UNIVERSIDADE PÚNGUÈ
Faculdade de Geociências e Ambiente
Impacto da Subida das Tarifas de Transporte na Renda Familiar: Estudo de Caso dos
Produtores de Hortícolas no Vale do Tembwe-Chimoio- (2020-23)
Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia e Habilitações em História
Rolfo Rosário Lázaro
Chimoio
Março, 2025
Rolfo Rosário Lázaro
Impacto da Subida das Tarifas de Transporte na Renda Familiar: Estudo de Caso dos
Produtores de Hortícolas no Vale do Tembwe-Chimoio- (2020-2023)
Projecto de Pesquisa a ser apresentado à
Faculdade de Geociências e Ambiente da
Universidade Púnguè, como requisito para
obtenção do grau académico de
Licenciatura em ensino de Geografia.
Chimoio
Março, 2025
Índice
1 Introdução......................................................................................................................................5
1.1 Problematização.........................................................................................................................5
1.2 Formulação de hipóteses............................................................................................................6
1.3 Justificativa.................................................................................................................................6
1.4 Objectivos...................................................................................................................................7
1.4.1 Geral........................................................................................................................................7
1.4.2 Específicos...............................................................................................................................7
2 Revisão da literatura......................................................................................................................8
2.1 Transporte e economia rural.......................................................................................................8
2.1.1 Importância do transporte na economia rural..........................................................................8
[Link] Infraestrutura e produtividade agrícola................................................................................8
[Link] Custos de transporte e localização da produção...................................................................8
2.1.2 Transporte rural e desenvolvimento socioeconômico.............................................................8
[Link] Tarifas de transporte e seus determinantes...........................................................................9
2.1.3 Impacto econômico do aumento das tarifas de transporte.....................................................10
[Link] Redução da demanda por transporte público......................................................................10
[Link] Impacto na Inflação............................................................................................................10
[Link] Aumento dos Custos Operacionais.....................................................................................10
[Link] Consequências Sociais........................................................................................................11
[Link] Estrutura da Cadeia de Comercialização Agrícola.............................................................11
[Link] Infraestruturas de Apoio à Comercialização......................................................................11
[Link] Desafios na Logística Agrícola..........................................................................................11
[Link] Iniciativas de Melhoria.......................................................................................................12
2.2 Comercialização.......................................................................................................................12
2.2.1 Agricultura Familiar..............................................................................................................13
2.3 Distribuição e escoamento da produção hortícola no Vale do Tembwe..................................13
2.3.1 Papel dos intermediários e transportadores no processo de comercialização.......................14
2.4 Alternativas Logísticas para Mitigar os Impactos da Alta das Tarifas.....................................14
3 Metodologia.................................................................................................................................16
3.1 Procedimentos metodológicos da pesquisa..............................................................................16
3.2 Cronograma de actividades......................................................................................................17
Referências bibliográficas..............................................................................................................18
5
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
A comercialização agrícola, de um modo geral, constitui uma das maiores fontes de
acumulação de rendimentos monetários para a maior parte da população que tem a agricultura
como principal actividade económica, em particular a população das zonas rurais, facto que torna
a comercialização agrícola importante na promoção do desenvolvimento destas zonas, pois a
comercialização agrícola é um dos potenciais instrumentos impulsionadores do relacionamento
económico entre as zonas rurais e urbanas. Mas, a dinamização deste relacionamento depende
fundamentalmente das infra-estruturas de transporte, pois, sem estas tanto a movimentação dos
bens e equipamentos necessários para o aumento da produção e da produtividade assim como a
dos produtores e consumidores, torna-se difícil.
Em África, a agricultura desempenha um papel preponderante na economia, tanto como
fonte de emprego da maioria da sua população assim como fonte de receitas dos governos através
de exportação de produtos agrários. Em Moçambique, a agricultura emprega mais de 70% da
população e contribui com 24% do Produto Interno Bruto (PIB) (Instituto Nacional de Estatística
– INE, 2015). A sustentabilidade deve considerar as mudanças temporais nas necessidades
humanas, especialmente relacionadas a uma população crescente, bem como uma adequada
perceção da relação ambiental com a agricultura (Organização das Nações Unidas , 2006).
Nos últimos anos tem se registrado um incremento assinalável de tarifas de transporte
público, no pais de um modo geral e na cidade de Chimoio, de forma particular. Entretanto;
pretende-se com esta pesquisa, estudar o impacto deste fenómeno na renda das famílias,
especificamente, dos produtores de hortícolas no vale do rio Tembwe na cidade de Chimoio.
Espera-se que esta pesquisa possa trazer alguns contributos científicos na comunidade.
Para a materialização desta pesquisa vai-se aplicar o método de revisão bibliográfica, que
por sua vez será auxiliado pela observação directa e para colecta de dados vai-se aplicar o
questionário e o inquérito.
1.1. Problematização
Em Moçambique a agricultura desempenha um papel importante no âmbito do combate à
pobreza, na geração de emprego rural e contribui para a segurança alimentar familiar e
nutricional. Ela representa em termos económicos, 25% do PIB e 80% das exportações
(Organização das Nações Unidas , 2006).
6
Tal como noutras regiões do país, a questão do balanço de rendimentos cadeia de valor no
sector agrário é de vital importância. Neste sentido, verifica-se que houve um aumento de quase
100% nas tarifas de transportes públicos urbanos, e em detrimento disto as tarifas ou preços de
produtos agrícolas não tem acompanhado este aumento constante, o que acaba gerando um
desequilíbrio na balança de rendimentos, por este motivo compreende-se que este fenómeno
esteja de algum modo a afectar negativamente na renda das famílias que produzem hortícolas e
fazem a venda nos mercados da cidade de Chimoio.
Com base nestas e outras constatações levanta-se a seguinte questão de partida:
Até que ponto a subida das tarifas de transporte público pode impactar
negativamente na renda familiar dos produtores de hortícolas no vale do Tembwe
na cidade de Chimoio?
1.2. Formulação de hipóteses
A subida das tarifas de transporte público pode estar a impactar negativamente na renda
familiar dos produtores de hortícolas no vale do Tembwe na cidade de Chimoio;
A subida das tarifas de transporte público pode vir causar a escassez de produtos devido a
incapacidade de transportar os mesmos para os principais mercados da cidade de
Chimoio.
A subida das tarifas de transporte público urbano pode vir a variar devido a localização e
condições das vias de acesso.
1.3. Justificativa
A escolha do tema resulta das constatações feitas do crescente aumento das tarifas de
transporte público a nível local, e também da necessidade de se compreender os impactos deste
fenómeno na renda dos agricultores de pequena escala do vale do rio Tembwe, tendo em conta
que a comercialização agrícola desempenha um papel extremamente importante na economia
nacional, constituindo a principal fonte geradora de rendimento da população nas zonas rurais,
onde a maioria tem as suas condições assentes na agricultura. É também um dos instrumentos
impulsionadores das ligações entre o camponês e o mercado em termos de relacionamento
económico entre as zonas rurais e urbanas.
7
Ao se falar de comercialização agrícola não se pode deixar de fora a questão das
infraestruturas de transporte, pois estas são fundamentais na cadeia de valor da comercialização
agrícola. As estradas que são o foco do presente trabalho permitem a ligação entre as zonas
produtoras com os mercados consumidores dos bens agrícolas, sendo o estado destas o indicador
do custo com o qual esta ligação (produção-consumo) se efectua.
Espera-se que esta pesquisa possa trazer ou encontrar algumas soluções que poderão
ajudar as comunidades ou famílias do local de estudo.
1.4. Objectivos
1.4.1 Geral
Avaliar o impacto da subida das tarifas de transporte na renda familiar aos produtores de
hortícolas no vale do Tembwe na cidade de Chimoio
1.4.2. Específicos
Descrever as características físico-geográficas socioeconómicas e do local de estudo;
Identificar os impactos da subida das tarifas de transporte na renda familiar aos produtores
de hortícolas no vale do Tembwe na cidade de Chimoio
Propor alternativas para o aumento de renda familiar aos produtores de hortícolas.
8
CAPÍTULO II: REVISÃO DA LITERATURA
2.1 Transporte e economia rural
O transporte desempenha um papel fundamental na economia rural, influenciando
diretamente a eficiência da produção agrícola, o acesso aos mercados e a qualidade de vida das
comunidades rurais (Caixeta-filho & Martins, 2001).
2.1.1 Importância do transporte na economia rural
A infraestrutura de transporte é essencial para a circulação de mercadorias e insumos
agrícolas, afetando diretamente os custos de produção e o preço final ao consumidor. O Caixeta-
Filho e Martins (2012) destacam que os custos logísticos podem impactar significativamente a
competitividade dos produtos agrícolas no mercado.
[Link] Infraestrutura e produtividade agrícola
A qualidade das estradas e dos meios de transporte influencia a capacidade dos produtores
rurais de escoar sua produção de maneira eficiente. Em estudo sobre a Amazônia Oriental,
observou-se que produtores dependentes de estradas precárias enfrentam maiores desafios na
comercialização de seus produtos, afetando sua rentabilidade.
[Link] Custos de transporte e localização da produção
A teoria de localização de Johann Heinrich von Thünen aborda como a distância entre a
área de produção e o mercado consumidor afeta os custos de transporte e, consequentemente, a
rentabilidade da terra (Von thünen, 1982). Segundo essa teoria, produtos perecíveis ou com altos
custos de transporte tendem a ser produzidos mais próximos aos centros consumidores.
2.1.2 Transporte rural e desenvolvimento socioeconômico
Estudos indicam que melhorias na mobilidade e no transporte em áreas rurais podem
impulsionar o desenvolvimento socioeconômico, facilitando o acesso a mercados, serviços e
oportunidades de emprego. Por exemplo, a expansão do transporte rural-urbano em Castanhal
(PA) mostrou-se vital para a integração econômica entre comunidades rurais e centros urbanos
(Sousa, 2018).
9
[Link] Tarifas de transporte e seus determinantes
As tarifas de transporte são influenciadas por uma variedade de fatores que afetam os
custos operacionais e a estrutura de preços dos serviços de transporte. Os principais
determinantes são (Sousa, 2018):
Custos de combustível – o preço dos combustíveis é um dos principais componentes dos
custos de transporte. Flutuações nos preços do petróleo impactam diretamente as despesas
das empresas de transporte, levando a ajustes nas tarifas para manter a viabilidade
econômica.
Manutenção e depreciação de veículos – a necessidade de manutenção regular e a
depreciação dos veículos influenciam os custos operacionais. Investimentos em
manutenção preventiva e na renovação da frota são essenciais para garantir a eficiência e
a segurança, refletindo-se nas tarifas cobradas.
Custos de mão de obra – salários de motoristas e demais funcionários, bem como
encargos trabalhistas, representam uma parcela significativa dos custos operacionais. A
variação desses custos pode impactar diretamente o valor das tarifas de transporte.
Infraestrutura e condições das vias – a qualidade das estradas e a presença de pedágios
afetam os custos de transporte. Estradas em más condições aumentam o desgaste dos
veículos e o consumo de combustível, enquanto pedágios elevam os custos diretos das
viagens.
Demanda por serviços de transporte – a demanda influencia a definição de tarifas. Em
períodos de alta demanda, as tarifas tendem a aumentar devido à maior procura por
serviços de transporte.
Regulamentações e políticas públicas – políticas governamentais, como impostos,
subsídios e regulamentações específicas, podem afetar os custos operacionais e,
consequentemente, as tarifas. Alterações na legislação podem levar a ajustes nos preços
cobrados aos usuários.
Tipo de carga e necessidades especiais – cargas que exigem condições especiais de
transporte, como produtos perecíveis ou perigosos, requerem equipamentos específicos e
cuidados adicionais, resultando em tarifas mais elevadas.
10
Concorrência e estrutura de mercado – a intensidade da concorrência no setor de
transporte influencia a formação de preços. Mercados com maior número de operadores
tendem a apresentar tarifas mais competitivas.
2.1.3 Impacto econômico do aumento das tarifas de transporte
O aumento das tarifas de transporte público tem implicações econômicas significativas
que afetam tanto os usuários quanto o sistema de transporte em si. Diversos estudos e análises
destacam os principais impactos desse fenômeno:
[Link] Redução da demanda por transporte público
Em 2021, observou-se um aumento significativo das tarifas de ônibus urbanos em
Moçambique, concomitante a uma redução na renda da população, especialmente das classes
mais pobres (Leitão, 2025). Esse descompasso resultou em uma queda de mais de 30% na
demanda por transporte público urbano nesse período.
[Link] Impacto na Inflação
Reajustes nas tarifas de transporte público podem influenciar diretamente os índices de
inflação. Por exemplo, um aumento na tarifa de ônibus em São Paulo teve um efeito imediato de
0,03 pontos percentuais no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro. Além
disso, projeta-se que o aumento médio das tarifas de transporte público em Moçambique seja de
cerca de 6% ao longo do ano, contribuindo para a pressão inflacionária (Sindicato das Empresas
de Transporte de Passageiros de Salvador., 2018).
[Link] Aumento dos Custos Operacionais
O aumento das tarifas está frequentemente associado ao crescimento dos custos
operacionais dos sistemas de transporte público. Fatores como o aumento dos preços de
combustíveis (por exemplo, óleo diesel) e de mão de obra têm pressionado as tarifas a subirem
acima da inflação. Nos últimos 12 meses, o aumento combinado desses itens representou um
impacto de 4,5% nas tarifas, enquanto a inflação do período foi de 2,9% (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada., 2009).
11
[Link] Consequências Sociais
O aumento das tarifas de transporte público afeta diretamente a população de baixa renda,
que depende desse meio para deslocamento diário. Em Fortaleza, por exemplo, um aumento
superior a 15% na tarifa preocupou trabalhadores que ganham até um salário mínimo, tornando o
custo do transporte uma parcela significativa de sua renda mensal (Leitão, 2025).
[Link] Estrutura da Cadeia de Comercialização Agrícola
A cadeia de comercialização agrícola em Manica é composta por diversos intervenientes,
desde produtores até consumidores finais. De acordo com dados disponíveis, a província conta
com uma rede comercial acumulada de 3.673 estabelecimentos, dos quais 585 são grossistas,
2.205 retalhistas e 883 prestadores de serviços. Destes, 32 operadores estão diretamente
envolvidos no processo de comercialização agrícola, incluindo empresas como Deca, ECA,
Higest, Export Marketing, Abílio Antunes, Indo África, MLT, Meadow, Griny Company e Vale
do Zambeze (Ministério da Indústria e Comércio, 2018).
[Link] Infraestruturas de Apoio à Comercialização
A existência de infraestruturas adequadas é vital para o escoamento eficiente da produção
agrícola. Em Manica, destacam-se:
Armazéns: A província possui armazéns com capacidade significativa de
armazenamento, essenciais para a conservação e gestão dos produtos agrícolas antes da sua
distribuição.
Indústrias de Processamento: A presença de indústrias de processamento, como a
DECA (processamento de cereais) e a fábrica de ração Abílio Antunes, adiciona valor à produção
local, permitindo a transformação de matérias-primas em produtos acabados ou semiacabados.
[Link] Desafios na Logística Agrícola
Apesar das infraestruturas existentes, a logística agrícola em Manica enfrenta desafios que
podem impactar a eficiência da cadeia de comercialização (Presidência da República de
Moçambique., 2023):
Infraestruturas Rodoviárias: A condição das vias de acesso influencia diretamente o
escoamento dos produtos agrícolas. Estradas em mau estado podem aumentar os custos de
transporte e o tempo de entrega, afetando a qualidade dos produtos perecíveis.
12
Capacidade de Armazenamento: Embora existam armazéns na província, é essencial
avaliar se a capacidade atual atende à demanda crescente, especialmente durante picos de
produção.
Tecnologia e Inovação: A adoção de tecnologias modernas na logística, como sistemas
de gestão de armazéns e rastreamento de frotas, ainda é limitada, o que pode comprometer
a eficiência operacional.
[Link] Iniciativas de Melhoria
Para superar os desafios e fortalecer a cadeia de comercialização e logística agrícola em
Manica, algumas iniciativas têm sido implementadas (Gabinete da Reconstrução Pós-Ciclones.,
2024):
Distribuição de Insumos Agrícolas: O Gabinete da Reconstrução Pós-Ciclones
(GREPOC) disponibilizou mais de 200 toneladas de sementes diversas e fertilizantes aos
camponeses, visando assegurar uma boa produção na campanha agrária.
Planos Operacionais: O Plano Operacional da Comercialização Agrícola (POCA) é um
instrumento de planificação e controle que visa garantir a absorção da produção agrária
pelo mercado interno e externo, estabelecendo metas de comercialização por província e
salvaguardando a produção doméstica.
2.2 Comercialização
A comercialização compreende o conjunto de actividades realizadas por instituições que
se acham empenhadas na transferência de bens e serviços desde o ponto de produção inicial até
que eles atinjam o consumidor final (Piza & Welsh, 1968).
A comercialização é o processo através do qual a estrutura de demanda de bens e serviços
económicos ou antecipada ou ampliada e satisfeita através da concepção, promoção, intercâmbio
e distribuição física de tais bens e serviços (Geraldo, 2007).
A comercialização é uma serie de serviços envolvidos em movimentar um produto do
ponto de produção para o ponto de consumo (Camargo & Oliveira, 2014). Com base nas
definições acima apresentadas torna-se fácil entender que a comercialização envolve uma série de
actividades, que começam do processo de produção, onde ocorre a utilização dos recursos
produtivos (capital e trabalho) até ao estágio do consumo final.
13
2.2.1 Agricultura Familiar
O conceito de agricultura familiar é também polissémico e tem ultimamente levantado
controvérsias em vários autores. Alguns conservadoristas ainda se apegam na concepção
tradicional da agricultura familiar e outros que advogam a adaptação ao contexto actual referem-
se à nova abordagem do conceito. Embora nota-se essa dicotomia, existe uma certa dificuldade
sob o ponto de vista teórico, em atribuir um valor conceitual à categoria agricultura familiar.
A afirmação da autora tem uma dimensão profunda de análise que por um lado a
agricultura familiar deve ser vista sob a abordagem moderna, e por outro lado, existem os
pequenos produtores que podem ser tratados sob ponto de vista da abordagem camponesa.
Muitos estudos advogam a decomposição do campesinato e a emergência de uma nova
forma de reprodução social, ou um novo actor social que corresponde ao mundo moderno, que é
o agricultor familiar. Não se trata de negar que o agricultor familiar seja um actor social do
mundo moderno, mas de admitir também que não é lógico falar da decomposição do
campesinato.
Os agricultores familiares são portadores de uma tradição, mas devem se adaptar às
condições modernas de produzir e de viver em sociedade, uma vez que todos, de uma forma ou
de outra, estão inseridos no mercado moderno e recebem a influência da sociedade englobante
(Wanderley, 2003).
O aspecto fundamental que se deve ter em conta ao analisar o conceito de agricultura
familiar é a consideração da capacidade de resistência e de adaptação dos agricultores aos novos
contextos económicos e sociais (Carvalho, 2011). Daí, urge a necessidade de não mais explicar a
presença de agricultores familiares na sociedade como uma simples reprodução do campesinato
tradicional, dado que se nota um processo de mudanças profundas que afectam a forma de
produzir a vida social dos agricultores bem como a própria importância da lógica familiar. Não
obstante, o agricultor familiar ainda permanece camponês na medida em que a família continua
sendo o objectivo principal que define as estratégias de produção e reprodução e a instância
imediata da decisão (Wanderley, 2003).
2.3 Distribuição e escoamento da produção hortícola no Vale do Tembwe
A produção hortícola no Vale do Tembwe, situada na província de Manica, Moçambique,
desempenha um papel vital na economia local, fornecendo alimentos essenciais e gerando renda
14
para os agricultores. A eficiência na distribuição e escoamento desses produtos é fundamental
para garantir a sustentabilidade e o crescimento desse setor agrícola.
O Vale do Tembwe, localizado no distrito de Gondola, na província de Manica, beneficia
de condições agro-climáticas desenvolvidas para a produção de hortícolas. A cidade de Chimoio,
capital provincial, serve como um ponto central para a comercialização desses produtos, devido à
sua localização estratégica ao longo da linha férrea e da Estrada Nacional nº 6. Essa posição
facilita o acesso aos mercados urbanos e regionais, promovendo a integração dos agricultores
locais na economia mais ampla.
2.3.1 Papel dos intermediários e transportadores no processo de comercialização
No processo de comercialização hortícola, intermediários e transportadores desempenham
papéis cruciais (Banco Mundial., 2010):
Intermediários: Atuam como agentes de ligação entre os produtores e os mercados,
facilitando a negociação, estabelecendo preços e garantindo que os produtos atendam aos
padrões exigidos pelos consumidores.
Transportadores: São responsáveis pelo deslocamento eficiente dos produtos desde as
áreas de produção até os pontos de venda, garantindo a integridade e o frescor dos
hortícolas. A qualidade do transporte influencia diretamente a satisfação do consumidor e
a competitividade no mercado.
2.4 Alternativas Logísticas para Mitigar os Impactos da Alta das Tarifas
O aumento das tarifas de transporte pode variar em termos de produtividade dos
produtores e de acessibilidade dos consumidores aos produtos hortícolas (Banco Mundial., 2010).
Para mitigar esses impactos, podem ser consideradas as seguintes alternativas logísticas (Banco
Mundial., 2010):
Parcerias Público-Privadas: Estabelecer colaborações entre governos locais e empresas
privadas para investir em infraestruturas de transporte, reduzir custos e melhorar a
eficiência logística.
Uso de Tecnologias Apropriadas: Implementar tecnologias de baixo custo, como
bicicletas de carga ou veículos leves, adaptadas às condições locais, para otimizar a
distribuição e reduzir despesas com combustível e manutenção.
15
Capacitação de Produtores e Transportadores: Oferecer treinamentos sobre práticas
agrícolas eficientes, gestão de cadeias de fornecimento e técnicas de negociação,
aumentando a competitividade e a sustentabilidade do setor hortícola.
16
CAPÍTULO II: METODOLOGIA
3.1. Descrição da área de estudo
3.1.1. Localização geográfica da área de estudo
3.2. Tipo de pesquisa
3.2.1. Quanto a abordagem
3.2.2. Quanto a objectivo
3.3. Métodos e procedimentos
Bibliográfico
Comparativo
Estatístico
3.4. Técnicas de colecta de dados
Entrevista
Questionário
Observação
3.5. População e amostra
População
Amostra
3.6. Processamento de dados
3.1. Procedimentos metodológicos da pesquisa
Esta fase trata de questões relacionadas com os procedimentos a utilizar para a recolha de
informação. Assim, este trabalho utilizará como instrumentos de recolha de informação as
consultas bibliográficas e a observação, as entrevistas e os inquéritos.
Para descrever as caraterísticas físico-geográficas do local de estudo, o autor utilizará o
método bibliográfico, bem como a observação direta (Camargo & Oliveira, 2014). No entanto, a
primeira técnica consistirá na utilização de material já publicado, constituído por livros e artigos
alguns disponíveis na internet, neste caso artigos relacionados com as diferentes ideias e
perceções sobre o impacto do aumento das tarifas de transporte no rendimento familiar.
Para identificar os impactos do aumento das tarifas de transporte no rendimento familiar
dos produtores de hortícolas no vale do Tembwe na cidade de Chimoio, o autor irá utilizar a
17
observação direta, que consistirá em ir ao campo, que se localiza no vale do Tembwe para
observar como os produtores de hortícolas têm vendido os seus produtos e como estes têm sido
transportados para os principais mercados da cidade, onde durante a observação será tida em
conta a situação atual e depois serão estudados os mecanismos adequados ao contexto para ajudar
a mitigar este problema.
Para a recolha de informação, o autor irá recorrer a entrevistas e inquéritos, que serão
dirigidos a todos os produtores de hortícolas do vale do Tembwe, de modo a perceber até que
ponto o aumento das tarifas dos transportes públicos pode estar a ter um impacto negativo no
rendimento das famílias. Em termos de estrutura, será utilizada uma entrevista semi-estruturada,
auxiliada por um guião de perguntas.
3.6. resultados esperados
Cronograma
orçamento
18
Cronograma
Actividade
Março 2025 Abril 2025 Maio 2025 Junho 2025
Desenho da proposta da
pesquisa
Trabalho de campo X
Tratamento de dados X X
Elaboração do relatório da X X
pesquisa
Entrega do relatório final da X
pesquisa
3.2 Cronograma de actividades
Fonte: autor (2025).
19
Referências bibliográficas
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