Jurisprudência sobre Sub-rogação em Seguros
Jurisprudência sobre Sub-rogação em Seguros
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
RECURSOS REPETITIVOS
PROCESSO REsp 2.092.308-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, por
unanimidade, julgado em 19/2/2025. (Tema 1282).
REsp 2.092.311-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, por
unanimidade, julgado em 19/2/2025 (Tema 1282)
REsp 2.092.310-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, por
unanimidade, julgado em 19/2/2025 (Tema 1282)
DESTAQUE
O art. 379 do Código Civil estabelece que "a sub-rogação transfere ao novo credor todos os
direitos, ações, privilégios e garantias do primitivo, em relação à dívida, contra o devedor principal e os
fiadores".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
A opção pelo foro de domicílio do consumidor (direito processual) prevista no art. 101, I, do
CDC, em detrimento do foro de domicílio do réu (art. 46 do Código de Processo Civil), é uma faculdade
processual conferida ao consumidor para as ações de responsabilidade do fornecedor de produtos e
serviços em razão da existência de vulnerabilidade inata nas relações de consumo. Busca-se, mediante tal
benefício legislativo, privilegiar o acesso à justiça ao indivíduo que se encontra em situação de
desequilíbrio.
Logo, a inversão do ônus da prova prevista no art. 6º, VIII, do CDC não pode ser objeto de sub-
rogação pela seguradora por se tratar de prerrogativa processual que decorre, diretamente da condição
de consumidor.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
CORTE ESPECIAL
DESTAQUE
Ante sua natureza processual, a nova lei (Lei n. 14.939/2024) deve ser aplicada de imediato,
inclusive aos recursos anteriores a sua vigência, por força do art. 14 do CPC/2015.
Estabeleceu genericamente que "o tribunal determinará a correção do vício formal, ou poderá
desconsiderá-lo caso a informação já conste do processo eletrônico". Em tal contexto, salvo se houver
coisa julgada formal sobre a comprovação de feriado local e ausência de expediente forense, a Corte de
origem e o Tribunal ad quem, enquanto não encerrada a respectiva competência, estarão obrigados a
determinar a correção do vício.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
938, § 1º. Sempre que possível, portanto, a interpretação das normas processuais em vigor deve se
aproximar da solução da lide em seu mérito, afastando o excessivo rigor formal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC/2015), artigos 4º, 6º, 14, 139, IX, 932, parágrafo único, 938, § 1º e 1.003,
§ 6º
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
PRIMEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.107.398-RJ, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 18/2/2025, DJEN 24/2/2025.
DESTAQUE
No caso em discussão, a parte alegou que admitir essa possibilidade violaria o princípio do non
bis in idem, uma vez que resultaria em dupla persecução e punição pelos mesmos fatos.
Não obstante, é perfeitamente admissível que a mesma conduta seja analisada sob a ótica da
improbidade administrativa e da responsabilidade da pessoa jurídica por atos lesivos à administração
pública, previstas nas Leis n. 8.429/1992 e n. 12.846/2013, respectivamente, desde que, ao final, as duas
leis não sejam empregadas para empregar punições de mesma natureza e pelos mesmos fatos.
A própria redação do art. 3º, § 2º, da Lei n. 8.429/1992, alterada recentemente, esclarece que
as sanções previstas nessa lei não se aplicarão à pessoa jurídica caso o ato de improbidade seja também
sancionado como ato lesivo, nos termos da Lei n. 12.846/2013.
Essa previsão tem como objetivo evitar a aplicação cumulativa ou sucessiva de sanções
idênticas, mas não inviabiliza a tramitação de ações que se fundamentem simultaneamente nas duas leis.
Dessa forma, a compatibilidade entre as legislações está garantida desde que, ao final do processo, sejam
observados os limites impostos pela legislação para evitar que a mesma parte amargue sanções de
mesma natureza pelo mesmo ato ilícito.
Nesse sentido, caso ao final da demanda sejam aplicadas as penalidades previstas na Lei
Anticorrupção, ficará prejudicada a imposição das sanções estabelecidas na Lei de Improbidade em
relação ao mesmo ilícito.
A propósito, o art. 30, inciso I, da Lei n. 12.846/2013 contém comando normativo no sentido de
que os mecanismos previstos na Lei Anticorrupção são complementares e não substituem aqueles
estabelecidos em outras legislações, como a Lei de Improbidade Administrativa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
Nos moldes do art. 155, caput, II, e § 2º, I, da Constituição Federal, compete aos Estados e ao
Distrito Federal instituir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o qual,
necessariamente, deve ser não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o
montante cobrado nas anteriores. Além disso, o art. 155, § 2º, XII, b e c, da Constituição Federal prescreve
caber à lei complementar dispor sobre substituição tributária e, para efeito de concretizar a regra da não
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
Trata-se, portanto, de um sistema de créditos que poderá ser usado como forma de liquidação
do tributo mediante compensação, de modo a possibilitar que, da quantia devida a título de ICMS, sejam
abatidos os créditos acumulados nas operações precedentes.
Conquanto a dicção do art. 155, caput, II, e § 2º, I, da Constituição Federal disponha sobre a
concretização da não cumulatividade do ICMS mediante compensação entre créditos e débitos, não se
pode confundir tal sistemática, inerente ao cálculo do imposto, com a modalidade de extinção do crédito
tributário igualmente denominada de compensação pelos artigos 156, II, e 170 do Código Tributário
Nacional.
Isso porque, no primeiro caso, o vocábulo compensação diz com a forma de apuração do valor
devido a título de tributo, de modo a densificar a regra da não cumulatividade e reduzir o gravame fiscal
nas sucessivas operações em cascata, estando regulada, em âmbito infraconstitucional, de acordo com os
regramentos previstos na LC n. 87/1996. Na segunda acepção, por sua vez, a compensação mencionada
no CTN confere ao sujeito passivo, diante de reconhecido pagamento indevido, o direito de ver extinta
outra obrigação principal validamente constituída se constatada a qualidade recíproca de credor e
devedor entre ambos os sujeitos da relação tributária, operando-se, assim, verdadeiro "encontro de
contas".
Não obstante, o Supremo Tribunal Federal, historicamente, vem adotando orientação diversa,
legitimando restrições à concretização do princípio da não cumulatividade quando veiculadas mediante
lei complementar.
Destaque-se, ainda, que, embora, ao menos em tese, seja viável aos Estados e ao Distrito
Federal ampliar as formas mediante as quais autorizada a liquidação do ICMS-ST - densificando, em maior
extensão, postulado de envergadura constitucional -, o tribunal de origem, de maneira expressa, ressaltou
que "[...] a legislação estadual que trata da sistemática de substituição tributária veda expressamente a
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
Dessa forma, diante a intepretação efetuada pelo STF acerca do alcance da norma estampada
no art. 155, § 2º, I, da Constituição Federal, e, ainda, sob o prisma eminentemente infraconstitucional, não
se extrai diretamente da LC n. 87/1996 autorização expressa e suficiente a possibilitar a utilização de
créditos de ICMS, acumulados em escrita fiscal, para compensação com valores devidos a título de ICMS-
ST, razão pela qual, havendo expressa vedação a tal procedimento em lei estadual, inviável a adoção de
exegese diversa.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
A primeira refere-se à vigência do seguro garantia, que teria se encerrado na data da revogação
do contrato de regime especial do ICMS, enquanto o auto de infração foi lavrado em data posterior. A
segunda diz respeito à possibilidade de cobrança da indenização, mesmo com a suspensão da
exigibilidade do crédito tributário em decorrência da pendência de recurso administrativo.
No caso, o Tribunal de origem entendeu que o contrato de seguro garantia teria natureza de
contrato acessório, devendo ser extinto com o contrato principal e que a exigibilidade do crédito
tributário estava suspensa.
A cobertura contratual de seguro garantia deve considerar a boa-fé das partes, que devem
cumprir a avença com probidade. Caso a inadimplência do tomador perante a obrigação garantida tenha
ocorrido durante a vigência da apólice, a caracterização do sinistro (sua comprovação) pode ocorrer fora
do prazo de vigência da apólice. Esse entendimento é refletido na Circular n. 662/2022, da
Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), autarquia reguladora do mercado de seguros.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
Embora se trate de ação de cobrança, pela natureza do objeto segurado, deve ser aplicada a
jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a suspensão da exigibilidade do
crédito tributário, perfectibilizada após a propositura da ação, tem o condão somente de obstar o curso
do processo e não de extingui-lo.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
Todavia, há exceções. O art. 2.005 do Código Civil dispensa de colação as doações quando o
doador determinar que saiam da parte disponível, contanto que não a excedam, computado o seu valor
ao tempo da doação. O dispositivo legal fundamenta-se no princípio sucessório segundo o qual o autor
da herança pode destinar a parte disponível livremente a quem desejar, na proporção que escolher.
Nesse sentido, conclui-se que o termo "determinar" não comporta interpretações extensivas
ou presunções. Sendo assim, a dispensa de colação exige manifestação volitiva clara e expressa do
doador, não podendo ser inferida tacitamente.
Logo, a dispensa do dever de colacionar bens doados somente se efetiva quando o doador, de
forma expressa e inequívoca, declara formalmente que a liberalidade será realizada à conta de sua parte
disponível, não constituindo adiantamento de legítima.
Portanto, a simulação do negócio jurídico original, mascarando uma doação sob a forma de
dação em pagamento, não pode implicar dispensa tácita da colação.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
A capacidade para testar é presumida, exigindo-se prova robusta para sua anulação.
De acordo com o Código Civil, a presunção é de capacidade para testar (artigos 1º e 1.860 do
CC/2002), ou seja, todo indivíduo com plena capacidade civil é considerado apto a dispor de seus bens
por meio de testamento. Essa presunção alinha-se ao princípio da autonomia da vontade, que assegura
ao testador o direito de decidir sobre a destinação de seu patrimônio.
Pelo princípio in dubio pro capacitate, se houver dúvida sobre a capacidade do testador, o
testamento é válido. Além disso, a exigência de prova da incapacidade resguarda a estabilidade das
relações jurídicas e a segurança dos bens deixados, prevenindo que alegações infundadas comprometam
a eficácia do testamento.
Dessa forma, segundo o art. 1.861 do CC/ 2002, a validade do testamento deve ser aferida com
base na capacidade do testador no momento em que o ato foi praticado, independentemente de
eventuais mudanças posteriores em sua condição mental.
Do acórdão recorrido é possível aferir que não foram apresentados elementos probatórios que
demonstrassem, de forma convincente, a incapacidade cognitiva da testadora no momento da lavratura
do testamento cerrado.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
aferidas no momento em que houve a lavratura do ato de disposição, respeitando a vontade de quem a
manifesta e garantindo a estabilidade das relações jurídicas.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código Civil (CC/2002), art. 1º, art. 4º, III, art. 1.860 e art. 1.861
Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 371
DESTAQUE
Para eliminar qualquer dúvida sobre quem deve ser considerado consumidor em caso de
acidente de consumo, o art. 17 equipara "aos consumidores todas as vítimas do evento". Essa inclusão
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
reforça o caráter protetivo da legislação, garantindo que todos os afetados por acidentes de consumo
possam buscar reparação, ampliando assim a responsabilidade dos fornecedores e promovendo uma
maior segurança nas relações de consumo.
No contexto em que o policial é ferido por portar arma de fogo com defeito de fabricação, ele
se torna consumidor por equiparação, tendo em vista ser o destinatário final do produto e o que sofre as
consequências diretas de sua inadequação. Ao se reconhecer o policial como consumidor bystander,
promove-se uma interpretação mais ampla do conceito de consumo, prevenindo que pessoas em
situações similares fiquem desprotegidas em casos de danos causados por produtos defeituosos.
Assim, a proteção prevista pelo Código de Defesa do Consumidor se estende a todas as vítimas
afetadas pelo produto, garantindo seu direito à reparação por danos resultantes de falhas na fabricação.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO AgInt no REsp 1.757.672-DF, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 18/2/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
Nesse sentido, os bens alienados no processo de recuperação judicial são livres de ônus e sem
sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, nos termos do art. 60, parágrafo único, da Lei
11.101/2005, considerando as finalidades da legislação, o que se aplica tanto às vendas judiciais como a
outras modalidades (REsp 1.854.493/SP, Relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em
23/8/2022, DJe 26/8/2022).
Dessa forma, consumado o negócio jurídico, com o recebimento dos recursos financeiros
correspondentes pela devedora e o registro da escritura pública de compra e venda, impõe-se a
manutenção da alienação do imóvel a terceiro adquirente de boa-fé, eis que realizada conforme expressa
previsão no plano de recuperação homologado, dando-se, assim, segurança para o investidor que se
interessou em adquirir o bem da empresa em crise.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
No caso, considerou-se que o prazo prescricional estaria suspenso desde o decurso do prazo
fixado na citação editalícia até a citação pessoal, a despeito da ausência de decisão judicial nesse sentido.
Nesse contexto, não é possível considerar que houve suspensão do processo e do prazo prescricional,
nos termos do art. 366 do Código de Processo Penal, porquanto se trata de suspensão que não é
automática, dependendo de decisão judicial, a qual não foi proferida.
Com efeito, sobre à prescrição, "tem-se que sua suspensão, em conjunto com a suspensão do
processo, ocorre por meio de decisão do Magistrado de origem. Dessa forma, em observância ao
paralelismo das formas, apenas é possível retomar sua contagem também por meio de decisão do Juiz
que restabelece o curso do processo" (AgRg no HC 632.230/MS, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca,
Quinta Turma, DJe 4/2/2021).
Note-se que, "para o fim preconizado, mister que o magistrado profira decisão determinando a
suspensão do processo, notadamente em observância ao contido no artigo 93, inciso IX, da Constituição
da República, não se operando o sobrestamento de forma automática. De igual modo, para restabelecer a
sua tramitação, impõe-se a prolação de nova decisão, já que a lei não prevê o prosseguimento de plano
da ação" (HC 67.435/RS, Ministro Paulo Gallotti, Sexta Turma, DJe de 23/3/2009).
Destaque-se que o fato de se tratar de determinação que decorre da lei (ope legis), e não do
juiz (ope judici), não significa a desnecessidade de decisão judicial, mas apenas a desnecessidade de se
fundamentar a decisão suspensiva, uma vez que, preenchidos os pressupostos legais, basta que o juiz os
reconheça e proceda à suspensão do processo e da prescrição. A ausência de decisão, especialmente em
matéria de prescrição, acabaria por gerar insegurança jurídica e a subversão de princípios constitucionais.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO REsp 2.009.368-BA, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN 17/2/2025.
DESTAQUE
É válida a sentença proferida de forma oral e registrada por meio audiovisual, sem a
transcrição integral na ata de audiência.
Contudo, a Terceira Seção do STJ já assentou o posicionamento de que "exigir que se faça a
degravação ou separada sentença escrita é negar valor ao registro da voz e imagem do próprio juiz, é
sobrelevar sua assinatura em folha impressa sobre o que ele diz e registra", de maneira que "a ausência de
degravação completa da sentença não prejudica ao contraditório ou à segurança do registro nos autos,
do mesmo modo que igualmente ocorre com a prova oral" (HC 462.253/SC, Rel. Ministro Nefi Cordeiro,
Terceira Seção, DJe 4/2/2019).
Prevaleceu o entendimento de que a nova redação do art. 405, § 2°, do Código de Processo
Penal, que consagra o princípio da celeridade, simplificação e economia dos atos processuais, bem como
o princípio da oralidade, é aplicável tanto ao registro audiovisual de prova oral, quanto ao de debates
orais e de sentença prolatada em audiência.
Ademais, ressalte-se que a ausência de degravação integral não causa, por si só, nulidade
absoluta, devendo ser demonstrado o prejuízo concreto à defesa, o que não ocorreu no caso.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
Com efeito, tal entendimento está em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido de
que "aplicada a pena restritiva de direito, consistente na prestação de serviços à comunidade, após o
trânsito em julgado da condenação, só é permitido ao Juiz da Execução, a teor do disposto no art. 148 da
LEP, alterar a forma de cumprimento, ajustando-as às condições pessoais do condenado e às
características do estabelecimento, vedada a substituição da pena aplicada" (REsp n. 884.323/RS, Quinta
Turma, Ministro Felix Fischer, DJ de 13/8/2007).
Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a parte final do art. 44, § 2º, do Código
Penal, firmou o entendimento de que não é possível a substituição da pena privativa de liberdade superior
a 1 (um) ano por duas penas de prestação pecuniária (AgRg no AREsp n. 1.469.098/SP, Ministra Laurita
Vaz, Sexta Turma, DJe 19/8/2019).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Segundo entendimento do STJ, "Não satisfazem a exigência legal [para se realizar a busca
pessoal e/ou veicular], por si sós, meras informações de fonte não identificada (e.g. denúncias anônimas)
ou intuições e impressões subjetivas, intangíveis e não demonstráveis de maneira clara e concreta,
apoiadas, por exemplo, exclusivamente, no tirocínio policial. Ante a ausência de descrição concreta e
precisa, pautada em elementos objetivos, a classificação subjetiva de determinada atitude ou aparência
como suspeita, ou de certa reação ou expressão corporal como nervosa, não preenche o standard
probatório de "fundada suspeita" exigido pelo art. 244 do CPP" (RHC 158.580/BA, Rel. Ministro Rogerio
Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 19/4/2022, DJe 25/4/2022).
No caso, a abordagem foi realizada em razão de informe prévio com descrição pormenorizada
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
do veículo que estaria transportando entorpecentes, com detalhamento da placa e sua características, o
que motivou a busca veicular e o encontro de mais de 62kg (sessenta e dois quilogramas) de pasta-base
de cocaína, fundamentos adequados e suficientes para autorizar a diligência.
No mesmo sentido o parecer do Ministério Público Federal, para quem "houve, sim, fundada
suspeita apta a ensejar a realização de busca pessoal e veicular, consistente em denúncia baseada em
elementos concretos, precisos e objetivos (modelo, marca e placa do veículo), a fim de fazer cessar a
ocorrência de crime de natureza permanente, qual seja o tráfico de entorpecentes, não sendo o caso de
ilegalidade".
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
Ademais, não ficou devidamente comprovada a legalidade do acesso direto dos agentes
policiais à residência do acusado.
Tal circunstância tem sido rechaçada pela jurisprudência do STJ, segundo a qual a prova da
legalidade e da voluntariedade do consentimento para o ingresso na residência do suspeito incumbe, em
caso de dúvida, ao Estado, e deve ser feita com declaração assinada pela pessoa que autorizou o ingresso
domiciliar, indicando-se, sempre que possível, testemunhas do ato. Em todo caso, a operação deve ser
registrada em áudio-vídeo e preservada tal prova enquanto durar o processo (HC n. 608.405/PE, Ministro
Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 14/4/2021).
A falta de tais comprovações no caso em análise, aliada à ausência de fundada suspeita para a
busca domiciliar, leva ao reconhecimento da ilicitude das provas obtidas.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/25
Informativo de Jurisprudência n. 841 25 de fevereiro de 2025.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/25