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Cap 4

O capítulo descreve a criação de um protocolo de observação clínica não estruturada focado na Abordagem de Integração Sensorial, desenvolvido por terapeutas ocupacionais do LATAI da UNESP. O objetivo é guiar profissionais na avaliação de crianças com desafios de participação relacionados à Integração Sensorial, considerando aspectos sensoriais, motores, cognitivos e emocionais. O protocolo visa complementar outras ferramentas de avaliação e apoiar o raciocínio clínico durante a interação da criança no ambiente terapêutico.

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Rodrigo M. Bersi
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Cap 4

O capítulo descreve a criação de um protocolo de observação clínica não estruturada focado na Abordagem de Integração Sensorial, desenvolvido por terapeutas ocupacionais do LATAI da UNESP. O objetivo é guiar profissionais na avaliação de crianças com desafios de participação relacionados à Integração Sensorial, considerando aspectos sensoriais, motores, cognitivos e emocionais. O protocolo visa complementar outras ferramentas de avaliação e apoiar o raciocínio clínico durante a interação da criança no ambiente terapêutico.

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CAPÍTULO 4

PROTOCOLO DE OBSERVAÇÃO CLÍNICA NÃO


ESTRUTURADA COM ÊNFASE NA ABORDAGEM DE
INTEGRAÇÃO SENSORIAL

Aila Narene Dahwache Criado Rocha


Heloisa Briones Mantovani
Rubiana Cunha Monteiro

Introdução

Este manuscrito é resultado das atividades de pesquisa e


extensão vivenciadas pelos colaboradores do Laboratório de Estudos
em Acessibilidade, Tecnologia Assistiva e Inclusão (LATAI) da
Universidade Estadual Paulista (UNESP) na Faculdade de Filosofia
e Ciências (FFC), Câmpus de Marília. Desde o ano de 2018, o
LATAI tem uma linha de pesquisa denominada “Processos de
intervenção com ênfase na Abordagem de Integração Sensorial de
Ayres®”, que contempla investigações numa perspectiva
epistemológica, bem como dos aspectos inerentes às práticas da
Terapia Ocupacional, da avaliação à intervenção, nos diferentes
contextos da criança.
Desde então, os diferentes estudos provenientes desta linha
de pesquisa promoveram evidências que deram origem a disserta-
[Link]
97
ções, trabalhos de conclusão de curso, artigos, capítulos de livros,
trabalhos apresentados em eventos, formações específicas e materiais
didáticos com a temática da Integração Sensorial. Em relação aos
aspectos formativos, as atividades visam apoiar a reorganização das
práticas de estudantes e profissionais da área de Terapia Ocupa-
cional, mediante a capacitação e elaboração de materiais didáticos
que possam apoiar a triagem de crianças com perfil de Disfunção de
Integração Sensorial, o processo avaliativo, o raciocínio clínico e as
intervenções diretas e/ou indiretas com a criança e demais pessoas
envolvidas em seu cotidiano. Neste texto, pretende-se descrever a
elaboração de um protocolo com intuito de guiar as observações
clínicas não estruturadas de terapeutas durante o processo de
avaliação de crianças com desafios de participação relacionados à
Integração Sensorial.
Atualmente várias inovações tecnológicas foram incorpora-
das aos processos de avaliação nas áreas da educação e saúde. Apesar
dos avanços, a ausência deste processo ou o desconhecimento sobre
como planejá-lo pode trazer prejuízos na condução do raciocínio, na
conclusão do diagnóstico e no delineamento das intervenções.
Assim, na Terapia Ocupacional, é fundamental que os profissionais
voltem sua atenção para o processo de avaliação, caracterizado como
um conjunto de procedimentos que envolvem conhecimentos e
habilidades capazes de apoiar a identificação dos desafios de
participação, o raciocínio clínico, o delineamento dos objetivos e as
intervenções terapêuticas (BLANCHE; REINOSO; KIEFER,
2019; MAILLOUX, et al., 2021; MANCINI, PFEIFER,
BRANDÃO, 2020).

98
Durante o processo de avaliação, muitos profissionais se
sentem frustrados ao ter a necessidade de relembrar conteúdos e
aplicar os conhecimentos adquiridos previamente, com o sujeito
alvo da intervenção. Estes desafios podem existir pelas lacunas na
formação do profissional, que comumente não articula experiências
teóricas e práticas, que envolvem componentes cognitivos, afetivos e
metacognitivos, necessários para a condução de uma boa avaliação.
Atualmente, crianças com diferentes diagnósticos, incluindo
o Transtorno do Espectro Autista, o Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade, Transtornos de Coordenação Motora,
entre outros, são propensas a experimentar desafios em seus padrões
de processamento sensorial quando comparados aos padrões
esperados por seus pares (AHN, et al., 2004). Neste contexto,
observa-se um aumento exponencial na procura de intervenções na
Abordagem de Integração Sensorial (MAILLOUX; MILLER-
KUHANECK, 2014), e consequentemente há uma procura
crescente de terapeutas ocupacionais que realizam intervenções
baseadas nesta teoria.
A Integração Sensorial é uma função neurológica responsável
pela organização das informações sensoriais do próprio corpo e do
ambiente e, que consequentemente, promove respostas adaptativas
que tornam possível o uso eficiente do corpo no meio (AYRES,
1985, 2005). Atrasos no desenvolvimento e alterações no desem-
penho ocupacional podem ter diferentes etiologias, entre elas as
Disfunções de Integração Sensorial (DIS), que impactam na
participação e no aprendizado da criança. As DIS interferem no
modo como o cérebro processa as informações sensoriais e
consequentemente na resposta que se segue, desencadeando um

99
desempenho insatisfatório durante as atividades do cotidiano
(AYRES, 1985, 2005; MAGALHÃES, 2008, MONTEIRO, et al.,
2020; SERRANO, 2016).
O estudo de Parham e Mailloux (2005) descreveu desafios
funcionais que frequentemente estão relacionados às DIS, incluindo
a diminuição da participação social, pobre engajamento ocupacio-
nal, diminuição da duração, frequência ou complexidade das
respostas adaptativas, sentimento de autoconfiança e/ou autoestima
prejudicado, desafios nas atividades de vida diária e desafios nas
habilidades motoras finas, grossas e sensório-motoras.
Para diminuir os prejuízos de participação da criança com
Disfunção de Integração Sensorial é importante detectar
precocemente os sintomas que interferem na participação da criança
em casa, na escola e em outros contextos da comunidade. Após esta
detecção é essencial o encaminhamento da criança para um
terapeuta ocupacional capacitado para que este possa selecionar as
ferramentas apropriadas de avaliação baseado na Abordagem de
Integração Sensorial de Ayres®. Quanto mais cedo se inicia o
processo, maiores são as probabilidades de sucesso (SERRANO,
2016).
Na Terapia Ocupacional o processo de avaliação tem como
alicerce a caracterização do perfil ocupacional e a análise do
desempenho ocupacional da criança. O perfil ocupacional da criança
é identificado a partir do conhecimento dos seus desafios de
participação, sua história pregressa, sua rotina, suas experiências,
interesses, valores, crenças e características do contexto. Em relação
ao desempenho ocupacional é necessário investigar quais aspectos
limitam a participação da criança em atividades relevantes e de seu

100
interesse, como por exemplo as habilidades do indivíduo, fatores do
ambiente ou demandas específicas da atividade (AOTA, 2020;
MANCINI, PFEIFER, BRANDÃO, 2020).
Para a coleta de dados, durante o processo avaliativo, é
possível utilizar diferentes recursos e estratégias mediadas por
entrevistas com a criança e seus responsáveis, observações referentes
ao desempenho ocupacional da criança e uso de instrumentos
padronizados de avaliação. A avaliação deve ser abrangente e o
terapeuta deve ter habilidades para, de modo articulado e contínuo,
levantar hipóteses e selecionar os melhores instrumentos avaliativos
capazes de oferecer respostas e direcionar o raciocínio clínico para
futura intervenção (ALMOHALHA, 2018; ANDRADE, 2020;
BLANCHE; REINOSO; KIEFER, 2019; MAILLOUX, et al.,
2021; SERRANO, 2016).
Nos últimos anos, vários estudos abordaram ferramentas de
avaliação baseadas em uso de testes padronizados, observações
estruturadas ou entrevistas com familiares e professores
(MAILLOUX, et al., 2007; REUBEN, et al., 2013). O estudo de
Schaaf e colaboradores (2018) destaca os instrumentos de avaliações
devem ser sensíveis para mensurar os resultados proximais que
indicam desafios nas habilidades sensoriais, motoras, posturais ou
cognitivas subjacentes à participação, além de avaliar os desfechos
observados nos resultados distais, os quais geralmente refletem a
participação da criança no contexto e são os resultados mais
valorizadas pelas famílias. O processo de avaliação em Integração
Sensorial consta de várias etapas, entre elas destaca-se:

101
1) Identificação do Perfil Ocupacional: nesta etapa o
objetivo é conhecer a história da criança, o contexto em que ela
vive, seus papéis ocupacionais, bem como a percepção da
criança e de seus familiares sobre suas habilidades, seus desafios
e suas metas em relação à intervenção. Este primeiro momento
é fundamental para a escolha dos instrumentos das próximas
etapas do processo avaliativo, além de trazer informações
importantes para a definição dos objetivos posteriormente.
Geralmente é realizada no formato de entrevistas e contempla
a anamnese e outros instrumentos que possam identificar a
percepção dos envolvidos sobre os desafios de participação e as
prioridades do processo terapêutico.
2) Investigação do perfil de Integração Sensorial: visa
avaliar o perfil sensorial de uma criança em diferentes contextos
do seu cotidiano. As informações obtidas permitem realizar
uma triagem sobre como o processamento sensorial pode estar
influenciando, de modo positivo ou negativo, a participação da
criança nas suas atividades diárias. Entre os instrumentos que
avaliam o perfil sensorial, existem dois que se destacam na
literatura: o Perfil Sensorial 2 (Sensory Profile 2) e a Medida de
Processamento Sensorial (Sensory Processing Measure - SPM).
Estes dois instrumentos permitem coletar informações sobre as
percepções dos pais e professores em relação ao comportamento
da criança em diferentes contextos, como por exemplo na casa
e na escola (DUNN, 2017; PARHAM; ECKER, 2007).
3) Avaliações de Integração Sensorial: são instrumentos
de avaliação que apresentam medidas padronizadas e
mensuração uniforme que justifique a confiabilidade dos
resultados. Os instrumentos padronizados devem ter normas
claras de aplicação e com resultados que podem ser
quantificados de forma que a adaptação para idiomas e culturas
diferentes permita manter suas propriedades quanto à validade
e à confiabilidade após a adaptação (ECHEVARRÍA-

102
GUANILO, et al., 2017). No Brasil, há escassez de dados
normativos e instrumentos padronizados e validados para
avaliar aspectos sensoriais na infância, (ALMOHALHA, 2018).
Em outros países, a avaliação de crianças com perfil de
Disfunção de Integração Sensorial conta com instrumentos
como o Sensory Integration and Praxis Tests - SIPT (AYRES,
1989), Structured Observations of Sensory Related Motor
Performance (BLANCHE, 2002), Structured Observations of
Sensory Integration-Motor (BLANCHE; REINOSO; KIEFER,
2019); Evaluation Ayres Sensory Integration - EASI
(MAILLOUX, et al., 2021). Atualmente, grupos de
pesquisadores têm direcionado esforços para traduzir e validar
alguns destes instrumentos para o contexto brasilierio.
4) Observações Clínicas não estruturadas: envolve o
olhar atento do terapeuta, a experiência, o conhecimento e
sensibilidade para identificar fatos importantes enquanto a
criança participa de atividades no espaço terapêutico próprio
para a Abordagem de Integração Sensorial. As observações
clínicas não estruturadas permitem conhecer as reações da
criança a desafios sensoriais específicos por meio de medidas
qualitativas que envolvem o conhecimento da Teoria da
Integração Sensorial e do desenvolvimento infantil. São
avaliações que não são realizadas de forma específica e
estruturada ou que necessariamente se relacionam com as
normas quantitativas que mensuram o desenvolvimento,
diagnóstico ou idade.
5) Observação nos contextos naturais da criança: os
núcleos familiares das crianças são fundamentais para
compreensão da sua função na comunidade de acordo com o
suporte familiar. Neste sentido, conhecer o funcionamento da
família e os seus contextos, como a casa e a escola é importante
para identificar a sua influência no desenvolvimento da criança.
Observar a criança em seus contextos naturais também permite

103
a compreensão do seu funcionamento sensorial da mesma
(MILLER-KUHANECK, et al., 2007), o que torna
imprescindível que o terapeuta ocupacional avalie o
desempenho ocupacional da criança nos seus contextos
naturais, analisando as exigências do ambiente, as suas
características sensoriais e a forma como estes influenciam a
capacidade de autorregulação e organização da criança
(GREENSPAN; WIEDER, 2000).

Os resultados da revisão sistemática realizada por Cabrera e


colaboradores (2017) revelou a existência de 21 instrumentos
disponíveis para a avaliação de diferentes aspectos relacionados à
Integração Sensorial de crianças com idades entre os 3 e os 11 anos.
Entre estes, 15 testes estão disponíveis e são apoiados por estudos
psicométricos, principalmente para a população dos Estados
Unidos. Entre todos os instrumentos, oito fornecem informações
sobre o processo de modulação, nove fornecem informações sobre o
processo de discriminação e oito permitem a avaliação da práxis.
Como destacado anteriormente, a maioria dos instrumentos
de avaliação está disponível apenas em inglês e é projetada para a
população norte americana. Assim, em países como o Brasil, pela
carência de instrumentos padronizados, as observações clínicas não
estruturadas tornam-se ainda mais relevantes no processo avaliativo,
a fim de determinar as relações entre a Integração Sensorial, as
questões funcionais e a participação da criança nas atividades de seu
cotidiano.
As observações clínicas visam a detecção de desafios no
desempenho ocupacional, principalmente relacionados aos sistemas
sensoriais, as habilidades motoras e posturais, a discriminação

104
sensorial, tônus muscular, força, sequenciamento e planejamento e
o uso do corpo durante as atividades. As observações clínicas não
estruturadas também são uma alternativa importante para avaliar
crianças que, por causa de sua idade, comportamento ou
diagnóstico, não podem ser avaliadas por outros instrumentos
(BLANCHE, 2002; BLANCHE; REINOSO; KIEFER, 2019).
Desta forma, este estudo envolve os seguintes questiona-
mentos: é possível construir um instrumento, próprio da Terapia
Ocupacional, para complementar o processo investigativo de
crianças com perfil de Disfunção de Integração Sensorial? É possível
construir um instrumento que guie as observações clínicas não
estruturadas enfatizando as relações entre os sistemas sensoriais, o
estado de alerta, a autorregulação, a atenção, as competências
motoras e espaciais, a práxis e a organização dos comportamentos.
Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi construir um
protocolo para guiar a Observação Clínica não estruturada com
ênfase na Abordagem da Integração Sensorial.

Método

Essa pesquisa trata-se de um estudo metodológico que tem


como foco a construção de um instrumento, em relação à sua
estrutura e conteúdo, permeada pela análise de juízes com
experiências na área, e pela análise de profissionais a fim de avaliar a
linguagem e clareza do conteúdo do instrumento, através de uma
avaliação semântica.
O “Protocolo de Observação Clínica não estruturada com
ênfase Abordagem da Integração Sensorial” foi desenvolvido por

105
terapeutas ocupacionais com objetivo de guiar profissionais no
processo observação clínica no momento de interação da criança
com o espaço terapêutico próprio para a Abordagem de Integração
Sensorial. Para tanto, ele deve especificar aspectos sensoriais,
motores, cognitivos e emocionais que devem ser analisados durante
a exploração da criança, avaliando de forma qualitativa, o seu
comportamento frente aos estímulos do ambiente a fim de apoiar o
raciocínio clínico e a investigação de um perfil característico de DIS.
A observação deve ser realizada pelo profissional de Terapia
Ocupacional a fim de complementar outras ferramentas direciona-
das para a avaliação abrangente da criança e/ou adolescente.
A elaboração do protocolo ponderou alguns cuidados que
foram organizados em etapas sugeridas na literatura, sendo estas: 1)
Estabelecimento da estrutura conceitual; 2) Definição dos objetivos
do instrumento e da população envolvida; 3) Construção dos itens;
4) Seleção e organização dos itens; 5) Estruturação do instrumento;
e 6) Validade de Conteúdo.
Para a construção do protocolo foi realizado uma busca de
evidências científicas sobre a temática “Avaliação na Abordagem de
Integração Sensorial” que pudesse embasar a construção da primeira
versão desta proposta. O “Protocolo de Observação Clínica não
estruturada com ênfase Abordagem de Integração Sensorial” utilizou
como referencial teórico os seguintes estudos: Blanche (2002);
Blanche, Reinoso, Kiefer (2019); Ferland (2006); Magalhães
(2008); Mailloux, et al., (2021); Parham e Fazio (2000); Pfeifer,
Sant´Anna (2020) e Serrano (2016).
A partir do referencial teórico, o protocolo foi elaborado
considerando os seguintes domínios: Sistema Vestibular, Sistema

106
Tátil, Sistema Proprioceptivo, Sistema Visual, Alerta, Reatividade,
Percepção Sensorial, Práxis e o Comportamento da Criança. A partir
da elaboração da primeira versão do protocolo, ele foi enviado a dois
juízes experts na área, para que pudessem analisar e sugerir
modificações na primeira versão, relacionados à avaliação do
conteúdo. Os critérios de elegibilidade dos juízes foram: ser
terapeuta ocupacional; possuir formação em Integração Sensorial,
experiência na área da Infância com ênfase na Abordagem de
Integração Sensorial e ter envolvimento como docente ou discente
de Programas de Pós-graduação Stricto Sensu. Posteriormente a
avaliação dos juízes, elaborou-se a segunda versão do protocolo.
A segunda versão passou por uma avaliação semântica, a fim
de verificar se todos os itens estavam claros e compreensíveis para o
público-alvo do instrumento. Essa etapa aconteceu em dois
momentos: a primeira se deu por meio do uso do instrumento
durante o Estágio Supervisionado em Terapia Ocupacional na área
da Infância, vinculado a uma universidade pública, onde docentes e
estagiários utilizaram o protocolo para observar crianças de 3 a 8
anos de idade com perfil característico de DIS e, posteriormente, por
um grupo terapeutas ocupacionais, com experiência na área, que
participavam de uma formação ministrada por uma das
pesquisadoras.

Resultados

As Observações Clínicas não Estruturadas são ferramentas


que se somam ao processo avaliativo a fim de analisar as respostas
frente aos estímulos sensoriais no espaço terapêutico próprio para a

107
Abordagem de Integração Sensorial. As atividades propostas devem
ser mediadas pelo terapeuta e acontecer de maneira natural e lúdica,
a partir do interesse e desejo da criança. Espera-se que a criança possa
propor brincadeiras estimuladas pelo terapeuta por meio de desafios
na medida certa, adequados às habilidades da criança a fim de
analisar seu desempenho ocupacional.
Para estruturar o conteúdo do instrumento, após a busca de
referenciais teóricos, foi iniciada a construção da versão inicial do
protocolo, totalizando 116 itens divididos em 12 seções:

1) Apresentação do Instrumento: nesta seção


foram descritos dois parágrafos com a intenção de
orientar os terapeutas ocupacionais a utilizarem o
protocolo.
2) Identificação: seção composta por 6 itens, cujo
profissional que realizará a observação responderá
identificando o nome da criança, data de nascimento,
idade, nome do terapeuta, data da observação e hipótese
diagnóstica da criança.
3) Sistema Vestibular: seção composta por 10 itens
com a intenção de avaliar o equilíbrio, a consciência da
sua orientação espacial e a coordenação dos movimentos.
4) Sistema Tátil: seção composta por 10 itens com
a intenção de avaliar as respostas relacionadas aos
estímulos táteis que envolvem a criança.
5) Sistema Proprioceptivo: seção composta por 15
itens com a intenção de avaliar as respostas relacionadas a
posição do nosso corpo no espaço.

108
6) Sistema Visual: seção composta por 15 itens
com a intenção de avaliar as habilidades de perceber e se
orientar por meio de estímulos visuais, a capacidade de
localização no espaço, de perseguição de alvos em
movimento, de percepção dos espaços e das relações
espaciais.
7) Alerta: seção composta por 08 itens com a
intenção de avaliar o grau de excitabilidade da criança
durante as atividades.
8) Reatividade ou Modulação Sensorial: seção
composta por 10 itens com a intenção de avaliar a
capacidade para ajustar a intensidade e a duração de um
determinado estímulo, a capacidade de recuperação a este
estímulo e ao tempo que consegue se manter em um bom
nível de alerta.
9) Percepção Sensorial ou Discriminação
Sensorial: seção composta por 10 itens com a intenção de
avaliar a capacidade de interpretar as qualidades espaciais
e temporais das sensações.
10) Práxis: seção composta por 14 itens a fim de
avaliar as habilidades de ideação, planejamento e
execução motora durante as atividades
11) Comportamento da Criança: seção composta
por 02 itens com a intenção de avaliar a habilidade de
organizar o sequenciamento de ações no espaço e no
tempo das atividades.
12) Observações Finais: seção onde o terapeuta
pode descrever outras informações relevantes observadas
durante a Observação Clínica não Estruturada.

109
Como o objetivo do protocolo é complementar
qualitativamente os achados identificados nas demais etapas do
processo da avaliação, as respostas devem ser preenchidas de forma
dissertativa, a fim de descrever o comportamento da criança durante
a observação.
As recomendações da literatura destacam que, após o
instrumento ser estruturado e organizado, é necessária uma análise
em relação a sua pertinência e validade de conteúdo, conferindo
assim se seus itens contemplam adequadamente os domínios do
constructo (COLUCI, et al., 2015). Assim, ao finalizar a construção
de sua primeira versão, o instrumento foi enviado aos juízes, que
analisaram e sugeriram adequações apresentadas no Quadro 1.

Quadro 1 – Avaliação dos juízes em relação a primeira versão do Instrumento


Avaliação dos juízes Juiz 1 Juiz 2
Adequado: 100% (1) Adequado: 100% (1)
Apresentação do
Parcialmente Adequado: Parcialmente
Instrumento
- Adequado:
1 item
Inadequado: - Inadequado: -
Adequado: 83,3% Adequado: 66,6%
Identificação Parcialmente Adequado: Parcialmente
6 itens 16,7% Adequado: 33,4%
Inadequado: - Inadequado: -
Adequado: 78,5% Adequado: 85,8%
Sistema Vestibular Parcialmente Adequado: Parcialmente
14 itens 14,4% Adequado:
Inadequado: 7,1% Inadequado: 14,2%
Adequado: 83,3% Adequado: 90,9%
Sistema Tátil Parcialmente Adequado: Parcialmente
12 itens 16,7% Adequado: -
Inadequado: 9,1 Inadequado: 16,7%

110
Adequado:75% Adequado: 83,3%
Sistema Proprioceptivo Parcialmente Adequado: Parcialmente
12 itens 16,6% Adequado: -
Inadequado: 8,3% Inadequado: 16,6%
Adequado: 83,4% Adequado: 77,9%
Sistema Visual Parcialmente Adequado: Parcialmente
18 itens 11,1% Adequado: 16,6%
Inadequado: 5,5% Inadequado: 5,5%
Adequado: 70% Adequado: 80%
Alerta Parcialmente Adequado: Parcialmente
10 itens 20% Adequado: 10%
Inadequado: 10% Inadequado: 10%
Adequado: 85,8% Adequado: 78,7%
Reatividade Parcialmente Adequado: Parcialmente
14 itens 7,1% Adequado: 14,2%
Inadequado:7,1% Inadequado: 7,1%
Adequado: 80% Adequado: 90%
Percepção Sensorial Parcialmente Adequado: Parcialmente
10 itens 20% Adequado: 10%
Inadequado: - Inadequado: -
Adequado: 85,8%
Adequado: 92,9%
Práxis Parcialmente
Parcialmente Adequado:
14 itens Adequado:
Inadequado: -
Inadequado: -
Adequado: 100% Adequado: 50%
Comportamento da
Parcialmente Adequado: Parcialmente
Criança
- Adequado: 50%
04 itens
Inadequado: - Inadequado: -
Adequado: 100% Adequado: -
Observações Finais Parcialmente Adequado: Parcialmente
1 item - Adequado: 100%
Inadequado: - Inadequado: -
Total Adequado: 83,7% Adequado: 82%

111
116 questões Parcialmente Adequado: Parcialmente
11,1% Adequado: 10,3%
Inadequado: 5,16% Inadequado: 7,7%
Fonte: Elaborado pelas autoras

Após as sugestões realizadas a partir da primeira versão do


instrumento, foram realizadas modificações e adequações para a
elaboração da segunda versão do protocolo, sendo as alterações e
exclusões realizadas identificadas no Quadro 2.

Quadro 2 – Alterações realizadas no instrumento a partir da avaliação dos juízes


Antes das Após as
Seções do Protocolo Avaliações dos Avaliações dos Alterações
juízes juízes
0 itens
Apresentação do
alterados
Instrumento 1 item 1 item
0 itens
excluídos
2 itens
Identificação alterados
6 itens 6 itens
0 itens
excluídos
4 itens
Sistema Vestibular alterados
14 itens 12 itens
2 itens
excluídos
3 itens
Sistema Tátil alterados
12 itens 10 itens
2 itens
excluídos
Sistema 6 itens
12 itens 15 itens
Proprioceptivo alterados

112
3 itens
incluídos
6 itens
Sistema Visual alterados
18 itens 16 itens
2 itens
excluídos
4 itens
Alerta alterados
10 itens 08 itens
2 itens
excluídos
5 itens
Reatividade alterados
14 itens 11 itens
3 itens
excluídos
3 itens
Percepção Sensorial alterados
10 itens 10 itens
0 itens
excluídos
4 itens
Práxis alterados
14 itens 14 itens
0 itens
excluídos
2 itens
Comportamento da
alterados
Criança 04 itens 03 itens
1 itens
excluídos
1 itens
Observações Finais alterados
1 item 1 item
0 itens
excluídos
Total 40 itens
116 itens 107 itens
alterados

113
15 itens
excluídos
3 itens
incluídos
Fonte: Elaborado pelas autoras

As alterações acatadas em relação ao protocolo consideraram


principalmente que ao estruturar um instrumento deve-se assegurar
que os itens contemplem o seu objetivo. É importante que após o
seu uso os profissionais possam ampliar os conhecimentos acerca do
que cada item pretende avaliar e quais as interferências da resposta
para o planejamento das intervenções da criança (GUNTHER,
2003).
Após a definição da segunda versão do instrumento, este
passou por avaliação semântica. Esta etapa foi realizada primeiro por
discentes e docentes de Terapia Ocupacional durante um Estágio
Supervisionado em Terapia Ocupacional na área da Infância e
posteriormente por um grupo de 20 terapeutas ocupacionais, com
experiência na área, que participavam de uma formação ministrada
por uma das pesquisadoras. Durante os dois momentos, os fatores
positivos apontados foram relacionados ao fato do instrumento
proporcionar um direcionamento para o planejamento e
comportamentos que deveriam ser observados. Foi relatado também
dificuldades em compreender algumas questões devido a
terminologia utilizada ou por não ter conhecimento ou relacionar
quais atividades poderiam ser realizadas para obter a resposta.
Posteriormente o instrumento foi aplicado por duas
terapeutas ocupacionais, que haviam participado da formação
realizada com uma criança de 5 anos com diagnóstico Transtorno

114
do Espectro Autista associado a Disfunção de Integração Sensorial.
Os profissionais identificaram outros itens que também tiveram
dificuldades em compreender durante o processo avaliativo. A partir
dessas informações foram realizadas alterações e adequações na
terminologia e na construção dos itens do instrumento a partir das
sugestões das profissionais, desenvolvendo assim a terceira versão do
protocolo identificada no Quadro 3.

Quadro 3 – Alterações realizadas no instrumento a partir da avaliação semântica


Antes das Após as
Seções do Protocolo Avaliações dos Avaliações dos Alterações
juízes juízes
0 itens
Apresentação do
alterados
Instrumento 1 item 1 item
0 itens
excluídos
0 itens
Identificação alterados
6 itens 6 itens
0 itens
excluídos
2 itens
Sistema Vestibular alterados
12 itens 10 itens
2 itens
excluídos
1 itens
Sistema Tátil alterados
10 itens 10 itens
0 itens
excluídos
2 itens
Sistema
alterados
Proprioceptivo 15 itens 15 itens
0 itens
incluídos

115
2 itens
Sistema Visual alterados
16 itens 15 itens
1 itens
excluídos
2 itens
Alerta alterados
08 itens 08 itens
0 itens
excluídos
1 itens
Reatividade alterados
11 itens 10 itens
1 itens
excluídos
1 itens
Percepção Sensorial alterados
10 itens 10 itens
0 itens
excluídos
1 itens
Práxis alterados
14 itens 14 itens
0 itens
excluídos
2 itens
Comportamento da
alterados
Criança 03 itens 02 itens
1 itens
excluídos
0 itens
Observações Finais alterados
1 item 1 item
0 itens
excluídos
14 itens
Total alterados
107 itens 102 itens
5 itens
excluídos
Fonte: Elaborado pelas autoras

116
As modificações realizadas na última etapa deram origem à
terceira versão, versão final do Instrumento que está apresentado no
APÊNDICE 1. Todas as modificações desta última etapa atendem
as considerações de Gunther (2003) que identifica a necessidade de
construir uma estrutura adequada para que o respondente tenha
condições de compreender e manter o interesse até o final do
instrumento, evitando qualquer tipo de dificuldade ou estresse físico
ou mental. A linguagem do estudo interfere diretamente na sua
aplicação e registro das respostas no instrumento, portanto devem
estar adequadas à população-alvo.
Sabe-se da necessidade de dar continuidade ao uso deste
instrumento por meio de estudos que direcionam seus objetivos para
o uso do instrumento em intervenções terapêuticas.

Considerações Finais

Foi elaborado um instrumento de avaliação intitulado


“Protocolo de Observação Clínica não estruturada com ênfase
Abordagem da Integração Sensorial”, direcionado a avaliação de
crianças que apresentam perfil de Disfunção de Integração Sensorial.
O desenvolvimento do instrumento foi proposto de forma
que possa guiar as observações clínicas não estruturadas para
avaliação do desempenho ocupacional e da participação da criança
nas atividades. O uso deste protocolo associado a outras ferramentas
do processo avaliativo visa ampliar as oportunidades do terapeuta
compreender a criança, realizar o raciocínio clínico, estabelecer os

117
objetivos terapêuticos ocupacionais e planejar a intervenção sob a
ótica da teoria de Integração Sensorial.
Sugere-se estudos futuros utilizando este protocolo a fim de
investigar se este instrumento é uma ferramenta eficaz para guiar
terapeutas ocupacionais brasileiros durante as Observações Clínicas
não Estruturadas com ênfase na Abordagem de Integração Sensorial
de Ayres®. Realizar um processo de avaliação abrangente, integrando
uma análise cuidadosa do contexto, do perfil e do desempenho
ocupacional da criança amplia a capacidade do terapeuta
ocupacional delinear intervenções bem-sucedidas.

Referências

ALMOHALHA, Lucieny. Tradução, adaptação cultural e


validação do Infant Sensory Profile 2 e do Toddler Sensory
Profile 2 para crianças brasileiras de 0 a 35 meses. 2018.
(Doutorado) - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto,
Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2018.

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Abordagem De Integração Sensorial De Ayres® Na Participação
Escolar De Alunos Com Transtorno Do Espectro Autista.166 f.
2020. Tese (Doutorado em Educação) - Faculdade de Filosofia e
Ciências, Universidade de Estadual Paulista “Júlio de Mesquita
Filho”, Marília, 2020.

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Dominique Blanche. Structured Observations of Sensory
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2019.

CABRERA, Sara Jorquera, et al. Assessment of Sensory Processing


Characteristics in Children between 3 and 11 Years Old: A
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MAILLOUX, Zoe; MILLER-KUHANECK, Heather. Evolution


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MAILLOUX, Zoe, et al. Goal attainment scaling as a measure of


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practice for assessment and intervention. In: Clinical practice
guidelines work group. Clinical practice guidelines: Redefining the
standards of care for infants, children, and families with special
needs. USA: ICDL Press, 2000

122
APÊNDICE A

PROTOCOLO DE OBSERVAÇÕES CLÍNICAS NÃO


ESTRUTURADAS COM ÊNFASE NA ABORDAGEM DE
INTEGRAÇÃO SENSORIAL1

No momento da Observação Clínica não Estruturada o


terapeuta ocupacional deve observar a interação da criança com o
espaço terapêutico próprio para a abordagem de Integração
Sensorial. Para tanto ele deve mediar e observar a exploração da
criança, avaliando de forma qualitativa, o seu comportamento frente
aos estímulos do ambiente a fim de apoiar o raciocínio clínico e a
investigação de um perfil característico de Disfunção de Integração
Sensorial.
Este instrumento é um guia que tem como intenção apoiar
as observações do terapeuta ocupacional neste momento, porém
ressalta-se a importância de outros instrumentos de avaliação
associados a fim de complementar os achados que sustentem o

1 Este instrumento foi elaborado com base nas seguintes referências bibliográficas:

BLANCHE (2010); BLANCHE; REINOSO; KIEFER (2019); FERLAND (2006);


MAGALHÃES (2008);
MAILLOUX, et al. (2021); SERRANO (2016); PARHAM; FAZIO, (2000); PFEIFER;
SANT´ANNA, (2020).

123
raciocínio clínico. Para o uso deste instrumento o terapeuta deve
registrar de forma detalhada o comportamento apresentado pela
criança em cada um dos itens. Orienta-se que a observação seja
registrada por meio de filmagem para que todos os detalhes da
Observação Clínica não Estruturada possam ser registrados pelo
terapeuta posteriormente.

1. IDENTIFICAÇÃO
Nome do cliente:______________________________________
Data Nascimento:______________ Idade atual:______________
Terapeuta:___________________________________________
Data da Observação:_____________
Hipótese Diagnóstica:__________________________________

2. SISTEMA VESTIBULAR
Qual foi o nível de alerta da criança durante atividades de
movimento?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
A criança demonstrou conforto durante atividades de movimento?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

124
A criança evitou ou demonstrou medo/insegurança nas atividades
com movimento?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Como foi o controle postural da criança durante o movimento?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Realizou ajuste de postura conforme a demanda das atividades?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

125
A criança sustentou o pescoço e o tronco durante as atividades em
movimento?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança realizou movimentos contra a gravidade?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Realizou co-contração de tronco superior e pescoço?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

126
Como foi o desempenho da criança em atividades que exigiam
coordenação motora bilateral?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Apresentou estabilidade das funções visuais em atividades estáticas e


dinâmicas (seguir um objeto com os olhos, manter o olhar em
determinado foco durante o movimento da cabeça, tiro ao algo,
agarra bolas)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
3. SISTEMA TÁTIL
A criança apresentou aversão por alguma textura?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

127
A criança apresentou aversão ao toque?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou mudança de comportamento ao manusear


determinadas texturas? (ansiedade, comunicação, agitação, entre
outros)
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança limpou, apertou, esfregou ou coçou partes do seu corpo


quando tocada?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

128
Como a criança reagiu a toques suaves e com pressão?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou expressões faciais negativas ao ser tocado ou a


explorar texturas?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança procurou estímulos táteis em níveis mais altos que outras


crianças de sua faixa etária?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

129
A criança apresentou dificuldade em registrar e/ou localizar o toque
em determinada parte do corpo?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança conseguiu discriminar diferentes texturas?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança conseguiu discriminar objetos sem a ajuda da visão


(Estereognosia)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

130
4. SISTEMA PROPRIOCEPTIVO
A criança conseguiu localizar as partes do corpo no espaço?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou bom controle postural?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou baixo tônus muscular?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

131
A criança apresentou hipermobilidade articular?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança assumiu posições não comuns?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança andou na ponta dos pés?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

132
Como foi o alinhamento e a estabilidade articular durante as
atividades?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Como realizou descarga e transferência do peso durante as


atividades?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Como foi o desempenho em atividades de empurrar, jogar, agarrar,


se pendurar, entre outros?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
________________________________________________

133
Conseguiu imitar posturas?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Conseguiu graduar força de forma adequada durante as atividades?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Apresentou boa fluidez dos movimentos?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

134
A criança caiu ou tropeçou com frequência?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Apresentou movimentação desorganizada (esbarra, cai, parece não


apresentar noção do espaço)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Apoiou o seu peso do seu corpo em determinados locais do ambiente


ou em pessoas?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

135
5. SISTEMA VISUAL
A criança buscou ou apresentou preferências por estímulos visuais?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança percebeu as informações visuais do ambiente?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou movimentação ocular regular?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

136
A criança apresentou capacidade de manter a atenção em
determinado foco visual?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança acompanhou com os olhos objetos em movimento?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou boa fluidez nos movimentos oculares?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

137
A criança associou com mais frequência que outras crianças o
movimento da cabeça e/ou do corpo com o movimento ocular?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança conseguiu fazer rastreamento visual no sentido vertical e


horizontal?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança precisou aproximar o objeto dos olhos mais que o esperado


para sua faixa etária?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

138
A criança conseguiu acertar um objeto em determinado alvo?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança apresentou coordenação óculo manual satisfatória para a


idade?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
________________________________________________

A criança localizou objetos, figuras ou imagens no ambiente


terapêutico quando solicitado?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

139
A criança localizou letras, figuras ou desenhos no papel quando
solicitado?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança fez cópia de traçados, figuras, letras e/ou texto?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança conseguiu reproduzir um modelo criando com peças e ou


outros objetos 3D?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

140
6. ALERTA
A criança explorou o ambiente terapêutico por iniciativa própria?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Como foi o comportamento da criança ao explorar o espaço


terapêutico (euforia, apatia, curiosidade, desorganizado)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
________________________________________________

Qual foi o nível de alerta da criança durante a exploração do espaço


terapêutico (alto, baixo ou flutuante)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

141
A criança manteve o mesmo nível de alerta durante todo tempo ou
foi possível observar variações com determinados estímulos?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança se colocou em risco ao explorar o espaço terapêutico (tem


noção de perigo)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança interagiu com o terapeuta e/ou outras pessoas que estavam


no espaço terapêutico?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

142
A criança conseguiu executar as atividades de forma satisfatória?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança seguiu comandos e ou instruções do terapeuta?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

7. REATIVIDADE (MODULAÇÃO SENSORIAL)


A criança pareceu hiper-reativa a um ou mais estímulos sensoriais
presentes no espaço terapêutico?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

143
A criança pareceu ser hiporreativa a um ou mais estímulos sensoriais
presentes no espaço terapêutico?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Como a criança reagiu aos estímulos visuais (luz, cores, objetos em


movimento)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
Como a criança reagiu aos estímulos auditivos (sons, músicas,
barulho, vozes, palmas)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

144
Como a criança reagiu aos estímulos olfativos (demonstrou não
gostar ou apresenta preferências)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Como a criança reagiu a estímulos gustativo (apresentou aversões,


demonstra não gostar ou apresenta preferências a determinados
sabores e texturas)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
Como a criança reagiu aos estímulos interoceptivos (temperatura,
dor, sensações corporais)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

145
A criança buscou por quantidades excessivas de estímulos sensoriais?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança pareceu ansiosa ou em sobrecarga quando exposta a muitos


estímulos sensoriais?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança teve dificuldade em regular o comportamento e a resposta


as sensações?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

146
8. PERCEPÇÃO SENSORIAL (DISCRIMINAÇÃO
SENSORIAL)
A criança registrou os estímulos sensoriais?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança ignorou um tipo particular de estímulo sensorial ou


informação importante?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
A criança não registrou algum estímulo sensorial específico?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

147
A criança percebeu informações provenientes das diferentes
sensações?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança discriminou as diferenças e variações na qualidade das


sensações?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança demorou para reagir ou entender ao ser exposta aos


estímulos sensoriais?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

148
A criança conseguiu discriminar detalhes de objetos ou
acontecimentos (duro/mole, localização, tamanho, direção,
distância e velocidade)?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

Quais as principais informações sensoriais a criança procurou para


conhecer e agir no espaço terapêutico?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

9. PRAXIS (IDEAÇÃO, PLANEJAMENTO MOTOR,


SEQUENCIAMENTO E EXECUÇÃO)
A criança conseguiu executar as atividades propostas?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

149
A criança apresentou iniciativa para explorar o ambiente
terapêutico?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança teve dificuldade em ter novas ideias para brincar ou se


envolver nas atividades?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança se irritou facilmente ou precisou de ajuda constante para


realizar as atividades?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

150
A criança precisou de ajuda para resolver problemas de sua faixa
etária?
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança teve dificuldade com a execução motora das atividades?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________

A criança conseguiu em coordenar os movimentos?


___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
___________________________________________________
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151
A criança conseguiu realizar movimentos motores complexos?
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A criança conseguiu descobrir ou se lembrar de como fazer


motoramente algo?
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A criança teve dificuldade em sequenciar ou realizar etapas de uma


atividade?
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152
A criança insistiu nos mesmos erros repetidamente durantes suas
atividades?
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A criança conseguiu imitar expressões faciais quando oferecido


modelo pelo terapeuta?
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A criança conseguiu imitar posturas corporais quando oferecido


modelo pelo terapeuta?
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153
A criança conseguiu imitar informações orais quando oferecido
modelo pelo terapeuta?
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A criança conseguiu seguir instruções do terapeuta para realizar as


etapas da atividade?
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A criança propôs novas atividades e/ou ideias com soluções para as


atividades propostas?
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10. COMPORTAMENTO DA CRIANÇA
Descreva como foi o comportamento da criança durante a
exploração do espaço terapêutico?
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Descreva qual a preferência da criança por brinquedos e brincadeiras


do espaço terapêutico?
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11. OUTRAS OBSERVAÇÕES
Descreva outras informações relevantes observadas durante a
Observação Clínica não Estruturada
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Assinatura e carimbo do terapeuta ocupacional

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CAPÍTULO 5

DISFUNÇÃO DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL EM


ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO
AUTISTA: CHECKLIST PARA PROFESSORES

Rubiana Cunha Monteiro


Helen Nayara Amato
Julia Fabbri Assolini
Aila Narene Dahwache Criado Rocha

Introdução

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais


em sua 5ª edição define o Transtorno do Espectro Autista (TEA)
como sendo um distúrbio do neurodesenvolvimento, caracterizado
principalmente por déficits na comunicação, habilidades sociais,
comportamentos repetitivos/restritos e reatividade sensorial (APA,
2014).
A Terapeuta Ocupacional Anna Jean Ayres (1960) foi a
primeira a definir o termo Integração Sensorial como sendo um
processo neurológico capaz de organizar os inputs sensoriais
recebidos de ambientes internos e/ou externos, promovendo a
exploração adequada do corpo no ambiente. Sua teoria tinha como
principal objetivo entender os problemas de comportamento e
[Link]
157

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