêndio prescreve: “Art. 250 - Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade
física ou o patrimônio de outrem.” Veja que é necessário que o incêndio efetivamente exponha a
perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem.
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Nos crimes de perigo abstrato (ou presumido) a lei presume o perigo, não precisando ser
comprovado durante o processo. O tipo penal criminaliza uma conduta considerada perigosa e
presume que essa conduta expõe determinado bem jurídico a risco, sendo desnecessário
comprovar a efetiva situação de risco ao bem jurídico. Ex.: Dirigir veículo automotor sob
influência de álcool ou substância análoga (art. 306 do CTB). Vejamos:

Art. 306. Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada em razão
da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência:
(Redação dada pela Lei nº 12.760, de 2012)

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se


obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.

Como se vê, a conduta de “conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora alterada
em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência”
é uma conduta considerada perigosa, ou seja, uma conduta tipificada como crime não porque
lesiona um bem jurídico de alguém, mas porque expõe outras pessoas a risco de dano. Todavia,
não se exige que fique demonstrado um perigo real e concreto ao bem jurídico (não é necessário
provar, por exemplo, que o motorista transitava na contra-mão, em zigue-zague, em alta
velocidade, etc.), pois a lei presume o risco.

Crimes instantâneos, permanentes e instantâneos de efeitos permanentes – Tal classificação se


refere ao momento consumativo dos delitos.
Nos crimes instantâneos a consumação se dá em determinado momento específico, sem que
haja continuidade do momento consumativo. Ex.: Homicídio (art. 121 do CP). O crime se
consuma com a morte da vítima. É um momento certo e determinado. Embora a vítima continue
morta para sempre (Lázaro riu disso), a consumação se deu num instante específico, que é o
momento da morte, da cessação da atividade cerebral.
Nos crimes permanentes, porém, a consumação se dá em determinado momento mas se
prolonga no tempo, podendo durar dias, semanas, meses, etc. São crimes, portanto, em que a
consumação se prolonga no tempo. Ex.: sequestro ou cárcere privado (art. 148 do CP). O crime
se consuma com a privação da liberdade da vítima. Todavia, tal momento consumativo se
prolonga no tempo, podendo durar dias, meses, anos, etc. Logo, enquanto a vítima estiver
privada de sua liberdade, o crime estará se consumando. No crime permanente, portanto, a
consumação do delito se estende temporalmente, podendo cessar pela vontade do infrator.
Há crimes que são necessariamente permanentes (ex.: sequestro ou cárcere privado) e crimes
que são eventualmente permanentes, ou seja, são crimes instantâneos mas que podem se
prolongar no tempo, transformando-se em crimes permanentes (ex.: usurpação de função
pública, que se consuma em determinado momento específico, mas é possível que o agente se
mantenha usurpando a função pública, prolongando a consumação do delito).
Há, ainda, os crimes instantâneos de efeitos permanentes. São aqueles em que a consumação se
dá em determinado momento específico, num determinado instante, não havendo
prolongamento do momento consumativo, mas as consequências do crime são permanentes (ex.:
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homicídio). Porém, parte da Doutrina sustenta que essa classificação é absolutamente


desnecessária.18

Crimes simples e crimes complexos – No crime simples a conduta descreve um único tipo penal,
ao passo que no crime complexo há a fusão de dois tipos penais distintos no mesmo tipo,
gerando o que se chama de crime complexo. Exemplo de crime complexo: roubo (art. 157 do
CP). No crime de roubo o tipo penal conjuga condutas que configurariam dois tipos penais
distintos: a subtração da coisa alheia móvel (que, por si só, configuraria um furto) mediante o
emprego de violência ou grave ameaça (condutas que, isoladamente, poderiam configurar crime
de lesão corporal ou constrangimento ilegal).
Outro exemplo de crime complexo fica por conta do crime de extorsão mediante sequestro (art.
159 do CP), pois conjuga condutas que isoladamente configurariam dois outros crimes (a
extorsão, art. 158 do CP, e o sequestro ou cárcere privado, art. 148 do CP).

Crimes unissubsistentes e crimes plurissubsistentes – Nos crimes unissubsistentes não há


possibilidade de fracionamento do iter criminis (caminho do crime), pois o crime se perfaz num
único ato, de forma que o início da execução do delito já provoca a consumação, motivo pelo
qual, inclusive, não cabe tentativa (ex.: injúria praticada verbalmente de forma presencial. Ou o
agente profere a ofensa e o crime está consumado ou não profere a ofensa e não há crime
algum).
Já nos crimes plurissubsistentes há uma distância temporal entre o início da execução e o
momento consumativo, de forma que é possível que o agente inicie a execução mas a
consumação não ocorra por fatores estranhos à sua vontade, configurando crime tentado. Ex.:
Homicídio. O agente pode disparar contra a vítima e esta somente vir a falecer dias ou semanas
depois. Mais que isso, o agente pode disparar contra a vítima e esta sequer vir a falecer,
configurando a tentativa.

Crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado (tipos penais mistos alternativos) – Nesses
crimes o tipo penal descreve mais de uma conduta típica, ou seja, mais de uma conduta pela
qual é possível praticar o delito. A prática de qualquer uma delas já configura o crime, mas a
prática de mais de uma delas, no mesmo contexto, configura crime único, e não pluralidade de
crimes. Ex.: Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou a automutilação (art. 122 do CP).
Nesse tipo penal, o crime pode ser praticado induzindo, instigando ou prestando auxílio material
à vítima. Todavia, a prática de qualquer uma delas é suficiente e se o agente praticar mais de
uma delas (ex.: induzir e auxiliar), continuará havendo um único crime.

Crimes habituais – Nesses crimes o agente deve praticar a conduta diversas vezes, com
habitualidade, para que o delito possa se caracterizar, de forma que cada ato isolado é um

18
JESUS, Damásio. E. de. Direito Penal. Vol.1 – Parte Geral, 24º edição. São Paulo, Saraiva, 2001, p. 195

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indiferente penal. Desta forma, no crime habitual, se o agente pratica a conduta apenas uma vez,
sem habitualidade, não há crime. Ex.: Crime de curandeirismo (art. 284 do CP):

Art. 284 - Exercer o curandeirismo:

I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;

II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;

III - fazendo diagnósticos:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos.

Como se vê, nesse tipo penal a conduta é “exercer” o curandeirismo, o que denota a
necessidade de certa habitualidade na referida prática, motivo pelo qual ou o agente o faz com
habitualidade, praticando crime, ou pratica a conduta apenas algumas poucas vezes, sem
habitualidade, e não haverá crime.

Crimes de atentado ou de empreendimento – São crimes em que o tipo penal descreve uma
conduta na qual o simples ato de tentar já provoca a consumação do crime. Um exemplo é o
crime de evasão de pessoa presa mediante violência contra a pessoa (art. 352 do CP):

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a medida de


segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:

Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.

Veja que o tipo penal estabelece como crime “evadir-se” (fugir) ou “tentar evadir-se” (tentar
fugir), equiparando as duas situações. Ou seja, o simples ato de tentar já provoca a consumação
do delito. A pena, portanto, para aquele que tentar e para aquele que conseguir será a mesma
(detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à violência.).

Exatamente por isso, nos crimes de atentado ou de empreendimento não se admite a figura da
tentativa, pois ou o agente tenta e o crime já está consumado ou o agente não tenta e não há
crime algum.

Crimes vagos – São aqueles em que o sujeito passivo é uma coletividade desprovida de
personalidade jurídica. Ex.: Incitação ao crime (art. 286 do CP):

Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime:

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Pena - detenção, de três a seis meses, ou multa.

Nesse crime o sujeito passivo é a coletividade das pessoas em geral, não havendo um sujeito
passivo certo e determinado. Outros exemplos são o tráfico de drogas, a associação criminosa,
os crimes contra o meio ambiente, etc.

Crime impossível – Ocorre quando o agente inicia a execução de um delito, mas jamais
conseguiria alcançar a consumação, seja pela ineficácia absoluta do meio empregado ou pela
absoluta impropriedade do objeto, nos termos do art. 17 do CP (ex.: tentar matar um cadáver,
que é objeto absolutamente impróprio para o homicídio). Também chamado de tentativa
inidônea ou crime oco.

Crimes plurissubjetivos e monossubjetivo (ou unissubjetivos) – Nos crimes plurissubjetivos a


conduta é praticada por mais de um agente, sendo necessária a presença de mais de um sujeito
ativo, como ocorre no crime de associação criminosa, art. 288 do CP. São também chamados de
crimes de concurso necessário. Já nos crimes monossubjetivos o tipo penal não exige uma
pluralidade de sujeitos ativos, bastando um infrator (ex.: furto, art. 155 do CP). Mesmo nos crimes
unissubjetivos é possível que, eventualmente, o fato seja praticado por mais de um infrator,
motivo pelo qual são também chamados de crimes de concurso eventual.

22 Classificações menos relevantes

Crimes principais e crimes acessórios – Crimes principais são aqueles que existem
independentemente de outro crime (ex.: Homicídio). Crimes acessórios são aqueles que
dependem da existência de outro delito para que possam se configurar (ex.: receptação, pois é
necessário que tenha havido um crime antecedente, que gerou a coisa objeto da receptação).
Também são chamados de crimes parasitários ou derivados ou de fusão.

Crime putativo – Ocorre quando o agente acredita estar praticado um fato criminoso, mas na
verdade está praticando uma conduta que é irrelevante para o Direito Penal. Pode se dar por erro
sobre as circunstâncias fáticas, também chamado de delito putativo por erro de tipo (ex.: José
transporta farinha de trigo, acreditando que está transportando cocaína), mas pode se dar
também por erro sobre a existência ou limites de uma norma proibitiva, nesse caso será chamado
de delito putativo por erro de proibição (ex.: José mantém relação sexual consentida com sua
filha Maria, de 19 anos de idade. José acha que está cometendo crime, e anda se escondendo da
polícia, mas não está cometendo crime algum, pois o incesto não é tipificado como crime). Há,
ainda, o chamado “delito putativo por obra do agente provocador”, que ocorre quando há
flagrante preparado ou provocado pela polícia, no qual a polícia instiga alguém a praticar o
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crime, mas ao mesmo tempo adota as providências necessárias para evitar que esse crime venha
a ocorrer. Também é chamado de crime impossível por obra do agente provocador ou crime de
ensaio.

Crime falho – Nome dado à tentativa perfeita ou acabada, que ocorre quando o agente, mesmo
após esgotar todo seu potencial lesivo, mesmo após praticar todos os atos de execução que
pretendia e podia, não consegue alcançar a consumação do crime.

Crime anão ou crime liliputiano – Sério. “Crime liliputiano”... Enfim, são nomenclaturas utilizadas
para designar as contravenções penais.

Crime exaurido – É o crime que, além de consumado, atingiu todas as consequências possíveis.
Ex.: No crime de concussão, se o agente chega a receber a vantagem indevida que exigiu, temos
um crime exaurido, pois alcançado o exaurimento (o recebimento da vantagem indevida, que
não era necessária para a consumação).

Crime de esquecimento ou de “olvido”- Sim, “olvido” com “L”, pois vem de olvidar (do
espanhol, “esquecer”). É o crime culposo praticado na forma omissiva, quando o agente atua
sem previsão, ou seja, o agente não se lembra da necessidade de praticar determinada conduta
e acaba se omitindo, dando causa, culposamente ao crime. Ex.: Determinado pai sai para
trabalhar e se esquece de que o filho de 02 anos de idade teria ficado sob sua responsabilidade
naquele dia. A criança, sozinha em casa, acaba sofrendo uma queda e se lesiona. Nesse caso, o
pai se omitiu culposamente, sem que tenha sequer lembrado da sua função de garantidor
naquele dia.

Crime multitudinário – É o crime praticado por uma multidão de pessoas ao mesmo tempo, em
tumulto, sem organização prévia entre elas. Ex.: Linchamento promovido por uma multidão, sem
ajuste prévio, contra uma pessoa que supostamente teria estuprado uma criança.

Crime de forma livre e crime de forma vinculada – Crime de forma livre é aquele que pode ser
praticado por qualquer meio (ex.: Homicídio. Não importa o meio utilizado para se alcançar a
morte da vítima, podendo ser por agressão, envenenamento, disparo de arma de fogo,
estrangulamento, etc.). Crime de forma vinculada é aquele em que o tipo penal descreve
exatamente o meio pelo qual o agente deve praticar determinada conduta. Ex.: Perigo de
contágio venéreo (art. 130 do CP). O referido crime tipifica a conduta de “Expor alguém, por
meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que
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sabe ou deve saber que está contaminado”. O crime, portanto, só pode ser praticado por esse
meio (por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso).

Crime de ímpeto (ou crime explosivo ou ação em curto-circuito) – É aquele em que a vontade de
praticar o delito surge repentinamente, sem prévia consideração por parte do agente (ex.:
homicídio privilegiado, praticado sob o domínio de violenta emoção logo em seguida a injusta
provocação da vítima).

Crimes à distância e crimes plurilocais – Crime à distância é aquele que se desenvolve em dois ou
mais países. Assim, se a conduta de um crime ocorre, por exemplo, no Brasil, e o resultado só
ocorre no Chile, temos um crime à distância (ou de espaço máximo). Crime plurilocal, por sua
vez, é aquele que, no mesmo país, desenvolve-se em mais de um local (ex.: Conduta do crime
ocorre em São Paulo-SP e o resultado ocorre em Curitiba-PR).

Crime de tendência intensificada – São aqueles em que não basta análise da conduta em si,
sendo necessário perquirir a intenção do agente, ou seja, é necessário verificar o estado anímico
do sujeito ativo para que se possa entender como configurado o delito. Ex.: O crime de estupro
de vulnerável, exige evidentemente uma intenção lasciva por parte do infrator. Assim, um pai ou
uma mãe que dá um beijo no bumbum de seu filho de 06 meses ao trocar uma fralda, agindo
carinhosamente, não estará praticando o delito, eis que ausente o ânimo interno necessário para
a configuração do delito, que é a intenção de atuar libidinosamente. Todavia, uma outra pessoa
que pratique a mesma conduta, mas com intenção lasciva, estará praticando o crime de estupro
de vulnerável.

Crime de tendência interna transcendente – Mais uma classificação semi-inútil, mas que pode
cair na sua prova. São aqueles em que o agente deve possuir um intenção específica que vai
além do que o tipo penal exige para a configuração do crime em sua forma consumada. Ou seja,
o elemento subjetivo específico exigido pelo tipo vai além daquilo que objetivamente é
necessário para a consumação. Ex.: Extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP). Aqui o agente
deve privar a vítima de sua liberdade com o fim de exigir pagamento como condição ou preço
pelo resgate. Veja que é necessário que a privação da liberdade se dê especificamente com essa
intenção (tendência interna). Todavia, embora o tipo exija a prática da conduta com essa
finalidade, não é necessário que o agente chegue a receber a vantagem para que o crime venha
a se consumar. A vantagem pretendida, portanto, é desnecessária para a consumação. O animus
do infrator, portanto, deve englobar um resultado que sequer é necessário para a consumação do
delito.
Dividem-se em crimes de resultado cortado ou de consumação antecipada e crimes atrofiados
(ou mutilados) de dois atos.
No crime de tendência interna transcendente de resultado cortado, o resultado pretendido pelo
agente, mas desnecessário para a consumação, não depende de uma nova conduta sua, mas de
terceiros (ex.: extorsão mediante sequestro, em que o resultado pretendido, ou seja, o
recebimento da vantagem, não depende do infrator).
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No crime de tendência interna transcendente mutilado de dois atos, a intenção do agente se


dirige a um resultado que não é necessário para a consumação, mas que depende dele para sua
ocorrência. Ex.: Moeda falsa (art. 289 do CP). Nem todos entendem que deva haver uma
intenção específica no crime de moeda falsa, mas há quem defenda a necessidade de uma
intenção de futuramente colocar a moeda em circulação (posição de Cézar Roberto Bitencourt19).
Para esses, temos aqui um exemplo de crime de tendência interna transcendente (o tipo exigiria
a intenção de obter-se um resultado, mas esse resultado é desnecessário para a consumação do
delito) mutilado de dois atos (pois o resultado pretendido depende de nova conduta do agente,
ou seja, colocar a moeda em circulação depois de falsificar).

Crime a prazo – Ocorre quando somente se pode concluir pela consumação do delito após o
transcurso de determinado lapso temporal a partir da conduta do agente. Ex.: Lesão corporal
grave pela incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias (art. 129, §1º, I do CP).
Nesse caso, o resultado qualificador somente será aferível após o prazo de 30 dias, motivo pelo
qual é necessário aguardar tal prazo para que se possa concluir pela existência da forma
qualificada do delito.

Crime de impressão – É aquele delito que provoca na vítima determinado estado anímico. Pode
ser dividido em:

⇒ Crime de inteligência – Recai sobre as faculdades cognitivas da vítima, como ocorre nos
crimes em que a vítima é enganada (ex.: estelionato).
⇒ Crime de sentimento – Desperta na vítima determinado sentimento, atingindo, portanto,
suas faculdades emocionais (ex.: injúria).
⇒ Crime de vontade – Recai sobre a autodeterminação da vítima, ou seja, impede a vítima
de agir de acordo com sua própria vontade (ex.: crime de constrangimento ilegal).

​ CAUSAS DE EXCLUSÃO DO FATO TÍPICO


Haverá exclusão do fato típico sempre que estiver ausente algum de seus elementos. As
principais hipóteses são:

19
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte especial. Volume 4. Ed. Saraiva, 9º edição. São
Paulo, 2015, p. 491

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31 Coação física irresistível

A coação física irresistível (também chamada de vis absoluta) exclui a CONDUTA, por ausência
completa de vontade do agente coagido. Logo, acaba por excluir o fato típico. Não confundir
com a coação MORAL irresistível, que exclui a culpabilidade.

EXEMPLO: José pega Maria à força e, segurando seu braço, faz com que Maria
esfaqueie Joana, que está dormindo. Neste caso, Maria não teve conduta, pois não
teve voluntariedade em sua conduta. Maria não escolheu esfaquear, foi coagida
fisicamente a fazer isso. Embora fosse Maria a segurar a faca, o movimento corporal
não foi por ela querido, tendo ocorrido apenas em razão da força física exercida por
José sobre o braço dela.

A coação moral irresistível (vis compulsiva), por sua vez, afasta a culpabilidade por se tratar de
situação de inexigibilidade de conduta diversa, na medida em que se compreende que o agente
agiu com vontade, ou seja, há uma conduta penalmente relevante, mas sua vontade estava
“viciada”, maculada pela coação moral exercida pelo coator.

EXEMPLO: José, querendo a morte de Pedro, obriga Maria a esfaquear a vítima. Maria
inicialmente se nega, mas José diz que se Maria não o fizer, matará Bruninho, filho de
Maria. Maria, então, temendo pela vida do filho, esfaqueia Pedro, causando-lhe a
morte. Nesse caso, Maria praticou uma conduta penalmente relevante, pois sua ação
(movimento corporal) foi dotada de vontade (Maria quis esfaquear), mas como essa
vontade estava viciada pela ameaça irresistível sofrida, Maria será isenta de pena,
afastando-se sua culpabilidade. Somente José responderá pelo crime.

32 Erro de tipo inevitável

No erro de tipo inevitável o agente pratica o fato típico por incidir em erro sobre um de seus
elementos. Quando o erro é inevitável (o equívoco de representação não pode ser considerado
como derivado de culpa por parte do agente), o agente não responde por crime algum (afasta-se
o dolo e a culpa).

EXEMPLO: José pega o celular que está em cima do balcão da loja e vai embora,
acreditando ser o seu celular. Todavia, quando chega em casa, vê que pegou o celular
de outra pessoa, pois confundiu com o seu. Neste caso, José praticou, em tese, o
crime de furto (art. 155 do CP). Todavia, como houve erro inevitável sobre um dos
elementos do tipo (o elemento “coisa alheia”, já que José acreditava que a coisa era
sua), José não responderá por crime algum. Frise-se que se o erro fosse evitável, José
poderia responder por furto na modalidade culposa, se houvesse previsão legal nesse
sentido (não há).

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33 Sonambulismo e atos reflexos

Nas hipóteses de sonambulismo e de atos reflexos também se afasta o fato típico, pois em
ambos os casos o agente não tem controle sobre sua ação ou omissão, ou seja, temos a
exteriorização física do ato, sem que haja voluntariedade.

EXEMPLO: José dá um susto em Ricardo, que acaba mexendo os braços


repentinamente e acerta uma cotovelada em Paula. Neste caso, Ricardo não responde
por crime de lesão corporal pois o movimento corporal (abrir os braços) causador do
resultado (lesão corporal) não corresponde a uma conduta penalmente relevante, na
medida em que tal movimento é absolutamente involuntário.

34 Insignificância e adequação social da conduta

Tanto na hipótese de insignificância da conduta (ausência de ofensa significativa ao bem jurídico


protegido pela norma) quanto na hipótese de adequação social da conduta (tolerância da
sociedade frente a uma conduta que é tipificada como crime), há exclusão do fato típico, eis que
não haverá tipicidade material.

Como não haverá tipicidade material, não haverá tipicidade e, portanto, a conduta do agente
não será considerada um fato típico.

35 Força da natureza e caso fortuito

Em ambos os casos não haverá fato típico, por ausência de conduta penalmente relevante.

No caso da força da natureza, o agente não controla o movimento corporal causador do


resultado (ex.: ser carregado pela força do vento durante um tornado e acabar “atropelando”
uma pessoa, causando-lhe lesão corporal).

No caso fortuito não há conduta penalmente relevante pela ausência de dolo ou culpa, sendo o
resultado considerado como um mero acidente, um acaso não imputável ao agente nem dolosa e
nem culposamente.

EXEMPLO: José dirige seu veículo e, subitamente, sofre uma parada cardíaca, vindo a
perder o controle do veículo. Ao tentar controlar o carro, acaba capotando e
atropelando Maria, causando-lhe a morte. José não agiu com dolo, obviamente. José
também não agiu com culpa, pois sua conduta não pode ser considerada como
violadora de um dever objetivo de cuidado, havendo um mero caso fortuito.

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​ DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

Art. 13 do CP – Nexo de causalidade e relevância da omissão

Relação de causalidade (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é


imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a
qual o resultado não teria ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Superveniência de causa independente (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação


quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto,
imputam-se a quem os praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Relevância da omissão (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir


para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído


pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.


(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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​ CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO


O dolo e a culpa são o que se pode chamar de elementos subjetivos do tipo penal.

Com o finalismo de Hans Welzel, o dolo e a culpa (elementos subjetivos) foram transportados da
culpabilidade para o fato típico1 (conduta). Assim, a conduta (no finalismo) não é mais apenas
objetiva, sinônimo de ação humana, mas sim a ação humana dirigida a um fim (ilícito ou não).

Vamos estudar cada um destes elementos separadamente.

11 Crime doloso

1.1 Teorias do dolo

O dolo é o elemento subjetivo do tipo, consistente na vontade, livre e consciente, de praticar o


crime (dolo direto), ou a assunção do risco produzido pela conduta (dolo eventual). Nos termos
do art. 18 do CP:

Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de


produzi-lo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Três são as principais teorias acerca do dolo:

Teoria da vontade – O agente deve querer, com sua conduta, atingir o resultado criminoso.

Teoria da representação – Basta que o agente represente mentalmente que sua conduta pode
dar causa ao resultado criminoso.

Teoria do assentimento (ou do consentimento) – O agente deve representar mentalmente a


possibilidade de ocorrência do resultado criminoso e, ainda que não o queira, se consentir com
sua ocorrência, conformar-se com sua ocorrência, haverá dolo.

O Código Penal adotou a teoria da vontade no que tange ao dolo direto (“quis o resultado”) e a
teoria do assentimento no que tange ao dolo eventual (“assumiu o risco de produzi-lo”).

1
BITENCOURT, Op. cit., p. 290/291

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1.2 Dolo direto

O dolo direto, que é o elemento subjetivo clássico do crime, é composto pela consciência de
que a conduta pode provocar um resultado mais a vontade de alcançar este resultado. Esses dois
elementos (consciência + vontade) formam o que se chama de dolo natural.

Em épocas passadas, quando se entendia que o dolo pertencia à culpabilidade, a esses dois
elementos (consciência e vontade) era acrescido mais um elemento, que era a consciência da
ilicitude. Esse era o chamado dolo normativo. Assim, para que o dolo ficasse caracterizado era
necessário comprovar que o agente teve não só a vontade livre e consciente de praticar a
conduta e alcançar o resultado, mas também comprovar que o agente sabia que sua conduta era
contrária ao Direito.

Atualmente, com a transposição do dolo e da culpa para o fato típico (em razão da teoria
finalista), os elementos normativos do dolo ficaram na culpabilidade, de maneira que a chamada
“consciência da ilicitude da conduta”2 não mais é analisada dentro do dolo em si, mas na
culpabilidade. Para definir, portanto, se o fato constitui uma conduta dolosa não é necessário,
hoje, saber se o agente tinha consciência de que sua conduta era contrária ao Direito, o que só
será analisado na culpabilidade.

Desta maneira, podemos dizer que no finalismo o dolo é natural e no causalismo o dolo é
normativo.

Como vimos, o dolo exige a presença de um elemento cognitivo (consciência) e um elemento


volitivo (vontade).

O elemento cognitivo deve abranger a consciência da conduta, do resultado e da relação causal


entre eles (relação de causa e efeito).

Já o elemento volitivo deve abranger a vontade não só de praticar a conduta, mas também a
vontade de produzir o resultado.

O dolo direto pode ser, ainda, de segundo grau, ou de consequências necessárias. No dolo
direito de 1º grau o agente quer o resultado como fim último de seu agir. Já no dolo direto de 2º
grau o agente não deseja a produção do resultado como finalidade central de sua conduta, mas
aceita o resultado como consequência necessária dos meios empregados, ou seja, entende-se
que acaba “querendo” o resultado ao aceitar utilizar determinado meio que certamente
produzirá o resultado:

EXEMPLO: Imagine o caso de alguém que, querendo matar certo executivo, coloca
uma bomba no avião em que este se encontra. Ora, nesse caso, o agente age com
dolo direto de primeiro grau em face da vítima pretendida, pois quer sua morte, e

2
A “consciência da ilicitude”, inclusive, pode ser real (quando o agente sabe que sua conduta é contrária ao direito)
ou meramente potencial (quando, apesar de não saber que sua conduta é contrária ao Direito, tinha condições
intelectuais para ter este conhecimento).

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dolo direto de segundo grau em relação aos demais ocupantes do avião, pois é certo
que também morrerão, embora este não seja o objetivo do agente.

1.3 Dolo indireto

Há, ainda, o que a Doutrina chama de dolo indireto. O dolo indireto se divide em dolo eventual e
dolo alternativo.

O dolo eventual consiste na consciência de que a conduta pode gerar um resultado criminoso,
mais a assunção desse risco, mesmo diante da probabilidade de algo dar errado. Trata-se de
hipótese na qual o agente não tem vontade de produzir o resultado criminoso, mas, analisando
as circunstâncias, sabe que este resultado pode ocorrer e não se importa, age da mesma
maneira.

EXEMPLO: Imagine que Renato, dono de um sítio, e apreciador da prática do tiro


esportivo, decida levantar sábado pela manhã e praticar tiro no seu terreno, mesmo
sabendo que as balas possuem longo alcance e que há casas na vizinhança. Renato até
não quer que ninguém seja atingido, mas sabe que isso pode ocorrer e não se
importa, pratica a conduta assim mesmo. Nesse caso, se Renato atingir alguém,
causando-lhe lesões ou mesmo a morte, estará praticando homicídio doloso por dolo
eventual

No dolo alternativo o agente pratica a conduta sem pretender alcançar um resultado específico,
estabelecendo para si mesmo que qualquer dos resultados possíveis é válido.

EXEMPLO: José atira uma pedra em Maria, querendo matá-la ou lesioná-la, tanto faz.
Ou seja, José não possui a intenção específica de matar, mas também não possui a
intenção específica de lesionar. O que José, pretende, apenas, é causar dano a Maria.

1.4 Outras classificações do dolo

O dolo pode ser, ainda, classificado como:

Dolo genérico – Atualmente, com o finalismo, passou a ser chamado simplesmente de dolo, que
é, basicamente, a vontade de praticar a conduta descrita no tipo penal, sem nenhuma outra
finalidade. É o dolo inerente a qualquer tipo penal doloso, seja ele dolo direto ou indireto.

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Dolo específico, ou especial fim de agir – Em contraposição ao dolo genérico, nesse caso o
agente não quer somente praticar a conduta típica, mas o faz por alguma razão especial, com
alguma finalidade específica. Trata-se do que se chama de elemento subjetivo específico do tipo,
ou especial fim de agir, uma intenção especial que deve nortear a conduta do agente. Ex.:
Extorsão mediante sequestro (art. 159 do CP):

Art. 159 - Seqüestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer
vantagem, como condição ou preço do resgate:

Pena - reclusão, de oito a quinze anos. (Redação dada pela Lei nº 8.072, de 25.7.1990)

Como se vê, para a tipificação deste crime é insuficiente o mero dolo genérico de sequestrar
==28dc4f==

alguém, sendo necessário que o agente o faça “com o fim de obter, para si ou para outrem,
qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate”. Essa expressão (“com o fim de...”)
traduz o chamado dolo específico, ou especial fim de agir.

Dolo geral, por erro sucessivo, ou aberratio causae – Ocorre quando o agente, acreditando ter
alcançado seu objetivo, pratica nova conduta, com finalidade diversa, mas depois se constata
que esta última foi a que efetivamente causou o resultado. Trata-se de erro na relação de
causalidade, pois embora o agente tenha conseguido alcançar a finalidade proposta, somente o
alcançou através de outro meio, que não tinha direcionado para isso.

EXEMPLO: Imagine a mãe que, querendo matar o próprio filho de 05 anos, o


estrangula e, com medo de ser descoberta, o joga num rio. Posteriormente a criança é
encontrada e se descobre que a vítima morreu por afogamento. Nesse caso, embora a
mãe não tenha querido matar o filho afogado, mas por estrangulamento, isso é
irrelevante penalmente, importando apenas o fato de que a mãe alcançou o fim
pretendido (morte do filho), ainda que por outro meio, devendo, pois, responder por
homicídio consumado (adoção da teoria unitária).

Dolo de dano e dolo de perigo – No dolo de dano a vontade do agente é dirigida a lesionar o
bem jurídico. Ex.: Homicídio, no qual a vontade do agente é dirigida à morte da vítima, e,
portanto, a vontade do agente é lesionar o bem jurídico “vida”. Já no dolo de perigo a vontade
do agente é tão-somente expor o bem jurídico a um risco, a uma situação de perigo de dano.
Ex.: Perigo de contágio venéreo (art. 130 do CP):

Perigo de contágio venéreo

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Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a
contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado:

Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

§ 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia:

Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Veja que na forma fundamental deste crime (caput do art. 130 do CP), o tipo penal exige apenas
o chamado dolo de perigo, ou seja, a intenção do agente não é a de lesionar a saúde da vítima,
mas de expor a saúde da vítima a um risco de contágio. Já o §1º (forma qualificada) exige o dolo
de dano, ou seja, se o agente tem a intenção de transmitir a doença, causando dano à saúde da
vítima, haverá a forma qualificada.

Dolo antecedente, atual e subsequente – O dolo antecedente é o que se dá antes do início da


execução da conduta. O dolo atual é o que está presente enquanto o agente se mantém
exercendo a conduta, e o dolo subsequente ocorre quando o agente, embora tendo iniciado a
conduta com uma finalidade lícita, altera seu ânimo, passando a agir de forma ilícita. Esse último
caso é o que ocorre no caso, por exemplo, do crime de apropriação indébita (art. 168 do CP), no
qual o agente recebe o bem de boa-fé, obrigando-se devolvê-lo, mas, posteriormente, muda de
ideia e não devolve o bem nas condições ajustadas, passando a agir de maneira ilícita.

12 Crime culposo

Se no crime doloso o agente quis o resultado, sendo este seu objetivo, ou assumiu o risco de sua
ocorrência, embora não fosse originalmente pretendido o resultado, no crime culposo a conduta
do agente é destinada a um determinado fim (que pode ser lícito ou não), tal qual no dolo
eventual, mas pela violação a um dever de cuidado, o agente acaba por lesar um bem jurídico de
terceiro, cometendo crime culposo.

A violação ao dever objetivo de cuidado pode se dar de três maneiras:

⇒ Negligência – O agente deixa de tomar todas as cautelas necessárias para que sua
conduta não venha a lesar o bem jurídico de terceiro. É o famoso relapso. Aqui o agente
deixa de fazer algo que deveria. Trata-se de uma violação ao dever de cuidado por um
agir negativo.
⇒ Imprudência – É o caso do afoito, daquele que pratica atos temerários, que não se
coadunam com a prudência que se deve ter na vida em sociedade. Aqui o agente faz algo

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que a prudência não recomenda. Trata-se de um atuar positivo, no sentido de praticar uma
conduta arriscada.
⇒ Imperícia – Trata-se da violação ao dever de cuidado consistente na prática de uma
conduta sem possuir o conhecimento necessário para tanto. Assim, se o médico, após
fazer todos os exames necessários, dá diagnóstico errado, concedendo alta ao paciente e
este vem a óbito em decorrência da alta concedida, não há negligência, pois o profissional
médico adotou todos os cuidados necessários, mas em decorrência de sua falta de
conhecimento técnico, não conseguiu verificar qual o problema do paciente, o que acabou
por ocasionar seu óbito.

A punibilidade da culpa se fundamenta no desvalor do resultado praticado pelo agente, embora


o desvalor da conduta seja menor, pois não deriva de uma deliberada ação contrária ao direito.

O CP prevê o crime culposo em seu art. 18, II:

Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Crime culposo (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,


negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

O crime culposo é composto de:

⇒ Uma conduta voluntária – Dirigida a um fim lícito, ou quando ilícito, não é destinada à
produção do resultado ocorrido. A conduta, porém, sempre é voluntária, já que a ausência
de voluntariedade conduz à ausência de conduta penalmente relevante e, portanto,
ausência de fato típico.
⇒ A violação a um dever objetivo de cuidado – Que pode se dar por negligência,
imprudência ou imperícia. Ou seja, a conduta voluntária praticada pelo agente não
respeitou a prudência necessária que se exige para a vida em sociedade.
⇒ Um resultado naturalístico involuntário – O resultado produzido não foi querido pelo
agente (salvo na culpa imprópria). Veja que, a despeito de a conduta ser voluntária, o
resultado naturalístico provocado pelo agente é involuntário.
⇒ Nexo causal – Relação de causa e efeito entre a conduta do agente (voluntária) e o
resultado ocorrido no mundo fático (involuntário).
⇒ Tipicidade – O fato deve estar previsto como crime. Em regra, os crimes só podem ser
praticados na forma dolosa, só podendo ser punidos a título de culpa quando a lei
expressamente determinar. Essa é a regra do § único do art. 18 do CP:

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Art. 18 (...) Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984).

⇒ Previsibilidade objetiva - O resultado ocorrido deve ser previsível mediante um esforço


intelectual razoável. É chamada previsibilidade do homem médio. Assim, se uma pessoa
comum, de inteligência mediana, seria capaz de prever aquele resultado, está presente
esse requisito. Se o resultado não for previsível objetivamente, o fato é um indiferente
penal.

EXEMPLO: Imagine que Mário, nas dunas de Natal, dê uma rasteira em João, apenas
para brincar com o amigo, e João vem a cair e bater com a cabeça sobre um motor de
Bugre que estava enterrado sob a areia, vindo a falecer. Mário fica atônito, pois jamais
poderia imaginar que a queda, naquele local, causaria a morte do amigo. Mário não
responde por homicídio culposo, pois seria inimaginável a qualquer pessoa prever que
naquele local a vítima poderia bater com a cabeça em algo daquele tipo e vir a falecer.

2.1 Modalidades de culpa

A culpa, por sua vez, pode ser de diversas modalidades. Podemos classificar a culpa da seguinte
forma:

Quanto à previsão do resultado – A culpa, aqui, é classificada considerando-se a existência, ou


não, de efetiva previsão do resultado pelo sujeito ativo, e pode ser dividida em:

⇒ Culpa consciente e culpa inconsciente – Na culpa consciente (culpa com previsão), o


agente prevê o resultado como possível, mas acredita que este não irá ocorrer. Na culpa
inconsciente (culpa sem previsão ou ex ignorantia), o agente não prevê que o resultado
possa ocorrer. A culpa consciente se aproxima muito do dolo eventual, pois em ambos o
agente prevê o resultado e mesmo assim age. Entretanto, a diferença reside no fato de
que, enquanto no dolo eventual o agente assume o risco de produzi-lo, não se
importando com a sua ocorrência, na culpa consciente o agente não assume o risco de
produzir o resultado, pois acredita, sinceramente, que ele não ocorrerá.

Quanto à intenção de provocar o resultado – Aqui temos uma classificação que leva em conta a
intenção, ou não, de provocar o resultado, de forma que poderemos ter culpa própria (crime
culposo propriamente dito) e culpa imprópria:

⇒ Culpa própria - A culpa própria é aquela na qual o agente não quer o resultado criminoso.
É a culpa propriamente dita. Pode ser consciente, quando o agente prevê o resultado

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como possível, ou inconsciente, quando não há essa previsão. Temos aqui, o crime
culposo propriamente dito, em que o agente dá causa ao resultado de forma involuntária.

⇒ Culpa imprópria – Na culpa imprópria, o agente quer o resultado, mas, por erro evitável
sobre as circunstâncias fáticas. O agente, portanto, atua com vistas a obter o resultado,
mas assim o faz porque acredita, erroneamente, que está amparado por uma causa de
exclusão da ilicitude.

EXEMPLO: Determinado morador, percebendo um barulho na madrugada, se levanta


e avista um vulto, ao que, pensando ser um ladrão, grita: “vá embora ou eu atiro”.
Como o vulto continua a se movimentar, o morador dispara três vezes contra a pessoa,
acreditando estar agindo em legítima defesa de sua família. No entanto, ao verificar a
vítima dos disparos, percebe que o “vulto” era seu filho de 16 anos que havia saído
escondido para assistir a um show de Rock no qual havia sido proibido de ir. Nesse
caso, embora a conduta seja naturalmente dolosa (pois o agente quis o resultado), por
questões de política criminal o Código determina que lhe seja aplicada a pena
correspondente à modalidade culposa. Nos termos do art. 20, § 1° do CP:

Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Na culpa imprópria, portanto, não temos um crime culposo propriamente dito, mas uma conduta
dolosa que, por ter sido praticada em situação de erro sobre as circunstâncias fáticas (erro
evitável), é punida pela Lei como se fosse um crime culposo.

2.2 Compensação de culpas e concorrência de culpas

Não existe a chamada “compensação de culpas” no Direito Penal brasileiro. Assim, o fato de a
vítima ter concorrido para a ocorrência de um crime culposo não afasta a responsabilidade do
infrator. A culpa da vítima (sim, às vezes a vítima colabora), portanto, não afasta a culpa do
infrator.

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EXEMPLO: Suponha que José, dirigindo seu veículo automotor, imprime velocidade
excessiva, transitando a 80km/h em determinada via na qual a velocidade máxima
permitida é de 50km/h. Maria, de forma imprudente, decide atravessar a rua fora da
faixa de pedestres, e o faz sem tomar as cautelas necessárias. Ao atravessar de forma
imprudente, é atropelada por José, vindo a óbito. Nesse caso, apesar de ter havido
culpa (no sentido de ter colaborado para o evento) por parte de Maria, isso não
afastará a responsabilidade criminal de José.

Não se deve confundir a compensação de culpas, inexistente, com a concorrência de culpas. A


concorrência de culpas se dá quando duas ou mais pessoas concorrem culposamente para
determinado evento criminoso.

EXEMPLO: Imagine que José, dirigindo seu veículo em alta velocidade, e Marcos,
taxista, dirigindo na contra-mão, acabem se chocando e provocando a morte do
passageiro transportado por Marcos, que dormia na hora do acidente. Nesse caso,
Marcos e José concorreram culposamente para o evento morte, de forma que ambos
serão responsabilizados.

13 Crime preterdoloso

Há ainda a figura do crime preterdoloso (ou preterintencional). O crime preterdoloso ocorre


quando o agente, com vontade de praticar determinado crime (dolo), acaba por praticar crime
mais grave, não com dolo, mas por culpa. Um exemplo clássico é o crime de lesão corporal
seguida de morte, previsto no art. 129, § 3° do CP. Nesse crime o agente provoca lesões
corporais na vítima, mediante conduta dolosa. No entanto, em razão de sua imprudência na
execução (excesso), acabou por provocar a morte da vítima, que era um resultado não
pretendido (culpa).

A Doutrina distingue, no entanto, o crime preterdoloso do crime qualificado pelo resultado3.


Para a Doutrina, o crime qualificado pelo resultado é um gênero, do qual o crime preterdoloso é
espécie. Um crime qualificado pelo resultado é aquele no qual, ocorrendo determinado
resultado, teremos a aplicação de uma circunstância qualificadora. Aqui é irrelevante se o
resultado que qualifica o crime é doloso ou culposo. No delito preterdoloso, o resultado que
qualifica o crime é, necessariamente, culposo. Ou seja, há dolo na conduta inicial e culpa em
relação ao resultado que efetivamente ocorre.

EXEMPLO: Mariana agride Luciana com a intenção apenas de lesioná-la (dolo de


praticar o crime de lesão corporal). Contudo, em razão da força empregada por
Mariana, Luciana cai e bate com a cabeça no chão, vindo a falecer. Mariana fica
chocada, pois de maneira alguma pretendia a morte de Luciana. Nesse caso, Mariana

3
GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 337

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praticou o crime de lesão corporal seguida de morte, que é um crime preterdoloso


(dolo na conduta inicial, mas resultado obtido a título de culpa – sem intenção).

​ DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

Art. 18 do CP – Dolo e culpa:

Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Crime doloso (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de


produzi-lo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Crime culposo (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,


negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por
fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

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​ CRIME CONSUMADO, TENTADO E IMPOSSÍVEL

11 Iter criminis

O iter criminis é o “caminho do crime”, ou seja, o itinerário percorrido pelo agente até a
consumação do delito.
O iter criminis pode ser dividido em duas fases (interna e externa), que compreendem 04 etapas:

1.1 Cogitação (cogitatio)


É a representação mental do crime na cabeça do agente, a fase inicial, na qual o agente idealiza
como será a conduta criminosa. Trata-se de uma fase interna, ou seja, não há exteriorização da
ideia criminosa, adoção de preparativos, nada disso. Assim, a cogitação é sempre impunível1,
pois não sai da esfera psicológica do agente.
A fase interna, representada pela cogitação, pode ser dividida em:
Idealização – Surge na cabeça do agente a ideia criminosa.
Deliberação – O agente delibera mentalmente sobre a conduta criminosa, suas vantagens,
desvantagens, potenciais consequências, etc.
Resolução – O agente se decide, resolvendo pela prática (ou não) do delito.

1.2 Atos preparatórios (conatus remotus)


Aqui o agente inicia a chamada fase externa, adotando algumas providências no plano material
para a futura realização do crime, ou seja, dá início aos preparativos para a prática delituosa, sem,
contudo, iniciar a execução do crime propriamente dita.

EXEMPLO: José quer matar Maria. Para tanto, José vai até uma loja e compra uma
faca bem grande e bem afiada.

Como regra, os atos preparatórios são impuníveis, já que o agente não chega, sequer, a iniciar a
execução do crime. Todavia, os atos preparatórios serão puníveis quando:
Houver expressa previsão legal de punição do crime ainda na fase dos atos preparatórios – É o
que ocorre no caso do crime de terrorismo, por exemplo. Vejamos o art. 5º da Lei 13.260/16:

Art. 5º Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de


consumar tal delito:

1
Em razão do princípio da “exteriorização do fato” ou “materialização do fato”, que impede a punição de atitudes
internas das pessoas.

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Pena - a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade.

Configurarem, por si só, um delito autônomo – É o que ocorre com o crime de “petrechos de
falsificação de moeda” (art. 291 do CP):

Petrechos para falsificação de moeda

Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à
falsificação de moeda:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

Assim, a lei cria um tipo penal autônomo para punir uma conduta que, a princípio, não viola um
bem jurídico, mas o faz de forma a prevenir a prática de uma futura conduta que violaria o bem
jurídico (a falsificação de moeda).

EXEMPLO: José quer falsificar várias notas de R$ 100,00 (quer praticar o crime de
moeda falsa, art. 289 do CP). Assim, José compra um maquinário destinado a falsificar
moeda. A princípio, essa conduta seria um mero ato preparatório impunível. Todavia,
neste específico caso o CP já criminaliza essa conduta preparatória, estabelecendo um
tipo penal autônomo, que é o crime de “petrechos de falsificação” (art. 291 do CP), ou
seja, o CP já considera crime a aquisição do maquinário!

Nos casos em que a lei penal criminaliza condutas que seriam meros atos preparatórios para
outros crimes temos o que se pode chamar de “tipo penal preventivo”.

1.3 Atos executórios


Os atos executórios são aqueles por meio dos quais o agente, efetivamente, dá início à conduta
delituosa, por meio de um ato capaz de provocar o resultado.

EXEMPLO: José quer matar Maria. Para tanto, espera Maria passar pela porta de sua
casa e, quando ela passa, dispara contra ela um projétil de arma de fogo. Neste
momento se inicia a execução.

Diferenciar o que é ato de execução e o que é ato preparatório não é tarefa fácil. A Doutrina é
bastante tormentosa a respeito, havendo algumas correntes. As principais são:

⇒ Teoria material (hostilidade ao bem jurídico) – O agente inicia a execução quando cria uma
situação de perigo ao bem jurídico. Ex.: José, querendo matar Maria, se posiciona atrás de
uma moita, esperando que ela passe. Nesse caso, já teríamos execução do delito.

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⇒ Teoria objetivo-formal – Para esta teoria a execução se inicia quando o agente dá início à
realização da conduta descrita no núcleo do tipo penal. Assim, no exemplo anterior, ainda
não haveria execução, pois o agente ainda não teria dado início à execução da conduta de
“matar”.
⇒ Teoria objetivo-material – Para esta teoria haverá execução quando o agente realizar a
conduta descrita no núcleo do tipo penal, bem como quando praticar atos imediatamente
anteriores à conduta descrita no núcleo do tipo, partindo-se da visão de uma terceira
pessoa. Ex.: No primeiro exemplo, haveria execução quando José estivesse esperando
Maria passar.
⇒ Teoria objetivo-individual – Para esta a definição do que é ato executório passa,
necessariamente, pela análise do plano do autor do fato, ou seja, do seu dolo. Assim,
seriam atos executórios aqueles que fossem imediatamente anteriores ao início da
execução da conduta descrita no núcleo do tipo. Ex.: José quer furtar uma casa, e invade a
residência. Neste caso, mesmo não tendo ainda dado início à subtração, já haveria ato
executório.

Não há consenso, mas vem se firmando a adoção da teoria objetivo-individual, embora haja
quem sustente ter sido adotada a teoria objetivo-formal, “complementada” pela análise do plano
do agente, a fim de abarcar também os atos imediatamente anteriores à realização do tipo penal.

1.4 Consumação
Aqui o crime atinge sua realização plena, havendo a presença de todos os elementos que o
compõem, ou seja, o agente consegue realizar tudo o que o tipo penal prevê, causando a ofensa
jurídica prevista na norma penal.
Temos, aqui, portanto, um crime completo e acabado.

1.5 Exaurimento
O exaurimento é uma etapa “pós-crime”, ou seja, um acontecimento posterior à consumação do
delito, não alterando a tipificação da conduta.

EXEMPLO: José pratica falso testemunho num processo que envolve Maria (crime de
falso testemunho consumado, art. 342 do CP). Após isso, Maria é condenada em razão
do testemunho falso de José (consequência que é mero exaurimento do delito, não
alterando a tipificação do crime).

Ocorrendo o exaurimento de um crime teremos o que se chama de “crime exaurido”.

12 Tentativa

Todos os elementos citados como sendo partes integrantes do fato típico (conduta, resultado
naturalístico, nexo de causalidade e tipicidade) são, no entanto, elementos do crime material
3

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consumado, que é aquele no qual se exige resultado naturalístico e no qual este resultado
efetivamente ocorre.

Nos termos do art. 14 do CP:

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição


legal; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias


alheias à vontade do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, nos crimes tentados, por não haver sua consumação (ocorrência de resultado
naturalístico), não estarão presentes, em regra, os elementos “resultado” e “nexo de
causalidade”.

Disse “em regra”, porque pode acontecer que um crime tentado produza resultados, que serão
analisados de acordo com a conduta do agente e sua aptidão para produzi-los.

EXEMPLO: Imaginem que Marcelo, visando à morte de Rodrigo, dispare cinco tiros de
pistola contra ele. Rodrigo é baleado, fica paraplégico, mas sobrevive.

Nesse caso, como o objetivo não era causar lesão corporal, mas sim matar, o crime
não foi consumado, pois a morte não ocorreu. Entretanto, não se pode negar que
houve resultado naturalístico e nexo causal, embora este resultado não tenha sido o
pretendido pelo agente quando da prática da conduta criminosa.

O crime consumado nós já estudamos, cabe agora analisar as hipóteses de crime na modalidade
tentada.

Como disse a vocês, pode ocorrer de uma conduta ser enquadrada em determinado tipo penal
sem que sua prática corresponda exatamente ao que prevê o tipo. No caso acima, Marcelo
responderá pelo tipo penal de homicídio (art. 121 do CP), na modalidade tentada (art. 14, II do
CP). Mas se vocês analisarem, o art. 121 do CP diz “matar alguém”. Marcelo não matou
ninguém. Assim, como enquadrá-lo na conduta prevista pelo art. 121? Isso é o que chamamos
de adequação típica mediata, conforme já estudamos.

Na adequação típica mediata o agente não pratica exatamente a conduta descrita no tipo penal,
mas em razão de uma outra norma que estende subjetiva ou objetivamente o alcance do tipo
penal, ele deve responder pelo crime. Assim, no caso em tela, Marcelo só responde pelo crime
em razão da existência de uma norma que aumenta o alcance objetivo (relativo à conduta) do
tipo penal para abarcar também as hipóteses de tentativa (art. 14, II do CP). Tudo bem, galera?
Vamos em frente!

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O inciso II do art. 14 fala em “circunstâncias alheias à vontade do agente”. Isso significa que o
agente inicia a execução do crime, mas em razão de fatores externos, o resultado não ocorre. No
caso concreto que citei, o fator externo, alheio à vontade de Marcelo, foi provavelmente sua falta
de precisão no uso da arma de fogo e o socorro eficiente recebido por Rodrigo, que impediu sua
morte.

O § único do art. 14 do CP diz:

Art. 14 (...) Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa


com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Dessa forma, o crime cometido na modalidade tentada não é punido da mesma maneira que o
crime consumado, pois embora o desvalor da conduta (sua reprovabilidade social) seja o mesmo
do crime consumado, o desvalor do resultado (sua consequência) é menor, indiscutivelmente.
Assim, diz-se que o CP adotou a teoria dualística, realista ou objetiva da punibilidade da
tentativa.2

Mas qual o critério para aplicação da quantidade de diminuição (1/3 ou 2/3)? Nesse caso, o Juiz
deve analisar a proximidade de alcance do resultado. Quanto mais próxima do resultado chegar
a conduta, menor será a diminuição da pena, e vice-versa. No exemplo acima, como Marcelo
quase matou Rodrigo, chegando a deixá-lo paraplégico, a diminuição será a menor possível (1/3),
pois o resultado esteve perto de se consumar. Entretanto, se Marcelo tivesse iniciado a execução,
sacando a arma e apontando em direção à vítima, mas fosse impedido de prosseguir pela
chegada da polícia, poderíamos dizer que o agente esteve bem mais distante da consumação,
devendo o Juiz aplicar a redução máxima.

A tentativa pode ser:

2
Em contraposição à Teoria objetiva há a Teoria subjetiva, que sustenta que a punibilidade da tentativa deveria estar
atrelada ao fato de que o desvalor da conduta é o mesmo do crime consumado (é tão reprovável a conduta de
“matar” quanto a de “tentar matar”). Para esta Teoria, a tentativa deveria ser punida da mesma forma que o crime
consumado (BITENCOURT, Op. cit., p. 536/537). Na verdade, adotou-se no Brasil uma espécie de Teoria objetiva
“temperada” ou mitigada. Isto porque a regra do art. 14, II admite exceções, ou seja, existem casos na legislação
pátria em que se pune a tentativa com a mesma pena do crime consumado.

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⇒ Tentativa branca ou incruenta – Ocorre quando o agente sequer atinge o objeto que
pretendia lesar. Ex.: José atira em Maria, com dolo de matar, mas erra o alvo.
⇒ Tentativa vermelha ou cruenta – Ocorre quando o agente atinge o objeto, mas não
obtém o resultado naturalístico esperado, em razão de circunstâncias alheias à sua
vontade. Ex.: José atira em Maria, com dolo de matar, e acerta o alvo. Maria, todavia,
sofre apenas lesões leves no braço, não vindo a falecer.
⇒ Tentativa perfeita (ou acabada ou crime falho) – Ocorre quando o agente esgota
completamente os meios de que dispunha para alcançar o resultado. Ex.: José atira em
Maria, com dolo de matar, descarregando todos os projéteis da pistola. Acreditando ter
provocado a morte, vai embora satisfeito. Todavia, Maria é socorrida e não morre.
⇒ Tentativa imperfeita (ou inacabada) – Ocorre quando o agente, antes de esgotar toda a
sua potencialidade lesiva, é impedido por circunstâncias alheias, sendo forçado a
interromper a execução. Ex.: José possui um revólver com 06 projéteis. Dispara os 03
primeiros contra Maria, mas antes de disparar o quarto é surpreendido pela chegada
da Polícia Militar, de forma que foge sem completar a execução, e Maria não morre.

É possível a mescla de espécies de tentativa entre as duas primeiras com as duas últimas (cruenta
e imperfeita, incruenta e imperfeita, etc.), mas nunca entre elas mesmas (ao mesmo tempo
cruenta e incruenta ou perfeita e imperfeita), por questões lógicas.

Em regra, todos os crimes admitem tentativa. Entretanto, não admitem tentativa:

⇒ Crimes culposos – Nestes crimes o resultado naturalístico não é querido pelo agente,
logo, a vontade dele não é dirigida a um fim ilícito e, portanto, não ocorrendo este,
não há que se falar em interrupção involuntária da execução do crime3.
⇒ Crimes preterdolosos – Como nestes crimes existe dolo na conduta precedente e culpa
na conduta seguinte, a conduta seguinte é culposa, não se admitindo, portanto,
tentativa.
⇒ Crimes unissubsistentes – São aqueles que se produzem mediante um único ato, não
cabendo fracionamento de sua execução. Assim, ou o crime é consumado ou sequer
foi iniciada sua execução. EXEMPLO: Injúria verbal praticada presencialmente. Ou o
agente profere a injúria e o crime está consumado ou ele sequer chega a proferi-la, não
chegando o crime a ser iniciado.
⇒ Crimes omissivos próprios – Seguem a mesma regra dos crimes unissubsistentes (pois
todo crime omissivo próprio é unissubsistente), pois ou o agente se omite, e pratica o
crime na modalidade consumada ou não se omite, hipótese na qual não comete crime.
⇒ Contravenções penais – A tentativa, nesse caso, até pode ocorrer, mas não será
punível, nos termos do art. 4° do Decreto-Lei n° 3.688/41 (Lei das Contravenções
penais).

3
Todavia, no excepcional caso de “culpa imprópria”, como o agente quis o resultado, mas está recebendo a pena
relativa ao crime culposo por questões de política criminal, será cabível a tentativa, pois é possível que o agente
tente obter o resultado, por erro evitável, não consiga, e teremos um crime tentado, Como o agente não responderá
pelo dolo, mas por culpa, poderemos ter um crime culposo em sua forma tentada.

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⇒ Crimes de atentado (ou de empreendimento) – São crimes que se consideram


consumados com a obtenção do resultado ou ainda com a tentativa deste. Por
exemplo: O art. 352 tipifica o crime de “evasão”, dizendo: “evadir-se ou tentar
evadir-se”... Desta maneira, ainda que não consiga o preso se evadir, o simples fato de
ter tentado isto já consuma o crime.
⇒ Crimes habituais – Nestes crimes, o agente deve praticar diversos atos, habitualmente,
a fim de que o crime se consume. Entretanto, o problema é que cada ato isolado é um
indiferente penal. Assim, ou o agente praticou poucos atos isolados, não cometendo
crime, ou praticou os atos de forma habitual, cometendo crime consumado. Exemplo:
Crime de curandeirismo, no qual ou o agente pratica atos isolados, não praticando
crime, ou o faz com habitualidade, praticando crime consumado, nos termos do art.
284, I do CP.

REGRINHA para gravar: CCHOUPE não admite tentativa!

Contravenções

Culposos

Habituais

Omissivos próprios

Unissubsistentes

Preterdolosos

Empreendimento (ou de atentado)

13 Crime impossível

Nos termos do Código Penal:

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Como podemos perceber, o crime impossível (“tentativa inidônea” ou “crime oco” ou “quase
crime”) guarda semelhanças com a tentativa, entretanto, com ela não se confunde.

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Na tentativa, propriamente dita (tentativa idônea), o agente inicia a execução do crime, mas por
circunstâncias alheias à sua vontade o resultado não se consuma (art. 14, II do CPC).

No crime impossível, diferentemente do que ocorre na tentativa, embora o agente inicie a


execução do delito, JAMAIS o crime se consumaria, em hipótese nenhuma, ou pelo fato de que
o meio utilizado é completamente ineficaz ou porque o objeto material do crime é impróprio
para aquele crime. Ou seja, uma situação prévia à execução impede por completo a consumação
do crime. Exemplos:

EXEMPLO: Imaginem que Marcelo pretenda matar sua sogra Maria. Marcelo chega, à
surdina, de noite, e percebendo que Maria dorme no sofá, desfere contra ela 10
facadas no peito. No entanto, no laudo pericial se descobre que Maria já estava morta,
em razão de um mal súbito que sofrera horas antes.

Nesse caso, o crime é impossível, pois o objeto material (a sogra, Maria) não era uma
pessoa, mas um cadáver. Logo, não há como se praticar o crime de homicídio em face
de um cadáver.

No mesmo exemplo, imagine que Marcelo pretenda matar sua sogra a tiros e,
surpreenda-a na servidão que dá acesso à casa. Entretanto, quando Marcelo aperta o
gatilho, percebe que, na verdade, foi enganado pelo vendedor, que o vendeu uma
arma de brinquedo.

Nesse último caso o crime é impossível, pois o meio utilizado por Marcelo é
completamente ineficaz para causar a morte da vítima.

Em ambos os casos temos hipótese de crime impossível.

Na verdade, o crime impossível é uma espécie de tentativa, com a circunstância de que jamais
poderá se tornar consumação, face à impropriedade (absoluta) do objeto ou do meio utilizado.
Por isso, não se pode punir a tentativa nestes casos, eis que não houve lesão ou sequer
exposição do bem jurídico a risco de lesão, não bastando para a punição do agente o mero
desvalor da conduta, devendo haver um mínimo de desvalor do resultado (uma chance mínima
de ofensa ao bem jurídico).

CUIDADO! A ineficácia do meio ou a impropriedade do objeto devem ser absolutas, ou seja, em


nenhuma hipótese, considerando aquelas circunstâncias, o crime poderia se consumar. Assim, se

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Márcio atira em José, com intenção de matá-lo, mas o crime não se consuma porque José usava
um colete à prova de balas, não há crime impossível, pois o crime poderia se consumar4.

Como o CP previu a impossibilidade de punição da tentativa inidônea (crime impossível), diz-se


que o CP adotou a teoria objetiva da punibilidade do crime impossível.5

14 Desistência voluntária e arrependimento eficaz6

Ambos os institutos estão previstos no art. 15 do CP:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
==28dc4f==

Embora a Doutrina tenha se dividido quanto à definição da natureza jurídica destes institutos, a
Doutrina majoritária entende se tratar de causas de exclusão da tipicidade, pois não tendo
ocorrido o resultado, e também não se tratando de hipótese tentada, não há como se punir a
conduta inicialmente pretendida pelo agente nem a título de consumação nem a título de
tentativa, respondendo o agente apenas pelos atos já praticados.

Como a desistência voluntária e o arrependimento eficaz afastam a tipicidade no que tange ao


objetivo inicialmente pretendido pelo agente, a Doutrina alemã denomina esses institutos como
“ponte de ouro para a legalidade”.

Na desistência voluntária o agente, por ato voluntário, desiste de dar sequência aos atos
executórios, mesmo podendo fazê-lo. Conforme a clássica fórmula de Frank:

⇒ Na tentativa – O agente quer, mas não pode prosseguir.


⇒ Na desistência voluntária – O agente pode, mas não quer prosseguir.

Para que fique caracterizada a desistência voluntária, é necessário que o resultado não ocorra em
razão da desistência do agente.

EXEMPLO: José, querendo matar Pedro, desfere neste uma facada na região do
abdome. Pedro cai no chão, com dores, mas aquela única facada não seria suficiente.
Quando José se aproxima para desferir outras facadas, dando sequência à conduta

4
O STJ já sumulou entendimento, por exemplo, no sentido de que a presença de câmeras e dispositivos eletrônicos
de segurança em estabelecimentos comerciais não afasta a possibilidade de consumação do crime de furto. Assim,
se o agente tenta sair do local com um produto escondido (furto), mas é detido pelos seguranças, não há crime
impossível, pois havia uma possibilidade, ainda que pequena, de que ele conseguisse burlar o sistema e causar o
prejuízo ao bem jurídico tutelado (patrimônio do estabelecimento)
5
BITENCOURT, Op. cit., p. 542/543.
6
Também chamados de tentativa abandonada ou tentativa qualificada.

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criminosa, lembra-se da amizade antiga entre eles, e voluntariamente abandona a


execução. Pedro não morre, sofrendo apenas lesões leves.

No exemplo acima, o agente iniciou a execução, mas a consumação não se deu não por fatores
alheios à sua vontade, mas pela própria vontade do agente, que voluntariamente abandonou a
execução, mesmo podendo prosseguir. Nesse caso, deve-se desprezar o intento inicial do agente
(embora inicialmente quisesse a morte da vítima, esse intento inicial será desprezado), de forma
que o agente não responderá nem por homicídio consumado (claro, não houve morte) nem por
homicídio tentado (já que para que houvesse tentativa seria necessário que o resultado não
tivesse ocorrido por fatores estranhos à vontade do agente, o que não foi o caso).

Então o agente ficará impune? Não. Os atos até então praticados, objetivamente considerados,
desprezando-se o intento inicial, serão imputados ao agente. Assim, no exemplo anterior, José,
embora não responda por homicídio, responderá pelos resultados causados, ou seja, responderá
por lesão corporal leve.

No arrependimento eficaz é um pouco diferente. Aqui o agente já praticou todos os atos


executórios que queria e podia, mas após isto, se arrepende do ato e adota medidas que
acabam por impedir a consumação do resultado.

Há, portanto, a finalização da execução e a prática de uma nova conduta, sendo que a nova
conduta impede a produção do resultado anteriormente desejado.

EXEMPLO: José, querendo matar Pedro, desfere neste cinco facadas na região do
abdome. Pedro cai no chão, com muitas dores e sangrando muito. José sabe que
aquelas facadas serão suficientes para que Pedro venha a falecer, então finaliza a
execução e vai embora. Minutos depois, arrependido, José volta ao local e socorre
Pedro, levando-o rapidamente ao hospital. Pedro, em razão do pronto socorro
recebido, não morre, ficando apenas com lesão corporal grave.

Veja que, no exemplo anterior, a execução já havia finalizado, mas o agente se arrependeu e
praticou nova conduta para evitar a ocorrência do resultado morte. Assim, houve arrependimento
eficaz.

A solução no arrependimento eficaz será a mesma prevista para a desistência voluntária. Logo, no
último exemplo, José não responderá por homicídio (nem consumado nem tentado), mas será
responsabilizado pela lesão corporal grave causada em Pedro.

Para que estes institutos ocorram, é necessário que a conduta (desistência voluntária e
arrependimento eficaz) impeça a consumação do resultado. Se o resultado, ainda assim, vier a
ocorrer, o agente responderá pelo crime, incidindo, no entanto, uma atenuante de pena
genérica, prevista no art. 65, III, b do CP.

A Doutrina entende que também há desistência voluntária quando o agente deixa de prosseguir
na execução para fazê-la mais tarde, por qualquer motivo, por exemplo, para não levantar

10

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suspeitas. Nesse caso, mesmo não sendo nobre o motivo da desistência, a Doutrina entende que
há desistência voluntária, enquanto o agente não retomar a execução.

Caso o crime tenha sido praticado em concurso de pessoas e somente um deles realiza a
conduta de desistência voluntária ou arrependimento eficaz, esta circunstância se comunica aos
demais, pois como se trata de hipótese de exclusão da tipicidade, trata-se de uma questão
objetiva, beneficiando a todos.

15 Arrependimento posterior

O arrependimento posterior, por sua vez, não exclui o crime, pois este já se consumou, mas é
causa obrigatória de diminuição de pena. Ocorre quando, nos crimes em que não há violência ou
grave ameaça à pessoa, o agente, até o recebimento da denúncia ou queixa, repara o dano
provocado ou restitui a coisa. Nos termos do art. 16 do CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

EXEMPLO: Imagine o crime de dano (art. 163 do CP), no qual o agente quebra a
vidraça de uma padaria, revoltado com o esgotamento do pão francês naquela tarde.
Nesse caso, se antes do recebimento da queixa o agente ressarcir o prejuízo causado,
ele responderá pelo crime, mas a pena aplicada deverá ser diminuída de um a dois
terços.

Vejam que não se aplica o instituto se o crime é cometido com violência ou grave ameaça à
pessoa. O emprego de violência contra coisa não impede a aplicação do instituto e a
consequente redução de pena.

A Doutrina entende que se a violência for culposa, pode ser aplicado o instituto. Assim, se o
agente comete lesão corporal culposa (violência culposa), e antes do recebimento da queixa
paga todas as despesas médicas da vítima, presta todo o auxílio necessário, deve ser aplicada a
causa de diminuição de pena.

No caso de violência imprópria, a Doutrina se divide. A violência imprópria é aquela


na qual não há violência propriamente dita, mas o agente reduz a vítima à
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impossibilidade de defesa (ex. Amordaça e amarra o caixa da loja no crime de roubo).


Parte da Doutrina entende que o benefício pode ser aplicado, parte entende que não
pode. Prevalece, embora não seja pacífico, o entendimento de que é cabível o
arrependimento posterior quando há violência imprópria apenas.

O arrependimento posterior se comunica aos demais agentes (no caso de concurso de pessoas)?
Duas correntes:

⇒ 1º corrente – O arrependimento posterior é circunstância de natureza subjetiva, não se


comunicando entre os agentes.
⇒ 2º corrente – O arrependimento posterior é circunstância objetiva, comunicando-se aos
demais agentes, que também serão beneficiados com a redução de pena (prevalece na
Doutrina7).

A Doutrina entende, ainda, que se a vítima se recusar a receber a coisa ou a reparação do dano,
mesmo assim o agente deverá receber a causa de diminuição de pena.

O quantum da diminuição da pena (um terço a dois terços) irá variar conforme a celeridade da
reparação do dano ou restituição da coisa. Quanto mais rápida a reparação/restituição, maior a
redução; quanto mais demorar, menor a redução.8

Vamos sintetizar isso tudo? O quadro abaixo pode ajudar vocês na compreensão dos institutos
da tentativa, da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento posterior:

QUADRO ESQUEMÁTICO

INSTITUTO RESUMO CONSEQUÊNCIAS

Agente pratica a conduta delituosa, mas por


Responde pelo crime, com
TENTATIVA circunstâncias alheias à sua vontade, o resultado não
redução de pena de 1/3 a 2/3.
ocorre.
Responde apenas pelos atos já
O agente INICIA a prática da conduta delituosa, mas se praticados. Desconsidera-se o
DESISTÊNCIA
arrepende, e CESSA a atividade criminosa (mesmo “intento inicial”, e o agente é
VOLUNTÁRIA
podendo continuar) e o resultado não ocorre. punido apenas pelos danos
que efetivamente causou.
O agente INICIA a prática da conduta delituosa E Responde apenas pelos atos já
ARREPENDIMENTO
COMPLETA A EXECUÇÃO DA CONDUTA, mas se praticados. Desconsidera-se o
EFICAZ
arrepende do que fez e toma as providências para que o “intento inicial”, e o agente é

7
Ver, por todos: JESUS, Damásio. E. de. Direito Penal. Vol.1 – Parte Geral, 24º edição. São Paulo, Saraiva, 2001, p.
348. MIRABETE, Júlio Fabrini. Manual de Direito Penal. Vol.1 – Parte Geral, 24º edição. São Paulo, Ed. Atlas, 2008, p.
158
8
MIRABETE, Júlio Fabrini. Manual de Direito Penal. Vol.1 – Parte Geral, 24º edição. São Paulo, Ed. Atlas, 2008, p.
158.

12

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resultado inicialmente pretendido não ocorra. O punido apenas pelos danos


resultado NÃO ocorre. que efetivamente causou.
O agente completa a execução da atividade criminosa e
o resultado efetivamente ocorre. Porém, após a
ocorrência do resultado, o agente se arrepende E
REPARA O DANO ou RESTITUI A COISA.
ARREPENDIMENTO O agente tem a pena reduzida
POSTERIOR 1. Só pode ocorrer nos crimes cometidos sem violência de 1/3 a 2/3.
ou grave ameaça à pessoa

2. Só tem validade se ocorre antes do recebimento da


denúncia ou queixa.

​ DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

Arts. 14 a 17 do CP - Consumação e tentativa:

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


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Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição


legal; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias


alheias à vontade do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Pena de tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena


correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Desistência voluntária e arrependimento eficaz (Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Arrependimento posterior (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Crime impossível (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

​ SÚMULAS PERTINENTES

31 Súmulas do STJ

Súmula 567 do STJ – Durante algum tempo se discutiu, principalmente na Doutrina, se a


existência de sistema de vigilância ou monitoramento eletrônico seria um impedimento absoluto
à consumação do delito de furto, caracterizando crime impossível. O STJ, já há algum tempo,
havia solidificado entendimento no sentido de que tal fato não impede, em absoluto, a
consumação do furto, motivo pelo qual não há que se falar em crime impossível, mas em
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tentativa, já que o meio utilizado não é absolutamente ineficaz. Em razão disso, foi editado o
verbete de súmula 567 do STJ:

Súmula 567 do STJ - Sistema de vigilância realizado por monitoramento


eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento
comercial, por si só, não torna impossível a configuração do crime de furto.

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INTRODUÇÃO – ILICITUDE
A conduta deve ser considerada um fato típico para que o primeiro elemento do crime esteja presente.
Entretanto, isso não basta. Uma conduta enquadrada como fato típico pode não ser ilícita perante o direito.
Assim, a antijuridicidade (ou ilicitude) é a condição de contrariedade da conduta perante o Direito.

Estando presente o primeiro elemento (fato típico), presume-se presente a ilicitude, devendo o acusado
comprovar a existência de uma causa de exclusão da ilicitude. Percebam, assim, que uma das funções do
fato típico é gerar uma presunção de ilicitude da conduta, que pode ser desconstituída diante da presença
de uma das causas de exclusão da ilicitude.1

As causas de exclusão da ilicitude podem ser:

 Genéricas – São aquelas que se aplicam aos crimes em geral, não sendo previstas apenas para um
determinado crime ou determinado grupo de crimes. Estão previstas na parte geral do Código
Penal, em seu art. 23.
 Específicas – São aquelas que são próprias de determinados crimes, não se aplicando a outros. Ex.:
Situações de aborto permitido (art. 128 do CP). Nesse caso, tais excludentes (ser a única forma de
salvar a vida da gestante OU se tratar de gravidez decorrente de aborto) são previstas apenas para
o crime de aborto.

As causas genéricas de exclusão da ilicitude são: a) estado de necessidade; b) legítima defesa; c) exercício
regular de um direito; d) estrito cumprimento do dever legal. Entretanto, a Doutrina majoritária e a
Jurisprudência entendem que existem causas supralegais de exclusão da ilicitude (não previstas na lei, mas
que decorrem da lógica, como o consentimento do ofendido nos crimes contra bens disponíveis).

DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

 Arts. 23 a 25 do CP – Exclusão da ilicitude:

1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal – Parte Geral. Ed. Saraiva, 21º edição. São Paulo, 2015, p. 346

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Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
==28dc4f==

excesso doloso ou culposo. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Estado de necessidade

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o
perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Legítima defesa

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo, considera-se


também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele agressão ou risco de
agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes. (Incluído pela Lei 13.964/19)

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ESTADO DE NECESSIDADE
Está previsto no art. 24 do Código Penal:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

O Brasil adotou a teoria unitária de estado de necessidade, que estabelece que o bem jurídico protegido
deve ser de valor igual ou superior ao sacrificado, afastando-se em ambos os casos a ilicitude da conduta
(estado de necessidade justificante).

EXEMPLO: Marcos e João estão num avião que está caindo. Só há uma mochila com paraquedas.
Marcos agride João até causar-lhe a morte, a fim de que o paraquedas seja seu e ele possa se
salvar. Nesse caso, o bem jurídico que Marcos buscou preservar (vida) é de igual valor ao bem
sacrificado (Vida de João). Assim, Marcos não cometeu crime, pois agiu coberto por uma
excludente de ilicitude, que é o estado de necessidade.

No caso de o bem sacrificado ser de valor maior que o bem protegido, o agente responde pelo crime, mas
sua pena poderá, a depender das circunstâncias, ser reduzida pelo Juiz.1 Nos termos do art. 24, § 2° do CP:

Art. 24 (...) § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena
poderá ser reduzida de um a dois terços.

Assim, se era razoável entender que o agente deveria sacrificar o bem que na verdade escolheu proteger,
ele responde pelo crime, mas, em razão das circunstâncias, sua pena poderá ser diminuída de um a dois
terços, conforme o caso.

Os requisitos para a configuração do estado de necessidade são basicamente dois: a) a existência de uma
situação de perigo atual a um bem jurídico próprio ou de terceiro; b) o fato necessitado (conduta do agente
na qual ele sacrifica o bem alheio para salvar o próprio ou do terceiro).

Entretanto, a situação de perigo deve:

 Não ter sido criada voluntariamente pelo agente (ou seja, se foi ele mesmo quem deu causa, não
poderá sacrificar o direito de um terceiro a pretexto de salvar o seu). EXEMPLO: O agente provoca
ao naufrágio de um navio e, para se salvar, mata um terceiro, a fim de ficar com o último colete

1 Bitencourt sustenta que, apesar da adoção da teoria unitária, quando a escolha do agente por sacrificar determinado bem em
detrimento de outro não for a mais correta de acordo com o Direito, mas puder ser considerada como algo que qualquer pessoa
acabaria fazendo da mesma forma, teríamos o estado de necessidade exculpante supralegal, ou seja, o Juiz poderia afastar a
culpabilidade do agente por considerar ser inexigível conduta diversa. BITENCOURT, Op. cit., p. 411/413

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disponível. Nesse caso, embora os bens sejam de igual valor, a situação de perigo foi criada pelo
próprio agente, logo, ele não estará agindo em estado de necessidade.2
 Perigo atual – O perigo deve estar ocorrendo. A lei não permite o estado de necessidade diante de
um perigo futuro.
 A situação de perigo deve estar expondo a risco de lesão um bem jurídico do próprio agente ou de
um terceiro.
 O agente não pode ter o dever jurídico enfrentar o perigo.3
 Ser conhecida pelo agente – O agente deve saber que está agindo em estado de necessidade
(elemento subjetivo). Trata-se do chamado “conhecimento da situação justificante”.

Quanto à conduta do agente, ela deve ser:

 Inevitável – O bem jurídico protegido só seria salvo daquela maneira. Não havia outra forma de
salvar o bem jurídico.
 Proporcional – O agente deve sacrificar apenas bens jurídicos de menor ou igual valor ao que
pretende proteger.

O estado de necessidade pode ser

 Agressivo – Quando para salvar o bem jurídico o agente sacrifica bem jurídico de um terceiro que
não provocou a situação de perigo.
 Defensivo – Quando o agente sacrifica um bem jurídico de quem ocasionou a situação de perigo.

Pode ser ainda:

 Real – Quando a situação justificante (as circunstâncias de fato, que autorizariam o agente a atuar
em estado de necessidade) de fato existe.
 Putativo – Quando a situação justificante (as circunstâncias de fato, que autorizariam o agente a
atuar em estado de necessidade) não existe no mundo real, apenas na imaginação do agente.

EXEMPLO: Imaginemos que no caso do colete salva-vidas, ao invés de ser o último, existisse ainda
uma sala repleta deles. Assim, a situação de perigo apenas passou pela cabeça do agente, não
sendo a realidade, pois havia mais coletes. Nesse caso, o agente incorreu em erro, que se for um
erro escusável (o agente não tinha como saber da existência dos outros coletes), excluirá a
imputação do delito (a maioria da Doutrina entende que teremos exclusão da culpabilidade). Já
se o erro for inescusável (o agente era marinheiro há muito tempo, devendo saber que existia mais

2 A Doutrina se divide quanto à abrangência da expressão “voluntariamente”. Alguns sustentam que tanto a causação culposa quanto
a dolosa afastam a possibilidade de caracterização do estado de necessidade (Por todos, ASSIS TOLEDO). Outros defendem que
somente a causação DOLOSA impede a caracterização do estado de necessidade (Por todos, DAMÁSIO DE JESUS e CEZAR
ROBERTO BITENCOURT). BITENCOURT, Op. cit., p. 419
3Todavia, a Doutrina entende que se não há mais como enfrentar a situação, é possível alegar o estado de necessidade, mesmo
por aquele que teria o dever de enfrentar o perigo. Entende-se que não se pode exigir do agente um ato de heroísmo, sacrificando
a própria vida em prol de terceiros.

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coletes), o agente responde pelo crime cometido, mas na modalidade culposa, se houver previsão
em lei.

Alguns pontos importantes:

ESTADO DE NECESSIDADE
É possível, desde que ambos não tenham criado a situação de perigo.
RECÍPROCO
Existe. Se um dos autores houver praticado o fato em estado de
COMUNICABILIDADE
necessidade, o crime fica excluído para todos eles.
Pode acontecer, e o agente permanece coberto pelo estado de
necessidade. Ex.: Paulo atira em Mário, visando sua morte, para tomar-
ERRO NA EXECUÇÃO lhe o último colete do navio. Entretanto, acerta João. Nesse caso, Paulo
permanece acobertado pelo estado de necessidade, pois se considera
praticado o crime contra a vítima pretendida, não a atingida.
==28dc4f==

O STJ entende que a simples alegação de miserabilidade não gera o


estado de necessidade para que seja excluída a ilicitude do fato.
MISERABILIDADE
Entretanto, em determinados casos, poderá excluir a culpabilidade, em
razão da inexigibilidade de conduta diversa (estudaremos mais à frente).

DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

 Arts. 23 a 24 do CP – Estado de necessidade:

Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Estado de necessidade

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Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o
perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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​ LEGÍTIMA DEFESA
Nos termos do art. 25 do CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem.

O agente deve ter praticado o fato para repelir uma agressão. Contudo, há alguns requisitos:

REQUISITOS PARA A CONFIGURAÇÃO DA LEGÍTIMA DEFESA


● Agressão Injusta – Assim, se a agressão é justa, não há legítima defesa. Dessa forma, o preso que
agride o carcereiro que o está colocando para dentro da cela não age em legítima defesa, pois a
agressão do carcereiro (empurrá-lo à força) é justa, autorizada pelo Direito.
● Atual ou iminente – A agressão deve estar acontecendo ou prestes a acontecer. Veja que aqui,
diferente do estado necessidade, não há necessidade de que o fato seja atual, bastando que seja
iminente. Desta maneira, se Paulo encontra, em local ermo, Poliana, sua ex-mulher, que por vingança
ameaçou matá-lo, e esta saca uma arma, Paulo poderá repelir essa agressão iminente, pois ainda que
não tenha acontecido, não se pode exigir que Paulo aguarde Poliana começar a efetuar os disparos
para se defender.
● Contra direito próprio ou alheio – A agressão injusta pode estar acontecendo ou prestes a acontecer
contra direito do próprio agente ou de um terceiro. Assim, p. ex., se Paulo agride Roberto porque este
está agredindo Poliana, e Paulo o faz para repelir a agressão injusta em curso contra a integridade
corporal de Poliana, não comete crime, pois agiu em legítima defesa da integridade física de terceiro
(Poliana).
● Reação proporcional – O agente deve repelir a injusta agressão utilizando moderadamente dos meios
necessários, ou seja, o agente deve fazer uso dos meios necessários para afastar a agressão injustas,
mas deve fazer uso moderado de tais meios, de forma que eventual excesso será punido.
● Conhecimento da situação justificante – O agente deve saber que está agindo em legítima defesa, ou
seja, deve conhecer a situação justificante e agir com intenção de defesa (animus defendendi)1.

Quando uma pessoa é atacada por um animal, em regra não age em legítima defesa,
mas em estado de necessidade, pois os atos dos animais não podem ser considerados
injustos. Entretanto, se o animal estiver sendo utilizado como instrumento de um crime
(dono determina ao cão bravo que morda a vítima), o agente poderá agir em legítima
defesa. Entretanto, a legítima defesa estará ocorrendo em face da agressão do dono
(o cachorro é apenas a ferramenta da agressão), e não em face do animal.

Com relação às agressões praticadas por inimputável, a Doutrina se divide, mas a maioria
esmagadora entende que nesse caso há legítima defesa, e não estado de necessidade, pois o

1
Apesar de haver uma pequena discussão a respeito, prevalece este entendimento na Doutrina.

1
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inimputável pratica fato típico e ilícito (injusto penal), logo, eventual agressão será considerada
injusta, ainda que o agente não tenha culpabilidade.

Na legítima defesa, diferentemente do que ocorre no estado de necessidade, o agredido (que


age em legítima defesa) não é obrigado a fugir do agressor, ainda que possa. A lei permite que
o agredido revide e se proteja, ainda que lhe seja possível fugir. Ou seja, ainda que o agente
pudesse optar por uma saída mais cômoda (commodus discessus), fugindo, isso não afastará a
possibilidade de reconhecimento da legítima defesa.

EXEMPLO: José e Pedro discutem no trânsito. Em dado momento, José sai do carro
com uma barra de ferro para matar Pedro. Pedro tinha a opção mais cômoda de
acelerar seu carro e fugir. Porém, resolveu sair e se defender. Ainda assim Pedro estará
atuando em legítima defesa.

A reação do agente, por sua vez, deve ser proporcional. Ou seja, os meios utilizados por ele
devem ser suficientes e necessários a repelir a agressão injusta, mas o uso de tais meios deve ser
moderado, ou seja, uma utilização nos estritos limites do necessário para repelir a agressão
injusta.

EXEMPLO: José, rapaz baixo e franzino, sem qualquer conhecimento de artes marciais
ou algo semelhante, dá um tapa em Paulo, rapaz alto e forte, e parte para cima para
desferir outros tapas. Os referidos tapas não são capazes de provocar graves lesões
em Paulo, dadas as condições físicas dos dois. Paulo, de forma a repelir a injusta
agressão, saca sua pistola e desfere 05 tiros no peito de José, provocando sua morte.
Neste caso, Paulo não pode alegar legítima defesa, eis que sua reação não foi
proporcional, já que não utilizou moderadamente dos meios necessários. Bastava um
tiro para o alto, ou a imobilização do agressor, etc.

A legítima defesa pode ser:

⇒ Agressiva – Quando o agente pratica um fato previsto como infração penal. Assim,
se A agride B e este, em legítima defesa, agride A, está cometendo lesões corporais
(art. 129), mas não há crime, em razão da presença da causa excludente da ilicitude.

⇒ Defensiva – O agente se limita a se defender, não atacando nenhum bem jurídico


do agressor.

⇒ Própria – Quando o agente defende um bem jurídico próprio.

⇒ De terceiro (de outrem) – Quando defende bem jurídico pertencente a outra


pessoa.

⇒ Real – Quando a situação justificante (a agressão injusta atual ou iminente) existe,


de fato, no mundo real.

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⇒ Putativa – Quando a situação justificante (a agressão injusta atual ou iminente) não


existe no mundo real. Ou seja, o agente pensa que está sendo agredido ou que
esta agressão está prestes a ocorrer, mas, na verdade, trata-se de fruto da sua
imaginação. Aqui, aplica-se o que foi dito acerca do estado de necessidade
putativo!

A legítima defesa não é presumida. Aquele que a alega deve provar sua ocorrência, pois, como
estudamos, a existência do fato típico tem o condão de fazer presumir a ilicitude da conduta,
cabendo ao acusado provar a existência de uma das causas de exclusão da ilicitude (ou, ao
menos, criar na cabeça do Juiz uma dúvida razoável a respeito da existência da excludentes de
ilicitude).

CUIDADO! A legítima defesa sucessiva é possível! É aquela na qual o agredido


injustamente acaba por se exceder nos meios para repelir a agressão. Nesse caso,
como há excesso, esse excesso não é permitido. Logo, aquele que primeiramente
agrediu, agora poderá agir em legítima defesa.
EXEMPLO: José agride Pedro, com socos e pontapés. Pedro, para se defender, dá um
soco em José e o imobiliza (legítima defesa). Já estando José imobilizado e sem
oferecer qualquer risco, Pedro continua a agredir José (excesso), por estar com muita
raiva. José, então, o agressor inicial, poderá agora repelir essa injusta agressão de
Pedro (legítima defesa sucessiva).

Da mesma forma que no estado de necessidade, se o agredido erra ao revidar a agressão e


atinge pessoa que não tem relação com a agressão (erro acidental), continuará amparado pela
excludente de ilicitude, pois o fato se considera praticado contra a pessoa almejada, não contra a
efetivamente atingida.

EXEMPLO: José, policial civil, se dirige a determinada localidade para cumprir um


mandado. Lá chegando é recebido a tiros por criminosos locais. Para se defender, José
inicia uma troca de tiros contra os criminosos. Ao mirar num dos criminosos, porém,
erra o disparo e atinge uma senhora que estava chegando em sua casa. A vítima vem a
falecer. Nesse caso, embora José tenha matado uma pessoa absolutamente inocente,
ainda assim haverá legítima defesa, eis que numa situação como essa (erro na
execução, ou aberratio ictus), deve-se levar em consideração a vítima visada, ou seja, a
conduta de José será analisada juridicamente como se ele tivesse acertado a vítima
pretendida (o criminoso).

No caso de legítima defesa de terceiro, duas hipóteses podem ocorrer:

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⇒ O bem do terceiro que está sendo lesado é disponível (bens materiais, etc.) – Nesse
caso, o terceiro deve concordar com que o agente atue em seu favor.

⇒ O bem do terceiro é indisponível (Vida, por exemplo) – Nesse caso, o agente poderá
repelir esta agressão injusta ainda que o terceiro não concorde com esta atitude, pois o
bem agredido é um bem de caráter indisponível.

==28dc4f==

Vocês devem ficar atentos a alguns pontos:

⇒ Não cabe legítima defesa real em face de legítima defesa real, pois se o primeiro age em
legítima defesa real, sua agressão não é injusta, o que impossibilita reação em legítima
defesa. Ou seja, a chamada legítima defesa real recíproca não é possível.

EXEMPLO: José agride Pedro. Veja, se a agressão de José for injusta, Pedro poderá
agir em legítima defesa real. Porém, a agressão de Pedro contra José, naturalmente
não será injusta, pois está justificada pela legítima defesa real (causa de justificação,
excludente de ilicitude). Logo, José não terá como se defender da agressão de Pedro
alegando legítima defesa, pois a agressão de Pedro é uma agressão justa.
Mas e se Pedro, após se defender legitimamente, se exceder? Nesse caso, o excesso
é punível, sendo considerado uma agressão injusta, autorizando José (o agressor
inicial) a se defender em legítima defesa. Todavia, nesse caso não haverá legítima
defesa recíproca (aquela que ocorre ao mesmo tempo), mas legítima defesa sucessiva.

⇒ Cabe legítima defesa real em face de legítima defesa putativa - Assim, se A pensa estar
sendo ameaçado por B e o agride (legítima defesa putativa), B poderá agir em legítima
defesa real. Isto porque a atitude de A não é justa, logo, é uma agressão injusta, de
forma que B poderá se valer da legítima defesa (A até pode não ser punido por sua
conduta, mas isso se dará pela exclusão da culpabilidade em razão da legítima defesa
putativa).

⇒ Se o agredido se excede, o agressor passa a poder agir em legítima defesa (legítima


defesa sucessiva).

⇒ Sempre caberá legítima defesa em face de conduta que esteja acobertada apenas por
causa de exclusão da culpabilidade (pois nesse caso a agressão é típica e ilícita, embora
não culpável).

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⇒ NUNCA haverá possibilidade de legítima defesa real em face de qualquer causa de


exclusão da ilicitude real.

Por fim, importante destacar que a Lei 13.964/19 (Pacote “anticrime”) incluiu um § único ao art.
25 do CP. Vejamos:

Art. 25 (...) Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste


artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública
que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a
prática de crimes.” (NR)

O referido parágrafo estabelece que, observados os requisitos de toda e qualquer legítima


defesa (reação proporcional, agressão injusta atual ou iminente, etc.), considera-se em legítima
defesa o agente de segurança pública que atua para repelir agressão atual ou iminente a vítima
mantida refém durante a prática de crimes.

Ora, isso era absolutamente desnecessário. Evidentemente que se o agente de segurança


pública age em casos tais, desde que o faça nos estritos limites do art. 25, estará agindo em
legítima defesa de outrem, fato que já estava perfeitamente abarcado pelo caput do art. 25,
sendo desnecessária a inclusão do referido § único.

O caso da chamada “legítima defesa da honra”

Durante muitos anos, em casos de homicídios passionais, as defesas sustentavam em plenário do


Tribunal do Júri a tese da legítima defesa da honra. Na maioria dos casos, o marido descobria a
infidelidade conjugal da esposa e, “para defender sua honra”, matava a esposa ou o amante (ou
ambos).

Todavia, a tese foi perdendo credibilidade perante os jurados, dada a evolução natural do
pensamento.

Mais recentemente, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do uso da tese da “legítima defesa


da honra” em crimes de feminicídio ou de agressão contra mulheres, seja no curso do processo
penal (fase pré-processual ou processual), seja no âmbito de julgamento no Tribunal do Júri.
Vejamos:

➔ Inconstitucionalidade da tese da “legítima defesa da honra”

É inconstitucional — por contrariar os princípios da dignidade da pessoa humana


(CF/1988, art. 1º, III), da proteção à vida (CF/1988, art. 5º, “caput”) e da igualdade de
gênero (CF/1988, art. 5º, I) — o uso da tese da “legítima defesa da honra” em crimes de
feminicídio ou de agressão contra mulheres, seja no curso do processo penal (fase
pré-processual ou processual), seja no âmbito de julgamento no Tribunal do Júri
(Informativo 1105).

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ADPF 779/DF - julgamento finalizado em 1º.8.2023

A ideia é impedir que a defesa utilize tal tese pois no Tribunal do Júri os jurados não
fundamentam suas decisões (sistema da íntima convicção), apenas respondendo “sim” ou “não”
às perguntas que lhes são formuladas (quesitos). Logo, o uso da tese poderia fazer com que os
jurados absolvessem o réu por este fundamento (“legítima defesa da honra”), sem que fosse
possível impugnar a decisão, já que o fundamento utilizado pelo jurado para decidir seria
desconhecido.

Porém, é importante fazer uma observação MUITO importante. A decisão do STF não implica
que a honra deva ser considerada “um bem jurídico menos relevante”, indigno de proteção por
meio de legítima defesa. Não tem nenhuma relação com isso.

A decisão do STF apenas escancara que a tese utilizada para justificar feminicídios é
absolutamente incabível, na medida em que não há, nestes casos, legítima defesa alguma, pois
não há agressão injusta atual ou iminente a ser repelida. Mais que isso: ainda que se pudesse
considerar haver agressão injusta atual ou iminente, a reação seria claramente desproporcional
(matar alguém porque foi traído ou traída). Ora, tal situação não se enquadra no conceito de
legítima defesa.

Mas, é bom frisar: é possível que alguém se valha da legítima defesa para proteger sua honra de
alguma agressão injusta atual ou iminente, desde que usando moderadamente dos meios
necessários para repelir a injusta agressão.

EXEMPLO: José, durante uma reunião de condomínio, valendo-se de um megafone,


começa a gritar que Pedro, síndico, é um safado, vagabundo e ladrão, na presença de
dezenas de outros condôminos. Pedro, percebendo a existência de uma agressão
injusta atual contra sua honra, dá um tapa no megafone de José, atirando-o ao solo, o
que danifica o aparelho. Pedro, aqui, fez uso moderado dos meios necessários para
repelir uma agressão injusta atual contra sua honra, de forma que é perfeitamente
possível reconhecer a exclusão da ilicitude pela legítima defesa.

​ DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

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⮲ Arts. 23 e 25 do CP – Legítima defesa:

Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá
pelo excesso doloso ou culposo. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Legítima defesa
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste artigo,
considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que
repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a prática de
crimes. (Incluído pela Lei 13.964/19)

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OUTRAS CAUSAS DE EXCLUSÃO DA ILIITUDE

1 Estrito cumprimento do dever legal

Nos termos do art. 23, III do CP:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (...)

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Age acobertado por esta excludente aquele que pratica fato típico, mas o faz em cumprimento a um dever
previsto em lei.

Assim, o policial tem o dever legal de manter a ordem pública. Se alguém comete crime, eventuais lesões
corporais praticadas pelo policial (quando da perseguição) não são consideradas ilícitas, pois embora tenha
sido provocada lesão corporal (prevista no art. 129 do CP), o policial agiu no estrito cumprimento do seu
dever legal. Da mesma forma, o oficial de justiça que arromba uma porta e entra na casa contra a vontade
do morador, ao cumprir um mandado judicial, não comete crime, pois sua conduta não é considerada ilícita,
já que praticada no estrito cumprimento do dever legal.

CUIDADO! Quando o policial, numa troca de tiros, acaba por ferir ou matar um suspeito, ele não
age no estrito cumprimento do dever legal, mas em legítima defesa. Isso porque o policial só está
autorizado a fazer uso da força letal contra alguém quando isso for absolutamente necessário
para repelir injusta agressão contra si ou contra terceiros.1

Se um terceiro colabora com aquele que age no estrito cumprimento do dever legal, a ele também se estende
essa causa de exclusão da ilicitude. Diz-se que há comunicabilidade.

ATENÇÃO! É muito comum ver pessoas afirmarem que essa causa só se aplica aos funcionários públicos.
Errado! O particular também pode agir no estrito cumprimento do dever legal. O advogado, por exemplo,
que se nega a testemunhar sobre fato conhecido em razão da profissão, não pratica crime, pois está
cumprindo seu dever legal de sigilo, previsto no estatuto da OAB. Esse é apenas um exemplo.

1 BITENCOURT, Cezar Roberto. Op. cit., p. 431

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2 Exercício regular de direito

O Código Penal prevê essa excludente da ilicitude também no art. 23, III:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (...)

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Dessa forma, quem age no legítimo exercício de um direito seu, não poderá estar cometendo crime, pois a
ordem jurídica deve ser harmônica, de forma que uma conduta que é considerada um direito da pessoa, não
pode ser considerada crime, por questões lógicas. Trata-se de preservar a coerência do sistema2.

Mas o direito deve estar previsto em lei? Sim! A Doutrina majoritária entende que os direitos derivados dos
costumes locais não podem ser invocados como causas de exclusão da ilicitude.
==28dc4f==

EXEMPLO: A mãe descobre que o filho, de 12 anos, aprontou na escola e resolve colocar o garoto
de castigo, trancado no quarto por 08h. Neste caso, a mãe não responde pelo crime de cárcere
privado (art. 148 do CP), pois tem o direito de agir assim, dever que decorre de seu poder familiar
sobre a criança. Não há “estrito cumprimento do dever legal”, pois a mãe não tinha o dever de
fazer isso (poderia optar por perdoar o filho, dar outro tipo de castigo, etc.).

3 Consentimento do ofendido

O consentimento do ofendido não está expressamente previsto no CP como causa de exclusão da ilicitude.
Todavia, a Doutrina é pacífica ao sustentar que o consentimento do ofendido pode, a depender do caso,
afastar a ilicitude da conduta, funcionando como causa supralegal (não prevista na Lei) de exclusão da
ilicitude).

EXEMPLO: José e Paulo combinam de fazer manobras arriscadas numa moto, estando Paulo na
garupa e José guiando a motocicleta. Nesse caso, se José perder a direção e causar lesões
culposas em Paulo, não haverá crime, eis que o consentimento de Paulo em relação à conduta
arriscada de José afasta a ilicitude da conduta.

A Doutrina elenca alguns requisitos para que o consentimento do ofendido possa ser considerado causa
supralegal de exclusão da ilicitude:

 O consentimento deve ser válido – O consentimento deve ser prestado por pessoa capaz,
mentalmente sã e livre de vícios (coação, fraude, etc.).
 O bem jurídico deve ser próprio e disponível – Assim, não há que se falar em consentimento do
ofendido quando o bem jurídico pertence a outra pessoa ou é indisponível como, por exemplo, a vida.

2 O Prof. Zaffaroni entenderia que, neste caso, o fato é atípico, pois, pela sua teoria da tipicidade conglobante, um fato nunca
poderá ser típico quando sua prática foi tolerada ou determinada pelo sistema jurídico. Fica apenas o registro, mas essa teoria não
é adotada pelo CP e Doutrinariamente é discutida. Lembrem-se: Fica apenas o registro.

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 O consentimento deve ser prévio ou concomitante à conduta – O consentimento do ofendido após


a prática da conduta não afasta a ilicitude.

4 Excesso punível

O excesso punível é o exercício irregular de uma causa excludente da ilicitude, seja porque não há mais a
circunstância que permitia seu exercício (cessou a agressão, no caso da legítima defesa, por exemplo), seja
porque o meio utilizado não é proporcional (agredido saca uma metralhadora para repelir um tapa, no caso
da legítima defesa). No primeiro caso, temos o excesso extensivo, e no segundo, o excesso intensivo. Nesses
casos, a lei prevê que aquele que se exceder responderá pelos danos que causar, art. 23, § único do CP:

Art. 23 (...) Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá
pelo excesso doloso ou culposo.

Aplica-se a qualquer das causas excludentes da ilicitude.

EXEMPLO: Determinado policial que, após prender o infrator, começa a desferir socos em seu
rosto, de forma que tais agressões não estão amparadas pelo estrito cumprimento do dever legal,
sendo consideradas como excesso punível.

DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

 Arts. 23, III do CP – Outras causas de exclusão da ilicitude:

Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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​ ERRO DE TIPO E ERRO DE PROIBIÇÃO

11 Erro de tipo essencial

Sabemos que o crime, em seu conceito analítico, é formado basicamente por três
elementos: fato típico (para alguns, tipicidade, mas a nomenclatura aqui é irrelevante), ilicitude e
culpabilidade.

Quando o agente comete um fato que se amolda perfeitamente à conduta descrita no tipo
penal (direta ou indiretamente), temos um fato típico e, como disse, estará presente, portanto, a
tipicidade.

Pode ocorrer, entretanto, que o agente pratique um fato típico por equívoco! Isso mesmo!
O agente pratica um fato considerado típico, mas o faz por ter incidido em erro sobre algum de
seus elementos.

O erro de tipo é a representação errônea da realidade, na qual o agente acredita não se


verificar a presença de um dos elementos essenciais que compõem o tipo penal.

EXEMPLO: Imaginemos o crime de desacato:

Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:

Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

Imaginemos que o agente desconhecesse a condição de funcionário público da


vítima. Nesse caso, houve erro de tipo, pois o agente incidiu em erro sobre
elemento essencial do tipo penal.

O erro de tipo pode ocorrer, também, nos crimes omissivos impróprios (comissivos por
omissão), pois o agente pode desconhecer sua condição de garantidor no caso concreto1 (aquele
que tem o dever de impedir o resultado).

EXEMPLO: Imagine que uma mãe presencie o estupro da própria filha, mas nada
faça, por não verificar tratar-se de sua filha. Nesse caso, a mãe incidiu em erro de
tipo, pois errou na representação da realidade fática acerca de elemento que
constituía o tipo penal. Ou seja, não identificou que a vítima era sua filha,
elemento este que faria surgir seu dever de intervir.

1
BITENCOURT, Op. cit., p. 512

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ATENÇÃO! Quando o erro incidir sobre elemento normativo do tipo2, há divergência na


Doutrina! Parte entende que continua se tratando de erro de tipo. Outra parte da Doutrina
entende que não se trata de erro de tipo, mas de erro de proibição, pois o agente estaria
errando acerca da licitude do fato3. Exemplo: O art. 154 do CP diz o seguinte: Art. 154 - Revelar
alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou
profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena - detenção, de três meses a um
ano, ou multa. Nesse caso, o elemento “sem justa causa” é elemento normativo do tipo. Se o
médico revela um segredo do paciente para um parente, acreditando que este poderá ajudá-lo,
e faz isso apenas para o bem do paciente, acreditando haver justa causa, quando na verdade o
parente é um tremendo fofoqueiro que só quer difamar o paciente, o médico incorreu em erro de
tipo, pois acreditava estar agindo com justa causa, que não havia. Porém, como disse a vocês,
parte da doutrina entende que aqui se trata de erro de proibição. Mas a teoria que prevalece é a
de que se trata mesmo de erro de tipo.

O erro de tipo pode ser:

● Escusável – Quando o agente não poderia conhecer, de fato, a presença do


elemento do tipo. Exemplo: “A” entra numa loja e ao sair, verifica que esqueceu sua
bolsa. Ao voltar, A encontra uma bolsa idêntica à sua, e a leva embora. Entretanto,
“A” não sabia que essa bolsa era de “B”, que estava olhando revistas distraída,
tendo sua bolsa sido levada por outra pessoa no momento em que saiu da loja pela
primeira vez. Nesse caso, “A” não tinha como imaginar que alguém, em tão pouco
tempo, haveria furtado sua bolsa e que outra pessoa deixaria no mesmo lugar uma
bolsa idêntica. Nesse caso, “A” incorreu em erro de tipo escusável, pois não
poderia, com um exercício mental razoável, saber que aquela não era sua bolsa.
● Inescusável – Ocorre quando o agente incorre em erro sobre elemento essencial do
tipo, mas poderia, mediante um esforço mental razoável, não ter agido desta
forma. Exemplo: Imaginemos que Marcelo esteja numa repartição pública e acabe
por desacatar funcionário público que lá estava. Marcelo não sabia que se tratava
de funcionário público, mas mediante esforço mental mínimo poderia ter chegado a
esta conclusão, analisando a postura da pessoa com quem falava e o que a pessoa

2
Com relação a estes termos, CEZAR ROBERTO BITENCOURT os considera como “elementos normativos especiais
da ilicitude”. Para o autor, elementos normativos seriam aqueles que demandam mero juízo de valor acerca de um
objeto (saber que o documento falsificado é público, por exemplo, no crime de falsificação de documento público).
Termos como “indevidamente”, “sem justa causa”, etc., seriam antecipação da ilicitude do fato inseridas dentro do
tipo penal. (BITENCOURT, Op. cit., p. 350). Fica apenas o registro, já que a Doutrina majoritária entende que tais
expressões são elementos normativos do tipo penal. Ver, por todos: GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit.,
p. 211.
3
BITENCOURT, Op. cit., p. 514/515

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fazia no local. Assim, Marcelo incorreu em erro de tipo inescusável, e responderia


por crime culposo, caso houvesse previsão de desacato culposo (não há).

Assim, lembrem-se:

Pode ser que se utilize o termo “Erro sobre elemento constitutivo do tipo penal”. Eu
==28dc4f==

prefiro essa nomenclatura, mas ela não é utilizada sempre.

ATENÇÃO! Existe, ainda, o que se convencionou chamar de “erro de tipo permissivo”. O que é
isso? O erro de “tipo permissivo” é o erro sobre os pressupostos objetivos de uma causa de
justificação (excludente de ilicitude). Assim, o erro de “tipo permissivo” seria, basicamente, uma
descriminante putativa por erro de fato (erro sobre os pressupostos fáticos que autorizariam o
agente a atuar amparado pela excludente de ilicitude). 4

12 Erro determinado por terceiro

No erro de tipo o agente comete o erro “sozinho”, ou seja, não é induzido a erro por
ninguém. No erro determinado (ou provocado) por terceiro o agente erra porque alguém o
induz a isso.

4
Fala-se em “tipo permissivo” em razão da teoria dos elementos negativos do tipo, surgida na Alemanha no começo
do século passado. Para esta teoria, as causas de exclusão da ilicitude seriam elementos NEGATIVOS do tipo. Ou
seja, enquanto o “tipo incriminador” propriamente dito seria a descrição da conduta proibida, as excludentes de
ilicitude corresponderiam a “ressalvas” à ilicitude da conduta. Desta forma, o que a Doutrina quis dizer foi que,
basicamente, quando o art. 121 do CP diz que “matar alguém” é crime, ele na verdade quer dizer que “matar
alguém é crime, exceto se houver alguma causa de justificação”.

Esta é uma teoria que conta com alguns adeptos e, independentemente disso, o fato é que o termo “erro de tipo
permissivo” é largamente utilizado e, portanto, digno de nota!

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Neste caso, só responde pelo delito aquele que provoca o erro. Entende-se que há, aqui,
uma modalidade de autoria mediata, na qual o autor mediato (agente provocador) utiliza o autor
imediato (agente provocado, aquele que comete o erro) como mero instrumento para seu intento
criminoso.

Ex.: Determinado médico, querendo a morte do paciente, entrega à enfermeira


(dolosamente) uma dose de veneno, e a induz a ministra-lo ao paciente,
alegando tratar-se de um sedativo. A enfermeira, sem saber do que se trata,
confiando no médico, ministra o veneno. O paciente morre. Neste caso, somente
o médico (aquele que provocou o erro) responde pelo homicídio (neste caso,
doloso).

A enfermeira, em regra, não responde por crime algum, salvo se ficar


demonstrado que agiu de forma negligente (por exemplo, se tinha plenas
condições de saber que se tratava de veneno, ou se podia desconfiar das
intenções do médico, etc.).

13 Erro de proibição

A culpabilidade (terceiro elemento do conceito analítico de crime) é formada por alguns


elementos, dentre eles, a POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE.

A POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE é a possibilidade de o agente, de acordo com


suas características, conhecer o caráter ilícito do fato. Não se trata do parâmetro do homem
médio, MAS DE UMA ANÁLISE DA PESSOA DO AGENTE.

Quando o agente age acreditando que sua conduta não é ilícita, comete erro de proibição
(art. 21 do CP).

O erro de proibição pode ser:

⮚ Escusável – Nesse caso, era impossível àquele agente, naquele caso concreto, saber
que sua conduta era contrária ao Direito. Nesse caso, exclui-se a culpabilidade e o
agente é isento de pena.
⮚ Inescusável – Nesse caso, o erro do agente quanto à proibição da conduta não é tão
perdoável, pois era possível, mediante algum esforço, entender que se tratava de
conduta ilícita. Assim, permanece a culpabilidade, respondendo pelo crime, com
pena diminuída de um sexto a um terço (conforme o grau de possibilidade de
conhecimento da ilicitude).

EXEMPLO: Um cidadão do interior do país, pessoa bem simples e de pouca


instrução formal, encontra um bem (relógio de ouro, por exemplo) e fica com ele
para si. Entretanto, mal sabe ele que essa conduta é crime, estando prevista no
CP (apropriação de coisa achada). Vejamos:

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Art. 169 - Apropriar-se alguém de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso
fortuito ou força da natureza:

Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa.

Parágrafo único - Na mesma pena incorre: (...)

Apropriação de coisa achada

II - quem acha coisa alheia perdida e dela se apropria, total ou parcialmente,


deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à
autoridade competente, dentro no prazo de 15 (quinze) dias.

Percebam que até mesmo uma pessoa de razoável intelecto é capaz de não conhecer a
ilicitude desta conduta5. Assim, o agente, diferentemente do que ocorre no erro de tipo,
REPRESENTA PERFEITAMENTE A REALIDADE (Sabe que a coisa não é sua, é uma coisa que foi
perdida por alguém), mas ACREDITA QUE A CONDUTA É LÍCITA.

Imaginem, no mesmo exemplo, que o camarada que achou o relógio, na verdade, soubesse
que não podia ficar com as coisas dos outros, mas acreditasse que o relógio era um relógio que
ele tinha perdido horas antes (quando, na verdade, era o relógio de outra pessoa). Nesse caso, o
agente sabia que não podia praticar a conduta de “se apropriar de coisa alheia perdida” (Não há,
portanto, erro de proibição), mas acreditou que a coisa não era “alheia”, achando que fosse sua
(erro de tipo). Ficou clara a diferença?

O erro de proibição pode ser direto (que é a hipótese mencionada) ou indireto. O erro de
proibição indireto ocorre quando o agente atua acreditando que existe uma causa de justificação
que o ampare. Contudo, não confundam o erro de proibição indireto com o erro de tipo
permissivo. Ambos se referem à existência de uma causa de justificação (excludente de ilicitude),
mas há uma diferença fundamental entre eles:

● Erro de tipo permissivo – O agente atua acreditando que, no caso concreto, estão
presentes os requisitos fáticos que caracterizam a causa de justificação e, portanto,

5
Não se exige que o agente conheça EXATAMENTE a tipificação penal de sua conduta, bastando que ele saiba que
sua conduta é ilícita. Assim, se o agente pratica uma determinada conduta que sabe ser ilícita (embora não saiba a
qual crime se refere), NÃO HÁ ERRO DE PROIBIÇÃO. Haveria, aqui, o que se chama de “erro de subsunção”, que é
irrelevante para fins de determinação da responsabilidade penal do agente. Isso ocorre porque não se exige do
agente que saiba EXATAMENTE a que tipo penal corresponde sua conduta. Basta que se verifique ser possível ao
agente, de acordo com suas características pessoas e sociais, saber que sua conduta é ilícita (Isso é o que se chama
de VALORAÇÃO PARALELA NA ESFERA DO PROFANO, OU DO LEIGO).

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sua conduta seria justa. Ex.: José atira contra seu filho, de madrugada, pois
acreditava tratar-se de um ladrão (acreditava que as circunstâncias fáticas autorizariam
agir em legítima defesa).
● Erro de proibição indireto – O agente atua acreditando que existe, EM ABSTRATO,
alguma descriminante (causa de justificação) que autorize sua conduta. Trata-se de
erro sobre a existência e/ou limites de uma causa de justificação em abstrato. Erro,
portanto, sobre o ordenamento jurídico6. Ex.: José encontra-se num barco que está a
naufragar. Como possui muitos pertences, precisa de dois botes, um para se salvar e
outro para salvar seus bens. Contudo, Marcelo também está no barco e precisa salvar
sua vida. José, no entanto, agride Marcelo, impedindo-o de entrar no segundo bote,
já que tinha a intenção de utilizá-lo para proteger seus bens. Neste caso, José não
representou erroneamente a realidade fática (sabia exatamente o que estava se
passando). José, contudo, errou quanto aos limites da causa de justificação (estado
de necessidade), que não autoriza o sacrifício de um bem maior (vida de Marcelo)
para proteger um bem menor (pertences de José).

14 Descriminante putativa x delito putativo

Não se deve confundir descriminante putativa com delito putativo.

As descriminantes putativas são quaisquer situações nas quais o agente incida em erro por
acreditar que está presente uma situação que, se de fato existisse, tornaria sua ação legítima (a
doutrina majoritária limita estes casos às excludentes de ilicitude).

EXEMPLO: Imagine que o agente está numa casa de festas e ouça gritos de
“fogo”! Supondo haver um incêndio, corre atropelando pessoas, agredindo
quem está na frente, para poder se salvar. Na verdade, tudo não passava de um
trote. Nesse caso, o agente agrediu pessoas (moderadamente, é claro), para se
salvar, supondo haver uma situação que, se existisse (incêndio) justificaria a sua
conduta (estado de necessidade). Dessa forma, há uma descriminante putativa
por estado de necessidade putativo (descriminante putativa).

No delito putativo acontece exatamente o oposto do que ocorre no erro de tipo, no erro de
proibição e nas descriminantes putativas (seja de que natureza forem). O agente acredita que
está cometendo o crime, quando, na verdade, está cometendo um INDIFERENTE PENAL.

EXEMPLO: Um cidadão, sem querer, esbarra no carro de um terceiro, causando


danos no veículo. Com medo de ser preso, foge. Na verdade, ele acredita que
está cometendo crime de DANO CULPOSO, mas não sabe que o CRIME DE
DANO CULPOSO NÃO EXISTE. Portanto, há, aqui, DELITO PUTATIVO.

DESCRIMINANTES PUTATIVAS X DELITO PUTATIVO

6
BITENCOURT, Op. cit., p. 524/525

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Agente acredita não estar cometendo crime algum, por incidir


DESCRIMINANTES PUTATIVAS
em erro. Contudo, está praticando uma conduta típica e ilícita.
Agente comete um INDIFERENTE PENAL, mas acredita estar
DELITO PUTATIVO
praticando crime.

​ DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

⮲ Arts. 20 e 21 do CP - Tratam do erro (em suas mais variadas formas):

Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Erro sobre a pessoa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de


pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima,
senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a


consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter
ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

​ JURISPRUDÊNCIA CORRELATA
⮲ STF - RHC 79788 – O STF possui alguns julgados no sentido de ser possível o reconhecimento
da ocorrência de erro de tipo em relação ao crime de estupro de vulnerável, quando a vítima
claramente aparenta ter bem mais que 14 anos:

(...) O erro quanto à idade da ofendida é o que a doutrina chama de erro de tipo,
ou seja, o erro quanto a um dos elementos integrantes do erro do tipo. A
jurisprudência do tribunal reconhece a atipicidade do fato somente quando se
demonstra que a ofendida aparenta ter idade superior a 14 (quatorze) anos.
Precedentes. No caso, era do conhecimento do réu que a ofendida tinha 12
(doze) anos de idade. 3. Tratando-se de menor de 14 (quatorze) anos, a violência,
como elemento do tipo, é presumida. Eventual experiência anterior da ofendida
não tem força para descaracterizar essa presunção legal. Precedentes. Ademais, a
demonstração de comportamento desregrado de uma menina de 12 (doze) anos
implica em revolver o contexto probatório. Inviável em Habeas. 4. O casamento
da ofendida com terceiro, no curso da ação penal, é causa de extinção da
punibilidade (CP, art. 107, VIII). Por analogia, poder-se-ia admitir, também, o
concubinato da ofendida com terceiro. Entretanto, tal alegação deve ser feita
antes do trânsito em julgado da decisão condenatória. O recorrente só fez após o
trânsito em julgado. Negado provimento ao recurso.

(RHC 79788, Relator(a): Min. NELSON JOBIM, Segunda Turma, julgado em


02/05/2000, DJ 17-08-2001 PP-00052 EMENT VOL-02039-01 PP-00142)

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ERRO DE TIPO ACIDENTAL


O erro de tipo acidental nada mais é que um erro na execução do fato criminoso ou um desvio no nexo
causal da conduta com o resultado1. Pode se apresentar de diversas formas:

1.1 Erro sobre a pessoa (error in persona)

Aqui o agente pratica o ato contra pessoa diversa da pessoa visada, por confundi-la com a pessoa que
deveria ser o alvo do delito. Neste caso, o erro é irrelevante, pois o agente responde como se tivesse
praticado o crime CONTRA A PESSOA VISADA. Essa previsão está no art. 20, §3° do CP.

Aqui o sujeito executa perfeitamente a conduta, ou seja, não existe falha na execução do delito. O erro
está em momento anterior (na representação mental da vítima).

Ex.: João quer matar seu pai, pois está com raiva em razão da partilha dos bens de sua mãe.
João fica na espreita e, quando vê uma pessoa chegar, acreditando ser seu pai, mira bem
no crânio e lasca um balaço certeiro, fazendo com que a vítima caia desfalecida. Após,
verifica que a pessoa não era seu pai, mas seu irmão.

Neste caso o agente responderá como se tivesse praticado o delito contra seu pai (pessoa visada) e
não pelo homicídio contra seu irmão. Trata-se da teoria da equivalência.

1.2 Erro sobre o nexo causal

No erro sobre o nexo causal o agente alcança o resultado efetivamente pretendido, mas em razão de
um nexo causal diferente daquele que o agente planejou. Pode ser de duas espécies:

1.2.1 Erro sobre o nexo causal em sentido estrito

Aqui o agente, com um só ato, provoca o resultado pretendido (mas com nexo causal diferente).

Ex.: José dispara dois tiros contra Maria, visando sua morte. Maria, em razão dos disparos, cai na
piscina, e morre por afogamento.

O agente responde pelo que efetivamente ocorreu (morte por afogamento).2

1.2.2 Dolo geral ou aberratio causae

Aqui temos o que se chama de DOLO GERAL OU SUCESSIVO. É o engano no que se refere ao meio de
execução do delito. Ocorre quando o agente, acreditando já ter ocorrido o resultado pretendido, prática
outro ato, mas ao final verifica que este último foi o que provocou o resultado.

1 GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 376


2 Por todos, GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Curso de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p. 380

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Ex.: O agente atira contra a vítima, visando sua morte. Acreditando que a vítima já morreu,
atira o corpo num rio, visando sua ocultação. Mais tarde, descobre-se que esta última
conduta foi a que causou a morte da vítima, por afogamento, pois ainda estava viva.

Embora, tenhamos dois crimes (um homicídio doloso tentado na primeira conduta e um homicídio
culposo consumado na segunda conduta), a Doutrina majoritária entende que o agente responde por
apenas um crime, pelo crime originalmente previsto (homicídio doloso consumado 3), tendo sido adotada
a TEORIA UNITÁRIA (ou princípio unitário).4

Mas qual o nexo causal que se deve considerar? O pretendido ou o efetivamente ocorrido? Embora
não haja unanimidade, prevalece o entendimento de que deve o agente responder pelo nexo causal
efetivamente ocorrido (e não pelo pretendido).5

1.3 Erro na execução (aberratio ictus) ==28dc4f==

Aqui o agente atinge pessoa diversa daquela que fora visada, não por confundi-la, mas por ERRAR NA
HORA DE EXECUTAR O DELITO. Imagine que o agente, tentando acertar “A”, erre o tiro e acaba acertando
“B”. No erro sobre a pessoa o agente não “erra o alvo”, ele “acerta o alvo”, mas o alvo foi confundido. SÃO
COISAS DIFERENTES!

A aberratio ictus pode decorrer de mero acidente durante a execução do delito (não houve má
execução pelo infrator, mas mero acidente).

Ex.: José deseja matar Maria. Sabendo que Maria usa seu carro todas as manhãs para ir ao
trabalho, coloca uma bomba no veículo, que será acionada assim que for dada a partida no
carro. Maria, contudo, não usa o carro naquele dia, e quem acaba ligando o veículo é seu
marido, que vem a falecer em razão da bomba. Vejam que, aqui, o agente não errou na
hora de executar o ato criminoso, mas acabou atingindo pessoa diversa em razão de
acidente no curso da empreitada criminosa.

Nesse caso, assim como no erro sobre a pessoa, o agente responde pelo crime originalmente
pretendido. Esta é a previsão do art. 73 do CP6.

No que tange às consequências, o erro na execução pode ser de duas ordens:

3 GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. Volume 1. Ed. Impetus. Niterói-RJ, 2015, p. 360
4 Doutrina minoritária (mas muito importante) sustenta que o agente deva responder por dois crimes em concurso: homicídio doloso
tentado (primeira conduta) + homicídio culposo consumado (segunda conduta). Trata-se da adoção da teoria do desdobramento.
5 GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Curso de Direito Penal. JusPodivm. Salvador, 2015, p. 380/381
6Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender,

atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste
Código. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste Código.(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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1.3.1 Erro sobre a execução com unidade simples (Aberratio ictus de resultado único)

O agente atinge somente a pessoa diversa daquela visada. Neste caso, responde como se tivesse
atingido a pessoa visada (e não aquela efetivamente atingida), da mesma forma como ocorre no erro sobre
a pessoa.

EXEMPLO: José quer lesionar Maria, e atira contra ela uma pedra. Todavia, erra o alvo e
acaba acertando Paulo. Neste caso, José responde pela lesão corporal praticada. Todavia,
devemos levar em consideração as condições pessoais de Maria, não as de Paulo, na hora
de aplicar a pena. Assim, se Maria era a mãe de José, José terá sua pena agravada (crime
praticado contra ascendente, art. 61, II, “e” do CP), mesmo não tendo atingido Maria.

1.3.2 Erro sobre a execução com unidade complexa (Aberratio ictus de resultado duplo)

O agente atinge a vítima não visada, mas atinge também a vítima originalmente pretendida. Nesse
caso, responde pelos dois crimes, em CONCURSO FORMAL.

EXEMPLO: José quer lesionar Maria, e atira contra ela uma pedra. Todavia, além de acertar Maria, a pedra
acaba acertando também Paulo, que passava na hora. Neste caso, José responde pelos dois crimes.

1.4 Erro sobre o crime ou resultado diverso do pretendido (aberratio


delicti ou aberratio criminis)

Aqui o agente pretendia cometer um crime, mas, por acidente ou erro na execução, acaba cometendo
outro. Aqui há uma relação de pessoa x coisa (ou coisa x pessoa). Na aberratio ictus há uma relação de
pessoa x pessoa. Pode ser de duas espécies:

1.4.1 Com unidade simples

O agente atinge apenas o resultado NÃO PRETENDIDO. O agente responde apenas por um delito, da
seguinte forma:

▪ Pessoa visada, coisa atingida – Responde pelo dolo em relação à pessoa (tentativa de homicídio ou
lesões corporais).

Ex.: José atira contra Maria, querendo sua morte. Contudo, erra na execução e acaba por
atingir uma planta. Neste caso, José responde apenas pela tentativa de homicídio.

▪ Coisa visada, pessoa atingida – Responde apenas pelo resultado ocorrido em relação à pessoa.

Ex.: Imagine que alguém atire uma pedra num veículo parado, com o dolo de danificá-lo
(art. 163 do CP). Entretanto, o agente erra o alvo e atinge o dono, que estava perto,
causando-lhe a morte (art. 121, §3º do CP). Nesse caso, o agente acaba por cometer CRIME
DIVERSO DO PRETENDIDO. Responderá apenas pelo crime praticado efetivamente
(homicídio culposo).

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1.4.2 Com unidade complexa

O agente atinge tanto o alvo (coisa ou pessoa) quanto a coisa (ou pessoa) não pretendida. Aplica-se,
neste caso, a mesma regra do erro na execução: atingindo ambos os bens jurídicos (o pretendido e o não
pretendido) responderá por AMBOS OS CRIMES, em CONCURSO FORMAL (art. 70 do CP).7

CUIDADO! Se o agente visa atingir uma pessoa (lesões corporais, por exemplo) e, além de atingir a pessoa
visada, acaba também quebrando uma vidraça, ele NÃO responde por lesões corporais dolosas + dano
culposo, pois NÃO HÁ CRIME DE DANO CULPOSO.

1.5 Erro sobre o objeto (error in objecto)

Aqui o agente incide em erro sobre a COISA visada, sobre o objeto material do delito.

Ex.: O agente pretende subtrair uma valiosa obra de arte. Entra à noite na residência mas
acaba furtando um quadro de pequeno valor, por confundir com a obra pretendida.

O CP não previu esta hipótese de erro, mas diante de sua possibilidade fática, a Doutrina se debruçou
sobre o tema. Uma vez ocorrendo erro sobre o objeto, não há qualquer relevância para fins de afastamento
do do dolo ou da culpa, bem como não se afasta a culpabilidade. O agente responderá pelo delito.

Mas qual delito? Neste caso, há divergência doutrinária. A doutrina majoritária, porém, sustenta que
o agente deve responder pela conduta efetivamente praticada (independentemente da coisa visada).
Assim, no exemplo anterior, o agente responderia pelo furto do quadro de pequeno valor (e não pelo furto
da obra de arte valiosa).

DISPOSITIVOS LEGAIS IMPORTANTES

CÓDIGO PENAL

 Arts. 20 e 21 do CP - Tratam do erro (em suas mais variadas formas):

Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

7 GOMES, Luiz Flavio. BIANCHINI, Alice. Op. cit., p. 379

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Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.209,
de 11.7.1984)

Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe
situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. Não há isenção de pena quando
o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Erro determinado por terceiro (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

Erro sobre a pessoa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se
consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se


inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um terço. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a


consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. FGV - JE TJSC/TJ SC/2024

Bianca é acordada de madrugada por ruídos provenientes do quarto de sua filha de 12 anos de
idade. Deslocando-se ao cômodo de onde provinham os ruídos, surpreende a menor tendo
relações sexuais com o padrasto. Após assistir ao fato por alguns segundos, sem tomar qualquer
medida em relação ao que presenciava, a mãe retorna para sua cama.

Diante do caso narrado, é correto afirmar que Bianca:

a) deverá responder pelo crime de omissão de socorro;

b) deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável, sem a incidência de qualquer causa de
aumento de pena;

c) deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável, com a incidência da causa de aumento
de pena decorrente do concurso de pessoas;

d) não deverá responder por crime algum, pois não concorreu para o estupro de vulnerável
cometido pelo padrasto da vítima;

e) deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável, com a incidência da causa de aumento
de pena decorrente de ser genitora da vítima.

COMENTÁRIOS

Há, aqui, um crime omissivo impuro ou impróprio, pois a mãe, na qualidade de garantidora,
podia e devia agir para evitar o resultado, tendo se omitido:
Art. 13 (...) § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

A mãe deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável (art. 217-A do CP), com a
incidência da causa de aumento de pena decorrente do concurso de pessoas (art. 226, IV, “a” do

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CP), por ter aderido subjetivamente à conduta do padrasto. Não há que se falar na majorante
relativa ao fato de ser genitora da vítima porque, nesse caso, tal circunstância já é considerada
para estabelecer a própria tipicidade da conduta da mãe, já que é sua condição de genitora que
faz com que ela responda pelo delito, sendo um crime omissivo impróprio, pois a mãe tinha o
dever de agir para evitar o resultado (posição de “garantidora”), na forma do art. 13, §2º do CP,
tendo se omitido dolosamente.

Gabarito: C

2. FGV - Psico Pol (PC SC)/PC SC/2024

Com relação ao crime doloso e ao crime culposo, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras
(V) ou falsas (F).

( ) O agente que deu causa ao resultado por negligência, responderá por culpa, ainda que não
haja previsão de crime culposo.

( ) A lei brasileira considera crime doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo.

( ) A imprudência caracteriza o agir culposo, mas a imperícia implica o agir doloso.

As afirmativas são, respectivamente,

a) F – V – F.

b) V – V – F.

c) F – V – V.

d) V – F – F.

e) F – F – F.

COMENTÁRIOS

I - FALSA - Item falso, pois o agente que deu causa ao resultado por negligência, responderá por
culpa, desde que o resultado involuntário provocado seja, ao menos, previsível (previsibilidade
objetiva).

II - VERDADEIRO - Item verdadeiro, pois a lei brasileira considera crime doloso quando o agente
quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo, na forma do art. 18, I do CP.

III - FALSA - Item falso, pois a imperícia também configura o agir culposo, sendo uma das formas
de violação ao dever objetivo de cuidado, na forma do art. 18, II do C.

Gabarito: A

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3. FGV - ACI (Pref BH)/Pref BH/Direito/2024

Sobre o dolo e a culpa na teoria do crime, assinale a afirmativa correta.

a) O dolo direto de segundo grau abrange os efeitos colaterais decorrentes do meio eleito pelo
agente para atingir o resultado criminoso.

b) Na hipótese de dolo eventual, o agente não representa o resultado típico como possível, mas
se conforma com a ocorrência dele. Já na hipótese de culpa consciente, o agente representa o
resultado típico como possível e não desconfia que o mesmo ocorrerá.

c) A punição a título de culpa depende da análise das circunstâncias do caso concreto, sendo
prescindível a previsão expressa no tipo legal.

d) Por força da teoria da imputação objetiva, uma vez não observado o cuidado devido, o
agente é punível por crime culposo caso se envolva em evento penalmente típico, que se
verificaria ainda que a diligência devida tivesse sido adotada.

COMENTÁRIOS

a) CORRETA: Item correto, pois o dolo direto de segundo grau (ou dolo de consequências
necessárias) ocorre quando o agente provoca um resultado que não é querido diretamente
(como fim último de sua conduta), mas é considerado efeito colateral indispensável dos meios
escolhidos para atingir determinado resultado criminoso (ex.: colocar uma bomba num avião,
para matar o piloto. Em relação aos demais presentes no avião, a morte de tais pessoas é efeito
colateral necessário do meio escolhido pelo infrator, configurando-se dolo direto de segundo
grau).

b) ERRADA: Item errado, pois na hipótese de dolo eventual, o agente representa representa o
resultado típico como possível ou provável, mas se conforma com a ocorrência dele (age com
indiferença em relação ao resultado). Já na hipótese de culpa consciente, o agente representa o
resultado típico como possível mas acredita sinceramente que conseguirá evitá-lo.

c) ERRADA: Item errado, pois a punição a título de culpa depende necessariamente de previsão
típica, ou seja, para que alguém possa ser punido por um certo fato a título culposo deve haver
previsão legal nesse sentido. A tipicidade é, portanto, um dos requisitos do crime culposo.

d) ERRADA: Item errado, pois se o resultado involuntário provocado ocorreria ainda que a
diligência devida tivesse sido adotada, conclui-se que não há nexo de causalidade, na forma do
art. 13 do CP.

Gabarito: A

4. FGV - Res (TJ RJ)/TJ RJ/Direito/2024

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Caio, com intenção de matar, desferiu um disparo de arma de fogo no peito de Tício. Tício caiu,
severamente machucado, porém, ainda vivo, quando se iniciou uma tempestade, um raio o
atingiu, de maneira que Tício veio a falecer em decorrência da forte descarga elétrica.

Nesse caso, sobre a responsabilidade de Caio, assinale a afirmativa correta.

a) Houve causa superveniente relativamente independente, sem ruptura do nexo de causalidade,


de forma que Caio responde pelo resultado.

b) A causa superveniente produziu por si só o resultado, de forma a afastar a responsabilidade


de Caio pelo evento morte, subsistindo a tentativa.

c) Caio deve responder pelo resultado caso comprovado que o tiro mataria Tício de qualquer
maneira.

d) Caio responde apenas pelos atos já praticados, em razão da ruptura do nexo de causalidade,
tal como ocorre na desistência voluntária.

e) Tendo em vista que o evento morte teria ocorrido independentemente da ação de Caio, não
subsiste qualquer responsabilidade penal de Caio.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, a causa superveniente (descarga elétrica) produziu por si só o resultado, de forma a
afastar a responsabilidade de Caio pelo evento morte, subsistindo a tentativa, na forma do art.
13, §1º do CP.

Gabarito: B

5. FGV - Sold (PM RJ)/PM RJ/2024

1º cenário: Tício ingressou no jardim de uma residência e escalou o muro do imóvel, com o
objetivo de adentrar o local e proceder à subtração de diversos bens. Contudo, o agente viu uma
pequena criança brincando com o pai, motivo pelo qual mudou de ideia e deixou a localidade.

2º cenário: Mévio desferiu diversos socos no rosto do seu desafeto, ocasião em que o último
pediu por clemência. Muito embora pudesse continuar agredindo-o, Mévio interrompeu os atos
e fugiu da localidade.

Considerando as disposições do Código Penal, Tício e Mévio somente responderão pelos atos já
praticados, respectivamente, em razão do (da):

a) arrependimento posterior e arrependimento posterior;

b) arrependimento eficaz e arrependimento posterior;

c) desistência voluntária e arrependimento posterior;

d) arrependimento eficaz e arrependimento eficaz;

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e) desistência voluntária e desistência voluntária.

COMENTÁRIOS

No 1º cenário temos desistência voluntária, pois o agente, durante a execução, voluntariamente


desistiu de prosseguir.

No 2º cenário também há desistência voluntária, pois o agente, durante a execução,


voluntariamente desistiu de prosseguir. Não importa que o agente tenha cedido aos apelos da
vítima. Não se exige espontaneidade na desistência voluntária, bastando que seja voluntária, ou
seja, o agente abandone a execução mesmo podendo prosseguir.

Logo, desistência voluntária em ambos os casos.

Gabarito: E

6. FGV - ANL (CM Fortal)/CM Fortaleza/Advogado/2024

De acordo com a vigente legislação penal, no que diz respeito à desistência voluntária, é correto
afirmar que

a) O agente responde apenas por culpa quanto aos atos já praticados, se prevista em lei tal
hipótese.

b) O agente empreende apenas os atos da fase de preparação e desiste antes de ingressar na


fase da execução do crime.

c) O agente desiste de prosseguir na execução do crime por sua própria deliberação, mesmo
que não espontânea.

d) O agente não prossegue além da fase de exaurimento da conduta criminosa.

e) O agente empreende todos os atos da fase de consumação do crime, mas impede a


produção do resultado.

COMENTÁRIOS

Na desistência voluntária o agente, durante a execução, voluntariamente desiste de prosseguir


na execução. Não se exige espontaneidade na desistência voluntária, bastando que seja
voluntária, ou seja, o agente abandone a execução mesmo podendo prosseguir.

Havendo desistência voluntária ficará afastada a tipicidade em relação ao delito originalmente


pretendido pelo agente, pois o abandono voluntário da execução afasta o dolo de consumação,
que seria indispensável para que o agente pudesse responder pela tentativa.

O agente, porém, responderá apenas pelos atos já praticados (art. 15 do CP).

Gabarito: C

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7. FGV - NAC UNI OAB/OAB/2024

Arthur resolveu furtar os cabos de eletricidade da linha férrea de sua cidade, a fim de revender o
cobre, clandestinamente. Contudo, após iniciar o corte para retirar os fios de cobre, foi
surpreendido pelo trem, que o atropelou, vindo a sofrer a amputação dos membros inferiores.
Arthur foi denunciado como incurso nas penas do delito de furto.

Sobre o caso, assinale a afirmativa que apresenta a linha de defesa correta.

a) Deve ser reconhecida a tentativa, com a correspondente diminuição da pena, já que o delito
não chegou a se consumar.

b) Pode ser reduzida a pena diante do arrependimento posterior, uma vez que, em razão do fato,
Arthur perdeu os dois membros inferiores.

c) Arthur deve ser absolvido, pois está-se diante de crime impossível, por absoluta ineficácia do
meio.

d) Arthur pode ser beneficiado com o perdão judicial, diante do sofrimento que lhe foi imposto
pelas consequências do delito.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, deve ser reconhecida a tentativa, com a correspondente diminuição da pena, já que
o delito não chegou a se consumar, na forma do art. 14, II c/c art. 14, parágrafo único, ambos do
CP:
Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.(Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Não há que se falar em crime impossível, pois o crime poderia ter se consumado, não tendo
ocorrido a consumação por questões circunstanciais.

Ademais, não há que se falar em arrependimento posterior, que não tem qualquer relação com o
caso, tampouco perdão judicial, por ausência de previsão legal.

Gabarito: A

8. FGV - AJ (TJ AP)/TJ AP/Judiciária/Execução de Mandados/2024

João, após adentrar uma casa vazia, subtrai, sem violência ou grave ameaça, R$ 20.000,00 em
espécie, evadindo-se na sequência. No dia seguinte, ao assistir ao noticiário televisivo, João

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toma ciência de que os valores seriam empregados para o pagamento de cirurgia que uma
criança, em breve, realizaria.

Assim sendo, sem que houvesse qualquer inquérito policial ou ação penal em andamento, o
agente devolve os valores pecuniários aos legítimos proprietários.

Considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João:

a) responderá pelo crime praticado, mas a pena do agente será reduzida de um a dois terços,
por força da desistência voluntária;

b) responderá pelo crime praticado, mas a pena do agente será reduzida de um a dois terços,
por força do arrependimento posterior;

c) responderá pelo crime praticado, mas a pena do agente será reduzida de um a dois terços,
por força do arrependimento eficaz;

d) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento posterior;

e) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento eficaz.

COMENTÁRIOS

Nesse caso o agente responderá pelo crime de furto praticado, mas a pena do agente será
reduzida de um a dois terços, por força do arrependimento posterior, na forma do art. 16 do CP:
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Gabarito: B

9. FGV - NAC UNI OAB/OAB/2023

Fernanda trabalha como cuidadora de idosos e foi contratada para assistir ao idoso Luís
Fernando, de 89 anos, que, não obstante a idade, seguia ativo, caminhando com algum apoio e
realizando suas atividades de forma habitual, com relativa independência.

Certo dia, Luís Fernando descia as escadas rolantes de um shopping-center, quando a barra de
sua calça se prendeu nos degraus, o que levou Luís Fernando a se desequilibrar, e o suporte
dado por Fernanda não foi suficiente para impedir a sua queda. O idoso fraturou o fêmur.
Preocupada com eventual responsabilização criminal, Fernanda procura aconselhamento.

Como advogado(a) de Fernanda, assinale a opção que apresenta sua orientação sobre os fatos e
as possíveis consequências.

a) Fernanda ocupa a posição de garantidora, devendo ser responsabilizada por delito comissivo
por omissão por ter se operado o resultado danoso.

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b) A responsabilização de Fernanda dependeria de comprovação de efetiva negligência,


imprudência ou imperícia, sem o que, não será responsabilizada pelo resultado danoso.

c) Fernanda pode ser responsabilizada por crime omissivo próprio, diante do resultado danoso.

d) Fernanda incidiu em conduta tipificada no Estatuto do Idoso.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, Fernanda se encontra na posição de garantidora, eis que contratualmente se


colocou na posição de garantidora, ou seja, na posição de ter o dever de agir para evitar o
resultado.

Todavia, a responsabilização de Fernanda dependeria de comprovação de efetiva negligência,


imprudência ou imperícia (ou seja, culpa), sem o que, não será responsabilizada pelo resultado
danoso.

O simples fato de Fernanda estar na posição de garantidora não implica sua responsabilidade
penal objetiva, ou seja, sem que haja demonstração do dolo ou da culpa.

Restando comprovado que Fernanda agiu dentro dos limites que se espera de uma cuidadora,
não haverá como responsabilizá-la pelo evento danoso.

GABARITO: LETRA B

10. FGV - Conc (TJ BA)/TJ BA/2023

João subtraiu, para si, o telefone celular de Guilherme, sem empregar violência ou grave ameaça.
Dois dias depois dos fatos, após refletir sobre a sua conduta e antes do recebimento da
denúncia, João devolve o aparelho celular ao legítimo proprietário.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João:

a) responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços, em razão do
arrependimento posterior;

b) responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços, em razão do
arrependimento eficaz;

c) responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços, em razão da
desistência voluntária;

d) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento posterior;

e) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento eficaz.

COMENTÁRIOS

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Nesse caso, o agente responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços,
em razão do arrependimento posterior, nos termos do art. 16 do CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: LETRA A

11. (FGV/2023/SEFAZ-MG)

Rebeca trabalha há muitos anos como instrumentadora cirúrgica e tem bastante experiência na
sua atuação. Sabe que, via de regra, os centros cirúrgicos exigem tipos especiais de calçados
para acesso. Tendo em vista sua larga experiência com a atividade de instrumentação, Rebeca
passa a utilizar sapatos de salto alto, por ser muito vaidosa, e por ter certeza de que este fato não
irá comprometer sua atividade.

Rebeca, certo dia, escorrega durante a atividade de instrumentação e derruba a mesa auxiliar de
instrumentação, caindo alguns objetos na área cirúrgica. O acidente ocasionou danos graves no
paciente, com sequela cicatricial não esperada ao tipo de procedimento a que se submetia.

Neste caso, é possível dizer que a conduta de Rebeca, que implicou no resultado lesivo ao
paciente, foi praticada com

A) dolo eventual.

B) culpa inconsciente, na modalidade imperícia.

C) culpa inconsciente, na modalidade imprudência.

D) culpa consciente, na modalidade imprudência.

E) culpa consciente, na modalidade imperícia.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, a questão é clara ao dizer que Rebeca trabalha há muitos anos como
instrumentadora cirúrgica e tem bastante experiência na sua atuação, ou seja, não se trata de
uma conduta imperita, já que Rebeca tem bastante conhecimento técnico.

Rebeca, porém, foi imprudente ao utilizar esse tipo de calçado no trabalho, ou seja, praticou uma
conduta que elevou desnecessariamente os riscos de sua atuação, de forma que violou o seu
dever de cuidado.

Logo, há aqui uma conduta culposa, por imprudência.

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Além disso, a questão deixa claro que Rebeca passa a utilizar sapatos de salto alto “por ter
certeza de que este fato não irá comprometer sua atividade”, ou seja, Rebeca visualizou os riscos
de sua atuação e ainda assim agiu, acreditando sinceramente que, por sua experiência,
conseguiria evitar o resultado, sendo um exemplo clássico de culpa consciente.

GABARITO: Letra D

12. (FGV/2022/SENADO)

Age com dolo eventual ou indireto a pessoa que

A) prevê que o resultado típico pode ser uma consequência de seu comportamento, porém lhe é
indiferente se ela se realizará ou não.

B) comete um crime consciente de que haverá resultados indesejáveis, mas que são decorrência
natural da forma de execução escolhida para alcançar o seu objetivo.

C) instigado por terceiro a um comportamento reprovável, comete um crime por imprudência.

D) reconhece a possibilidade de causar o resultado típico e decide prosseguir na execução


porque confia sinceramente que isso não acontecerá.

E) se vale intencionalmente de terceiro inocente, que executa o crime sem saber o que faz.

COMENTÁRIOS

Age com dolo eventual ou indireto a pessoa que prevê que o resultado típico pode ser uma
consequência de seu comportamento, porém lhe é indiferente se ela se realizará ou não, ou seja,
o agente visualiza que sua conduta pode acabar provocando o resultado criminoso e age mesmo
assim, pouco se importando caso eventualmente ocorra o resultado.

A letra b, que poderia gerar confusão, está errada, pois se o agente está consciente de que
haverá resultados indesejáveis, mas que são decorrência natural da forma de execução escolhida
para alcançar o seu objetivo, atuará com dolo direto de segundo grau, ou dolo de consequências
necessárias.

A letra D, que também poderia gerar confusão, retrata a situação da culpa consciente.

GABARITO: Letra A

13. (FGV/2022/TJPE/JUIZ)

Marcos e João são vizinhos com histórico de discussões em razão dos ruídos noturnos
provocados pelas festas produzidas por João. Certa noite, Marcos, em um acesso de raiva, efetua
disparo de arma de fogo contra João, com intenção de matar seu alvo. O disparo atinge a perna
da vítima, que é prontamente levada ao hospital, onde fica internada. No segundo dia de
internação, em razão de um vazamento de gás não percebido, João morre por asfixia.

Diante do caso narrado, Marcos deverá responder pelo crime de:

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A) homicídio, uma vez que João só se encontrava no hospital em razão das lesões decorrentes da
conduta criminosa de Marcos (conditio sine qua non);

B) lesão corporal seguida de morte, uma vez que a morte por asfixia no hospital não era
previsível;

C) lesão corporal, já que eliminando-se em abstrato o vazamento de gás, não haveria a morte
como resultado naturalístico de sua conduta;

D) tentativa de homicídio, com fundamento na teoria da causalidade adequada, também adotada


pelo ordenamento jurídico;

E) tentativa de homicídio, em razão da existência de concausa concomitante para o resultado


morte: o disparo de arma de fogo e o vazamento de gás.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, o agente deverá responder por tentativa de homicídio (ou homicídio na forma
tentada), com fundamento na teoria da causalidade adequada, também adotada pelo
ordenamento jurídico, já que, após praticar a conduta, sobreveio uma concausa relativamente
independente (vazamento de gás) que, sozinha, produziu o resultado, já que a questão diz
claramente que João morreu por asfixia, ou seja, o que matou a vítima foi apenas a concausa
superveniente relativamente independente. A conduta de Marcos, apesar de ter sido condição
necessária para o evento (sem disparos, a vítima não estaria no hospital e não morreria por
asfixia), não foi a causa efetiva do resultado, pois o que, de fato, matou a vítima, foi o vazamento
de gás.

Nesse caso, aplica-se o art. 13, §1º do CP, que consagra a teoria da causalidade adequada,
adotada pelo CP para casos como este:

Art. 13 (...) § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a


imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou. (Incluído pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

GABARITO: Letra D

14. (FGV/2022/TJDFT)

Majoritariamente a doutrina salienta que são duas as espécies de culpa: inconsciente e


consciente.

Sobre o tema, é correto afirmar que na culpa:

A) inconsciente, o agente considera possível a realização do resultado típico, porém confia que
isso não sucederá;

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B) inconsciente, faz parte da representação do agente a violação do dever de cuidado e do


resultado lesivo;

C) consciente, faz parte da representação do agente apenas a violação do dever de cuidado;

D) consciente, a censura penal deve ser menor quando considerada a mesma violação do risco
proibido;

E) consciente, o agente sabe do risco de seu comportamento, mas acredita que não acontecerá o
resultado.

COMENTÁRIOS

Na culpa consciente o agente prevê a possibilidade de ocorrência do resultado mas acredita


sinceramente que, com suas habilidades, conseguirá evita-lo.
Já na culpa inconsciente o agente pratica a conduta descuidada e dá causa ao resultado de
forma involuntária, mas não chega a prever que sua conduta poderia causar o resultado, embora
previsível fosse.

Ademais, a Letra D também está errada, pois na culpa consciente a censura penal deve ser maior
quando comparada com a culpa inconsciente.

GABARITO: Letra E

15. (FGV/2022/MPE-GO)

Sandro foi preso em flagrante ao subtrair um pacote de macarrão, cujo valor era R$9,00, de um
hipermercado do bairro onde morava. O Ministério Público ofereceu denúncia em face de
Sandro, mas o magistrado rejeitou a peça acusatória, reconhecendo a incidência do princípio da
bagatela ou insignificância. O referido princípio exclui a

A) ilicitude.

B) tipicidade formal.

C) culpabilidade.

D) tipicidade material.

E) punibilidade.

COMENTÁRIOS

O princípio da insignificância (ou bagatela) afasta o que se chama de tipicidade material, já que a
conduta, embora formalmente típica (prevista em lei como crime), não ofende de forma
significativa, no caso concreto, o bem jurídico protegido pela norma. Logo, haverá tipicidade
formal, mas não haverá tipicidade material.

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GABARITO: Letra D

16. (FGV/2022/SEAD-AP)

Em 03 de abril de 2022, Victor foi a um festival de música na cidade onde mora. Durante a
madrugada, Victor percebeu que uma moradora de sua rua, Juliana, estava dançando distraída;
Victor aproveitou o momento e subtraiu, sem violência ou grave ameaça, o smartphone de
Juliana. Juliana somente percebeu que estava sem o aparelho celular quando chegou em casa e,
no dia seguinte, realizou o registro de ocorrência. Em 05 de abril de 2022, Victor arrependeu-se,
foi até a casa de Juliana, pediu desculpas e devolveu, intacto, o aparelho celular. Apesar disso,
em 15 de abril de 2022, o Ministério Público denunciou Victor com incurso nas penas do Art. 155,
caput, do CP.

Na hipótese, é correto afirmar que

A) houve arrependimento eficaz, previsto no Art. 15, segunda parte, do CP, tendo em vista que
Victor impediu a produção do resultado.

B) houve desistência voluntária, prevista no Art. 15, primeira parte, do CP, visto que Victor
desistiu voluntariamente de seguir com a execução.

C) não houve crime, porque Victor se arrependeu e devolveu o bem intacto.

D) houve arrependimento posterior, previsto no Art. 16, do CP.

E) houve crime impossível, previsto no Art. 17, do CP.

COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente praticou um crime de furto consumado, na forma do art. 155 do CP.
Todavia, por ter voluntariamente reparado o dano, antes do recebimento da denúncia, num crime
sem violência ou grave ameaça à pessoa, houve o instituto do arrependimento posterior, de
forma que o agente fará jus a uma redução de pena que varia de um terço a dois terços, nos
termos do art. 16 do CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: Letra D

17. (FGV/2022/SEAD-AP)

Jaqueline, namorada de Fábio, descobriu que ele a traiu com sua melhor amiga. Movida por
sentimentos de raiva e vingança, Jaqueline decidiu matar o namorado. Para isso, Jaqueline
preparou para Fábio o drink que sempre fazia nas noites de sábado, mas, sem que ele soubesse,
misturou veneno na bebida, em quantidade suficiente para matá-lo.

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Após Fábio beber o drink, Jaqueline lembrou dos bons momentos que passaram juntos ao longo
de 5 anos e percebeu que ele sempre foi seu grande amor. Vendo seu amado perdendo as
forças, Jaqueline arrependeu-se e deu a Fábio o antídoto, salvando-lhe a vida. Fábio não sofreu
qualquer dano, pediu desculpas e o casal reconciliou-se.

Nesse caso, podemos afirmar que houve

A) arrependimento posterior.

B) arrependimento eficaz.

C) desistência voluntária.

D) crime tentado.

E) crime impossível.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, podemos afirmar que houve arrependimento eficaz, previsto no art. 15 do CP, eis
que Jaqueline, após finalizar a execução, arrependida e temendo que o resultado viesse a se
concretizar, praticou nova conduta, desta vez para impedir a ocorrência do resultado, tendo
obtido sucesso ao impedir o resultado. Vejamos o art. 15 do CP:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já
praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Desta forma, Jaqueline responderá apenas pelos atos já praticados, não podendo ser
responsabilizada por homicídio tentado.

GABARITO: Letra B

18. (FGV/2022/TCE-TO)

No tocante aos institutos da tentativa e consumação, desistência voluntária, arrependimento


eficaz, arrependimento posterior e crime impossível, é correto afirmar que o agente:

A) que, após iniciar os atos de execução, voluntariamente, impede que o resultado se produza,
responderá pelo resultado pretendido inicialmente;

B) que, por ato voluntário, repara o dano causado, em crime praticado com violência à pessoa,
até o recebimento da denúncia ou da queixa, terá a pena reduzida de 1/3 a 2/3;

C) que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução, só responde pelos atos até então
praticados;

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D) responde pela tentativa, nos crimes culposos, ao não observar o dever de cuidado a que
estava obrigado;

E) não responde pela tentativa, quando, por ineficácia relativa do meio, é impossível consumar-se
o crime.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Item errado, pois nesse caso haverá arrependimento eficaz, previsto no art. 15 do
CP. Em casos tais, o agente não poderá ser responsabilizado pelo crime inicialmente pretendido,
eis que o arrependimento eficaz (assim como a desistência voluntária) implica afastamento da
tipicidade quanto ao crime originalmente pretendido. Contudo, o agente será responsabilizado
pelos atos efetivamente praticados, caso configurem fato típico.

B) ERRADA: Item errado, pois que o arrependimento posterior não se aplica a crime praticado
com violência à pessoa ou grave ameaça, nos termos do art. 16 do CP.

C) CORRETA: Item correto, pois o agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na


execução, só responde pelos atos até então praticados, nos termos do art. 15 do CP:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já
praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Em casos tais, o agente não poderá ser responsabilizado pelo crime inicialmente pretendido, eis
que o arrependimento eficaz (assim como a desistência voluntária) implica afastamento da
tipicidade quanto ao crime originalmente pretendido. Contudo, o agente será responsabilizado
pelos atos efetivamente praticados, caso configurem fato típico.

D) ERRADA: Item errado, não há possibilidade de tentativa nos crimes culposos propriamente
ditos, pois para que haja crime culposo o agente deve dar causa ao resultado em razão da sua
inobservância do dever de cuidado, ou seja, o art. 18, II exige a ocorrência do resultado para a
tipificação do crime culposo propriamente dito:

Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


(...)
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,
negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

E) ERRADA: Item errado, pois não responde pela tentativa o agente quando, por ineficácia
ABSOLUTA do meio, é impossível consumar-se o crime, nos termos do art. 17 do CP:

Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.(Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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A ineficácia relativa do meio ou a relativa impropriedade do objeto não configuram crime


impossível.

GABARITO: Letra C

19. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

No que diz respeito a consumação e tentativa, corresponde a uma das etapas da fase interna ou
mental:

(A) manifestação;

(B) preparação;

(C) resolução;

(D) execução;

(E) consumação.

COMENTÁRIOS

O iter criminis possui duas fases: fase interna, formada pela cogitação e fase externa, formada
pela preparação, pela execução e pela consumação.
Como a preparação, a execução e a consumação são etapas da fase externa, ou seja, quando já
há exteriorização do fato, estão erradas as alternativas B, D e E.
A manifestação sequer é trabalhada por muitos doutrinadores, e seria uma fase entre a cogitação
e a preparação, consistente no ato de manifestar a terceiros o intento de praticar o crime.
Por fim, chegamos à cogitação. A cogitação é a fase mental ou interna, ou seja, a etapa em que o
agente está pensando acerca da prática, ou não, do crime.
Pode ser dividida em: a) idealização (ter a ideia criminosa); b) deliberação (ato de deliberar
mentalmente sobre a conveniência, ou não, de praticar o delito; e c) resolução (momento em que
o agente, mentalmente, decide que irá praticar o delito).
Logo, vemos que a resolução é a última etapa da cogitação, sendo, portanto, integrante da fase
interna do iter criminis.

GABARITO: LETRA C

20. (FGV/2021/PCRN)

Cássio, com a intenção de matar Patrício, efetua disparo de arma de fogo em sua direção, que
atinge seu braço e o faz cair no chão. Enquanto caminha na direção de Patrício para efetuar novo
disparo, Cássio percebe a aproximação de policiais e se evade do local, deixando Patrício apenas
com o ferimento no braço.

Considerando os fatos narrados, Cássio deverá responder pelo crime de:

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A) tentativa de homicídio;

B) tentativa de homicídio, com diminuição da pena pela desistência voluntária;

C) lesão corporal, pois houve desistência voluntária;

D) tentativa de homicídio, com diminuição da pena pelo arrependimento eficaz;

E) lesão corporal, pois houve arrependimento eficaz.

COMENTÁRIOS
Nesse caso houve homicídio na forma tentada. Não há que se falar em desistência voluntária,
uma vez que a desistência do agente se deu em razão de uma influência externa coativa (a
chegada da polícia). Logo, Cássio não desistiu porque quis, mas porque se viu obrigado a isso.
Assim, podemos dizer que foi iniciada a execução, mas a consumação não ocorreu por
circunstâncias alheias à vontade do agente, logo, tentativa (art. 14, II do CP).
GABARITO: LETRA A

21. (FGV/2021/PCRN)

Haroldo convence Bruna a aplicarem um golpe no casal de noivos Marcos e Fátima,


apresentando-se como organizadores de casamento. Após receberem do casal vultosa quantia
para a organização das bodas, Haroldo e Bruna mudaram de cidade e trocaram de telefone.
Percebendo que haviam sido vítimas de um golpe, Marcos e Fátima registraram os fatos
na delegacia, demonstrando interesse em ver os autores responsabilizados pelo crime de
estelionato. Após o registro da ocorrência, Bruna, arrependida, por conta própria, efetuou a
devolução ao casal de parte do dinheiro que havia recebido. Considerando que houve reparação
parcial do dano:

A) a conduta de Haroldo e Bruna tornou-se atípica, tratando-se de mero ilícito civil;

B) Haroldo responderá por estelionato consumado, enquanto Bruna terá sua tipicidade afastada
pela reparação parcial do dano;

C) Haroldo e Bruna responderão por estelionato, devendo Bruna ter sua pena diminuída pelo
arrependimento posterior;

D) Haroldo responderá por estelionato tentado, enquanto Bruna terá sua tipicidade afastada pela
reparação parcial do dano;

E) Haroldo e Bruna responderão por estelionato, sem a causa de diminuição da pena pelo
arrependimento posterior.

COMENTÁRIOS
O arrependimento posterior está previsto no art. 16 do CP:

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Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Logo, é necessário que haja: a) reparação integral do dano ou restituição da coisa; b)


voluntariedade; c) reparação/restituição antes do recebimento da ação penal; d) crime sem
violência ou grave ameaça à pessoa.
No caso em tela, a reparação não foi integral, motivo pelo qual não há que se falar no benefício
(redução de pena de um a dois terços) do arrependimento posterior.
GABARITO: LETRA E

22. (FGV/2022/TJAP/JUIZ)

Sobre os institutos da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento


posterior, é correto afirmar que:

A) a não consumação, por circunstâncias alheias à vontade do agente, é compatível com a


desistência voluntária;

B) o reconhecimento da desistência voluntária dispensa o exame do iter criminis;

C) as circunstâncias inerentes à vontade do agente são irrelevantes para a configuração da


desistência voluntária;

D) o arrependimento eficaz e a desistência voluntária somente são aplicáveis a delito que não
tenha sido consumado;

E) o reconhecimento da desistência voluntária dispensa o exame do elemento subjetivo da


conduta.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Item errado, pois a não consumação, por circunstâncias alheias à vontade do agente,
é incompatível com a desistência voluntária, na medida em que a desistência voluntária
pressupõe que a consumação não ocorra pela vontade do agente.

B) ERRADA: Item errado, pois o reconhecimento da desistência voluntária NÃO dispensa o


exame do iter criminis, já que é indispensável que o agente já tenha iniciado a execução mas
ainda não tenha finalizado os atos executórios.

C) ERRADA: Item errado, pois as circunstâncias inerentes à vontade do agente são relevantes
para a configuração da desistência voluntária, na medida em que a desistência voluntária
pressupõe que a consumação não ocorra pela vontade do agente.

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D) CORRETA: Item correto, pois o arrependimento eficaz e a desistência voluntária somente são
aplicáveis a delito que não tenha sido consumado. Uma vez consumado o delito, incabível
qualquer destes dois institutos, nos termos do art. 15 do CP.

E) ERRADA: Item errado, pois o reconhecimento da desistência voluntária não dispensa o exame
do elemento subjetivo da conduta. Para sabermos se o agente agiu com desistência voluntária,
precisamos saber qual era seu intento final, a fim de delimitarmos a existência, ou não, da
desistência voluntária.

GABARITO: LETRA D

23. (FGV/2022/MPE-GO/PROMOTOR)

A causa de diminuição do Art. 16 do Código Penal, referente ao arrependimento posterior,


somente tem aplicação se houver:

A) a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, não possibilitada sua reparação,


variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento
do prejuízo à vítima;

B) a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia,


variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento
do prejuízo à vítima;

C) a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, não possibilitada sua reparação,


variando o índice de redução da pena em função da integralidade e preservação do bem
restituído;

D) a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia,


variando o índice de redução da pena em função da integralidade do bem restituído;

E) a restituição da coisa antes do oferecimento da denúncia, não possibilitada sua reparação,


variando o índice de redução da pena em função da integralidade e preservação do bem
restituído.

COMENTÁRIOS
O arrependimento posterior está previsto no art. 16 do CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Logo, é necessário que haja: a) reparação integral do dano ou restituição da coisa; b)


voluntariedade; c) reparação/restituição antes do recebimento da ação penal; d) crime sem
violência ou grave ameaça à pessoa.

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Segundo a jurisprudência, a quantidade de redução de pena irá variar em função da maior ou


menor celeridade no ressarcimento do prejuízo à vítima: quanto mais célere, maior a redução:

(...) No que tange à causa de diminuição do art. 16 do CP, é entendimento desta


Corte que "a causa de diminuição de pena relativa ao artigo 16 do Código Penal
(arrependimento posterior) somente tem aplicação se houver a integral reparação
do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, variando o
índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no
ressarcimento do prejuízo à vítima. Na espécie, não foi preenchido o requisito
relativo à reparação integral do dano, eis que as instâncias de origem
consignaram que houve apenas devolução parcial" (...) (STJ - AgRg nos EDcl no
REsp 1710029/RN, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em
08/06/2021, DJe 11/06/2021)

GABARITO: LETRA B

24. (FGV/2021/PCERJ/PERITO)

A tentativa incruenta é modalidade de crime tentado no qual a vítima sofre ferimentos.

COMENTÁRIOS
Item errado, pois na tentativa incruenta (ou branca) o objeto material (coisa ou pessoa sobre a
qual recai a conduta) sequer é atingido. Na tentativa cruenta (ou vermelha) o agente não alcança
a consumação, mas pelo menos consegue atingir a pessoa ou coisa contra a qual direcionava sua
conduta.
GABARITO: ERRADA

25. (FGV/2021/PCERJ/PERITO)

A respeito do tema consumação e tentativa, é correto afirmar que quanto mais perto da
consumação, maior será a fração redutora, pois menor a reprovabilidade da conduta.

COMENTÁRIOS
Item errado. No caso de tentativa, salvo disposição expressa em contrário, o agente será punido
com a pena prevista para o crime consumado, reduzida de um a dois terços (art. 14, § único do
CP). Todavia, a quantidade de redução será inversamente proporcional ao iter criminis percorrido:
quanto mais próximo da consumação, menos a redução e vice-versa:

(...) Na escolha do quantum de redução da pena, em razão da tentativa (art. 14,


inciso II, do Código Penal), o magistrado deve levar em consideração somente o
iter criminis percorrido, ou seja, quanto mais próxima a consumação do delito,
menor será a diminuição, o que foi devidamente observado no caso concreto.
(...) (STJ - AgRg no HC 710.290/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA
FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 08/02/2022, DJe 15/02/2022)

GABARITO: ERRADA

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26. (FGV/2021/TJSC)

Matheus, inconformado com a participação de Gustavo e Nilza, pais de sua ex-companheira


Mariana, no fim de seu relacionamento, decide praticar um crime de roubo na residência do rico
casal. Para isso, compra cordas e elásticos, que utilizaria para amarrar as mãos das vítimas, além
de um simulacro de arma de fogo. Momentos antes da prática delitiva, quando Matheus se
preparava para sair de casa, Mariana liga e demonstra interesse em retomar a relação, o que faz
com que Matheus decida não mais ir até a casa de Gustavo e Nilza, mas sim ao encontro de
Mariana.

Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que a conduta de Matheus é:

A) típica, mas deve ser reconhecida a causa de diminuição de pena da tentativa em seu patamar
mínimo, tendo em vista que o critério a ser observado para definir o quantum de redução de
pena é a gravidade do delito; ==28dc4f==

B) típica, mas deve ser reconhecida a causa de diminuição de pena da tentativa em seu patamar
máximo, já que o critério a ser observado no quantum de redução de pena é o iter
criminis percorrido;

C) atípica, em razão de não ter sido iniciada a execução;

D) atípica, em razão do arrependimento eficaz;

E) atípica, em razão da desistência voluntária.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, a conduta é atípica, em razão de não ter sido iniciada a execução, pois o agente,
mesmo tendo realizado os atos preparatórios, não deu início à execução do crime.

Somente há que se falar em fato punível quando o agente inicia a prática dos atos executórios. A
cogitação nunca é punível, e a preparação em regra também não se pune (salvo quando
constituir tipo penal autônomo ou quando a própria lei determinar a punição da preparação,
como ocorre com o crime de terrorismo).

GABARITO: LETRA C

27. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

Determinado agente pretende matar uma vítima por asfixia e, achando equivocadamente que ela
estaria morta, joga o corpo no rio, causando a morte por afogamento. Em tal cenário, o agente
responderá por:
(A) crime culposo;
(B) crime preterdoloso;
(C) dolo genérico;

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(D) dolo de perigo;


(E) dolo geral.
COMENTÁRIOS

Aqui temos o que se entende por dolo geral, por erro sucessivo ou aberratio causae, que ocorre
quando o agente consegue obter o resultado inicialmente pretendido, mas por meio de uma
segunda conduta não voltada à obtenção do resultado. Entende-se que, como, ao fim e ao cabo,
o agente conseguiu obter o resultado pretendido, deverá responder apenas por um homicídio
doloso consumado (teoria unitária).
GABARITO: LETRA E

28. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

Nos crimes de ação múltipla ou conteúdo variado, a prática, pelo agente, de mais de um núcleo
da mesma norma penal incriminadora no mesmo contexto fático implica crime único em razão do
princípio da:
(A) especialidade;
(B) subsidiariedade;
(C) consunção;
(D) absorção;
(E) alternatividade.
COMENTÁRIOS
Nos crimes de ação múltipla ou conteúdo variado, também chamados de “tipos mistos
alternativos”, o tipo penal descreve mais de uma conduta por meio da qual o crime pode ser
praticado, e qualquer delas já configura o delito; todavia, a prática de mais de uma das condutas,
no mesmo contexto e contra a mesma vítima, não configura pluralidade de crimes, continuando a
ser um só crime.
Como exemplo, temos o crime de estupro, previsto no art. 213 do CP:

Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter


conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº
12.015, de 2009)

Como se vê, há duas condutas possíveis: “constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, a ter conjunção carnal” ou “constranger alguém a praticar ou permitir que com ele se
pratique outro ato libidinoso (diverso da conjunção carnal)”. A prática de qualquer uma já
configura o crime de estupro. Todavia, p. ex., se o mesmo agente obrigar a vítima (no mesmo
ato), com violência ou grave ameaça, a praticar coito vagínico (conjunção carnal) e coito anal (ato
libidinoso diverso), haverá um só crime de estupro.

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O princípio para solucionar tal “conflito aparente de normas” (eis que a Doutrina não é pacífica
quanto a haver conflito aparente de normas em casos tais) é o da alternatividade.
GABARITO: LETRA E

29. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

Dentro da teoria geral do crime, entende-se por “crimes de empreendimento” aqueles em que:
(A) todas as elementares do tipo penal precisam ser praticadas para que o resultado seja
alcançado;
(B) o agente pratica os atos de execução, mas a configuração do crime depende da colaboração
da própria vítima;

(C) há exigência de reiteração da conduta e finalidade de obtenção de lucro;


(D) o legislador equipara a forma tentada à forma consumada do delito, prevendo a mesma pena
para ambas as modalidades;
(E) o crime é cometido por meio da profissão lícita do agente, como meio para realizar uma
conduta criminosa.
COMENTÁRIOS
Crimes de atentado ou de empreendimento são aqueles em que o legislador equipara a forma
tentada à forma consumada do delito, prevendo a mesma pena para ambas as modalidades.
Como exemplo, temos o art. 352 do CP:

Art. 352 - Evadir-se ou tentar evadir-se o preso ou o indivíduo submetido a


medida de segurança detentiva, usando de violência contra a pessoa:
Pena - detenção, de três meses a um ano, além da pena correspondente à
violência.

Como se vê, o simples fato de o preso tentar fugir (empregando violência contra a pessoa) já
consuma o delito, ainda que o infrator não consiga efetivamente fugir.
Logo, nestes crimes (de atentado ou de empreendimento) não há possibilidade de configuração
na forma tentada, eis que o simples ato de tentar já provoca a consumação do crime.
GABARITO: LETRA D

30. (FGV/2021/SEFAZ-ES)

José trabalha como guarda-vidas da piscina do Clube Romano, aberto ao público das 8h às 22h,
diariamente. A piscina do clube funciona das 9h às 21h, de terça a domingo, sendo aberta por
Antônio, que trabalha como zelador no mesmo clube. José é sempre o primeiro a entrar na área
da piscina, tão logo ela é aberta, para assumir seu posto no alto da cadeira de guarda-vidas.
Contudo, no dia 1º de novembro de 2020, ele não chegou no horário porque sua condução
atrasou. O espaço da piscina foi aberto por Antônio no horário habitual, mas José somente

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chegou ao clube às 10h. Ao entrar na área da piscina deparou-se com uma cena terrível: o corpo
de uma criança morta, boiando na piscina.
Sobre a conduta de José, assinale a afirmativa correta.
A) José não praticou nenhum crime.
B) José omitiu-se na prestação de socorro (Art. 135 do CP).
C) José cometeu homicídio culposo (Art. 121, § 3º, do CP).
D) José cometeu homicídio culposo na modalidade comissiva por omissão, pois exercia a função
de garantidor (Art. 121, § 3º, c/c. o Art. 13, § 2º, ambos do CP).
E) José cometeu homicídio doloso na modalidade comissiva por omissão, pois exercia a função
de garantidor (Art. 121, caput, c/c. o Art. 13, § 2º, ambos do CP).
COMENTÁRIOS
José, neste caso, não praticou qualquer crime.
Para que pudesse ser responsabilizado por eventual omissão, José deveria dever e poder agir
para evitar o resultado, nos termos do art. 13, §2º do CP.
Conquanto fosse o guarda-vidas do clube, José não havia assumido o posto naquele dia, motivo
pelo qual não se encontrava na posição de garantidor naquele dia e naquele momento.
GABARITO: LETRA A

31. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)

Lidiane, exímia nadadora, convida sua amiga Karen para realizarem a travessia a nado de um rio,
afirmando que poderia socorrê-la caso tivesse qualquer dificuldade. Durante a travessia, Karen e
Lidiane foram pegas por um forte redemoinho que as puxou para o fundo do rio. Lidiane
conseguiu escapar, mas, em razão da forte correnteza, não conseguiu salvar Karen, que veio
a falecer por afogamento.
Considerando o fato acima narrado, Lidiane:
A) será responsabilizada pelo homicídio de Karen por omissão imprópria, visto que criou a
situação de perigo e assumiu a posição de garantidora;
B) assumiu a função de garantidora, devendo responder pela omissão de socorro com resultado
morte;
C) assumiu a função de garantidora, mas não responderá pela morte de Karen, pois estava
impossibilitada de agir;
D) não será responsabilizada pela morte de Karen, visto que não possuía o dever de agir;
E) não assumiu a função de garantidora, devendo, contudo, responder pelo crime de omissão de
socorro com resultado morte.
COMENTÁRIOS

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Lidiane, neste caso, não praticou qualquer crime.


Para que pudesse ser responsabilizada por eventual omissão, Lidiane deveria dever e poder agir
para evitar o resultado, nos termos do art. 13, §2º do CP.
Conquanto tenha assumido a função de garantidora (pois assumiu a responsabilidade de impedir
o resultado), não responderá pela morte de Karen, pois estava impossibilitada de agir. A questão
é clara ao dizer que Lidiane, em razão da forte correnteza, não conseguiu salvar Karen (logo, não
teve condições para evitar o resultado).
GABARITO: LETRA C

32. (FGV – 2018 – TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Leandro, pretendendo causar a morte de
José, o empurra do alto de uma escada, caindo a vítima desacordada. Supondo já ter alcançado
o resultado desejado, Leandro pratica nova ação, dessa vez realiza disparo de arma de fogo
contra José, pois, acreditando que ele já estaria morto, desejava simular um ato de assalto.
Ocorre que somente na segunda ocasião Leandro obteve o que pretendia desde o início, já que,
diferentemente do que pensara, José não estava morto quando foram efetuados os disparos.

Em análise da situação narrada, prevalece o entendimento de que Leandro deve responder


apenas por um crime de homicídio consumado, e não por um crime tentado e outro consumado
em concurso, em razão da aplicação do instituto do:

(a) crime preterdoloso;

(b) dolo eventual;

(c) dolo alternativo;

(d) dolo geral;

(e) dolo de 2º grau.

COMENTÁRIOS

Aqui temos o que se entende por dolo geral, por erro sucessivo ou aberratio causae, que ocorre
quando o agente consegue obter o resultado inicialmente pretendido, mas por meio de uma
segunda conduta não voltada à obtenção do resultado. Entende-se que, como, ao fim e ao cabo,
o agente conseguiu obter o resultado pretendido, deverá responder apenas por um homicídio
doloso consumado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

33. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Acreditando estar grávida, Pâmela, 18
anos, desesperada porque ainda morava com os pais e eles sequer a deixavam namorar,
utilizando um instrumento próprio, procura eliminar o feto sozinha no banheiro de sua casa,
vindo a sofrer, em razão de tal comportamento, lesão corporal de natureza grave.

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Encaminhada ao hospital para atendimento médico, fica constatado que, na verdade, ela não se
achava e nunca esteve grávida. O Hospital, todavia, é obrigado a noticiar o fato à autoridade
policial, tendo em vista que a jovem de 18 anos chegou ao local em situação suspeita, lesionada.

Diante disso, foi instaurado procedimento administrativo investigatório próprio e, com o


recebimento dos autos, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de Pâmela pela prática
do crime de “aborto provocado pela gestante”, qualificado pelo resultado de lesão corporal
grave, nos termos dos Art. 124 c/c o Art. 127, ambos do Código Penal.

Diante da situação narrada, assinale a opção que apresenta a alegação do advogado de Pâmela.

A) A atipicidade de sua conduta.

B) O afastamento da qualificadora, tendo em vista que esta somente pode ser aplicada aos
crimes de aborto provocado por terceiro, com ou sem consentimento da gestante, mas não para
o delito de autoaborto de Pâmela.

C) A desclassificação para o crime de lesão corporal grave, afastando a condenação pelo aborto.

D) O reconhecimento da tentativa do crime de aborto qualificado pelo resultado.

COMENTÁRIOS
A conduta, aqui, é atípica, em razão da ABSOLUTA IMPROPRIEDADE DO OBJETO, nos termos
do art. 17 do CP, pois temos a figura do crime impossível. Isso se dá porque, nessas
circunstâncias, Pâmela JAMAIS conseguiria alcançar o resultado pretendido (aborto), pois nunca
esteve grávida, e o primeiro pressuposto para o praticar autoaborto é estar grávida.
Pâmela não irá responder, ainda, pela lesão corporal, eis que a lesão foi provocada pela própria
vítima, e o direito penal não pune a autolesão.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

34. (FGV – 2016 – MPE-RJ – ANALISTA PROCESSUAL) Diz-se que o crime é doloso quando o
agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo, e que o crime é culposo, quando o
agente deu causa a resultado previsível por imprudência, negligência ou imperícia. Sobre o
tema, é correto afirmar que:

a) o dolo direto de segundo grau também é conhecido como dolo de consequências necessárias;

b) para a teoria finalista da ação, o dolo e a culpa integram a culpabilidade;

c) no crime culposo, a imprudência se caracteriza por uma conduta negativa, enquanto a


negligência, por um comportamento positivo;

d) o crime culposo admite como regra a forma tentada;

e) na culpa consciente, o agente prevê o resultado como possível, mas com ele não se importa.

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COMENTÁRIOS
a) CORRETA: Item correto, pois este (dolo de consequências necessárias) é outro nome dado
pela doutrina ao dolo direto de segundo grau, que ocorre quando o agente não quer
diretamente a ocorrência do resultado, mas o aceita como consequência necessária de seu agir.

b) ERRADA: Item errado, pois, para a teoria finalista da ação o elemento subjetivo (dolo e culpa)
encontra-se dentro da conduta (conduta como ação humana dirigida a uma determinada
finalidade), logo, dentro do fato típico.
c) ERRADA: Item errado, pois a doutrina classifica exatamente de forma diversa, ou seja,
negligência como uma conduta negativa, enquanto a imprudência como um comportamento
positivo.

d) ERRADA: Item errado, pois, como regra, o crime culposo não admite forma tentada, já que
para que haja tentativa o agente deve querer o resultado, mas não o alcança por circunstâncias
alheias à sua vontade. No crime culposo o agente não quer o resultado. A única hipótese de
crime culposo na forma tentada fica por conta da chamada “culpa imprópria”, como ocorre, por
exemplo, no caso do art. 20, §1º do CP (descriminante putativa por erro evitável), em que o
agente pratica uma conduta dolosa, mas, por questão de política criminal, responde a título de
culpa.
e) ERRADA: Item errado, pois isso ocorre no dolo eventual. Na culpa consciente o agente prevê a
possibilidade de ocorrência do resultado mas acredita que, com suas habilidades, conseguirá
evita-lo.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

35. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) Durante uma discussão, Theodoro, inimigo
declarado de Valentim, seu cunhado, golpeou a barriga de seu rival com uma faca, com intenção
de matá-lo. Ocorre que, após o primeiro golpe, pensando em seus sobrinhos, Theodoro
percebeu a incorreção de seus atos e optou por não mais continuar golpeando Valentim, apesar
de saber que aquela única facada não seria suficiente para matá-lo.

Neste caso, Theodoro

A) não responderá por crime algum, diante de seu arrependimento.

B) responderá pelo crime de lesão corporal, em virtude de sua desistência voluntária.

C) responderá pelo crime de lesão corporal, em virtude de seu arrependimento eficaz.

D) responderá por tentativa de homicídio.

COMENTÁRIOS
Neste caso ocorreu o que se chama de “desistência voluntária”, pois o agente, mesmo podendo
prosseguir na execução do delito, voluntariamente desiste de dar continuidade. Neste caso, nos
termos do art. 15 do CP, o agente responde apenas pelos atos até então praticados, ou seja,
pelos resultados até então efetivamente obtidos, que são as lesões corporais provocadas na
vítima, desprezando-se o dolo inicial (que era de matar).

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Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

36. (FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DA OAB) Cristiane, revoltada com a traição de seu
marido, Pedro, decide matá-lo. Para tanto, resolve esperar que ele adormeça para, durante a
madrugada, acabar com sua vida. Por volta das 22h, Pedro deita para ver futebol na sala da
residência do casal. Quando chega à sala, Cristiane percebe que Pedro estava deitado sem se
mexer no sofá. Acreditando estar dormindo, desfere 10 facadas em seu peito. Nervosa e
arrependida, liga para o hospital e, com a chegada dos médicos, é informada que o marido
faleceu. O laudo de exame cadavérico, porém, constatou que Pedro havia falecido momentos
antes das facadas em razão de um infarto fulminante. Cristiane, então, foi denunciada por
tentativa de homicídio.

Você, advogado (a) de Cristiane, deverá alegar em seu favor a ocorrência de

A) crime impossível por absoluta impropriedade do objeto.

B) desistência voluntária.

C) arrependimento eficaz.

D) crime impossível por ineficácia do meio.

COMENTÁRIOS
No caso em tela tem-se o que se chama de crime impossível, pela absoluta impropriedade do
objeto, já que um cadáver não pode ser vítima de homicídio. A conduta de Cristiane, portanto,
não é punível, pois o CP brasileiro adotou a teoria objetiva da punibilidade do crime impossível,
prevendo a ausência de punição, já que o resultado é impossível, nos termos do art. 17 do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

37. (FGV - 2015 - OAB - XVIII EXAME DE ORDEM) Mário subtraiu uma TV do seu local de
trabalho. Ao chegar em casa com a coisa subtraída, é convencido pela esposa a devolvê-la, o
que efetivamente vem a fazer no dia seguinte, quando o fato já havia sido registrado na
delegacia.

O comportamento de Mário, de acordo com a teoria do delito, configura

A) desistência voluntária, não podendo responder por furto.

B) arrependimento eficaz, não podendo responder por furto.

C) arrependimento posterior, com reflexo exclusivamente no processo dosimétrico da pena.

D) furto, sendo totalmente irrelevante a devolução do bem a partir de convencimento da esposa.

COMENTÁRIOS
Neste caso, não podemos falar em desistência voluntária ou arrependimento eficaz, eis que o
crime já se consumou (art. 15 do CP).

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Contudo, por se tratar de crimes cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa, a restituição
voluntária da coisa antes do recebimento da denúncia importa em arrependimento posterior, que
é causa de diminuição da pena, de um a dois terços, nos termos do art. 16 do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

38. (FGV – 2010 – AP – FISCAL DA RECEITA ESTADUAL) Trata-se de hipótese de exclusão de


culpabilidade:

a) estado de necessidade.

b) estrito cumprimento de dever legal.

c) erro inevitável sobre a ilicitude do fato.

d) exercício regular de direito.

e) legítima defesa.

COMENTÁRIO
As causas legais de exclusão da culpabilidade estão previstas nos arts. 21 e 22 do CP. Vejamos:

Erro sobre a ilicitude do fato (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,
se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a
consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter
ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Coação irresistível e obediência hierárquica (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, a alternativa que traz uma causa de exclusão da culpabilidade é a letra C, que trata do
erro de proibição inevitável.
Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

39. (FGV - 2013 - TCE-BA - ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) A doutrina majoritária


brasileira reconhece como elementos do crime a tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade.

Sobre estes elementos, assinale a assertiva incorreta.

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a) O Superior Tribunal de Justiça reconhece que a falta de tipicidade material pode, por si só,
tornar o fato atípico

b) A legítima defesa, o estado de necessidade, a obediência hierárquica e o exercício regular do


direito são causas excludentes da ilicitude ou antijuridicidade.

c) O agente, em qualquer das hipóteses de exclusão da ilicitude, responderá pelo excesso doloso
ou culposo

d) O pai que protege a integridade física de seu filho do ataque de um animal está amparado
pela excludente da ilicitude do estado de necessidade.

e) A embriaguez voluntária e até mesmo a culposa não excluem a imputabilidade penal.

COMENTÁRIOS
A) CORRETA: O STJ entende que a tipicidade engloba sua parte formal (existência do fato típico
na Lei) e sua parte material (lesividade social, grosso modo). Ausente qualquer uma das duas, o
fato será atípico.
B) ERRADA: A obediência hierárquica é causa de exclusão da culpabilidade, nos termos do art.
22 do CP.
C) CORRETA: Esta é a previsão do art. 23, § único do CP.
D) CORRETA: Item correto, pois não há que se falar em legítima defesa aqui, já que esta somente
é cabível em face de agressão proveniente de ser humano. Temos, aqui, estado de necessidade.
E) CORRETA: Item correto, nos termos do art. 28, II do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA ERRADA É A LETRA B.

40. (FGV - 2010 - SEAD-AP - AUDITOR DA RECEITA DO ESTADO - PROVA 1) Um funcionário


público apropria-se de valores particulares, dos quais tinha posse em razão do cargo, em
proveito próprio. Posteriormente, acometido por um conflito moral, arrepende-se e, antes do
recebimento da denúncia, por ato voluntário, restitui os valores indevidamente apropriados e
repara totalmente os danos decorrentes de sua conduta.

De acordo com o Código Penal, a hipótese será de:

a) causa de inadequação típica pelo arrependimento eficaz.

b) desistência voluntária com exclusão da tipicidade.

c) arrependimento posterior que extingue a punibilidade.

d) circunstância atenuante genérica pela reparação eficaz do dano.

e) causa de diminuição de pena pelo arrependimento posterior.

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COMENTÁRIOS
O funcionário, aqui, praticou o delito de peculato (art. 312 do CP). Como se trata de peculato
doloso, a reparação do dano não gera a extinção da punibilidade (isso só ocorre no peculato
culposo, nos termos dos §§2º e 3º do CP).

Contudo, tal reparação do dano se evidencia como ARREPENDIMENTO POSTERIOR, nos termos
do art. 16 do CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Logo, o agente terá sua pena reduzida de um a dois terços.


Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

41. (FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - VII - PRIMEIRA FASE) Filolau,
querendo estuprar Filomena, deu início à execução do crime de estupro, empregando grave
ameaça à vítima. Ocorre que ao se preparar para o coito vagínico, que era sua única intenção,
não conseguiu manter seu pênis ereto em virtude de falha fisiológica alheia à sua vontade. Por
conta disso, desistiu de prosseguir na execução do crime e abandonou o local. Nesse caso, é
correto afirmar que

a) trata-se de caso de desistência voluntária, razão pela qual Filolau não responderá pelo crime
de estupro.

b) trata-se de arrependimento eficaz, fazendo com que Filolau responda tão somente pelos atos
praticados.

c) a conduta de Filolau é atípica.

d) Filolau deve responder por tentativa de estupro.

COMENTÁRIOS
No caso em tela, o agente deixou de prosseguir na execução em razão de circunstâncias alheias
à sua vontade, e não por ter “se arrependido” de ter iniciado a conduta.
Assim, teremos crime em sua forma TENTADA (e não desistência voluntária).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

42. (FGV - 2008 - SENADO FEDERAL – ADVOGADO) Relativamente ao Direito Penal


Brasileiro, analise as afirmativas a seguir:

I. Os crimes unissubsistentes, habituais próprios, comissivos e permanentes na forma omissiva


não admitem tentativa.

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II. Considera-se desistência voluntária ou arrependimento posterior a conduta do agente que,


depois de consumado o crime, repara o dano causado respondendo o agente somente pelos
fatos praticados.

III. Considera-se impossível o crime quando o meio utilizado pelo agente é relativamente incapaz
de alcançar o resultado.

IV. Nos crimes tentados, aplica-se a pena do crime consumado reduzindo-a de 1/3 a 2/3, ao
passo que no arrependimento eficaz se aplica a pena do crime consumado reduzindo-a de 1/6 a
1/3.

Assinale:

a) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.

b) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.

c) se apenas as afirmativas I e IV estiverem corretas.

d) se nenhuma afirmativa estiver correta.

e) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.

COMENTÁRIOS
I – ERRADA: Item errado, pois os crimes COMISSIVOS (aqueles praticados mediante ação, ou
seja, uma conduta positiva) admitem tentativa, em regra, desde que o fracionamento do iter
criminis seja possível (fracionamento da conduta).
II – ERRADA: Item absolutamente errado. Na desistência voluntária o crime não se consuma (art.
15 do CP). No arrependimento posterior, de fato, o crime se consuma e há reparação do dano,
mas neste caso o agente tem apenas uma redução de pena (art. 16). Portanto, absolutamente
errado.
III – ERRADA: O meio, neste caso, deve ser ABSOLUTAMENTE incapaz de produzir o resultado,
nos termos do art. 17 do CP.
IV – ERRADA: Item errado. Embora no caso de crime tentado a pena, de fato, seja reduzida de
1/3 a 2/3, em se tratando de arrependimento eficaz, não se aplica a pena do crime consumado.
Neste caso, o agente responderá apenas pelos atos já praticados, expurgando-se o dolo pelo
resultado anteriormente pretendido.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

43. (FGV - 2008 - SENADO FEDERAL - POLICIAL LEGISLATIVO FEDERAL) Em relação à


responsabilidade do agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede
que o resultado se produza, é correto afirmar que:

a) não há nenhuma responsabilidade criminal possível.

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b) o agente responde apenas pelos atos praticados.

c) o agente será punido com a pena do crime consumado, reduzida de 1/3 a 2/3.

d) não obstante a desistência ou o impedimento da produção do resultado, o agente responderá


pelo crime tal como se ele tivesse sido consumado.

e) se trata de hipótese de erro de tipo, que exclui a responsabilidade penal, salvo se inescusável.

COMENTÁRIOS
O agente, neste caso, estará praticando desistência voluntária ou arrependimento eficaz e, nesta
hipótese, responderá apenas pelos atos já praticados, nos termos do art. 15 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

44. (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO) Apolo foi ameaçado de morte por
Hades, conhecido matador de aluguel. Tendo tido ciência, por fontes seguras, que Hades o
mataria naquela noite e, com o intuito de defender-se, Apolo saiu de casa com uma faca no
bolso de seu casaco. Naquela noite, ao encontrar Hades em uma rua vazia e escura e, vendo que
este colocava a mão no bolso, Apolo precipita-se e, objetivando impedir o ataque que imaginava
iminente, esfaqueia Hades, provocando-lhe as lesões corporais que desejava. Todavia, após o
ocorrido, o próprio Hades contou a Apolo que não ia matá-lo, pois havia desistido de seu intento
e, naquela noite, foi ao seu encontro justamente para dar-lhe a notícia. Nesse sentido, é correto
afirmar que

A) havia dolo na conduta de Apolo.

B) mesmo sendo o erro escusável, Apolo não é isento de pena.

C) Apolo não agiu em legítima defesa putativa.

D) mesmo sendo o erro inescusável, Apolo responde a título de dolo.

COMENTÁRIOS
Nesse caso Apolo agiu no que se chama de legítima defesa putativa, pois agiu acreditando estar
acobertando pela excludente de ilicitude da legítima defesa, o que não era o caso, estando, pois,
errada a letra C. No entanto, devemos analisar se o erro de Apolo é desculpável (invencível).
Como Apolo já havia sido ameaçado de morte por Hades e Hades ainda fez menção a colocar a
mão no bolso (denotando sacar uma arma), não se podia exigir de Apolo que pensasse o
contrário, motivo pelo qual entendo que se trata de erro vencível (desculpável).
No caso de ser escusável o erro, Apolo estaria isento de pena, e caso inescusável, responderia a
título culposo, e não doloso, nos termos do art. 20, §1º do CP, motivo pelo qual as alternativas B
e D estão incorretas.
No entanto, mesmo tendo agido em legítima defesa e podendo ser punido a título culposo ou
ser isento de pena (a depender do tipo de erro), o certo é que a conduta de APOLO é DOLOSA,
eis que ele teve vontade de atirar contra Hades, com dolo de matar (animus necandi).

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Independentemente da circunstância de agir em legítima defesa putativa (o que influenciará nos


reflexos penais), a conduta é considerada dolosa, motivo pelo qual está correta a letra A.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

45. (FGV - 2012 - OAB - VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO) José conversava com Antônio
em frente a um prédio. Durante a conversa, José percebe que João, do alto do edifício, jogara
um vaso mirando a cabeça de seu interlocutor. Assustado, e com o fim de evitar a possível morte
de Antônio, José o empurra com força. Antônio cai e, na queda, fratura o braço. Do alto do
prédio, João vê a cena e fica irritado ao perceber que, pela atuação rápida de José, não
conseguira acertar o vaso na cabeça de Antônio.

Com base no caso apresentado, segundo os estudos acerca da teoria da imputação objetiva,
assinale a afirmativa correta.

A) José praticou lesão corporal culposa.

B) José praticou lesão corporal dolosa.

C) O resultado não pode ser imputado a José, ainda que entre a lesão e sua conduta exista nexo
de causalidade.

D) O resultado pode ser imputado a José, que agiu com excesso e sem a observância de devido
cuidado.

COMENTÁRIOS
A questão retrata o exemplo mais clássico sobre a Teoria da Imputação Objetiva. Embora José
tenha empurrado João, e esta conduta tenha sido a causa das lesões sofridas por João em seu
braço, certo é que José não agiu com dolo de ferir João, tendo agido assim para evitar a
ocorrência de um evento ainda mais danoso para este, qual seja, a sua eventual morte em razão
do impacto que seria provocado pelo vaso jogado do alto do prédio por Antônio.
Assim, como José evitou a ocorrência de um resultado lesivo ainda maior, tendo sido movido por
essa intenção, pela Teoria da Imputação Objetiva, não pode responder pelo delito de lesões
corporais.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

46. (FGV - 2013 - MPE-MS - ANALISTA - DIREITO) Determinado agente, insatisfeito com as
diversas brigas que tinha com seu vizinho, resolve matá-lo. Ao ver seu desafeto passando pela
rua, pega sua arma, que estava em situação regular e contava com apenas uma bala, e atira,
vindo a atingi-lo na barriga. Lembrando-se que o vizinho era pai de duas crianças, arrepende-se
de seu ato e leva a vítima ao hospital. O médico, diante do pronto atendimento e rápida cirurgia,
salva a vida da vítima.

Diante da situação acima, o membro do Ministério Público deve

a) denunciar o agente pelo crime de lesão corporal, pois o arrependimento posterior no caso
impede que o agente responda pelo resultado pretendido inicialmente.

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b) denunciar o agente pelo crime de lesão corporal, pois houve arrependimento eficaz.

c) denunciar o agente pelo crime de lesão corporal, pois houve desistência voluntária.

d) denunciar o agente pelo crime de tentativa de homicídio, tendo em vista que o resultado
pretendido inicialmente não foi obtido.

e) requerer o arquivamento, diante da atipicidade da conduta.

COMENTÁRIOS
Questão interessante. No caso em tela, temos o que se chama de arrependimento eficaz, pois o
agente já havia terminado a execução do delito (a questão deixa claro que só havia uma bala na
arma), logo, não há que se falar em DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA (pois esta pressupõe que o
agente deixe de prosseguir na execução, quando podia prosseguir). O arrependimento, neste
caso, é “eficaz” e não “posterior” porque o resultado não ocorreu. Vejamos:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

No caso em tela temos a segunda parte do artigo, ou seja, “impede que o resultado se
produza”.
Desta forma, o agente responde apenas pelos atos já praticados, ou seja, lesão corporal, em
razão do arrependimento eficaz.
O aluno poderia questionar se não deveria ser homicídio tentado, mas a resposta é simples: Não.
Por uma razão simples. A tentativa pressupõe que o resultado não ocorra por circunstâncias
ALHEIAS À VONTADE DO INFRATOR, ou seja, por fatores externos. Neste caso o resultado não
ocorre em razão da própria conduta do infrator, que se arrepende e evita o resultado.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

47. (FGV – 2014 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) Entende-se por culpabilidade:

a) a relação de contrariedade formal entre uma conduta típica e o ordenamento jurídico, tendo
como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e a inexigibilidade de
conduta diversa;

b) a relação de contrariedade formal e material entre uma conduta típica e o ordenamento


jurídico, tendo como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e a
inexigibilidade de conduta diversa;

c) a adequação formal e material entre uma conduta dolosa e/ou culposa frente a uma norma
legal incriminadora, pressupondo-se ainda a sua prévia antijuridicidade;

d) o juízo de reprovabilidade que se exerce sobre uma determinada pessoa que pratica um fato
típico e antijurídico, tendo como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude
e a exigibilidade de conduta diversa;

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e) o juízo de reprovabilidade que se exerce sobre uma determinada pessoa que pratica um fato
típico e ilícito, tendo como requisitos a imputabilidade, a consciência plena da ilicitude e a
inexigibilidade de conduta diversa.

COMENTÁRIOS
O conceito doutrinário de culpabilidade pode ser melhor extraído do que dispõe a alternativa D,
ou seja, o “juízo de reprovabilidade que se exerce sobre uma determinada pessoa que pratica
um fato típico e antijurídico, tendo como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da
ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa”.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

48. (FGV – 2014 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) Jorge pretende matar seu desafeto Marcos.
Para tanto, coloca uma bomba no jato particular que o levará para a cidade de Brasília. Com 45
minutos de voo, a aeronave executiva explode no ar em decorrência da detonação do artefato,
vindo a falecer, além de Marcos, seu assessor Paulo e os dois pilotos que conduziam a aeronave.
Considerando que, ao eleger esse meio para realizar o seu intento, Jorge sabia perfeitamente
que as demais pessoas envolvidas também viriam a perder a vida, o elemento subjetivo de sua
atuação em relação à morte de Paulo e dos dois pilotos é o:

a) dolo alternativo;

b) dolo eventual;

c) dolo geral ou erro sucessivo;

d) dolo normativo;

e) dolo direto de 2º grau ou de consequências necessárias.

COMENTÁRIOS
No caso concreto temos o que se chama de DOLO DIRETO DE SEGUNDO GRAU (ou de
consequências necessárias). Isto porque o agente, embora NÃO QUEIRA o resultado acessório
(no caso, a morte de Paulo e dos dois pilotos), ele aceita tal resultado como NECESSÁRIO para
que o resultado pretendido (a morte de Marcos) ocorra.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

49. (FGV – 2014 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) Carlos, imbuído de perniciosa lascívia
concupiscente em face de sua colega de trabalho, Joana, resolve estuprá-la após o fim do
expediente. Para tanto, fica escondido no corredor de saída do escritório e, quando a vítima
surge diante de si, desfere-lhe um violento soco no rosto, que a leva ao chão. Aproveitando-se
da debilidade da moça, Carlos deita-se sobre a mesma, já se preparando para despi-la, porém,
antes da prática de qualquer ato libidinoso, repentinamente, imbuído de súbito remorso por ver
uma enorme quantidade de sangue jorrando do nariz de sua colega, faz cessar sua intenção e a
conduz ao departamento médico, para que receba o atendimento adequado.

Em relação a sua conduta, Carlos:

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a) responderá por estupro tentado, em virtude da ocorrência de tentativa imperfeita;

b) não responderá por estupro, em virtude da desistência voluntária;

c) não responderá por estupro, em virtude de arrependimento eficaz;

d) não responderá por estupro, em virtude de arrependimento posterior;

e) responderá por estupro consumado, pois atualmente a lei não exige a prática de conjunção
carnal para a configuração desse delito.

COMENTÁRIOS

Carlos, neste caso, não responderá por estupro. Carlos deu início à execução da conduta de
estupro, mas podendo continuar, não o fez, por ter se arrependido. Neste caso, ocorreu a
DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA. Assim, o agente responderá, apenas, pelos atos já praticados (no
caso, lesões corporais). Vejamos o que diz o CP sobre a desistência voluntária:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

50. (FGV – 2014 – OAB – EXAME DE ORDEM) Isadora, mãe da adolescente Larissa, de 12
anos de idade, saiu um pouco mais cedo do trabalho e, ao chegar à sua casa, da janela da sala,
vê seu companheiro, Frederico, mantendo relações sexuais com sua filha no sofá. Chocada com
a cena, não teve qualquer reação. Não tendo sido vista por ambos, Isadora decidiu, a partir de
então, chegar à sua residência naquele mesmo horário e verificou que o fato se repetia por
semanas. Isadora tinha efetiva ciência dos abusos perpetrados por Frederico, porém, muito
apaixonada por ele, nada fez. Assim, Isadora, sabendo dos abusos cometidos por seu
companheiro contra sua filha, deixa de agir para impedi-los.

Nesse caso, é correto afirmar que o crime cometido por Isadora é

a) omissivo impróprio.

b) omissivo próprio.

c) comissivo.

d) omissivo por comissão.

COMENTÁRIOS
No caso em tela, Frederico está praticando o delito de estupro de vulnerável, previsto no art.
217-A do CP. A mãe da vítima, Isadora, não está cometendo omissão de socorro, pois ela tem O
DEVER LEGAL de evitar o resultado, já que a vítima é sua filha (tendo o dever de proteção,

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cuidado e vigilância). Assim, Isadora responderá pelo mesmo delito praticado por Frederico (e
que ela deveria evitar), ou seja, estupro de vulnerável.
Tal imputação se dá por força da causalidade NORMATIVA imposta à conduta de Isadora (já que
do ponto de vista “natural” ela não praticou qualquer ato relativo ao estupro).

Temos, aqui, o que se chama de crime COMISSIVO POR OMISSÃO, ou OMISSIVO IMPRÓPRIO,
nos termos do art. 13, §2º do CP:

Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é


imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a
qual o resultado não teria ocorrido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

Relevância da omissão (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. VUNESP - Proc (CM Campinas)/CM Campinas/2024

José pratica atos que se amoldam à descrição típica do crime de apropriação indébita,
consumado. No curso de inquérito policial, depois de intimado a prestar declarações em sede
policial, mas antes do recebimento da denúncia, voluntariamente, José restitui a coisa
indebitamente apropriada a seu proprietário.

É correto afirmar que

a) se José for primário e se for de pequeno valor a coisa apropriada, o juiz pode substituir a pena
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de
multa.

b) nenhum benefício será reconhecido, tendo em vista que a devolução ocorreu após sua
intimação.

c) deve ser reconhecido em seu favor o instituto do arrependimento eficaz, o que lhe trará
redução de pena.

d) deve ser reconhecido em seu favor o instituto do arrependimento posterior, o que lhe trará
redução de pena.

e) nenhum benefício será reconhecido, tendo em vista a consumação do crime.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, deve ser reconhecido em favor do infrator o instituto do arrependimento posterior, o
que lhe trará redução de pena, de um a dois terços, na forma do art. 16 do CP:
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Todavia, a letra A também está correta, pois o art. 170 do CP estabelece que é aplicável aos
crimes de apropriação indébita o art. 155, §2º do, que trata do “furto privilegiado”. Ou seja, no
caso de apropriação indébita, se o agente for primário e se for de pequeno valor a coisa

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apropriada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois
terços, ou aplicar somente a pena de multa, na forma do art. 155, §2º c/c art. 170 do CP.

Assim, tanto a letra A quanto a letra D são corretas.

O gabarito da Banca foi letra D, mas a questão deveria ser anulada.

Gabarito: D (ANULÁVEL)

2. VUNESP - AFTM SP/Pref SP/Gestão Tributária/2023

O agente que praticou um delito, sem violência ou grave ameaça à vítima, mas providencia
voluntariamente a reparação do dano ou a restituição da coisa, até o recebimento da denúncia
ou da queixa, será beneficiado pelo instituto penal

a) do arrependimento posterior, cuja pena será reduzida de um a dois terços.

b) da descriminante putativa, que receberá a isenção da pena.

c) do arrependimento eficaz, para só responder pelos atos já praticados.

d) da desistência eficaz, cuja pena será reduzida de um a dois terços.

e) da desistência voluntária, para só responder pelos atos já praticados.

COMENTÁRIOS

O agente que, nos crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa, voluntariamente repara o
dano ou a restitui a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, será beneficiado pelo
instituto do arrependimento posterior, de forma que sua pena será reduzida de um a dois terços,
na forma do art. 16 do CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: LETRA A

3. (VUNESP – 2019 – PREF. DE CERQUILHO-SP – PROCURADOR/ADAPTADA)

Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a
coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será
reduzida de um a dois terços.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois esta é a exata definição do arrependimento posterior, que gera redução de
pena de um a dois terços, na forma do art. 16 do CP:

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Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,


reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: CORRETA

4. (VUNESP – 2019 – TJSP – ADMINISTRADOR)

A doutrina dominante define tipicidade como

A )a adequação de um ato praticado pelo agente com as características que o enquadram à


norma descrita na lei penal como crime.

B) um juízo de valor negativo ou desvalor, indicando que a ação humana foi contrária às
exigências do Direito.

C) a voluntária omissão de diligência em calcular as consequências possíveis e previsíveis do


próprio fato.

D) um juízo de reprovação pessoal que recai sobre o autor do crime, que opta em praticar atos
ou omissões de forma contrária ao Direito.

E) uma ação delitiva de maneira consciente e voluntária.

COMENTÁRIOS

A tipicidade nada mais é que a adequação entre a conduta praticada no mundo real e aquilo que
está previsto como fato típico na norma penal incriminadora.

GABARITO: LETRA A

5. (VUNESP – 2018 – PC-SP - INVESTIGADOR) Quando, por ineficácia absoluta do meio ou


por absoluta impropriedade do objeto, é impraticável consumar-se o crime, configura-se o
instituto

(A) do arrependimento eficaz.


(B) da desistência voluntária.
(C) do arrependimento posterior.
(D) do crime impossível.
(E) da tentativa.

COMENTÁRIOS

Nessas circunstâncias há crime IMPOSSÍVEL (tentativa inidônea), conforme art. 17 do CPP:

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Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

6. (VUNESP – 2018 – PC-SP - ESCRIVÃO) A respeito dos artigos 13 ao 25 do Código Penal, é


correto afirmar que

(A) a redução da pena em virtude do arrependimento posterior aplica-se a todos os crimes,


excepcionados apenas os cometidos com violência.
(B) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena,
considerando-se, no entanto, as condições ou qualidades da pessoa contra quem o agente
queria praticar o crime e não as da vítima. ==28dc4f==

(C) o agente que, por circunstâncias alheias à própria vontade, não prossegue na execução do
crime, só responderá pelos atos já praticados.
(D) o dever de agir para evitar o resultado incumbe a quem tenha, por lei ou convenção social,
obrigação de cuidado, proteção e vigilância.
(E) são excludentes da ilicitude o estado de necessidade e a legítima defesa, não sendo punível
o excesso, se praticado por culpa.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois o arrependimento posterior não se aplica aos crimes cometidos
com violência ou grave ameaça à pessoa, conforme art. 16 do CP.

b) CORRETA: Item correto, pois aplica-se a teoria da equivalência, ou seja, são consideradas as
condições da vítima visada, e não as da vítima efetivamente atingida, art. 20, §3º do CP.

c) ERRADA: Item errado, pois neste caso temos tentativa, conforme art. 14, II do CP.

d) ERRADA: Item errado, pois o dever de agir para evitar o resultado incumbe a quem tenha, por
lei, obrigação de cuidado, proteção e vigilância, na forma do art. 13, §2º, “a” do CP (não há que
se falar em dever originado de convenção social).

e) ERRADA: Item errado, pois o excesso será punível, seja ele doloso ou culposo, na forma do
art. 23, § único do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

7. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) Dentro do tema do crime consumado e tentado, é


correto afirmar que

(A) os crimes unissubsistentes admitem tentativa.


(B) os crimes omissivos impróprios consumam-se com a ação ou omissão prevista e punida na
norma penal incriminadora.

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(C) só haverá consumação do crime quando ocorre resultado naturalístico ou material.


(D) há tentativa cruenta quando o objeto material não é atingido, ou seja, o bem jurídico não é
lesionado.
(E) não admitem tentativa os crimes de atentado ou de empreendimento.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois nos crimes unissubsistentes não é possível fracionar o iter criminis,
de forma que ou o agente dá início à execução e o crime já está consumado ou o agente sequer
inicia a execução e temos um indiferente penal. Não há, portanto, possibilidade de tentativa.

b) ERRADA: Item errado, pois nos crimes omissivos impróprios a consumação se dá quando
ocorre o resultado danoso que o agente deveria evitar.

c) ERRADA: Item errado, pois tal exigência só se dá nos crimes materiais. Nos crimes formais a
ocorrência do resultado naturalístico é dispensável para a consumação. Nos crimes de mera
conduta sequer o tipo penal prevê resultado naturalístico.

d) ERRADA: Item errado, pois neste caso temos tentativa incruenta, ou branca. Na tentativa
cruenta (ou vermelha) o objeto material é atingido.

e) CORRETA: Item correto, pois nestes crimes o simples fato de dar início à execução já consuma
o delito, de forma que não há como ocorrer o fenômeno da tentativa.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

8. (VUNESP – 2017 – CRBIO-1° REGIÃO – ADVOGADO - ADAPTADA) De acordo com o


Código Penal Brasileiro, nos crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa, o arrependimento
posterior isenta de pena o autor do crime, desde que reparado o dano até o recebimento da
denúncia ou queixa.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois no caso de arrependimento posterior isso não isentará o agente de pena. O
agente, neste caso, terá sua pena diminuída de um a dois terços, nos termos do art. 16 do CP.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

9. (VUNESP – 2017 – CRBIO - 1° REGIÃO – ADVOGADO - ADAPTADA) De acordo com o


Código Penal Brasileiro, responde penalmente, a título de omissão, aquele que deixa de agir
para evitar o resultado quando, por lei ou convenção social, tenha obrigação de cuidado,
proteção ou vigilância.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois responde penalmente pela omissão aquele que deixa de agir, quando podia e
devia agir para evitar o resultado. Vejamos:

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Art. 13 (...) § 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e


podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:(Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Como se vê, o agente não responde penalmente pela omissão quando tinha, por CONVENÇÃO
SOCIAL, o dever de proteção, cuidado e vigilância, mas apenas quando tinha tal dever por
obrigação legal ou quando de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado
ou, ainda, quando criou o risco da ocorrência do resultado, com seu comportamento anterior.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

10. (VUNESP – 2017 – CRBIO - 1° REGIÃO – ADVOGADO - ADAPTADA) De acordo com o


Código Penal Brasileiro, o crime é tentado quando, iniciada a execução, o agente impede a
realização do resultado.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois considera-se o crime tentado quando, uma vez iniciada a execução, não se
consuma o delito por circunstâncias alheias à vontade do agente, nos termos do art. 14, II do CP.
Quando o próprio agente impede a ocorrência do resultado poderemos ter desistência voluntária
ou arrependimento eficaz, a depender do caso, na forma do art. 15 do CP.

Portanto, a AFIRMATIVA ESTÁ ERRADA.

11. (VUNESP – 2015 – PC/CE – ESCRIVÃO) Com relação à consumação e tentativa do crime,
nos termos previstos no Código Penal, é correto afirmar que

(A) salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, diminuída de um a dois terços.
(B) diz-se o crime consumado, quando nele se reúnem dois terços dos elementos de sua
definição legal.
(C) diz-se o crime consumado, quando nele se reúnem a maioria dos elementos de sua definição
legal.
(D) diz-se o crime tentado quando não se exaure por circunstâncias alheias à vontade do agente.
(E) diz-se o crime tentado quando, iniciada a cogitação, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente.

COMENTÁRIOS

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Diz-se o crime consumado quando nele se reúnem a TODOS os elementos de sua definição
legal, nos termos do art. 14, I do CP. Diz-se o crime como “tentado” quando, uma vez iniciada a
execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente, nos termos do art. 14,
II do CP.

A tentativa, salvo disposição em contrário, é punida com a pena correspondente ao crime


consumado, diminuída de um a dois terços, nos termos do art. 14, § único do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

12. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) O indivíduo “B”, com intenção de matar a pessoa
“D”, efetua dez disparos de arma de fogo em direção a um veículo que se encontra estacionado
na via pública por imaginar que dentro desse veículo encontrava-se a pessoa “D”, contudo, não
havia nenhuma pessoa no interior do veículo. Com relação à conduta praticada por “B”, é
correto afirmar que

(A) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio tentado, em virtude da
interpretação extensiva do crime de homicídio em vista de sua intenção.
(B) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio consumado, em virtude da
interpretação extensiva do crime de homicídio.
(C) o indivíduo “B” não poderá ser punido pelo crime de homicídio.
(D) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio tentado, por analogia ao crime de
homicídio em vista de sua intenção.
(E) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio consumado, por analogia ao
crime de homicídio em vista de sua intenção.

COMENTÁRIOS

No caso temos uma hipótese de crime impossível, pela absoluta impropriedade do objeto, de
forma que o agente não poderá ser punido pelo crime de homicídio, nos termos do art. 17 do
CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

13. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) O indivíduo “B” descobre que a companhia aérea
“X” é a que esteve envolvida no maior número de acidentes aéreos nos últimos anos. O
indivíduo “B” então compra, regularmente, uma passagem aérea desta companhia e presenteia
seu pai com esta passagem, pois tem interesse que ele morra para receber sua herança. O pai
recebe a passagem e durante o respectivo vôo ocorre um acidente aéreo que ocasiona sua
morte. Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar que

(A) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio doloso se for demonstrado
que o piloto do avião em que seu pai se encontrava agiu com culpa no acidente que o vitimou.
(B) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio culposo, tendo em vista que
sem a sua ação o resultado não teria ocorrido.

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(C) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio doloso, tendo em vista que
sem a sua ação o resultado não teria ocorrido.
(D) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio culposo se for demonstrado
que o piloto do avião em que seu pai se encontrava agiu com culpa no acidente que o vitimou.
(E) o indivíduo “B” não praticou e não poderá ser responsabilizado pelo crime de homicídio.

COMENTÁRIOS

O indivíduo não praticou e não poderá ser responsabilizado pelo delito de homicídio, pois sua
conduta não foi a causa adequada da morte de seu pai.

Com sua conduta o agente não criou um risco proibido pelo Direito, pois não é vedado a
ninguém presentear outra pessoa com uma passagem, ainda que sua intenção seja vê-la morrer
num acidente.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

14. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) Nos termos do Código Penal considera-se causa
do crime

(A) a ação ou omissão praticada pelo autor, independentemente de qualquer causa


superveniente.
(B) a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
(C) a ação ou omissão praticada pelo autor, independentemente da sua relação com o resultado.
(D) exclusivamente a ação ou omissão que mais contribui para o resultado.
(E) exclusivamente a ação ou omissão que mais se relaciona com a intenção do autor.

COMENTÁRIOS

Considera-se causa do crime a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, nos
termos do art. 13 do CP, que consagra a teoria da equivalência dos antecedentes causais.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

15. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ) Há crime em que a tentativa é punida com a mesma pena
do crime consumado, sem a diminuição legal. Exemplo: art. 309 do Código Eleitoral (“votar ou
tentar votar, mais de uma vez, ou em lugar de outrem”).

Recebe, em doutrina, a denominação de


a) crime consunto.
b) crime de conduta mista.
c) crime de atentado ou de empreendimento.
d) crime multitudinário.

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COMENTÁRIOS

Estes crimes (que são raros) são chamados de “crimes de atentado” ou “crimes de
empreendimento”. Nestes crimes o tipo penal já prevê a tentativa como sendo delito
consumado, de forma que não se aplica o art. 14, II e seu § único do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

16. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ) Quando a descrição legal do tipo penal contém o
dissenso, expresso ou implícito, como elemento específico, o consentimento do ofendido
funciona como causa de exclusão da

a) antijuridicidade formal
b) tipicidade.
c) antijuridicidade material.
d) punibilidade do fato.

COMENTÁRIOS

Existem crimes cujo tipo penal prevê, expressa ou implicitamente, a necessidade de que a
conduta seja praticada “sem autorização” ou “contra a vontade”, etc. Nestes crimes, se a
conduta é praticada “com autorização” ou “de acordo com a vontade”, ou seja, com o
“consentimento do ofendido”, não há crime, pois há exclusão da tipicidade, já que a ausência do
consentimento do ofendido é um elemento normativo do tipo penal.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

17. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ) Conforme o disposto no artigo 14, parágrafo único, do
Código Penal, “Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente
ao crime consumado, diminuída de um a dois terços”.

O critério de diminuição da pena levará em consideração


a) a motivação do crime.
b) a intensidade do dolo.
c) o iter criminis percorrido pelo agente.
d) a periculosidade do agente.

COMENTÁRIOS

A tentativa é punida de forma menos gravosa que o delito consumado, uma vez que o desvalor
do resultado é menor que no crime consumado. O patamar de redução varia de um a dois terços,
devendo ser utilizado como parâmetro para uma maior ou menor redução da pena o iter criminis
percorrido pelo agente, ou seja, quanto mais próximo da consumação, menor o patamar de
redução. Quanto mais distante da consumação, maior o patamar de redução.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

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18. (VUNESP - 2013 - PC-SP - AGENTE DE POLÍCIA) De acordo com o Código Penal, a
execução iniciada de um crime, que não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente, caracteriza o(a)

a) arrependimento eficaz.
b) arrependimento posterior.
c) tentativa.
d) crime frustrado.
e) desistência voluntária.

COMENTÁRIOS

Neste caso teremos crime na modalidade tentada, conforme art. 14, II do CP:

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


(...)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

19. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Aquele que assume o risco de
produzir um resultado criminoso comete crime movido por

a) culpa.
b) imprudência.
c) dolo.
d) imperícia.
e) negligência.

COMENTÁRIOS

O crime pode ser doloso ou culposo. Será culposo quando o agente agir violando um dever de
cuidado, ou seja, com imprudência, negligência ou imperícia. Será doloso quando o agente
quiser o resultado (teoria da vontade) ou quando o agente, mesmo não querendo o resultado,
pratica a conduta assumindo o risco de sua ocorrência, sem se importar se eventualmente o
resultado ocorrer (teoria do consentimento), no que se denomina de dolo eventual. Vejamos:

Art. 18 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,
negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

20. (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) Com relação ao crime culposo,
assinale a alternativa correta.

a) Imprudência é uma omissão, uma ausência de precaução em relação ao ato realizado.


b) Na culpa consciente, o resultado não é previsto pelo agente, embora previsível.
c) O resultado involuntário trata de elemento do fato típico culposo.
d) Na culpa imprópria, o resultado não é previsto, embora seja previsível.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: A imprudência, embora seja uma falta de dever de cuidado, constitui-se numa
AÇÃO, ou seja, na falta de cautela quando da prática de um conduta ativa.

B) ERRADA: Na culpa consciente o resultado é previsto pelo agente.

C) CORRETA: Item correto, pois a ocorrência de um resultado não querido pelo agente, embora
previsível, é elemento indispensável de todo tipo penal culposo.

D) ERRADA: Item errado porque esta é a definição de culpa inconsciente. A culpa imprópria é
aquela na qual o agente quer o resultado e, portanto, age dolosamente. Contudo, lhe é
imputada a pena do crime culposo porque ele teve uma representação equivocada da realidade,
em razão de um descuido interpretativo seu.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

21. (VUNESP – 2010 – MP-SP – ANALISTA DE PROMOTORIA) O agente que,


voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza

a) só responde pelos atos já praticados.


b) não comete crime, pois tem afastada a ilicitude da ação.
c) beneficia-se pela causa de diminuição de pena do arrependimento posterior.
d) é punido com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.
e) terá pena reduzida de um a dois terços, mas, desde que, por ato voluntário, tenha reparado o
dano ou restituído a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa.

COMENTÁRIOS

Tal agente somente responderá pelos atos até então praticados, eis que restou configurada a
desistência voluntária ou o arrependimento eficaz. Vejamos:

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Desistência voluntária e arrependimento eficaz(Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já
praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

22. (VUNESP – 2007 – OAB-SP – EXAME DE ORDEM) Pretendendo matá-lo, Fulano coloca
veneno no café de Sicrano. Sem saber do envenenamento, Sicrano ingere o café. Logo em
seguida, Fulano, arrependido, prescreve o antídoto a Sicrano, que sobrevive, sem qualquer
seqüela. Diante disso, é correto afirmar que se trata de hipótese de

a) crime impossível, pois o meio empregado por Fulano era absolutamente ineficaz para
obtenção do resultado pretendido.
b) tentativa, pois o resultado não se consumou por circunstâncias alheias à vontade de Fulano.
c) arrependimento posterior, pois o dano foi reparado por Fulano até o recebimento da denúncia.
d) arrependimento eficaz, pois Fulano impediu voluntariamente que o resultado se produzisse.

COMENTÁRIOS

Neste caso o agente será beneficiado pelo instituto do arrependimento eficaz pois, após ter
praticado a conduta, tomou as providências para impedir a ocorrência do resultado, tendo êxito.
Vejamos:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou


impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já
praticados.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. FCC - TM (MPE PB)/MPE PB/Sem Especialidade/2023 - ADAPTADA

Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a
coisa, até a conclusão do inquérito penal, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de
um terço até a metade.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois no arrependimento posterior a reparação do dano ou restituição da coisa pode
se dar até o recebimento da denúncia ou da queixa. Ademais, a pena será reduzida de um a dois
terços, e não de um terço à metade:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano
ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do
agente, a pena será reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

GABARITO: ERRADA

2. FCC - TM (MPE PB)/MPE PB/Sem Especialidade/2023 - ADAPTADA

O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução do crime ou impede que o


resultado se produza só responde pelos atos já praticados.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois essa é a exata previsão em relação ao art. 15 do CP, que trata dos institutos da
desistência voluntária e do arrependimento eficaz:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede


que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.(Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, tanto a desistência voluntária quanto o arrependimento eficaz provocam a exclusão da


tipicidade em relação ao delito originalmente pretendido pelo agente. Desta forma, havendo
desistência voluntária ou arrependimento eficaz o agente não responderá por tentativa do delito
inicialmente pretendido, respondendo apenas pelos atos já praticados, nos termos do art. 15 do

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CP (Ex.: José tenta matar Pedro, mas durante a execução desiste voluntariamente de prosseguir,
de forma que Pedro fica apenas com lesão corporal leve. José não responderá por homicídio
tentado, mas por lesão corporal leve, ante a desistência voluntária).

GABARITO: CORRETA

3. FCC - DP SP/DPE SP/2023 - ADAPTADA

A cogitação é, em regra, impunível, salvo tipificação específica, como na cogitação de ato de


terrorismo.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois a cogitação SEMPRE é impunível, ou seja, nunca será possível punir-se a
cogitação de um crime, eis que a cogitação representa o que se considera como “fase interna”
do delito, ou seja, uma etapa do iter criminis que só existe na cabeça do infrator (idealizando a
conduta criminosa, deliberando sobre sua realização ou não e decidindo sobre praticar ou não o
delito). Logo, pelo princípio da exteriorização do fato, não há possibilidade de punir-se a
cogitação, já que o Direito Penal não pode punir meros pensamentos, por mais sórdidos que
sejam.

GABARITO: ERRADA

4. FCC - DP SP/DPE SP/2023 - ADAPTADA

A consumação do crime omissivo impróprio se dá com a superveniência do evento que configura


o resultado do tipo.

COMENTÁRIOS

Item correto, pois no crime omissivo impróprio não basta a omissão do agente para a
consumação do delito, devendo ocorrer o resultado previsto no tipo a fim de que a omissão do
garantidor possa configurar um crime consumado.

GABARITO: CORRETA

5. FCC - DP SP/DPE SP/2023 - ADAPTADA

Na tentativa, o nexo causal do plano criminoso é mantido, mas o dolo interrompido por motivos
alheios à vontade do agente.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois na tentativa o dolo não é interrompido, pois o agente durante toda a
empreitada criminosa permanece com dolo em relação ao resultado, que somente não ocorre
por circunstâncias alheias à sua vontade (art. 14, II do CP).

GABARITO: ERRADA

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6. FCC - Sold (PM BA)/PM BA/2023

Pedro e Paulo praticaram crime de furto em concurso de pessoas, tendo o delito chegado ao
conhecimento das autoridades. Após o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, Pedro,
sem o conhecimento de Paulo, restituiu o objeto furtado. O juiz da comarca ainda não analisou a
denúncia. Diante da situação hipotética acima mencionada,

a) Pedro e Paulo não terão qualquer benefício, pois a restituição se deu após a denúncia.

b) somente Pedro fará jus à causa de diminuição relativa ao arrependimento posterior.

c) Pedro e Paulo fazem jus à causa de diminuição relativa ao arrependimento posterior.

d) Pedro e Paulo fazem jus ao benefício de redução da pena relativa à desistência eficaz.

e) somente Pedro fará jus à causa de diminuição relativa à desistência eficaz.

COMENTÁRIOS

Trata-se de questão polêmica. O instituto do arrependimento posterior está previsto no art. 16 do


CP:

Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano
ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do
agente, a pena será reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
11.7.1984)

No caso, tratava-se de crime sem violência ou grave ameaça à pessoa e houve restituição da
coisa antes do recebimento da denúncia, de forma que não há dúvidas quanto à incidência da
causa de redução de pena em relação a Pedro, que foi quem restituiu o bem.

Todavia, é possível aplicar a causa de redução também a Paulo?

Não se trata de tema pacífico na Doutrina. Uma primeira corrente sustenta tratar-se de
circunstância de caráter pessoal, de forma que a reparação do dano ou restituição da coisa por
um só dos agentes não implica redução de pena em relação aos demais (somente para quem
reparou o dano/restituiu a coisa). Uma segunda corrente sustenta que se trata de circunstância de
caráter objetivo, comunicando-se entre os comparsas, de forma que a reparação do dano se
estende aos demais, fazendo com que todos tenham direito à redução de pena. Essa última é a
corrente que prevalece, inclusive no STJ:

“(...) A causa de diminuição de pena do arrependimento posterior pode incidir nos crimes
cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa quando houver a reparação integral,
voluntária e tempestiva do dano, mesmo que realizada por terceiros, por se tratar de
circunstância objetiva que se estende a todos os coautores ou partícipes do crime.

(...) “ (APn n. 629/RO, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em
28/6/2018, DJe de 10/8/2018.)

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Todavia, vale frisar que o próprio STJ possui decisão em sentido contrário (HC n. 504.602/SC,
relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/3/2021, DJe de 22/3/2021.)

Como o julgado que reconhece o caráter objetivo da reparação do dano (e, portanto, sua
comunicabilidade) foi proferido pela Corte Especial do STJ, entendo que deve ser considerado
como a jurisprudência prevalente no caso.

GABARITO: LETRA C

7. (FCC – 2018 – PREFEITURA DE SÃO LUÍS-MA – AUDITOR FISCAL DE TRIBUTOS I – GERAL)


Diz-se crime tentado quando

a) ele não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente, após iniciada a execução.
b) impossível de se consumar em razão da ineficácia absoluta do meio ou da absoluta
impropriedade do objeto.
c) o agente, por ato voluntário, até o recebimento da denúncia ou da queixa, repara o dano ou
restitui a coisa.
d) o agente desiste, de forma voluntária, de prosseguir na execução ou impede que o resultado
se produza.
e) o agente dá causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

COMENTÁRIOS

Considera-se o crime TENTADO quando, uma vez iniciada a EXECUÇÃO, o crime não se
consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. Vejamos o art. 14, II do CP:

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


(...)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Correta a letra A, portanto.


b) ERRADA: Trata-se da definição de crime impossível, na forma do art. 17 do CP.
c) ERRADA: Trata-se de arrependimento posterior, que é mera causa de redução de pena, de um
a dois terços, na forma do art. 16 do CP.
d) ERRADA: Temos aqui desistência voluntária e arrependimento eficaz, na forma do art. 15 do
CP.
e) ERRADA: Item errado, pois aqui temos um crime culposo, conforme art. 18, II do CP.
GABARITO: Letra A

8. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) O arrependimento eficaz

a) configura-se quando a execução do crime é interrompida pela vontade do agente.

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b) dá-se após a execução, mas antes da consumação do crime.


c) decorre da interrupção casuística do iter criminis.
d) é causa inominada de exclusão da ilicitude.
e) exige que a manifestação do autor do crime seja posterior à consumação do delito.

COMENTÁRIOS

O arrependimento eficaz ocorre após a execução, mas antes da consumação do crime. O agente,
após finalizar os atos executórios, se arrepende e pratica nova conduta, destinada a evitar o
resultado, e consegue evitar. Neste caso, despreza-se seu intento inicial e o agente responde
apenas pelos atos efetivamente já praticados, conforme art. 15 do CP.

GABARITO: Letra B

9. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Nos termos do Código


Penal, pune-se o crime tentado com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída
de um a dois terços. Para o Supremo Tribunal Federal, a pena será diminuída

a) considerando as circunstâncias judiciais do artigo 59, do código penal.


b) tomando-se por base os antecedentes e a personalidade do acusado.
c) com base nas condições de ordem subjetiva do autor do delito.
d) na proporção inversa do iter criminis percorrido pelo agente.
e) de forma equitativa ao dano causado à vítima do crime

COMENTÁRIOS

Quando ocorre um crime tentado, como regra, a pena do agente deve ser a mesma do crime
consumado, diminuída de um a dois terços (Art. 14, § único do CP). A quantidade de diminuição
será definida pelo Juiz na proporção inversa do iter criminis percorrido pelo agente. Ou seja,
quanto mais perto de alcançar a consumação, menor será a redução; quanto mais distante de
alcançar a consumação, maior será a redução.

GABARITO: Letra D

10. (FCC – 2018 – SEFAZ-SC – AUDITOR FISCAL DA RECEITA ESTADUAL – AUDITORIA E


FISCALIZAÇÃO) À luz do que dispõe o Ordenamento Penal brasileiro,

a) o agente que desiste de forma voluntária de prosseguir na execução do crime, ou impede que
o resultado se produza, terá sua pena reduzida de um a dois terços.
b) o arrependimento posterior, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
deve ocorrer até o oferecimento da denúncia ou da queixa.
c) não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua
consumação.

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d) crime impossível é aquele em que o agente, embora tenha praticado todos os atos
executórios à sua disposição, não consegue consumar o crime por circunstâncias alheias à sua
vontade.
e) diz-se crime culposo, quando o agente assumiu o risco de produzi-lo.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois neste caso teremos desistência voluntária ou arrependimento
eficaz, a depender do caso, e o agente responderá apenas pelos atos efetivamente já praticados,
desprezando-se seu intento inicial, na forma do art. 15 do CP.

b) ERRADA: Item errado, pois o arrependimento posterior, na forma do art. 16, deve ocorrer até
o RECEBIMENTO da denúncia ou da queixa.

c) CORRETA: Item correto, pois neste caso teremos crime impossível, na forma do art. 17 do CP,
não havendo crime. Há crime impossível pois a preparação do flagrante é uma grande
encenação, não havendo possibilidade de o crime, de fato, vir a ocorrer. Há, inclusive, súmula do
STF nesse sentido (súmula 145 do STF).

d) ERRADA: Item errado, pois esta é a definição de tentativa perfeita ou acabada. No crime
impossível o agente JAMAIS conseguiria alcançar o resultado, dada a absoluta impropriedade do
objeto ou absoluta ineficácia do meio, na forma do art. 17 do CP.

e) ERRADA: Item errado, pois aí teríamos um crime doloso por dolo eventual, na forma do art.
18, I do CP.

GABARITO: Letra C

11. (FCC – 2018 – DPE-RS – DEFENSOR PÚBLICO) Arquimedes dirigia seu caminhão à noite, por
uma estrada de serra, com muitas curvas, péssima sinalização e sob forte chuva. Ele estava
sonolento e apenas aguardava o próximo posto de combustíveis para estacionar e dormir.
Motorista experiente que era, observava as regras de tráfego no local, imprimindo ao veículo
a velocidade permitida no trecho.

Entretanto, a 50 Km do posto de combustíveis mais próximo, após uma curva, Arquimedes


assustou-se com um vulto que de súbito adentrou a via, imediatamente acionando os freios, sem,
contudo, evitar o choque.
Inicialmente, pensou tratar-se de um animal, mas quando desembarcou do veículo, pôde
constatar que se tratava de um homem. Desesperado ao vê-lo perdendo muito sangue,
Arquimedes logo acionou o serviço de socorro e emergências médicas, que chegou rapidamente
ao local, constatando o óbito do homem em cujo bolso foi encontrado um bilhete de despedida.
Era um suicida.
Da leitura do enunciado, pode-se afirmar que:
a) arquimedes não praticou crime, tendo em vista a incidência na hipótese da inexigibilidade de
conduta diversa − excludente de culpabilidade.

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b) a arquimedes deve ser imputada a prática de homicídio culposo na direção de veículo


automotor, em razão de sua conduta negligente.
c) a conduta de arquimedes não reúne os elementos necessários à configuração do fato como
crime.
d) arquimedes não praticou crime, uma vez que agiu em exercício regular de direito − excludente
de ilicitude.
e) a arquimedes deve ser imputada a prática de homicídio doloso (dolo eventual), tendo em vista
que, ao dirigir à noite, sonolento e sob chuva intensa, assumiu o risco de matar alguém.

COMENTÁRIOS

Neste caso, Arquimedes não praticou crime algum, pois sua conduta não foi dolosa, tampouco
culposa. Assim, sua conduta não reúne os elementos necessários à configuração do fato como
crime. Vale lembrar que a questão é CLARA ao dizer que a vítima se jogou na frente do veículo,
não tendo como Arquimedes frear a tempo. Frise-se, ainda, que Arquimedes “observava as
regras de tráfego no local, imprimindo ao veículo a velocidade permitida no trecho”.

GABARITO: Letra C

12. (FCC – 2017 – TRF5 – OFICIAL DE JUSTIÇA) Édipo, irritado com as constantes festas que seu
vizinho Laio promove à noite, atrapalhando seu descanso, resolve procurá-lo a fim de
resolver definitivamente a situação. Para tanto, arma-se de uma espingarda e se dirige à casa
de Laio, vindo a encontrá-lo distraído. Ato contínuo, aponta a arma em sua direção a fim de
efetuar um disparo contra sua cabeça. Contudo, Jocasta, que, por coincidência, havia
acabado de chegar ao local, surpreende e consegue impedir Édipo de seu intento,
retirando-lhe a arma de sua mão, evitando, assim, o disparo fatal. A conduta de Édipo, para
o Direito Penal, pode ser enquadrada no ordenamento jurídico como

a) arrependimento posterior.
b) desistência voluntária.
c) crime tentado.
d) circunstância atenuante.
e) arrependimento eficaz.

COMENTÁRIOS

Neste caso, podemos considerar ter havido o início da execução dada a análise do plano do
agente, de forma que o resultado só não ocorreu por circunstâncias alheias à vontade do agente,
caracterizando-se, portanto, a figura da tentativa, na forma do art. 14, II do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

13. (FCC – 2016 – SEFAZ-MA – AUDITOR FISCAL) O Código Penal, ao tratar da relação de
causalidade do crime, considera causa a

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a) emoção ou a paixão.
b) delação.
c) ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.
d) excludente de ilicitude.
e) descriminante putativa.

COMENTÁRIOS

O CP adota, como regra, a teoria da equivalência dos antecedentes, segundo a qual considera-se
causa toda ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, nos termos do art. 13 do
CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

14. (FCC – 2015 – TCM-GO – PROCURADOR) A consumação se dá nos crimes

a) de mera conduta, com a ocorrência do resultado naturalístico.


b) omissivos impróprios com a prática de conduta capaz de produzir o resultado naturalístico.
c) permanentes, no momento em que cessa a permanência.
d) omissivos próprios, com a simples omissão.
e) culposos, com a prática da conduta imprudente, imperita ou negligente

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois nos crimes de mera conduta não há resultado naturalístico previsto
para a conduta descrita no tipo.

b) ERRADA: Item errado, pois nos crimes omissivos impróprios a consumação ocorre com a
ocorrência do resultado que deveria ter sido evitado pelo agente que se omitiu.

c) ERRADA: Item errado, pois nos crimes permanentes o crime está se consumando durante todo
o período de permanência.

d) CORRETA: Item correto, pois tais crimes se consumam com a mera realização da conduta
(simples omissão por parte do agente).

e) ERRADA: Nos crimes culposos a consumação ocorre com a ocorrência do resultado decorrente
da conduta negligente, imprudente ou imperita.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

15. (FCC – 2015 – TCM-RJ – PROCURADOR) A respeito do crime consumado e do crime


tentado, da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento posterior,
considere:

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I. Há desistência voluntária quando o agente, embora tenha iniciado a execução de um delito,


desiste de prosseguir na realização típica, atendendo sugestão de terceiro.
II. A redução de um a dois terços da pena em razão do reconhecimento do crime tentado deve
ser estabelecida de acordo com as circunstâncias agravantes ou atenuantes porventura
existentes.
III. Há arrependimento eficaz, quando o agente, após ter esgotado os meios de que dispunha
para a prática do crime, arrepende-se e tenta, sem êxito, por todas as formas, impedir a
consumação.
IV. Em todos os crimes contra o patrimônio, o arrependimento posterior consistente na reparação
voluntária e completa do prejuízo causado, implica a redução obrigatória da pena de um a dois
terços.
V. Há crime impossível quando a consumação não ocorre pela utilização de meio relativamente
inidôneo para produzir o resultado.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I.
b) I e II.
c) III e IV.
d) IV.
e) II e V.

COMENTÁRIOS

I – CORRETA: A desistência voluntária não precisa partir espontaneamente do agente, podendo


ocorrer mesmo quando o agente atende a um pedido da vítima ou de outra pessoa. O
importante, aqui, é que o agente deixe de prosseguir na execução por vontade própria, e não
porque foi impedido (caso contrário, teríamos tentativa).

II – ERRADA: O percentual de redução irá variar conforme a proximidade do resultado; quanto


mais próximo do resultado, menos o percentual de redução.

III – ERRADA: Item errado, pois para que se configure o arrependimento eficaz é necessário que
o agente consiga, efetivamente, evitar a ocorrência do resultado.

IV – ERRADA: Item errado, pois o arrependimento posterior não é admitido em todos os crimes
patrimoniais, mas apenas naqueles em que não houver violência ou grave ameaça à pessoa, nos
termos do art. 16 do CP. Além disso, a reparação do dano ou restituição da coisa deve ocorrer
até o recebimento da denúncia ou queixa.

V – ERRADA: Se o meio é RELATIVAMENTE inidôneo não há crime impossível, pois o resultado


poderia ocorrer. Só haverá crime impossível quando o meio for ABSOLUTAMENTE inidôneo ou o
objeto for ABSOLUTAMENTE impróprio, nos termos do art. 17 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

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16. (FCC – 2015 - TCE-CE - PROCURADOR DE CONTAS) São elementos do crime doloso:

a) previsibilidade objetiva e dever de cuidado objetivo.


b) previsibilidade subjetiva e dever de cuidado objetivo.
c) desejo do resultado e assunção do risco de produzi-lo.
d) previsão do resultado pelo agente, mas que não se realize sinceramente a sua produção e
especificidade do dolo.
e) elemento subjetivo do tipo e previsibilidade subjetiva.

COMENTÁRIOS

O crime doloso pode se configurar pelo desejo de obtenção do resultado (dolo direto de
primeiro grau) ou pela assunção do risco de sua ocorrência, sem que o agente se importe com o
resultado (dolo eventual), consagrando as teorias da vontade e do assentimento,
respectivamente, nos termos do art. 18 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

17. (FCC – 2015 - TCE-CE - CONSELHEIRO) O Código Penal adota no seu art. 13 a teoria
conditio sine qua non (condição sem a qual não). Por ela,

a) imputa-se o resultado a quem também não deu causa.


b) a causa dispensa a adequação para o resultado.
c) a ação e a omissão são desconsideradas para o resultado.
d) tudo que contribui para o resultado é causa, não se distinguindo entre causa e condição ou
concausa.
e) a omissão é penalmente irrelevante.

COMENTÁRIOS

A teoria da equivalência dos antecedentes, ou conditio sine qua non, prega que se considera
causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido, na forma do art. 13 do CP.
Essa Teoria não discute o fenômeno das “concausas”, o que é explicado pela teoria da
causalidade adequada, prevista no §1º do art. 13 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

18. (FCC – 2015 - TCE-CE - CONSELHEIRO) São elementos da tentativa:

a) início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; dolo e culpa.
b) início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; dolo.

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c) início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; culpa consciente.
d) atos preparatórios; Início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias
alheias à vontade do agente; dolo e culpa.
e) atos preparatórios; Início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias
alheias à vontade do agente; dolo.

COMENTÁRIOS

A tentativa ocorre quando, uma vez “iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente”, nos termos do art. 14, II do CP.

Isto posto, são elementos da tentativa o início de execução do tipo penal, a falta de consumação
por circunstâncias alheias à vontade do agente e o dolo.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

19. (FCC – 2014 – TJ-CE – JUIZ) Os crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão são
aqueles

a) cuja consumação se protrai no tempo, enquanto perdurar a conduta.


b) em que a relação de causalidade é normativa.
c) praticados mediante o “não fazer” o que a lei manda, sem dependência de qualquer resultado
naturalístico.
d) que se consumam antecipadamente, sem dependência de ocorrer ou não o resultado
desejado pelo agente.
e) que o agente deixa de fazer o que estava obrigado, ainda que sem a produção de qualquer
resultado.

COMENTÁRIOS

Os crimes omissivos impróprios, também chamados de crimes “comissivos por omissão”, são
aqueles em que o agente o agente tem a obrigação legal de agir para evitar o resultado, de
maneira que, se não o faz e o resultado ocorre, o agente responde pelo resultado ocorrido
(diferentemente dos crimes omissivos puros, em que o agente responde apenas pela omissão,
independentemente do resultado). Trata-se, aqui, de uma relação de causalidade normativa entre
a conduta (o não agir) e o resultado. Não há causalidade física, eis que “do nada, nada surge”. O
agente não deu “causa” (fisicamente falando) ao resultado, mas como devia e podia evitá-lo,
responde por ele.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

20. (FCC – 2014 – DPE-PB – DEFENSOR PÚBLICO) Decididamente disposto a matar Tício, por
erro de pontaria o astuto Caio acerta-lhe de leve raspão um disparo no braço. Porém,
assustado com o estrondo do estampido, e temendo acordar a vizinhança que o poderia
prender, ao invés de descarregar a munição restante, Caio estrategicamente decide socorrer

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o cândido Tício que, levado ao hospital pelo próprio algoz, acaba logo liberado com curativo
mínimo. Caio primeiramente diz, em sua autodefesa, que o tiro ocorrera por acidente,
chegando ardilosamente a indenizar de pronto todos os prejuízos materiais e morais de Tício
com o fato, mas sua trama acaba definitivamente desvendada pela límpida investigação
policial que se segue. Com esses dados já indiscutíveis, mais precisamente pode-se classificar
os fatos como

a) tentativa de homicídio.
b) desistência voluntária.
c) arrependimento eficaz.
d) arrependimento posterior.
e) aberratio ictus.

COMENTÁRIOS

Trata-se de questão polêmica. A Banca considerou como resposta correta a letra B, ou seja,
desistência voluntária. De fato, é possível considerar ter havido desistência voluntária, eis que o
agente deliberadamente resolveu interromper a execução (pois podia dar continuidade à
execução). Há quem defenda ter havido mera tentativa, em razão do fato de o agente ter
interrompido a execução por medo de ser preso. Questão bastante polêmica, mas a letra B, de
fato, parece a mais correta, considerando o fato de que o agente não foi coagido a interromper a
execução, fazendo-o por vontade própria (ainda que movido pelo medo).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

21. (FCC – 2014 – DPE-RS – DEFENSOR PÚBLICO) A respeito da tipicidade penal, é correto
afirmar:

a) Para a teoria da tipicidade conglobante, a tipicidade penal pressupõe a existência de normas


proibitivas e a inexistência de preceitos permissivos da conduta em uma mesma ordem jurídica.
b) As causas excludentes da ilicitude restringem-se àquelas previstas na Parte Geral do Código
Penal.
c) A figura do crime impossível prevista no art. 17 do Código Penal retrata hipótese de fato
típico, mas inculpável.
d) Pelo Código Penal, aquele que concretiza conduta prevista hipoteticamente como crime, mas
que age em obediência à ordem de superior hierárquico que não seja notoriamente ilegal,
pratica ação atípica penalmente.
e) Nas hipóteses de estado de necessidade, o Código Penal prevê que o excesso doloso
disposto no parágrafo único do art. 23 do Código Penal torna ilícita conduta originalmente
permitida, o que não ocorre com o excesso culposo, que mantém a ação excessiva impunível.

COMENTÁRIOS

a) CORRETA: Item correto, pois a teoria da tipicidade conglobante, desenvolvida por Zaffaroni,
entende que a tipicidade comporta não apenas a existência de uma norma proibitiva, mas a

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inexistência, no mesmo ordenamento jurídico, de normas que permitem ou ordenem a prática da


mesma conduta, por uma questão de coerência.

b) ERRADA: Item errado, pois estas são apenas as chamadas “causas genéricas de exclusão da
ilicitude”, podendo haver outras.

c) ERRADA: Item errado, pois neste caso o fato é atípico.

d) ERRADA: Item errado, pois tal ação será considerada típica, embora amparada por uma causa
de exclusão da ilicitude.

e) ERRADA: A conduta excessiva (seja o excesso doloso ou culposo) será considerada ilícita,
devendo o agente responder pelo excesso (seja ele doloso ou culposo), nos termos do art. 23, §
único do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

22. (FCC – 2014 – TJ-AP – ANALISTA JUDICIÁRIO) É correto afirmar que:

a) Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída
a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será
reduzida de um a dois terços.
b) O agente que, involuntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o
resultado se produza, não responde pelos atos já praticados.
c) Diz-se o crime tentado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.
d) Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver
causado, exceto culposamente.
e) Não se pune a tentativa quando, por absoluta impropriedade do meio ou por ineficácia
absoluta do objeto, é impossível consumar-se o crime.

COMENTÁRIOS

a) CORRETA: Item correto, pois esta é a figura do arrependimento posterior, previsto no art. 16
do CP.

b) ERRADA: O agente, neste caso, apesar de beneficiado pela desistência voluntária ou pelo
arrependimento eficaz, nos termos do art. 15 do CP, responde pelos atos JÁ PRATICADOS.

c) ERRADA: Item errado, pois neste caso teremos um crime CONSUMADO, nos termos do art.
14, I do CP.

d) ERRADA: Item errado, pois, “pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o
agente que o houver causado ao menos culposamente”, nos termos do art. 19 do CP, ou seja, o
agente responderá caso tenha dado causa ao resultado agravador PELO MENOS a título de
culpa (e, claro, também responderá se o resultado agravador deriva de DOLO).

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e) ERRADA: Item errado, pois a absoluta impropriedade deve ser do OBJETO, e a ineficácia
absoluta deve ser do MEIO EMPREGADO (a alternativa inverte as situações), nos termos do art.
17 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

23. (FCC – 2014 – MPE-PA – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Aprovada em Sessão Plenária de 15 de


dezembro de 1976, a Súmula 554 do Supremo Tribunal Federal enuncia que “O pagamento
de cheque emitido sem suficiente previsão de fundos, após o recebimento da denúncia, não
obsta o prosseguimento da ação penal”. Com o advento da reforma da Parte Geral do
Código Penal pela Lei no 7.209/1984, o sentido normativo dessa súmula passou a ser, no
entanto, tensionado por importantes segmentos da doutrina brasileira, notadamente à luz
do instituto denominado

a) insignificância penal.
b) desistência voluntária.
c) arrependimento eficaz.
d) arrependimento posterior.
e) crime impossível.

COMENTÁRIOS

Quando da edição da súmula, vigorava a redação original do CP, que não previa a diminuição de
pena em razão do arrependimento posterior (reparação do dano ou restituição da coisa antes do
recebimento da denúncia, nos crimes sem violência ou grave ameaça). Assim, o STF criou uma
hipótese de extinção da punibilidade em razão da reparação do dano no crime de estelionato
pela emissão de cheque sem fundos. Ou seja, se o agente pagasse a quantia, ficaria extinta a
punibilidade. Todavia, com a reforma de 1984, e a criação do instituto do arrependimento
posterior, a Doutrina questionou a validade dessa súmula, ao argumento de que, atualmente, a
reparação do dano (antes do recebimento da denúncia), neste caso, não pode mais extinguir a
punibilidade, eis que há norma legal explicitando que será mera causa de diminuição de pena
(arrependimento posterior).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

24. (FCC – 2014 – TCE-PI – ASSESSOR JURÍDICO) Em direito penal:

I. Reconhecida a tentativa, a pena há de ser diminuída na proporção inversa do iter criminis


percorrido pelo agente.
II. A causalidade, nos crimes comissivos por omissão, não é fática, mas jurídica, consistente em
não haver atuado o omitente, como devia e podia, para impedir o resultado.
III. O crime culposo comissivo por omissão pressupõe a violação por parte do omitente do dever
de agir para impedir o resultado.
IV. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, exclui a punibilidade e se confunde com o
desconhecimento da lei.

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Está correto o que se afirma APENAS em


a) I, II e III.
b) I, II e IV.
c) II, III e IV.
d) III e IV.
e) I e III.

COMENTÁRIOS

I – CORRETA: Item correto, pois a tentativa, uma vez reconhecida, gera diminuição de pena. A
diminuição variará de acordo com a proximidade de alcance do resultado. Se a conduta esteve
próxima do resultado, a diminuição será próxima do mínimo possível. Caso a conduta tenha
estado distante da consumação, a diminuição se aproximará do máximo possível.

II – CORRETA: Os crimes omissivos impróprios, também chamados de crimes “comissivos por


omissão”, são aqueles em que o agente o agente tem a obrigação legal de agir para evitar o
resultado, de maneira que, se não o faz e o resultado ocorre, o agente responde pelo resultado
ocorrido (diferentemente dos crimes omissivos puros, em que o agente responde apenas pela
omissão, independentemente do resultado). Trata-se, aqui, de uma relação de causalidade
normativa entre a conduta (o não agir) e o resultado. Não há causalidade física, eis que “do nada,
nada surge”. O agente não deu “causa” (fisicamente falando) ao resultado, mas como devia e
podia evitá-lo, responde por ele.

III – CORRETA: Item correto, pois o agente, neste caso, responderá pelo resultado a título de
culpa quando, por inobservância do seu dever de cuidado, deixar de agir para evitar o resultado,
quando devia e podia.

IV – ERRADA: Item errado, pois o desconhecimento da lei ninguém pode alegar. Todavia, o erro
sobre a ilicitude do fato, se inevitável, afasta a CULPABILIDADE, não a punibilidade, nos termos
do art. 21 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

25. (FCC – 2014 – TRT 18 – JUIZ) É causa de exclusão da tipicidade,

a) a insignificância do fato ou a sua adequação social, segundo corrente doutrinária e


jurisprudencial.
b) o erro inevitável sobre a ilicitude do fato.
c) a coação moral irresistível.
d) a não exigibilidade de conduta diversa.
e) a obediência hierárquica.

COMENTÁRIOS

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O item correto é a Letra A. Isto porque a insignificância e a adequação social são fatores que
afastam a tipicidade material (necessidade de que a conduta seja uma violação a um bem jurídica
penalmente relevante) e, portanto, a tipicidade. As demais são hipóteses de exclusão da
culpabilidade.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

26. (FCC – 2014 – TRT 18 – JUIZ) No que diz respeito aos estágios de realização do crime, é
correto afirmar que

a) se atinge a consumação com o exaurimento do delito.


b) há arrependimento eficaz quando o agente, por ato voluntário, nos crimes sem violência ou
grave ameaça à pessoa, repara o dano ou restitui a coisa até o recebimento da denúncia ou da
queixa.
c) há desistência voluntária quando o agente, embora já realizado todo o processo de execução,
impede que o resultado ocorra.
d) na desistência voluntária e no arrependimento eficaz o agente só responde pelos atos já
praticados, se típicos.
e) a tentativa constitui circunstância atenuante.
COMENTÁRIOS
O item correto é a Letra D. Vejamos:

Desistência voluntária e arrependimento eficaz (Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A letra B dá o conceito do arrependimento posterior, nos termos do art. 16 do CP, logo, está
errada.

A letra A está errada porque a consumação se dá com a ocorrência do resultado JURÍDICO (que
pode ou não dispensar o resultado naturalístico, ou seja, um eventual resultado no mundo físico).
O exaurimento é mera fase POSTERIOR à consumação do delito.

A letra C dá o conceito de arrependimento eficaz, logo, errada.

A letra E está errada porque a tentativa não é circunstância atenuante, mas causa de redução de
pena.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

27. (FCC – 2014 – CÂMARA MUNICIPAL-SP – PROCURADOR) Na tentativa punível, o


correspondente abatimento na pena intensifica-se segundo

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a) a aptidão para consumar.


b) a periculosidade demonstrada.
c) a lesividade já efetivada.
d) o itinerário já percorrido.
e) o exaurimento já alcançado.

COMENTÁRIOS

Na tentativa, aplica-se a pena prevista para o delito consumado, com redução de pena de 1/3 a
2/3:

Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


(...) ==28dc4f==

Pena de tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena
correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços. (Incluído
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Para a definição de qual o patamar de redução, será utilizado o critério da maior ou menos
proximidade com a consumação do delito. Quanto mais longe, maior a redução de pena. Quanto
mais próximo da consumação, menor a redução.

Ou seja, será avaliado o itinerário percorrido pela conduta criminosa.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

28. (FCC – 2014 - TRF 3 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Não há crime sem

a) dolo.
b) resultado naturalístico.
c) imprudência.
d) conduta.
e) lesão.

COMENTÁRIOS

Dentre os elementos apontados pela questão, o único que necessariamente estará presente em
TODOS os crimes é a conduta (ação ou omissão + vontade), eis que indispensável para sua
existência.

O dolo só se exige nos crimes dolosos.

O resultado naturalístico só se exige nos crimes materiais, bem como a lesão.

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Já a imprudência só se exige em alguns crimes culposos (pois podem ser praticados, também,
por negligência ou imperícia).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

29. (FCC – 2014 - TRF 3 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Paulo, sabendo que seu desafeto Pedro não
sabia nadar e desejando matá-lo, jogou-o nas águas, durante a travessia de um braço de
mar. Todavia, ficou com pena da vítima, mergulhou e a retirou, antes que se afogasse. Nesse
caso, ocorreu:

a) desistência voluntária.
b) arrependimento eficaz
c) crime tentado
d) crime putativo.
e) crime impossível

COMENTÁRIOS

No caso em tela o agente já praticou todos os atos da execução, tendo exaurido sua capacidade
para a execução do delito, ou seja, temos uma execução perfeita e acabada, de forma que
incabível falar em desistência voluntária, que pressupõe a possibilidade de prosseguir na
execução.

No caso em tela, contudo, o agente evita a ocorrência do resultado, por ter se arrependido de
sua conduta. Neste caso, caracterizado está o arrependimento EFICAZ. Vejamos:

Desistência voluntária e arrependimento eficaz (Redação dada pela Lei nº 7.209,


de 11.7.1984)
Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

30. (FCC – 2014 – DPE-CE – DEFENSOR PÚBLICO) Segundo entendimento doutrinário, o


consentimento do ofendido (quando não integra a própria descrição típica), a adequação
social e a inexigibilidade de conduta diversa constituem causas supralegais de exclusão,
respectivamente, da

a) tipicidade, da culpabilidade e da ilicitude.


b) culpabilidade, da tipicidade e da ilicitude.
c) ilicitude, da tipicidade e da culpabilidade.
d) ilicitude, da culpabilidade e da tipicidade.
e) culpabilidade, da ilicitude e da tipicidade.

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COMENTÁRIOS

O consentimento do ofendido é causa supralegal de exclusão ilicitude (antijuridicidade), desde


que a ausência de consentimento do ofendido não esteja expressa no tipo penal como elemento
do tipo. Neste caso, teremos exclusão da tipicidade.

A adequação social afasta a tipicidade material da conduta, por ausência de lesividade social.

Por fim, a inexigibilidade de conduta diversa é um dos elementos capazes de afastar a


culpabilidade.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

31. (FCC – 2014 – TCE-GO – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) A adequação perfeita entre
o fato natural, concreto, e a descrição abstrata contida na lei denomina-se

a) culpabilidade.
b) tipicidade.
c) antijuridicidade.
d) relação de causalidade.
e) consunção.

COMENTÁRIOS

Quando um fato ocorrido se amoldo perfeitamente a uma descrição prevista no tipo penal,
temos o que se chama de “adequação típica”, ou juízo positivo de tipicidade.

Assim, a adequação do fato ao tipo penal gera a tipicidade (formal).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

32. (FCC – 2014 – TCE-GO – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) Não se admite a tentativa
nos crimes

a) unissubsistentes.
b) culposos.
c) omissivos puros.
d) omissivos impróprios.
e) preterdolosos sem consumação do resultado agregado.

COMENTÁRIOS

A questão foi bem anulada. Isso porque todos os crimes citados NÃO admitem tentativa, à
exceção dos omissivos impróprios, pois estes admitem a tentativa. Na verdade, a Banca

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provavelmente queria saber qual deles admitia a tentativa, mas acabou pedindo o que “não
admite” a tentativa, motivo pelo qual acabou anulada corretamente.

Lembrando que os crimes UNISSUBSISTENTES não admitem tentativa, pois não é possível
fracionar a conduta em diversos atos. Como todo crime omissivo puro é unissubsistente, estes
também não admitem tentativa.

Os crimes culposos também não admitem tentativa, por uma questão de lógica: Se o agente não
queria o resultado, não é possível falar em “tentativa”.

Por fim, os preterdolosos não admitem tentativa em relação ao resultado que qualifica o crime,
pois este resultado é obtido a título de culpa (O agente começa a conduta dolosamente, mas
obtém um resultado diferente, por culpa).

Portanto, a questão foi ANULADA.

33. (FCC – 2015 – TCM-GO – AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO) Fernando deu início à
execução de um delito material, praticando atos capazes de produzir o resultado lesivo.
Todavia, aliou-se à sua ação uma concausa

I. preexistente, absolutamente independente em relação à conduta do agente que, por si só,


produziu o resultado.
II. concomitante, absolutamente independente em relação à conduta do agente que, por si só,
produziu o resultado.
III. superveniente, relativamente independente em relação à conduta do agente, situada na
mesma linha de desdobramento físico da conduta do agente, concorrendo para a produção do
resultado.
IV. superveniente, relativamente independente em relação à conduta do agente, sem guardar
posição de homogeneidade em relação à conduta do agente e que, por si só, produziu o
resultado.
O resultado lesivo NÃO será imputado a Fernando, que responderá apenas pelos atos
praticados, nas situações indicadas em
a) I, II e IV.
b) III e IV.
c) I e III.
d) I e II.
e) II, III e IV.

COMENTÁRIOS

Essa questão se resolve facilmente da seguinte forma: As concausas ABSOLUTAMENTE


independentes (I e II) NUNCA geram a imputação do resultado ao agente (a conduta do agente
não é causa, pois pode ser suprimida mentalmente sem afetar o resultado).

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As concausas RELATIVAMENTE independentes, preexistentes ou concomitantes, não excluem a


imputação do resultado ao agente, pois há uma soma de “esforços” entre a concausa e a
conduta do agente (a conduta do agente é causa, pois NÃO pode ser suprimida mentalmente
sem afetar o resultado).

Em relação às concausas SUPERVENIENTES RELATIVAMENTE independentes, devemos dividi-las


em:

a) Produziram, por si só, o resultado.

b) Agregaram-se ao nexo causal iniciado pela conduta do agente, contribuindo para a produção
do resultado.

No primeiro caso o agente NÃO responde pelo resultado, mas apenas pelos atos que praticou.
No segundo o caso o agente responde pelo resultado, pois a concausa superveniente, a
despeito de estar ligada à conduta inicial do agente, criou um novo nexo de causalidade, vindo a
produzir o resultado sem se inserir na cadeia causal da conduta do agente.

Assim, podemos verificar que somente na afirmativa III o agente responderá pelo resultado, por
se tratar de concausa superveniente, relativamente independente que SE AGREGOU à conduta
do agente para, conjuntamente, produzirem o resultado.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

34. (FCC – 2015 – TCM-GO – AUDITOR CONSELHEIRO SUBSTITUTO) A respeito do dolo e da


culpa, é correto afirmar que

a) na culpa consciente o agente prevê o resultado e admite a sua ocorrência como consequência
provável da sua conduta.
b) no dolo eventual o agente prevê a ocorrência do resultado, mas espera sinceramente que ele
não aconteça.
c) a imprudência é a ausência de precaução, a falta de adoção das cautelas exigíveis por parte do
agente.
d) a imperícia é a prática de conduta arriscada ou perigosa, aferida pelo comportamento do
homem médio.
e) é previsível o fato cujo possível superveniência não escapa à perspicácia comum.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Na culpa consciente, apesar de prever o resultado, o agente acredita que ele não vá
acontecer.

B) ERRADA: Esta é a definição de culpa consciente. No dolo eventual o agente prevê o resultado
como provável, mas sem se importar com sua eventual ocorrência.

C) ERRADA: Item errado, pois esta é a definição da NEGLIGÊNCIA.

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D) ERRADA: A definição corresponde à IMPRUDÊNCIA. A imperícia é a prática de uma conduta


por quem não tem os atributos exigidos para tal.

E) CORRETA: De fato, a doutrina entende que a previsibilidade objetiva deve ser aferida com
base num juízo mediano de inteligência, ou seja, será previsível o fato que pudesse ser antevisto
por uma pessoa de inteligência mediana, inerente à maioria das pessoas.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

35. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) Os crimes que resultam do não fazer o que a lei
manda, sem dependência de qualquer resultado naturalístico, são chamados de

A) comissivos por omissão.


B) formais.
C) omissivos próprios.
D) comissivos.
E) omissivos impróprios.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Os crimes comissivos por omissão resultam de um “não fazer” o que a lei manda,
mas dependem de um resultado naturalístico.

B) ERRADA: Os crimes formais, de fato, independem da existência do resultado naturalístico, mas


não necessariamente são omissivos.

C) CORRETA: Os crimes omissivos próprios são os únicos que reúnem ambas as características,
pois decorrem de um “não fazer” o que a lei manda, e são formais, ou seja, independem de um
resultado naturalístico.

D) ERRADA: Os crimes comissivos não decorrem de “um não fazer”, mas de um ”fazer”.
Portanto, a alternativa está incorreta.

E) ERRADA: Os omissivos impróprios são sinônimos de comissivos por omissão, logo, está
errada, nos termos da fundamentação da alternativa A.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

36. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) Para a doutrina finalista, o dolo integra a

A) culpabilidade.
B) tipicidade.
C) ilicitude.
D) antijuridicidade.
E) punibilidade.

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COMENTÁRIOS

A) ERRADA: O dolo integra a culpabilidade apenas para a Doutrina naturalística;

B) CORRETA: Para a Doutrina finalista, de Hans Welzel, o dolo e a culpa (elementos subjetivos)
são deslocados da culpabilidade para a conduta e, portanto, para o fato típico.

C) ERRADA: Como vimos, o dolo integra a conduta, logo, o fato típico.

D) ERRADA: A antijuridicidade é sinônimo de ilicitude, logo, está incorreta, pois o dolo (e a culpa)
não é um de seus elementos.

E) ERRADA: A punibilidade sequer é um dos elementos do crime, sendo meramente a


possibilidade que o Estado possui de fazer valer seu Poder Punitivo. Assim, está incorreta.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (FGV/2024/GCM VITÓRIA-ES/GCM)

Bernardo, guarda municipal na cidade Alfa, estava estacionando o seu automóvel, no interior do
seu domicílio, ocasião em que Tício, mediante o emprego de uma faca, determinou que este
entregasse os seus pertences. Nesse contexto, Bernardo sacou a sua pistola, com o porte regular,
e efetuou um disparo de arma de fogo em detrimento de Tício, atingindo-o no ombro.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que Bernardo
não responderá por qualquer crime em razão do (da)

A) estado de necessidade, causa excludente da tipicidade.

B) legítima defesa, causa excludente da tipicidade.

C) estado de necessidade, causa justificante.

D) legítima defesa, causa justificante.

E) legítima defesa, causa dirimente.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, Bernardo agiu para repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem, usando moderadamente dos meios necessários para tanto, sendo esta a causa de
exclusão de ilicitude da legítima defesa (causa de justificação), na forma do art. 25 do CP:
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

Gabarito: D

2. (FGV/2024/TJSC/TÉCNICO)

João encontrava-se no interior de uma lancha com dois amigos, ocasião em que a embarcação
colidiu com um jet-ski que trafegava em inequívoco excesso de velocidade. Em razão do forte
abalroamento, João e Caio foram lançados ao mar, juntamente com um único colete salva-vidas.
Após uma intensa luta corporal, João conseguiu permanecer com o objeto, salvando-se. Caio,

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por sua vez, faleceu em virtude de afogamento. Após os eventos, foi deflagrado um inquérito
policial, no âmbito do qual se comprovou que o sobrevivente praticou o fato para salvar direito
próprio de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar,
cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João não
responderá por qualquer crime em razão do (da):

A) estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão da culpabilidade;

B) exercício regular de um direito, causa de exclusão da culpabilidade;

C) inexigibilidade de conduta diversa, causa de exclusão da ilicitude;

D) estado de necessidade, causa de exclusão da ilicitude;

E) legítima defesa, causa de exclusão da ilicitude.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, João não responderá por qualquer crime em razão do estado de necessidade, causa
de exclusão da ilicitude, na forma do art. 24 do CP, pois, diante de uma situação de perigo atual
a que não deu causa nem podia de outro modo evitar, agiu para salvar direito próprio (a vida),
cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se:
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar
de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Gabarito: D

3. (FGV/2024/PCSC/PSICÓLOGO)

Janaína, viúva, mãe de quatro filhos, desempregada e sem dinheiro para comprar comida,
passava por uma loja de frutas e verduras quando percebeu que havia uma cesta de maçãs que
se projetava para o lado de fora da loja. Janaína subtraiu quatro daquelas frutas para dar a seus
filhos, ocasião em que foi presa pelo vendedor que a tudo observava pelas câmeras de
segurança.

Nestas circunstâncias, assinale a alternativa que melhor descreve a situação jurídico-penal de


Janaína.

A) Janaína cometeu furto tentado.

B) Janaína cometeu roubo consumado.

C) Janaína está amparada por estado de necessidade.

D) Janaína agiu em legítima defesa.

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E) Janaína praticou estelionato.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, Janaína se encontrava em situação na qual havia dois bens em conflito: o patrimônio
da loja e a saúde e integridade física de seus filhos. Nessa ponderação de bens em conflito,
Janaína optou por resguardar a saúde e a integridade física dos filhos, dando-lhes o que comer.

Há aqui, portanto, o chamado “furto famélico”, o furto para saciar a fome.

Janaína não responderá por qualquer crime em razão do estado de necessidade, causa de
exclusão da ilicitude, pois, diante de uma situação de perigo atual a que não deu causa nem
podia de outro modo evitar, agiu para salvar direito alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não
era razoável exigir-se:
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar
de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Naturalmente que seria possível alegar, ainda, a insignificância penal da conduta. Todavia, a
questão não fornece todos os elementos necessários para isso.

Gabarito: C

4. FGV - Sold (PM RJ)/PM RJ/2024

Após receberem informações no sentido de que um homem estaria agredindo a sua esposa,
policiais militares dirigiram-se ao domicílio do casal, e viram Tício correndo com um facão na
direção de Mévia, afirmando que a mataria. Ato contínuo, a mulher, policial civil, efetuou um
disparo de arma de fogo em direção a Tício, matando-o.

Considerando as disposições do Código Penal, Mévia não responderá por qualquer crime, tendo
agido sob o manto do (da):

a) exercício regular de um direito, causa de exclusão de tipicidade;

b) inexigibilidade de conduta diversa, causa de exclusão de ilicitude;

c) estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão de tipicidade;

d) estado de necessidade, causa de exclusão de ilicitude;

e) legítima defesa, causa de exclusão de ilicitude.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, a mulher não responderá por crime algum, tendo havido legítima defesa, já que agiu
para repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, sendo esta uma causa
de exclusão de ilicitude, na forma do art. 25 do CP:

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Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

Gabarito: E

5. FGV - TJ (TJ AP)/TJ AP/Judiciária e Administrativa/2024

João caminhava pelo Parque XYZ, no Município Alfa, ocasião em que Caio, empregando uma
arma de fogo, anunciou a prática do crime, exigindo a entrega do telefone celular da vítima.
João, após entrar em luta corporal com Caio, desferiu-lhe um soco no rosto, causando-lhe
imediato desmaio. Socorrido no hospital mais próximo, Caio recobrou prontamente a
consciência, demonstrando perfeito estado de saúde.

Considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que não há crime, uma vez que
João atuou sob o manto do(a):

a) exercício regular de um direito, excludente de culpabilidade;

b) exercício regular de um direito, excludente de ilicitude;

c) estado de necessidade, excludente de ilicitude;

d) legítima defesa, excludente de culpabilidade;

e) legítima defesa, excludente de ilicitude.

COMENTÁRIOS

João não responderá por crime algum, tendo havido legítima defesa, já que agiu para repelir
injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, sendo esta uma causa de
exclusão de ilicitude, na forma do art. 25 do CP:
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

Gabarito: E

6. FGV - JT (CSJT)/CSJT/2023

Quanto às excludentes de antijuridicidade, analise as afirmativas a seguir.

I. Aquele que pratica o fato para salvar de perigo iminente, que não provocou por sua vontade,
direito próprio, é considerado em estado de necessidade.

II. Aquele que tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode alegar estado de necessidade,
salvo quando for razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado.

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III. A tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar os princípios


constitucionais da dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero.

IV. Age em legítima defesa o agente de segurança pública que, usando moderadamente dos
meios necessários, repele agressão atual e injusta à vítima mantida refém durante a prática de
crime.

Está correto o que se afirma em:

a) somente I e II;

b) somente III e IV;

c) somente I, II e IV;

d) somente II, III e IV;

e) I, II, III e IV.

COMENTÁRIOS

I. ERRADA: Item errado, pois para a configuração do estado de necessidade é necessário que
haja situação de perigo atual, e não perigo iminente, nos termos do art. 24 do CP. Perigo
iminente seria algo como “perigo de perigo”.

II. ERRADA: Item errado, pois, nos termos do art. 24, §1º do CP, aquele que tem o dever legal de
enfrentar o perigo (ex.: bombeiro em relação ao incêndio) não pode se eximir de agir alegando
“estado de necessidade”. Frise-se que não se pode esperar ato heroico de ninguém, de maneira
que mesmo aqueles que, a princípio, possuem dever de enfrentar situações perigosas podem
excepcionalmente se abster de atuar (ex.: bombeiro que foge de um prédio em chamas ao
perceber que irá desabar em poucos segundos).

III. CORRETA: Item correto, pois a tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por
contrariar os princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da
igualdade de gênero, nos termos da posição do STF. Destaco que isso se dá não porque a honra
seja um bem jurídico de valor “inferior”. Nada disso. Qualquer bem jurídico pode ser protegido
por meio de legítima defesa, quando houver agressão injusta atual ou iminente (ex.: José está
sendo difamado por Pedro, que usa um megafone para espalhar a difamação. José, então,
arranca o megafone de Pedro e o atira no chão, para fazer cessar a agressão injusta à sua honra
objetiva). A vedação à tese da “legítima defesa da honra” pelo STF se dá com relação à sua
indevida e absolutamente descabida utilização como “legitimadora” de feminicídios (ou
homicídios em geral). Obviamente, a ninguém é permitido matar outra pessoa porque se sentiu
ofendido em sua honra.

IV. CORRETA: Item correto, pois essa é a exata previsão contida no art. 25, § único do CP:

Art. 25 (...) Parágrafo único. Observados os requisitos previstos no caput deste


artigo, considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública

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que repele agressão ou risco de agressão a vítima mantida refém durante a


prática de crimes. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vide ADPF
779)

GABARITO: LETRA B

7. FGV - Cabo (PM SP)/PM SP/2023

Sobre as excludentes de ilicitude reconhecidas pelo Direito Penal Brasileiro, é correto afirmar que

a) a legítima defesa, o estado de necessidade, o estrito cumprimento de dever legal, o exercício


regular de direito e o consentimento do ofendido são excludentes que, expressamente,
encontram-se previstas no Código Penal.

b) dentre todas as excludentes de ilicitude, o excesso punível somente é previsto para a legítima
defesa.

c) não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

d) configura-se a legítima defesa quando o agente, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito próprio. Quando visa a repelir
injusta agressão a terceiros, age-se em estado de necessidade.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois o consentimento do ofendido não se encontra expressamente


previsto no Código Penal, sendo considerado como uma causa supralegal de exclusão da
ilicitude.

b) ERRADA: Item errado, pois o excesso, seja ele doloso ou culposo, será sempre punível, em
qualquer das situações de excludentes de ilicitude, e não apenas na legítima defesa, nos termos
do art. 23, § único do CP.

c) CORRETA: Item correto, pois, nos termos do art. 24, §1º do CP, aquele que tem o dever legal
de enfrentar o perigo (ex.: bombeiro em relação ao incêndio) não pode se eximir de agir
alegando “estado de necessidade”. Frise-se que não se pode esperar ato heroico de ninguém,
de maneira que mesmo aqueles que, a princípio, possuem dever de enfrentar situações
perigosas podem excepcionalmente se abster de atuar (ex.: bombeiro que foge de um prédio em
chamas ao perceber que irá desabar em poucos segundos).

d) ERRADA: Item errado, pois configura-se a legítima defesa quando o agente, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito
próprio ou de outrem. Ou seja, é possível haver legítima defesa própria ou de terceiro, nos
termos do art. 25 do CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

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GABARITO: LETRA C

8. FGV - JF TRF1/TRF 1/2023

Guilherme, com a intenção de socorrer seu filho, Rodrigo, utiliza, sem consentimento, o carro de
seu vizinho, Douglas, para levar Rodrigo ao hospital.

A ação de Guilherme é considerada:

a) criminosa em qualquer hipótese;

b) lícita, acobertada pelo exercício regular de um direito;

c) lícita, acobertada pela excludente do estado de necessidade agressivo;

d) criminosa, se não houver a devolução dos valores equivalentes ao consumo do combustível


do veículo;

e) lícita, acobertada pela excludente da legítima defesa de terceiros.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, temos uma situação de estado de necessidade, nos termos do art. 24 do CP:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Trata-se de estado de necessidade agressivo, pois a “vítima” da ofensa ao bem jurídico (o dono
do veículo) não foi a pessoa que causou a situação de perigo atual.

Friso, porém, que particularmente entendo a situação como caracterizadora de um fato atípico,
pois configuraria o chamado “furto de uso”, que para a maioria da Doutrina configura conduta
atípica (não configura furto em razão da ausência do dolo de apropriação, já que o agente busca
apenas usar e não se apoderar em definitivo da coisa). Logo, sendo fato atípico, a conduta já
seria penalmente irrelevante, sem necessidade de analisar a existência, ou não, de causa de
exclusão da ilicitude.

GABARITO: LETRA C

9. FGV - Conc (TJ BA)/TJ BA/2023

João e Guilherme estavam a bordo de uma lancha, a caminho de uma praia paradisíaca, ocasião
em que o marinheiro Jonatan acabou por colidir em uma pedra. Com a lancha afundando, João e
Guilherme se jogaram ao mar, momento em que visualizaram um único colete salva-vidas. Após
uma breve luta corporal, João conseguiu permanecer com o bem, enquanto Guilherme,
desamparado, veio a óbito.

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Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, João atuou sob o manto do(a):

a) exercício regular de um direito, causa de exclusão da culpabilidade;

b) inexigibilidade de conduta diversa, causa de exclusão da culpabilidade;

c) legítima defesa, causa de exclusão da culpabilidade;

d) estado de necessidade, causa de justificação;

e) legítima defesa, causa de justificação.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, João atuou acobertado pelo estado de necessidade, causa de justificação, ou seja,
causa de exclusão da ilicitude, pois agrediu Guilherme para salvar a própria vida, ou seja, agiu
para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar,
direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se, nos termos
do art. 24 do CP.

GABARITO: LETRA D

10. FGV - GCM (Pref SJC)/Pref SJC/2023

Durante uma manifestação na cidade, a Guarda Municipal é chamada para auxiliar no


patrulhamento e na proteção das pessoas e do patrimônio público. Glauco, manifestante
exaltado, se dirige a Bruno, guarda municipal em serviço, fazendo um movimento de iminente
agressão contra o agente público. Bruno, por sua vez, usando moderadamente os meios
necessários, repele a injusta agressão, causando uma pequena lesão à integridade física de
Glauco.

Nesse caso, e com base no Código Penal, a conduta de Bruno foi

a) lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude da legítima defesa.

b) lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude do estado de necessidade.

c) lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude do estrito cumprimento do dever
legal.

d) ilícita, uma vez que é vedado ao agente público agredir, em qualquer hipótese, um cidadão,
ainda que para proteger direito seu ou de outrem de uma agressão atual ou iminente.

e) ilícita, uma vez que, tendo causado lesão corporal leve em Glauco, o agente público deve
responder pelo crime previsto no Código Penal.

COMENTÁRIOS

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Nesse caso, a conduta de Bruno foi lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude da
legítima defesa, nos termos do art. 25 do CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

Não há que se falar em estrito cumprimento do dever legal, eis que o agente público não tem o
dever legal de agredir ninguém. Todavia, está autorizado a agir assim para proteger direito seu
ou de outrem de uma agressão atual ou iminente (legítima defesa).

GABARITO: LETRA A

11. FGV - TJ RN/TJ RN/Judiciária/2023

João caminhava pelo bairro de sua residência, ocasião em que visualizou um vizinho de longa
data sendo vítima de roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo. Ato contínuo, João
correu em direção ao autor do fato, desferindo um soco em seu rosto. O acusado caiu ao solo e
logrou se evadir.

Considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João:

a) responderá pelo delito perpetrado, considerando que a legítima defesa de terceiros, causa
dirimente, pressupõe o prévio pedido da parte interessada;

b) responderá pelo delito perpetrado, considerando que inexiste legítima defesa de terceiros,
mas apenas legítima defesa própria, causa dirimente;

c) atuou sob o manto da inexigibilidade de conduta diversa, causa dirimente;

d) atuou sob o manto da legítima defesa de terceiros, causa de justificação;

e) atuou sob o manto do estado de necessidade, causa de justificação.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, João atuou sob o manto da legítima defesa de terceiros, causa de justificação
(excludente de ilicitude), pois se configura a legítima defesa quando o agente, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito
próprio ou de outrem. Ou seja, é possível haver legítima defesa própria ou de terceiro, nos
termos do art. 25 do CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

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Como havia uma agressão injusta, atual ou iminente, contra a vida do vizinho, não é necessário
que tenha havido pedido da vítima para a intervenção de João, eis que a vida é um bem jurídico
indisponível.

GABARITO: LETRA D

12. VUNESP - ACE (TCM SP)/TCM SP/Ciências Jurídicas/2023

Aquele que pratica o fato em exercício regular de direito não comete crime, pois, nos termos do
artigo 23 do CP, está amparado por uma

a) causa supralegal de exclusão da culpabilidade.

b) causa legal de exclusão da culpabilidade.

c) causa excludente de imputabilidade.

d) causa excludente de ilicitude.

e) descriminante putativa.

COMENTÁRIOS

Aquele que pratica o fato em exercício regular de direito não comete crime, pois, nos termos do
art. 23, III do CP, está amparado por uma causa excludente de ilicitude, ou seja, o fato é típico,
mas não será ilícito, de forma que não haverá crime:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: LETRA D

13. VUNESP - JE TJRJ/TJ RJ/2023

Age em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Nos casos em que é razoável exigir-se o
sacrifício do direito ameaçado:

a) o agente será responsabilizado por dolo, mas não por culpa.

b) a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

c) desnatura-se o estado de necessidade, responsabilizando- se o agente.

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d) configura-se estado de necessidade putativo.

e) não há isenção de pena quando a ação deriva de culpa e o fato é punível como crime
culposo.

COMENTÁRIOS

Nos casos em que é razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, não haverá exclusão da
ilicitude, tampouco se pode falar em “estado de necessidade exculpante” (exclusão da
culpabilidade), pois o CP adota a teoria unitária em relação ao estado de necessidade, ou seja,
sendo sacrificado bem jurídico de valor igual ou inferior ao bem que foi salvo, haverá estado de
necessidade justificante (causa de exclusão da ilicitude).

Porém, o art. 24, §2º do CP estabelece que, em casos tais, a pena poderá ser reduzida de um a
dois terços:

Art. 24 (...) § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado,


a pena poderá ser reduzida de um a dois terços. (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: LETRA B

14. (FGV / 2022 / TRT13)

Juliano e Bruno são amigos desde a infância e resolveram fazer um passeio de barco organizado
pela empresa “Escuna Viver Bem” em uma região de praia do litoral brasileiro. Durante o
passeio, o clima mudou e começou a chover intensamente. A embarcação não suportou o mar
agitado e virou. Na água, Juliano e Bruno disputaram o único colete que sobrou, momento em
que Juliano afogou Bruno e pegou o colete para salvar sua vida.
Nesse caso, podemos afirmar que Juliano agiu em
A) legítima defesa.
B) legítima defesa putativa.
C) estado de necessidade.
D) estado de necessidade putativo.
E) exercício regular de direito putativo.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Juliano agiu em estado de necessidade, que afasta a ilicitude de sua conduta. Houve
estado de necessidade pois o agente praticou o fato típico (afogou Bruno), diante uma situação
de perigo atual, para salvar um bem jurídico (sua vida), cujo sacrifício nas circunstâncias não era
razoável exigir-se:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo

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evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Nesse caso, tendo sido o fato praticado em estado de necessidade (excludente de ilicitude), não
há crime, nos termos do art. 23, I do CP.
GABARITO: LETRA C

15. (FGV / 2022 / TJDFT)

Sobre a previsão do Art. 24, § 1º, do Código Penal (dever legal de enfrentar o perigo), considere
a situação em que uma guarnição composta por quatro policiais, em que apenas um está
equipado com arma longa, se depara com um “bonde” (aglomeração de criminosos fortemente
armados em deslocamento), integrado por número muito superior de pessoas armadas.
Sobre a previsão do perigo na situação descrita, no caso de não atuação policial, estará
considerada hipótese de:
A) legítima defesa;
B) estrito cumprimento do dever legal;
C) estado de necessidade;
D) exercício regular de direito;
E) prevaricação.
COMENTÁRIOS
Na situação narrada, em caso de não atuação policial, estará considerada hipótese de estado de
necessidade, eis que a omissão terá sido justificada em razão perigo atual à vida dos policiais.
É certo que o art. 24, §1º do CP estabelece o que segue:

Art. 24 (...) § 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever
legal de enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, a princípio, aqueles que possuem dever legal de enfrentar situações naturalmente
perigosas não podem se eximir de atuar ante o perigo que essas situações representam, pois o
risco é inerente à atividade. É o caso dos policiais, bombeiros, etc.
Porém, a Doutrina é pacífica ao estabelecer que, apesar disso, não se pode exigir de ninguém,
nem mesmo de tais agentes, um comportamento heroico. Logo, se no caso concreto restar
comprovado que a atuação implicaria risco desproporcional à segurança dos próprios agentes,
estes poderão deixar de atuar (ex.: bombeiro que chega no local do incêndio mas vê que o
prédio já está desabando e, portanto, deixa de ingressar para realizar resgates).
A questão é clara ao dizer que era uma guarnição composta por apenas quatro policiais, e que
apenas um deles estava equipado com arma longa, bem como é clara ao dizer que havia uma
aglomeração de criminosos fortemente armados em deslocamento, em número muito superior
de pessoas armadas. Logo, está suficientemente claro que a não atuação dos agentes, no caso,
estaria justificada pelo estado de necessidade.

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GABARITO: LETRA C

16. (FGV / 2022 / PCAM)

Leandro saiu para passear com seu cachorro, da raça Pitbull e, quando estava voltando pra casa,
se depara com Jonas, seu antigo desafeto. Ao ver seu inimigo, atiça seu cachorro para atacá-lo.
Diante da agressão injusta, Jonas saca sua arma e atira no cachorro, matando o animal.

Com relação à situação jurídico-penal de Jonas, a tese defensiva que poderá ser alegada é
A) legítima defesa
B) estado de necessidade.
C) exercício regular de direito.

D) estrito cumprimento do dever legal.


E) coação física irresistível.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente atuou em legítima defesa, pois repeliu injusta agressão, atual, contra sua
vida/integridade física:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

Aqui há legítima defesa, eis que esta pressupõe uma “agressão injusta”, e agressão injusta deve,
necessariamente, ser um ataque humano. No caso da questão, houve um ataque humano, pois a
agressão partiu do dono do animal, que se valeu do cachorro como “instrumento”, como
“ferramenta” para atacar a integridade física/vida do desafeto.
Por outro lado, se há ataque espontâneo de animal, não estarão preenchidos os requisitos para
que haja agressão injusta, de forma que haverá estado de necessidade.
GABARITO: LETRA A

17. (FGV / 2022 / PCAM)

Sérgio, andando na rua perto de sua residência, se depara com um cachorro de rua que parte em
sua direção para ataca-lo. Muito assustado, Sérgio pega um canivete em seu bolso e mata o
animal.
Com relação à situação jurídico-penal de Sérgio, a tese defensiva que poderá ser alegada é
A) legítima defesa.
B) estado de necessidade.
C) exercício regular de direito.
D) estrito cumprimento do dever legal.

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E) coação física irresistível.


COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente atuou estado de necessidade, que afasta a ilicitude de sua conduta. Houve
estado de necessidade pois o agente atuou, diante uma situação de perigo atual, para salvar um
bem jurídico (sua vida/integridade física), cujo sacrifício nas circunstâncias não era razoável
exigir-se:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Não há que se falar em legítima defesa eis que esta pressupõe uma “agressão injusta”, e
agressão injusta deve, necessariamente, ser um ataque humano. Logo, o ataque espontâneo de
animal não preenche os requisitos para ser considerado como agressão injusta. Todavia, se o
ataque do animal é provocado por um humano (ex.: agente atiça o animal feroz contra seu
inimigo), configura-se agressão injusta (por parte do ser humano, que se vale do animal), sendo o
animal mera ferramenta de ataque do ser humano. Logo, aquele que vier a lesionar o animal
estará atuando em legítima defesa.
GABARITO: LETRA B

18. (FGV / 2021 / PCRN / DELEGADO)

Durante uma partida de futebol, Rogério agrediu Jonas com um soco, que lhe causou um leve
ferimento no olho direito. No dia seguinte, Jonas vai tirar satisfação com Rogério e, no meio
da discussão, saca uma arma de fogo e parte na direção de Rogério, que, então, retira de sua
mochila um revólver que carregava legalmente e dispara contra Jonas, causando sua morte.
Considerando a situação apresentada, com relação à morte de Jonas, Rogério:
A) responderá por homicídio, ficando, porém, isento de pena por ter atuado no exercício regular
de direito;
B) responderá por homicídio, pois provocou a situação em que se encontrava, afastando eventual
excludente de ilicitude;
C) não responderá por homicídio, considerando que agiu em legítima defesa, que é causa de
exclusão da culpabilidade;
D) responderá por homicídio culposo, pois agiu em excesso de legítima defesa;
E) não responderá por homicídio, pois agiu em legítima defesa, o que afasta a ilicitude de sua
conduta.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente não responderá por homicídio, pois agiu em legítima defesa, o que afasta a
ilicitude de sua conduta, na forma do art. 25 do CP:

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Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) (Vide ADPF 779)

GABARITO: LETRA E

19. (FGV / 2021 / PCRN)

Joana caminhava pela rua, quando percebeu que um cachorro de grande porte se desvencilhou
da coleira de seu dono e correu ferozmente em direção a uma criança que brincava na calçada.
Com o objetivo de proteger a criança, Joana atirou uma pedra na cabeça do animal, que veio a
falecer.

Considerando os fatos acima, Joana agiu em:


A) estado de necessidade, que afasta a culpabilidade de sua conduta;
B) legítima defesa de terceiro, que afasta a tipicidade de sua conduta;
C) estado de necessidade, que afasta a ilicitude de sua conduta;
D) legítima defesa de terceiro, que afasta a ilicitude de sua conduta;
E) estado de necessidade, que afasta a tipicidade de sua conduta.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Joana atuou estado de necessidade, que afasta a ilicitude de sua conduta. Houve
estado de necessidade pois Joana agiu, diante uma situação de perigo atual ao bem jurídico
(risco para a vida da criança), para salvar um bem jurídico alheio (vida da criança), cujo sacrifício
nas circunstâncias não era razoável exigir-se:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Não há que se falar em legítima defesa eis que esta pressupõe uma “agressão injusta”, e
agressão injusta deve, necessariamente, ser um ataque humano. Logo, o ataque espontâneo de
animal não preenche os requisitos para ser considerado como agressão injusta. Todavia, se o
ataque do animal é provocado por um humano (ex.: agente atiça o animal feroz contra seu
inimigo), configura-se agressão injusta (por parte do ser humano, que se vale do animal), sendo o
animal mera ferramenta de ataque do ser humano. Logo, aquele que vier a lesionar o animal
estará atuando em legítima defesa.
GABARITO: LETRA C

20. (FGV / 2021 / FUNSAÚDE)

Durante operação policial em localidade com presença de criminosos armados, o policial


Jonathan, temendo pela sua integridade física e de seus colegas policiais, se assusta ao ver sair
de uma casa um homem segurando um guarda-chuva com ponta metálica.

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Por pensar tratar-se de uma arma de fogo e não de um guarda-chuva, Jonathan atira e vem a
matar a vítima, Caio, que saía de casa em direção ao trabalho.
Acerca do erro praticado por Jonathan, assinale a opção que indica a tese de direito material que
poderia ser usada em sua defesa.

A) Erro de proibição, que, se for entendido como inevitável, isenta de pena e se for evitável
poderá reduzi-la de um sexto a um terço, nos termos do Art. 21 do CP.
B) Erro de tipo incriminador, na medida em que errou sobre um elemento constitutivo do crime, o
que poderia, nos termos do Art. 20, caput, do CP, afastar o dolo e permitir a punição por crime
culposo, que existe no caso do homicídio.
C) Erro na execução, na medida em que pensou que Caio estivesse portando uma arma de fogo,
o que faz com que ele seja isento de pena, nos termos do Art. 73 do CP.
D) Erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar
diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima. Se o erro for tido como
justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável, responderá pelo crime na
modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.
E) Erro sobre o objeto, modalidade de erro acidental na qual o agente confunde um objeto com
outro, o que poderá isentar o réu de pena.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, o agente policial acreditou tratar-se de uma arma de fogo nas mãos de Caio, e não
de um guarda-chuva. Como se vê, o agente policial agiu acreditando que havia situação de
agressão injusta iminente contra sua pessoa, ou seja, acreditou estar agindo em legítima defesa
(legítima defesa putativa, portanto).
Há, portanto, erro de tipo permissivo (descriminante putativa por erro sobre as circunstâncias
fáticas), previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar diante de uma
situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima:

Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Se o erro for tido como justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável,
responderá pelo crime na modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.
GABARITO: LETRA D

21. (FGV / 2021 / DPE-RJ)

Assinale a única alternativa que NÃO configura uma causa excludente da ilicitude:
A) Coação moral irresistível.
B) Exercício regular do direito.

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C) Estrito cumprimento do dever legal.


D) Legítima defesa.
E) Estado de necessidade.
COMENTÁRIOS
Dentre as alternativas apresentadas, apenas letra A não configura causa de exclusão da ilicitude.
A coação moral irresistível (prevista no art. 22 do CP) afasta a culpabilidade do agente, por
inexigibilidade de conduta diversa.
GABARITO: LETRA A

22. (FGV / 2021 / TJRO)

Quando dois agentes, numa mesma dinâmica fática, direcionando suas condutas um contra o
outro, atuam em legítima defesa real frente a uma atitude de legítima defesa putativa ou os dois
agentes, numa mesma dinâmica fática, direcionando suas condutas um contra o outro, atuam em
legítimas defesas putativas, concomitantemente, estará caracterizada hipótese de legítima
defesa:
A) recíproca;
B) própria;
C) imprópria;
D) putativa;
E) sucessiva.
COMENTÁRIOS
Nos casos narrados no enunciado, teremos legítima defesa recíproca. Todavia, é importante
destacar que não é possível haver legítima defesa recíproca entre dois agentes que atuem em
legítima defesa real. Isto por uma razão muito simples: para que um agente se encontre atuando
em legítima defesa real, deverá estar agindo para repelir “agressão injusta” (agressão ao bem
jurídico não amparada pelo Direito). Logo, para que um dos agentes esteja agindo em legítima
defesa real, o outro deverá estar praticando uma conduta antijurídica (que não existiria se
estivesse agindo em legítima defesa real).
GABARITO: LETRA A

23. (FGV / 2020 / MPE-RJ)

Durante uma discussão verbal, Pedro percebeu que João estava prestes a lhe desferir um golpe
com pedaço de madeira, razão pela qual pegou uma pedra no chão, seu único meio de defesa
disponível, e a jogou em direção à cabeça do rival para se proteger da injusta agressão. Ocorre
que, mesmo após João já estar caído em razão da pedrada recebida, Pedro persistiu desferindo
socos na face de João. João pegou então um canivete que tinha no bolso e golpeou a perna de
Pedro para que cessassem aquelas agressões. João apresentou lesões graves em razão dos socos

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recebidos de Pedro após a pedrada. Já Pedro ficou apenas com lesões de natureza leve em razão
do golpe recebido com canivete.
Descobertos os fatos em investigação, os autos são encaminhados ao Ministério Público. Por
ocasião da análise, deverá ser concluído que:

A) Pedro agiu em legítima defesa a todo momento, logo a conduta de João ao desferir golpe
com canivete não pode ser considerada amparada pela excludente de ilicitude, de forma que
este poderá ser responsabilizado criminalmente pelo ato;
B) Pedro agiu, inicialmente, amparado pela legítima defesa, mas houve excesso, possibilitando
sua responsabilização pelo resultado causado em razão deste, bem como a legítima defesa de
João ao desferir o golpe com canivete;

C) Pedro não agiu amparado por qualquer excludente de ilicitude, podendo responder pelo
crime de lesão corporal dolosa, em razão da pedrada e socos, enquanto João agia em legítima
defesa, afastando a sua responsabilidade penal;
D) Pedro e João não agiram amparados por qualquer causa excludente da ilicitude, podendo
ambos ser responsabilizados pelas lesões causadas;
E) Pedro e João agiram em legítima defesa durante todo o tempo, de modo que nenhum dos
dois poderia ser responsabilizado criminalmente.
COMENTÁRIOS
Nesse caso, Pedro agiu, inicialmente, amparado pela legítima defesa (para repelir a agressão
injusta de João), mas houve excesso (“[...] mesmo após João já estar caído em razão da pedrada
recebida, Pedro persistiu desferindo socos na face de João”), possibilitando sua
responsabilização pelo resultado causado em razão deste, bem autorizando a legítima defesa de
João ao desferir o golpe com canivete, nos termos do art. 25 do CP.
GABARITO: LETRA B

24. (FGV – 2017 – TRT12 – OFICIAL DE JUSTIÇA) Oficial de Justiça ingressa em comunidade no
interior do Estado de Santa Catarina para realizar intimação de morador do local. Quando
chega à rua, porém, depara-se com a situação em que um inimputável em razão de doença
mental está atacando com um pedaço de madeira uma jovem de 22 anos que apenas
caminhava pela localidade. Verificando que a vida da jovem estava em risco e não havendo
outra forma de protegê-la, pega um outro pedaço de pau que estava no chão e desfere
golpe no inimputável, causando lesão corporal de natureza grave.

Com base apenas nas informações narradas, é correto afirmar que, de acordo com a doutrina
majoritária, a conduta do Oficial de Justiça:

a) não configura crime, em razão da atipicidade;

b) não configura crime, em razão do estado de necessidade;

c) configura crime, mas o resultado somente poderá ser imputado a título de culpa, em razão do
estado de necessidade;

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d) não configura crime, em razão da legítima defesa;

e) configura crime, tendo em vista que não havia direito próprio do Oficial de Justiça em risco
para ser protegido.

COMENTÁRIOS
Neste caso, a conduta do agente não configura crime, pois está amparada pelo instituto da
legítima defesa, já que ele agiu para repelir injusta agressão que estava ocorrendo contra a
jovem, na forma do art. 25 do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

25. (FGV – 2016 – CODEBA – ADVOGADO) Diego e Júlio César, que exercem a mesma função,
estão trabalhando dentro de um armazém localizado no Porto de Salvador, quando se inicia
um incêndio no local em razão de problemas na fiação elétrica. Existe apenas uma pequena
porta que permite a saída dos trabalhadores do armazém, mas em razão da rapidez com que
o fogo se espalha, apenas dá tempo para que um dos trabalhadores saia sem se queimar.
Quando Diego, que estava mais próximo da porta, vai sair, Júlio César, desesperado por ver
que se queimaria se esperasse a saída do companheiro, dá um soco na cabeça do colega de
trabalho e passa à sua frente, deixando o armazém. Diego sofre uma queda, tem parte do
corpo queimada, mas também consegue sair vivo do local. Em razão do ocorrido, Diego
ficou com debilidade permanente de membro.

Considerando apenas os fatos narrados na situação hipotética, é correto afirmar que a conduta
de Júlio César

a) configura crime de lesão corporal grave, sendo o fato típico, ilícito e culpável.

b) está amparada pelo instituto da legítima defesa, causa de exclusão da ilicitude.

c) configura crime de lesão corporal gravíssima, sendo o fato típico, ilícito e culpável.

d) está amparada pelo instituto do estado de necessidade, causa de exclusão da ilicitude.

e) está amparada pelo instituto do estado de necessidade, causa de exclusão da culpabilidade.

COMENTÁRIOS
Neste caso, a conduta do agente não configura crime, pois está amparada pelo instituto do
estado de necessidade, previsto no art. 24 do CP, já que agiu assim para salvar de perigo atual,
que não provocou por sua vontade nem podia de outra forma evitar, um bem jurídico próprio
(vida).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

26. (FGV - 2008 - TCM-RJ – AUDITOR) São consideradas causas legais de exclusão da ilicitude:

a) estado de necessidade, legítima defesa e embriaguez voluntária.

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b) estado de necessidade, legítima defesa, coação moral resistível e obediência hierárquica de


ordem não manifestamente ilegal.

c) estado de necessidade, legítima defesa, coação moral irresistível e obediência hierárquica de


ordem não manifestamente ilegal.

d) coação física irresistível, obediência hierárquica de ordem não manifestamente ilegal, estado
de necessidade, legítima defesa, exercício regular do direito, estrito cumprimento do dever legal
e embriaguez voluntária.

e) estado de necessidade, legítima defesa, exercício regular do direito e estrito cumprimento do


dever legal.

COMENTÁRIOS
As causas de exclusão da ilicitude estão previstas no art. 23 do CP:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

27. (FGV - 2013 - MPE-MS - ANALISTA - DIREITO) No Direito Penal brasileiro, prevalece no
âmbito doutrinário e jurisprudencial a adoção da teoria tripartida do fato criminoso, ou seja,
crime é a conduta típica, ilícita e culpável. Nem toda conduta típica será ilícita, tendo em
vista que existem causas de exclusão da ilicitude.

As alternativas a seguir apresentam causas que excluem a ilicitude, de acordo com o Código
Penal, à exceção de uma. Assinale-a.

a) Legítima Defesa.

b) Obediência hierárquica.

c) Estrito cumprimento de dever legal.

d) Exercício regular de direito.

e) Estado de necessidade.

COMENTÁRIOS
As causas de exclusão da ilicitude estão previstas no art. 23 do CP:

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Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Vemos, portanto, que não se inclui entre as causas de exclusão da ilicitude a obediência
hierárquica, que é considerada causa de exclusão da CULPABILIDADE, na forma do art. 22 do
CP:

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a


ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

28. FCC - TM (MPE PB)/MPE PB/Sem Especialidade/2023 - ADAPTADA

Entende-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

COMENTÁRIOS

Item errado, pois nesse caso o agente estará acobertado pela excludente de ilicitude do estado
de necessidade, nos termos do art. 24 do CP:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

A legítima defesa se verifica quando o agente, “usando moderadamente dos meios necessários,
repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem”, na forma do art. 25 do
CP.

GABARITO: ERRADA

29. (FCC - 2018 – PREFEITURA DE CARUARU-PE– PROCURADOR DO MUNICÍPIO) NÃO há


crime quando o agente pratica o fato

a) em decorrência da paixão.

b) sob violenta emoção.

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c) em estado de embriaguez involuntária.

d) em estado de necessidade.

e) por erro sobre a ilicitude do fato.

COMENTÁRIOS
Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra D está correta. Vejamos o art. 23, I do CP:

Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Vale ressaltar que a paixão e a emoção não afastam o crime. A embriaguez involuntária até pode
excluir a culpabilidade, mas apenas quando se tratar de embriaguez involuntária completa. Por
fim, o erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, afasta a culpabilidade.
Mas, então a letra E poderia estar correta? O enunciado usa exatamente a redação do art. 23 do
CP. Quando a questão usar esta expressão “não há crime quando o agente pratica o fato...”,
devemos interpretar que ela está pedindo alguma das excludentes de ilicitude.
Tecnicamente, não havendo qualquer elemento do crime (fato típico, ilicitude ou culpabilidade),
não haverá crime.
GABARITO: Letra D

30. (FCC – 2018 – MPE-PE – TÉCNICO MINISTERIAL - ADMINISTRATIVA) Não há crime quando
o agente pratica o fato:

I. Em estado de necessidade.

II. Em estado de embriaguez culposa pelo álcool.

III. Em estrito cumprimento de dever legal.

IV. No exercício regular de direito.

V. Sob o efeito de emoção ou paixão.

Está correto o que se afirma APENAS em

A) I, II e III.

B) I, IV e V.

C) II, III e V.

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D) II, IV e V.

E) I, III e IV.

COMENTÁRIOS

Dentre as alternativas apresentadas, apenas a letra D está correta. Vejamos o art. 23, I e III do CP:

Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
==28dc4f==

III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de


direito.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, vemos que apenas as afirmativas I, III e IV estão corretas.

GABARITO: Letra E

31. (FCC – 2018 – DPE-MA – DEFENSOR PÚBLICO) Legítima defesa

a) é meio de exclusão da ilicitude em face de qualquer injusta agressão, desde que os bens
jurídicos atacados sejam o patrimônio, a vida ou a integridade corporal.

b) é cabível ainda que o bem agredido esteja submetido a outra forma de especial proteção,
como o proprietário que ameaça o inquilino para que preserve o imóvel.

c) se legitima como forma de exclusão da antijuridicidade diante de agressão injusta, entendida


como aquela realizada mediante comportamento do agressor que implique em crime doloso.

d) quando praticada em excesso, após cessada a agressão, implica em punição na modalidade


culposa.

e) exclui a antijuridicidade da conduta quando repele agressão injusta que esteja ocorrendo ou
em vias de ocorrer, desde que a ação defensiva seja moderada e utilize os meios necessários.

COMENTÁRIOS
A legítima defesa está regulamentada no art. 25 do CP. Vejamos:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Vemos, assim, que a alternativa E está correta.

Vamos às erradas:

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a) ERRADA: Não é necessário que os bens jurídicos sejam estes (outros bens jurídicos também
pode ser protegidos por meio da legítima defesa).

b) ERRADA: Item errado, pois neste caso não há reação moderada e proporcional a uma
agressão injusta atual ou iminente.

c) ERRADA: Item errado, pois a agressão injusta que está ocorrendo ou em vias de ocorrer pode,
sequer, configurar fato típico (exemplo: José pega, à força, a bicicleta de Pedro, com intenção de
apenas usar. Pedro, para repelir esta injusta agressão ao direito de propriedade, dá um soco em
José e vai embora com sua bicicleta. Neste caso, a agressão injusta perpetrada por José não
configura fato típico, pois é o chamado “furto de uso”. Todavia, é uma agressão injusta pois esta
violação ao direito de propriedade não está amparada pela Lei).

d) ERRADA: Não necessariamente. O excesso pode ser DOLOSO ou CULPOSO, a depender das
circunstâncias, na forma do art. 23, § único do CP.

GABARITO: Letra E

32. (FCC –2018 – CLDF – TÉCNICO LEGISLATIVO - AGENTE DE POLÍCIA LEGISLATIVA) De


acordo com o que estabelece o Código Penal,

a) não há crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de direito.

b) entende-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar.

c) é possível a invocação do estado de necessidade mesmo para aquele que tinha o dever legal
de enfrentar o perigo.

d) é plenamente possível a compensação de culpas quando ambos os agentes agiram com


imprudência, negligência ou imperícia na prática do ilícito.

e) considera-se praticado o crime no momento do resultado, ainda que outro seja o momento da
ação ou omissão.

COMENTÁRIOS

a) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão do art. 23, III do CP, que traz as
excludentes de ilicitude do estrtito cumprimento do dever legal e do exercício regular de direito.

b) ERRADA: Item errado, pois neste caso teremos estado de necessidade, conforme art. 24 do
CP.

c) ERRADA: Item errado, pois quem tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode invocar o
estado de necessidade, conforme art. 24, §1º do CP.

d) ERRADA: Item errado, pois não há compensação de culpas no direito penal brasileiro (ex.:
José e Pedro, ambos dirigindo de forma imprudente, provocam um acidente, um gerando lesão

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corporal culposa no outro. Ambos responderão pelo crime de lesão corporal culposa na direção
de veículo automotor, não havendo “compensação das culpas”).

e) ERRADA: Item errado, pois considera-se praticado o crime no momento da CONDUTA, ainda
que outro seja o momento do resultado (art. 4º do CP).

GABARITO: Letra A

33. (FCC – 2017 – TRF5 – OFICIAL DE JUSTIÇA) Considere:

I. Não provocação voluntária do perigo.

II. Exigibilidade de sacrifício do bem salvo.

III. Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo.

IV. Conhecimento da situação justificante.

V. Agressão atual ou pretérita.

São requisitos do estado de necessidade o que se afirma APENAS em

a) I, III e IV.

b) II, III e IV.

c) I, II e V.

d) II, IV e V.

e) I, III e V.

COMENTÁRIOS
O estado de necessidade está disciplinado no art. 24 do CP:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de
enfrentar o perigo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Como se vê, portanto, é necessário que o agente não tenha provocado voluntariamente o
perigo, bem como inexista o dever legal de enfrentar o perigo. Por fim, é necessário, de acordo
com a Doutrina, que o agente saiba que está agindo em situação de estado de necessidade.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

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34. (FCC – 2016 – SEFAZ-MA – AUDITOR FISCAL) NÃO há crime quando o agente pratica o fato
típico descrito na lei penal

a) mediante coação irresistível ou em estrita obediência a ordem de superior hierárquico.

b) por culpa, dolo eventual, erro sobre os elementos do tipo e excesso justificado.

c) somente em estado de necessidade e legítima defesa.

d) mediante erro sobre a pessoal contra a qual o crime é praticado, em concurso de pessoas
culposo e nos casos de excesso doloso.

e) em estado de necessidade, legítima defesa, em estrito cumprimento do dever legal e no


exercício regular de direito.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois neste caso não há causa de exclusão da ilicitude ou do fato típico.
Há, neste caso, causa de exclusão da culpabilidade, que não é chamada pelo CP de “causa de
exclusão do crime”.

b) ERRADA: Item errado, pois no caso de crime praticado por dolo, culpa ou excesso culposo o
agente responde pelo crime praticado.

c) ERRADA: Item errado, pois além destas duas hipóteses, o CP prevê ainda que não haverá
crime quando o fato for praticado em estrito cumprimento do dever legal e no exercício regular
de direito, na forma do art. 23 do CP.

d) ERRADA: Item errado, pois estas não são causas de exclusão do crime.

e) CORRETA: Item correto, pois esta é a exata previsão contida no art. 23 do CP:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Excesso punível (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá
pelo excesso doloso ou culposo. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

35. (FCC – 2016 – ISS-TERESINA – AUDITOR-FISCAL) Considere:

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I. obediência hierárquica.

II. estado de necessidade.

III. exercício regular de um direito.

IV. legítima defesa.

Dentre as causas excludentes de ilicitude, incluem-se o que consta APENAS em

a) I e II.

b) II, III e IV.

c) I, II e IV.

d) I, II e III.

e) III e IV.

COMENTÁRIOS
Dentre as hipóteses apresentadas, apenas os itens II, III e IV tratam de situações consideradas
excludentes de ilicitude, nos termos do art. 23 do CP.
A obediência hierárquica é causa de exclusão da CULPABILIDADE.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

36. (FCC – 2014 – TJ-AP – ANALISTA JUDICIÁRIO) Com relação à exclusão de ilicitude é correto
afirmar:

a) Há crime quando o agente pratica o fato em exclusão de ilicitude, havendo, no entanto,


redução da pena.

b) Considera-se em estado de necessidade quem, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

c) Considera-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

d) Pode alegar estado de necessidade mesmo quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

e) Ainda que o agente haja em caso de exclusão de ilicitude, este responderá pelo excesso
doloso ou culposo.

COMENTÁRIOS

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a) ERRADA: Caso o agente pratique a conduta amparado por uma excludente de ilicitude, não
haverá crime, eis que a ilicitude é um dos elementos do conceito analítico de crime.

b) ERRADA: Item errado, pois esta é a definição da legítima defesa, nos termos do art. 25 do CP.

c) ERRADA: Item errado, pois esta é a definição do estado de necessidade, nos termos do art. 24
do CP.

d) ERRADA: Item errado, pois o estado de necessidade não pode ser alegado por aquele que
tinha o dever legal de enfrentar o perigo, nos termos do art. 24, §1º do CP.

e) CORRETA: Item correto, pois o excesso (doloso ou culposo), não está acobertado pela
excludente de ilicitude, devendo o agente ser punido em razão do excesso, nos termos do art.
23, § único do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

37. (FCC – 2014 – MPE-PA – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Segundo sua classificação doutrinária
dominante, o chamado ofendículo pode mais precisamente caracterizar situação de exclusão
de

a) antijuridicidade.

b) tipicidade.

c) periculosidade.

d) culpabilidade.

e) punibilidade.

COMENTÁRIOS
O ofendículo (também chamado de “ofendículas”) são mecanismos de defesa preordenada
(cacos de vidro nos muros, cerca elétrica, etc.). Nesse caso, a Doutrina os considera como
hipóteses de exclusão da ilicitude (ou exclusão da antijuridicidade).
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

38. (FCC – 2014 – TCE-GO – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) Considere:

I. Cícerus aceitou desafio para lutar.

II. Marcus atingiu o agressor após uma agressão finda.

III. Lícius reagiu a uma agressão iminente.

Presentes os demais requisitos legais, a excludente da legítima defesa pode ser reconhecida em
favor de

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a) Lícius, apenas.

b) Cícerus e Marcus.

c) Cícerus e Lícius.

d) Marcus e Lícius.

e) Cícerus, apenas

COMENTÁRIOS

I – ERRADA: Cícerus não pode se valer da legítima defesa, pois a agressão de seu oponente não
será injusta, posto que ambos concordaram em participar da luta.

II – ERRADA: Neste caso, como a agressão já havia cessado, Marcus não agiu em legítima defesa,
tendo ocorrido vingança.

III – CORRETA: Se Lícius reagiu a uma agressão iminente (prestes a ocorrer), estará amparado
pela legítima defesa (desde que presentes os demais requisitos, conforme apontado pela
questão).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

39. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) No estado de necessidade,

A) há necessariamente reação contra agressão.

B) o agente responderá apenas pelo excesso culposo.

C) deve haver proporcionalidade entre a gravidade do perigo que

ameaça o bem jurídico e a gravidade da lesão causada.

D) a ameaça deve ser apenas a direito próprio.

E) inadmissível a modalidade putativa.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Reação contra agressão está presente na legítima defesa, não no estado de
necessidade, que pode decorrer de uma catástrofe natural, etc.

B) ERRADA: O agente responde tanto pelo excesso culposo quanto pelo excesso doloso.

C) CORRETA: O bem jurídico sacrificado deve ser de valor menor ou igual ao bem jurídico
preservado, nos termos do art. 24 do Código Penal, quando fala em razoabilidade.

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D) ERRADA: Tanto age em estado de necessidade quem defende direito próprio quanto quem
defende direito de terceiro, nos termos do art. 24 do CP.

E) ERRADA: É plenamente possível a modalidade putativa, pois o agente pode supor,


erroneamente, estar presente uma situação de necessidade que, caso presente, justificaria sua
conduta, de forma a excluir a ilicitude do fato.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

40. (VUNESP – 2018 – PC-SP - INVESTIGADOR) Aquele que pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se,

(A) não comete crime, pois age amparado pelo estrito cumprimento do dever legal.

(B) não comete crime, pois age amparado pelo estado de necessidade.

(C) comete crime, embora esteja amparado por causa excludente de culpabilidade.

(D) não comete crime, pois age amparado pela legítima defesa.

(E) comete crime, embora esteja amparado por causa excludente de punibilidade.

COMENTÁRIOS
O agente, neste caso, atua em estado de necessidade, que é causa excludente de ilicitude,
conforme art. 24 do CP:

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

41. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) O Código Penal, no art. 23, elenca as causas
gerais ou genéricas de exclusão da ilicitude. Sobre tais excludentes, assinale a alternativa
correta.

(A) Morador não aceita que funcionário público, cumprindo ordem de juiz competente, adentre
em sua residência para realizar busca e apreensão. Se o funcionário autorizar o arrombamento da
porta e a entrada forçada, responderá pelo crime de violação de domicílio.

(B) O estrito cumprimento do dever legal é perfeitamente compatível com os crimes dolosos e
culposos.

(C) Para a configuração do estado de necessidade, o bem jurídico deve ser exposto a perigo
atual ou iminente, não provocado voluntariamente pelo agente.

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(D) O reconhecimento da legítima defesa pressupõe que seja demonstrado que o agente agiu
contra agressão injusta atual ou iminente nos limites necessários para fazer cessar tal agressão.

(E) Deve responder pelo crime de constrangimento ilegal aquele que não sendo autoridade
policial prender agente em flagrante delito.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois o funcionário não responderá por tal delito, por estar agindo no
estrito cumprimento do dever legal, na forma do art. 23, III do CP.

b) ERRADA: Item errado, pois a princípio o estrito cumprimento do dever legal só é cabível nos
crimes dolosos.

c) ERRADA: Item errado, pois o perigo, no estado de necessidade, deve ser ATUAL, conforme
art. 24 do CP.

d) CORRETA: Item correto, pois este é um pressuposto da legítima defesa, na forma do art. 25 do
CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

e) ERRADA: Item errado, pois qualquer pessoa pode prender quem esteja em flagrante delito
(art. 301 do CPP), motivo pelo qual tal conduta não configura crime, estando o agente no
exercício regular de direito.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

42. (VUNESP – 2015 – PC/CE – ESCRIVÃO) Segundo o previsto no Código Penal, incorrerá na
excludente de ilicitude denominada estado de necessidade aquele que

(A) pratica o fato usando moderadamente dos meios necessários, para repelir injusta agressão,
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

(B) atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando não lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

(C) tendo o dever legal de enfrentar o perigo, pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável se exigir.

(D) pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, era razoável
exigir-se.

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(E) pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável
exigir-se.

COMENTÁRIOS
Atua em estado de necessidade aquele que pratica o fato definido como crime para salvar de
perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito
próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se, nos termos do art.
24 do CP.
Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

43. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) Com relação à legítima defesa, segundo o disposto
no Código Penal, é correto afirmar que

(A) o uso moderado dos meios necessários para repelir uma agressão consiste em um dos
requisitos para caracterização da legítima defesa, ainda que essa agressão seja justa.

(B) um dos requisitos para sua caraterização consiste na necessidade que a injusta agressão seja
atual e não apenas iminente.

(C) um dos requisitos para sua caracterização consiste na exigência de que a repulsa à injusta
agressão seja realizada contra direito seu, tendo em vista que se for praticada contra o direito
alheio estar-se-á diante de estado de necessidade.

(D) a legítima defesa não resta caracterizada se for praticada contra uma agressão justa, ainda
que observados os demais requisitos para sua caracterização.

(E) considera-se em legítima defesa aquele que pratica o fato para salvar de perigo atual, que
não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

COMENTÁRIOS

A) ERRADA: Se a agressão é justa, não há que se falar em legítima defesa, nos termos do art. 25
do CP.

B) ERRADA: A injusta agressão pode ser atual ou iminente, nos termos do art. 25 do CP.

C) ERRADA: A legítima defesa pode ser praticada para repelir injusta agressão também contra
direito de terceira pessoa.

D) CORRETA: Perfeito. Se a agressão é justa, não há que se falar em legítima defesa, nos termos
do art. 25 do CP.

E) ERRADA: Tal definição corresponde ao estado de necessidade, nos termos do art. 24 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

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44. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Aquele que pratica fato típico
para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se,
atuou em

a) legítima defesa putativa e, portanto, não cometeu crime.

b) estado de necessidade e, portanto, terá a pena diminuída de 1 (um) a 2 (dois) terços.

c) legítima defesa e, portanto, não cometeu crime.

d) estado de necessidade e, portanto, não cometeu crime.

e) legítima defesa e, portanto, terá a pena diminuída de 1 (um) a 2 (dois) terços.

COMENTÁRIOS
Neste caso a pessoa agiu em estado de necessidade e, portanto, não cometeu crime, já que o
estado de necessidade é causa de exclusão da ilicitude. Vejamos:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
[...]
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá
pelo excesso doloso ou culposo.(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Estado de necessidade
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar
de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

45. (VUNESP – 2002 – SEFAZ-SP – AGENTE FISCAL DE RENDAS) São causas de exclusão da
ilicitude:

a) a legítima defesa, o exercício regular de direito e a coação irresistível.

b) a obediência hierárquica, a coação irresistível e a desistência voluntária.

c) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estrito cumprimento do dever legal.

d) o estado de necessidade, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.

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e) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de


necessidade.

COMENTÁRIOS

As causas de exclusão da ilicitude (ou exclusão da antijuridicidade) estão previstas no art. 23 do


CP. Vejamos:

Exclusão de ilicitude (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)
I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, vemos que a alternativa CORRETA É A LETRA E.

46. (VUNESP – 2008 – TJ-SP – JUIZ) Após a morte da mãe, A recebeu, durante um ano, a pensão
previdenciária daquela, depositada mensalmente em sua conta bancária, em virtude de ser
procuradora da primeira. Descoberto o fato, A foi denunciada por apropriação indébita. Se a
sentença concluir que a acusada (em razão de sua incultura, pouca vivência, etc.) não tinha
percepção da antijuricidade de sua conduta, estará reconhecendo

a) erro sobre elemento do tipo, que exclui o dolo.

b) erro de proibição.

c) descriminante putativa.

d) ignorância da lei.

COMENTÁRIOS
No caso em tela, o agente incorreu em erro de proibição, pois incidiu em erro sobre a ilicitude do
fato praticado. Vejamos:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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​ EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. FGV - TJ (TJ AP)/TJ AP/Judiciária e Administrativa/2024

Caio, torcedor fanático da Seleção Brasileira de Futebol, recebeu uma ligação, afirmando que foi
sorteado para acompanhar a final de um campeonato entre o Brasil e a Argentina. Para tanto, ele
deveria comparecer à sede da empresa que realizou o sorteio para retirar o ingresso. Assim
sendo, Caio, agente público, saiu às pressas da repartição onde trabalha, levando consigo o
telefone celular do órgão público, acreditando ser o seu aparelho de telefonia móvel, posto que
ambos são idênticos.

Considerando as disposições do Código Penal e os entendimentos doutrinário e jurisprudencial


dominantes, é correto afirmar que Caio:

a) não responderá por qualquer crime, por força do erro de proibição indireto;

b) não responderá por qualquer crime, por força do erro de proibição direto;

c) não responderá por qualquer crime, por força do erro de tipo;

d) responderá pelo crime de concussão;

e) responderá pelo crime de peculato.

COMENTÁRIOS

A questão diz claramente que Caio saiu às pressas da repartição, levando consigo o telefone
celular do órgão público, acreditando ser o seu aparelho de telefonia móvel, já que são idênticos.
Ou seja, Caio subtraiu para si o aparelho celular do órgão público, acreditando ser o seu próprio
aparelho.

Trata-se aqui de um exemplo clássico de erro de tipo, ou, numa expressão mais técnica, erro
sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime. Caio subtraiu a coisa alheia móvel
acreditando tratar-se de coisa própria. Assim, incorreu em erro sobre um dos elementos do tipo.

Gabarito: C

2. FGV - Del Pol (PC SC)/PC SC/2024

Adonis, 71 anos, reside sozinho em um bairro violento. Certo dia, percebeu que um homem
desconhecido, portando uma arma de fogo na cintura, ingressou em seu terreno na calada da
noite. Ao perceber que o indivíduo caminhava desorientado em seu quintal, Adonis, temendo
por sua integridade física e sua vida, desferiu um disparo de arma de fogo na perna da vítima.
Quando se aproximou da vítima, caída ao chão, constatou que se tratava de seu vizinho Heitor,
que havia entrado no seu imóvel por engano, em razão de estar alcoolizado. Heitor foi

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hospitalizado, porém recebeu alta no mesmo dia. Diante do cenário descrito, é correto afirmar
que

a) Adonis deve responder pelo crime de lesão corporal, tendo em vista o excesso de legítima
defesa.

b) deve ser reconhecida a exclusão da ilicitude pela legítima defesa.

c) deve ser afastada a culpabilidade, em razão da ausência de potencial conhecimento da


ilicitude do fato.

d) deve ser afastada a culpabilidade, em razão de inexigibilidade de conduta diversa.

e) Adonis está isento de pena, em razão da descriminante putativa por erro de tipo inevitável.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, aplica-se o art. 20, §1º do CP:


Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Aqui temos uma descriminante putativa, mais precisamente uma legítima defesa putativa, pois
Adonis acreditava que havia uma situação fática que o autorizaria a agir em legítima defesa
(agressão injusta iminente). Tratando-se de uma descriminante putativa por erro sobre as
circunstâncias fáticas, temos o que se chama de “erro de tipo permissivo”.

Pelas circunstâncias, é possível concluir que se trata de um erro inevitável, isentando de pena o
agente.

Há aqui “erro de tipo”? Não há aquele erro de tipo do art. 20, caput, o chamado “erro de tipo
essencial”. Todavia, como dito anteriormente, há aqui o que se chama de “erro de tipo
permissivo”, um erro sobre os pressupostos fáticos de uma causa de justificação.

Gabarito: E

3. (FGV - NAC UNI OAB/OAB/2023)

Alan é bombeiro civil e, atendendo a uma ocorrência, foi retirar um suposto animal selvagem de
um condomínio residencial. Lá chegando, deparou-se com um aparente filhote de onça, o qual
foi recolhido por Alan, que deveria levar o animal ao Centro de Triagem, distante do local onde
encontrado (e que seria o procedimento adequado). Porém, Alan teve a iniciativa de deixar o
felino em uma área de mata próxima ao condomínio, onde imaginava ser o habitat natural do
animal, e, assim, poupar seu tempo.

Carmen, residente no referido condomínio, ao chegar em casa, percebeu que seu gato Bengal
(raça caracterizada por ser muito similar a uma onça) está desaparecido. Ao saber do ocorrido,

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percebeu que seu gato foi confundido com um filhote de onça e, por isso, foi levado por Alan e
deixado na área de mata. Assim, Carmen procurou a Delegacia de Polícia e relatou o ocorrido.

Neste caso, como advogado de Alan, é correto afirmar, sobre a conduta de seu assistido, que
houve erro

a) de tipo permissivo, uma vez que Alan pensava agir sob estrito cumprimento de dever legal, e
por isso, sua conduta é lícita, abarcada por excludente de ilicitude.

b) de tipo inescusável, pois Alan efetivamente se confundiu sobre a espécie do animal, mas
deixou de adotar as cautelas devidas, excluindo-se apenas o dolo.

c) de tipo escusável, pois Alan efetivamente não conhecia a espécie do animal apreendido, tendo
adotado todas as cautelas que lhe eram exigidas na situação, de forma a excluir o dolo e a culpa.

d) de proibição, tendo em vista que Alan não conhecia a espécie de animal doméstico,
afastando-se a culpabilidade da sua conduta.

COMENTÁRIOS

O agente, aqui, subtraiu o animal pertencente a Carmen, por acreditar tratar-se de um animal
selvagem perdido. Logo, incorreu em erro sobre o elemento “coisa alheia”, de forma que sua
conduta configura erro sobre elemento constitutivo do tipo legal do crime de furto.

Ademais, a conduta de abandonar o animal doméstico em ambiente inadequado poderia


configurar o crime de “maus tratos a animais”, previsto no art. 32, §1º-A da Lei 9.605/98:

Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres,
domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: (Vide ADPF 640)
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
(...)
§ 1º-A Quando se tratar de cão ou gato, a pena para as condutas descritas no
caput deste artigo será de reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, multa e proibição
da guarda. (Incluído pela Lei nº 14.064, de 2020)

Todavia, ao acreditar tratar-se de animal cujo habitat seria efetivamente aquele, há novamente
erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime.

Considerando-se que o agente não adotou as cautelas necessárias para averiguar a efetiva
espécie do animal, pode-se concluir tratar-se de erro de tipo evitável (ou vencível, ou inescusável,
ou indesculpável), de forma que ficará afastado o dolo, mas será possível a punição do agente na
forma culposa, se houver previsão legal (embora não haja forma culposa para os tipos penais
citados).

GABARITO: LETRA B

4. (FGV - OJ (TJ RN)/TJ RN/Judiciária/Direito/2023)

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João, pessoa humilde e analfabeta, com 70 anos de idade, residente em zona rural, acabou por
danificar, no exercício de suas atividades diuturnas pessoais, floresta considerada de preservação
permanente. Ao ser ouvido, em juízo, o réu narrou que não sabia que a sua conduta era
penalmente ilícita, considerando que sempre morou no campo e que o seu sustento sempre
esteve ligado à fauna e à flora locais.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que NÃO há
crime, em razão do:

a) erro de proibição direto, excluindo-se a culpabilidade;

b) erro de proibição indireto, excluindo-se a ilicitude;

c) erro de tipo permissivo, excluindo-se a tipicidade;

d) erro de permissão, excluindo-se a tipicidade;

e) erro mandamental, excluindo-se a ilicitude.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, a questão deixa claro que o agente não sabia que a sua conduta era penalmente
ilícita, pois “sempre morou no campo e que o seu sustento sempre esteve ligado à fauna e à flora
locais”. Logo, o agente praticou fato típico e ilícito, mas por desconhecer a ilicitude do fato, de
maneira que há, aqui, erro de proibição direto, excluindo-se a culpabilidade, na forma do art. 21
do CP:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Pelas demais circunstâncias do caso, fica evidenciado tratar-se de erro de proibição inevitável,
pois o agente não tinha condições de ter ou atingir a consciência da ilicitude, eis que se tratava
de pessoa humilde e analfabeta, com 70 anos de idade, residente em zona rural e que sempre
extraiu seu sustento da natureza.

GABARITO: LETRA A

5. (FGV - Alun Of (PM AC)/PM AC/Combatente/2023)

João, sabendo que o seu desafeto, José, passa por determinada rua todos os dias por volta das
19h, ao retornar do trabalho, resolve aguardá-lo em uma esquina, para matá-lo. No horário
mencionado, João vê José e efetua cinco disparos de arma de fogo na direção do desafeto. No
entanto, José não é atingido, mas sim Frederico, que surgiu ali repentinamente, e veio a óbito no
local. Acerca dessa situação, podemos afirmar que João responderá por homicídio

a) doloso consumado em face de Frederico em concurso formal.

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b) doloso tentado, uma vez que os disparos não atingiram a vítima pretendida.

c) doloso consumado em face de Frederico como se tivesse sido contra José.

d) culposo tentado, uma vez que não ocorreu o resultado por ele planejado.

e) culposo consumado em face de Frederico, vítima efetivamente atingida.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, João responderá por homicídio doloso consumado em face de Frederico como se
tivesse sido contra José, eis que se trata de hipótese de erro na execução (aberratio ictus),
respondendo o agente como se tivesse atingido a pessoa que pretendia atingir (teoria da
equivalência), nos termos do art. 73 c/c art. 20, §3º do CP:

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente,
ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa,
responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao
disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a
pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(...)
Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: LETRA C

6. (FGV - JE TJMS/TJ MS/2023)

Eriberto, casado com Filomena, por estar tendo um relacionamento extraconjugal, e desejoso de
viver com a amante, decide matar Filomena. Sabedor de que ela tem o hábito de tomar um copo
de leite de manhã cedo, Eriberto, tarde da noite, adiciona poderoso veneno em sua bebida. Na
manhã seguinte, quando vai se servir do leite envenenado, Filomena o oferece ao filho único do
casal, Júnior, de 7 anos de idade, que, assim como a mãe, bebe o produto. Quando Eriberto
chega na cozinha e encontra a mulher e o filho desfalecidos, aciona o serviço médico de urgência
(SAMU), que logo chega ao local, levando Filomena e Júnior ao hospital. O atendimento médico
evita a morte de Filomena, mas a criança acaba morrendo, em decorrência da intoxicação.

Diante do caso narrado, é correto afirmar que Eriberto:

a) responderá, em concurso material, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior, bem
como por tentativa de feminicídio da vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de
veneno;

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b) responderá, em concurso formal impróprio, por homicídio culposo em relação à morte de


Júnior, podendo vir a ser beneficiado com o perdão judicial, bem como por lesão corporal no
tocante à vítima Filomena, reconhecendo-se a desistência voluntária;

c) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio doloso em relação à morte de Júnior,
com a qualificadora do emprego de veneno e o aumento de pena decorrente de haver praticado
o delito contra pessoa menor de 14 anos de idade, bem como por tentativa de feminicídio da
vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de veneno;

d) responderá, em concurso formal impróprio, por homicídio doloso em relação à morte de


Júnior, com a qualificadora do emprego de veneno e o aumento de pena decorrente de haver
praticado o delito contra pessoa menor de 14 anos de idade, bem como por tentativa de
feminicídio da vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de veneno;

e) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior,
podendo vir a ser beneficiado com o perdão judicial, bem como por lesão corporal qualificada no
tocante à vítima Filomena, reconhecendo-se o arrependimento eficaz.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, houve erro na execução (aberratio ictus) com resultado duplo, pois o agente, por
acidente, acabou atingindo pessoa diversa daquela que pretendia, embora tenha atingido
também a pessoa pretendida. Vejamos:

Art. 73 - Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente,
ao invés de atingir a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa,
responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao
disposto no § 3º do art. 20 deste Código. No caso de ser também atingida a
pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a regra do art. 70 deste
Código. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, responderá em concurso formal pelos crimes cometidos contra Filomena e Júnior. Mas
quais crimes?

Em relação a Júnior, houve um homicídio culposo, mas é possível o reconhecimento do perdão


judicial, pois as consequências da infração atingiram o próprio agente de forma tão grave (morte
do próprio filho) que a sanção penal se mostra desnecessária, nos termos do art. 121, §5º do CP:

Art. 121 (...) § 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de


aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de
forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. (Incluído pela Lei nº
6.416, de 24.5.1977)

No que tange a Filomena, o agente iniciou a execução de um feminicídio (homicídio qualificado


por ter sido praticado contra a mulher por razões da condição do sexo feminino), art. 121, §2º, VI
do CP. Todavia, a questão deixa claro que, após finalizar a execução e ver esposa e filhos caídos
no chão, o próprio agente agiu para tentar impedir o resultado, tendo conseguido evitar a morte
da esposa. Logo, em relação a Filomena deve ser reconhecido o arrependimento eficaz, previsto

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no art. 15 do CP, de forma que o agente não responderá por feminicídio tentado, respondendo
apenas pelos atos já praticados, no caso, lesão corporal qualificada por ser praticada contra a
mulher, por razões da condição do sexo feminino, nos termos do art. 129, §13 do CP.

GABARITO: LETRA E

7. (VUNESP - JE TJRJ/TJ RJ/2023)

Caio e Tício são sócios em uma sociedade empresária. Caio decide matar Tício e, sabedor que
Tício é a primeira pessoa a chegar ao local de trabalho comum pela manhã, planeja uma
emboscada. Caio aguarda Tício e, assim que vislumbra um vulto, que pensa ser o sócio
adentrando a empresa, dispara um projétil de arma de fogo. Posteriormente, verifica-se que o
vulto se tratava de um sequestrador que abordara Tício na porta da empresa e que, no momento
do disparo, mantinha Tício refém, sob arma de fogo. O sequestrador morre em razão do disparo.
Nessas circunstâncias, é correto afirmar que:

a) socorre Caio o exercício regular de direito, pois, mesmo sem ter ciência da ofensa à
integridade de Tício, agiu contra pessoa que invadia os limites de sua empresa, respondendo
apenas por conduta culposa.

b) não se vislumbra reprovação social na conduta de Caio, com o consequente afastamento da


culpabilidade.

c) Caio responderá pela morte do sequestrador, como se contra Tício houvesse atentado.

d) ainda que Caio não tivesse ciência da ação do sequestrador, aplicar-se-á em seu favor a
excludente de ilicitude da legítima defesa de terceiro.

e) a situação equipara Caio ao agente de segurança pública que repele agressão ou risco de
agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, Caio pretendia matar Tício e, por erro sobre a pessoa, acabou acertando o
sequestrador. O erro sobre a pessoa não isenta de pena o agente, que responderá pelo crime
como se tivesse atingido a pessoa que pretendia atingir (teoria da equivalência), nos termos do
art. 20, §3º do CP:

Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Mas, professor, não é possível reconhecer a legítima defesa de terceiro? Não, pois apesar de
Tício estar em situação de agressão injusta atual ou iminente contra sua vida, Caio não atirou
contra o sequestrador para repelir a injusta agressão, pois Caio sequer sabia dessa situação.
Ausente o “conhecimento da situação justificante”, não há que se falar em legítima defesa.

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GABARITO: LETRA C

8. (FGV / 2022 / PCERJ)

Perseu, funcionário da loja Olimpo, tem sua atenção chamada para um telefone celular de última
geração, exibido por Medusa, outra funcionária do estabelecimento. Ciente de que o salário que
ambos recebem não permitiria a aquisição do referido aparelho, Perseu passa a questionar a
origem do bem, sendo informado que Medusa o havia recebido de presente de Teseu, seu
namorado. Perseu, então, monta um plano para furtar o celular, aproveitando o término
antecipado do seu expediente para levar a bolsa de Medusa. Chegando em casa, constata que
no interior da bolsa havia uma carteira com cartões e sem dinheiro, maquiagem, guarda-chuva,
óculos de sol, óculos de grau, fones de ouvido e o carregador do celular, vindo a descobrir, por
terceiros, que o telefone estava em poder de Medusa, permanecendo o tempo todo no bolso
traseiro da sua calça.

Diante do narrado, Perseu:

(A) responderá por furto, por erro acidental;

(B) responderá por furto, por erro na execução do crime;

(C) não responderá por furto, por erro acidental;

(D) não responderá por furto, por erro na execução do crime;

(E) não responderá por furto, por erro de proibição.

COMENTÁRIOS

Nesse caso houve o que se chama de erro sobre o objeto (error in objecto), modalidade de erro
acidental na qual o agente apenas se equivoca quanto ao objeto material do crime, mas isso não
afasta sua responsabilidade penal (ex.: invadir uma casa para furtar um relógio de marca e se
confundir, subtraindo uma réplica).

GABARITO: Letra A

9. (FGV / 2022 / PM-AM)

Durante operação policial, Alberto, ao incursionar por uma viela, se depara com Sérgio portando
um guarda-chuva. Devido à tensão do momento, Alberto pensa que o objeto nas mãos de Sérgio
é uma arma de fogo e, em razão disso, efetua disparo com sua arma, o que leva Sergio a óbito.
Nesse caso, é correto afirmar que a hipótese é de erro de tipo

A) essencial, na modalidade erro provocado por terceiro.

B) acidental, na modalidade erro na execução.

C) acidental, na modalidade erro sobre a pessoa.

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D) essencial, na modalidade erro de tipo permissivo ou delito putativo por erro de tipo.

E) essencial, na modalidade erro de tipo incriminador.

COMENTÁRIOS

Nesse caso houve o que se chama de erro de tipo permissivo, pois houve um erro sobre os
pressupostos fáticos de uma causa de justificação, ou seja, uma situação de descriminante
putativa (no caso, legítima defesa putativa) por erro sobre as circunstâncias fáticas. O agente
policial atuou acreditando que havia uma situação de agressão injusta iminente contra sua vida
(acreditou que havia um criminoso armado prestes a atirar contra o agente policial), motivo pelo
qual atuou com a intenção de repelir a injusta agressão iminente (agressão injusta que NÃO
existia).

Nesse caso, aplica-se o art. 20,§1º do CP:

Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Ou seja, o agente será isento de pena, a menos que se considere que o erro cometido deriva de
culpa (caso se entenda que o agente poderia ter sido mais cauteloso nas circunstâncias), hipótese
na qual será responsabilizado na forma culposa (no caso, homicídio culposo).

Todavia, a letra D, dada como correta, contém um erro. Apesar de se tratar de erro de tipo
permissivo, não se trata de delito putativo por erro de tipo. Delito putativo por erro de tipo
ocorre quando o agente pratica um INDIFERENTE PENAL (conduta sem relevância penal), mas
acredita que está praticando crime (ex.: transporta sal de cozinha acreditando que é cocaína. O
agente acredita estar praticando crime, mas não está praticando conduta típica). Portanto, a
questão deveria ter sido anulada, por não haver resposta correta.

GABARITO: Letra D (ANULÁVEL)

10. (FGV / 2022 / PCERJ)

Em determinado set de filmagens, Hades, produtor técnico, entrega arma de fogo verdadeira,
devidamente municiada, para o ator Ares, fazendo-o acreditar que se trata de arma cenográfica,
sem potencial de efetuar disparos. Já tendo lido o script e presenciado os ensaios, Hades sabia
previamente que, nas cenas que seriam filmadas, Ares deveria apontar a arma para Atena e, após
breve diálogo, efetuar o disparo para a cena fatal. Querendo a morte de Atena, em razão de
desavenças pretéritas, Hades faz a substituição da arma, fornecendo-a diretamente a Ares,
irrogando o famoso “quebre a perna”. Ares efetua o disparo e ceifa a vida de Atena.

Do ponto de vista jurídico-penal:

(A) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como autor e o segundo como
partícipe;

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(B) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como partícipe e o segundo
como autor;

(C) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, como coautores;

(D) Ares responderá por homicídio culposo e Hades por homicídio doloso;

(E) Ares não responderá por crime e Hades responderá por homicídio doloso.

COMENTÁRIOS

Quanto à responsabilização de Hades (agente provocador), não há discussão, na medida em que


se valeu de Ares como mero instrumento para alcançar o resultado, configurando verdadeira
autoria mediata decorrente de erro determinado por terceiro.

Quanto à responsabilização de ARES, o ator que efetuou o disparo, certamente não é possível
sua responsabilização na forma dolosa, eis que incorreu em erro de tipo essencial determinado
por terceiro, o que afasta o dolo, na forma do art. 20 do CP:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Porém, seria possível sua responsabilização na forma culposa?

Tal só seria possível se considerarmos que ARES (agente provocado e mero executor) cometeu
erro evitável pelas circunstâncias, ou seja, que o erro de ARES (o ator) deriva de culpa1. Para
chegarmos a essa conclusão, seria necessário acreditar que ARES possuiria um dever objetivo de
cuidado consistente na obrigação de checar a arma antes de utilizá-la na cena, o que não parece
a solução adequada.2

Pelo princípio da confiança, de crucial aplicação para a perfeita interpretação da existência (ou
não) de um suposto dever objetivo de cuidado, não age com culpa aquele que atua na legítima
expectativa de que os demais envolvidos no evento criminoso agirão dentro da lei, cumprindo
cada um o seu dever.

Assim, hipoteticamente, se numa sala de cirurgia o médico recebe do instrumentador um bisturi


não esterilizado e o utiliza, causando a morte do paciente, naturalmente que o médico não terá
agido com culpa, eis que apenas agiu na legítima expectativa de que o instrumento estava
pronto (e em perfeitas condições) para uso, não sendo razoável imaginar que o médico tivesse a
obrigação de checar se o instrumento havia passado pelo processo de esterilização.

1
MASSON, Cléber. Direito Penal. Vol. 1, Ed. Método – 3º edição, São Paulo/SP, 2009. P. 288
2
CUNHA, Rogério Sanches. Manual de Direito Penal. Parte Geral. 7º edição. Ed. Juspodivm. Salvador, 2015,
p.216/217

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Posto isso, concluir que ARES teria agido com culpa no que tange ao resultado narrado na
questão implicaria dizer que ele deveria ter checado se a arma era verdadeira e estava
municiada, o que não parece adequado.

Nem se pode invocar que ARES deveria saber tratar-se de uma arma real, e não uma arma
cenográfica, eis que nem todas as pessoas possuem conhecimento técnico suficiente para realizar
tal distinção. Diferentemente seria o caso de ARES, além de ator, ser um conhecido entusiasta de
armas, alguém com profundo conhecimento em armas de fogo, e capaz de perceber a diferença
prima facie.

Como a questão não traz qualquer elemento nesse sentido, não há como se admitir que ARES
responda por homicídio culposo.

Inicialmente a Banca considerou (bizarramente) como correta a assertiva que diz que a Hades
responderá por homicídio doloso e Ares responderá por homicídio culposo. Porém, após muita
(legítima) gritaria, inclusive com recurso elaborado pelo Prof. Renan Araujo, o gabarito foi
alterado para a alternativa correta: Ares (o ator) não responderá por crime e Hades responderá
por homicídio doloso.

GABARITO: Letra E

11. (FGV/2021/TJSC/NOTÁRIO)

Hugo, funcionário de estabelecimento comercial, insatisfeito com seu empregador e querendo


causar-lhe prejuízo, devidamente uniformizado e identificado, entrega a Jairo, cliente da loja, um
aparelho celular que estava exposto à venda, dizendo tratar-se de um brinde. Jairo, então, coloca
o aparelho em seu bolso e sai da loja, quando é imediatamente abordado por seguranças do
local, que encontram o objeto em sua posse e o levam à delegacia de polícia, onde foi indiciado
pelo crime de furto.

Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que Jairo:

A) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas com causa de diminuição de pena,
pois agiu em erro de proibição evitável;

B) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas apenas na modalidade culposa, pois
agiu em erro de tipo acidental;

C) não poderá ser punido pelo crime imputado, pois estará isento de pena em razão de erro de
proibição inevitável;

D) não praticou o crime imputado, pois atuou em erro de tipo provocado por terceiro;

E) não praticou o crime imputado, pois atuou em erro de tipo acidental.

COMENTÁRIOS

Quanto à responsabilização Hugo (agente provocador), não há discussão, na medida em que se


valeu de Jairo como mero instrumento para alcançar o resultado (o prejuízo patrimonial ao

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empregador), configurando verdadeira autoria mediata decorrente de erro determinado por


terceiro.

Quanto à responsabilização de Jairo, certamente não é possível sua responsabilização na forma


dolosa, eis que incorreu em erro de tipo essencial determinado por terceiro, o que afasta o dolo,
na forma do art. 20 do CP:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Jairo pegou para si a coisa alheia móvel porque acreditava ser sua (acreditava ter sido agraciado
com um presente).

Logo, Jairo somente poderia ser responsabilizado (na forma culposa) se ficasse evidenciado que
houve pelo menos culpa de sua parte e desde que houvesse punição pelo crime de furto na
forma culposa. Esses requisitos, porém, não estão presentes.

GABARITO: Letra D

12. (FGV/2021/TJRO)

Ao lado das hipóteses de erros essenciais figuram os chamados erros acidentais, que, ao
contrário daqueles, incidem sobre elementos não essenciais à configuração do crime, não
afetando a decisão a respeito da imputação. Uma hipótese de erro acidental é:

A) erro de tipo;

B) erro sobre a pessoa;

C) erro de proibição;

D) descriminantes putativas;

E) erro mandamental.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, apenas o erro sobre a pessoa configura uma hipótese de erro acidental. O erro de
tipo e o erro de proibição configuram outras modalidades de erro. As descriminantes putativas, a
seu turno, podem configurar erro de tipo permissivo ou erro de proibição indireto, não se
tratando de erro acidental.

Por fim, o erro mandamental nada mais é que o erro em crimes omissivos, decorrente do
desconhecimento da norma mandamental (norma que determina o agir, criminalizando a
omissão) ou do desconhecimento das circunstâncias fáticas que obrigariam a atuação do agente
que se omitiu.

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GABARITO: Letra B

13. (FGV/2018/MPE-AL)

Durante uma festa rave, Bernardo, 19 anos, conhece Maria, e, na mesma noite, eles vão para um
hotel e mantém relações sexuais. No dia seguinte, Bernardo é surpreendido pela chegada de
policiais militares no hotel, que realizam sua prisão em flagrante, informando que Maria tinha
apenas 13 anos. Bernardo, então, é encaminhado para a Delegacia, apesar de esclarecer que
acreditava que Maria era maior de idade, devido a seu porte físico e pelo fato de que era
proibida a entrada de menores de 18 anos na festa rave. Diante da situação narrada, Bernardo
agiu em

A) erro de tipo, tornando a conduta atípica.

B) erro de tipo, afastando o dolo, mas permitindo a punição pelo crime de estupro de vulnerável
culposo.

C) erro de proibição, afastando a culpabilidade do agente pela ausência de potencial


conhecimento da ilicitude.

D) erro sobre a pessoa, tornando a conduta atípica.

E) erro de tipo permissivo, gerando causa de redução de pena.

COMENTÁRIOS

Em tese, Bernardo teria praticado o delito do art. 217-A do CP (estupro de vulnerável), por ter
mantido relação sexual com pessoa menor de 14 anos. Contudo, no caso concreto, podemos
afirmar que o agente agiu em erro de tipo essencial, pois representou equivocadamente a
realidade (acreditava que Maria tivesse mais de 14 anos), incorrendo em erro sobre um dos
elementos que integram o tipo penal (ser a vítima menor de 14 anos), nos termos do art. 20 do
CP.

Logo, não será punido na forma dolosa. Seria possível a punição na forma culposa se: a)
pudéssemos considerar tratar-se de erro evitável; b) houvesse o tipo penal de estupro de
vulnerável na forma culposa. Ainda que o primeiro requisito pudesse estar presente, o segundo
certamente não está, logo, a conduta de Bernardo será necessariamente considerada atípica.

GABARITO: Letra A

14. (FGV/2020/MPE-RJ)

Thiago, pessoa financeiramente humilde, alugou uma bicicleta avaliada em R$ 2.000,00 pelo
período de 2 (duas) horas para ir até uma entrevista de emprego. Após a entrevista, chateado por
não ter conseguido a vaga pretendida, acabou por pegar a bicicleta de outra pessoa que estava
estacionada no mesmo local, acreditando ser a que alugara. Apesar de o modelo e o valor da
bicicleta serem idênticos ao da que havia alugado, as cores eram diferentes. Cinco minutos

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depois, Thiago veio a ser abordado por policiais militares que souberam dos fatos, sendo
indiciado, em sede policial, pela prática do crime de furto simples doloso.

No momento do oferecimento da denúncia, o promotor de justiça deverá concluir que a conduta


de Thiago é:

A) típica, mas deverá ser reconhecida causa de diminuição de pena em razão do erro de
proibição, que não era inevitável;

B) típica, mas deverá ser imputado o crime contra o patrimônio de natureza culposa, já que o erro
de tipo era evitável;

C) atípica, em razão do reconhecimento do princípio da insignificância;

D) atípica, diante do erro de proibição;

E) atípica, diante do erro de tipo.

COMENTÁRIOS

Nesse caso o agente subtraiu para si coisa alheia móvel, o que configuraria furto (art. 155 do CP).
Porém, podemos afirmar que o agente agiu em erro de tipo essencial, pois representou
equivocadamente a realidade (acreditava ser sua a coisa que pegou), incorrendo em erro sobre
um dos elementos que integram o tipo penal (“coisa alheia”), nos termos do art. 20 do CP.

Como não existe punição para o crime de furto na forma culposa, ainda que se se tratasse de
erro evitável, o agente não seria responsabilizado criminalmente. Logo, sua conduta é atípica.

GABARITO: Letra E

15. (FGV/2021/FUNSAÚDE)

Durante operação policial em localidade com presença de criminosos armados, o policial


Jonathan, temendo pela sua integridade física e de seus colegas policiais, se assusta ao ver sair
de uma casa um homem segurando um guarda-chuva com ponta metálica.

Por pensar tratar-se de uma arma de fogo e não de um guarda-chuva, Jonathan atira e vem a
matar a vítima, Caio, que saía de casa em direção ao trabalho.

Acerca do erro praticado por Jonathan, assinale a opção que indica a tese de direito material que
poderia ser usada em sua defesa.

A) Erro de proibição, que, se for entendido como inevitável, isenta de pena e se for evitável
poderá reduzi-la de um sexto a um terço, nos termos do Art. 21 do CP.

B) Erro de tipo incriminador, na medida em que errou sobre um elemento constitutivo do crime, o
que poderia, nos termos do Art. 20, caput, do CP, afastar o dolo e permitir a punição por crime
culposo, que existe no caso do homicídio.

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C) Erro na execução, na medida em que pensou que Caio estivesse portando uma arma de fogo,
o que faz com que ele seja isento de pena, nos termos do Art. 73 do CP.

D) Erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar
diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima. Se o erro for tido como
justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável, responderá pelo crime na
modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.

E) Erro sobre o objeto, modalidade de erro acidental na qual o agente confunde um objeto com
outro, o que poderá isentar o réu de pena.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, o agente policial agiu acreditando estar atuando em legítima defesa, pois imaginou
tratar-se de um criminoso armado e, portanto, imaginou haver situação fática (agressão injusta
iminente) que autorizaria sua conduta (autorizaria a legítima defesa).

Houve, portanto, legítima defesa putativa. No caso, uma descriminante putativa por erro sobre as
circunstâncias fáticas.

Assim, houve o que se chama de erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na
medida em que acreditava estar diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação
legítima. Se o erro for tido como justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como
evitável, responderá pelo crime na modalidade culposa, legalmente prevista no caso do
homicídio:

Art. 20 (...) § 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: Letra D

16. (FGV / 2019 / OAB)

Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após realizado o parto, ela, sob influência do
estado puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no intuito de matar Davi. No entanto,
pensando tratar-se de seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho recém-nascido do casal
Marta e Rogério, causando-lhe a morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo crime
de homicídio qualificado pela asfixia com causa de aumento de pena pela idade da vítima.

Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de Regina, em alegações finais da primeira
fase do procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer

A) o afastamento da qualificadora, devendo Regina responder pelo crime de homicídio simples


com causa de aumento, diante do erro de tipo.

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B) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, não podendo ser
reconhecida a agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser descendente da agente.

C) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro na execução (aberratio ictus),


podendo ser reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são
consideradas as características de quem se pretendia atingir.

D) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, podendo ser
reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as
características de quem se pretendia atingir.

COMENTÁRIOS

Nesse caso, houve erro sobre a pessoa (error in persona), modalidade de erro acidental prevista
no art. 20, §3º do CP:

Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Não há que se falar em erro na execução (aberratio ictus), pois a execução foi perfeitamente
realizada. O erro ocorre antes da execução, no momento da representação da vítima, da
visualização de quem seria o alvo da conduta.

Logo, pela teoria da equivalência, devemos considerar as condições da vítima visada (e não as da
vítima atingida). Assim, Regina responderá como se tivesse matado o próprio filho.

Quando a mãe, sob a influência do estado puerperal, mata o próprio filho, durante o parto ou
logo após, há crime de infanticídio (art.123 do CP) e não homicídio. Deve haver, portanto, a
desclassificação para infanticídio.

Porém, não será aplicada a agravante de ter sido o crime praticado contra descendente (art. 61,
II, “e” do CP), pois tal circunstância já é elemento do tipo, e sua consideração também como
agravante no infanticídio geraria bis in idem, ou seja, dupla punição pelo mesmo
fato/circunstância.

GABARITO: Letra B

17. (FGV – 2019 – DPE-RJ – TÉCNICO JURÍDICO)

Ao final das comemorações da noite de Natal com sua família, Paulo, quando deixava o local,
acabou por levar consigo o presente do seu primo Caio, acreditando ser o seu, tendo em vista
que as caixas dos presentes eram idênticas. Após perceber o sumiço do seu presente e
acreditando ter sido vítima de crime patrimonial, Caio compareceu à Delegacia para registrar o
ocorrido, ocasião em que foram ouvidas testemunhas presenciais, que afirmaram ter visto Paulo
sair com aquele objeto. Paulo, ao tomar conhecimento da investigação, compareceu em sede

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policial e indicou onde o objeto estava, sendo o bem apreendido no dia seguinte em sua
residência. Preocupado com sua situação jurídica, Paulo procurou a Defensoria Pública.

Sob o ponto de vista jurídico, sua conduta impõe o reconhecimento de que:

A) ocorreu erro de proibição, afastando a culpabilidade ou gerando causa de redução de pena, a


depender de ser considerado vencível ou invencível;

B) foi praticado crime de furto, mas deverá ser reconhecida a causa de diminuição de pena do
arrependimento posterior;

C) houve erro sobre a pessoa, devendo ser consideradas as características daquele que se
pretendia atingir;

D) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja considerada
atípica;

E) houve erro na execução (aberratio ictus), logo a conduta deverá ser considerada atípica.

COMENTÁRIOS

Neste caso, houve erro DE TIPO. O agente (Paulo) sabe que subtrair coisa alheia móvel é crime
(não há, portanto, erro sobre a ilicitude da conduta). Todavia, Paulo acredita que está pegando
coisa própria, e não coisa alheia. Veja, portanto, que o erro de Paulo incide sobre um dos
elementos do tipo (o elemento “coisa alheia”, já que acredita ser coisa própria). Assim, temos
erro de tipo.

GABARITO: LETRA D

18. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) Pedro, jovem rebelde, sai à procura de
Henrique, 24 anos, seu inimigo, com a intenção de matá-lo, vindo a encontrá-lo conversando
com uma senhora de 68 anos de idade. Pedro saca sua arma, regularizada e cujo porte era
autorizado, e dispara em direção ao rival. Ao mesmo tempo, a senhora dava um abraço de
despedida em Henrique e acaba sendo atingida pelo disparo. Henrique, que não sofreu
qualquer lesão, tenta salvar a senhora, mas ela falece.

Diante da situação narrada, em consulta técnica solicitada pela família, deverá ser esclarecido
pelo advogado que a conduta de Pedro, de acordo com o Código Penal, configura

A) crime de homicídio doloso consumado, apenas, com causa de aumento em razão da idade da
vítima.

B) crime de homicídio doloso consumado, apenas, sem causa de aumento em razão da idade da
vítima.

C) crimes de homicídio culposo consumado e de tentativa de homicídio doloso em relação a


Henrique.

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D) crime de homicídio culposo consumado, sem causa de aumento pela idade da vítima.

COMENTÁRIOS

No presente caso tivemos um homicídio doloso consumado, pois houve erro na execução, na
forma do art. 73 do CP. Não há aumento de pena em razão da agravante de ter sido praticado
contra pessoa idosa, pois consideram-se as condições pessoais da vítima visada, e não as da
vítima atingida, nos termos do art. 73 c/c art. 20, §3º do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

19. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Tony, a pedido de um colega, está
transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter conhecimento que
estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro lado, José
transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois acreditava que poderia ter
pequena quantidade do material em sua posse para fins medicinais.

Ambos foram abordados por policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela
prática do crime de tráfico de entorpecentes.

Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony e José deverá alegar em


favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de

A) erro de tipo, nos dois casos.

B) erro de proibição, nos dois casos.

C) erro de tipo e erro de proibição.

D) erro de proibição e erro de tipo.

COMENTÁRIOS

No primeiro caso temos erro de tipo, previsto no art. 20 do CP, pois o agente praticou o fato
típico por incidir em ERRO sobre um dos elementos do tipo penal (substância entorpecente), já
que acredita que não se tratava de substância entorpecente, e sim de remédio.

No segundo caso tivemos erro de proibição, pois o agente sabia exatamente o que estava
carregando, mas acreditava que sua conduta era lícita perante o Direito Penal, ou seja, trata-se
de um erro sobre a existência ou limites da norma penal. Portanto, ERRO DE PROIBIÇÃO, nos
termos do art. 21 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

20. (FGV - 2016 - OAB - XX EXAME DE ORDEM) Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa
10 e melhor jogador de futebol do time Bola Cheia, seu adversário no campeonato do bairro.
No dia de um jogo do Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador com a camisa 10 do
time rival. Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de arma de fogo, mas, na verdade,

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aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo, adolescente que substituiria Ronaldo naquele jogo.
Em virtude dos disparos, Rodrigo faleceu. Considerando a situação narrada, assinale a opção
que indica o crime cometido por Wellington.

A) Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois houve erro na


execução.

B) Homicídio consumado, considerando-se as características de Rodrigo.

C) Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois houve erro sobre a


pessoa.

D) Tentativa de homicídio contra Ronaldo e homicídio culposo contra Rodrigo.

COMENTÁRIOS

No caso em tela, temos o fenômeno do erro sobre a pessoa, previsto no art. 20, §3º do CP. Neste
caso, o agente responde pelo crime de acordo com as características da vítima pretendida, e não
de acordo com as características da vítima atingida. Assim, Wellington responderá por homicídio
doloso consumado, considerando-se as características pessoais de Ronaldo, a vítima visada.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

21. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) Pedro e Paulo bebiam em um bar da cidade
quando teve início uma discussão sobre futebol. Pedro, objetivando atingir Paulo, desfere contra
ele um disparo que atingiu o alvo desejado e também terceira pessoa que se encontrava no
local, certo que ambas as vítimas faleceram, inclusive aquela cuja morte não era querida pelo
agente.

Para resolver a questão no campo jurídico, deve ser aplicada a seguinte modalidade de erro:

A) erro sobre a pessoa.

B) aberratio ictus.

C) aberratio criminis.

D) erro determinado por terceiro.

COMENTÁRIOS

Neste caso ocorreu aberratio ictus, ou erro na execução, pois em virtude de acidente o agente
atingiu pessoa diversa daquela que pretendia atingir (embora também tenha atingido a vítima
visada, motivo pelo qual responderá pelos dois delitos em concurso formal, nos termos do art. 73
c/c art. 70 do CP).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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22. (FGV – 2014 – OAB – XIV EXAME DE ORDEM) Eslow, holandês e usuário de maconha,
que nunca antes havia feito uma viagem internacional, veio ao Brasil para a Copa do Mundo.
Assistindo ao jogo Holanda x Brasil decidiu, diante da tensão, fumar um cigarro de maconha nas
arquibancadas do estádio. Imediatamente, os policiais militares de plantão o prenderam e o
conduziram à Delegacia de Polícia. Diante do Delegado de Polícia, Eslow, completamente
assustado, afirma que não sabia que no Brasil a utilização de pequena quantidade de maconha
era proibida, pois, no seu país, é um hábito assistir a jogos de futebol fumando maconha.

Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a principal tese defensiva.

a) Eslow está em erro de tipo essencial escusável, razão pela qual deve ser absolvido.

b) Eslow está em erro de proibição direto inevitável, razão pela qual deve ser isento de pena.

c) Eslow está em erro de tipo permissivo escusável, razão pela qual deve ser punido pelo crime
culposo.

d) Eslow está em erro de proibição, que importa em crime impossível, razão pela qual deve ser
absolvido.

COMENTÁRIOS

Na hipótese narrada o agente se encontra em ERRO DE PROIBIÇÃO, pois incidiu em erro sobre a
existência de norma incriminadora. Quanto a ser, ou não, um erro evitável, trata-se de uma
questão mais nebulosa. O enunciado, contudo, tenta deixar claro que o agente, de fato, não
sabia e nem poderia saber da proibição, já que é pessoa que nunca viajou para fora da Holanda,
etc. Assim, o enunciado deixa transparecer que se trata de erro de proibição inevitável e, sendo
assim, o agente fica isento de pena, por força do art. 21 do CP.

Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

23. (FGV - 2012 - PC-MA - DELEGADO DE POLÍCIA) Acerca da culpabilidade no estudo da


teoria do crime, assinale a afirmativa incorreta.

a) Para a teoria normativa que surgiu com o finalismo, houve a migração do dolo e da culpa para
a tipicidade, passando a culpabilidade a ser um juízo de valor que se faz sobre a conduta típica e
ilícita.

b) No tocante a imputabilidade, o Código Penal adotou o critério biopsicológico, sendo


indispensável que a causa geradora da inimputabilidade esteja presente no momento da
conduta.

c) No erro de proibição o erro recai sobre a ilicitude do fato, imaginando o agente ser lícito o que
é ilícito, podendo atenuar a culpabilidade, nunca, porém, a excluindo.

d) Para a teoria limitada da culpabilidade, o erro de tipo permissivo exclui o dolo; se o erro for
vencível há crime culposo se previsto em lei.

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e) A coação moral irresistível pode ser exercida diretamente sobre o agente ou sobre um terceiro,
somente respondendo o autor da coação.

COMENTÁRIOS

A) CORRETA: A teoria normativa da culpabilidade surgiu para atender à teoria finalista do delito,
de forma que o dolo e a culpa foram transferidos da culpabilidade para o fato típico, restando a
culpabilidade como uma análise meramente normativa, um juízo de valor a respeito da conduta
do agente, à luz da norma penal;

B) CORRETA: O item está correto, pois o CP adotou o critério biopsicológico no que tange à
imputabilidade penal, devendo, no caso de inimputabilidade por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, a causa geradora da inimputabilidade estar
presente quando da realização da conduta. Apenas uma ressalva quanto a este item: O CP
também adotou o critério meramente biológico quanto à inimputabilidade, ao determinar que os
menores de 18 anos são inimputáveis;

C) ERRADA: O item está errado, pois embora a definição de erro de proibição esteja correta, o
item erra ao afirmar que o erro de proibição nunca poderá excluir a culpabilidade, pois o erro de
proibição, quando inevitável, exclui a culpabilidade, na forma do art. 21 do CP:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

D) CORRETA: O item está correto, pois a teoria limitada da culpabilidade distingue as


descriminantes putativas em “de fato” e “de direito”. Esta teoria fora adotada pelo CP. Assim, no
erro de tipo permissivo, o agente fica isento de pena, caso se trate de erro inevitável. Caso se
trate de erro evitável, o agente responderá pelo delito na forma culposa (como punição por sua
falta de cuidado), conforme prevê o art. 20 do CP:

Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

E) CORRETA: A coação moral irresistível, que é causa de exclusão da culpabilidade, pode ser
exercida diretamente sobre o agente ou sobre um terceiro. O que importa, aqui, é que a coação
tenha por finalidade atingir o agente, influenciando na sua tomada de decisão.

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Portanto, A ALTERNATIVA INCORRETA É A LETRA C.

24. (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB) Jaime, brasileiro, passou a morar em um país
estrangeiro no ano de 1999. Assim como seu falecido pai, Jaime tinha por hábito sempre levar
consigo acessórios de arma de fogo, o que não era proibido, levando-se em conta a legislação
vigente à época, a saber, a Lei n. 9.437/97. Tal hábito foi mantido no país estrangeiro que, em
sua legislação, não vedava a conduta. Todavia, em 2012, Jaime resolve vir de férias ao Brasil.
Além de matar as saudades dos familiares, Jaime também queria apresentar o país aos seus dois
filhos, ambos nascidos no estrangeiro. Ocorre que, dois dias após sua chegada, Jaime foi preso
em flagrante por portar ilegalmente acessório de arma de fogo, conduta descrita no Art. 14 da
Lei n. 10.826/2003, verbis : “Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda
ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar”.

Nesse sentido, podemos afirmar que Jaime agiu em hipótese de

A) erro de proibição direto.

B) erro de tipo essencial.

C) erro de tipo acidental.

D) erro sobre as descriminantes putativas.

COMENTÁRIOS

Partindo-se da premissa de que, de fato, Jaime não sabia que sua conduta era prevista como
crime, temos um caso de erro de proibição direto, pois recai sobre a potencial consciência da
ilicitude do fato em abstrato.

Nos termos do art. 21 do CP:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

25. (FGV - 2010 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira Fase (Fev/2011) Joaquim,
desejoso de tirar a vida da própria mãe, acaba causando a morte de uma tia (por confundi-la
com aquela). Tendo como referência a situação acima, é correto afirmar que Joaquim incorre em
erro

A) de tipo essencial escusável – inevitável – e deverá responder pelo crime de homicídio sem a
incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (haja vista que a vítima, de
fato, não era a sua genitora).

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B) de tipo acidental na modalidade error in persona e deverá responder pelo crime de homicídio
com a incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (mesmo que a
vítima não seja, de fato, a sua genitora).

C) de proibição e deverá responder pelo crime de homicídio qualificado pelo fato de ter
objetivado atingir ascendente (preserva-se o dolo, independente da identidade da vítima).

D) de tipo essencial inescusável – evitável –, mas não deverá responder pelo crime de homicídio
qualificado, uma vez que a pessoa atingida não era a sua ascendente.

COMENTÁRIOS

No caso em tela, Joaquim praticou o que se chama de crime por erro sobre a pessoa, na medida
em que visualizou mal a vítima, mas acertou na execução. Nesse caso, o CP determina que o
agente seja punido pelo crime que tentou em relação à pessoa visada, e não em relação à
pessoa efetivamente atingida. Vejamos:

Art. 20 (...)

§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de


pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima,
senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a afirmativa CORRETA É A LETRA B.

26. (FGV – 2013 – OAB – XII EXAME DE ORDEM) Bráulio, rapaz de 18 anos, conhece Paula
em um show de rock, em uma casa noturna. Os dois, após conversarem um pouco, resolvem
dirigir-se a um motel e ali, de forma consentida, o jovem mantém relações sexuais com Paula.
Após, Bráulio descobre que a moça, na verdade, tinha apenas 13 anos e que somente
conseguira entrar no show mediante apresentação de carteira de identidade falsa.

A partir da situação narrada, assinale a afirmativa correta.

A) Bráulio deve responder por estupro de vulnerável doloso.

B) Bráulio deve responder por estupro de vulnerável culposo.

C) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de tipo essencial.

D) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de proibição direto.

COMENTÁRIOS

Em tese, Bráulio praticou o delito do art. 217-A do CP (estupro de vulnerável), por ter mantido
relação sexual com pessoa menor de 14 anos. Contudo, no caso concreto, podemos afirmar que
Bráulio agiu em erro de tipo essencial, pois representou equivocadamente a realidade (acreditava

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que Paula tivesse mais de 14 anos), incorrendo em erro sobre um dos elementos que integram o
tipo penal (ser a vítima menor de 14 anos), nos termos do art. 20 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

27. (FGV – 2010 – OAB – II EXAME DE ORDEM) Arlete, em estado puerperal, manifesta a
intenção de matar o próprio filho recém-nascido. Após receber a criança no seu quarto para
amamentá-la, a criança é levada para o berçário. Durante a noite, Arlete vai até o berçário, e,
após conferir a identificação da criança, a asfixia, causando a sua morte. Na manhã seguinte, é
constatada a morte por asfixia de um recém-nascido, que não era o filho de Arlete.

Diante do caso concreto, assinale a alternativa que indique a responsabilidade penal da mãe.

(A) Crime de homicídio, pois, o erro acidental não a isenta de reponsabilidade.

(B) Crime de homicídio, pois, uma vez que o art. 123 do CP trata de matar o próprio filho sob
influência do estado puerperal, não houve preenchimento dos elementos do tipo.

(C) Crime de infanticídio, pois houve erro quanto à pessoa.

(D) Crime de infanticídio, pois houve erro ssencial.

COMENTÁRIOS

No caso narrado no enunciado Arlete deverá responder pelo delito de infanticídio, previsto no
art. 123 do CP. Isso porque houve o que se chama de ERRO SOBRE A PESSOA, ou seja, Arlete
representou equivocadamente a realidade, agindo contra o filho de outra pessoa, acreditando
que estava praticando a conduta contra o próprio filho. Em casos tais, o agente responde pelo
delito como se tivesse atingido a pessoa que, de fato, pretendia atingir, nos termos do art. 20,
§3º do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA C.

28. (FCC – 2019 – DPE-SP – DEFENSOR)

Daniel, com 18 anos de idade, conhece Rebeca, com 13 anos de idade, em uma festa e a
convida para sair. Os dois começam a namorar e, cerca de 6 meses depois, Rebeca decide perder
a virgindade com Daniel. O rapaz, mesmo sabendo da idade da jovem e da proibição legal de
praticar conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos, ainda que com seu
consentimento, mantém relação sexual com Rebeca, acreditando que o fato de namorarem seria
uma causa de justificação que tornaria a sua conduta permitida, causa essa que, na verdade, não
existe. Ocorre que os pais de Rebeca, ao descobrirem sobre o relacionamento de sua filha com
Daniel, comunicaram os fatos à polícia. Daniel é denunciado pelo delito de estupro de vulnerável
e a defesa alega que ele agiu em erro. De acordo com a teoria limitada da culpabilidade, Daniel
incorreu em erro

A) de tipo.

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B) sobre a pessoa.

C) de proibição direto.

D) de proibição indireto.

E) de tipo permissivo.

COMENTÁRIOS

Aqui temos a figura do erro de proibição indireto. O agente sabe que sua conduta está prevista
na lei como um fato típico (não há erro de proibição DIRETO, portanto). Todavia, apesar de ter
conhecimento disso, o agente acredita que, nas circunstâncias, existe na lei uma causa de
justificação para sua conduta, ou seja, que existe na lei uma excludente de ilicitude em seu favor
(que não existe, não tem previsão legal).

GABARITO: Letra A

29. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) O erro sobre elementos
do tipo, previsto no artigo 20 do Código Penal,

a) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

b) sempre isenta o agente de pena.

c) não isenta o agente de pena, mas esta será diminuída de um sexto a um terço.

d) não tem relevância na punição do agente, pois o desconhecimento da lei é inescusável.

e) se inevitável, isenta o agente de pena; se evitável, poderá diminuir a pena de um sexto a um


terço.

COMENTÁRIOS

O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui dolo e também exclui qualquer
possibilidade de punição a título de culpa, caso se trate de erro inevitável; em se tratando de
erro de tipo evitável, será possível a punição a título culposo, desde que haja previsão legal.
Vejamos o art. 20 do CP:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

GABARITO: Letra A

30. (FCC – 2018 – DPE-AM – DEFENSOR PÚBLICO) No Direito Penal brasileiro, o erro

a) sobre os elementos do tipo impede a punição do agente, pois exclui a tipicidade subjetiva em
todas as suas formas

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b) determinado por terceiro faz com que este responda pelo crime.

c) sobre a pessoa leva em consideração as condições e qualidades da vítima para fins de


aplicação da pena.

d) de proibição exclui o dolo, tornando a conduta atípica.

e) sobre a ilicitude do fato isenta o agente de pena quando evitável.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois o erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui
dolo e também exclui qualquer possibilidade de punição a título de culpa, caso se trate de erro
inevitável; TODAVIA, em se tratando de erro de tipo EVITÁVEL, será possível a punição a título
culposo, desde que haja previsão legal. Vejamos o art. 20 do CP:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

b) CORRETA: Item correto, nos termos do art. 20, §2º do CP:

Art. 20 (...) § 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. (Redação
dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

c) ERRADA: Item errado, pois em havendo erro sobre a pessoa, devem ser consideradas as
condições pessoais da vítima VISADA e não as condições da vítima efetiva, na forma do art. 20,
§3º do CP:

Art. 20 (...) § 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não
isenta de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

d) ERRADA: Item errado, pois o erro de proibição não afasta o dolo. Afasta a culpabilidade, se
inevitável; se evitável, é apenas causa de diminuição de pena, nos termos do art. 21 do CP.

e) ERRADA: Item errado, pois o erro de proibição afasta a culpabilidade (isenta de pena) somente
e for um erro inevitável; se evitável, é apenas causa de diminuição de pena, nos termos do art. 21
do CP.

GABARITO: Letra B

31. (FCC – 2018 – DPE-AM – ANALISTA) O erro de tipo, no Direito Penal,

a) exclui a culpabilidade subjetiva, impedindo a punição do agente.

b) quando escusável, permite a punição por crime culposo.

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c) é incabível em crimes hediondos e equiparados.

d) é inescusável nos crimes da Lei de Drogas, no desconhecimento da lei penal.

e) incide sobre o elemento constitutivo do tipo e exclui o dolo.

COMENTÁRIOS

O erro de tipo (erro sobre os elementos constitutivos do tipo legal) exclui o dolo e a culpa, se for
um erro inevitável (escusável ou desculpável); em se tratando de erro de tipo evitável (inescusável
ou indesculpável), afasta-se a punição a título doloso, mas permite-se a punição a título culposo,
se houver previsão legal, na forma do art. 20 do CP:

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

32. (FCC – 2017 – POLITEC-AP – PERITO MÉDICO LEGISTA) Após uma discussão em um bar,
Pedro decide matar Roberto. Para tanto, dirige-se até sua residência onde arma-se de um
revólver. Ato contínuo, retorna ao estabelecimento e efetua um disparo em direção a Roberto.
Contudo, erra o alvo, atingindo Antônio, balconista que ali trabalhava, ferindo-o levemente no
ombro. Diante do caso hipotético, Pedro praticou, em tese, o(s) crime(s) de

a) lesão corporal leve.

b) lesão corporal culposa.

c) homicídio tentado e lesão corporal leve.

d) lesão corporal culposa e tentativa de homicídio.

e) homicídio na forma tentada.

COMENTÁRIOS

Neste caso houve erro na execução (aberratio ictus), de maneira que o agente responderá como
se tivesse atingido a pessoa que efetivamente pretendia atingir, na forma do art. 73 do CP, c/c
art. 20, §3º do CP. Neste caso, é irrelevante que o agente não tivesse dolo de matar em relação à
vítima ATINGIDA. Assim, responderá por tentativa de homicídio (homicídio na forma tentada).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

33. (FCC – 2015 – TCM-GO – PROCURADOR) A respeito das causas excludentes da


culpabilidade, é correto afirmar que

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a) o desconhecimento da lei nos crimes culposos isenta o agente de pena.

b) o erro invencível sobre a ilicitude do fato não isenta o réu de pena.

c) na coação moral irresistível o coator responde por dolo e o coacto por culpa.

d) as descriminantes putativas excluem a culpabilidade.

e) na obediência hierárquica é dispensável a existência de relação de direito público entre


superior e subordinado.

COMENTÁRIOS

a) ERRADA: Item errado, pois o desconhecimento da lei é inescusável. Em havendo erro de


proibição ESCUSÁVEL o agente ficará isento de pena, nos termos do art. 21 do CP.

b) ERRADA: Item errado, pois em havendo erro de proibição ESCUSÁVEL (invencível) o agente
ficará isento de pena, nos termos do art. 21 do CP.

c) ERRADA: Item errado, pois na coação moral irresistível só responde o coator, nos termos do
art. 22 do CP.

d) CORRETA: As descriminantes putativas podem ser de fato ou de direito, ou seja, podem estar
relacionadas aos pressupostos objetivos de uma causa de justificação (erro de fato) ou sobre a
existência e limites da própria causa de justificação (erro de direito). Pela teoria limitada da
culpabilidade, adotada pelo CP, as primeiras recebem tratamento similar ao destinado ao erro de
tipo, e as segundas recebem o mesmo tratamento destinado ao erro de proibição. Isso não
significa, contudo, que as descriminantes putativas por erro de fato sejam SINÔNIMO de erro de
tipo. Não se trata de erro de tipo, pois o agente não comete qualquer equívoco quando aos
elementos que integram o tipo. Trata-se de erro quando à existência fática de uma excludente de
ilicitude, mas que por questões de política criminal recebe tratamento similar ao destinado ao
erro de tipo (o agente fica isento de pena se o erro é escusável ou responde na modalidade
culposa, se prevista em lei, caso o erro seja inescusável).

e) ERRADA: Item errado, pois tal relação é indispensável para a configuração da obediência
hierárquica.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

34. (FCC – 2015 – DPE-MA – DEFENSOR PÚBLICO) Se o agente oferece propina a um


empregado de uma sociedade de economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada
com interesse exclusivamente particular, incide em

a) erro sobre a pessoa.

b) descriminante putativa.

c) erro de tipo.

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d) erro sobre a ilicitude do fato inevitável.

e) erro sobre a ilicitude do fato evitável.

COMENTÁRIOS

Se o agente ignora a condição de funcionário público do agente, pode-se afirmar que ocorreu,
no caso em tela, ERRO DE TIPO (erro sobre um dos elementos que compõem o tipo penal),
previsto no art. 20 do CP.

Portanto, a ALTERNATIAVA CORRETA É A LETRA C.

35. (FCC – 2015 - TCE-CE - Procurador de Contas) A diferença entre erro sobre elementos do
tipo e erro sobre a ilicitude do fato reside na circunstância de que

a) o erro de tipo exclui a culpabilidade, o de fato a imputabilidade.

b) o erro de tipo exclui o dolo, o de fato a culpabilidade.

c) o erro de tipo exclui a reprovabilidade da conduta, o de fato o elemento do injusto.

d) o erro de tipo exclui o dolo, o de fato a invencibilidade do erro.

e) a discriminante putativa é o que distingue o erro de tipo do erro de fato.

COMENTÁRIOS

O erro de tipo escusável exclui o dolo, afastando-se, portanto, o fato típico (já que o dolo é
elemento da conduta, que é elemento do fato típico), nos termos do art. 20 do CP. Em se
tratando de erro inescusável se admite a punição a título de culpa, se houver previsão legal.

Em relação ao erro sobre a ilicitude do fato, ou erro de proibição, caso escusável (desculpável),
exclui a culpabilidade do agente. Se inescusável, diminui a pena imposta, nos termos do art. 21
do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

36. (FCC – 2015 - TJ-PE - JUIZ SUBSTITUTO) Em matéria de erro, correto afirmar que

a) o erro sobre a ilicitude do fato exclui a culpabilidade, por não exigibilidade de conduta diversa

b) o erro sobre elemento constitutivo do tipo penal não exclui a possibilidade de punição por
crime culposo.

c) o erro sobre a ilicitude do fato, se evitável, isenta de pena.

d) o erro sobre elemento constitutivo do tipo penal exclui a culpabilidade.

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e) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena, considerando-se
as condições ou qualidades da vítima, e não as da pessoa contra quem o agente queria praticar o
crime.

COMENTÁRIOS

O erro de tipo (erro sobre elemento constitutivo do tipo penal) exclui o dolo, mas permite a
punição a título culposo, caso se trate de erro indesculpável e o tipo penal admita punição na
forma culposa, nos termos do art. 20 do CP.

O erro sobre a ilicitude do fato (erro de proibição) isenta de pena (exclui a culpabilidade pela
ausência de potencial consciência da ilicitude, se desculpável. Em se tratando de erro
indesculpável, o agente não fica isento de pena, mas terá a pena diminuída, nos termos do art.
21 do CP.

Por fim, em caso de erro sobre a pessoa o agente NÃO fica isento de pena. Todavia devem ser
consideradas as condições pessoais da vítima visada, não da vítima atingida, nos termos do art.
20, §3º do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

37. (FCC – 2015 – TJ-SE – JUIZ) A, cidadão americano, vem para o Brasil em férias, trazendo
alguns cigarros de maconha. Está ciente que mesmo em seu país o consumo da substância não é
amplamente permitido, mas, como possui câncer em fase avançada, possui receita médica
emitida por especialista americano para utilizar substâncias que possuam THC. Ao passar pelo
controle policial do aeroporto, é detido pelo crime de tráfico de drogas. Nesta situação, é
possível alegar que A encontrava-se em situação de erro de:

a) tipo.

b) tipo permissivo.

c) proibição direto.

d) proibição indireto.

e) tipo indireto.

COMENTÁRIOS

Neste caso o agente incorreu em erro sobre a existência ou limites de uma causa de justificação.
Trata-se, portanto, de erro NORMATIVO, erro sobre a existência (em abstrato) de uma norma
permissiva (que existe em seu país de origem). Trata-se, portanto, de erro de proibição indireto.
Não se trata de erro de proibição direto porque o agente conhece a norma que criminaliza a
conduta, mas acredita que há outra norma excepcionando o caráter criminoso.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

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38. (FCC – 2015 – TRT9 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Maria, a fim de cuidar do machucado de
seu filho que acabou de cair da bicicleta, aplica sobre o ferimento da criança ácido corrosivo,
pensando tratar-se de uma pomada cicatrizante, vindo a agravar o ferimento. A situação descrita
retrata hipótese tratada no Código Penal como:

a) erro de proibição.

b) erro na execução.

c) estado de necessidade.

d) exercício regular de direito.

e) erro de tipo.

COMENTÁRIOS

Neste caso, Maria incidiu em erro de tipo, pois incorreu em erro sobre as circunstâncias fáticas,
de maneira que acabou por causar lesões corporais em seu filho sem que tivesse o dolo de
provocar tal resultado. Caso se verifique que se tratou de erro indesculpável, poderá responder
por lesão corporal na forma culposa, nos termos do art. 20 do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

39. (FCC – 2015 – TCE-AM – AUDITOR) O erro sobre a pessoa contra a qual o crime é
praticado

a) não isenta de pena o agente.

b) exclui o dolo.

c) exclui o dolo, mas prevalece a culpa.

d) não isenta de pena o agente, porém deve sempre ser considerado na sentença.

e) é um crime impossível

COMENTÁRIOS

O erro sobre a pessoa não isenta o agente de pena. Neste caso, porém, devem ser consideradas
as condições pessoais da pessoa visada, e não as da pessoa efetivamente atingida, nos termos
do art. 20, §3º do CP.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

40. (FCC – 2015 – TJ-AL - Juiz Substituto) O erro inescusável sobre

a) a ilicitude do fato constitui causa de diminuição da pena.

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b) elementos do tipo permite a punição a título de culpa, se acidental.

c) elementos do tipo isenta de pena.

d) elementos do tipo exclui o dolo e a culpa, se essencial.

e) a ilicitude do fato exclui a antijuridicidade da conduta.

COMENTÁRIOS

O erro inescusável (indesculpável) sobre a ilicitude do fato NÃO isenta o agente de pena, mas é
causa de diminuição de pena, nos termos do art. 21 do CP.

O erro inescusável sobre elemento constitutivo do tipo penal afasta o dolo, mas permite a
punição a título culposo, nos casos de erro essencial (desde que haja previsão de punição a título
de culpa em relação ao tipo penal).

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

41. (FCC – 2008 – TCE/AL – PROCURADOR) O erro sobre a ilicitude do fato

A) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

B) reflete na culpabilidade, sempre isentando de pena.

C) exclui o dolo e a culpa.

D) reflete na culpabilidade, de modo a excluí-la ou atenuá-la.

E) extingue a punibilidade

COMENTÁRIOS

A) ERRADO: O erro que exclui o dolo é o erro de tipo, e permite a punição por crime culposo se
se tratar de erro inescusável.

B) ERRADO: Embora reflita na culpabilidade, nem sempre isenta de pena, apenas quando se
tratar de erro de proibição escusável, ou seja, o agente não tinha condições de entender o
caráter ilícito de sua conduta.

C) ERRADO: O erro sobre a ilicitude age na culpabilidade, logo, não tem a ver com dolo e culpa,
que são elementos da conduta e, portanto, do fato típico.

D) CORRETA: O erro de proibição reflete na culpabilidade, e a exclui quando for erro escusável.
Quando for erro inescusável, porém, atenua a culpabilidade do agente e, por conseqüência, a
pena aplicável.

E) ERRADA: A extinção da punibilidade pressupõe a sua existência. Desta forma, a alternativa


está errada.

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Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

42. (FCC – 2011 – TRT 1°RG – TÉCNICO JUDICIÁRIO – SEGURANÇA) O erro inevitável sobre
a ilicitude do fato

A) isenta o réu de pena.

B) não isenta o réu de pena, mas implica na redução de um sexto a um terço.

C) não isenta o réu de pena, mas constitui circunstância atenuante.

D) não isenta o réu de pena, nem possibilita a atenuação da pena.

E) exclui a ilicitude do fato.

COMENTÁRIOS

A) CORRETA: O erro de proibição inevitável (escusável) exclui a culpabilidade, pois o agente,


naquelas circunstâncias, não tinha condições de conhecer o caráter ilícito da conduta.

B) ERRADA: Essa diminuição de pena se aplica ao erro de proibição evitável (ou inescusável), no
qual o agente, mediante algum esforço, poderia conhecer o caráter ilícito da conduta.

C) ERRADA: Como dito acima, presente o erro de proibição escusável, o réu estará isento de
pena, por ser excluída a culpabilidade.

D) ERRADA: Pois, o erro de proibição inevitável (escusável) exclui a culpabilidade, pois o agente,
naquelas circunstâncias, não tinha condições de conhecer o caráter ilícito da conduta.

E) ERRADA: A ilicitude do fato nada tem a ver com as verificações acerca da culpabilidade do
agente, diante de determinado erro sobre a licitude ou não do fato. A ilicitude está ligada ao fato
criminoso, enquanto o erro de proibição se refere à potencial consciência da ilicitude, que é
elemento da culpabilidade.

Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

43. (FCC - 2011 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Técnico Judiciário - Segurança) O erro inevitável
sobre a ilicitude do fato

A) isenta o réu de pena.

B) não isenta o réu de pena, mas implica na redução de um sexto a um terço.

C) não isenta o réu de pena, mas constitui circunstância atenuante.

D) não isenta o réu de pena, nem possibilita a atenuação da pena.

E) exclui a ilicitude do fato.

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COMENTÁRIOS

O erro sobre a ilicitude do fato, ou erro de proibição, é o fenômeno no qual o agente pratica a
conduta supondo tratar-se de conduta penalmente admitida, quando, na verdade, a conduta é
penalmente típica.

O art. 21 do CP estabelece que, se esse erro for inevitável (ou seja, se mesmo mediante um
esforço intelectual razoável, não fosse realmente possível saber que era ilícita a conduta), o
agente estará isento de pena:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

44. (FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário - Área Administrativa) A dispara seu revólver e
mata B, acreditando tratar-se de um animal. A respeito dessa hipótese é correto afirmar que se
trata de

A) fato típico, pois o dolo abrangeu todos os elementos objetivos do tipo.

B) erro de proibição, que exclui a culpabilidade.

C) erro de proibição, que gera apenas a diminuição da pena, posto que inescusável.

D) erro de tipo, que exclui o dolo e a culpa, se escusável.

E) erro quanto à existência de excludente de ilicitude (descriminante putativa).

COMENTÁRIOS

Na hipótese, não se trata de erro de proibição, pois o agente não cometeu erro quanto à licitude
ou ilicitude da conduta (art. 21 do CP), mas cometeu um erro sobre uma circunstância fática.

Também não há que se falar em fato típico, eis que o agente incidiu em erro sobre elemento
constitutivo do tipo penal do art. 121 (“alguém” = pessoa humana).

Não há, ainda, hipótese de descriminante putativa, pois o agente não imaginou estar diante de
uma situação que lhe permitisse agir em legítima defesa, estado de necessidade ou qualquer
outra excludente de ilicitude (pelo menos a questão não disse isso).

Assim, trata-se, como já disse, de erro sobre elemento constitutivo do tipo penal, ou ERRO DE
TIPO, que se for inevitável (ou escusável) exclui o dolo e a culpa.

Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

45. (FCC - 2007 - TRE-MS - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA) Considere os


exemplos abaixo:

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I. Casar-se com pessoa cujo cônjuge foi declarado morto para os efeitos civis, mas estava vivo.

II. Aplicar no ferimento do filho ácido corrosivo, supondo que está utilizado uma pomada.

III. Matar pessoa gravemente enferma, a seu pedido, para livrá-la de mal incurável, supondo que
a eutanásia é permitida.

IV. Ingerir a gestante substância abortiva, supondo que estava tomando um calmante.

Há erro de tipo nas situações indicadas APENAS em

A) I, II e III.

B) I e III.

C) I, III e IV.

D) II e III.

E) II e IV.

COMENTÁRIOS

I) ERRADA: Nesse caso não há erro de tipo, mas fato atípico, pois se o cônjuge foi declarado
morto para efeitos civis, o casamento anterior não mais existia, de forma que não há que se falar
em crime de bigamia, art. 235 do CP:

Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:

Pena - reclusão, de dois a seis anos.

§ 1º - Aquele que, não sendo casado, contrai casamento com pessoa casada,
conhecendo essa circunstância, é punido com reclusão ou detenção, de um a três
anos.

§ 2º - Anulado por qualquer motivo o primeiro casamento, ou o outro por motivo


que não a bigamia, considera-se inexistente o crime.

Assim, não houve prática da conduta prevista no tipo penal mediante incursão em erro sobre
circunstância fática. Simplesmente não foi praticada a conduta prevista no tipo penal.

II) CORRETA: Aqui, de fato, há a prática da conduta descrita no art. 129 do CP (lesões
corporais). No entanto, essa conduta é praticada mediante erro sobre circunstância fática (o
agente imagina que o ácido é uma pomada). Portanto, é hipótese de erro de tipo.

III) ERRADA: Aqui temos um caso de erro de proibição, pois o erro do agente reside não na
circunstância fática, que é perfeitamente delimitada, mas nas consequências penais, pois o
agente imagina que sua conduta é permitida pela lei penal, quando não o é.

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IV) CORRETA: Nesse caso, embora o agente pratique a conduta descrita no art. 124 do CP, o faz
por estar representando erroneamente uma situação fática (acreditar que está tomando
calmante, quando, na verdade, está ingerindo substância abortiva):

Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

Pena - detenção, de um a três anos.

Havendo, pois, erro fático quanto a elemento constitutivo do tipo penal, estamos diante de erro
de tipo.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA E.

46. (FCC – 2009 – TJ/PA – OFICIAL DE JUSTIÇA) O erro de proibição quando escusável
exclui a

A) imputabilidade.

B) culpabilidade.

C) punibilidade.

D) antijuridicidade.

E) conduta.

COMENTÁRIOS

O erro sobre a ilicitude do fato, ou erro de proibição, é o fenômeno no qual o agente pratica a
conduta supondo tratar-se de conduta penalmente admitida, quando, na verdade, a conduta é
penalmente típica.

O art. 21 do CP estabelece que, se esse erro for inevitável, ou escusável (ou seja, se mesmo
mediante um esforço intelectual razoável, não fosse realmente possível saber que era ilícita a
conduta), o agente estará isento de pena:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Afastando-se, desta forma, a potencial consciência da ilicitude, estará ausente um dos elementos
da culpabilidade, restando esta afastada.

Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

47. (FCC – 2012 – DPE-SP – DEFENSOR PÚBLICO) Em Direito Penal, o erro

a) de tipo, se for invencível, exclui a tipicidade dolosa e a culposa.

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b) que recai sobre a existência de situação de fato que justificaria a ação, tornando-a legítima, é
tratado pelo Código Penal como erro de proibição, excluindo-se, pois, a tipicidade da conduta.

c) de tipo exclui o dolo e a culpa grave, mas não a culpa leve.

d) de proibição é irrelevante para o Direito Penal, pois, nos termos do caput do art. 21 do Código
Penal, "o desconhecimento da lei é inescusável".

e) de proibição exclui a consciência da ilicitude, que, desde o advento da teoria finalista, integra
o dolo e a culpa.

COMENTÁRIOS

A) CORRETA: Esta é a previsão do art. 20 do CP:

Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

B) ERRADA: Esse erro pode ser tratado como erro de tipo, não como erro de proibição;

C) ERRADA: Não há diferenciação entre culpa grave e leve, tampouco para fins de caracterização
do erro de tipo;

D) ERRADA: O erro de proibição é RELEVANTE e, caso escusável, ISENTA DE PENA; Caso


inescusável, gera redução de pena, nos termos do art. 21 do CP;

E) ERRADA: De fato, o erro de proibição exclui a potencial consciência da ilicitude (se escusável),
mas esse é um elemento da CULPABILIDADE, não estando dentro do dolo ou da culpa, que são
elementos do FATO TÍPICO.

Portanto, A ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

48. (FCC – 2006 – BCB – PROCURADOR) O erro sobre a ilicitude do fato

a) reflete na culpabilidade, de modo a excluir a pena ou diminuí-la.

b) exclui o dolo e a culpa.

c) reflete na culpabilidade, sempre isentando de pena.

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d) extingue a punilidade.

e) exclui o dolo, mas permite a punção por crime culposo, se previsto em lei.

COMENTÁRIOS

O erro sobre a ilicitude do fato, ou ERRO DE PROIBIÇÃO, se caracteriza como a ausência de


conhecimento acerca da proibição do conduta que se realiza, afetando diretamente a análise da
culpabilidade do agente. Pode ser um erro desculpável ou indesculpável, com consequências
diversas.

Se escusável o erro (desculpável) o agente fica isento de pena. Se inescusável (indesculpável), o


agente terá a pena reduzida de um sexto a um terço. Nos termos do art. 21 do CP:

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,


se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminui-la de um sexto a um
terço. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a


consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter
ou atingir essa consciência. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, vemos que o erro sobre a ilicitude do fato pode isentar de pena ou diminuir a pena do
agente, a depender do tipo de erro.

Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

49. (FCC – 2006 – BCB – PROCURADOR) Excluem a ilicitude e a imputabilidade,


respectivamente,

a) a obediência hierárquica e a embriaguez acidental completa.

b) a coação moral irresistível e a doença mental.

c) a desistência voluntária e o desenvolvimento mental incompleto.

d) o exercício regular de direito e a menoridade.

COMENTÁRIOS

As causas de exclusão da ilicitude estão previstas no art. 23 do CP. Vejamos:

Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (Redação dada pela Lei nº
7.209, de 11.7.1984)

I - em estado de necessidade; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

II - em legítima defesa;(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

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III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.


(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Já as causas legais de exclusão da culpabilidade estão previstas no art. 22 do CP, que determina
a exclusão da culpabilidade do agente que pratica o fato sob coação moral irresistível ou em
cumprimento a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico. Vejamos:

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a


ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

No entanto, a menoridade também é considerada causa de exclusão da culpabilidade, pois gera


a inimputabilidade do agente. Vejamos:

Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando


==28dc4f==

sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei


nº 7.209, de 11.7.1984)

Assim, a afirmativa que traz respectivamente uma causa de exclusão da ilicitude e uma causa de
exclusão da imputabilidade é a letra D.

Assim, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA D.

50. (VUNESP – 2014 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) Agente imputável e menor de 21


anos à época do fato criminoso ocorrido em 10 de junho de 2006. Foi denunciado como incurso
no art. 157, caput, do CP. A denúncia foi recebida em 29 de junho de 2006 e até 01 de julho de
2014 não havia sido prolatada sentença. Diante disso, pode-se afirmar que

a) ocorreu a pretensão punitiva estatal, considerado o máximo da pena abstratamente cominada


à infração.

b) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos seis anos da
data supra mencionada (01.07.2014).

c) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos quatro anos
da data supra mencionada (01.07.2014).

d) antes da prolação da sentença condenatória não se pode falar em ocorrência da pretensão


punitiva estatal.

COMENTÁRIOS

No caso, o delito previsto é o de roubo, cuja pena máxima prevista é de 10 anos de reclusão.

Assim, em tese, o crime prescreveria em 16 anos, nos termos do art. 109, II do CP.

Contudo, o agente era menor de 21 anos na data do fato, logo, esse prazo cai pela metade (08
anos), nos termos do art. 115 do CP.

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O recebimento da denúncia interrompeu o curso do prazo de prescrição (art. 117, I do CP), que
voltou a correr do zero, a partir daquela data.

A data atual (segundo a questão) para fins de cálculo da prescrição é dia 01.07.2014. Vemos que
entre a última interrupção da prescrição e a data atual já transcorreram mais de 08 anos, motivo
pelo qual operou-se a prescrição.

p.s.: a alternativa A contém um erro de digitação. Faltou simplesmente a palavra “prescrição”, o


que torna o item sem sentido. Contudo, foi mero esquecimento da Banca. Para quem fez a
prova, possuem razão em recorrer. Para nós, vamos simplesmente “fingir” que a palavra
“prescrição” foi colocada lá, antes de “pretensão punitiva”. Desta forma não perdemos a
questão.

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA A.

51. (VUNESP – 2014 – TJ-SP – JUIZ) Para o Código Penal (art. 20, § 1.º), quando a
descriminante putativa disser respeito aos pressupostos fáticos da excludente, estamos diante
de:

a) Excludente de antijuridicidade.

b) Erro de tipo.

c) Erro de proibição.

d) Excludente de culpabilidade.

COMENTÁRIOS

De acordo com a teoria da culpabilidade adotada pelo CP (teoria limitada), as descriminantes


putativas relativas a erro sobre os pressupostos fáticos da ilicitude serão consideradas como erro
de tipo:

Erro sobre elementos do tipo (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Descriminantes putativas (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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52. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Imagine que João confunda seu
aparelho de telefone celular com o de seu colega Pedro e, descuidadamente, leve para sua casa
o aparelho de Pedro. Ao perceber o equívoco, João imediatamente comunica-se com Pedro e
informa o ocorrido.

No dia seguinte, João devolve o aparelho ao colega sem qualquer dano. Analisando a hipótese
narrada, é possível afirmar que João

a) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto da desistência voluntária.

b) não cometeu crime algum.

c) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto da
desistência voluntária.

d) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto do arrependimento eficaz.

e) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto do
arrependimento eficaz.

COMENTÁRIOS

No caso em tela João não praticou qualquer crime, pois apesar de ter subtraído para si o
aparelho de outra pessoa, agiu em erro sobre um dos elementos constitutivos do tipo penal
(neste caso, o tipo seria o art. 155 do CP, tendo João incidido em erro sobre o elemento “coisa
alheia”, já que acreditou que a coisa era sua, e não alheia). Neste caso, João não pratica crime,
pois fica afastada a tipicidade da conduta:

Erro sobre elementos do tipo(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. (Redação dada pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)

Portanto, a ALTERNATIVA CORRETA É A LETRA B.

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​ EXERCÍCIOS DA AULA

1. FGV - JE TJSC/TJ SC/2024

Bianca é acordada de madrugada por ruídos provenientes do quarto de sua filha de 12 anos de
idade. Deslocando-se ao cômodo de onde provinham os ruídos, surpreende a menor tendo
relações sexuais com o padrasto. Após assistir ao fato por alguns segundos, sem tomar qualquer
medida em relação ao que presenciava, a mãe retorna para sua cama.

Diante do caso narrado, é correto afirmar que Bianca:

a) deverá responder pelo crime de omissão de socorro;

b) deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável, sem a incidência de qualquer causa de
aumento de pena;

c) deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável, com a incidência da causa de aumento
de pena decorrente do concurso de pessoas;

d) não deverá responder por crime algum, pois não concorreu para o estupro de vulnerável
cometido pelo padrasto da vítima;

e) deverá responder pelo crime de estupro de vulnerável, com a incidência da causa de aumento
de pena decorrente de ser genitora da vítima.

2. FGV - Psico Pol (PC SC)/PC SC/2024

Com relação ao crime doloso e ao crime culposo, avalie se as afirmativas a seguir são verdadeiras
(V) ou falsas (F).

( ) O agente que deu causa ao resultado por negligência, responderá por culpa, ainda que não
haja previsão de crime culposo.

( ) A lei brasileira considera crime doloso quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo.

( ) A imprudência caracteriza o agir culposo, mas a imperícia implica o agir doloso.

As afirmativas são, respectivamente,

a) F – V – F.

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b) V – V – F.

c) F – V – V.

d) V – F – F.

e) F – F – F.

3. FGV - ACI (Pref BH)/Pref BH/Direito/2024

Sobre o dolo e a culpa na teoria do crime, assinale a afirmativa correta.

a) O dolo direto de segundo grau abrange os efeitos colaterais decorrentes do meio eleito pelo
agente para atingir o resultado criminoso.

b) Na hipótese de dolo eventual, o agente não representa o resultado típico como possível, mas
se conforma com a ocorrência dele. Já na hipótese de culpa consciente, o agente representa o
resultado típico como possível e não desconfia que o mesmo ocorrerá.

c) A punição a título de culpa depende da análise das circunstâncias do caso concreto, sendo
prescindível a previsão expressa no tipo legal.

d) Por força da teoria da imputação objetiva, uma vez não observado o cuidado devido, o
agente é punível por crime culposo caso se envolva em evento penalmente típico, que se
verificaria ainda que a diligência devida tivesse sido adotada.

4. FGV - Res (TJ RJ)/TJ RJ/Direito/2024

Caio, com intenção de matar, desferiu um disparo de arma de fogo no peito de Tício. Tício caiu,
severamente machucado, porém, ainda vivo, quando se iniciou uma tempestade, um raio o
atingiu, de maneira que Tício veio a falecer em decorrência da forte descarga elétrica.

Nesse caso, sobre a responsabilidade de Caio, assinale a afirmativa correta.

a) Houve causa superveniente relativamente independente, sem ruptura do nexo de causalidade,


de forma que Caio responde pelo resultado.

b) A causa superveniente produziu por si só o resultado, de forma a afastar a responsabilidade


de Caio pelo evento morte, subsistindo a tentativa.

c) Caio deve responder pelo resultado caso comprovado que o tiro mataria Tício de qualquer
maneira.

d) Caio responde apenas pelos atos já praticados, em razão da ruptura do nexo de causalidade,
tal como ocorre na desistência voluntária.

e) Tendo em vista que o evento morte teria ocorrido independentemente da ação de Caio, não
subsiste qualquer responsabilidade penal de Caio.

5. FGV - Sold (PM RJ)/PM RJ/2024

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1º cenário: Tício ingressou no jardim de uma residência e escalou o muro do imóvel, com o
objetivo de adentrar o local e proceder à subtração de diversos bens. Contudo, o agente viu uma
pequena criança brincando com o pai, motivo pelo qual mudou de ideia e deixou a localidade.

2º cenário: Mévio desferiu diversos socos no rosto do seu desafeto, ocasião em que o último
pediu por clemência. Muito embora pudesse continuar agredindo-o, Mévio interrompeu os atos
e fugiu da localidade.

Considerando as disposições do Código Penal, Tício e Mévio somente responderão pelos atos já
praticados, respectivamente, em razão do (da):

a) arrependimento posterior e arrependimento posterior;

b) arrependimento eficaz e arrependimento posterior;

c) desistência voluntária e arrependimento posterior;

d) arrependimento eficaz e arrependimento eficaz;

e) desistência voluntária e desistência voluntária.

6. FGV - ANL (CM Fortal)/CM Fortaleza/Advogado/2024

De acordo com a vigente legislação penal, no que diz respeito à desistência voluntária, é correto
afirmar que

a) O agente responde apenas por culpa quanto aos atos já praticados, se prevista em lei tal
hipótese.

b) O agente empreende apenas os atos da fase de preparação e desiste antes de ingressar na


fase da execução do crime.

c) O agente desiste de prosseguir na execução do crime por sua própria deliberação, mesmo
que não espontânea.

d) O agente não prossegue além da fase de exaurimento da conduta criminosa.

e) O agente empreende todos os atos da fase de consumação do crime, mas impede a


produção do resultado.

7. FGV - NAC UNI OAB/OAB/2024

Arthur resolveu furtar os cabos de eletricidade da linha férrea de sua cidade, a fim de revender o
cobre, clandestinamente. Contudo, após iniciar o corte para retirar os fios de cobre, foi
surpreendido pelo trem, que o atropelou, vindo a sofrer a amputação dos membros inferiores.
Arthur foi denunciado como incurso nas penas do delito de furto.

Sobre o caso, assinale a afirmativa que apresenta a linha de defesa correta.

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a) Deve ser reconhecida a tentativa, com a correspondente diminuição da pena, já que o delito
não chegou a se consumar.

b) Pode ser reduzida a pena diante do arrependimento posterior, uma vez que, em razão do fato,
Arthur perdeu os dois membros inferiores.

c) Arthur deve ser absolvido, pois está-se diante de crime impossível, por absoluta ineficácia do
meio.

d) Arthur pode ser beneficiado com o perdão judicial, diante do sofrimento que lhe foi imposto
pelas consequências do delito.

8. FGV - AJ (TJ AP)/TJ AP/Judiciária/Execução de Mandados/2024

João, após adentrar uma casa vazia, subtrai, sem violência ou grave ameaça, R$ 20.000,00 em
espécie, evadindo-se na sequência. No dia seguinte, ao assistir ao noticiário televisivo, João
toma ciência de que os valores seriam empregados para o pagamento de cirurgia que uma
criança, em breve, realizaria.

Assim sendo, sem que houvesse qualquer inquérito policial ou ação penal em andamento, o
agente devolve os valores pecuniários aos legítimos proprietários.

Considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João:

a) responderá pelo crime praticado, mas a pena do agente será reduzida de um a dois terços,
por força da desistência voluntária;

b) responderá pelo crime praticado, mas a pena do agente será reduzida de um a dois terços,
por força do arrependimento posterior;

c) responderá pelo crime praticado, mas a pena do agente será reduzida de um a dois terços,
por força do arrependimento eficaz;

d) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento posterior;

e) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento eficaz.

9. FGV - NAC UNI OAB/OAB/2023

Fernanda trabalha como cuidadora de idosos e foi contratada para assistir ao idoso Luís
Fernando, de 89 anos, que, não obstante a idade, seguia ativo, caminhando com algum apoio e
realizando suas atividades de forma habitual, com relativa independência.

Certo dia, Luís Fernando descia as escadas rolantes de um shopping-center, quando a barra de
sua calça se prendeu nos degraus, o que levou Luís Fernando a se desequilibrar, e o suporte
dado por Fernanda não foi suficiente para impedir a sua queda. O idoso fraturou o fêmur.
Preocupada com eventual responsabilização criminal, Fernanda procura aconselhamento.

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Como advogado(a) de Fernanda, assinale a opção que apresenta sua orientação sobre os fatos e
as possíveis consequências.

a) Fernanda ocupa a posição de garantidora, devendo ser responsabilizada por delito comissivo
por omissão por ter se operado o resultado danoso.

b) A responsabilização de Fernanda dependeria de comprovação de efetiva negligência,


imprudência ou imperícia, sem o que, não será responsabilizada pelo resultado danoso.

c) Fernanda pode ser responsabilizada por crime omissivo próprio, diante do resultado danoso.

d) Fernanda incidiu em conduta tipificada no Estatuto do Idoso.

10. FGV - Conc (TJ BA)/TJ BA/2023

João subtraiu, para si, o telefone celular de Guilherme, sem empregar violência ou grave ameaça.
Dois dias depois dos fatos, após refletir sobre a sua conduta e antes do recebimento da
denúncia, João devolve o aparelho celular ao legítimo proprietário.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João:

a) responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços, em razão do
arrependimento posterior;

b) responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços, em razão do
arrependimento eficaz;

c) responderá pelo crime de furto, com redução da pena de um a dois terços, em razão da
desistência voluntária;

d) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento posterior;

e) não responderá por qualquer crime, em razão do arrependimento eficaz.

11. (FGV/2023/SEFAZ-MG)

Rebeca trabalha há muitos anos como instrumentadora cirúrgica e tem bastante experiência na
sua atuação. Sabe que, via de regra, os centros cirúrgicos exigem tipos especiais de calçados
para acesso. Tendo em vista sua larga experiência com a atividade de instrumentação, Rebeca
passa a utilizar sapatos de salto alto, por ser muito vaidosa, e por ter certeza de que este fato não
irá comprometer sua atividade.

Rebeca, certo dia, escorrega durante a atividade de instrumentação e derruba a mesa auxiliar de
instrumentação, caindo alguns objetos na área cirúrgica. O acidente ocasionou danos graves no
paciente, com sequela cicatricial não esperada ao tipo de procedimento a que se submetia.

Neste caso, é possível dizer que a conduta de Rebeca, que implicou no resultado lesivo ao
paciente, foi praticada com

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A) dolo eventual.

B) culpa inconsciente, na modalidade imperícia.

C) culpa inconsciente, na modalidade imprudência.

D) culpa consciente, na modalidade imprudência.

E) culpa consciente, na modalidade imperícia.

12. (FGV/2022/SENADO)

Age com dolo eventual ou indireto a pessoa que

A) prevê que o resultado típico pode ser uma consequência de seu comportamento, porém lhe é
indiferente se ela se realizará ou não.

B) comete um crime consciente de que haverá resultados indesejáveis, mas que são decorrência
natural da forma de execução escolhida para alcançar o seu objetivo.

C) instigado por terceiro a um comportamento reprovável, comete um crime por imprudência.

D) reconhece a possibilidade de causar o resultado típico e decide prosseguir na execução


porque confia sinceramente que isso não acontecerá.

E) se vale intencionalmente de terceiro inocente, que executa o crime sem saber o que faz.

13. (FGV/2022/TJPE/JUIZ)

Marcos e João são vizinhos com histórico de discussões em razão dos ruídos noturnos
provocados pelas festas produzidas por João. Certa noite, Marcos, em um acesso de raiva, efetua
disparo de arma de fogo contra João, com intenção de matar seu alvo. O disparo atinge a perna
da vítima, que é prontamente levada ao hospital, onde fica internada. No segundo dia de
internação, em razão de um vazamento de gás não percebido, João morre por asfixia.

Diante do caso narrado, Marcos deverá responder pelo crime de:

A) homicídio, uma vez que João só se encontrava no hospital em razão das lesões decorrentes da
conduta criminosa de Marcos (conditio sine qua non);

B) lesão corporal seguida de morte, uma vez que a morte por asfixia no hospital não era
previsível;

C) lesão corporal, já que eliminando-se em abstrato o vazamento de gás, não haveria a morte
como resultado naturalístico de sua conduta;

D) tentativa de homicídio, com fundamento na teoria da causalidade adequada, também adotada


pelo ordenamento jurídico;

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E) tentativa de homicídio, em razão da existência de concausa concomitante para o resultado


morte: o disparo de arma de fogo e o vazamento de gás.

14. (FGV/2022/TJDFT)

Majoritariamente a doutrina salienta que são duas as espécies de culpa: inconsciente e


consciente.

Sobre o tema, é correto afirmar que na culpa:

A) inconsciente, o agente considera possível a realização do resultado típico, porém confia que
isso não sucederá;

B) inconsciente, faz parte da representação do agente a violação do dever de cuidado e do


resultado lesivo;

C) consciente, faz parte da representação do agente apenas a violação do dever de cuidado;

D) consciente, a censura penal deve ser menor quando considerada a mesma violação do risco
proibido;

E) consciente, o agente sabe do risco de seu comportamento, mas acredita que não acontecerá o
resultado.

15. (FGV/2022/MPE-GO)

Sandro foi preso em flagrante ao subtrair um pacote de macarrão, cujo valor era R$9,00, de um
hipermercado do bairro onde morava. O Ministério Público ofereceu denúncia em face de
Sandro, mas o magistrado rejeitou a peça acusatória, reconhecendo a incidência do princípio da
bagatela ou insignificância. O referido princípio exclui a

A) ilicitude.

B) tipicidade formal.

C) culpabilidade.

D) tipicidade material.

E) punibilidade.

16. (FGV/2022/SEAD-AP)

Em 03 de abril de 2022, Victor foi a um festival de música na cidade onde mora. Durante a
madrugada, Victor percebeu que uma moradora de sua rua, Juliana, estava dançando distraída;
Victor aproveitou o momento e subtraiu, sem violência ou grave ameaça, o smartphone de
Juliana. Juliana somente percebeu que estava sem o aparelho celular quando chegou em casa e,
no dia seguinte, realizou o registro de ocorrência. Em 05 de abril de 2022, Victor arrependeu-se,
foi até a casa de Juliana, pediu desculpas e devolveu, intacto, o aparelho celular. Apesar disso,

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em 15 de abril de 2022, o Ministério Público denunciou Victor com incurso nas penas do Art. 155,
caput, do CP.

Na hipótese, é correto afirmar que

A) houve arrependimento eficaz, previsto no Art. 15, segunda parte, do CP, tendo em vista que
Victor impediu a produção do resultado.

B) houve desistência voluntária, prevista no Art. 15, primeira parte, do CP, visto que Victor
desistiu voluntariamente de seguir com a execução.

C) não houve crime, porque Victor se arrependeu e devolveu o bem intacto.

D) houve arrependimento posterior, previsto no Art. 16, do CP.

E) houve crime impossível, previsto no Art. 17, do CP.

17. (FGV/2022/SEAD-AP)

Jaqueline, namorada de Fábio, descobriu que ele a traiu com sua melhor amiga. Movida por
sentimentos de raiva e vingança, Jaqueline decidiu matar o namorado. Para isso, Jaqueline
preparou para Fábio o drink que sempre fazia nas noites de sábado, mas, sem que ele soubesse,
misturou veneno na bebida, em quantidade suficiente para matá-lo.

Após Fábio beber o drink, Jaqueline lembrou dos bons momentos que passaram juntos ao longo
de 5 anos e percebeu que ele sempre foi seu grande amor. Vendo seu amado perdendo as
forças, Jaqueline arrependeu-se e deu a Fábio o antídoto, salvando-lhe a vida. Fábio não sofreu
qualquer dano, pediu desculpas e o casal reconciliou-se.

Nesse caso, podemos afirmar que houve

A) arrependimento posterior.

B) arrependimento eficaz.

C) desistência voluntária.

D) crime tentado.

E) crime impossível.

18. (FGV/2022/TCE-TO)

No tocante aos institutos da tentativa e consumação, desistência voluntária, arrependimento


eficaz, arrependimento posterior e crime impossível, é correto afirmar que o agente:

A) que, após iniciar os atos de execução, voluntariamente, impede que o resultado se produza,
responderá pelo resultado pretendido inicialmente;

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B) que, por ato voluntário, repara o dano causado, em crime praticado com violência à pessoa,
até o recebimento da denúncia ou da queixa, terá a pena reduzida de 1/3 a 2/3;

C) que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução, só responde pelos atos até então
praticados;

D) responde pela tentativa, nos crimes culposos, ao não observar o dever de cuidado a que
estava obrigado;

E) não responde pela tentativa, quando, por ineficácia relativa do meio, é impossível consumar-se
o crime.

19. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

No que diz respeito a consumação e tentativa, corresponde a uma das etapas da fase interna ou
mental:
(A) manifestação;
(B) preparação;
(C) resolução;
(D) execução;
(E) consumação.

20. (FGV/2021/PCRN)

Cássio, com a intenção de matar Patrício, efetua disparo de arma de fogo em sua direção, que
atinge seu braço e o faz cair no chão. Enquanto caminha na direção de Patrício para efetuar novo
disparo, Cássio percebe a aproximação de policiais e se evade do local, deixando Patrício apenas
com o ferimento no braço.
Considerando os fatos narrados, Cássio deverá responder pelo crime de:
A) tentativa de homicídio;
B) tentativa de homicídio, com diminuição da pena pela desistência voluntária;
C) lesão corporal, pois houve desistência voluntária;
D) tentativa de homicídio, com diminuição da pena pelo arrependimento eficaz;
E) lesão corporal, pois houve arrependimento eficaz.

21. (FGV/2021/PCRN)

Haroldo convence Bruna a aplicarem um golpe no casal de noivos Marcos e Fátima,


apresentando-se como organizadores de casamento. Após receberem do casal vultosa quantia
para a organização das bodas, Haroldo e Bruna mudaram de cidade e trocaram de telefone.
Percebendo que haviam sido vítimas de um golpe, Marcos e Fátima registraram os fatos
na delegacia, demonstrando interesse em ver os autores responsabilizados pelo crime de
estelionato. Após o registro da ocorrência, Bruna, arrependida, por conta própria, efetuou a

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devolução ao casal de parte do dinheiro que havia recebido. Considerando que houve reparação
parcial do dano:
A) a conduta de Haroldo e Bruna tornou-se atípica, tratando-se de mero ilícito civil;
B) Haroldo responderá por estelionato consumado, enquanto Bruna terá sua tipicidade afastada
pela reparação parcial do dano;
C) Haroldo e Bruna responderão por estelionato, devendo Bruna ter sua pena diminuída pelo
arrependimento posterior;
D) Haroldo responderá por estelionato tentado, enquanto Bruna terá sua tipicidade afastada pela
reparação parcial do dano;
E) Haroldo e Bruna responderão por estelionato, sem a causa de diminuição da pena pelo
arrependimento posterior.

22. (FGV/2022/TJAP/JUIZ)

Sobre os institutos da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento


posterior, é correto afirmar que:
A) a não consumação, por circunstâncias alheias à vontade do agente, é compatível com a
desistência voluntária;
B) o reconhecimento da desistência voluntária dispensa o exame do iter criminis;
C) as circunstâncias inerentes à vontade do agente são irrelevantes para a configuração da
desistência voluntária;
D) o arrependimento eficaz e a desistência voluntária somente são aplicáveis a delito que não
tenha sido consumado;
E) o reconhecimento da desistência voluntária dispensa o exame do elemento subjetivo da
conduta.

23. (FGV/2022/MPE-GO/PROMOTOR)

A causa de diminuição do Art. 16 do Código Penal, referente ao arrependimento posterior,


somente tem aplicação se houver:
A) a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, não possibilitada sua reparação,
variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento
do prejuízo à vítima;
B) a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia,
variando o índice de redução da pena em função da maior ou menor celeridade no ressarcimento
do prejuízo à vítima;
C) a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia, não possibilitada sua reparação,
variando o índice de redução da pena em função da integralidade e preservação do bem
restituído;
D) a integral reparação do dano ou a restituição da coisa antes do recebimento da denúncia,
variando o índice de redução da pena em função da integralidade do bem restituído;

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E) a restituição da coisa antes do oferecimento da denúncia, não possibilitada sua reparação,


variando o índice de redução da pena em função da integralidade e preservação do bem
restituído.

24. (FGV/2021/PCERJ/PERITO)

A tentativa incruenta é modalidade de crime tentado no qual a vítima sofre ferimentos.

25. (FGV/2021/PCERJ/PERITO)

A respeito do tema consumação e tentativa, é correto afirmar que quanto mais perto da
consumação, maior será a fração redutora, pois menor a reprovabilidade da conduta.

26. (FGV/2021/TJSC)

Matheus, inconformado com a participação de Gustavo e Nilza, pais de sua ex-companheira


Mariana, no fim de seu relacionamento, decide praticar um crime de roubo na residência do rico
casal. Para isso, compra cordas e elásticos, que utilizaria para amarrar as mãos das vítimas, além
de um simulacro de arma de fogo. Momentos antes da prática delitiva, quando Matheus se
preparava para sair de casa, Mariana liga e demonstra interesse em retomar a relação, o que faz
com que Matheus decida não mais ir até a casa de Gustavo e Nilza, mas sim ao encontro de
Mariana.
Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que a conduta de Matheus é:
A) típica, mas deve ser reconhecida a causa de diminuição de pena da tentativa em seu patamar
mínimo, tendo em vista que o critério a ser observado para definir o quantum de redução de
pena é a gravidade do delito;
B) típica, mas deve ser reconhecida a causa de diminuição de pena da tentativa em seu patamar
máximo, já que o critério a ser observado no quantum de redução de pena é o iter
criminis percorrido;
C) atípica, em razão de não ter sido iniciada a execução;
D) atípica, em razão do arrependimento eficaz;
E) atípica, em razão da desistência voluntária.

27. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

Determinado agente pretende matar uma vítima por asfixia e, achando equivocadamente que ela
estaria morta, joga o corpo no rio, causando a morte por afogamento. Em tal cenário, o agente
responderá por:
(A) crime culposo;
(B) crime preterdoloso;
(C) dolo genérico;
(D) dolo de perigo;
(E) dolo geral.
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28. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

Nos crimes de ação múltipla ou conteúdo variado, a prática, pelo agente, de mais de um núcleo
da mesma norma penal incriminadora no mesmo contexto fático implica crime único em razão do
princípio da:
(A) especialidade;
(B) subsidiariedade;
(C) consunção;
(D) absorção;
(E) alternatividade.

29. (FGV/2022/PCERJ/INVESTIGADOR)

Dentro da teoria geral do crime, entende-se por “crimes de empreendimento” aqueles em que:
(A) todas as elementares do tipo penal precisam ser praticadas para que o resultado seja
alcançado;
(B) o agente pratica os atos de execução, mas a configuração do crime depende da colaboração
da própria vítima;
(C) há exigência de reiteração da conduta e finalidade de obtenção de lucro;
(D) o legislador equipara a forma tentada à forma consumada do delito, prevendo a mesma pena
para ambas as modalidades;
(E) o crime é cometido por meio da profissão lícita do agente, como meio para realizar uma
conduta criminosa.

30. (FGV/2021/SEFAZ-ES)

José trabalha como guarda-vidas da piscina do Clube Romano, aberto ao público das 8h às 22h,
diariamente. A piscina do clube funciona das 9h às 21h, de terça a domingo, sendo aberta por
Antônio, que trabalha como zelador no mesmo clube. José é sempre o primeiro a entrar na área
da piscina, tão logo ela é aberta, para assumir seu posto no alto da cadeira de guarda-vidas.
Contudo, no dia 1º de novembro de 2020, ele não chegou no horário porque sua condução
atrasou. O espaço da piscina foi aberto por Antônio no horário habitual, mas José somente
chegou ao clube às 10h. Ao entrar na área da piscina deparou-se com uma cena terrível: o corpo
de uma criança morta, boiando na piscina.
Sobre a conduta de José, assinale a afirmativa correta.
A) José não praticou nenhum crime.
B) José omitiu-se na prestação de socorro (Art. 135 do CP).
C) José cometeu homicídio culposo (Art. 121, § 3º, do CP).

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D) José cometeu homicídio culposo na modalidade comissiva por omissão, pois exercia a função
de garantidor (Art. 121, § 3º, c/c. o Art. 13, § 2º, ambos do CP).
E) José cometeu homicídio doloso na modalidade comissiva por omissão, pois exercia a função
de garantidor (Art. 121, caput, c/c. o Art. 13, § 2º, ambos do CP).

31. (FGV/2021/PCRN/DELEGADO)

Lidiane, exímia nadadora, convida sua amiga Karen para realizarem a travessia a nado de um rio,
afirmando que poderia socorrê-la caso tivesse qualquer dificuldade. Durante a travessia, Karen e
Lidiane foram pegas por um forte redemoinho que as puxou para o fundo do rio. Lidiane
conseguiu escapar, mas, em razão da forte correnteza, não conseguiu salvar Karen, que veio
a falecer por afogamento.

Considerando o fato acima narrado, Lidiane:


A) será responsabilizada pelo homicídio de Karen por omissão imprópria, visto que criou a
situação de perigo e assumiu a posição de garantidora;
B) assumiu a função de garantidora, devendo responder pela omissão de socorro com resultado
morte;
C) assumiu a função de garantidora, mas não responderá pela morte de Karen, pois estava
impossibilitada de agir;
D) não será responsabilizada pela morte de Karen, visto que não possuía o dever de agir;
E) não assumiu a função de garantidora, devendo, contudo, responder pelo crime de omissão de
socorro com resultado morte.

32. (FGV – 2018 – TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Leandro, pretendendo causar a morte de
José, o empurra do alto de uma escada, caindo a vítima desacordada. Supondo já ter alcançado
o resultado desejado, Leandro pratica nova ação, dessa vez realiza disparo de arma de fogo
contra José, pois, acreditando que ele já estaria morto, desejava simular um ato de assalto.
Ocorre que somente na segunda ocasião Leandro obteve o que pretendia desde o início, já que,
diferentemente do que pensara, José não estava morto quando foram efetuados os disparos.

Em análise da situação narrada, prevalece o entendimento de que Leandro deve responder


apenas por um crime de homicídio consumado, e não por um crime tentado e outro consumado
em concurso, em razão da aplicação do instituto do:
(a) crime preterdoloso;
(b) dolo eventual;
(c) dolo alternativo;
(d) dolo geral;
(e) dolo de 2º grau.

33. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Acreditando estar grávida, Pâmela, 18
anos, desesperada porque ainda morava com os pais e eles sequer a deixavam namorar,

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utilizando um instrumento próprio, procura eliminar o feto sozinha no banheiro de sua casa,
vindo a sofrer, em razão de tal comportamento, lesão corporal de natureza grave.

Encaminhada ao hospital para atendimento médico, fica constatado que, na verdade, ela não se
achava e nunca esteve grávida. O Hospital, todavia, é obrigado a noticiar o fato à autoridade
policial, tendo em vista que a jovem de 18 anos chegou ao local em situação suspeita, lesionada.
Diante disso, foi instaurado procedimento administrativo investigatório próprio e, com o
recebimento dos autos, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de Pâmela pela prática
do crime de “aborto provocado pela gestante”, qualificado pelo resultado de lesão corporal
grave, nos termos dos Art. 124 c/c o Art. 127, ambos do Código Penal.
Diante da situação narrada, assinale a opção que apresenta a alegação do advogado de Pâmela.
A) A atipicidade de sua conduta.
B) O afastamento da qualificadora, tendo em vista que esta somente pode ser aplicada aos
crimes de aborto provocado por terceiro, com ou sem consentimento da gestante, mas não para
o delito de autoaborto de Pâmela.
C) A desclassificação para o crime de lesão corporal grave, afastando a condenação pelo aborto.

D) O reconhecimento da tentativa do crime de aborto qualificado pelo resultado.

34. (FGV – 2016 – MPE-RJ – ANALISTA PROCESSUAL) Diz-se que o crime é doloso quando o
agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo, e que o crime é culposo, quando o
agente deu causa a resultado previsível por imprudência, negligência ou imperícia. Sobre o
tema, é correto afirmar que:

a) o dolo direto de segundo grau também é conhecido como dolo de consequências necessárias;
b) para a teoria finalista da ação, o dolo e a culpa integram a culpabilidade;
c) no crime culposo, a imprudência se caracteriza por uma conduta negativa, enquanto a
negligência, por um comportamento positivo;
d) o crime culposo admite como regra a forma tentada;
e) na culpa consciente, o agente prevê o resultado como possível, mas com ele não se importa.

35. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) Durante uma discussão, Theodoro, inimigo
declarado de Valentim, seu cunhado, golpeou a barriga de seu rival com uma faca, com intenção
de matá-lo. Ocorre que, após o primeiro golpe, pensando em seus sobrinhos, Theodoro
percebeu a incorreção de seus atos e optou por não mais continuar golpeando Valentim, apesar
de saber que aquela única facada não seria suficiente para matá-lo.

Neste caso, Theodoro


A) não responderá por crime algum, diante de seu arrependimento.
B) responderá pelo crime de lesão corporal, em virtude de sua desistência voluntária.
C) responderá pelo crime de lesão corporal, em virtude de seu arrependimento eficaz.
D) responderá por tentativa de homicídio.

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36. (FGV – 2015 – OAB – XVII EXAME DA OAB) Cristiane, revoltada com a traição de seu
marido, Pedro, decide matá-lo. Para tanto, resolve esperar que ele adormeça para, durante a
madrugada, acabar com sua vida. Por volta das 22h, Pedro deita para ver futebol na sala da
residência do casal. Quando chega à sala, Cristiane percebe que Pedro estava deitado sem se
mexer no sofá. Acreditando estar dormindo, desfere 10 facadas em seu peito. Nervosa e
arrependida, liga para o hospital e, com a chegada dos médicos, é informada que o marido
faleceu. O laudo de exame cadavérico, porém, constatou que Pedro havia falecido momentos
antes das facadas em razão de um infarto fulminante. Cristiane, então, foi denunciada por
tentativa de homicídio.

Você, advogado (a) de Cristiane, deverá alegar em seu favor a ocorrência de


A) crime impossível por absoluta impropriedade do objeto.
B) desistência voluntária.
C) arrependimento eficaz.
D) crime impossível por ineficácia do meio.

37. (FGV - 2015 - OAB - XVIII EXAME DE ORDEM) Mário subtraiu uma TV do seu local de
trabalho. Ao chegar em casa com a coisa subtraída, é convencido pela esposa a devolvê-la, o
que efetivamente vem a fazer no dia seguinte, quando o fato já havia sido registrado na
delegacia.

O comportamento de Mário, de acordo com a teoria do delito, configura


A) desistência voluntária, não podendo responder por furto.
B) arrependimento eficaz, não podendo responder por furto.
C) arrependimento posterior, com reflexo exclusivamente no processo dosimétrico da pena.
D) furto, sendo totalmente irrelevante a devolução do bem a partir de convencimento da esposa.

38. (FGV – 2010 – AP – FISCAL DA RECEITA ESTADUAL) Trata-se de hipótese de exclusão de


culpabilidade:

a) estado de necessidade.
b) estrito cumprimento de dever legal.
c) erro inevitável sobre a ilicitude do fato.
d) exercício regular de direito.
e) legítima defesa.

39. (FGV - 2013 - TCE-BA - ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) A doutrina majoritária


brasileira reconhece como elementos do crime a tipicidade, a ilicitude e a culpabilidade.

Sobre estes elementos, assinale a assertiva incorreta.


a) O Superior Tribunal de Justiça reconhece que a falta de tipicidade material pode, por si só,
tornar o fato atípico

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b) A legítima defesa, o estado de necessidade, a obediência hierárquica e o exercício regular do


direito são causas excludentes da ilicitude ou antijuridicidade.
c) O agente, em qualquer das hipóteses de exclusão da ilicitude, responderá pelo excesso doloso
ou culposo
d) O pai que protege a integridade física de seu filho do ataque de um animal está amparado
pela excludente da ilicitude do estado de necessidade.
e) A embriaguez voluntária e até mesmo a culposa não excluem a imputabilidade penal.

40. (FGV - 2010 - SEAD-AP - AUDITOR DA RECEITA DO ESTADO - PROVA 1) Um funcionário


público apropria-se de valores particulares, dos quais tinha posse em razão do cargo, em
proveito próprio. Posteriormente, acometido por um conflito moral, arrepende-se e, antes do
recebimento da denúncia, por ato voluntário, restitui os valores indevidamente apropriados e
repara totalmente os danos decorrentes de sua conduta.
==28dc4f==

De acordo com o Código Penal, a hipótese será de:


a) causa de inadequação típica pelo arrependimento eficaz.
b) desistência voluntária com exclusão da tipicidade.
c) arrependimento posterior que extingue a punibilidade.
d) circunstância atenuante genérica pela reparação eficaz do dano.
e) causa de diminuição de pena pelo arrependimento posterior.

41. (FGV - 2012 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO - VII - PRIMEIRA FASE) Filolau,
querendo estuprar Filomena, deu início à execução do crime de estupro, empregando grave
ameaça à vítima. Ocorre que ao se preparar para o coito vagínico, que era sua única intenção,
não conseguiu manter seu pênis ereto em virtude de falha fisiológica alheia à sua vontade. Por
conta disso, desistiu de prosseguir na execução do crime e abandonou o local. Nesse caso, é
correto afirmar que

a) trata-se de caso de desistência voluntária, razão pela qual Filolau não responderá pelo crime
de estupro.
b) trata-se de arrependimento eficaz, fazendo com que Filolau responda tão somente pelos atos
praticados.
c) a conduta de Filolau é atípica.
d) Filolau deve responder por tentativa de estupro.

42. (FGV - 2008 - SENADO FEDERAL – ADVOGADO) Relativamente ao Direito Penal


Brasileiro, analise as afirmativas a seguir:

I. Os crimes unissubsistentes, habituais próprios, comissivos e permanentes na forma omissiva


não admitem tentativa.
II. Considera-se desistência voluntária ou arrependimento posterior a conduta do agente que,
depois de consumado o crime, repara o dano causado respondendo o agente somente pelos
fatos praticados.

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III. Considera-se impossível o crime quando o meio utilizado pelo agente é relativamente incapaz
de alcançar o resultado.
IV. Nos crimes tentados, aplica-se a pena do crime consumado reduzindo-a de 1/3 a 2/3, ao
passo que no arrependimento eficaz se aplica a pena do crime consumado reduzindo-a de 1/6 a
1/3.
Assinale:
a) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
b) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
c) se apenas as afirmativas I e IV estiverem corretas.
d) se nenhuma afirmativa estiver correta.
e) se apenas as afirmativas II e III estiverem corretas.

43. (FGV - 2008 - SENADO FEDERAL - POLICIAL LEGISLATIVO FEDERAL) Em relação à


responsabilidade do agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede
que o resultado se produza, é correto afirmar que:

a) não há nenhuma responsabilidade criminal possível.


b) o agente responde apenas pelos atos praticados.
c) o agente será punido com a pena do crime consumado, reduzida de 1/3 a 2/3.
d) não obstante a desistência ou o impedimento da produção do resultado, o agente responderá
pelo crime tal como se ele tivesse sido consumado.
e) se trata de hipótese de erro de tipo, que exclui a responsabilidade penal, salvo se inescusável.

44. (FGV - 2011 - OAB - EXAME DE ORDEM UNIFICADO) Apolo foi ameaçado de morte por
Hades, conhecido matador de aluguel. Tendo tido ciência, por fontes seguras, que Hades o
mataria naquela noite e, com o intuito de defender-se, Apolo saiu de casa com uma faca no
bolso de seu casaco. Naquela noite, ao encontrar Hades em uma rua vazia e escura e, vendo que
este colocava a mão no bolso, Apolo precipita-se e, objetivando impedir o ataque que imaginava
iminente, esfaqueia Hades, provocando-lhe as lesões corporais que desejava. Todavia, após o
ocorrido, o próprio Hades contou a Apolo que não ia matá-lo, pois havia desistido de seu intento
e, naquela noite, foi ao seu encontro justamente para dar-lhe a notícia. Nesse sentido, é correto
afirmar que

A) havia dolo na conduta de Apolo.


B) mesmo sendo o erro escusável, Apolo não é isento de pena.
C) Apolo não agiu em legítima defesa putativa.
D) mesmo sendo o erro inescusável, Apolo responde a título de dolo.

45. (FGV - 2012 - OAB - VIII EXAME DE ORDEM UNIFICADO) José conversava com Antônio
em frente a um prédio. Durante a conversa, José percebe que João, do alto do edifício, jogara
um vaso mirando a cabeça de seu interlocutor. Assustado, e com o fim de evitar a possível morte
de Antônio, José o empurra com força. Antônio cai e, na queda, fratura o braço. Do alto do

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prédio, João vê a cena e fica irritado ao perceber que, pela atuação rápida de José, não
conseguira acertar o vaso na cabeça de Antônio.

Com base no caso apresentado, segundo os estudos acerca da teoria da imputação objetiva,
assinale a afirmativa correta.
A) José praticou lesão corporal culposa.
B) José praticou lesão corporal dolosa.
C) O resultado não pode ser imputado a José, ainda que entre a lesão e sua conduta exista nexo
de causalidade.
D) O resultado pode ser imputado a José, que agiu com excesso e sem a observância de devido
cuidado.

46. (FGV - 2013 - MPE-MS - ANALISTA - DIREITO) Determinado agente, insatisfeito com as
diversas brigas que tinha com seu vizinho, resolve matá-lo. Ao ver seu desafeto passando pela
rua, pega sua arma, que estava em situação regular e contava com apenas uma bala, e atira,
vindo a atingi-lo na barriga. Lembrando-se que o vizinho era pai de duas crianças, arrepende-se
de seu ato e leva a vítima ao hospital. O médico, diante do pronto atendimento e rápida cirurgia,
salva a vida da vítima.

Diante da situação acima, o membro do Ministério Público deve


a) denunciar o agente pelo crime de lesão corporal, pois o arrependimento posterior no caso
impede que o agente responda pelo resultado pretendido inicialmente.
b) denunciar o agente pelo crime de lesão corporal, pois houve arrependimento eficaz.
c) denunciar o agente pelo crime de lesão corporal, pois houve desistência voluntária.
d) denunciar o agente pelo crime de tentativa de homicídio, tendo em vista que o resultado
pretendido inicialmente não foi obtido.
e) requerer o arquivamento, diante da atipicidade da conduta.

47. (FGV – 2014 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) Entende-se por culpabilidade:

a) a relação de contrariedade formal entre uma conduta típica e o ordenamento jurídico, tendo
como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e a inexigibilidade de
conduta diversa;
b) a relação de contrariedade formal e material entre uma conduta típica e o ordenamento
jurídico, tendo como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude e a
inexigibilidade de conduta diversa;
c) a adequação formal e material entre uma conduta dolosa e/ou culposa frente a uma norma
legal incriminadora, pressupondo-se ainda a sua prévia antijuridicidade;
d) o juízo de reprovabilidade que se exerce sobre uma determinada pessoa que pratica um fato
típico e antijurídico, tendo como requisitos a imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude
e a exigibilidade de conduta diversa;

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e) o juízo de reprovabilidade que se exerce sobre uma determinada pessoa que pratica um fato
típico e ilícito, tendo como requisitos a imputabilidade, a consciência plena da ilicitude e a
inexigibilidade de conduta diversa.

48. (FGV – 2014 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) Jorge pretende matar seu desafeto Marcos.
Para tanto, coloca uma bomba no jato particular que o levará para a cidade de Brasília. Com 45
minutos de voo, a aeronave executiva explode no ar em decorrência da detonação do artefato,
vindo a falecer, além de Marcos, seu assessor Paulo e os dois pilotos que conduziam a aeronave.
Considerando que, ao eleger esse meio para realizar o seu intento, Jorge sabia perfeitamente
que as demais pessoas envolvidas também viriam a perder a vida, o elemento subjetivo de sua
atuação em relação à morte de Paulo e dos dois pilotos é o:

a) dolo alternativo;
b) dolo eventual;
c) dolo geral ou erro sucessivo;
d) dolo normativo;
e) dolo direto de 2º grau ou de consequências necessárias.

49. (FGV – 2014 – MPE-RJ – ESTÁGIO FORENSE) Carlos, imbuído de perniciosa lascívia
concupiscente em face de sua colega de trabalho, Joana, resolve estuprá-la após o fim do
expediente. Para tanto, fica escondido no corredor de saída do escritório e, quando a vítima
surge diante de si, desfere-lhe um violento soco no rosto, que a leva ao chão. Aproveitando-se
da debilidade da moça, Carlos deita-se sobre a mesma, já se preparando para despi-la, porém,
antes da prática de qualquer ato libidinoso, repentinamente, imbuído de súbito remorso por ver
uma enorme quantidade de sangue jorrando do nariz de sua colega, faz cessar sua intenção e a
conduz ao departamento médico, para que receba o atendimento adequado.

Em relação a sua conduta, Carlos:


a) responderá por estupro tentado, em virtude da ocorrência de tentativa imperfeita;
b) não responderá por estupro, em virtude da desistência voluntária;
c) não responderá por estupro, em virtude de arrependimento eficaz;
d) não responderá por estupro, em virtude de arrependimento posterior;
e) responderá por estupro consumado, pois atualmente a lei não exige a prática de conjunção
carnal para a configuração desse delito.

50. (FGV – 2014 – OAB – EXAME DE ORDEM) Isadora, mãe da adolescente Larissa, de 12
anos de idade, saiu um pouco mais cedo do trabalho e, ao chegar à sua casa, da janela da sala,
vê seu companheiro, Frederico, mantendo relações sexuais com sua filha no sofá. Chocada com
a cena, não teve qualquer reação. Não tendo sido vista por ambos, Isadora decidiu, a partir de
então, chegar à sua residência naquele mesmo horário e verificou que o fato se repetia por
semanas. Isadora tinha efetiva ciência dos abusos perpetrados por Frederico, porém, muito
apaixonada por ele, nada fez. Assim, Isadora, sabendo dos abusos cometidos por seu
companheiro contra sua filha, deixa de agir para impedi-los.

Nesse caso, é correto afirmar que o crime cometido por Isadora é


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a) omissivo impróprio.
b) omissivo próprio.
c) comissivo.
d) omissivo por comissão.

​ GABARITO

1. LETRA C 10. LETRA A


2. LETRA A 11. LETRA D
3. LETRA A 12. LETRA A
4. LETRA B 13. LETRA D
5. LETRA E 14. LETRA E
6. LETRA C 15. LETRA D
7. LETRA A 16. LETRA D
8. LETRA B 17. LETRA B
9. LETRA B 18. LETRA C

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19. ALTERNATIVA C 35. ALTERNATIVA B


20. ALTERNATIVA A 36. ALTERNATIVA A
21. ALTERNATIVA E 37. ALTERNATIVA C
22. ALTERNATIVA D 38. ALTERNATIVA C
23. ALTERNATIVA B 39. ALTERNATIVA B
24. ERRADA 40. ALTERNATIVA E
25. ERRADA 41. ALTERNATIVA E
26. ALTERNATIVA C 42. ALTERNATIVA D
27. ALTERNATIVA E 43. ALTERNATIVA B
28. ALTERNATIVA E 44. ALTERNATIVA A
29. ALTERNATIVA D 45. ALTERNATIVA C
30. ALTERNATIVA A 46. ALTERNATIVA B
31. ALTERNATIVA C 47. ALTERNATIVA D
32. ALTERNATIVA D 48. ALTERNATIVA E
33. ALTERNATIVA A 49. ALTERNATIVA B
34. ALTERNATIVA A 50. ALTERNATIVA A

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​ EXERCÍCIOS DA AULA

1. VUNESP - Proc (CM Campinas)/CM Campinas/2024

José pratica atos que se amoldam à descrição típica do crime de apropriação indébita,
consumado. No curso de inquérito policial, depois de intimado a prestar declarações em sede
policial, mas antes do recebimento da denúncia, voluntariamente, José restitui a coisa
indebitamente apropriada a seu proprietário.

É correto afirmar que

a) se José for primário e se for de pequeno valor a coisa apropriada, o juiz pode substituir a pena
de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar somente a pena de
multa.

b) nenhum benefício será reconhecido, tendo em vista que a devolução ocorreu após sua
intimação.

c) deve ser reconhecido em seu favor o instituto do arrependimento eficaz, o que lhe trará
redução de pena.

d) deve ser reconhecido em seu favor o instituto do arrependimento posterior, o que lhe trará
redução de pena.

e) nenhum benefício será reconhecido, tendo em vista a consumação do crime.

2. VUNESP - AFTM SP/Pref SP/Gestão Tributária/2023

O agente que praticou um delito, sem violência ou grave ameaça à vítima, mas providencia
voluntariamente a reparação do dano ou a restituição da coisa, até o recebimento da denúncia
ou da queixa, será beneficiado pelo instituto penal

a) do arrependimento posterior, cuja pena será reduzida de um a dois terços.

b) da descriminante putativa, que receberá a isenção da pena.

c) do arrependimento eficaz, para só responder pelos atos já praticados.

d) da desistência eficaz, cuja pena será reduzida de um a dois terços.


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e) da desistência voluntária, para só responder pelos atos já praticados.

3. (VUNESP – 2019 – PREF. DE CERQUILHO-SP – PROCURADOR/ADAPTADA)

Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a
coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será
reduzida de um a dois terços.

4. (VUNESP – 2019 – TJSP – ADMINISTRADOR)

A doutrina dominante define tipicidade como

A )a adequação de um ato praticado pelo agente com as características que o enquadram à


norma descrita na lei penal como crime.

B) um juízo de valor negativo ou desvalor, indicando que a ação humana foi contrária às
exigências do Direito.

C) a voluntária omissão de diligência em calcular as consequências possíveis e previsíveis do


próprio fato.

D) um juízo de reprovação pessoal que recai sobre o autor do crime, que opta em praticar atos
ou omissões de forma contrária ao Direito.

E) uma ação delitiva de maneira consciente e voluntária.

5. (VUNESP – 2018 – PC-SP - INVESTIGADOR) Quando, por ineficácia absoluta do meio ou


por absoluta impropriedade do objeto, é impraticável consumar-se o crime, configura-se o
instituto

(A) do arrependimento eficaz.

(B) da desistência voluntária.

(C) do arrependimento posterior.

(D) do crime impossível.

(E) da tentativa.

6. (VUNESP – 2018 – PC-SP - ESCRIVÃO) A respeito dos artigos 13 ao 25 do Código Penal, é


correto afirmar que

(A) a redução da pena em virtude do arrependimento posterior aplica-se a todos os crimes,


excepcionados apenas os cometidos com violência.

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(B) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena,
considerando-se, no entanto, as condições ou qualidades da pessoa contra quem o agente
queria praticar o crime e não as da vítima.

(C) o agente que, por circunstâncias alheias à própria vontade, não prossegue na execução do
crime, só responderá pelos atos já praticados.

(D) o dever de agir para evitar o resultado incumbe a quem tenha, por lei ou convenção social,
obrigação de cuidado, proteção e vigilância.

(E) são excludentes da ilicitude o estado de necessidade e a legítima defesa, não sendo punível
o excesso, se praticado por culpa.

7. (VUNESP – 2018 – PC-BA - ESCRIVÃO) Dentro do tema do crime consumado e tentado, é


correto afirmar que

(A) os crimes unissubsistentes admitem tentativa.

(B) os crimes omissivos impróprios consumam-se com a ação ou omissão prevista e punida na
norma penal incriminadora.

(C) só haverá consumação do crime quando ocorre resultado naturalístico ou material.

(D) há tentativa cruenta quando o objeto material não é atingido, ou seja, o bem jurídico não é
lesionado.

(E) não admitem tentativa os crimes de atentado ou de empreendimento.

8. (VUNESP – 2017 – CRBIO-1° REGIÃO – ADVOGADO - ADAPTADA) De acordo com o


Código Penal Brasileiro, nos crimes sem violência ou grave ameaça à pessoa, o arrependimento
posterior isenta de pena o autor do crime, desde que reparado o dano até o recebimento da
denúncia ou queixa.
9. (VUNESP – 2017 – CRBIO-1° REGIÃO – ADVOGADO - ADAPTADA) De acordo com o
Código Penal Brasileiro, responde penalmente, a título de omissão, aquele que deixa de agir
para evitar o resultado quando, por lei ou convenção social, tenha obrigação de cuidado,
proteção ou vigilância.
10. (VUNESP – 2017 – CRBIO-1° REGIÃO – ADVOGADO - ADAPTADA) De acordo com o
Código Penal Brasileiro, o crime é tentado quando, iniciada a execução, o agente impede a
realização do resultado.
11. (VUNESP – 2015 – PC/CE – ESCRIVÃO) Com relação à consumação e tentativa do crime,
nos termos previstos no Código Penal, é correto afirmar que

(A) salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, diminuída de um a dois terços.

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(B) diz-se o crime consumado, quando nele se reúnem dois terços dos elementos de sua
definição legal.

(C) diz-se o crime consumado, quando nele se reúnem a maioria dos elementos de sua definição
legal.

(D) diz-se o crime tentado quando não se exaure por circunstâncias alheias à vontade do agente.

(E) diz-se o crime tentado quando, iniciada a cogitação, não se consuma por circunstâncias
alheias à vontade do agente.

12. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) O indivíduo “B”, com intenção de matar a pessoa
“D”, efetua dez disparos de arma de fogo em direção a um veículo que se encontra estacionado
na via pública por imaginar que dentro desse veículo encontrava-se a pessoa “D”, contudo, não
havia nenhuma pessoa no interior do veículo. Com relação à conduta praticada por “B”, é
correto afirmar que

(A) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio tentado, em virtude da
interpretação extensiva do crime de homicídio em vista de sua intenção.

(B) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio consumado, em virtude da
interpretação extensiva do crime de homicídio.

(C) o indivíduo “B” não poderá ser punido pelo crime de homicídio.

(D) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio tentado, por analogia ao crime de
homicídio em vista de sua intenção.

(E) o indivíduo “B” poderá ser punido pelo crime de homicídio consumado, por analogia ao
crime de homicídio em vista de sua intenção.

13. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) O indivíduo “B” descobre que a companhia aérea
“X” é a que esteve envolvida no maior número de acidentes aéreos nos últimos anos. O
indivíduo “B” então compra, regularmente, uma passagem aérea desta companhia e presenteia
seu pai com esta passagem, pois tem interesse que ele morra para receber sua herança. O pai
recebe a passagem e durante o respectivo vôo ocorre um acidente aéreo que ocasiona sua
morte. Diante dessas circunstâncias, é correto afirmar que

(A) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio doloso se for demonstrado
que o piloto do avião em que seu pai se encontrava agiu com culpa no acidente que o vitimou.

(B) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio culposo, tendo em vista que
sem a sua ação o resultado não teria ocorrido.

(C) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio doloso, tendo em vista que
sem a sua ação o resultado não teria ocorrido.

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(D) o indivíduo “B” será responsabilizado pelo crime de homicídio culposo se for demonstrado
que o piloto do avião em que seu pai se encontrava agiu com culpa no acidente que o vitimou.

(E) o indivíduo “B” não praticou e não poderá ser responsabilizado pelo crime de homicídio.

14. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) Nos termos do Código Penal considera-se causa
do crime

(A) a ação ou omissão praticada pelo autor, independentemente de qualquer causa


superveniente.

(B) a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

(C) a ação ou omissão praticada pelo autor, independentemente da sua relação com o resultado.
==28dc4f==

(D) exclusivamente a ação ou omissão que mais contribui para o resultado.

(E) exclusivamente a ação ou omissão que mais se relaciona com a intenção do autor.

15. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ) Há crime em que a tentativa é punida com a mesma pena
do crime consumado, sem a diminuição legal. Exemplo: art. 309 do Código Eleitoral (“votar ou
tentar votar, mais de uma vez, ou em lugar de outrem”).

Recebe, em doutrina, a denominação de

a) crime consunto.

b) crime de conduta mista.

c) crime de atentado ou de empreendimento.

d) crime multitudinário.

16. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ) Quando a descrição legal do tipo penal contém o
dissenso, expresso ou implícito, como elemento específico, o consentimento do ofendido
funciona como causa de exclusão da

a) antijuridicidade formal

b) tipicidade.

c) antijuridicidade material.

d) punibilidade do fato.

17. (VUNESP - 2013 - TJ-SP - JUIZ) Conforme o disposto no artigo 14, parágrafo único, do
Código Penal, “Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a pena correspondente
ao crime consumado, diminuída de um a dois terços”.
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O critério de diminuição da pena levará em consideração

a) a motivação do crime.

b) a intensidade do dolo.

c) o iter criminis percorrido pelo agente.

d) a periculosidade do agente.

18. (VUNESP - 2013 - PC-SP - AGENTE DE POLÍCIA) De acordo com o Código Penal, a
execução iniciada de um crime, que não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente, caracteriza o(a)

a) arrependimento eficaz.

b) arrependimento posterior.

c) tentativa.

d) crime frustrado.

e) desistência voluntária.

19. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Aquele que assume o risco de
produzir um resultado criminoso comete crime movido por

a) culpa.

b) imprudência.

c) dolo.

d) imperícia.

e) negligência.

20. (VUNESP – 2012 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) Com relação ao crime culposo,
assinale a alternativa correta.

a) Imprudência é uma omissão, uma ausência de precaução em relação ao ato realizado.

b) Na culpa consciente, o resultado não é previsto pelo agente, embora previsível.

c) O resultado involuntário trata de elemento do fato típico culposo.

d) Na culpa imprópria, o resultado não é previsto, embora seja previsível.

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21. (VUNESP – 2010 – MP-SP – ANALISTA DE PROMOTORIA) O agente que,


voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza

a) só responde pelos atos já praticados.

b) não comete crime, pois tem afastada a ilicitude da ação.

c) beneficia-se pela causa de diminuição de pena do arrependimento posterior.

d) é punido com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

e) terá pena reduzida de um a dois terços, mas, desde que, por ato voluntário, tenha reparado o
dano ou restituído a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa.

22. (VUNESP – 2007 – OAB-SP – EXAME DE ORDEM) Pretendendo matá-lo, Fulano coloca
veneno no café de Sicrano. Sem saber do envenenamento, Sicrano ingere o café. Logo em
seguida, Fulano, arrependido, prescreve o antídoto a Sicrano, que sobrevive, sem qualquer
seqüela. Diante disso, é correto afirmar que se trata de hipótese de

a) crime impossível, pois o meio empregado por Fulano era absolutamente ineficaz para
obtenção do resultado pretendido.

b) tentativa, pois o resultado não se consumou por circunstâncias alheias à vontade de Fulano.

c) arrependimento posterior, pois o dano foi reparado por Fulano até o recebimento da denúncia.

d) arrependimento eficaz, pois Fulano impediu voluntariamente que o resultado se produzisse.

​ GABARITO

1. ALTERNATIVA D (ANULÁVEL)
2. ALTERNATIVA A
3. CORRETA
4. ALTERNATIVA A
5. ALTERNATIVA D
6. ALTERNATIVA B
7. ALTERNATIVA E
7

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8. ERRADA
9. ERRADA
10. ERRADA
11. ALTERNATIVA A
12. ALTERNATIVA C
13. ALTERNATIVA E
14. ALTERNATIVA B
15. ALTERNATIVA C
16. ALTERNATIVA B
17. ALTERNATIVA C
18. ALTERNATIVA C
19. ALTERNATIVA C
20. ALTERNATIVA C
21. ALTERNATIVA A
22. ALTERNATIVA D

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​ EXERCÍCIOS DA AULA

1. FCC - TM (MPE PB)/MPE PB/Sem Especialidade/2023 - ADAPTADA

Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a
coisa, até a conclusão do inquérito penal, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de
um terço até a metade.

2. FCC - TM (MPE PB)/MPE PB/Sem Especialidade/2023 - ADAPTADA

O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução do crime ou impede que o


resultado se produza só responde pelos atos já praticados.

3. FCC - DP SP/DPE SP/2023 - ADAPTADA

A cogitação é, em regra, impunível, salvo tipificação específica, como na cogitação de ato de


terrorismo.

4. FCC - DP SP/DPE SP/2023 - ADAPTADA

A consumação do crime omissivo impróprio se dá com a superveniência do evento que configura


o resultado do tipo.

5. FCC - DP SP/DPE SP/2023 - ADAPTADA

Na tentativa, o nexo causal do plano criminoso é mantido, mas o dolo interrompido por motivos
alheios à vontade do agente.

6. FCC - Sold (PM BA)/PM BA/2023

Pedro e Paulo praticaram crime de furto em concurso de pessoas, tendo o delito chegado ao
conhecimento das autoridades. Após o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, Pedro,
sem o conhecimento de Paulo, restituiu o objeto furtado. O juiz da comarca ainda não analisou a
denúncia. Diante da situação hipotética acima mencionada,

a) Pedro e Paulo não terão qualquer benefício, pois a restituição se deu após a denúncia.

b) somente Pedro fará jus à causa de diminuição relativa ao arrependimento posterior.

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c) Pedro e Paulo fazem jus à causa de diminuição relativa ao arrependimento posterior.

d) Pedro e Paulo fazem jus ao benefício de redução da pena relativa à desistência eficaz.

e) somente Pedro fará jus à causa de diminuição relativa à desistência eficaz.

7. (FCC – 2018 – PREFEITURA DE SÃO LUÍS-MA – AUDITOR FISCAL DE TRIBUTOS I –


GERAL) Diz-se crime tentado quando

a) ele não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente, após iniciada a execução.

b) impossível de se consumar em razão da ineficácia absoluta do meio ou da absoluta


impropriedade do objeto.

c) o agente, por ato voluntário, até o recebimento da denúncia ou da queixa, repara o dano ou
restitui a coisa.

d) o agente desiste, de forma voluntária, de prosseguir na execução ou impede que o resultado


se produza.

e) o agente dá causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia.

8. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) O arrependimento


eficaz

a) configura-se quando a execução do crime é interrompida pela vontade do agente.

b) dá-se após a execução, mas antes da consumação do crime.

c) decorre da interrupção casuística do iter criminis.

d) é causa inominada de exclusão da ilicitude.

e) exige que a manifestação do autor do crime seja posterior à consumação do delito.

9. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) Nos termos do Código


Penal, pune-se o crime tentado com a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de
um a dois terços. Para o Supremo Tribunal Federal, a pena será diminuída

a) considerando as circunstâncias judiciais do artigo 59, do código penal.

b) tomando-se por base os antecedentes e a personalidade do acusado.

c) com base nas condições de ordem subjetiva do autor do delito.

d) na proporção inversa do iter criminis percorrido pelo agente.

e) de forma equitativa ao dano causado à vítima do crime


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10. (FCC – 2018 – SEFAZ-SC – AUDITOR FISCAL DA RECEITA ESTADUAL – AUDITORIA E


FISCALIZAÇÃO) À luz do que dispõe o Ordenamento Penal brasileiro,

a) o agente que desiste de forma voluntária de prosseguir na execução do crime, ou impede que
o resultado se produza, terá sua pena reduzida de um a dois terços.

b) o arrependimento posterior, nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
deve ocorrer até o oferecimento da denúncia ou da queixa.

c) não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua
consumação.

d) crime impossível é aquele em que o agente, embora tenha praticado todos os atos
executórios à sua disposição, não consegue consumar o crime por circunstâncias alheias à sua
vontade.

e) diz-se crime culposo, quando o agente assumiu o risco de produzi-lo.

11. (FCC – 2018 – DPE-RS – DEFENSOR PÚBLICO) Arquimedes dirigia seu caminhão à noite,
por uma estrada de serra, com muitas curvas, péssima sinalização e sob forte chuva. Ele estava
sonolento e apenas aguardava o próximo posto de combustíveis para estacionar e dormir.
Motorista experiente que era, observava as regras de tráfego no local, imprimindo ao veículo a
velocidade permitida no trecho.

Entretanto, a 50 Km do posto de combustíveis mais próximo, após uma curva, Arquimedes


assustou-se com um vulto que de súbito adentrou a via, imediatamente acionando os freios, sem,
contudo, evitar o choque.

Inicialmente, pensou tratar-se de um animal, mas quando desembarcou do veículo, pôde


constatar que se tratava de um homem. Desesperado ao vê-lo perdendo muito sangue,
Arquimedes logo acionou o serviço de socorro e emergências médicas, que chegou rapidamente
ao local, constatando o óbito do homem em cujo bolso foi encontrado um bilhete de despedida.
Era um suicida.

Da leitura do enunciado, pode-se afirmar que:

a) arquimedes não praticou crime, tendo em vista a incidência na hipótese da inexigibilidade de


conduta diversa − excludente de culpabilidade.

b) a arquimedes deve ser imputada a prática de homicídio culposo na direção de veículo


automotor, em razão de sua conduta negligente.

c) a conduta de arquimedes não reúne os elementos necessários à configuração do fato como


crime.

d) arquimedes não praticou crime, uma vez que agiu em exercício regular de direito − excludente
de ilicitude.

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e) a arquimedes deve ser imputada a prática de homicídio doloso (dolo eventual), tendo em vista
que, ao dirigir à noite, sonolento e sob chuva intensa, assumiu o risco de matar alguém.

12. (FCC – 2017 – TRF5 – OFICIAL DE JUSTIÇA) Édipo, irritado com as constantes festas que
seu vizinho Laio promove à noite, atrapalhando seu descanso, resolve procurá-lo a fim de
resolver definitivamente a situação. Para tanto, arma-se de uma espingarda e se dirige à casa de
Laio, vindo a encontrá-lo distraído. Ato contínuo, aponta a arma em sua direção a fim de efetuar
um disparo contra sua cabeça. Contudo, Jocasta, que, por coincidência, havia acabado de
chegar ao local, surpreende e consegue impedir Édipo de seu intento, retirando-lhe a arma de
sua mão, evitando, assim, o disparo fatal. A conduta de Édipo, para o Direito Penal, pode ser
enquadrada no ordenamento jurídico como

a) arrependimento posterior.

b) desistência voluntária.

c) crime tentado.

d) circunstância atenuante.

e) arrependimento eficaz.

13. (FCC – 2016 – SEFAZ-MA – AUDITOR FISCAL) O Código Penal, ao tratar da relação de
causalidade do crime, considera causa a

a) emoção ou a paixão.

b) delação.

c) ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido.

d) excludente de ilicitude.

e) descriminante putativa.

14. (FCC – 2015 – TCM-GO – PROCURADOR) A consumação se dá nos crimes

a) de mera conduta, com a ocorrência do resultado naturalístico.

b) omissivos impróprios com a prática de conduta capaz de produzir o resultado naturalístico.

c) permanentes, no momento em que cessa a permanência.

d) omissivos próprios, com a simples omissão.

e) culposos, com a prática da conduta imprudente, imperita ou negligente

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15. (FCC – 2015 – TCM-RJ – PROCURADOR) A respeito do crime consumado e do crime


tentado, da desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do arrependimento posterior,
considere:

I. Há desistência voluntária quando o agente, embora tenha iniciado a execução de um delito,


desiste de prosseguir na realização típica, atendendo sugestão de terceiro.

II. A redução de um a dois terços da pena em razão do reconhecimento do crime tentado deve
ser estabelecida de acordo com as circunstâncias agravantes ou atenuantes porventura
existentes.

III. Há arrependimento eficaz, quando o agente, após ter esgotado os meios de que dispunha
para a prática do crime, arrepende-se e tenta, sem êxito, por todas as formas, impedir a
consumação.
==28dc4f==

IV. Em todos os crimes contra o patrimônio, o arrependimento posterior consistente na reparação


voluntária e completa do prejuízo causado, implica a redução obrigatória da pena de um a dois
terços.

V. Há crime impossível quando a consumação não ocorre pela utilização de meio relativamente
inidôneo para produzir o resultado.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I.

b) I e II.

c) III e IV.

d) IV.

e) II e V.

16. (FCC – 2015 - TCE-CE - PROCURADOR DE CONTAS) São elementos do crime doloso:

a) previsibilidade objetiva e dever de cuidado objetivo.

b) previsibilidade subjetiva e dever de cuidado objetivo.

c) desejo do resultado e assunção do risco de produzi-lo.

d) previsão do resultado pelo agente, mas que não se realize sinceramente a sua produção e
especificidade do dolo.

e) elemento subjetivo do tipo e previsibilidade subjetiva.

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17. (FCC – 2015 - TCE-CE - CONSELHEIRO) O Código Penal adota no seu art. 13 a teoria
conditio sine qua non (condição sem a qual não). Por ela,

a) imputa-se o resultado a quem também não deu causa.

b) a causa dispensa a adequação para o resultado.

c) a ação e a omissão são desconsideradas para o resultado.

d) tudo que contribui para o resultado é causa, não se distinguindo entre causa e condição ou
concausa.

e) a omissão é penalmente irrelevante.

18. (FCC – 2015 - TCE-CE - CONSELHEIRO) São elementos da tentativa:

a) início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; dolo e culpa.

b) início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; dolo.

c) início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; culpa consciente.

d) atos preparatórios; Início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias
alheias à vontade do agente; dolo e culpa.

e) atos preparatórios; Início de execução do tipo penal; falta de consumação por circunstâncias
alheias à vontade do agente; dolo.

19. (FCC – 2014 – TJ-CE – JUIZ) Os crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão
são aqueles

a) cuja consumação se protrai no tempo, enquanto perdurar a conduta.

b) em que a relação de causalidade é normativa.

c) praticados mediante o “não fazer” o que a lei manda, sem dependência de qualquer resultado
naturalístico.

d) que se consumam antecipadamente, sem dependência de ocorrer ou não o resultado


desejado pelo agente.

e) que o agente deixa de fazer o que estava obrigado, ainda que sem a produção de qualquer
resultado.

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20. (FCC – 2014 – DPE-PB – DEFENSOR PÚBLICO) Decididamente disposto a matar Tício, por
erro de pontaria o astuto Caio acerta-lhe de leve raspão um disparo no braço. Porém, assustado
com o estrondo do estampido, e temendo acordar a vizinhança que o poderia prender, ao invés
de descarregar a munição restante, Caio estrategicamente decide socorrer o cândido Tício que,
levado ao hospital pelo próprio algoz, acaba logo liberado com curativo mínimo. Caio
primeiramente diz, em sua autodefesa, que o tiro ocorrera por acidente, chegando
ardilosamente a indenizar de pronto todos os prejuízos materiais e morais de Tício com o fato,
mas sua trama acaba definitivamente desvendada pela límpida investigação policial que se
segue. Com esses dados já indiscutíveis, mais precisamente pode-se classificar os fatos como

a) tentativa de homicídio.

b) desistência voluntária.

c) arrependimento eficaz.

d) arrependimento posterior.

e) aberratio ictus.

21. (FCC – 2014 – DPE-RS – DEFENSOR PÚBLICO) A respeito da tipicidade penal, é correto
afirmar:

a) Para a teoria da tipicidade conglobante, a tipicidade penal pressupõe a existência de normas


proibitivas e a inexistência de preceitos permissivos da conduta em uma mesma ordem jurídica.

b) As causas excludentes da ilicitude restringem-se àquelas previstas na Parte Geral do Código


Penal.

c) A figura do crime impossível prevista no art. 17 do Código Penal retrata hipótese de fato
típico, mas inculpável.

d) Pelo Código Penal, aquele que concretiza conduta prevista hipoteticamente como crime, mas
que age em obediência à ordem de superior hierárquico que não seja notoriamente ilegal,
pratica ação atípica penalmente.

e) Nas hipóteses de estado de necessidade, o Código Penal prevê que o excesso doloso
disposto no parágrafo único do art. 23 do Código Penal torna ilícita conduta originalmente
permitida, o que não ocorre com o excesso culposo, que mantém a ação excessiva impunível.

22. (FCC – 2014 – TJ-AP – ANALISTA JUDICIÁRIO) É correto afirmar que:

a) Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída
a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será
reduzida de um a dois terços.

b) O agente que, involuntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o


resultado se produza, não responde pelos atos já praticados.
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c) Diz-se o crime tentado quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal.

d) Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver
causado, exceto culposamente.

e) Não se pune a tentativa quando, por absoluta impropriedade do meio ou por ineficácia
absoluta do objeto, é impossível consumar-se o crime.

23. (FCC – 2014 – MPE-PA – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Aprovada em Sessão Plenária de 15


de dezembro de 1976, a Súmula 554 do Supremo Tribunal Federal enuncia que “O pagamento
de cheque emitido sem suficiente previsão de fundos, após o recebimento da denúncia, não
obsta o prosseguimento da ação penal”. Com o advento da reforma da Parte Geral do Código
Penal pela Lei no 7.209/1984, o sentido normativo dessa súmula passou a ser, no entanto,
tensionado por importantes segmentos da doutrina brasileira, notadamente à luz do instituto
denominado

a) insignificância penal.

b) desistência voluntária.

c) arrependimento eficaz.

d) arrependimento posterior.

e) crime impossível.

24. (FCC – 2014 – TCE-PI – ASSESSOR JURÍDICO) Em direito penal:

I. Reconhecida a tentativa, a pena há de ser diminuída na proporção inversa do iter criminis


percorrido pelo agente.

II. A causalidade, nos crimes comissivos por omissão, não é fática, mas jurídica, consistente em
não haver atuado o omitente, como devia e podia, para impedir o resultado.

III. O crime culposo comissivo por omissão pressupõe a violação por parte do omitente do dever
de agir para impedir o resultado.

IV. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, exclui a punibilidade e se confunde com o
desconhecimento da lei.

Está correto o que se afirma APENAS em

a) I, II e III.

b) I, II e IV.

c) II, III e IV.

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d) III e IV.

e) I e III.

25. (FCC – 2014 – TRT 18 – JUIZ) É causa de exclusão da tipicidade,

a) a insignificância do fato ou a sua adequação social, segundo corrente doutrinária e


jurisprudencial.

b) o erro inevitável sobre a ilicitude do fato.

c) a coação moral irresistível.

d) a não exigibilidade de conduta diversa.

e) a obediência hierárquica.

26. (FCC – 2014 – TRT 18 – JUIZ) No que diz respeito aos estágios de realização do crime, é
correto afirmar que

a) se atinge a consumação com o exaurimento do delito.

b) há arrependimento eficaz quando o agente, por ato voluntário, nos crimes sem violência ou
grave ameaça à pessoa, repara o dano ou restitui a coisa até o recebimento da denúncia ou da
queixa.

c) há desistência voluntária quando o agente, embora já realizado todo o processo de execução,


impede que o resultado ocorra.

d) na desistência voluntária e no arrependimento eficaz o agente só responde pelos atos já


praticados, se típicos.

e) a tentativa constitui circunstância atenuante.

27. (FCC – 2014 – CÂMARA MUNICIPAL-SP – PROCURADOR) Na tentativa punível, o


correspondente abatimento na pena intensifica-se segundo

a) a aptidão para consumar.

b) a periculosidade demonstrada.

c) a lesividade já efetivada.

d) o itinerário já percorrido.

e) o exaurimento já alcançado.

28. (FCC – 2014 - TRF 3 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Não há crime sem


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a) dolo.

b) resultado naturalístico.

c) imprudência.

d) conduta.

e) lesão.

29. (FCC – 2014 - TRF 3 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Paulo, sabendo que seu desafeto Pedro
não sabia nadar e desejando matá-lo, jogou-o nas águas, durante a travessia de um braço de
mar. Todavia, ficou com pena da vítima, mergulhou e a retirou, antes que se afogasse. Nesse
caso, ocorreu:

a) desistência voluntária.

b) arrependimento eficaz

c) crime tentado

d) crime putativo.

e) crime impossível

30. (FCC – 2014 – DPE-CE – DEFENSOR PÚBLICO) Segundo entendimento doutrinário, o


consentimento do ofendido (quando não integra a própria descrição típica), a adequação social
e a inexigibilidade de conduta diversa constituem causas supralegais de exclusão,
respectivamente, da

a) tipicidade, da culpabilidade e da ilicitude.

b) culpabilidade, da tipicidade e da ilicitude.

c) ilicitude, da tipicidade e da culpabilidade.

d) ilicitude, da culpabilidade e da tipicidade.

e) culpabilidade, da ilicitude e da tipicidade.

31. (FCC – 2014 – TCE-GO – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) A adequação perfeita


entre o fato natural, concreto, e a descrição abstrata contida na lei denomina-se

a) culpabilidade.

b) tipicidade.

c) antijuridicidade.
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d) relação de causalidade.

e) consunção.

32. (FCC – 2014 – TCE-GO – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) Não se admite a tentativa
nos crimes

a) unissubsistentes.

b) culposos.

c) omissivos puros.

d) omissivos impróprios.

e) preterdolosos sem consumação do resultado agregado.

33. (FCC – 2015 – TCM-GO – AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO) Fernando deu início à
execução de um delito material, praticando atos capazes de produzir o resultado lesivo. Todavia,
aliou-se à sua ação uma concausa

I. preexistente, absolutamente independente em relação à conduta do agente que, por si só,


produziu o resultado.

II. concomitante, absolutamente independente em relação à conduta do agente que, por si só,
produziu o resultado.

III. superveniente, relativamente independente em relação à conduta do agente, situada na


mesma linha de desdobramento físico da conduta do agente, concorrendo para a produção do
resultado.

IV. superveniente, relativamente independente em relação à conduta do agente, sem guardar


posição de homogeneidade em relação à conduta do agente e que, por si só, produziu o
resultado.

O resultado lesivo NÃO será imputado a Fernando, que responderá apenas pelos atos
praticados, nas situações indicadas em

a) I, II e IV.

b) III e IV.

c) I e III.

d) I e II.

e) II, III e IV.

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34. (FCC – 2015 – TCM-GO – AUDITOR CONSELHEIRO SUBSTITUTO) A respeito do dolo e


da culpa, é correto afirmar que

a) na culpa consciente o agente prevê o resultado e admite a sua ocorrência como consequência
provável da sua conduta.

b) no dolo eventual o agente prevê a ocorrência do resultado, mas espera sinceramente que ele
não aconteça.

c) a imprudência é a ausência de precaução, a falta de adoção das cautelas exigíveis por parte do
agente.

d) a imperícia é a prática de conduta arriscada ou perigosa, aferida pelo comportamento do


homem médio.

e) é previsível o fato cujo possível superveniência não escapa à perspicácia comum.

35. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) Os crimes que resultam do não fazer o que a lei
manda, sem dependência de qualquer resultado naturalístico, são chamados de

A) comissivos por omissão.

B) formais.

C) omissivos próprios.

D) comissivos.

E) omissivos impróprios.

36. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) Para a doutrina finalista, o dolo integra a

A) culpabilidade.

B) tipicidade.

C) ilicitude.

D) antijuridicidade.

E) punibilidade.

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​ GABARITO

1. ERRADA 19. ALTERNATIVA B


2. CORRETA 20. ALTERNATIVA B
3. ERRADA 21. ALTERNATIVA A
4. CORRETA 22. ALTERNATIVA A
5. ERRADA 23. ALTERNATIVA D
6. ALTERNATIVA C 24. ALTERNATIVA A
7. ALTERNATIVA A 25. ALTERNATIVA A
8. ALTERNATIVA B 26. ALTERNATIVA D
9. ALTERNATIVA D 27. ALTERNATIVA D
10. ALTERNATIVA C 28. ALTERNATIVA D
11. ALTERNATIVA C 29. ALTERNATIVA B
12. ALTERNATIVA C 30. ALTERNATIVA C
13. ALTERNATIVA C 31. ALTERNATIVA B
14. ALTERNATIVA D 32. ANULADA
15. ALTERNATIVA A 33. ALTERNATIVA A
16. ALTERNATIVA C 34. ALTERNATIVA E
17. ALTERNATIVA D 35. ALTERNATIVA C
18. ALTERNATIVA B 36. ALTERNATIVA B

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​ EXERCÍCIOS DA AULA

1. (FGV/2024/GCM VITÓRIA-ES/GCM)

Bernardo, guarda municipal na cidade Alfa, estava estacionando o seu automóvel, no interior do
seu domicílio, ocasião em que Tício, mediante o emprego de uma faca, determinou que este
entregasse os seus pertences. Nesse contexto, Bernardo sacou a sua pistola, com o porte regular,
e efetuou um disparo de arma de fogo em detrimento de Tício, atingindo-o no ombro.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que Bernardo
não responderá por qualquer crime em razão do (da)

A) estado de necessidade, causa excludente da tipicidade.

B) legítima defesa, causa excludente da tipicidade.

C) estado de necessidade, causa justificante.

D) legítima defesa, causa justificante.

E) legítima defesa, causa dirimente.

2. (FGV/2024/TJSC/TÉCNICO)

João encontrava-se no interior de uma lancha com dois amigos, ocasião em que a embarcação
colidiu com um jet-ski que trafegava em inequívoco excesso de velocidade. Em razão do forte
abalroamento, João e Caio foram lançados ao mar, juntamente com um único colete salva-vidas.
Após uma intensa luta corporal, João conseguiu permanecer com o objeto, salvando-se. Caio,
por sua vez, faleceu em virtude de afogamento. Após os eventos, foi deflagrado um inquérito
policial, no âmbito do qual se comprovou que o sobrevivente praticou o fato para salvar direito
próprio de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar,
cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João não
responderá por qualquer crime em razão do (da):

A) estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão da culpabilidade;

B) exercício regular de um direito, causa de exclusão da culpabilidade;

C) inexigibilidade de conduta diversa, causa de exclusão da ilicitude;

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D) estado de necessidade, causa de exclusão da ilicitude;

E) legítima defesa, causa de exclusão da ilicitude.

3. (FGV/2024/PCSC/PSICÓLOGO)

Janaína, viúva, mãe de quatro filhos, desempregada e sem dinheiro para comprar comida,
passava por uma loja de frutas e verduras quando percebeu que havia uma cesta de maçãs que
se projetava para o lado de fora da loja. Janaína subtraiu quatro daquelas frutas para dar a seus
filhos, ocasião em que foi presa pelo vendedor que a tudo observava pelas câmeras de
segurança.

Nestas circunstâncias, assinale a alternativa que melhor descreve a situação jurídico-penal de


Janaína.

A) Janaína cometeu furto tentado.

B) Janaína cometeu roubo consumado.

C) Janaína está amparada por estado de necessidade.

D) Janaína agiu em legítima defesa.

E) Janaína praticou estelionato.

4. FGV - Sold (PM RJ)/PM RJ/2024

Após receberem informações no sentido de que um homem estaria agredindo a sua esposa,
policiais militares dirigiram-se ao domicílio do casal, e viram Tício correndo com um facão na
direção de Mévia, afirmando que a mataria. Ato contínuo, a mulher, policial civil, efetuou um
disparo de arma de fogo em direção a Tício, matando-o.

Considerando as disposições do Código Penal, Mévia não responderá por qualquer crime, tendo
agido sob o manto do (da):

a) exercício regular de um direito, causa de exclusão de tipicidade;

b) inexigibilidade de conduta diversa, causa de exclusão de ilicitude;

c) estrito cumprimento do dever legal, causa de exclusão de tipicidade;

d) estado de necessidade, causa de exclusão de ilicitude;

e) legítima defesa, causa de exclusão de ilicitude.

5. FGV - TJ (TJ AP)/TJ AP/Judiciária e Administrativa/2024

João caminhava pelo Parque XYZ, no Município Alfa, ocasião em que Caio, empregando uma
arma de fogo, anunciou a prática do crime, exigindo a entrega do telefone celular da vítima.
João, após entrar em luta corporal com Caio, desferiu-lhe um soco no rosto, causando-lhe

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imediato desmaio. Socorrido no hospital mais próximo, Caio recobrou prontamente a


consciência, demonstrando perfeito estado de saúde.

Considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que não há crime, uma vez que
João atuou sob o manto do(a):

a) exercício regular de um direito, excludente de culpabilidade;

b) exercício regular de um direito, excludente de ilicitude;

c) estado de necessidade, excludente de ilicitude;

d) legítima defesa, excludente de culpabilidade;

e) legítima defesa, excludente de ilicitude.

6. FGV - JT (CSJT)/CSJT/2023

Quanto às excludentes de antijuridicidade, analise as afirmativas a seguir.

I. Aquele que pratica o fato para salvar de perigo iminente, que não provocou por sua vontade,
direito próprio, é considerado em estado de necessidade.

II. Aquele que tem o dever legal de enfrentar o perigo não pode alegar estado de necessidade,
salvo quando for razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado.

III. A tese da legítima defesa da honra é inconstitucional, por contrariar os princípios


constitucionais da dignidade da pessoa humana, da proteção à vida e da igualdade de gênero.

IV. Age em legítima defesa o agente de segurança pública que, usando moderadamente dos
meios necessários, repele agressão atual e injusta à vítima mantida refém durante a prática de
crime.

Está correto o que se afirma em:

a) somente I e II;

b) somente III e IV;

c) somente I, II e IV;

d) somente II, III e IV;

e) I, II, III e IV.

7. FGV - Cabo (PM SP)/PM SP/2023

Sobre as excludentes de ilicitude reconhecidas pelo Direito Penal Brasileiro, é correto afirmar que

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a) a legítima defesa, o estado de necessidade, o estrito cumprimento de dever legal, o exercício


regular de direito e o consentimento do ofendido são excludentes que, expressamente,
encontram-se previstas no Código Penal.

b) dentre todas as excludentes de ilicitude, o excesso punível somente é previsto para a legítima
defesa.

c) não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.

d) configura-se a legítima defesa quando o agente, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito próprio. Quando visa a repelir
injusta agressão a terceiros, age-se em estado de necessidade.

8. FGV - JF TRF1/TRF 1/2023

Guilherme, com a intenção de socorrer seu filho, Rodrigo, utiliza, sem consentimento, o carro de
seu vizinho, Douglas, para levar Rodrigo ao hospital.

A ação de Guilherme é considerada:

a) criminosa em qualquer hipótese;

b) lícita, acobertada pelo exercício regular de um direito;

c) lícita, acobertada pela excludente do estado de necessidade agressivo;

d) criminosa, se não houver a devolução dos valores equivalentes ao consumo do combustível


do veículo;

e) lícita, acobertada pela excludente da legítima defesa de terceiros.

9. FGV - Conc (TJ BA)/TJ BA/2023

João e Guilherme estavam a bordo de uma lancha, a caminho de uma praia paradisíaca, ocasião
em que o marinheiro Jonatan acabou por colidir em uma pedra. Com a lancha afundando, João e
Guilherme se jogaram ao mar, momento em que visualizaram um único colete salva-vidas. Após
uma breve luta corporal, João conseguiu permanecer com o bem, enquanto Guilherme,
desamparado, veio a óbito.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, João atuou sob o manto do(a):

a) exercício regular de um direito, causa de exclusão da culpabilidade;

b) inexigibilidade de conduta diversa, causa de exclusão da culpabilidade;

c) legítima defesa, causa de exclusão da culpabilidade;

d) estado de necessidade, causa de justificação;

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e) legítima defesa, causa de justificação.

10. FGV - GCM (Pref SJC)/Pref SJC/2023

Durante uma manifestação na cidade, a Guarda Municipal é chamada para auxiliar no


patrulhamento e na proteção das pessoas e do patrimônio público. Glauco, manifestante
exaltado, se dirige a Bruno, guarda municipal em serviço, fazendo um movimento de iminente
agressão contra o agente público. Bruno, por sua vez, usando moderadamente os meios
necessários, repele a injusta agressão, causando uma pequena lesão à integridade física de
Glauco.

Nesse caso, e com base no Código Penal, a conduta de Bruno foi

a) lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude da legítima defesa.

b) lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude do estado de necessidade.

c) lícita, uma vez que amparado pela excludente de ilicitude do estrito cumprimento do dever
legal.

d) ilícita, uma vez que é vedado ao agente público agredir, em qualquer hipótese, um cidadão,
ainda que para proteger direito seu ou de outrem de uma agressão atual ou iminente.

e) ilícita, uma vez que, tendo causado lesão corporal leve em Glauco, o agente público deve
responder pelo crime previsto no Código Penal.

11. FGV - TJ RN/TJ RN/Judiciária/2023

João caminhava pelo bairro de sua residência, ocasião em que visualizou um vizinho de longa
data sendo vítima de roubo circunstanciado pelo emprego de arma de fogo. Ato contínuo, João
correu em direção ao autor do fato, desferindo um soco em seu rosto. O acusado caiu ao solo e
logrou se evadir.

Considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que João:

a) responderá pelo delito perpetrado, considerando que a legítima defesa de terceiros, causa
dirimente, pressupõe o prévio pedido da parte interessada;

b) responderá pelo delito perpetrado, considerando que inexiste legítima defesa de terceiros,
mas apenas legítima defesa própria, causa dirimente;

c) atuou sob o manto da inexigibilidade de conduta diversa, causa dirimente;

d) atuou sob o manto da legítima defesa de terceiros, causa de justificação;

e) atuou sob o manto do estado de necessidade, causa de justificação.

12. VUNESP - ACE (TCM SP)/TCM SP/Ciências Jurídicas/2023

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Aquele que pratica o fato em exercício regular de direito não comete crime, pois, nos termos do
artigo 23 do CP, está amparado por uma

a) causa supralegal de exclusão da culpabilidade.

b) causa legal de exclusão da culpabilidade.

c) causa excludente de imputabilidade.

d) causa excludente de ilicitude.

e) descriminante putativa.

13. VUNESP - JE TJRJ/TJ RJ/2023

Age em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. Nos casos em que é razoável exigir-se o
sacrifício do direito ameaçado:

a) o agente será responsabilizado por dolo, mas não por culpa.

b) a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

c) desnatura-se o estado de necessidade, responsabilizando- se o agente.

d) configura-se estado de necessidade putativo.

e) não há isenção de pena quando a ação deriva de culpa e o fato é punível como crime
culposo.

14. (FGV / 2022 / TRT13)

Juliano e Bruno são amigos desde a infância e resolveram fazer um passeio de barco organizado
pela empresa “Escuna Viver Bem” em uma região de praia do litoral brasileiro. Durante o
passeio, o clima mudou e começou a chover intensamente. A embarcação não suportou o mar
agitado e virou. Na água, Juliano e Bruno disputaram o único colete que sobrou, momento em
que Juliano afogou Bruno e pegou o colete para salvar sua vida.
Nesse caso, podemos afirmar que Juliano agiu em
A) legítima defesa.
B) legítima defesa putativa.
C) estado de necessidade.
D) estado de necessidade putativo.
E) exercício regular de direito putativo.

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15. (FGV / 2022 / TJDFT)

Sobre a previsão do Art. 24, § 1º, do Código Penal (dever legal de enfrentar o perigo), considere
a situação em que uma guarnição composta por quatro policiais, em que apenas um está
equipado com arma longa, se depara com um “bonde” (aglomeração de criminosos fortemente
armados em deslocamento), integrado por número muito superior de pessoas armadas.
Sobre a previsão do perigo na situação descrita, no caso de não atuação policial, estará
considerada hipótese de:
A) legítima defesa;
B) estrito cumprimento do dever legal;
C) estado de necessidade;
D) exercício regular de direito;
E) prevaricação.

16. (FGV / 2022 / PCAM)

Leandro saiu para passear com seu cachorro, da raça Pitbull e, quando estava voltando pra casa,
se depara com Jonas, seu antigo desafeto. Ao ver seu inimigo, atiça seu cachorro para atacá-lo.
Diante da agressão injusta, Jonas saca sua arma e atira no cachorro, matando o animal.
Com relação à situação jurídico-penal de Jonas, a tese defensiva que poderá ser alegada é
A) legítima defesa
B) estado de necessidade.
C) exercício regular de direito.
D) estrito cumprimento do dever legal.
E) coação física irresistível.

17. (FGV / 2022 / PCAM)

Sérgio, andando na rua perto de sua residência, se depara com um cachorro de rua que parte em
sua direção para ataca-lo. Muito assustado, Sérgio pega um canivete em seu bolso e mata o
animal.
Com relação à situação jurídico-penal de Sérgio, a tese defensiva que poderá ser alegada é
A) legítima defesa.
B) estado de necessidade.
C) exercício regular de direito.
D) estrito cumprimento do dever legal.

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E) coação física irresistível.

18. (FGV / 2021 / PCRN / DELEGADO)

Durante uma partida de futebol, Rogério agrediu Jonas com um soco, que lhe causou um leve
ferimento no olho direito. No dia seguinte, Jonas vai tirar satisfação com Rogério e, no meio
da discussão, saca uma arma de fogo e parte na direção de Rogério, que, então, retira de sua
mochila um revólver que carregava legalmente e dispara contra Jonas, causando sua morte.
Considerando a situação apresentada, com relação à morte de Jonas, Rogério:
A) responderá por homicídio, ficando, porém, isento de pena por ter atuado no exercício regular
de direito;

B) responderá por homicídio, pois provocou a situação em que se encontrava, afastando eventual
excludente de ilicitude;
C) não responderá por homicídio, considerando que agiu em legítima defesa, que é causa de
exclusão da culpabilidade;
D) responderá por homicídio culposo, pois agiu em excesso de legítima defesa;
E) não responderá por homicídio, pois agiu em legítima defesa, o que afasta a ilicitude de sua
conduta.

19. (FGV / 2021 / PCRN)

Joana caminhava pela rua, quando percebeu que um cachorro de grande porte se desvencilhou
da coleira de seu dono e correu ferozmente em direção a uma criança que brincava na calçada.
Com o objetivo de proteger a criança, Joana atirou uma pedra na cabeça do animal, que veio a
falecer.
Considerando os fatos acima, Joana agiu em:
A) estado de necessidade, que afasta a culpabilidade de sua conduta;
B) legítima defesa de terceiro, que afasta a tipicidade de sua conduta;
C) estado de necessidade, que afasta a ilicitude de sua conduta;
D) legítima defesa de terceiro, que afasta a ilicitude de sua conduta;
E) estado de necessidade, que afasta a tipicidade de sua conduta.

20. (FGV / 2021 / FUNSAÚDE)

Durante operação policial em localidade com presença de criminosos armados, o policial


Jonathan, temendo pela sua integridade física e de seus colegas policiais, se assusta ao ver sair
de uma casa um homem segurando um guarda-chuva com ponta metálica.
Por pensar tratar-se de uma arma de fogo e não de um guarda-chuva, Jonathan atira e vem a
matar a vítima, Caio, que saía de casa em direção ao trabalho.

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Acerca do erro praticado por Jonathan, assinale a opção que indica a tese de direito material que
poderia ser usada em sua defesa.
A) Erro de proibição, que, se for entendido como inevitável, isenta de pena e se for evitável
poderá reduzi-la de um sexto a um terço, nos termos do Art. 21 do CP.
B) Erro de tipo incriminador, na medida em que errou sobre um elemento constitutivo do crime, o
que poderia, nos termos do Art. 20, caput, do CP, afastar o dolo e permitir a punição por crime
culposo, que existe no caso do homicídio.
C) Erro na execução, na medida em que pensou que Caio estivesse portando uma arma de fogo,
o que faz com que ele seja isento de pena, nos termos do Art. 73 do CP.
D) Erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar
diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima. Se o erro for tido como
justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável, responderá pelo crime na
modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.
E) Erro sobre o objeto, modalidade de erro acidental na qual o agente confunde um objeto com
outro, o que poderá isentar o réu de pena.

21. (FGV / 2021 / DPE-RJ)

Assinale a única alternativa que NÃO configura uma causa excludente da ilicitude:
A) Coação moral irresistível.
B) Exercício regular do direito.
C) Estrito cumprimento do dever legal.
D) Legítima defesa.
E) Estado de necessidade.

22. (FGV / 2021 / TJRO)

Quando dois agentes, numa mesma dinâmica fática, direcionando suas condutas um contra o
outro, atuam em legítima defesa real frente a uma atitude de legítima defesa putativa ou os dois
agentes, numa mesma dinâmica fática, direcionando suas condutas um contra o outro, atuam em
legítimas defesas putativas, concomitantemente, estará caracterizada hipótese de legítima
defesa:
A) recíproca;
B) própria;
C) imprópria;
D) putativa;
E) sucessiva.

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23. (FGV / 2020 / MPE-RJ)

Durante uma discussão verbal, Pedro percebeu que João estava prestes a lhe desferir um golpe
com pedaço de madeira, razão pela qual pegou uma pedra no chão, seu único meio de defesa
disponível, e a jogou em direção à cabeça do rival para se proteger da injusta agressão. Ocorre
que, mesmo após João já estar caído em razão da pedrada recebida, Pedro persistiu desferindo
socos na face de João. João pegou então um canivete que tinha no bolso e golpeou a perna de
Pedro para que cessassem aquelas agressões. João apresentou lesões graves em razão dos socos
recebidos de Pedro após a pedrada. Já Pedro ficou apenas com lesões de natureza leve em razão
do golpe recebido com canivete.
Descobertos os fatos em investigação, os autos são encaminhados ao Ministério Público. Por
ocasião da análise, deverá ser concluído que:
A) Pedro agiu em legítima defesa a todo momento, logo a conduta de João ao desferir golpe
com canivete não pode ser considerada amparada pela excludente de ilicitude, de forma que
este poderá ser responsabilizado criminalmente pelo ato;
B) Pedro agiu, inicialmente, amparado pela legítima defesa, mas houve excesso, possibilitando
sua responsabilização pelo resultado causado em razão deste, bem como a legítima defesa de
João ao desferir o golpe com canivete;
C) Pedro não agiu amparado por qualquer excludente de ilicitude, podendo responder pelo
crime de lesão corporal dolosa, em razão da pedrada e socos, enquanto João agia em legítima
defesa, afastando a sua responsabilidade penal;
D) Pedro e João não agiram amparados por qualquer causa excludente da ilicitude, podendo
ambos ser responsabilizados pelas lesões causadas;
E) Pedro e João agiram em legítima defesa durante todo o tempo, de modo que nenhum dos
dois poderia ser responsabilizado criminalmente.

24. (FGV – 2017 – TRT12 – OFICIAL DE JUSTIÇA) Oficial de Justiça ingressa em comunidade no
interior do Estado de Santa Catarina para realizar intimação de morador do local. Quando
chega à rua, porém, depara-se com a situação em que um inimputável em razão de doença
mental está atacando com um pedaço de madeira uma jovem de 22 anos que apenas
caminhava pela localidade. Verificando que a vida da jovem estava em risco e não havendo
outra forma de protegê-la, pega um outro pedaço de pau que estava no chão e desfere
golpe no inimputável, causando lesão corporal de natureza grave.

Com base apenas nas informações narradas, é correto afirmar que, de acordo com a doutrina
majoritária, a conduta do Oficial de Justiça:
a) não configura crime, em razão da atipicidade;
b) não configura crime, em razão do estado de necessidade;
c) configura crime, mas o resultado somente poderá ser imputado a título de culpa, em razão do
estado de necessidade;
d) não configura crime, em razão da legítima defesa;

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e) configura crime, tendo em vista que não havia direito próprio do Oficial de Justiça em risco
para ser protegido.

25. (FGV – 2016 – CODEBA – ADVOGADO) Diego e Júlio César, que exercem a mesma função,
estão trabalhando dentro de um armazém localizado no Porto de Salvador, quando se inicia
um incêndio no local em razão de problemas na fiação elétrica. Existe apenas uma pequena
porta que permite a saída dos trabalhadores do armazém, mas em razão da rapidez com que
o fogo se espalha, apenas dá tempo para que um dos trabalhadores saia sem se queimar.
Quando Diego, que estava mais próximo da porta, vai sair, Júlio César, desesperado por ver
que se queimaria se esperasse a saída do companheiro, dá um soco na cabeça do colega de
trabalho e passa à sua frente, deixando o armazém. Diego sofre uma queda, tem parte do
corpo queimada, mas também consegue sair vivo do local. Em razão do ocorrido, Diego
ficou com debilidade permanente de membro.

Considerando apenas os fatos narrados na situação hipotética, é correto afirmar que a conduta
de Júlio César
a) configura crime de lesão corporal grave, sendo o fato típico, ilícito e culpável.
b) está amparada pelo instituto da legítima defesa, causa de exclusão da ilicitude.
c) configura crime de lesão corporal gravíssima, sendo o fato típico, ilícito e culpável.
d) está amparada pelo instituto do estado de necessidade, causa de exclusão da ilicitude.
e) está amparada pelo instituto do estado de necessidade, causa de exclusão da culpabilidade.

26. (FGV - 2008 - TCM-RJ – AUDITOR) São consideradas causas legais de exclusão da ilicitude:

a) estado de necessidade, legítima defesa e embriaguez voluntária.


b) estado de necessidade, legítima defesa, coação moral resistível e obediência hierárquica de
ordem não manifestamente ilegal.
c) estado de necessidade, legítima defesa, coação moral irresistível e obediência hierárquica de
ordem não manifestamente ilegal.
d) coação física irresistível, obediência hierárquica de ordem não manifestamente ilegal, estado
de necessidade, legítima defesa, exercício regular do direito, estrito cumprimento do dever legal
e embriaguez voluntária.
e) estado de necessidade, legítima defesa, exercício regular do direito e estrito cumprimento do
dever legal.

27. (FGV - 2013 - MPE-MS - ANALISTA - DIREITO) No Direito Penal brasileiro, prevalece no
âmbito doutrinário e jurisprudencial a adoção da teoria tripartida do fato criminoso, ou seja,
crime é a conduta típica, ilícita e culpável. Nem toda conduta típica será ilícita, tendo em
vista que existem causas de exclusão da ilicitude.

As alternativas a seguir apresentam causas que excluem a ilicitude, de acordo com o Código
Penal, à exceção de uma. Assinale-a.
a) Legítima Defesa.
b) Obediência hierárquica.

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c) Estrito cumprimento de dever legal.


d) Exercício regular de direito.
e) Estado de necessidade.

28. FCC - TM (MPE PB)/MPE PB/Sem Especialidade/2023 - ADAPTADA

Entende-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

29. (FCC - 2018 – PREFEITURA DE CARUARU-PE– PROCURADOR DO MUNICÍPIO) NÃO há


crime quando o agente pratica o fato

a) em decorrência da paixão.
b) sob violenta emoção.
c) em estado de embriaguez involuntária.
d) em estado de necessidade.
e) por erro sobre a ilicitude do fato.

30. (FCC – 2018 – MPE-PE – TÉCNICO MINISTERIAL - ADMINISTRATIVA) Não há crime quando
o agente pratica o fato:

I. Em estado de necessidade.
II. Em estado de embriaguez culposa pelo álcool.
III. Em estrito cumprimento de dever legal.
IV. No exercício regular de direito.
V. Sob o efeito de emoção ou paixão.
Está correto o que se afirma APENAS em
A) I, II e III.
B) I, IV e V.
C) II, III e V.
D) II, IV e V.
E) I, III e IV.

31. (FCC – 2018 – DPE-MA – DEFENSOR PÚBLICO) Legítima defesa

a) é meio de exclusão da ilicitude em face de qualquer injusta agressão, desde que os bens
jurídicos atacados sejam o patrimônio, a vida ou a integridade corporal.
b) é cabível ainda que o bem agredido esteja submetido a outra forma de especial proteção,
como o proprietário que ameaça o inquilino para que preserve o imóvel.

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c) se legitima como forma de exclusão da antijuridicidade diante de agressão injusta, entendida


como aquela realizada mediante comportamento do agressor que implique em crime doloso.
d) quando praticada em excesso, após cessada a agressão, implica em punição na modalidade
culposa.
e) exclui a antijuridicidade da conduta quando repele agressão injusta que esteja ocorrendo ou
em vias de ocorrer, desde que a ação defensiva seja moderada e utilize os meios necessários.

32. (FCC –2018 – CLDF – TÉCNICO LEGISLATIVO - AGENTE DE POLÍCIA LEGISLATIVA) De


acordo com o que estabelece o Código Penal,

a) não há crime quando o agente pratica o fato no exercício regular de direito.


b) entende-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar.
c) é possível a invocação do estado de necessidade mesmo para aquele que tinha o dever legal
de enfrentar o perigo.
d) é plenamente possível a compensação de culpas quando ambos os agentes agiram com
imprudência, negligência ou imperícia na prática do ilícito.
e) considera-se praticado o crime no momento do resultado, ainda que outro seja o momento da
ação ou omissão.

33. (FCC – 2017 – TRF5 – OFICIAL DE JUSTIÇA) Considere:

I. Não provocação voluntária do perigo.


II. Exigibilidade de sacrifício do bem salvo.
III. Inexistência do dever legal de enfrentar o perigo.
IV. Conhecimento da situação justificante.
V. Agressão atual ou pretérita.
São requisitos do estado de necessidade o que se afirma APENAS em
a) I, III e IV.
b) II, III e IV.
c) I, II e V.
d) II, IV e V.
e) I, III e V.

34. (FCC – 2016 – SEFAZ-MA – AUDITOR FISCAL) NÃO há crime quando o agente pratica o fato
típico descrito na lei penal

a) mediante coação irresistível ou em estrita obediência a ordem de superior hierárquico.


b) por culpa, dolo eventual, erro sobre os elementos do tipo e excesso justificado.
c) somente em estado de necessidade e legítima defesa.

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d) mediante erro sobre a pessoal contra a qual o crime é praticado, em concurso de pessoas
culposo e nos casos de excesso doloso.
e) em estado de necessidade, legítima defesa, em estrito cumprimento do dever legal e no
exercício regular de direito.

35. (FCC – 2016 – ISS-TERESINA – AUDITOR-FISCAL) Considere:

I. obediência hierárquica.
II. estado de necessidade.
III. exercício regular de um direito.
IV. legítima defesa.
Dentre as causas excludentes de ilicitude, incluem-se o que consta APENAS em
a) I e II.
b) II, III e IV.
c) I, II e IV.
d) I, II e III.
e) III e IV.

36. (FCC – 2014 – TJ-AP – ANALISTA JUDICIÁRIO) Com relação à exclusão de ilicitude é correto
afirmar:

a) Há crime quando o agente pratica o fato em exclusão de ilicitude, havendo, no entanto,


redução da pena.
b) Considera-se em estado de necessidade quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
c) Considera-se em legítima defesa quem pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
d) Pode alegar estado de necessidade mesmo quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo.
e) Ainda que o agente haja em caso de exclusão de ilicitude, este responderá pelo excesso
doloso ou culposo.

37. (FCC – 2014 – MPE-PA – PROMOTOR DE JUSTIÇA) Segundo sua classificação doutrinária
dominante, o chamado ofendículo pode mais precisamente caracterizar situação de exclusão
de

a) antijuridicidade.
b) tipicidade.
c) periculosidade.
d) culpabilidade.
e) punibilidade.

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38. (FCC – 2014 – TCE-GO – ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO) Considere:

I. Cícerus aceitou desafio para lutar.


II. Marcus atingiu o agressor após uma agressão finda.
III. Lícius reagiu a uma agressão iminente.
Presentes os demais requisitos legais, a excludente da legítima defesa pode ser reconhecida em
favor de
a) Lícius, apenas.
b) Cícerus e Marcus.
c) Cícerus e Lícius.
d) Marcus e Lícius.
e) Cícerus, apenas ==28dc4f==

39. (FCC – 2011 – TCE-SP – PROCURADOR) No estado de necessidade,

A) há necessariamente reação contra agressão.


B) o agente responderá apenas pelo excesso culposo.
C) deve haver proporcionalidade entre a gravidade do perigo que
ameaça o bem jurídico e a gravidade da lesão causada.
D) a ameaça deve ser apenas a direito próprio.
E) inadmissível a modalidade putativa.

40. (VUNESP – 2018 – PC-SP - INVESTIGADOR) Aquele que pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio
ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se,

(A) não comete crime, pois age amparado pelo estrito cumprimento do dever legal.
(B) não comete crime, pois age amparado pelo estado de necessidade.
(C) comete crime, embora esteja amparado por causa excludente de culpabilidade.
(D) não comete crime, pois age amparado pela legítima defesa.
(E) comete crime, embora esteja amparado por causa excludente de punibilidade.

41. (VUNESP – 2018 – PC-BA - INVESTIGADOR) O Código Penal, no art. 23, elenca as causas
gerais ou genéricas de exclusão da ilicitude. Sobre tais excludentes, assinale a alternativa
correta.

(A) Morador não aceita que funcionário público, cumprindo ordem de juiz competente, adentre
em sua residência para realizar busca e apreensão. Se o funcionário autorizar o arrombamento da
porta e a entrada forçada, responderá pelo crime de violação de domicílio.

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(B) O estrito cumprimento do dever legal é perfeitamente compatível com os crimes dolosos e
culposos.
(C) Para a configuração do estado de necessidade, o bem jurídico deve ser exposto a perigo
atual ou iminente, não provocado voluntariamente pelo agente.
(D) O reconhecimento da legítima defesa pressupõe que seja demonstrado que o agente agiu
contra agressão injusta atual ou iminente nos limites necessários para fazer cessar tal agressão.
(E) Deve responder pelo crime de constrangimento ilegal aquele que não sendo autoridade
policial prender agente em flagrante delito.

42. (VUNESP – 2015 – PC/CE – ESCRIVÃO) Segundo o previsto no Código Penal, incorrerá na
excludente de ilicitude denominada estado de necessidade aquele que

(A) pratica o fato usando moderadamente dos meios necessários, para repelir injusta agressão,
atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
(B) atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando não lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.
(C) tendo o dever legal de enfrentar o perigo, pratica o fato para salvar de perigo atual, que não
provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável se exigir.
(D) pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, era razoável
exigir-se.
(E) pratica o fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável
exigir-se.

43. (VUNESP – 2015 – PC/CE – INSPETOR) Com relação à legítima defesa, segundo o disposto
no Código Penal, é correto afirmar que

(A) o uso moderado dos meios necessários para repelir uma agressão consiste em um dos
requisitos para caracterização da legítima defesa, ainda que essa agressão seja justa.
(B) um dos requisitos para sua caraterização consiste na necessidade que a injusta agressão seja
atual e não apenas iminente.
(C) um dos requisitos para sua caracterização consiste na exigência de que a repulsa à injusta
agressão seja realizada contra direito seu, tendo em vista que se for praticada contra o direito
alheio estar-se-á diante de estado de necessidade.
(D) a legítima defesa não resta caracterizada se for praticada contra uma agressão justa, ainda
que observados os demais requisitos para sua caracterização.
(E) considera-se em legítima defesa aquele que pratica o fato para salvar de perigo atual, que
não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo
sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.

44. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Aquele que pratica fato típico
para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo

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evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se,
atuou em

a) legítima defesa putativa e, portanto, não cometeu crime.


b) estado de necessidade e, portanto, terá a pena diminuída de 1 (um) a 2 (dois) terços.
c) legítima defesa e, portanto, não cometeu crime.
d) estado de necessidade e, portanto, não cometeu crime.
e) legítima defesa e, portanto, terá a pena diminuída de 1 (um) a 2 (dois) terços.

45. (VUNESP – 2002 – SEFAZ-SP – AGENTE FISCAL DE RENDAS) São causas de exclusão da
ilicitude:

a) a legítima defesa, o exercício regular de direito e a coação irresistível.


b) a obediência hierárquica, a coação irresistível e a desistência voluntária.
c) o arrependimento eficaz, o arrependimento posterior e o estrito cumprimento do dever legal.
d) o estado de necessidade, a obediência hierárquica e a desistência voluntária.
e) o exercício regular de direito, o estrito cumprimento do dever legal e o estado de
necessidade.

46. (VUNESP – 2008 – TJ-SP – JUIZ) Após a morte da mãe, A recebeu, durante um ano, a pensão
previdenciária daquela, depositada mensalmente em sua conta bancária, em virtude de ser
procuradora da primeira. Descoberto o fato, A foi denunciada por apropriação indébita. Se a
sentença concluir que a acusada (em razão de sua incultura, pouca vivência, etc.) não tinha
percepção da antijuricidade de sua conduta, estará reconhecendo

a) erro sobre elemento do tipo, que exclui o dolo.


b) erro de proibição.
c) descriminante putativa.
d) ignorância da lei.

​ GABARITO

1. LETRA D
2. LETRA D
3. LETRA C

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4. LETRA E
5. LETRA E
6. LETRA B
7. LETRA C
8. LETRA C
9. LETRA D
10. LETRA A
11. LETRA D
12. LETRA D
13. LETRA B
14. LETRA C
15. LETRA C
16. LETRA A
17. LETRA B
18. ALTERNATIVA E
19. ALTERNATIVA C
20. ALTERNATIVA D
21. ALTERNATIVA A
22. ALTERNATIVA A
23. ALTERNATIVA B
24. ALTERNATIVA D
25. ALTERNATIVA D
26. ALTERNATIVA E
27. ALTERNATIVA B
28. ERRADA
29. ALTERNATIVA D
30. ALTERNATIVA E
31. ALTERNATIVA E
32. ALTERNATIVA A
33. ALTERNATIVA A
34. ALTERNATIVA E

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35. ALTERNATIVA B
36. ALTERNATIVA E
37. ALTERNATIVA A
38. ALTERNATIVA A
39. ALTERNATIVA C
40. ALTERNATIVA B
41. ALTERNATIVA D
42. ALTERNATIVA E
43. ALTERNATIVA D
44. ALTERNATIVA D
45. ALTERNATIVA E
46. ALTERNATIVA B

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​ EXERCÍCIOS PARA PRATICAR

1. FGV - TJ (TJ AP)/TJ AP/Judiciária e Administrativa/2024

Caio, torcedor fanático da Seleção Brasileira de Futebol, recebeu uma ligação, afirmando que foi
sorteado para acompanhar a final de um campeonato entre o Brasil e a Argentina. Para tanto, ele
deveria comparecer à sede da empresa que realizou o sorteio para retirar o ingresso. Assim
sendo, Caio, agente público, saiu às pressas da repartição onde trabalha, levando consigo o
telefone celular do órgão público, acreditando ser o seu aparelho de telefonia móvel, posto que
ambos são idênticos.

Considerando as disposições do Código Penal e os entendimentos doutrinário e jurisprudencial


dominantes, é correto afirmar que Caio:

a) não responderá por qualquer crime, por força do erro de proibição indireto;

b) não responderá por qualquer crime, por força do erro de proibição direto;

c) não responderá por qualquer crime, por força do erro de tipo;

d) responderá pelo crime de concussão;

e) responderá pelo crime de peculato.

2. FGV - Del Pol (PC SC)/PC SC/2024

Adonis, 71 anos, reside sozinho em um bairro violento. Certo dia, percebeu que um homem
desconhecido, portando uma arma de fogo na cintura, ingressou em seu terreno na calada da
noite. Ao perceber que o indivíduo caminhava desorientado em seu quintal, Adonis, temendo
por sua integridade física e sua vida, desferiu um disparo de arma de fogo na perna da vítima.
Quando se aproximou da vítima, caída ao chão, constatou que se tratava de seu vizinho Heitor,
que havia entrado no seu imóvel por engano, em razão de estar alcoolizado. Heitor foi
hospitalizado, porém recebeu alta no mesmo dia. Diante do cenário descrito, é correto afirmar
que

a) Adonis deve responder pelo crime de lesão corporal, tendo em vista o excesso de legítima
defesa.

b) deve ser reconhecida a exclusão da ilicitude pela legítima defesa.

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c) deve ser afastada a culpabilidade, em razão da ausência de potencial conhecimento da


ilicitude do fato.

d) deve ser afastada a culpabilidade, em razão de inexigibilidade de conduta diversa.

e) Adonis está isento de pena, em razão da descriminante putativa por erro de tipo inevitável.

3. (FGV - NAC UNI OAB/OAB/2023)

Alan é bombeiro civil e, atendendo a uma ocorrência, foi retirar um suposto animal selvagem de
um condomínio residencial. Lá chegando, deparou-se com um aparente filhote de onça, o qual
foi recolhido por Alan, que deveria levar o animal ao Centro de Triagem, distante do local onde
encontrado (e que seria o procedimento adequado). Porém, Alan teve a iniciativa de deixar o
felino em uma área de mata próxima ao condomínio, onde imaginava ser o habitat natural do
animal, e, assim, poupar seu tempo.

Carmen, residente no referido condomínio, ao chegar em casa, percebeu que seu gato Bengal
(raça caracterizada por ser muito similar a uma onça) está desaparecido. Ao saber do ocorrido,
percebeu que seu gato foi confundido com um filhote de onça e, por isso, foi levado por Alan e
deixado na área de mata. Assim, Carmen procurou a Delegacia de Polícia e relatou o ocorrido.

Neste caso, como advogado de Alan, é correto afirmar, sobre a conduta de seu assistido, que
houve erro

a) de tipo permissivo, uma vez que Alan pensava agir sob estrito cumprimento de dever legal, e
por isso, sua conduta é lícita, abarcada por excludente de ilicitude.

b) de tipo inescusável, pois Alan efetivamente se confundiu sobre a espécie do animal, mas
deixou de adotar as cautelas devidas, excluindo-se apenas o dolo.

c) de tipo escusável, pois Alan efetivamente não conhecia a espécie do animal apreendido, tendo
adotado todas as cautelas que lhe eram exigidas na situação, de forma a excluir o dolo e a culpa.

d) de proibição, tendo em vista que Alan não conhecia a espécie de animal doméstico,
afastando-se a culpabilidade da sua conduta.

4. (FGV - NAC UNI OAB/OAB/2023)

Alan é bombeiro civil e, atendendo a uma ocorrência, foi retirar um suposto animal selvagem de
um condomínio residencial. Lá chegando, deparou-se com um aparente filhote de onça, o qual
foi recolhido por Alan, que deveria levar o animal ao Centro de Triagem, distante do local onde
encontrado (e que seria o procedimento adequado). Porém, Alan teve a iniciativa de deixar o
felino em uma área de mata próxima ao condomínio, onde imaginava ser o habitat natural do
animal, e, assim, poupar seu tempo.

Carmen, residente no referido condomínio, ao chegar em casa, percebeu que seu gato Bengal
(raça caracterizada por ser muito similar a uma onça) está desaparecido. Ao saber do ocorrido,
percebeu que seu gato foi confundido com um filhote de onça e, por isso, foi levado por Alan e
deixado na área de mata. Assim, Carmen procurou a Delegacia de Polícia e relatou o ocorrido.

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Neste caso, como advogado de Alan, é correto afirmar, sobre a conduta de seu assistido, que
houve erro

a) de tipo permissivo, uma vez que Alan pensava agir sob estrito cumprimento de dever legal, e
por isso, sua conduta é lícita, abarcada por excludente de ilicitude.

b) de tipo inescusável, pois Alan efetivamente se confundiu sobre a espécie do animal, mas
deixou de adotar as cautelas devidas, excluindo-se apenas o dolo.

c) de tipo escusável, pois Alan efetivamente não conhecia a espécie do animal apreendido, tendo
adotado todas as cautelas que lhe eram exigidas na situação, de forma a excluir o dolo e a culpa.

d) de proibição, tendo em vista que Alan não conhecia a espécie de animal doméstico,
afastando-se a culpabilidade da sua conduta.

5. (FGV - OJ (TJ RN)/TJ RN/Judiciária/Direito/2023)

João, pessoa humilde e analfabeta, com 70 anos de idade, residente em zona rural, acabou por
danificar, no exercício de suas atividades diuturnas pessoais, floresta considerada de preservação
permanente. Ao ser ouvido, em juízo, o réu narrou que não sabia que a sua conduta era
penalmente ilícita, considerando que sempre morou no campo e que o seu sustento sempre
esteve ligado à fauna e à flora locais.

Nesse cenário, considerando as disposições do Código Penal, é correto afirmar que NÃO há
crime, em razão do:

a) erro de proibição direto, excluindo-se a culpabilidade;

b) erro de proibição indireto, excluindo-se a ilicitude;

c) erro de tipo permissivo, excluindo-se a tipicidade;

d) erro de permissão, excluindo-se a tipicidade;

e) erro mandamental, excluindo-se a ilicitude.

6. (FGV - Alun Of (PM AC)/PM AC/Combatente/2023)

João, sabendo que o seu desafeto, José, passa por determinada rua todos os dias por volta das
19h, ao retornar do trabalho, resolve aguardá-lo em uma esquina, para matá-lo. No horário
mencionado, João vê José e efetua cinco disparos de arma de fogo na direção do desafeto. No
entanto, José não é atingido, mas sim Frederico, que surgiu ali repentinamente, e veio a óbito no
local. Acerca dessa situação, podemos afirmar que João responderá por homicídio

a) doloso consumado em face de Frederico em concurso formal.

b) doloso tentado, uma vez que os disparos não atingiram a vítima pretendida.

c) doloso consumado em face de Frederico como se tivesse sido contra José.

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d) culposo tentado, uma vez que não ocorreu o resultado por ele planejado.

e) culposo consumado em face de Frederico, vítima efetivamente atingida.

7. (FGV - JE TJMS/TJ MS/2023)

Eriberto, casado com Filomena, por estar tendo um relacionamento extraconjugal, e desejoso de
viver com a amante, decide matar Filomena. Sabedor de que ela tem o hábito de tomar um copo
de leite de manhã cedo, Eriberto, tarde da noite, adiciona poderoso veneno em sua bebida. Na
manhã seguinte, quando vai se servir do leite envenenado, Filomena o oferece ao filho único do
casal, Júnior, de 7 anos de idade, que, assim como a mãe, bebe o produto. Quando Eriberto
chega na cozinha e encontra a mulher e o filho desfalecidos, aciona o serviço médico de urgência
(SAMU), que logo chega ao local, levando Filomena e Júnior ao hospital. O atendimento médico
evita a morte de Filomena, mas a criança acaba morrendo, em decorrência da intoxicação.

Diante do caso narrado, é correto afirmar que Eriberto:

a) responderá, em concurso material, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior, bem
como por tentativa de feminicídio da vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de
veneno;

b) responderá, em concurso formal impróprio, por homicídio culposo em relação à morte de


Júnior, podendo vir a ser beneficiado com o perdão judicial, bem como por lesão corporal no
tocante à vítima Filomena, reconhecendo-se a desistência voluntária;

c) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio doloso em relação à morte de Júnior,
com a qualificadora do emprego de veneno e o aumento de pena decorrente de haver praticado
o delito contra pessoa menor de 14 anos de idade, bem como por tentativa de feminicídio da
vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de veneno;

d) responderá, em concurso formal impróprio, por homicídio doloso em relação à morte de


Júnior, com a qualificadora do emprego de veneno e o aumento de pena decorrente de haver
praticado o delito contra pessoa menor de 14 anos de idade, bem como por tentativa de
feminicídio da vítima Filomena, com a qualificadora do emprego de veneno;

e) responderá, em concurso formal próprio, por homicídio culposo em relação à morte de Júnior,
podendo vir a ser beneficiado com o perdão judicial, bem como por lesão corporal qualificada no
tocante à vítima Filomena, reconhecendo-se o arrependimento eficaz.

8. (VUNESP - JE TJRJ/TJ RJ/2023)

Caio e Tício são sócios em uma sociedade empresária. Caio decide matar Tício e, sabedor que
Tício é a primeira pessoa a chegar ao local de trabalho comum pela manhã, planeja uma
emboscada. Caio aguarda Tício e, assim que vislumbra um vulto, que pensa ser o sócio
adentrando a empresa, dispara um projétil de arma de fogo. Posteriormente, verifica-se que o
vulto se tratava de um sequestrador que abordara Tício na porta da empresa e que, no momento
do disparo, mantinha Tício refém, sob arma de fogo. O sequestrador morre em razão do disparo.
Nessas circunstâncias, é correto afirmar que:

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a) socorre Caio o exercício regular de direito, pois, mesmo sem ter ciência da ofensa à
integridade de Tício, agiu contra pessoa que invadia os limites de sua empresa, respondendo
apenas por conduta culposa.

b) não se vislumbra reprovação social na conduta de Caio, com o consequente afastamento da


culpabilidade.

c) Caio responderá pela morte do sequestrador, como se contra Tício houvesse atentado.

d) ainda que Caio não tivesse ciência da ação do sequestrador, aplicar-se-á em seu favor a
excludente de ilicitude da legítima defesa de terceiro.

e) a situação equipara Caio ao agente de segurança pública que repele agressão ou risco de
agressão a vítima mantida refém durante a prática de crimes.

9. (FGV / 2022 / PCERJ)

Perseu, funcionário da loja Olimpo, tem sua atenção chamada para um telefone celular de última
geração, exibido por Medusa, outra funcionária do estabelecimento. Ciente de que o salário que
ambos recebem não permitiria a aquisição do referido aparelho, Perseu passa a questionar a
origem do bem, sendo informado que Medusa o havia recebido de presente de Teseu, seu
namorado. Perseu, então, monta um plano para furtar o celular, aproveitando o término
antecipado do seu expediente para levar a bolsa de Medusa. Chegando em casa, constata que
no interior da bolsa havia uma carteira com cartões e sem dinheiro, maquiagem, guarda-chuva,
óculos de sol, óculos de grau, fones de ouvido e o carregador do celular, vindo a descobrir, por
terceiros, que o telefone estava em poder de Medusa, permanecendo o tempo todo no bolso
traseiro da sua calça.

Diante do narrado, Perseu:

(A) responderá por furto, por erro acidental;

(B) responderá por furto, por erro na execução do crime;

(C) não responderá por furto, por erro acidental;

(D) não responderá por furto, por erro na execução do crime;

(E) não responderá por furto, por erro de proibição.

10. (FGV / 2022 / PM-AM)

Durante operação policial, Alberto, ao incursionar por uma viela, se depara com Sérgio portando
um guarda-chuva. Devido à tensão do momento, Alberto pensa que o objeto nas mãos de Sérgio
é uma arma de fogo e, em razão disso, efetua disparo com sua arma, o que leva Sergio a óbito.
Nesse caso, é correto afirmar que a hipótese é de erro de tipo

A) essencial, na modalidade erro provocado por terceiro.

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B) acidental, na modalidade erro na execução.

C) acidental, na modalidade erro sobre a pessoa.

D) essencial, na modalidade erro de tipo permissivo ou delito putativo por erro de tipo.

E) essencial, na modalidade erro de tipo incriminador.

11. (FGV / 2022 / PCERJ)

Em determinado set de filmagens, Hades, produtor técnico, entrega arma de fogo verdadeira,
devidamente municiada, para o ator Ares, fazendo-o acreditar que se trata de arma cenográfica,
sem potencial de efetuar disparos. Já tendo lido o script e presenciado os ensaios, Hades sabia
previamente que, nas cenas que seriam filmadas, Ares deveria apontar a arma para Atena e, após
breve diálogo, efetuar o disparo para a cena fatal. Querendo a morte de Atena, em razão de
desavenças pretéritas, Hades faz a substituição da arma, fornecendo-a diretamente a Ares,
irrogando o famoso “quebre a perna”. Ares efetua o disparo e ceifa a vida de Atena.

Do ponto de vista jurídico-penal:

(A) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como autor e o segundo como
partícipe;

(B) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, o primeiro como partícipe e o segundo
como autor;

(C) Ares e Hades responderão por homicídio doloso, como coautores;

(D) Ares responderá por homicídio culposo e Hades por homicídio doloso;

(E) Ares não responderá por crime e Hades responderá por homicídio doloso.

12. (FGV/2021/TJSC/NOTÁRIO)

Hugo, funcionário de estabelecimento comercial, insatisfeito com seu empregador e querendo


causar-lhe prejuízo, devidamente uniformizado e identificado, entrega a Jairo, cliente da loja, um
aparelho celular que estava exposto à venda, dizendo tratar-se de um brinde. Jairo, então, coloca
o aparelho em seu bolso e sai da loja, quando é imediatamente abordado por seguranças do
local, que encontram o objeto em sua posse e o levam à delegacia de polícia, onde foi indiciado
pelo crime de furto.

Considerando apenas as informações expostas, é correto afirmar que Jairo:

A) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas com causa de diminuição de pena,
pois agiu em erro de proibição evitável;

B) poderá ser responsabilizado pelo crime imputado, mas apenas na modalidade culposa, pois
agiu em erro de tipo acidental;

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C) não poderá ser punido pelo crime imputado, pois estará isento de pena em razão de erro de
proibição inevitável;

D) não praticou o crime imputado, pois atuou em erro de tipo provocado por terceiro;

E) não praticou o crime imputado, pois atuou em erro de tipo acidental.

13. (FGV/2021/TJRO)

Ao lado das hipóteses de erros essenciais figuram os chamados erros acidentais, que, ao
contrário daqueles, incidem sobre elementos não essenciais à configuração do crime, não
afetando a decisão a respeito da imputação. Uma hipótese de erro acidental é:

A) erro de tipo;

B) erro sobre a pessoa;

C) erro de proibição;

D) descriminantes putativas;

E) erro mandamental.

14. (FGV/2018/MPE-AL)

Durante uma festa rave, Bernardo, 19 anos, conhece Maria, e, na mesma noite, eles vão para um
hotel e mantém relações sexuais. No dia seguinte, Bernardo é surpreendido pela chegada de
policiais militares no hotel, que realizam sua prisão em flagrante, informando que Maria tinha
apenas 13 anos. Bernardo, então, é encaminhado para a Delegacia, apesar de esclarecer que
acreditava que Maria era maior de idade, devido a seu porte físico e pelo fato de que era
proibida a entrada de menores de 18 anos na festa rave. Diante da situação narrada, Bernardo
agiu em

A) erro de tipo, tornando a conduta atípica.

B) erro de tipo, afastando o dolo, mas permitindo a punição pelo crime de estupro de vulnerável
culposo.

C) erro de proibição, afastando a culpabilidade do agente pela ausência de potencial


conhecimento da ilicitude.

D) erro sobre a pessoa, tornando a conduta atípica.

E) erro de tipo permissivo, gerando causa de redução de pena.

15. (FGV/2020/MPE-RJ)

Thiago, pessoa financeiramente humilde, alugou uma bicicleta avaliada em R$ 2.000,00 pelo
período de 2 (duas) horas para ir até uma entrevista de emprego. Após a entrevista, chateado por

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não ter conseguido a vaga pretendida, acabou por pegar a bicicleta de outra pessoa que estava
estacionada no mesmo local, acreditando ser a que alugara. Apesar de o modelo e o valor da
bicicleta serem idênticos ao da que havia alugado, as cores eram diferentes. Cinco minutos
depois, Thiago veio a ser abordado por policiais militares que souberam dos fatos, sendo
indiciado, em sede policial, pela prática do crime de furto simples doloso.

No momento do oferecimento da denúncia, o promotor de justiça deverá concluir que a conduta


de Thiago é:

A) típica, mas deverá ser reconhecida causa de diminuição de pena em razão do erro de
proibição, que não era inevitável;

B) típica, mas deverá ser imputado o crime contra o patrimônio de natureza culposa, já que o erro
de tipo era evitável;

C) atípica, em razão do reconhecimento do princípio da insignificância;

D) atípica, diante do erro de proibição;

E) atípica, diante do erro de tipo.

16. (FGV/2021/FUNSAÚDE)

Durante operação policial em localidade com presença de criminosos armados, o policial


Jonathan, temendo pela sua integridade física e de seus colegas policiais, se assusta ao ver sair
de uma casa um homem segurando um guarda-chuva com ponta metálica.

Por pensar tratar-se de uma arma de fogo e não de um guarda-chuva, Jonathan atira e vem a
matar a vítima, Caio, que saía de casa em direção ao trabalho.

Acerca do erro praticado por Jonathan, assinale a opção que indica a tese de direito material que
poderia ser usada em sua defesa.

A) Erro de proibição, que, se for entendido como inevitável, isenta de pena e se for evitável
poderá reduzi-la de um sexto a um terço, nos termos do Art. 21 do CP.

B) Erro de tipo incriminador, na medida em que errou sobre um elemento constitutivo do crime, o
que poderia, nos termos do Art. 20, caput, do CP, afastar o dolo e permitir a punição por crime
culposo, que existe no caso do homicídio.

C) Erro na execução, na medida em que pensou que Caio estivesse portando uma arma de fogo,
o que faz com que ele seja isento de pena, nos termos do Art. 73 do CP.

D) Erro de tipo permissivo, previsto no Art. 20, § 1º, do CP, na medida em que acreditava estar
diante de uma situação fática que, se existisse, tornaria sua ação legítima. Se o erro for tido como
justificável, ficará isento de pena. Caso se entenda como evitável, responderá pelo crime na
modalidade culposa, legalmente prevista no caso do homicídio.

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E) Erro sobre o objeto, modalidade de erro acidental na qual o agente confunde um objeto com
outro, o que poderá isentar o réu de pena.

17. (FGV / 2019 / OAB)

Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após realizado o parto, ela, sob influência do
estado puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no intuito de matar Davi. No entanto,
pensando tratar-se de seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho recém-nascido do casal
Marta e Rogério, causando-lhe a morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo crime
de homicídio qualificado pela asfixia com causa de aumento de pena pela idade da vítima.

Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de Regina, em alegações finais da primeira
fase do procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer

A) o afastamento da qualificadora, devendo Regina responder pelo crime de homicídio simples


com causa de aumento, diante do erro de tipo.

B) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, não podendo ser
reconhecida a agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser descendente da agente.

C) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro na execução (aberratio ictus),


podendo ser reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são
consideradas as características de quem se pretendia atingir.

D) a desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, podendo ser
reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as
características de quem se pretendia atingir.

18. (FGV – 2019 – DPE-RJ – TÉCNICO JURÍDICO)

Ao final das comemorações da noite de Natal com sua família, Paulo, quando deixava o local,
acabou por levar consigo o presente do seu primo Caio, acreditando ser o seu, tendo em vista
que as caixas dos presentes eram idênticas. Após perceber o sumiço do seu presente e
acreditando ter sido vítima de crime patrimonial, Caio compareceu à Delegacia para registrar o
ocorrido, ocasião em que foram ouvidas testemunhas presenciais, que afirmaram ter visto Paulo
sair com aquele objeto. Paulo, ao tomar conhecimento da investigação, compareceu em sede
policial e indicou onde o objeto estava, sendo o bem apreendido no dia seguinte em sua
residência. Preocupado com sua situação jurídica, Paulo procurou a Defensoria Pública.

Sob o ponto de vista jurídico, sua conduta impõe o reconhecimento de que:

A) ocorreu erro de proibição, afastando a culpabilidade ou gerando causa de redução de pena, a


depender de ser considerado vencível ou invencível;

B) foi praticado crime de furto, mas deverá ser reconhecida a causa de diminuição de pena do
arrependimento posterior;

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C) houve erro sobre a pessoa, devendo ser consideradas as características daquele que se
pretendia atingir;

D) ocorreu erro de tipo, o que faz com que, no caso concreto, sua conduta seja considerada
atípica;

E) houve erro na execução (aberratio ictus), logo a conduta deverá ser considerada atípica.

19. (FGV – 2017 – OAB - XXIII EXAME DE ORDEM) Pedro, jovem rebelde, sai à procura de
Henrique, 24 anos, seu inimigo, com a intenção de matá-lo, vindo a encontrá-lo conversando
com uma senhora de 68 anos de idade. Pedro saca sua arma, regularizada e cujo porte era
autorizado, e dispara em direção ao rival. Ao mesmo tempo, a senhora dava um abraço de
despedida em Henrique e acaba sendo atingida pelo disparo. Henrique, que não sofreu
qualquer lesão, tenta salvar a senhora, mas ela falece.

Diante da situação narrada, em consulta técnica solicitada pela família, deverá ser esclarecido
pelo advogado que a conduta de Pedro, de acordo com o Código Penal, configura

A) crime de homicídio doloso consumado, apenas, com causa de aumento em razão da idade da
vítima.

B) crime de homicídio doloso consumado, apenas, sem causa de aumento em razão da idade da
vítima.

C) crimes de homicídio culposo consumado e de tentativa de homicídio doloso em relação a


Henrique.

D) crime de homicídio culposo consumado, sem causa de aumento pela idade da vítima.

20. (FGV – 2017 – OAB – XXII EXAME DE ORDEM) Tony, a pedido de um colega, está
transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios, sem ter conhecimento que
estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro lado, José
transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois acreditava que poderia ter
pequena quantidade do material em sua posse para fins medicinais.

Ambos foram abordados por policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela
prática do crime de tráfico de entorpecentes.

Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony e José deverá alegar em


favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de

A) erro de tipo, nos dois casos.

B) erro de proibição, nos dois casos.

C) erro de tipo e erro de proibição.

D) erro de proibição e erro de tipo.

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21. (FGV - 2016 - OAB - XX EXAME DE ORDEM) Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa
10 e melhor jogador de futebol do time Bola Cheia, seu adversário no campeonato do bairro.
No dia de um jogo do Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador com a camisa 10 do
time rival. Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de arma de fogo, mas, na verdade,
aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo, adolescente que substituiria Ronaldo naquele jogo.
Em virtude dos disparos, Rodrigo faleceu. Considerando a situação narrada, assinale a opção
que indica o crime cometido por Wellington.

A) Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois houve erro na


execução.

B) Homicídio consumado, considerando-se as características de Rodrigo.

C) Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois houve erro sobre a


pessoa.

D) Tentativa de homicídio contra Ronaldo e homicídio culposo contra Rodrigo.

22. (FGV - 2016 - OAB - XIX EXAME DE ORDEM) Pedro e Paulo bebiam em um bar da cidade
quando teve início uma discussão sobre futebol. Pedro, objetivando atingir Paulo, desfere contra
ele um disparo que atingiu o alvo desejado e também terceira pessoa que se encontrava no
local, certo que ambas as vítimas faleceram, inclusive aquela cuja morte não era querida pelo
agente.

Para resolver a questão no campo jurídico, deve ser aplicada a seguinte modalidade de erro:

A) erro sobre a pessoa.

B) aberratio ictus.

C) aberratio criminis.

D) erro determinado por terceiro.

23. (FGV – 2014 – OAB – XIV EXAME DE ORDEM) Eslow, holandês e usuário de maconha,
que nunca antes havia feito uma viagem internacional, veio ao Brasil para a Copa do Mundo.
Assistindo ao jogo Holanda x Brasil decidiu, diante da tensão, fumar um cigarro de maconha nas
arquibancadas do estádio. Imediatamente, os policiais militares de plantão o prenderam e o
conduziram à Delegacia de Polícia. Diante do Delegado de Polícia, Eslow, completamente
assustado, afirma que não sabia que no Brasil a utilização de pequena quantidade de maconha
era proibida, pois, no seu país, é um hábito assistir a jogos de futebol fumando maconha.

Sobre a hipótese apresentada, assinale a opção que apresenta a principal tese defensiva.

a) Eslow está em erro de tipo essencial escusável, razão pela qual deve ser absolvido.

b) Eslow está em erro de proibição direto inevitável, razão pela qual deve ser isento de pena.

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c) Eslow está em erro de tipo permissivo escusável, razão pela qual deve ser punido pelo crime
culposo.

d) Eslow está em erro de proibição, que importa em crime impossível, razão pela qual deve ser
absolvido.

24. (FGV - 2012 - PC-MA - DELEGADO DE POLÍCIA) Acerca da culpabilidade no estudo da


teoria do crime, assinale a afirmativa incorreta.

a) Para a teoria normativa que surgiu com o finalismo, houve a migração do dolo e da culpa para
a tipicidade, passando a culpabilidade a ser um juízo de valor que se faz sobre a conduta típica e
ilícita.

b) No tocante a imputabilidade, o Código Penal adotou o critério biopsicológico, sendo


indispensável que a causa geradora da inimputabilidade esteja presente no momento da
==28dc4f==

conduta.

c) No erro de proibição o erro recai sobre a ilicitude do fato, imaginando o agente ser lícito o que
é ilícito, podendo atenuar a culpabilidade, nunca, porém, a excluindo.

d) Para a teoria limitada da culpabilidade, o erro de tipo permissivo exclui o dolo; se o erro for
vencível há crime culposo se previsto em lei.

e) A coação moral irresistível pode ser exercida diretamente sobre o agente ou sobre um terceiro,
somente respondendo o autor da coação.

25. (FGV – IX EXAME UNIFICADO DA OAB) Jaime, brasileiro, passou a morar em um país
estrangeiro no ano de 1999. Assim como seu falecido pai, Jaime tinha por hábito sempre levar
consigo acessórios de arma de fogo, o que não era proibido, levando-se em conta a legislação
vigente à época, a saber, a Lei n. 9.437/97. Tal hábito foi mantido no país estrangeiro que, em
sua legislação, não vedava a conduta. Todavia, em 2012, Jaime resolve vir de férias ao Brasil.
Além de matar as saudades dos familiares, Jaime também queria apresentar o país aos seus dois
filhos, ambos nascidos no estrangeiro. Ocorre que, dois dias após sua chegada, Jaime foi preso
em flagrante por portar ilegalmente acessório de arma de fogo, conduta descrita no Art. 14 da
Lei n. 10.826/2003, verbis : “Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda
ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar”.

Nesse sentido, podemos afirmar que Jaime agiu em hipótese de

A) erro de proibição direto.

B) erro de tipo essencial.

C) erro de tipo acidental.

D) erro sobre as descriminantes putativas.

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26. (FGV - 2010 - OAB - Exame de Ordem Unificado - 3 - Primeira Fase (Fev/2011) Joaquim,
desejoso de tirar a vida da própria mãe, acaba causando a morte de uma tia (por confundi-la
com aquela). Tendo como referência a situação acima, é correto afirmar que Joaquim incorre em
erro

A) de tipo essencial escusável – inevitável – e deverá responder pelo crime de homicídio sem a
incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (haja vista que a vítima, de
fato, não era a sua genitora).

B) de tipo acidental na modalidade error in persona e deverá responder pelo crime de homicídio
com a incidência da agravante relativa ao crime praticado contra ascendente (mesmo que a
vítima não seja, de fato, a sua genitora).

C) de proibição e deverá responder pelo crime de homicídio qualificado pelo fato de ter
objetivado atingir ascendente (preserva-se o dolo, independente da identidade da vítima).

D) de tipo essencial inescusável – evitável –, mas não deverá responder pelo crime de homicídio
qualificado, uma vez que a pessoa atingida não era a sua ascendente.

27. (FGV – 2013 – OAB – XII EXAME DE ORDEM) Bráulio, rapaz de 18 anos, conhece Paula
em um show de rock, em uma casa noturna. Os dois, após conversarem um pouco, resolvem
dirigir-se a um motel e ali, de forma consentida, o jovem mantém relações sexuais com Paula.
Após, Bráulio descobre que a moça, na verdade, tinha apenas 13 anos e que somente
conseguira entrar no show mediante apresentação de carteira de identidade falsa.

A partir da situação narrada, assinale a afirmativa correta.

A) Bráulio deve responder por estupro de vulnerável doloso.

B) Bráulio deve responder por estupro de vulnerável culposo.

C) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de tipo essencial.

D) Bráulio não praticou crime, pois agiu em hipótese de erro de proibição direto.

28. (FGV – 2010 – OAB – II EXAME DE ORDEM) Arlete, em estado puerperal, manifesta a
intenção de matar o próprio filho recém-nascido. Após receber a criança no seu quarto para
amamentá-la, a criança é levada para o berçário. Durante a noite, Arlete vai até o berçário, e,
após conferir a identificação da criança, a asfixia, causando a sua morte. Na manhã seguinte, é
constatada a morte por asfixia de um recém-nascido, que não era o filho de Arlete.

Diante do caso concreto, assinale a alternativa que indique a responsabilidade penal da mãe.

(A) Crime de homicídio, pois, o erro acidental não a isenta de reponsabilidade.

(B) Crime de homicídio, pois, uma vez que o art. 123 do CP trata de matar o próprio filho sob
influência do estado puerperal, não houve preenchimento dos elementos do tipo.

(C) Crime de infanticídio, pois houve erro quanto à pessoa.

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(D) Crime de infanticídio, pois houve erro essencial.

29. (FCC – 2019 – DPE-SP – DEFENSOR)

Daniel, com 18 anos de idade, conhece Rebeca, com 13 anos de idade, em uma festa e a
convida para sair. Os dois começam a namorar e, cerca de 6 meses depois, Rebeca decide perder
a virgindade com Daniel. O rapaz, mesmo sabendo da idade da jovem e da proibição legal de
praticar conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menor de 14 anos, ainda que com seu
consentimento, mantém relação sexual com Rebeca, acreditando que o fato de namorarem seria
uma causa de justificação que tornaria a sua conduta permitida, causa essa que, na verdade, não
existe. Ocorre que os pais de Rebeca, ao descobrirem sobre o relacionamento de sua filha com
Daniel, comunicaram os fatos à polícia. Daniel é denunciado pelo delito de estupro de vulnerável
e a defesa alega que ele agiu em erro. De acordo com a teoria limitada da culpabilidade, Daniel
incorreu em erro

A) de tipo.

B) sobre a pessoa.

C) de proibição direto.

D) de proibição indireto.

E) de tipo permissivo.

30. (FCC – 2018 – MPE-PB – PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO) O erro sobre


elementos do tipo, previsto no artigo 20 do Código Penal,

a) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

b) sempre isenta o agente de pena.

c) não isenta o agente de pena, mas esta será diminuída de um sexto a um terço.

d) não tem relevância na punição do agente, pois o desconhecimento da lei é inescusável.

e) se inevitável, isenta o agente de pena; se evitável, poderá diminuir a pena de um sexto a um


terço.

31. (FCC – 2018 – DPE-AM – DEFENSOR PÚBLICO) No Direito Penal brasileiro, o erro

a) sobre os elementos do tipo impede a punição do agente, pois exclui a tipicidade subjetiva em
todas as suas formas

b) determinado por terceiro faz com que este responda pelo crime.

c) sobre a pessoa leva em consideração as condições e qualidades da vítima para fins de


aplicação da pena.

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d) de proibição exclui o dolo, tornando a conduta atípica.

e) sobre a ilicitude do fato isenta o agente de pena quando evitável.

32. (FCC – 2018 – DPE-AM – ANALISTA) O erro de tipo, no Direito Penal,

a) exclui a culpabilidade subjetiva, impedindo a punição do agente.

b) quando escusável, permite a punição por crime culposo.

c) é incabível em crimes hediondos e equiparados.

d) é inescusável nos crimes da Lei de Drogas, no desconhecimento da lei penal.

e) incide sobre o elemento constitutivo do tipo e exclui o dolo.

33. (FCC – 2017 – POLITEC-AP – PERITO MÉDICO LEGISTA) Após uma discussão em um bar,
Pedro decide matar Roberto. Para tanto, dirige-se até sua residência onde arma-se de um
revólver. Ato contínuo, retorna ao estabelecimento e efetua um disparo em direção a Roberto.
Contudo, erra o alvo, atingindo Antônio, balconista que ali trabalhava, ferindo-o levemente no
ombro. Diante do caso hipotético, Pedro praticou, em tese, o(s) crime(s) de

a) lesão corporal leve.

b) lesão corporal culposa.

c) homicídio tentado e lesão corporal leve.

d) lesão corporal culposa e tentativa de homicídio.

e) homicídio na forma tentada.

34. (FCC – 2015 – TCM-GO – PROCURADOR) A respeito das causas excludentes da


culpabilidade, é correto afirmar que

a) o desconhecimento da lei nos crimes culposos isenta o agente de pena.

b) o erro invencível sobre a ilicitude do fato não isenta o réu de pena.

c) na coação moral irresistível o coator responde por dolo e o coacto por culpa.

d) as descriminantes putativas excluem a culpabilidade.

e) na obediência hierárquica é dispensável a existência de relação de direito público entre


superior e subordinado.

35. (FCC – 2015 – DPE-MA – DEFENSOR PÚBLICO) Se o agente oferece propina a um


empregado de uma sociedade de economia mista, supondo ser funcionário de empresa privada
com interesse exclusivamente particular, incide em

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a) erro sobre a pessoa.

b) descriminante putativa.

c) erro de tipo.

d) erro sobre a ilicitude do fato inevitável.

e) erro sobre a ilicitude do fato evitável.

36. (FCC – 2015 - TCE-CE - Procurador de Contas) A diferença entre erro sobre elementos do
tipo e erro sobre a ilicitude do fato reside na circunstância de que

a) o erro de tipo exclui a culpabilidade, o de fato a imputabilidade.

b) o erro de tipo exclui o dolo, o de fato a culpabilidade.

c) o erro de tipo exclui a reprovabilidade da conduta, o de fato o elemento do injusto.

d) o erro de tipo exclui o dolo, o de fato a invencibilidade do erro.

e) a discriminante putativa é o que distingue o erro de tipo do erro de fato.

37. (FCC – 2015 - TJ-PE - JUIZ SUBSTITUTO) Em matéria de erro, correto afirmar que

a) o erro sobre a ilicitude do fato exclui a culpabilidade, por não exigibilidade de conduta diversa

b) o erro sobre elemento constitutivo do tipo penal não exclui a possibilidade de punição por
crime culposo.

c) o erro sobre a ilicitude do fato, se evitável, isenta de pena.

d) o erro sobre elemento constitutivo do tipo penal exclui a culpabilidade.

e) o erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena, considerando-se
as condições ou qualidades da vítima, e não as da pessoa contra quem o agente queria praticar o
crime.

38. (FCC – 2015 – TJ-SE – JUIZ) A, cidadão americano, vem para o Brasil em férias, trazendo
alguns cigarros de maconha. Está ciente que mesmo em seu país o consumo da substância não é
amplamente permitido, mas, como possui câncer em fase avançada, possui receita médica
emitida por especialista americano para utilizar substâncias que possuam THC. Ao passar pelo
controle policial do aeroporto, é detido pelo crime de tráfico de drogas. Nesta situação, é
possível alegar que A encontrava-se em situação de erro de:

a) tipo.

b) tipo permissivo.

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c) proibição direto.

d) proibição indireto.

e) tipo indireto.

39. (FCC – 2015 – TRT9 – TÉCNICO JUDICIÁRIO) Maria, a fim de cuidar do machucado de
seu filho que acabou de cair da bicicleta, aplica sobre o ferimento da criança ácido corrosivo,
pensando tratar-se de uma pomada cicatrizante, vindo a agravar o ferimento. A situação descrita
retrata hipótese tratada no Código Penal como:

a) erro de proibição.

b) erro na execução.

c) estado de necessidade.

d) exercício regular de direito.

e) erro de tipo.

40. (FCC – 2015 – TCE-AM – AUDITOR) O erro sobre a pessoa contra a qual o crime é
praticado

a) não isenta de pena o agente.

b) exclui o dolo.

c) exclui o dolo, mas prevalece a culpa.

d) não isenta de pena o agente, porém deve sempre ser considerado na sentença.

e) é um crime impossível

41. (FCC – 2015 – TJ-AL - Juiz Substituto) O erro inescusável sobre

a) a ilicitude do fato constitui causa de diminuição da pena.

b) elementos do tipo permite a punição a título de culpa, se acidental.

c) elementos do tipo isenta de pena.

d) elementos do tipo exclui o dolo e a culpa, se essencial.

e) a ilicitude do fato exclui a antijuridicidade da conduta.

42. (FCC – 2008 – TCE/AL – PROCURADOR) O erro sobre a ilicitude do fato

A) exclui o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

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B) reflete na culpabilidade, sempre isentando de pena.

C) exclui o dolo e a culpa.

D) reflete na culpabilidade, de modo a excluí-la ou atenuá-la.

E) extingue a punibilidade

43. (FCC – 2011 – TRT 1°RG – TÉCNICO JUDICIÁRIO – SEGURANÇA) O erro inevitável sobre
a ilicitude do fato

A) isenta o réu de pena.

B) não isenta o réu de pena, mas implica na redução de um sexto a um terço.

C) não isenta o réu de pena, mas constitui circunstância atenuante.

D) não isenta o réu de pena, nem possibilita a atenuação da pena.

E) exclui a ilicitude do fato.

44. (FCC - 2011 - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Técnico Judiciário - Segurança) O erro inevitável
sobre a ilicitude do fato

A) isenta o réu de pena.

B) não isenta o réu de pena, mas implica na redução de um sexto a um terço.

C) não isenta o réu de pena, mas constitui circunstância atenuante.

D) não isenta o réu de pena, nem possibilita a atenuação da pena.

E) exclui a ilicitude do fato.

45. (FCC - 2010 - TRE-AL - Analista Judiciário - Área Administrativa) A dispara seu revólver e
mata B, acreditando tratar-se de um animal. A respeito dessa hipótese é correto afirmar que se
trata de

A) fato típico, pois o dolo abrangeu todos os elementos objetivos do tipo.

B) erro de proibição, que exclui a culpabilidade.

C) erro de proibição, que gera apenas a diminuição da pena, posto que inescusável.

D) erro de tipo, que exclui o dolo e a culpa, se escusável.

E) erro quanto à existência de excludente de ilicitude (descriminante putativa).

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46. (FCC - 2007 - TRE-MS - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA ADMINISTRATIVA) Considere os


exemplos abaixo:

I. Casar-se com pessoa cujo cônjuge foi declarado morto para os efeitos civis, mas estava vivo.

II. Aplicar no ferimento do filho ácido corrosivo, supondo que está utilizado uma pomada.

III. Matar pessoa gravemente enferma, a seu pedido, para livrá-la de mal incurável, supondo que
a eutanásia é permitida.
IV. Ingerir a gestante substância abortiva, supondo que estava tomando um calmante.

Há erro de tipo nas situações indicadas APENAS em

A) I, II e III.

B) I e III.

C) I, III e IV.

D) II e III.

E) II e IV.

47. (FCC – 2009 – TJ/PA – OFICIAL DE JUSTIÇA) O erro de proibição quando escusável exclui
a

A) imputabilidade.

B) culpabilidade.

C) punibilidade.

D) antijuridicidade.

E) conduta.

48. (FCC – 2012 – DPE-SP – DEFENSOR PÚBLICO) Em Direito Penal, o erro

a) de tipo, se for invencível, exclui a tipicidade dolosa e a culposa.

b) que recai sobre a existência de situação de fato que justificaria a ação, tornando-a legítima, é
tratado pelo Código Penal como erro de proibição, excluindo-se, pois, a tipicidade da conduta.

c) de tipo exclui o dolo e a culpa grave, mas não a culpa leve.

d) de proibição é irrelevante para o Direito Penal, pois, nos termos do caput do art. 21 do Código
Penal, "o desconhecimento da lei é inescusável".

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e) de proibição exclui a consciência da ilicitude, que, desde o advento da teoria finalista, integra
o dolo e a culpa.

49. (FCC – 2006 – BCB – PROCURADOR) O erro sobre a ilicitude do fato

a) reflete na culpabilidade, de modo a excluir a pena ou diminuí-la.

b) exclui o dolo e a culpa.

c) reflete na culpabilidade, sempre isentando de pena.

d) extingue a punilidade.

e) exclui o dolo, mas permite a punção por crime culposo, se previsto em lei.

50. (FCC – 2006 – BCB – PROCURADOR) Excluem a ilicitude e a imputabilidade,


respectivamente,

a) a obediência hierárquica e a embriaguez acidental completa.

b) a coação moral irresistível e a doença mental.

c) a desistência voluntária e o desenvolvimento mental incompleto.

d) o exercício regular de direito e a menoridade.

51. (VUNESP – 2014 – DPE-MS – DEFENSOR PÚBLICO) Agente imputável e menor de 21


anos à época do fato criminoso ocorrido em 10 de junho de 2006. Foi denunciado como incurso
no art. 157, caput, do CP. A denúncia foi recebida em 29 de junho de 2006 e até 01 de julho de
2014 não havia sido prolatada sentença. Diante disso, pode-se afirmar que

a) ocorreu a pretensão punitiva estatal, considerado o máximo da pena abstratamente cominada


à infração.

b) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos seis anos da
data supra mencionada (01.07.2014).

c) ocorrerá a prescrição da pretensão punitiva estatal somente depois de decorridos quatro anos
da data supra mencionada (01.07.2014).

d) antes da prolação da sentença condenatória não se pode falar em ocorrência da pretensão


punitiva estatal.

52. (VUNESP – 2014 – TJ-SP – JUIZ) Para o Código Penal (art. 20, § 1.º), quando a
descriminante putativa disser respeito aos pressupostos fáticos da excludente, estamos diante
de:
a) Excludente de antijuridicidade.

b) Erro de tipo.

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c) Erro de proibição.

d) Excludente de culpabilidade.

53. (VUNESP - 2013 - PC-SP - PAPILOSCOPISTA POLICIAL) Imagine que João confunda seu
aparelho de telefone celular com o de seu colega Pedro e, descuidadamente, leve para sua casa
o aparelho de Pedro. Ao perceber o equívoco, João imediatamente comunica-se com Pedro e
informa o ocorrido. No dia seguinte, João devolve o aparelho ao colega sem qualquer dano.
Analisando a hipótese narrada, é possível afirmar que João

a) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto da desistência voluntária.

b) não cometeu crime algum.

c) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto da
desistência voluntária.

d) cometeu crime de furto, mas não será punido em vista do instituto do arrependimento eficaz.

e) cometeu crime de apropriação indébita, mas não será punido em vista do instituto do
arrependimento eficaz.

​ GABARITO

1. LETRA C 9. ALTERNATIVA D 17. ALTERNATIVA D


(ANULÁVEL)
2. LETRA E 18. ALTERNATIVA B
10. ALTERNATIVA E
3. ALTERNATIVA B 19. ALTERNATIVA C
11. ALTERNATIVA D
4. ALTERNATIVA A 20. ALTERNATIVA C
12. ALTERNATIVA B
5. ALTERNATIVA C 21. ALTERNATIVA B
13. ALTERNATIVA A
6. ALTERNATIVA E 22. ALTERNATIVA B
14. ALTERNATIVA E
7. ALTERNATIVA C 23. ALTERNATIVA C
15. ALTERNATIVA D
8. ALTERNATIVA A 24. ALTERNATIVA A
16. ALTERNATIVA B
25. ALTERNATIVA B

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26. ALTERNATIVA C 35. ALTERNATIVA B 44. ALTERNATIVA D


27. ALTERNATIVA C 36. ALTERNATIVA B 45. ALTERNATIVA E
28. ALTERNATIVA A 37. ALTERNATIVA D 46. ALTERNATIVA B
29. ALTERNATIVA A 38. ALTERNATIVA E 47. ALTERNATIVA A
30. ALTERNATIVA B 39. ALTERNATIVA A 48. ALTERNATIVA A
31. ALTERNATIVA E 40. ALTERNATIVA A 49. ALTERNATIVA D
32. ALTERNATIVA E 41. ALTERNATIVA D 50. ALTERNATIVA A
33. ALTERNATIVA D 42. ALTERNATIVA A 51. ALTERNATIVA B
34. ALTERNATIVA C 43. ALTERNATIVA A 52. ALTERNATIVA B

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