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Tempestade de Medos e Conflitos Internos

Em uma tempestade sombria, Stefersom e seus amigos se encontram em uma situação aterradora, onde Henrique, um antigo aliado, os controla e os atormenta com seus medos. Isabela, armada com a Excalibur, enfrenta Henrique em uma batalha intensa, determinada a proteger seus amigos e derrotar a escuridão. Após um confronto feroz, Isabela consegue vencer Henrique, mas a luta ainda não acabou, deixando um futuro incerto à frente.

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Daniel Sharon
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Tempestade de Medos e Conflitos Internos

Em uma tempestade sombria, Stefersom e seus amigos se encontram em uma situação aterradora, onde Henrique, um antigo aliado, os controla e os atormenta com seus medos. Isabela, armada com a Excalibur, enfrenta Henrique em uma batalha intensa, determinada a proteger seus amigos e derrotar a escuridão. Após um confronto feroz, Isabela consegue vencer Henrique, mas a luta ainda não acabou, deixando um futuro incerto à frente.

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As nuvens se agruparam e deslizavam entre si como se

estivessem sendo conjuradas para uma grande batalha, tão


concentradas e expressivas quanto uma pintura Expressionista do
século XX. Uma tempestade de raios chicoteava o Rio de Janeiro,
as ruas estavam vazias e frias, não se via carros ou luzes. Era tudo
apenas escuridão, trevas sem fim. Stefersom não entendia como
tinha chegado até ali, suas memórias eram confusas e
desconexas, era como se de uma hora para outra fora inserido ali
sem nenhuma explicação prévia.

Andou alguns metros pelo asfalto ao som do uivo cortante do


vento que sacudia suas vestes e os cabelos grisalhos, os
comércios eram apenas borrões, escondidos por uma penumbra
que não podia ser penetrada pela sua vista. Depois de alguns
minutos ouvindo apenas o eco de seus passos e o forte vento
pôde observar que não estava sozinho naquele abismo sombrio:
Isabela, Catarina e Pedro, silhuetas conhecidas, estavam
pouquíssimos metros à sua frente, alheios a sua presença.

Percebeu que havia algo de muito errado acontecendo ao


observar pela leve penumbra Catarina se contorcer, como se uma
corrente elétrica atravessasse seu corpo, movimentos
serpenteantes e frenéticos que logo perturbaram toda sua alma.
Ela se movimentava incomodada, seja lá o que quisesse fazer, ela
não conseguia, o vento ainda uivava pelas ruas desertas e alguns
fortes raios estremeciam a terra. A agonia de Catarina pareceu
contagiar todo o grupo, que um de cada vez pareceu ser tomado
pela crise, eles se remexiam de forma irracional e violenta, mas
algo atormentou ainda mais Stefersom, que sentia o coração
bater por todo o corpo, incapaz de falar ou se expressar: eles não
falavam. Não emitiam nenhum som. Raios, vento e um debater
de corpos pelo eco do ar. Stefersom deu um passo silencioso à
frente, os olhos cinzentos e franzidos tentavam capitar alguma
informação, algo que fizesse sentido ao comportamento
assustador.
Assim que conseguiu analisar o rosto de todos eles, teve seu
corpo invadido por profunda agonia, suas mãos tremeram e os
olhos se arregalaram, todos eles estavam com as bocas
costuradas em fios de carne grotescas, o que fez sua espinha
gelar mais de uma vez. Antes de qualquer reação um forte raio
partiu o céu e explodiu em uma loja ao lado, obliterando os
vidros e qualquer tipo de vida que poderia estar ali. Uma aura
fria e penetrante envolveu a rua e todos se arrepiaram da cabeça
aos pés.

— Finalmente consegui calar a boca de vocês. — Henrique sorriu


enquanto caminhava para fora da loja obliterada. Os olhos
cintilavam em vermelho sangue pela densa neblina. — Nunca fui
bom em costura, mas devo reconhecer que vocês ficaram bem
melhores com a boca fechada. — Ele gargalhou e um trovão
ecoou pelos céus, como se estivesse concordando. — Ou melhor,
com a boca costurada.

— O que você fez com eles? — Stefersom cerrou os punhos e o


Coração Lápis Lazuli brilhou por detrás de sua camisa branca. —
Respirou fundo e corrigiu a postura, escondendo toda a tensão
que percorria seus músculos, os olhos se tornaram ferozes e as
mãos cessaram em tremer.

— Stef, seus poderes não funcionam aqui. — O artefato de


Stefersom se apagou e ele arfou, os olhos cinzentos incrédulos,
um vácuo invadiu seu peito. O vento gelado sacudiu seus cabelos
grisalhos, agora mais forte que nunca. Uma sensação
esmagadora percorreu todo o seu corpo, fazendo o estômago
revirar. Seus instintos mais primitivos gritaram em alerta e algo
ainda mais opressor se instaurou no ar, como se o próprio
ambiente rejeitasse aquela figura maligna.
Parecia que não era só o Coração Lápis Lazuli que havia sido
afetado por Henrique, a Excalibur de Isabela tornou-se
enferrujada, como uma sucata qualquer. O Colar Sangue de Anjo
de Pedro não cintilava o seu poder, não pulsava sua vida. O Anel
Merlin de Catarina havia se partido ao meio. Eles estavam
indefesos. Apenas humanos contra essa força devastadora.
— Digamos que neste contexto vocês estão absolutamente sob o
meu controle. Mais insignificantes que formigas. — Ele sorriu. Os
cabelos cor de mel encaracolados se agitaram com o ímpeto do
vento.

— O mal repentino que infectou seu coração parece ter


dominado todo o seu ser. Você... um valente guardião... Como
pôde sucumbir a tamanha escuridão? — A gravidade se tornou
forte demais e Stefersom caiu de joelhos, impotente. Como se
tivesse sido obrigado. Em sua retaguarda, os impotentes
guardiões tentaram se aproximar de seu líder, mas um violento
raio explodiu no espaço entre eles, e uma cratera abismal partiu
o asfalto, pondo-os em uma gigantesca distância, mesmo que
poucos metros os separassem.

— Oh, Stef. — Henrique se aproximou e acariciou aqueles


cabelos grisalhos como se fossem de um cachorro de rua. — Eu
sou o salvador deste mundo hipócrita. Quero que nossos
amiguinhos vejam a verdade. Principalmente a verdade sobre
você.

Henrique estalou os dedos e sorriu. As densas nuvens foram


atraídas para a superfície e envolveram os guardiões, agora
sabiam com certeza que tudo naquele lugar estava literalmente
sob o domínio do antigo aliado. Não era possível correr, gritar...
apenas lágrimas escorridas, tremores e arrepios. Foram tomados
por uma espécie de hipnose por de dentro daquele tornado de
sombras, e então viram. Assistiram ao que parecia ser seus
maiores medos. Possuídos por aquilo que assombram a todos, as
verdades sobre nós mesmos que não contamos para ninguém,
que fingimos esquecer para poder continuar.

— Agora diga em voz alta seu maior medo, Stefersom. —


Henrique disse palavra por palavra, um olhar como de uma
astuta serpente.

— Eu... — Stefersom parecia lutar com todas suas forças contra


aquele controle mental. As veias saltavam por detrás daquela
nuvem escura. — Eu tenho medo de que todos descubram a
verdade. — Cuspiu as palavras sem poder resistir.

— Você é o maior dos hipócritas, Stef. — Cantarolou sorrindo. —


Antes de destruir todos vocês, vou provar pros seus queridos
guardiões quem você é. Você vai morrer sem amigos e sem
ninguém para chorar sobre seu cadáver. Eu estarei de pé na sua
frente e vou sorrir quando retirar o Coração Lápis Lazuli do seu
peito. E então só te sobrará a escuridão eterna.
Uma forte luz rompeu os céus sobrepujando toda a escuridão e
vestígio de sombras, a tempestade se desfez como um pequeno
redemoinho feito em piscinas infantis, dando lugar a uma
claridade tão radiante que queimava os olhos a um simples olhar.
O vento gelado pareceu ser sugado para dentro da fissura.
Henrique franziu a testa e sentiu esvair sua energia para algum
lugar, se distraiu com aquela fresta que rasgava os céus. Ele
temeu.

— Acho que seus truques acabaram perdendo poder. —


Henrique distraído pelo fim repentino de sua aura de horror não
pôde reagir quando Isabela lhe acertou um perfeito soco na
bochecha. Os cabelos loiros pareciam estar ainda mais vivos e
amarelos, o sol começava a brilhar realçando ainda mais os raros
olhos heterocromáticos verde e azul e a Excalibur intacta em sua
mão, se alimentando da energia do sol.

A Excalibur reluzia uma fraca luz que começava a ganhar cada vez
mais intensidade, sua lâmina reluzente capturando a luz que
dançava no ambiente. A empunhadura era adornada com
entalhes intricados, cada detalhe contando uma história
desconhecida de grandeza e honra. O cabo, envolto em couro
fino, oferecia uma aderência firme e confortável, enquanto a
guarda da espada brilhava como ouro polido, refletindo a pureza
de seu propósito sagrado, combater a escuridão desse mundo.
Sua lâmina resplandecia como uma estrela cadente, cortando o
ar com um brilho celestial. Seu fio afiado era uma promessa de
proteção e justiça, enquanto seu peso na mão de Isabela era um
lembrete constante de sua responsabilidade como guardiã da luz.
Cada vez que empunhava a Excalibur, Isabela sentia-se conectada
às lendas do passado, aos cavaleiros valentes que haviam
empunhado essa mesma espada em nome da justiça e da
verdade. Era mais do que uma simples arma; era um símbolo de
sua coragem, de sua determinação em enfrentar as trevas que
ameaçavam consumir seus amigos vivos.

Alguns metros distante, Henrique se levantou e sacudiu a roupa.


O semblante vitorioso e de arrogância imensurável de instantes
atrás havia sumido. Fitou Isabela enquanto sacudia a calça clara
suja de lama. A cratera que separava a rua não foi capaz de
conter aquela pequena intitulada cavaleira.

— Isabela. — Segurou o queixo como se algo tivesse se


quebrado. — Eu tinha um lugar para você ao meu lado, mas
assim como todos, você virou as costas para mim. Eu vi todos os
seus medos. Eu te mostrei a sua morte. Por que ainda resiste em
lutar contra mim? — Ele falava pausadamente, e então estendeu
a mão, esperando que Isabela lhe correspondesse. — Você não
os ama, é apenas uma órfã carente. — Ele sorriu e notou que
agora tudo estava claro e ensolarado, exceto o seu manto
espectral sombrio. — Você irá morrer se continuar fingindo que
ama esses idiotas. — Desviou os olhos para os guardiões
inconscientes no asfalto que aquecia com o resplendor do sol.

— Existe prova de amor maior do que aquele que enfrenta a


morte para salvar os seus amigos?

— Belas palavras, ditas por um grande homem, suponho.


Isabela então acelerou seus passos até que se tornassem uma
corrida de rumo a Henrique, o traidor que uma vez fora seu
aliado, agora mergulhado nas sombras do mal que o consumiam.
Com a Excalibur em punho, ela se preparou mentalmente para o
embate que lhe esperava, determinada a proteger aqueles que
amava e ainda derrotar a escuridão que ameaçava engolfar todo
o mundo.
Henrique, envolto em um manto de sombras, avançava com
passos silenciosos e sinistros. Seu poder era formidável, uma
manifestação da própria escuridão que se erguia contra Isabela.
Suas mãos tornaram-se garras afiadas, capazes de dilacerar a
própria essência da luz.
A batalha começou com um estrondo ensurdecedor, as lâminas
se chocando com uma ferocidade avassaladora. Isabela se lançou
para frente, sua espada brilhando como um farol na escuridão,
enquanto Henrique retaliava com golpes rápidos e letais
utilizando aquelas garras sombrias, suas sombras se contorcendo
e dançando ao redor dele como serpentes venenosas que davam
botes precisos na guardiã enquanto tentava se defender das
garras. Era uma clara desvantagem, Isabela foi forçada a recuar
quando um tentáculo de sombras atingiu seus braços com
precisão.
Henrique sorriu e cruzou os braços, o manto espectral o
suspendeu ao ponto de não precisar mais das pernas para se
locomover, se assemelhando a uma viúva-negra assassina. Os
braços de Isabela estavam ensanguentados e com uma estranha
vascularização negra, mas ela não tinha tempo para se preocupar
com isso, apenas focou em canalizar toda a sua determinação e
coragem na luta, sua mente apenas direcionada em derrotar seu
inimigo e proteger aqueles que amava, sem dar espaço para o
medo ou a dor. Ela tentou mais uma vez, a Excalibur cortou o ar
com um zumbido agudo, deixando rastros de luz em seu rastro,
enquanto ela avançava implacavelmente contra as sombras que a
cercavam.
Henrique ria, um som sinistro e cheio de malícia, enquanto seus
ataques se intensificavam em ferocidade e poder. As sombras
mais uma vez torciam e se contorciam ao seu redor, tentando
enredar Isabela em sua teia de escuridão. Ela não resistiria por
muito tempo.
— Eu sou o fim de todos vocês. — Havia retornado sua confiança.
No entanto, Isabela não recuava, não importava o quão forte
Henrique havia se tornado.
Isabela sentiu uma forte energia quente irradiar de dentro de seu
coração, se alimentando de toda sua raiva, dor e medo. Aquele
sentimento a revestiu como um armadura invisível e ela sentiu
uma força além de sua compreensão. Com um grito de
determinação, ela lançou-se para a frente, com sua espada
cortando através das sombras com um brilho ardente. Uma
explosão de luz irrompeu no ar e o seu olho azul pareceu brilhar
ainda mais forte que o verde.
— Aurora? — Henrique arregalou os olhos e se afastou, suas
sombras se esconderam, e o manto de escuridão se desfez. Sua
voz vacilou. — Senhora da... — Não conseguiu concluir sua fala,
um pânico instaurado em seu tom de voz.
— Você não viverá o bastante para nos destruir, Henrique. —
Isabela apontou a Excalibur em sinal de ameaça para o antigo
companheiro.
E então, em um último golpe, Isabela lançou a Excalibur com
toda a sua força, sua lâmina cortando o ar com um brilho
deslumbrante. O golpe teria sido perfeito se Henrique não
tivesse desviado.
— Errou. — Ele suspirou, aliviado. — Por um momento te
confundi com uma velha amiga. — O golpe havia sido desferido
com tamanha violência, que a poderosa espada atravessou uma
árvore uns 10 metros atrás de Henrique.
— Eu nunca erro.
Em um movimento de dedos a Excalibur que estava fincada no
tronco, retornou furiosamente para a mão de Isabela, perfurando
as costas de Henrique e atingindo seu coração negro com uma
força avassaladora no caminho.
Um grito de agonia ecoou enquanto Henrique se desfazia em
sombras, sua forma desvanecendo-se no ar como fumaça ao
vento. Isabela caiu de joelhos, exausta mas triunfante, sua
espada brilhando como uma estrela cadente na escuridão.
E assim, a batalha chegava ao fim, deixando para trás apenas
seus amigos desacordados e a promessa de um novo amanhecer.
Isabela ergueu-se lentamente, sua respiração pesada e sua
mente clara. Ela sabia que a luta ainda não havia acabado, mas
por agora, ela havia vencido. E com a Excalibur em sua mão, ela
estava pronta para enfrentar qualquer desafio que o destino lhe
reservasse.

Um suspiro pesado e uma forte queimação no peito fizeram


Henrique gemer de dor. As sombras de seu manto estavam
descontroladas e pareciam sofrer ainda mais. Sua mão tremia e
um suor frio escorria pela sua testa. Ele observava atônito a
Isabela dormindo deitada em sua cama, aquela mesma que havia
o derrotado dentro de sua própria dimensão de pesadelos. Algo
em seu olhar brilhante o fizera lembrar de Aurora, mas era
impossível que ela estivesse ali. Dor e incompreensão dançavam
por seu olhar, ele não sabia o que pensar com clareza.

"Ela se tornou forte" pensou enquanto se equilibrava na porta da


sacada. Aquela dor infernal parecia perfurar sua alma.

"Ela nunca vai ser capaz de entender"

— Henrique? — Isabela sussurrou, fraca e assustada. — O que


você fez? — Estava debilitada demais para se levantar, estava
vulnerável, incapaz de se mexer. — Você estava... Como...? O
que... ?— Ela gaguejou. Confusão invadiu sua mente, era como
se estivesse em um episódio de paralisia do sono.

— Descanse, Isabela. Você lutou bem hoje. — Um sorriso


verdadeiro escorregou pelo canto da boca de Henrique.
Perdendo o controle de si mais uma vez, assistiu aquela coisa
entrar em sua mente após um breve período livre, foi quando
percebeu que a garota não só o incomodava. Ela o intimidava, ela
era capaz de o ferir.

Henrique então se tornou como uma nuvem negra e sumiu pela


sacada repentinamente. Pela luz do sol que começava a nascer
Isabela conseguiu notar algo incomum, suas veias ainda estavam
negras e ela estava em sua cama.
— Um sonho? — Sua carne queimou e ela percebeu que aquilo
em suas veias eram uma espécie de veneno. — Ele me feriu em
um sonho?.

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