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A Generosidade que Transforma Vidas

O texto reflete sobre a generosidade e hospitalidade de Abraão, que acolhe os três visitantes, simbolizando a presença de Deus. Através de sua abertura e disposição em servir, Abraão demonstra que a verdadeira amizade com Deus nos conecta com os outros e nos torna fecundos em nossas vidas. A narrativa culmina na promessa do nascimento de Isaac, simbolizando a alegria e a fidelidade de Deus, que se manifestam quando acolhemos o outro com amor.

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A Generosidade que Transforma Vidas

O texto reflete sobre a generosidade e hospitalidade de Abraão, que acolhe os três visitantes, simbolizando a presença de Deus. Através de sua abertura e disposição em servir, Abraão demonstra que a verdadeira amizade com Deus nos conecta com os outros e nos torna fecundos em nossas vidas. A narrativa culmina na promessa do nascimento de Isaac, simbolizando a alegria e a fidelidade de Deus, que se manifestam quando acolhemos o outro com amor.

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v- A generosidade que gera vida (Gn 18,1-15;21,1-7)

O amor fraterno permaneça. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque graças a ela

alguns, sem saber, acolheram anjos! (Hb 13,1s)

Estamos diante de uma das perícopes mais misteriosas e mais doces do itinerário do pai Abraão...
Para grande parte da tradição cristã, os três aos quais Abraão se dirige como sendo um só, é o próprio
Deus uno e trino, que visita Abraão. Como quer que seja, é o próprio Senhor quem se faz hóspede na tenda
de Abraão! Vamos acompanhar o movimento do texto, que revela muito de nosso pai, modelo dos que
caminham com o Senhor.
“O Senhor lhe apareceu no Carvalho de Mambré, quando ele estava sentado na entrada da tenda, no
maior calor do dia”. Abraão está na sua vida cotidiana, ordinária: sentado, comodamente, descansando da
comida do meio dia e refrescando-se do calor... Nem por isso é alguém fechado em si mesmo, voltado para
o próprio umbigo:” tendo levantado os olhos, eis que viu três homens de pé, perto dele...” Abrão é capaz
de levantar os olhos, de ver o mundo em volta de si, de ver os outros. Está longe de ser um misantropo
egoísta! Uma verdadeira amizade com Deus jamais nos aliena do mundo e dos outros. “Logo que os viu,
correu da entrada da tenda ao seu encontro e se prostrou por terra”. Abraão é toda delicadeza, todo
solicitude, todo abertura em relação aos outros, é capaz de reconhecer a dignidade de quem lhe vem ao
encontro, por mais desconhecido e estrangeiro que seja! O outro sempre pode ser para nós uma chance,
um desafio ou uma ameaça...Para aquele que é seguro de si- segurança nascida da intimidade com o
senhor- o outro é sempre uma chance, uma aventura, um dom, uma oportunidade! No outro, estão
presentes os sinais do Outro!
Aqui é conveniente que nos perguntemos: Sou aberto aos outros? Sei enxergá-los, com seus problemas,
sofrimentos, belezas, possibilidades e desafios? Como vejo meu irmão (aquele que Deus colocou “de pé,
perto de mim): como uma oportunidade, como um desafio ou como ameaça? Sei reconhecer no outro a
imagem do Outro? Sei correr em direção ao outro, ou espero sempre que venham a mim? Sou um
construtor de pontes, de relações, de comunhão?
“Meu Senhor, eu Te peço, se encontrei graça a teus olhos, não passes junto de teu servo sem te deteres.
Traga-se um pouco de água e vos lavareis os pés, e vos estendereis sob a árvore. Trarei um pedação de
pão, e vos reconfortareis o coração antes de irdes mais longe; foi para isso que passastes junto ao vosso
servo!” A delicadeza de Abraão, expressão da sua veneração pelos outros, é também prestimosidade: o
amor desconhece demora, a frieza, os meios termos;” o amor de Cristo nos impele...” Amor frio e lento,
amor que tudo calcula não pode ser chamado de amor...
Mas, aqui há mais :Abraão tem uma visão profunda, sobrenatural, das coisas: “foi para isso que passastes
junto ao vosso servo” ... Quando temos uma visão de fé, ninguém passa por nós á toa: o outro é sempre
um presente de Deus e uma interpelação de Deus para mim:” onde está o teu irmão?” (Gn 4,9)
Abraão, sintonizado com seu Deus, consegue ver nos acontecimentos e nas pessoas, um apelo e um
sentido que, em último caso, remete a Deus. Quando não temos essa capacidade, certamente nossa vida
espiritual é formal e desprovida de uma relação viva e dinâmica com o Senhor...
Sei sair de mim? Sei doar-me, indo ao encontro das necessidades dos outros? Sei ter compaixão, como
Abraão, que se coloca na situação do outro? Na minha convivência, na minha comunidade, sei sair de mim
para perceber o outro, com suas necessidades, anseios e problemas? Sei colocar-me na situação do outro?
Ou sempre vejo tudo a partir de mim?
“Abraão apressou-se para a tenda, junto a Sara, e disse: “Toma depressa três medidas farinha, de flor de
farinha...faze pães cozidos...” Depois correu ao rebanho e tomou um vitelo tenro e bom...tomou também
coalhada, leite e o vitelo que preparara e colocou tudo diante deles; permaneceu de pé, junto deles, sob a
árvore, e eles comeram. “A cena aqui é requintada, belíssima: Abraão dá o melhor: farinha fina, em flor,
um vitelo tenro e bom... e tudo isso depressa...e, depois troca de posição com os misteriosos hóspedes:
agora eles estão sentados e nosso pai está de pé, para servi-los, para homenageá-los! Que maturidade, a
desse Abraão! E note-se que ele não sabia que era o próprio Deus! Pensava tratarem-se simplesmente de
estrangeiros, peregrinos em viagem! É que, sendo nômade, Abraão sabe o que significa viver a caminho,
compreende que somos todos nômades, estrangeiros num mundo que passa. A capacidade de acolher, de
hospedar o outro no nosso coração nasce dessa consciência que também nós estamos a caminho...E
também, por outro lado, nos recorda essa mesma realidade! Como diz o autor da carta aos Hebreus:
O amor fraterno permaneça. Não vos esqueçais da hospitalidade,
porque graças a ela alguns, sem saber, acolheram anjos...
não temos aqui cidade permanente,
mas estamos à procura da cidade que está para vir...(13,1s.14)
A quem já hospedei na minha vida, no meu coração? A quem neguei guarida e deixei passar, deixei em pé,
`a porta da tenda de minha vida e de meu afeto?
Qual a recompensa de uma vida vivida assim? Certamente, é uma vida fecunda!
“Onde esta Sara, tua mulher? Voltarei a ti no próximo ano; então Sara, tua mulher, terá um filho!” A
promessa, finalmente, será cumprida: iniciativa gratuita de Deus, mas que “necessitou! Do sim de Abraão,
de sua disponibilidade e generosidade. Porque foi aberto, porque soube deixar e deixar-se, porque
hospedou em sua tenda e em seu coração o outro, tornou-se fecundo: no próximo ano, ele será pai e Sara
será mãe!” Quem vive para si empobrece o seu viver; quem doar a própria vida, vida nova há de colher!
“No outro, era um Deus peregrino, necessitado, pobre, que estava presente, um Deus em viagem que
espera ser acolhido. Ao acolher o outro, Abraão acolheu o Outro, Outro que é sempre próximo ,mas de um
modo misterioso, silencioso...Abraão, a acolhê-lo, irá reconhecê-lo. É assim: somente quando acolhemos o
Senhor no outro, reconhecemo-lo de verdade...Como os dois de Emaús, que caminharam todo o tempo
sem reconhecer Jesus, mas ao hospedá-lo, ao preocuparem-se pelo dia que declinava e a noite que caía, ao
acolhê-lo em casa e à sua mesa, tiveram os olhos abertos e reconheceram o Senhor ao partir do pão.
(cf.lc24)
Sara ri..., mas o seu riso de descrença irá transformar-se num riso de alegria! Isaac (= o que faz rir) é o riso
de Deus para seu servo Abraão...riso de Deus que pousará sobre os lábios do velho crente: “O Senhor
visitou Sara, como dissera e fez por ela como prometera”. O Deus que visitara Abraão ao calor do dia, visita
Sara e a torna fecunda: “Sara concebeu e deu á luz um filho a Abraão já velho, no tempo que Deus tinha
marcado! “Um filho para Abraão já velho...no tempo que o Senhor Deus tinha marcado...não antes!
“Ao filho que lhe nasceu, gerado por Sara, Abraão deu o nome de Isaac...Abraão tinha cem anos...e disse a
Sara: ‘Deus me deu motivo de riso, todos os que o souberem rirão comigo...” Riso de Deus, riso de
Abraão....Riso para os que escutam...” Sê uma benção! “Sê um bem-dizer, dizer rindo a fidelidade de Deus,
experimentada na própria carne e na própria vida! “Quem teria dito a Abraão que Sara amamentaria
filhos! Acaso existe algo de impossível para o Senhor? (Gn 18,14)
Para refletir: Que experiencias de enriquecimento pessoal e comunitário posso recordar, como fruto de
uma atitude generosa? Recordar as vezes em que o riso de Deus se refletiu nos meus lábios pela
generosidade e acolhida que proporcionei...Talvez hoje o senhor esteja de pé, junto a mim...Estou disposto
a acolhê-lo?
Dá-me tua mão! Preciso de ti, tu precisas de mim!
Se estas sozinho e cais, temo que ninguém te levante.
Se estou sozinho e a noite me surpreende, temo ser devorado pelo medo.
Dá-me tua mão e vem comigo!
Que eu saiba olhar em volta e te ver e ver meus irmãos!
Que tu saibas olhar em volta e ver as necessidades dos outros!
Se estás comigo e eu contigo, seremos como uma videira fecunda,
que produz o bom vinho da alegria e da paz... seremos como uma muralha,
como uma cidade fortificada... e nada nos poderá abater....
seremos morada do próprio Deus!

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