Teoria da Prova no Processo Penal
Teoria da Prova no Processo Penal
5. Da Acareação ........................................................................................................................................ 33
7. Indícios .................................................................................................................................................. 34
ADMIN
ISTRATIVOS
Introdução. Classificações
Assim, o Juiz não está obrigado a conferir determinado “peso” a alguma prova. Por exemplo: num
processo criminal, mesmo que o acusado confesse o crime, o Juiz não está obrigado a dar a esta prova
(confissão) valor absoluto, devendo avaliá-la em conjunto com as demais provas produzidas no processo, de
forma a atribuir a esta prova o valor que reputar pertinentes.
Além disso, o CPP determina que as provas urgentes, que não podem esperar para serem produzidas
em outro momento (cautelares, provas não sujeitas à repetição, etc.), estão ressalvadas da obrigatoriedade
de serem produzidas necessariamente pelo crivo do contraditório judicial, embora se deva sempre procurar
estabelecer o contraditório em sede policial quando da realização destas diligências.
Vale mencionar a vocês que o Brasil não adotou, como regra, o sistema taxativo da prova. O sistema
taxativo implica a impossibilidade de produção de outros meios de prova que não sejam aqueles
expressamente previstos na Lei Processual.
Podemos definir prova como o elemento produzido pelas partes ou mesmo pelo Juiz, visando à
formação do convencimento deste (Juiz) acerca de determinado fato. Por sua vez, o objeto de prova é o fato
que precisa ser provado para que a causa seja decidida, pois sobre ele existe incerteza. Assim, num crime de
homicídio, o exame de corpo de delito é prova, enquanto o fato (existência ou não do homicídio – a
materialidade do crime) é o objeto de prova.
Somente os fatos, em regra, podem ser objeto de prova, pois o Direto não precisa ser provado, na
medida em que o Juiz conhece o Direito (iura novit curia). No entanto, utilizando-se por analogia o
Porém, existem determinados fatos que não necessitam serem provados 4 (não sendo, portanto,
objeto de prova). São eles:
⇒ Fatos evidentes (ou axiomáticos, ou intuitivos) – São fatos que decorrem
de um raciocínio lógico, intuitivo, decorrente de alguma situação que gera a lógica
conclusão de outro fato (ex.: o réu, nascido em junho de 1985, fato este conhecido
do Juízo, não precisa provar que em agosto de 2015 ele possuía 30 anos. É evidente
que se nasceu em junho de 1985, em agosto de 2015 já terá completado 30 anos).
⇒ Fatos notórios – São aqueles que pertencem ao conhecimento comum de
todas as pessoas (ex.: não é necessário provar que em 2020 o mundo passou por uma
pandemia de COVID-19). ⇒ Presunções legais – São fatos que a lei presume tenham
ocorrido (ex.: ausência de discernimento para a prática de ato sexual por alguém
menor de 14 anos. Não se precisa provar, pois é um fato presumido pela Lei).
⇒ Fatos inúteis – São aqueles que não possuem qualquer relevância para a
causa, sendo absolutamente dispensáveis e, até mesmo, podendo ser dispensada a
sua apreciação pelo Juiz.
ÔNUS DA PROVA
O ônus da prova pode ser definido como o encargo conferido a uma das partes referente à produção
probatória relativa ao fato por ela alegado. Nos termos do art. 156, 1° parte, do CPP, como regra, a prova da
alegação incumbirá a quem a fizer.
Portanto, cabe ao acusador fazer prova da materialidade e da autoria do delito. Cabe ao réu, por sua
vez, provar os fatos que alegar (algum álibi) ou desconstituir a prova feita pelo acusador (um excludente de
ilicitude, uma excludente de culpabilidade, etc.).
“Standards” probatórios
“Standards“ probatórios “são critérios que estabelecem o grau de confirmação probatória necessário
para que o julgador considere um enunciado fático como provado.” (Badaró, 2019).
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Assim, por exemplo, para que o Juiz receba a denúncia, é necessário que haja certeza quanto à
materialidade, mas não se exige tal grau de certeza quanto à autoria, bastando, nesse momento, indícios
suficientes de que o denunciado participou do delito. Porém, para que o Juiz venha a proferir sentença
condenatória, não serão suficientes meros indícios de autoria, sendo necessária certeza quanto à autoria.
Podemos estabelecer os seguintes “standards”: Para a condenação criminal – Para que o Juiz possa
considerar que a autoria está devidamente comprovada no processo, é necessário um juízo de certeza “para
além de qualquer dúvida razoável” (“beyond any reasonable doubt”). A certeza absoluta é praticamente
impossível de se obter no processo penal. Porém, é suficiente que o Juiz considere que há certeza quanto à
materialidade e à autoria “para além de qualquer dúvida razoável”, ou seja, que o Juiz entenda que as
evidências dos autos indicam não há qualquer dúvida razoável em sentido contrário.
EXEMPLO: José é acusado de ter agredido Pedro, com socos e pontapés. Não há testemunhas oculares do
fato, mas o exame de corpo de delito compra que Pedro sofreu lesões corporais. Há um vídeo que registrou
o ingresso de José na residência de Pedro, com passadas apressadas e aparentemente transtornado.
Podemos afirmar, CATEGORICAMENTE, que José agrediu Pedro? Não. Mas as provas dos autos indicam que
isso ocorreu, trazendo um grau de certeza para além de qualquer dúvida razoável em sentido contrário.
Para o recebimento da inicial acusatória – Para que o Juiz receba a denúncia e o processo tenha seu
início, exige-se prova da materialidade delitiva, mas não é necessário que haja certeza quanto à autoria
delitiva, bastando que haja um juízo de probabilidade quanto à autoria delitiva.
PROVAS ILEGAIS
As provas ilegais são um gênero do qual derivam três espécies: provas ilícitas, provas ilícitas por
derivação e provas ilegítimas.
1. Provas ilícitas
São consideradas provas ilícitas aquelas produzidas mediante violação de normas de direito material
(normas constitucionais ou legais). A Constituição Federal expressamente prevê a vedação da utilização de
provas obtidas por meios ilícitos. Nos termos do seu art. 5°, LVI. O art. 157 do CPP, por sua vez, diz:
São aquelas provas que, embora sejam lícitas em sua essência, derivam de uma prova ilícita, daí o
nome “provas ilícitas por derivação”. Trata-se da aplicação da Teoria dos frutos da árvore envenenada (fruits
of the poisonous tree), segundo a qual, o fato de a árvore estar envenenada necessariamente contamina os
seus frutos. Trazendo para o mundo jurídico, significa que o defeito (vício, ilegalidade) de um ato contamina
todos os outros atos que a ele estão vinculados.
O art. 157, § 1° do CPP trata expressamente da prova ilícita por derivação. Vejamos:
Perceba que a primeira parte do dispositivo transcrito trata da regra, qual seja: Toda prova derivada
de prova ilícita é inadmissível no processo. Entretanto, a segunda parte do artigo excepciona a regra, ou
seja, existem casos em que a prova, mesmo derivando de outra prova, esta sim ilícita, poderá ser utilizada.
Exige-se, primeiramente, que a prova ilícita por derivação possua uma relação de causalidade
exclusiva com a prova originalmente ilícita. Assim, se uma prova B (lícita) só pode ser obtida porque se
originou de uma prova ilícita (A), a prova B será inadmissível. Entretanto, se a prova B não foi obtida
exclusivamente em razão da prova A, a prova B não será inadmissível.
EXEMPLO: Imagine que Paulo fora arrolado pelo MP como testemunha em um processo criminal, tendo
prestado seu depoimento de maneira válida durante a instrução processual. O que esta prova tem de ilícita?
Nada. Porém, imagine que a testemunha Paulo só tenha sido descoberta em razão de um depoimento
testemunhal ocorrido em sede policial, na qual a testemunha Carlos foi torturada. Assim, o depoimento de
Carlos é prova ilícita, de formar que contamina o depoimento (válido) de Paulo, pois somente através do
depoimento mediante tortura de Carlos é que se chegou até a testemunha Paulo.
Imagine, agora, que além de ter sido mencionado como testemunha do crime por Carlos (que estava
sob tortura), Paulo tenha sido apontado como testemunha ocular do crime por outra testemunha, Ricardo,
que prestou depoimento válido e de maneira livre em sede policial. Ora, estamos aqui diante do que se
Por fim, há ainda o que a Doutrina chama de “Teoria da descoberta inevitável” (inevitable discovery),
segundo a qual também poderá ser utilizada a prova que, embora obtida através de uma outra prova, ilícita,
teria sido obtida inevitavelmente pela autoridade.
EXEMPLO: Imagine que o Juiz tenha determinado a Busca e apreensão de documentos e objetos na casa do
suspeito José. Antes de realizada a diligência, José, que estava preso, afirma, mediante tortura, que a arma
do crime está em sua residência, dentro do armário. Chegando no local, a autoridade policial constata que
de fato a arma está no armário, mas simultaneamente chega ao local outra equipe, para cumprimento do
Mandado de Busca e Apreensão determinado anteriormente. Ora, a arma seria localizada inevitavelmente
pela equipe que fora realizar a busca e apreensão (diligência válida e regular).
Portanto, a prova ilícita por derivação (arma do crime, à qual se chegou através de interrogatório
mediante tortura) teria sido inevitavelmente descoberta de forma lícita, ainda que não houvesse a prova
ilícita que lhe deu origem.
Assim, a prova foi obtida de forma ilícita, pois decorreu do interrogatório mediante tortura. Todavia,
analisando-se as circunstâncias, é perfeitamente possível concluir que esta mesma prova acabaria sendo
obtida de qualquer modo, licitamente. Desta forma, a prova poderá ser usada no processo.
3. Provas ilegítimas
São provas obtidas mediante violação a normas de caráter eminentemente processual, sem que haja
nenhum reflexo de violação a normas constitucionais.
EXEMPLO: Imagine que num determinado processo criminal em uma comarca do interior, não havendo
perito oficial, o Juiz tenha determinado a produção de prova pericial por um perito não oficial. Esta prova
pericial produzida será ilegítima, pois viola uma norma processual, prevista no art. 159, § 1° do CPP. Neste
caso, não há qualquer violação à Constituição, pois a realização de uma prova pericial por apenas um perito
não-oficial, ao invés de dois, em nada prejudica algum direito fundamental. No entanto, trata-se de violação
a uma norma processual, de forma que esta prova é considerada ilegítima.
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IMPORTANTE: Não se pode esquecer que o termo “ilegítimas” só se aplica às provas obtidas com violação às
normas de direito PROCESSUAL. Já o termo “ilícitas” se aplica apenas às provas obtidas com violação às
normas de direito material.
No caso das provas ilícitas e ilícitas por derivação, declarada sua ilicitude, elas deverão ser
desentranhadas do processo 7 e, após estar preclusa a decisão que determinou o desentranhamento (não
couber mais recurso desta decisão), esta prova será inutilizada pelo Juiz. É o que preconiza o § 3° do art. 157
do CPP.
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Outra questão interessante diz respeito à impossibilidade de o Juiz que conhecer do conteúdo da
prova declarada inadmissível vir a proferir posteriormente a sentença ou acórdão:
Qual a razão de tal vedação, professor? A razão é simples. Quando o Juiz declara inadmissível uma
prova, dada sua ilicitude, aquela prova passa a não fazer mais parte dos autos do processo e, portanto, não
pode ser utilizada para formar o convencimento do Juiz. Todavia, na prática, nenhum ser humano é
absolutamente isento e capaz de fazer tal separação. Imagine que um Juiz tomou conhecimento de uma
confissão realizada pelo réu, mas tal confissão foi obtida mediante interceptação telefônica clandestina.
Ainda que o referido Juiz não possa fundamentar sua decisão com base naquela confissão (prova ilícita), é
inegável que aquilo está na cabeça do Juiz e vai fazer com que o mesmo olhe para as demais provas dos autos
já com a imagem de um culpado em sua cabeça.
Diferentemente do que ocorre com as provas ilícitas, em que a natureza e a gravidade dos crimes
podem implicar a sua utilização, no que tange às provas ilegítimas, o critério para definição de sua utilização
ou não será outro.
Para que se defina se a prova ilegítima (obtida ou produzida mediante violação à norma de caráter
processual) será utilizada ou não, devemos distingui-las em dois grupos: provas ilegítimas por violação a
norma processual de caráter absoluto (que importam nulidade absoluta) e provas ilegítimas por violação a
norma processual de caráter relativo (que importam em nulidade relativa).
A prova decorrente de violação à norma processual de caráter absoluto (nulidade absoluta) jamais
poderá ser utilizada no processo, pois as nulidades absolutas, são questões de ordem pública e são
insanáveis. O STF e o STJ estão relativizando isso, ao fundamento de que não pode ser declarada qualquer
nulidade sem comprovação da ocorrência de prejuízo).
Já a prova decorrente de violação à norma processual de caráter relativo (nulidade relativa), poderá
ser utilizada, desde que não haja impugnação à sua ilegalidade (essa ilegalidade deve ser arguida por alguma
das partes, não podendo o Juiz suscitá-la de ofício), ou tenha sido sanada a irregularidade em tempo
oportuno.
Seja como for, de acordo com a Doutrina majoritária, às provas ilegítimas deve ser aplicado o regime
jurídico das nulidades, e não as regras atinentes às provas ilícitas, que vimos anteriormente.
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Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova
produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão
exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as
provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. Parágrafo único. Somente quanto
ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil.
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COMENTÁRIOS: Item errado, pois o Brasil não adotou o sistema taxativo da prova. O sistema taxativo
implica a impossibilidade de produção de outros meios de prova que não sejam aqueles expressamente
previstos na Lei Processual. No Brasil, é plenamente possível a utilização de meios de prova inominados ou
atípicos (não previstos expressamente na Lei).
RESPOSTA ERRADA.
COMENTÁRIOS: Item errado, pois o art. 155 do CPP expressamente veda que a decisão seja
fundamentada apenas em elementos de convicção colhidos durante a fase pré-processual: Art. 155. O juiz
formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo
fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas
as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas.
RESPOSTA ERRADA
COMENTÁRIOS: Item errado, pois as provas derivadas das ilícitas são também inadmissíveis, sendo
consideradas contaminadas pela prova originariamente ilícita, devendo ser desentranhadas do processo,
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COMENTÁRIOS: Pela redação do art. 157 §3º do CPP, a prova, neste caso, deverá ser inutilizada, e
não juntada em autos apartados. Vejamos: Art. 157. (...) § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da
prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o
incidente.
RESPOSTA ERRADA
COMENTÁRIOS: O item está correto. Na tradicional classificação das provas, as provas ILEGAIS se
dividem em provas ILÍCITAS e provas ILEGÍTIMAS. As primeiras são violações a normas de direito material (e
ainda se dividem em ilícitas propriamente ditas e ilícitas por derivação). As segundas são obtidas com violação
a normas de direito processual.
Embora todas sejam consideradas ILEGAIS, o termo “ilícitas”, de fato, não se aplica às provas obtidas
com violação às normas de direito processual.
RESPOSTA CERTA
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O exame de corpo de delito nada mais é que a perícia realizada sobre os vestígios deixados pela
infração penal, com a finalidade é comprovar a materialidade (existência) das infrações que deixam vestígios.
EXEMPLO: José, com dolo de matar, atirou contra Maria, que veio a óbito. Os peritos, então, realizaram o
exame de corpo de delito, ou seja, o exame pericial sobre o corpo da vítima e demais vestígios da infração,
com vistas a comprovar se houve, de fato, homicídio, bem como as demais circunstâncias do crime.
O exame de corpo de delito pode ser direto, quando realizado pelo perito diretamente sobre o
vestígio deixado, ou indireto, quando o perito realizar o exame com base em informações verossímeis
fornecidas a ele.
EXEMPLO: Houve determinado crime de furto qualificado pelo arrombamento. Todavia, não foi realizado o
exame de corpo de delito diretamente sobre os vestígios da infração. Posteriormente, a vítima compareceu
à delegacia e registrou ocorrência, mas os vestígios já haviam desaparecido. Todavia, a própria vítima havia
tirado fotos da porta arrombada e feito um vídeo. Além disso, duas testemunhas descreveram como se
encontravam os vestígios da infração. O perito, portanto, pode ser capaz de elaborar um laudo pericial com
base nas informações fornecidas a ele, de forma que haverá um exame de corpo de delito indireto.
O art. 158 do CPP estabelece a obrigatoriedade de realização do exame de corpo de delito nos crimes
que deixam vestígios, chamados de crimes “não transeuntes”. Mais que isso, o art. 158 do CPP estabelece
que se a infração deixar vestígios, a confissão do acusado não será capaz de afastar a necessidade do exame
de corpo de delito. Vejamos:
O art. 167 do CPP, porém, autoriza a comprovação da materialidade delitiva mediante prova
testemunhal quando desaparecerem os vestígios:
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Como se vê pela leitura do art. 184, a autoridade poderá negar a realização de perícia requerida pelas
partes, exceto quando se tratar do exame de corpo de delito.
O §único do art. 158, incluído pela Lei 13.721/18, passou a estabelecer uma prioridade de
atendimento para realização do exame de corpo de delito. Haverá prioridade para realização do exame de
corpo de delito quando se tratar de:
➔ Crime que envolva violência doméstica e familiar contra a mulher;
➔ Crime que envolva violência contra criança adolescente, idoso ou pessoa com
deficiência
Nos termos do art. 159 do CPP, o exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por um
perito oficial. Vejamos:
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IMPORTANTE: Em se tratando de perito oficial, basta um. Caso estejamos diante de peritos não oficiais, a
lei exige que sejam dois (art. 159 e seu § 1° do CPP). No caso de peritos não oficiais, estes deverão prestar
compromisso (art. 159, § 2° do CPP).
Mesmo os peritos não oficiais devem ser portadores de diploma de curso superior, sendo facultativo
que esse diploma seja na área da perícia. Ademais, os peritos não oficiais deverão prestar o compromisso de
bem e fielmente desempenhar o encargo.
OBSERVAÇÃO: Sobre o perito, é importante destacar que as partes não podem intervir em sua nomeação,
até para preservar sua imparcialidade, nos termos do art. 276 do CPP.
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Os quesitos e eventuais pedidos de esclarecimentos ao perito devem ser repassados ao perito com
antecedência mínima de 10 dias, nos termos do art. 159, §5º, I do CPP.
O assistente técnico, por sua vez, é um expert, um profissional da área, alguém que possui os
conhecimentos técnicos necessários para acompanhar o exame pericial. Já os quesitos são perguntas que a
parte elabora e que devem ser respondidas pelo perito quando da elaboração do laudo pericial. Vamos a
exemplo:
EXEMPLO: Em determinado processo criminal pela suposta prática do crime de lesão corporal grave, o Juiz
determinou a realização de exame de corpo de delito, para comprovar a materialidade do crime, nomeando
o perito Ricardo. A defesa do acusado, indicou o assistente técnico José, e formulou três quesitos a serem
respondidos pelo perito Ricardo: a) A vítima sofreu lesão corporal; b) é possível precisar com que instrumento
a lesão corporal teria sido provocada; c) qual teriam sido as consequências das lesões?
Perceba que caberá ao perito Ricardo responder aos quesitos formulados pela defesa do acusado.
E qual a função do assistente técnico José? José é um auxiliar da parte que o contratou, e terá a
função de verificar se a perícia foi bem feita, se foram seguidos os padrões exigidos para uma perícia desta
natureza e informar a quem o contratou (a defesa do acusado) se há algo a impugnar ou não.
Assim, o perito é o “expert” nomeado pela autoridade (delegado, se na fase do inquérito, ou Juiz, se
na fase do processo) para realizar o exame pericial, devendo ser imparcial. Já o assistente técnico está lá
para defender os interesses da parte que o indicou, sendo, portanto, parcial. O assistente técnico só atuará
a partir de sua admissão pelo Juiz.
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EXEMPLO: Num determinado processo é necessária perícia em engenharia. Contudo, será necessária perícia
em engenharia ambiental e em engenharia civil, pois existem questões controvertidas a serem resolvidas em
ambas as áreas. Nesse caso, o Juiz pode designar um perito para cada área da perícia, bem como a parte
poderá designar um assistente técnico para cada área.
O art. 159, § 5°, II do CPP, possibilita, ainda, que os assistentes técnicos sejam inquiridos em
audiência, do que decorre a interpretação de que possam, também, ser alvo de pedidos de esclarecimentos
quanto aos laudos que apresentarem (os assistentes técnicos podem apresentar seus próprios laudos).
Na elaboração do laudo os peritos devem descrever minuciosamente o que examinarem, e
responderão aos quesitos formulados pelas partes, na forma do art. 160 do CPP, devendo o laudo ser
entregue no prazo de 10 dias. Esse prazo pode ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos
peritos.
IMPORTANTE: Ainda, que não há restrição de horário e data para realização do exame de corpo de delito,
que pode ser realizado em qualquer dia e em qualquer horário.
Durante a elaboração do laudo pericial, pode ser que ocorra divergência entre os peritos. Nesse caso,
o art. 180 do CPP estabelece o que segue:
Uma vez produzido o laudo pericial e finalizada a instrução, chega o momento de o Juiz proferir
sentença. Na sentença o Juiz não ficará vinculado ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em
parte. Trata-se do sistema liberatório de apreciação da prova pericial. Vejamos:
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EXEMPLO: José foi denunciado pela prática do crime de furto qualificado pelo arrombamento. Foi realizado
exame de corpo de delito para comprovar a materialidade da qualificadora do rompimento de
obstáculo/arrombamento. O perito, no laudo, concluiu ter havido arrombamento, provavelmente com uso
de um pé-de-cabra. O Juiz, porém, não reconheceu a existência da qualificadora, e condenou o réu apenas
por furto simples, por entender que as demais provas dos autos, notadamente o depoimento das
testemunhas, comprovaram que não houve arrombamento.
3 - Regras especiais
Vou elencar, abaixo, algumas regras para determinadas espécies de perícias, conforme estabelecido
no CPP:
DA CADEIA DE CUSTÓDIA
O art. 158-A conceitua “cadeia de custódia” como: “O conjunto de todos os procedimentos utilizados
para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes,
para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.”
Assim, a cadeia de custódia dos vestígios (criada pela lei 13.964/19, o chamado “pacote anticrime”)
se inicia:
➔ Com a preservação do local de crime; ou
➔ Com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio
Desta forma, é dever do agente público (que reconhecer um elemento como de potencial interesse
para a produção da prova pericial) preservar o vestígio da infração penal. Ademais, o art. 158-A, em seu §2º,
estabelece:
EXEMPLO: Se um policial encontra uma cápsula de munição na cena de um crime de homicídio praticado por
meio de disparo de arma de fogo, sua obrigação é identificá-la como possível elemento útil à produção da
prova pericial e zelar pela preservação deste vestígio.
A propósito, considera-se vestígio: “Todo objeto ou material bruto, visível ou latente, constatado ou
recolhido, que se relaciona à infração penal”.
O ato relativo à coleta, de acordo com o art. 158-C, deve ser realizado preferencialmente por perito
oficial. Além disso, todos vestígios coletados no curso da persecução penal (investigação ou processo
criminal) devem ser tratados como previsto na Lei. Fica proibida, ainda, a entrada em locais isolados bem
como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da liberação pelo perito responsável.
Nos termos do art. 158-D, o recipiente para que seja realizado acondicionamento do vestígio será
determinado de acordo com a natureza do material (vestígio), a fim de permitir o correto armazenamento
do vestígio. Todavia, algumas regras devem ser seguidas:
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Os arts. 158-E e 158-F, por sua vez, estabelecem a necessidade de que cada Instituto de Criminalística
tenha uma Central de Custódia:
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Apesar das regras claras e específicas sobre como o vestígio deve ser tratado, manuseado e
registrado durante a persecução penal, pode ser que ocorra alguma intercorrência, ou seja, a quebra na
cadeia de custódia (ex.: acesso de alguém não autorizado ao vestígio, modificação do local do crime, extravio
de parte do vestígio coletado, etc.).
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Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de
delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.
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Art. 158-C. A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito
oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo
quando for necessária a realização de exames complementares. § 1º Todos vestígios
coletados no decurso do inquérito ou processo devem ser tratados como descrito
nesta Lei, ficando órgão central de perícia oficial de natureza criminal responsável
por detalhar a forma do seu cumprimento. § 2º É proibida a entrada em locais
isolados bem como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime antes da
liberação por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a
sua realização.
Art. 158-E. Todos os Institutos de Criminalística deverão ter uma central de custódia
destinada à guarda e controle dos vestígios, e sua gestão deve ser vinculada
diretamente ao órgão central de perícia oficial de natureza criminal. § 1º Toda central
de custódia deve possuir os serviços de protocolo, com local para conferência,
recepção, devolução de materiais e documentos, possibilitando a seleção, a
classificação e a distribuição de materiais, devendo ser um espaço seguro e
apresentar condições ambientais que não interfiram nas características do vestígio.
§ 2º Na central de custódia, a entrada e a saída de vestígio deverão ser protocoladas,
consignando-se informações sobre a ocorrência no inquérito que a eles se
relacionam. § 3º Todas as pessoas que tiverem acesso ao vestígio armazenado
deverão ser identificadas e deverão ser registradas a data e a hora do acesso. § 4º
Por ocasião da tramitação do vestígio armazenado, todas as ações deverão ser
registradas, consignando-se a identificação do responsável pela tramitação, a
destinação, a data e horário da ação.
Art. 158-F. Após a realização da perícia, o material deverá ser devolvido à central de
custódia, devendo nela permanecer. Parágrafo único. Caso a central de custódia não
possua espaço ou condições de armazenar determinado material, deverá a
autoridade policial ou judiciária determinar as condições de depósito do referido
28
Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito
oficial, portador de diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de
2008) § 1º Na falta de perito oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas
idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área
específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do
exame. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) § 2º Os peritos não oficiais
prestarão o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo. § 3º Serão
facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao
querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico.
§ 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão
dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas
desta decisão. § 5º Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto
à perícia: I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para
responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou
questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10
(dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar; II – indicar
assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz
ou ser inquiridos em audiência. § 6º Havendo requerimento das partes, o material
probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão
oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame
pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. § 7º Tratando-se de
perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado,
poder-se-á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de
um assistente técnico.
Art. 161. O exame de corpo de delito poderá ser feito em qualquer dia e a qualquer
hora.
Art. 162. A autópsia será feita pelo menos seis horas depois do óbito, salvo se os
peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes
daquele prazo, o que declararão no auto. Parágrafo único. Nos casos de morte
violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração
penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte
e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma
circunstância relevante.
29
Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido
os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta.
30
COMENTÁRIOS: Item errado. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por
perito oficial, portador de diploma de curso superior. Não há exigência de que o diploma seja na área
objeto da perícia. O mesmo se aplica aos peritos não oficiais. É PREFERENCIAL que a formação seja na área
objeto da perícia: Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial,
portador de diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) § 1º Na falta de perito
oficial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior
preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza
do exame. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)
GABARITO ERRADO
COMENTÁRIOS: Item errado, pois o exame de corpo de delito e as perícias em geral serão
realizados por UM perito oficial ou, na sua falta, por dois peritos não oficiais, na forma do art. 159 do CPP.
RESPOSTA ERRADA
COMENTÁRIOS Item errado, pois primeiramente quem interroga o acusado é o Juiz, e só depois
desta etapa é que o juiz indagará às partes se restou algum fato para ser esclarecido, formulando as
perguntas correspondentes (aquelas que as partes formularam) se o entender pertinente e relevante, na
forma do art. 188 do CPP.
RESPOSTA ERRADA
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A acareação é ato de “colocar frente a frente” duas pessoas que prestaram informações divergentes.
Fundamenta-se no constrangimento, ou seja, busca-se que o “mentiroso” se retrate da informação errada
que forneceu. Pode ser realizada tanto na fase de investigação quanto na fase processual.
Mas quem pode ser acareado? Nos termos do art. 229 do CPP, podem ser acareados testemunhas,
acusados e ofendidos, entre si (acusado x acusado) ou uns com os outros (ofendido x testemunha). Embora
o CPP fale em “acusado” (fase processual), aplica-se também aos suspeitos/indiciados (fase pré-processual).
A acareação também pode ser feita mediante carta precatória, quando as pessoas a serem acareadas
se encontrarem em localidades distintas. Na verdade, essa hipótese (art. 230 do CPP) descaracteriza a
natureza da acareação, que é a de colocar “frente a frente” duas pessoas, de forma a, mediante
constrangimento, fazer emergir a verdade.
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DA PROVA DOCUMENTAL
A prova documental pode ser produzida a qualquer tempo pelas partes (art. 231 do CPP), salvo nos
casos em que a lei expressamente veda sua produção fora de um determinado momento.
As cartas e demais documentos interceptados ilegalmente, por óbvio, não poderão ser juntados aos
autos. Todavia, as cartas poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário, para a defesa de seu
direito, ainda que não haja consentimento do signatário (remetente). O Juiz também pode determinar a
produção de prova documental (independentemente de requerimento das partes), se tiver notícia de algum
documento importante (art. 234 do CPP).
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Os documentos, como qualquer prova, possuem o valor que o Juiz lhes atribuir. Entretanto, alguns
documentos, em razão da pessoa que os confeccionou, possuem, inegavelmente, maior valor. O valor dos
documentos não se refere, apenas, ao poder para formar o convencimento do Juiz, mas também à extensão
de sua força probante.
Pode ocorrer de o documento apresentado possuir algum vício, que pode ser:
A diferença entre o vício e a falsidade consiste no dolo do agente. No vício não há propriamente dolo,
mas apenas uma irregularidade. Já na falsidade o documento foi deliberadamente adulterado ou produzido
de maneira errada.
Indícios
Os indícios são elementos de convicção cujo valor é inferior, pois não provam o fato que se discute,
mas provam outro fato, a ele relacionado, que faz induzir que o fato discutido ocorreu ou não.
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Os indícios, porém, são diferentes das presunções legais, pois os indícios apenas induzem uma
conclusão mais ou menos lógica (ex.: meu carro foi encontrado estacionado próximo ao local do crime, o que
leva à conclusão de que provavelmente eu estaria ali). Já as presunções legais são situações nas quais a lei
estabelece que são verdadeiros determinados fatos, se outros forem verdadeiros [ex.: Se Ana é menor de
14 anos (fato provado), é incapaz de consentir na relação sexual (fato presumido)]
DA BUSCA E APREENSÃO
Aspectos gerais
Em regra, a “busca e apreensão” é um meio de obtenção de prova. Entretanto, pode ser um meio de
assegurar direitos (quando se determina o arresto de um bem para garantir a reparação civil, por exemplo).
1 Tecnicamente, busca e apreensão são duas coisas distintas, pois pode haver busca sem que se consiga
apreender pessoa ou coisa, bem como pode haver apreensão sem que tenha havido busca (entrega
voluntária, por exemplo).
A Busca e apreensão pode ocorrer na fase judicial ou na fase de investigação policial. Pode ser
determinada a requerimento do MP, do defensor do réu, ou representação da autoridade policial (art. 242
do CPP). Por fim, a busca pode ser domiciliar ou pessoal (art. 240 do CPP).
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Nos termos do art. 240, § 1° do CPP: Este rol é considerado pela Doutrina e Jurisprudência
predominantes como um rol taxativo, ou seja, não admite ampliação. Parte da Doutrina entende, ainda, que
previsão do inciso f (“cartas abertas ou não...”) não foi recepcionada pela Constituição, que tutelou, sem
qualquer ressalva, o sigilo da correspondência, nos termos do art. 5°, XII da CRFB/88.
ATENÇÃO: A Doutrina majoritária sustenta que a carta aberta pode ser objeto de busca e apreensão (a carta,
uma vez aberta, torna-se um documento como outro qualquer).
A busca domiciliar só pode ser determinada pela autoridade judiciária (Juiz), em razão do princípio
constitucional da inviolabilidade de domicílio, previsto no art. 5°, XI da Constituição.
Percebam, assim, que mesmo com autorização judicial, a diligência só poderá ser realizada durante
o dia, exceto se o morador consentir que seja realizada à noite. Ou seja: sem o consentimento do morador,
só durante o dia; todavia, se o morador autorizar, pode ser realizada à noite.
Qual é o conceito de casa? Casa, para estes fins, possui um conceito muito amplo, considerando-se,
como norte interpretativo o conceito previsto no art. 246 do CPP:
⇒ Compartimento habitado
⇒ Aposento ocupado de habitação coletiva
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Assim, não é necessário que se trate de local destinado à moradia, podendo ser, por exemplo, um
escritório ou consultório particular. A inexistência de obstáculos (ausência de cerca ou muro, por exemplo),
não descaracteriza o conceito.
IMPORTANTE: Os veículos, em regra, não são considerados domicílio, salvo se representarem a habitação
de alguém (Boleia do caminhão, trailer, etc.), de acordo com a Doutrina majoritária. O STJ, porém, em decisão
mais recente, considerou que a boleia, por exemplo, não seria casa para fins penais.
Quartos de hotéis, pousadas, motéis, etc., são considerados “casa” para estes efeitos,
quando estiverem ocupados.
Mas e se ao tentar cumprir o mandado se verificar que não há ninguém em casa? O CPP determina
que seja intimado algum vizinho para que presencie o ato, nos termos do § 4° do art. 245 do CPP.
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De qualquer forma, a diligência, por si só vexatória e constrangedora, deve violar o mínimo possível
da intimidade da pessoa que sofre a busca domiciliar, nos termos do art. 248 do CPP.
Além disso, a autoridade que irá cumprir a diligência deve se ater ao objeto da busca e apreensão.
Assim, se a pessoa indica onde está a coisa que se foi buscar, e sendo esta encontrada, não pode a autoridade
simplesmente resolver continuar vasculhando o local, por achar que pode encontrar mais objetos, já que isso
configuraria pescaria probatória (fishing expedition), o que é vedado.
O mandado de busca e apreensão deve ser o mais preciso possível, de forma a limitar ao estritamente
necessário a ação da autoridade que realizará a diligência, devendo especificar claramente o local, os motivos
e fins da diligência. Deverá, ainda, ser assinado pelo escrivão e pela autoridade que a determinar, na forma
do art. 243 do CPP.
Art. 243. O mandado de busca deverá:
I - indicar, o mais precisamente possível, a
casa em que será realizada a diligência e o
nome do respectivo proprietário ou
morador; ou, no caso de busca pessoal, o
nome da pessoa que terá de sofrê-la ou os
sinais que a identifiquem; II - mencionar o
motivo e os fins da diligência; III - ser
subscrito pelo escrivão e assinado pela
autoridade que o fizer expedir. § 1o Se
houver ordem de prisão, constará do próprio
texto do mandado de busca. § 2o Não será
permitida a apreensão de documento em
poder do defensor do acusado, salvo quando
constituir elemento do corpo de delito.
IMPORTANTE: E no caso de a diligência ter de ser realizada no escritório de advogado? Nos termos do art.
7°, §6° do Estatuto da OAB, alguns requisitos devem ser observados:
⇒ Deve haver indícios de autoria e materialidade de crime praticado pelo próprio
advogado
⇒ Decretação da quebra da inviolabilidade pela autoridade Judiciária competente
⇒ Decisão fundamentada
⇒ Acompanhamento da diligência por um representante da OAB
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Na verdade, as únicas diferenças em relação à regra geral são a necessidade de que o crime tenha
sido praticado pelo próprio advogado e que acompanhe a diligência um representante da OAB.
Busca pessoal
A busca pessoal é aquela realizada em pessoas (no corpo, nas vestes, na bolsa, etc.), com a finalidade
de encontrar arma proibida ou determinados objetos, nos termos do § 2° do art. 240 do CPP. Vejamos:
Os objetos mencionados nas letras b a f e letra h do art. 240, §1º do CPP são:
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Ao contrário da busca domiciliar, poderá ser feita de maneira menos formal, podendo ser realizada
diretamente pela autoridade policial e seus agentes (sem necessidade de mandado), ou pela autoridade
judicial. Entretanto, mesmo nesse caso, a realização da busca deve se basear em fundadas suspeitas de que
o indivíduo se encontre em alguma das hipóteses previstas no CPP:
Pela redação do art. 244 é possível verificar que mesmo a busca pessoal depende de mandado,
salvo nas seguintes situações:
➔ No caso de prisão
➔ Quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma
proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito
➔ Quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar
Portanto, a busca pessoal desprovida de mandado somente pode ocorrer nos casos acima. A hipótese
mais comum é a segunda (quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida
ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito).
EXEMPLO: Policiais militares faziam ronda de rotina em determinada região e verificaram a presença de um
indivíduo que portava um objeto semelhante a uma arma de fogo. Ao ver os policiais, o indivíduo
rapidamente escondeu o objeto na cintura. Os policiais, então, diante da fundada suspeita de que o sujeito
estivesse na posse de arma proibida, realizaram a busca pessoal.
IMPORTANTE: CUIDADO! Apesar da expressão “busca pessoal”, tal diligência não será necessariamente
realizada no corpo ou nas vestes da pessoa. A expressão “oculte consigo” autoriza que a busca pessoal seja
realizada em objetos pessoais da pessoa alvo da busca (malas, mochilas, bolsas, etc.), inclusive veículos
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Pode a busca pessoal ser realizada em localidade diversa daquela na qual a autoridade exerce seu
poder? Em regra, não. Contudo, o CPP admite essa possibilidade no caso de haver perseguição, tendo esta
se iniciado no local onde a autoridade possui “Jurisdição”:
Assim, em resumo, a busca e a consequente apreensão podem ser realizadas em outra localidade,
diversa daquela em que a autoridade exerce sua atribuição, quando ocorrer perseguição iniciada em
território no qual a autoridade exerce sua “jurisdição”.
Aspectos gerais
O reconhecimento de pessoas e coisas está regulamentado nos Arts. 226 a 228 do CPP:
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EXEMPLO: Maria foi vítima de um crime de roubo majorado pelo emprego de arma branca. Ao narrar o fato
na delegacia, foi convidada a descrever o infrator, tendo-o descrito como um homem pardo, careca, barbudo
e meio gordinho, aparentando ter por volta de 40 anos. A autoridade policial, então, coloca o suspeito (José)
ao lado de outras pessoas com ele semelhantes (fisicamente) e convida Maria a reconhecer o infrator. Maria,
então, sem pensar duas vezes, aponta para José e, virando-se para o delegado, diz: “foi ele, doutor!”.
Do ato de reconhecimento será lavrado auto pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa
chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.
Caso haja motivo para acreditar que a pessoa chamada para o reconhecimento (ex.: a vítima, uma
testemunha, etc.), por efeito de intimidação ou outra influência, não irá dizer a verdade em face da pessoa
que deve ser reconhecida (ex.: um suposto criminoso muito perigoso), a autoridade providenciará para que
esta não veja aquela, ou seja, o reconhecedor irá realizar o reconhecimento sem ser visto pela pessoa que
será objeto do reconhecimento.
No reconhecimento de coisas, aplicam-se as mesmas regras, no que for cabível. Assim, não se aplica,
portanto, o inciso III do art. 226, por questões de lógica.
Tanto no reconhecimento de pessoas como no de coisas, se houver mais de uma pessoa para fazer
o reconhecimento, cada uma delas realizará o ato em separado, de forma a que uma não influencie a outra.
Trata-se do princípio da individualidade aqui também presente (art. 228 do CPP).
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EXEMPLO: Maria foi vítima de um crime de roubo, praticado por dois criminosos encapuzados. Maria,
todavia, apesar de não ter visto o rosto de nenhum deles, ouviu a voz de um dos criminosos, que era quem
conduzia a empreitada criminosa. A autoridade policial, durante as investigações, conclui que José pode ter
sido um dos autores do crime, e mediante autorização judicial, tem acesso a vários áudios enviados por José
a outras pessoas por meio de um aplicativo para smartphones. Maria, então, é chamada para dizer se
reconhece a voz contida naqueles áudios (voz de José) como sendo a voz do criminoso.
O acusado não está obrigado a fornecer material fonográfico para que haja o reconhecimento de voz
(princípio do nemo tenetur se detegere).
Ademais, é também importante destacar que este reconhecimento fonográfico não deve ser
confundido com a perícia para verificação de locutor, que é um exame pericial por meio do qual um perito
analisa se determinada voz gravada (interceptação telefônica, p. ex.) provém, ou não, de determinada
pessoa.
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