0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações12 páginas

Método da Dúvida em Descartes

René Descartes, filósofo racionalista, busca fundamentos indubitáveis para o conhecimento, utilizando a Dúvida Metódica para questionar todas as crenças até encontrar a certeza do 'Cogito' ('Penso, logo existo'). Ele argumenta que a existência de Deus é necessária para garantir a verdade e objetividade do conhecimento, rejeitando a experiência sensorial como fonte confiável. Apesar das críticas ao seu raciocínio, Descartes mantém que a razão pode acessar a realidade e que o conhecimento é possível sem depender da experiência.

Enviado por

Katy Filipa
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOC, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações12 páginas

Método da Dúvida em Descartes

René Descartes, filósofo racionalista, busca fundamentos indubitáveis para o conhecimento, utilizando a Dúvida Metódica para questionar todas as crenças até encontrar a certeza do 'Cogito' ('Penso, logo existo'). Ele argumenta que a existência de Deus é necessária para garantir a verdade e objetividade do conhecimento, rejeitando a experiência sensorial como fonte confiável. Apesar das críticas ao seu raciocínio, Descartes mantém que a razão pode acessar a realidade e que o conhecimento é possível sem depender da experiência.

Enviado por

Katy Filipa
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOC, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

René Descartes (1596 – 1650)

(Da página 35 à 56)

(Filósofo racionalista, uma vez que considera a razão a fonte principal do conhecimento verdadeiro,
caracterizado por ser logicamente necessário e universalmente válido)

O objetivo de Descartes é encontrar o fundamento sólido de todo o conhecimento: crenças básicas,


fundacionais (absolutamente indubitáveis - claras e distintas - evidentes) em que se apoia todo o conhecimento
(com isto, procurava superar os argumentos dos céticos radicais, mostrando que estavam errados - para estes, o
conhecimento não é possível, pois consideram que não há justificação para as nossas crenças, não há crenças
básicas, que se justifiquem a si mesmas – há uma regressão infinita de justificações). Para Descartes, h á crenças
justificadas e, portanto, o conhecimento é possível.

1. Propõe um método: A Dúvida Metódica (meio para alcançar a certeza – recorre,


temporariamente, à dúvida cética para mostrar a impossibilidade do ceticismo).

- É catártica ou libertadora – procura libertar a razão dos erros, de falsos princípios (fé,
preconceitos, opiniões erróneas, juízos precipitados, tradição) que possam perturbar a
procura da verdade.

- Assume um aspeto hiperbólico, excessivo:


 Considera como absolutamente falso o que for minimamente
duvidoso, aquilo em que se note a mínima suspeita de incerteza.
 Considera como sempre enganador aquilo que alguma vez nos
enganou.

- É Universal e Radical– incide sobre todas as nossas crenças, sobre o conhecimento


em geral, os seus fundamentos e as suas raízes. Pode aplicar-se
a tudo, pelo menos até que se encontre algo absolutamente
indubitável.

- É Provisória - é um meio para alcançar a verdade e a certeza – não é um fim em


si mesma (é um ponto de partida, mas não um ponto de chegada) –
ceticismo metodológico (põe em dúvida tudo o que até então tinha
sido dado como certo para verificar se algo lhe resistia). Uma vez
encontrada alguma crença de cuja verdade não se possa duvidar
(indubitável), a dúvida terá cumprido a sua função.
A dúvida tem como objetivo encontrar uma ou mais crenças indubitáveis (aquelas acerca das quais é
impossível duvidar delas) que se apresentem de modo claro e distinto - evidente (regra da evidência*) –
essas crenças (que resistem à dúvida) serão os fundamentos firmes para reconstruir todo o nosso
conhecimento – serão uma base sólida sobre a qual o conhecimento se poderá edificar com segurança
(todas as nossas crenças terão de ser submetidas à dúvida e só serão aceites como justificadas se passarem no
teste, isto é, se tentarmos duvidar delas e não conseguirmos pela clareza e distinção com que se apresentam
ao espírito).
* Regras do método: evidência, análise (divisão), síntese, enumeração/revisão.
Este método inspirado na matemática deve guiar o entendimento no exercício das suas operações
fundamentais: intuição e dedução. (Páginas 35 e 36)

2. Níveis de Aplicação da Dúvida

A Dúvida vai aplicar-se:

a) Às informações dos sentidos. Os sentidos enganam-nos algumas vezes (ex: objetos


longínquos parecem redondos quando na realidade são quadrados, verde o que é amarelo,
quebrado o que está inteiro), então enganar-nos-ão sempre (princípio hiperbólico da dúvida).
Não merecem qualquer confiança = O conhecimento nunca poderá começar pela
experiência. Não temos justificações para acreditar em nada que tenha origem nos
sentidos.
(Descartes rejeita um dos fundamentos do saber tradicional, de inspiração aristotélica – a
convicção de que o conhecimento começa com a experiência, com a informação dos sentidos).

b) Duvida da Crença na existência de realidades físicas ou sensíveis . Como


duvidar daquilo que parece tão evidente? Descartes inventa um argumento engenhoso que se
baseia na inexistência de um critério absolutamente convincente que nos permita
distinguir o sonho da realidade /vigília. Há acontecimentos que são vividos com tanta
intensidade durante o sonho como quando estamos acordados – não há uma maneira clara de
diferenciar o sonho da realidade. Podemos suspeitar que aquilo que consideramos real não
passa de um sonho (as realidades sensíveis podem não passar de realidades que só existem
em sonho - incluindo o meu corpo). Dúvida hiperbólica – o que é minimamente duvidoso – é
falso. É falsa a crença na existência real das coisas sensíveis.

c) Ao conhecimento matemático – põe em causa aquele que considera ser o modelo de


conhecimento verdadeiro (conhecimento puramente racional); submete à dúvida crenças a
priori.

Supõe (é uma experiência mental) a existência de um Génio Maligno, uma espécie de


Deus enganador, que manipula os nossos pensamentos sem nos apercebermos disso, que pretende
enganar-nos e nos ilude a respeito da verdade. Esse Deus ao criar o meu entendimento, ao colocar
nele as verdades matemáticas, pode tê-lo criado “virado do avesso”. Conseguiria fazer-nos pensar
como verdadeiras proposições que são falsas e como falsas proposições verdadeiras – o meu
entendimento pode estar radicalmente pervertido. Enquanto a hipótese de Deus enganar não for
rejeitada, não podemos ter a certeza de que as «verdades» matemáticas são realmente
verdadeiras. (Descartes não diz que o génio maligno existe mesmo, mas basta a hipótese da
sua existência para surgir a dúvida).

Nota: a intenção de Descartes ao pôr em causa os conhecimentos matemáticos é a de impedir que


a matemática seja a ciência primeira, a ciência dos primeiros princípios. O primeiro princípio do
sistema do saber será um conhecimento metafísico.
2. Resultados de Aplicação da Dúvida:
Descartes pôs tudo em causa (caráter universal da dúvida). Neste momento parece reinar o
ceticismo: tudo é falso, nada é verdadeiro, nada resiste à dúvida. Contudo, esta conclusão é
precipitada porque, quando a dúvida atinge o seu ponto máximo, uma verdade indubitável vai
impor-se.

2.1. Primeira verdade Absoluta – Primeiro princípio do sistema do saber “o cogito”

Duvidar é um ato que tem que ser exercido por alguém. É um ato do pensamento que só é possível
se existir um sujeito que o realize. A possibilidade do ato de duvidar pressupõe a existência do sujeito
que pensa – para pensar é preciso existir como pensamento.

Logo, a existência de um sujeito que duvida e, por isso, pensa é


uma verdade evidente e indubitável – Eu duvido de tudo, mas não posso duvidar da minha
existência como sujeito que, neste momento duvida de tudo = Duvido, logo existo – “Cogito, ergo
sum” (a essência do sujeito que duvida é ser uma substância meramente pensante – rés
cogitans). A sua essência identifica-se com a mente.

Se penso, existo.
Penso.
Logo, existo.

É uma certeza que não se descobre por meio do raciocínio, mas é obtida por
intuição racional (apreensão direta e imediata, por meio da razão, de uma verdade evidente) ,
uma evidência que se impõe ao pensamento como absolutamente clara e distinta – é um
princípio indubitável (não podemos duvidar da sua verdade) e racional. É uma ideia inata O
primeiro princípio de todo o saber é o sujeito puramente racional (crença básica, que não
precisa de ser justificada com outras crenças, fundacional – serve de alicerce a todo o sistema do
saber, é uma crença que sustenta todas as outras crenças) – é o critério de toda e qualquer
verdade ou evidência posterior (serão verdadeiros todos os conhecimentos que forem tão claros e
distintos como este primeiro conhecimento). Rés cogitans
O cogito representa uma exceção à universalidade da dúvida, o triunfo sobre o ceticismo.

2.2. Prova da existência de Deus como Ser Perfeito

. Se duvido sou um ser imperfeito (há maior perfeição em conhecer do que em duvidar)

. Para considerar a dúvida uma imperfeição, é preciso que eu saiba em que consiste a
perfeição, a ideia de Ser Perfeito – ela existe em mim. Só comparando a imperfeição com aquilo que
penso ser a perfeição (ser omnisciente, omnipotente, sumamente bom, infinito, eterno, criador de toda
a realidade), é que posso dizer que eu, que duvido e não conheço tudo, sou um ser imperfeito. A ideia
de perfeição, de ser perfeito que possuo – qual a sua causa?

. não é proveniente dos sentidos, pois nada do que tenha observado é perfeito;
. não foi criada por mim (não sou a sua causa) - eu que sou imperfeito, finito não posso
ser a causa de uma ideia que me ultrapassa completamente , o menos perfeito não pode dar
origem ao mais perfeito (uma causa deve ter tanta realidade quanto o seu efeito).
. foi colocada em mim por um ser perfeito (é o próprio ser perfeito a causa da ideia de
perfeição), como se quisesse deixar em mim a sua marca (argumento da marca
impressa).

. sendo perfeito, esse ser tem que ter todos os atributos da perfeição, - a existência é um
desses atributos - por isso Deus existe – existir é inerente à essência de Deus, de tal modo
que não pode ser pensado como não existente (argumento ontológico).

. O sujeito pensante, finito, imperfeito, e que tem a ideia de ser perfeito, não pode existir se
Deus não existir. Neste caso, ele teria de se autocriar (e ter-se-ia criado com todas as
perfeições)

A ideia de Deus é inata, a priori – não tem origem na experiência – está na mente desde o
nascimento e será desenvolvida pela razão sem o apoio da experiência (da ideia de ser perfeito,
deduz a sua existência) – Só as ideias inatas são claras e distintas. – Res divina.

*As ideias adventícias – procedem da experiência sensível (cão, copo, cor, barco)
As ideias factícias - criadas por mim, fruto da imaginação (dragão, sereia, centauro)

Provada a existência de Deus como ser perfeito, Descartes conclui que a suspeita de um Génio Maligno não
faz sentido. Deus é omnipotente e perfeito, fonte do bem e da verdade.

Conclui, também, que afinal tem um corpo, de que existe um mundo à sua volta (Deus, como ser perfeito,
não quer que vivamos em permanente dúvida relativamente ao corpo e às coisas materiais) – Descartes não
poderia ter a certeza disso se não partisse do pensamento e se Deus não lhe garantisse tal coisa.

2.3. Deus garante:

 A verdade e a objetividade das evidências atuais (ideias claras e distintas) , das que estão
atualmente presentes na minha consciência (não há razão para duvidar da verdade objetiva das
ideias claras e distintas que estão presentes na minha consciência).

 As evidências passadas (das que não estão atualmente presentes na minha consciência). É Deus
que garante que aquilo que é válido para mim num certo momento seja válido objetivamente, isto
é, independente de mim e sempre. É Deus que me garante que a verdade não muda enquanto eu
deixo de a conceber efetivamente (as evidências às quais dei o meu assentimento continuam a ser
evidências, mesmo quando já nelas não penso).

= É garantia de que não nos enganamos, é o princípio do ser e do conhecimento =


Fundamentação Metafísica do Conhecimento

Deus é a raiz da árvore do saber porque só a sua veracidade garante a veracidade dos conhecimentos
que o sujeito pensante (primeira realidade a ser conhecida, mas não a realidade verdadeiramente
fundamental) vai constituindo. Deus é uma realidade absoluta, metafísica e garante a verdade dos
nossos conhecimentos. O facto de o conhecimento ser uma crença verdadeira e não uma opinião é
justificado pela existência de Deus.

Se, por um lado, é sobre o cogito (crença fundacional) que assenta todo o edifício do saber, por outro,
Descartes necessita de Deus para garantir a verdade e objetividade do conhecimento.

Podemos conhecer a realidade mediante a razão, sem qualquer apoio da experiência (rejeita o
empirismo – os sentidos não são fonte de conhecimento seguro). É possível um conhecimento
puramente racional (com crença na veracidade divina) dos princípios gerais que nos permitem
compreender toda a realidade.
3. CRÍTICAS A DESCARTES

- É discutível que aquilo que é menos perfeito / um ser imperfeito não possa causar ou criar
a ideia de Ser Perfeito – pode tê-la formado por oposição à ideia de ser limitado, finito e
imperfeito.

- A existência não é uma propriedade, pelo que não faz sentido afirmar que um ser perfeito
tenha necessariamente de existir.

- Falácia da circularidade/petição de princípio (Círculo Cartesiano) – Descartes aceita,


aparentemente, estas duas afirmações:
 Deus existe, porque concebemos clara e distintamente a ideia da sua existência (e
tudo o que concebemos clara e distintamente é verdadeiro).
 Tudo o que concebemos clara e distintamente é verdade, porque Deus existe, é a
sua garantia (É Deus que garante a objetividade das ideias claras e distintas –
incluindo a ideia de Deus).

Afirma que o facto de as ideias claras e distintas serem verdadeiras se segue


da existência de Deus, mas prova a existência de Deus usando precisamente
esse facto como premissa = este círculo é uma “armadilha em que cai o
raciocínio de Descartes.

- Objeção relativa ao cogito – Descartes apenas poderia ter intuído a existência do


pensamento, isto é, que há pensamento - um pensamento que está em curso, e não a
existência de um eu pensante, enquanto unidade permanente, una e imutável dos
diferentes atos psíquicos.
- Dualismo cartesiano (dualismo mente – corpo) -

CONCLUSÃO…

A) O conhecimento é possível?
A resposta cartesiana é afirmativa. Descartes assume uma atitude otimista quanto à
possibilidade do conhecimento (dogmatismo). Embora a dúvida pareça conduzir à descrença
na existência de verdades, Descartes não é um cético. Com efeito, a dúvida propõe-se
separar o verdadeiro do falso, o que pressupõe a crença na existência de verdades. O
ceticismo cartesiano é meramente metodológico – a dúvida surge como uma preparação
para a investigação, e não como resultado da mesma. Recorre à dúvida para encontrar o
primeiro princípio, acabando por identificá-lo com o cogito.
Desde que as pessoas façam uso da razão segundo regras lógicas, tudo podem conhecer
e explicar. A razão tem a capacidade de aceder a qualquer realidade, mesmo às metafísicas
(a questão é que se raciocine segundo o esquema dedutivo, tomando as ideias inatas como
premissas).

B) A razão dá-nos conhecimentos da realidade independentemente da experiência?


Sim. Descartes rejeita o empirismo – os sentidos não são fonte de conhecimento seguro.
Descartes rejeita a ideia de que o conhecimento comece com a experiência porque os
sentidos nos enganam.

C) Como é justificado o conhecimento?


O facto de o conhecimento ser uma crença verdadeira e não uma opinião, é justificada pela
existência de um Deus, cuja veracidade garante a verdade quer das minhas evidências atuais
quer das minhas evidências passadas.
QUESTÕES EXAME NACIONAL – DESCARTES
1ª Fase - 2020
Leia o Texto 2 e considere-o nas suas respostas aos itens 16 e 17.

Texto 2
E notando que esta verdade «eu penso, logo existo» era tão firme e tão certa que todas as
extravagantes suposições dos céticos não eram capazes de a abalar, julguei que a podia aceitar, sem
escrúpulo, para primeiro princípio da filosofia que procurava.
R. Descartes, Discurso do Método, Lisboa, Edições 70, 2000, p. 74.

16. No Texto 2, Descartes refere as «extravagantes suposições dos céticos».


Apresente um argumento cético que possa justificar tais suposições.

CORRREÇÃO
16. ………………………………………………………………………………………………………….14 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes ou outros igualmente relevantes.

Apresentação de um argumento cético (usado pelos céticos anteriores a Descartes ou seus


contemporâneos, ou mobilizado ou avançado por Descartes):
‒ os sentidos enganam-nos muitas vezes;
‒ por essa razão, todas as nossas crenças empíricas podem ser falsas. OU
‒ enganamo-nos muitas vezes ao raciocinar;
‒ por essa razão, todos os nossos raciocínios podem ser errados / todas as nossas conclusões podem ser falsas.
OU
‒ acreditamos, por vezes, que estendemos um braço;
‒ quando sonhamos, por vezes, também acreditamos que estendemos um braço;
‒ não dispomos de um modo seguro de distinguir as crenças que temos quando acordados das crenças que temos
quando sonhamos;
‒ ora, quando num sonho acreditamos que estendemos um braço, essa crença é falsa;
‒ logo, a crença de que, num certo momento, estendemos um braço pode sempre ser falsa. OU
‒ acreditamos que 2+2=4 ou que um quadrado tem quatro lados;
‒ estejamos acordados ou a dormir, as crenças referidas são verdadeiras;
‒ imaginemos, no entanto, que um génio maligno extremamente poderoso e astuto tem o poder de causar ilusões na
nossa faculdade de raciocínio;
‒ assim, mesmo as proposições de que 2+2=4 ou de que um quadrado tem quatro lados podem ser falsas;
‒ logo, podemos acreditar em proposições que nos parecem inteiramente evidentes e essas proposições serem
falsas.
OU
‒ para serem justificadas, as nossas crenças apoiam-se noutras crenças, e assim sucessivamente, o que nos conduz a
uma regressão infinita;
‒ nesse caso, nenhuma crença está justificada.

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

4 Apresenta de modo completo e preciso um argumento cético. 14

Apresenta de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas não
3 11
completo, um argumento cético.
2 Apresenta parcialmente e com imprecisões um argumento cético. 7

Apresenta corretamente conteúdos relevantes (por exemplo, refere o método da dúvida


1 4
usado por Descartes), mas sem apresentar explicitamente um argumento cético.

17. Em sua opinião, o «primeiro princípio» da filosofia de Descartes é um fundamento sólido do


conhecimento?

Justifique.

CORREÇÃO
17…………………………………………………………………………………………15 pontos

A resposta integra os aspetos seguintes ou outros igualmente relevantes.

Apresentação inequívoca da posição defendida .

Justificação da posição defendida:


No caso de o aluno considerar que o «primeiro princípio» da filosofia de Descartes é um
fundamento sólido do conhecimento:
‒ se se duvida, e duvidar é uma forma de pensamento, então não se pode, consistentemente, negar que se existe;
‒ o cogito resiste a todos os argumentos céticos (designadamente, ao argumento do génio maligno);
‒ sendo o cogito uma certeza inabalável, pode servir de fundamento ao conhecimento.

No caso de o aluno considerar que o «primeiro princípio» da filosofia de Descartes não é um


fundamento sólido do conhecimento:
‒ do facto de haver pensamentos que expressam dúvidas não se segue a existência de um ser pensante que é a sede
desses pensamentos;
‒ Descartes apenas poderia ter concluído que «se há estados de dúvida, há pensamentos», e nada mais;
‒ nada garante a existência de um eu que duvida ou pensa.
OU
‒ embora o cogito, em si mesmo, possa ser considerado uma certeza inabalável, não é um fundamento sólido, pois
não serve de base a nenhuma outra crença;
‒ caso alcançássemos o cogito após o método da dúvida sugerido por Descartes, teríamos de confiar nas nossas
faculdades de raciocínio para progredir além do cogito;
‒ ora, o método da dúvida que nos levou ao cogito (particularmente, a hipótese do génio maligno ou do Deus
enganador que se comprazesse em enganar-nos) pôs em causa as nossas faculdades.
Nota ‒ Os aspetos constantes dos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas
possíveis.

Níveis Descritores de desempenho Pontuação

Apresenta inequivocamente a posição defendida.


4 15
Justifica, de modo completo e preciso, a posição defendida.
Apresenta inequivocamente a posição defendida.
3 Justifica de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas não 12
completo, a posição defendida.
Apresenta a posição defendida.
2 8
Justifica parcialmente e com imprecisões a posição defendida.
Não apresenta a posição defendida.
Apresenta corretamente conteúdos relevantes para a justificação de uma posição.
OU
1 4
Apresenta a posição defendida.
Apresenta corretamente conteúdos relevantes para a justificação de uma posição, mas
a posição defendida e a justificação não são claramente consistentes.

2ª fase - 2020

17. Descartes afirma ter começado por rejeitar todas as crenças que foi acumulando desde a
infância.
Por que razão procedeu de modo tão drástico?

CORREÇÃO
17................................................................................................................................................................. 15
pontos
A resposta integra os aspetos seguintes ou outros igualmente relevantes.
Apresentação da razão pela qual Descartes começou por rejeitar todas as suas crenças:
‒ Descartes reconheceu ter aceitado como verdadeiras muitas opiniões falsas que recebeu ao longo da
sua educação;
‒ dada a dificuldade de separar as crenças falsas das outras crenças, Descartes considerou que a melhor
maneira de se proteger do erro seria rejeitar provisoriamente todas as suas crenças, como se todas
fossem falsas e incertas.
12

Você também pode gostar