Desigualdades em Doenças Crônicas no Brasil
Desigualdades em Doenças Crônicas no Brasil
ARTIGO ARTICLE
crônicas no Brasil, PNAD-2003
Abstract Population-based health surveys are the Resumo Os inquéritos de saúde de base popula-
main tool for obtaining data on the prevalence of cional constituem o principal instrumento utili-
chronic diseases, disabilities and use of healthcare zado para conhecer a prevalência de doenças crô-
services. Based on the data of the PNAD-2003, this nicas, de restrições de atividades e de uso de servi-
study estimated the prevalence of 12 chronic dise- ços de saúde. Com base nos dados da PNAD-2003,
ases according to: gender, age, skin color, educatio- foram estimadas as prevalências das 12 doenças
nal level, macro-region and urban or rural situa- crônicas pesquisadas, segundo sexo, idade, cor, es-
tion of the households. We analyzed the relation colaridade, macrorregião de residência e situação
between presence of disabilities and use of health- urbana ou rural do domicílio. Foram analisados a
care services due to the presence of a chronic disea- presença de limitações e o uso de serviços de saúde
se. The prevalence ratios adjusted according to age, segundo a presença de doença crônica. Utilizando
gender, macro-region and type of respondent were regressão de Poisson, foram estimadas as razões de
estimated using Poisson’s regression. The prevalence prevalências ajustadas por idade, sexo, macrorre-
of at least one chronic disease increased with age, gião de residência e tipo de respondente. A preva-
was higher among women, the indigenous popu- lência de pelo menos uma doença crônica aumen-
lation, individuals with low educational level, in- tou com a idade, foi maior entre mulheres, indíge-
dividuals affiliated with a health plan, immigrants nas, pessoas com menor escolaridade, cidadãos de-
from other states, residents of urban areas and tentores de plano de saúde, migrantes de outros es-
among the inhabitants of the southern region of tados, residentes em áreas urbanas e moradores da
1 Departamento de the country. The presence of a chronic disease re- região Sul. A presença de doença crônica provocou
Medicina Preventiva e
Social, Faculdade de sulted in an increase of disability and demand for aumento de limitação de atividades e da demanda
Ciências Médicas, Unicamp. healthcare services. The most prevalent conditions por serviços de saúde. As condições mais prevalen-
Rua Tessália Vieira de were: backbone conditions, hypertension, arthri- tes foram: doença de coluna, hipertensão, artrite e
Camargo 126, Cidade
Universitária. 13083-970 tis, and depression. The survey detected marked depressão. Foi detectada significativa desigualda-
Campinas SP. social inequality in the pattern of prevalent chro- de social no padrão das doenças crônicas, segundo
marilisa@[Link]
2 Departamento de
nic diseases related to gender, color/race, educati- gênero, cor/raça, nível de escolaridade, região de
Epidemiologia, Faculdade on, macro-region of residence, and urban and ru- residência e situação do domicílio.
de Saúde Pública, USP. ral households. Palavras-chave Doenças crônicas, Desigualda-
3 Departamento de Saúde
Key words Chronic diseases, Inequality in heal- des em saúde, Inquérito de saúde
Pública, Faculdade de
Medicina de Botucatu, thcare, Health survey
Unesp.
912
Barros, M. B. A. et al.
Material e métodos
Tabela 1 Resultados
Prevalência de pelo menos uma doença crônica por
tipo de respondente, segundo idade, sexo e Na população brasileira, 29,9% das pessoas rela-
escolaridade. PNAD/Brasil, 2003. taram ter ao menos um entre os 12 problemas de
saúde pesquisados pela PNAD.
A prevalência de pelo menos uma doença crô-
Tipo de respondente
nica aumenta intensamente com a idade: enquan-
Variáveis Própria Outra to fica em cerca de 10% entre as pessoas com me-
pessoa pessoa nos de 20 anos, atinge valores superiores a
Idade 70% naquelas com 70 anos ou mais (Figura 2).
0-9 8,2 9,5 Em todas as faixas de idade, com exceção da re-
10-19 13,5 9,4 lativa aos menores de dez anos, as mulheres re-
20-29 23,5 15,8 portaram prevalência maior de morbidade do
30-39 34,9 26,3 que os homens.
40-49 50,7 41,5 Considerando a população com 18 anos ou
50-59 66,5 55,9
mais, a prevalência de morbidade revelou-se 22%
60-69 75,5 67,3
70-79 80,5 75,9 superior nas mulheres, em relação aos homens,
80 e + 80,4 75,6 mesmo após ajuste por idade, macrorregião de
residência e tipo de respondente (Tabela 2).
Gênero A prevalência de morbidade referida foi maior
Homens 38,6 20,9 entre os não naturais do município ou do estado
Mulheres 47,2 21,3 em que residiam. Entre os que nasceram em ou-
tro estado e que, portanto, viveram um processo
Escolaridade (em anos) de migração interestadual, 45,9% apresentaram
(pessoas com 20 anos ao menos um problema crônico, enquanto entre
ou mais) os naturais do município em que residem a pre-
0-3 55,8 18,1
valência foi de 34,3%. A razão de prevalências
4-7 42,5 23,6
8-10 34,8 21,1 ajustada por idade, sexo, respondente e macror-
11 e + 38,7 25,6 região foi 27% superior nos naturais de outro es-
tado (Tabela 2).
Total 44,2 21,1 As pessoas que referiram ser indígenas apre-
sentaram prevalências superiores às auto-referi-
das como de cor branca, tendo as de cor parda
apresentado a menor prevalência. As diferenças
Foram descritas as prevalências em porcen- segundo cor/raça persistem mesmo após o ajus-
tagens, e estimadas as razões brutas e ajustadas te por idade, sexo, região, tipo de respondente e
de prevalências utilizando regressão de Poisson12. escolaridade (Tabela 2).
Para estimar as razões de prevalência ajustadas, Com respeito à escolaridade, a prevalência
foram incluídas no modelo como possíveis vari- apresentou nítido gradiente aumentando à me-
áveis confundidoras: idade, sexo, macrorregião dida que diminui o número de anos de estudo
de residência e tipo de respondente. Na análise (Tabela 2). A razão de prevalências ajustada atin-
das prevalências segundo cor/raça, além dessas ge 1,62 no segmento de menor nível de escolari-
variáveis de controle, foi também incluída a va- dade, quando o de maior nível é tomado como
riável escolaridade. referência.
A amostra estudada foi de 384.764 indivídu- A população que reside em áreas urbanas re-
os, dos quais 253.097 tinham 18 anos ou mais. latou maior prevalência de morbidade do que os
Do total da amostra, 146.955 responderam pes- moradores da zona rural. Quanto à macrorregião
soalmente ao questionário, e em 237.845 dos ca- de residência, a maior prevalência foi observada
sos, as informações foram dadas por outras pes- na região Sul, seguida pelas regiões Sudeste e Cen-
soas. tro-Oeste, sendo as menores prevalências obser-
As análises estatísticas, realizadas com o vadas nas regiões Norte e Nordeste (Tabela 2).
software Stata 8, módulo svy, levaram em Pessoas que possuem algum plano de saúde rela-
conta o desenho da amostra e as ponderações taram prevalência de morbidade 11% superior
necessárias. em relação às que não o têm (Tabela 2).
915
Figura 2
Prevalência de pelo menos uma doença crônica, Ter referido a presença de ao menos uma
segundo idade e gênero. PNAD, 2003. doença crônica significou fazer maior uso de ser-
viços de saúde e apresentar freqüência mais ele-
% 90 vada de restrição de atividades, em comparação
80 ao segmento da população adulta que não refe-
70 riu morbidade (Tabela 3). A presença de doença
60
50 crônica aumentou a ocorrência de internação em
40 2,97 vezes, de uso de serviços de saúde nas duas
30 últimas semanas em 2,39 vezes e de consulta mé-
20
10 dica nos últimos 12 meses em 41%. Também au-
0 mentou o risco de ter estado acamado em 4,11
9 9 9 9 9 9 9 e+
vezes e de ter sofrido restrição de atividades nas
0 a 0 a 1 0 a 2 0 a 3 0 a 4 0 a 5 0 a 69 0 a 7 80 idade
1 2 3 4 5 6 7 duas últimas semanas em 3,82 vezes.
homem mulher As pessoas que têm plano de saúde, sofrendo
916
Barros, M. B. A. et al.
Tabela 3
Uso de serviços de saúde e presença de limitações, segundo a prevalência de doenças crônicas. PNAD/Brasil,
2003.
Uso de serviços de saúde nas duas últimas 25,19 9,55 2,64 2,39
semanas (%)
Internação nos últimos 12 meses (%) 11,89 5,49 2,17 1,97
Teve restrição de atividade nas duas últimas 13,35 3,30 4,05 3,82
semanas (%)
Esteve acamado nas duas últimas semanas (%) 8,11 1,88 4,32 4,11
Consulta médica nos últimos 12 meses (%) 80,56 53,91 1,49 1,41
Uso de serviços de saúde nas duas últimas 29,53 14,04 2,10 1,94
semanas (%)
Internação nos últimos 12 meses (%) 12,87 6,30 2,04 1,84
Teve restrição de atividades nas duas últimas 11,09 2,98 3,72 3,39
semanas (%)
Esteve acamado nas duas últimas semanas (%) 6,30 1,59 3,96 3,70
Consulta médica nos últimos 12 meses (%) 88,7 71,79 1,24 1,20
Uso de serviços de saúde nas duas últimas 23,36 8,04 2,91 2,62
semanas (%)
Internação nos últimos 12 meses (%) 11,48 5,21 2,20 2,01
Teve restrição de atividades nas duas últimas 14,30 3,40 4,20 4,00
semanas (%)
Esteve acamado nas duas últimas semanas (%) 8,86 1,97 4,49 4,28
Consulta médica nos últimos 12 meses (%) 77,14 47,91 1,61 1,51
Figura 3
ou não de doença crônica, apresentaram uso de Prevalência de problemas de saúde, segundo tipo de
serviços de saúde superior e menor proporção doença e gênero. PNAD, 2003.
de limitações, em relação ao segmento social que 18
%
não dispõe de plano de saúde. Mas o efeito da 16
presença de doença crônica em aumentar o uso 14
de serviços e a presença de restrições de ativida- 12
des foram mais intensos no grupo das pessoas 10
8
que não têm plano de saúde, o que pode ser ob- 6
servado pelas maiores razões de prevalências nes- 4
te segmento (Tabela 3). 2
Entre as 12 doenças pesquisadas, consideran- 0
Te coraç a
e
ber cer
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ros
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Cir
cul
Ar
pre
ten
a
ad
Do
Do
Figura 4a
Prevalência de problemas de saúde, segundo gênero e faixas de idade. PNAD, 2003.
Artrite Depressão
% 45 16
%
40 14
35
12
30
10
25
8
20
15 6
10 4
5 2
0 0
a9 9 9 9 9 9 9 9 19 29 49 69 79
0 a1 a2 a3 a4 a5 a 6 a 79 0 e + 9 9
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 0 a 5 60 a 70 a 80 e +
10 20 30 40 50 60 70 8 3 5
masculino feminino
918
Barros, M. B. A. et al.
partir desta idade. Tuberculose e cirrose, doen- são, que é muito mais freqüente entre as mulhe-
ças mais prevalentes nos homens, só foram rela- res, tende a decrescer após os 70 anos.
tadas por pessoas com 30 anos ou mais. A preva- A análise do perfil de doenças dos adultos (18
lência de tendinite/tendosinovite apresentou o anos e mais), segundo o nível de escolaridade (Ta-
valor máximo nas mulheres de 50 a 59 anos, de- bela 4), revela que, com exceção de tendinite/si-
crescendo a partir desta faixa de idade. A depres- novite, todas as demais doenças pesquisadas apre-
Figura 4b
Prevalência de problemas de saúde, segundo gênero e faixas de idade. PNAD, 2003.
Tendossinovite Diabetes
% 8 % 18
7 16
6 14
12
5
10
4
8
3
6
2 4
1 2
0 0
9 19 29 9 49 59 69 79 9 19 29 39 49 59 69 79
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e + 0 a 10 a 20 a 30 a 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e
+
3
Tuberculose Cirrose
% 0,6 % 0,6
0,5 0,5
0,4 0,4
0,3 0,3
0,2 0,2
0,1 0,1
0 0
9 19 29 9 49 9 69 79 9 19 29 9 49 9 69 79
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 0 a 5 60 a 70 a 80 e + 0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 0 a 5 60 a 70 a 80 e +
3 5 3 5
masculino feminino
919
Tabela 4
Prevalência de doenças/condições crônicas, segundo escolaridade. PNAD/Brasil, 2003.
Tabela 5
Prevalência de doenças crônicas, segundo cor/raça. PNAD/Brasil, 2003.
Prevalência Cor/raça
Doenças (%)
RP ajustada* Branca Negra Parda Amarela Indígena
Tabela 6
Prevalência de doenças crônicas, segundo macrorregião de residência. PNAD/Brasil, 2003.
Tabela 7
Prevalência de doenças crônicas, segundo situação urbano/rural de residência. PNAD/Brasil, 2003.
Prevalência Zona
Doenças (%)
RP ajustada* Urbana Rural
P 19,29 19,05
Doença de coluna ou costas 1 0,99
RP
P 8,50 9,89
Artrite ou reumatismo 1 1,19
RP
P 0,64 0,42
Câncer 1 0,65
RP
P 3,99 2,97
Diabetes 1 0,74
RP
P 4,27 3,04
Bronquite ou asma 1 0,72
RP
P 18,15 17,24
Hipertensão 1 0,96
RP
P 5,41 4,42
Doença do coração 1 0,82
RP
P 2,33 2,67
Insuficiência renal crônica 1 1,14
RP
P 6,21 4,36
Depressão 1 0,73
RP
P 0,21 0,16
Tuberculose 1 0,72
RP
P 3,64 1,60
Tendinite ou sinovite 1 0,45
RP
P 0,16 0,10
Cirrose 1 0,60
RP
*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade, macrorregião de residência e respondente.
923
apontado menor freqüência de condições crôni- do que as verdadeiras25. Apesar desta possível ten-
cas em moradores de áreas rurais. Na Escócia, dência, constata-se maior índice de morbidade e
Iversen et al.20 observaram na população rural co-morbidade nos segmentos de menor nível so-
prevalências significativamente mais baixas de cioeconômico, que também são os que utilizam
asma, do conjunto de doenças pulmonares, de os serviços de saúde com mais freqüência 26.
dermatites e de problemas cardíacos, após ajuste É necessário um aprimoramento dos instru-
para sexo, idade, pobreza e tabagismo. mentos de avaliação das condições crônicas para
Os dados da PNAD-2003 apontam que todas que seja possível monitorar com mais precisão a
as condições crônicas estudadas foram mais pre- dimensão da disparidade social na morbidade
valentes no segmento da população de menor ní- prevalente.
vel de escolaridade, à exceção de tendinite/sino- A validade da informação referida sobre do-
vite. Outros inquéritos realizados no Brasil e em ença crônica tem sido questionada e pesquisada
demais países apontam que as condições crôni- por muitos autores. Estudos de validação desta
cas tendem a acometer mais intensamente as ca- informação, confrontando-a com dados de regis-
madas de menor nível socioeconômico. Inquéri- tros e prontuários médicos, têm revelado que o
to realizado pelo Inca 24 em 15 capitais brasileiras grau de acurácia é distinto conforme a patologia
e no Distrito Federal detectou freqüências mais pesquisada, a presença de co-morbidades e as ca-
elevadas de diabetes, hipertensão e doença isquê- racterísticas sociais e demográficas do responden-
mica do coração nas pessoas com ensino funda- te11, 27-29. Há maior concordância entre informa-
mental incompleto. Em pesquisa realizada em al- ções de inquérito e de registros médicos em ca-
guns municípios do Estado de São Paulo 6, com sos de doenças que provocam maior grau de in-
exceção de alergia e depressão, todas as condi- capacidade. Mas também foi detectado que a in-
ções crônicas pesquisadas apresentaram nítido formação obtida em inquérito tem maior vali-
gradiente com aumento da freqüência acompa- dade na predição de futuras incapacidades 28. In-
nhando a redução dos anos de escolaridade. No formação referida sobre a presença de diabetes e
Inquérito Mundial de Saúde1, diabetes e esqui- hipertensão, bem como a de infarto do miocár-
zofrenia apresentaram-se significativamente mais dio e de acidente vascular cerebral, tem sido con-
prevalentes entre os de menor escolaridade. siderada válida, enquanto que teria pouca acurá-
Em pesquisa realizada na Holanda13, asma, cia a informação sobre insuficiência cardíaca 27.
problema nas costas e infarto do miocárdio re- Cricelli et al.10 observaram que as informações
velaram-se mais prevalentes no estrato de esco- auto-referidas sobre diabetes e hipertensão pro-
laridade inferior, enquanto câncer foi mais pre- duziam estimativas adequadas de prevalência,
valente no estrato superior. Na população dos não ocorrendo o mesmo para doença pulmonar
Estados Unidos, os segmentos de menor escola- obstrutiva e úlcera gastroduodenal.
ridade apresentam maior prevalência de hiper- Estudos têm revelado que, mesmo em seg-
tensão, bronquite crônica, câncer, diabetes, dor mentos considerados vulneráveis à maior sub-re-
nas costas e sintomas mentais. A prevalência de ferência, as informações são válidas se relativas a
asma não segue este padrão, apresentando valo- doenças bem definidas e importantes 30. Doenças
res semelhantes nos diferentes estratos de esco- que exigem acompanhamento médico e labora-
laridade. Artrite também não apresenta associa- torial tendem a ser mais bem informadas pelos
ção importante com o grau de escolaridade18. entrevistados. O reconhecimento da doença pelo
Glover et al.22, em inquérito realizado na Aus- indivíduo depende do grau de percepção de si-
trália e na Nova Zelândia, observaram que, com nais e sintomas, o que se relaciona com o uso
exceção de asma, na faixa de 25 a 64 anos, e de social do corpo e depende de inúmeras caracte-
doenças do sistema musculoesquelético, em pes- rísticas do indivíduo, além do acesso e qualidade
soas com 65 anos e mais, todas as demais condi- dos serviços médico-diagnósticos.
ções estudadas foram significativamente mais Podem ocorrer diferenças importantes na es-
prevalentes nos moradores de áreas mais pobres. timativa de prevalência, a depender da técnica
A magnitude das diferenças observadas en- utilizada. O uso de checklist melhora a validade
tre os estratos socioeconômicos é considerada ser da informação obtida em surveys9. Também foi
subestimada pelo fato de os segmentos de me- verificado que entrevistas face a face produzem,
nor escolaridade tenderem a sub-referir a pre- para a maior parte das doenças, informação mais
sença de morbidades. As disparidades sociais es- precisa do que a obtida por meio de questioná-
timadas pelas prevalências de doenças crônicas rio auto-administrado31.
avaliadas em inquéritos seriam, assim, menores Uma limitação importante nestas pesquisas
925
Colaboradores Agradecimentos
MBA Barros, CLG César e L Carandina partici- À Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministé-
param da concepção teórica, da elaboração, do rio da Saúde que, por intermédio do apoio ao
planejamento das análises estatísticas e da reda- Centro Colaborador em Análise de Situação de
ção final do texto. GD Torre realizou as análises Saúde do DMPS-FCM-Unicamp, deu suporte ao
estatísticas. desenvolvimento do presente estudo.
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