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Texto I - O novo povo
O povo brasileiro, segundo Ribeiro (1995) é novo porque há uma etnia nacional, mestiça, diferente de
nossas matrizes formadoras. Formando uma nova cultura a partir de várias. É um povo novo porque se
vê e é visto pelos outros como gente nova, diferente dos que existiam. Novo, porque é uma nova forma
de organização da estrutura da sociedade, já que inaugura uma forma particular de organização, tanto
social como econômica, a partir da restauração do escravismo e da prática de servidão contínua ao
mercado mundial. Novo, até mesmo, pela incrível alegria e inacreditável vontade de ser feliz. Mesmo
passando por tantas necessidades e sofrimentos, tem coragem e capacidade de se emocionar. E ao
mesmo tempo, velha, porque continua a ser o proletariado das nações estrangeiras, gerando lucro na
produção de bens para o mercado mundial, a partir da deterioração e do sacrifício dos habitantes do
nosso país.
Dessa forma, inegavelmente encontramos na formação do povo brasileiro um intenso processo de
aculturação. Os portugueses que aqui vieram se esforçaram para trazer e implantar no território
brasileiro o modo de funcionamento tradicional da Europa, negligenciando em muito a cultura dos
povos indígenas e dos negros africanos neste processo. A formação da sociedade a partir da formação
e estruturação de uma colônia de exploração, com uma economia voltada para o mercado externo e
com base ampla na propriedade de mão de obra escrava.
O nosso povo, segundo o Ribeiro (1995), é conformista e isso é resultado do comportamento
aprendido da tradição civilizatória europeia ocidental. Porém, ao mesmo tempo, é diferente, devido
aos traços herdados dos negros africanos e índios americanos. É assim que nasce o Brasil, um mutante,
com características próprias, porém, ligado geneticamente à nossa origem portuguesa.
A força da identidade étnica dos povos que formaram o Brasil fez com que sobrevivessem muitas
tradições, valores, princípios e cultos. Destes nasceram muitas das manifestações culturais que
conhecemos amplamente marcadas pela fusão cultural e pela riqueza de tradições das matrizes
culturais que formaram o nosso povo e foram sendo adaptadas às regiões e suas estruturas
econômicas.
Quando pensamos nesta grande diversidade de culturas e etnias que está na base da formação do
povo brasileiro, algo que pode espantar em um primeiro momento é o fato de que, em toda vastidão
deste território e da própria constituição do povo ao longo dos séculos, pouquíssimos conflitos
interétnicos aconteceram no Brasil. Não vemos, por exemplo, grandes levantes de grupos e minorias
étnicas isoladas na tentativa de estabelecer ou manter fronteiras étnicas claras e intransponíveis ao
processo de intercâmbio e miscigenação cultural. Em vez de vermos uma sociedade e uma cultura
dilaceradas por esse conflito, vemos nascer um povo que procura viver em paz, com sua origem
multiétnica, sem que nenhum destes grupos étnicos menores se sobressaia em busca do controle
sociopolítico do país.
A diferença do povo brasileiro em relação aos portugueses está nas nossas qualidades recebidas dos
indígenas e dos africanos, da sua unificação, das condições geográficas que enfrentaram em nossa terra
e da condição de produção que foi colocada. Porém, Ribeiro (1995) sugere que não devemos pensar
que essa unidade étnica significa uniformidade, pois não somos iguais. Isso porque tivemos a influência
de três forças diferentes: a ecológica, a econômica e a imigração. A ecológica levou a paisagens de
pessoas distintas, segundo as condições ambientais em que viviam. A econômica acabou por criar
formas diferenciadas de produção, bem como a mão de obra especializada, o processo de
industrialização e urbanização do Brasil que foi longo e se realizou mais tardiamente do que em outras
nações. É nesse momento que veremos a chegada dos imigrantes em nosso país – especialmente
europeus, árabes e japoneses.
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Porém, pelo fato do Brasil já estar formado, os mesmos foram abrasileirados e absorvidos, muito mais
do que eles conseguiram “estrangeirar” os brasileiros que aqui existiam.
Texto II - Identidade
Na maioria das vezes, as pessoas ao falarem de nossa história não se lembram da nossas origens
indígena e africana, porque acaba assumindo a identidade veiculada a ideologia dominante, isto é, a
matriz portuguesa, da qual herdamos a língua, que marcou de sobremaneira a nossa cultura, e da qual
nos orgulhamos. Porém, temos que conhecer e reconhecer a contribuição dos povos indígenas e das
diferentes culturas africanas, que também formaram nossa forma de ser, e aprendermos a ter orgulho
dessa herança.
A compreensão da alteridade é dependente do olhar que daremos ao “outro”. Pois depende da forma
como cada um analisa as relações sociais, como percebem a estrutura de classe, a relação da etnia com
as demais dimensões das relações de trabalho tanto no período colonial como no modo de produção
capitalista.
Identidade é um conceito muito utilizado em Antropologia. Porém, não estamos falando daquele
documento chamado RG nem dos traços marcantes da personalidade de uma pessoa.
Identidade, aqui, significa um conceito que é interligado a outros, como grupo social e cultura. A
identidade dos sujeitos se forma a partir das condições históricas e culturais em que vivem – condições
que não escolheram, pois ao nascer tudo já estava pronto, então se deparam com um grupo familiar e
social, com uma língua usada por todos e com um conjunto de regras, hábitos e tradições utilizadas. A
sociedade e a cultura delimitam a nossa vida. Porém, chega um momento da vida em que a pessoa tem
a possibilidade de negociar e alterar essas limitações, já que a cultura é dinâmica. Assim, a constituição
das identidades é vista como processos de identificação: no cotidiano, há situações em que precisamos
tomar decisões e escolhas quanto à conduta que vamos ter e os valores que nos cercam, tanto no
plano pessoal quanto no social. “Nós e os outros, os semelhantes e os diferentes: as noções que
construímos socialmente de igualdade e diferença são a moeda do jogo de construção das
identidades”. (KEMP, 2003, p. 66). É a cultura que nos dá o referencial para desenvolver os papéis
sociais.
A Antropologia Cultural busca conhecer “o incessante movimento de diálogo entre os símbolos que
fazem parte da cultura dos diferentes sujeitos” (KEMP, 2003, p. 66). Assim sendo, podemos pensar
sobre as várias identidades que utilizamos para cada situação social, levando em consideração os
fatores que interferem nesse processo: a idade, a participação nos grupos, a atuação de papéis
socialmente reconhecidos. Por exemplo: hippie, rapper, homossexual, careca, compatriota, estrangeiro,
negro, oriental, índio. A rotulação social faz parte da forma de categorizar as identidades culturais na
nossa sociedade.
São esses os fatores que fundamentam a identidade que cada sujeito se atribui e a que os outros
reconhecem nas pessoas. Por isso, podemos possuir várias identidades como: nacional, regional, de
classe, de grupo, de profissional, de gênero (feminino/masculino) etc.
O brasileiro tem um fanatismo por sua identidade e por seu país, como podemos notar nas palavras de
Ribeiro (1995, p. 243-244):
Pude sentir, no exílio, como é difícil para um brasileiro viver fora do Brasil. Nosso país
tem tanta seiva de singularidade que torna extremamente difícil aceitar e desfrutar
do convívio com outros povos. O prefeito de Natal morreu em Montevidéu de pura
tristeza. Nunca quis aprender espanhol, nem o suficiente para comprar uma caixa de
fósforos. Alguns se suicidaram e todos sofreram demais. Basta ver uma reunião de
brasileiros, do meio milhão que estamos exportando como trabalhadores, para
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sentir o fanatismo com que se apegam à sua identidade de brasileiro e o rechaço a
qualquer ideia de deixar-se ficar lá fora.
Segundo Alves e Barros (2007), no caso do Brasil, já que houve um período, referente a um
processo de colonização, a questão da etnia se tornou um adjetivo que acaba por dar significado a
nossa identidade, como por exemplo: “trabalhadores negros”, “índios”, “operários italianos”,
“alemães”, “imigrantes brancos”. Essas etnias se torna adjetivo e acaba dando à identidade de
trabalhador uma singularidade, de forma que passam a ser reproduzidas nas relações sociais de
trabalho.
Nesse sentido, o discurso aqui tem o intuito de levá-lo a perceber que as desigualdades sociais são
históricas e que a naturalização da pobreza passa por uma falta de postura crítica quanto à vida desses
pobres, dos seus direitos como cidadão brasileiro.
Já que, a constituição de identidades é decorrente do jogo simbólico, como a forma de apreensão do
mundo, preste atenção na explicação de Kênia Kemp (2003, p. 83):
Manipulamos socialmente nossa identidade, e também a dos outros, para demarcar
lugares. Numa sociedade com uma hierarquia complexa como a nossa, as categorias
sociais movem-se o tempo todo – em certos contextos, nossa identidade nos faz ser
respeitados e, em outros, sofremos preconceito. A partir disso, elegemos os que
consideramos diferentes simbolicamente, porém iguais em direitos e posição social e
aqueles que consideramos iguais simbolicamente, porém desiguais na posição que
ocupam em relação à nossa.
Exercício resolvido:
Um dos conceitos estudados foi o de aculturação (apresentado capítulo 1). Inegavelmente encontramos na
formação do povo brasileiro um intenso processo de aculturação. Isso é possível de ser afirmado por quê?
Escolha a alternativa correta:
a) Porque o povo brasileiro foi formado por várias etnias.
b) Porque o povo brasileiro foi formado por meio da junção de três etnias: a indígena, a africana e a
espanhola.
c) Porque o povo brasileiro foi formado por meio da junção de três etnias: a indígena, a africana e a
portuguesa.
d) Porque o povo brasileiro foi formado por meio da junção de quatro etnias: a indígena, a africana, a
portuguesa e a espanhola.
e) Não ocorreu o processo de aculturação com o povo brasileiro.
Resposta correta: C
Justificativa: O povo brasileiro, segundo Ribeiro (1995) é novo porque há uma etnia nacional, mestiça,
diferente de nossas matrizes formadoras: indígena, africana e portuguesa. Formando uma nova cultura a
partir destas três. É um povo novo porque se vê e é visto pelos outros como gente nova, diferente dos que
existiam. Novo, porque é uma nova forma de organização da estrutura da sociedade, já que inaugura uma
forma particular de organização, tanto social como econômica, a partir da restauração do escravismo e da
prática de servidão contínua ao mercado mundial. Novo, até mesmo, pela incrível alegria e inacreditável
vontade de ser feliz. Mesmo passando por tantas necessidades e sofrimentos, tem coragem e capacidade de
se emocionar. E ao mesmo tempo, velha, porque continua a ser o proletariado das nações estrangeiras,
gerando lucro na produção de bens para o mercado mundial, a partir da deterioração e do sacrifício dos
habitantes do nosso país.
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Exercício 1:
Identidade é um conceito muito utilizado em Antropologia. Analise as afirmativas
quanto ao conceito de identidade:
I) Identidade é aquele documento chamado de RG.
II) Identidade são traços marcantes da personalidade de uma pessoa.
III) A identidade dos sujeitos se forma a partir das condições históricas e culturais
em que vivem – condições que não escolheram, pois ao nascer tudo já estava
pronto, então se deparam com um grupo familiar e social, com uma língua usada
por todos e com um conjunto de regras, hábitos e tradições utilizadas. A
sociedade e a cultura delimitam a nossa vida. Porém, chega um momento da vida
em que a pessoa tem a possibilidade de negociar e alterar essas limitações, já que
a cultura é dinâmica. Assim, a constituição das identidades é vista como
processos de identificação: no cotidiano, há situações em que precisamos tomar
decisões e escolhas quanto à conduta que vamos ter e os valores que nos cercam,
tanto no plano pessoal quanto no social.
IV) Utilizamos várias identidades, uma para cada situação social, levando em
consideração os fatores que interferem nesse processo: a idade, a participação
nos grupos, a atuação de papéis socialmente reconhecidos.
Escolha a alternativa incorreta:
A)
As afirmativas I e II estão incorretas.
B)
As afirmativas I e III estão incorretas.
C)
As afirmativas I e IV estão incorretas.
D)
As afirmativas I, II e III estão incorretas.
E)
As afirmativas I, II e IV estão incorretas.
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Exercício 2:
A diferença do povo brasileiro em relação aos portugueses esta nas nossas
qualidades recebidas dos indígenas e dos africanos, das condições geográficas que
enfrentaram em nossa terra e da condição de produção que foi colocada. Ribeiro
(1995) sugere que não devemos pensar que essa unidade étnica significa
uniformidade, pois não somos iguais. Isso porque tivemos a influencia de três
forças diferentes. Escolha a alternativa que apresenta as três forças:
A)
A ecológica, a econômica e a imigração.
B)
A religiosa, a econômica e a exportação.
C)
A étnica, a econômica e a exportação.
D)
A étnica, a econômica e a religiosa.
E)
A religiosa, a econômica e a imigração.
Exercício 3:
A Antropologia Cultural busca conhecer “o incessante movimento de diálogo entre
os símbolos que fazem parte da cultura dos diferentes sujeitos” (KEMP, 2003, p.
66). Assim sendo, podemos pensar sobre as varias identidades que utilizamos
para cada situação social, levando em consideração os fatores que interferem
nesse processo, como:
I) A idade, a participação nos grupos, a atuação de papeis socialmente
reconhecidos.
II) A rotulação social faz parte da forma de categorizar as identidades
culturais na nossa sociedade. Como por exemplo: hippie, rapper, homossexual,
careca, compatriota, estrangeiro, negro, oriental, índio.
III) São esses os fatores que fundamentam a identidade que cada sujeito
se atribui e a que os outros reconhecem nas pessoas.
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IV) Podemos possuir varias identidades como: nacional, regional, de classe,
de grupo, de profissional, de gênero (feminino/masculino) etc.
Escolha a alternativa correta:
A)
A afirmativa I está correta.
B)
A afirmativa II está correta.
C)
A afirmativa III está correta.
D)
A afirmativa IV está correta.
E)
Todas estão corretas, pois se complementam.
Exercício 4:
Leia o texto:
"Com vestidos de noivas e ternos, três casais gays [...] se apresentaram nesta quarta-
feira no cartório de registro civil de Montevidéu para uma simulação de casamento, no
lançamento de uma campanha em favor do casamento homossexual. (Folha de São
Paulo, 19 maio 2010, Caderno Mundo. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 19 maio 2010.)
Com base no texto e nos seus conhecimentos analise as afirmativas a seguir:
I. Isso é possível porque há identidade social.
II. Desde a segunda metade do século XX houve a explosão de
variados movimentos sociais cujo eixo são as políticas de identidade.
III. Movimentos sociais são expressão de demandas do cotidiano que se
transformam em reivindicações coletivas para a ampliação dos direitos de
cidadania.
IV. Dentre as condições para a existência de movimentos sociais está o
respeito aos valores morais tradicionais, como a aceitação da união heterossexual
e a negação da homossexual.
Escolha a alternativa incorreta:
A)
A afirmativa I está incorreta.
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B)
A afirmativa II está incorreta.
C)
A afirmativa III está incorreta.
D)
A afirmativa IV está incorreta.
E)
Nenhuma está correta.
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