Gestão de Manutenção em PME: Melhoria e Inovação
Gestão de Manutenção em PME: Melhoria e Inovação
NUMA PME
2019
Agradecimentos
Deixo os meus agradecimentos à minha família e aos meus amigos que sempre me
apoiaram e me ajudaram a tornar possível a conclusão desta etapa. Em especial aos
meus pais e meu irmão, que sempre me deram a liberdade de tomar as minhas próprias
decisões e, independentemente de tudo, permaneceram sempre do meu lado.
Gostava de agradecer também a todos os professores deste mestrado, não só pelo que
me ensinaram, mas também pela metodologia que me incutiram.
iii
iv
Resumo
Durante a análise de processos, são revistas atividades que são vistas como ineficiências,
com o objetivo de definir metas e objetivos, o fluxo de trabalho, controlos e integração
com outros processos para que estes contribuam de forma significativa na entrega de
valor ao cliente final.
Além do estudo e análise dos processos atuais na empresa realizaram-se também mais
dois tipos de serviços de carácter mais técnico que a Pedro Ferreira & Almeida Ferreira
explora, sendo eles a manutenção de postos de transformação e auditorias de ultrassom
aplicadas em redes de ar comprimido.
v
ensaio não destrutivo, repleto de vantagens e pouco usado em Portugal. Ainda
apresenta a importância destas auditorias no mundo industrial e o correto
procedimento a se executar numa auditoria desta natureza.
A implementação e aplicação de uma filosofia Lean na Pedro Ferreira & Almeida Ferreira
possibilitou atingir os objetivos inicialmente definidos, sendo estes uma melhor
utilização do espaço disponível, a diminuição de movimentações nos corredores de
circulação e consequente aumento da produtividade.
Por fim, de forma a se concretizar o objetivo de adaptar a Pedro Ferreira & Almeida
Ferreira – Engenharia, Lda, às novas ideias implementadas pela revolução Indústria 4.0
com vista à melhoria de processos, estudou-se e implementou-se um software de gestão
de manutenção. Além da demonstração de melhorias de processos nos serviços de
manutenção preventiva e corretiva, permitiu ainda melhorias na gestão de documentos
e entregas/envios.
vi
Abstract
In addition to the study and analysis of the current processes in the company, two more
types of services of a more technical nature were also carried out that Pedro Ferreira &
Almeida Ferreira operates, namely the maintenance of transformation stations and
ultrasound audits applied to compressed air networks.
vii
Thinking tools. The practical difficulties in the storage of materials and tools were
analysed in order to prevent them, making the process easier and more efficient. The
objectives defined were to improve the use of the available space in the company's
warehouse and to guarantee the effectiveness, efficiency and reduction of the
transportation times of raw materials and tools.
An analysis of potential improvement points was also carried out, namely about the
modification of the warehouse layout. These proposals for improvement aimed to
benefit the working conditions of employees and reduce waste of resources.
The implementation and application of a Lean philosophy at Pedro Ferreira & Almeida
Ferreira made possible to achieve the initially defined objectives, which were a better
use of the available space, the reduction of movements in circulation corridors and the
consequent increase in productivity.
Finally, in order to achieve the objective of adapting Pedro Ferreira & Almeida Ferreira
- Engenharia, Lda, to the new ideas implemented by the Industry 4.0 revolution in order
to improve processes, a maintenance management software was studied and
implemented. In addition to demonstrating process improvements in preventive and
corrective maintenance services, it also allowed for improvements in document
management and delivery/shipment.
viii
Résumé
Pour que les petites et moyennes entreprises puissent évoluer de nos jours et s'intégrer
de manière compétitive dans les marchés, elles doivent revoir leurs ressources pour les
rendre plus efficaces. Cette efficacité est obtenue en analysant les processus en cours
dans les entreprises visant à détecter les activités pouvant être améliorées.
Lors de l'analyse des processus, les activités considérées comme inefficaces et goulets
d'étranglement sont examinées, pour définir les buts et objectifs, le flux de travail, les
contrôles et l'intégration à d'autres processus, de manière à contribuer de façon
significative à la création de valeur finale pour le client.
Cette amélioration des processus reposait sur la mise en place d'un système
informatique de gestion de maintenance visant non seulement à améliorer les
processus, mais aussi de permettre à Pedro Ferreira & Almeida Ferreira de s'adapter aux
nouvelles idées mises en œuvre par la révolution Industrie 4.0.
En plus de l'étude et de l'analyse des processus actuels de l'entreprise, deux autres types
de services de nature plus technique que Pedro Ferreira & Almeida Ferreira exploite ont
également été réalisés, à savoir la maintenance des stations de transformation et les
audits ultrasons appliqués aux réseaux d'air comprimé.
ix
l'importance de ces audits dans le monde industriel et la procédure correcte à suivre
pour un audit de cette nature.
Une analyse des points d'amélioration potentiels a également été réalisée, notamment
en ce qui concerne la modification de l'aménagement de l'entrepôt. Ces propositions
d'amélioration visaient à améliorer les conditions de travail des employés et à réduire le
gaspillage des ressources.
La mise en œuvre et l'application d'une philosophie Lean chez Pedro Ferreira & Almeida
Ferreira a permis d'atteindre les objectifs initialement définis, à savoir une meilleure
utilisation de l'espace disponible, la réduction des déplacements dans les allées de
circulation et l'augmentation conséquente de la productivité.
Enfin, pour atteindre l'objectif d'adapter Pedro Ferreira & Almeida Ferreira - Engenharia,
Lda, aux nouvelles idées élaborées par la révolution d'Industry 4.0 en vue d'améliorer
les processus, un logiciel de gestion de maintenance a été étudié et mis en œuvre. En
plus de démontrer l'amélioration des processus dans les services d'entretien préventif
et correctif, il a également permis d'améliorer la gestion des documents et la
livraison/l'expédition.
x
Índice geral
Resumo...................................................................................................................................... v
Abstract ....................................................................................................................................vii
Résumé ......................................................................................................................................ix
Índice de figuras ...................................................................................................................... xiii
Índice de tabelas ...................................................................................................................... xv
Acrónimos .............................................................................................................................. xvii
1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................... 19
1.1. OBJETIVOS E ENQUADRAMENTO ......................................................................................... 19
1.2. APRESENTAÇÃO DA EMPRESA ............................................................................................. 20
1.3. ORGANIZAÇÃO DO RELATÓRIO ........................................................................................... 21
2. ESTADO DA ARTE ..................................................................................................................... 23
2.1. MANUTENÇÃO ................................................................................................................ 23
2.1.1. MANUTENÇÃO DE MELHORIA ........................................................................................ 24
2.1.2. MANUTENÇÃO PREVENTIVA .......................................................................................... 25
[Link]. AUDITORIA DE ULTRASSONS APLICADO EM REDES DE AR COMPRIMIDO ............................ 25
[Link]. MANUTENÇÃO PREVENTIVA SISTEMÁTICA DE POSTOS DE TRANSFORMAÇÃO ..................... 34
2.1.3. MANUTENÇÃO CORRETIVA ............................................................................................ 46
2.2. LEAN THINKING ............................................................................................................... 47
2.3. GESTÃO DA MANUTENÇÃO................................................................................................ 53
2.3.1. FERRAMENTAS DE APOIO À GESTÃO DA MANUTENÇÃO ....................................................... 53
2.4. GESTÃO DA ARMAZENAGEM .............................................................................................. 56
2.4.1. OPERAÇÕES DE ARMAZENAGEM ..................................................................................... 57
2.4.2. LAYOUT DO ARMAZÉM .................................................................................................. 57
2.4.3. POLÍTICAS DE ARMAZENAMENTO .................................................................................... 58
2.4.4. TÉCNICAS LEAN APLICADAS NA ARMAZENAGEM ................................................................. 59
2.5. SOFTWARE DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO............................................................................ 62
I. BASE DE DADOS ................................................................................................................... 65
II. CHECKLIST .......................................................................................................................... 67
III. ORDEM DE TRABALHO .......................................................................................................... 68
IV. DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE ......................................................................................... 69
3. GESTÃO DA ARMAZENAGEM ...................................................................................................... 72
3.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 72
3.2. PRÁTICAS A ADOTAR DE FORMA A SE OBTER UMA MELHOR ORGANIZAÇÃO ................................. 72
3.3. ORGANIZAÇÃO PRÉVIA DO ARMAZÉM – TRIAGEM .................................................................. 73
xi
3.4. MEDIDAS PROPOSTAS ....................................................................................................... 76
3.4.1. EXPANSÃO DO ARMAZÉM .............................................................................................. 76
3.4.2. IMPLEMENTAÇÃO DE MELHORIAS NO ARMAZÉM ................................................................ 77
3.5. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 81
4. MANUTENÇÃO DE POSTOS DE TRANSFORMAÇÃO .......................................................................... 83
4.1. PROCEDIMENTO NA MANUTENÇÃO DE POSTOS DE TRANSFORMAÇÃO ...................................... 84
4.1.1. INSPEÇÃO ................................................................................................................... 85
4.1.2. MANUTENÇÃO INTEGRADA............................................................................................ 88
4.2. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 95
5. AUDITORIA DE ULTRASSOM EM REDES DE AR COMPRIMIDO ........................................................... 97
5.1. INSPEÇÕES EM AR COMPRIMIDO ......................................................................................... 98
5.2. PROCEDIMENTO DE UMA INSPEÇÃO PARA FUGAS DE AR COMPRIMIDO ...................................... 98
5.3. CONCLUSÃO .................................................................................................................. 101
6. IMPLEMENTAÇÃO DE SOFTWARE DE GESTÃO DA MANUTENÇÃO ..................................................... 104
6.1. LEVANTAMENTO DA SITUAÇÃO ......................................................................................... 105
6.1.1. ANÁLISE DE REQUISITOS .............................................................................................. 109
6.1.2. IMPLEMENTAÇÃO DE UM SOFTWARE DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO .................................... 110
6.1.3. IMPLEMENTAÇÃO....................................................................................................... 113
6.2. ORDEM DE TRABALHO .................................................................................................... 118
6.3. PREPARAÇÕES/CHECKLIST’S............................................................................................. 121
6.4. RESULTADOS OBTIDOS .................................................................................................... 123
6.5. ELABORAÇÃO DE UM MANUAL DE UTILIZAÇÃO .................................................................... 126
6.6. CONCLUSÃO .................................................................................................................. 127
7. CONCLUSÃO.......................................................................................................................... 128
Referências documentais ...................................................................................................... 130
xii
Índice de figuras
Figura 1 – Organização dos serviços prestados pela empresa 20
Figura 2 - Diagrama dos tipos de manutenção 24
Figura 3 - Espectro sonoro (Fonte: [Link] 26
Figura 4 - Esquema representativo de um Posto de Transformação MT/BT (Fonte: Ibraimo
Arusse Anli, 2016) 36
Figura 5 - Interruptor MT (Fonte: Ibraimo Arusse Anli, 2016) 37
Figura 6 - Seccionador MT (Fonte: [Link]) 37
Figura 7 - Interruptor/Seccionador MT (Fonte: [Link]) 38
Figura 8 - Disjuntor MT (Fonte: [Link]) 38
Figura 9 - Fusível MT (Fonte: [Link]) 39
Figura 10 - Transformador MT (Fonte: [Link]) 40
Figura 11 - Termografia em circuitos elétricos (Fonte: [Link]) 43
Figura 12 - A azul estão identificados os elétrodos da terra de serviço, a verde e amarelo estão
identificados os elétrodos da terra de proteção 43
Figura 13 - Hastes de terra e abraçadeiras (Fonte: [Link]) 44
Figura 14 – Princípios do Lean Thinking 48
Figura 15 - Metodologia 5S's 54
Figura 16 - Gestão de Manutenção (Fonte: [Link]) 63
Figura 17 - Base de dados (Fonte: [Link]) 65
Figura 18 – Checklist (Fonte: [Link]) 67
Figura 19 - Falta de identificação nos materiais 73
Figura 20 - Disposição das quatro áreas no armazém engitop 74
Figura 21 - Armazenagem da cablagem 74
Figura 22 - Disposição de ferramentas elétricas e dos equipamentos de ensaio 75
Figura 23 - Área da manutenção de postos de transformação 75
Figura 24 - Disposição dos cabos superiores a 25 mm2 e cabos de rede de telecomunicações 75
Figura 25 - Organização das uniões por tamanho 78
Figura 26 - Implementação de uma estante para alocar estruturas de aço 80
Figura 27 - Layout inicial do armazém 80
Figura 28 - Layout final do armazém 81
Figura 29 - Interruptor de Corte Geral de um Quadro Geral de Baixa Tensão 84
Figura 30 - Cela SF6 (Fonte: [Link]) 85
Figura 31 - Seccionador de Média Tensão 85
Figura 32 - Pinça de terras (Fonte: [Link]) 87
Figura 33 - Isoladores de média tensão (Fonte: [Link]) 88
Figura 34 - Caixa de fim de cabo danificada 89
Figura 35 - Barramento de média tensão 90
Figura 36 - Quadro Geral de Baixa Tensão (Fonte: [Link]) 91
Figura 37 - Chapa de características de um transformador de média tensão 93
Figura 38 – Mega ohmímetro (Fonte: [Link]) 94
Figura 39 - Máquina para deteção de fugas de ar comprimido da UE SYSTEMS (Fonte:
[Link]) 99
Figura 40 - Etiqueta de identificação de fugas 100
Figura 41 - Exemplo de uma fuga detetada 100
Figura 42 - Ordem de Trabalho, designada também por Fichas de Trabalhos 107
xiii
Figura 43 - Diagrama de Processos de Manutenção Corretiva 108
Figura 44 - Diagrama de Processo de Manutenção Preventiva 109
Figura 45 - Hierarquia da organização da base de dados 114
Figura 46 - Hierarquia da base de dados em cloud 114
Figura 47 - Exemplo de tipo de atividade dos clientes da engitop 115
Figura 48 - Exemplo de tipos de ativos dos clientes 116
Figura 49 - Exemplo hierárquico de um ativo do Grupo Solverde 117
Figura 50 - Estrutura hierárquica na base de dados na cloud 117
Figura 51 - Ativo do Hotel Solverde 118
Figura 52 - Novo Pedido 119
Figura 53 – Preenchimento do Registo de Ordem de Trabalho no Software de Gestão de
Manutenção 120
Figura 54 - Ordem de Trabalho Finalizado 120
Figura 55 - Detalhe do Pedido de uma ordem de trabalho 121
Figura 56 - Diagrama do procedimento de preenchimento da documentação em trabalhos de
manutenção preventiva antes da implementação do software 122
Figura 57 - Diagrama do procedimento de preenchimento da documentação para trabalhos de
manutenção corretiva antes da implementação do software 122
Figura 58 - Diagrama de processo da manutenção preventiva após a implementação do
software 124
Figura 59 - Diagrama de processos de manutenção corretiva com o software de gestão de
manutenção 125
xiv
Índice de tabelas
Tabela 1 - Descrição resumida das ações de manutenção preventiva sistemática (Fonte: DRE-
C13-100R de Setembro de 2003) 41
Tabela 2 - Periodicidade das Ações de Manutenção Preventiva (Fonte: DRE-C13-100R de
Setembro de 2003) 42
Tabela 3 - Pilares da metodologia dos 5S's 55
Tabela 4 - Modelo Racional 66
Tabela 5 - Elementos de segurança 86
Tabela 6 - Tipos de transformadores de média tensão 90
Tabela 7 - Tabela comparativa de empresas de desenvolvimentos de software 111
xv
xvi
Acrónimos
ARI – Análise da Resistência de Isolamento
BT – Baixa Tensão
MT – Média Tensão
OT – Ordem de Trabalho
PT – Posto de Transformação
RF – Relatório Final
RI – Relatório de Intervenção
xvii
18
1. INTRODUÇÃO
Neste capítulo são apresentados o enquadramento e os objetivos desta dissertação, a
apresentação da empresa onde foi realizado o estágio e a estrutura deste documento,
caracterizada pela sua organização por capítulos.
19
1.2. APRESENTAÇÃO DA EMPRESA
Sediada na Rua Interna Nº125, na Zona Industrial do Pousado, 4535-569 Paços de
Brandão, no distrito de Aveiro, concelho de Santa Maria da Feira, a engitop é uma marca
de engenharia de serviços que está presente no mercado português através da empresa
Pedro Ferreira & Almeida Ferreira – Engenharia, Lda., foi fundada em 2011 com o
objetivo de analisar e desenvolver soluções técnicas aliadas às instalações elétricas e
sistemas de climatização.
Esta empresa, certificada pela ISO 9001, contém dois departamentos que atuam nas
seguintes áreas:
Energéticas
Auditorias Técnicas
Projeto elétrico e
Termografia
remodelação
Postos de
Manutenção
Pedro Ferreira & Transformação
Almeida Ferreira
Ultrassom em
Auditoria redes de ar
comprimido
Conceção
Redes de ar
engitop air
comprimido
Manutenção
Produtos de
Comercialização
pneumática
20
Como se verifica no diagrama da figura 1, a empresa Pedro Ferreira & Almeida Ferreira
é constituída por dois departamentos distintos entre si, designados de engitop e engitop
air.
A constante interação entre estes dois departamentos permite à Pedro Ferreira &
Almeida Ferreira – Engenharia Lda. a capacidade de evoluir como pequena ou média
empresa através das diversas áreas de negócio, fazendo com que cresça e aumente a
sua reputação nos diversos mercados de forma gradual.
É de salientar que a Pedro Ferreira & Almeida Ferreira – Engenharia Lda, apesar de
apresentar estes dois departamentos, é mais conhecida de uma forma geral através do
termo “engitop” nos mercados em que estão inseridos.
21
No capítulo 2, foi feita uma revisão do estado da arte relativo aos conceitos necessários
ao desenvolvimento do trabalho, nomeadamente conceitos de manutenção, gestão de
manutenção e gestão da armazenagem.
Por último, e tendo por base toda a informação recolhida e análises efetuadas, são
apresentadas, no capítulo 7, algumas conclusões globais e a definição de perspetivas de
desenvolvimentos futuros.
22
2. ESTADO DA ARTE
Neste capítulo, apresenta-se conteúdos teóricos relacionados com os trabalhos
desenvolvidos.
2.1. MANUTENÇÃO
Num mundo cada vez mais exigente e competitivo, torna-se indubitavelmente
fundamental otimizar, melhorar e manter todos os ativos de uma empresa num
excelente estado de conservação. Sendo que, a manutenção é indispensável para que
seja possível esta otimização.
De acordo com Cabral (2006), a manutenção ainda se pode definir como o conjunto das
ações destinadas a assegurar o bom funcionamento das máquinas e das instalações,
garantindo que elas são intervencionadas nas oportunidades e com o alcance certos,
por forma a evitar que avariem ou baixem de rendimento e, no caso de tal acontecer,
que sejam repostas as condições de operacionalidade com a maior brevidade, tudo a
um custo global otimizado.
23
O modelo seguido no presente documento, figura 2, representa os vários tipos de
manutenção esquematizados segundo a norma EN 13306:2017, que serão explicados
de seguida.
Manutenção
Como o próprio nome indica, estes sistemas adicionais permitirão melhorias evolutivas
nos equipamentos, trazendo benefícios e proveitos aos seus exploradores.
24
2.1.2. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
A norma EN 13306:2017, define manutenção preventiva como sendo a manutenção
realizada com o objetivo de avaliar e/ou mitigar a degradação e reduzir a probabilidade
de falha de um equipamento.
25
eficiência, para captar os sinais de ultrassons que viajam através do ar ou estruturas
existentes no meio ambiente.
Esta tecnologia é cada vez mais usada e de fácil integração nos programas de
manutenção condicionada na indústria permitindo obter informações através dos sinais
de alta frequência rececionados.
Como referido anteriormente este tipo de tecnologia deve fazer parte de um programa
de manutenção condicionada, várias fontes de informação que trabalhem de maneira
eficiente, as quais devem fazer parte as técnicas de controlo de condição e de
diagnóstico.
26
outras técnicas de análise, fornece informação sobre o "estado de saúde" dos
equipamentos.
Fazer um bom diagnóstico é de grande utilidade para evitar paragens inesperadas nos
equipamentos críticos. Os ultrassons captam os sons em frequências que seriam
impossíveis de captar pelo ouvido humano, e permitem perceber de forma imediata
uma série de anomalias, tanto ao nível de defeitos em equipamentos/máquinas, como
em sistemas de fluxos de fluidos pressurizados, como ao nível da inspeção elétrica,
permitindo às empresas evitar desaproveitamentos de tempo/produção em paragens
imprevistas, promovendo a eficiência energética e permitindo de forma direta a
poupança energética e ambiental.
27
mensuráveis (por exemplo: filtro de ar a funcionar corretamente vs filtro de ar
com defeitos);
• Validação da sensibilidade do equipamento de medição: É recomendável que a
validação da sensibilidade do equipamento de medição, seja realizada no início
e no fim da inspeção. No caso de inspeções contínuas, a verificação da
sensibilidade deverá ser efetuada no início, no meio e no final da inspeção;
• Factores humanos: Formação, experiência, boas capacidades auditivas e
capacidade física para realização das inspeções.
Inspeções de fugas de ar
O volume de ar das fugas está relacionado com a pressão da rede. Estas tornam-se
maiores com um aumento da pressão, pois se temos maior número de fugas,
necessitamos de maior pressão para compensar a rede.
É muito comum, quando uma área de trabalho é afetada por uma queda de pressão, a
primeira ação seja o aumento da pressão de funcionamento do compressor. Esta ação
provoca o aumento das fugas, maior consumo energético e custos de produção de ar
comprimido mais elevados.
• Turbulência
Para detetar uma fuga usando a tecnologia de ultrassons propagados no ar, a fuga deve
apresentar certas características, tais como, turbulência para emitir o som ultrassónico
com qualidade.
28
Alguns gases são menos densos que outros, em qualquer dos casos, estes tendem a fluir
mais rápido através do orifício. Se os diferenciais de pressão entre a alta pressão e a
baixa pressão são grandes devido às condições atmosféricas, a turbulência causada pela
fuga será ainda maior. Um orifício grande por um lado produz mais turbulência que um
orifício pequeno, mas em certas situações o contrário também é verdade. Um orifício
irregular ou áspero usualmente produz mais turbulência que um orifício liso. Uma
parede grossa tenderá a baixar algumas forças de pressão e reduzir os diferenciais de
pressão mais que uma parede fina. Alguns materiais absorventes, como a borracha,
produzem menos ultrassons que materiais condutores como é o caso do aço inoxidável.
• Distância da fuga
Outro factor de enorme influência para a deteção das fugas é a distância a que a fuga se
encontra. A intensidade do sinal dos ultrassons reduz-se enquanto a distância da fonte
aumenta.
• Acessibilidade da fuga
29
O ultrassom proveniente da fuga é enviado então de várias direções, refletindo-se de
obstáculo em obstáculo o que levará à dificuldade da sua localização precisa. Em alguns
casos, os ultrassons podem chocar com materiais absorventes das ondas sonoras, e
quanto maior for a distância que a fuga viaje, mais atenuado e débil será o seu sinal.
À medida que um gás circula por um orifício de fuga, é gerado um caudal turbulento
com componentes de alta frequência detetáveis. Ao rastrear a área de teste de uma
fuga pode ser ouvida através dos auscultadores quando for assinalado um som
repentino e intenso no visor/medidor. Quanto mais próximo da fuga estiver o
instrumento, mais alto será o som repentino e intenso e mais alta será a leitura.
Se o ruído ambiente for um problema, pode ser utilizada uma sonda de borracha para
limitar o campo de receção do instrumento e para proteger o mesmo contra ultrassons
em conflito. Além disso, a sintonização de frequência (disponível na maior parte dos
modelos) reduz drasticamente a interferência de ruídos de fundo para facilitar a deteção
de fugas ultrassónicas. Seguem-se algumas técnicas de deteção.
• Ajuste de frequência
Utilizar o ajuste de frequência em situações onde, o som ou o sinal seja, difícil de isolar.
O ajuste de frequência permite ao operador selecionar uma frequência específica para
cada problema enquanto reduz a interferência de sinais ultrassónicos que não
interessam. Esta característica vê-se afetada por diferentes tipos de origem das fugas,
como sejam fugas subterrâneas ou fugas por detrás das paredes.
• Ajuste da Sensibilidade
30
em parte a chave do método “grande a pequeno”. Falhas ao reduzir a sensibilidade
podem provocar diagnósticos errados da localização exata da fuga e causar confusão, já
que haverá muitos sons por decifrar. A unidade de ultrassons dará a leitura em decibel
(dB).
Com bastante frequência, os níveis de som nos edifícios, assim como nas tubagens e nos
equipamentos mecânicos, não interferem com a deteção dos ultrassons. No entanto, há
situações onde se geram intensas emissões ultrassónicas. Quando esta situação se
verifica, a inspeção de ultrassons torna-se mais difícil. Para os sons audíveis de baixa
frequência, ao utilizar os auriculares de som permitem ao inspetor escutar as conversões
heteródinas dos ultrassons detetados, sem ser afetadas por sons de fundo do edifício,
enquanto se realiza a inspeção de ultrassons. Há situações em que o som intenso estará
presente em todo o processo de inspeção. Este pode vir de gases de alta pressão em
fuga, de fugas de vapor, de bombas de vazio, de compressores, etc.
➢ Método “grande a fino”: o método mais usado para deteção de fugas, é chamado
de “grande a fino”. Este método consiste em realizar a inspeção a uma
31
determinada distância da área a inspecionar e depois ir-se aproximando do locar
específico da fuga. O equipamento de ultrassons deverá começar com a
sensibilidade no máximo e depois ser reduzida à medida que nos aproximamos
da área exata da fuga.
Sempre que seja difícil determinar a localização do som da fuga, deve-se
aumentar a sensibilidade do equipamento caso o nível do som seja baixo, caso
contrário, deve-se baixar a sensibilidade.
Este procedimento ajuda o inspetor a avaliar de maneira correta a situação para
determinar a diferença entre os ultrassons normais de fundo e os que realmente
correspondem à fuga.
➢ Deflexão sónica: A deflexão sónica pode ser uma fonte de confusão e levar a
tomar leituras falsas. O som reflete-se nas superfícies sólidas e ainda que exista
algum grau de atenuação, a energia do som pode ser mal interpretada como uma
fonte primária de fuga.
Para evitar fazer o erro de determinar um lugar de fuga com deflexão sónica, é
importante que se confirme o lugar da fuga com os métodos de confirmação.
Existem várias técnicas que podem ser usadas para confirmar a localização das fugas.
• Varrimento em todas as direções - escutar o sinal mais forte e observar os valores
dados pelo equipamento de ultrassons para confirmar que realmente se “segue
a linha” dos ultrassons.
• Método de selagem - é uma técnica usada com a sonda de focar. Com a sonda,
uma fuga pode ser selada pressionando a ponta contra o lugar da fuga, cobrindo
a fuga com a mesma sonda. Esta técnica é usada para identificar e confirmar
fugas.
• Angulação - é outra forma de reduzir o efeito dos ultrassons de outras fontes que
não interessam. A angulação é importante porque os ultrassons são direcionais
e refletem-se nas superfícies sólidas. Quando se encontram ultrassons de outras
32
fontes, altera-se o ângulo de inspeção para o modo de varrimento, até se
localizar com precisão os ultrassons da fonte em análise.
• Blindagem e barreiras - É o processo de colocar um material sólido portátil entre
o inspetor e o lugar de inspeção. Qualquer objeto que possa absorver ou refletir
o som, pode ser usado para blindar os ultrassons que não interessam.
• Corpo - sempre que se efetua uma inspeção, é necessário ter em conta a posição
do corpo. O corpo humano absorverá e refletirá os ultrassons, se o inspetor se
colocar estrategicamente entre a área de inspeção e os ultrassons em
concorrência.
• Técnicas de Mão – o uso de luvas é uma técnica usada para minimizar os
ultrassons em concorrência que possam passar através da ponta do detetor de
ultrassom. Deve-se utilizar a mão enluvada na envolvente da ponta do módulo
de foco enquanto se cobre por completo a área suspeita que tenha a fuga.
33
[Link]. MANUTENÇÃO PREVENTIVA SISTEMÁTICA DE
POSTOS DE TRANSFORMAÇÃO
Na perspetiva da qualidade de serviço técnica, segundo ERSE (2015), o sistema elétrico
corresponde a um sistema interligado, baseado no conceito de “rede partilhada” e que
é influenciado pela produção, transporte e distribuição de energia elétrica, assim como
pelas instalações elétricas dos clientes.
Exemplo dessa realidade são os postos de transformação de cliente que, sendo parte
integrante das instalações elétricas dos clientes de média tensão, quando não
devidamente mantidos, podem proporcionar a ocorrência de defeitos e os
consequentes efeitos nefastos que estes podem provocar na sua própria instalação, na
rede de distribuição e consequentemente nos restantes utilizadores da rede.
Estas instalações elétricas devem de ser inspecionadas por um técnico responsável pela
exploração com a frequência exigida, no mínimo de duas vezes por ano, a fim de
proceder às verificações, ensaios e medições regulamentares e elaborar o relatório
referido no artigo 14º, do Decreto-Lei n.º517/80 de 31 de Outubro, devendo estas
inspeções obrigatórias ser feitas, uma, durante os meses de verão e, outra, durantes os
34
meses de inverno. O relatório referido no número anterior será enviado, anualmente,
aos respetivos serviços externos da Direção Geral de Energia.
Postos de Transformação
35
mais transformadores estáticos, quando a corrente secundária de todos os
transformadores for utilizada diretamente nos recetores, podendo incluir
condensadores para a compensação do fator de potência”.
A partir da figura anterior, pode-se notar que estes aparelhos ficam a montante do
transformador, o que significa que a ação destes recai diretamente sobre o
transformador. Os aparelhos de seccionamento são aqueles que garantem a separação
física entre as partes ativas da linha e o transformador (interruptor/seccionador,
interruptor, disjuntor), já os aparelhos de proteção são aparelhos dotados de poder de
corte, que tem a função de proteger o transformador (disjuntor, fusível,
interruptor/seccionador).
36
1. Interruptor
2. Seccionadores
37
3. Interruptores/Seccionadores
Para Cardoso (2014), é um “Dispositivo que tem como função ligar ou desligar um
circuito em carga, dotado de poder de corte e tendo duas posições, uma de abertura e
outra de fecho, nas quais se mantêm sem a interferência de ações exteriores”.
4. Disjuntores
5. Fusíveis
38
Figura 9 - Fusível MT (Fonte: [Link])
Para além dos dispositivos descritos acima, existem outros dispositivos que protegem o
posto de transformação e as pessoas, contradescargas atmosféricas e contactos
indiretos. São eles:
• Para-raios
Para proteger as pessoas contra contactos indiretos faz-se uma ligação à terra (terra de
proteção). Para que se faça a ligação à terra é preciso que a resistência do solo esteja
entre 5 a 20 ohms. Poucos são os solos que permitem esta condição daí que é necessário
que o solo seja preparado para que tenha tais condições.
b) Transformador
Máquina elétrica estática, constituída por um núcleo de chapas de aço empilhadas, dois
ou mais enrolamentos acoplados entre si magneticamente ou eletricamente (no caso
do Autotransformador) e que se destina a transformação da tensão e corrente de um
circuito primário, para outro secundário mantendo a mesma frequência e mesma
potência.
39
Figura 10 - Transformador MT (Fonte: [Link])
40
Tipos de ações de manutenção
41
Para identificação de anomalias recomenda-se a realização dos seguintes
procedimentos:
• Observação visual do estado das instalações e equipamentos elétricos,
identificação e registo em ficha própria das anomalias detetadas e do grau de
prioridade que deverá ser considerado para correção;
• Termografia de todas as ligações com recurso a equipamento especial de medida
de temperatura sem contacto, para deteção de eventuais pontos quentes;
• Medição da resistência de terra do PT;
• Verificação dos sistemas de proteção.
Ações Periocidade
Termografia
42
Figura 11 - Termografia em circuitos elétricos (Fonte: [Link])
43
A finalidade de colocar terras, além de proteger as pessoas, as instalações e os
equipamentos, é servir como percurso seguro para a dissipação das correntes de fuga,
raios e descargas estáticas.
Sem um sistema de terras eficaz, existe risco de choque elétrico, além de risco de erros
nos instrumentos, problemas de distorção harmónica, problemas relacionados com o
fator de potência e uma sucessão de outras possíveis complicações. Se as correntes de
fuga não tiverem um caminho para descarga na terra através de um sistema de
aterramento devidamente projetado e mantido, elas encontrarão outros caminhos não
planeados, que podem incluir a passagem por pessoas.
Contudo, o bom aterramento não tem apenas a função de proporcionar segurança; ele
também impede a ocorrência de danos a equipamentos e instalações industriais. Um
bom sistema de terras aumenta o grau de fiabilidade do equipamento e reduz a
probabilidade de danos devidos a raios ou correntes de fuga.
Esta medição torna-se muito importante pois, ao longo do tempo, solos corrosivos com
alto teor de humidade, alto teor de sal e altas temperaturas deterioram as hastes de
terra e as conexões. Assim, embora o sistema de terra instalado inicialmente possa ter
apresentado valores baixos de resistência de terra, a resistência pode aumentar se as
hastes de terra (Figura 13) se deteriorarem.
A medição das terras tem como objetivo a verificação da continuidade das mesmas e
ligações equipotenciais, isto é, verificar se a ligação de todas as estruturas do PT que não
têm tensão própria, mas que podem ser percorridas por fugas de corrente, como por
exemplo as portas ou a ventilação, estão devidamente ligadas à terra e se não
apresentam danos.
44
Por isso, é de carácter obrigatório que todos os sistemas de terra sejam inspecionados,
como parte do plano de manutenção preventiva sistemática. Durante estas inspeções
periódicas, se houver aumento de resistência acima de 20%, o técnico deve investigar a
origem do problema e tomar as medidas necessárias para corrigi-lo de modo a baixar a
resistência, o que pode ser feito substituindo-se ou acrescentando-se hastes de cobre
no sistema. Deve-se ter em conta que os valores de resistência de terra, tanto a de
proteção com a de serviço, não podem ultrapassar os 20 ohms.
Nas instalações podem ocorrer fugas de corrente que, assim sendo, originam um
consumo de eletricidade desnecessário, podendo provocar aquecimentos e perdas. É
por isso importante medir-se a sua resistência de isolamento, determinada entre a terra
e os condutores. Durante a verificação, os condutores, inclusive o neutro, estão isolados
da terra e desligados da fonte de alimentação.
45
2.1.3. MANUTENÇÃO CORRETIVA
De acordo com a EN 13306:2017 a manutenção corretiva é a manutenção realizada após
o reconhecimento de falhas e destina-se a restaurar um item num estado que permita
executar a função para que este fora concebido.
Devido ao facto de que as avarias surgem sem um aviso prévio devido à ausência de
oportunidade de atuar, não é possível ser decidida pelo gestor de manutenção a sua
prévia intervenção, por isso os trabalhos de manutenção corretiva não são
programados.
Por exemplo, no caso de ocorrência de uma falha num posto de transformação que irá
causar a rutura da alimentação de equipamentos elétricos, a intervenção de
manutenção corretiva é urgente de forma a repor a condição normal de funcionamento
do sistema elétrico, isto é, voltar a estabelecer a alimentação dos equipamentos
elétricos.
Este tipo de manutenção corretiva é executado após a ocorrência de uma avaria, sendo
neste caso o objetivo imediato a reposição em funcionamento dos equipamentos
através de uma reparação de carácter provisório, ficando a resolução final adiada para
um futuro mais próximo possível.
46
2.2. LEAN THINKING
O Lean Thinking baseia-se numa filosofia que auxilia a gestão de uma organização. Esta
filosofia rege-se por alguns princípios que Womack e Jones (1996) identificaram.
Consiste nas características percetíveis que fazem a diferença no momento da decisão
do cliente em adquirir determinado produto ou serviço. O cliente analisará o preço e
esforço que fará para adquirir o bem/serviço e características inerentes. Quanto maior
o valor percebido pelo cliente maior será a satisfação do mesmo e deste modo a
fidelidade será crescente.
Assim, para que uma organização crie valor, é necessário que identifique todos os
aspetos que não são úteis para a satisfação dos seus stakeholders, eliminando todas as
formas de desperdícios que não vão de encontro à satisfação das partes interessadas. A
criação de valor e a eliminação de desperdícios complementam-se no caminho para a
excelência das organizações.
A figura 14 representa o ciclo dos princípios do Lean Thinking a adotar nas empresas de
forma a que estas acrescentem valor nos seus processos:
47
Valor
Cadeia
Perfeição
de Valor
Sistema
Fluxo
Pull
• Valor
Segundo Womack e Jones (1996), valor é aquilo que o cliente considera como valor para
um produto final específico, ou seja, o que representa um benefício para ele, a um preço
e tempo específicos. O erro na interpretação deste princípio é que muitos produtores
tentam definir o que é valor para o cliente sem considerar o que realmente ele quer do
produto, ou seja, deve-se especificar o que é valor a partir da perspetiva do cliente,
criando valor para ele e tentando cumprir ao máximo com as expectativas do cliente
final, Picchi (2000) e Howell (1999).
48
O que se verifica aqui é que o cliente fica insatisfeito pois não recebeu num prazo
satisfatório. Isto não entrega valor ao cliente pois o mesmo não o reconhece e implica
custos para quem prestou o serviço.
Conclui-se que com este primeiro princípio que não é a empresa que define o que é o
valor, mas sim o cliente. A perceção de quais as necessidades do cliente é essencial.
• Cadeia de Valor
Ao efetuar este tipo de análise, consegue-se uma perspetiva da cadeia como um todo o
que facilita a redução do desperdício. Ao eliminar as atividades que não criam valor e
que são desnecessárias, automaticamente otimiza-se o processo aumentando o valor
entregue ao cliente.
Todos os processos têm as suas etapas e a sua cadência, o que define a respetiva cadeia
de valor. A título de exemplo pode referir-se o processo de produção de uma caixilharia
de alumínio. São diversas as etapas necessárias, assim como os critérios de qualidade
estabelecidos. Sendo assim, seria necessário analisar as diversas fases em que algumas
serão a fase de corte, prensagem e montagem em fábrica. Ao longo destas fases são
49
diversas as atividades. Cada uma delas deve ser analisada para identificar os
desperdícios existentes e eliminá-los. Um dos desperdícios que pode ocorrer é a
inexistência ou elevada distância de um local para armazenamento de stock para a
produção em curso. Isto implica deslocações excessivas e paragem de postos de
trabalho.
• Fluxo
• Sistema Pull
50
do excesso de produção e consequentemente a redução dos stocks excessivos assim
como o uso de mão-de-obra desnecessária.
• Perfeição
Estes princípios foram colocados numa sequência tal que serve de guia para a
implementação do Lean nas organizações. No entanto, os cinco princípios apresentados
não eram suficientes para cobrir toda a dimensão do Lean Thinking, apresentando
algumas lacunas.
51
A cadeia de valor era considerada apenas a cadeia de valor de um cliente, não
contemplando a possibilidade de existir mais do que um stakeholder. Por isso, é
necessária a criação de valores e não só de um valor, o pensamento Lean não pode
apenas orientar-se para os desperdícios, mas cada vez mais para o valor que as partes
interessadas esperam receber de uma organização. Uma outra lacuna, segundo Inventta
– Inteligência de Inovação (2011), era o facto de não levar a empresa a apostar na
inovação de produtos.
As empresas entravam assim num ciclo sem fim de redução de desperdícios descurando
a crucial atividade de criar valores através da inovação dos produtos, serviços e
processos. Para que a empresa não entre por um caminho de exageros na procura da
redução de desperdícios, que por vezes pode levar a despedimentos e esquecendo a
parte de criação de valor através da investigação e desenvolvimento da empresa, a
Comunidade Lean Thinking (Pinto, 2008) apresenta uma revisão dos princípios de Lean
Thinking, propondo a adoção de mais dois princípios. Estes dois novos princípios vêm
superar as lacunas referidas e são eles: “Conhecer o stakeholder” e “Inovar sempre”,
procurando assim colocar a empresa no caminho da excelência máxima.
• Inovar sempre: é essencial inovar sempre. Inovar para obter novos produtos,
novos serviços, novos processos pois só assim se consegue criar valor.
52
2.3. GESTÃO DA MANUTENÇÃO
A gestão da manutenção é o processo de supervisionar o funcionamento regular dos
recursos técnicos com o objetivo à melhoria contínua, evitando possíveis avarias e
paragens de produção, além de evitar desperdícios em processos de manutenção
ineficientes.
Se uma empresa emprega uma ineficiente gestão de manutenção, esta estará destinada
ao fracasso, causando deste modo, atrasos em entregas, aumentando os custos de
produção, os riscos de acidentes, queda nos lucros, além da perda de clientes e contatos.
Por estes motivos, torna-se realmente importante que uma empresa implemente um
bom plano de gestão da manutenção e uma cultura de mudanças onde os colaboradores
não fiquem conformados com problemas e, ao invés, que procure sempre a melhoria
contínua, tornando assim o processo mais produtivo e eficiente.
53
CINCO S
A metodologia dos 5 S’s, teve origem no Japão na década de 50, após a Segunda Guerra
Mundial, como forma de combater a desorganização e sujidade em que se encontravam
as fábricas nessa altura.
Hoje em dia, é uma das ferramentas Lean mais populares e funciona como uma rampa
de lançamento para se atingir a qualidade total, através da redução de desperdícios e
da melhoria de processos.
Seiri
Shitsuke Seiton
5S
Seketsu Seisou
54
Esta metodologia incentiva e incute nos colaboradores a importância de promover e
melhorar a qualidade do espaço e dos produtos, bem como a de reduzir o desperdício.
Por outro lado, é uma forma de valorizar o local do trabalho e os colaboradores das
organizações, de promover a segurança e a competitividade em geral.
Tabela 3 - Pilares da metodologia dos 5S's
S
Definição
Japonês
Seiri Funciona como triagem e tem como objetivo separar o que é desnecessário e
inútil no local de trabalho. Esta fase permite um aumento da produtividade, bem
como a libertação de espaço para objetos que sejam necessários.
Seiso A fase da limpeza funciona como uma fase de inspeção e tem como objetivo
principal conservar os equipamentos e os materiais, eliminando assim riscos de
acidente ou perda de qualidade.
Seiketsu O objetivo é definir e implementar uma norma geral para aplicar a manutenção
das etapas iniciais, de forma a impedir que regresse ao ponto inicial. Para que esta
etapa decorra corretamente, deverão ser definidos os aspetos a controlar, para
que se possam atingir os objetivos pretendidos.
55
2.4. GESTÃO DA ARMAZENAGEM
O armazém é uma componente essencial de qualquer cadeia de abastecimento, pois
permite disponibilizar o produto ao cliente nos prazos e condições acordados
previamente. Porém, apesar da armazenagem dos produtos não acrescentar valor aos
serviços prestados, contribui para que o sistema logístico consiga responder de forma
eficaz e eficiente às exigências do mercado (Gu, Goetschalckx e McGinnis, 2007).
Qualquer armazém deve ser adaptado à natureza dos materiais, pois é difícil enunciar
regras aplicáveis à implantação, ao armazenamento e arrumação, ao funcionamento de
todos os armazéns (Richards, 2014). Posto isto, o armazém de materiais é também
considerado um ponto fulcral no desempenho da cadeia de abastecimento da empresa,
pois existem diversos materiais armazenados, que posteriormente serão transportados
para a obra.
56
2.4.1. OPERAÇÕES DE ARMAZENAGEM
57
O layout ideal é aquele minimiza o número de movimentações de materiais e de
operadores, e maximiza a taxa de ocupação, com a maior flexibilidade possível e com
custos de armazenagem reduzidos (Tompkins et al., 2003). Para a conceção do melhor
layout, através do conhecimento dos produtos e das quantidades a armazenar,
juntamente com os seus movimentos (registados e/ou previstos), é possível atribuir uma
localização a cada um em função do tipo de procura, rotação, volume, entre outros
(Baker e Canessa, 2009).
58
pode levar a que mesma referência esteja localizadas em vários sítios (Petersen,
1997);
Para além disso, como boas práticas de armazenagem, pode existir ainda outro tipo de
armazenamento de materiais com algumas restrições, como por exemplo, os artigos
mais pesados ficam mais próximos do cais de expedição, bem como os artigos mais
frágeis, para que haja o menor número de movimentações e manuseamento possível
(Carvalho, 2012). A identificação da localização dos materiais deve ser feita de modo a
facilitar a recolha e armazenamento dos itens por parte dos operadores (Ackerman,
1997).
As técnicas Lean podem ser usadas para identificar as atividades em armazém que
absorvem recursos, sem acrescentar valor adicional do ponto de vista do cliente (Ohno,
1988).
59
• Tempos e Esperas: intervalo de tempo em que os operadores ou máquinas estão
parados devido a avarias de equipamentos ou falta deles, falta de material, ou
tempos de movimentação;
• Transportes: engloba-se as movimentações para transportar materiais para as
obras. Haver demasiados transportes significa que poderá haver desperdícios de
tempo e recursos;
• Comunicação pouco clara: a falta de comunicação com clientes, fornecedores e
colaboradores pode dificultar a deteção de desperdícios, pois perdem-se ideias,
criatividade e oportunidades de melhoria.
Esta ferramenta tem como objetivo maximizar o desempenho, ao mesmo tempo que
procura diminuir a variabilidade de tempos de execução de uma operação, bem como
60
reduzir o desperdício em cada operação. A implementação desta ferramenta traz
inúmeros benefícios, principalmente para os operadores, na medida em que conseguem
adaptar-se melhor caso seja preciso mudar de posto de trabalho, maior facilidade na
aprendizagem de novas operações, bem como o facto de terem uma maior perceção
dos problemas, podendo contribuir com propostas de melhoria.
61
2.5. SOFTWARE DE GESTÃO DE MANUTENÇÃO
Ao nível empresarial e claro ao nível da manutenção mais concretamente, como em
quase tudo atualmente na vida diária, os avanços tecnológicos trouxeram ferramentas
que facilitaram e tornaram mais eficazes algumas tarefas mais complicadas e morosas.
Uma dessas ferramentas foi o software que permitiu grandes avanços na gestão e
desenvolvimento de atividades como a manutenção.
De acordo com Cabral (2006), o recurso aos CMMS permite libertar os responsáveis de
manutenção de tarefas que exigem dispêndio de tempo precioso, como procurar
referências de componentes ou preparar planos de revisão de um equipamento. Com
um sistema informático, estas tarefas apenas têm de ser feitas uma vez, podendo o
restante tempo ser focado em tarefas mais produtivas.
Segundo Kans (2008), a tecnologia da informação pode ser uma ferramenta importante
para alcançar a eficiência e a eficácia da manutenção, desde que seja correta e
relevantemente aplicada.
62
Atualmente, a maioria das empresas que pretendem instalar um software de gestão da
manutenção pensam que estas aplicações, por si só, irão aumentar a disponibilidade e
produtividade da manutenção. Segundo Kans (2008), mesmo a mais recente tecnologia
implementada numa empresa não irá trazer quaisquer benefícios, se as pessoas não
souberem lidar com ela ou, se os objetivos da empresa não se enquadrarem numa
política de tão avançada tecnologia.
63
resposta a esses requisitos. Por último, deve ser definido qual o grau de maturidade da
organização relativamente à utilização de software de gestão da manutenção, de forma
a adaptar-se o sistema à realidade atual. No caso de a empresa já utilizar um software
de gestão, devem ser identificadas quais as funcionalidades atuais do software (Cabral,
2013).
64
inatividade dos equipamentos, diminuindo assim a frequência de falhas nos
equipamentos.
i. BASE DE DADOS
Uma base de dados pode ter diversos modelos que definem como a informação é
organizada internamente. Os mais comuns são o modelo hierárquico, em que cada
registo possui um e um só pai, tal como os ficheiros e pastas no computador, não
podendo um registo possuir mais que um pai, o modelo em rede, que é idêntico ao
modelo hierárquico mas cada registo pode possuir mais que um pai, e o modelo
relacional, o mais comum e abordado neste texto. No modelo relacional são definidas
para cada tipo de entidade uma tabela, e para cada atributo de uma entidade uma
65
coluna na tabela. As entidades em si são colocadas em linhas na tabela correspondente,
com o valor de cada atributo na respetiva coluna.
Tabela 4 - Modelo Racional
O aspeto de uma base de dados é semelhante a uma folha de cálculo, na qual os dados são
armazenados em linhas e colunas. Por esta razão, costuma ser bastante fácil importar
os dados de uma folha de cálculo para uma base de dados. A principal diferença entre
armazenar dados numa folha de cálculo e armazená-los numa base de dados é a forma
como os dados estão organizados.
Para obter a maior flexibilidade de uma base de dados, os dados precisam de ser
organizados em tabelas para que não ocorram redundâncias. Por exemplo, ao
armazenar informações sobre funcionários, cada funcionário apenas deverá ter de ser
introduzido uma vez numa tabela que esteja configurada para receber dados de
funcionários. Os dados sobre produtos serão armazenados numa tabela específica e os
dados sobre sucursais serão armazenados noutra tabela.
66
ii. CHECKLIST
67
Com a competitividade nos mercados, as instituições precisam de métodos produtivos
e da adoção de estratégias que valorizem e otimizem o rendimento do trabalho das
equipas.
Tal como o checklist outro elemento importante de qualquer sistema informático, são
as ordens de trabalho. Com a evolução dos sistemas de informação, a gestão de ordens
de trabalho também acompanhou essa mesma evolução. Uma ordem de trabalho acaba
por ser um suporte de dados ou informação sobre um trabalho a executar num
determinado cliente. Portanto, com o auxílio de recursos tecnológicos, a gestão de
ordens de trabalho através de um software é uma forma de monitorizar atividades, da
mesma forma que acontece com o software de checklist.
Dependendo da atividade exercida e das tarefas que serão produzidas pela empresa, a
ordem de trabalho pode variar bastante. Mas, em geral, além de trazer a data de
68
processamento e as outras informações especificadas, é preciso que o documento tenha
um número para que se consiga identificar e distinguir os diferentes processos.
Desenvolvimento de Software
69
encontro com as necessidades da empresa, todas as etapas seguintes vão
ser desenvolvidas baseando-se em erros, fazendo com que o sucesso do
projeto se torne inalcançável (Lawrence, Wiegers, & Ebert, 2001).
• Desenho;
o Segundo Bruegge e Dutoit (2009) nesta fase é realizada uma
especificação de cariz mais técnico onde é dada mais atenção às
características relacionadas com o hardware, software, persistência de
dados, fluxo de informação e políticas de acesso. Toda esta definição e
especificação deve ser realizada de forma integrada tendo sempre em
conta fatores como o desempenho, a segurança e a operacionalidade do
sistema.
• Desenvolvimento;
o Nesta fase, a equipa de desenvolvimento começa a traduzir os modelos
gerados em código. O resultado deste processo é um conjunto de
ficheiros, que contêm todo o código de aplicação, e que estão prontos
para que a aplicação possa ser compilada, ou colocada em
funcionamento (Bruegge & Dutoit , 2009).
• Testes/Integração;
o O objetivo desta fase do processo é encontrar o maior número de falhas,
para que estas possam ser corrigidas antes do produto ser entregue ao
cliente (Bruegge & Dutoit , 2009). Segundo Silva e Videira (2005) os testes
efetuados nesta fase devem ser realizados em condições idênticas às que
o sistema real irá ter contacto.
• Instalação;
o Segundo Silva e Videira (2005), nesta fase o objetivo é colocar o sistema
desenvolvido disponível aos utilizadores reais e consiste na preparação e
instalação do sistema na infraestrutura computacional da
organização/cliente.
• Manutenção e Operação.
o Nesta fase normalmente são detetados problemas que não foram
devidamente identificados durante a fase de implementação e surgem
pedidos de alteração de requisitos que não foram contemplados
70
originalmente na fase de desenvolvimento e que exigem a elaboração de
novas versões/atualizações do software (Silva & Videira, 2005).
71
3. GESTÃO DA ARMAZENAGEM
3.1. INTRODUÇÃO
Neste capítulo será abordada a aplicação de melhorias no sistema de planeamento,
organização e controlo do armazém, com vista à redução das paragens aplicando
ferramentas da metodologia Lean, nomeadamente a metodologia dos 5S’s e a gestão
da armazenagem, cujo estudo já foi efetuado no capítulo 2.
Segundo a metodologia dos 5S’s, a organização dos objetos de trabalho e bens materiais
de consumo de uma empresa é um critério de grande importância. Sendo assim, muito
importante a organização de materiais e ferramentas em locais definidos no armazém
de forma a que os colaboradores reúnam todas as condições necessárias para
executarem as suas tarefas.
72
Para tal, é necessário efetuar o levantamento da situação inicial, de forma a identificar
as oportunidades de melhoria.
Tornava-se, assim difícil a identificação dos mesmos quando necessários, como se pode
verificar na figura 19:
Um outro problema verificado, era o facto dos colaboradores muitas vezes quando
necessitavam de materiais, retiravam a quantidade que precisavam sem que depois
registassem, ou seja, não existia um controlo de fluxo de material.
73
Figura 20 - Disposição das cinco áreas no armazém engitop
O armazém era composto por cinco áreas, em que uma destas encontrava-se instalada
na parede, através de uma estrutura em aço para a organização de tubagens, estruturas
de ferro, esteiras e alguma cablagem, como se pode verificar na figura 21:
74
Figura 22 - Disposição de ferramentas elétricas e dos equipamentos de ensaio
Por fim, numa quinta área, encontravam-se cabos de secção superior a 25 mm2 e alguns
cabos de rede de telecomunicações.
75
3.4. MEDIDAS PROPOSTAS
Após a realização do levantamento da situação da organização do armazém
apresentaram-se duas soluções às chefias.
Após analisar todo o espaço do armazém, chegou-se à conclusão de que uma das formas
de organizar o armazém e ainda ter mais áreas ou zonas para futuros armazenamentos
de material ou ferramentas, passaria pela construção de um segundo piso. Visto que o
pé direito do armazém seria aproximadamente de nove metros, arranjar-se-ia assim
deste modo, mais zonas para o armazenamento de materiais ou ferramentas, o que
permitiria uma melhor organização do armazém. A ideia referida passaria pelo seguinte
processo:
Com a construção do segundo piso, todo o material considerado mais leve passaria para
esse piso. Esta medida iria libertar aproximadamente de metade do espaço do armazém
no piso zero.
76
ferramentas destinadas à construção civil do mesmo local e colocá-lo numa outra área
que seria destinada apenas para este tipo de ferramentas.
Por fim, existem cinco cacifos que servem como limite de um dos lados do armazém e
apesar de estes estarem numerados, não se encontravam ordenados, pelo que a solução
proposta seria organizar de forma crescente.
Após a opção de expansão do armazém ter sido analisada conclui-se que devido aos
custos que acarretava não seria oportuno a sua implementação. Pelo que, dever-se-ia
efetuar um outro estudo de implementação de melhorias na organização do armazém.
Uma vez que não seria expandido o armazém, foi necessário otimizar o espaço e a
organização atual. O objetivo passará por organizar todo o material e ferramentas,
adotando assim os princípios de Lean Thinking e da gestão da armazenagem, como
métodos 5S e o armazenamento fixo.
Materiais
77
Figura 25 - Organização das uniões por tamanho
O objetivo nesta fase passou pela organização do material atribuindo zonas distintas nos
armários para cada tipo e família de material, baseando-se na segunda fase da
metodologia 5S’s, a arrumação, adotando assim, a política de armazenamento fixo
relativo à gestão da armazenagem.
Por fim, organizou-se as caixas por ordem crescente dos tamanhos dos materiais, com
respetiva identificação. Este processo foi repetido, para todos os outros tipos de
materiais.
Ferramentas
Nesta fase, realizou-se a reorganização das zonas apenas quando era adquirido um novo
equipamento. Quando este equipamento chegava ao armazém, avaliava-se todas as
suas funções de forma a verificar se estava em bom estado e pronto a atuar no terreno,
se sim colocava-se número de inventário e adicionava-se a sua aquisição num ficheiro
Excel de inventário. Por fim, esta ferramenta seria colocada no seu lugar no armazém.
78
Área da manutenção de postos de transformação
A solução implementada foi a adição de um novo armário para a alocação dos cabos e
das bobines, depois de estes terem sido medidos e identificados. Esta anotação de
comprimento tinha como vantagem de se saber as quantidades de determinada
cablagem em stock.
De modo a solucionar este problema, foi decidida a construção de uma nova estante em
esteira no local onde se encontravam anteriormente os cabos.
79
Figura 26 - Implementação de uma estante para alocar estruturas de aço
80
Figura 28 - Layout final do armazém
O layout do armazém teve como base os princípios do ponto 2.4.2 tendo como pontos
de intervenção as áreas de stock de materiais e ferramentas e corredores de circulação.
3.5. CONCLUSÃO
Com a implementação das medidas de intervenção anteriores, conseguiu-se a redução
do número de problemas ligados à falta de planeamento na disposição e controlo de
materiais e equipamentos do armazém.
A utilização e aplicação dos conceitos de Lean Thinking ao longo deste trabalho permitiu
compreender e comparar melhor as situações iniciais com os resultados, num contexto
de melhorias baseadas na eliminação de desperdícios.
81
Com a aplicação destes conceitos conseguiu-se obter uma melhor circulação nos
corredores de passagem com a remoção e depois arrumação de certos materiais
dispostos aleatoriamente no armazém, contribuindo a obtenção de localizações mais
claras para os mesmos em áreas distintas e devidamente identificadas, obtendo assim,
uma melhor utilização dos espaços disponíveis.
Por estes motivos, este trabalho mostrou-se muito importante para a compreensão da
gestão da armazenagem e da ferramenta 5S, o que se tornou bastante positivo, quer do
ponto de vista de estudo, quer da relevância que toma na melhoria do desempenho da
empresa.
Com este trabalho, obteve-se o objetivo inicialmente estipulado como cumprido, que
consistia numa reorganização dos matérias e ferramentas nos seus devidos locais no
armazém.
82
4. MANUTENÇÃO DE POSTOS DE
TRANSFORMAÇÃO
A manutenção de postos de transformação, sendo um dos principais serviços de
manutenção prestados pela engitop, é apresentada neste capítulo de forma a descrever
a sua importância, o procedimento das manutenções e deteção de ineficiências no
processo de manutenção.
Ações de manutenção:
83
4.1. PROCEDIMENTO NA MANUTENÇÃO DE POSTOS DE
TRANSFORMAÇÃO
A equipa da engitop ao chegar ao local do posto de transformação destinado à sua
manutenção, em primeiro lugar informa o despacho do início dos trabalhos e verifica o
plano de manobras. Posteriormente, cada colaborador deve colocar, obrigatoriamente
os seus equipamentos de proteção individual.
Por fim, de modo a que seja garantido todas as condições de segurança necessárias para
a execução dos trabalhos, deve-se desligar o interruptor de corte geral no Quadro Geral
de Baixa Tensão (Figura 29) e efetuar a abertura de todos os equipamentos de comando
e proteção da rede de média tensão (sejam eles, celas SF6 ou seccionadores, como nas
figuras 30 e 31, respetivamente).
84
Figura 30 - Cela SF6 (Fonte: [Link])
4.1.1. INSPEÇÃO
Depois de asseguradas todas as condições de segurança para a execução dos trabalhos
procede-se à inspeção do posto de transformação. Durante a inspeção, como o próprio
nome indica, deve-se verificar o estado de conservação de todos os componentes
elétricos até às infraestruturas que englobe o posto de transformação, qualquer um dos
componentes que apresentar sinais de degradação terá de ser remodelado ou
substituído de forma a não constituir uma ameaça à segurança para todos os
envolventes.
85
Normalmente, depois destas verificações serem efetuadas, caso algum dos elementos
pertencentes ao posto de transformação apresentem anomalias terão de ser
substituídos ou reparados.
86
Para finalizar a fase da inspeção, deve-se realizar dois procedimentos, sendo eles, a
termografia, de forma a se identificar os pontos quentes nas instalações elétricas, e a
medição de resistência de terras do posto de transformação, de forma a averiguar se os
valores estão de acordo com os legislados.
87
4.1.2. MANUTENÇÃO INTEGRADA
A manutenção integrada consiste num conjunto de ações de manutenção preventiva,
passando pela análise de condição dos equipamentos e por um conjunto de ações de
conservação.
• Componentes de ligação ao PT
88
perante uma ligação de média tensão, todo o processo de manutenção das pontas
requer cuidados acrescidos.
Nesta tarefa deve-se ter em atenção ao estado de ligação das bainhas à terra de
proteção, certificar se apresenta alguma anomalia no geral e deve-se efetuar a limpeza
geral das caixas.
89
• Barramento de média tensão
• Transformadores de potência
90
Como ações de manutenção devem-se executar as seguintes tarefas:
91
➢ Exame visual do estado de conservação e apertos;
➢ Verificação da operacionalidade do disjuntor;
➢ Verificação da operacionalidade dos dispositivos de proteção e sinalizadores de
tensão;
➢ Verificação do bom funcionamento da aparelhagem de medida;
➢ Verificação visual do estado de conservação dos terminais de cabos de BT;
➢ Reaperto e verificação de ligações;
➢ Limpeza geral (com produtos desengordurantes adequados).
• Designação do Transformador;
• Marca do Transformador;
• N.º Série do Transformador;
• Ano de fabrico do Transformador;
• Potência do Transformador;
• Tensão de funcionamento.
92
Figura 37 - Chapa de características de um transformador de média tensão
93
Figura 38 – Mega ohmímetro (Fonte: [Link])
O teste da resistência de isolamento é ainda mais importante porque é muitas vezes sob
maior tensão elétrica que o isolamento apresenta falhas que tendem a ser mais
prejudiciais para a instalação e potencialmente mais perigosa.
• Medição do circuito de alta para circuito de baixa – onde é aplicada uma tensão
entre 10 a 15 kV durante um minuto;
• Medição do circuito de alta para a terra – onde é aplicada uma tensão entre 10
a 15 kV durante um minuto;
• Medição do circuito de baixa à terra – onde é aplicada uma tensão de 1 kV
durante um minuto.
94
No final de todas as medições e manutenção o técnico responsável pela mesma terá de
colocar duas etiquetas, uma na zona onde se situa o transformador, outra na parte onde
se encontra o quadro geral de baixa tensão em que refere a data da manutenção, o
número do relatório que a origina e a assinatura do executante.
4.2. CONCLUSÃO
Os sistemas de energia elétrica, pela sua interligação, constituem uma infraestrutura
partilhada entre todos os seus utilizadores, que atualmente ultrapassa a extensão do
próprio país. Esta partilha traduz-se em benefícios diretos para os utilizadores, mas
também incorpora um risco de maior propagação de perturbações originadas por
incidentes que possam ter origem em qualquer ponto da rede.
95
• Confusão da documentação;
• Preenchimento repetitivo das características dos ativos;
• Conforto e motivação dos colaboradores;
• Tempo e produtividade.
Conclui-se, deste modo, apesar das manutenções terem sido realizadas com sucesso
sente-se que algo mais poderia ser efetuado para melhorar as condições de trabalho
dos colaboradores. Como por exemplo, a redução da documentação apenas para um ou
dois documentos permitiria a redução da desordem que, assim, aumentaria a
produtividade por parte dos colaboradores.
96
5. AUDITORIA DE ULTRASSOM EM
REDES DE AR COMPRIMIDO
Neste capítulo descreve-se o procedimento que deve de ser efetuado em auditoria de
ultrassons na deteção de fugas de ar comprimido, bem como a importância da natureza
preditiva deste tipo de manutenção.
Este tipo de auditoria consegue identificar situações anómalas sem qualquer prejuízo
para a produção da unidade industrial, considerando-se assim, deste modo, um tipo de
manutenção preditiva.
Este trabalho, executou-se numa perspetiva de ajudar este departamento pelo facto de
não possuírem nos seus quadros, recursos humanos suficientes para a realização de
auditorias de ultrassom em redes de ar comprimido para deteção de fugas de ar.
97
5.1. INSPEÇÕES EM AR COMPRIMIDO
Numa economia global, uma forma de as empresas manterem uma vantagem
competitiva, é usarem a tecnologia disponível para reduzirem os custos energéticos,
localizando as fontes de desperdício. A tecnologia de ultrassons está adequada para este
propósito, especialmente quando se trata de localizar fugas de ar comprimido.
• Colocar especial atenção aos problemas óbvios como fugas que se podem
reconhecer e etiquetar a olho “nu”;
• Observar a má gestão do uso do ar comprimido, como por exemplo, verificar se
existem válvulas deixadas abertas, estado de conservação de purgadores,
existência de panos na envolvente das tubagens para diminuir as fugas ou os
níveis de ruído, máquinas pneumáticas sem a manutenção adequada, etc.;
• Estudar a melhor rota para a inspeção, e se possível, ter as plantas das tubagens
de ar comprimido.
98
fino” para começar a localizar as fugas. Se houver dificuldades na localização da
direção das fugas, dever-se reduzir a sensibilidade. Seguir o som até ao lugar
onde este seja mais forte. Usar a sonda de foco para superar os ultrassons de
concorrência, assinalar a fuga e guardar a leitura para depois se exportar para
software dedicado;
99
Figura 40 - Etiqueta de identificação de fugas
100
O relatório deve apresentar pelo menos a seguinte informação:
Para que o relatório da inspeção seja de fácil leitura e identificação dos locais avaliados,
estes devem incluir obrigatoriamente registo fotográfico de todas as fugas detetadas,
estando estas já etiquetadas. Caso não seja possível colocar uma etiqueta na área de
fuga, deverá ser usado um marcador. Existem softwares de cálculo que convertem os
dB medidos na fuga em custos energéticos, como é o caso do software adotado pela
engitop, que era colocado no relatório final em anexo como verificado também no
Anexo VI, que se pode verificar como era a estrutura de um relatório de uma auditoria
desta natureza.
5.3. CONCLUSÃO
A inspeção por ultrassom não necessita de que sejam máquinas desligadas e nem
mesmo de abertura de painéis para serem detetadas. Apesar que em algumas fugas,
quando detetadas presenças de fugas, é necessário proceder a abertura dos painéis de
forma a identificar a localização exata da mesma, como por exemplo, no caso de uma
fuga se tornar de difícil acesso para o auditor. No entanto, as auditorias eram apenas
realizadas para a deteção de fugas e não para posteriormente resolvê-las.
101
O trabalho desenvolvido centrou-se na exploração da aplicabilidade dos ultrassons ao
nível da inspeção de redes de ar comprimido. Considerando a experiência obtida com
os levantamentos efetuados é possível retirar conclusões relevantes.
Durante a execução das auditorias, deparou-se com algumas dificuldades. Por vezes,
durante a sua realização numa indústria, devido ao ruído do trabalho normal das
máquinas e/ou dos operadores, tornava-se difícil a interpretação de certos ultrassons,
e por consequência, mais difícil se tornou a identificação de certas fugas. A forma de
combater esta desvantagem advém da experiência acumulada que se vai adquirindo ao
longo das várias auditorias que se vão realizando ao longo do tempo.
Pela experiência obtida durante o período de estágio, chega-se à conclusão de que este
nicho de mercado tem vindo a evoluir, especialmente em empresas com unidades
fabris.
102
103
6. IMPLEMENTAÇÃO DE SOFTWARE
DE GESTÃO DA MANUTENÇÃO
Trata-se de um sistema complexo que, além de permitir a ligação entre máquinas, cria
uma base de dados de máquinas, propriedades, ativos, sistemas de informação em toda
a cadeia de valor e por todo o ciclo de vida do produto.
Este sistema tem revolucionado o setor de Gestão da Manutenção e Ativos por meio de
soluções que facilitam a gestão de sistemas de produção, proporcionando uma maior
capacidade de operação e de planeamento. Ao conectar máquinas, sistemas e pessoas
ao longo de toda a cadeia produtiva, a Indústria 4.0 permite que decisões sejam tomadas
de forma autónoma, o que aumenta a capacidade das empresas de prever falhas,
agendar manutenções e se adaptarem a mudanças não planeadas.
É neste contexto que através deste vasto conceito e ainda por explorar, que o objetivo
da inserção do software de gestão de manutenção passa. Isto é, com esta ideia a
intenção passa pela contribuição desta tecnologia para que o departamento engitop da
Pedro Ferreira & Almeida Ferreira se destaque e rivalize nos diferentes mercados que
está inserida, através da modernização de processos.
104
que se focam essencialmente na gestão de ordens de trabalho e que com esta aplicação
diminuísse o consumo de papel no seio da empresa, contribuindo assim para uma
política mais sustentável. Além destas necessidades, a engitop tinha como objetivo
principal adaptar a sua estrutura à exigência do mercado atual, que passava pela
agilização dos processos de forma a evoluí-los e a desenvolvê-los de melhor forma,
competindo assim de uma forma diferenciada em relação às outras empresas.
É importante referir que a correta gestão deste processo é fundamental para uma
resposta rápida e assertiva por parte do departamento. Caso ocorra uma resposta tardia
devido a problemas no processo, implica atrasos e consequentes perdas para a empresa,
quer a nível monetário quer ao nível da satisfação do cliente.
• Ordem de Trabalho;
• Checklist de Manutenção de Postos de Transformação – checklist da manutenção
preventiva dos postos de transformação, colocado no Anexo I;
• Checklist de Análise da Resistência de Isolamento – checklist aplicado na
manutenção preventiva dos postos de transformação, colocado no Anexo III;
• Relatório de intervenção – documento, colocado no Anexo II, onde se coloca o
tipo de trabalho (trabalho este que estava descrito na ordem de trabalho),
materiais extras aplicados, deslocações, mão de obra e breve descrição do
trabalho efetuado;
105
mais pormenorizado e organizado para depois ser entregue ao respetivo cliente, o seu
desenvolvimento não era realizado localmente na obra, mas sim em ambiente de
escritório.
Conclui-se que este processo, desde a criação de uma ordem de trabalho até ao seu
fecho, apresenta as seguintes desvantagens:
• Demora na criação de uma ordem de trabalho, pois além de ainda ser criada em
formato Excel, teria ainda de se imprimir para entregar a um técnico;
• Em caso de erro no preenchimento de um dos relatórios, ter-se-ia de executar
um novo relatório o que iria tornar o processo ainda mais lento, aumentado o
consumo de papel;
• Possível introdução de erros devido à difícil interpretação na caligrafia de alguns
técnicos;
• Entrega do relatório de intervenção e checklist de manutenção de postos de
transformação para a execução de um novo relatório mais detalhado era
realizado em mão;
• O estado do relatório de intervenção, no momento da entrega, por vezes não
chegava nas melhores condições, o que causava má imagem da empresa ao
cliente;
• Consumo do papel impresso excessivo.
106
Figura 42 - Ordem de Trabalho, designada também por Fichas de Trabalhos
Esta ordem de trabalho era realizada em formato Excel, sendo de seguida impressa e
entregue ao técnico responsável. Depois ter terminado o trabalho, o cliente assinava a
ordem de trabalho em conjunto com o relatório de intervenção. Este processo encontra-
se descrito com maior detalhe na figura 43.
107
Figura 43 - Diagrama de Processos de Manutenção Corretiva
No caso dos trabalhos de manutenção preventiva o contacto com o cliente era efetuado
pela engitop de forma a planear a manutenção preventiva em determinado item como
se verifica na figura 44.
108
Figura 44 - Diagrama de Processo de Manutenção Preventiva
Depois da proposta ser aceite, seria necessário ainda decidir se o software seria
desenvolvido na engitop ou se seria adquirido através de uma empresa de
109
desenvolvimento de software. Para tal, executou-se uma análise de requisitos a que o
software teria de corresponder segundo os princípios da secção 2.5.
• INFRASPEAK;
• VALUEKEEP;
• GLOSE.
110
Tabela 7 - Tabela comparativa de empresas de desenvolvimentos de software
111
• Excelentes referências de outros clientes da engitop que recomendavam esta
empresa;
• Indicador Preço/Qualidade mais apelativo.
O Glose, sendo uma plataforma de gestão de ativos que permite otimizar e automatizar
todas as atividades relacionadas com a gestão operacional do património de uma
organização, permite a possibilidade de identificar todos os ativos da organização (desde
edifícios, equipamentos, viaturas, instalações técnicas, etc.) numa perspetiva de gerir o
seu ciclo de vida.
Permite a execução de pedidos e ordens de trabalho de uma forma mais ágil em que
será possível o envio automático de notificações por sms ou e-mail entre colaboradores
e clientes. Para isso, bastará inserir o pedido de um cliente no software, atribuir a um
colaborador que de imediato estará disponível na plataforma móvel.
• Sistema “Core”;
o Permite que a equipa responsável pela gestão e operação dos ativos,
acompanhe e planeie todas as atividades em curso ou previstas
recebendo informação em tempo real sobre toda a operação;
112
• Portal;
o Pedidos de trabalho que podem ser efetuados de forma simples e
rápida;
o Requisitante pode acompanhar se o pedido está aprovado e qual a
respetiva situação a cada momento;
• Mobilidade
o Permite aos operacionais, tanto internos como prestadores de serviço,
receber informação de novos trabalhos a executar que lhes foram
atribuídos e indicação de início e conclusão dos trabalhos com a inserção
de mão de obra e materiais;
6.1.3. IMPLEMENTAÇÃO
Foi decidido numa primeira fase introduzir o novo software em paralelo com a
metodologia anterior, caso o software ficasse fora de serviço por alguma razão, servindo
como backup.
113
Nível Empresa
1
Nível Tipo de
2 atividade
Nível Cliente
3
Nível Localização
4
Nível Ativo
5
Nível
Empresa
1
Nível
Cliente
2
Nível
Localização
3
Nível Tipo de
4 trabalho
Como se verifica pelo diagrama da figura 46, a hierarquia passava primeiro pelo cliente
e para se consultar algum ativo ter-se-ia em primeiro lugar identificar em que tipo de
114
trabalho este estaria inserido. Por exemplo, no caso de necessidade de consultar um
transformador para execução de alguma atividade, ter-se-ia de aceder à pasta da
manutenção dos postos de transformação de forma a consultar o respetivo
transformador.
Esta antiga organização nunca foi vista como um problema, no entanto, verificou-se que
com esta nova hierarquia implementada foram introduzidas melhorias.
Visto que na organização antiga os clientes não se encontravam organizados pelo tipo
de atividade, realizou-se posteriormente, a seguinte implementação:
Indústria
Hotelaria
Engitop
.
.
.
Seguros
O próximo passo passou pela atribuição dos números dos clientes. Nesta fase foi
necessário adaptar o software à hierarquia da organização da engitop respeitando a
numeração já adotada na empresa, de forma a não se ter de alterar toda a sequência já
implementada.
115
Quadro elétrico
Transformador
Ativos
.
.
.
Disjuntor
Os dados foram introduzidos num ficheiro Excel, devidamente adaptado, com toda a
informação relativa aos ativos dos clientes para, posteriormente, se exportar na base de
dados do software.
Exemplo prático
116
Nível E
1
Nível Hotelaria
2
Nível Posto de
transformação
4
Nível Transformador
5
➢ E 02 0007 01 01
o E – engitop;
o 02 – Família “Hotelaria”;
o 0007 – Número do cliente;
o 01 – Se estivermos a falar do primeiro hotel, no Grupo Solverde, temos
cinco imobiliários;
o 01 – Posto de transformação, no caso de existirem 2 postos de
transformação, por exemplo, o segundo seria designado por “02”.
117
Os ativos deste cliente, no caso dos transformadores, seriam representados da seguinte
maneira:
➢ 0007 TMT 01
o 0007 – Número do cliente;
o TMT – Família “Transformadores de Média Tensão”;
o 01 – Número do ativo.
➢ 0007 TMT 02
o 0007 – Número do cliente;
o TMT – Família “Transformadores de Média Tensão”;
o 02 – Número do ativo.
Como se verifica, através desta estrutura representada na figura 51, o acesso para
consulta de determinado cliente ou ativo tornou-se mais prático. Com esta
implementação conseguiu-se organizar toda a informação dos clientes e dos seus ativos
numa cloud, permitindo que o seu acesso pudesse ser realizado em qualquer parte do
mundo, desde que tivesse uma ligação à internet.
118
Com a implementação do software, as ordens de trabalho continuaram a ser efetuadas
em formato Excel, mas com a opção de se exportar para o software. Isto proporcionou
uma entrega mais rápida ao técnico responsável pela realização do trabalho, visto que
este receberia a ordem de trabalho no seu tablet via internet.
119
utilização do software no Anexo IV e onde se atribui um responsável para a execução
dos trabalhos.
120
Figura 55 - Detalhe do Pedido de uma ordem de trabalho
Este processo permite que a ordem de trabalho esteja disponível no tablet do técnico
responsável pelos trabalhos e para todos os utilizadores do software que têm um nível
de autorização adequado.
6.3. PREPARAÇÕES/CHECKLIST’S
Durante a implementação do software teve de se modificar os antigos checklist’s
tornando-os em preparações, definição adotada pelo Glose, mais completas e mais
identificadas com o processo respetivo. Apesar de algumas destas preparações terem
mais tarefas a realizar do que os antigos checklist’s, o processo de preenchimento
tornou-se mais rápido devido ao uso de uma plataforma móvel como os tablet’s em vez
de papel, tornando este trabalho muito mais limpo e interativo.
121
realização do relatório final. Para solucionar este problema, decidiu-se realizar
preparações que fossem destinadas a cada tipo de posto de transformação.
Através do diagrama da figura 56, verifica-se que para a entrega do relatório final ao
cliente, ter-se-ia de executar dois checklist’s mais o relatório de intervenção. Uma vez
que o relatório final era enviado via correio eletrónico é necessário receber a
documentação em papel para digitalização para se proceder ao envio do relatório final.
122
No caso de tipos de trabalhos de natureza preventiva, o previsto seria o carregamento
automático da ordem de trabalho através de agendamentos e com avisos prévios de
forma a alertar os colaboradores na aproximação dos trabalhos e agendar com o cliente
em questão, mas esta aplicação ainda se encontrava em fases de testes quando o
estágio terminou.
123
Figura 58 - Diagrama de processo da manutenção preventiva após a implementação do
software
Com o diagrama anterior da figura 58, verifica-se que com o auxílio do software é
possível o carregamento de documentos ou preparações nos trabalhos a efetuar. O
envio e atribuição dos mesmos é efetuada através do software via internet. Este
carregamento das preparações e a atribuição da ordem de trabalho a um colaborador
através do software, permite que o processo relativamente à manutenção preventiva
se torne muito mais rápido e eficiente comparativamente ao processo antigo que
consistia na entrega de ambos em mão dos colaboradores.
124
Relativamente ao processo de manutenção corretiva, como se trata de um tipo de
manutenção não planeada, não tem a influência de preparações. Ainda assim, este
processo tornou-se mais rápido e prático do que a forma que era realizada antes da
implementação do software de gestão de manutenção. Antes a entrega da ordem de
trabalho era realizada em mão ao técnico responsável e que agora a entrega era
efetuada via internet, como se pode verificar na figura 59.
125
O software implementado permitia ainda:
Para além das melhorias mencionadas, este software de gestão de manutenção permitiu
acrescentar funcionalidades em alguns processos que não foram tidos em conta no
levantamento de requisitos:
Este manual, foi realizado com base na formação realizada nas várias sessões com a
equipa do Glose e depois pela experiência obtida através da realização das mais variadas
tarefas no software ao longo do tempo.
126
6.6. CONCLUSÃO
Através do levantamento dos problemas identificados na situação inicial concluiu-se que
seria necessário a implementação de um software. Após a análise de requisitos a solução
escolhida foi a aquisição do software Glose.
Com a implementação deste software, ficou disponível uma aplicação de fácil utilização
e que garante a fiabilidade dos dados inseridos, conseguiu-se ainda reduzir perdas de
tempo associadas a ações que antes tinham de ser realizadas manualmente.
127
7. CONCLUSÃO
Neste capítulo serão apresentadas as conclusões dos trabalhos realizados nesta
dissertação, analisando o cumprimento dos objetivos inicialmente propostos e
perspetivando também os possíveis desenvolvimentos futuros sobre o trabalho
realizado.
128
obrigatoriamente de um plano de manutenção, de forma a que este apresente os
seguintes resultados:
Foi ainda feita uma análise à gestão do armazém com vista a introdução de melhorias,
de onde resultou uma reorganização dos materiais e ferramentas, assim como, um novo
layout, o que permitiu uma melhor circulação nos corredores de passagem e
identificação, manuseamento e registo de materiais e ferramentas existentes.
129
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131
ANEXO I
132
ANEXO II
133
ANEXO III
134
ANEXO IV
MANUAL DE UTILIZAÇÃO
GLOSE
1. Como adicionar novos clientes e novos ativos
• Cliente
135
2. Ativos
136
No caso de serem demasiados os ativos a criar recomenda-se o preenchimento de um excel
que o mesmo é conseguido através da opção “Exportar”:
Neste preenchimento não se deve preencher a coluna “ID” pois se preencher irá criar ativos
repetidos.
Nota: esta última opção também é recomendada no caso da necessidade de adicionar muitos
clientes.
137
Se a intenção passa por criar uma preparação do zero aconselha-se clicar na opção “nova
preparação” depois de clicado, optar por “Ações” e aí escolher importar tarefas. Com esta
opção é possível de criar várias tarefas de uma só vez e depois de todos os campos
preenchidos, respeitando todos os avisos que o programa nos dá, clicar em confirmar.
138
• Neste campo teremos dois separadores (Ativos/Localizações) que dependendo da
natureza do trabalho deverá se escolher o respetivo Ativo ou localização e e depois
confirmar.
3. Criação de OT’s
Depois deste pedido realizado, o mesmo irá aparecer no menu principal com uma opção a
verde com a seguinte designação “Criar OT”. Clicando nesta opção, deve-se preencher com os
dados respetivos e no campo de preparação deve-se chamar a preparação que anteriormente
criou associado a este trabalho e finalizando com a escolha do técnico responsável para a
realização do mesmo.
139
ANEXO V
140
ANEXO VI
relatório
141
142
geral
Os sistemas de ar comprimido são dos principais consumidores de energia elétrica numa instalação fabril
e são utilizados na grande maioria dos processos industriais, como tal, torna-se importante a otimização da
sua exploração. A diminuição dos custos energéticos reflete-se diretamente na diminuição do custo de
produção fabril aumentando a competitividade das empresas no mercado.
O ar comprimido ocupa um lugar muito importante na Indústria, sendo responsável por aproximadamente
19% do consumo de energia elétrica neste sector, daí a sua correta utilização e o não desperdício do
mesmo, com implementação de rotinas de manutenção preventiva, com a deteção de fugas.
consideraçõ
es
gerais
Para a presente análise foi utilizado um equipamento de ultrassons, tendo sido considerado para o cálculo
as seguintes situações:
• Recolha dos dados com sonda local;
• Custo de kilowatt-hora de energia a 0,10€;
• Equipamento ligado 24 horas diárias, 365 dias por ano;
• Não são considerados para o presente os custos inerentes à manutenção dos equipamentos;
• Não são considerados para o presente os custos inerentes à manutenção dos equipamentos;
objet
ivos
143
Foto local – fuga Foto visão geral Identificação Registo – descrição - ação
144
ID 007 Corte Final B Embalagem B – fuga pelo
acessório, verificar ligação
145
Corte Final (por cima da fuga anterior) –
ID 014 fuga pelo acessório em L, refazer
ligações
146
ID 021 Pré-corte – fuga pelo encaixe, refazer
ligação
147
ID 028 Junto à máquina 510.044 – copo de
tratamento de ar danificado, substituir
148
ID 035 Junto ao quadro ET13-S2 - fuga na
ligação ao encaixe, verificar
149
ID 042 Verniz – fuga pelo acessório danificado,
substituir
150
ID 049 Verniz – fuga pelo acessório em L ao
manípulo, verificar
151
ID 056 Verniz – fuga pelo acessório em L,
refazer
152
ID 063 Laminagem – interior da máquina,
verificar (impossível acesso)
153
ID 070 Laminagem K157 – fuga pela pistola
pneumática, refazer
154
ID 077 Aglomeração – fuga pelo acessório em
T, substituir
155
ID 084 Aglomeração – acessório em Y
danificado, substituir
156
ID 091 Depois da ferrari K151 – verificar
ligação do encaixe
157
ID 098 Caldeiras – acessório danificado,
substituir
158
ID 105 Despoeiramento – electroválvula
danificada, substituir
159
ID 112 Despoeiramento – electroválvula
danificada, substituir
160
ID 119 Cinza – tratamento de ar danificado,
substituir
161
ID 126 Aglomeração – fuga pela purga do
regulador de pressão, substituir
conclusões
Da auditoria efetuada e dos dados levantados à rede de ar comprimido da unidade, temos a referir que:
Elaborado por:
André Pinho
162
163
164
165
ANEXO VII
166