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Dados e Medidas de Tendência Central

O documento aborda a importância da Estatística na tomada de decisões e na pesquisa científica, dividindo-a em estatística descritiva e inferencial. Ele descreve conceitos fundamentais como população, amostra e variáveis estatísticas, além de discutir a organização e representação de dados, incluindo tabelas de frequências e gráficos. Por fim, menciona a necessidade de medidas de tendência central para resumir e interpretar dados estatísticos.
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Dados e Medidas de Tendência Central

O documento aborda a importância da Estatística na tomada de decisões e na pesquisa científica, dividindo-a em estatística descritiva e inferencial. Ele descreve conceitos fundamentais como população, amostra e variáveis estatísticas, além de discutir a organização e representação de dados, incluindo tabelas de frequências e gráficos. Por fim, menciona a necessidade de medidas de tendência central para resumir e interpretar dados estatísticos.
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DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL

Ficha1

INTRODUÇÃO
Quem pretende tomar decisões ou efectuar estudos de natureza
cientifica começa normalmente por recolher os factos que lhe
parecem relevantes e organizar de forma mais adequada. Respostas a
questões importantes relativamente a um determinado fenómeno
baseiam-se muitas vezes na observação a grupos de indivíduos (ou
casos) com características similares ao fenómeno em estudo.
A importância da Estatística é inquestionável na investigação e
tomada de decisões na medida em que constitui um pré-requisito para
a compreensão de relatórios de investigação elaborados por outros
Investigadores ou Cientístas em geral.
Define-se Estatística a uma ciência que consiste na observação de
fenómenos de mesma natureza, recolha apresentação, análise e
interpretação dos dados numéricos com o propósito de descrever o
conjunto dos dados recolhidos e tomar decisões ou generalizações das
características tiradas na amostra, para todo o conjunto das unidades
a estudar.

Esta ciência está dividida em duas partes: estatística descritiva e


estatística inferencial ou indutiva.
Estatística descritiva parte da estatística que tem como objectivo a
observação de fenómenos de mesma natureza, colecta, organização,
classificação, análise e interpretação dos dados para além de cálculo
de medidas (estatísticas), que permitem resumidamente descrever o
fenómeno estudado.
Estatística inferencial ou indutiva parte da estatística que trata
das condições de generalização das conclusões tiradas a partir da
observação de uma parte das unidades (amostra), para todo o
conjunto das unidades a estudar (população).
1
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Fenómeno estatístico qualquer evento que se pode analisar


aplicando técnicas estatísticas
População ou Universo é a totalidade dos elementos que
apresentam pelo menos uma característica comum objecto de estudo.
Ela pode ser finita ou infinita consoante seja finito ou infinito o
número de elementos considerados na observação.

Amostra é uma parte das unidades estatísticas seleccionadas da


população para o estudo, muitas vezes quando não é possível ou é
difícil estudar toda a população.

Características da Informação estatística


A informação estatística é um instrumento ao serviço do
desenvolvimento de uma realidade. É um meio, não um fim porque ela
está ao serviço do utilizador de dados estatísticos-governantes,
gestores, homens de negócios, sociólogos, investigadores, etc.

Pela natureza da informação estatística ela deve obedecer as


seguintes características: Qualidade, Actualidade e Utilidade.
Qualidade-os dados estatísticos devem traduzir uma realidade de
forma simples e clara. O controlo de qualidade dos dados é uma tarefa
indespensável para a sua fiabilidade e por outro a informação
estatística deve ser completa pois não faz sentido preparar e divulgar
dados baseados em apuramentos parciais.

Actualidade a informação deve estar disponível de forma atempada a


pessoas que precisam utilizá-la no momento necessário. Isto implica
um esforço de actualidade na obtenção dos dados, preparação e
divulgação dos resultados.

2
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Utilidade a informação estatística serve de um meio para o


desenvolvimento das sociedades. Praticamente é um instrumento de
tomada de decisões. É por isso que ela deve ser compreendida pelos
utilizadores, o que significa que ela deve ser acompanhada de todos
aspectos metodológicos mais relevantes, gráficos, tabelas, notas
explicativas, etc., para permitir a percepção do seu verdadeiro
conteúdo e significado.

Organização de Dados
a) Tipos de variáveis estatísticas
Uma variável é uma entidade que em determinado instante assume
um determinado valor.
Uma variável estatística pode ser qualitativa ou quantitativa:
Ela é qualitativa quando se classifica em diversas modalidades ou
categorias e é quantitativa quando tem uma modalidade com
intensidades diferentes.
Repare no esquema seguinte:
ESCALAS USADAS PARA MEDIR OS ATRIBUTOS
1. Escala Nominal- é aquela que separa os atributos em categorias
diferentes não forçando uma ordenação em termos de hierarquia.
Na utilização destas escalas é preciso que se obedeçam três
condições:
a1) A divisão deve ser coerente de acordo com um único critério
a2) A divisão deve ser completa.
a3) As categorias que participam na divisão devem ser
mutuamente excluisivas.

3
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

2. Escala Ordinal- baseia-se numa classificação hierárquica.


Através destas escalas os atributos são colocados em
determinada ordem conforme um critério escolhido.
3. Variável estatística discreta-quando só pode tomar valores
isolados num intervalo finito ou infinito. Ex: X={x1, x2, ...., xn }
4. Variável estatística contínua-quando pode tomar qualquer valor
dentro de um intervalo finito ou infinito. Ex: Dado um intervalo
[a, b] com a<b, existe um valor x tal que a<x<b
b) Distribuição de frequências
Como foi referido, um dos passos para divulgação da informação
estatística é a organização desta, ou seja, para que uma informação
recolhida seja divulgada é necessário que esta seja organizada de
modo a ser percebida pelos leitores ou outros investigadores.
Dados Brutos-são os dados originais que ainda não se encontram
numericamente organizados.
Rol estatístico ou simplesmente Rol-é uma lista em que os
valores ou dados numéricos são dispostos em uma determinada
ordem, crescente ou decrescente.
Amplitude total ou “Range” é a diferença entre o maior valor e o
menor da série estatística, ou é a diferença entre os extremos do
rol. At = Xmax - Xmin
Ex: Os dados a seguir correpondem ao consumo de água de uma
determinada família, ilustrando as três definições anteriores.
a) Dados brutos: 58 62 80 57 28 96 19 90 86 38
b) Rol: 19 28 38 57 58 62 80 86 90 96
c) At = 96-16 = 77
Assim para valores de consumo de água, a amplitude total é 77 dm 3
Há duas maneiras de representar a distribuição de frequências dos
dados: quando os valores são não classificados ou não

4
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

agrupados ( tabela 1) e quando os dados são classificados ou


agrupados ( tabela 2)

Tabela 1
Tabela 2 Class Frequen
i
Frequên es cias
i Salário
cia 00 –
2.500.000 04
,00 1 04 – 2
1 3.000.000 2 2 08 7
2 ,00 4 3 08 – 10
3 3.460.000 3 4 12 14
As
4 ,00 1 12 –
4.000.000 16
,00 total - 33
total - 10 distribuições de frequências
não agrupadas são utilizadas quando temos poucos dados e o
número de valores ou o número das modalidades apresenta
repetições. Se o número de dados observados for grande é
conveniente agrupar os dados em classes.
Frequências Absolutas, Relativas e Acumuladas
a. Frequência absoluta (fi) é o número de repetições de um valor
individual ou de uma classe de valores da variável.
b. Frequência relativa (fr) é a proporção de observações de um valor
individual ou de valores pertencentes a uma categoria em relação
ao número total de observações.

ou onde

5
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

c. Ferquência absoluta acumulada (Fi) é a soma da frequência


absoluta dessa ordem ou classe i, com as frequências anteriores
partindo de cima para baixo.
d. Frequência relativa acumulada (Fr) pode ser calculada a partir da
definição de frequências acumuladas ou da definição de
frequências relativas

Representação da tabela de frequências para dados não agrupados


I xi fi fr fr% Fi Fr Fr%
1 2 3 0.12 12 3 0.12 12
2 6 4 0.16 16 7 0.28 28
3 10 10 0.4 40 17 0.68 68
4 14 6 0.24 24 23 0.92 92
5 18 2 0.08 08 25 1.00 100
- - 25 1.00 100 - - -

Distribuição de frequências para dados agrupados


Consideremos a seguinte tabela que representa as alturas de 50
indivíduos medidos até aos centímetros.
162188 173 168 179 183 167 186 177 187 174 164 174 159
177 173 163
180196 171 184 179 190 181 166 181 182 176 169 172 162
175 192 178
177 200 191 188 168 165 193 175 160 180 187 176 170
156 174 179

Desta forma e atendendo que o número de observações é grande,


vamos fazer um agrupamento das unidades estatísticas em classes. A

6
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

escolha do número de classes é variável consoante a conveniência e o


número de casos observados.
Atente aos seguintes conceitos:
Limites de classes são os valores extremos de cada classe, por
exemplo na Tabela 2 temos a segunda classe dada por , neste
caso o limite inferior ( ) da classe é e o limite superior ( ) da classe
é
Intervalo ou amplitude de classe é a diferença entre o limite
superior e inferior de das classes
Ponto médio de classe é o valor que representa a classe para efeitos

de cálculo e determina-se fazendo

Para a elaboração de uma tabela de frequências com dados agrupados


é necessário no mínimo seguir algumas regras. Os procedimentos
mais comuns têm os seguintes passos.
Passo1. Construir o Rol
Passo2. Determinar a amplitude total
Passo3. determinar ou escolher o número de classes
Método1. escolher arbitrariamente k entre 5 a 20
Método2. calcular pela fórmula de Sturges, k=1+3.3logN
Método3.

Passo4. Determinar o intervalo de classe

Passo5. Determinar os limites inferior e superior das classes.

Exemplo: A partir dos dados anteriores construir a tabela de


distribuição de frequências absolutas e determinar os pontos médios
das classes.
Resolução
Usando as regras anteriores temos:
7
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

1. do Rol obtido: Xmax=200 e Xmin=156


2. amplitude total: At = 200-156 = 44
3. método2, k =1+3.3log50 = 6.6 ≈ 7.0, método3, k = √50
= 7.07 ≈ 7.0

4.

Frequência
i Classes (cm)
s

1 [156.0 – 162.3[ 5 159.15


2 [162.3 – 168.6[ 7 165.45
3 [168.6 – 174.9[ 9 171.75
4 [174.9 – 181.2[ 15 178.05
5 [181.2 – 187.5[ 6 184.35
6 [187.5 – 193.8[ 6 190.65
7 [193.8 –200.1[ 2 196.95

som
- 50 -
a

Representação Gráfica
Para representar uma informação resumida numa tabela de
distribuição de frequências de dados não agrupados (variável
discreta), basta apresentar um diagrama de barras para as
frequências absolutas ou relativas e uma ogiva para as acumuladas.
Para dados agrupados as diferentes formas de representação de
distribuições de frequências para dados não agrupados também

8
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

podem ser feitas, neste caso os pontos médios de classe representarão


os pontos individuais.
Histograma é mais uma forma apropriada de representação de dados
agrupados. O histograma é um diagrama de áreas, formado por
rectângulos de forma que a área de cada um deles seja proporcional a
frequência de classe.

Gráfico sectorial (Circular)

9
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Diagrama de Barras
16

Frequencia Absoluta (fi)


14

12

10

0
159.15 165.45 171.75 178.05 184.35 190.65 196.95

Ponto medio da Classe


Frequencias Acumuladas (Fi)

Poligno de frequencias Acumuladas (Ogiva)


60

50

40

30

20

10

0
159.15 165.45 171.75 178.05 184.35 190.65 196.95

Ponto medio da classe

10
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Histograma de distribuicao de frequencias


30

Frequencia absoluta-fi
20

10

0
160.0 170.0 180.0 190.0 200.0

Ponto medio da classe

Diagrama de Dispersao
16
Frequencia Absoluta-fi

14

12

10

0
150 160 170 180 190 200

Altura em cm

Medidas de Tendência Central

11
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

O tratamento e interpretação torna-se difícil para quem pretende


colocar uma informação como um todo, razão pela qual costuma-se
calcular algumas medidas que resumidamente traduzem as
características importantes das distribuições de frequências.
Existem três grupos de medidas que resumem um conjunto de dados
observados. As medidas de tendência central, as medidas de
dispersão e as características da forma de distribuição.
Nota: em estatística, uma medida descritiva de uma população, ou
um parâmetro populacional é, geralmente representado por uma letra
Grega, enquanto que uma medida de uma amostra, ou estatística
amostral, por uma letra Romana. Seguem-se alguns exemplos:

População (Parâmetros) Amostra (estatísticas)


Média -
Variância -2 s2
Desvio Padrão - S
Tamanho da População –N Tamanho da amostra –n

Os índices de centro de distribuição ou medidas de tendência central


(medidas de localização), assim designados em virtude da tendência
que todos os dados observados têm em torno desses valores centrais.
Este grupo inclui: as grandezas média, moda, mediana, quartis, decis
e percentis.

Algumas anotações importantes


Simbolo de somatório: lê-se sigma ou somatório.
Algumas propriedades importantes do somatório:

1)

12
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

2) onde “a” é uma constante

3)

4)

5)

6)

A Média – é uma grandeza ou valor representativo de um conjunto de


dados como eles tendem a se localizar em torno do ponto central. A
média aritmética é a mais usada pelos estatísticos, podendo esta ser
simples ou ponderada.

Simples dados não agrupados.

Ponderada dados agrupados ou em

classes onde é ponto médio da classe i.


A Moda (Mo) define-se como o valor da variável que ocorre com mais
frequência. Para casos em que o número das observações não é muito
elevado esta medida pode ser lida no rol. De acordo com as
frequências de cada valor observado, é possível não ter uma moda
(distribuição amodal), ter uma (unimodal), duas (bimodal), três
(trimodal), etc.
Quando temos dados agrupados em classe, a moda é calculada por
aproximação, começando por localizar a classe modal, se necessário

13
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

deve-se conhecer a moda bruta. Formalmente usa-se a fórmula de


aproximação de Czuber para o cálculo da moda.

, onde:

li – Limite inferior da classe modal


fmo – frequência da classe modal
fa – frequência da classe anterior a classe modal
fp – frequência da classe posterior a classe modal
i – intervalo de classe da classe modal
A Mediana (Me) –é uma separatriz que divide a distribuição ou
conjunto de dados em duas partes iguais.
Para dados não agrupados, a mediana é o valor que está na posição
mediana para n ímpar e é a média aritmética dos dois valores centrais
para n par.
Para dados agrupados em classe, a mediana é determinada por
aproximação. A detrminação da classe mediana passa pelo cálculo das
frequências acumuladas.

, onde:

li –limite inferior da classe mediana


fme – frequência da classe mediana
Fa – frequência acumulada da classe anterior a classe mediana
i – intervalo de classe da classe mediana.

Exemplo: A partir da tabela apresentada, determine a média, moda e mediana da


distribuição.
i Classes fi Fi
1 10 – 20 10 15 150
10

14
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

2 20 - 30 20 25 500
30
3 30 – 40 35 35
1225 65
4 40 – 50 40 45
1800 105
5 50 – 60 25 55
1375 130
6 60 – 70 15 65 975
145
7 70 – 80 5 75 375
150
- 150 - 6400
-

Média:

Moda:

Mediana:

Quartís, Decís e Percentís

Como foi referido, para além da média, os quartís, decís e percentís


são outros separatrizes utilizados como medidas de posição. Os
quartís dividem o conjunto de dados ou distribuição de frequências
em quatro partes iguais.

0% 25% 50% 75% 100%

15
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Q1 Q2 Q3

Q1 – deixa 25% dos elementos, Q2 coincide com a mediana e deixa


50% dos elementos e Q3 dixa 75% dos elementos.

Para dados agrupados pode-se calcular o quartil de ordem c usando a


fórmula de aproximação

onde:

c- é a ordem do quartil
liqc –limite inferior da classe onde existe o quartil
Fa –Frequência acumulada até a classe onde existe o quartil.
fqc – frequência absoluta da classe onde existe o quartil.

0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80%


90% 100%

D1 D2 D3 D4 D5 D6 D7 D8
D9
Para efeitos de cálculo, quando os dados estão agrupados a fórmula é
semelhante a dos separatrizes anteriores

Os percentís são as medidas que dividem a amostra em 100 partes


iguais. Assim:

0% 1% 2% 3% ….. ……. 98%


99% 100%

P1 P2 P3 ....... ................. P7 P8
P9
Para calcular o percentil de ordem c basta usar a fórmula:

16
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Exemplo: Registaram-se as alturas de 100 estudantes de uma


faculdade, tendo-se obtido a seguinte tabela de distribuição de
frequências:

i classes fi
Fi
1 1.40 – 1.46 7
7
2 1.46 – 1.52 9 16
3 1.52 – 1.52 5 21
4 1.58 – 1.64 12 33
5 1.64 – 1.70 26 59
6 1.70 – 1.76 20 79
7 1.76 – 1.82 11 90
8 1.82 – 1.88 10
100
 – 100 –

Determine os valores das separatrizes: Me, Q1, D3 e P80 e comente


os resultados.
Resolução:

 Mediana:

 Primeiro Quartil:

 Terceiro Decil:

 Percentil 80:

Dos 100 estudantes, 50% destes têm uma estatura inferior a 1.68cm,
25% dos estudantes possuem altura inferior a 1.60, 30% dos
17
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

estudantes possuem altura menor que 1.63 e so 20% dos 100 tem
altura igual ou superior a 177cm.

Medidas de Dispersão

Como sabe, nos fenómenos cuja análise intervém o método estatístico,


bem como nos dados estatísticos a eles referentes, caracterizam-se
tanto pela sua semelhança, quanto pela sua variabilidade. Assim o
cálculo de um promédio sobre um conjunto de dados tem sentido,
caso contrário não teria sentido calcular a média de um conjunto de
dados onde não haja variação dos seus elementos.

Para medir o grau de variabilidade ou dispersão de um conjunto de


valores são calculadas outras medidas estatísticas denominadas
medidas de dispersão.
As medidas de dispersão permitem verificar as flutuações das
observações face as medidas de tendência central. Elas proporcionam
um conhecimento mais completo do fenómeno a ser analizado em
termos de conjuntos absolutos bem como relativos, estabelecendo
comparações entre fenómenos de mesma natureza e mostrando até
que ponto os valores se distribuem acima e abaixo da medida de
tendência central.
De um modo geral as medidas de dispersão podem ser absolutas e
relativas. Os índices mais relevantes deste grupo das características
de distribuições de frequências são a variância, o desvio padrão e o
coeficiente de variação.

18
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Variância (2 ou s2) de um conjunto de números, é a média aritmética


dos quadrados dos desvios absolutos desses números em relação a
sua média aritmética.

para n>30 e caso contrário.

Para dados agrupados em classes


A variância é dada pela equação seguinte

O Desvio padrão ( ou s) é a medida de dispersão mais usada. O


desvio padrão é a raiz quadrada positiva da média aritmética dos
quadrados dos desvios dos valores observados em relação a grandeza
média.

se n>30 e caso contrário

Para dados agrupados em classes o Desvio padrão é dado pela


equação

Exemplo: calcular a variância e o respectivo desvio padrão das notas


obtidas numteste realizado para 50 estudantes.

19
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

1 8 7 56 -2.64 48.7872
2 7 8 72 -1.64 21.5168
3 10 9 90 -0.64 3.6864
4 11 10 110 0.36 1.2960
5 12 8 96 1.36 14.7968
6 13 4 52 2.36 22.2784
7 14 4 56 3.36 45.1584
 – 50 532 – 157.5200

Média: Variância:

Desvio padrão:

Para determinados tipos de problemas, as medidas de variabilidade


absolutas tais como o desvio padrão e a variância, não são muito
expressivas, neste caso as medidas de dispersão relativa
proporcionam uma avaliação mais apropriada do grau de dispersão da
variável.

Os coeficientes de variação são medidas de variação relativas que


muitas vezes são expressas em percentagem, eles resultam do
quociente entre uma medida de dispersão absoluta e um promédio.

20
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Coeficiente de variação. Quando a dispersão absoluta é igual ao


desvio padrão e o promédio é a média aritmética, a dispersão real é
denominada coeficiente de variação de Pearson. Este é o
coeficiente mais vulgar e é o mais utilizado designando-se coeficiente
de variação ou coeficiente de dispersão, seu valor é expresso muitas

vezes em percentagem.

Diz-se que a distribuição possui menor variabilidade (dispersão), se C v


for menor ou igual a 10% e diz-se que possui média variabilidade se C v
superar 10% e não superar 20% e diz-se possuir grande variabilidade
caso Cv seja superior a 20%.

Duma maneira geral, quando comparamos dispersões podem ocorrer


três situações:
 As observações vêm expressas na mesma unidade de medida, e
as médias são iguais ou muito próximas, é conveniente
comparar com os valores de desvio padrão.
 As observações vem expressas na mesma unidade de medida e
as médias são significativamente diferentes, é conveniente
comparar com as medidas de dispersão relativa como o
coeficiente de variação de Pearson.
 As observações vêm expressas em unidades de medida
diferentes, é totalmente conveniente neste caso comparar com
as medidas de dispersão relativa como o coeficiente de variação
de Pearson.

21
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

PARTE PRÁTICA
1. Classifique as seguintes variáveis em contínuas, ou discretas
Altura, peso ou idade de uma pessoa
Notas obtidas de um teste
A distância entre um ponto e outro de um País
2. Identifique e classifique a variável
Notas
Nota do
dos Número de Nome do
primeiro
estudant setudantes estudante
teste
es
0 à 5 12 Alberto 12.4
5à 10 35 João 17.5
10 à 20 20 Yola 8.5
Total 67 Delcia 11.0

3. Uma variável cuja medição é sempre aproximada para permitir um número


ilimitado de valores intermédios é classificada como:
a) intervalo b) razão c) contínua d) discreta
4. Que medida de tendência central seria mais aproximada para repor a cor
dos olhos mais típica numa população ?
a) amplitude b) média c) mediana d) moda

22
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

5. Um estudo sobre 10 microempresas apurou os seguintes valores sobre o


número de empregados
5,2,4,3,7,2,5,3,8,1

a) b) c) d) e) f)

6. Rescreva as seguintes expressões utilizando o operador somatório:


a)X +...+X b) c)

7. Verficar se as seguintes asserções são verdadeiras ou falsas:

a) b)

8. Existem os seguintes dados de 45 alunos, obtidos num teste.


6 3 5 7 5 7 7 5 6 7 4 4 3 3 6
6 6 7 4 5 7 5 4 6 6 4 3 7 6 5
6 3 5 7 5 7 7 5 6 7 4 4 3 3 6
a) Elabore uma tabela de distribuição de frequências.
b) Calcule as frequências relativas.
9. Uma amostra de 67 professores mostrou os seguintes anos de serviço:
06 08 10 13 15 17 19 25 34 06 08 10
39 17 19 25 32 06 08 10 11 13 15 17
18 25 33 09 11 12 14 17 19 24 30 05
07 22 11 13 14 22 29 04 07 09 11 12
14 16 18 23 30 04 97 12 16 18 21 26
02 07 09 11 05 32 27
a) Construir a tabela de distribuição de frequências.
b) Calcule as frequências relativas e as frequências acumuladas
c) Apresente o histograma da distribuição de frequências.
10. Numa turma dum determinado ano, estão matriculados 52 alunos.
O levantamento das fichas biométricas revelou as seguintes estaturas em
centímetros
161 153 151 148 172 160 157 170 158 163 155 155 154 165 149 156 156 160 158

23
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

167 152 155 156 161 152 158 163 165 168 165 160 159 157 160 152 154 158 170
151 157 165 175 157 161 159 168 153 155 157 162 152 159
a) Apresente a tabela de distribuição das frequências absolutas bem como os
pontos médios de cada classe.
11. Dada a distribuição de frequências das estaturas em centímetros
de 42 estudantes matriculados num determinado ano escolar:
i Classes das frequência - fi

1 estaturas
[148 (cm)
152[ 4
2 [152 156[ 9
3 [156 160[ 11
4 [160 164[ 8
5 [164 168[ 5
6 [168 172[ 3
7 [172 176[ 2
Total 42
Calcule o número de estudantes com altura igual ou superior a 160 cm.
Encontre a percentagem de estudantes com altura menor que 164 cm.
Represente o histograma correspondente a esta distribuição.
Desenhe as ogivas das frequências acumuladas no mesmo sistema.
Aproxime a situação de (c) para uma curva de distribuição de frequências.
12. A seguinte tabela apresenta a distribuição do número de chamadas recebidas num posto
telefônico em periodos dum minuto:
X Frequên
0 40
cia
1 26
2 14
3 6
4 3
5 0
6 1
a)Classificar a variável
b)Calcular as frequências relativas
c)Calcular a média aritmética, a moda e a mediana
d)Calcular o coeficiente de variação

24
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

e)Fazer um gráfico apropriado para esta variável

13. A tabela a seguir apresenta-se uma distribuição de frequência das cargas axiais (em libras)
de latas de alumínio fabricadas por uma companhia:

Carga Frequênci
200-210
Axial 9
a
210-220 3
220-230 5
230-240 4
240-250 4
250-260 14
260-270 32
270-280 52
280-290 38
290-300 114

a)Classificar a variável
Determinar:
1.- 0 limite superior da quinta classe
2.- 0 limite inferior da oitava classe
3.- 0 ponto médio da décima classe
4.- Amplitude da quarta classe
5.- A frequéncia da nona classe
6.- A frequência relativa da sexta classe
7.- A Frequência absoluta acumulada da terceira classe
8.- A Frequência relativa acumulada da segunda classe
9.- A percentagem de latas cuja carga axial não excede as 230 libras
10.- A percentagem das latas de carga axial seja maior que 270 libras
14. Calcular a média, a mediana, a moda e o coeficiente de variação dos dados do exercício
anterior.

25
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

15. O conjunto de dados seguintes corresponde as cargas axiais(em kg) de latas de aluminio.
A carga axial de uma lata e o peso máximo suportado por seus lados e é medida utilizando-se
uma placa para aplicar uma pressão crescente ao topo da lata, até que ela ceda. É importante
ter uma carga axial sufitientemente grande afim de a lata não ceder quando se coloca a
tampa sob pressão

122 124 117 93 115 103 128 126 91 119


120 101 124 104 113 125 127 123 119 126
125 126 118 119 124 130 124 207 132 130
126 128 119 126 134, 124 123 120 125 119
114 131 110 129 109 125 91 126 128 122
a)Classificar a variável
b)Construir uma tabela de distribuição de frequências
c)Calcular a média, a mediana e a moda
d)Calcular a variância, desvio padrão e coeficiente de variação.

16. Calcula a média de um estudante numa disciplina na qual realizou 5 testes com as
seguintes notas:
17, 18, 15, 16, 19, com os quatro primeiros testes valendo 15% cada um, e o último
valendo 40%.

17. Um conjunto de 20 valores tem uma média igual a 50, outro conjunto de 20 valores tern
uma média igual a 30. 0 desvio padrão dos 40 valores considerados conjuntamente é igual a
10;
Calcular o coeficiente de variação do conjunto dos 40 números.

18. Os seguintes dados correspondem a tempos de espera de clientes no BIM(onde todos os


clientes formam uma fila única) e no BCI(onde os clientes formam filas separadas para cada
um dos três caixas):
BIM 6,5 6,6 6,7 6,8 7,1 7,3
26
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

BCI 4,2 5,4 5,8 6,2 6,7 7,7


Comparar a variabilidade do tempo de espera nos dois bancos.

19. Dois grupos diferentes duma turma de Bioestatística fazem o mesmo teste-surpresa, com
as notas relacionadas a seguir.
Grupo1 2 20 19 20 19 20 19
Grupo2 3 2 4 5 14 15 16
Em termos relativos, qual dos dois grupos apresenta uma maior dispersão nos resultados?

[Link] que possuem determinada disciplina em comum apresentam, nessa disciplina:


Turma 1 (3Oalunos): = 6,5 Turma B (40 alunos): = 6,0
Turma C (40 alunos): = 4,0 Turma D (35 alunos): = 7,5
Determine a média geral.
21. Determine a media, mediana e moda das alineas.
a) 2,3,3,5,5,5,8,10,10
b)
xi 3 6 8 10 12 14
Fi 50 120 340 290 160 40

22. Uma amostra de resultados sobre o estudo do aumento de peso de 130


porcos num sector veterinario depois de uma aplicacao de uma certa racao foi
obtida e dela construiu-se a seguinte tabela de distribuicao de frequencias.
Classes (x, kg) fi

4 . 5 - 5.5 2
5 . 5 - 6.5 12
6.5-7.5 24
7.5-8.5 40
8.5-9.5 32
9.5-10.5 18
10.5-11.5 2

a) Calcule os pontos medios de cada classe.

27
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

b) Encontre o peso medio devido a racao aplicada aos porcos


c) Obtenha a mediana e a moda da distribuicao.

23. Registaram-se as alturas de 100 alunos de um liceu, tendo-se obtido a


tabela a baixo.
i Classes(x, m) fi

1 1.40 1.46 7
2 1.46 1.52 9
3 1.52 1.58 10
4 1.58 1.64 12
5 1.64 1.70 26
6 1.70 1.76 20
7 1.76 1.82 11
8 1.82 1.88 5

a) Calcule a media aritmetica, moda e mediana.


b) Desenhe as Ogivas da distribuição de frequencias no mesmo sistema e
verifique o valor da abcissa no ponto de intersecção das ogivas
c) Compare o valor de x no ponto de interseccao e a mediana calculada por
aproximaçao.
d) Classifique a distribuição quanto ao nivel de assimetria.
24. É dada a tabela que representa a distribuicao de salários mensais em
mil meticais de 106 funcionarios de uma empresa.
Salarios frequencia
500 - 1000 26
1000 - 1500 43
1500 - 2000 17
2000 - 2500 17
2500 - 3000 3
a) Encontre o salario medio mensal da empresa.
b) Calcule o desvio padrao da populacao dos salarios da empresa.
c) O que pode-se dizer, quanto a variabilidade dos salarios

28
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

25. Os dados apresentados na tabela abaixo mostram a distribuiçao de


estadia "duracao" no Hospital Geral da Machava de 145 criancas menores de
12 anos que sofriam de malaria e que beneficiaram de curativos especiais.

1 0.50 - 2.50 7
2 2.50 - 4.50 14
3 4.50 - 6.50 22
4 6.50 - 8.50 30
5 8.50 - 10.50 36
6 10.50 - 12.50 26
7 12.50 - 14.50 10
a) Calcule a media e o desvio medio da estadia das criancas no Hospital.
b) Calcule o desvio padrao e o coeficiente de variacao de Pearson.
26. Em um exame de historia, o grau medio de um grupo de 150 estudantes
foi de 15.6 valores e o desvio padrao foi de 1.6. Em Logica o grau medio do
grupo foi de 14.6 e a variancia foi de 2.31. Em qual das disciplinas foi maior:
a.) dispersão absoluta.
b) dispersão relativa

27. Abaixo, esta apresentada a distribuicao de frequencias dos pesos de uma


amostra de 79 alunos
Pesos (kg) frequ§ncia
40 - 45 4
45 - 50 10
50 - 55 15
55 - 60 21
60 - 65 16
65 - 70 8
70 - 75 5
a) Determine o peso medio, a variancia e o coeficiente de variacao de
Pearson.
b) A tua escolha, determine a moda ou mediara.

29
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

28. Dada a distribuicao de salarios abaixo determine


salarios (x, mts) frequencia
250 10
300 15
200 -
350 20
3 400 18
4 450 08
00 -
a) A media e mediana.
b) O momento da 2a ordem centrado na media
29. Foram levantados os valores da temperatura maxima diaria registada
na provincia do Maputo para 1991, em gram centigrados.
30.7 32.2 30.5 29.9 28.5 26.7 25.2 25.8 28.2 29.1 29.2 31.1 41.6
39.0 38.9 35.2 35.2 33.4 35.4 30.6 26.9 28.0 26.4 25.5 23.3
21.5 20.5 19.8 22.9 24.0 25.2 27.0 31.2 29.3 28.0 26.4
a) Elabore a tabela de distribuicão de frequencias e calcule a media,
mediana e moda.
b) Calcule o coeficiente de variacao e classifique os dados quanto ao nível de
variabilidade.
c) Calcule as separatrizes: Q1, D6, P75

TEMA: Analise de Correlação Linear Simples

INTRODUÇÃO
Muitas vezes, na pratica, necessitamos estudar o relacionamento de
duas variáveis, coletadas como pares de valores, para resolver
questões, como por exemplo:
- O sucesso de um emprego pode ser predito com base no
resultado de testes:
- Quanto maior for a produção, maior será o custo total.
- Quanto maior for a idade de um imóvel, menor será seu preço
de venda.
30
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Problemas como esses podem ser estudados através uma analise


de correlação simples, onde podemos determinar a “força” do
relacionamento entre assa duas variáveis estudadas.

As variáveis estudadas serão: X, denominada de variável


independente, e Y, denominada de variável dependente. Se o
relacionamento entre X e Y for consistente e necessitamos fazer uma
predição para o valor de Y, conhecido um valor de X, através de uma
formula matemática adequada, podemos aplicar a chamada análise de
regressão simples.

Uma correlação entre duas variáveis não significa necessariamente


que uma cause a outra ou que elas sejam na verdade relacionadas
entre si na vida real.
Uma correlação entre duas variáveis significa que existe algum tipo
de relação matemática entre as duas. Isso significa que, quando
marcamos os valores em gráfico, podemos ver um padrão e fazer
previsões sobre quais podem ser os valores que faltam. O que não
sabemos é que se existe uma relação verdadeira entre duas variáveis
e certamente não sabemos se uma causa a outra ou se existe algum
outro factor agindo sobre elas.

Como exemplo, suponha que você escolha dados e ache que, ao longo
do tempo, o número de cafés em uma determinada cidade aumenta
enquanto o número de lojas de disco diminui. Embora isso possa ser
verdade, não podemos dizer que haja uma relação na vida real entre o
número de cafés e o número de lojas de disco. Em outras palavras,
não podemos dizer que o aumento de lojas de café tenha causado a
diminuição das lojas de disco. O que podemos dizer é que à medida
que o número de cafés aumenta, o numero de lojas de disco diminui.

DIAGRAMA DE DISPERSÃO

É um gráfico no qual cada ponto plotado representa um par observado


de valores para as variáveis estudadas (X, Y), num sistema de eixos
[Link]és do diagrama de dispersão podemos ter uma idéia
do tipo de relação entre as variáveis estudadas. A seguir temos alguns
exemplos de diagramas de dispersão.

31
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

(a) Relação linear positiva (b)


Relação linear negativa

(c) Relação curvilínea direta


(d) Não há relação

 Coeficiente de correlação de Pearson

Em estatística descritiva, o coeficiente de correlação de


Pearson, também chamado de "coeficiente de correlação produto-
momento" ou simplesmente de " de Pearson" mede o grau da
correlação entre duas variáveis de escala métrica (intervalar ou de
rácio/razão).

A análise correlacional indica a relação entre 2 variaveis lineares e os


valores sempre serão entre +1 e -1. O sinal indica a direção, se a
correlação é positiva ou negativa, e o tamanho da variavel indica a
força da correlação.

 Significa uma correlação perfeita positiva entre as duas


variáveis.

32
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

 Significa uma correlação negativa perfeita entre as duas


variáveis - Isto é, se uma aumenta, a outra sempre diminui.
 Significa que as duas variáveis não dependem linearmente
uma da outra. No entanto, pode existir uma dependência não
linear. Assim, o resultado deve ser investigado por outros
meios.
 , Significa que a correlação é negativa forte.
 , Significa que a correlação é negativa fraca.
 , Significa que a correlação é positiva fraca.
 , Significa que a correlação é positiva forte.

Dadas duas variáveis X e Y, quantitativas, o coeficiente de correlação


linear entre X e Y é calculado do seguinte modo:

A partir desta formula, facilmente se demonstra que o coeficiente de


Pearson corresponde a um quociente entre indicadores importantes:
no numerador encontra-se a covariância entre duas variáveis e no
denominador, o produto dos desvios padrões de X e Y.
A covariância é também uma medida do grau de relação linear entre
duas variáveis. É definida como o valor esperado do produto das
diferenças entre os valores de cada variável e respectiva média e pode
ser assim calculada:

A grande desvantagem na utilização da covariância como medida


de associação linear entre duas variáveis reside na sua difícil
interpretação. De facto, se, por exemplo, as variáveis X e Y estiverem
definidas em unidades monetárias e unidades de peso, a covariância
terá, como unidade de medida, o produto das duas anteriores, cujo
significado é de muito difícil interpretação. Do mesmo modo, porque o
resultado final é influenciado pela unidade de medida das variáveis,
será sempre muito difícil estabelecer o que é uma covariância
elevada, média ou pequena.

33
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Por todas razões se torna muito mais útil e interessante utilizar o


coeficiente de correlação de Pearson para medir o grau de associação
linear entre duas variáveis: porque é uma medida de associação
relativa deixou de ser influenciada pelas unidades de medida das
variáveis e ainda, porque tendo limites bem definidos, torna possível
distinguir entre graus de associação elevados ou reduzidos.

Exemplo 1: Oito indivíduos da cidade de Maputo foram nalisado onde os


pesquisadores fizeram o levantamento da idade e poso de cada um, os quais são
apresentados na tabela a seguir.
Idades (anos) 18 19 20 21 22 23 24 25
Pesos (Kg) 72 73 78 77 79 85 88 92
a) Construa o diagrama de dispersão.
b) Ache o valor do coeficiente de correlação linear.

Idades Pesos
(anos) (kg) XY X2 Y2
18 72 1296 324 5184
19 73 1387 361 5329
20 78 1560 400 6084
21 77 1617 441 5929
22 79 1738 484 6241
23 85 1955 529 7225
24 88 2112 576 7744
25 92 2300 625 8464
172 644 13965 3740 52200

34
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

Interpretação: o coeficiente de correlação de Pearson mostra


haver uma correlação linear positiva muito forte entre a idade do
individuo e o seu peso.

Exercícios
1. Indique se as seguintes afirmações sugerem uma relação
positiva ou negativa:
a) Taxas de desemprego crescentes acompanham taxas de
inflação decrescentes.
b) Áreas mais densamente povoadas têm taxas de crime mais
altos.
c) Estudantes que assistem frequentemente a TV obtêm
resultados mais fracos nos testes.
d) Pessoas com melhor formação têm rendimentos mais
altos.
e) Vendas de gasolina e o número de automóveis.
f) Vendas de gasolina e o número de livros da biblioteca
nacional

2. Com base num inquérito, uma equipa de pesquisa reportou um r


de -0.32 para a relação entre a quantidade de tempo que os
alunos gastam vendo a TV e as notas nas provas. Cada uma das
seguintes afirmações representa uma interpretação possível
desta conclusão. Indique se cada uma é verdadeira ou falsa.
a) Toda a criança que vê muito TV terá fraco rendimento
pedagógico.
b) As crianças que vêem pouco TV tenderão a ter bons
resultados.
c) Se, durante um longo período de tempo, reduzirmos para
metade o tempo em que as crianças vêm TV, podemos
esperar um melhoramento substancial nas notas.

3. Seja Y a variável que representa o valor do frete rodoviário de


determinada mercadoria e X a variável distância (em Km) ao
destino da mercadoria. Uma amostra de 10 observações das
variáveis apresentou os seguintes resultados:

a) Determine o coeficiente de correlaçao de Pearson.


b) Interprete o valor encontrado.

35
DESCRIÇÃO DE DADOS E MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
Ficha1

4. Os dados a seguir correspondem à variável renda familiar e gasto com


alimentação (em unidades monetárias) para uma amostra de 10 famílias.
10 10 12 14 15 18 20 90
Renda Familiar (X) 80 0 0 0 0 0 0 0 80
Gasto com 25
Alimentação (Y) 20 30 35 35 40 50 50 60 25
a) Construa o diagrama de dispersão da variável gasto com
alimentação em função da renda familiar e comente.
b) Calcule o coeficiente de correlação de Pearson entre essas
variáveis.
c) Interprete o resultado em (b).
d) Ache o valor do coeficiente de correlação de Spearman.

5. A tabela a seguir relaciona os pesos (em centenas de libras) e as taxas de


consumo de combustível em rodovia (em milhas/galão) para uma amostra de carros de
passeio novos.
Peso 29 35 28 44 25 34 30 33 28 24
(libra)
Combústi 31 27 29 25 31 29 28 28 28 33
vel
a) Construa o diagrama de dispersão e Comente;
b) Ache o valor do coeficiente de correlação linear
c) Com base nos resultados, espera-se um maior consumo de
combustível se adquirir um carro mais pesado?

36

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