Prorrogação de Prazos Processuais
Prorrogação de Prazos Processuais
de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
CORTE ESPECIAL
PROCESSO AgInt nos EREsp 1.745.855-PI, Rel. Ministro Raul Araújo, Corte
Especial, por maioria, julgado em 19/2/2025.
DESTAQUE
A regra encampada na Lei Processual Civil de 1973 (CPC/1973), em vigor à época dos fatos,
dispunha que "os atos processuais realizar-se-ão em dias úteis, das 6 (seis) às 20 (vinte) horas" (art. 172,
caput), admitindo, porém, a adoção de exceção na exclusiva hipótese em que "o ato tiver que ser
praticado em determinado prazo, por meio de petição", quando "esta deverá ser apresentada no
protocolo, dentro do horário de expediente", desde que "nos termos da lei de organização judiciária local"
(art. 172, § 3º).
A legislação atual conserva essas previsões em termos semelhantes, conforme consta no §3º
do art. 212 do Código de Processo Civil (CPC): "Quando o ato tiver de ser praticado por meio de petição
em autos não eletrônicos, essa deverá ser protocolada no horário de funcionamento do fórum ou
tribunal, conforme o disposto na lei de organização judiciária local".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Portanto, somente a Lei de Organização Judiciária local pode estabelecer exceção ao horário
normal de funcionamento previsto no Código de Processo Civil; cabendo lembrar ser a matéria
processual da competência privativa da União (Constituição Federal, art. 22, I). Logo, somente lei
específica estadual pode dispor diferentemente sobre horário de funcionamento forense. Assim, nem
mesmo outra lei ordinária estadual pode dispor sobre a matéria.
Destarte, se o horário diverso e restritivo de funcionamento de fórum não pode sequer ser
disciplinado por outra lei ordinária, com maior razão não poderia atender à mera resolução.
Note-se que a resolução tem validade internamente para o Judiciário, disciplinando o horário
de funcionamento dos fóruns com validade para o trabalho de seus servidores e juízes, mas não tem
eficácia para prejudicar o jurisdicionado, a ponto de reduzir o prazo processual das partes, o qual fica
prorrogado para o próximo dia útil seguinte, nos termos do art. 184, § 1º, II, do CPC/1973 e art. 224, § 1º
do CPC/2015.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/51
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PRIMEIRA SEÇÃO
DESTAQUE
Nesse contexto, a Primeira Seção do STJ já se manifestou no sentido de que aos processos de
revisão deve ser aplicado o art. 12 da Lei n. 10.559/2002, que dispõe sobre o exame dos requerimentos de
anistia serem submetidos à Comissão de Anistia (MS n. 19.516/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira
Seção, julgado em 14/12/2022, DJe de 19/12/2022).
Assim, além das atividades do Grupo de Trabalho Interministerial estarem adstritas a estudos
prévios, a referida competência da Comissão não é delegável, de forma que a ausência de participação
desse órgão é causa de nulidade do procedimento de revisão de anistia política.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/51
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
Na hipótese, é evidente, portanto, a violação ao art. 997, § 2º, do CPC. Com efeito, ao não se
conhecer do recurso principal, o recurso adesivo deve seguir a mesma sorte.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/51
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Por fim, quanto à condenação ao pagamento de honorários advocatícios, as rés, em uma única
manifestação nos autos, indicaram que "não se opõem a pretensão da autora", postulando que não
fossem condenadas a pagar tal verba. Importante registrar que o caso envolve erro perpetrado pelo Poder
Judiciário, razão pela qual, ante a singularidade do caso, não há causalidade a justificar a condenação das
rés.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/51
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SEGUNDA SEÇÃO
DESTAQUE
A nova redação do art. 63, §§ 1º e 5º, do CPC aplica-se aos processos cuja petição
inicial tenha sido ajuizada após 4/6/2024, data da vigência da Lei n. 14.879/2024. Quanto às
demandas ajuizadas em momento anterior à sua vigência, a nova legislação não será aplicada,
sobrevindo a prorrogação da competência relativa - pelo foro de eleição - em razão da inércia da
contraparte e da incidência da Súmula n. 33/STJ.
A Lei n. 14.879/2024 alterou o art. 63 do CPC no que diz respeito aos limites para a
modificação da competência relativa mediante eleição de foro. A nova redação do § 1º do dispositivo
dispõe que "a eleição de foro somente produz efeito quando constar de instrumento escrito, aludir
expressamente a determinado negócio jurídico e guardar pertinência com o domicílio ou a residência de
uma das partes ou com o local da obrigação, ressalvada a pactuação consumerista, quando favorável ao
consumidor".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/51
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réu ou do local de cumprimento da obrigação) não pode ele, abdicando de todas as alternativas previstas
na lei processual, escolher outro foro, aleatoriamente, sob pena de afronta ao princípio do Juiz natural
(EDcl no REsp n. 1.430.234/PR, Quarta Turma, DJe de 13/6/2014; AgInt no REsp n. 1.866.563/AL, Terceira
Turma, DJe 9/6/2023).
De fato, a liberdade das partes para estabelecer convenções processuais típicas - e atípicas -,
não é absoluta, e, com a alteração do Código de Processo Civil pela Lei n. 14.879/2024, essa autonomia
ganha contornos mais específicos. Frisa-se, por oportuno, que as partes continuam com a faculdade de
negociar e eleger o foro que melhor lhes convêm, com fundamento na sua autonomia privada e no viés
democrático do processo, desde que dentro do critério legal de racionalidade, evitando-se escolhas
abusivas ou eventual distorção do instituto jurídico.
Como consequência da não observância dos novos parâmetros legais, será considerada prática
abusiva o ajuizamento de demanda em foro aleatório, sem qualquer vinculação com o domicílio ou
residência das partes ou com o negócio jurídico, podendo o Juízo declinar de ofício da competência, nos
termos do § 5º do art. 63 do CPC.
Com a vigência da nova legislação, tem-se a superação parcial da Súmula n. 33/STJ, segundo a
qual "a incompetência relativa não pode ser declarada de ofício".
Por outro lado, a nova legislação não será aplicada às demandas ajuizadas em momento
anterior à sua vigência, sobrevindo a prorrogação da competência relativa - pelo foro de eleição - em
razão da inércia da contraparte e da incidência da Súmula n. 33/STJ.
Desse modo, no caso, a ação foi ajuizada antes vigência da nova lei, sendo descabida a
declinação de ofício da competência em razão da prorrogação da competência relativa.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 33/STJ
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/51
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PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
Com efeito, a legislação supracitada reclama, para a configuração de "ato lesivo", a presença
de ilegalidade e lesividade, em sentido jurídico e concreto. Aliás, o art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição
Federal também estabelece que a ação popular destina-se à "anulação de ato lesivo" que afete os bens ali
mencionados.
Sendo assim, a ausência de materialidade jurídica afasta o requisito de ilegalidade exigido pela
Lei n. 4.717/1965, tendo-se em vista que são opiniões do então presidente que, ainda que questionáveis,
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/51
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foram proferidas em contexto político, cuja análise escapa ao âmbito de proteção da ação popular.
Por fim, estender o conceito de lesividade, para abarcar manifestações sem efeitos diretos,
implicaria grave desvirtuamento do instituto da ação popular, banalizando seu alcance, em prejuízo à sua
efetividade.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO REsp 2.167.080-RJ, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, por
unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN 17/2/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/51
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Portanto, fica evidenciado que aludida ação mandamental não era o locus para se discutir a
repercussão daquele direito sobre outras vantagens eventualmente percebidas pelos substituídos.
Com efeito, a questão relativa à possibilidade, ou não, de cumulação da VPE com a GEFM e a
GFM nem sequer poderia ser considerada como "matéria de defesa" a ser arguida em face do específico
pedido de recebimento da VPE, pois não representa uma causa modificativa da obrigação reconhecida no
título executivo judicial: apenas impende o recebimento simultâneo da VPE com aquelas outras
vantagens, impondo à parte interessada decidir qual delas lhe é mais favorável.
Nesses termos, aludida questão era estranha à causa de pedir deduzida no mandamus coletivo
e, portanto, ali não poderia ser examinada, por extrapolar os limites da lide, em linha com o princípio da
congruência.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 476/STJ.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
O título judicial firmado em ação coletiva de rito ordinário proposta por associação
abrange todos associados residentes no âmbito da jurisdição do Tribunal de segundo grau, não se
restringindo àqueles domiciliados na jurisdição do juízo que proferiu a decisão de primeiro grau.
Acerca dos limites subjetivos da sentença de procedência de ação coletiva, de rito ordinário,
ajuizada por associação civil na defesa de interesses dos associados, o Tribunal Federal recorrido concluiu
que esses efeitos somente alcançavam os filiados residentes no âmbito territorial da competência da
Subseção Judiciária Federal.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/51
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SEGUNDA TURMA
DESTAQUE
A petição inicial da ação de improbidade pode ser rejeitada tão somente quando não
houver indícios mínimos da existência de ato de improbidade administrativa, de modo que
havendo a sua presença, deve a exordial ser recebida e realizada a instrução processual, sendo a
sentença o momento adequado para se aferir a existência de conduta dolosa, bem como a
ocorrência de dano efetivo ao erário.
A petição inicial da ação de improbidade pode ser rejeitada tão somente quando não houver
indícios mínimos da existência de ato de improbidade administrativa. Havendo a sua presença, deve ser a
exordial recebida e realizada a instrução processual, sendo a sentença o momento adequado para aferir a
responsabilidade do agente, incluindo a existência de conduta dolosa, bem como a ocorrência de dano
efetivo ao erário.
O Superior Tribunal de Justiça entende que, em fase inaugural do processamento de ação civil
pública por improbidade administrativa, vige o princípio do in dubio pro societate. Significa dizer que,
caso haja apenas indícios da prática de ato de improbidade administrativa, ainda assim se impõe o
recebimento da exordial.
No caso em análise, o fato de que o réu se utilizou das imagens publicitárias de específico
programa de recapeamento de Município para publicá-las em suas contas pessoais em redes sociais, fatos
incontroversos constantes do acórdão recorrido, constitui indício mínimo suficiente de que a contratação
da aludida campanha publicitária poderia ter ocorrido objetivando a promoção pessoal do requerido,
como inclusive, entendeu o Juízo de primeiro grau. Tal indício, por si só, seria suficiente para justificar o
processamento da ação de improbidade.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Sendo assim, no caso concreto, os fatos narrados no acórdão recorrido constituem indícios
mínimos da prática de ato de improbidade, suficientes para determinar o recebimento da peça inicial.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 14.230/2021.
PROCESSO REsp 1.714.536-RJ, Rel. Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, por
unanimidade, julgado em 4/2/2025, DJEN 10/2/2025.
DESTAQUE
A pequena extensão de área ambiental atingida não pode se sobrepor, como razão de
decidir, ao comportamento flagrantemente ofensivo ao meio ambiente cometido pelo particular,
de modo que deve ser demolida a edificação, bem como recuperado o meio ambiente, ainda que
se trate se obra de pequena extensão, da ordem de 4m², realizada em Área de Preservação
Permanente - APP.
A teoria do fato consumado da antropização da área não pode servir para a mera e simples
legalização da conduta ambientalmente ilícita, sendo certo o dano ambiental pela construção em área
não edificável, às margens de curso d'água.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
No caso, é inequívoco que o particular foi notificado da ilicitude de sua conduta, mediante
autuação administrativa ocorrida em 1997, que impunha a paralisação da obra. Mesmo assim, ignorou a
determinação e deu seguimento ao empreendimento, não só à revelia de qualquer permissão, seja da lei,
seja da administração, como em contrariedade a ambas.
Essa conduta não pode ser reputada como conforme à juridicidade. O eventual inconformismo
com a determinação administrativa autorizaria o particular a buscar seus direitos na via judicial, ou
mesmo protestar por sua observação perante o órgão ambiental. Porém não é dado ao administrado que
simplesmente exerça o que entende ser seu direito por meios próprios. O particular não dispõe de poder
de autotutela, ao menos nesse contexto.
É regra antiga e geral de direito, consagrada também no campo ambiental, ser vedado ao
indivíduo aproveitar-se da própria torpeza, isto é, de ser beneficiado por conduzir-se de forma ilícita.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
Nesse sentido, a isenção tributária do ICMS visa a não onerar as operações de exportação,
garantindo competitividade ao produto nacional no mercado internacional.
Por sua vez, a Súmula n. 649 do STJ estabelece que não incide ICMS sobre o serviço de
transporte interestadual de mercadorias destinadas ao exterior, entendimento que deve se estender ao
transporte intermunicipal.
Dessa forma, não incide ICMS sobre o transporte intermunicipal de mercadorias destinadas à
exportação.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
TERCEIRA TURMA
DESTAQUE
No caso analisado, ainda que o autor tenha passado a residir com a mãe biológica na fase
adulta, em razão da separação tumultuosa dos pais socioafetivos, tal fato em nada interfere no seu
pertencimento à família socioafetiva, que lhe acolheu desde tenra idade, lhe prestando todo o carinho,
afeto e educação de uma verdadeira família.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 622/STF
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
É possível o rompimento do vínculo de filiação entre pai e filho maior de idade caso
constatada a inexistência de relação socioafetiva entre as partes, além da quebra dos deveres de
cuidado do pai registral, consubstanciado no abandono material e afetivo do filho.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
No caso sob julgamento, é premissa fática que o autor e o genitor se encontraram em raras
oportunidades, convivendo por poucos meses desde o nascimento até o rompimento do relacionamento
entre o genitor e a genitora, e novamente por poucos meses quando do curto momento em que o casal
reatou, quando o filho contava com um ano de idade. Percebe-se que o genitor vinculou o convívio com
o filho ao relacionamento conjugal com a mãe e, rompido este, deixou de prestar qualquer auxílio
material ou afetivo à criança, mesmo antes de ser recolhido ao sistema prisional.
É bem verdade que o cometimento do crime pelo pai não implica, por si só, no rompimento do
vínculo de filiação. No entanto, a ausência de vínculo de socioafetividade estabelecida ao longo dos 25
(vinte e cinco) anos de vida do autor demonstra a quebra dos deveres de cuidado do genitor para com o
filho, ensejando no seu abandono material e afetivo.
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO REsp 2.121.904-SP, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN 17/2/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Igualmente, a Lei Geral de Proteção de Dados - LGPD também confere especial garantia de
preservação dos dados de pessoas naturais. Nesse sentido, o art. 2º da LGPD aponta entre os
fundamentos da disciplina da proteção dos dados pessoais o respeito à privacidade, a autodeterminação
informativa e a inviolabilidade da intimidade, da honra e da imagem. Além disso, estabelece uma série de
princípios que devem ser observados nas atividades de tratamento de dados pessoais, bem como que
cabe ao fornecedor o ônus de comprovar que cumpriu com seu dever de proteger dados pessoais do
consumidor, sobretudo quando se trata de dados sensíveis, nos termos do CDC (artigos 6º, VIII e 14,
caput e § 3º) e da LGPD (artigos 6º, X, 8º, § 2º, 42, § 2º e 48, § 3º).
Os dados pessoais podem ser conceituados como o conjunto de informações distintas que
podem levar à identificação de uma determinada pessoa natural (art. 5º, I, da LGPD). Entre eles, ganham
especial proteção legal os chamados dados pessoais sensíveis: são aqueles que, quando revelados,
podem gerar algum tipo de discriminação, sobretudo os que incidem sobre "origem racial ou étnica,
convicção religiosa, opinião política, filiação a sindicato ou a organização de caráter religioso, filosófico
ou político, dado referente à saúde ou à vida sexual, dado genético ou biométrico" (art. 5º, II, da LGPD).
Por isso, em contrato de seguro de vida, deve-se empreender um rigoroso esforço para a
proteção dos dados pessoais, já que, para sua celebração, a seguradora, para a avaliação dos riscos,
recebe dados sensíveis sobre aspectos pessoais, familiares, financeiros e de saúde do segurado.
Conforme reconhecido pela Terceira Turma "a disponibilização indevida de dados pessoais
pelos bancos de dados para terceiros caracteriza dano moral presumido (in re ipsa) ao cadastrado titular
dos dados, diante, sobretudo, da forte sensação de insegurança por ele experimentada" (REsp
2.115.461/SP, Terceira Turma, DJe 14/10/2024).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Isso porque a LGPD dispõe que aquele que, "em razão do exercício de atividade de tratamento
de dados pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, em violação à
legislação de proteção de dados pessoais, é obrigado a repará-lo" (art. 42).
Além disso, o art. 45 da LGPD esclarece que as hipóteses de violação do direito do titular no
âmbito das relações de consumo permanecem sujeitas às regras de responsabilidade previstas na
legislação pertinente, em especial, ao regime da referida responsabilidade objetiva por falhas na prestação
do serviço, nos termos do art. 14 do CDC.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Defesa do Consumidor (CDC), artigos 6º, VIII; 14, caput e § 3º; 43;
Lei n. 13.709/2018 - Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), artigos 2º; 5º, I, II; 6º, X; 7º; 8º, § 2º; 42, §
2º; 45 e 48, § 3º.
DESTAQUE
O documento assinado por todos os sócios, mas não levado a registro, é suficiente
para permitir a exclusão extrajudicial de sócio de sociedade limitada por falta grave.
A exclusão extrajudicial de sócio tem que estar prevista no contrato social. A norma tem como
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
objetivo dar conhecimento a todos os sócios, especialmente aos minoritários, dos riscos da entrada ou
permanência na sociedade.
Na hipótese em exame, logo após a constituição da sociedade, foi lavrado um documento que,
embora não tenha sido levado a registro, se reveste de todas as formalidades, tendo sido assinado por
todos os sócios, com o quórum necessário, portanto, para alterar até mesmo as cláusulas essenciais,
previstas no artigo 997 do Código Civil, e que previa a exclusão. Constam do documento a natureza e o
objeto da sociedade, os deveres e obrigações dos sócios, a participação nos lucros e faltas disciplinares.
Dessa forma, partindo da premissa de que o "estatuto" pode ser considerado um aditamento ao
contrato social, é possível concluir que a possibilidade de exclusão extrajudicial gerou efeitos desde logo
para os sócios. Assim, ao sócio signatário do "estatuto" poderia ser aplicada a exclusão extrajudicial desde
a assinatura daquele documento.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO REsp 2.145.132-GO, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 18/2/2025, DJEN 25/2/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Após ser considerada apta a participar do estudo clínico, os quais comprovaram que ela se
encontrava em gozo de plena saúde física, recebeu a primeira dose do medicamento, e, 28 dias depois,
recebeu a segunda dose, sendo que 10 (dez) dias depois, apareceram as primeiras manchas vermelhas em
seu corpo, que, posteriormente, se alastraram por todo o corpo.
O exame histopatológico registrou quadro consistente com pitiríase rubra pilar, razão pela qual
a parte se encontra em acompanhamento ambulatorial com hipótese diagnóstica de eritrodermia. Em
razão dos danos sofridos, pretende o custeio integral do tratamento dermatológico, psicológico e
psiquiátrico, além da compensação pelos danos moral, estético e psicológico suportados,
Diante da fragilidade da prova técnica para revelar a verdade dos fatos, para confirmar, com
juízo de certeza, o nexo causal entre o medicamento administrado e a doença desenvolvida - e do
inafastável dever de julgar, mesmo nessa circunstância, o Tribunal a quo, considerando os demais
elementos de prova que confirmam a verossimilhança das alegações da autora, imputou à ré o risco pelo
mau êxito da perícia, fazendo-lhe, pois, arcar com as consequências desfavoráveis de não haver
demonstrado a inexistência do nexo causal, que teria lhe aproveitado (dimensão objetiva do ônus da
prova).
A Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n. 9/2015 da Anvisa estabelece, em seu art. 12, que o
patrocinador é responsável por todas as despesas relacionadas com procedimentos e exames,
especialmente aquelas de diagnóstico, tratamento e internação do participante do ensaio clínico, e outras
ações necessárias para a resolução de eventos adversos relativos ao ensaio clínico. A mesma norma
define evento adverso (EA) como sendo "qualquer ocorrência médica adversa em um paciente ou
participante do ensaio clínico a quem um produto farmacêutico foi administrado e que não
necessariamente tenha uma relação causal ao tratamento" (art. 6°, XXIII). E, se resultar em
incapacidade/invalidez persistente ou significativa, ou ainda em evento clinicamente significante, é tido
como evento adverso grave (art. 6°, XXIV).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n. 9/2015 da Anvisa, art. 6°, XXIII e XXIV; e art. 12.
Resolução n. 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, item III.2, "o", item V.6, e item V.7.
DESTAQUE
Na origem, a ação anulatória foi proposta originariamente pela Rede Ferroviária Federal S.A. -
RFFSA, sucedida pela União, em que se pleiteia a nulidade de título em nome de pessoa natural,
transferido para seu espólio, e consequentes registros imobiliários posteriores, sob o fundamento de que
o imóvel foi adquirido pela Fazenda Federal da República dos Estados Unidos do Brasil, em 1915, do
alienante, pai daquela, sua herdeira no inventário de bens.
A parte teria alienado à União propriedade com área maior do que originalmente possuía,
supostamente se tratando de compra e venda a non domino. Depois advieram outros atos negociais por
escritura pública e respectivos registros imobiliários em cadeia sucessória.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
que houve venda a non domino, necessária seria a análise de documentos e da extensa cadeia dominial
constituída sobre a área questionada, bem como da localização e extensão dos terrenos e dos respectivos
registros públicos, bem como dos eventuais alargamentos e sobreposições dos limites da área em
questão, o que demandaria produção de prova pericial complexa, que, embora inicialmente determinado
pelo Juízo a quo, não chegou a ser realizada, proferindo-se julgamento conforme o estado do processo".
PROCESSO REsp 2.166.023-PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 4/2/2025, DJEN 7/2/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
contratado, é preciso investigar, inicialmente, quais foram as informações que lhe foram prestadas,
perquirindo-se, a partir disso, se elas foram claras, adequadas, precisas e, sobretudo, se continham as
advertências necessárias para alertar o consumidor a respeito dos riscos que eventualmente poderiam
frustrar a almejada utilização do serviço.
A correta prestação de informações, que para além de constituir direito básico do consumidor,
revela-se, ainda, consectário da lealdade inerente à boa-fé objetiva, constitui o ponto de partida a partir
do qual será possível determinar a perfeita coincidência entre o serviço oferecido e o efetivamente
prestado. Portanto, a informação repassada ao consumidor integra o próprio conteúdo do contrato, na
medida em que alcança o negócio em sua essência.
Trata-se, portanto, de dever intrínseco ao negócio e que deve estar presente não apenas na
formação do contrato, mas durante toda a sua execução. Assim, o dever de informar adequadamente o
consumidor se impõe a todos os fornecedores.
Por conseguinte, o fato de as agências de turismo limitarem a sua atividade comercial a vender
passagens não lhes exime do dever de informar adequadamente os consumidores sobre como utilizar o
serviço que elas ofertam.
Nesse sentido, o CDC prevê, em seu art. 14, que o fornecedor de serviços responde,
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por
defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
Assim, diferentemente das hipóteses em que realmente a agência de turismo não possui
qualquer possibilidade de ingerência ou responsabilidade na prestação de serviço que causou danos ao
consumidor, como no cancelamento de voo ou extravio de bagagens, aqui o dever de informar lhe é
inerente, não podendo se eximir de seus deveres sob o argumento de que apenas vendeu as passagens.
Existe, portanto, relação direta de causa e efeito entre o dano sofrido pelo consumidor e o fato
do serviço causado pela agência de turismo. Isto é, a agência de turismo não assume a responsabilidade
solidária somente porque participa da cadeia de fornecimento, mas porque também é autora da ofensa
sofrida pelo consumidor.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Direito do Consumidor (CDC), art. 6º, III; art. 7º, parágrafo único; ar t. 14.
PROCESSO REsp 1.909.271-PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN 14/2/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Entre as novas diretrizes trazidas pelo atual Código de Processo Civil está a previsão de que a
solução consensual dos conflitos deve ser, sempre que possível, promovida pelo Estado e estimulada
pelos partícipes da relação jurídica processual. Nessa linha, o primeiro passo para a autocomposição
passou a ser dado logo no início da marcha processual e antes mesmo da apresentação da defesa do réu,
com a marcação de audiência específica que só pode ser dispensada em virtude de sua manifesta
inutilidade.
Por esse motivo, a citação, que, na vigência do diploma processual de 1973, era definida como
o ato pelo qual se chama a juízo o réu a fim de que se defenda, conforme previa o art. 213 do código
revogado, passou a ser conceituada, no art. 238 do atual CPC, como o ato pelo qual são convocados o
réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual.
No procedimento comum para os direitos disponíveis, em regra, a citação do réu para integrar
a relação processual conterá a sua convocação para manifestar o seu interesse em participar da audiência
de mediação e conciliação do art. 340 do CPC/2015, não envolvendo necessariamente, portanto, a
apresentação imediata da defesa.
Nesse sentido, a indevida falta ou a nulidade de citação é irregularidade grave que ostenta a
natureza de vício transrescisório, mas que também pode ser suprida ainda durante a tramitação da ação
pelo comparecimento espontâneo do réu, o qual, nos termos do § 1º do art. 239 do diploma processual
vigente, tem o efeito de providenciar-lhe a condição de parte, passando ele a se sujeitar aos efeitos do
processo, tal qual houvesse ocorrido a citação válida.
Todavia, a previsão final § 1º art. 239 do CPC/2015, segundo a qual o prazo para apresentação
de contestação flui a partir da data do comparecimento espontâneo, somente tem aplicabilidade lógica e
sistemática na hipótese em que o réu se apresenta ao processo em estado avançado do procedimento,
notadamente após a decretação da sua revelia.
À luz dessas considerações, constata-se que a determinação legal segundo a qual o prazo para
a apresentação da contestação tem início imediato na data do comparecimento espontâneo, somente
tem aplicação, no procedimento comum relacionado a ações que versem sobre direitos disponíveis, se a
apresentação do réu aos autos ocorrer em momento mais adiantado do procedimento, notadamente
após a decretação da sua revelia.
Por outro lado, na hipótese em que a apresentação do réu ocorre ainda no momento inicial da
fase postulatória, o prazo para a apresentação da contestação será contabilizado nos termos dos incisos I
e II do art. 335 do CPC/2015, solução que homenageia o devido processo legal e a boa-fé, na vertente da
proteção da expectativa legítima, no sentido de que o termo inicial será a data: I - da audiência de
conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer
ou, comparecendo, não houver autocomposição; II - do protocolo do pedido de cancelamento da
audiência de conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, §
4º, inciso I".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC/2015), art. 238; art. 239, § 1º; art. 334, § 4º, inciso I; art. 335, I e II; e art.
340.
Código de Processo Civil (CPC/1973), art. 213.
PROCESSO REsp 2.163.930-PR, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 4/2/2025, DJEN 7/2/2025.
DESTAQUE
Segundo a jurisprudência do STJ, não tendo havido a integral prestação do serviço contratado,
a pretensão de se obter o pagamento total dos honorários contratualmente estabelecidos se revela
desproporcional.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
cobrados não gozam de certeza, pois a base de cálculo (o quinhão destinado a cada uma das herdeiras)
pode ser alterada no decorrer da ação de inventário, tampouco são exigíveis, haja vista que não foi
implementada a condição contratualmente estabelecida para a percepção integral dos honorários.
PROCESSO REsp 2.169.410-PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Rel. para acórdão
Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, por maioria, julgado em
18/2/2025, DJEN 28/2/2025.
TEMA Ação monitória. Sucessão processual. Art. 109, § 1º, do CPC. Silêncio.
Preclusão.
DESTAQUE
O art. 109, § 1º, do CPC estabelece que "o adquirente ou cessionário não poderá ingressar em
juízo, sucedendo o alienante ou cedente, sem que o consinta a parte contrária".
Os atos processuais não retroagem. O processo não é um saco sem fundos e por isso mesmo
sempre segue uma marcha tendente a um fim.
Ato processual não significa apenas a conduta expressa e afirmativa, mas também a conduta
omissiva, mormente se a omissão estiver vinculada a um dever processual. No caso, o sistema processual
exigia, como imperativo de conduta a expressa oposição da parte quanto à sucessão processual. Daí, se
aparte preferiu se omitir, deve suportar os efeitos dessa sua inércia.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
QUARTA TURMA
DESTAQUE
A Taxa Selic deve ser aplicada como critério para incidência de juros moratórios,
quando não houver outro índice especificado no título judicial, vedada sua acumulação com
qualquer outro índice, e, na ausência de cumulação de encargos, deve ser usada nos juros de
mora, com dedução do IPCA, mesmo para obrigações anteriores à Lei n. 14.905/2024.
No caso, a perícia judicial utilizou o IPCA como critério de atualização da indexação do valor
da marca, acrescido de juros moratórios, para determinação do quantum debeatur. Após a homologação
do laudo e a adoção de suas conclusões, determinou-se que a liquidante apresentasse, a partir de agora, a
planilha atualizada do débito "com os acréscimos legais estabelecidos no título judicial e a inclusão dos
honorários de sucumbência".
Ocorre que no caso em questão, há datas diferentes dos termos iniciais da fluência da
atualização monetária e dos juros de mora, sendo, respectivamente, para a correção monetária a partir da
data do trânsito em julgado da sentença de dissolução da sociedade, e para os juros de mora desde a
citação.
No período em que incidiu apenas juros de mora, entre a data da citação e a data do trânsito
em julgado da sentença de dissolução da sociedade, não é possível aplicar a Selic de forma integral, pelo
simples fato de que a taxa contempla, a um só tempo, correção monetária e juros de mora, sob pena de
enriquecimento sem causa do credor exequente.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
temperamento no sentido de que, quando no período não incidirem os encargos cumulativamente, deve
ser deduzido o IPCA.
Contudo, não são incomuns os casos em que não há coincidência entre os termos iniciais da
correção monetária e dos juros de mora e cuja gênese, seja decorrente de determinação judicial ou
contratual, deu-se anteriormente à edição do diploma legal referido. Atualmente, após a edição da lei
referida, aplica-se sempre a Selic no período de incidência dos juros de mora, excluído o índice do Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA); quando, contudo, houver cumulação dos encargos,
aplica-se a Selic, isoladamente. Nas hipóteses em que a constituição da obrigação for anterior à edição da
lei - dado o caráter declaratório de suas disposições, que passou a adotar a interpretação já conferida à
matéria pelo STJ - deve ser adotada a mesma solução, para impedir o enriquecimento sem causa do
credor.
Não se cuida, em verdade, de retroatividade da lei. Veja-se que a nova lei incorpora
formalmente ao ordenamento jurídico compreensão que já era objeto de entendimento jurisprudencial
consolidado; a questão seria dirimida da mesma forma, com base nos mesmos parâmetros
interpretativos, ainda que não houvesse edição do novo diploma legislativo. Desde muito tempo o STJ
tem entendimento de que os juros de mora correspondem à taxa Selic e que não pode ser cumulada com
qualquer outro índice de correção monetária, quando forem simultaneamente incidentes. Todavia, em
períodos nos quais há incidência de apenas um encargo - como juros de mora - a Selic não pode ser
aplicada integralmente.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 14.905/2024
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/51
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DESTAQUE
Isso porque, a discussão acerca da livre associação não se presta, por si só, para afastar a
cobrança de taxa condominial em condomínios atípicos, mas "a manifestação de vontade de anuir ao
encargo pode se perfectibilizar mediante contrato, por meio de adesão do proprietário aos termos
constitutivos da associação de moradores, por intermédio de previsão na escritura pública de compra e
venda do lote ou, ainda, do depósito em cartório do contrato-padrão contendo as obrigações no registro
de imóveis, entre outros" (REsp n. 1.955.551/SP, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma,
julgado em 29/3/2022, DJe 31/3/2022).
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO AgInt no REsp 1.552.981-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma,
por unanimidade, julgado em 12/2/2025, DJEN 5/3/2025.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
O agente marítimo tem legitimidade para compor o polo passivo de ação de obrigação
de fazer ajuizada com o objetivo de obter o fornecimento da via original do conhecimento de
embarque para fins de retirada de mercadoria.
Assim, embora o agente marítimo não se confunda com o transportador marítimo estrangeiro,
sendo dele apenas mandatário mercantil, o agente marítimo, enquanto mandatário, pode e deve receber
citações, notificações e intimações em nome do mandante, já que tal possibilidade encontra-se
delimitada no âmbito de suas próprias atribuições.
Portanto, apesar de não responder pelo pagamento de eventual indenização pelos danos
decorrentes de atraso na liberação do conhecimento de embarque ao importador, o agente marítimo,
como mandatário do transportador marítimo estrangeiro que não tem agência, filial ou sucursal no
território nacional, tem legitimidade para compor o polo passivo de ação de obrigação de fazer ajuizada
com o objetivo de obter a via original do conhecimento de embarque para fins de retirada da mercadoria
descrita na inicial, visto que tal documento é necessário para levar a mercadoria de um ponto a outro,
acompanhando a carga em todo o seu trajeto, viabilizando sua entrega ao destinatário, e é emitido pelo
transportador que o agente representa no Brasil.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
Nos termos do Decreto n. 59.566/1966, o arrendamento rural é, por definição legal, o contrato
mediante o qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e gozo de
imóvel rural mediante retribuição.
Pode-se dizer, portanto, que o arrendamento rural segue o conceito de locação, sendo uma
modalidade de locatio rei, porquanto se caracteriza na cessão onerosa do uso e gozo de imóvel rural, na
integralidade ou não, com a finalidade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa ou mista,
mediante retribuição ou aluguel.
Além disso, segundo o disposto no art. 32, III, parágrafo único, do Decreto n. 59.566/1966, o
despejo em casos de inadimplemento do aluguel está autorizado, como ocorreu no caso vertente,
observado que não houve a purga da mora no prazo legal e modo avençado.
Vale destacar também que o credor proprietário de bem imóvel, quanto à retomada do bem,
não se submete aos efeitos da recuperação judicial (art. 49, § 3º, da Lei n. 11.101/2005), prevalecendo os
direitos de propriedade sobre a coisa. Isso porque a melhor interpretação a ser conferida aos arts. 6º e 49
da Lei n. 11.101/2005 é a de que, em regra, apenas os credores de quantia líquida se submetem ao juízo da
recuperação, com exclusão, entre outros, do titular do direito de propriedade, como no caso do
arrendante.
Esse, inclusive, é o entendimento firmado pelo STJ, segundo o qual, "tratando-se de credor
titular da posição de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis, de arrendador mercantil, de
proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de
irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive em incorporações imobiliárias, ou de proprietário em
contrato de venda com reserva de domínio, seu crédito não se submeterá aos efeitos da recuperação
judicial e prevalecerão os direitos de propriedade sobre a coisa e as condições contratuais, observada a
legislação respectiva, não se permitindo, contudo, durante o prazo de suspensão a que se refere o § 4º do
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
art. 6º desta Lei, a venda ou a retirada do estabelecimento do devedor dos bens de capital essenciais a sua
atividade empresarial" (art. 49 da Lei nº 11.101/2005)" (AgInt no REsp n. 1.475.258/MS, Ministro Paulo de
Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 20/3/2017).
Por esses motivos, "segundo entendimento jurisprudencial firmado por esta Colenda Corte,
nada obsta o prosseguimento de ação de despejo ajuizada pelo proprietário locador em face de empresa
em recuperação judicial, sendo certo, por outro lado, que eventual medida constritiva postulada em
detrimento dos ativos financeiros da recuperanda deve ser submetida ao Juízo Recuperacional." (AgInt no
REsp n. 1.835.668/SP, Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/11/2019).
Dessa forma, a ação de despejo pode prosseguir contra empresa em recuperação judicial,
desde que não haja medida constritiva sobre ativos financeiros da recuperanda.
Por fim, ressalte-se que, em relação ao imóvel rural locado, a recuperanda figura apenas como
titular da cessão temporária e onerosa de uso, de modo que, conforme reiteradamente decidido pelo STJ
em conflitos de competência envolvendo ações de despejo propostas contra empresa em recuperação
judicial, o juízo da recuperação não tem competência para determinar a disposição ou indisposição do
bem imóvel de propriedade do locador (REsp n. 2.041.861/SP, Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma,
DJe de 22/6/2023).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 36/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
PROCESSO REsp 2.053.655-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 11/2/2025, DJEN de 27/2/2025.
DESTAQUE
É válida a adoção dos dias efetivamente trabalhados por cada sócio como critério de
cálculo de distribuição de dividendos por sociedade empresária limitada, desde que tal medida
não implique exclusão de sócio da participação nos lucros e nas perdas.
Conforme os arts. 1.007 e 1.008 do Código Civil, em regra, os lucros e os prejuízos deverão ser
partilhados entre os sócios de acordo com a participação de cada um na composição do capital social,
mas se admite estipulação em contrário, desde que não implique exclusão de sócio de participação nos
lucros e nas perdas.
Portanto, como exceção, admite-se que os sócios estabeleçam, no contrato social, forma
diversa na distribuição dos dividendos, desde que não excluam algum dos sócios no rateio dos lucros ou
das perdas da sociedade.
No caso, a maioria dos sócios da sociedade empresária limitada, organizada para a prestação
de serviços de gestão empresarial, deliberou adotar novo critério de cálculo de distribuição de dividendos,
pautado não na participação no diminuto capital social, mas sim proporcional aos dias efetivamente
trabalhados por cada sócio, passando a participação nos lucros a ser correspondente aos dias de efetivo
labor. Não houve, assim, exclusão absoluta de sócio ao recebimento dos lucros e participação nas perdas
e, por conseguinte, violação ao art. 1.008 do Código Civil.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 37/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Ademais, conforme realçado pela instância originária, na hipótese, tem-se uma sociedade cuja
atividade econômica é organizada para a produção de serviços, explora a prestação de serviços de
consultoria, não se mostrando desarrazoado nem leonino o atrelamento da distribuição dos lucros aos
dias de serviços prestados pelos sócios, notadamente diante do diminuto o capital social, que foi definido
em apenas R$ 1.000,00 (mil reais).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
No caso concreto, a decisão agravada identificou contradição nas decisões das instâncias
ordinárias, que julgaram procedentes os pedidos iniciais sem permitir a produção de prova pericial,
necessária para que os réus pudessem desconstituir as alegações do autor.
Segundo a jurisprudência desta Corte, "é vedado o exame de questão trazida em agravo
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 38/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
regimental que não se constituiu em objeto do acórdão do Tribunal a quo, nem das contrarrazões ao
recurso especial, em razão da impossibilidade de se considerar matéria objeto de inovação, não
prequestionada, nos processos em andamento na instância superior dos recursos excepcionais" (EREsp
673.853/RS, Relator Ministro Hamilton Carvalhido, Corte Especial, DJe 5/3/2009).
Logo, a alegação de preclusão quanto à produção de prova pericial em sede de agravo interno
constitui evidente inovação recursal que não pode ser admitida.
Por fim, "ainda que se trate de matéria de ordem pública, é exigido o prequestionamento da
tese aventada em sede de recurso especial ou contrarrazões ao recurso especial, sendo vedado o
julgamento, por esta Corte, de temas que constituam inovação recursal, sob risco de supressão de
instância e de ofensa aos princípios do duplo grau de jurisdição e do devido processo legal" (AgInt nos
EDcl no AREsp n. 2.430.680/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 21/10/2024,
DJe de 25/10/2024).
DESTAQUE
De acordo com a técnica de ampliação do colegiado, quando o resultado não unânime levar à
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 39/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Assim, caso não integrem o órgão de maior composição, deve ser realizada a convocação dos
Desembargadores que participaram do primeiro julgamento para darem sequência ao julgamento
iniciado, permitindo que contribuam para o debate e a formação do convencimento dos demais.
No caso concreto, devido à procedência da rescisória por maioria de votos, o Tribunal a quo
considerou prejudicado o julgamento anterior e aplicou entendimento do Regimento Interno, segundo o
qual, em vez de o julgamento continuar com quórum ampliado, nos termos do CPC, um novo deveria ser
realizado pelo órgão de maior composição.
O Código de Processo Civil, como norma infraconstitucional, estabelece diretrizes gerais que
devem ser observadas pelos Regimentos Internos dos Tribunais, garantindo uniformidade e segurança
jurídica nos procedimentos judiciais.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 40/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
Relativamente à intimação, o Código de Processo Civil estabelece como regra geral, em seu
art. 270, que "as intimações realizam-se, sempre que possível, por meio eletrônico, na forma da lei". Tal
dispositivo reflete a modernização do sistema processual e a busca pela celeridade e eficiência na
prestação jurisdicional. É importante ressaltar que, nos casos em que o legislador entendeu necessária a
intimação pessoal, houve expressa previsão legal nesse sentido.
Ademais, a própria natureza do ato atentatório à dignidade da justiça, que configura violação
aos deveres de lealdade e cooperação processual, não justifica a exigência de tratamento diferenciado
quanto à forma de intimação.
Neste contexto, a aplicação da multa por ato atentatório à dignidade da justiça prescinde de
intimação pessoal do executado, sendo suficiente a intimação na forma prevista no art. 270 do CPC/2015,
ou seja, preferencialmente por meio eletrônico, e, não sendo possível, pelos demais meios regulares de
intimação previstos na legislação processual.
O art. 772, II, do CPC/2015, ao prever que compete ao juiz "advertir o executado de que seu
procedimento constitui ato atentatório à dignidade da justiça", estabelece uma faculdade do Magistrado,
a ser exercida de acordo com as peculiaridades do caso concreto, e não um requisito prévio e obrigatório
para aplicação da multa por ato atentatório à dignidade da justiça.
Neste contexto, a multa por ato atentatório à dignidade da justiça pode ser aplicada
independentemente de prévia advertência do executado, ficando a critério do Magistrado a utilização da
faculdade prevista no art. 772, II, do CPC/2015, de acordo com as circunstâncias do caso concreto.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Civil (CPC), art. 270, art. 772, II e art. 774, V
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 41/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
Trata-se de conduta especialmente grave por diversos aspectos. Primeiro, pelo evidente intuito
fraudulento, demonstrado pela premeditação em aguardar a conclusão das vistorias para então proceder
à modificação do projeto. Segundo, pela apropriação indevida de benefícios urbanísticos destinados a fins
sociais.
Tais circunstâncias ultrapassam a mera ilegalidade para configurar verdadeira afronta aos
valores fundamentais que norteiam a política habitacional e o planejamento urbano. A conduta atinge
frontalmente princípios basilares como a boa-fé, a função social da propriedade e o direito à moradia
digna, constitucionalmente assegurados.
Com efeito, o que se verifica é uma situação excepcional de manifesta gravidade, que
ultrapassa o mero descumprimento de normas urbanísticas para configurar verdadeira afronta aos valores
fundamentais da sociedade, justificando a condenação por danos morais coletivos.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 42/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o FGTS é direito social dos
trabalhadores urbanos e rurais, constituindo, pois, fruto civil do trabalho. Assim, os valores relativos à
rescisão do contrato de trabalho, especificamente em relação ao FGTS, têm natureza trabalhista,
devendo, também, ser classificados, no processo de Recuperação Judicial e falência, como crédito
prioritário trabalhista, nos termos da Lei n. 11.101/2005.
Nos termos do entendimento do STJ, os créditos de FGTS são legalmente equiparados aos
créditos de natureza trabalhista, e, por isso, devem ser habitados na recuperação judicial. Assim, a
titularidade do crédito de FGTS é do próprio empregado, e não da União Federal. O titular é o próprio
empregado, pois a origem do crédito está necessariamente vinculada à atividade laboral efetivamente
prestada.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Lei n. 11.101/2005
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 608/STF
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 43/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
QUINTA TURMA
TEMA Roubo majorado. Art. 157, § 2º, VII, do CP. Emprego de arma branca.
Cabo de vassoura. Arma branca imprópria. Configuração. Apreensão
e perícia. Desnecessidade.
DESTAQUE
Um cabo de vassoura pode ser considerado arma branca imprópria com potencial
lesivo suficiente para atrair a aplicação da causa de aumento de pena do art. 157, § 2º, VII, do
Código Penal, independentemente de perícia, se a lesividade do artefato ficar demonstrada por
outros elementos probatórios, como os depoimentos das vítimas.
Ademais, a apreensão e perícia da arma branca não são necessárias para a aplicação da
majorante, podendo o julgador formar seu convencimento com base em outros elementos probatórios,
como os depoimentos das vítimas.
Nesse sentido, a jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que "No crime de roubo, a
incidência da majorante, relativa ao emprego de arma, prescinde de sua apreensão e perícia, ainda que se
trate de arma branca, sendo possível demonstrar-se sua utilização mediante outros meios de prova"
(AgRg no AREsp n. 194.561/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Sexta Turma, julgado em
18/12/2012, DJe de 21/3/2013).
No caso, a lesividade pode ser atestada pelos depoimentos das vítimas, uma vez que o cabo de
vassoura foi utilizado contra os pescoços das duas, comprovando tratar-se de objeto com potencialidade
lesiva.
Portanto, um cabo de vassoura pode ser considerado arma branca imprópria, com potencial
lesivo suficiente para atrair a aplicação da causa de aumento do art. 157, § 2º, VII, do Código Penal.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 44/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
A absolvição com base no quesito genérico é assegurada pelo art. 483, III, do CPP,
permitindo aos jurados decidir com base em íntima convicção, independentemente das provas
apresentadas. Tal prerrogativa é compatível com o princípio da soberania dos veredictos e a
plenitude de defesa, que são pilares do Tribunal do Júri.
O Tribunal estadual entendeu que seria "nulo o julgamento diante da manifesta contrariedade
da resposta apresentada pelo Conselho de Sentença aos quesitos formulados, uma vez que, os jurados
reconheceram a materialidade e a autoria delitivas atribuídas ao acusado" e "ainda assim absolvido o réu
pelo conselho de sentença após suposta existência de legítima defesa".
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Tema 1.087 da Repercussão Geral fixou
a seguinte tese de julgamento, ainda pendente de publicação: "1. É cabível recurso de apelação com base
no artigo 593, III, d, do Código de Processo Penal, nas hipóteses em que a decisão do Tribunal do Júri,
amparada em quesito genérico, for considerada pela acusação como manifestamente contrária à prova
dos autos. 2. O Tribunal de Apelação não determinará novo Júri quando tiver ocorrido a apresentação,
constante em Ata, de tese conducente à clemência ao acusado, e esta for acolhida pelos jurados, desde
que seja compatível com a Constituição, os precedentes vinculantes do Supremo Tribunal Federal e com
as circunstâncias fáticas apresentadas nos autos".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 45/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
materialidade e da autoria ou participação), jamais poderá ser taxada de contrária à prova dos autos,
justamente porque ninguém jamais saberá se os jurados julgaram com base nas provas ou se a decisão foi
fundada em causas supralegais, razões humanitárias, clemência ou uma infinidade de possibilidades que
podem permear a mente do julgador.
Sobre o tema, a doutrina nos ensina que é inadmissível recurso contra sentença que absolveu o
acusado no terceiro quesito, diante da soberania dos veredictos e a plenitude de defesa, princípios
basilares do Tribunal do Júri.
Contudo, também entende que "ao disciplinar como sendo obrigatória a formulação de um
quesito absolutório genérico, o sistema processual penal vigente permite justamente que o Jurado possa
absolver o Réu baseado unicamente em sua livre convicção e de forma independente de qualquer tese
defensiva" (AgRg no AREsp 1.526.124/PR, Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 2/6/2020).
Nesse sentido, "entende-se que é possível a decisão absolutória, ainda que os jurados tenham
previamente reconhecido a materialidade e a autoria do crime imputado ao réu, não havendo qualquer
contradição em tal proceder." (HC 371.492/PE, Min. Felix Fischer, Quinta Turma, DJe em 20/4/2018).
Ademais, no caso, há pedido expresso de absolvição do réu, sustentando legítima defesa, bem
como de absolvição genérica na ata de julgamento, podendo os jurados absolverem em qualquer dos
quesitos formulados pelo juiz presidente do Tribunal do Júri.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código de Processo Penal (CPP), art. 483, III e art. 593, III, d
ÁUDIO DO TEXTO
PROCESSO RHC 199.649-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, por
unanimidade, julgado em 19/2/2025, DJEN de 26/2/2025.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 46/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
DESTAQUE
No caso em análise, o inquérito foi instaurado para apurar possível prática de crime contra a
ordem tributária, consistente na redução fraudulenta de ICMS mediante declaração de valores inferiores
nas GIAs apresentadas pela empresa em período determinado.
Ora, a mera existência de discussão judicial acerca da validade do lançamento tributário não
tem o condão de obstar, por si só, o andamento do inquérito policial, em razão do princípio da
independência das instâncias. Somente a efetiva desconstituição do crédito tributário, por decisão judicial
ou administrativa, afastaria a justa causa para a persecução penal.
Ressalte-se que a inscrição em dívida ativa e a expedição da respectiva CDA são irrelevantes
para fins de caracterização do delito tributário, uma vez que se destinam apenas a formar título executivo
em favor da Fazenda Pública. O que importa, para fins penais, repise-se, é o lançamento definitivo do
tributo, que materializa a sonegação fiscal.
No caso, embora, efetivamente, haja ação de execução fiscal extinta sem resolução do mérito,
não há decisão judicial ou administrativa que tenha efetivamente anulado o auto de infração ou o
lançamento definitivo do tributo. Portanto, subsiste a justa causa para a investigação das condutas
supostamente fraudulentas.
Ademais, o fato de a empresa investigada estar atualmente extinta não impede a apuração de
crimes supostamente praticados à época em que se encontrava em atividade, podendo a
responsabilidade recair sobre seus representantes legais, a depender do que for apurado.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 47/51
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INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula Vinculante n. 24
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 48/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
SEXTA TURMA
DESTAQUE
Para concessão de salvo-conduto no plantio cannabis sativa para fins medicinais, não é
exigível a comprovação da impossibilidade financeira de aquisição do fármaco importado,
autorizado pela ANVISA.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 49/51
Informativo de Jurisprudência n. 842 11 de março de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 50/51
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ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 51/51