Fatores do Insucesso Escolar em Chókwè
Fatores do Insucesso Escolar em Chókwè
Avaliação de Factores que influenciam para o insucesso escolar: Estudo de caso dos alunos do
1ᵒCiclo da Escola Primaria 24 de Julho de Conhane, distrito de Chókwè, (2021 - 2023)
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Faculdade de Psicologia
Avaliação de Factores que influenciam para o insucesso escolar: Estudo de caso dos alunos do 1ᵒ
Ciclo , na Escola Primaria 24 de Julho de Conhane, distrito de Chókwè, (2021 - 2023)
Índic
e
1. Introdução..........................................................................................................................................4
2
1.1. Problema e pergunta de partida........................................................................................................5
1.2. Pergunta de partida.......................................................................................................................6
1.3.1. Objectivo Geral............................................................................................................................6
1.3.2. Objectivos Específicos.................................................................................................................6
1.4. Objecto de estudo:.........................................................................................................................7
1.5. Justificativa......................................................................................................................................7
2.2. Factores que influenciam para o insucesso escolar.............................................................................10
2.3. Características de uma criança com insucesso escolar.....................................................................11
[Link] explicativas do insucesso escolar..........................................................................................15
[Link] dos “dotes” Individuais........................................................................................................15
[Link] do handicap socio-cultural...................................................................................................16
2.5.3. Teoria sócio-institucional................................................................................................................17
2.5.4. O Processo de Aprendizagem nas Diferentes Fases do Desenvolvimento Infantil.............17
2.6. Definição de conceitos........................................................................................................................17
2.7. Modelo de análise...............................................................................................................................19
2.8. Perguntas da pesquisa.........................................................................................................................19
Capítulo III- METODOLOGIA.................................................................................................................20
3. Metodologia..........................................................................................................................................20
3.2. Tipo de abordagem.............................................................................................................................20
3.3. Método de Analíse..............................................................................................................................20
3.5. Instrumentos de colecta de dados.......................................................................................................21
3.6. Análise de dados.................................................................................................................................22
3.7. Considerações éticas...........................................................................................................................22
3.9. PLANO ORÇAMENTAL..................................................................................................................24
Anexos......................................................................................................................................................26
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Capítulo I- INTRODUÇÃO
1. Introdução
Para o Fundo as Nações Unidas para infância (UNICEF, 2021) e outras organizações relatam que
apesar dos progressos feitos na educação global, milhões de crianças ainda não estão em
condições de concluir o ensino básico. Além disso, muitas estão fora da escola e, entre as que
frequentam, uma grande parte não atinge os objectivos globais definidos para cada ciclo de
ensino.
É importante que os alunos percebam, desde logo, a implicação da escola nas suas vidas, pois a
melhoria do desempenho do aluno resulta de um processo multidimensional e complexo virado
para melhorar a qualidade da educação (Plano Estratégico de Educação de Moçambique, 2012-
2016).
Com efeito, o governo de Moçambique tem empreendido esforços para garantir o acesso fácil ao
ensino nos pais, que passam pela gratuidade do ensino básico da 1ª a 9ª classe, criação de centros
de alfabetização e educação de adultos, formação de professores em duas modalidades, formação
inicial e formação em exercício, etc. entretanto, ainda registam-se aspectos que concorrem
negativamente para o cumprimento dos objectivos propostos, (Jalane, 2023).
Neste contexto, com presente pesquisa pretende se avaliar os factores que influenciam para o
insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ ciclo da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, Posto
Administrativo de Lionde localidade de Conhane, através de um estudo de caso.
No que concerne a estrutura, o trabalho é composto por três capítulos. O primeiro capítulo
aborda os aspectos introdutórios do estudo, os quais incluem a própria introdução, problema e
justificativa, pergunta de partida e objectivos do estudo. O segundo capítulo, traz o estudo de arte
que contém conceitos do tema publicados por outros autores. E o terceiro capítulo, ilustra a
metodologia que foi aplicada para alcance dos objectivos.
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1.1. Problema e pergunta de partida
O insucesso escolar é um fenómeno global que afecta diversos sistemas educacionais,
manifestando-se de formas variadas em diferentes contextos. A nível mundial, factores como a
pobreza, desigualdades sociais e limitações no acesso à educação de qualidade contribuem para
taxas elevadas de abandono escolar e baixos índices de desempenho académico (UNESCO,
2021). Em África, o desafio é ainda mais acentuado devido à escassez de recursos, instabilidade
política e a prevalência de práticas culturais que podem limitar o acesso à educação, sobretudo
para meninas. Em Moçambique, a situação não é diferente, onde os elevados níveis de pobreza e
a falta de infra-estrutura escolar adequada são barreiras significativas. Conforme destaca
Chissano (2020), "a elevada taxa de insucesso escolar em Moçambique reflecte não apenas a
vulnerabilidade socioeconómica das famílias, mas também a necessidade de políticas públicas
mais eficazes para garantir uma educação inclusiva e de qualidade" (p. 35).
Em Moçambique, esta problemática assume duas formas principais: A reprovação e o abandono
escolar. As consequências do insucesso poderão manifestar-se de formas diferentes e têm sempre
na base uma forte desmotivação, uma baixa auto-estima e um baixo autoconceito académico.
A questão do insucesso escolar tem sido por sua vez objecto de preocupação e estudo em
diversos contextos educacionais. A situação da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, Posto
Administrativo de Lionde, no Distrito de Chókwè, Província de Gaza, situada em uma zona
rural, apresenta desafios singulares que demandam de uma análise aprofundada e
contextualizada. A realidade rural frequentemente traz uma série de factores que podem
influenciar significativamente o percurso educativo dos alunos, impactando directamente seu
desempenho académico.
O contexto rural por sua vez se caracteriza por desafios como acesso limitado a recursos
educacionais, infra-estrutura precária, distâncias geográficas acentuadas, condições
socioeconómicas desfavoráveis e uma dinâmica familiar específica. Esses elementos inter-
relacionados podem exercer influências directas no processo de aprendizagem e no
desenvolvimento académico dos alunos, exigindo uma abordagem sensível e adaptada à
realidade local
De acordo com o gráfico abaixo percebe-se que, entre 2021 e 2023, observa-se uma melhoria no
aproveitamento pedagógico e uma redução no nível de desistência escolar.
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Em 2021, o número de situações negativas era significativamente elevado, indicando um
desempenho académico insatisfatório para a maioria dos estudantes. Entretanto, esse indicador
apresentou uma redução constante nos anos seguintes, reflectindo avanços no aprendizado ou na
gestão escolar.
Da mesma forma, o nível de desistência, que era mais notório em 2021, diminuiu
progressivamente até 2023, sugerindo esforços bem-sucedidos para combater o abandono
escolar.
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1.4. Objecto de estudo:
O estudo que desencadeia de avaliação de factores que influenciam no insucesso escolar, será
realizado na Escola Primária 24 de Julho de Conhane. Esta por sua vez localizada na localidade
de Conhane, Posto Administrativo de Lionde, Distrito de Chókwè, na Província de Gaza. E o
período de estudo ou delimitação temporal é entre 2021 e 2023.
1.5. Justificativa
O insucesso escolar no 1º Ciclo do Ensino Primário é um problema significativo nas escolas de
várias regiões, incluindo a Escola Primária 24 de Julho de Conhane. Este fenómeno não só afecta
o desenvolvimento educacional dos alunos, mas também compromete o futuro académico e
profissional das crianças, reflectindo-se na sua capacidade de integração social e no seu acesso a
melhores oportunidades de vida. A avaliação dos factores que influenciam esse insucesso é
fundamental para entender as causas subjacentes, seja no ambiente familiar, escolar ou social.
A escolha de investigar este tema, é a princípio a necessidade de compreender profundamente
esses factores e é essencial para o desenvolvimento de estratégias educacionais mais eficazes e
direccionadas. Ao identificar as influências que impactam negativamente o desempenho escolar
dos alunos, será possível implementar intervenções específicas que visem a superação desses
desafios, promovendo assim um ambiente escolar mais inclusivo e propício ao sucesso de todos
os estudantes. Do outro lado, a relevância social e humanitária pois poderá contribuir para a
promoção da equidade educativa e para a mitigação das disparidades que podem afectar o
percurso académico de crianças em situações desfavoráveis.
Além disso, a pesquisa pode servir de base para futuras acções pedagógicas que busquem
minimizar a evasão escolar e promover uma educação de qualidade para todos.
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Capítulo II- ESTUDO DE ARTE
2. Estudo de arte
2.1. Sucesso e Insucesso Escolar
O sucesso e o insucesso escolar são fenómenos complexos que envolvem uma série de factores
inter-relacionados e que têm impacto significativo no percurso educativo dos alunos. O sucesso
escolar pode ser entendido como o alcance de metas académicas, o desenvolvimento de
habilidades e competências, a motivação para aprender e a realização pessoal. Por outro lado,
segundo Duarte (2000), o insucesso escolar refere-se à dificuldade em atingir tais objectivos,
podendo estar relacionado a questões como falta de apoio, desmotivação, dificuldades de
aprendizagem, entre outros.
Aprofundando, os conceitos de sucesso e insucesso são complexos e o significado que lhes é
atribuído é diverso, dependendo dos intervenientes educativos (Macamo, 2015). Assim sendo, o
insucesso escolar pode traduzir-se pelo não alcance do nível de aprendizagem preconizado nos
programas de ensino. Para o seu combate, é necessário que se tome em conta os factores que o
condicionam em cada momento que o aluno manifesta tais dificuldades. A descoberta destes
factores exige uma colaboração e intervenção conjunta entre os gestores do processo educativo,
professores, encarregados de educação e os próprios alunos. Um dos conceitos fundamentais
relacionados ao sucesso e insucesso escolar é a importância do ambiente escolar. Um ambiente
acolhedor, inclusivo e estimulante pode favorecer o sucesso dos alunos, enquanto um ambiente
desfavorável pode contribuir para o insucesso.
Por outra, a questão da equidade é fundamental para garantir que todos os alunos tenham acesso
a oportunidades educacionais de qualidade, independentemente de sua origem social, económica
ou cultural, é essencial para promover o sucesso escolar e combater o insucesso (Carvalho,
2010).
Para Costa (2009), a relação entre os alunos e os educadores também desempenha um papel
crucial. O apoio emocional, a empatia, a orientação pedagógica e o estímulo positivo por parte
dos educadores podem influenciar significativamente o desempenho escolar dos alunos.
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Outro conceito importante é o da personalização do ensino. Reconhecer as diferenças individuais
dos alunos, adaptar as estratégias pedagógicas às suas necessidades específicas e promover uma
educação inclusiva são elementos-chave para fomentar o sucesso escolar.
Auto eficácia dos alunos também é um factor determinante (Mamede-Neves, 2003). Acreditar
em suas próprias capacidades, estabelecer metas realistas e desenvolver estratégias eficazes para
lidar com desafios são aspectos essenciais para alcançar o sucesso académico. Pois ainda, a
importância da parceria entre escola, família e comunidade não pode ser subestimada. O mesmo
autor defende que envolvimento activo dos pais na educação dos filhos, o apoio da comunidade
local e a colaboração entre diferentes atores educativos são fundamentais para criar um ambiente
propício ao sucesso escolar dos alunos.
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2.1.3. Causas do Insucesso escolar
O insucesso escolar é um fenómeno que resulta de uma combinação de factores internos e
externos. Entre os factores internos, destacam-se práticas pedagógicas inadequadas e a falta de
formação contínua dos professores, que comprometem a qualidade do ensino (Macamo, 2014).
Por outro lado, factores externos, como a pobreza, a gravidez precoce e normas culturais,
também influenciam negativamente o desempenho escolar. De acordo com o UNGEI (2022), as
raparigas em zonas rurais pobres muitas vezes enfrentam trajectórias escolares mais curtas
devido a barreiras socioeconómicas e culturais. Em Moçambique, estes desafios resultam em
elevadas taxas de abandono e reprovação escolar, evidenciando a necessidade de estratégias
inclusivas e eficazes (Sitoe, 2023).
O insucesso escolar pode ser influenciado por uma série de factores que impactam a jornada
educativa dos alunos. Dentre esses factores, destacam-se as dificuldades de aprendizagem, a falta
de apoio familiar, problemas de saúde física ou mental, desigualdades socioeconómicas, faltam
de motivação, bullying e questões relacionadas ao ambiente escolar. As dificuldades de
aprendizagem, sejam elas decorrentes de questões cognitivas ou emocionais, podem impedir que
os alunos alcançassem seu potencial académico. Além disso, a falta de apoio familiar e as
desigualdades socioeconómicas podem criar barreiras para o sucesso escolar, limitando o acesso
a recursos educacionais e suporte necessário.
Em algumas circunstâncias pode se relacionar o insucesso escolar com o abandono, a
probabilidade de uma criança abandonar a escola aumenta à medida que os factores de risco
acumulam (Torre et al, 2021).
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Os factores do abandono escolar podem incluir o rendimento familiar, a distância da escola do
local de residência, o assédio e abuso na escola, a gravidez precoce e o casamento prematuro, a
falta de instalações sanitárias nas escolas sensíveis ao género, a falta de qualificação e ou
experiência adequada dos professores associada ao seu elevado absentismo, bem como o facto de
as escolas não abordarem as necessidades das crianças com deficiência e ou as necessidades
educacionais especiais.
Deste modo, o sucesso escolar, pode ser compreendido como um conjunto de comportamentos,
valores, orientações e hábitos culturais, trazidos pelos alunos que irão ser confrontados com os
diferentes valores culturais que a escola exige. Os pais devem ser entendidos como um recurso
que permite um sucesso mais forte na aprendizagem (UNICEF, 2023). Nesse sentido, pode
procurar criar-se uma situação de maior equidade educativa através do estabelecimento de pontes
entre a escola e os pais, valorizando e apoiando o seu contributo. Neste sentido, é notório que em
pais e encarregados de educação instruídos, os seus filhos alcançam os resultados desejados no
percurso escolar, pois na família estes encontram o devido acompanhamento para a obtenção dos
conhecimentos escolares.
O insucesso escolar é influenciado por factores intrínsecos aos estudantes e pelas condições
estruturais e pedagógicas da escola. No que concerne às características dos estudantes,
Bronfenbrenner (1996) argumenta que o desenvolvimento do indivíduo depende de interacções
em múltiplos contextos, destacando factores como motivação, frequência escolar e dificuldades
de aprendizagem que afectam o desempenho académico. Por outro lado, as condições da escola,
como a qualidade do ensino, a formação docente e a disponibilidade de recursos materiais, são
igualmente determinantes. Saviani (2008) enfatiza que uma escola com infra-estrutura
inadequada e métodos pedagógicos pouco eficazes compromete o aprendizado e perpetua o
insucesso. Assim, a análise do insucesso escolar exige a consideração conjunta dos factores
individuais e institucionais, para que intervenções eficazes possam ser implementadas.
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Segundo Muñiz (1993) as crianças podem apresentar sinais que indicam que a situação é
passageira ou tende a tornar-se permanente. Na situação passageira, a criança tem consciência do
seu rendimento escolar e das suas dificuldades, revelando o seu sofrimento e desgosto
apresentando sintomas depressivos, todavia “pede ajuda e mostra-se desejosa de a aproveitar”
(Muñiz, 1993, p. 11). Já na segunda situação, a criança não expressa o seu desgosto e sofrimento,
encobrindo o seu insucesso escolar através de desculpas e justificações, “geralmente não
adequadas à realidade” (Muñiz, 1993, p. 11). Com isto, Pereira (1991) afirma que às crianças
com insucesso escolar “só resta uma de três soluções: culpar-se, deprimir-se ou a delinquência”
(Pereira, 1991, p. 273).
Um dos comportamentos que se observa nas crianças com insucesso é a distracção, como refere
Fonseca (2008), estas “apresentam dificuldades em focar ou em fixar a atenção, não
seleccionando os estímulos relevantes dos irrelevantes” (Fonseca, 2008, p. 362).
Elizabeth Munsterberg fez um estudo com crianças com insucesso escolar que tinham idades
entre os seis e doze anos, no qual verificou que estas apresentavam os seguintes tipos de
comportamentos: desassossego, pouca tolerância à frustração, ansiedade, retraimento,
agressividade, procura constante de atenção, rebeldia, distúrbios somáticos, comportamento
esquizóide, comportamento delinquente e autismo (Muñiz, 1993, p. 18).
12
quais juntamente com a informação colectada por meio da observação directa ao estudante,
possibilitando a elaboração de uma primeira intervenção pedagógica com o objectivo de
minimizar ou suprimir as dificuldades” (Pontel, 2013, p. 7).
Neste contexto, MINEDH (2020) refere que, uma das razões da baixa qualidade de ensino
prende-se a qualidade dos professores. Conforme o autor, os professores afectos nas diferentes
escolas não realizam as actividades incumbidas com perfeição, o que compromete os objectivos
de ensino. A isso, o autor, sugere como alternativa a implementação da formação em exercício a
todos docentes que apresentam dificuldades nas suas actividades.
Relativamente a formação em exercício, Santos (2009) advoga que, a formação inicial force aos
professores ferramentas básicas para o processo de ensino e aprendizagem, no entanto, tais
ferramentas não são suficientes para orientar com êxitos todo o processo educativo. Para tal, a
formação em exercício, que se descreve como sendo aquela que o professor adquire depois de
iniciar as suas funções como professores. Com esta formação, serão actualizadas todas
metodologias de ensino.
Rosa (2013) recomenda para a redução do insucesso escolar e a garantia do sucesso escolar a
implementação de metodologias de ensino participativas e dinâmicas, que estejam reservadas aas
particularidades dos alunos. Conforme ao autor, os professores devem conhecer ao mínimo
detalhe os seus alunos de modo a planificarem actividades específicas de acordo com o nível que
cada um apresenta. Nesta perspectiva, é necessário que para além da atenção generalizada o
professor dê atenção particularizada aos alunos que apresentam mais dificuldades de
aprendizagem.
Sil (2004) refere nesta perspectiva, a importância do currículo local no sucesso escolar. Para o
autor, a abordagem dos conteúdos de interesse dos alunos contribui na descoberta de
conhecimentos abstractos, o que contribui para que o aluno desenvolva o interesse pela escola.
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Estas práticas, na perspectiva do autor podem contribuir para a retenção do aluno até a conclusão
dos estudos.
Para tal, Gatti (2010) as escolas devem realizar actividades didácticas com vista a melhoria das
metodologias de ensino. O autor, propõe a realização de jornadas pedagógicas entre professores
da escola e outros intervenientes, a fim de garantir a troca de experiencias em matéria ligada ao
processo de ensino e aprendizagem. Nisso, o autor, enfatiza a necessidade da Direcção da escola
preparara efectivamente os intervenientes sobre a importância da actividade de modo que, os
objectivos da mesma sejam alcançados de forma significativa.
Já Rosa (2013) advoga que, a Direcção da escola, como principais responsáveis pela
implementação do currículo devem ter na sua posse documentos orientadores do processo de
ensino e aprendizagem. O autor, chama atenção a necessidade de as escolas possuírem
documentos que garantem a funcionalidade da escola como: Plano de Desenvolvimento da
Escola, Projecto Político Pedagógico, Plano Anual e outras ferramentas. Para o autor, estes
documentos ajudam a escola a identificar suas potencialidades e fraquezas, de modo a determinar
possíveis soluções e desta forma contribuir para a erradicação do problema.
No entender dos autores, como Machado (2007), Macamo (2015) e Iturra (1990) defendem a
importância das infra-estruturas escolares e a existência de materiais didácticos conservados e de
qualidade para a melhoria da qualidade de ensino. Na perspectiva dos autores, uma escola que
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apresenta níveis de organização elevados e infra-estruturas conservados, possui mais chances de
ter sucesso escolar, pois, os níveis de participação o dos actores do processo de ensino e
aprendizagem também são excelentes.
Boaventura (2007), por sua vez acrescenta que as escolas devem possuir o Conselho de escola.
Segundo o autor, este órgão consultivo permite maior celeridade no tratamento dos problemas da
escola na comunidade, pois, é um órgão constituído por membros da comunidade e desta forma
podem resolver diferendos relativos a escola com maiores facilidades.
Neste caso, é necessário que a escola tenha este órgão e a funcionar de forma plena de modo que
os objectivos estabelecidos nos seus planos sejam realmente alcançados.
Dessa forma mantinha-se a escola “neutra”, ou seja, a instituição escolar não era considerada
como um dos intervenientes/factores explicativos do insucesso, mas sim o local em que essas
capacidades individuais se revelavam. A inteligência era vista como um “dote” natural, como
algo inato e hereditário e o facto de um aluno ter um fraco aproveitamento escolar, devia-se
somente à sua falta de capacidade e/ou inteligência, de acordo com Benavente e Correia
(1980:10), pois “pode tornar-se como certo que a razão pela qual as crianças de estratos sociais
mais elevados obtêm resultados superiores nos testes reside essencialmente na qualidade superior
do património que herdaram logo à nascença”. (Terman, 1917 in EURYDICE, 1995:53)
Esta teoria foi criticada pelo rigor científico dos investigadores da genética, que não a consideram
totalmente correcta dado que a inteligência, no seu conceito mais amplo “a faculdade de conhecer,
compreender, imaginar, inventar; a capacidade de se adaptar a novas situações, a capacidade de
encontrar soluções face a dificuldades inesperadas” (Jacquard, 1983 in EURYDICE, 1995: 54), foi
reduzida ao quoeficiente intelectual que, contendo a herança genética não contém a experiência, as
aprendizagens ao longo da vida e a sua relação com o meio. Na altura em que esta teoria emanou,
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existiam alunos de estratos sociais, considerados mais modestos, que obtinham bons resultados
escolares, mas, no entanto, não prosseguiam estudos. Constituíram-se como motores para a
realização de programas destinados a facilitar o acesso ao ensino de alunos com “dote”, mas
pertencentes a estratos sociais mais desfavorecidos (Sil, 2004). Com a evolução progressiva das
políticas educativas, a problemática do insucesso escolar também se alterou significativamente.
Poder-se-á afirmar que a teoria dos “dotes” individuais continua até aos dias de hoje, a figurar em
algumas mentalidades, nomeadamente no senso comum.
O insucesso escolar é explicado, nesta teoria, através de défices, categorizados pelo conceito
“handicap”, ou privação sócio – cultural, assumindo-se que uma criança derivada de um meio
caracterizado pelo desfavorecimento não dispõe de bases culturais para o sucesso escolar. Assim,
o insucesso estaria relacionado com a origem social do aluno e à sua “bagagem cultural”,
aquando da sua entrada na escola. Também esta teoria atribui ao aluno e à sua família a
responsabilidade do insucesso.
16
As teorias do “handicap” assentam na base teórica das teorias da Sociologia da Reprodução, que
acentuam a função repressiva, selectiva e reprodutora da instituição escolar. Não valorizando os
valores dos alunos provenientes de classes sociais mais desfavorecidas, o que provoca um
conflito cultural. Mais uma vez, a instituição escolar favorece as classes sociais já favorecidas,
acentuando as diferenças e desigualdades existentes entre as origens dos indivíduos.
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Neste estágio, a aprendizagem baseia-se na exploração sensorial e nas interacções motoras com o
ambiente.
A criança aprende por meio de tentativa e erro, desenvolvendo noções de causa e efeito. Uma
conquista central é o desenvolvimento da permanência do objecto, ou seja, a compreensão de que
os objectos continuam a existir mesmo quando não estão visíveis (Piaget, 1952).
18
O dicionário da língua portuguesa, 2003, definem o insucesso como sendo mau resultado, falta
de êxito referente a escola.
Segundo Handesheere, (1992) objectiva o conceito de insucesso como sendo uma situação em
que não se atingiu um objectivo em que a criança é considerada boa ou má.
O insucesso refere se a incapacidade de um individuo alcançar os objectivos traçados ou
programados num determinado período por se avaliar.
O conceito de insucesso é frequentemente entendido como a falha em atingir objetivos,
especialmente no contexto escolar, sendo associado a um "mau resultado". O Dicionário da
Língua Portuguesa (2003) vê o insucesso dessa forma. No entanto, a definição de Handesheere
(1992) amplia esse entendimento, sugerindo que o insucesso também envolve a avaliação
subjectiva, onde o indivíduo pode ser classificado como "bom" ou "mau" de acordo com normas
sociais e expectativas externas.
O insucesso, porém, não deve ser visto apenas como uma falha, mas como um reflexo de vários
factores contextuais, como dificuldades emocionais ou sociais, que afectam o desempenho. Em
vez de ser um sinal de incapacidade, o insucesso pode ser uma oportunidade de aprendizagem e
crescimento. Portanto, o conceito de insucesso deve ser reconsiderado de forma mais ampla,
como um momento de reflexão e superação, não apenas uma marca negativa, permitindo uma
abordagem mais construtiva e inclusiva.
2.6.2. Escola
A escola é uma instituição fundamental na sociedade, destinada à educação, formação e
socialização de crianças e jovens. Além de fornecer conhecimentos académicos, a escola
desempenha um papel crucial na transmissão de valores, normas sociais e habilidades
necessárias para a vida em comunidade, ( Mazula, 2012).
Escola é uma instituição de formação integral, mas também emocional, intelectual , físico e
ético dos estudantes. A escola deve proporcionar um ambiente seguro e acolhedor, estimulando o
pensamento crítico, a criatividade e a autonomia dos alunos assim declara (Piaget,1952).
A escola deve ser vista como uma instituição que promove o desenvolvimento integral dos
alunos, abrangendo as dimensões intelectuais, emocional, social e ética. Embora Mazula (2012) e
Piaget (1952) tenham abordagens diferentes. Mazula foca na socialização e na transmissão de
valores, enquanto Piaget enfatiza o desenvolvimento cognitivo e a autonomia, ambos concordam
que a escola deve ser um ambiente seguro e estimulante. Para um ensino eficaz, é essencial
19
equilibrar a promoção do pensamento crítico e da criatividade com a formação ética e social,
preparando os alunos tanto para o mercado de trabalho quanto para a convivência comunitária
O insucesso escolar refere se a situação em que um aluno não consegue atingir os objectivos
educacionais esperados, resultando em dificuldades de aprendizagem que podem levar a
repetição do ano, abandono escolar ou desempenho insatisfatório nas avaliações.
Em ordenamento aos conceitos apresentados entende-se que o insucesso escolar vai além da
reprovação, abrangendo também situações em que o aluno, mesmo aprovado, não atinge o seu
pleno potencial, como destaca Peixoto (1999). Assim, defendo que este fenómeno deve ser
entendido de forma ampla, considerando factores académicos, sociais e emocionais que afectam
a aprendizagem. Uma visão mais abrangente permite combater o insucesso escolar de forma
eficaz, promovendo o desenvolvimento integral dos estudantes e uma educação mais inclusiva.
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Problemas de saúde física
Fonte:Autora,2024
2.8. Hipóteses
H0: Os factores externos e internos da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, não influenciam
no insucesso escolar dos alunos do 1º Ciclo.
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Capítulo III- METODOLOGIA
3. Metodologia
Gil (2002), diz que é através da metodologia que se descreve os procedimentos, a serem seguidos
na realização da pesquisa onde a sua organização varia de acordo com as peculiaridades de cada
pesquisa.
3.4.2. Amostra
De acordo com (Gil, 2002), amostra é o subconjunto do universo ou da população, por meio do
qual se estabelecem ou se estimam, as características desse universo ou população. Assim sendo
a pesquisa vai trabalhar com 25 alunos com rendimento não satisfatório, e 6 professores que
leccionam de 1ª a 6ª classe.
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Meses
r
N Actividades
Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março
1 Pesquisa Bibliográfica
2 Elaboração do Projecto
3 Avaliação do Projecto
4 Colecta de Dados
Análise e interpretação
5
de dados
24
3.9. PLANO ORÇAMENTAL
Designação Preço unitário Quantidade Montante
Transporte 15 5 75.00
Comunicação 50 4 200.00
Lápis 10 1 10.00
Resma de papel 200 1 200.00
Impressão do relatório 120 2 240.00
Encadernação 100 1 100.00
Total 825.00
Fonte: Autora (2023)
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4. Referências
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Souza, M. S., & Barbosa, F. (2020). O insucesso escolar no ensino secundário nos países
da África Subsaariana: Causas e consequências.
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Anexos
1. Quais são os principais desafios que observa nos alunos com insucesso escolar?
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
2. Que estratégias utiliza para apoiar os alunos com dificuldades de aprendizagem?
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
3. Na sua opinião, quais são os factores externos mais comuns que contribuem para o
insucesso escolar dos alunos?---------------------------------------------------------------------
4. Que papel a relação entre escola e família desempenha no desempenho dos alunos?
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
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