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Análise de Redes Elétricas: Fasores e Potência

O Capítulo 2 aborda os fundamentos da análise de redes elétricas, focando na representação de tensões e correntes sinusoidais através de fasores. Ele detalha a potência instantânea em circuitos monofásicos, incluindo as potências ativa e reativa, e discute as relações entre fasores em elementos resistivos, indutivos e capacitivos. O capítulo também introduz o conceito de fator de potência e fornece exemplos práticos de cálculos de potência em circuitos elétricos.
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Análise de Redes Elétricas: Fasores e Potência

O Capítulo 2 aborda os fundamentos da análise de redes elétricas, focando na representação de tensões e correntes sinusoidais através de fasores. Ele detalha a potência instantânea em circuitos monofásicos, incluindo as potências ativa e reativa, e discute as relações entre fasores em elementos resistivos, indutivos e capacitivos. O capítulo também introduz o conceito de fator de potência e fornece exemplos práticos de cálculos de potência em circuitos elétricos.
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Capítulo 2 2011

2. Fundamentos da Análise de Redes Eléctricas

2.1 Fasores
Sabemos já, que uma tensão ou corrente sinusoidais com uma frequência constante
podem ser caracterizados por dois parâmetros: O valor da amplitude máxima (crista
ou pico) e o ângulo de fase. Isto é, uma tensão dada por:

u(t) = Umax cos(ω t + δ) (2.1.1)

tem a amplitude máxima Umax e o ângulo de fase referido a ωt igual a δ . O valor


médio quadrático ( rms em inglês), também chamado valor eficaz, será:

Umax
U= (2.1.2)
2

Usando a equação de Euler, e jφ = cosφ + jsinφ

A corrente ou tensão sinusoidal podem ser representadas sob a forma de fasores,


isto é, um vector rotativo representado por uma amplitude constante U, igual ao seu
valor eficaz e um ângulo de fase, δ . No caso dado,

u(t) = R e [Umax e j(ω( + δ) ]


(2.1.3)
= R e [ 2 (Ue jδ )e j ωt ]

onde j = − 1 e Re representa a parte real de u(t) . A representação fasorial do valor


eficaz pode ser dado na forma exponencial, polar ou rectangular:

U = Ue jδ = U∠δ = Ucosδ + jUsinδ (2.1.4)

(1) (2) (3)


onde:

(1)- forma exponencial;


(2)- forma polar;
(3)- forma rectangular.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 58


Capítulo 2 2011
Um fasor pode facilmente ser convertido de uma forma noutra. A conversão de uma
forma polar para rectangular pode ser vista no diagrama fasorial da Figura 2.1.

Eixo Imaginário

U
jUsinδ
δ
Eixo Real

Ucosδ

Figura 2.1 Conversão da forma polar para a forma rectangular.

A identidade de Euler pode então ser usada para converter da forma exponencial
para a rectangular. Por exemplo, a tensão

u(t) = 169,7cos(ω t + 60 o )

tem o valor máximo Umax = 196,7 V o ângulo de fase δ = 60 o referido a ω t e uma


representação do fasor tensão eficaz na forma polar dada por:

 196,7 
U= ∠60 o = 120∠60 o V
 2 

Analogamente, a corrente

i(t) = 100cos(ω t + 45 o )

100
Tem o valor máximo Imax = 100 A, um valor eficaz I = = 70,7 A , ângulo de fase
2
de 45o, e uma representação fasorial

I = 70,7∠ 45 o A = 70,7 e j45 A = (50 + j50 ) A

As relações entre os fasores da tensão e da corrente para 3 tipos de elementos


passivos, nomeadamente resistência, inductância e capacitância são sumarizados

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 59


Capítulo 2 2011
na figura 2.2, onde se assumiu uma excitação dos circuitos sinusoidal estacionária e
valores constantes de R, L, C.

IR IL IC

+ +
+
U R U jXL U - jXC
-
- -

a) Resistência b) Indutância c) Capacitância

Figura 2.2 Elementos de Circuito com R, L, C.

As correntes em cada elemento de circuito são dadas pelas seguintes relações :

a) Resistência

U
IR = , onde R é a resitência do circuito ;
R

b) Indutância

U
IL = , onde jX L = j ω L
jX L

c) Capcitância

U 1
IC = , onde − jX C =
− jX C jωC

A figura 2.3 mostra resumidamente as relações entre os fasores corrente e tensão


em cada um dos elementos de circuito.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 60


Capítulo 2 2011

IC

IR U U U
IL

Figura 2.3 Relações entre os fasores Ū e Ī em diferentes elementos.

Na representação de tensões e correntes, as letras minúsculas, por exemplo u(t) e


i(t) indicam valores instantâneos, letras maiúsculas, tais como U e I, indicam valores
eficazes enquanto as letras maiúsculas com sublinhado indicam fasores. Quando se
apresenta valores de tensão ou corrente, referem-se a valores eficazes, salvo
indicação contrária.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 61


Capítulo 2 2011

2.2 Potência Instantânea em Circuitos Monofásicos de


Corrente Alternada
Por definição, potência é a taxa de variação de energia por unidade de tempo. A
unidade de potência é o Watt, que é equivalente a 1 joule por segundo. Em vez de
dizer-se que uma carga absorve energia a uma taxa dada pela potência, é prática
comum dizer que a carga absorve essa potência. A potência instantânea absorvida
por uma carga eléctrica em Watts é o produto da tensão instantânea através da
carga em Volts pela corrente instantânea em Amperes. Vamos determinar a potência
instantânea absorvida por uma carga puramente resistiva, inductiva, capacitiva e
complexa, assumindo uma tensão através da carga dada por:

u(t) = Umax cos(ω t + δ) (2.2.1)

A seguir vamos introduzir os conceitos potência activa, factor de potência, potência


reactiva. Também vamos discutir o significado físico da potência activa e reactiva.

2.2.1 Carga Puramente Resistiva


Para uma carga puramente resistiva, a corrente através da carga está em fase com a
tensão e é dada por:

U
IR =
R

iR (t) = IRmax cos(ω t + δ) (2.2.2)

onde
Umax
IRmax =
R

A potência instantânea absorvida pela carga será então:

pR (t) = u(t)iR (t) = Umax IRmax cos 2 (ω t + δ)

Usando a identidade trigonométrica

cos 2 α =
1
[1 + cos( 2α )]
2
Vem:

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 62


Capítulo 2 2011

Umax IRmax {1 + cos[2(ωt + δ )]}


1
pR (t) =
2
U I
= max Rmax {1 + cos[2(ωt + δ )]}
2 2

= UIR {1 + cos[2(ω t + δ )]} (2.2.3)

Como se pode ver em (2.2.3), a potência instantânea absorvida pela resistência tem
um valor médio dado por:

2π 2π
ω ω
U2
PR =
1
2π ∫
p ( t )dt =
1
∫ UIR {1 + cos[2(ω t + δ )]}dt =U IR = = I2R
2π R
0 0
ω

Isto é,
U2
PR = UIR = = I2R (2.2.4)
R

mais um a termo com frequência dupla da rede dado por:

UIR {cos[2(ω t + δ )]} , cujo valor médio é zero.

2.2.2 Carga Puramente Indutiva


Para uma carga puramente inductiva, a corrente está atrasada 90o em relação a
tensão, isto é:

U
IL =
jXL
Portanto,

iL (t) = ILmax cos(ω t + δ − 90 o ) (2.2.5)

onde:
Umax
ILmax =
XL

XL = ω L , é a reactância inductiva do circuito.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 63


Capítulo 2 2011
A potência instantânea absorvida na indutância será:
pL (t) = u(t)iL (t) = Umax ILmax cos(ω t + δ)cos(ω t + δ − 90 o )

Usando a identidade trigonométrica

cosAcosB =
1
[cos(A − B) + cos(A + B)] ,
2
Vem:

1
Umax ILmax cos(ω t + δ)cos(ω t + δ − 90 o ) = Umax ILmax cos[2(ω t + δ) − 90 o ]
2

= UIL sin[2(ω t + δ)] (2.2.6)

Como pode-se depreender da equação (2.2.6) a potência instantânea absorvida pela


inductância é uma sinusóide com uma frequência dupla e valor médio nulo.

2.2.3 Carga Puramente Capacitiva


Para uma carga puramente capacitiva, a corrente está avançada 90o em relação a
tensão, pois:

U
IC =
− jX C

i C (t) = ICmax cos(ω t + δ + 90 o ) (2.2.7)

onde:
Umax
ICmax =
XC

1
sendo X C = a reactância capacitiva.
ωC

A potência instantânea absorvida pela capacitância será:

p C (t) = u(t)iC (t) = Umax ICmax cos(ω t + δ)cos(ω t + δ + 90 o )


1
= Umax ICmax cos[2(ω t + δ) + 90 o ]
2

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 64


Capítulo 2 2011
= −UIC sin[2(ω t + δ)] (2.2.8)
Portanto, a potência instantânea absorvida pela capacitância é também uma
sinusoide com frequência dupla da rede e valor médio nulo.

2.2.4 Carga Complexa RLC


Para uma carga complexa constituída por elementos RLC sob uma excitação
sinusoidal estacionária, a corrente tem a forma:

i(t) = Imax cos(ω t + β) (2.2.9)

Portanto, a potência instantânea absorvida pela carga será:

p(t) = u(t)i(t) = Umax Imax cos(ω t + δ)cos(ω t + β)

1
= UmaxImax {cos(δ − β) + cos[2(ω t + δ) − (δ − β)]}
2

Usando agora a identidade trigonométrica:

cos(a + b ) = cos a cos b + sin a sin b


Vem:

p(t ) = UIcos(δ − β) + UIcos(δ − β)cos [2(ω t + δ )] + UIsin(δ − β )sin [2(ω t + δ )]

Assim.

p(t) = UIcos(δ − β){1 + cos[2((ω t + δ )]} + UIsin(δ − β )sin[2(ω t + δ )]

Icos(δ − β ) = IR

fazendo: 
 Isin(δ − β ) = I
 X
vem:

p(t) = UIR {1 + cos[2(ω t + δ )]} + UI X sin[2( ω t + δ)] (2.2.10)

PR(t) PX(t)

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 65


Capítulo 2 2011
Como se pode ver de (2.2.10) a potência instantânea absorvida por uma carga
complexa tem 2 componentes:
Uma associada a potência absorvida pela componente resistiva PR(t) e outra pela
componente reactiva (inductiva ou capacitiva) PX(t). A primeira componente de
(2.2.10) PR(t) é idêntica à (2.2.3), onde IR é a componente da corrente de carga em
fase com a tensão da carga. O ângulo de fase (δ − β ) representa o ângulo entre a
tensão e a corrente. A segunda componente de (2.2.10) PX(t) é idêntica a (2.2.6) ou
(2.2.8) onde I X = I sin(δ − β ) é a componente da corrente de carga desfasada 90o da
tensão.

2.2.5 Potência Activa


A equação (2.2.10) mostra que a potência instantânea p(t) absorvida pela
componente resistiva da carga é uma sinusoide com uma frequência dupla da rede e
um valor médio P, dado por:

P = UIR = UIcos(δ − β) (2.2.11)


A potência média P é também chamada potência real ou prática comum, potência
activa.

2.2.6 Factor de Potência

O termo cos(δ − β ) em (2.2.11) chama-se factor de potência. O ângulo de fase


(δ − β ) , que é o ângulo entre a tensão e a corrente, é chamado de ângulo do factor
de potência. Para circuitos de corrente continua, a potência absorvida pela carga é o
produto da tensão contínua pela corrente. Para circuitos em corrente alternada, a
potência média absorvida pela carga é o produto dos valores eficazes da tensão e
corrente e o factor de potência cos(δ − β ) , como mostrado em (2.2.11). Para cargas
capacitivas, a corrente está adiantada em relação a tensão o que significa que β é
maior do que δ e o factor de potência diz-se adiantado.

2.2.7 Potência Reactiva


A potência instantânea absorvida pela parte reactiva da carga, dada pela
componente PX(t) na equação (2.2.10), é uma sinusóide com uma frequência dupla
da rede e valor médio nulo. A sua amplitude é Q e é dada por:

Q = UI X = UIsin(δ − β) (2.2.12)

Ao termo Q dá-se o nome de potência reactiva. Apesar de ter as mesmas unidades


que a potência real, é prática comum defini-lá em Volts-Ampere-reactivos ou
simplesmente VAr.
Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 66
Capítulo 2 2011
Exemplo 2.1

A tensão u(t ) = 141,4 cos(ωt ) é aplicada a uma carga composta de uma resistência
de 10Ω paralela a uma reactância inductiva de 3,77 Ω. Calcula a potência
instantânea absorvida pela resistência e pela inductância. Calcula também a
potência activa e reactiva absorvida pela carga e o factor de potência.

Resolução:

Circuito Equivalente

IR IL
+ + +

10Ω j3,77 Ω
- - -

O fasor tensão tem o valor:

141,4
U= ∠0 o = 100∠0 o V (referência)
2

A corrente na resistência é:

U 100∠0 o
IR = = = 10∠0 o A
R 10

A corrente na indutância é:

U 100∠0 o
IL = = = 26,53∠ − 90 o A
jX L 3,77∠90 o

A corrente total é:

I = IR + IL = 10 + 26,53∠ − 90 o = 28,35∠ − 69,34 o A

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 67


Capítulo 2 2011
A potência instantânea absorvida pela resistência é:

pR (t) = 100x10[1 + cos(2ω t)] = 1000[1 + cos(2ω t)]

A potência instantânea absorvida pela inductância é:

pL (t) = 100x26,53sin(2ω t) = 2653sin(2ω t)

A potência activa absorvida pela resistência é 1000 W.

A potência reactiva absorvida pela carga é:

Q = UIsin(δ − β) = 100x26,35sin(0 o + 69,34 o ) = 2653 VAR

O factor de potência é:

fp = cos(δ − β) = cos(69,34 o ) = 0,3528 atrasado (inductivo)

Observação:

As potências PR (t) e PX(t) dadas por (2.2.10) são estritamente válidas apenas
para uma carga com R-X paralelos. Para uma carga geral RLC, a tensão na
resistência e na reactância poderão não estar em fase com a fonte u(t),
resultado desfasamentos adicionais em PR(t) e PX(t). Contudo, as equações
(2.2.11) e (2.2.12) respectivamente para P e Q são válidas para uma carga
complexa RLC geral.

2.2.8 Significado Físico de Potência Activa e Reactiva


O significado físico de potência real ou activa P é facilmente entendido. A energia
total absorvida por uma carga durante um período de tempo T, consistindo de um
ciclo de tensão sinusoidal, é PT Watt-segundo (Ws). Durante um período de n ciclos,
a energia absorvida é P(nT) Watt-segundos, toda ela absorvida pela componente
resistiva da carga. Um contador de energia (KWh) é desenhado para medir a energia
absorvida por uma carga durante um intervalo de tempo (t2-t1), consistindo em um
número inteiro de ciclos , por integração da potência real P no intervalo de tempo (t2-
t1).

O significado físico da potência reactiva Q não é tão fácil de entender. Q refere-se ao


valor máximo da potência instantânea absorvida pela componente reactiva da
carga. A potência reactiva instantânea dada pelo segundo termo da equação PX(t)
em (2.2.10), é alternadamente positiva e negativa e exprime a fluxo reversível de

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 68


Capítulo 2 2011
energia da fonte para a carga e da carga para a fonte. A potência reactiva é uma
grandeza importante para a descrição das condição de operação de um sistema de
potência o que será tratado em capítulos posteriores. Por exemplo, bancos de
condensadores podem ser usados nas linhas de transporte de energia para gerar
potência reactiva que é usada para aumentar as tensões nos períodos de grande
carga.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 69


Capítulo 2 2011

2.3 Potência Complexa


Para circuitos operando com tensão alternada sinusoidal estacionária, as potências
activa e reactiva podem ser facilmente calculadas a partir da potência complexa a
partir dos fasores tensão e corrente, os fasores tensão e corrente num elemento de
circuito são dado por:

Tensão: U = U∠δ ,

Corrente: I = I∠β .

A potência complexa S, é por definição, o produto da tensão pelo conjugado da


corrente:

S = UI* = [U∠δ][I∠β] * = (UI)∠(δ − β)


= UI[cos(δ − β) + jsin(δ − β)]
= UIcos(δ − β) + jUIsin(δ − β) (2.3.1)

onde (δ − β) é o ângulo entre a tensão e a corrente. Comparando (2.3.1) com


(2.2.11) e (2.2.12), podemos escrever:
S = P + jQ (2.3.2)

A grandeza S = UI da potência complexa, isto é, o valor absoluto de S é chamada


Potência aparente. Embora tenha as mesmas unidades que P e Q, é prática comum
definir a unidade para a potência aparente S como VA. A potência activa P é obtida
multiplicando a potência aparente S = UI pelo factor de potência fp = cos(δ − β ) . O
procedimento para determinar se o elemento do circuito absorve ou entrega potência
é sumarizado na Figura 2.4 (a). A Figura 2.4 a) mostra a convenção para a carga,
onde a corrente entra no terminal positivo do elemento do circuito e a potência
complexa absorvida por esse elemento é calculada a partir de (2.3.1). Esta equação
mostra que P pode ser tanto positivo como negativo, dependendo do valor de
(δ − β ) . Contudo, se P for negativo, o circuito absorve potência activa negativa, ou,
em outras palavras, entrega potência activa positiva. Analogamente, se Q for
positivo, o circuito absorve potência reactiva positiva. Mas se Q for negativo o circuito
absorve potência reactiva negativa ou entrega potência reactiva positiva.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 70


Capítulo 2 2011
a) Convenção de carga b) Convenção de gerador

+
+
U
U
-
-

Figura 2.4. Convenções de carga e gerador

Convenção carga:

A corrente entra no terminal positivo da carga. Se P é positivo, potência positiva é


absorvida. Se Q for positivo, potência reactiva positiva é absorvida. Se P (Q) forem
negativos, P(Q) são entregues.

Convenção de gerador:

A corrente deixa o terminal positivo do circuito. Se P for positivo, potência positiva é


entregue. Se Q é positivo potência reactiva positiva é entregue. Se P(Q) forem
negativos, a fonte absorve potência positiva.

Exemplo 2.2

Uma fonte de alimentação monofásica com U = 100∠130 o V, subministra uma


corrente de I = 10∠10 o A, a partir do terminal positivo da fonte. Calcula a potência
activa e reactiva da fonte e determina se a fonte subministra ou absorve essa
potência.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 71


Capítulo 2 2011
Resolução:

Já que I sai do terminal positivo da fonte, a convenção do gerador é assumida, a


potência subministrada é : (2.3.1).

*
S = UI = [100∠130 o ]x[10∠10 o ] *
= [100∠130 o ]x[10∠ − 10 o ]
= 1000∠120 o = −500 W + j866 VAR

P=Re[S]= -500 W

Q=Im[S]=+866 VAR

Portanto, a fonte absorve 500 W e entrega 866 VAR. Para quem esteja familiarizado
com máquinas eléctricas, facilmente reconhecerá que a fonte poderá ser um motor
síncrono. Quando um motor síncrono opera com um factor de potência em avanço,
ele absorve potência activa e entrega (produz) potência reactiva.

A potência complexa absorvida em cada um dos elementos de uma impedância


complexa pode ser calculada como segue.

Considerando-se uma tensão de carga U = U∠δ , vem:

U U2
Resistência: SR = UIR * = [U∠δ][ ∠ − δ] = (2.3.3)
R R
* U U2
Indutância: SL = UIL = [U∠δ]x[ ∠ − δ] = j (2.3.4)
− jX L XL
U U2
Capacitância: S C = U IC * = [U∠δ ]x[ ∠ − δ] = − j (2.3.5)
jX L XC

Tomando essas expressões complexas, conclui-se que:

• Uma resistência positiva absorve uma potência activa positiva dada por:
U2
PR = e uma potência reactiva nula.
R

• Uma indutância absorve uma potência activa nula PL=0 e uma potência
U2
reactiva positiva dada por: Q L = .
XL

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 72


Capítulo 2 2011
• Uma capacitância absorve uma potência activa nula PL=0 e uma potência
U2
reactiva negativa dada por: Q C = − . Em outras palavras, a
XC
capacitância subministra potência reactiva.

Para uma carga complexa RLC, a potência complexa também pode ser calculada a
partir de (2.3.1). A potência activa P=Re[ S ] absorvida por uma carga passiva é
sempre positiva. A potência reactiva Q=Im[ S ] absorvida por uma carga pode ser
positiva ou negativa. Quando a carga é indutiva a corrente está atrasada em relação
a tensão, isto é, β é menor que δ em (2.3.1), e a potência reactiva absorvida é
positiva. Quando a carga é capacitiva, a corrente está adiantada em relação à
tensão, o que significa que β é maior que δ e, portanto, a potência reactiva absorvida
é negativa. Em outras palavras, a carga capacitiva gera potência reactiva positiva.

A potência complexa pode ser representada graficamente pelo triângulo de potência


mostrado na Figura 2.5. Como mostrado, a potência aparente S, a potência activa P
e a potência reactiva Q formam os 3 lados de um triângulo rectângulo em P,Q. O
ângulo do factor de potência é também mostrado. Do triângulo podem ser obtidas as
seguintes expressões:

Q = U I sin (δ − β ) [VAR ]

(δ − β )

P = U I cos (δ − β ) [W ]

Figura 2.5 Triângulo de Potências.

Da Figura 2.5, tem-se:

S = P2 + Q2 (2.3.6)

Q
(δ − β) = arctan  (2.3.7)
P

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 73


Capítulo 2 2011
Q = Ptan(δ − β) (2.3.8)
P P
f.p. = cos(δ − β) = = (2.3.9)
S Q2 + P2

Exemplo 2.3

Uma fonte monofásica sumnistra 100KW a uma carga operando com um factor de
potência de 0,8 (indutivo). Calcula a potência reactiva a ser sumnistrada por um
condensador em paralelo com uma carga de modo a subir o factor de potência para
0,95 (inductivo). Desenhe também o triângulo de potências para a fonte e a carga.
Considere a tensão da fonte constante e despreze a impedância da linha entre a
fonte e a carga.

Resolução
Circuito equivalente

Ps
Qs
PR QL QC

SL = 125 kVA Q C = 42,13 kVAR

ΘL = 36,87 º
Q L = 75 kVA
Q S = 32,87 kVAR
Θ S = 18,19 º

P = PS = PR = 100 kW
Figura 2.6 Circuito e triângulo de potências para o exemplo 2.3

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 74


Capítulo 2 2011
A potência activa sumnistrada pela fonte e absorvida pela carga não altera com a
ligação do condensador uma vez que o condensador apenas subministra potência
reactiva, QC. Para a carga, o ângulo de potência, a potência reactiva absorvida e
potência aparente são:

θL = (δ − βL ) = ar cos(0,8) = 36,87 0
QL = P tanδL = 100 tan(36,87 0 ) = 75 kVAR
P
SL = = 125KVA
cos ΘL

Depois da ligação do condensador, o ângulo de carga, a potência reactiva


subministrada e a potência aparente da fonte serão:

0
θ S = (δ − β S ) = ar cos (0,95) = 18,19
Q S = P tanδ S = 100 tan(18,19 0 ) = 32,87 kVAR
P
SS = = 105,3KVA
cosθ S

O capacitor sumnistra:

QC=QL-QS=75-32,87=42,13kVAR

O método de ligação de condensador paralelamente a cargas indutivas é


conhecido como correcção do factor de potência. O efeito dos condensadores
é a elevação do factor de potência da fonte que alimenta a carga. Também, a
potência aparente da fonte SS baixa.

Como mostrado na Figura 2.6, a potência aparente da fonte neste exemplo diminui
de 125KVA sem condensadores, para 105,3 kVA com condensadores. A corrente da
S
fonte também da fonte também baixa, pois: IS = S
U

Quando existe uma impedância entre a fonte e a carga não desprezível, o


abaixamento da corrente da fonte resulta em menores perdas na linha e menores
quedas de tensão. O resultado final da correcção do factor de potência é o aumento
do rendimento e melhoramento da regulação de tensão.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 75


Capítulo 2 2011

2.4 Elementos da Análise Nodal de Redes Eléctricas


Para circuitos com tensão sinusoidal estacionária, as leis de Kirchoff de tensão e
corrente são válidas para os fasores tensão e corrente. Assim, a soma de todos os
fasores corrente em qualquer nó é zero e a soma das tensões de qualquer malha
fechada é zero. As técnicas de análise de circuitos baseadas nas leis de Kirchhoff
incluindo análise nodal, malha e ramo, superposição, transformação de fonte, os
teoremas de Thevenine e Norton, podem ser usados para análise desses circuitos.

Várias soluções digitais para a solução de problemas de sistemas de potência são


formulados a partir das equações de nó. O circuito mostrado na figura 2.7, usado
aqui para recapitular a análise nodal, é assumido operar com tensão alternada
estacionária sendo as tensões das fontes representadas pelos fasores E S1 , E S2 e
E S3 . As impedâncias do circuito estão em ohms. Vamos desenvolver um algorítimo
prático para a formação do sistema de equações dos nós partindo da inspecção de
nós do circuito da figura 2.7.

Nó 1:

U10 − E S1 U10 − U20


+ =0 (2.4.1)
XL1 X C1

Nó 2:

U20 − E S2 U20 − U10 U20 − U30 U20 − U30


+ + + =0 (2.4.2)
XL2 X C1 X CC XLL

Nó 3:

U30 − E S3 U30 − U20 U30 − U20


+ + =0 (2.4.3)
X L3 X CC X LL

Rearranjando estas equações resulta:

 1 1   1  E S1
U10  +  + U20  − = (2.4.4)
 X L1 X C1   X C1  X L1

 1   1 1 1 1   1 1  ES 2
U10  −  + U20  + + +  + U30  − ( + ) = (2.4.5)
 X C1   X L2 X C1 X CC X LL   X CC X LL  X L2

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 76


Capítulo 2 2011

 1 1   1 1 1  ES3
U20  − ( + )  + U30  + + = (2.4.6)
 X CC X LL   X L3 X CC X LL  X L3

Ou, na forma matricial

 E S1 
 1 1 1   
( X + X ) −(
X
) 0  U10   X L1 
 L1 C1 C1
  ES 2 
 −( 1 ) (
1
+
1
+
1
+
1
) −(
1
+
1
)  U20  =   (2.4.7)
 X C1 X L2 X C1 X LL X CC X LL X CC    X L2 
 1  U30  
ES 3 
1 1 1 1
 0 −( + ) ( + + )
 X LL X CC X L3 X LL X CC   
 X L3 

Uma inspecção à equação (2.4.7) mostra que as equações de nó podem ser escritas
segundo as seguintes passos:

Passo 1:

Para um circuito com (N+1) nós, também chamados barramentos , escolhe-se um


barramento de referência e definem-se as tensões das outras barras em relação a
referência.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 77


Capítulo 2 2011

1
XLL = j Ω
2
1
XC1 = − j Ω
3
1(U10 ) 2 (U20 )
3 (U30 )
X cc = − j1Ω

1
XL1 = j Ω XL2 = j1Ω 1
10 XL3 = j Ω
4

E s1 E s2 E s3

Figura 2.7: Circuito para revisão da análise nodal.

O circuito na Figura 2.7 tem 4 barramentos, isto é, N+1=4 , portanto, N=3


O barramento zero foi seleccionado como referência. Portanto, as tensões U10 , U20
e U30 são definidas em relação a barra 0.

Passo 2

Transforma-se todas as fontes de tensão com impedância série em fonte de corrente


equivalente em paralelo com as admitâncias equivalentes. A figura 2.8 mostra as
fontes de corrente equivalentes I1, I2 e I3 e as impedâncias convertidas em
admitâncias.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 78


Capítulo 2 2011

− j2S

j3S
1 2
3
j1S

− j10 S − j1 S
I1 I2 I3 − j4 S

Figura 2.8 Circuito da figura 2.7 com fontes de corrente

Onde:

 E S1
 I1 = 1
 j
 10
 E S2
I2 = I1 (2.4.8)
 j1
 E S3
I3 = 1
 j
 4

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 79


Capítulo 2 2011
Passo 3

Escreve-se as equações de nós na forma matricial.

 Y11 Y12 Y13 L Y1n  U10   I1 


    
 Y 21 Y 22 Y 23 L Y 2n  U20  I2 
 Y 31 Y 32 Y 33 L Y 3n  U30  = I3  (2.4.9)
    
 M M M M M  M   M 
 Y n1 Y n2
 Y n3 ... Y nn  Un0  In 

Usando a notação matricial, vem:

Y •U = I (2.4.10)

onde Y é a matriz de admitâncias


U é o vector coluna das n tensões de barra
I é o vector coluna das n fontes de corrente

Os elementos Y da matriz são:


kn

Elementos diagonais: Y = Soma das admitâncias ligadas a barra.


kk
(K=1,2,..n) (2.4.11)

Elementos não diagonais: Y = soma das admitâncias ligadas entre as


kn
barras (k e n) sendo k≠n (2.4.12)

Os elementos da diagonal Y também são chamados auto-admitâncias e os


kk
elementos Y de admitância mútua ou de transferência entre k e n.
kn

Como Y =Y , a matriz Y é simétrica.


kn nk

Para o circuito da Figura 2.8 resulta:

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 80


Capítulo 2 2011

(j3 − j10) − (j3) 0  U10  I1 


 − (j3) − + − − −  U  =  
 (j3 j1 j1 j2) (j1 j2)   20  I2 
 0 − (j1 − j2) (j1 − j2 − j4) U30   
I3 
 

ou
 − 7 − 3 0  U10  I1 
   
j − 3 1 1  U20  = I2  (2.4.13)
 0 1 − 5  U30  I3 
   

A vantagem deste método de escrever as equações de nós é que pode-se usar


computadores tanto para gerar a matriz das admitâncias Y como para resolver
(2.4.9) para o cálculo das tensões das barras desconhecidas. Uma vez especificado
o circuito com a base de referência e outras identificadas as admitâncias do circuito e
suas ligações nas barras tornam-se dados de entrada do computador para calcular
os elementos Y através de (2.4.11) e (2.4.12).
kn

Depois de calcular Y e dado o vector corrente como dado de entrada, programas


usuais de solução de sistemas de equações lineares podem ser usados para o
cálculo do vector das tensões Ū. Veja exemplo 2.4 para ilustração. Quando usa- se
subscritos ao longo do presente manual para representar tensões da barra, a tensão
representada é a tensão do nó identificado pelo primeiro subscrito em relação ao nó
identificado pelo segundo subscrito. Por exemplo, a tensão U10 na Figura 2.8 é a
tensão do nó 1 em relação ao nó O. Também a corrente Iab indica a corrente entre o
nó a e o nó b. As designações de potenciais (+/-) para tensões e as setas (→) para
as correntes não são necessárias quando se usa duplo subscrito. Matrizes e
vectores são representados a negrito.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 81


Capítulo 2 2011

2.5 Circuitos Trifásicos Equilibrados


Nesta secção vamos introduzir os seguintes tópicos para circuitos trifásicos
equilibrados: Ligação estrela; tensões linha –neutro, tensões de linha, correntes de
linha, cargas em delta, conversão triângulo estrela e diagramas equivalentes
unifilares.

2.5.1 Circuitos Y Equilibrados


A Figura 2.9 mostra uma fonte de tensão trifásica em estrela alimentando uma carga
trifásica equilibrada, também ligada em estrela. Para a ligação estrela, os pontos
neutro de cada fase estão ligados entre si. Neste caso, o ponto neutro da fonte está
ligado ao ponto neutro da carga. Na Figura 2.9 o ponto neutro da fonte é designado n
enquanto o ponto neutro da carga é designado N. Assumi-se que a fonte de tensão
trifásica é ideal, isto é, a impedância interna da fonte é desprezada. Também são
desprezadas as impedâncias de linha entre os terminais da fonte e carga e a
impedância da linha de ligação entre os pontos neutros da fonte e carga, n é N. A
carga trifásica é equilibrada o que significa que as impedâncias em todas as fases
da carga são iguais.

Ic
Ia

c A
E an a C ZY ZY
In
Ecn
n N

Ebn ZY
Ib
b B

Figura 2.9: Circuito equivalente do sistema trifásico Estrela- Estrela equilibrado

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 82


Capítulo 2 2011
[Link] Tensões de Fase (Linha –Neutro) no Sistema Trifásico Equilibrado

Na Figura 2.9 os terminais das 3 fases da fonte de tensão são designadas a, b, c e


as tensões fásicas da fonte por Ean, Ebn, Ecn. A fonte é equilibrada, isto é, as
tensões de fase tem mesma amplitude e igual desfasagem de 120o entre quaisquer
fases consecutivas. Por exemplo, as tensões fásicas podiam assumir os seguintes
valores:

E an = 10∠0 o V
E bn = 10∠ − 120 o = 10∠ + 240 o V (2.5.1)
E cn = 10∠ + 120 o = 10∠ − 240 o V

sendo a amplitude de cada fase 10V. Ean é o fasor tensão de referência. A sequência
abc de tensões de fase diz-se positiva quando Ean está adiantada em relação a E bn
em 120o, E bn 120o em relação a E cn . A sequência diz-se negativa ou sequência acb
quando E bn está adiantada 120o em relação a E cn e E cn está adiantada 120o em
relação a E bn . As tensões em (2.5.1) são de sequência positiva, uma vez que Ean
está adiantada 120o em relação a E bn . A figura 2.10 apresenta o respectivo diagrama
fasorial.

E cn

1200
E an

Ebn

Figura 2.10: Diagrama fasorial da sequência positiva de um sistema trifásico


equilibrado.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 83


Capítulo 2 2011
[Link] Tensões de linha

As tensões Eab , E bc e E ca entre fases são chamadas tensões de linha ou compostas.


Usando as equações de malha e nó de Kirchhoff para malhas fechadas em torno das
fases a, b e n da Figura 2.9 vem:

E ab = E an − Ebn (2.5.2)

Substituindo em (2.6.2) as tensões de fase segundo (2.6.1) vem:

 − 1− j 3 
E ab = 10∠ 0 o − 10∠ − 120 o = 10 − 10  
 2 
3 + j1
E ab = 3 (10) = 3 (10∠30 o )V (2.5.3)
2

Analogamente, as tensões de linha Ebc e E ca são:

E bc = Ebn − E cn = 10∠ − 120 o − 10∠120 o = 3 (10∠( −120 o + 30 o ))V

= 3 (10∠(−90 o ))V (2.5.4)

E ca = E cn − E an = 10∠120 − 10∠0 o = 3 (10∠( +120 o + 30 o ))V

= 3 (10∠( +150 o ))V (2.5.5)

Portanto, as tensões de linha de (2.6.3) a (2.6.5) são também equilibradas uma vez
que também têm a mesma amplitude e existe um desfasamento de 120o entre duas
fases consecutivas. Comparando estas tensões com as tensões de fase em (2.5.1)
chega-se à seguinte conclusão:

Num sistema trifásico equilibrado ligado em estrela com fontes de sequência positiva,
as tensões de linha são 3 vezes as tensões de fase e estão em avanço 30o. Isto é,

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 84


Capítulo 2 2011

E ab = 3E an ∠ + 30 o


 o
E bc = 3E bn ∠ + 30 (2.5.6)


E ca = 3E ∠ + 30 o
 cn
Esta conclusão importante é sumarizada na figura 2.11 (a). Cada fasor começa na
origem do diagrama fasorial. Na Figura 2.11 (b) as tensões de linha formam um
triângulo equilátero com os vértices a, b, c, correspondentes as barras a, b, c, do
sistema, as tensões de fase começam nos vértices e terminam no centro do
triângulo, que é designado n, isto é, a barra neutra n. Também a sequência horária
dos vértices do triângulo a, b, c na Figura 2.11(b) indica tensões de sequência
positiva. Em ambos os diagramas, E an é tomado como referência. Contudo, o
diagrama pode ser rodado para ajustá-lo a qualquer outra referência.

− E an

E ab E ab
Eca Ecn
30 0 − Ebn Ebn
E an Ebc
E an Ecn
Ebn
Eca

Ebc
− Ecn

a) Diagrama fasorial b) Triângulo de tensões

Figura 2.11: Sequência positiva de tensões de fase e de linha num sistema trifásico
equilibrado ligado em estrela.

Já que as tensões de linha formam um triângulo fechado na Figura 2.11, sua soma é
nula. Com efeito, a soma das tensões de linha é sempre nula, mesmo em sistemas
não equilibrados, uma vez que estas tensões formam um caminho fechado sobre as
barras a, b e c. Em sistemas equilibrados, adicionalmente, a soma das tensões de
fase é nula.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 85


Capítulo 2 2011
[Link] Correntes de Linha Equilibradas

Como as impedâncias de linha entre a fonte e a carga são desprezadas na Figura


2.9, os pontos n e N estão ao mesmo potencial, isto é, E nN=0. Assim, pode-se
escrever equações separadas de Kirchhoff para cada fase, obtendo-se delas as
seguintes expressões para as correntes de linha.

 E an
Ia =
 ZY
 E bn
Ib = (2.5.7)
 ZY
 E cn
Ic =
 ZY

Por exemplo, se cada fase de carga tem uma impedância Z Y = 2∠30 o Ω , vem para
as corrente de linha:

 E an 10∠0 o
Ia = = = 5∠ − 30 o A
o
 ZY 2∠30

 E bn 10∠ − 120 o
Ib = = = 5∠ − 150 o A (2.5.8)
o
 ZY 2∠30
 o
Ic = E cn = 10∠120 = 5∠90 o A
 ZY 2∠30 o

Portanto, as correntes de linha também estão equilibradas. Têm a mesma amplitude,


de 5A e desfasagem de 120o entre duas fases contíguas. A corrente de neutro pode
ser calculada aplicando as equações de kirchhoff para os nós e obtem-se:

In = Ia + Ib + Ic (2.5.9)

Aplicando as correntes calculadas em (2.5.8), vem:

In = 5∠ − 30 o + 5∠ − 150 o + 5∠90 o

 3 − j1   − 3 − j1 
= 5  + 5
 
 + j5 = 0
 (2.5.10)
 2   2 

O diagrama fasorial para as correntes de linhas é mostrado na Figura 2.12. Como as


correntes de linha formam um triângulo fechado, a sua soma que é a corrente de

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 86


Capítulo 2 2011
neutro, In, é nula. Em geral, a soma de quaisquer conjunto de fasores de um
sistema trifásico equilibrado é nula, uma vez que eles sempre formam um triângulo
fechado. Apesar das impedâncias de linha na Figura 2.9 terem sido desprezadas, a
correntes de neutro para qualquer sistema trifásico equilibrado, para qualquer valor
de impedância entre o (curto circuito) e infinito (circuito aberto) é sempre nula. Pelo
contrário, se o sistema não é equilibrado, o que acontece na prática quando as
tensões de fonte, impedâncias da carga ou de linha não estão equilibradas e uma
corrente de neutro circulará entre os pontos n e N.

Ib Ic

Ia
Figura 2.12 Diagrama fasorial das correntes de linha num sistema trifásico
equilibrado.

2.5.2 Cargas Equilibradas em Delta


A Figura 2.13 mostra um fonte trifásica em estrela equilibrada alimentando uma
carga em triângulo equilibrada. Numa ligação delta equilibrada da carga todas as
impedâncias de carga são iguais e ligadas em triângulo, cujos vértices formam os
nós designados como A, B e C na Figura 2.13. A ligação triângulo não tem um nó
neutro. Como as impedâncias de linha na Figura 2.13 são desprezadas, as tensões
de linha da carga, e as correntes da carga são:

 Eab
IAB =
 Z∆
 Ebc
IBC = (2.5.11)
 Z∆
 Eca
ICA =
 Z∆

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 87


Capítulo 2 2011

Ic
Ia

c ICA
E an A
a C
Z∆
E cn n Z∆ Z∆
IBC I AB
Ebn
Ib
b B

Figura 2.13: Diagrama de um circuito Y alimentando uma carga equilibrada em ∆.

No exemplo dado, as tensões de linha são dadas pelas equações (2.5.3) a (2.5.5) e
o
se Z ∆ = 5∠30 Ω , as correntes na carga ∆ serão:

 Eab  10∠30 o 
I AB = = 3  = 3,464∠0 o A
 o 
 Z∆  5∠30 

 E bc  10∠ − 90 o 
IBC = = 3   = 3,464∠ − 120 o A (2.5.12)
 o 
 Z∆  5∠30 

 E ca  10∠150 o 
I = = 3   = 3,464∠120 o A
 CA
 o 
 Z∆  5∠30 

As correntes de linha, calculadas através das equações de Kirchhoff são:

Ia = I AB − ICA = 3,464∠0 o − 3,464∠120 o = 3 (3,464∠ − 30 o )A



 o o o
Ib = IBC − I AB = 3,464∠ − 120 − 3,464∠0 = 3 (3,464∠ − 150 )A (2.5.13)
 o o o
Ic = ICA − IBC = 3,464∠120 − 3,464∠ − 120 = 3 (3,464∠90 )A

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 88


Capítulo 2 2011
Ambas as correntes dadas pelas equações (2.5.12) e (2.5.13) são equilibradas.
Portanto, a soma das correntes de carga de um sistema trifásico equilibrado é igual a
zero. A soma das correntes de linha Ia , Ib e Ic para uma carga ligada em delta é
sempre nula, mesmo para sistemas desequilibrados, uma vez que não há um
condutor neutro. Comparando as equações (2.5.12) com (2.5.13) pode-se concluir:

Para uma carga equilibrada em triângulo alimentada por uma fonte de


sequência positiva equilibrada, as correntes de linha em direcção a carga são
3 vezes as correntes de carga e estão atrasadas 30o. Isto é,

Ia = 3I AB ∠ − 30 o A


 o
Ib = 3IBC ∠ − 30 A (2.5.14)


Ic = 3I ∠ − 30 o A
 CA

Estas conclusões são sumarizadas na Figura 2.14.

IC

ICA

I AB

− 300

IB
IBC
IA

Figura 2.14: Diagrama fasorial das correntes de linha e de carga para uma carga
equilibrada em delta.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 89


Capítulo 2 2011

2.5.3 Conversão ∆-Y para cargas equilibradas


A Figura 2.15 mostra a conversão de uma carga delta equilibrada numa carga
equilibrada em estrela. Aplicando tensões equilibradas, essas cargas serão
equivalentes, vistas a partir dos terminais A, B e C, se as correntes da carga delta
forem as mesmas que as correntes de linha para a carga em estrela. Para a carga
em delta, vale:

3 E ab
I A = 3 I AB ∠ − 30 o = ∠ − 30 o (2.5.15)
Z∆
e para a carga em estrela:

E an E AB
IA = = ∠ − 30 o (2.5.16)
ZY 3ZY

Portanto, igualando (2.5.15) com (2.5.16) vem:

E AB ∠ − 30 o 3 E ab
= ∠ − 30 o
3ZY Z∆

Ou simplesmente, para que as correntes I A segundo (2.5.15) e (2.5.16) sejam


iguais, deve-se cumprir:

Z∆
ZY = (2.5.17)
3

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 90


Capítulo 2 2011

Ic
Ic C
Ia
Ia
A
ICA
A
C
Z∆
Z∆ Z∆
IBC IAB ZY ZY
Ib
B

ZY
Ib
B

Figura 2.15: Transformação triângulo estrela.

As restantes correntes de linha I B e I C para a carga Y também serão iguais as das


Z∆
cargas ∆ para Z Y = , uma vez que as cargas estão equilibradas. Portanto, uma
3
carga ∆ equilibrada pode ser transformada no seu equivalente estrela equilibrada,
dividindo as impedâncias de carga ∆ por 3. Os ângulos das impedâncias ∆ e Y
equivalentes são os mesmos. Analogamente, uma carga estrela equilibrada pode ser
transformada em ∆ multiplicando a impediência da carga em estrela por 3.

Exemplo 2.5

Uma fonte equilibrada de sequência positiva ligada em estrela com uma tensão
∠0 o V é aplicada a uma carga equilibrada em ∆ com uma impedância
E ab = 480∠
∠ 40 o Ω . A impedância da linha entre a fonte e a carga é Z L = 1∠
Z ∆ = 30∠ ∠85 o Ω por
fase. Calcula as correntes de linha, as correntes de carga em delta, e a tensão aos
terminais da carga.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 91


Capítulo 2 2011
Resolução

A forma mais simples de resolver o problema é a seguinte:


Primeiro, converter a carga ∆ na equivalente Y. Depois ligar o ponto neutro da fonte
de tensão com o da carga Y equivalente com um condutor de impedância nula. Esta
ligação não terá efeito no circuito uma vez que a corrente através dela é nula, no
sistema equilibrado. O circuito resultante é mostrado na figura 2.16. As correntes de
linha serão então:

480
∠ − 30 o
E an 3
Ia = = = 25,83∠ − 73,78 o A
Z L + Z Y 1∠85 o + 30 ∠ 40 o
3

Ib = 25,83∠166,22 o A
 (2.5.18)
Ic = 25,83∠ 46,22 o A

Ic ZL
c

Ia ZL a
C E an
A

ZY
E cn N ZY
n
Ebn

ZL ZY
B Ib b

Figura 2.16: Circuito para o exemplo 2.5.

Z ∆ 30
onde Z Y = = ∠ 40 o = 10∠ 40 o Ω .
3 3

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 92


Capítulo 2 2011
Usando (2.5.14) resulta para as correntes da carga em delta:

I∠30 o 25,83
I AB = = ∠( −73,78 o + 30 o ) = 14,91∠ − 43,78 o A
3 3

IBC = 14,91∠ − 163,78 o A

ICA = 14,91∠76,22o A

As tensões nos terminais da carga serão:

E AB = Z ∆ I AB = (30∠ 40 o )(14,91∠ − 43,78 o ) = 447,3∠ − 3,78 o V

EBC = 447,3 ∠ − 123,78 o V

E CA = 447,3 ∠116,22 o V

2.5.4 Circuito Equivalente Unifilar

Quando se trabalha com sistemas trifásicos equilibrados, apenas uma fase precisa
ser analisada. As cargas em delta podem ser transformadas nas suas equivalentes
estrela e todos os pontos neutros das fontes e cargas podem ser ligados entre si por
um condutor com impedância nula sem alterar a solução. Assim, podemos resolver o
circuito para uma fase apenas. As tensões e correntes nas outras duas fases são
iguais em amplitude mas com desfasamento de ±120o em relação as das fases
determinadas. A Figura 2.17 mostra um circuito monofásico equivalente para o
problema do exemplo 2.5.

Na prática comum, as tensões indicadas para os sistemas trifásicos são tensões de


linha ou compostas e assim deverão ser consideradas ao longo do presente manual
salvo indicação em contrário.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 93


Capítulo 2 2011

Z L = 1∠85 o Ω
b A

E an =
480
∠ − 30 o V Z Y = 10∠ 40 0 Ω
3

n N

Figura 2.17: Esquema de substituição para o circuito do exemplo 2.5.

2.5.5 Potência em Sistemas Trifásicos Equilibrados


Neste subcapítulo vamos discutir a potência instantânea e complexa para geradores
e motores trifásicos e outras cargas equilibradas em estrela e triângulo.

[Link] Potência instantânea: Geradores trifásicos equilibrados

A Figura 2.18 mostra um gerador trifásico constituído por 3 fontes monofásicas


ligadas em estrela a partir do neutro n. As impedâncias dos 3 geradores (Zg) são
iguais.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 94


Capítulo 2 2011

i c (t)
ZG ZG
i a (t)
ucn (t)
E cn uan (t)
E an

E bn
ubn (t)
ZG

ia (t)

Figura 2.18 Esquema equivalente de um gerador trifásaico em Y

Considera-se que o gerador está a operar sob condições de tensões equilibradas e


estacionarias com a tensão aos terminais do gerador dada por:

uan (t) = 2ULNcos(ω t + δ) (2.5.19)

e que a corrente instantânea partindo do terminal positivo da fase a é dada por:

ia (t) = 2 IL cos(ω t + β) (2.5.20)

onde ULN é o valor eficaz da tensão fase-terra e IL o valor eficaz da corrente de linha.
A potência instantânea subministrada pela fase a do gerador será:

p a = uan (t)ia (t) = 2ULNIL cos(ω t + δ)cos(ω t + β)


(2.5.21)
= ULNIL cos(δ − β) + ULNIL cos(2ω t + δ + β)

Como a fonte é equilibrada as tensões e correntes nas fases b e c têm a mesma


amplitude que as da fase a, mas desfasadas em ± 120o.

Portanto, a potência instantânea fornecida pela fase b do gerador será:

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 95


Capítulo 2 2011

p b = 2ULNIL cos(ω t + δ − 120 o )cos(ω t + β − 120 o )


(2.5.22)
= ULNIL cos(δ − β) + ULNIL cos(2ω t + δ + β − 240 o )

e para a fase c,

p c = 2ULNIL cos(ω t + δ + 120 o )cos(ω t + β + 120 o )


(2.5.23)
= ULNIL cos(δ − β) + ULNIL cos(2ω t + δ + β + 240 o )

A potência total instantânea suministrada pelo gerador será a soma das potências
instantâneas fornecidas por cada fase, isto é,

p 3Φ = p a (t) + p b (t) + p c (t)


= 3ULNIL cos(δ − β) +
(2.5.24)
+ ULNIL [cos(2ω t + δ + β) + cos(2ω t + δ + β − 240 o ) +
+ cos(2ω t + δ + β + 240 o )]

Os 3 termos coseno dentro do parêntesis recto podem ser representados por um


conjunto de 3 fasores equilibrados. Portanto, a soma desses termos é nula para
qualquer valor de δ, β e t . Assim, a equação (2.5.24) transforma-se em:

p 3Φ (t) = P3φ = 3ULNIL cos(δ − β) (2.5.25)

A equação (2.5.25) pode ser rescrita em termos da tensão de linha ULL em vez da
U
tensão fásica ULN. Sob condições de equilíbrio, ULN = LL resultando,
3
P3Φ = 3ULLIL cos(δ − β) (2.5.26)

Uma inspecção da equação (2.5.26) leva- nós a concluir que a potência total
instantânea subministrada por um gerador trifásico equilibrado não é uma função do
tempo, mas sim uma constante dada por:

p 3Φ (t) = P3Φ (2.5.27)

[Link] Potência instantânea: Motores e impedâncias trifásicas equilibradas

A potência total instantânea absorvida por um motor em condições de sistema


equilibrado e grandezas estacionarias é também constante. A Figura 2.18 pode ser
usada para representar um motor trifásico invertendo o sentido das correntes de

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 96


Capítulo 2 2011
linha. Assim, as equações (2.5.19) a (2.5.27) mantêm-se válidas. Estas equações
são também válidas para a potência instantânea total absorvida pelo motor trifásico
equilibrado e outras impedâncias de carga trifásica equilibrada.

[Link] Potência Complexa: Geradores trifásicos equilibrados

A representação fasorial das tensões e correntes em (2.5.19) e (2.5.20) são:

Uan = ULN∠δ (2.5.28)

Ia = IL ∠β (2.5.29)

onde Ia deixa o terminal positivo da fase a do gerador.

A potência complexa S fornecida pela fase a do gerador será:

( )*
S a = ULN Ia = ULN∠(δ )IL ∠( −β) = (ULNIL )∠(δ − β)
(2.5.30)
= ULNIL cos(δ − β) + jULNIL sin(δ − β)

Para um sistema trifásico equilibrado, a potência complexa suministrada pelas fases


b e c do gerador é idêntica a da fase a e, portanto, a potência total da fonte será:

S 3φ = S a + S b + S c = 3S a
= 3ULNIL ∠(δ − β) (2.5.31)
= 3ULNIL cos(δ − β) + j3ULNIL sin(δ − β)

Em termos de potência activa e reactiva:

S 3Φ = P3Φ + jQ3Φ (2.5.32)

onde:
P3Φ = Re(S 3Φ ) = 3ULNIL cos(δ − β) = 3ULLIL cos(δ − β) (2.5.33)

Q3Φ = Im(S 3Φ ) = 3ULNIL sin(δ − β) = 3ULLIL sin(δ − β) (2.5.34)

E a potência aparente total:

S 3φ = S 3φ = 3ULLIL = 3ULLIL (2.5.35)

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 97


Capítulo 2 2011
[Link] Potência complexa: Motores trifásicos equilibrados

As expressões (2.5.30) a (2.5.35) também são válidas para as potências absorvidas


por motores trifásicos equilibrados.

[Link] Potência complexa: Impedâncias de carga em estrela e triângulo


equilibradas

As equações (2.5.32) a (2.5.35) são também válidas para impedâncias de carga


equilibrada em Y e ∆. Para um carga em Y, tensão fase-neutro da fase a e a corrente
entrandono terminal positivo dessa carga podem ser representados pelas equações
(2.5.28) e (2.5.29). Assim, as equações (2.5.30) a (2.5.35) são válidas para a
potência absorvida por uma carga trifásica equilibrada em Y.

Para uma carga equilibrada em ∆, a tensão de linha na fase a–b e a corrente para o
terminal positivo dessa impedância de carga podem ser representados por:

Uab = ULL ∠ δ (2.5.36)

Iab = I ∆ ∠β (2.5.37)

onde ULL é o valor eficaz da tensão de linha e I∆ é o valor eficaz da corrente de carga
∆. A potência complexa Sab absorvida pela fase a-b será:

*
S ab = Uab Iab = ULLI∆ ∠(δ − β) (2.5.38)

A potência complexa total absorvida pela carga ∆ será:

S 3φ = S ab + Sbc + S ca = 3S ab = 3ULLI ∆ ∠(δ − β)

= 3ULNI ∆ cos(δ − β) + j3ULNI ∆ sin(δ − β) (2.5.39)

Rescrevendo (2.5.38) em função da potência total activa e reactiva, vem:

S 3Φ = P3Φ + jQ 3Φ (2.5.40)

P3Φ = Re(S ab 3Φ ) = 3ULNI ∆ cos(δ − β) = 3ULLIL cos(δ − β) (2.5.41)

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 98


Capítulo 2 2011

2.6 Vantagens do Sistema Trifásico Sobre o Monofásico


A figura 2.19 apresenta três sistemas monofásicos separados. Cada sistema
monofásico compreende os seguintes componentes idênticos:

1. Um gerador representado por uma fonte de tensão e uma impedância interna


Z g;
2. Um condutor activo e outro de retorno, representados por duas impedâncias
de linha série Z L;
3. Uma carga representada por uma impedância de valor Z Y. Embora
completamente separados entre si, os 3 sistemas monofásicos são
apresentados numa configuração idêntica à estrela, para melhor ilustração
das vantagens do sistema trifásico sobre o monofásico.

ZL

ZL
ZG
ZY
ZG
ZY
n1
N1

n2 N2
n3
N3
ZL = R L + j ω L
ZY

ZG

Figura 2.19 Três sistemas monofásicos separados

Cada sistema monofásico separado requer que os dois condutores, nomeadamente


o activo e o de retorno, tenham a mesma capacidade de carga (amperagem), igual
ou maior que a corrente de carga. Contudo, se as fontes da figura 2.19 forem ligadas
por forma a constituir um sistema trifásico, e se as fontes de tensão forem
balanceadas com igual amplitude e desfasamento entre fases consecutivas de ±
120º , então, a corrente pelo condutor neutro será nula e os 3 condutores de neutro
podem ser removidos. Portanto, apesar de estar a entregar a mesma potência à
carga, o sistema trifásico requer apenas metade do número de condutores
necessários para 3 sistemas monofásicos separados fornecendo mesma potência.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 99


Capítulo 2 2011
Também, em virtude da diminuição da impedância de fase, as perdas totais de
potência I2R no sistema trifásico são também metade que em 3 sistemas
monofásicos separados fornecendo a mesma potência. Igualmente, a queda de
tensão entre a fonte e a carga no sistema trifásico será metade da queda nos
sistemas monofásicos.

Portanto, uma primeira vantagem do sistema trifásico equilibrado relativamente ao


monofásico é o baixo capital e custos operacionais dos subsistemas de transporte e
distribuição de energia eléctrica, para além de uma melhor regulação de tensão.

Alguns sistemas trifásicos tais como os sistemas ligados em ∆ e os sistemas


trifásicos Y de 3 condutores não têm condutor neutro. Contudo, a maioria dos
sistemas trifásicos são sistemas Y de 4 condutores, em que um condutor neutro
aterrado é usado. Os condutores neutros são usados com a finalidade de:

• diminuir as sobretensões transientes, que podem ser caudadas por descargas


atmosféricas de raios bem como pela manobra de aparelhagem de corte e
protecção;
• transportar as correntes de neutro provenientes da operação desequilibrada
do sistema eléctrico, como por exemplo no caso da ocorrência de curto-
circuitos assimétricos.

Condutores de neutro nas linhas de transmissão eléctrica são normalmente de


menor secção e amperagem que os condutores de fase porque as correntes de
neutro são aproximadamente nulas no regime normal de operação. Assim, o custo
de um condutor neutro é significativamente menor que o dos condutores de fase da
mesma rede. Os custos de investimento inicial e de operação dos sistemas trifásicos
eléctricos de transporte e distribuição, com ou sem condutor neutro são
consideravelmente menores que os de 3 sistemas monofásicos separados
transmitindo a mesma potência.

A segunda vantagem é que a potência instantânea total sumnistrada por um gerador


trifásico sob condições normais de serviço equilibrado é praticamente constante
como foi visto na secção 2.5. Um gerador trifásico (construido com os seus
enrolamentos de campo num mesmo veio e com os seus 3 enrolamentos estatóricos
no núcleo deslocados entre si de 120º), terá também uma potência mecânica de
entrada aproximadamente constante sob condições normais de operação, uma vez
que a potência mecânica de entrada é igual à potência de saida eléctrica mais as
pequenas perdas no gerador. Assim, o torque mecânico do veio, que é igual à
P
potência mecânica de entrada, dividida pela frequência angular ( Tmec = mec ) será
ωn
também aproximadamente constante.

Por outro lado, a equação para a potência instantânea sumnistrada por um gerador
monofásico sob condições estacionárias de funcionamento é a mesma que a

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 100


Capítulo 2 2011
equação para a potência instantânea fornecida por uma fase de um gerador trifásico.
Como mostrado nessa equação, p(t) tem duas componentes: uma constante e outra
sinusoidal com uma frequência dupla da rede. Assim, tanto a potência mecânica de
entrada como o torque mecânico do veio de um gerador monofásico terão uma
componente oscilatória com o dobro da frequência da rede a qual cria uma vibração
do veio e ruído, que poderia criar grandes falhas nas máquinas de elevada potência.
Por causa disso, a maioria das máquinas eléctricas rotativas (geradores e motores)
de potência igual ou superior a 5 kVA são construídas como trifásicas, com a
finalidade de produzir torques aproximadamente constantes e, portanto, minimizar as
vibrações dos veios e o ruído.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 101


Capítulo 2 2011

2.7 Valores por Unidade

2.7.1 Definição
Já foi visto que um sistema eléctrico apresenta uma grande diversidade de níveis de
tensão. Este facto pode trazer problemas no acto de modelação e simulação por
computador, já que a variação das grandezas é extremamente grande. Para
contornar esse problema foi desenvolvido o método normalizado, baseado em
valores por unidade.

Por definição, valor por unidade de uma grandeza é o valor dessa grandeza
representada pela relação entre o valor da grandeza e o valor base da mesma
grandeza, escolhido como referência.

Valor verdadeiro de x
χ pu = (2.7.1)
Valor base de x

Exemplo 2.6

Referir as tensões abaixo apresentadas em valores p.u., usando como base o valor
de 120KV.

126KV
a) U1= 126 KV U1pu = = 1,05pu
120KV

109KV
b) U2= 109 KV U 2pu = = 0,908pu
120KV

120KV
c) U3= 120 KV U3pu = = 1,00pu
120KV

500KV
d) U4= 500 KV U 4pu = = 4,17pu
120KV

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 102


Capítulo 2 2011

2.7.2 Valores Base das Grandezas Eléctricas do Sistema de


Energia
Cada nó num sistema eléctrico é caracterizado por valores distintos de:

• Tensão eléctrica (U)


• Corrente eléctrica (I )
• Potência eléctrica (S )
• Impedância (Z)

Conhecendo-se duas grandezas quaisquer, pode-se determinar as outras duas. No


sistema de valores por unidade é comum escolher como valores de base nas redes
eléctricas:

• Tensão (Ubase)
• Potência aparente (Sbase)

2.7.3 Sistema Monofásico


Tomando por base a tensão (Ubase) e a potência aparente (Sbase), os valores de base
de corrente e impedância são determinados a partir de:

S base
Ibase = (2.7.2)
Ubase
e
2
U Ubase Ubase
Zbase = base = = (2.7.3)
Ibase  Sbase  Sbase
 
 Ubase 

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 103


Capítulo 2 2011

2.7.4 Sistema Trifásico

Ibase

Z base

Z base

UbaseLL
Ubasef Z base

Figura 2.18 Ilustração de valores de base num sistema trifásico

Escolhendo previamente para bases, a tensão e a corrente, vem:

Sbase- potência aparente do sistema trifásico


Ubase- tensão de base de linha a linha (composta)

Os valores de base de corrente e impedância serão:

S base3 Φ
Ibase = (2.7.4)
3UbaseLL

Ubasef
Z base = (2.7.5)
Ibase

como Ibase = Ibasef e Ubase = 3Ubasef , vem

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 104


Capítulo 2 2011

 UbaseLL   UbaseLL 
   
 3   3  U2
Z base = = = baseLL (2.7.6)
Ibase  S base3 Φ  S base3 Φ
 
 3UbaseLL 

2.7.5 Mudança de Base de uma Grandeza


Não poucas vezes, nas redes eléctricas, os dados de placas dos transformadores e
outros equipamentos não coincidem. Portanto, não é possível ter uma mesma base
e os valores precisam ser convertidos a uma base comum de cálculo. Isso aplica-se
com maior frequência a impedância dos equipamentos. Façamos a conversão:

Na base 1, vale:

Z real
Z pu1 = donde, Z real = Z pu1Z base1 (2.7.7)
Z base1

Na base 2,

Z real
Z pu2 = donde também, Z real = Z pu2 Z base2 (2.7.8)
Z base2

Igualando as duas equações, uma vez que a impedância real em qualquer das bases
é a mesma, vem:

Z pu2 Z base2 = Z pu1Z base1 (2.7.9)

ou
 U2 
 base1 
 Sbase1  2
 Z base1     Ubase1   S base2 
Z pu2 = Z pu1x  = Z pu1x = Z pu1x    (2.7.10)
 Z base2   U2   Ubase2   S base1 
 base2 
 S base2 
 
ou também:

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 105


Capítulo 2 2011
2
U   S basenova 
Z punovo = Z puvelho  basevelha    (2.7.11)
 Ubasenova   S basevelha 

Exemplo 2.7

Um sistema de potência trifásico tem como base 100 MVA e 230KV. Determinar:

a) A corrente de base:

S base3Φ 100x10 6
Ibase = = = 251,02A
3UbaseLL 3 x230x10 3

b) Impedância de base

Z based =
2
UbaseLL
=
(230x10 3 )
2
= 529Ω
S base 100x10 6

c) Admitância base

1 1
Ybased = = = 1,84x10 − 3 S
Z base 529

d) Corrente em valores pu, se I=502,04 A

I 502,04
Ipu = = = 2pu
Ibase 251,02

e) Impedância Z =264,5+j1058 Ω,

em pu,
264,5 + j1058
Z pu = = 0,5 + j2pu
529

f) A impedância de uma linha de transmissão de 230 KV com 52,9 Km de


comprimento e 0,5 Ω/Km/fase

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 106


Capítulo 2 2011

Z LT = 0,5 x52,9Km = 26,45Ω
Km

Z LT 26,45
Z LTpu = = = 0,05pu
Z base 529

Exemplo 2.8

A placa de um gerador síncrono apresenta os seguintes dados:


Un=13,8 KV; Sn=50 MVA; X=20%
Calcular a reactância da máquina em valores p.u., referida a uma nova base de 100
MVA e 13,2 KV.

Resolução

Ubasenominal = Ubasevelha =13,8 KV

Sbasenominal = Sbasevelha = 50 MVA

Xpunominal = Xpu(basevelha) =0,2 pu

Ubasenova = 13,2 KV

Sbasenova = 100 MVA

2 2
U   S basenovo   13,8   100 
X punovo = X puvelho  basevelho    = 0,2    = 0,44pu
 Ubasenovo   S basevelho   13,2   50 

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 107


Capítulo 2 2011

2.8 Problemas não resolvidos

Dados os números complexos:

A 1 = 5∠30 0 e A 2=-3 + j4
a) Passe A1 para a forma rectangular;
b) Passe A 2 para as formas polar e exponencial;
c) Calcula A 3 = A1 + A 2 e apresente a resposta na forma polar;
d) Calcula A 4 = A1 x A 2 e apresnte a resposta na forma rectangular;
A1
e) Calcula A 5 =
( )
A2 *
e apresnte a resposta na forma exponencial.

2.8.2 A tensão instantânea através de um elemento de circuito é dada por u(t)=


359.3 cos(ωt+15o) volts, e a corrente instantânea que entra no terminal
positivo do elemento do circuito é dada por i(t)=100 sin(ωt+5o) A. Calcula para
a corrente e tensão:
a) O valor de amplitude máxima;
b) O valor eficaz;
c) A expressão para os fasores, usando para referência cos(ωt).

2.8.3 Calcula para o circuito do problema 2.8.2:


a) A potência instantânea absorvida;
b) A potência real, indicando se ela é entregue ou absorvida;
c) A potência reactiva, indicando se ela é entregue ou absorvida;
d) O factor de potência, indicando se é atrasado ou adiantado.

Nota: Por convenção, o factor de potência cos(δ-β) é positivo. Se ‫ ׀‬δ- β‫׀‬


for maior que 90o, o sentido da corrente deve ser invertido, resultando
assim um cos(δ-β) positivo.

2.8.4 A tensão u(t)=359.3 cos(ωt) volts é aplicada sobre uma carga que consiste
numa resistência de 10 Ω em paralelo com uma reactância capacitiva Xc=25
Ω. Calcula:
a) A potência instantânea absorvida pelo resistência;
b) A potência instantânea absorvida pelo capacitor;
c) A potência activa absorvida pelo resitor;
d) A potência reactiva entregue pelo capacitor;
e) O factor de potência do circuito.

2.8.5 Repita o problema 2.8.4 se o resistor e o capacitor forem ligados em série.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 108


Capítulo 2 2011
2.8.6 Considera uma carga monofásica a qual é aplicada uma tensão instantânea
u(t)= 150 cos(ωt+10o) volts e uma corrente i(t)=5cos(ωt-50o) A.

a) Calcula e desenha o triângulo de potências;


b) Calcula o factor de potência e determina se é adiantado ou atrasado;
c) Calcula a potência reactiva fornecida por um banco de condensadores
que corrigem o factor de potência para 0.9 em atraso.

2.8.7 Um circuito tem por carga duas impedâncias, Z 1 = 20∠30 o Ω e


Z 1 = 25∠60 o Ω ligadas em paralelo alimentadas por uma fonte de tensão
cuja tensão é U = 100∠60 o V . Calcula e desenha o triângulo de potências
para cada uma das cargas e para a fonte.

2.8.9 Uma carga industrial composta essencialmente por motores de indução,


absorve uma potência de 500 kW com um factor de potência de 0.6 indutivo.
a) Calcula a potência do banco de condensadores necessária para elevar
o factor de potência para 0.9 em atraso;
b) Calcula o novo factor de potência se no lugar do banco de
condensadores for instalado em paralelo com os motores de indução,
um motor sincrono com uma potência nominal de 500 hp, um
rendimento de 90% e um factor de potência unitário. Considere
1hp=0.747 kW.

2.8.10 A potência activa entregue por uma fonte a duas impedâncias Z 1 = (3 + j 4 ) Ω


e Z 1 = 10 Ω ligadas em paralelo é 1100 W. Calcula:
a) A potência activa absorvida por cada impedância;
b) A corrente da fonte de alimentação.

2.8.11 Uma fonte monofásica de corrente alternada tem uma tensão aos terminais de
U = 120∠0 0 V e uma corrente de I = 10∠0 0 A , que deixa o terminal positivo
da fonte. Calcula a potência activa e reactiva e determina se a fonte absorve
ou entrega cada uma dessas potências.

2.8.12 Para o circuito representado na figura a seguir, convirta as fontes de tensão


para fontes equivalentes de corrente e escreva as equações de nó na forma
matricial, usando o nó 0 como referência.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 109


Capítulo 2 2011

0,02Ω j 0,2 Ω
1 2

0,1 Ω 0,1 Ω

j0,5 Ω j0,5 Ω
- j0,1Ω - j0,1Ω

E S1 = 1,0∠30 o V E S2 = 1,0∠0 o V

Figura Circuito para o exercício 2.8.12

2.8.13 Escreva um programa de computador que usa as tensões das fontes de


tensão e as impedâncias de ligação dos nós como dados de entrada para:
a) Calcular a matriz das admitâncias Y ;
b) Converter as fontes de tensão em fontes de corrente e calcular o vector
das correntes de fonte para os nós 1 e 2.

2.8.14 Usa o programa desenvolvido no exercício 2.8.13 para calcular tensões de nó


U10 e U20 respectivamente entre o nó 1 e o nó de referência e o nó 2 e o nó
de referência.

2.8.15 Uma fonte de tensão trifásica equilibrada de 208-V alimenta uma carga
trifásica também equilibrada. Se a corrente de linha Ia medida for de 10 A e
estiver em fase com a tensão linha-linha Ubc , calcula a impedância por fase
da carga se:
a) A carga for ligada em Y;
b) A carga for ligada em ∆.

2.8.16 Um alternador trifásico, 480 V, 50 kVA, 60 Hz, funcionando no regime


estacionário, fornece uma corrente de linha de 20 A com um factor de
potência 0.8 em atraso e a tensão nominal. Determina o triângulo de potências
para estas condições de funcionamento.

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 110


Capítulo 2 2011
2.8.17 Uma impedância de carga trifásica ligada em triângulo com um valor de
(12 + j9) Ω por fase é alimentada por uma fonte de tensão trifásica 60 Hz,
208 V.
a) Calcula as correntes de linha, a potência total activa e reactiva
absorvidas pela carga, o factor de potência e a potência aparente;
b) Esboça um diagrama fasorial mostrando as correntes de linha, as
tensões linha-linha da fonte de alimentação e as correntes pela carga.
Assuma uma fonte de sequência positiva e use Uab como referência.

2.8.18 Duas cargas trifásicas ligadas em estrela, uma absorvendo 10 kW com um


factor de potência de 0.8 indutivo e a outra 15 kW com um factor de potência
0.9 capacitivo, estão ligadas em paralelo e alimentadas por uma fonte de
tensão trifásica de 480 V também ligada em estrela.
a) Calcula o valor da corrente pela fonte de alimentação;
b) Qual será a leitura de um amperimetro ligado entre os pontos neutros
da fonte e da carga através de um condutor de impedância nula?

2.8.19 Três impedâncias idênticas Z ∆ = 30∠30 o Ω estão ligadas em triângulo a


uma fonte de tensão trifásica equilibrada de 500 V através de 3 condutores
idênticos com uma impedância de valor Z L = (0,8 + j0,6) Ω Ω por condutor.
a) Calcula a tensão de linha nos terminais da carga;
b) Repita a) para o caso em que um banco de condensadores ligados em
∆, com uma reactância de valor (-j60) Ω por fase é ligado
paralelamente a carga.

2.8.20 Dois geradores trifásicos alimentam uma carga trifásica através de duas linhas
de alimentação separadas. A carga absorve 30 kW com um factor de potência
0,8 atrasado. A impedância da linha entre o gerador G1 e a carga é de
(1,4 + j 1,6 ) Ω por fase, e a impedância da linha entre o gerador G2 e a carga
é de (0,8 + j 1,0 ) Ω por fase. Se o gerador G1 fornece 15 kW com um factor de
potência 0,8 atrasado, e uma tensão de linha aos terminais do gerador de 460
V, determina:
a) A tensão aos terminais da carga;
b) A tensão aos terminais do gerador G2;

2.8.21 Considera a transformação ∆-Y.


a) Deduza as expressões gerais para a transformação estrela-triângulo e
vice-versa ;
b) Calcula a impedância equivalente Y para a impedância ∆, cujos ramos
são:

Z AB = j 10 Ω ; Z BC = j 20 Ω ; Z CA = j 25 Ω

Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica I-Notas do Regente Página 111

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