UNIDADE II
CONFORTO ACÚSTICO
Prof. Me. Nadyeska Copat
Objetivos de Aprendizagem
As técnicas do projeto de acústica têm sido consideradas relevantes na
arquitetura. Acredita-se que a questão acústica é o aspecto físico que traz maior
complexidade no estudo do conforto da edificação. Segundo Bistafa (2011, p. 5),
“[...] o ruído é um som sem harmonia, em geral de conotação negativa”. Lefevre
(2007), por sua vez, apresenta a definição de ruído na comunicação. Ele
caracteriza o ruído como uma perturbação indesejável em qualquer processo de
comunicação, que pode provocar danos ou desvios na mensagem.
O ambiente urbano é constituído por espaços que são agradáveis
acusticamente, e por outros em que é necessária intervenção para nos
protegermos dos sons indesejáveis, que incomodam e acarretam prejuízo à
saúde. Conforme abordam Keeler e Burke (2010), os ruídos estão sempre
presentes em áreas públicas e privadas e cada vez mais são vistos como uma
preocupação em termos de saúde pública.
Dessa maneira, é possível fazer a seguinte indagação: como projetar um
ambiente acusticamente confortável? Quais são os parâmetros que devem ser
utilizados no projeto? Como diminuir o impacto do ruído externo na edificação?
Essas e outras questões serão abordadas nesta unidade.
Plano de Estudo
Nesta unidade, serão abordados os seguintes tópicos:
1. Acústica na cidade
2. Acústica arquitetônica
3. Parâmetros acústicos
4. Isolamento
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CONVERSA INICIAL
Há muito tempo, a humanidade conhece os efeitos prejudiciais do ruído para a
saúde. Existem relatos de trabalhadores que viviam próximos às cataratas do rio
Nilo, no Egito antigo, e ficaram surdos. Então, há séculos, muitos estudiosos têm
elaborado trabalhos a respeito desse assunto. É de conhecimento de todos que
a humanidade tem criado, nos últimos séculos, uma sociedade cada vez mais
ruidosa. No Brasil, os controles das condições de segurança ficam a cargo no
Ministério do Trabalho, por meio das Normas Regulamentadoras. Sendo assim,
como podemos diminuir esses impactos sonoros no ambiente? Quais são os
meios de proteção que podemos adotar nos projetos? Como diminuir esse ruído?
Para responder a esses tipos de pergunta, é necessário conhecer o que é o som
e como ele se comporta no meio.
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1. ACÚSTICA NA CIDADE
Uma das principais funções das edificações é proporcionar ao indivíduo
condições adequadas para realizar suas atividades com conforto. Em geral, o
conforto engloba a ventilação, a iluminação, a temperatura e a acústica.
Qualquer intervenção pode alterar as condições do ambiente local. Essas
intervenções podem ocorrer em diferentes escalas, como a forma gradativa com
que o sistema viário se intensifica ou a implantação de um estabelecimento
comercial em uma área residencial, o que acaba alterando as características
locais. Essas intervenções urbanas, muitas vezes, desconsideram os impactos
causados ao meio, resultando no desequilíbrio e no desconforto da população.
Assim, originam-se diversas conferências e congressos.
1.1 Evolução da paisagem sonora
A paisagem sonora muda completamente no início da era industrial. Nas áreas
agrícolas, os sons gerados provinham dos moinhos. Nas áreas urbanas, a
paisagem passou a ser configurada pelo ruído das máquinas, discriminado na
Tabela 1.
Tabela 1 – Níveis sonoros das máquinas no período da Revolução Industrial
Máquina dB Máquina dB
Máquina a vapor 85 Esmeril de metalurgia 106
Trabalhos de impressão 87 Máquina de aplainar madeira 108
Gerador elétrico ou diesel 96 Serra de metal 110
Máquina de fazer parafusos 101 Trabalho em caldeira, martelando 118
Oficina de tecelagem 104 Decolagem de avião a jato 120
Raspador de serraria 105 Lançamento de foguete 160
Fonte: Schafer (1997, p. 12).
1.1.1 Paisagem sonora atual
A definição de paisagem sonora atual pode ser simplificada em uma palavra:
poluição. A poluição sonora é preocupante. Ela pode surgir de uma solução para
outro problema, por exemplo, ao criar uma avenida em um meio residencial para
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diminuir o tráfego, em contrapartida, aumenta o ruído de uma área que deveria
ser silenciosa, comprometendo, assim, a sustentabilidade da cidade. É ideal que,
nessa etapa, a acústica urbana seja considerada no plano diretor das cidades,
já que são definidos os níveis sonoros ideias para cada área.
1.2 Som e seus conceitos
A princípio, é necessário compreender o que é uma onda. Esta é uma
perturbação que se propaga nos meios materiais e é capaz de ser percebida
pelo ouvido humano.
1.2.1 Potência acústica
É o resultado da emissão de energia sonora, medida em watts (W). A Tabela 2
apresenta valores de potências para serem comparados.
Tabela 2 – Comparação de algumas potências sonoras
Potência sonora média W
Voz de mulher 0,002
Voz de homem 0,004
Piano 0,270
Trombone 6,000
Tambor (surdo) 25,000
Orquestra 70,000
Automóvel a 70 km/h 100,000
Avião a jato 10.000,000
Fonte: Silva (2002, p. 32).
Comparando os valores da Tabela 2, vemos que a potência da voz masculina é
o dobro da potência da voz feminina.
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2.2 Intensidade sonora
Para que o som seja escutado, há a necessidade de ter uma certa intensidade
sonora. Dessa forma, a intensidade sonora se dá pela quantidade de energia
sonora, ou potência, dividida por uma determinada área. Tem-se, assim, a
equação a seguir:
𝑊
I= 𝑆
Em que:
W é a potência em watts.
S é a área em m².
Para trabalhar com número, no conforto acústico, utilizamos, geralmente, os
logaritmos. Isso se dá devido ao fato de, por exemplo, para 1000 Hz, o linear de
audibilidade estar situado nos 10-12 watts/m², enquanto a intensidade a partir da
qual o ouvido começa a se incomodar é de, aproximadamente, 1 watt/m², ou
seja, um milhão de vezes maior. Por isso, ao trabalharmos com os logaritmos,
temos o nível de intensidade sonoro (NIS) medido em decibéis.
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Indicação De Recurso Didático
De acordo com as pesquisas e os dados do Detran, a poluição sonora está entre
as mais graves. Os efeitos não são imediatos, mas, se causam danos a saúde,
são permanentes. Existem algumas medidas que podem diminuir essa
interferência, como usar protetores auditivos e evitar a permanência em locais
com muito barulho (DETRAN-RO, 2015). Veja mais informações nos links a
seguir.
Ruído de trânsito: um vilão que ninguém presta atenção
Autoria: DETRAN
Acesse aqui: [Link]
que-ninguem-presta-atencao/.
Poluição sonora já é a segunda maior causadora de doenças segundo OMS
Autoria: SUPREN
Acesse aqui: [Link]
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2. A ACÚSTICA ARQUITETÔNICA
A acústica arquitetônica vem sendo estudada desde quando os gregos e os
romanos construíam seus teatros ao ar livre. A forma de apropriação do espaço
e a maneira como aproveitavam o som são lições que devem ser levadas em
consideração até hoje (SOUZA; ALMEIDA; BRAGANÇA, 2012).
Segundo Bistafa (2011), o som é a vibração de moléculas do ar que se propagam
por estruturas vibrantes, embora nem todas que vibram geram som. Sua
propagação é esférica e gerada a partir do que é denominado fonte. Quando
esse som incide sobre a superfície, pode ser transmitido, refletido ou absorvido;
geralmente, ocorrem os 3 fenômenos (CAVANAUGH; TOCCI; WILKES, 2010).
2.1 Aplicação de conceitos
2.1.1 Transmissão, reflexão e absorção sonora
A reflexão sonora ocorre quando a onda se propaga no ar e encontra um
obstáculo em seu caminho. A partir disso, a onda é refletida. Em parede como a
fabricadas em concreto, mármore e/ou revestida com azulejos, quase 100% do
som incidente é refletido. Quando o ambiente tem muita reflexão, o conforto
acústico é péssimo (Figura 1).
Figura 1 – Reflexão sonora
Fonte: designua / 123RF (Adaptada).
Já a transmissão sonora é a propriedade que permite a passagem do som de
um lado da superfície para o outro (Figura 2).
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Figura 2 – Transmissão sonora
Fonte: designua / 123RF (Adaptada).
Por último, a absorção sonora é a propriedade que alguns materiais têm de não
refletir o som no ambiente, como mostra a Figura 3 (BISTAFA, 2011).
Figura 3 – Absorção sonora
Fonte: designua / 123RF (Adaptada).
A Lei n.º 1.065, de 06 de maio de 1996 (BRASIL, 1996, p. 01), considera a
poluição sonora um “som indesejável, principalmente quando interfere em
atividades humanas ou ecossistemas a serem preservados”. Desde estudos
iniciais da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2011), percebe-se que ela vem
atingindo proporções tão preocupantes quanto o uso de inseticida na época.
O desrespeito com as soluções arquitetônicas adequadas para a melhoria do
conforto nas edificações traz como consequência ambientes inadequados. De
acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2011), a poluição sonora
afeta tanto os usuários quanto a poluição causada por emissões de gases e
contaminação da água. No estudo realizado, compararam-se duas tipologias de
casas na cidade de Curitiba, tanto em medições de conforto térmico quanto de
conforto acústico. Com isso, foi constatado que diferentes materiais influenciam
no ambiente da edificação, tanto de forma positiva quanto negativa. Um dos
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exemplos que se pode citar é a questão do calor. Os materiais empregados
sofriam ganhos de calor, aquecendo, assim, as casas e tornando necessário o
uso do ar condicionado. Dessa forma, há aumento no consumo de energia e,
consequentemente, o gasto de recursos não renováveis (OMS, 2011).
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Indicação De Recurso Didático
O problema acústico parece ser inofensivo, porém pode gerar situações graves,
como a que se apresenta na sequência:
Em maio de 2018, uma briga entre vizinhos acabou em morte na cidade de
Curitiba-PR devido ao som alto. O jovem relatou à polícia que a situação do som
alto ocorria há cerca de seis meses, por isso acabou se irritando.
Leia mais em: <[Link]
[Link]>.
Acesso em: 22 nov. 2019.
Por situações similares a esta, é que se demonstra a necessidade de que o
profissional que irá lidar com o conforto ambiental compreenda como funciona a
transmissão, reflexão e absorção do som.
Para isso, indica-se o recurso didático a seguir, para que se compreenda, por
meio das leis da física, como se dá a propagação sonora:
Reflexão do Som (Eco) | ONDULATÓRIA
Autoria: Chama o físico
Acesse aqui: [Link]
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3. ISOLAMENTO SONORO
A comunicação mais eficiente que conhecemos nos dias de hoje ocorre por meio
do som. Já que o som se comporta como uma onda, ele transporta apenas
energia, ou seja, sem matéria ou objetos. Para melhor abordagem, reflita sobre
a seguinte situação: quando alguém fala conosco, não somos empurrados na
direção da propagação da onda, mas sentimos a energia sonora vibrar em
nossos tímpanos. As ondas sonoras se originam pelas vibrações do meio
material em que vão se propagar, geralmente pelo ar, e nunca ocorrem no vácuo.
Conforme os estudos de Sharland (1979), o isolamento (seja ele térmico, elétrico
ou sonoro), fornece uma barreira para determinado fluxo de energia. Sendo
assim, a maneira mais óbvia para se obter o isolamento é estabelecendo uma
barreira sólida no trajeto da propagação.
Uma parede entre dois recintos reduz a transmissão sonora entre eles. Ao
propagar no material sólido, a onda percorre a espessura da parede e encontra,
do outro lado da parede, o ar do recinto. Toda vez que ocorrer a mudança de
meio, ocorre uma redução de intensidade sonora.
● Frequência do som: é a quantidade de vibração da onda sonora por
segundo, e sua unidade de medida é o Hertz. Discute-se que quanto maior for a
frequência sonora, mais alto e agudo será o som; e quanto menor for a
frequência, mais grave e baixo será o som.
● Intensidade sonora: é o que corresponde à energia da onda, podendo
ser associada à sua amplitude. Quanto maior for a amplitude, maior será a
intensidade sonora e mais forte será o som; quanto menor for a amplitude, menor
será sua intensidade sonora e mais fraco será o som.
● Timbre: é o responsável pela diferenciação entre dois sons com mesmas
frequência e intensidade. Dessa maneira, o timbre é associado à maneira com
que a fonte sonora vibra, ou seja, a sua origem (BISTAFA, 2011).
O som produzido em uma sala de um determinado tipo de edificação não
permanece, exclusivamente, naquele ambiente. A transmissão pode ser direta
ou indireta. Dessa maneira, a transmissão direta ou aérea é aquela que ocorre
pelas divisórias, entre os pavimentos e as paredes da fachada; enquanto que a
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transmissão indireta é a de impacto ou estruturada, e ocorre por meio dos
passos, das quedas de objetos, de elevadores etc. (MICHALSKI, 2011).
Quando a onda sonora incidir na superfície, parte dela será refletida. O famoso
“eco” que ouvimos nada mais é do que essa reflexão do som. Para que ela
ocorra, é necessário que a distância entre o emissor e a área de reflexão seja
de, no mínimo ,17 metros, ou que a onda demore mais que 0,1 segundo para
chegar ao ouvido (BISTAFA, 2011).
Para as medições do isolamento sonoro, o Brasil adota as normas internacionais
ISO 140 e ISO 16283-1:2014. A ISO divide-se em várias partes. Dentre essas
partes: as de número 3 e 4 apresentam como ocorre o isolamento aéreo entre
salas em laboratório e em campo; a parte 5 considera o isolamento de fachadas;
e, por fim, as partes 6 e 7 abordam as medições de isolamento sonoro de impacto
de pisos no laboratório ou em campo.
Nas medições de isolamento sonoro entre duas salas de aula, uma sala deve
ser considerada emissora e a outra receptora, conforme a Figura 4, a seguir.
Figura 4 - Esquema da disposição das salas de aula
Fonte: Elaborada pela autora.
A medição realiza-se gerando um sinal de excitação na sala da emissão e
medindo o ruído tanto na sala emissora quanto na receptora, variando a posição
conforme a ISO 16283-1:2014.
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Para o cálculo, utiliza-se a equação a seguir:
D(f) = Le(f) – Lr(f)
Em que:
Le(f): nível de pressão sonoro médio na sala emissora;
Lr(f): nível de pressão sonoro médio na sala de recepção;
A diferença de nível padronizado (DnT) é um valor de referência do tempo de
reverberação na sala de recepção calculado pela equação a seguir:
𝑇
DnT= D+ 10 log ( )
𝑇𝑜
Em que:
T: tempo de reverberação da sala;
To: tempo de reverberação de referência (0,5s).
Para complementar a medição, a norma ISO 717:2013 tem como objetivo
padronizar os procedimentos e converter os valores de isolamento sonoro em
número único. O número único serve para classificar o isolamento sonoro e leva
em consideração diferentes tipos de fontes sonoras.
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Indicação De Recurso Didático
A capacidade de um determinado material ou uma determinada estrutura
absorver ou isolar o ruído é a principal medida de seu desempenho térmico.
Frequentemente, as funções de absorção e isolamento são confundidas. Nesse
momento, explicaremos a diferença entre essas duas funções.
A absorção sonora é utilizada para o controle do tempo de reverberação de um
determinado ambiente. Embora essa função esteja ligada ao controle do ruído
interno, a redução é de poucos decibéis.
Já o isolamento sonoro, que é medido pela perda de transmissão, é utilizado
para impedir que o ruído seja transmitido para um recinto contíguo. Uma
estrutura assim é caracterizada como densa e reflexiva, e pode ainda funcionar
com propriedades estruturais.
Entre os dois métodos, a absorção não deve ser a principal medida mitigadora
do ruído.
Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, acesse o link:
<[Link] Acesso em: 21 NOV 2019.
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4. PARÂMETROS ACÚSTICOS
Vamos estudar, a seguir, algumas definições dos parâmetros acústicos. Os
parâmetros acústicos são critérios que melhor definem a qualidade acústica de
um ambiente. Dentre eles, pode-se citar o tempo de reverberação.
4.1 Tempo de Reverberação
O tempo de reverberação (TR) é uma das grandezas mais importantes na
avaliação acústica. O parâmetro está presente em todas as salas e afeta
diretamente os sons transmitidos, podendo ser uma música ou, até mesmo, uma
conversa (KUTTRUFF, 2000).
A reverberação ocorre quando uma fonte gera uma onda sonora dentro da sala,
consequentemente, a sua intensidade aumenta com a chegada do som direto, e
continuará crescendo com as reflexões indiretas. Se essa fonte é desligada, a
intensidade sonora não desaparecerá nesse instante, mas enfraquecerá
gradualmente. Essa energia sonora decai em função do formato da sala e
depende, ainda, da quantidade de materiais absorventes presentes (MARSH,
2004).
Sabine (1964, apud MEHTA; JOHNSON; ROCAFORT, 1999) encontrou uma
equação empírica relacionando o tempo de reverberação com o volume do
ambiente e seus materiais de revestimento, a qual é dada pela Equação 1:
0,163.𝑣
TR= 𝐴
Em que:
TR é o Tempo de Reverberação do recinto (s);
V é o volume da sala (m³);
A é a área de absorção (m² Sabine).
A absorção é definida pelo produto da área das superfícies pelo coeficiente de
absorção sonora do seu material. Com isso, Hohmann, Setzer e Wehling (2004)
propõem um complemento à equação de Sabine, sugerindo que, além dos
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elementos estruturais, devem-se considerar as áreas dos componentes do
ambiente, como lousa, mesas, pessoas etc. (equação a seguir).
A= ∑𝑛𝑖=1 = (𝑆𝑖 . ∝ 𝑚)
Em que:
Si é a área total das superfícies interiores do ambiente (m²);
αm é o coeficiente médio da absorção sonora das várias superfícies interiores e
de todos os elementos, sejam absorventes ou reflexivos, contidos no ambiente.
4.2 Nível de pressão sonora
Cavanaugh, Tocci e Wilkes (2010) define que o ruído de fundo é um elemento
extremamente importante no meio acústico. Sua representação é dada pelo nível
de pressão sonora, sendo, assim, a combinação do ruído interior acrescido do
ruído exterior.
Dentre as fontes externas, pode-se citar o ruído de tráfego, ou equipamentos de
ar-condicionado ou ventiladores; já as fontes internas dependem do uso e da
ocupação do edifício (MEHTA; JOHNSON; ROCAFORT, 1999).
4.3 Índice de transmissão da fala - STI
O nível de interferência da fala (Speech Transmission Index - STI) é um
importante parâmetro para determinar qual o grau de interferência do nível de
pressão sonora em um determinado recinto (MEHTA; JOHNSON; ROCAFORT,
1999). De acordo com Muller (2005), o STI é obtido por meio da simulação e da
medição acústica.
A medição é feita por meio da resposta impulsiva, considerando os cálculos do
tempo de reverberação e do ruído de fundo. O resultado (Tabela 2) é um índice
de fácil interpretação, que varia entre 0 (fala completamente ininteligível) e 1
(excelente inteligibilidade) (ISO 3382-2:2017).
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Tabela 2 – Valores de STI e a qualidade da inteligibilidade da fala
STI INTELIGIBILIDADE
0,00 - 0,30 Ruim
0,30 - 0,45 Pobre
0,45 - 0,60 Aceitável
0,60 - 0,75 Bom
0,75 - 1,00 Excelente
Fonte: Bruel e Kjaer (2003, p. 5).
Segundo Bradley (2007), a inteligibilidade da palavra pode ser afetada ou
reduzida por meio de influências das distorções sonoras. O ruído de fundo é o
principal fator redutor da inteligibilidade. Quanto mais intensos for o nível sonoro
e a quantidade de fontes, pior é a capacidade de ouvir, prestar atenção,
compreender ou se concentrar.
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No Brasil, o método de barreiras acústicas é, ainda, muito recente. Acredita-se
que a escassez de implantação de barreiras ocorra devido a problemas
financeiros, além da falta de cobrança pela própria população.
Há um projeto brasileiro em discussão na Secretaria de Estado do Meio
Ambiente (SEMA) considerado o pioneiro da América Latina em regulamentação
para medidas mitigadoras de ruído nas rodovias. Esse projeto tem como objetivo
minimizar o ruído nas margens das rodovias. A proposta, descrita por Álvares Jr.
(2010), é formada por: projeto de barreiras acústicas em inúmeros materiais,
como concreto, vidro, plástico etc.; rebaixamento de trechos de pistas;
diminuição das velocidades permitidas; substituição da pavimentação por uma
na qual o contato do pneu com o local seja mais silencioso; e instalação de
janelas com vidros duplos nas edificações (ÁLVARES JR., 2006). Para mais
informações, assista ao vídeo que se encontra no link:
<[Link] Acesso em: 22 Nov. 2019.
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Conclusão
O tratamento acústico de ambientes internos depende da análise de um conjunto
de variáveis, dentre elas a geometria do espaço e a capacidade de absorção
sonora dos materiais. Visto isso, há a necessidade de conhecer as
características acústicas dos revestimentos. Após a identificação dessas
características, é possível escolher e definir a melhor localidade, para que o
material seja utilizado com absorsor.
É importante lembrar que, na natureza, os materiais possuem propriedades
acústicas, mas nem todos desempenham uma capacidade satisfatória de
absorção. A escolha dos materiais e o modo como são dispostos no ambiente
determinam se o ruído será corrigido, reduzido ou eliminado. Então, ao escolher
o material, sempre leve em consideração sua manutenção, sua durabilidade, sua
estabilidade, sua resistência e seu desempenho.
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Referências
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National Research Council, 2007.
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HOHMANN, R.; SETZER, M. J.; WEHLING, M. Bauphysikalische Formeln und
Tabellen. 4. ed. Berlim: Werner, 2004.
______. NBR ISO 3382-2: Acústica - Medição de parâmetros de acústica de
salas. Parte 2: Tempo de reverberação em salas comuns. Rio de Janeiro: ABNT,
2017.
KUTTRUFF, H. Reverberation in room acoustics. In: ENCONTRO DA
SOCIEDADE BRASILEIRA DE ACÚSTICA. Anais… Belo Horizonte: SOBRAC,
2000. p. 67-76.
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MEHTA, M; JOHNSON, J; ROCAFORT, J. Architectural acoustics: principles
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MICHALSKI, R. L. X. N. Metodologias para medição de isolamento sonoro
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OMS – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diretrizes para o Ruído
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SCHAFER, R. M. A afinação do mundo. São Paulo: UNESP, 1997.
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