INSTITUTO MÉDIO POLITÉCNICO DE QUELIMANE
CURSO TÉCNICO DE MEDICINA GERAL
TMG – 11
CURSO: DIURNO
TRABALHO DE OFTALMOLOGIA
LESÕES OCULARES (TRAUMA) DISTÚRBIOS DA PÁLPEBRA E GLÂNDULAS
LACRIMAIS (HOLDEOLO)
Quelimane
2025
Nomes:
MANUEL CASIMIRO
MÁRCIA JUMA
MATEUS CAETANO
NEIDE FRANCISCO
NASSOLO FALUME
LESÕES OCULARES (TRAUMA) DISTÚRBIOS DA PÁLPEBRA E GLÂNDULAS
LACRIMAIS (HOLDEOLO)
Trabalho de de carácter avaliativo a ser
apresentado no Instituto Médio Politécnico
De Moçambique, na cadeira de oftamologia
Docente: Celso Gil Impeua
Quelimane
2025
Índice
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................6
2. LESÕES OCULARES (TRAUMA) DISTÚRBIOS DA PÁLPEBRA E GLÂNDULAS
LACRIMAIS (HOLDEOLO) ......................................................................................................7
2.1. Trauma ocular ...................................................................................................................7
2.1.1. Etiologia .....................................................................................................................7
2.1.2. Trauma Ocular de Causa Química ..............................................................................8
[Link]. Quadro Clínico.....................................................................................................8
[Link]. Complicações.......................................................................................................8
[Link]. Diagnóstico ..........................................................................................................8
[Link]. Conduta ...............................................................................................................9
2.2. Distúrbios das Pálpebras e Glândulas Lacrimais ................................................................9
2.2.1. Etiologia .....................................................................................................................9
2.2.2. Quadro Clínico ......................................................................................................... 10
2.2.1. Conduta .................................................................................................................... 10
2.3. Dacriocistite.................................................................................................................... 10
2.3.1. Etiologia ................................................................................................................... 10
2.3.2. Quadro Clínico ......................................................................................................... 11
2.3.3. Diagnóstico .............................................................................................................. 11
2.3.4. Diagnóstico Diferencial ............................................................................................ 11
2.3.5. Conduta .................................................................................................................... 11
2.4. Hordéolo (ou Terçolho) .................................................................................................. 11
2.4.1. Etiologia ................................................................................................................... 12
2.4.2. Quadro Clínico ......................................................................................................... 12
2.4.3. Diagnóstico .............................................................................................................. 12
[Link]. Diagnóstico Diferencial...................................................................................... 12
2.4.4. Conduta .................................................................................................................... 13
2.5. Calázio ........................................................................................................................... 13
2.5.1. Etiopatogenia ........................................................................................................... 14
2.5.2. Quadro Clínico ......................................................................................................... 14
2.5.3. Diagnóstico .............................................................................................................. 14
[Link]. Diagnóstico Diferencial...................................................................................... 14
2.5.4. Conduta .................................................................................................................... 15
3. CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 17
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 18
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como tema “Lesões oculares (trauma) distúrbios da pálpebra e
glândulas lacrimais (holdeolo)”. De antemão, o trauma ocular é um termo abrangente que se
refere a qualquer lesão que afecte as diversas partes do olho e suas estruturas adjacentes. Essas
lesões podem impactar o globo ocular em sua totalidade, a cavidade orbitária, a conjuntiva, a
córnea, as pálpebras e outras áreas relacionadas. Os traumas oculares podem resultar de diversas
causas, incluindo acidentes, agressões, esportes ou exposição a substâncias químicas.
Esses traumas são significativos não apenas pela dor e desconforto que causam, mas também
pelo risco elevado de consequências sérias, como a cegueira unilateral. De fato, os traumas
oculares representam uma das causas mais comuns de perda de visão em um único olho. A
gravidade das lesões pode variar desde arranhões superficiais na córnea até perfurações
profundas que comprometem gravemente a integridade do olho.
A identificação imediata e o tratamento adequado dos traumas oculares são cruciais para
prevenir complicações a longo prazo e preservar a visão. É essencial que qualquer sinal de lesão
ocular, como dor intensa, alteração na visão ou sangramento, seja avaliado por um profissional
de saúde qualificado sem demora.
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2. LESÕES OCULARES (TRAUMA) DISTÚRBIOS DA PÁLPEBRA E GLÂNDULAS
LACRIMAIS (HOLDEOLO)
2.1. Trauma ocular
O trauma ocular é um termo geral que designa uma lesão que pode afectar diferentes partes do
olho, incluindo o globo ocular na sua totalidade, a cavidade orbitária, a conjuntiva, a córnea, as
pálpebras e estruturas adjacentes. Essas lesões podem ocorrer devido a diversos factores e
representam uma causa comum de cegueira unilateral. A gravidade do trauma pode variar
significativamente, exigindo uma avaliação médica imediata para evitar complicações graves e
preservar a
2.1.1. Etiologia
As causas de traumas oculares são diversas e podem ser classificadas nas seguintes categorias:
Trauma por corpos estranhos: Este tipo de trauma ocorre quando objectos estranhos
entram em contacto com o olho, resultando em lesões da conjuntiva e da córnea. Esses
casos podem exigir intervenções para a remoção do corpo estranho e tratamento das
lesões causadas.
Trauma por corpo estranho penetrante: Este é um tipo mais grave de trauma, onde um
objeto afiado ou pontiagudo, como um lápis, penetra no olho. Esse tipo de lesão é
considerado uma emergência médica e requer atendimento imediato para evitar danos
permanentes à visão.
Lacerações e contusões: Essas lesões podem resultar de quedas, brigas ou práticas
esportivas. Elas podem afetar a pálpebra ou o bulbo ocular. A contusão do bulbo ocular é
uma emergência que deve ser tratada rapidamente para prevenir complicações.
Queimaduras: As queimaduras oculares podem ser causadas por contato com água ou
líquidos quentes (queimaduras térmicas) ou por substâncias químicas (queimaduras
químicas). Quando as queimaduras envolvem a conjuntiva e a córnea, elas são
consideradas emergências que necessitam de tratamento imediato.
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Essas categorias ajudam a entender a variedade de situações que podem levar a traumas oculares
e a importância de uma resposta rápida e eficaz para minimizar os danos.
2.1.2. Trauma Ocular de Causa Química
O trauma ocular de causa química ocorre quando substâncias químicas entram em contato com o
olho e suas estruturas, geralmente de forma acidental. Essas substâncias podem ser classificadas
em dois tipos principais: básicas e ácidas. Os danos causados variam conforme a natureza do
agente químico. No caso das substâncias básicas, elas tendem a penetrar mais profundamente nos
tecidos oculares, causando danos progressivos. Já as substâncias ácidas provocam lesões mais
superficiais, limitando o alcance do dano. Ambas as situações resultam em queimaduras nos
tecidos oculares, sendo necessário um tratamento rápido e eficiente para evitar complicações
graves.
[Link]. Quadro Clínico
Quando o olho entra em contato com uma substância química, o paciente geralmente sente uma
dor intensa imediatamente. Essa dor é acompanhada por blefaroespasmo, que é o espasmo
involuntário dos músculos das pálpebras, impedindo o paciente de abrir o olho. Além disso, pode
ocorrer hiperemia conjuntival (vermelhidão na conjuntiva) e hemorragia conjuntival
(sangramento nos vasos sanguíneos da conjuntiva), dependendo da gravidade e profundidade da
queimadura. Esses sintomas podem variar conforme a natureza e a intensidade da substância
química envolvida.
[Link]. Complicações
Se o tratamento não for iniciado de maneira imediata, as consequências podem ser graves. Em
casos de queimaduras extensas, pode ocorrer a perfuração do globo ocular, o que pode resultar
em perda permanente de visão parcial ou total. Além disso, o trauma químico pode causar
malformações permanentes na pálpebra afetada, comprometendo tanto a estética quanto a
funcionalidade do olho. Por isso, a intervenção precoce é fundamental para minimizar os danos e
as complicações.
[Link]. Diagnóstico
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O diagnóstico do trauma ocular químico baseia-se em uma avaliação detalhada, que inclui a
história clínica do paciente (como o tipo de substância envolvida e o tempo de exposição) e um
exame físico completo do olho e das estruturas adjacentes. A avaliação detalhada permite
determinar a gravidade da lesão e orientar o tratamento adequado.
[Link]. Conduta
A conduta para o tratamento do trauma ocular químico deve ser imediata, pois trata-se de uma
emergência médica. O primeiro passo é a irrigação abundante do olho com água estéril ou soro
fisiológico, utilizando uma grande quantidade (vários litros) por no mínimo 30 minutos. Antes da
irrigação, se possível, deve-se anestesiar o olho com proparacaina 1% para minimizar o
desconforto. A irrigação pode ser realizada com uma seringa conectada a um cateter intravenoso,
o qual deve ser colocado logo acima da superfície conjuntival. Além disso, é importante
administrar gotas de atropina 1% para controlar a dor, com 1 gota a cada 8-12 horas até que a dor
desapareça. Caso apareçam secreções ou material durante a irrigação, ele deve ser removido com
um cotonete estéril. Após a irrigação, deve-se aplicar uma pomada antibiótica local, como a
tetraciclina oftálmica, para prevenir infecções. Em casos de dor intensa, pode-se administrar
codeína 30-60 mg por via oral em dose única para controle da dor. Após as primeiras medidas, é
crucial encaminhar o paciente para atendimento especializado ou para um centro de maior
complexidade para um acompanhamento adequado e possível tratamento adicional.
2.2. Distúrbios das Pálpebras e Glândulas Lacrimais
Patologias do Aparelho Lacrimal: Obstrução do Canal Lacrimonasal
A obstrução do canal lacrimonasal, conhecida como dacriostenose, é uma condição que afecta o
sistema de drenagem das lágrimas, resultando em problemas significativos para o paciente. Essa
obstrução pode levar a um acúmulo de lágrimas e, consequentemente, a um aumento da pressão
e da inflamação na região do saco lacrimal.
2.2.1. Etiologia
As causas da dacriostenose variam e podem incluir malformações congênitas que afetam o
desenvolvimento normal do sistema lacrimal. Além disso, infecções, frequentemente causadas
por Staphylococcus aureus, podem surgir como consequência de infecções nasais crônicas ou
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conjuntivites. Outro fator que pode contribuir para a obstrução é um trauma no septo nasal ou
nos ossos da face, que pode causar uma obstrução mecânica ao fluxo normal das lágrimas.
2.2.2. Quadro Clínico
Os sintomas clínicos da obstrução do canal lacrimonasal são bastante semelhantes aos da
dacriocistite. Os pacientes podem apresentar lacrimação excessiva devido à incapacidade das
lágrimas de drenar adequadamente. Isso pode levar a uma inflamação e infecção no ducto
lacrimal, resultando em sinais como dor, vermelhidão e inchaço na área do saco lacrimal. Além
disso, a presença de secreção purulenta e desconforto ocular são comuns, refletindo a inflamação
associada à obstrução.
2.2.1. Conduta
O tratamento para a dacriostenose é predominantemente cirúrgico, pois é necessário desobstruir
o canal lacrimonasal para restaurar o fluxo normal das lágrimas. Assim, é fundamental que o
clínico identifique a condição e encaminhe o paciente a um especialista em oftalmologia para
avaliação e intervenção adequada. A cirurgia pode envolver procedimentos como a
dacriocistorinostomia, que cria uma nova via de drenagem para as lágrimas, aliviando os
sintomas e prevenindo complicações futuras.
2.3. Dacriocistite
A dacriocistite é uma infecção que afeta o saco lacrimal, frequentemente resultante da obstrução
do ducto lacrimonasal. Essa condição pode ocorrer tanto em adultos quanto em crianças, sendo
mais comum em recém-nascidos devido à sua anatomia e ao desenvolvimento incompleto do
sistema lacrimal.
2.3.1. Etiologia
Os agentes causais da dacriocistite podem variar conforme a forma da infecção. Na dacriocistite
aguda, os patógenos mais frequentemente identificados são o Staphylococcus aureus e os
estreptococos beta-hemolíticos. Já na forma crônica da doença, os agentes causais incluem
Staphylococcus epidermidis, estreptococos anaeróbicos e, em alguns casos, o fungo Candida
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albicans. A presença desses microrganismos leva à inflamação e à infecção do saco lacrimal,
exacerbando os sintomas clínicos.
2.3.2. Quadro Clínico
Os sinais e sintomas da dacriocistite incluem dor, hiperemia (vermelhidão) e edema na região do
saco lacrimal, que é a área da pele adjacente ao canto interno do olho. Os pacientes geralmente
apresentam lacrimação abundante e podem ter conjuntivite associada, com sinais de infecção na
mucosa palpebral. A febre é um sintoma comum em casos agudos, e muitas vezes há presença de
pus no olho. Em casos de dacriocistite crônica, a apresentação pode ser menos intensa, com
apenas uma tumefação visível na área do saco lacrimal, sem dor ou sinais evidentes de infecção
aguda.
2.3.3. Diagnóstico
O diagnóstico de dacriocistite é realizado através de exame físico detalhado. O profissional de
saúde observará os achados clínicos mencionados anteriormente, como dor localizada, inchaço e
hiperemia no canto interno do olho. A história clínica do paciente também é importante para
identificar a duração dos sintomas e possíveis episódios anteriores.
2.3.4. Diagnóstico Diferencial
É crucial diferenciar a dacriocistite de outras condições oculares, como a conjuntivite. Na
conjuntivite, há hiperemia conjuntival e secreções purulentas se a origem for bacteriana; no
entanto, não há edema significativo ou dor na área do canto nasal do olho, características que
ajudam a distinguir entre as duas condições.
2.3.5. Conduta
O tratamento da dacriocistite envolve a administração de antibióticos para combater a infecção.
Um regime comum inclui Amoxicilina (500 mg) combinada com ácido clavulânico (125 mg),
administrados por via oral na dose de 1 comprimido três vezes ao dia durante 7 dias. É
fundamental seguir as orientações médicas para garantir a resolução adequada da infecção e
prevenir complicações.
2.4. Hordéolo (ou Terçolho)
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O hordeolo, também conhecido popularmente como terçol, terçolho ou viúvo, é uma infecção
aguda caracterizada pela formação de um abscesso nas glândulas das pálpebras. Pode ocorrer nas
glândulas de Zeis, resultando no chamado hordéolo externo, ou na glândula de Meibomius, o que
é mais raro e resulta no hordéolo interno. A infecção geralmente é localizada e pode ser dolorosa,
aparecendo como um nódulo na borda da pálpebra.
2.4.1. Etiologia
A principal causa do hordeolo é a infecção secundária causada pela bactéria Staphylococcus
aureus. Esse patógeno infecta as secreções das glândulas, que ficam estagnadas nos ductos das
glândulas, favorecendo o desenvolvimento da infecção. Essa infecção pode ocorrer devido à
obstrução dos ductos das glândulas de Zeis ou de Meibomius.
2.4.2. Quadro Clínico
O quadro clínico do hordeolo é típico de uma inflamação aguda. O paciente desenvolve um
nódulo hiperêmico, edematoso e doloroso, com a pele da pálpebra afetada geralmente quente ao
toque. O nódulo, comumente centrado na base de um cílio, é geralmente único e unilateral, mas
pode ocorrer de forma bilateral ou com múltiplos nódulos coexistindo. A evolução do hordeolo
segue com a maturação do abscesso e, eventualmente, ocorre uma drenagem externa espontânea.
No caso do hordéolo interno, a inflamação pode evoluir para um calázio, uma condição crônica
caracterizada por um nódulo endurecido e sem dor. Embora rara, a infecção pode se espalhar
para os tecidos adjacentes, resultando em uma celulite pré-orbital ou pré-septal, que é uma
infecção mais grave das camadas superficiais da pele ao redor dos olhos.
2.4.3. Diagnóstico
O diagnóstico do hordeolo é realizado por meio de um exame físico detalhado das pálpebras,
observando os sinais típicos da infecção, como o nódulo doloroso, a hiperemia e o edema da área
afetada. O médico também pode palpar a área para verificar a presença do abscesso ou a eventual
drenagem do conteúdo.
[Link]. Diagnóstico Diferencial
12
É importante diferenciar o hordeolo de outras condições que podem apresentar sintomas
semelhantes, como o calázio e a celulite pré-orbital:
Calázio: Ao exame físico, o calázio se apresenta como um nódulo firme, fixo e indolor,
localizado mais internamente na pálpebra, ao contrário do hordeolo, que se localiza na
borda da pálpebra e é doloroso.
Celulite pré-orbital: Ao contrário do hordeolo, a celulite pré-orbital provoca edema
difuso em toda a pálpebra e não se limita a uma área de nódulo.
2.4.4. Conduta
A maioria dos casos de hordeolo cura-se de forma espontânea em um período de 1 a 2 semanas.
No entanto, o tratamento pode ser realizado para aliviar os sintomas e acelerar a recuperação. A
principal conduta é a higiene das pálpebras, o que envolve lavar cuidadosamente o olho afetado e
remover eventuais secreções acumuladas. Além disso, é recomendado o uso de compressas
mornas e úmidas, aplicadas sobre o nódulo, para ajudar na drenagem e reduzir a inflamação. O
paciente também deve realizar massagens leves na lesão por cerca de 10 minutos, quatro vezes
ao dia, até que ocorra a drenagem espontânea do abscesso.
Se o abscesso romper e drenar, ou caso haja uma conjuntivite associada, a aplicação de uma
pomada antibiótica é necessária para evitar a infecção de outras estruturas oculares. O antibiótico
recomendado é a bacitracina, e, em caso de conjuntivite associada, deve-se aplicar pomada
oftálmica de tetraciclina 4 vezes ao dia por 3 a 4 dias.
Em situações mais graves, como a celulite pré-orbital, que é uma complicação rara, o tratamento
inclui a administração de antibióticos por via oral, como amoxicilina e ácido clavulânico, para
combater a infecção de forma mais ampla e evitar a propagação da infecção para áreas mais
profundas.
2.5. Calázio
O calázio é uma inflamação crônica das glândulas de Meibomius ou de Zeis, localizadas nas
pálpebras. Diferentemente do hordéolo, o calázio não é uma infecção bacteriana, mas uma
inflamação granulomatosa que ocorre como resposta à retenção das secreções nas glândulas.
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Ocorre frequentemente após a obstrução do orifício das glândulas ou como uma sequela de um
hordéolo interno não tratado.
2.5.1. Etiopatogenia
O calázio pode surgir espontaneamente após a obstrução do ducto das glândulas de Meibomius
ou de Zeis. Quando o ducto fica bloqueado, as secreções da glândula se acumulam, gerando uma
resposta inflamatória granulomatosa. O calázio também pode ser uma complicação de um
hordéolo interno, quando a inflamação não é resolvida de forma adequada e se transforma em
uma lesão crônica.
2.5.2. Quadro Clínico
Inicialmente, o paciente pode relatar um desconforto ou sensação de peso na pálpebra afetada,
seguido por um período de inflamação aguda e edema. Com o tempo, desenvolve-se um nódulo
duro, fixo e não doloroso na parte tarsal da pálpebra. O nódulo é geralmente único, embora
raramente possa ser múltiplo. As pálpebras superiores são mais frequentemente afetadas, uma
vez que as glândulas de Meibomius, responsáveis pela secreção de lipídios nas lágrimas, estão
presentes em maior número nesta região. O calázio pode crescer lentamente ao longo do tempo,
mas, diferentemente do hordéolo, não é doloroso nem apresenta sinais de infecção aguda.
2.5.3. Diagnóstico
O diagnóstico do calázio é feito principalmente por meio da inspeção da pálpebra afetada. A
avaliação pode ser complementada com a manobra de eversão palpebral, onde o clínico examina
a parte interna da pálpebra para identificar o nódulo. A caracterização do nódulo como firme,
não doloroso e localizado na parte interna da pálpebra ajuda a confirmar o diagnóstico.
[Link]. Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico diferencial do calázio deve incluir várias condições que apresentam sintomas
semelhantes:
Hordéolo: O nódulo do hordéolo é mole e doloroso, com sinais claros de inflamação
aguda, ao contrário do calázio, que é indolor e crônico.
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Celulite pré-orbital: A celulite pré-orbital causa um edema difuso em toda a pálpebra,
enquanto o calázio está restrito a um nódulo localizado.
Celulite orbital: A celulite orbital é uma infecção grave que causa edema generalizado,
dor ocular, redução dos movimentos oculares e febre, sendo mais séria que o calázio.
Sarcoma de Kaposi nas pálpebras: Nesse caso, não há sinais de inflamação, e o nódulo
pode ser mais vermelho ou violáceo.
Dacriocistite/obstrução do ducto lacrimonasal: Apresenta sinais inflamatórios no saco
lacrimal e não na pálpebra.
Tracoma: O tracoma pode causar formação de pano e papilas nas pálpebras, diferindo do
calázio, que é apenas um nódulo localizado.
2.5.4. Conduta
O tratamento do calázio visa aliviar os sintomas e promover a resolução do nódulo. As principais
medidas incluem:
Higiene das pálpebras: Lavar cuidadosamente o olho afetado e remover qualquer
secreção acumulada.
Compressas mornas e úmidas: Aplicar compressas sobre o nódulo por 10-15 minutos,
duas vezes ao dia, para ajudar na drenagem da secreção.
Massagem da pálpebra: Realizar uma massagem suave sobre o nódulo com o dedo
indicador por cerca de 10 minutos, quatro vezes ao dia, para promover a drenagem da
glândula obstruída.
Gotas de hidrocortisona (0,5%-1%): Aplicar 1 gota quatro vezes ao dia até o calázio
desaparecer, para reduzir a inflamação e a resposta granulomatosa.
Caso haja sobreinfecção bacteriana, é necessário o uso de pomada antibiótica local, como
tetraciclina oftálmica ou cloranfenicol oftálmico. Em casos mais graves, pode ser indicada a
administração de doxiciclina 100mg por via oral, uma dose diária por 10 dias.
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Se o calázio for resultado de um hordéolo interno, o tratamento do hordeolo deve ser seguido,
incluindo o uso de pomada de cortisona para reduzir a inflamação crônica e promover a
resolução da obstrução.
O tratamento do calázio envolve medidas conservadoras, como higiene das pálpebras,
compressas mornas, massagem e, se necessário, o uso de medicamentos tópicos ou orais. A
monitorização do paciente é importante para evitar complicações ou evolução para uma infecção
mais grave.
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3. CONCLUSÃO
Após a realização deste trabalho, conclui-se que, trauma ocular é um termo abrangente que se
refere a qualquer lesão que afecte as diversas partes do olho e suas estruturas adjacentes. Essas
lesões podem impactar o globo ocular em sua totalidade, a cavidade orbitária, a conjuntiva, a
córnea, as pálpebras e outras áreas relacionadas. Os traumas oculares podem resultar de diversas
causas, incluindo acidentes, agressões, esportes ou exposição a substâncias químicas. Esses
traumas são significativos não apenas pela dor e desconforto que causam, mas também pelo risco
elevado de consequências sérias, como a cegueira unilateral. De fato, os traumas oculares
representam uma das causas mais comuns de perda de visão em um único olho. A gravidade das
lesões pode variar desde arranhões superficiais na córnea até perfurações profundas que
comprometem gravemente a integridade do olho. A identificação imediata e o tratamento
adequado dos traumas oculares são cruciais para prevenir complicações a longo prazo e
preservar a visão. É essencial que qualquer sinal de lesão ocular, como dor intensa, alteração na
visão ou sangramento, seja avaliado por um profissional de saúde qualificado sem demora.
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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Manual de Técnico de Medicina Geral (TMG). Otorrinolarngologia, oftalmologia e
estomatologia. Ministério da Saúde, 2012.
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