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Jurisprudência sobre Improbidade Administrativa

O Informativo de Jurisprudência n. 840 destaca decisões sobre a aplicação da Lei n. 14.230/2021 em processos de improbidade administrativa e a extensão do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) a servidores aposentados antes de sua promulgação. A jurisprudência estabelece que a tutela provisória de indisponibilidade de bens deve seguir as novas exigências legais, enquanto o RSC pode ser aplicado a aposentados que tenham direito à paridade remuneratória. Além disso, discute-se a assistência médico-hospitalar para pensionistas militares, enfatizando a necessidade de comprovação de dependência.

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Jurisprudência sobre Improbidade Administrativa

O Informativo de Jurisprudência n. 840 destaca decisões sobre a aplicação da Lei n. 14.230/2021 em processos de improbidade administrativa e a extensão do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) a servidores aposentados antes de sua promulgação. A jurisprudência estabelece que a tutela provisória de indisponibilidade de bens deve seguir as novas exigências legais, enquanto o RSC pode ser aplicado a aposentados que tenham direito à paridade remuneratória. Além disso, discute-se a assistência médico-hospitalar para pensionistas militares, enfatizando a necessidade de comprovação de dependência.

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Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

RECURSOS REPETITIVOS

PROCESSO REsp 2.074.601-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.089.767-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.076.137-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.076.911-SP, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).
REsp 2.078.360-MG, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1257).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Improbidade administrativa. Tutela provisória de indisponibilidade de


bens. Disposições da Lei n. 14.230/2021. Processos em curso.
Aplicação. Tema 1257.

DESTAQUE

As disposições da Lei n. 14.230/2021 são aplicáveis aos processos em curso para


regular o procedimento da tutela provisória de indisponibilidade de bens, de modo que as
medidas já deferidas poderão ser reapreciadas para fins de adequação à atual redação dada à Lei
n. 8.429/1992.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão controvertida tem por escopo definir a aplicação da nova lei de improbidade
administrativa (Lei n. 14.230/2021) a processos em curso, iniciados na vigência da Lei n. 8.429/1992, para
regular o procedimento da tutela provisória de indisponibilidade de bens, inclusive a previsão de se
incluir, nessa medida, o valor de eventual multa civil.

Com base na redação original da Lei n. 8.429/1992, o Superior Tribunal de Justiça firmou
entendimento no sentido de que era desnecessária a demonstração de perigo de dano irreparável ou de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

risco ao resultado útil do processo para o deferimento do pedido de indisponibilidade de bens e que a
medida poderia abranger o valor de eventual multa civil (Temas 701 e 1.055).

Porém, sobreveio a Lei n. 14.230/2021 que promoveu profundas alterações na Lei n.


8.429/1992. Parte dessas alterações foi direcionada à medida de indisponibilidade de bens que passou a
exigir para o seu deferimento "a demonstração no caso concreto de perigo de dano irreparável ou de
risco ao resultado útil do processo" (art. 16, § 3º), estabelecendo que não incidirá "sobre os valores a
serem eventualmente aplicados a título de multa civil ou sobre acréscimo patrimonial decorrente de
atividade lícita" (art. 16, § 10).

Nessa toada, por ser a tutela provisória de indisponibilidade de bens medida que pode ser, a
qualquer tempo, revogada ou modificada, a Lei n. 14.230/2021 é aplicável aos processos em curso, tanto
em pedidos de revisão de medidas já deferidas como nos recursos ainda pendentes de julgamento.

Dessa forma, as disposições da Lei n. 14.230/2021 são aplicáveis aos processos em curso, para
regular o procedimento da tutela provisória de indisponibilidade de bens, de modo que as medidas já
deferidas poderão ser reapreciadas para fins de adequação à atual redação dada à Lei n. 8.429/1992,
notadamente no que se refere à necessidade de demonstração de perigo de dano irreparável ou de risco
ao resultado útil do processo e à impossibilidade de a constrição abranger o valor da multa civil (art. 16, §§
3º e 10).

Ademais, sob consequência lógica, por contrariarem os dispositivos do art. 16, §§ 3º e 10, da Lei
8.429/1992, devem ser cancelados os Temas 701 e 1.055 dos recursos especiais repetitivos.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 14.230/2021.
Lei n. 8.429/1992, art. 16, §§ 3º e 10.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 701/STJ.
Tema 1055/STJ.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 800

Legislação Aplicada / LEI 8.429/1992 (LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA) - SANÇÕES


APLICÁVEIS AOS AGENTES PÚBLICOS POR ENRIQUECIMENTO ILÍCITO

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

PROCESSO REsp 2.129.995-AL, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira


Seção, por unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 11/2/2025.
(Tema 1292).
REsp 2.129.996-AL, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 11/2/2025
(Tema 1292).
REsp 2.129.997-AL, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 11/2/2025
(Tema 1292).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Servidor Público. Plano de carreiras e cargos do magistério federal.


Lei n. 12.772/2012. Reconhecimento de Saberes e Competências
(RSC). Servidor aposentado antes da Lei n. 12.772/2012 com direito à
paridade remuneratória constitucional. Extensão. Possibilidade. Tema
1292.

DESTAQUE

O Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), modo especial de cálculo da


Retribuição por Titulação (RT), é extensível ao servidor do Magistério Federal Básico, Técnico e
Tecnológico aposentado antes da Lei 12.772/2012 e que tenha direito à paridade remuneratória
constitucional.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão de direito controvertida vem sintetizada na seguinte proposição: "possibilidade de
extensão do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), modo especial de cálculo da Retribuição
por Titulação (RT), ao servidor aposentado anteriormente à Lei n. 12.772/2012".

A Lei n. 12.772/2012 veio para dispor, com efeitos a partir de 1/3/2013, sobre o plano de
carreiras e cargos isolados do Magistério Federal. Para o caso, importa relembrar que as carreiras
dividem-se em duas: a do Magistério Superior e a do Magistério do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
(art. 1º, I e III).

Diz o art. 16 da lei de regência que a estrutura remuneratória de ambas as carreiras é composta
por um Vencimento Básico e uma Retribuição por Titulação (RT).

A RT é devida ao docente integrante do Magistério Federal de acordo com a carreira, cargo,


classe, nível e titulação comprovada, e deve ser considerada no cálculo dos proventos e das pensões
devidos ao servidor inativo ou seus dependentes, desde que o certificado ou o título tenham sido obtidos
anteriormente à data da inativação (art. 17, caput e § 1º). A concessão da RT é feita de forma objetiva,
tomando-se em conta o aperfeiçoamento profissional e acadêmico do servidor aferido por meio de
títulos ou certificados obtidos antes da aposentação.

Entretanto, para os integrantes da carreira do Magistério do Ensino Básico, Técnico e


Tecnológico, criou a lei um mecanismo peculiar de aceleração ou facilitação da aquisição do direito à RT,
denominado Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). O RSC vem disciplinado no art. 18 da Lei

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

n. 12.772/2012.

Atualmente, os pressupostos, as diretrizes e os procedimentos para a concessão de RSC aos


docentes da carreira do Magistério Básico, Técnico e Tecnológico estão estabelecidos na Resolução 3, de
8/6/2021, do Conselho Permanente para Reconhecimento de Saberes e Competências (CPRSC), órgão do
Ministério da Educação.

A questão controvertida em desate neste julgamento está em que, para a administração


federal, a percepção da RT pela equivalência da titulação exigida com o RSC não pode beneficiar os
servidores aposentados antes do advento da Lei n. 12.772/2012, que criou o mecanismo do RSC. Para a
administração, não se aplica, neste caso, a regra de paridade de vencimentos prevista, até a EC 41/2003,
no art. 40, § 8º, da Constituição Federal (redação dada pela EC 20/98), já que o RSC não constituiria
benefício de caráter geral, concedido indistintamente a todos os servidores, mas sim de vantagem
individualizada, baseada na experiência pessoal e profissional de cada servidor.

Por ocasião do julgamento do RE 590.260/SP, submetido à repercussão geral da matéria (Tema


139/STF), o STF estabeleceu que "a jurisprudência desta Suprema Corte tem decidido pela aplicação do
art. 40, § 8º, da Constituição quando a gratificação for extensiva a todos os servidores em atividade,
independentemente da natureza da função exercida ou do local onde o serviço é prestado. É que, nas
palavras do Min. Marco Aurélio, 'a pedra de toque da incidência do preceito é saber se em atividade os
aposentados lograriam o benefício' (RE 385.016-AgR/PR, Rel. Ministro Marco Aurélio)".

Essa compreensão foi reafirmada pelo STF no RE 606.199/PR, também submetido à


repercussão geral (Tema 439/STF), oportunidade em que restou assentado que a regra constitucional da
paridade "não garante aos inativos somente o direito à irredutibilidade do valor nominal dos proventos e à
revisão remuneratória geral dada aos ativos, mas sim às vantagens decorrentes de quaisquer benefícios
posteriormente concedidos aos ativos, desde que baseados em critérios objetivos".

Fiando-se nos parâmetros acima mencionados e interpretando o regime remuneratório do


Magistério Federal tal como disciplinado na Lei n. 12.772/2012, o Superior Tribunal de Justiça vem de
estabelecer uma jurisprudência estável, íntegra e coerente, passível de reafirmação sob o regime dos
recursos repetitivos, no sentido de que o RSC, como mecanismo legal de facilitação do recebimento da
RT majorada, corresponde a uma verba remuneratória paga a todos os servidores da ativa de forma linear
e genérica, ainda que devam ser atendidas certas especificidades que definirão apenas o nível de RSC a
que terá direito cada servidor. Segundo a jurisprudência estabelecida, trata-se o RSC de uma forma de
cálculo da RT baseada em critérios objetivos, e não de uma verba decorrente de produtividade individual,
da função exercida pelo servidor, do local de prestação do serviço ou de qualquer outra espécie de
gratificação pro labore faciendo.

Portanto, à luz da interpretação da Lei n. 12.772/2012 produzida pelo STJ, que reconhece no
RSC um expediente linear e genérico de facilitação da obtenção de uma maior RT para fins de melhor
remuneração do trabalho desempenhado por servidores da carreira do Magistério Federal Básico, Técnico
e Tecnológico da ativa, cumpre reconhecer o direito de extensão desse expediente aos servidores que
tenham se aposentado antes do advento daquele diploma legal, desde que as instâncias ordinárias
tenham reconhecido ao servidor aposentado o direito à paridade prevista no art. 40, § 8º, da Constituição
Federal até o advento da EC 41/2003.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 40, § 8º;


Lei n. 12.772/2012, art. 1º, I e III, art. 16, art. 17 e art. 18.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 139/STF
Tema n. 439/STF

SAIBA MAIS
Recursos Repetitivos / DIREITO ADMINISTRATIVO - REMUNERAÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO

Pesquisa Pronta / DIREITO ADMINISTRATIVO - SERVIDOR PÚBLICO

Informativo de Jurisprudência n. 713

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 1.880.238-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025. (Tema 1080).
REsp 1.880.241-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1080).
REsp 1.880.246-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1080).
REsp 1.871.942-PE, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 13/2/2025 (Tema 1080).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO MILITAR

TEMA Militar. Pensionista. Direito à assistência médico-hospitalar por meio


do FUNSA. Art. 50, § 2°, III, §§ 3° e 4°, da Lei n. 6.880/1980, antes da
alteração promovida pela Lei n. 13.954/2019. Demonstração de
dependência. Necessidade. Direito adquirido. Inexistência. Tema
1080.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

DESTAQUE

1. Não há direito adquirido a regime jurídico relativo à Assistência Médico-Hospitalar


própria das Forças Armadas - benefício condicional, de natureza não previdenciária, diverso da
pensão por morte e não vinculado a esta -, aos pensionistas ou dependentes de militares falecidos
antes ou depois da vigência da Lei 13.954/2019;
2. A definição legal de "rendimentos do trabalho assalariado", referida no § 4º do art. 50
da Lei 6880/1980, na sua redação original, inclui as "pensões, civis ou militares de qualquer
natureza", conforme expressamente estabelecido no art. 16, XI, da Lei 4506/1964;
3. A Administração Militar tem o poder-dever de realizar a fiscalização e verificação
periódica da manutenção dos requisitos à Assistência Médico-Hospitalar, nos termos da legislação
e do regulamento, respeitado o devido processo legal, não se aplicando o prazo decadencial do
artigo 54 da Lei 9784/1999, ante a contrariedade à lei e afronta direta aos princípios da legalidade,
moralidade e eficiência, previstos no art. 37, caput, bem como o princípio da probidade
administrativa previsto no § 4º, além do art. 5º, II, da Constituição da República;
4. Para aferição da dependência econômica, em aplicação analógica do art. 198 do
Estatuto dos Servidores Públicos (Lei 8.112/1990): não se configura a dependência econômica
para fins de Assistência Médico-Hospitalar, quando o pretenso usuário perceber rendimento do
trabalho ou de qualquer outra fonte, inclusive pensão ou provento da aposentadoria, em valor
igual ou superior ao salário-mínimo.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O objeto da ação é definir se há direito de pensionista de militar à assistência médico-
hospitalar por meio do Fundo de Saúde da Aeronáutica - FUNSA. Os processos afetados tratam de
instituidores falecidos antes da vigência da Lei n. 13.954/2019, razão pela qual a discussão da tese está
adstrita à legislação vigente antes das alterações promovidas pelo referido diploma legal.

De acordo com o art. 50-A da Lei n. 6.880/1980, que dispõe sobre o Estatuto dos Militares, "o
Sistema de Proteção Social dos Militares das Forças Armadas é o conjunto integrado de direitos, serviços e
ações, permanentes e interativas, de remuneração, pensão, saúde e assistência, nos termos desta Lei e
das regulamentações específicas".

Os integrantes das Forças Armadas bem como seus dependentes possuem um sistema de
saúde próprio, com delimitação específica dos beneficiários e da assistência médico-hospitalar, conforme
Decreto n. 92.512/1986. Referido sistema de saúde é custeado parcialmente pelos militares, e de forma
compulsória, de acordo com os artigos 13 e 14 do Decreto n. 92.512/1986.

A contribuição de custeio, por inserir-se no conceito contido no art. 3º do Código Tributário


Nacional - CTN, ostenta natureza jurídica de tributo, sujeitando-se ao princípio da legalidade.

Observa-se, portanto, o caráter não previdenciário do direito à assistência médico-hospitalar.

A legislação aplicada à espécie deve ser aquela que vigorava à época do falecimento do ex-
militar, fato ensejador do direito ao benefício da pensão e da assistência à saúde. Não se aplica a Lei n.
13.954/2019 aos casos em que o militar faleceu antes da sua entrada em vigor.

Nesse sentido, existe diferença entre os conceitos de dependente, previsto pelo art. 50, §§ 2º e
3º, da Lei n. 6.880/1980, e o de pensionista de militar, previsto no art. 7º da Lei n. 3.765/1960.

Os dependentes são pessoas que não possuem recursos próprios para se manterem sozinhos,
vivendo às custas de outrem. Já o pensionista é aquela pessoa que tem direito ao valor da remuneração

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

ou dos proventos do militar após o seu falecimento.

Incluir pessoas que não se encontram expressamente anotadas como dependentes na


assistência médico-hospitalar poderia sobrecarregar o sistema criado para proteção dos dependentes dos
militares e prejudicar demasiadamente, com restrições e demora, a prevenção, conservação ou
recuperação da saúde, restringindo ou excluindo serviços profissionais médicos, farmacêuticos e
odontológicos, bem como o fornecimento, a aplicação de meios e os cuidados e demais atos médicos e
paramédicos necessários.

Nesse passo, entende-se que a intenção da lei foi de criar um sistema de Proteção Social dos
Militares das Forças Armadas, e de seus familiares. Isso não implica dizer que todos parentes e ex-
cônjuges ou ex-companheiros(as) estejam incluídos como beneficiários. É válida e legítima a opção
legislativa em escolher quais serão as pessoas consideradas dependentes ou pensionistas do ex-militar,
dentro de um juízo de conveniência e análise de viabilidade técnica e atuarial.

Destarte, o fato de a contribuição para o custeio do sistema de saúde ser obrigatória, nos
termos do art. 15 da Medida Provisória n. 2.215/2001, e no art. 50, §5º, da Lei n. 6.880/80 (Incluído pela Lei
n. 13.954/19), não afasta as conclusões até agora obtidas. Isso, porque as normas citadas são no sentido
de que o dependente que queria manter essa condição deverá contribuir para o sistema de saúde.

Firme nesses fundamentos, o pensionista de militar - falecido antes da vigência da Lei n.


13.954/2019 - tem direito à assistência médico-hospitalar por meio do Fundo de Saúde da Aeronáutica
(FUNSA), desde que também se enquadre na condição de dependente, conforme o art. 50, §§ 2º e 3º, da
Lei n. 6.880/1990, com a redação vigente ao tempo do óbito.

Por fim, os efeitos do julgado devem ser modulados para garantir àqueles que tenham iniciado
o procedimento de autorização, ou que se encontrem em tratamento, a continuidade do tratamento
médico-hospitalar até que obtenham alta médica. A modulação determinada tem como objetivo não
prejudicar as pessoas que estejam com a saúde debilitada, surpreendendo-as em um momento delicado
de suas vidas.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Tributário Nacional (CTN), art. 3º


Decreto n. 92.512/1986, art. 13 e art. 14
Lei n. 6.880/1980, artigos 50, § 2º, § 3º e § 5º; e art. 50-A.
Lei n. 3.765/1960, art. 7º
Lei n. 13.954/2019
Medida Provisória n. 2.215/2001, art. 15.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

PROCESSO REsp 2.068.311-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para
acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por maioria,
julgado em 6/2/2025, DJEN 17/2/2025. (Tema 1238).
REsp 2.070.015-RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para
acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por maioria,
julgado em 6/2/2025, DJEN 17/2/2025 (Tema 1238).
REsp 2.069.623-SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Rel. para
acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por maioria,
julgado em 6/2/2025, DJEN 17/2/2025 (Tema 1238).

RAMO DO DIREITO DIREITO PREVIDENCIÁRIO

TEMA Aviso prévio indenizado. Cômputo como tempo de serviço para fins
previdenciários. Impossibilidade. Tema 1238.

DESTAQUE

Não é possível o cômputo do período de aviso prévio indenizado como tempo de


serviço para fins previdenciários.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão submetida a julgamento circunscreve-se à possibilidade de cômputo do aviso prévio
indenizado como tempo de serviço para fins previdenciários.

A Corte Regional reconheceu a possibilidade de cômputo do aviso prévio indenizado como


tempo de contribuição com base no art. 487, § 1º, da CLT, que assim dispõe: "A falta do aviso prévio por
parte do empregador dá ao empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso,
garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço.".

O tema ora em apreciação tem sido decidido de forma distinta nas Turmas que integram a
Primeira Seção.

A interpretação da Primeira Turma é a de que, a partir do momento em que foi firmado, por
meio de julgamento repetitivo (Tema 478 do STJ - REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell
Marques), o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título
de aviso prévio indenizado, por ser esta verba não salarial, não há fundamento para reconhecer tal
período como tempo de contribuição. Ou seja, o que tem prevalecido, na Primeira Turma, é que (i) a
natureza reparatória do aviso prévio indenizado e (ii) a ausência de exercício de atividade laborativa
impedem o acolhimento da pretensão de contagem do período para efeitos previdenciários.

Esse raciocínio baseia-se em duas premissas: 1) o fato gerador da contribuição previdenciária é


o exercício de atividade laborativa (especialmente no caso do segurado empregado, como na espécie), de
modo que, se não houve exercício de tal atividade, não haverá salário nem recolhimento de contribuição;
2) se não houve contribuição previdenciária, não poderia haver o cômputo como tempo de contribuição,
por falta de custeio.

Assim, a verba não daria ensejo à contribuição previdenciária por ter natureza indenizatória, ou
seja, por constituir verba reparatória, sobre a qual não incide contribuição previdenciária, e, como

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

também não há prestação de serviço durante esse período, não seria possível o cômputo deste como
tempo de contribuição.

Assim, fixa-se a seguinte tese: Não é possível o cômputo do período de aviso prévio indenizado
como tempo de serviço para fins previdenciários.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), art. 487, § 1º.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 478/STJ

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 536

Informativo de Jurisprudência n. 462

Recursos Repetitivos / DIREITO TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA

Informativo de Jurisprudência n. 804

Pesquisa Pronta / DIREITO TRIBUTÁRIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.160.674-RS, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 14/2/2025 (Tema 1290).
REsp 2.153.347-PR, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN 14/2/2025 (Tema 1290).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Pandemia de COVID-19. Empregada gestante. Afastamento.


Trabalho remoto. Inviabilidade. Legimidade passiva ad causam.
Fazenda Nacional. Valores pagos. Natureza jurídica. Remuneração
regular. Salário-maternidade. Enquadramento. Impossibilidade. Tema
1290.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

DESTAQUE

a) Nas ações em que empregadores buscam recuperar valores pagos a empregadas


gestantes afastadas do trabalho durante a pandemia de COVID-19, a legitimidade passiva ad
causam recai sobre a Fazenda Nacional, e não sobre o INSS;
b) Os valores pagos às empregadas gestantes afastadas, inclusive às que não puderam
trabalhar remotamente, durante a emergência de saúde pública da pandemia de COVID-19,
possuem natureza jurídica de remuneração regular, a cargo do empregador, não se configurando
como salário-maternidade para fins de compensação.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão jurídica em debate refere-se à definição da legitimidade passiva (se do Instituto
Nacional do Seguro Social - INSS ou da Fazenda Nacional) nas ações em que empregadores buscam
recuperar valores que pagaram às empregadas gestantes durante o afastamento destas do trabalho, em
razão da emergência de saúde pública decorrente da pandemia do SARS-CoV-2 (COVID-19), bem como
da natureza jurídica desse pagamento, para fins de compensação com contribuições incidentes sobre a
folha de salários e demais rendimentos pagos ou creditados a qualquer título à pessoa física que preste
serviços à empresa.

Não obstante a questão de mérito envolva o enquadramento como salário-maternidade de


valores pagos às empregadas gestantes durante o período emergencial de saúde pública decorrente da
pandemia de COVID-19, os contribuintes empregadores buscam, nessas ações, compensar tais valores
com contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha salarial.

O debate, pois, não se relaciona exatamente com concessão de benefício previdenciário, de


modo que não existe a necessidade de o INSS integrar a lide.

De fato, a pretensão de que sejam reconhecidos como salário-maternidade os valores pagos às


empregadas gestantes tem por finalidade reduzir o montante devido a título das contribuições incidentes
sobre a folha de salários. Por essa razão, tão somente a Fazenda Nacional é parte legítima para figurar no
polo passivo dessas ações.

No tocante à natureza jurídica dos valores pagos pelos empregadores às empregadas


gestantes durante o período de pandemia de COVID-19, a Lei n. 14.151/2021 estabelece normas de
proteção das referidas trabalhadoras, pois integrantes de grupo de risco, mediante o afastamento de suas
atividades presenciais, de modo a evitar o contágio, mantida a remuneração a cargo do empregador.

Aliás, a possibilidade de a gravidez ser considerada de risco na hipótese de a natureza do


trabalho ser incompatível com a sua realização em domicílio, por meio de teletrabalho, trabalho remoto
ou outra forma de trabalho a distância, o que poderia ensejar pagamento de salário-maternidade, foi
objeto de veto presidencial.

Não obstante esse veto, os empregadores buscam o enquadramento dos valores pagos às
empregadas gestantes, nos termos da Lei n. 14.151/2021, como salário-maternidade, a fim de autorizar
compensação com contribuições incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos pagos ou
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço.

Contudo, o enquadramento como salário-maternidade da remuneração paga às empregadas


gestantes, quando comprovada a impossibilidade de trabalho à distância ou de alteração de funções,
evidencia a pretensão de desconsiderar o veto presidencial a dispositivos da Lei n. 14.151/2021, a fim de,
portanto, atribuir indevida eficácia à redação original do projeto de lei, que previa tal possibilidade.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

Apesar das dificuldades enfrentadas por vários setores da economia, a situação emergencial da
pandemia de COVID-19 exigiu esforços e sacrifícios de toda a sociedade, cabendo aos empregadores, na
forma da lei, contribuir mediante a manutenção dos salários das gestantes durante aquele momento
excepcional de afastamento, a fim de evitar riscos para a gravidez.

Desse modo, diante de sua natureza jurídica de remuneração regular, é impossível o


enquadramento como salário-maternidade dos valores pagos às empregadas gestantes afastadas,
inclusive às que não puderam trabalhar à distância, em razão da emergência de saúde pública relacionada
à pandemia de COVID-19.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 14.151/2021.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 822

Informativo de Jurisprudência n. 815

Pesquisa Pronta / DIREITO TRIBUTÁRIO - COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA

Informativo de Jurisprudência n. 836

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.015.598-PA, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN de 13/2/2025. (Tema
1186).

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL, DIREITO DA


CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

TEMA Estupro de vulnerável. Crime no ambiente doméstico e familiar


contra a mulher. Vítima criança ou adolescente. Irrelevância.
Prevalência da Lei Maria da Penha sobre o critério etário.
Competência da vara especializada em violência doméstica e familiar
contra a mulher. Tema 1186.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

DESTAQUE

1. A condição de gênero feminino é suficiente para atrair a aplicabilidade da Lei Maria


da Penha em casos de violência doméstica e familiar, prevalecendo sobre a questão etária.
2. A Lei Maria da Penha prevalece quando suas disposições conflitarem com as de
estatutos específicos, como o da Criança e do Adolescente.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão em discussão consiste em saber se a condição de gênero feminino,
independentemente de ser a vítima criança ou adolescente, é suficiente para atrair a aplicabilidade da Lei
Maria da Penha (Lei n. 11.340/2006) nos casos de violência doméstica e familiar, afastando a incidência do
Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069/1990).

No julgamento do RHC 121.813/RJ, de relatoria do Ministro Rogério Schietti Cruz, a Sexta


Turma do STJ assentou que "[a] lei não reclama considerações sobre a motivação da conduta do agressor,
mas tão somente que a vítima seja mulher (pouco importando sua idade) e que a violência seja cometida
em ambiente doméstico, familiar ou em relação de intimidade ou afeto entre agressor e agredida".

Nessa mesma linha, o Tribunal a quo declarou a competência da vara especializada em


violência doméstica e familiar para o julgamento dos delitos de estupro perpetrados contra as vítimas do
sexo feminino, menores de idade e no âmbito da violência doméstica, sob o fundamento de que a
questão de gênero independe da idade da ofendida, prevalecendo a condição de mulher para a fixação da
competência.

Com efeito, o caput do art. 5º da Lei Maria da Penha preceitua que configura violência
doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero, isto é, o autor se
prevalece da relação doméstica (relação íntima de afeto) e do gênero da vítima (vulnerabilidade) para a
prática de atos de agressão e violência. Isto é, basta a condição de mulher para a atração da sistemática
da Lei Maria da Penha.

Cumpre consignar que a Terceira Seção do STJ, reforçando a tese adotada no RHC 121.813/RJ,
já deliberou no sentido de que "[a] Lei n. 11.340/2006 não estabeleceu nenhum critério etário para
incidência das disposições contidas na referida norma, de modo que a idade da vítima, por si só, não é
elemento apto a afastar a competência da vara especializada para processar os crimes perpetrados contra
vítima mulher, seja criança ou adolescente, em contexto de violência doméstica e familiar." (EAREsp
2.099.532/RJ, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Terceira Seção, DJe de 30/11/2022).

No julgamento desses embargos de divergência decidiu-se que "não pode ser aceito um fator
meramente etário para afastar a competência da vara especializada e a incidência do subsistema da Lei n.
11.340/2006", isto é, entendeu-se que a vulnerabilidade da mulher é preponderante sobre a
vulnerabilidade etária. De fato, a interpretação literal do art. 13 da Lei n. 11.340/2006 deixa clara
prevalência da Lei Maria da Penha quando suas disposições conflitarem com as de estatutos específicos,
inclusive o da Criança e do Adolescente.

Diante desse contexto, é correto afirmar que o gênero feminino, independentemente de ser a
vítima criança ou adolescente, é condição única e suficiente para atrair a aplicabilidade da Lei n.
11.340/2006 nos casos de violência doméstica e familiar praticada contra a mulher.

Ressalte-se que "O Superior Tribunal de Justiça entende ser presumida, pela Lei n.
11.340/2006, a hipossuficiência e a vulnerabilidade da mulher em contexto de violência doméstica e
familiar. É desnecessária, portanto, a demonstração específica da subjugação feminina para que seja

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

aplicado o sistema protetivo da Lei Maria da Penha, pois a organização social brasileira ainda é fundada
em um sistema hierárquico de poder baseado no gênero, situação que o referido diploma legal busca
coibir" (AgRg na MPUMP n. 6/DF, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, DJe de 20/5/2022).

Por fim, esse cenário não se altera com a entrada em vigor da Lei n. 13.431/2017, que
possibilitou a criação de juizados ou varas especializadas em crimes contra a criança e o adolescente. A lei
dispôs que, até a implementação das referidas varas, o julgamento e execução das causas decorrentes
dessas práticas de violência ficariam a cargo dos juizados ou varas especializadas em violência doméstica.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.340/2006, art. 5º e art. 13


Lei n. 8.069/1990 (ECA)
Lei n. 13.431/2017

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 803

Informativo de Jurisprudência n. 18 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 824

Informativo de Jurisprudência n. 755

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.069.773-MG, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo


(Desembargador convocado do TJSP), Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 6/2/2025. (Tema 1277).

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, EXECUÇÃO PENAL

TEMA Execução da pena. Indulto e comutação. Contabilização do período


de prisão provisória para preenchimento do requisito objetivo.
Possibilidade. Art. 42 do Código Penal. Interpretação in bonam
partem. Tema 1277.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

DESTAQUE

É possível, conforme o artigo 42 do Código Penal, o cômputo do período de prisão


provisória na análise dos requisitos para a concessão do indulto e da comutação previstos nos
respectivos decretos.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia a definir a possibilidade de cômputo do período de prisão provisória
anterior na análise dos requisitos para a concessão de indulto e comutação previstos nos decretos que
tratem de sua concessão.

Ambas as Turmas Criminais do STJ consolidaram o entendimento no sentido de que é possível


computar para a conformação do quantum de pena (requisito objetivo) definido na norma que estabelece
o indulto/comutação, o período de prisão provisória já suportado pelo apenado antes da publicação do
correspondente Decreto.

O art. 42 do Código Penal, ao determinar que "Computam-se, na pena privativa de liberdade e


na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão
administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior", não
estabelece limitações e, conforme precedente da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, deve ser
interpretado in bonam partem. (REsp 1.977.135/SC, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Terceira Seção, DJe
de 28/11/2022, Tema Repetitivo 1155).

Detração penal que, segundo entendimento da Terceira Seção do STJ no citado precedente,
"dá efetividade ao princípio basilar da dignidade da pessoa humana e ao comando máximo do caráter
ressocializador das penas, que é um dos principais objetivos da execução da pena no Brasil".

Também não se pode perder de vista o papel da detração como instrumento de salvaguarda
dos direitos humanos no âmbito da execução penal. Como exemplo, a contabilização do tempo de prisão
que pode ser medida de reparação a violações de direitos humanos quando realizada a maior (cf. Corte
Interamericana de Direitos Humanos, medida provisória adotada no caso brasileiro "Assunto do Complexo
Prisional do Curado") e, a contrario sensu, representaria vulneração desses direitos se realizada a menor,
com a desconsideração do tempo de prisão provisória.

Assim, se o cômputo diferenciado (a maior) do tempo de prisão pode, em determinados


contextos, ser medida reparatória de violações de direitos humanos no campo da situação carcerária, a
contrario sensu, o cômputo a menor (resultado que se atingiria afastando a contagem do tempo de prisão
provisória para fins de indulto) assume o vetor contrário: a vulneração de tais direitos - sobretudo num
ambiente em que reconhecido pela Suprema Corte o estado de coisas inconstitucional.

Não há dúvida de que o tempo de prisão provisória é período de privação de liberdade. Sua
contabilização como tal, mais do jurídica, é imperativo de ordem fática. A liberdade posta à disposição do
Estado não pode ser desconsiderada em razão do título jurídico que lhe deu suporte. Tempo de prisão,
provisória ou não, é tempo de privação de liberdade e deve receber os efeitos jurídicos correspondentes.

Cabe lembrar que, nos termos da Súmula n. 631 do STJ, o indulto incide sobre a pretensão
executória, a qual compreende a pena privativa de liberdade. Ora, se o indulto incide sobre a pretensão
executória e o art. 42 do Código Penal, a ser interpretado in bonam partem, estabelece, sem limitação
expressa, que o tempo de prisão provisória será contabilizado na pena privativa de liberdade (a pretensão
executória), é certo que a aferição do requisito objetivo para a obtenção de indulto ou comutação deve
levar em conta o tempo de prisão provisória anterior.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Penal (CP), art. 42

SÚMULAS

Súmula n. 631/STJ

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1155/STJ

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 721

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.119.556-DF, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo


(Desembargador convocado do TJSP), Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 12/2/2025. (Tema 1274).
REsp 2.109.337-DF, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo
(Desembargador convocado do TJSP), Terceira Seção, por
unanimidade, julgado em 12/2/2025 (Tema 1274).

RAMO DO DIREITO EXECUÇÃO PENAL

TEMA Direito de visitação. Realização da finalidade da pena. Visitante em


cumprimento de pena em regime aberto ou em livramento
condicional. Possibilidade. Restrição em hipóteses excepcionais,
devidamente motivada no caso concreto, vedada a proibição
genérica. Tema 1274.

DESTAQUE

O fato de o visitante cumprir pena privativa de liberdade em regime aberto ou em


livramento condicional não impede, por si só, o direito à visita em estabelecimento prisional.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

A finalidade ressocializadora da pena tem assento na Convenção Americana de Direitos


Humanos (art. 5.6), cuja interpretação pela Corte Interamericana de Direitos Humanos engloba a
salvaguarda do contato com a família e o mundo exterior, corporificados no direito da pessoa presa a
receber visitas (Caso López y Otros Vs. Argentina), estreitamente relacionado também à proteção da
família (Caso Norín Catrimán y Otros (Dirigentes, Miembros y Activista del Pueblo Indígena Mapuche) Vs.
Chile).

O direito de visitas é previsto, ademais, nas Regras Mínimas das Nações Unidas para o
Tratamento de Reclusos ("Regras de Mandela") e na legislação doméstica, notadamente no art. 41, inciso
X, da Lei de Execução Penal - normativa que "tem como objetivo a reintegração gradual do apenado à
sociedade, por meio do processo de progressão de pena" (REsp 1.544.036/RJ, Rel. Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe de 19/9/2016).

As hipóteses em discussão envolvem processo de reintegração à sociedade que se encontra


em fase avançada, com ênfase na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado (regime
aberto) e na obtenção da liberdade mediante observância de condições estabelecidas (livramento
condicional). Não se pode perder de vista, ademais, que a pessoa presa conserva todos os direitos não
atingidos pela perda da liberdade (art. 38 do Código Penal).

A compreensão de que "[o] direito de visita pode sofrer limitações, diante das peculiaridades do
caso concreto" (AgRg no AREsp 1.602.725/DF, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe
de 27/10/2020) é contemplada pela Lei n. 7.210/84, que admite limitação ao direito de visitação mediante
ato motivado do juiz da execução penal. Inviável, entretanto, a restrição genérica, que tenha por base a
circunstância, em abstrato, de estar o/a visitante cumprindo pena em regime aberto ou livramento
condicional.

Conclui-se, assim, que é admissível o recebimento de visitas, pela pessoa presa, de quem está
cumprindo pena em regime aberto ou em gozo de livramento condicional. A restrição a tal direito poderá
ocorrer de forma excepcional, quando determinada pelo juízo da execução penal, mediante decisão
devidamente fundamentada em circunstâncias do caso concreto que guardem relação com a limitação,
quando esta se revelar adequada, necessária e proporcional. Diante de tal quadro, não se considera
devidamente fundamentada decisão que restringe a visitação por pessoa cumprindo pena em regime
aberto ou em gozo de livramento condicional quando baseada, de forma genérica, em tais circunstâncias.

Assim, fixa-se a seguinte tese: O fato de o visitante cumprir pena privativa de liberdade em
regime aberto ou em livramento condicional não impede, por si só, o direito à visita em estabelecimento
prisional.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Convenção Americana de Direitos Humanos, art. 5.6;


Lei de Execução Penal (LEP), art. 41, X;
Código Penal (CP), art. 38.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 661

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

SEGUNDA SEÇÃO

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministra Nancy Andrighi,


Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 6/2/2025, DJEN
13/2/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Penhora de imóvel. Bem de família. Impenhorabilidade legal. Fraude


à execução. Ineficácia da doação. Proteção da impenhorabilidade
mantida. Imóvel qualificado como bem de família antes da doação.
Situação inalterada pela alienação apontada como fraudulenta.

DESTAQUE

É possível o reconhecimento da manutenção da proteção do bem de família que,


apesar de ter sido doado em fraude à execução aos seus filhos, ainda é utilizado pela família como
moradia.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em definir se se a doação ou a alienação gratuita de bem de família
impenhorável pode configurar fraude à execução e afastar a proteção legal da impenhorabilidade.

Na Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, prevalece o entendimento de que o


reconhecimento da ocorrência de fraude à execução e sua influência na disciplina do bem de família deve
ser aferida casuisticamente, de modo a evitar a perpetração de injustiças - deixando famílias ao desabrigo
- ou a chancelar a conduta ardilosa do executado em desfavor do legítimo direito do credor, observados
os parâmetros do art. 792 do Código de Processo Civil e da Lei n. 8.009/1990.

De acordo com o entendimento mais recente do STJ, "o parâmetro crucial para discernir se há
ou não fraude contra credores ou à execução é verificar a ocorrência de alteração na destinação primitiva
do imóvel - qual seja, a morada da família - ou de desvio do proveito econômico da alienação (se
existente) em prejuízo do credor. Inexistentes tais requisitos, não há alienação fraudulenta" (REsp
1.227.366/RS, Quarta Turma, DJe 17/11/2014).

Considerando que a consequência da fraude à execução é apenas a ineficácia da alienação em


relação ao exequente (art. 792, § 1º, do CPC), para aferir a incidência ou não da regra da
impenhorabilidade do bem de família, é necessário analisar, primeiro, a situação do imóvel anterior à
alienação, para verificar se houve ou não alteração na sua destinação primitiva.

Assim, havendo alegação de alienação em fraude à execução envolvendo bem de família


impenhorável, será necessário analisar: i) se, antes da alienação, o imóvel já se qualificava como um bem
de família, não incidindo nenhuma exceção legal, como aquelas previstas no art. 3º da Lei n. 8.009/1990;
e ii) se, após a alienação, o imóvel manteve a qualidade de bem de família, ou seja, se continuou a servir
de moradia à entidade familiar.

Em sendo positivas as respostas, conclui-se pela incidência da proteção legal da


impenhorabilidade do bem de família, tendo em vista que não houve alteração na situação fática do

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

imóvel, a despeito da alienação.

Por conseguinte, não haverá interesse na declaração de fraude e ineficácia da alienação em


relação ao exequente, diante da ausência de consequência sobre o imóvel que continuaria sendo bem de
família e, portanto, impenhorável.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 792, § 1º;


Lei n. 8.009/1990, art. 3º.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 771

Legislação Aplicada / LEI 8.009/1990 (IMPENHORABILIDADE DO BEM DE FAMÍLIA) - Dispõe sobre a


impenhorabilidade do bem de família

Informativo de Jurisprudência n. 545

Informativo de Jurisprudência n. 791

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO EREsp 1.711.942-RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda


Seção, por unanimidade, julgado em 12/2/2025, DJEN 18/2/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Ação rescisória. Cabimento. Aplicação da Súmula 343 do STF.


Pacificação jurisprudencial. Marco temporal. Publicação da decisão
rescindenda e não o do seu trânsito em julgado. Segurança jurídica.

DESTAQUE

O momento a ser considerado como de pacificação jurisprudencial, para efeito de


incidência da Súmula n. 343 do STF, é o da publicação da decisão rescindenda, não o de seu
trânsito em julgado.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber se é cabível ação rescisória para rescindir decisão que
adotou entendimento contrário à jurisprudência pacificada posteriormente ao julgado rescisório,
considerando a Súmula n. 343 doSTF.

Segundo a súmula n. 343 do STF, "Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de
lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos
tribunais".

A violação de literal disposição de lei que autoriza o ajuizamento de ação rescisória é aquela
que enseja flagrante transgressão do direito em tese. A pacificação da jurisprudência em sentido contrário
e em momento posterior à prolação do acórdão rescindendo não afasta a incidência da Súmula n. 343 do
STF (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.223.699/RS).

O momento a ser considerado como de pacificação jurisprudencial, para efeito de incidência


da Súmula n. 343 do STF, é o da publicação da decisão rescindenda, não o de seu trânsito em julgado.

Tal entendimento visa preservar a segurança jurídica, que ficaria comprometida com a
possibilidade de que a coisa julgada pudesse sempre ser rescindida com as alterações de entendimento
dos tribunais sobre questões de direito.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
SÚMULAS

Súmula n. 343 do STF

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 600

Informativo de Jurisprudência n. 547

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

QUARTA TURMA

PROCESSO REsp 1.773.522-SP, Rel. Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta


Turma, por unanimidade, julgado em 4/2/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO EMPRESARIAL, DIREITO FALIMENTAR

TEMA Falência de instituição financeira. Letra de crédito imobiliário. Lastro


em créditos imobiliários garantidos por hipoteca ou por alienação
fiduciária de coisa imóvel. Equiparação a direito real em garantia.
Classificação na respectiva classe no processo falimentar.
Impossibilidade. Manutenção na classe de créditos quirografários.

DESTAQUE

Os créditos decorrentes da emissão das letras de crédito imobiliário devem ser


classificados na classe dos créditos quirografários.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em verificar se é permitido classificar o crédito decorrente de letras de
crédito imobiliário como "crédito gravado com direito real de garantia", nos termos do art. 83, II, da Lei n.
11.101/2005, conduzindo-o a situação de privilégio em relação aos créditos quirografários.

A Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei n. 11.101/2005) estabelece, em seu art. 83, a
ordem de habilitação dos créditos para fins de pagamento, após a realização do ativo da sociedade
empresária falida, prevendo posição privilegiada aos créditos gravados com direito real em garantia.

A letra de crédito imobiliário deve vir, necessariamente, lastreada por créditos imobiliários
garantidos por hipoteca ou por alienação fiduciária de coisa imóvel, por exigência do art. 12 da Lei n.
10.931/2004. Contudo, o credor das relações garantidas por direito real é a instituição financeira que
concedeu o financiamento a empreendedores ou adquirentes de imóveis, e não o beneficiário da letra de
crédito imobiliário.

Dessa forma, não é possível equiparar o lastro ao direito real de garantia, por falta de
vinculação direta do bem dado em garantia de terceiro à relação decorrente da emissão da letra de
crédito imobiliário. Em decorrência do princípio da taxatividade, os direitos reais de garantia devem ser
previstos em lei.

O art. 17, III, da Lei n. 9.514/1997 prevê como direito real a caução de direitos creditórios ou
aquisitivos decorrentes de contratos de venda ou promessa de venda de imóveis no âmbito das
operações de financiamento imobiliário. No entanto, ao prever a aplicação da disciplina jurídica do
penhor, exige o respectivo registro para sua constituição e consequente eficácia erga omnes.

O princípio par conditio creditorum garante tratamento equânime entre os credores de uma
mesma classe, submetendo-os de maneira socializada aos efeitos econômicos da situação de crise da
sociedade empresária, motivo pelo qual a pretendida equiparação causaria prejuízo às classes
subsequentes de credores.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

Assim, os créditos decorrentes da emissão das letras de crédito imobiliário devem ser mantidos
na classe dos créditos quirografários.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 11.101/2005 (Lei de Recuperação Judicial e Falências), art. 83


Lei n. 10.931/2004, art. 12
Lei n. 9.514/1997, art. 17, III

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

QUINTA TURMA

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik,


Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 4/2/2025, DJEN
14/2/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

TEMA Pornografia infantil. Alcance do conceito. Filmagem no uso do


banheiro. Art. 240, § 2º, II da Lei n. 8.069/1990. Subsunção normativa
adequada.

DESTAQUE

A tipificação de condutas de pornografia infantil deve considerar a finalidade sexual


evidente das imagens, abrangendo obscenidades e indecências.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O Tribunal a quo procedeu em consonância com a jurisprudência do STJ, que sedimentou
entendimento segundo o qual "[p]ara efeito dos crimes previstos no Estatuto da Criança e do
Adolescente, o alcance da expressão 'cena de sexo explícito ou pornográfica' deve ser definido à luz do
contexto fático da conduta, sendo imprescindível verificar se, a despeito de não ocorrer exposição de
órgãos genitais de criança ou adolescente, a finalidade sexual ressai evidente do contexto obsceno ou
pornográfico" (REsp 1.899.266/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 21/3/2022).

E, no caso, caracterizada está a conduta, uma vez que a vítima foi filmada desnuda em seu
banheiro, gerando o material apreendido e que foi divulgado. O termo legal "pornográfica" contido no art.
241-E do ECA engloba desde obscenidades decorrentes de cenas sexuais até indecências ou libidinagens,
despertando no indivíduo a sua excitação (REsp 2.001.654/MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, DJe
6/9/2024).

Consoante consignado pelo Tribunal de origem, "o registro de um menino de apenas nove
anos de idade usando o banheiro na sua própria casa, por meio de câmera ali instalada exatamente para
esse fim, só pode ter ocorrido para satisfazer desejos sexuais do réu. Conforme apurado pelas
investigações, o acusado tinha grande interesse em crianças e adolescentes do sexo masculino, o que
corrobora essa conclusão". E, "o réu frequentava a casa do namorado (...), o que propiciou o contato com
a criança de 9 anos e possibilitou a instalação da câmera oculta. Se o réu optou por colocá-la no
banheiro, é porque sabia que eventualmente registraria o menino, e o fato de isso ter ocorrido no
momento das necessidades fisiológicas não retira o caráter pornográfico daquela gravação".

Descabida, portanto, a pretensão de dar característica diversa à filmagem realizada com o fim
de se obter imagem considerada pornográfica para quem a produziu e quem a recebeu, sendo certo que
a filmagem do banheiro, ainda que contemple a vítima em uso do vaso sanitário, subsume-se ao conceito
de pornografia infantojuvenil tutelado pela norma penal.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.069/1990 (ECA), art. 240, § 2º, II e art. 241-E

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 782

Informativo de Jurisprudência n. 729

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

SEXTA TURMA

PROCESSO AgRg no AREsp 2.730.926-SP, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior,


Sexta Turma, por unanimidade, julgado em 11/2/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Advogado. Certificado digital. Transmissão eletrônica da petição.


Procuração nos autos. Ausência. Vício não sanado. Recurso
inexistente. Súmula 115/STJ.

DESTAQUE

Não é possível o conhecimento do recurso na hipótese em que o advogado titular do


certificado digital utilizado para assinar a transmissão eletrônica da petição não possui procuração
nos autos, pois o recurso é considerado inexistente.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Segundo a jurisprudência do STJ, "não é possível o conhecimento do recurso na hipótese em
que o advogado titular do certificado digital utilizado para assinar a transmissão eletrônica da petição não
possui instrumento de procuração nos autos, pois o recurso é considerado inexistente" (AgInt no AREsp
2.620.983/RJ, Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 3/10/2024).

Com efeito, "no sistema de peticionamento eletrônico, o advogado titular do certificado


digital, que chancela eletronicamente o documento, deverá ter procuração nos autos, não tendo valor
eventual assinatura digitalizada de outro advogado que venha a constar, fisicamente, da peça
encaminhada e assinada eletronicamente, mesmo que este possua procuração nos autos" (AgInt nos EDcl
no AREsp n. 2.302.942/AC, Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 18/9/2024).

A jurisprudência prevê uma exceção, viabilizando o protocolo de petição em sistema de


peticionamento de processo judicial eletrônico por advogado sem procuração nos autos, "desde que se
trate de documento (i) nato-digital/digitalizado assinado eletronicamente com certificado digital emitido
por Autoridade Certificadora credenciada, nos termos da MP n. 2.200-2/2001, por patrono com
procuração nos autos, desde que a plataforma de processo eletrônico judicial seja capaz de validar a
assinatura digital do documento; ou (ii) digitalizado que reproduza petição impressa e assinada
manualmente também por causídico devidamente constituído no feito" (AgInt no AREsp 1.917.838/RJ,
Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 9/9/2022), hipóteses que não se verificam na situação
em análise.

No caso, a petição de agravo recurso especial foi assinada digitalmente por advogado sem
poderes nos autos para atuar em nome da agravante, e a parte, embora regularmente intimada para sanar
referido vício, não regularizou.

Nesse cenário, não há outra solução senão aplicar a Súmula 115/STJ, que vaticina: "Na
instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
SÚMULAS

Súmula 115/STJ.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 751

Pesquisa Pronta / DIREITO PROCESSUAL CIVIL - JURISDIÇÃO E AÇÃO

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

RECURSOS REPETITIVOS - CANCELAMENTO DE AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 1.862.792-PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia


Filho, Primeira Seção, julgado em 16/6/2020, DJe 26/6/2020. (Tema
1055 cancelado).
ProAfR no REsp 1.862.797-PR, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia
Filho, Primeira Seção, julgado em 16/6/2020, DJe 26/6/2020 (Tema
1055 cancelado).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sessão de


julgamento do dia 6/2/2025, cancelou a afetação do Tema 1055, em
virtude do julgamento do Tema 1257 (REsp 2.074.601-MG; REsp
2.076.137-MG; REsp 2.076.911-SP; REsp 2.078.360-MG e REsp
2.089.767-MG).

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 1.366.721-BA, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia


Filho, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/10/2013, DJe
22/10/2013. (Tema 701 cancelado).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sessão de


julgamento do dia 6/2/2025, cancelou a afetação do Tema 701, em
virtude do julgamento do Tema 1257 (REsp 2.074.601-MG; REsp
2.076.137-MG; REsp 2.076.911-SP; REsp 2.078.360-MG e REsp
2.089.767-MG).

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.136.644-AL, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Primeira


Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN 17/2/2025.
(Tema 1308).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.136.644-


AL e REsp 2.141.105-RN ao rito dos recursos repetitivos, a fim de
uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"definir se a vedação de nova admissão de Professor Substituto
temporário anteriormente contratado, antes de decorridos 24 meses
do encerramento do contrato anterior, contida no artigo 9º, III, da
Lei n. 8.745/1993, se aplica aos contratos realizados por instituições
públicas distintas".

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.144.140-CE, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis


Moura, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2025,
DJEN 17/2/2025. (Tema 1309).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.144.140-


CE e REsp 2.147.137-CE ao rito dos recursos repetitivos, a fim de
uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"saber se os sucessores do servidor falecido antes da propositura da
ação coletiva podem executar a sentença condenatória".

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/29
Informativo de Jurisprudência n. 840 18 de fevereiro de 2025.

PROCESSO ProAfR no REsp 2.087.674-SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti,


Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJe
18/2/2025. (Tema 1310).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Segunda Seção acolheu a proposta de afetação do REsp


2.087.674-SP, REsp 2.172.305-SP e REsp 2.091.012-SP ao rito dos
recursos repetitivos, a fim de uniformizar o entendimento a respeito
da seguinte controvérsia: "definir se há litisconsórcio necessário
entre avós maternos e paternos na ação de alimentos
complementares".

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/29

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