Jurisprudência sobre Improbidade Administrativa
Jurisprudência sobre Improbidade Administrativa
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
RECURSOS REPETITIVOS
PROCESSO REsp 2.074.601-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.089.767-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.076.137-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.076.911-SP, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.078.360-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
DESTAQUE
Com base na redação original da Lei n. 8.429/1992, o Superior Tribunal de Justiça firmou
entendimento no sentido de que era desnecessária a demonstração de perigo de dano irreparável ou de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
risco ao resultado útil do processo para o deferimento do pedido de indisponibilidade de bens e que a
medida poderia abranger o valor de eventual multa civil (Temas 701 e 1.055).
Nessa toada, por ser a tutela provisória de indisponibilidade de bens medida que pode ser, a
qualquer tempo, revogada ou modificada, a Lei n. 14.230/2021 é aplicável aos processos em curso, tanto
em pedidos de revisão de medidas já deferidas como nos recursos ainda pendentes de julgamento.
Dessa forma, as disposições da Lei n. 14.230/2021 são aplicáveis aos processos em curso, para
regular o procedimento da tutela provisória de indisponibilidade de bens, de modo que as medidas já
deferidas poderão ser reapreciadas para fins de adequação à atual redação dada à Lei n. 8.429/1992,
notadamente no que se refere à necessidade de demonstração de perigo de dano irreparável ou de risco
ao resultado útil do processo e à impossibilidade de a constrição abranger o valor da multa civil (art. 16, §§
3º e 10).
Ademais, sob consequência lógica, por contrariarem os dispositivos do art. 16, §§ 3º e 10, da Lei
8.429/1992, devem ser cancelados os Temas 701 e 1.055 dos recursos especiais repetitivos.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 14.230/2021.
Lei n. 8.429/1992, art. 16, §§ 3º e 10.
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 701/STJ.
Tema 1055/STJ.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 800
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
A Lei n. 12.772/2012 veio para dispor, com efeitos a partir de 1/3/2013, sobre o plano de
carreiras e cargos isolados do Magistério Federal. Para o caso, importa relembrar que as carreiras
dividem-se em duas: a do Magistério Superior e a do Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
(art. 1º, I e III).
Diz o art. 16 da lei de regência que a estrutura remuneratória de ambas as carreiras é composta
por um Vencimento Básico e uma Retribuição por Titulação (RT).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
n. 12.772/2012.
Portanto, à luz da interpretação da Lei n. 12.772/2012 produzida pelo STJ, que reconhece no
RSC um expediente linear e genérico de facilitação da obtenção de uma maior RT para fins de melhor
remuneração do trabalho desempenhado por servidores da carreira do Magistério Federal Básico, Técnico
e Tecnológico da ativa, cumpre reconhecer o direito de extensão desse expediente aos servidores que
tenham se aposentado antes do advento daquele diploma legal, desde que as instâncias ordinárias
tenham reconhecido ao servidor aposentado o direito à paridade prevista no art. 40, § 8º, da Constituição
Federal até o advento da EC 41/2003.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 139/STF
Tema n. 439/STF
SAIBA MAIS
Recursos Repetitivos / DIREITO ADMINISTRATIVO - REMUNERAÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO
PROCESSO REsp 1.880.238-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025. (Tema 1080).
REsp 1.880.241-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1080).
REsp 1.880.246-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1080).
REsp 1.871.942-PE, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1080).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
De acordo com o art. 50-A da Lei n. 6.880/1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares, "o
Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas é o conjunto integrado de direitos, serviços e
ações, permanentes e interativas, de remuneração, pensão, saúde e assistência, nos termos desta Lei e
das regulamentações específicas".
Os integrantes das Forças Armadas bem como seus dependentes possuem um sistema de
saúde próprio, com delimitação específica dos beneficiários e da assistência médico-hospitalar, conforme
Decreto n. 92.512/1986. Referido sistema de saúde é custeado parcialmente pelos militares, e de forma
compulsória, de acordo com os artigos 13 e 14 do Decreto n. 92.512/1986.
A legislação aplicada à espécie deve ser aquela que vigorava à época do falecimento do ex-
militar, fato ensejador do direito ao benefício da pensão e da assistência à saúde. Não se aplica a Lei n.
13.954/2019 aos casos em que o militar faleceu antes da sua entrada em vigor.
Nesse sentido, existe diferença entre os conceitos de dependente, previsto pelo art. 50, §§ 2º e
3º, da Lei n. 6.880/1980, e o de pensionista de militar, previsto no art. 7º da Lei n. 3.765/1960.
Os dependentes são pessoas que não possuem recursos próprios para se manterem sozinhos,
vivendo às custas de outrem. Já o pensionista é aquela pessoa que tem direito ao valor da remuneração
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
Nesse passo, entende-se que a intenção da lei foi de criar um sistema de Proteção Social dos
Militares das Forças Armadas, e de seus familiares. Isso não implica dizer que todos parentes e ex-
cônjuges ou ex-companheiros(as) estejam incluídos como beneficiários. É válida e legítima a opção
legislativa em escolher quais serão as pessoas consideradas dependentes ou pensionistas do ex-militar,
dentro de um juízo de conveniência e análise de viabilidade técnica e atuarial.
Destarte, o fato de a contribuição para o custeio do sistema de saúde ser obrigatória, nos
termos do art. 15 da Medida Provisória n. 2.215/2001, e no art. 50, §5º, da Lei n. 6.880/80 (Incluído pela Lei
n. 13.954/19), não afasta as conclusões até agora obtidas. Isso, porque as normas citadas são no sentido
de que o dependente que queria manter essa condição deverá contribuir para o sistema de saúde.
Por fim, os efeitos do julgado devem ser modulados para garantir àqueles que tenham iniciado
o procedimento de autorização, ou que se encontrem em tratamento, a continuidade do tratamento
médico-hospitalar até que obtenham alta médica. A modulação determinada tem como objetivo não
prejudicar as pessoas que estejam com a saúde debilitada, surpreendendo-as em um momento delicado
de suas vidas.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
PROCESSO REsp 2.068.311-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para
acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por maioria,
julgado em 6/2/2025, DJEN 17/2/2025. (Tema 1238).
REsp 2.070.015-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para
acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por maioria,
julgado em 6/2/2025, DJEN 17/2/2025 (Tema 1238).
REsp 2.069.623-SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para
acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por maioria,
julgado em 6/2/2025, DJEN 17/2/2025 (Tema 1238).
TEMA Aviso prévio indenizado. Cômputo como tempo de serviço para fins
previdenciários. Impossibilidade. Tema 1238.
DESTAQUE
O tema ora em apreciação tem sido decidido de forma distinta nas Turmas que integram a
Primeira Seção.
A interpretação da Primeira Turma é a de que, a partir do momento em que foi firmado, por
meio de julgamento repetitivo (Tema 478 do STJ - REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell
Marques), o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título
de aviso prévio indenizado, por ser esta verba não salarial, não há fundamento para reconhecer tal
período como tempo de contribuição. Ou seja, o que tem prevalecido, na Primeira Turma, é que (i) a
natureza reparatória do aviso prévio indenizado e (ii) a ausência de exercício de atividade laborativa
impedem o acolhimento da pretensão de contagem do período para efeitos previdenciários.
Assim, a verba não daria ensejo à contribuição previdenciária por ter natureza indenizatória, ou
seja, por constituir verba reparatória, sobre a qual não incide contribuição previdenciária, e, como
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
também não há prestação de serviço durante esse período, não seria possível o cômputo deste como
tempo de contribuição.
Assim, fixa-se a seguinte tese: Não é possível o cômputo do período de aviso prévio indenizado
como tempo de serviço para fins previdenciários.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 478/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 536
PROCESSO REsp 2.160.674-RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 14/2/2025 (Tema 1290).
REsp 2.153.347-PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 14/2/2025 (Tema 1290).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
Não obstante esse veto, os empregadores buscam o enquadramento dos valores pagos às
empregadas gestantes, nos termos da Lei n. 14.151/2021, como salário-maternidade, a fim de autorizar
compensação com contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
Apesar das dificuldades enfrentadas por vários setores da economia, a situação emergencial da
pandemia de COVID-19 exigiu esforços e sacrifícios de toda a sociedade, cabendo aos empregadores, na
forma da lei, contribuir mediante a manutenção dos salários das gestantes durante aquele momento
excepcional de afastamento, a fim de evitar riscos para a gravidez.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 14.151/2021.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 822
PROCESSO REsp 2.015.598-PA, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN de 13/2/2025. (Tema
1186).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
Com efeito, o caput do art. 5º da Lei Maria da Penha preceitua que configura violência
doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero, isto é, o autor se
prevalece da relação doméstica (relação íntima de afeto) e do gênero da vítima (vulnerabilidade) para a
prática de atos de agressão e violência. Isto é, basta a condição de mulher para a atração da sistemática
da Lei Maria da Penha.
Cumpre consignar que a Terceira Seção do STJ, reforçando a tese adotada no RHC 121.813/RJ,
já deliberou no sentido de que "[a] Lei n. 11.340/2006 não estabeleceu nenhum critério etário para
incidência das disposições contidas na referida norma, de modo que a idade da vítima, por si só, não é
elemento apto a afastar a competência da vara especializada para processar os crimes perpetrados contra
vítima mulher, seja criança ou adolescente, em contexto de violência doméstica e familiar." (EAREsp
2.099.532/RJ, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, DJe de 30/11/2022).
No julgamento desses embargos de divergência decidiu-se que "não pode ser aceito um fator
meramente etário para afastar a competência da vara especializada e a incidência do subsistema da Lei n.
11.340/2006", isto é, entendeu-se que a vulnerabilidade da mulher é preponderante sobre a
vulnerabilidade etária. De fato, a interpretação literal do art. 13 da Lei n. 11.340/2006 deixa clara
prevalência da Lei Maria da Penha quando suas disposições conflitarem com as de estatutos específicos,
inclusive o da Criança e do Adolescente.
Diante desse contexto, é correto afirmar que o gênero feminino, independentemente de ser a
vítima criança ou adolescente, é condição única e suficiente para atrair a aplicabilidade da Lei n.
11.340/2006 nos casos de violência doméstica e familiar praticada contra a mulher.
Ressalte-se que "O Superior Tribunal de Justiça entende ser presumida, pela Lei n.
11.340/2006, a hipossuficiência e a vulnerabilidade da mulher em contexto de violência doméstica e
familiar. É desnecessária, portanto, a demonstração específica da subjugação feminina para que seja
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
aplicado o sistema protetivo da Lei Maria da Penha, pois a organização social brasileira ainda é fundada
em um sistema hierárquico de poder baseado no gênero, situação que o referido diploma legal busca
coibir" (AgRg na MPUMP n. 6/DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, DJe de 20/5/2022).
Por fim, esse cenário não se altera com a entrada em vigor da Lei n. 13.431/2017, que
possibilitou a criação de juizados ou varas especializadas em crimes contra a criança e o adolescente. A lei
dispôs que, até a implementação das referidas varas, o julgamento e execução das causas decorrentes
dessas práticas de violência ficariam a cargo dos juizados ou varas especializadas em violência doméstica.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 803
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
DESTAQUE
Detração penal que, segundo entendimento da Terceira Seção do STJ no citado precedente,
"dá efetividade ao princípio basilar da dignidade da pessoa humana e ao comando máximo do caráter
ressocializador das penas, que é um dos principais objetivos da execução da pena no Brasil".
Também não se pode perder de vista o papel da detração como instrumento de salvaguarda
dos direitos humanos no âmbito da execução penal. Como exemplo, a contabilização do tempo de prisão
que pode ser medida de reparação a violações de direitos humanos quando realizada a maior (cf. Corte
Interamericana de Direitos Humanos, medida provisória adotada no caso brasileiro "Assunto do Complexo
Prisional do Curado") e, a contrario sensu, representaria vulneração desses direitos se realizada a menor,
com a desconsideração do tempo de prisão provisória.
Não há dúvida de que o tempo de prisão provisória é período de privação de liberdade. Sua
contabilização como tal, mais do jurídica, é imperativo de ordem fática. A liberdade posta à disposição do
Estado não pode ser desconsiderada em razão do título jurídico que lhe deu suporte. Tempo de prisão,
provisória ou não, é tempo de privação de liberdade e deve receber os efeitos jurídicos correspondentes.
Cabe lembrar que, nos termos da Súmula n. 631 do STJ, o indulto incide sobre a pretensão
executória, a qual compreende a pena privativa de liberdade. Ora, se o indulto incide sobre a pretensão
executória e o art. 42 do Código Penal, a ser interpretado in bonam partem, estabelece, sem limitação
expressa, que o tempo de prisão provisória será contabilizado na pena privativa de liberdade (a pretensão
executória), é certo que a aferição do requisito objetivo para a obtenção de indulto ou comutação deve
levar em conta o tempo de prisão provisória anterior.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 631/STJ
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1155/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 721
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
O direito de visitas é previsto, ademais, nas Regras Mínimas das Nações Unidas para o
Tratamento de Reclusos ("Regras de Mandela") e na legislação doméstica, notadamente no art. 41, inciso
X, da Lei de Execução Penal - normativa que "tem como objetivo a reintegração gradual do apenado à
sociedade, por meio do processo de progressão de pena" (REsp 1.544.036/RJ, Rel. Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe de 19/9/2016).
A compreensão de que "[o] direito de visita pode sofrer limitações, diante das peculiaridades do
caso concreto" (AgRg no AREsp 1.602.725/DF, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe
de 27/10/2020) é contemplada pela Lei n. 7.210/84, que admite limitação ao direito de visitação mediante
ato motivado do juiz da execução penal. Inviável, entretanto, a restrição genérica, que tenha por base a
circunstância, em abstrato, de estar o/a visitante cumprindo pena em regime aberto ou livramento
condicional.
Conclui-se, assim, que é admissível o recebimento de visitas, pela pessoa presa, de quem está
cumprindo pena em regime aberto ou em gozo de livramento condicional. A restrição a tal direito poderá
ocorrer de forma excepcional, quando determinada pelo juízo da execução penal, mediante decisão
devidamente fundamentada em circunstâncias do caso concreto que guardem relação com a limitação,
quando esta se revelar adequada, necessária e proporcional. Diante de tal quadro, não se considera
devidamente fundamentada decisão que restringe a visitação por pessoa cumprindo pena em regime
aberto ou em gozo de livramento condicional quando baseada, de forma genérica, em tais circunstâncias.
Assim, fixa-se a seguinte tese: O fato de o visitante cumprir pena privativa de liberdade em
regime aberto ou em livramento condicional não impede, por si só, o direito à visita em estabelecimento
prisional.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 661
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
SEGUNDA SEÇÃO
DESTAQUE
De acordo com o entendimento mais recente do STJ, "o parâmetro crucial para discernir se há
ou não fraude contra credores ou à execução é verificar a ocorrência de alteração na destinação primitiva
do imóvel - qual seja, a morada da família - ou de desvio do proveito econômico da alienação (se
existente) em prejuízo do credor. Inexistentes tais requisitos, não há alienação fraudulenta" (REsp
1.227.366/RS, Quarta Turma, DJe 17/11/2014).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 771
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
Segundo a súmula n. 343 do STF, "Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de
lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos
tribunais".
A violação de literal disposição de lei que autoriza o ajuizamento de ação rescisória é aquela
que enseja flagrante transgressão do direito em tese. A pacificação da jurisprudência em sentido contrário
e em momento posterior à prolação do acórdão rescindendo não afasta a incidência da Súmula n. 343 do
STF (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.223.699/RS).
Tal entendimento visa preservar a segurança jurídica, que ficaria comprometida com a
possibilidade de que a coisa julgada pudesse sempre ser rescindida com as alterações de entendimento
dos tribunais sobre questões de direito.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
SÚMULAS
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 600
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
A Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei n. 11.101/2005) estabelece, em seu art. 83, a
ordem de habilitação dos créditos para fins de pagamento, após a realização do ativo da sociedade
empresária falida, prevendo posição privilegiada aos créditos gravados com direito real em garantia.
A letra de crédito imobiliário deve vir, necessariamente, lastreada por créditos imobiliários
garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel, por exigência do art. 12 da Lei n.
10.931/2004. Contudo, o credor das relações garantidas por direito real é a instituição financeira que
concedeu o financiamento a empreendedores ou adquirentes de imóveis, e não o beneficiário da letra de
crédito imobiliário.
Dessa forma, não é possível equiparar o lastro ao direito real de garantia, por falta de
vinculação direta do bem dado em garantia de terceiro à relação decorrente da emissão da letra de
crédito imobiliário. Em decorrência do princípio da taxatividade, os direitos reais de garantia devem ser
previstos em lei.
O art. 17, III, da Lei n. 9.514/1997 prevê como direito real a caução de direitos creditórios ou
aquisitivos decorrentes de contratos de venda ou promessa de venda de imóveis no âmbito das
operações de financiamento imobiliário. No entanto, ao prever a aplicação da disciplina jurídica do
penhor, exige o respectivo registro para sua constituição e consequente eficácia erga omnes.
O princípio par conditio creditorum garante tratamento equânime entre os credores de uma
mesma classe, submetendo-os de maneira socializada aos efeitos econômicos da situação de crise da
sociedade empresária, motivo pelo qual a pretendida equiparação causaria prejuízo às classes
subsequentes de credores.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
Assim, os créditos decorrentes da emissão das letras de crédito imobiliário devem ser mantidos
na classe dos créditos quirografários.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
E, no caso, caracterizada está a conduta, uma vez que a vítima foi filmada desnuda em seu
banheiro, gerando o material apreendido e que foi divulgado. O termo legal "pornográfica" contido no art.
241-E do ECA engloba desde obscenidades decorrentes de cenas sexuais até indecências ou libidinagens,
despertando no indivíduo a sua excitação (REsp 2.001.654/MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, DJe
6/9/2024).
Consoante consignado pelo Tribunal de origem, "o registro de um menino de apenas nove
anos de idade usando o banheiro na sua própria casa, por meio de câmera ali instalada exatamente para
esse fim, só pode ter ocorrido para satisfazer desejos sexuais do réu. Conforme apurado pelas
investigações, o acusado tinha grande interesse em crianças e adolescentes do sexo masculino, o que
corrobora essa conclusão". E, "o réu frequentava a casa do namorado (...), o que propiciou o contato com
a criança de 9 anos e possibilitou a instalação da câmera oculta. Se o réu optou por colocá-la no
banheiro, é porque sabia que eventualmente registraria o menino, e o fato de isso ter ocorrido no
momento das necessidades fisiológicas não retira o caráter pornográfico daquela gravação".
Descabida, portanto, a pretensão de dar característica diversa à filmagem realizada com o fim
de se obter imagem considerada pornográfica para quem a produziu e quem a recebeu, sendo certo que
a filmagem do banheiro, ainda que contemple a vítima em uso do vaso sanitário, subsume-se ao conceito
de pornografia infantojuvenil tutelado pela norma penal.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 782
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
No caso, a petição de agravo recurso especial foi assinada digitalmente por advogado sem
poderes nos autos para atuar em nome da agravante, e a parte, embora regularmente intimada para sanar
referido vício, não regularizou.
Nesse cenário, não há outra solução senão aplicar a Súmula 115/STJ, que vaticina: "Na
instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/29
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS
SÚMULAS
Súmula 115/STJ.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 751
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