direito material ou de reconvenção”.
A indivisibilidade implica que, se a parte confessar fatos contrários aos seus
interesses e, ao mesmo tempo, se pronunciar sobre fatos que lhe são favoráveis, o juiz
não possa considerar isoladamente apenas os primeiros, mas o conjunto das
declarações.
O ato de confissão deve ser considerado como um todo. O que for desfavorável ao
confitente deve ser apreciado em consonância com as suas outras alegações.
Poderá haver cisão se a parte aduzir fatos novos que constituam fundamento de
defesa. Por exemplo: se o réu, em sua contestação, confessar que contraiu a dívida,
mas aduzir que houve compensação, a existência do débito será incontroversa, mas a
compensação deverá ser provada.
■ 22. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
■ 22.1. Introdução
A última etapa do processo de conhecimento se concluirá com a audiência de
instrução e julgamento, necessária quando houver prova oral. Se não houver
necessidade de ouvir o perito, colher depoimentos pessoais ou ouvir testemunhas, a
audiência será dispensada.
Nela, antes da prova oral e do julgamento, se fará nova tentativa de conciliação.
Em seguida, o juiz ouvirá o perito e os assistentes técnicos, se as partes tiverem
requerido esclarecimentos e apresentado, com a antecedência necessária, os quesitos
para serem respondidos; em seguida, colherá os depoimentos pessoais requeridos, e
ouvirá as testemunhas arroladas.
Por fim, encerrada a instrução, concederá oportunidade para que as partes se
manifestem, em alegações finais, e proferirá sentença.
É nessa audiência, portanto, que será colhida toda a prova oral, não havendo outra
oportunidade, ressalvadas as hipóteses do art. 453 do CPC.
A audiência é considerada um ato processual complexo, em razão dos numerosos
atos que são praticados durante o seu desenrolar.
■ 22.2. Procedimento da audiência de instrução e julgamento
O juiz, verificando a necessidade de prova oral, designará data para a audiência,
determinando que sejam intimados os advogados e as testemunhas. As partes não são
pessoalmente intimadas, a menos que os adversários tenham requerido o seu
depoimento pessoal, na forma do art. 385, § 1º.
Não tendo sido requerido o depoimento pessoal, e tendo o advogado poderes
para transigir, nem é necessária a presença da parte.
A audiência é pública e deverá ser realizada de portas abertas (art. 358 do CPC),
ficando ressalvadas as hipóteses legais, dentre as quais as de segredo de justiça, nas
quais ela só poderá ser acompanhada pelas partes, pelos seus procuradores e pelo
Ministério Público, quando este intervém.
O juiz tem o poder de polícia, cabendo-lhe manter a ordem e o decoro na
audiência. Para tanto, pode determinar que se retirem da sala os que não se
comportarem adequadamente, requisitando, se necessário, força policial.
No dia e hora designados, o juiz declarará aberta a audiência e mandará apregoar
as partes e seus advogados. Se houver intervenção do Ministério Público, este
também deverá ser avisado. Em seguida, serão praticados os atos processuais, que
serão examinados nos itens seguintes.
■ 22.2.1. Tentativa de conciliação
Ressalvada a hipótese de o processo versar sobre interesses indisponíveis, o juiz
tentará mais uma vez a conciliação. Tendo sido designada anteriormente a audiência
de conciliação e mediação, ela já terá sido tentada, mas é preciso que o juiz a
proponha mais uma vez, pois as partes podem, nessa fase, estar mais abertas à
solução consensual.
Mesmo que os advogados estejam ausentes, a conciliação deve ser tentada, porque,
como negócio jurídico civil, pode ser celebrada sem a participação deles, bastando
que as partes sejam capazes.
Da mesma forma, se as partes estiverem ausentes, mas comparecerem advogados
com poderes de transigir, a conciliação será tentada.
■ 22.2.2. Prova oral
A função primordial da audiência de instrução e julgamento é a colheita de prova
oral, que se iniciará desde logo, caso a tentativa de conciliação resulte infrutífera. Há
uma sequência a ser observada pelo juiz. Podem-se distinguir três etapas: a ouvida do
perito e dos assistentes técnicos; a colheita dos depoimentos pessoais das partes;
e a ouvida das testemunhas.
■ [Link]. A ouvida do perito e dos assistentes técnicos
As partes, caso ainda tenham alguma dúvida a respeito das conclusões do laudo
pericial, podem pedir ao juiz que, na audiência de instrução e julgamento, ouça o
perito e os assistentes técnicos.
O procedimento é o previsto no art. 477, §§ 3º e 4º, do CPC. O perito só é
obrigado a responder aos quesitos que lhe tenham sido previamente
apresentados, com antecedência de, pelo menos, dez dias da audiência.
■ [Link]. Depoimentos pessoais
Depois de ouvidos o perito e os assistentes técnicos, o juiz colherá os depoimentos
pessoais que tiverem sido requeridos, primeiro do autor, depois do réu. A respeito do
procedimento de colheita dos depoimentos pessoais, ver item 19, supra.
■ [Link]. Ouvida das testemunhas
Somente depois de colhidos os depoimentos pessoais, o juiz ouvirá as testemunhas
(ver item 18, supra), primeiro as do autor, na ordem que este desejar, e depois as do
réu, também conforme a ordem que ele solicitar. As partes podem desistir da ouvida
de uma ou de todas as testemunhas arroladas, não havendo necessidade de
consentimento do adversário. Se possível, o juiz deverá ouvir todas as testemunhas
em uma única ocasião, preservando a sua incomunicabilidade. Por isso, têm sido
comuns as audiências adiadas porque uma ou mais de uma testemunha estão ausentes,
embora outras tivessem comparecido, para que não haja cisão da prova.
Mas haverá casos em que não será possível ouvir todas as testemunhas na mesma
ocasião, seja porque uma precisa ser ouvida antecipadamente ou por carta (art. 453
do CPC), seja porque o número é tal que não é possível concluir a audiência no
mesmo dia. Disso não advirá nenhuma nulidade para o processo, devendo o juiz
marcar data próxima para concluí-la (CPC, art. 365, parágrafo único). Se faltar perito
ou testemunha, havendo concordância das partes, o juiz ouvirá os presentes e marcará
data próxima para ouvir os faltantes, cindindo a realização da audiência. Se não
houver concordância, ele não ouvirá nem mesmo os presentes e designará data
próxima para ouvir peritos e testemunhas de uma só vez, para que não se dê a cisão.
■ 22.2.3. Debates
Finda a colheita de prova oral, o juiz dará a palavra às partes, para que apresentem
alegações finais orais, na própria audiência. Primeiro falará o advogado do autor,
depois o do réu, e por fim, o Ministério Público, que intervenha na condição de fiscal
da ordem jurídica. O prazo para a manifestação de cada um é de vinte minutos, que
podem ser prorrogados por mais dez, a critério do juiz (CPC, art. 364).
Havendo litisconsórcio, o prazo inicial e de prorrogação será um só para todos e
deverá ser divido entre eles, salvo se ficar convencionado de modo diverso.
Se a causa apresentar questões complexas de fato ou de direito, os debates poderão
ser substituídos por memoriais, que serão apresentados pelo autor, pelo réu e pelo
Ministério Público, nos casos em que intervenha, em prazos sucessivos de 15 dias,
assegurada a vista dos autos.
■ 22.2.4. Sentença
Apresentadas as alegações finais orais, o juiz poderá, na própria audiência,
proferir a sentença, razão pela qual é denominada “de instrução e julgamento”. Se,
porém, ele não estiver em condições de fazê-lo de imediato, poderá determinar que os
autos venham conclusos para julgamento, devendo sentenciar no prazo de trinta dias.
Caso a sentença seja proferida na audiência, as partes sairão intimadas, passando a
correr o prazo de apelação; do contrário, serão intimadas pela imprensa.
■ 22.2.5. Decisões proferidas na audiência
A audiência é ato complexo, em que são praticados diferentes atos. É comum que o
juiz profira, antes da sentença, decisões interlocutórias, a respeito de questões que
surgem no seu curso. Por exemplo, contraditas das testemunhas, requerimentos das
partes, pedidos de adiamento, e outros.
Se tais decisões forem daquelas que comportam agravo de instrumento (art. 1.015),
contra elas a parte prejudicada deverá interpor o recurso, sob pena de preclusão. Se
não, a questão só poderá ser reexaminada pelo Tribunal, se suscitada como preliminar
nas razões ou nas contrarrazões de apelação.
■ 22.2.6. Termo de audiência
Todos os principais acontecimentos da audiência deverão constar de um termo, que
será lavrado pelo escrivão sob ditado do juiz (CPC, art. 367). Do termo constarão,
em resumo, os principais fatos ocorridos, quem compareceu e quem esteve ausente, se
foi ouvido o perito, se foram colhidos depoimentos pessoais e ouvidas testemunhas e
outros atos relevantes. Além disso, constarão por extenso as decisões proferidas e a
sentença, caso dada no ato.
O termo de audiência deverá ser assinado pelo juiz, pelo Ministério Público, pelos
advogados e pelo escrivão. Não há necessidade de que as partes o assinem, salvo se
houver ato de disposição para cuja prática os advogados não tenham poderes. Em
seguida, será encartado aos autos. Quando eles forem eletrônicos, observar-se-ão as
normas do CPC, da legislação específica e as normas internas dos tribunais.
■ 22.3. Adiamento da audiência
A possibilidade de adiamento da audiência vem prevista no art. 362 do CPC, que a