0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações16 páginas

Desigualdades em Doenças Crônicas no Brasil

O estudo analisa a prevalência de 12 doenças crônicas no Brasil com base nos dados da PNAD-2003, revelando desigualdades sociais significativas relacionadas a gênero, cor/raça, escolaridade e região. A prevalência de doenças crônicas aumenta com a idade e é maior entre mulheres e populações com menor nível educacional. A presença de doenças crônicas está associada a um aumento na demanda por serviços de saúde e limitações nas atividades diárias.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
5 visualizações16 páginas

Desigualdades em Doenças Crônicas no Brasil

O estudo analisa a prevalência de 12 doenças crônicas no Brasil com base nos dados da PNAD-2003, revelando desigualdades sociais significativas relacionadas a gênero, cor/raça, escolaridade e região. A prevalência de doenças crônicas aumenta com a idade e é maior entre mulheres e populações com menor nível educacional. A presença de doenças crônicas está associada a um aumento na demanda por serviços de saúde e limitações nas atividades diárias.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

911

Desigualdades sociais na prevalência de doenças

ARTIGO ARTICLE
crônicas no Brasil, PNAD-2003

Social inequalities in the prevalence of chronic diseases in


Brazil, PNAD-2003

Marilisa Berti de Azevedo Barros 1

Chester Luiz Galvão César 2


Luana Carandina 3
Graciella Dalla Torre 1

Abstract Population-based health surveys are the Resumo Os inquéritos de saúde de base popula-
main tool for obtaining data on the prevalence of cional constituem o principal instrumento utili-
chronic diseases, disabilities and use of healthcare zado para conhecer a prevalência de doenças crô-
services. Based on the data of the PNAD-2003, this nicas, de restrições de atividades e de uso de servi-
study estimated the prevalence of 12 chronic dise- ços de saúde. Com base nos dados da PNAD-2003,
ases according to: gender, age, skin color, educatio- foram estimadas as prevalências das 12 doenças
nal level, macro-region and urban or rural situa- crônicas pesquisadas, segundo sexo, idade, cor, es-
tion of the households. We analyzed the relation colaridade, macrorregião de residência e situação
between presence of disabilities and use of health- urbana ou rural do domicílio. Foram analisados a
care services due to the presence of a chronic disea- presença de limitações e o uso de serviços de saúde
se. The prevalence ratios adjusted according to age, segundo a presença de doença crônica. Utilizando
gender, macro-region and type of respondent were regressão de Poisson, foram estimadas as razões de
estimated using Poisson’s regression. The prevalence prevalências ajustadas por idade, sexo, macrorre-
of at least one chronic disease increased with age, gião de residência e tipo de respondente. A preva-
was higher among women, the indigenous popu- lência de pelo menos uma doença crônica aumen-
lation, individuals with low educational level, in- tou com a idade, foi maior entre mulheres, indíge-
dividuals affiliated with a health plan, immigrants nas, pessoas com menor escolaridade, cidadãos de-
from other states, residents of urban areas and tentores de plano de saúde, migrantes de outros es-
among the inhabitants of the southern region of tados, residentes em áreas urbanas e moradores da
1 Departamento de the country. The presence of a chronic disease re- região Sul. A presença de doença crônica provocou
Medicina Preventiva e
Social, Faculdade de sulted in an increase of disability and demand for aumento de limitação de atividades e da demanda
Ciências Médicas, Unicamp. healthcare services. The most prevalent conditions por serviços de saúde. As condições mais prevalen-
Rua Tessália Vieira de were: backbone conditions, hypertension, arthri- tes foram: doença de coluna, hipertensão, artrite e
Camargo 126, Cidade
Universitária. 13083-970 tis, and depression. The survey detected marked depressão. Foi detectada significativa desigualda-
Campinas SP. social inequality in the pattern of prevalent chro- de social no padrão das doenças crônicas, segundo
marilisa@[Link]
2 Departamento de
nic diseases related to gender, color/race, educati- gênero, cor/raça, nível de escolaridade, região de
Epidemiologia, Faculdade on, macro-region of residence, and urban and ru- residência e situação do domicílio.
de Saúde Pública, USP. ral households. Palavras-chave Doenças crônicas, Desigualda-
3 Departamento de Saúde
Key words Chronic diseases, Inequality in heal- des em saúde, Inquérito de saúde
Pública, Faculdade de
Medicina de Botucatu, thcare, Health survey
Unesp.
912
Barros, M. B. A. et al.

Introdução como a dor lombar auto-avaliada, a tendência dos


inquéritos é superestimar sua prevalência. Ou-
Datam do século 20 os primeiros estudos relati- tro fator limitante é a subestimação das doenças
vos à complexa transformação dos padrões de crônicas que demandam internação de longa du-
saúde-doença no mundo e de sua interação com ração, como senilidade e algumas doenças men-
determinantes demográficos, econômicos e so- tais, já que os inquéritos domiciliares referem-se
ciais. A transição epidemiológica observada é de- normalmente à população civil não institucio-
corrente de três principais mudanças: a queda da nalizada3.
mortalidade, a mudança do padrão de morbida- Por outro lado, o consumo de serviços de
de, com redução das doenças transmissíveis e au- saúde é função das necessidades e do comporta-
mento das doenças não-transmissíveis, e o des- mento dos indivíduos diante de seus problemas
locamento da morbimortalidade para os grupos de saúde, bem como das formas de financiamen-
etários mais velhos1. to e dos serviços e recursos disponíveis à popu-
Com o envelhecimento da população brasi- lação. O SUS tem como metas a cobertura uni-
leira, as doenças crônicas passaram a representar versal das necessidades de saúde e a promoção
uma expressiva e crescente demanda aos servi- da eqüidade em saúde e no uso e consumo de
ços de saúde, evidenciando a necessidade de co- serviços de saúde4.
nhecer sua prevalência. As doenças crônicas são Os inquéritos de saúde são instrumentos im-
definidas como afecções de saúde que acompa- portantes de avaliação destas metas, especialmen-
nham os indivíduos por longo período de tem- te os de alcance nacional, realizados com conti-
po, podendo apresentar momentos de piora (epi- nuidade, como é o caso dos suplementos saúde
sódios agudos) ou melhora sensível2. da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
As informações disponíveis nas estatísticas (PNAD). Tais inquéritos incluem módulos sobre
nacionais são inadequadas para o estudo da pre- acesso e utilização de serviços que permitem aná-
valência de doenças crônicas, por sua limitação à lises por áreas geográficas e segundo caracterís-
demanda atendida em hospitais, ambulatórios e ticas demográficas e sociais. Apresentam repre-
centros de saúde, próprios ou conveniados ao Sis- sentatividade de nível nacional, podendo as in-
tema Único de Saúde (SUS). Sendo outra a mo- formações ser desagregadas apenas até o nível dos
tivação da instalação destes bancos nacionais de estados. Inquéritos de saúde de alcance local e
dados, eles excluem os atendimentos efetuados regional tornam-se necessários para dar conta do
na rede privada, bastante ampla, e não dispõem conhecimento sobre as diversas realidades do es-
das informações necessárias para o estudo da de- tado de saúde e da utilização de serviços3.
terminação social das doenças3. Analisando os dados coletados na PNAD-
Os inquéritos de saúde de base populacional 1998, Almeida et al.2 observaram que os porta-
são o principal instrumento a ser utilizado para dores de problemas crônicos de saúde consumi-
a formulação e avaliação de políticas públicas e ram mais consultas médicas e internações hos-
para conhecer a prevalência das doenças crôni- pitalares do que os não-portadores. As interna-
cas, as restrições (temporárias ou permanentes) ções observadas entre os mais pobres, indepen-
das atividades por elas causadas e a correspon- dentemente da posse de plano de saúde, sugerem
dente utilização de serviços, públicos ou priva- que a universalização do acesso, preconizada pelo
dos. Somente por meio de inquéritos de saúde é SUS, já está se tornando uma realidade no Brasil.
possível coletar dados para construir indicadores Encontraram, ainda, uma baixa percentagem de
associados à saúde e não apenas às doenças assim pessoas que buscaram atendimento e não foram
como sobre os fatores de risco e os determinantes atendidas ou que não buscaram atendimento por
sociais do processo saúde/doença [...] 3. dificuldades de acesso.
A auto-avaliação do estado de saúde é um Diversos inquéritos relevantes de alcance lo-
dado facilmente coletado. Vários estudos mos- cal e regional são encontrados na literatura. En-
tram índices de 80% de concordância entre a tre os mais recentes, Monteiro et al.5 realizaram
auto-avaliação do estado de saúde e a avaliação inquérito pelo telefone em amostra probabilísti-
clínica da presença ou ausência de condição crô- ca da população adulta do Município de São Pau-
nica. Entretanto, no caso de algumas doenças crô- lo, para investigar os padrões de alimentação e
nicas, como hipertensão e diabetes, em que o pa- de atividade física e o consumo de cigarros e de
ciente só reconhece o problema após o diagnós- bebidas alcoólicas, entre outros quesitos, a fim
tico médico, os inquéritos tendem a subestimar de dimensionar estimativas sobre a prevalência
sua prevalência. Em outros problemas crônicos, de fatores de risco de doenças crônicas não trans-
913

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


missíveis. Cesar et al.6, em amostra probabilísti- pulacional, e tanto a utilidade destas informações
ca da população de quatro regiões, sendo duas como as suas limitações estão amplamente des-
da Região Metropolitana de São Paulo e duas de critas na literatura9-11.
municípios de portes diferentes no interior do As questões da PNAD-2003 tiveram dois ti-
Estado de São Paulo, estudaram as doenças crô- pos de informantes: o próprio indivíduo sortea-
nicas, deficiências físicas, obesidade, transtornos do ou outra pessoa. O percentual de indivíduos
mentais comuns e auto-avaliação de saúde, em que responderam pessoalmente ao questionário
inquérito que abrangeu, além da morbidade re- foi maior entre as mulheres, se comparado ao de
ferida, a utilização de serviços, o consumo de entrevistados do sexo masculino. O percentual
medicamentos, condições e estilo de vida, entre de auto-respondentes aumentou com a idade no
outros quesitos. sexo masculino, atingindo valores mais elevados
Inquérito populacional de âmbito nacional, depois dos 60 anos, enquanto entre as mulheres,
a Pesquisa Mundial de Saúde (PMS brasileira)7 a maior proporção de auto-respondentes ocor-
incluiu questionamentos sobre seis doenças: reu dos 30 aos 79 anos, refletindo a maior pre-
artrite, angina, asma, depressão, esquizofrenia e sença feminina na moradia por ocasião das en-
diabetes mellitus. Os autores constataram desi- trevistas (Figura 1). A morbidade referida variou
gualdade de acesso aos serviços e baixa adesão em função do tipo de respondente, sendo que a
ao tratamento1. prevalência de pelo menos uma doença crônica
Szwarcwald et al.8, ao analisarem a auto-ava- foi de 44,2%, quando respondida pelo próprio
liação de saúde a partir das informações da PMS indivíduo, e de 21,1%, quando respondida por
brasileira, encontraram auto-avaliações piores um proxy (Tabela 1), estando, entretanto, estes
entre as mulheres e os mais idosos, além de desi- valores afetados pela distribuição etária distinta
gualdades socioeconômicas. Feito o ajuste por de auto-respondentes e proxys.
idade, a instrução incompleta e a privação mate- Para este estudo, foram estimadas as preva-
rial foram os fatores que mais contribuíram para lências específicas de morbidade por idade e sexo
uma pior percepção da saúde. Entre os homens, e tipo de problema de saúde, considerando inici-
além da privação material, contribuíram os in- almente o conjunto da população entrevistada.
dicadores relacionados ao trabalho. Para a população adulta (18 anos ou mais), as
O Suplemento Saúde da PNAD-2003, aplica- prevalências de doenças crônicas foram analisa-
do em amostra probabilística da população na- das segundo variáveis sociodemográficas: idade,
cional, possibilitou analisar a prevalência de pro- sexo, escolaridade, cor/raça, macrorregião geo-
blemas crônicos de saúde em subgrupos da po- gráfica de residência e situação do domicílio (ur-
pulação, diferenciados por características sociais bano/rural). Foram também analisados o uso de
e demográficas, bem como avaliar o efeito da pre- serviços de saúde e a ocorrência de limitações de
sença de morbidade crônica no uso dos serviços atividades, segundo a presença ou não de doença
de saúde e nas limitações de atividades. crônica.

Material e métodos

O questionário sobre saúde aplicado na PNAD- Figura 1


2003 incorporou questões relativas a doenças crô- Percentual em que a informação foi obtida da pessoa
nicas referidas. Os entrevistados responderam sorteada, segundo idade e gênero. PNAD, 2003.
sobre a ocorrência de 12 patologias: doença da
coluna ou costas, artrite ou reumatismo, câncer, % 80
diabetes, bronquite ou asma, hipertensão (pres- 70
são alta), doença do coração, insuficiência renal 60
crônica, depressão, tuberculose, tendinite ou ten- 50
dossinovite e cirrose. Para cada patologia foi per- 40
guntado se algum médico ou profissional de saú- 30
20
de já havia diagnosticado e informado o entre-
10
vistado sobre aquela doença crônica específica. 0
As informações sobre as morbidades referi- 9 19 29 39 49 59 69 79
0 a 10 a 20 a 30 a 40 a 50 a 60 a 70 a e+
das pelos entrevistados têm sido freqüentemen- 80 idade
te utilizadas em inquéritos de saúde de base po- homem mulher
914
Barros, M. B. A. et al.

Tabela 1 Resultados
Prevalência de pelo menos uma doença crônica por
tipo de respondente, segundo idade, sexo e Na população brasileira, 29,9% das pessoas rela-
escolaridade. PNAD/Brasil, 2003. taram ter ao menos um entre os 12 problemas de
saúde pesquisados pela PNAD.
A prevalência de pelo menos uma doença crô-
Tipo de respondente
nica aumenta intensamente com a idade: enquan-
Variáveis Própria Outra to fica em cerca de 10% entre as pessoas com me-
pessoa pessoa nos de 20 anos, atinge valores superiores a
Idade 70% naquelas com 70 anos ou mais (Figura 2).
0-9 8,2 9,5 Em todas as faixas de idade, com exceção da re-
10-19 13,5 9,4 lativa aos menores de dez anos, as mulheres re-
20-29 23,5 15,8 portaram prevalência maior de morbidade do
30-39 34,9 26,3 que os homens.
40-49 50,7 41,5 Considerando a população com 18 anos ou
50-59 66,5 55,9
mais, a prevalência de morbidade revelou-se 22%
60-69 75,5 67,3
70-79 80,5 75,9 superior nas mulheres, em relação aos homens,
80 e + 80,4 75,6 mesmo após ajuste por idade, macrorregião de
residência e tipo de respondente (Tabela 2).
Gênero A prevalência de morbidade referida foi maior
Homens 38,6 20,9 entre os não naturais do município ou do estado
Mulheres 47,2 21,3 em que residiam. Entre os que nasceram em ou-
tro estado e que, portanto, viveram um processo
Escolaridade (em anos) de migração interestadual, 45,9% apresentaram
(pessoas com 20 anos ao menos um problema crônico, enquanto entre
ou mais) os naturais do município em que residem a pre-
0-3 55,8 18,1
valência foi de 34,3%. A razão de prevalências
4-7 42,5 23,6
8-10 34,8 21,1 ajustada por idade, sexo, respondente e macror-
11 e + 38,7 25,6 região foi 27% superior nos naturais de outro es-
tado (Tabela 2).
Total 44,2 21,1 As pessoas que referiram ser indígenas apre-
sentaram prevalências superiores às auto-referi-
das como de cor branca, tendo as de cor parda
apresentado a menor prevalência. As diferenças
Foram descritas as prevalências em porcen- segundo cor/raça persistem mesmo após o ajus-
tagens, e estimadas as razões brutas e ajustadas te por idade, sexo, região, tipo de respondente e
de prevalências utilizando regressão de Poisson12. escolaridade (Tabela 2).
Para estimar as razões de prevalência ajustadas, Com respeito à escolaridade, a prevalência
foram incluídas no modelo como possíveis vari- apresentou nítido gradiente aumentando à me-
áveis confundidoras: idade, sexo, macrorregião dida que diminui o número de anos de estudo
de residência e tipo de respondente. Na análise (Tabela 2). A razão de prevalências ajustada atin-
das prevalências segundo cor/raça, além dessas ge 1,62 no segmento de menor nível de escolari-
variáveis de controle, foi também incluída a va- dade, quando o de maior nível é tomado como
riável escolaridade. referência.
A amostra estudada foi de 384.764 indivídu- A população que reside em áreas urbanas re-
os, dos quais 253.097 tinham 18 anos ou mais. latou maior prevalência de morbidade do que os
Do total da amostra, 146.955 responderam pes- moradores da zona rural. Quanto à macrorregião
soalmente ao questionário, e em 237.845 dos ca- de residência, a maior prevalência foi observada
sos, as informações foram dadas por outras pes- na região Sul, seguida pelas regiões Sudeste e Cen-
soas. tro-Oeste, sendo as menores prevalências obser-
As análises estatísticas, realizadas com o vadas nas regiões Norte e Nordeste (Tabela 2).
software Stata 8, módulo svy, levaram em Pessoas que possuem algum plano de saúde rela-
conta o desenho da amostra e as ponderações taram prevalência de morbidade 11% superior
necessárias. em relação às que não o têm (Tabela 2).
915

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


Tabela 2
Prevalências e razão de prevalências de doenças/condições crônicas em pessoas com 18 anos ou mais, segundo
variáveis sociais e demográficas. PNAD/Brasil, 2003.

Variáveis Prevalência RP bruta RP ajustada*


(em %)
Gênero
Homens 34,12 1 1
Mulheres 45,42 1,33 (1,32-1,35) 1,22 (1,20-1,23)
Total 40,03
Naturalidade
Natural do município de residência 34,28 1 1
Natural do estado (não do município) 44,97 1,31 (1,29-1,34) 1,24 (1,22-1,26)
Não natural do estado 45,92 1,34 (1,31-1,37) 1,27 (1,24-1,29)
Cor**
Branca 41,46 1 1
Negra 42,39 1,02 (1-1,05) 1,04 (1,01-1,07)
Amarela 41,02 0,99 (0,90-1,08) 0,99 (0,90-1,08)
Parda 37,60 0,91 (0,89-0,92) 0,96 (0,95-0,98)
Indígena 47,72 1,15 (1,01-1,30) 1,15 (1,03-1,30)
Escolaridade em anos (pessoas com 18 anos ou mais)
11 e + 31,84 1 1
8-10 31,17 0,97 (0,96-1,00) 1,00 (0,98-1,02)
4-7 41,81 1,31 (1,29-1,34) 1,28 (1,26-1,31)
0-3 53,09 1,67 (1,63-1,71) 1,62 (1,59-1,65)
Situação de residência
Urbano 40,42 1 1
Rural 37,72 0,93 (0,91-0,96) 0,93 (0,91-0,95)
Região de residência
Norte 35,78 1 1
Nordeste 35,96 1,00 (0,96-1,05) 0,99 (0,94-1,03)
Sudeste 41,03 1,15 (1,10-1,19) 1,14 (1,09-1,18)
Sul 44,93 1,26(1,20-1,31) 1,24 (1,19-1,29)
Centro-Oeste 41,40 1,16 (1,11-1,21) 1,14 (1,09-1,19)
Tem plano de saúde
Não 38,56 1 1
Sim 44,01 1,14 (1,12-1,16) 1,11 (1,09-1,13)

*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade, macrorregião de residência e respondente.


**RP ajustada, além das variáveis referidas, também pela escolaridade.

Figura 2
Prevalência de pelo menos uma doença crônica, Ter referido a presença de ao menos uma
segundo idade e gênero. PNAD, 2003. doença crônica significou fazer maior uso de ser-
viços de saúde e apresentar freqüência mais ele-
% 90 vada de restrição de atividades, em comparação
80 ao segmento da população adulta que não refe-
70 riu morbidade (Tabela 3). A presença de doença
60
50 crônica aumentou a ocorrência de internação em
40 2,97 vezes, de uso de serviços de saúde nas duas
30 últimas semanas em 2,39 vezes e de consulta mé-
20
10 dica nos últimos 12 meses em 41%. Também au-
0 mentou o risco de ter estado acamado em 4,11
9 9 9 9 9 9 9 e+
vezes e de ter sofrido restrição de atividades nas
0 a 0 a 1 0 a 2 0 a 3 0 a 4 0 a 5 0 a 69 0 a 7 80 idade
1 2 3 4 5 6 7 duas últimas semanas em 3,82 vezes.
homem mulher As pessoas que têm plano de saúde, sofrendo
916
Barros, M. B. A. et al.

Tabela 3
Uso de serviços de saúde e presença de limitações, segundo a prevalência de doenças crônicas. PNAD/Brasil,
2003.

Em pessoas Em pessoas RP bruta RP


Indicadores de uso de serviços e limitações com doença sem doença ajustada*
crônica crônica

Uso de serviços de saúde nas duas últimas 25,19 9,55 2,64 2,39
semanas (%)
Internação nos últimos 12 meses (%) 11,89 5,49 2,17 1,97
Teve restrição de atividade nas duas últimas 13,35 3,30 4,05 3,82
semanas (%)
Esteve acamado nas duas últimas semanas (%) 8,11 1,88 4,32 4,11
Consulta médica nos últimos 12 meses (%) 80,56 53,91 1,49 1,41

Com plano de saúde

Uso de serviços de saúde nas duas últimas 29,53 14,04 2,10 1,94
semanas (%)
Internação nos últimos 12 meses (%) 12,87 6,30 2,04 1,84
Teve restrição de atividades nas duas últimas 11,09 2,98 3,72 3,39
semanas (%)
Esteve acamado nas duas últimas semanas (%) 6,30 1,59 3,96 3,70
Consulta médica nos últimos 12 meses (%) 88,7 71,79 1,24 1,20

Sem plano de saúde

Uso de serviços de saúde nas duas últimas 23,36 8,04 2,91 2,62
semanas (%)
Internação nos últimos 12 meses (%) 11,48 5,21 2,20 2,01
Teve restrição de atividades nas duas últimas 14,30 3,40 4,20 4,00
semanas (%)
Esteve acamado nas duas últimas semanas (%) 8,86 1,97 4,49 4,28
Consulta médica nos últimos 12 meses (%) 77,14 47,91 1,61 1,51

*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade, macrorregião de residência e respondente.

Figura 3
ou não de doença crônica, apresentaram uso de Prevalência de problemas de saúde, segundo tipo de
serviços de saúde superior e menor proporção doença e gênero. PNAD, 2003.
de limitações, em relação ao segmento social que 18
%
não dispõe de plano de saúde. Mas o efeito da 16
presença de doença crônica em aumentar o uso 14
de serviços e a presença de restrições de ativida- 12
des foram mais intensos no grupo das pessoas 10
8
que não têm plano de saúde, o que pode ser ob- 6
servado pelas maiores razões de prevalências nes- 4
te segmento (Tabela 3). 2
Entre as 12 doenças pesquisadas, consideran- 0
Te coraç a

do todas as faixas etárias, as mais prevalentes fo-


m

e
ber cer
are s
o
De trite

ros
nci ete

ose
são

ssã

s
oss ão

ufi D e
Hi una

Tu ân
A

l
vit

na
ciê iab

Cir
cul
Ar
pre
ten

ram: doença de coluna, hipertensão, artrite, de-


C
ino
ol
per
ec

a
ad

pressão, asma e doenças do coração (Figura 3).


enç
nd
enç

Do
Do

Com exceção de tuberculose e cirrose, todas as


Ins

demais são mais prevalentes entre as mulheres,


sendo as maiores diferenças em relação aos ho- homem mulher
917

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


mens observadas na prevalência de depressão com a idade para a maior parte das doenças, in-
(RP = 2,76), artrite (RP = 2,07), tendinite/sino- cluindo artrite/reumatismo, doenças do coração,
vite (RP = 2,18) e cirrose (RP = 0,31). hipertensão, diabetes, doenças de coluna, insufi-
O padrão por idade e sexo diferencia-se com ciência renal e câncer. A asma apresenta preva-
o tipo de problema de saúde considerado (Figu- lência elevada em crianças, decresce até a faixa
ras 4a e 4b). As prevalências, em geral, crescem que vai dos 30 aos 50 anos e volta a aumentar a

Figura 4a
Prevalência de problemas de saúde, segundo gênero e faixas de idade. PNAD, 2003.

Doença de coluna Hipertensão


% 45 % 70
40 60
35
50
30
25 40
20 30
15 20
10
10
5
0 0
9 9 9 39 49 59 9 79 9 19 29 39 49 59 69 79
0 a 10 a1 a2 a a a a6 a e + 0 a 10 a 20 a 30 a 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e +
20 30 40 50 60 70 80

Artrite Depressão
% 45 16
%
40 14
35
12
30
10
25
8
20
15 6
10 4
5 2
0 0

a9 9 9 9 9 9 9 9 19 29 49 69 79
0 a1 a2 a3 a4 a5 a 6 a 79 0 e + 9 9
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 0 a 5 60 a 70 a 80 e +
10 20 30 40 50 60 70 8 3 5

Asma Doenças do coração


% 10 30
%
9
8 25
7
20
6
5 15
4
3 10
2
1 5
0 0
9 9 9 9 9 9 9 9
0a a1 a2 a3 a4 a5 a6 a7 e+ 9 19 29 39 49 59 69 79
10 20 30 40 50 60 70 80 0 a 10 a 20 a 30 a 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e +

masculino feminino
918
Barros, M. B. A. et al.

partir desta idade. Tuberculose e cirrose, doen- são, que é muito mais freqüente entre as mulhe-
ças mais prevalentes nos homens, só foram rela- res, tende a decrescer após os 70 anos.
tadas por pessoas com 30 anos ou mais. A preva- A análise do perfil de doenças dos adultos (18
lência de tendinite/tendosinovite apresentou o anos e mais), segundo o nível de escolaridade (Ta-
valor máximo nas mulheres de 50 a 59 anos, de- bela 4), revela que, com exceção de tendinite/si-
crescendo a partir desta faixa de idade. A depres- novite, todas as demais doenças pesquisadas apre-

Figura 4b
Prevalência de problemas de saúde, segundo gênero e faixas de idade. PNAD, 2003.

Tendossinovite Diabetes
% 8 % 18
7 16
6 14
12
5
10
4
8
3
6
2 4
1 2
0 0
9 19 29 9 49 59 69 79 9 19 29 39 49 59 69 79
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e + 0 a 10 a 20 a 30 a 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e
+
3

Insuficiência renal Câncer


% 7 % 4
6 3,5
5 3
4 2,5
2
3
1,5
2
1
1 0,5
0 0
9 19 29 9 49 59 69 79 9 19 29 39 49 59 69 79
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e + 0 a 10 a 20 a 30 a 40 a 50 a 60 a 70 a 80 e +
3

Tuberculose Cirrose
% 0,6 % 0,6

0,5 0,5

0,4 0,4

0,3 0,3

0,2 0,2

0,1 0,1

0 0
9 19 29 9 49 9 69 79 9 19 29 9 49 9 69 79
0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 0 a 5 60 a 70 a 80 e + 0 a 10 a 20 a 0 a 3 40 a 0 a 5 60 a 70 a 80 e +
3 5 3 5

masculino feminino
919

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


sentaram maior freqüência nos segmentos de de saúde. As maiores diferenças entre brancos
menor escolaridade. As maiores disparidades so- e pardos ocorre para a referência de câncer (RP
ciais na ocorrência de morbidade – avaliadas pelo = 0,48), doenças do coração (RP = 0,77), tendi-
nível de escolaridade – foram observadas nas pre- nite (RP = 0,82) e artrite (RP = 0,82), que afetam
valências ajustadas de doenças do coração (RP = mais intensamente os brancos. Nas pessoas auto-
3,29), artrite ou reumatismo (RP = 3,22), diabe- referidas de cor negra foram observadas preva-
tes (RP = 3,23), insuficiência renal crônica (RP = lências menores ou semelhantes às dos que se re-
2,94) e hipertensão(RP = 2,90). feriram como brancos, com exceção de tubercu-
A análise segundo cor/raça revelou que o seg- lose (RP = 1,99), cirrose (RP = 1,56) e hiperten-
mento que se auto-referiu como indígena apre- são (RP = 1,11). Os auto-referidos de cor ama-
sentou prevalência maior de morbidade referida rela apresentaram as maiores prevalências de di-
para todas as patologias pesquisadas, com exce- abetes e de tuberculose.
ção de diabetes, hipertensão e tuberculose (Ta- Quanto à macrorregião de residência, a po-
bela 5). As maiores diferenças entre indígenas e pulação da região Sul apresentou os maiores va-
brancos é relatada para cirrose (RP = 3,89), in- lores para oito das 12 doenças pesquisadas, ocu-
suficiência renal crônica (RP = 1,99), tendinite pando a segunda posição na prevalência das de-
(RP = 1,88) e depressão (RR = 1,49). mais patologias (Tabela 6).
O segmento que se auto-referiu de cor parda A região Sudeste, com a maior prevalência de
apresentou a menor prevalência em sete das hipertensão, detem valores elevados para os de-
12 doenças pesquisadas, e prevalência entre as mais problemas de saúde, seguindo, em geral, os
mais baixas também para os outros problemas valores da região Sul. A região Norte apresentou

Tabela 4
Prevalência de doenças/condições crônicas, segundo escolaridade. PNAD/Brasil, 2003.

Prevalência Escolaridade (em anos)


Doenças (%)
RP ajustada* 0-3 4-7 8-10 11 e mais

P 26,91 20,08 14,49 14,42


Doença de coluna ou costas RP 1,75 1,34 1,20 1
P 15,62 8,97 5,01 4,45
Artrite ou reumatismo RP 3,22 1,93 1,15 1
P 0,84 0,62 0,35 0,54
Câncer
RP 1,67 1,13 0,67 1
P 6,71 3,96 2,21 2,13
Diabetes RP 3,23 1,83 1,08 1
P 4,64 3,83 3,57 4,08
Bronquite ou asma RP 1,22 0,93 0,90 1
P 29,71 19,61 11,35 10,05
Hipertensão
RP 2,90 1,91 1,17 1
P 9,00 5,66 3,20 2,81
Doença do coração RP 3,29 1,98 1,18 1
P 3,83 2,60 1,79 1,25
Insuficiência renal crônica RP 2,94 1,99 1,43 1
P 7,24 6,82 5,00 4,52
Depressão
RP 1,66 1,48 1,16 1
P 0,31 0,20 0,20 0,12
Tuberculose RP 2,36 1,60 1,64 1
P 2,78 2,91 2,85 4,48
Tendinite ou sinovite RP 0,65 0,63 0,67 1
P 0,24 0,16 0,12 0,01
Cirrose
RP 2,40 1,49 1,15 1
*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade, macrorregião de residência e respondente.
920
Barros, M. B. A. et al.

o maior percentual de residentes com artrite; a Discussão


região Nordeste, a maior prevalência de tuber-
culose, e a Centro-Oeste, a maior de insuficiên- Observou-se que 40% da população brasileira
cia renal crônica. No geral, as regiões Norte e Nor- com 18 anos ou mais apresentaram pelo menos
deste apresentaram as prevalências mais baixas, uma condição crônica entre as 12 que foram in-
ficando a região Centro-Oeste em posição inter- vestigadas pela PNAD-2003. Apesar da diferença
mediária entre estas e as regiões Sul e Sudeste. no número de condições pesquisadas, este per-
Considerando a situação de residência, as pre- centual é semelhante ao encontrado no Inquéri-
valências são superiores entre moradores de áre- to Mundial de Saúde realizado no Brasil, em
as urbanas, com exceção de artrite e insuficiên- 20031, por meio do qual foi verificado que 39,1%
cia renal crônica, que apresentaram ocorrência das pessoas com 18 anos ou mais apresentaram
um pouco superior entre moradores da zona ru- pelo menos uma entre seis doenças analisadas.
ral (Tabela 7). As maiores diferenças entre os re- Com os dados da PNAD de 1998, Almeida et al.2
sidentes em áreas urbanas e rurais foram consta- haviam observado, considerando as pessoas com
tadas em relação a tendinite (RR=0,45), cirrose 15 anos ou mais, 36% de doenças crônicas nos
(RR=0,60), câncer (RR= 0,65), depressão (RR= homens e 46,5% nas mulheres. Prevalências ain-
0,73), tuberculose (RR=0,72), bronquite (RR= da mais elevadas têm sido observadas em outros
0,72) e diabetes (RR=0,74). países. Com dados do Second Dutch National

Tabela 5
Prevalência de doenças crônicas, segundo cor/raça. PNAD/Brasil, 2003.

Prevalência Cor/raça
Doenças (%)
RP ajustada* Branca Negra Parda Amarela Indígena

P 19,78 19,13 18,58 15,68 21,15


Doença de coluna ou costas RP 1 0,90 0,89 0,84 0,99
P 8,75 9,29 8,56 5,97 13,35
Artrite ou reumatismo
RP 1 0,90 0,82 0,81 1,26
P 0,82 0,53 0,33 0,38 0,97
Câncer
RP 1 0,66 0,48 0,51 1,19
P 4,17 4,39 3,24 6,6 5,62
Diabetes RP 1 0,91 0,74 1,79 1,22
P 4,50 4,16 3,49 4,11 6,17
Bronquite ou asma
RP 1 1,01 0,93 0,95 1,42
P 18,07 23,04 17,07 19,5 22,09
Hipertensão
RP 1 1,11 0,88 1,21 1,11
P 5,73 6,17 4,45 6,34 8,46
Doença do coração RP 1 0,95 0,77 1,29 1,33
P 2,38 2,07 2,41 1,52 5,83
Insuficiência renal crônica
RP 1 0,78 0,89 0,76 1,99
P 6,79 4,97 4,96 2,59 9,92
Depressão
RP 1 0,77 0,85 0,43 1,49
P 0,17 0,39 0,22 0,61 0,18
Tuberculose RP 1 1,99 1,15 3,94 0,95
P 4,07 3,20 2,33 3,75 6,32
Tendinite ou sinovite
RP 1 0,95 0,82 0,86 1,88
P 0,15 0,25 0,14 0,23 0,63
Cirrose
RP 1 1,56 0,97 1,80 3,89
*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade, macrorregião de residência, respondente e escolaridade.
921

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


Survey of General Practice, realizado em 2000, da, o número e tipo de condições/doenças crô-
Westert et al.13 verificaram que 62,9% das pesso- nicas incluídas, a terminologia empregada, o
as com 25 anos ou mais apresentavam alguma modo de formular as questões, a existência de
condição crônica auto-referida entre as 16 pes- checklist, o requisito de que a doença tenha sido
quisadas. Estudo realizado em Ontário, no Ca- informada por médico, o tipo de entrevista (se
nadá, constatou que 52,5% das pessoas com 25 face a face ou auto-respondida) e o tipo de res-
anos ou mais tinham ao menos uma das seis con- pondente (a própria pessoa ou um proxy), entre
dições crônicas estudadas, sendo a sexta compos- outros aspectos metodológicos9,11,16, além das ver-
ta por “outras condições”14. No Canadá, Schultz dadeiras diferenças existentes entre as prevalên-
e Kopec15 observaram 57,5% de presença de ao cias de doenças de populações que vivem em lo-
menos uma doença crônica, entre 21 pesquisa- calidades e contextos diversos.
das, em pessoas com 12 anos ou mais. Alonso et No presente estudo, a prevalência ajustada de
al.16, em inquérito realizado em oito países, en- apresentar ao menos uma condição crônica foi
contraram 55,1% dos adultos (18 anos ou mais) 22% superior nas mulheres, o que é concordante
apresentando ao menos uma condição crônica com os relatos da literatura1, 17. Este fato tem sido
entre as sete estudadas. As prevalências menores atribuído à maior percepção da mulher quanto
haviam sido observadas no Japão e na Dinamar- aos sintomas e sinais físicos e às habilidades e co-
ca, e as maiores, na Itália e nos Estados Unidos. nhecimentos que adquire em decorrência de seu
As prevalências observadas nas diferentes pes- papel de cuidadora dos doentes da família. As
quisas variam conforme a faixa etária considera- mulheres também demandam e utilizam mais os

Tabela 6
Prevalência de doenças crônicas, segundo macrorregião de residência. PNAD/Brasil, 2003.

Prevalência Macrorregião de residência


Doenças (%) Centro-
RP ajustada* Norte Nordeste Sudeste Sul
Oeste
P 17,09 18,78 18,9 21,28 20,52
Doença de coluna ou costas RP 1 1,07 1,10 1,23 1,18
P 12,11 8,77 7,65 10,25 9,27
Artrite ou reumatismo
RP 1 0,70 0,63 0,83 0,75
P 0,29 0,32 0,67 1,05 0,06
Câncer
RP 1 1,06 2,25 3,53 2,0
P 2,86 3,02 4,32 4,33 3,51
Diabetes RP 1 1,04 1,49 1,50 1,20
P 3,52 2,63 4,33 5,89 4,48
Bronquite ou asma
RP 1 0,74 1,22 1,66 1,26
P 13,12 16,52 19,37 18,59 17,37
Hipertensão
RP 1 1,23 1,46 1,40 1,30
P 3,96 3,89 5,73 6,66 5,41
Doença do coração RP 1 0,96 1,44 1,67 1,34
P 2,76 2,10 2,01 2,97 4,23
Insuficiência renal crônica
RP 1 0,75 0,73 1,06 1,50
P 3,77 3,94 6,33 8,93 6,11
Depressão
RP 1 1,03 2,93 2,86 2,60
P 0,20 0,23 0,20 0,21 0,16
Tuberculose RP 1 1,13 0,99 1,06 0,81
P 1,34 1,83 4,07 4,79 2,68
Tendinite ou sinovite
RP 1 1,33 3,02 3,50 1,96
P 0,13 0,12 0,15 0,20 0,17
Cirrose
RP 1 0,98 1,20 1,60 1,32
*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade e tipo de respondente.
922
Barros, M. B. A. et al.

serviços de saúde, o que amplia o conhecimento A desigualdade social na presença de condi-


e a familiaridade com a terminologia médica e ções crônicas revelou-se significativa. O segmento
com o significado de sinais e sintomas indicati- de menor escolaridade da população adulta bra-
vos de doenças17. Autores apontam que as mu- sileira apresentou 62% a mais de prevalência
lheres tendem a relatar as morbidades que apre- de doenças crônicas, se comparado aos de me-
sentam com mais facilidade do que os homens. lhor nível. Outros autores, em diferentes países,
Verificou-se prevalência maior de ao menos uma têm analisado a presença de morbidade crônica
doença crônica no sexo masculino, apenas segundo indicadores socioeconômicos, e os
nas crianças com até 10 anos de idade, casos em achados, em geral, apontam para maior preva-
que a informação é usualmente dada pela mãe. lência nos segmentos de menor escolaridade ou
Este fato também foi observado por Theme-Fi- renda13, 18, 19.
lha et al.1, com os dados da Pesquisa Mundial de Observou-se neste artigo presença um pou-
Saúde. co superior (7%) de morbidade crônica nos re-
O aumento intenso da presença de doenças sidentes das áreas urbanas. Iversen et al.20 tam-
crônicas com a idade, como mostram os dados bém observaram, na Escócia, considerando pes-
da PNAD-2003, é observação freqüente na lite- soas com 16 anos e mais, que 62,7% da popula-
ratura6, 18 e fonte de interesse e preocupação por ção rural e 67,7% da urbana apresentaram algu-
parte dos serviços de saúde. O aumento da so- ma doença crônica entre as nove condições pes-
brevivência da população é concorrente com o quisadas. Verificaram, ainda, que 23,5% dos mo-
crescimento da carga e o impacto social das do- radores da área rural e 29,5% da urbana tinham
enças crônicas. alguma doença pulmonar. Considerando todas

Tabela 7
Prevalência de doenças crônicas, segundo situação urbano/rural de residência. PNAD/Brasil, 2003.

Prevalência Zona
Doenças (%)
RP ajustada* Urbana Rural

P 19,29 19,05
Doença de coluna ou costas 1 0,99
RP
P 8,50 9,89
Artrite ou reumatismo 1 1,19
RP
P 0,64 0,42
Câncer 1 0,65
RP
P 3,99 2,97
Diabetes 1 0,74
RP
P 4,27 3,04
Bronquite ou asma 1 0,72
RP
P 18,15 17,24
Hipertensão 1 0,96
RP
P 5,41 4,42
Doença do coração 1 0,82
RP
P 2,33 2,67
Insuficiência renal crônica 1 1,14
RP
P 6,21 4,36
Depressão 1 0,73
RP
P 0,21 0,16
Tuberculose 1 0,72
RP
P 3,64 1,60
Tendinite ou sinovite 1 0,45
RP
P 0,16 0,10
Cirrose 1 0,60
RP
*Razão de prevalências ajustada por sexo, idade, macrorregião de residência e respondente.
923

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


as idades, Pinheiro et al.17 observaram, com os lência de diabetes variando de 9,4%, na Dinamar-
dados da PNAD-1998, prevalência maior de ao ca, a 5,3%, na Alemanha (média de 3,7%).
menos uma doença crônica nas mulheres da área Algumas condições crônicas afetam mais in-
urbana e nos homens da zona rural. tensamente a qualidade de vida. Knight et al.9
As doenças crônicas mais freqüentes na po- constataram, em 2001, o forte impacto provoca-
pulação brasileira, com base nos dados do Su- do por doenças musculoesqueléticas (especial-
plemento Saúde da PNAD-2003, foram: doenças mente as dores nas costas), artrite e problemas
de coluna, hipertensão, artrite/reumatismo, de- mentais e a relativa menor importância de con-
pressão e asma (Figura 3). Pesquisa realizada na dições como asma e hipertensão.
Região Metropolitana de Belo Horizonte verifi- No presente estudo, as doenças pesquisadas,
cou que 18% dos adultos tinham hipertensão, com exceção de cirrose e tuberculose, foram mais
11,9%, doença de coluna, 8,8%, depressão e 5,7%, prevalentes entre as mulheres. Observação seme-
artrite ou reumatismo21. Em pesquisa multicên- lhante havia sido feita com os dados da PNAD-
trica realizada em municípios do Estado de São 199817. No Inquérito Mundial de Saúde1, as seis
Paulo (Projeto ISA-SP)6, as doenças mais preva- doenças crônicas pesquisadas, com exceção de
lentes na população de 20 anos ou mais foram: angina, foram mais prevalentes nas mulheres.
enxaqueca (21,8%), alergia (20,4%), hipertensão Todas as oito doenças pesquisadas no inquérito
(20,0%), depressão (17,7%) e doença de coluna realizado na Região Metropolitana de Belo Ho-
(17,6%). Estas, em geral, são as condições crôni- rizonte foram mais freqüentes no sexo femini-
cas encontradas entre as mais prevalentes tam- no21. Na população norte-americana, a maior
bém em inquéritos realizados em outros países. parte das doenças é mais freqüente nas mulhe-
Na Holanda, dados do segundo inquérito na- res; os homens apresentam prevalências superi-
cional, realizado em 2000, apontaram que os pro- ores de doença coronariana, doença do fígado,
blemas mais freqüentes em pessoas com 25 anos diabetes e enfisema18.
ou mais, entre as 16 doenças pesquisadas, foram: A prevalência da maior parte das doenças au-
dor de cabeça, osteoartrite, hipertensão, proble- menta com a idade, com exceção de asma, como
mas nas costas, problemas de pescoço e ombros verificado no presente estudo e em outras pes-
e asma13. No Canadá, entre as 21 condições pes- quisas1, 18, 22.
quisadas, foram mais freqüentes: hipertensão, Os dados da PNAD-2003 apontam que as pes-
alergia, artrite e problema nas costas15. Hiperten- soas que se auto-referiram como de cor negra
são, alergia e artrite foram também as doenças apresentaram maior prevalência de cirrose, hi-
mais prevalentes em oito países pesquisados no pertensão e tuberculose, quando comparadas aos
estudo de Alonso et al.16, de 2004. Na população auto-referidos como brancos. Os indígenas apre-
dos Estados Unidos, entre adultos com 18 anos sentaram as freqüências mais elevadas para a mai-
ou mais, os problemas de saúde mais freqüentes oria das doenças pesquisadas. Outros inquéritos
foram dor nas costas (26%), hipertensão (21%), têm também detectado diferenças raciais na
artrite (21%), enxaqueca (15%) e sinusite morbidade. Estudo realizado na Carolina do Nor-
(14%)18. te revelou que os negros apresentavam mais hi-
A prevalência elevada de algumas poucas con- pertensão e diabetes, enquanto os brancos tinham
dições crônicas seria, em parte, a razão da seme- maiores prevalências de depressão, dor nas cos-
lhança no percentual de pessoas com ao menos tas e doença do coração, com análise ajustada para
um problema de saúde crônico, detectado em in- idade, sexo, escolaridade, obesidade, tabagismo
quéritos realizados em contextos tão distintos e e atividade física 23. Dados da população dos Es-
que incluem números tão diferentes de condi- tados Unidos mostram maior presença de hiper-
ções pesquisadas. tensão e diabetes nos negros e de diabetes, artrite
A variabilidade entre a freqüência de morbi- e dor nas costas nos indígenas, quando compa-
dade crônica da população de diferentes países rados aos brancos, sendo que dor nas costas é
pode ser apreciada pelos resultados da pesquisa mais freqüente em brancos do que em negros18.
de Alonso et al.16, de 2004, que relataram preva- Observou-se que, com exceção de artrite e
lência de artrite variando de 4,1%, no Japão, a insuficiência renal crônica, as demais condições
40,5%, na Itália (média de 15,7%); prevalência estudadas foram mais prevalentes na área urba-
de hipertensão variando de 9,4%, na Dinamarca, na. Pinheiro et al.17 também haviam observado,
a 23,8%, nos Estados Unidos (17,1%, em média); com os dados da PNAD-1998, prevalências su-
de doença crônica do pulmão, entre 1,8%, no Ja- periores dessas duas doenças na área rural. Pes-
pão, e 8,8%, na Itália (média de 5,9%), e preva- quisas realizadas em outros países também têm
924
Barros, M. B. A. et al.

apontado menor freqüência de condições crôni- do que as verdadeiras25. Apesar desta possível ten-
cas em moradores de áreas rurais. Na Escócia, dência, constata-se maior índice de morbidade e
Iversen et al.20 observaram na população rural co-morbidade nos segmentos de menor nível so-
prevalências significativamente mais baixas de cioeconômico, que também são os que utilizam
asma, do conjunto de doenças pulmonares, de os serviços de saúde com mais freqüência 26.
dermatites e de problemas cardíacos, após ajuste É necessário um aprimoramento dos instru-
para sexo, idade, pobreza e tabagismo. mentos de avaliação das condições crônicas para
Os dados da PNAD-2003 apontam que todas que seja possível monitorar com mais precisão a
as condições crônicas estudadas foram mais pre- dimensão da disparidade social na morbidade
valentes no segmento da população de menor ní- prevalente.
vel de escolaridade, à exceção de tendinite/sino- A validade da informação referida sobre do-
vite. Outros inquéritos realizados no Brasil e em ença crônica tem sido questionada e pesquisada
demais países apontam que as condições crôni- por muitos autores. Estudos de validação desta
cas tendem a acometer mais intensamente as ca- informação, confrontando-a com dados de regis-
madas de menor nível socioeconômico. Inquéri- tros e prontuários médicos, têm revelado que o
to realizado pelo Inca 24 em 15 capitais brasileiras grau de acurácia é distinto conforme a patologia
e no Distrito Federal detectou freqüências mais pesquisada, a presença de co-morbidades e as ca-
elevadas de diabetes, hipertensão e doença isquê- racterísticas sociais e demográficas do responden-
mica do coração nas pessoas com ensino funda- te11, 27-29. Há maior concordância entre informa-
mental incompleto. Em pesquisa realizada em al- ções de inquérito e de registros médicos em ca-
guns municípios do Estado de São Paulo 6, com sos de doenças que provocam maior grau de in-
exceção de alergia e depressão, todas as condi- capacidade. Mas também foi detectado que a in-
ções crônicas pesquisadas apresentaram nítido formação obtida em inquérito tem maior vali-
gradiente com aumento da freqüência acompa- dade na predição de futuras incapacidades 28. In-
nhando a redução dos anos de escolaridade. No formação referida sobre a presença de diabetes e
Inquérito Mundial de Saúde1, diabetes e esqui- hipertensão, bem como a de infarto do miocár-
zofrenia apresentaram-se significativamente mais dio e de acidente vascular cerebral, tem sido con-
prevalentes entre os de menor escolaridade. siderada válida, enquanto que teria pouca acurá-
Em pesquisa realizada na Holanda13, asma, cia a informação sobre insuficiência cardíaca 27.
problema nas costas e infarto do miocárdio re- Cricelli et al.10 observaram que as informações
velaram-se mais prevalentes no estrato de esco- auto-referidas sobre diabetes e hipertensão pro-
laridade inferior, enquanto câncer foi mais pre- duziam estimativas adequadas de prevalência,
valente no estrato superior. Na população dos não ocorrendo o mesmo para doença pulmonar
Estados Unidos, os segmentos de menor escola- obstrutiva e úlcera gastroduodenal.
ridade apresentam maior prevalência de hiper- Estudos têm revelado que, mesmo em seg-
tensão, bronquite crônica, câncer, diabetes, dor mentos considerados vulneráveis à maior sub-re-
nas costas e sintomas mentais. A prevalência de ferência, as informações são válidas se relativas a
asma não segue este padrão, apresentando valo- doenças bem definidas e importantes 30. Doenças
res semelhantes nos diferentes estratos de esco- que exigem acompanhamento médico e labora-
laridade. Artrite também não apresenta associa- torial tendem a ser mais bem informadas pelos
ção importante com o grau de escolaridade18. entrevistados. O reconhecimento da doença pelo
Glover et al.22, em inquérito realizado na Aus- indivíduo depende do grau de percepção de si-
trália e na Nova Zelândia, observaram que, com nais e sintomas, o que se relaciona com o uso
exceção de asma, na faixa de 25 a 64 anos, e de social do corpo e depende de inúmeras caracte-
doenças do sistema musculoesquelético, em pes- rísticas do indivíduo, além do acesso e qualidade
soas com 65 anos e mais, todas as demais condi- dos serviços médico-diagnósticos.
ções estudadas foram significativamente mais Podem ocorrer diferenças importantes na es-
prevalentes nos moradores de áreas mais pobres. timativa de prevalência, a depender da técnica
A magnitude das diferenças observadas en- utilizada. O uso de checklist melhora a validade
tre os estratos socioeconômicos é considerada ser da informação obtida em surveys9. Também foi
subestimada pelo fato de os segmentos de me- verificado que entrevistas face a face produzem,
nor escolaridade tenderem a sub-referir a pre- para a maior parte das doenças, informação mais
sença de morbidades. As disparidades sociais es- precisa do que a obtida por meio de questioná-
timadas pelas prevalências de doenças crônicas rio auto-administrado31.
avaliadas em inquéritos seriam, assim, menores Uma limitação importante nestas pesquisas
925

Ciência & Saúde Coletiva, 11(4):911-926, 2006


deriva também da obtenção das informações de ção referida é um limitante para as estimativas
um proxy da pessoa sorteada. O percentual em de prevalências de doenças crônicas, os padrões
que isto ocorre na PNAD é bastante elevado, es- epidemiológicos observados tendem a ser alinha-
pecialmente nos homens e em alguns grupos so- dos com os obtidos por outras fontes de dados,
ciodemográficos. Verificou-se que, se o respon- e os inquéritos de saúde têm sido crescentemen-
dente é a própria pessoa, a prevalência de ter ao te utilizados para avaliar o estado de saúde das
menos uma doença crônica aumenta considera- populações e a ocorrência de morbidade. O pre-
velmente, conforme a faixa etária (Tabela 1), se sente estudo permitiu traçar um painel do perfil
compararmos à situação em que o informante é epidemiológico da prevalência de doenças crô-
um proxy. A obtenção da informação por um fa- nicas da população brasileira. Significativas de-
miliar é considerada boa, a depender da doença sigualdades foram detectadas na magnitude das
investigada32. No presente estudo, as razões de prevalências e no perfil de morbidades, segundo
prevalência foram ajustadas para a variável tipo escolaridade, gênero, cor/raça, macrorregião de
de respondente, além de idade, sexo e macrorre- residência e situação do domicílio. Muitas das
gião de residência, para evitar a influência do tipo diferenças detectadas nesta pesquisa são concor-
de informante nas comparações feitas. dantes com resultados de outros inquéritos e de
outras fontes de dados. Considerando, porém, o
conjunto de fatores que influenciam a percepção
Conclusão e o relato das morbidades, outras pesquisas tor-
nam-se necessárias para confirmar alguns dos
Mesmo considerando que a validade da informa- achados deste estudo.

Colaboradores Agradecimentos
MBA Barros, CLG César e L Carandina partici- À Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministé-
param da concepção teórica, da elaboração, do rio da Saúde que, por intermédio do apoio ao
planejamento das análises estatísticas e da reda- Centro Colaborador em Análise de Situação de
ção final do texto. GD Torre realizou as análises Saúde do DMPS-FCM-Unicamp, deu suporte ao
estatísticas. desenvolvimento do presente estudo.

Referências

1. Theme-Filha MM, Szwarcwald CL, Souza-Júnior PRB. 4. Travassos C, Viacava F, Fernandes C, Almeida CM.
Socio-demographic characteristics, treatment coverage Desigualdades geográficas e sociais na utilização
and self-rated health of individuals who reported six de serviços de saúde no Brasil. Rev C S Col 2000;
chronic diseases in Brazil, 2003. Cad Saúde Pública 5(1):133-49.
2005; 21(Supl):S43-S53. 5. Monteiro CA, Moura EC, Jaime PC, Lucca A, Florindo
2. Almeida MF, Barata RB, Monteiro CV, Silva ZP. Preva- AA, Figueiredo ICR, et al. Monitoramento de fatores
lência de doenças crônicas auto-referidas e utilização de risco para doenças crônicas por entrevistas telefô-
de serviços de saúde, PNAD/1998, Brasil. Rev C S Col nicas. Rev Saúde Pub 2005; 39(1): 47-57.
2002; 7(4):743-56. 6. Cesar CLG, Carandina L, Alves MCGP, Barros MBA,
3. Viacava F. Informações em saúde: a importância Goldbaum M, organizadores. Saúde e condição de vida
dos inquéritos populacionais. Rev C S Col 2002; em São Paulo. Inquérito multicêntrico de saúde no Es-
7(4):607-21. tado de São Paulo – ISA-SP. 1ª ed. São Paulo: FSP/USP;
2005.
926
Barros, M. B. A. et al.

7. Szwarcwald CL, Viacava F. Pesquisa Mundial de 21. Lima-Costa MF. A saúde dos adultos na Região
Saúde no Brasil. Cad Saúde Pública 2005; Metropolitana de Belo Horizonte: um estudo epi-
21(Supl):S4-S5. demiológico de base populacional. Belo Horizonte:
8. Szwarcwald CL, Souza-Júnior PRB, Esteves MAP, Da- Nespe, Fiocruz, UFMG; 2004.
macena GN, Viacava F. Socio-demographic determi- 22. Glover JD, Hetzel DM, Tennant SK. The socioeco-
nants of self-rated health in Brazil. Cad Saúde Pública nomic gradient and chronic illness and associated
2005; 21(Supl):S54-S64. risk factors in Australia. Aust New Zealand Health
9. Knight M, Stewart-Brown S, Fletcher L. Estimating he- Policy 2004; 1(1):8.
alth needs: the impact of a checklist of conditions and 23. Coeytaux RR, Gillespie HM, Callahan LF, Kaufman JS,
quality of life measurement on health information de- Plescia M, Williams C, et al. Racial disparities in heal-
rived from community surveys. J Public Health Med th between white and African American family practi-
2001; 23(3):179-86. ce patients: clinical implications. N C Med J 2004;
10. Cricelli C, Mazzaglia G, Samani F, Marchi M, Sabatini 65(6):330-4.
A, Nardi R, et al. Prevalence estimates for chronic dise- 24. Brasil. Ministério da Saúde. Inquérito domiciliar so-
ases in Italy: exploring the differences between self-re- bre comportamentos de risco e morbidade referida de
port and primary care databases. J Public Health Med doenças e agravos não transmissíveis: Brasil, 15 capi-
2003; 25(3):254-7. tais e Distrito Federal, 2002-2003. Rio de Janeiro: Inca;
11. Skinner KM, Miller DR, Lincoln E, Lee A, Kazis LE. 2004.
Concordance between respondent self-reports and me- 25. Mackenbach JP, Looman CW, van der Meer JB. Diffe-
dical records for chronic conditions: experience from rences in the misreporting of chronic conditions, by
the Veterans Health Study. J Ambul Care Manage 2005; level of education: the effect on inequalities in preva-
28(2):102-10. lence rates. Am J Public Health 1996; 86(5):706-11.
12. Barros AJ, Hirakata VN. Alternatives for logistic regres- 26. Droomers M, Westert GP. Do lower socioeconomic
sion in cross-sectional studies: an empirical compari- groups use more health services, because they suffer
son of models that directly estimate the prevalence ra- from more illnesses? Eur J Public Health 2004;
tio. BMC Med Res Methodol 2003; 3(1):21. 14(3):311-3.
13. Westert GP, Schellevis FG, de Bakker DH, Groenewe- 27. Okura Y, Urban LH, Mahoney DW, Jacobsen SJ, Ro-
gen PP, Bensing JM, van der Zee J. Monitoring health deheffer RJ. Agreement between self-report question-
inequalities through general practice: the second Du- naires and medical record data was substantial for di-
tch National Survey of General Practice. Eur J Public abetes, hypertension, myocardial infarction and stroke
Health 2005; 15(1):59-65. but not for heart failure. J Clin Epidemiol 2004;
14. Iron KS, Manuel DG, Williams J. Using linked data set 57(10):1096-103.
to determine the factors associated with utilization and 28. Ferraro KF, Su YP. Physician-evaluated and self-repor-
costs of family physician in Ontario: effects of self-re- ted morbidity for predicting disability. Am J Public He-
ported chronic conditions. Chronic Dis Can 2003; alth 2000; 90(1):103-8.
24(4):124-32. 29. Goldman N, Lin IF, Weinstein M, Lin YH. Evaluating
15. Schultz SE, Kopec JA. Impact of chronic conditions. the quality of self-reports of hypertension and diabe-
Health Rep 2003; 14(4):41-53. tes. J Clin Epidemiol 2003; 56(2):148-54.
16. Alonso J, Ferrer M, Gandek B, Ware Jr. JE, Aaronson 30. Simpson CF, Boyd CM, Carlson MC, Griswold ME,
NK, Mosconi P, et al. Health-related quality of life as- Guralnik JM, Fried LP. Agreement between self-report
sociated with chronic conditions in eight countries: of disease diagnoses and medical record validation in
results from the International Quality of Life Assess- disabled older women: factors that modify agreement.
ment (IQOLA) Project. Qual Life Res 2004; 13:283-98. J Am Geriatr Soc 2004; 52(1):123-7.
17. Pinheiro RS, Viacava F, Travassos C, Brito AS. Gênero, 31. Bergmann MM, Jacobs EJ, Hoffmann K, Boeing H.
morbidade, acesso e utilização de serviços de saúde no Agreement of self-reported medical history: compa-
Brasil. Rev C S Col 2002; 7(4):687-707. rison of an in-person interview with a self-administe-
18. Lethbridge-Cejku M, Schiller JS, Bernadel L. Summa- red questionnaire. Eur J Epidemiol 2004; 19(5):411-6.
ry health statistics for U.S. adults: National Health In- 32. Halabi S, Zurayk H, Awaida R, Darwish M, Saab B. Re-
terview Survey, 2002. Vital Health Stat 10 2004; (222):1- liability and validity of self and proxy reporting of
151. morbidity data: a case study from Beirut, Lebanon. Int
19. Macintyre S, Der G, Norrie J. Are there socioeconomic J Epidemiol 1992; 21(3):607-12.
differences in responses to a commonly used self re-
port measure of chronic illness? Int J Epidemiol 2005;
34(6):1284-90.
20. Iversen L, Hannaford PC, Price DB, Godden DJ. Is li- Artigo apresentado em 29/03/2006
ving in a rural area good for your respiratory health? Aprovado em 17/04/2006
Results from a cross-sectional study in Scotland. Chest Versão final apresentada em 15/05/2006
2005; 128(4):2059-67.

Você também pode gostar