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Fatores do Insucesso Escolar em Chókwè

O projeto de monografia de Fátima André Matsombe investiga os fatores que contribuem para o insucesso escolar dos alunos do 1º ciclo da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, em Moçambique, entre 2021 e 2023. A pesquisa busca identificar e analisar as causas do insucesso, considerando aspectos socioeconômicos, culturais e educacionais que afetam o desempenho acadêmico. O estudo visa fornecer insights para a implementação de estratégias que promovam uma educação mais inclusiva e de qualidade.
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Fatores do Insucesso Escolar em Chókwè

O projeto de monografia de Fátima André Matsombe investiga os fatores que contribuem para o insucesso escolar dos alunos do 1º ciclo da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, em Moçambique, entre 2021 e 2023. A pesquisa busca identificar e analisar as causas do insucesso, considerando aspectos socioeconômicos, culturais e educacionais que afetam o desempenho acadêmico. O estudo visa fornecer insights para a implementação de estratégias que promovam uma educação mais inclusiva e de qualidade.
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Licenciatura em Psicologia de Educação

Proposta de projecto de monografia

Avaliação de Factores que influenciam para o insucesso escolar: Estudo de caso dos alunos do
1ᵒCiclo da Escola Primaria 24 de Julho de Conhane, distrito de Chókwè, (2021 - 2023)

Discente: Fátima André Matsombe (21-093)

Maputo, Agosto de 2024

1
Faculdade de Psicologia

Curso de Psicologia de Educação

Avaliação de Factores que influenciam para o insucesso escolar: Estudo de caso dos alunos do 1ᵒ
Ciclo , na Escola Primaria 24 de Julho de Conhane, distrito de Chókwè, (2021 - 2023)

Projecto de Pesquisa Científica a ser apresentado


no Departamento de Psicologia para efeitos
obtenção do grau de Licenciatura em Psicologia
Educação.

Supervisora: dra. Celina Maquina

Maputo ,Novembro, 2024

Índic

e
1. Introdução..........................................................................................................................................4

2
1.1. Problema e pergunta de partida........................................................................................................5
1.2. Pergunta de partida.......................................................................................................................6
1.3.1. Objectivo Geral............................................................................................................................6
1.3.2. Objectivos Específicos.................................................................................................................6
1.4. Objecto de estudo:.........................................................................................................................7
1.5. Justificativa......................................................................................................................................7
2.2. Factores que influenciam para o insucesso escolar.............................................................................10
2.3. Características de uma criança com insucesso escolar.....................................................................11
[Link] explicativas do insucesso escolar..........................................................................................15
[Link] dos “dotes” Individuais........................................................................................................15
[Link] do handicap socio-cultural...................................................................................................16
2.5.3. Teoria sócio-institucional................................................................................................................17
2.5.4. O Processo de Aprendizagem nas Diferentes Fases do Desenvolvimento Infantil.............17
2.6. Definição de conceitos........................................................................................................................17
2.7. Modelo de análise...............................................................................................................................19
2.8. Perguntas da pesquisa.........................................................................................................................19
Capítulo III- METODOLOGIA.................................................................................................................20
3. Metodologia..........................................................................................................................................20
3.2. Tipo de abordagem.............................................................................................................................20
3.3. Método de Analíse..............................................................................................................................20
3.5. Instrumentos de colecta de dados.......................................................................................................21
3.6. Análise de dados.................................................................................................................................22
3.7. Considerações éticas...........................................................................................................................22
3.9. PLANO ORÇAMENTAL..................................................................................................................24
Anexos......................................................................................................................................................26

3
Capítulo I- INTRODUÇÃO

1. Introdução

O insucesso escolar é um conceito abrangente, entendido como a “incapacidade que o aluno


revela de atingir os objectivos globais definidos para cada ciclo” (EURYDICE 1995:47), tendo
por base os indicadores das taxas de retenção, de abandono e de insucesso nos exames.

Para o Fundo as Nações Unidas para infância (UNICEF, 2021) e outras organizações relatam que
apesar dos progressos feitos na educação global, milhões de crianças ainda não estão em
condições de concluir o ensino básico. Além disso, muitas estão fora da escola e, entre as que
frequentam, uma grande parte não atinge os objectivos globais definidos para cada ciclo de
ensino.
É importante que os alunos percebam, desde logo, a implicação da escola nas suas vidas, pois a
melhoria do desempenho do aluno resulta de um processo multidimensional e complexo virado
para melhorar a qualidade da educação (Plano Estratégico de Educação de Moçambique, 2012-
2016).

Com efeito, o governo de Moçambique tem empreendido esforços para garantir o acesso fácil ao
ensino nos pais, que passam pela gratuidade do ensino básico da 1ª a 9ª classe, criação de centros
de alfabetização e educação de adultos, formação de professores em duas modalidades, formação
inicial e formação em exercício, etc. entretanto, ainda registam-se aspectos que concorrem
negativamente para o cumprimento dos objectivos propostos, (Jalane, 2023).

Neste contexto, com presente pesquisa pretende se avaliar os factores que influenciam para o
insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ ciclo da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, Posto
Administrativo de Lionde localidade de Conhane, através de um estudo de caso.

No que concerne a estrutura, o trabalho é composto por três capítulos. O primeiro capítulo
aborda os aspectos introdutórios do estudo, os quais incluem a própria introdução, problema e
justificativa, pergunta de partida e objectivos do estudo. O segundo capítulo, traz o estudo de arte
que contém conceitos do tema publicados por outros autores. E o terceiro capítulo, ilustra a
metodologia que foi aplicada para alcance dos objectivos.

4
1.1. Problema e pergunta de partida
O insucesso escolar é um fenómeno global que afecta diversos sistemas educacionais,
manifestando-se de formas variadas em diferentes contextos. A nível mundial, factores como a
pobreza, desigualdades sociais e limitações no acesso à educação de qualidade contribuem para
taxas elevadas de abandono escolar e baixos índices de desempenho académico (UNESCO,
2021). Em África, o desafio é ainda mais acentuado devido à escassez de recursos, instabilidade
política e a prevalência de práticas culturais que podem limitar o acesso à educação, sobretudo
para meninas. Em Moçambique, a situação não é diferente, onde os elevados níveis de pobreza e
a falta de infra-estrutura escolar adequada são barreiras significativas. Conforme destaca
Chissano (2020), "a elevada taxa de insucesso escolar em Moçambique reflecte não apenas a
vulnerabilidade socioeconómica das famílias, mas também a necessidade de políticas públicas
mais eficazes para garantir uma educação inclusiva e de qualidade" (p. 35).
Em Moçambique, esta problemática assume duas formas principais: A reprovação e o abandono
escolar. As consequências do insucesso poderão manifestar-se de formas diferentes e têm sempre
na base uma forte desmotivação, uma baixa auto-estima e um baixo autoconceito académico.
A questão do insucesso escolar tem sido por sua vez objecto de preocupação e estudo em
diversos contextos educacionais. A situação da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, Posto
Administrativo de Lionde, no Distrito de Chókwè, Província de Gaza, situada em uma zona
rural, apresenta desafios singulares que demandam de uma análise aprofundada e
contextualizada. A realidade rural frequentemente traz uma série de factores que podem
influenciar significativamente o percurso educativo dos alunos, impactando directamente seu
desempenho académico.
O contexto rural por sua vez se caracteriza por desafios como acesso limitado a recursos
educacionais, infra-estrutura precária, distâncias geográficas acentuadas, condições
socioeconómicas desfavoráveis e uma dinâmica familiar específica. Esses elementos inter-
relacionados podem exercer influências directas no processo de aprendizagem e no
desenvolvimento académico dos alunos, exigindo uma abordagem sensível e adaptada à
realidade local
De acordo com o gráfico abaixo percebe-se que, entre 2021 e 2023, observa-se uma melhoria no
aproveitamento pedagógico e uma redução no nível de desistência escolar.

5
Em 2021, o número de situações negativas era significativamente elevado, indicando um
desempenho académico insatisfatório para a maioria dos estudantes. Entretanto, esse indicador
apresentou uma redução constante nos anos seguintes, reflectindo avanços no aprendizado ou na
gestão escolar.
Da mesma forma, o nível de desistência, que era mais notório em 2021, diminuiu
progressivamente até 2023, sugerindo esforços bem-sucedidos para combater o abandono
escolar.

Aproveitamento pedagógico e Nível desistência


40
35
30
25 situação negativa
20
Nivel de desistencia
15
10
5
0
2021 2022 2023

Fonte: EP.24 Julho de Conhane

1.2. Pergunta de partida


Quais são os principais factores que influenciam no insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ ciclo da
Escola Primária 24 de Julho de Conhane e de que forma influência para o desempenho dos
alunos?
1.3. Objectivos

1.3.1. Objectivo Geral


Avaliar os factores que influenciam para o insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ Ciclo na Escola
Primária 24 de Julho de Conhane.
1.3.2. Objectivos Específicos
 Identificar os factores que influência para o insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ Ciclo da
Escola Primária 24 de Julho de Conhane;
 Descrever factores que afectam no insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ Ciclo da Escola
Primária 24 de Julho de Conhane;
 Examinar os efeitos de factores que influenciam para o insucesso escolar dos alunos do 1ᵒ
Ciclo na Escola Primária 24 de Julho de Conhane.

6
1.4. Objecto de estudo:
O estudo que desencadeia de avaliação de factores que influenciam no insucesso escolar, será
realizado na Escola Primária 24 de Julho de Conhane. Esta por sua vez localizada na localidade
de Conhane, Posto Administrativo de Lionde, Distrito de Chókwè, na Província de Gaza. E o
período de estudo ou delimitação temporal é entre 2021 e 2023.

1.5. Justificativa
O insucesso escolar no 1º Ciclo do Ensino Primário é um problema significativo nas escolas de
várias regiões, incluindo a Escola Primária 24 de Julho de Conhane. Este fenómeno não só afecta
o desenvolvimento educacional dos alunos, mas também compromete o futuro académico e
profissional das crianças, reflectindo-se na sua capacidade de integração social e no seu acesso a
melhores oportunidades de vida. A avaliação dos factores que influenciam esse insucesso é
fundamental para entender as causas subjacentes, seja no ambiente familiar, escolar ou social.
A escolha de investigar este tema, é a princípio a necessidade de compreender profundamente
esses factores e é essencial para o desenvolvimento de estratégias educacionais mais eficazes e
direccionadas. Ao identificar as influências que impactam negativamente o desempenho escolar
dos alunos, será possível implementar intervenções específicas que visem a superação desses
desafios, promovendo assim um ambiente escolar mais inclusivo e propício ao sucesso de todos
os estudantes. Do outro lado, a relevância social e humanitária pois poderá contribuir para a
promoção da equidade educativa e para a mitigação das disparidades que podem afectar o
percurso académico de crianças em situações desfavoráveis.
Além disso, a pesquisa pode servir de base para futuras acções pedagógicas que busquem
minimizar a evasão escolar e promover uma educação de qualidade para todos.

7
Capítulo II- ESTUDO DE ARTE
2. Estudo de arte
2.1. Sucesso e Insucesso Escolar
O sucesso e o insucesso escolar são fenómenos complexos que envolvem uma série de factores
inter-relacionados e que têm impacto significativo no percurso educativo dos alunos. O sucesso
escolar pode ser entendido como o alcance de metas académicas, o desenvolvimento de
habilidades e competências, a motivação para aprender e a realização pessoal. Por outro lado,
segundo Duarte (2000), o insucesso escolar refere-se à dificuldade em atingir tais objectivos,
podendo estar relacionado a questões como falta de apoio, desmotivação, dificuldades de
aprendizagem, entre outros.
Aprofundando, os conceitos de sucesso e insucesso são complexos e o significado que lhes é
atribuído é diverso, dependendo dos intervenientes educativos (Macamo, 2015). Assim sendo, o
insucesso escolar pode traduzir-se pelo não alcance do nível de aprendizagem preconizado nos
programas de ensino. Para o seu combate, é necessário que se tome em conta os factores que o
condicionam em cada momento que o aluno manifesta tais dificuldades. A descoberta destes
factores exige uma colaboração e intervenção conjunta entre os gestores do processo educativo,
professores, encarregados de educação e os próprios alunos. Um dos conceitos fundamentais
relacionados ao sucesso e insucesso escolar é a importância do ambiente escolar. Um ambiente
acolhedor, inclusivo e estimulante pode favorecer o sucesso dos alunos, enquanto um ambiente
desfavorável pode contribuir para o insucesso.

Por outra, a questão da equidade é fundamental para garantir que todos os alunos tenham acesso
a oportunidades educacionais de qualidade, independentemente de sua origem social, económica
ou cultural, é essencial para promover o sucesso escolar e combater o insucesso (Carvalho,
2010).

Para Costa (2009), a relação entre os alunos e os educadores também desempenha um papel
crucial. O apoio emocional, a empatia, a orientação pedagógica e o estímulo positivo por parte
dos educadores podem influenciar significativamente o desempenho escolar dos alunos.

8
Outro conceito importante é o da personalização do ensino. Reconhecer as diferenças individuais
dos alunos, adaptar as estratégias pedagógicas às suas necessidades específicas e promover uma
educação inclusiva são elementos-chave para fomentar o sucesso escolar.

Auto eficácia dos alunos também é um factor determinante (Mamede-Neves, 2003). Acreditar
em suas próprias capacidades, estabelecer metas realistas e desenvolver estratégias eficazes para
lidar com desafios são aspectos essenciais para alcançar o sucesso académico. Pois ainda, a
importância da parceria entre escola, família e comunidade não pode ser subestimada. O mesmo
autor defende que envolvimento activo dos pais na educação dos filhos, o apoio da comunidade
local e a colaboração entre diferentes atores educativos são fundamentais para criar um ambiente
propício ao sucesso escolar dos alunos.

Portanto, compreender os conceitos fundamentais relacionados ao sucesso e insucesso escolar é


essencial para promover uma educação de qualidade e equitativa. Ao considerar elementos como
ambiente escolar, equidade, relação aluno-educador, personalização do ensino, auto eficácia dos
alunos e parcerias educativas, é possível criar condições favoráveis para que todos os alunos
alcancem seu potencial máximo e tenham sucesso em seu percurso educativo.

2.1.2. Insucesso escolar


O insucesso escolar é um problema significativo em Moçambique e em diversas regiões da
África, afectando directamente o desenvolvimento educacional e social das crianças. Factores
como a distância entre a residência e a escola, dificuldades financeiras das famílias, gravidez
precoce, casamento prematuro, abuso nas escolas e a falta de infra-estruturas adequadas, como
instalações sanitárias, têm sido identificados como causas principais do abandono escolar
(UNICEF, 2021). Além disso, a baixa qualificação e a falta de motivação dos professores,
frequentemente acompanhadas de absentismo, contribuem para o insucesso escolar (UNICEF,
2021). De maneira similar, estudos realizados em outras partes da África, como na África
Subsaariana, mostram que o insucesso escolar está intimamente ligado a factores
socioeconómicos, culturais e estruturais, que comprometem a permanência dos alunos nas
escolas e o seu rendimento escolar (SOUZA & BARBOSA, 2020).

9
2.1.3. Causas do Insucesso escolar
O insucesso escolar é um fenómeno que resulta de uma combinação de factores internos e
externos. Entre os factores internos, destacam-se práticas pedagógicas inadequadas e a falta de
formação contínua dos professores, que comprometem a qualidade do ensino (Macamo, 2014).
Por outro lado, factores externos, como a pobreza, a gravidez precoce e normas culturais,
também influenciam negativamente o desempenho escolar. De acordo com o UNGEI (2022), as
raparigas em zonas rurais pobres muitas vezes enfrentam trajectórias escolares mais curtas
devido a barreiras socioeconómicas e culturais. Em Moçambique, estes desafios resultam em
elevadas taxas de abandono e reprovação escolar, evidenciando a necessidade de estratégias
inclusivas e eficazes (Sitoe, 2023).

2.2. Factores que influenciam para o insucesso escolar


As instituições de ensino, geridas pelas respectivas lideranças, podem influenciar directa ou
indirectamente a conduta dos seus alunos, em função do tipo de liderança por aquelas exercida, e
desta forma condicionar o sucesso escolar (Macamo, 2015). Para que o sucesso seja efectivo, é
fundamental, a articulação de factores internos na escola com o meio social onde se insere o
aluno, a colaboração entre professores, como actores directos no estabelecimento de ensino e o
papel activo dos pais e ou encarregados de educação. Como refere Arroteia (1991) por exemplo,
o meio familiar constitui, apesar de tudo, mais um dos elementos a ter em conta no rendimento
escolar dos indivíduos. E, neste, aflui de forma decisiva a forma da linguagem.

O insucesso escolar pode ser influenciado por uma série de factores que impactam a jornada
educativa dos alunos. Dentre esses factores, destacam-se as dificuldades de aprendizagem, a falta
de apoio familiar, problemas de saúde física ou mental, desigualdades socioeconómicas, faltam
de motivação, bullying e questões relacionadas ao ambiente escolar. As dificuldades de
aprendizagem, sejam elas decorrentes de questões cognitivas ou emocionais, podem impedir que
os alunos alcançassem seu potencial académico. Além disso, a falta de apoio familiar e as
desigualdades socioeconómicas podem criar barreiras para o sucesso escolar, limitando o acesso
a recursos educacionais e suporte necessário.
Em algumas circunstâncias pode se relacionar o insucesso escolar com o abandono, a
probabilidade de uma criança abandonar a escola aumenta à medida que os factores de risco
acumulam (Torre et al, 2021).

10
Os factores do abandono escolar podem incluir o rendimento familiar, a distância da escola do
local de residência, o assédio e abuso na escola, a gravidez precoce e o casamento prematuro, a
falta de instalações sanitárias nas escolas sensíveis ao género, a falta de qualificação e ou
experiência adequada dos professores associada ao seu elevado absentismo, bem como o facto de
as escolas não abordarem as necessidades das crianças com deficiência e ou as necessidades
educacionais especiais.
Deste modo, o sucesso escolar, pode ser compreendido como um conjunto de comportamentos,
valores, orientações e hábitos culturais, trazidos pelos alunos que irão ser confrontados com os
diferentes valores culturais que a escola exige. Os pais devem ser entendidos como um recurso
que permite um sucesso mais forte na aprendizagem (UNICEF, 2023). Nesse sentido, pode
procurar criar-se uma situação de maior equidade educativa através do estabelecimento de pontes
entre a escola e os pais, valorizando e apoiando o seu contributo. Neste sentido, é notório que em
pais e encarregados de educação instruídos, os seus filhos alcançam os resultados desejados no
percurso escolar, pois na família estes encontram o devido acompanhamento para a obtenção dos
conhecimentos escolares.

O insucesso escolar é influenciado por factores intrínsecos aos estudantes e pelas condições
estruturais e pedagógicas da escola. No que concerne às características dos estudantes,
Bronfenbrenner (1996) argumenta que o desenvolvimento do indivíduo depende de interacções
em múltiplos contextos, destacando factores como motivação, frequência escolar e dificuldades
de aprendizagem que afectam o desempenho académico. Por outro lado, as condições da escola,
como a qualidade do ensino, a formação docente e a disponibilidade de recursos materiais, são
igualmente determinantes. Saviani (2008) enfatiza que uma escola com infra-estrutura
inadequada e métodos pedagógicos pouco eficazes compromete o aprendizado e perpetua o
insucesso. Assim, a análise do insucesso escolar exige a consideração conjunta dos factores
individuais e institucionais, para que intervenções eficazes possam ser implementadas.

2.3. Características de uma criança com insucesso escolar


Uma criança com dificuldades de aprendizagem, resultando consequentemente em insucesso
escolar, manifesta certos comportamentos específicos que podem ser identificados pelos
docentes e pela família, não sendo necessário os resultados dos testes e exames para o detectar.

11
Segundo Muñiz (1993) as crianças podem apresentar sinais que indicam que a situação é
passageira ou tende a tornar-se permanente. Na situação passageira, a criança tem consciência do
seu rendimento escolar e das suas dificuldades, revelando o seu sofrimento e desgosto
apresentando sintomas depressivos, todavia “pede ajuda e mostra-se desejosa de a aproveitar”
(Muñiz, 1993, p. 11). Já na segunda situação, a criança não expressa o seu desgosto e sofrimento,
encobrindo o seu insucesso escolar através de desculpas e justificações, “geralmente não
adequadas à realidade” (Muñiz, 1993, p. 11). Com isto, Pereira (1991) afirma que às crianças
com insucesso escolar “só resta uma de três soluções: culpar-se, deprimir-se ou a delinquência”
(Pereira, 1991, p. 273).

Um dos comportamentos que se observa nas crianças com insucesso é a distracção, como refere
Fonseca (2008), estas “apresentam dificuldades em focar ou em fixar a atenção, não
seleccionando os estímulos relevantes dos irrelevantes” (Fonseca, 2008, p. 362).

Elizabeth Munsterberg fez um estudo com crianças com insucesso escolar que tinham idades
entre os seis e doze anos, no qual verificou que estas apresentavam os seguintes tipos de
comportamentos: desassossego, pouca tolerância à frustração, ansiedade, retraimento,
agressividade, procura constante de atenção, rebeldia, distúrbios somáticos, comportamento
esquizóide, comportamento delinquente e autismo (Muñiz, 1993, p. 18).

Os distúrbios somáticos são a expressão de “tensões psíquicas através do compor ou da


motricidade é um mecanismo de defesa normal da criança” (Muñiz, 1993, p. 26), por exemplo:
dores de cabeça e de estômago, tiques, chupar o dedo, bater com os pés, entre outros. No
comportamento esquizóide, a criança desliga-se progressivamente da realidade, dando origem a
comportamentos bizarros e estranhos, esta começa a falar sozinha para além de passar por
despercebida.
Por fim, temos os comportamentos delinquentes em que a criança reage sem se importar com as
leis sociais e saciando os seus impulsos, tais como roubar e provocar incêndios. Assim como o
autismo, em que a criança é incapaz de se relacionar com os outros e de comunicar verbalmente.
Neste sentido, através dos comportamentos das crianças é possível identificar precocemente as
dificuldades de aprendizagem para que no futuro não haja insucesso escolar. Temos também uma
lista com um conjunto de sinais indicadores de DA, esta permite “obter dados e informações, as

12
quais juntamente com a informação colectada por meio da observação directa ao estudante,
possibilitando a elaboração de uma primeira intervenção pedagógica com o objectivo de
minimizar ou suprimir as dificuldades” (Pontel, 2013, p. 7).

2.4. Estratégias para melhoria do insucesso escolar


O insucesso escolar é um mal que deve ser combatido por todos os actores do processo de ensino
e aprendizagem. De acordo com MINEDH (2019) face as altas taxas de desistência escolar e
reprovações registadas no país, urge a necessidade de todos segmentos da sociedade reverem as
suas actividades em prol da melhoria da qualidade de ensino.

Neste contexto, MINEDH (2020) refere que, uma das razões da baixa qualidade de ensino
prende-se a qualidade dos professores. Conforme o autor, os professores afectos nas diferentes
escolas não realizam as actividades incumbidas com perfeição, o que compromete os objectivos
de ensino. A isso, o autor, sugere como alternativa a implementação da formação em exercício a
todos docentes que apresentam dificuldades nas suas actividades.
Relativamente a formação em exercício, Santos (2009) advoga que, a formação inicial force aos
professores ferramentas básicas para o processo de ensino e aprendizagem, no entanto, tais
ferramentas não são suficientes para orientar com êxitos todo o processo educativo. Para tal, a
formação em exercício, que se descreve como sendo aquela que o professor adquire depois de
iniciar as suas funções como professores. Com esta formação, serão actualizadas todas
metodologias de ensino.

Rosa (2013) recomenda para a redução do insucesso escolar e a garantia do sucesso escolar a
implementação de metodologias de ensino participativas e dinâmicas, que estejam reservadas aas
particularidades dos alunos. Conforme ao autor, os professores devem conhecer ao mínimo
detalhe os seus alunos de modo a planificarem actividades específicas de acordo com o nível que
cada um apresenta. Nesta perspectiva, é necessário que para além da atenção generalizada o
professor dê atenção particularizada aos alunos que apresentam mais dificuldades de
aprendizagem.

Sil (2004) refere nesta perspectiva, a importância do currículo local no sucesso escolar. Para o
autor, a abordagem dos conteúdos de interesse dos alunos contribui na descoberta de
conhecimentos abstractos, o que contribui para que o aluno desenvolva o interesse pela escola.

13
Estas práticas, na perspectiva do autor podem contribuir para a retenção do aluno até a conclusão
dos estudos.

De acordo com Boaventura (2007), é necessário o reforço da ligação entre a escola e a


comunidade. Conforme o autor, a escola existe para proporcionar a comunidade o acesso a
educação, neste caso, quanto mais a escola participa nas actividades promovidas pela
comunidade, mais interesse causará nos membros da comunidade sobre os serviços prestados por
esta.

Assim, é importante que, na sua participação na comunidade a escola realiza campanhas de


sensibilização, palestras, entre outras actividades visando persuadir os encarregados de educação
a permitirem que seus educandos frequentem a escola ate a conclusão do nível. A escola como
espaço criado para a promoção da educação formal, deve criar todas as condições para que o
Processo de Ensino e Aprendizagem possa decorrer de forma efectiva.

Para tal, Gatti (2010) as escolas devem realizar actividades didácticas com vista a melhoria das
metodologias de ensino. O autor, propõe a realização de jornadas pedagógicas entre professores
da escola e outros intervenientes, a fim de garantir a troca de experiencias em matéria ligada ao
processo de ensino e aprendizagem. Nisso, o autor, enfatiza a necessidade da Direcção da escola
preparara efectivamente os intervenientes sobre a importância da actividade de modo que, os
objectivos da mesma sejam alcançados de forma significativa.

Já Rosa (2013) advoga que, a Direcção da escola, como principais responsáveis pela
implementação do currículo devem ter na sua posse documentos orientadores do processo de
ensino e aprendizagem. O autor, chama atenção a necessidade de as escolas possuírem
documentos que garantem a funcionalidade da escola como: Plano de Desenvolvimento da
Escola, Projecto Político Pedagógico, Plano Anual e outras ferramentas. Para o autor, estes
documentos ajudam a escola a identificar suas potencialidades e fraquezas, de modo a determinar
possíveis soluções e desta forma contribuir para a erradicação do problema.

No entender dos autores, como Machado (2007), Macamo (2015) e Iturra (1990) defendem a
importância das infra-estruturas escolares e a existência de materiais didácticos conservados e de
qualidade para a melhoria da qualidade de ensino. Na perspectiva dos autores, uma escola que

14
apresenta níveis de organização elevados e infra-estruturas conservados, possui mais chances de
ter sucesso escolar, pois, os níveis de participação o dos actores do processo de ensino e
aprendizagem também são excelentes.

Boaventura (2007), por sua vez acrescenta que as escolas devem possuir o Conselho de escola.
Segundo o autor, este órgão consultivo permite maior celeridade no tratamento dos problemas da
escola na comunidade, pois, é um órgão constituído por membros da comunidade e desta forma
podem resolver diferendos relativos a escola com maiores facilidades.

Neste caso, é necessário que a escola tenha este órgão e a funcionar de forma plena de modo que
os objectivos estabelecidos nos seus planos sejam realmente alcançados.

[Link] explicativas do insucesso escolar

[Link] dos “dotes” Individuais


Teoria preconizada por diferentes psicólogos (Binet, Simon, Spearm), na primeira metade do séc.
XX, que encontra explicação para o insucesso escolar dos alunos, nos próprios alunos pois, “ isto
tem a ver com a inteligência e a capacidade de cada aluno” (Benavente e Correia, 1980: 10).

Dessa forma mantinha-se a escola “neutra”, ou seja, a instituição escolar não era considerada
como um dos intervenientes/factores explicativos do insucesso, mas sim o local em que essas
capacidades individuais se revelavam. A inteligência era vista como um “dote” natural, como
algo inato e hereditário e o facto de um aluno ter um fraco aproveitamento escolar, devia-se
somente à sua falta de capacidade e/ou inteligência, de acordo com Benavente e Correia
(1980:10), pois “pode tornar-se como certo que a razão pela qual as crianças de estratos sociais
mais elevados obtêm resultados superiores nos testes reside essencialmente na qualidade superior
do património que herdaram logo à nascença”. (Terman, 1917 in EURYDICE, 1995:53)

Esta teoria foi criticada pelo rigor científico dos investigadores da genética, que não a consideram
totalmente correcta dado que a inteligência, no seu conceito mais amplo “a faculdade de conhecer,
compreender, imaginar, inventar; a capacidade de se adaptar a novas situações, a capacidade de
encontrar soluções face a dificuldades inesperadas” (Jacquard, 1983 in EURYDICE, 1995: 54), foi
reduzida ao quoeficiente intelectual que, contendo a herança genética não contém a experiência, as
aprendizagens ao longo da vida e a sua relação com o meio. Na altura em que esta teoria emanou,

15
existiam alunos de estratos sociais, considerados mais modestos, que obtinham bons resultados
escolares, mas, no entanto, não prosseguiam estudos. Constituíram-se como motores para a
realização de programas destinados a facilitar o acesso ao ensino de alunos com “dote”, mas
pertencentes a estratos sociais mais desfavorecidos (Sil, 2004). Com a evolução progressiva das
políticas educativas, a problemática do insucesso escolar também se alterou significativamente.
Poder-se-á afirmar que a teoria dos “dotes” individuais continua até aos dias de hoje, a figurar em
algumas mentalidades, nomeadamente no senso comum.

[Link] do handicap socio-cultural


A partir dos anos 60, e com base na investigação desenvolvida nas áreas da Psicologia Genética,
da Sociologia da Educação e da Psicossociologia, compreende-se que o IE não pode ser atribuído
somente a causas individuais dos alunos. O facto do insucesso escolar ser encarado como
massivo, obtendo grandes percentagens de repetência, não pode ser explicado através de
características individuais. Trata-se de um problema social, também socialmente selectivo, uma
vez que a sua distribuição varia de acordo com a origem social dos discentes. A ideia de
desigualdade instalou-se como “handicap sócio – cultural”, conceito dúbio que explica as
elevadas taxas de insucesso, bem como o seu carácter de classes, introduzindo “na análise do
funcionamento do sistema escolar, explicações de ordem sociológica e não apenas a explicação
em termos de características individuais” (Benavente e Correia, 1980: 12).
A escola, que recebe todos os seus alunos, sem selecções, dotaria os indivíduos, através de uma
“educação compensatória”, com as suas necessidades, que o seu meio não lhe fornecia, para a
obtenção do sucesso educativo, procurando os níveis da classe média. É uma teoria que visa a
desvalorização da origem cultural do indivíduo, vendo-se o mesmo confrontado com culturas,
que, ao invés de ser promovida a sua complementaridade, é desvalorizada a sua em prol da
cultura veiculada na escola.

O insucesso escolar é explicado, nesta teoria, através de défices, categorizados pelo conceito
“handicap”, ou privação sócio – cultural, assumindo-se que uma criança derivada de um meio
caracterizado pelo desfavorecimento não dispõe de bases culturais para o sucesso escolar. Assim,
o insucesso estaria relacionado com a origem social do aluno e à sua “bagagem cultural”,
aquando da sua entrada na escola. Também esta teoria atribui ao aluno e à sua família a
responsabilidade do insucesso.

16
As teorias do “handicap” assentam na base teórica das teorias da Sociologia da Reprodução, que
acentuam a função repressiva, selectiva e reprodutora da instituição escolar. Não valorizando os
valores dos alunos provenientes de classes sociais mais desfavorecidas, o que provoca um
conflito cultural. Mais uma vez, a instituição escolar favorece as classes sociais já favorecidas,
acentuando as diferenças e desigualdades existentes entre as origens dos indivíduos.

2.5.3. Teoria sócio-institucional


Se o insucesso escolar é um fenómeno massivo, socialmente selectivo e cumulativo, não se pode
ignorar a escola na explicação do mesmo. Esta é a base desta teoria que surgiu a partir dos anos
de 1970 e que está relacionada com a própria escola, com os mecanismos que operam no seu
interior, o seu funcionamento e organização, atribuindo relevo à necessidade de diferenciação e
diversidade pedagógica, que influencia o sucesso ou insucesso dos alunos (Benavente & Correia,
1980, in Sil, 2004).

Neste caso, trata-se de considerar as dimensões social e institucional do insucesso escolar .


Contudo, o modo de as relacionar é diversificado com tónicas nas mudanças pedagógicas, nas
culturas de classes ou na estrutura relacional da escola – sociedade. Assim sendo, é necessário
intervir, não só fora da escola, mas também dentro da própria instituição. Considera esta teoria
que o sucesso ou o insucesso escolares têm origens, consequências e efeitos sociais que
ultrapassam a problemática individual de cada aluno.
Na perspectiva da teoria sócio institucional, factores como a distribuição dos alunos por turma, o
absentismo dos professores ou a estrutura curricular uniforme são factores determinantes para o
insucesso escolar (Sil, 2004).

2.5.4. O Processo de Aprendizagem nas Diferentes Fases do Desenvolvimento Infantil


O Processo de Aprendizagem nas Diferentes Fases do Desenvolvimento Infantil de acordo com
Jean Piaget, o desenvolvimento cognitivo ocorre em estágios distintos, cada um com
características próprias que influenciam o modo como a criança aprende e interage com o mundo
ao seu redor (Piaget, 1952). Esses estágios são descritos a seguir:

[Link]. Estágio Sensório-Motor (0 a 2 anos)

17
Neste estágio, a aprendizagem baseia-se na exploração sensorial e nas interacções motoras com o
ambiente.
A criança aprende por meio de tentativa e erro, desenvolvendo noções de causa e efeito. Uma
conquista central é o desenvolvimento da permanência do objecto, ou seja, a compreensão de que
os objectos continuam a existir mesmo quando não estão visíveis (Piaget, 1952).

[Link]. Estágio Pré-Operacional (2 a 7 anos)


As crianças começam a usar símbolos, como palavras e imagens, para representar objectos e
ideias. No entanto, o pensamento ainda é egocêntrico, dificultando a compreensão de
perspectivas diferentes. A aprendizagem nesta fase é muito influenciada pelo faz-de-conta, pelas
histórias e pelos jogos simbólicos (Piaget, 1952).

[Link]. Estágio das Operações Concretas (7 a 11 anos)


Neste estágio, as crianças desenvolvem a capacidade de realizar operações mentais com objectos
concretos ou situações observáveis. Tornam-se mais lógicas e organizadas, compreendendo
conceitos como conservação (a quantidade de um objecto permanece a mesma, mesmo que sua
forma mude) e classificação (Piaget, 1952).

[Link]. Estágio das Operações Formais (12 anos em diante)


Nesta fase, a aprendizagem envolve o pensamento abstracto e a resolução de problemas de forma
lógica e sistemática. Os adolescentes conseguem pensar em hipóteses, desenvolver argumentos
complexos e analisar questões de forma crítica, sendo esta fase essencial para o desenvolvimento
de habilidades académicas e sociais avançadas (Piaget, 1952).
Piaget destaca que o processo de aprendizagem em cada estágio depende de dois factores
principais: a assimilação, quando a criança incorpora novas informações aos esquemas já
existentes, e a acomodação, quando os esquemas existentes são ajustados ou criados para lidar
com novas informações (Piaget, 1952). Assim, adaptar os métodos de ensino às capacidades
cognitivas de cada fase é essencial para promover um ambiente de aprendizagem eficaz e
significativo.

2.6. Definição de conceitos


2.6.1. Insucesso

18
O dicionário da língua portuguesa, 2003, definem o insucesso como sendo mau resultado, falta
de êxito referente a escola.
Segundo Handesheere, (1992) objectiva o conceito de insucesso como sendo uma situação em
que não se atingiu um objectivo em que a criança é considerada boa ou má.
O insucesso refere se a incapacidade de um individuo alcançar os objectivos traçados ou
programados num determinado período por se avaliar.
O conceito de insucesso é frequentemente entendido como a falha em atingir objetivos,
especialmente no contexto escolar, sendo associado a um "mau resultado". O Dicionário da
Língua Portuguesa (2003) vê o insucesso dessa forma. No entanto, a definição de Handesheere
(1992) amplia esse entendimento, sugerindo que o insucesso também envolve a avaliação
subjectiva, onde o indivíduo pode ser classificado como "bom" ou "mau" de acordo com normas
sociais e expectativas externas.
O insucesso, porém, não deve ser visto apenas como uma falha, mas como um reflexo de vários
factores contextuais, como dificuldades emocionais ou sociais, que afectam o desempenho. Em
vez de ser um sinal de incapacidade, o insucesso pode ser uma oportunidade de aprendizagem e
crescimento. Portanto, o conceito de insucesso deve ser reconsiderado de forma mais ampla,
como um momento de reflexão e superação, não apenas uma marca negativa, permitindo uma
abordagem mais construtiva e inclusiva.

2.6.2. Escola
A escola é uma instituição fundamental na sociedade, destinada à educação, formação e
socialização de crianças e jovens. Além de fornecer conhecimentos académicos, a escola
desempenha um papel crucial na transmissão de valores, normas sociais e habilidades
necessárias para a vida em comunidade, ( Mazula, 2012).
Escola é uma instituição de formação integral, mas também emocional, intelectual , físico e
ético dos estudantes. A escola deve proporcionar um ambiente seguro e acolhedor, estimulando o
pensamento crítico, a criatividade e a autonomia dos alunos assim declara (Piaget,1952).
A escola deve ser vista como uma instituição que promove o desenvolvimento integral dos
alunos, abrangendo as dimensões intelectuais, emocional, social e ética. Embora Mazula (2012) e
Piaget (1952) tenham abordagens diferentes. Mazula foca na socialização e na transmissão de
valores, enquanto Piaget enfatiza o desenvolvimento cognitivo e a autonomia, ambos concordam
que a escola deve ser um ambiente seguro e estimulante. Para um ensino eficaz, é essencial

19
equilibrar a promoção do pensamento crítico e da criatividade com a formação ética e social,
preparando os alunos tanto para o mercado de trabalho quanto para a convivência comunitária

2.6.3. Insucesso escolar


Assim, a “definição oficial do insucesso escolar, advém do regime anual de
passagem/reprovação dos alunos, inerente à estrutura de avaliação característica do sistema de
ensino” (Fernandes, 1991, citado por Silva, 2011, p. 8).
Peixoto (1999) tem outro ponto de vista, uma vez que considera que o termo insucesso escolar
não é só o facto de o aluno reprovar, ou seja, pode haver insucesso escolar mesmo quando o
aluno é aprovado, “pois insucesso escolar significa também rendimento abaixo das
possibilidades do estudante.

O insucesso escolar refere se a situação em que um aluno não consegue atingir os objectivos
educacionais esperados, resultando em dificuldades de aprendizagem que podem levar a
repetição do ano, abandono escolar ou desempenho insatisfatório nas avaliações.

Em ordenamento aos conceitos apresentados entende-se que o insucesso escolar vai além da
reprovação, abrangendo também situações em que o aluno, mesmo aprovado, não atinge o seu
pleno potencial, como destaca Peixoto (1999). Assim, defendo que este fenómeno deve ser
entendido de forma ampla, considerando factores académicos, sociais e emocionais que afectam
a aprendizagem. Uma visão mais abrangente permite combater o insucesso escolar de forma
eficaz, promovendo o desenvolvimento integral dos estudantes e uma educação mais inclusiva.

2.7. Modelo de análise


Conceito Dimensões Indicadores
Escola Sobrelotação
Insucesso escola Relação aluno-professor
Condições físicas da escola
Actividades extracurriculares

Aluno Taxa de reprovação


Frequência escolar
Desempenho académico

20
Problemas de saúde física
Fonte:Autora,2024

2.8. Hipóteses

H0: Os factores externos e internos da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, não influenciam
no insucesso escolar dos alunos do 1º Ciclo.

H1: Os factores externos e internos da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, influenciam


significativamente no insucesso escolar dos alunos do 1º Ciclo.

21
Capítulo III- METODOLOGIA

3. Metodologia
Gil (2002), diz que é através da metodologia que se descreve os procedimentos, a serem seguidos
na realização da pesquisa onde a sua organização varia de acordo com as peculiaridades de cada
pesquisa.

3.1. Tipo de Pesquisa


Quanto ao tipo de pesquisa será exploratório porque visa explorar ideias dos gestores e pais ou
encarregados de educação em relação ao insucesso escolar. Segundo Selltiz et al. (1965),
enquadram-se na categoria dos estudos exploratórios todos aqueles que buscam descobrir ideias
e intuições, na tentativa de adquirir maior familiaridade com o fenómeno pesquisado. Nem
sempre há a necessidade de formulação de hipóteses nesses estudos. Eles possibilitam aumentar
o conhecimento do pesquisador sobre os factos, permitindo a formulação mais precisa de
problemas, criar novas hipóteses e realizar novas pesquisas.

3.2. Tipo de abordagem


A pesquisa em causa vai compreender uma abordagem qualitativa, pois de acordo com
Chavianato (2017), a abordagem qualitativa refere-se a um tipo de pesquisa que se concentra em
compreender fenómenos a partir de uma perspectiva holística e subjectiva.

3.3. Método de Análise


Marconi e Lakatos (2004). O método é um conjunto de abordagens, técnicas e processos utilizados
pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objectiva do conhecimento, de uma
maneira sistemática
Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares,
suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes
examinadas, (Freitas e Prodanov, 2013).
Para o estudo em causa usar-se-á o método indutivo para colecta de dados específicos por meio
de entrevistas, observações e análise de documentos, como também, após a colecta de dados vai
se analisar e encontrar factores recorrentes que possam influenciar no sucesso escolar, como a
falta de recursos, dificuldades pedagógicas e questões socioecónomicas. E finalmente vai se
desenvolver explicações ou teorias que ajudem a entender o insucesso escolar.
22
3.4. População e Amostra
3.4.1. População
População é um conjunto definido de elementos que possuem determinadas características em
comum, ou a ainda como referência total de habitantes de um determinado lugar, (Gil, 2008).
A população-alvo desta pesquisa são os alunos da Escola Primária 24 de Julho de Conhane, com
um aproveitamento pedagógico não satisfatório, professores da escola em alusão.

3.4.2. Amostra
De acordo com (Gil, 2002), amostra é o subconjunto do universo ou da população, por meio do
qual se estabelecem ou se estimam, as características desse universo ou população. Assim sendo
a pesquisa vai trabalhar com 25 alunos com rendimento não satisfatório, e 6 professores que
leccionam de 1ª a 6ª classe.

3.5. Instrumentos de colecta de dados


3.5.1. Entrevista
Para recolha de dados far-se-á entrevista semiestruturada para os professores e alunos, que
estejam envolvidos na problemática do insucesso escolar.
Gil (2002), alude que as entrevistas semiestruturadas são guiadas por relação de pontos de
interesse que o entrevistador vai explorando ao longo de seu curso e além de mais devem ser
realizadas considerando duas etapas sendo elas, a especificação dos dados que se pretendem
obter e a escolha e formulação das perguntas. Assim, nas entrevistas semiestruturadas, temos a
possibilidade de, por meio de respostas dos entrevistados, estimulá-los a uma resposta que não
seja apenas um sim ou não de formulário.

3.6. Análise de dados


A análise e interpretação dos dados serão efectivadas fazendo-se o cruzamento dos conteúdos
colhidos no local de estudo. A efectivação do trabalho seguirá as seguintes fases: organização;
categorização; análise e interpretação dos resultados, conforme (Bardin, 2010).

3.7. Considerações éticas


Esta pesquisa seguirá os princípios éticos da confidencialidade, anonimato e respeito aos
participantes. Todos os dados serão tratados com sigilo e os resultados serão apresentados de
forma agregada, sem identificação individual dos envolvidos.

23
Meses
r
N Actividades
Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março

1 Pesquisa Bibliográfica

2 Elaboração do Projecto

3 Avaliação do Projecto

4 Colecta de Dados

Análise e interpretação
5
de dados

Redacção final e Entrega


6
do Trabalho

3.8. CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES


Tabela 1. Cronograma de actividades
Fonte: Autora (2023)

24
3.9. PLANO ORÇAMENTAL
Designação Preço unitário Quantidade Montante
Transporte 15 5 75.00
Comunicação 50 4 200.00
Lápis 10 1 10.00
Resma de papel 200 1 200.00
Impressão do relatório 120 2 240.00
Encadernação 100 1 100.00
Total 825.00
Fonte: Autora (2023)

25
4. Referências

 Andrade, M. M. (1997). Introdução à metodologia do trabalho científico (2ª ed.). São


Paulo: Atlas.
 Becker, F. (2001). Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre: Artmed.
 Carvalho, A. M. (2010). Alcançando o sucesso escolar: factores que auxiliam nesta
conquista. Rio de Janeiro: PUC-Rio.
 Bronfenbrenner, U. (1996). A ecologia do desenvolvimento humano: Experimentos
naturais e planejados. Porto Alegre: Artes Médicas
 Cervo, A. L., & Bervian, P. A. (2002). Metodologia científica. São Paulo: Prentice Hall.
 Cristiane, M. M. (Junho de 2014). Abordagens e procedimentos qualitativos: implicações
para pesquisas em organizações. Revista Alcance, 21(1), 324-349.
 Chavianato, L. (2017). Introdução à metodologia de pesquisa (2ª ed.). Atlas.
 Cruz, C., & Ribeiro, V. (2003). Metodologia científica: teoria e prática. Rio de Janeiro:
Axcel Books.
 Freire, P. (1968). Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra.
 Gardner, H. (2007). Five Minds for the Future. Boston, Mass: Harvard Business School
Press.
 GIL, A. C. (1999). Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.
 Lakatos., E. M. (1992). Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Atlas.
 Macamo, E. M. (2015). Insucesso Escolar Em Moçambique Estudo de caso na Escola
Secundária Graça Machel. Universidade Aberta, Departamento de Educação e Ensino a
Distância. Lisboa: Universidade Aberta.
 Mamede-Neves, M. A. (2003). a. A motivação humana. In: Aprendendo aprendizagem.
Rio de Janeiro: PUC-Rio.
 Mazula., B. (2012). O Professor e os desafios do ensino e aprendizagem no século XXI:
Uma abordagem orientada para o desenvolvimento. Maputo: Rev. Cient. UEM: Ciências
da Educação.
 UNICEF. (2023). Transforming Education with Equitable Financing. Maputo,
Moçambique.
 UNICEF. (2021). Análise aprofundada dos fatores da desistência escolar no ensino
primário em Moçambique.

26
 Souza, M. S., & Barbosa, F. (2020). O insucesso escolar no ensino secundário nos países
da África Subsaariana: Causas e consequências.

 Piaget, J. (1952). The origins of intelligence in children. International Universities Press.



 Saviani, D. (2008). Escola e democracia. Campinas: Autores Associados.

27
Anexos

Anexo:1: Entrevista para alunos

Esta entrevista insere-se no âmbito do trabalho de obtenção do grau de licenciatura em


Psicologia da Educação, cujo o tema: Avaliação de Factores que influenciam para o insucesso
escolar: Estudo de caso dos alunos do 1ᵒCiclo , na Escola Primaria 24 de Julho de Conhane,
distrito de Chókwè, (2021 – 2023). Pelo que as respostas serão tratadas com maior sigilo.
Classe----------------------------- idade----------------------

1. Vives em que bairro?-------------------------------------------------------------------------------


2. Com quem vives?-----------------------------------------------------------------------------------
3. Consegues fazer os trabalhos de casa sozinho ou precisas de ajuda?-----------------------
4. Qual e o seu desempenho, vai passar de classe?------------------------------------------------
5. Há alguém na escola te apoia (professor ,amigo)?----------------------------------------------
6. Professores dão trabalham de casa?---------------------------------------------------------------
7. Gostas de ir à escola? Porquê?---------------------------------------------------------------------
8. O que achas mais difícil na escola?---------------------------------------------------------------
9. O que te faz sentir feliz ou triste na escola?------------------------------------------------------
10. Achas que os teus amigos influenciam as tuas notas? Porquê?-------------------------------
11. Como te sentes antes de fazer testes ou provas?------------------------------------------------

Anexo:2: Entrevista para professores

1. Quais são os principais desafios que observa nos alunos com insucesso escolar?
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
2. Que estratégias utiliza para apoiar os alunos com dificuldades de aprendizagem?
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
3. Na sua opinião, quais são os factores externos mais comuns que contribuem para o
insucesso escolar dos alunos?---------------------------------------------------------------------

4. Que papel a relação entre escola e família desempenha no desempenho dos alunos?

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

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