Compreensão da Contabilidade Nacional
Compreensão da Contabilidade Nacional
MARÇO 2014
R2014/02
Compreender a Contabilidade Nacional
Contas de
Sectores Institucionais Sectores e
(critério institucional) Ramos de
actividade
Agentes
Ramo/produtos (critério
económicos Quadro
funcional)
Emprego –
Recursos)
Sobre produtos
Qudros
Contabilidade Transacções Simétricos
nacional Distribuição/redistribuição
(operações)
Financeiras Contas
anuais,
regionais,
Critério de residência trimestrais
valor em volume e em preço. Em muitos pontos segue-se literalmente o texto do SEC 95, e
nesses a fonte é dada pela indicação do apropriado parágrafo do SEC 95. Ao longo do texto
surgirão em negrito os conceitos quando estes forem pela primeira vez referidos e definidos.
2. OS AGENTES ECONÓMICOS
“Por unidades institucionais entendem-se entidades económicas com capacidade de possuir bens
e activos, de contrair passivos e realizar actividades e operações económicas com outras
unidades, no seu próprio nome” (SEC 95, 1.28; nos parágrafos 2.12. 3 2.13. é dada uma
definição mais pormenorizada). Estas unidades institucionais serão aqui também denominadas
de agentes económicos.
As unidades institucionais caracterizam-se pela unicidade de comportamento e
pela autonomia de decisão relativamente à sua actividade principal. São justamente estas
qualidades que permitem o agrupamento das unidades de acordo com o seu tipo de produção ou
a sua função, na assumpção de tais características são indicadores do seu comportamento
económico. Com base em características secundárias é ainda possível subdividir os sectores em
subsectores institucionais. Veja-se o quadro:
Este quadro permite já a identificação dos diferentes sectores institucionais, através daqueles
dois critérios (tipo de produtor e função principal). No entanto, é claro que a total delimitação
requer que sejam definidos os conceitos de produtor mercantil, não mercantil e para
utilização própria.
O critério fundamental está relacionado com a importância ou não do mercado para a
manutenção da actividade da unidade institucional, sendo estabelecido o “critério de 50%”: se
50% dos custos de produção forem cobertos pelas vendas, a unidade é um produtor mercantil,
sendo que este critério não pode ser aplicado pontualmente, mas em permanência, descontando
flutuações cíclicas.
As “vendas” incluem as receitas provenientes das transacções, excluindo os impostos
sobre os produtos, mas incluindo todos os pagamentos efectuados pelas Administrações
Públicas ou pelas instituições da União Europeia, desde que não efectuados para cobrir um
défice geral.
Os “custos” são a soma do consumo intermédio, das remunerações dos empregados, do
consumo de capital fixo e de outros impostos sobre a produção, não sendo deduzidos os outros
subsídios à produção.
A distinção entre não mercantil e para utilização final própria resulta de no primeiro
caso os bens e serviços serem fornecidos a outras unidades, a título gratuito ou a preços não
significativos (no que se distingue da produção mercantil). Uma definição mais precisa do
conceito de produção será considerada mais adiante.
Na óptica funcional, os agentes (as unidades institucionais), na sua qualidade de produtores, são
reordenados de acordo com o tipo e actividade que desenvolvem. Essas actividades são
determinadas de acordo com uma classificação, a Classificação estatística das actividades
económicas na Comunidade Europeia, NACE. São assim estabelecidas as Unidades de
actividade económica de nível local, UAE, correspondendo estas às unidades produtivas
conhecidas como estabelecimentos. Uma mesma unidade institucional poderá cindir-se em
diferentes UAE (mas uma UAE só poderá pertencer a uma só unidade institucional), procurando
atingir-se uma relação de uma UAE por cada actividade. No entanto, caso haja impossibilidade
prática de se operar esta correspondência (por impossibilidade de cindir o processo produtivo, as
UAE poderão incluir diferentes actividades (uma principal, as outras secundárias), permitindo-
se assim a existência de subprodutos num único processo de produção. A agregação das UAE e
acordo com a actividade principal permite a constituição dos ramos de actividade.
A6
Código Referência
Descrição NACE REV.1
Agricultura, caça e silvicultura; pesca e
1 A+B
aquicultura
2 Indústria, incluindo energia C+D+E
3 Construção F
Comércio e reparação de veículos
automóveis e de bens de uso pessoal e
4 doméstico; alojamento e restauração G+H+I
(restaurantes e similares); transportes e
comunicações
Actividades finaceiras, imobiliárias,
5 alugueres e serviços prestados às J+K
empresas
6 Outras actividades de serviços L-P
P6
Referência
Código
Descrição CPA
Produtos de agricultura, caça e
1 A+B
silvicultura; pesca e aquicultura
Produtos das Indústrias extractivas,
2 C+D+E
transformadoras e energéticas
3 Trabalhos de construção F
Comércio, reparações, alojamento e
4 restauração, transportes e G+H+I
comunicações
Serviços das actividades finaceiras,
5 imobiliárias, alugueres e serviços J+K
prestados às empresas
6 Outros serviços L-P
3. AS TRANSACÇÕES/OPERAÇÕES
Os agentes económicos estabelecem relações económicas, tendo por objecto os bens e serviços e
activos financeiros. Note-se que este “objecto económico” tem igualmente de ser definido no
quadro da CN. Com efeito, nem toda a coisa modificada pela acção humana com o objectivo de
satisfazer uma necessidade é considerada como objecto económico. Para tal é necessário
especificar o contexto em que se estabelece essa acção, e esse contexto é estabelecido pela
existência ou não de mercado, onde possam ser transaccionados esses objectos ou onde possam
ser obtidos os recursos para essa a acção de transformação.
As relações económicas têm uma designação própria em CN, a de operações (em inglês são
denominadas de “transactions”, em francês de “operations”). “Uma operação é um fluxo
económico que consiste na interacção entre unidades institucionais, de comum acordo, ou numa
acção, no âmbito de uma mesma unidade institucional, que é útil tratar como uma operação,
frequentemente porque a unidade opera em duas qualidades distintas” (SEC 95, 1.33).
Considerando a última parte desta definição, verifica-se que o SEC 95 inclui no conceito de
operação uma acção que não pressupõe a existência de duas partes, mas apenas papéis
diferentes desempenhados por um único agente, a de produtor e a de consumidor (aqui se inclui
o consumo de capital fixo e a produção para consumo próprio).
“As operações dividem-se em quatro grupos principais:
d) Outras Operações que não se incluem nos três grupos acima mencionados - consumo de
capital fixo e aquisições líquidas de cessões de activos não financeiros não produzidos .” (SEC
95, 1.33).
O SEC 95 fornece uma definição bastante extensiva, mas a noção de produção pode ser
entendida sinteticamente deste modo: a produção ou actividade produtiva consiste no resultado
da acção de transformação de objectos destinados à transacção mercantil, ou que se lhes
equiparam, ou num tipo de acção que pode ser encarado como um serviço prestado, o qual pode
ser objecto de transacção no mercado (e assim tratando-se de um serviço prestado por factores
produtivos). Deste modo inclui-se a produção mercantil, a produção não mercantil e a produção
para utilização própria (neste último caso restrita no SEC 95 à produção destinada à formação
de capital, pois poderia ser desenvolvida por qualquer sector, os produtos agrícolas, os serviços
de alojamento produzidos pelos proprietários-ocupantes e os serviços domésticos produzidos
pelo emprego de pessoal remunerado (SEC 95, 3.21)). Note-se que a existência destes três tipos
de produção tem implicações sobre a valorização da produção, a considerar com maior
pormenor na parte do texto sobre esta matéria específica. Para adiantar os traços gerais do
problema, a produção mercantil tem um “avaliador natural”, dado pelo mercado (se bem que
seja necessário considerar a valorização do lado do produtor e do lado do comprador), a
produção para utilização própria tem um valor que deve ser estimado e a produção não
mercantil (na qual se inclui grande parte da produção das Administrações Públicas) é avaliada
pelos custos.
Refira-se ainda que cada sector institucional do ponto de vista da produção (mercantil,
não mercantil ou para utilização própria) é classificado de acordo com a sua actividade
principal, localizada na sua UAE local principal, mas poderá desenvolver outro tipo de
produção em UAE locais secundárias ou mesmo como subproduto na UAE principal. O quadro
seguinte mostra como o tipo de produção é considerado em cada tipo de produtor (recorde-se o
quadro 1, no qual se classificam os agentes económicos por sectores institucionais):
Comércio: a produção deste ramo é medida pelas margens comerciais, sendo estas definidas
pela diferença entre o preço de transacção de um bem adquirido para revenda e o preço de
reposição a suportar pelo distribuidor no momento em que este é objecto de venda. Em
consequência, um mesmo produto pode ter associado sucessivas margens comerciais, de acordo
com a dimensão do seu circuito de distribuição, agrupadas quando objecto de tratamento no
quadro da contabilidade nacional, formando o valor da produção do comércio.
Transportes: parte da produção de serviços de transporte sofre um tratamento semelhante aos
do comércio, estabelecendo as margens de transporte. Este é o caso em que o comprador tem de
suportar os custos de transporte, seja este serviço prestado pelos produtores ou pelos
comerciantes.
Intermediação financeira: o valor da produção para os casos em que são definidas taxas ou
comissões é medido pelos valores destas. A parte mais significativa do valor da produção,
porém, é medida pela diferença entre os rendimentos recebidos pela aplicação dos fundos
alheios e os rendimentos pagos aos detentores desses fundos.
Seguros: a produção é medida pela diferença entre o valor dos prémios cobrados, adicionado
pelo valor do rendimento das aplicações das reservas técnicas (isto é, dos fundos das
seguradoras necessários para honrar os seus compromissos para com os segurados), e o valor
das indemnizações pagas, da variação das reservas matemáticas e da variação das reservas para
participação dos segurados nos lucros. Assim, admite-se que esta aritmética cobre o valor dos
serviços prestados pela empresa (a organização da protecção financeira ou segurança oferecida).
Fundos de pensões: O processo de estimativa da produção é do mesmo tipo que o anterior,
apenas que os fundos disponíveis tomam a forma de “contribuições”, e os fundos a
disponibilizar de “prestações”.
“O consumo intermédio consiste no valor dos bens e serviços consumidos como elementos de
um processo de produção, excluindo os activos fixos, cujo consumo é registado como consumo
de capital fixo. Os bens e serviços podem ser transformados ou utilizados no processo
produtivo.”(SEC 95, 3.69)
Considera-se dois conceitos relacionados com o consumo final, a despesa de consumo final e o
consumo final efectivo. Enquanto o primeiro diz respeito aos agentes que efectuam a despesa, o
segundo refere-se a quem dela beneficia.
A despesa de consumo final consiste no valor dispendido pelas unidades institucionais
residentes na aquisição de bens e serviços para a satisfação directa de necessidades individuais
ou colectivas. Esta despesa pode ser feita no ou fora do território económico.
O consumo final efectivo consiste no valor dos bens e serviços utilizados pelas
unidades institucionais residentes para satisfação de necessidades individuais ou colectivas. O
consumo final efectivo pode ser individual, no caso em que a utilização dos produtos por parte
de uma família é plenamente aceite pela mesma e se esgota a possibilidade de utilização por
parte das outras famílias; ou colectivo, quando a utilização não esgota a possibilidade de
utilização por outrem (o bem ou serviço é não-rival). O consumo individual corresponde ao
consumo efectivo das famílias e o consumo colectivo corresponde ao consumo final efectivo
das administrações públicas. A soma corresponde ao total do consumo final efectivo. A despesa
de consumo final total é igual à soma da despesa de consumo final das administrações públicas,
das ISFLSF e das famílias.
Por outro lado, os bens e serviços fornecidos por unidades das administrações públicas podem
ser dos dois tipos (individual e colectivo). Em geral, são consideradas como despesa com
serviço de consumo individual fornecidas pelas administrações públicas todas as despesas
de consumo final respeitantes às categorias de educação, saúde, segurança social, desporto e
tempos livres e cultura. Ver-se-á que estas despesas seguem um circuito específico na sequência
de contas, mesmo que desde já se adiante que estas despesas surgem inicialmente como uma
contribuição/prestação social (Transferências sociais em espécie), metamorfoseando-se
posteriormente numa componente do rendimento disponível ajustado das famílias e num
correspondente valor de consumo final efectivo, também das famílias. As despesas de consumo
colectivo das administrações públicas abrangem a gestão e regulamentação da sociedade, a
segurança e a defesa, a manutenção da lei e da ordem, da legislação e da regulamentação, a
manutenção da saúde pública, a protecção do ambiente, a investigação e o desenvolvimento, as
infra-estruturas.
A despesa de consumo final das ISFLSF é despesa em consumo individual, por
convenção. O quadro seguinte ilustra a relação entre ambos os conceitos:
Administrações Aquisições
tipo de Consumo ISFLSF Famílias
Públicas totais
Interessa também assinalar que o consumo final pode ser referido ao território económico, por
residentes e não residentes, ou fora do território, por residentes (ver 4.1., sobre os conceitos de
residente e de território económico). Na óptica do SEC 95 o conceito relevante é o de consumo
final de residentes (ou nacional). A relação entre tais conceitos pode ser assim representada:
A exportação de bens e serviços consiste nas transacções de bens e serviços de residentes para
não residentes. Em geral, as exportações de bens verificam-se quando há transferência de
propriedade dos bens, de residentes para não residentes e devem ser avaliadas FOB (Free on
Board). A avaliação FOB inclui os custos dos serviços de transporte e distribuição até à
fronteira do país exportador, incluindo os impostos líquidos de subsídios aplicados aos bens
exportados (o que no caso das trocas intra-comunitárias inclui o IVA).
A importação de bens e serviços consiste nas transacções de bens e serviços de residentes para
não residentes. Em geral, as importações de bens verificam-se quando há transferência de
propriedade dos bens, de não residentes para residentes e também devem ser avaliadas FOB. As
importações são registadas CIF nas estatísticas do comércio internacional, pelo que é necessário
efectuar um ajustamento que permita a passagem de CIF para FOB. A avaliação CIF (Cost
Insurance Freight) consiste no valor dos bens entregues na fronteira do país importador,
incluindo assim todos os custos de transporte que lhe estão associados.
Operações Códigos
Remunerações dos empregados D1
Ordenados e salários D11
Contribuições sociais dos empregadores D12
Contribuições sociais efectivas D121
Contribuições sociais imputadas D122
Impostos sobre a produção e a importação D2
Impostos sobre os produtos D21
Impostos sobre o valor acrescentado D211
Impostos e direitos de importação D212
Outros impostos sobre os produtos D214
Outros impostos sobre a produção D29
Subsídios D3
Subsídios aos produtos D31
Subsídios à importação D311
Outros subsídios sobre os produtos D312
Outros subsídios à produção D39
Rendimentos de propriedade D4
Juros D41
Rendimentos distribuídos das sociedades D42
Dividendos D421
Levantamentos de rendimentos D422
Lucros de investimento estrangeiro reinvestido D43
Subsídios:
Os subsídios são transferências sem contrapartida efectuadas pelas administrações públicas e
pelas instâncias comunitárias em benefício das empresas com o objectivo de influenciar os seus
níveis de produção, preços ou remunerações dos factores. A desagregação por tipos de subsídios
segue os mesmos critérios da dos impostos.
Rendimentos de propriedade:
São os rendimentos recebidos pelos detentores de activos financeiros ou de activos corpóreos
não produzidos, colocados à disposição de outra unidade institucional.
O IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) é um imposto que incide sobre os bens e serviços cobrado em etapas pelas empresas, e remetido sucessivamente às Administrações Públicas (ao
subsector Estado, para ser mais exacto), mas que em última análise é cobrado aos utilizadores finais (principalmente aos consumidores). O IVA é facturado a uma dada taxa (6%, 13% ou 23%,
actualmente), e cobrado ao cliente. Mas este montante pode ser dedutível, no todo ou em parte, a partir do IVA facturado na fase seguinte. Isto é, em cada fase da cadeia, a unidade institucional
(empresa) remete para o Estado apenas o valor não dedutível. Considere-se o seguinte esquema, representando o circuito em duas fases até ao utilizador final:
Estado
Valor Acrescentado
= 150
Valor Acrescentado
150
=
100
O IVA constitui um recurso das Administrações Públicas, mas não aparece como emprego em nenhum sector (no consumidor o valor total inclui o IVA, mas esse valor está contabilizado no
valor da operação de consumo privado). Ver-se-á como este aparente desajuste se resolve no quadro da sequência de contas e dos equilíbrios empregos-recursos dos produtos. Deste modo, a
representação do IVA em contabilidade nacional pode ser apercebida através do seguinte esquema:
Estado
57,5 u.m.
250 u.m.
100 u.m.
Empresa A Empresa B Consumidor
Valor Acrescentado
=
Valor Acrescentado
150
=
100
Operações Códigos
Impostos correntes sobre o rendimento e D5
património
Impostos sobre o rendimento D51
Outros impostos correntes D59
Contribuições e prestações sociais D6
Contribuições sociais D61
Contribuições sociais efectivas dos empregadores D6111
Regimes que abrangem amplos segmentos da comunidade e que são impostos, controlados e
financiados pelas administrações públicas.
Regimes privados com constituição de provisões, seja quando as contribuições são pagas a
terceiros (seguradoras, fundos de pensões autónomos) ou quando são constituídas provisões, e
não se constituindo unidades separadas dos empregadores.
Regimes sem constituição de provisões, nos quais os empregadores pagam prestações sem
criarem provisões especiais para esse fim.(SEC 95, 488)
O parágrafo 4.103 do SEC é dedicado às prestações sociais, com excepção das transferências
sociais em espécie (D.62):
As Prestações sociais em dinheiro (D.621) são prestações pagas às famílias pelos fundos de
segurança social (à excepção dos reembolsos).
As Prestações sociais com constituição de fundos (D. 622) são prestações (em dinheiro ou em
espécie) pagas pelas seguradoras ou outras que administrem regimes privados com constituição
de fundos.
As Prestações sociais sem constituição de fundos (D. 623) são prestações (em dinheiro ou em
espécie) a pagar pelos empregadores que administrem regimes de segurança social sem
constituição de fundos (pagamentos de salários normais, ou reduzidos, em situações de doenças,
acidente, maternidade, etc; pagamento de indemnizações por rescisão do contrato de trabalho;
serviços médicos gerais). Estão por isso contabilisticamente ligadas às contribuições sociais
imputadas (ver a seguir quadro com mecanismo contabilístico das contribuições e prestações
sociais imputadas).
As Prestações de assistência social em dinheiro (D. 624) são prestações desenvolvidas fora dos
regimes em que a prestações são suportadas pelas contribuições sociais dos participantes.
1
SEC 95, 4.105: “Trata-se de transferências sociais em espécie, excepto reembolsos, feitas pelos fundos
de segurança social às famílias. A maior parte das prestações desta rubrica consistirá em tratamentos
médicos ou dentários, intervenções cirúrgicas, estada em hospitais, óculos ou lentes de contacto,
aparelhos ou equipamento médico e bens ou serviços semelhantes no âmbito de riscos ou necessidades
sociais. O serviço é fornecido directamente aos beneficiários, sem reembolso, por produtores mercantis ou
não mercantis e deve ser avaliado em conformidade. Devem ser deduzidos quaisquer pagamentos feitos
pelas próprias famílias.”Note-se que os bens ou serviços podem ser produzidos por produtores mercantis e
comprados por unidades das administrações públicas ou pelas ISFLSF (D.63121) ou por produtores não
mercantis (D.63122).
2
Para o caso das prestações D.6313: “Trata-se de transferências em espécie a favor das famílias feitas
por unidades das administrações públicas ou ISFLSF e de natureza semelhante às prestações de
segurança social em espécie, mas que não são fornecidas no quadro de um regime de segurança social.
Incluem-se, caso não estejam abrangidos por um regime de segurança social, a habitação social, o
subsídio de alojamento, centros de dia, formação profissional, reduções nos preços dos transportes (desde
que haja uma finalidade social) e bens e serviços semelhantes, no âmbito de riscos ou necessidades
sociais. Devem ser deduzidos quaisquer pagamentos feitos pelas próprias famílias.” (SEC 95, 4.105)
Nota sobre o ajustamento pela variação da participação líquida das famílias nos fundos de pensões
Este ajustamento é necessário para que na poupança das famílias se inclua a variação das reservas
matemáticas das companhias de seguros e fundos de gestão sobre as quais as famílias têm um direito
definido (e que reaparece como activo financeiro nas contas financeiras). Com efeito, considera-se que as
famílias são proprietárias das provisões dos regimes privados com constituição de fundos, sendo
necessário adicionar às poupanças das famílias o excedente das contribuições para as pensões em relação
aos recebimentos efectuados.
Ajustamento = valor das contribuições sociais efectivas relativas a pensões + valor dos suplementos de
contribuições a pagar pelos rendimentos de propriedade dos segurados – valor do serviço prestado – valor
das pensões pagas como prestações de regimes de pensões privados com constituição de fundos.
Estas operações têm sempre uma contrapartida no sistema de contas, que pode ser de dois tipos:
4. METODOLOGIA
financeiras, é possível estabelecer um sistema de contas por tipo de agentes económicos e por
agrupamentos de operações. Assim, as contas dividem-se em contas correntes e de acumulação
(contas que reportam operações de variáveis - fluxo) e contas de património (contas que
reportam operações de variáveis - stock3)4.
Em qualquer conta relacionada com os agentes económicos, o lado direito é utilizado
para o registo dos recursos, ou para as variações dos passivos financeiros, do sector ou da
unidade económica, enquanto o lado esquerdo é utilizado para o registo das
utilizações/empregos, ou da variação dos activos financeiros (para cada um dos lados,
consoante se trate de contas correntes ou de acumulação, respectivamente).
3
Possíveis definições de variáveis fluxo e stock: variáveis fluxo são aquelas cujos valores num
determinado intervalo de tempo são obtidos nesse mesmo intervalo (ex: rendimento, consumo e
poupança, referem-se a um intervalo de tempo (período), por exemplo, um ano). Variáveis stocks: são
aquelas cujos valores num determinado momento temporal são determinados em períodos sucessivos
de tempo, incluindo o que terminou nesse momento (ou excluindo o que se inicia nesse momento) (ex.:
stock de capital produtivo, património familiar). Uma imagem física permite também estabelecer a ligação
entre fluxo e sotck: considere-se um reservatório com um fluxo de entrada de um dado líquido por
unidade de tempo (por exemplo, a hora), outro fluxo de saída de líquido por hora. Num dado instante,
início ou final de uma dada hora, há uma quantidade determinada desse líquido no reservatório, que
depende das entradas e saídas anteriores, incluindo as que se registaram na última hora.
4
Focar-se-ão apenas as contas de fluxo, isto é, excluir-se-ão da exposição as contas de património.
Operação Código
Consumo de capital fixo K1
Aquisição líquida de cessões de activos não K2
financeiros não produzidos
Aparecimento económico de activos não K3
produzidos
Aparecimento económico de activos produzidos K4
Crescimento Natural de recursos biológicos não K5
cultivados
Desaparecimento económico de activos não K6
produzidos
Perdas resultantes de catástrofes K7
Expropriações sem indemnizações K8
Outras variações no volume de activos não K9
financeiros
Outras variações no volume de activos e passivos K10
financeiros
Alterações de classificação e estrutura K12
Ganhos/perdas de detenção nominal K11
Esta regra significa que uma dada operação terá de ser registada duas vezes, uma como recurso
(ou variação de passivos), outra como emprego (ou variação de activos). Na verdade, o sistema
de contas funciona num esquema de quádruplas entradas, uma vez que a maior parte das
transacções envolve duas unidades institucionais.
Por exemplo, um pagamento de ordenados a uma família por parte de uma sociedade,
representa do lado das famílias um movimento do lado direito na conta corrente (recursos) e um
movimento do lado esquerdo da conta financeira (variação positiva de activos financeiros): por
seu turno, na conta das sociedades há um movimento do lado esquerdo da conta corrente
(empregos), em remunerações, tendo por contrapartida um movimento do lado esquerdo na
conta financeira, de diminuição de depósitos (variação negativa de activos financeiros). Admita-
se que o montante envolvido é de 1000 unidades monetárias (u.m.):
Deve notar-se que se trata de uma representação sobre a forma contabilística, e não do registo
contabilístico, operação a operação, para e entre cada unidade institucional. Na verdade, trata-se
Variação de Existências
Aquisições Líquidas de Cessões de Objetos de Valor
4.4. Valorização
Com este termo pretende-se abarcar os aspectos mais importantes sobre o modo como os
produtos e as operações são avaliados no sistema de contas.
“O sistema regista os fluxos com base nas operações, isto é, quando o valor económico é criado,
transformado ou extinto ou quando se criam, transformam ou extinguem os direitos e as
obrigações.
Por conseguinte, a produção é registada aquando do acto de produção e não quando é
paga pelo comprador e a venda de um activo é registada quando o activo muda de mãos e não
quando é efectuado o pagamento correspondente. O juro é registado no período contabilístico
em que se vence, independentemente de ser efectivamente pago nesse período. Esta base aplica-
se a todos os fluxos, monetários ou não monetários, internos ou entre várias unidades.
No entanto, em alguns casos é necessária alguma flexibilidade no que respeita ao
momento do registo. Isto aplica-se, em particular, aos impostos e outros fluxos relativos às
administrações públicas, que são frequentemente registados nas contas destas administrações
com base caixa. É por vezes difícil executar uma transformação exacta destes fluxos, passando-
os de uma base caixa para uma base de especialização económica. Nestes casos pode, pois, ser
necessário recorrer a aproximações.“(SEC, 1.57).
Eis mais alguns exemplos:
“A formação bruta de capital fixo é registada quando a propriedade dos activos fixos
é transferida para a unidade institucional que pretende utilizá-los na actividade
produtiva.”(SEC, 3.112).
Quando o comprador adquire directamente ao produtor, a diferença reside nos impostos sobre os
produtos e nos custos de transporte. Quando o produto passa pelas cadeias de distribuição por
grosso e a retalho, a diferença entre o preço de aquisição e o preço base é igual aos custos de
transporte, margens comerciais e impostos líquidos sobre os produtos (incluindo eventuais
impostos líquidos de subsídios sobre as margens comerciais).
Para se perceber o alcance desta diferença, importa ter presente que os impostos sobre a
produção se decompõem em impostos sobre os produtos, que incidem sobre cada unidade
produzida, e os outros impostos sobre a produção, que não dependem dos produtos, mas sim
da existência ou não da actividade (isto é, que são cobrados independentemente dos produtos).
Como referido, na primeira categoria incluem-se o IVA e os impostos específicos de consumo,
como os sobre o tabaco, bebidas alcoólicas, automóveis, produtos petrolíferos, o imposto de
selo, e o imposto sobre as transacções imobiliárias. Na segunda, são exemplos a contribuição
autárquica e o imposto sobre a circulação de veículos.
Os impostos sobre os produtos, líquidos dos subsídios, não estão incluídos no preço
base, ao contrário do que acontece com os outros impostos sobre a produção, líquidos dos
outros subsídios (aliás, a diferença entre o preço base e o preço a custos de factores, que não é
considerado no actual sistema europeu de contas, está justamente nos outros impostos líquidos
de subsídios à produção, que também estão excluídos na avaliação a custos de factores).
Como ilustração genérica, tome-se um dado produto em sentido estrito. Do lado dos
recursos considera-se, em primeiro lugar, a produção, que está avaliada a preços base; somando-
se a importação de bens e serviços, (avaliada CIF - custo, segurança, frete -, ou seja, incluindo
os custos até à fronteira do importador), os impostos líquidos de subsídios sobre os produtos, e
as margens comerciais e de transportes, obtém-se os recursos avaliados a preços de aquisição.
Este valor deverá ser idêntico ao que se obtém, para cada produto, do lado dos empregos, como
se verá no parágrafo sobre este tema.
Como se viu, o VAB é dado pela diferença entre a produção e o consumo intermédio.
Esta última variável é avaliada a preços de aquisição (incluindo margens comerciais, se passou
pelo circuito de distribuição), mas a produção é tomada a preços base. Em consequência, o VAB
é também avaliado a preços base (é a diferença entre o que efectivamente recebe e o que
efectivamente paga, excluindo a parte dedutível do IVA).
Vai efectuar-se nesta secção uma análise mais detalhada sobre a sequência de contas. Tomar-
se-á como exemplo o caso das contas das famílias, uma vez que este sector abrange a
generalidade das operações. Recorde-se que neste sector também se encontram as empresas em
nome individual. Secundariamente, utilizar-se-ão outros sectores (no final aparece um anexo
com as contas do conjunto dos sectores e do total da economia).
A produção surge como um recurso e é avaliada a preços base, sendo os consumos intermédios
avaliados a preços de aquisição. Consequentemente, o VAB está a preços base. O somatório dos
VAB dos sectores, adicionado do valor dos impostos líquidos de subsídios sobre os produtos
(D21-D.31, que não aparece nesta conta nem como emprego nem como recurso de qualquer
sector, senão no do conjunto da economia), constitui o PIB a preços de aquisição:
PIBpa (Pr od CI )s (Tpi Spi ) VABi , pb (Tpi Spi ) , em que o índice i se
s i i i
refere aos diferentes produtos, pa significa preços de aquisição e pb, preços base. A última
parcela refere-se à totalidade de impostos líquidos de subsídios sobre os produtos.
O VAB será utilizado pelos diferentes sectores institucionais, enquanto produtores, para
remunerar os factores produtivos. Desde logo, os trabalhadores assalariados, e ainda para pagar
os outros impostos sobre a produção, líquidos de subsídios (D.29-D.39), sendo o saldo desta
conta o Excedente Bruto de Exploração + Rendimento misto (EBE + RMx). O EBE é o resto
que permitirá remunerar o capital e outras formas de propriedade, o RMx é a parte excedentária
que não é passível de ser separada entre capital e trabalho, por haver uma simbiose entre os
proprietários destes factores. Por outras palavras, no caso das famílias a maior parte do VAB é
distribuída em rendimento misto (veja-se a conta II.1.1.- Conta de Exploração). Tem-se ainda
para o conjunto da economia:
PIBpa Re ms (OTs OSs ) ( EBE RMx) s , em que o índice s se refere aos
s s
diferentes sectores institucionais. Para cada um dos sectores o agregado relevante não seria o
PIB, mas sim o VAB gerada no respectivo sector. A equação referente ao conjunto d economia
permite uma outra visão do PIB, já não dada pelo lado da produção, mas sim pela remuneração
dos factores produtivos.
Voltando às contas das famílias, o EXE+RMx aparece como a primeira entrada do lado dos
recursos da conta II.1.2. Conta de afectação do rendimento primário. Esta parcela será
utilizada para remunerar as diferentes formas de capital que participaram no processo produtivo
controlado pelo sector das famílias (neste caso 3796 milhões de euros como juros pagos, mais
50 milhões de euros na forma de rendas). Inversamente, as famílias receberam como titulares de
capital 13626 milhões de euros. Outra fonte de recursos é constituída pelas remunerações
(66493 milhões de euros). Resumidamente, o saldo desta conta constitui o Rendimento Primário
Bruto = (EXE+RMx) + RLP + Rem (RlP são os rendimentos líquidos de propriedade). Grosso
modo, o rendimento primário reparte-se em duas partes: uma, resultante da aplicação de factores
produtivos no processo produtivo controlado pelas famílias (EXE+RMx), outra, resultante da
aplicação de capital em processos de produção não controlados pelas famílias (Rem+ RLP).
Alternativamente, e considerando o conjunto da economia tem-se o rendimento Nacional
Bruto, agora dado na perspectiva dos sectores institucionais (aconselha-se a acompanhar esta
parte com os quadros em anexo sobre o conjunto da economia).
Aliás, o mesmo se verifica relativamente aos rendimentos do trabalho, isto é, uma pequena
parcela do valor das remunerações é proveniente do saldo entre as remunerações recebidas e
pagas ao Resto do Mundo.
RNB ( EBE RMx) s ( R e ms , I R e mLs / RM ) RLPs / RM (TP SP)i , AP ,em que
s s i
a segunda parcela, sobre as remunerações, se decompôs numa parte interna e numa parte líquida
face ao Resto do Mundo.
Entra-se agora numa fase de redistribuição do rendimento, com a conta de II.2. Conta de
distribuição secundária do rendimento.
Esta conta tem o rendimento disponível como saldo, dado pela combinação entre o rendimento
primário, os impostos sobre o rendimento e o património, as prestações líquidas das
contribuições sociais e outras transferências. Tal como no caso do rendimento primário, em que
é necessário contar com o saldo dos rendimentos do e para o Resto do Mundo, também aqui é
necessário contar com o saldo das prestações e transferências de e para o Resto do Mundo.
Note-se que não é apenas o sector das famílias para o qual é relevante o rendimento disponível,
embora este seja o caso mais importante, representando cerca de 3/4 do rendimento disponível
para o total da economia (isto é, para o conjunto dos sectores residentes). Agrupando
convenientemente as diversas componentes, tem-se:
Yd B RNB Td Tril Trxl
Note-se que no termo Td se incluem a operações de impostos, de contribuições sociais, quer por
parte do empregador, quer por parte dos empregados.
Neste esquema não está contemplado o caso das prestações sociais operadas pelos empregadores,
sem carácter obrigatório e sem constituição prévia de fundos. Tais prestações incluem, por exemplo, o
pagamento dos salários, total ou parcialmente, em caso de doença, acidente, maternidade; inclui
complementos familiares para efeitos de educação, pagamento de pensões de reforma ou de
sobrevivência, ou indemnizações em caso de despedimento, acidente, etc, e também serviços médicos
Veja-se o desenrolar destes dois circuitos para 2009, considerando a sequência de contas das famílias:
Enquanto empresas em nome individual, as famílias têm, no lado dos empregos da conta de exploração,
731 milhões de euros (m.e.) na operação de “D.12. Contribuições sociais dos empregadores”. Este valor,
que faz parte das remunerações pagas pelas famílias, reparte-se em 42 m.e. para contribuições sociais
imputadas e em 689 m.e. para contribuições sociais efectivas (o primeiro destes valores obtém-se
considerando o valor das contribuições sociais imputas na conta da distribuição secundária do
rendimento; o outro valor obtém-se por diferença).
Na conta de afectação do rendimento primário inscreve-se o valor de 19264 m.e. como recurso das
famílias. Este valor tem como contrapartida os valores inscritos em empregos nas contas de todos os
sectores, incluindo as famílias. Nomeadamente nesses empregos das famílias, há uma parte que diz
respeito ao circuito das contribuições sociais efectivas, o tal valor de 689 m.e., outra parte refere-se ao
valor de 42 m.e. em contribuições sociais imputadas. Os empregos restantes nesta operação são na ordem
de 18532 m.e., valor que se obtém por diferença entre 19264 m.e. e 731 m.e. (ver-se-á que o valor de
18532 m.e. se reparte em 7747 me. para contribuições sociais imputadas e em 10785 m.e. para
contribuições sociais efectivas).
Na conta de distribuição secundária do rendimento inscreve-se nos empregos, na operação
contribuições sociais efectivas, o valor de 18893 m.e.. A contrapartida deste valor inscreve-se como
recurso na conta da segurança social (por outro lado, a origem deste valor encontra-se nos empregos de
todos os sectores, incluindo o RM em termos líquidos, na conta de exploração).
Na mesma conta de distribuição secundária das famílias está inscrito o valor de 7789 m.e. nas
contribuições sociais imputadas. Este valor tem origem nas contribuições das famílias, 42 m.e. e nas
contribuições dos restantes sectores, 7747 m.e., que se obtém por diferença (e explica a repartição do
valor de 18532 m.e., acima referida na análise da conta de afectação primária do rendimento).
Em resumo, o valor de 42 m.e. inscreve-se duplamente na conta de distribuição secundária porque as
famílias aparecem com um duplo papel, enquanto contribuintes e enquanto prestamistas da acção social,
de prestações sociais sem constituição de fundos (note-se que entre as contas de exploração e de afectação
primária do rendimento também apareciam com um duplo papel, do lado dos empregos da 1ª conta, como
empresas em nome individual, e do lado dos recursos da 2ª conta, como agregado familiar). Do lado dos
recursos, porque retorna para as famílias enquanto entidades “substitutas” da segurança social (a
contrapartida deste movimento está incluída no valor de 7789 m.e. da famílias, enquanto “contribuintes”
desse “substituto”). Aparece outra vez do lado dos empregos, enquanto acção social desse “substituto”.
Finalmente, no valor de 34081 m.e., também aparece incluído o valro de 42 m.e., sendo o restante
proveniente dos empregos dos outros sectores (as sociedades, as ISFLSF e as AP, enquanto entidades
“substitutas” da segurança social.
Note-se que a contrapartida deste movimento no sector das famílias corresponde a movimentos
nas contas das AP e das ISFLSF, do lado dos empregos.
As duas contas seguintes são de utilização do rendimento disponível, incluindo quando
este é ajustado:
A diferença entre o valor do consumo final efectivo e o valor da despesa de consumo
final reside exactamente no valor das transferências sociais em espécie. Por outro lado, no caso
das AP, a diferença entre o valor das despesas de consumo final e o valor das prestações sociais
é igual ao valor do consumo colectivo.
EMPREGOS II.4.1. Conta de utilização do rendimento disponível RECURSOS
B.6G Rendimento disponível bruto 119745
106206 P.3 Despesa de Consumo Final
106206 P.31 Despesa de Consumo Individual
D.8 Ajustamento pela variação da 189
participação líquida das famílias
nos fundos de pensões
13728 B.8G Poupança bruta
A operação D.8, ajustamento pela variação da participação líquida das famílias nos fundos de
pensões, decorre do reconhecimento de que as famílias são proprietárias das provisões dos
regimes privados com constituição de fundos, sendo necessário adicionar às poupanças das
famílias o excedente das contribuições para as pensões em relação aos recebimentos efectuados.
Assim, o referido ajustamento é dado por:
Ajustamento = valor das contribuições sociais efectivas relativas a pensões + valor dos
suplementos de contribuições a pagar pelos rendimentos de propriedade dos segurados – valor
do serviço prestado – valor das pensões pagas como prestações de regimes de pensões privados
com constituição de fundos.
Esta operação regista-se nas contas de utilização do rendimento, como empregos no
sector das seguradoras e outros sectores que administrem estes fundos, e como recursos na conta
de utilização do rendimento das famílias e na conta externa de rendimentos primários e
transferências correntes (caso as famílias beneficiárias sejam não residentes). O saldo da conta é
igual à poupança das famílias, decorrendo que a poupança interna é igual à soma das poupanças
dos sectores residentes.
Este saldo é a primeira entrada da conta de aquisição de activos não financeiros. Do lado dos
empregos considera-se a FBCF, e as suas diferentes componentes, bem como as operações de
aquisição líquida de objectos de valor e de activos não produzidos (como os diferentes tipos de
terrenos), representando o total das aquisições de activos não financeiros. Esta despesa é
financiada pela poupança líquida, adicionada das transferências líquidas de capital, bem como
pelo endividamento, caso se verifique um défice. Caso contrário, se o valor da poupança mais as
transferências for superior à despesa de aquisição de activos não financeiros, o sector será
excedentário e terá capacidade de financiamento. O saldo da conta é justamente a
capacidade/necessidade de financiamento.
EMPREGOS III.1.2. Conta de aquisição de activos não financeiros RECURSOS
B.101 Variações do património líquido 4833
resultantes de poupança e de
transferências de capital
7145 P.51 Formação Bruta de Capital Fixo
9145 K.1 Consumo de capital fixo
14 P.52 Variação de Existências
110 P.53 Aquisições Líquidas de Cessões
de Objetos de Valor
-2295 K.2 Aquisições líquidas de cessões de
ativos não-financeiros não
produzidos
9004 B.9 Capacidade /necessidade líquida
de financiamento
Considerando o conjunto dos sectores residentes, obtém-se o total da FBCF e das variações de
activos não financeiros, bem como da posição da economia face ao Resto do Mundo, podendo
esta ser deficitária ou excedentária, caso a soma da poupança com as transferências em termos
líquidos for inferior ou superior, respectivamente àquele valor.
Percorrendo o caminho a partir das contas financeiras, ou seja, compilando a informação das
transacções financeiras decorrentes das operações sobre bens e serviços e sobre as decorrentes
de actos financeiros autónomos, obtém-se também uma imagem sobre a posição de cada sector
e do conjunto da economia, em termos de capacidade ou necessidade de financiamento, que
deverá ser idêntica à fornecida pelas contas não financeiras. Na prática estatística, há uma
rubrica de erros, que permite o acerto entre os dois tipos de contas, pois as fontes estatísticas são
de diferente natureza, e todas elas sujeitas a erros e a processo de estimativa do valor das
operações.
Observando a tabela seguinte verifica-se que a economia portuguesa em 2009 era
deficitária, em 16222 m.e., sendo este resultado a combinação de duas principais situações
deficitárias, das Sociedades Não Financeiras e das Administrações Públicas, e de duas situações
excedentárias, das Sociedades Financeiras e, sobretudo, das Famílias.
U: 106 euros
S.11-Soc. N. S.12-Soc.
S.13-A.P. S.14-Fam ílias S.15-ISFSFL S.1-Econ. S.2-R.M.
Financeiras Financeiras
Transferências líquidas de capital 1617 -58 -196 250 355 1968 2497
Capacidade /Necessidade de
-11407 4157 -17135 9004 -840 -16222 16222
financiam ento
F: INE
A tabela acima faz um retrato da posição da economia, mas mais importante ainda é a imagem
da evolução que se poderá obter combinando dois anos sucessivos, o que permite observar,
nomeadamente, como a variação da aquisição de activos financeiros foi acompanhada pelas
evoluções das poupanças e do financiamento do Resto do Mundo.
6. EQUILÍBRIO EMPREGOS-RECURSOS
Até ao momento, nesta exposição apresentaram-se as contas dos sectores institucionais. Porém,
as contas dos ramos e os equilíbrios dos produtos têm um papel fundamental na construção de
um sistema de dados coerentes sobre a situação macroeconómica. No que se segue tomam-se as
contas do INE para o ano 2009. A exposição permitirá esclarecer alguns aspectos específicos da
metodologia das contas nacionais.
As contas de produção e de exploração são também aplicáveis aos ramos de produção. Tome-se
o caso do ramo da indústria:
Note-se que do lado dos recursos se poderia detalhar a natureza da produção, se mercantil ou
não mercantil, ou se para auto utilização. E do lado dos empregos, poder-se-ia acrescentar o
consumo de capital fixo e o valor acrescentado líquido.
Na conta de exploração é de notar que deverão ser tomados os impostos e os subsídios à
produção, mas não os impostos sobre os produtos líquidos dos subsídios, uma vez que se está a
tomar os preços base como referência para avaliar a produção.
Considerem-se ainda o caso do agrupamento de comércio e reparações, transportes e
armazenagem, alojamento e restauração:
Este procedimento permite balancear a avaliação dos recursos com os empregos. De notar que
os empregos estão avaliados a preços de aquisição e a produção está avaliada a preços base. A
passagem para preços de aquisição faz-se tomando os impostos líquidos de subsídios sobre os
produtos, incluindo os impostos sobre as importações, e adicionando as margens comerciais e
de transportes. Considere-se, em primeiro lugar, o caso dos produtos industriais:
Indústria
Recursos Empregos
Produção preços base 69507 67419 Total consumo intermédio
Importação bens (CIF) 48718 47096 Desp. de consumo final das famílias
Importação serviços 85 1590 Desp. consumo final das AP
Margens de distribuição 27409 52 Desp. de consumo final das ISFLSF
Impostos - subsídios aos produtos 11932 11429 Formação bruta de capital fixo
102 Aq.lí[Link]ões de objetos de valor
-1040 Variação de existências
30785 Exportação bens (FOB)
220 Exportação serviços
Total de recursos 157652 157652 Total de empregos
Observe-se que as margens comerciais entram com sinal negativo nos recursos do ramo
comércio (e o mesmo acontece com as margens de transporte no ramo de transportes):
Serviços de comércio
Recursos Empregos
Produção preços base 34643 1695 Total consumo intermédio
Importação bens (CIF) 0 2037 Desp. de consumo final das famílias
Importação serviços 244 0 Desp. consumo final das AP
Margens de distribuição -30715 0 Desp. de consumo final das ISFLSF
Impostos - subsídios aos produtos 241 210 Formação bruta de capital fixo
0 Aq.lí[Link]ões de objetos de valor
0 Variação de existências
0 Exportação bens (FOB)
471 Exportação serviços
Total de recursos 4413 4413 Total de empregos
Neste exemplo importa notar que: a) tratando-se de um serviço, não se aplicam margens
comercias e de transporte; b) sendo um serviço não mercantil, não tem utilizações intermédias
(ou tem marginalmente, por efeitos de agregação).
Tomando todos os produtos, obtém-se a definição de PIB dado pelo lado da despesa:
Produção - Consumos intermédios + Importações = Utilizações Finais Internas +
Exportações o que é equivalente a:
PIB = Utilizações Finais Internas + Exportações – Importações = 168504
Recursos Empregos
Produção preços base 311365 162661 Total consumo intermédio
Importação bens (CIF) + 50574 106206 Despesa de consumo final das famílias-
CFRfTE - CIF/FOB s/ CFNRTE+CFRfTE
[Link]ços+ CFRfTE 9143 37160 Desp. consumo final das AP
+CIF/FOB s/ Importações
Margens de distribuição 0 3568 Despesa de consumo final das ISFLSF
[Link] 19800 34629 Formação bruta de capital fixo
Impostos - subsídios aos produtos 124 Aq.lí[Link]ões de objetos de valor
-703 Variação de existências
33717 Exportação bens (FOB)+CFNRTE
13519 Exportação serviços+CFNRTE-CFRfTE
Total de recursos 390882 390882 Total de empregos
cada ramo utilizador. Assim, é também possível uma leitura em coluna, que permite identificar
os consumos intermédios de cada ramo. Abaixo da parte central, poderá haver uma banda,
sintetizando as contas de produção e de exploração dos ramos. Por último, há ainda uma zona de
ajustamentos que permite passar de uma valorização CIF para uma valorização FOB das
importações, bem como da noção de despesa no território para a despesa de residentes, como os
correspondentes ajustamentos do lado do consumo e das exportações. Veja-se o exemplo do
quadro a 8 ramos para 2009 (nesta apresentação as vendas para consumo intermédio foram
compactadas para um vector que apresenta as vendas totais para esse fim, não se identificando,
em consequência as utilizações dos diferentes produtos por cada ramo de actividade):
Impostos
Produtos Produção Importação Importação Margens de líquidos de Total de
preços base bens (CIF) serviços distribuição subsídios recursos
aos produtos
Electricidade, Gás, Água; Distribuição de água, 17008 468 2 190 270 17937
D+E
esgotos, gestão de resíduos
F Construções e trabalhos de construção 30176 0 2 0 751 30929
G Serviços de comércio e de Transporte 34643 0 244 -30715 241 4413
H+I+J+K+L+ Serviços mercantis às empresas e famílias 100529 352 5819 345 5568 112612
M+N
Administrações públicas e serviços de defesa; serviços 16993 0 0 0 0 16993
O da segurança social obrigatória
P+Q+R+S+T Outros serviços (com predominância não mercantil) 35480 10 158 3 1079 36729
+U
Total 311365 52071 6315 0 19800 389551
Ajustamentos:
Consumo final de não residentes no território económico (-)
Aquisições
Despesa de Despesa de
Produtos Total Despesa de Formação líquidas de
consumo final das consumo Variação de Exportação Exportação Total de
consumo consumo final bruta de cessões de
administrações final das existências bens (FOB) serviços empregos
intermédio das famílias capital fixo objetos de
públicas ISFLSF
valor
D+E Electricidade, Gás, Água; Distribuição de água, esgotos, 13104 4230 308 0 0 0 -13 304 3 17937
gestão de resíduos
F Construções e trabalhos de construção 12802 116 44 0 17730 0 234 0 3 30929
G Serviços de comércio e de Transporte 1695 2037 0 0 210 0 0 0 471 4413
H+I+J+K+L+ Serviços mercantis às empresas e famílias 57114 40242 1304 91 4915 0 57 100 8789 112612
M+N
O Administrações públicas e serviços de defesa; serviços 227 165 16515 86 0 0 0 0 0 16993
da segurança social obrigatória
P+Q+R+S+T Outros serviços (com predominância não mercantil) 3490 12356 17399 3339 29 22 0 3 90 36729
+U
Total 162661 110547 37160 3568 34629 124 -703 31968 9596 389551
Ajustamentos: 168504
Consumo final de não residentes no território económico (-) -6267 1749 4518 0
Consumo final de residentes fora do território económico (+)
1926 1926
CIF/FOB sobre as importações -595 -595
Total após ajustamentos 162661 106206 37160 3568 34629 124 -703 33717 13519 390882
PIB = Despesa de Consumo Final das Famílias + Despesa de Consumo Final das Adm. Públicas +
Despesa de Consumo Final das ISFLSF + FBCF total + Aq. Líquidas de Objectos de Valor + Variação
de Existências + Exportações de Bens e serviços - Importações de Bens e serviços = 168504 milhões de
euros
outra modalidade), sendo que a avaliação é feita sempre com o mesmo critério de valorização,
preços base.
O quadro empregos-recursos adequa-se às estatísticas primárias disponíveis e ao
funcionamento efectivo das empresas: estas têm disponíveis informação sobre os produtos que
fabricam e também sobre os produtos que adquirem para utilizações intermédias, mas não de
quais e em que proporções são utilizados na fabricação de cada tipo de produto. Isto é, fica
facilitada a afectação dos produtos às empresas, estando estas classificadas segundo a sua
actividade principal, e também às UAE locais (unidades de actividade económica ao nível
local).
Inversamente, para se definir os quadros simétricos produto X produto é necessário
estabelecer um conjunto de hipóteses sobre os processos produtivos, baseadas em informação
avulsa (isto é, não decorrentes da base estatística das contas nacionais), como estudos sectoriais
e avaliações feitas por peritos dos processo produtivos, que permitam afectar os produtos, e nas
proporções adequadas, aos diferentes processos produtivos.
Por outro lado, os quadros simétricos têm mais poder analítico. Tornando a informação
sobre os empregos e recursos mais homogénea e estabelecendo um formato de matriz quadrada
para os consumos intermédios, criam-se as condições para a modelização económica, o que
permite o desenvolvimento de ensaios/cenários sobre possíveis evoluções da estrutura
económica.
O quadro entradas-saídas simétrico tem o seguinte formato:
Contas de produção,
de exploração e
outros inputs
primários
os impactos directos e indirectos das variações da procura final sobre o total dos
recursos/empregos: X I A .Y
1
decomposição do VAB e o quarto refere-se às importações do produto j. Note-se que se pode ter
uma notação referente a um daqueles quatro tipos de input, mas extensivo a todos os produtos:
Vi ' [vi1 vi 2 ... vip ]' , em que i se refere ao tipo de input. De modo semelhante, agregando
todos os inputs de cada produto, tem-se V ' [V1 V2 ... Vp ]' .
Assim, para o conjunto da economia obtém-se a seguinte equação matricial:
X 1 11 21 ... p1 X 1 V1
X 2 ... p 2 X 2 V2
2 12 . (note-se que a matriz β foi transposta).
... ... ... ... ... ... ...
X p 1 p 2 p ... p X p Vp
1
De forma compacta, tem-se X ' X V , o que é equivalente a X I ' .V .
Esta equação expressa o total de recursos/empregos como função dos inputs primários.
Note-se que em termos de variações as importações poderão ser excluídas deste vector,
ficando ΔV igual a ΔVAB. Para ser mais exacto, em geral, ΔV poderá representar qualquer input
primário.
Deste modo é possível determinar os impactos das variações dos inputs primários (ou de
qualquer uma das suas decomposições) sobre o total dos recursos.
1
X I ' .V , em que V ' [vi1 vi 2 ... vip ]' , para um dado tipo de input
H+I+J+K +
A C D+E F G O P+Q+R+S+T+U
Un.: 106 Euros L+M+N
Serviços da
Despesa de Aquisições
Eletricidade, Construções Comércio e administração Despesa de Despesa de Despesa
Produtos da consumo Formação líquidas de Formação Total
gás, vapor, e trabalhos reparação Serviços pública, defesa Serviços pred. consumo consumo de Variação de Exportação Total
Produtos agricultura, Indústria Total final das bruta de cessões de bruta de empregos
água; gestão de de de mercantis e segurança não mercantis final das final das consumo existências (FOB) empregos
caça e pesca admin. capital fixo objetos de capital finais
resíduos construção automóveis social famílias ISFLSF final
públicas valor
obrigatória
Produtos da agricultura,
A
caça, pesca
1115 5098 0 1 74 396 41 68 6793 2303 0 0 2303 433 0 196 629 796 3729 10522
C Indústria 2005 41644 2500 8038 3382 8380 421 2757 69127 25501 40 799 26340 11024 35 433 11492 36867 74699 143826
Eletricidade, gás, água;
D+E
gestão de resíduos
111 2838 9479 88 489 1059 388 601 15053 3839 0 296 4134 0 0 24 24 348 4507 19560
Construções e trabalhos
F 84 650 306 9986 749 1611 227 399 14011 111 0 41 152 18349 0 354 18703 3 18858 32869
de construção
Comércio e reparação de
G 449 4287 211 1077 1585 2644 113 834 11200 20310 32 631 20973 2124 35 0 2159 1779 24912 36113
automóveis
H+I+J+K+L
+M+N
Serviços mercantis 394 7027 1426 1761 9369 28911 2119 3862 54870 39065 80 1168 40313 4426 0 42 4469 9837 54619 109489
administração pública,
O defesa e segurança social 4 3 56 2 0 44 74 7 189 122 121 14913 15155 0 0 0 0 0 15155 15344
obrigatória
P+Q+R+S+ Serviços pred.não
T+U mercantis
24 134 18 37 266 639 324 1741 3183 11043 3317 16614 30974 23 48 0 71 90 31135 34318
Total 4185 61682 13996 20990 15915 43684 3708 10268 174427 102293 3590 34461 140343 36380 119 1049 37548 49721 227613 402040
Impostos líquidos de
subsídios aos produtos
157 438 172 1251 591 2099 560 1267 6535 13733 4 71 13808 2254 23 -8 2269 60 16137 22672
Consumo intermédio
ajustado/ Procura final a 4342 62120 14168 22241 16506 45783 4268 11535 180962 116026 3593 34532 154151 38635 142 1041 39817 49781 243750 424712
preços de aquisição
Remunerações 988 13129 1401 6851 11784 22873 9176 19491 85692
Ordenados e salários 801 10288 1109 5461 9271 18057 6074 15431 66492
Outros impostos líquidos
-803 152 -4 20 104 557 -82 -523 -578
de subsídios à produção
Consumo de capital fixo 797 3747 1737 1008 2352 16225 2161 1718 29746
Excedente líquido de
2129 3996 1172 2745 5098 17570 -179 1920 34451
exploração
Excedente bruto de
exploração
2926 7743 2909 3754 7451 33795 1982 3638 64197
Valor acrescentado bruto 3111 21023 4306 10624 19339 57225 11076 22606 149311
Produção a preços de base 7453 83143 18474 32866 35845 103008 15344 34140 330273
Importação (CIF) 3068 60683 1085 4 268 6481 0 178 71767
Total de recursos a preços
de base
10522 143826 19560 32869 36113 109489 15344 34318 402040
7. DECOMPOSIÇÃO PREÇO-VOLUME
V PQ t t t
,
PQ t t
P Qt t
1 p 1 q , em que p e q são, respectivamente as taxas de
P Q t 1 t 1
P Qt 1 t 1
P Qi 1
it it
, a intuição aponta para que a variação do preço desse agregado possa ser uma
média ponderada das taxas de variação dos preços dos produtos componentes. Os ponderadores
deverão representar a importância relativa de cada produto no total.
P Q
P .
n
it it 1 it 1
n
, em que o segundo factor representa a importância relativa do de cada
P P Q
i 1 it 1
it 1 it 1
i 1
5
Por comodidade tomar-se-á (1 x) como a taxa de variação de da variável x . Na verdade, trata-se de
uma taxa de variação inteira. Subtraindo a unidade e multiplicando por 100 obtém-se a variação
percentual.
P Q
i 1
it it 1
IL(p) = n
P Q
i 1
it 1 it 1
Podendo este índice ser aplicado a qualquer variável, tem-se também o Índice de
Laspeyres de volume (quantidades)6:
n
P Q
i 1
it it
IL(q) = n
P Q
i 1
it it 1
Por outro lado, a comparação pode ser feita com o período imediatamente anterior ou
então com um período tomado como base (para o qual há informação estatística suficiente para
se determinar os pesos relativos dos produtos componentes do agregado). E nesse caso ter-se-á
os Índices de Laspeyres de base fixa para os casos dos preços e do volume, respectivamente:
n n
P Q
i 1
it i0
P Q
i 1
i0 it
ILf(p) = n
e ILf(q) = n
P Q
i 1
i0 i0
P Q
i 1
i0 i0
No caso português, o índice de preços no consumidor (IPC) foi até há pouco tempo um
índice de Laspeyres de base fixa, tendo evoluído para um índice em que os ponderadores são
actualizados todos os anos de acordo com a própria evolução dos preços. O índice de produção
industrial é um índice de Laspeyres de quantidades de base fixa, tendo condições para evoluir
para um índice de Laspeyres de base móvel.
Um dos problemas do índice de Laspeyres, especialmente na modalidade de base fixa, é
o envelhecimento da estrutura de ponderadores, que será tanto maior quanto a maior a distância
temporal entre o ano da base e o momento de análise. Assim, em alternativa, e caso haja tal
possibilidade, poder-se-á tomar com referência as quantidades do próprio período, ao invés das
do período anterior ou do período base.
6
Os índices são habitualmente apresentados após a sua multiplicação por 100, o que não está aqui a ser
representado.
P Q
i 1
it it
IP(p) = n
.
P Q
i 1
it 1 it
P Q
i 1
it it
IP(q) = n
.
P Q
i 1
it it 1
Por outro lado, os índices de Paasche podem também ser de base fixa, de preços ou de
quantidades:
n n
P Q
i 1
it it
P Qi 1
it it
IPf(p) = n
e IPf(q) = n
.
P Q
i 1
i0 it
P Q
i 1
it i0
As Contas Nacionais tomam como deflatores os índices de Paasche do ano anterior (como
se verá mais desenvolvidamente).
P Qi 1
it it
P Q
i 1
it it
P Q
i 1
it 1 it
IV (n) = n
= n
. n
P Q
i 1
it 1 it 1
P Q
i 1
it 1 it
P Q
i 1
it 1 it 1
Isto é, O índice em valor é igual ao produto do índice de Paasche de preços pelo índice de
Laspeyres de quantidades. E também:
n n n
P Qi 1
it it
P Q
i 1
it it 1
P Q
i 1
it it
IV (n) = n
= n
. n
.
P Q
i 1
it 1 it 1
P Q
i 1
it 1 it 1
P Q
i 1
it it 1
7
Há outros tipos de índices, sendo de destacar os Índices de Fisher, dados pela média geométrica dos
índices de Laspeyres e de Paasche para a mesma variável.
O índice em valor é igual ao produto do índice de Laspeyres de preços pelo índice de Paasche
de quantidades.
Esta propriedade revela que do ponto de vista da variação em valor é indiferente escolher
uma ou outra modalidade. Mas a escolha de uma ou outra produz resultados diferentes para as
evoluções em volume e dos preços, que se afastarão tanto mais quanto mais intensas forem as
alterações das estruturas que servem de ponderação.
Quando se trata de escolher entre índices de base fixa, a escolha a favor do índice de Paasche
como deflator é fundamentada na hipótese da relevância do efeito de substituição. O efeito de
substituição estabelece uma relação inversa entre a procura dos produtos e os seus preços
relativos. Em consequência, a avaliação do comportamento dos preços seria enviesada, caso se
tomasse uma estrutura de ponderação fixa no tempo, que não tomaria em conta a diminuição do
peso dos produtos cujos preços aumentaram relativamente aos restantes (caso a elasticidade-
preço for superior a um). E o viés seria no sentido da sobrevalorização dos índices de preços, e
consequente subavaliação dos índices de volumes. Mas também outros efeitos contam para que
se prefira um índice de Paasche, na presença de índices de base fixa, como o efeito-rendimento,
ou seja, do impacto sobre a procura que resulta de variações do rendimento. Na presença de
bens normais (bens com um efeito rendimento positivo), um aumento do rendimento gerará um
maior ou menor aumento da procura dos bens de acordo com a intensidade relativa das
correspondentes elaticidades-rendimento. O índice de Laspeyeres não apanha estes efeitos.
Por outro lado, a escolha de uma base fixa, seja com índices de Laspeyres seja com
índices de Paasche tem uma debilidade que se acentua com o tempo, a saber a diferença entre o
padrão de produtos que se toma como referência, como termo de comparação, e o cabaz
de produtos relevante num determinado período de tempo. Quanto maior a diferença
temporal entre o ano de base e o ano corrente, maior será também aquela diferença. À medida
que vão ocorrendo inovações e se estabelecem novas necessidades, os produtos anteriormente
de referência deixam de o ser, passando a ser pouco procurados, ou mesmo desaparecendo8.
Compreende-se assim que o Sistema de Contas Nacionais (Sistema Europeu de Contas)
privilegie a utilização do índice de Paasche de base móvel, o que permite uma avaliação das
quantidades a preços do ano anterior.
8
Há técnicas mais ou menos sofisticadas para atenuar estas debilidades, permitindo estimar o impacto
das alterações de qualidade sobre os preços dos produtos. Mas o problema é recorrente.
Para o cálculo a preços do ano anterior, divide-se o valor nominal pelo índice, fica:
n
n P itQ it n
Deflação com Paasche móvel = P Q it
/ ni 1
=
P Q it 1
, obtém-
P it 1Q it
it it
i 1 i 1
i 1
se o valor a preços do ano anterior, o que constitui uma medida de volume, uma vez que
os preços se mantêm constantes.
Se o índice de Paasche fosse de base fixa, os valores seriam avaliados a preços
constantes do ano base:
n
n P Q it n
P Q P Q
it
i 1
Deflação com Paasche fixo = it
/ n
= i0
, o que também
P Q
it it
i 1 i 1
i0 it
i 1
P Q it 1 P Q
1 q f
i0
1 qm ou
it it
i 1 i 1
n n
P Q
i 1
it 1 it 1
P Q
i 1
i0 it 1
n n n
n P Q i0 P Q i1 P Q it 1
P Q
i1 i2 it
i 1 i 1 i 1
Yct = i0
. n
. n
.…. n
P Q P Q P Q
i0
i 1
i0 i0 i1 i1 it 1 it 1
i 1 i 1 i 1
O Valor de Y no período t , tomando como referência o ano zero (por exemplo, 2000), resulta
da aplicação ao valor do ano base (a preços do ano base, portanto, valores a preços correntes) de
sucessivas taxas de variação (em que as taxas de variação são índices de Laspeyres de
quantidades). Verifica-se imediatamente que a partir do período 2, inclusive, os valores
encadeados em volume são diferentes dos valores a preços constantes do ano zero.
Este procedimento é o adoptado pelo INE, na produção de Contas Nacionais Trimestrais.
Metodologicamente, toma-se como restrições as taxas de variação anuais em volume, obtidas
pelas Contas Nacionais Anuais, e produzem-se dados em volume encadeados, tomando o ano
2000 como referência. A própria metodologia de estimação dos valores trimestrais obriga a
transformar os valores a preços do ano anterior em valores encadeados em volume.
Quando se estabelece o encadeamento em volume (repetindo, por aplicação de sucessivos
índices de Laspeyres em volume ao volume a preços do ano de referência), o deflator implícito
é um índice de Paasche encadeado. Com efeito, dividindo o valor pelo volume encadeado,
fica:
n n n
n n P Q i0 P Q i1 P Q it 1
P Q /( P Q
i1 i2 it
i 1 i 1 i 1
it i0
. n
* n
.…. n
)=
P Q P Q P Q
it i0
i 1 i 1
i0 i0 i1 i1 it 1 it 1
i 1 i 1 i 1
n n n n
P Q
i 1
it it
P Q
i 1
i1 i1
P Qi 1
i2 i2
P Q
i 1
it 1 it 1
= n
. n
. n
…. n
P Q
i 1
i0 i1
P Q
i 1
i1 i2
P Qi 1
i2 i3
P Q
i 1
it 1 it
n n n
P Q
i 1
i1 i1
P Q
i 1
i2 i2
P Q
i 1
it it
= n
. n
.…. n
P Q
i 1
i0 i1
P Q
i 1
i1 i2
P Q
i 1
it 1 it
P Q
i 1
i0 it
, para qualquer t.
Para efeitos da demonstração seguinte, considere-se que o PIB é dado por duas
componentes, a procura interna (Despesa de Consumo Final das Famílias e das Administrações
Públicas e das ISFLSF + FBCF) e a procura externa líquida (exportações totais menos
importações). Facilmente se constata que o total é igual à soma das partes:
n n n
P Q P Q P Q
i i x x
Yconst,t = i0
= i0
+ i0
, para qualquer t.
it it it
i 1 i 1 i 1
n P Q i1
P Q
i2
i 1
Yenc,2 = i0
. n
=
P Q
i1
i 1
i1 i1
i 1
n n
n n Pi Qi P x Q x
P Q P Q
i i x x i1 i2 i1 i2
i 1 i 1
=( i0
+ i0
) . ( n n
) (a)
P Qi P x
it it
i 1 i 1 i x
i 1
i1 i1 i 1
i1 Q i1
Note-se a identidade dos factores homólogos do produto de cada lado da igualdade. Na verdade
o que se tem é a aplicação da taxa de variação do PIB do ano 2 (dada por um índice de
Laspeyres de base móvel) ao PIB do ano anterior (t = 1) a preços do ano de referência (t = 0).
Ficou assim calculado directamente o agregado em causa.
Tome-se agora cada uma das componentes do PIB e apliquem-se as correspondentes taxas de
variação em volume, calculadas do mesmo modo, aos correspondentes valores a preços do ano
base, somando-se em seguida:
n n
n P Q i i
n Px Qx
Pi Qi Px Qx
i1 i2 i1 i2
i 1 i 1
Yenc2i + Yenc2x = . n
+ . n
(b)
P Q P Q
i0 i0
i 1 i1
i i i 1 i1
x x
i1 i1 i1 i1
i 1 i 1
Facilmente se conclui que a igualdade (a) é diferente da igualdade (b), isto é todo é diferente da
soma das partes. Em resultado desta característica, o PIB encadeado em volume, difundido pelas
Contas Nacionais Trimestrais, inclui o valor das discrepâncias associado a esta não aditividade.
Veja-se os resultados obtidos pelo INE, tomando a Contabilidade Anual e Trimestral (nova base
de 2006 e dados encadeados em volume, com ano de referência 2006, respectivamente):
Encadeamento em volume: Inevitavelmente, os dados a preços do ano anterior são diferentes
dos encadeados em volume. Mas as taxas de variação em volume são idênticas.
Un.: 106 euros
encadeados em taxas de
preços preços do ano taxas de variação
Anos preços correntes volume Base variação em
correntes anterior em volume
2006 volume
1995 87841 - 87841 123609 -
1996 93217 91107 3.7 93217 128168 3.7
1997 101146 97330 4.4 101146 133816 4.4
1998 110377 106359 5.2 110377 140692 5.1
1999 118661 114884 4.1 118661 146423 4.1
2000 127317 123335 3.9 127317 152156 3.9
2001 134471 129837 2.0 134471 155161 2.0
2002 140567 135509 0.8 140567 156347 0.8
2003 143472 139291 -0.9 143472 154922 -0.9
2004 149313 145710 1.6 149313 157340 1.6
2005 154269 150470 0.8 154269 158559 0.8
2006 160855 156488 1.4 160855 160855 1.4
2007 169319 164660 2.4 169319 164660 2.4
2008 171983 169305 0.0 171983 164646 0.0
2009 168529 166981 -2.9 168529 159858 -2.9
2010 172860 171793 1.9 172860 162953 1.9
2011 171126 170698 -1.3 171126 160916 -1.3
2012 165108 - 165108 155717 -3.2
F: INE
Determinação dos deflatores: Nas contas anuais, utilizando os valores a preços correntes e a
preços do ano anterior, calculam-se os deflatores (Paasche móvel), sendo que o resultado é
imediatamente a taxa inteira. O cálculo das taxas de variação percentuais decorre desde cálculo
inicial.
encadeados em taxas de
preços preços do ano taxas de variação
Anos preços correntes volume Base variação em
correntes anterior em volume
2006 volume
1995 87841 - 87841 123609 -
1996 93217 91107 3.7 93217 128168 3.7
1997 101146 97330 4.4 101146 133816 4.4
1998 110377 106359 5.2 110377 140692 5.1
1999 118661 114884 4.1 118661 146423 4.1
2000 127317 123335 3.9 127317 152156 3.9
2001 134471 129837 2.0 134471 155161 2.0
2002 140567 135509 0.8 140567 156347 0.8
2003 143472 139291 -0.9 143472 154922 -0.9
2004 149313 145710 1.6 149313 157340 1.6
2005 154269 150470 0.8 154269 158559 0.8
2006 160855 156488 1.4 160855 160855 1.4
2007 169319 164660 2.4 169319 164660 2.4
2008 171983 169305 0.0 171983 164646 0.0
2009 168529 166981 -2.9 168529 159858 -2.9
2010 172860 171793 1.9 172860 162953 1.9
2011 171126 170698 -1.3 171126 160916 -1.3
2012 165108 - - 165108 155717 -3.2
F: INE
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EUROSTAT, (1996), European System of Accounts ESA 95, (SEC 95, Sistema Integrado de
Contas Nacionais e Regionais da Comunidade, Regulamento (CE) nº 2223/96 do Conselho de
25 de Junho de 1996, Jornal Oficial das Comunidades L310, 30 de Novembro de 1996).
ONU, Department of Economic and Social Affairs Statistics Division (2003), “Nation
Accounts: A Practical Introduction”.