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Terapia Assistida por Animais em Psicologia

O artigo discute as Intervenções Assistidas por Animais (IAAs) como uma abordagem terapêutica que melhora a saúde e a qualidade de vida dos usuários, destacando a importância do vínculo entre humanos e animais. A pesquisa bibliográfica revela que as IAAs não têm contraindicações e são eficazes em complementar métodos tradicionais de tratamento, especialmente na saúde mental. Além disso, enfatiza a necessidade de cuidados na aplicação dessas intervenções para garantir o bem-estar de todos os envolvidos.

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Terapia Assistida por Animais em Psicologia

O artigo discute as Intervenções Assistidas por Animais (IAAs) como uma abordagem terapêutica que melhora a saúde e a qualidade de vida dos usuários, destacando a importância do vínculo entre humanos e animais. A pesquisa bibliográfica revela que as IAAs não têm contraindicações e são eficazes em complementar métodos tradicionais de tratamento, especialmente na saúde mental. Além disso, enfatiza a necessidade de cuidados na aplicação dessas intervenções para garantir o bem-estar de todos os envolvidos.

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DOI: 10.14295/idonline.v15i55.

2694 Artigo de Revisão

Terapia Assistida com Animais:


Novas Possibilidades para um Cuidar em Psicologia
Antônio Anderson Câncio Mota1; Maria de Fatima Brito Fontelene Rocha2;
Daniel de Freitas Batalha3; Artur Mouta de Pinho4

Resumo: Os animais sempre tiveram considerável importância na vida do homem. Percebeu-


se, com o passar do tempo, que o vínculo animal-homem poderia trazer melhorias para a saúde,
promovendo qualidade de vida. Essa percepção trouxe uma possibilidade terapêutica conhecida
como Intervenções Assistida por Animais – IAAs. Esse artigo, que faz um levantamento e
análise bibliográfica em caráter de pesquisa exploratória, tem como objetivo apresentar as IAAs
sob a perspectiva de que essa atividade valorize o bem-estar de todos os agentes envolvidos.
Foi verificado melhoras significativas no quadro de usuários das IAAs após serem submetidos
a esse tipo de intervenção. Também foi verificado a necessidade de uma série de cuidados para
a aplicabilidade das IAAs. Estas, não possuem contraindicação e são um forte aliado contra os
métodos ortodoxos. Assim, podemos entender que as IAAs são viáveis para atender as
demandas voltadas para saúde em especial a mental.

Palavras-chave: Animais, Co-terapeuta; Psicologia; Terapia.

Animal Assisted Therapy:


New Possibilities for a Psychological Care

Abstract: Animals have always been of considerable importance in man's life. It was realized,
over time, that the human-animal bond could bring improvements to health, promoting quality
of life. This perception brought a therapeutic possibility known as Animal Assisted
Interventions - IAAs. This article, which carries out research and bibliographic analysis on the
nature of exploratory research, aims to present the IAAs under the perspective that this activity
values the well-being of all the agents involved. Significant improvements were seen in users
of the IAA after undergoing this type of intervention. There was also a need for several

1
Mestrando em Antropologia pelo Programa de Pós Graduação da Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Psicodramatista pelo Instituto de Psicodrama e Máscaras do Estado do
Ceará. Especializando em Psicodrama pelo Centro Universitário 7 de Setembro - UNI7. Psicólogo formado pelo
Centro Universitário Estácio do Ceará. psicologo@[Link].
2
Doutora em Psicologia (UNIFOR), Mestre em Educação Brasileira (UFC), Mestre em Educação e Gestão
Desportiva (AMERICANA/PY), Psicodramatista pelo Instituto de Psicodrama e Máscaras do Estado do Ceará-
UNI7. Psicomotricista (UECE), Esp. Educação Inclusiva (UEM), Esp. em Esporte Escolar (UNB), Psicóloga
Clinica, Funcionaria Pública da SEDUC-CE. fatimabrito2113@[Link]
3
Psicólogo concludente em 2018 pelo Centro Universitário Estácio do Ceará. [Link]@[Link]
4
Graduando em psicologia pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. Especializando em Psicodrama pelo
Centro Universitário 7 de Setembro – UNI7. [Link]@[Link]
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precautions for the applicability of IAAs. These are not contraindicated and are allied against
orthodox methods. Thus, we can understand that IAAs are viable to meet health demands,
especially mental health.

Keywords: Animals, Co-therapist; Psychology; Therapy.

Introdução

Os animais historicamente são companheiros dos seres humanos desde a pré-história, e,


quem possui algum sabe dos seus encantos e contribuições. Para além dos aspectos históricos,
tal parceria vem sendo difundida em diversos campos com a finalidade de proporcionar ganhos
mútuos na relação. Inerente a referida relação, pode-se pensar em diversos exemplos onde o
animal é fundamental para mudanças intrínsecas ao homem.
A partir deste fato, optamos por entrelaçar as temáticas que se referem a psicologia no
âmbito da saúde mental e a relação homem e animal partindo da perspectiva terapêutica
discutindo acerca das contribuições psicológicas (possibilidades de cuidar) nas instituições, isto
é, na possibilidade de melhora na qualidade de vida dos participantes da modalidade
terapêutica. Partindo deste pressuposto histórico, denominou-se Intervenções Assistidas por
animais - IAA, das quais fazem parte a Terapia Assistida por Animais - TAA e Atividades
Assistidas por Animais - AAA, a práxis da utilização de animais, neste contexto chamados de
coterapeutas, no acompanhamento em saúde mental onde, partindo de estudos devidamente
referenciados ao longo do texto, apresentam possibilidades no que concerne a qualidade de vida
dos participantes da modalidade terapêutica pacientes. Partindo disto, o presente escrito teve
por objetivo discutir a utilização da terapia assistida por animais em tratamentos no qual o
animal é usado como coterapeuta em ambientes institucionalizados.
Diante das possibilidades oriundas dos escritos, tentamos apontar meios teóricos para
que seja viabilizada uma nova modalidade de terapia, bem como caracterizar a relação homem
animal trazendo o mesmo como coterapeuta e não como uma simples ferramenta de trabalho e
discutir o uso de animais de forma responsável visando o bem-estar do mesmo. Diante do que
foi exposto, fez-se clara a seguinte pergunta: Quais são os benefícios e dificuldades que a
Terapia Assistida por Animais – TAA podem encontrar ao ser introduzida na saúde mental? O
presente aporte dedicou-se a resolução desta importante questão da qual se pretendeu.

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Quando decidimos cursar psicologia já tínhamos um grande carinho por animais, no
entanto, não conhecíamos o trabalho, notável, diga-se de passagem, já em andamento em alguns
estados do país, em especial as pesquisas desenvolvidas na cidade de São Luís no Estado do
Maranhão.
Partindo das pesquisas, ao pesquisarmos, chegamos ao professor Dr. Jean Marlos,
docente titular da Universidade Federal do Maranhão que trabalha com essa temática a alguns
anos. O professor supracitado é referência na temática sendo também líder do grupo de estudos
e pesquisas em Saúde e Intervenções Assistidas por Animais - GEPSIAA´s e em conversas, o
mesmo nos forneceu aparato teórico metodológico e histórico no que se refere ao deferido tema
enviando vários livros, trabalhos e artigos.
Nossa intenção é semear e ampliar as pesquisas sobre este tema ainda tão pouco
conhecido e muito útil para profissionais e para o meio acadêmico das áreas da saúde, em
especial a mental, veterinária e também para o meio ambiente.
É de suma importância contextualizar a relação homem animal desde seu início e como
se deu o processo até os dias atuais, bem como a real importância dos animais nesse processo,
influenciando até os dias atuais em culturas, crenças e religiões. Tendo seu início na pré-
história, a relação homem animal se dá em diferentes esferas perpassando desde o uso de
animais para o uso de suas qualidades que viriam favorecer a vida humana como auxílio na
caça, segurança, trabalhos pesados e transporte de pessoas até a ligação afetiva que vem se
transformando a cada dia na contemporaneidade fortalecendo os vínculos sociais com nossos
amigos de quatro patas. (VACCARI, ALMEIDA, 2007).
No século XVII os animais passaram a ganhar maiores espaços na sociedade, sendo
criados em fazendas e chácaras logo ganharam espaço dentro das residências junto às famílias
(DOTTI, 2005). O primeiro relato terapêutico envolvendo homem e animal foi no final do
século XVIII na Inglaterra em um Hospital chamado Retiro York que é um centro de referência
clínico para pessoas com necessidades especiais e transtornos mentais, que atua ainda hoje com
métodos terapêuticos considerados mais humanos (GONÇALVES, 2017).
Este artigo terá por objetivo apresentar ao leitor uma perspectiva do tratamento
psicológico usando animais como coterapeutas baseado em uma pesquisa bibliográfica
exploratória e explicativa na intenção de aproximar resultados colhidos tendo como base
principal artigos científicos e livros dos autores aqui citados considerando suas obras trazendo
a forma mais pura do conhecimento sobre o que se apresentará neste artigo.

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Metodologia

A metodologia é o caminho por onde esclarecemos nossas devidas escolhas ao se iniciar


uma pesquisa científica. Gil 2002, por exemplo corrobora a dizer que tal tipo de pesquisa se dá
a partir da consulta de livros e artigos, o que é comum a todos os estudos das quais se referem
a revisão bibliográfica de cunho exploratório. Essa prática proporciona ao acadêmico conhecer
diferentes perspectivas que nos levam a uma amplificação do conhecimento (GIL, 2002).
Metring (2011) expõe sobre o caráter de pesquisa exploratória enquanto pesquisa no intuito de
levantar hipóteses a partir da teoria dos autores de determinado tema.
Nessa perspectiva, é de grande importância entender que a questão inicial possibilitou
apresentar uma alternativa de cuidar em que fugisse das práticas convencionais, forma muitas
vezes concebida como hegemônica, enfrentando resistência desde seu início nos anos 60 pela
Dra. Nise da Silveira. Por essa ótica propomos não se restringir e limitar a um suposto saber
hegemônico sobre saúde.
Pensando na diversidade de conteúdo, na delimitação do campo de pesquisa e no
direcionamento da pesquisa, iremos considerar especificamente os artigos pesquisados e lidos
por nós, indicações de profissionais da área específica e os artigos pesquisados entre 2003 e
2018 (15 anos) no período de maio a julho de 2017, buscando em fontes nacionais e gratuitos
Ebsco, Scientific Electronic Library Online – Scielo e Google acadêmico, tendo as seguintes
palavras usadas nos respectivos indexadores: “psicologia”; “animais”; “coterapeuta”; “terapia”.
A pesquisa foi feita usando vários critérios como: data de publicação, assunto e país de
origem. Após essa seleção foram estabelecidas relações entre: especificidade de assuntos e
coerência entre o assunto apresentado. É importante ressaltar que neste momento se fez
necessário excluir alguns trabalhos cujos objetivos estavam fora do contexto da pesquisa
apresentada neste estudo, como por exemplo o referido tema escolhido envolvendo
profissionais de várias áreas de conhecimento. Nesse sentido, optamos por apresentar os
trabalhos da área de psicologia que usamos como aqui como base principal para este artigo.
A referência principal desde artigo é o Dr. Jean Marlos Pinhieiro Borba, doutor em
psicologia pela Universidade Federal do Maranhão, Professor do Departamento de Psicologia
e professor colaborador do Programa de Pós-graduação em Saúde e Ambiente, referência
nacional na área das IAAs, e autor do capitulo intitulado de Saúde na infância, medicalização
da existência e as Intervenções Assistidas com Animais: alternativa ou “nova” tecnificação, que

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faz parte do livro “A infância medicalizada: discursos, práticas e saberes”, para o enfrentamento
da medicalização da vida de autoria da Dra. Jurema barros Dantas no ano de 2015.
Outra referência que influenciou na produção do presente trabalho foi a Psicóloga Elaine
Cristina Salvaro Caetano com o artigo As Contribuições da TAA – Terapia Assistida por
Animais à psicologia, este foi seu trabalho de conclusão de curso no ano de 2010 na cidade de
Criciúma. Por fim e não menos importante usufrui das contribuições oferecidas pela Me. Sabine
Althausen mestre em psicologia escolar pela Universidade de São Paulo a mesma é autora da
dissertação Adolescentes com síndrome de Down e Cães: compreensão e possibilidades de
intervenção trabalho publicado em 2006.
No quadro abaixo segue as publicações selecionadas para as devidas análises.

Quadro 1- Publicações selecionadas para análises neste estudo.

AUTORES TÍTULOS ANO

Saúde na infância, medicalização da existência e as


BORBA, J. M. P. 2015
Intervenções Assistidas com Animais:

As Contribuições Da Taa –Terapia Assistida Por


CAETANO, E. C. S. 2010
Animais À Psicologia

Adolescentes com síndrome de Down e cães:


ALTHAUSEN, S. 2006
compreensão e possibilidades de intervenção

SILVA, J. C. L.; As Contribuições Da Atividade Assistida Por Animais


SOZZO. M. M.; No Desenvolvimento Psicossocial Infantil 2016
ALVIM. N. N. T.

VACCARI, A. M. H.; A importância da visita de animais de estimação na


2007
ALMEIDA, F. A. A. recuperação de crianças hospitalizadas

PEREIRA, C.; FERRARI, A Utilização De Cães Na Unidade De Terapia Intensiva


2018
D.; BARROS, M.

PEREIRA, J. F. P.; Os Benefícios Da Terapia Assistida Por Animais: Uma


PEREIRA, L.; Revisão Bibliográfica 2007
FERREIRA, M. L.

REED, R; Curadores naturais: uma revisão da terapia e atividades


FERRER, L; assistidas por animais como tratamento complementar 2012
VILLEGAS, N. de doenças crônicas

MACHADO, J. A. C. ET Terapia Assistida Por Animais (TAA)


2008
AL.

Terapia Assistida Por Animais Como Facilitadora No


STUMM, K. E. ET AL. 2012
Cuidado A Mulheres Idosas Institucionalizadas

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GONÇALVES, J. O.; Animais Que Curam: A Terapia Assistida Por Animais
2016
GOMES, F. G. C.

Relações interespecíficas de cuidado no sistema de


TEIXEIRA, I. saúde convencional brasileiro: uma análise 2016
antropológica sobre a dinâmica da zooterapia

SILVEIRA, I. R.; Protocolo do Programa de Assistência


SANTOS. N. C.; Auxiliada por Animais no Hospital Universitário 2010
LINHARES, D. R.
Fonte: sites SCIELO, Google Acadêmico, Ebsco

Onde surgiu a relação homem animal

Desde os primórdios se conhece a vivência entre humanos e animais, tendo início na


pré-história, como se vê em algumas pinturas rupestres, mostrando o provável início de uma
parceria que seria comprovada no futuro por vários locais do mundo em várias civilizações
(CAETANO, 2010)
No decorrer da história, sempre foi evidenciado os benefícios dos animais, desde a
evolução. Fora observado que a relação com os animais poderia ter diversas possibilidades,
como auxiliar na caça, na segurança, trabalhos pesados, transportes e até mesmo como ameaça
e perigo (VACCARI, ALMEIDA, 2007).
Ao que se sabe, considerando os registros históricos nos escritos dos quais se referem a
relação homem e animal, de acordo com o aporte de Lantzman citado por Caetano (2010), fora
encontrado a cerca de 12 mil anos atrás, o túmulo em Israel, conforme referenciado
anteriormente, onde foi encontrado o corpo de uma mulher junto a um filhote de cachorro a
mão, ambos, em estado de mumificação. Tal fato se deu em uma região onde histórica e
culturalmente, há uma diversidade demasiada de religiões das quais inclusive, implicam
diretamente na relação constituída entre humanos e não humanos.

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Figura 1 - Pintura encontrada no Egito de homem com animal.

Fonte: [Link]

Na imagem acima podemos ver o homem exercendo atividade típica da época ao lado
do animal que possui um artefato que seria algo semelhante a uma coleira, a imagem acima foi
encontrada no Egito. Um dos primeiros relatos de domesticação de cães ocorreu na Ásia Central
há mais ou menos 15 mil anos atrás depois o mesmo foi relatado em outros locais como Índia,
Vietnã e Egito.
Em culturas como a Egípcia, onde a imagem acima fora encontrada, o politeismo e
antropozoomorfismo mesclavam as divisas entre animalidade e humanidade. Exemplos disso
são deuses com corpo de homem e cabeça de animais como Hórus (homem e Falcão), Anúbis
(homem e chacal) e Seth (homem e porco-formigueiro). Os animais no Egito Antigo eram
considerados a encarnação dos próprios deuses. (Carvalho,2017).
A essas entidades eram atribuídos valores como proteção, esperança de mundo melhor,
evolução espiritual, caminho para a felicidade eterna entre outros desejos, por este motivo o
uso de animais como divindade em várias civilizações do mundo até os dias de hoje ainda é
algo comum de se observar. A informações que desde o século XVII os animais vêm
desempenhando um papel importante na socialização do homem, com isso começaram a serem
criados em fazendas e acabaram ocupando espaços dentro das residências junto às famílias
(DOTTI, 2005).

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De acordo com Dotti (2005), na Idade Média, os animais, principalmente cães eram
usados nas residências para prevenir alguns sintomas de loucura. Na Bélgica, no século IX, os
animais eram responsáveis por tratamentos de pessoas com problemas mentais e físicos, os
mesmos eram levados para fazendas para estimular a convivência do homem com o animal.
Partindo do aporte de Gonçalves (2010) e ainda seguindo o itinerário histórico, o
primeiro registro de uma instituição que se utilizou da TAA., foi na Inglaterra, em meados de
1792, em um hospital psiquiátrico chamado Retiro York que é um centro de referência clínica
para pessoas com necessidades especiais e transtornos mentais. Seguindo o caminho inverso as
instituições higienistas de saúde mental da época, o retiro York ficou conhecido pela utilização
de métodos terapêuticos considerados mais humanos para a época onde os pacientes podiam
interagir com animais, caracterizando uma certa humanização no cuidado com a pessoa.
Ainda no percurso histórico, há registros em uma instituição chamada Bethel Institute,
em Bielefeld na Alemanha em 1867, onde cães, gatos e pássaros participavam da terapia.
Inicialmente o tratamento era oferecido a pessoas com epilepsia, mas após o início dos
resultados começou a ser usados no tratamento dos mais variados problemas físicos e mentais.
Nos Estados Unidos aconteceu o primeiro registro do uso da TAA voltado para o campo
da saúde, o mesmo foi feito pela enfermeira Florence Nightingele na metade do século XIX
quando ela relatou em seu livro (TEIXEIRA, 2016). Complementa Nightingale, (1860, p. 103)
a dizer que "um pequeno animal de estimação é muitas vezes um excelente companheiro para
os doentes, por longos casos crônicos especialmente". Considerando o relato acima, é possível
inclusive vislumbrar como os próprios profissionais compreendiam as possibilidades das
contribuições dos animais no processo do cuidar das pessoas naquela situação.
No ano de 1919 um hospital em Washington nos Estados Unidos iniciou um trabalho
de acompanhamento dos animais junto a seus donos como parte do tratamento na intenção de
humanizar o processo, os pacientes tinham transtornos ocasionados em decorrência de suas
participações na primeira guerra mundial, todos os pacientes em sua totalidade eram da Marinha
Norte Americana (GONÇALVES E GOMES, 2016).
Em 1942 a mesma atitude foi tomada com os enfermos da Força Aérea Americana
quando na ocasião foram incluídos animais nos programas de reabilitação e cuidados a
pacientes com mal de alzheimer, autistas, vítimas de abuso sexual e pessoas com desordem
mental e emocional. As tarefas da granja do hospital foram incluídas nas atividades dos
pacientes (Edurne, 2009). A partir dessa modalidade terapêutica outras fazendas nos Estados
Unidos foram destinadas a abrigar e oferecer tratamento para soldados que regressavam da
segunda Guerra Mundial. No ano de 1944 a Cruz Vermelha iniciou um programa para
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incentivar os pacientes a ter animais. O psiquiatra Boris Levinson deixou registrado algumas
observações em que destacam o cuidado com a saúde e a importância da interação homem
animal. Partindo desse ponto deu-se início ao termo Psicoterapia Facilitada por Animais, usada
para tratar transtornos e problemas de comunicação de crianças.
No final dos anos 50 surgiu o primeiro psicólogo a trabalhar com TAA Boris Levinson
se tornou referência no que diz respeito a desvendar o poder benéfico que os animais têm no
processo de reabilitação da saúde mental de crianças, tudo ocorreu de forma casual certo dia
que resolveu levar seu cão labrador que se chamava Jingles para o consultório no dia em que o
atendimento era prestado a um paciente com o diagnóstico de autismo com dificuldade em
relações sociais e logo no primeiro contato o seu pet conseguiu o que ele vinha tentando a várias
sessões, percebeu quase de que forma instantânea houve uma interação entre o paciente e o
coterapeuta a partir desse momento o coterapeuta se fez presente em vários atendimentos de
pacientes, principalmente nos diagnosticados com autismo.
Seus trabalhos e seus cuidados em defesa dos animais tiveram grande visibilidade em
vários países incluindo o Brasil onde a Dra. Nise da Silveira fez uso de seus trabalhos para
introduzir a TAA chegando até a manterem contato e trocarem informações, O acontecido
ocorreu entre as décadas de 50 e 60, Dra. Nise da Silveira, psiquiatra brasileira tinha um grande
afeto por animais e em seu local de trabalho, Hospital Pedro II, antigo Centro Psiquiátrico
Nacional, no Rio de Janeiro, no setor de terapia ocupacional passou a permitir o contato dos
pacientes internados com o diagnóstico de esquizofrenia com animais que eram abandonados
nas dependências do hospital. A Dra. observou a facilidade que os pacientes interagiam e se
acalmavam ao estarem juntos de seus animais. (GONÇALVES e GOMES, 2017)
Conforme ALTHAUSEN (2006) após a experiência da Dra. Nise nos anos 60, surgiram
várias iniciativas de IAAs na década de 90, estas eram feitas quase que em sua totalidade por
profissionais da área da saúde humana e animal .
Após esse momento surgiram as organizações não governamentais, atuando nas visitas,
atendimentos terapêuticos atendendo a pessoas de todas as idades e pessoas com algum tipo de
deficiência e pessoas institucionalizadas, neste momento foi percebido que a área de pesquisa
em nosso país precisaria percorrer um caminho longo para enriquecer as propostas de trabalho
que iam surgindo em todo o país ([Link], 2018).

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Conceitos de Intervenção assistida por animais, terapia assistida por animais e atividades
assistidas por animais

Partindo do que foi exposto na parte histórica, a Pet Partners em 1996 que na época
usava o nome de Delta Society, esta que foi fundada em 1977 em Portland, Oregon nos Estados
Unidos, tendo o Dr. Michael J. McCulloch como Presidente e juntamente com uma equipe de
médicos e pesquisadores entendem como necessária por uma questão de credibilidade
contextualizar uma definição do que seriam as Atividades Assistidas por Animais – AAA e
Terapia Assistida por Animais – TAA.
Nas AAA não é obrigatório a supervisão de um profissional da saúde em suas visitas e
tem por objetivo promover o bem-estar, a sociabilidade e felicidade nas pessoas através do
contato e de momentos de descontração, sem a obrigação de um resultado esperado por conta
das atividades realizadas.
A TAA é uma terapia alternativa onde o animal faz o papel de coterapeuta e se faz
necessário o acompanhamento de um profissional da área da saúde como psicólogo,
fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, médico ou enfermeiro entre outros variando de acordo
com o objetivo da terapia, façam um acompanhamento como parte de um tratamento onde o
homem e o animal trabalhem juntos de forma metodológica, planejada, documentada e seus
resultados devem ser apresentados, com o intuito de desempenhar um papel profissional voltado
para a melhoria da saúde física, social, mental e cognitiva, o atendimento pode ser na
modalidade individual ou em grupo.
Para a realização das visitas existe um cuidado voltado para a saúde do animal por isso
existe um protocolo a ser seguido onde os animais como cães e gatos devem estar em dia com
as vacinas e vermifugação, não podem possuir pulgas, carrapatos nem ingerir carne crua e leite
não pasteurizado, além de estarem limpos tosados, escovados e ter tomado banho no dia anterior
as visitas e ter acompanhamento constante de um profissional da medicina veterinária.

Quadro 2 - Calendário vacinal segundo animal e período.

VACINAS DOSES
CÃO 1ª DOSE 2ª DOSE 3ª DOSE REFORÇO
Óctupla ou Déctupla 45 dias 66 dias 87 dias Anual
Antirrábica 87 dias 108 dias - Anual
Giardia 129 dias 150 dias - Anual
Pneumodog 129 dias 150 dias - Anual
GATO
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Tríplice ou quádrupla ou
quíntupla - - 120 dias Anual

Antirrábica - - 120 dias Anual


Fonte: [Link]

Todas as pessoas envolvidas no processo terapêutico também precisam ter alguns


cuidados como lavar as mãos antes e depois de trabalhar em parceria com o animal e se deve
evitar ações que o levem a ter desconforto para evitar acidentes, por este motivo é de suma
importância que haja uma supervisão de seu condutor. O animal não pode ser colocado em um
ambiente sujo onde contenham urina, sangue, vômito, saliva ou pessoas com feridas expostas
e em situação alguma o animal deve ser alimentado exceto pelo seu condutor. (Pereira, Et Al,
2006)

Atuação no Brasil das IAAs

Até o presente momento, este escrito teve a finalidade de expor histórica e


empiricamente as possibilidades da IAAs É necessário então, pensando no que se refere a
práxis, para além das fronteiras, como e onde tal prática se revela e se tem escrito sobre a
referida temática. No país existem diversas iniciativas atuando com as IAAs nos mais variados
campos, para além de uma prática exclusivamente clínica psicológica ou mesmo dentro das
instituições de saúde mental.
No estado onde fora escrito o presente artigo, na cidade de Fortaleza no Ceará, é
imprescindível ressaltar e relembrar que apesar de haver uma prática e até mesmo instituições
especializadas como o Instituto Cão Vida Lui, não existem contribuições acadêmicas
considerando um contexto mais específico.
(INATAA 2018) O INATAA é uma organização não governamental com início de suas
atividades no ano de 2008 na cidade de São Paulo, suas áreas de atuação são as AAA, EAA,
TAA e treinamento de cães e profissionais para as mais diversas áreas de atuação. Fazem parte
do instituto voluntários e profissionais alguns com mais de 8 anos de experiência em atividades
em que o animal atua como coterapeuta, profissionais esses da antiga Organização Brasileira
de Interação Homem-Animal Cão Coração - OBIHACC, a ONG da qual se originou a
INATAA. (SILVA, SOZZO, ALVIM 2016) Os atendimentos ocorrem em vários locais
chegando a beneficiar em média 400 pessoas por mês e o serviço é voltado para o mais variado

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público como crianças, adolescentes, adultos e idosos, atualmente constam cadastrados no site
21 duplas de cães e seus acompanhantes.
Para a ONG sua construção ética é um fator determinante para a qualidade do trabalho,
como atender as necessidades de todos os envolvidos no processo com profissionalismo,
praticando o respeito e valorização do sujeito e do animal dentro de suas necessidades e
mantendo o sigilo necessário para que a aliança terapêutica possa ser desenvolvida de maneira
sólida, absolvendo os conhecimentos necessários para um melhor aproveitamento das
informações para fins de pesquisas
Partindo do que se sabe sobre o uso de animais como coterapeutas, considerando as
vicissitudes das políticas públicas, inclusive sanitárias, a implantação do animal enquanto
coterapeuta, para além dos desafios dos quais se propõe enquanto possibilidade para aqueles
que se beneficiam deste modo terapêutico, também perpassa por tramitações e nuances internas
ao que se refere ao treinamento do animal.
Tomando o que fora produzido até o presente momento neste aporte teórico, acerca da
posição do cachorro enquanto coterapeuta, é importante relembrar que, nas palavras de Borba
(2015, p. 12),

Na maior parte dos casos de implementação da TAA, EAD ou AAA os cães são os
animais preferidos pelos pacientes, por diversas razões, dentre elas: a) por serem de
fácil adestramento; b) pelo número significativo de tarefas que o cão co-terapeuta
pode desempenhar, tais como: apanhar objetos do chão, puxar cadeiras de rodas,
abrir e fechar portas, apenas ser acariciado etc. No caso dos cães para surdos e cegos,
aliado à companhia permanente – mas também pelo seu caráter dócil, meigo e
segundo o discurso de algumas pessoas e pesquisas realizadas, pela capacidade dos
cães em responder apropriadamente às emoções humanas.

Em todas as IAAs o cão é o animal mais usado devido a facilidade de convívio que
vem sendo trabalhado desde o homem primitivo, pela quantidade de tarefas que podem ser
realizadas por eles quando ensinados e por facilmente corresponderem a sentimentos dos
humanos.
Tratar de um assunto de tamanha delicada sem ressaltar também os avanços obtidos
em território nacional, para além das pesquisas históricas espalhadas mundo afora, seria um
tanto pecaminoso para com esta pesquisa. Desde o surgimento do interesse por esta seara de
pesquisa, até o presente momento desta escrita, diversas experiências, pesquisas e profissionais
tem chamado nossa atenção. Apesar de um aparato teórico exploratório de ordem bibliográfica,
este escrito também tem a verossímil missão de expor algumas destas experiências e pesquisas
com o sutil intuito de apresentar novas formas de pensar o cuidar e as contribuições da TAA.

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Dentre as pesquisas exploradas durante as leituras deste aporte, ressaltamos uma
pesquisa de cunho qualitativo que tem sido desenvolvida desde 2014 por meio do projeto de
pesquisa de autoria do Professor e Doutor Jean Marlos Pinheiro Borba, cujo título “Terapia
Assistida com Animais - TAA uma alternativa para a formação em Psicologia: um estudo
fenomenológico” vem contribuindo para estas formas de pensar o cuidar.
O projeto que aflorou dessa pesquisa e até onde existem registros, seguiu até o ano de
2016 fora continuado com o intuito de trabalhar a TAA como recurso no cuidar com pessoas
idosas com aprovação de bolsa pela PIBIC e tendo demasiados resultados positivos, para além
das questões levantados pelos pesquisadores durante o trajeto da pesquisa. Ressalto também
que este faz parte do referido projeto, o plano de trabalho “A Terapia Assistida por Animais –
TAA e a Psicologia”, também em nível de iniciação científica via Programa Jovens Talentos
para a Ciência com bolsa CAPES.
Nas palavras do próprio autor,

A sua intenção é realizar o levantamento de estudos, pesquisas e produções de


instituições que comprovem que já utilizam a TAA/AAA/EAA em suas práticas
terapêuticas, assim como para realizar uma fenomenologia dos estudos
existentes, refletindo, analisando criticamente e oferecendo aos futuros
profissionais de psicologia e áreas afins, fundamentação, para uma formação
ética e responsável, caso o animal venha a ser “utilizado” como coterapeuta,
assim como subsidiar outros estudos e pesquisas sobre essas relações. (BORBA,
2015 p 2)

Neste sentido, o aporte de Borba é relato notório das condições das quais as pesquisas
acerca do tema da TAA podem contribuir para uma crítica de diversas hegemonias nas
instituições de saúde. Isto é, é possível, no uso da TAA como recurso, repensar muitas das
práticas invasivas e agressivas utilizadas na contemporaneidade.
Dadas as configurações do projeto do professor Borba, a fenomenologia (que não é
foco específico deste escrito, mas sim da referida pesquisa) se faz importante tanto para tal
crítica explorada durante todo este aporte, quanto para a compreensão dos ditos fenômenos
humanos tanto estudados na psicologia. Este parágrafo se faz necessário para o reconhecimento
da transgeracionalidade e da atemporalidade dos saberes que se metamorfoseiam e se
reinventam ao longo dos tempos com a finalidade de se compreender a sociedade, a vida e o
homem em sua condição de homem.

A diferença entre terapia assistida por animais e atividade assistidas por animais

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Diante do entendimento que os profissionais da área da saúde têm no que diz respeito
ao uso das IAAs, surgiu a necessidade de buscar uma melhor compreensão de seus conceitos
para um melhor aproveitamento de seus benefícios que cada uma das modalidades propicia de
forma separada com a intenção de se ter um aproveitamento melhor do uso de cada uma delas.
De acordo com Reed, Ferrer e Villegas (2012) houve uma definição considerada a
mais coerente no ano de 1996 com a experiência da Instituição Delta Society onde já atuava na
área de pesquisas e atendimentos a muitos anos. Na época, as duas principais modalidades de
atendimento em que o cão fazia parte da equipe de atendimento abrangendo algumas áreas da
saúde eram a Terapia assistida por Animais (TAA) e as Atividades Assistidas por Animais
(AAA), que apesar de ambas usarem o animal como parceiro no atendimento existem diferenças
importantes que tornam os atendimentos valorosos dentro do que são propostos.
A TAA é uma terapia da qual propõe um plano de tratamento traçado com metas
específicas de acordo com a demanda de cada paciente, se valendo inclusive da personalidade
de cada coterapeuta, onde cada um satisfaz uma possibilidade de cuidar que leva a melhora na
qualidade de vida dos pacientes que recebem a TAA como recurso terapêutico. Durante este
processo, toda a evolução do paciente é documentada bem como as visitas. Informações
específicas como duração, animal e afins são combinadas tendo como base a necessidade do
paciente fomentando inclusive uma metodologia para um modelo terapêutico.
Considerando que a TAA segue um percurso histórico de desafios, sucessos e
insucessos, segundo Stumm Et Al (2012, p 205),

[...] a TAA estabeleceu-se como um processo terapêutico formal em âmbito mundial. Tem
monitoramento profissional e procedimentos claros definidos para o cliente ou grupo de
clientes, bem como objetivos estabelecidos, que são medidos e seus resultados,
analisados. Apresenta muitos aspectos positivos e funciona como estratégia coadjuvante
em diversos tratamentos. Os animais utilizados passam pela avaliação de profissionais da
área, devendo atender aos requisitos de saúde animal, comportamento, obediência,
socialização e aptidão.

Percebe-se que um dos grandes pontos é o atendimento onde o profissional da área da


psicologia seja o responsável também pelo coterapeuta não havendo um terceiro profissional
no processo, e que, o animal não seja moldado para apresentar comportamentos padronizados
se utilizando de sua essência para o enriquecimento do processo. É importante compreender a
palavra moldar para quebrar uma lógica restrita da qual se referiria por exemplo a palavra
“adestrar” que implicaria em questões éticas e até mesmo políticas acerca da TAA enquanto
possibilidade de atuação terapêutica.
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Já nas AAAs ainda conforme Reed, Ferrer e Villegas (2012) nas atividades assistidas
por animais as visitas são sem periodicidade definida e sem nenhum cronograma determinado,
as atividades são recreativas e sem especificações podendo ser realizadas em grupo ou
individual, se referindo tanto a pacientes como animais, e em locais menos específicos, não têm
objetivos específicos para cada sessão e os progressos dos pacientes não documentados. Nesta
modalidade o acompanhante dos animais não precisa ser necessariamente um profissional da
área da saúde possibilitando outras formas de lidar com o processo terapêutico.
Conforme ALTHAUSEN (2006, p 152),

Tendo em vista o desenvolvimento de uma proposta de intervenção que considere a


inserção do animal – especialmente o cachorro – como um recurso terapêutico, torna-
se necessário um posicionamento criterioso quanto à diferenciação entre Terapia e
Atividade Assistida por Animais (TAA e AAA, respectivamente). Retomando as
definições internacionais, em que a AAA promove oportunidades para benefícios
motivacionais, educacionais, recreacionais e/ou terapêuticos para melhorar a qualidade
de vida e a TAA é uma intervenção com objetivos definidos na qual um animal que
obedece a critério específico é parte integral do processo de tratamento. Fica evidente a
distinção entre elas, pois, enquanto uma se destina à oferta de um ambiente recreacional
(AAA), outra busca atender aos critérios necessários ao desenvolvimento de um
trabalho terapêutico (TAA). Considero que ambas têm seu valor e seu espaço.

O entendimento desta diferença é imprescindível haja visto que, para além de


perspectivas teóricas dos conceitos, o método e logicamente o objetivo do percurso de ambas
se dá de forma distinta, galgando objetivos diferentes bem como seus resultados. Deixando
claro as diferenças entre as abordagens, seu uso e sua finalidade, o cachorro, que quase sempre
é o co-terapeuta preferido, mas não sendo a única opção para o uso nas intervenções assistidas
por animais, ganha condição fundamental para determinados casos dos quais fatores como
convívio e confiabilidade de certo modo fazem uma diferença significativa.

Os animais como co-terapeutas e os envolvidos

De acordo com Silveira, Santos e Linhares (2010) para todo os procedimentos uma
série de cuidados devem ser tomados para que tudo ocorra como o planejado, não é
recomendável para uso nas IAAs, fêmeas no cio, animais silvestres como micos leão dourado
e chimpanzés, por serem animais considerados imprevisíveis, assim como filhotes de qualquer
espécie animal devido à falta de controle situações específicas, comportamentos mais exaltados
e por terem mais facilidades para desenvolver doenças. Animais que apresentem
comportamento antissocial ou que tenham traços de agressividades devem ser afastados
imediatamente dos processos de IAAs.
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Para os pacientes todos que se sentirem a vontade de interagir com o animal estão aptos
a participar das intervenções incluindo acompanhantes e a equipe de saúde, portanto para que
os pacientes possam participar da atividade se faz necessário uma autorização prévia por parte
do responsável ou do próprio caso seja maior de 18 anos. Por questões de segurança pacientes
com mais facilidades de obter infecções por fatores externos como pós-operatório imediato não
é recomendado o contato com animais, pacientes em condições que necessitam o isolamento
podem solicitar a visita de animais contanto que não tenham contato direto com o mesmo, a
visita sendo realizada em ambiente externo e o contato seja feito por meio de um visor ou
divisórias de vidro.

Contribuições da Terapia Assistida por Animais

De acordo com o que foi apresentado nos capítulos anteriores a TAA tem contribuído
significativamente em tratamentos em vários aspectos. Desde uma releitura da história do
mundo, tomando a relação homem e animal como aspecto sob holofotes, é impossível não
ressaltar as diversas parcerias e contribuições desta verossímil relação. Para Caetano (2010) os
animais vêm se tornando fiéis companheiros, e não apenas no cotidiano, mas também na área
da saúde, trazendo inúmeros benefícios nos aspectos físico, psíquico, cognitivo, emocional e
social, não havendo limitação ou distinção de idade, gênero e situação social.
A utilização, segundo Machado, Et Al (2008, p 3),

A equoterapia utiliza a similaridade entre o ritmo do movimento do animal e do ser


humano de forma que permite, durante a cavalgada, o fortalecimento da musculatura de
pacientes com habilidade limitada de funções motoras comuns em casos de paralisia
cerebral, esclerose múltipla, espinha bífida e traumatismos cerebrais.

A terapia usando animais de grande porte como o cavalo além de benefícios


psicológicos, atua também na parte motora e física, através do movimento que o cavalo exige
do paciente durante a cavalgada, beneficiando partes da musculatura do corpo e alguns
movimentos limitados por conta de patologias.
Segundo Vaccari e Almeida (2007) observa-se uma melhoria nas relações sociais dos
indivíduos que têm suporte dos coterapeutas, possibilitando assim uma adesão ao tratamento
de forma mais comprometida. Tomando como parâmetro os casos apresentados na revista saúde
coletiva (ISSN: 1806.3365, 2007), é possível entender partindo não apenas do modo de
investimento dos coterapeutas como também do próprio sistema de saúde, quais e como as

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possibilidades suscitam das vicissitudes deste modo terapêutico, tomando ainda a partir dos
textos da revista, os bons resultados que se apresentam mediante a utilização da TAA como
possibilidade de tratamento. No entanto, seríamos demasiado ingênuos se, dentre as diversas
discussões acadêmicas, até mesmo retomando a história como aspecto principal, que a TAA
fomentasse apenas contribuições sem haver antes um pensamento crítico acerca das possíveis
contraindicações.
Neste sentido, é fundamental relembrar a condição humana, isto é, os parâmetros
biológicos que são inerentes ao indivíduo bem como suas condições psicológicas. Neste
sentido, relembramos que a contraindicação se dá nas condições de baixa imunidade dos
sujeitos, o medo de animais, feridas abertas que possam ser contaminadas pelos coterapeutas,
o comportamento ou conduta agressiva por parte dos sujeitos bem como a possibilidade das
más condições dos próprios coterapeutas. Ao que se refere a alergias e afins, deve-se ressaltar
que está, a TAA é comumente associada ao cachorro enquanto coterapeuta, o que se torna de
certo modo ingênuo, pois, existem diversos animais que se encaixam, por assim dizer, na
posição de coterapeutas, como por exemplo, cavalos, gatos, peixes, coelhos e afins. (Pereira,
Pereira, Ferreira, 2007)
Retomando as contribuições da T.A.A, durante a internação, o paciente perde sua
autonomia, um processo de despersonificação, deixa de ter um nome e passa a ser chamado
pelo número do leito ou pela patologia como pode ser visto no aporte de Gullo, citado por
Pereira ET AL (2018).
Stumm, Alves, Medeiros e Ressel citam algumas vantagens que a vivência com animais
traz a pacientes e, a profissionais envolvidos no processo como deixar as pessoas mais
tranquilas e animadas para outros encontros, gerando uma amizade incondicional. Além dos
efeitos psicológicos, os animais também podem trazer benefícios fisiológicos para as pessoas.
Constata-se que, quando elas interagem com os seus animais, falando com eles, acariciando-os
ou manuseando-os, há diminuição da frequência cardíaca e pressão arterial, atingindo esta
última valores menores que os observados em pessoas na situação de repouso.
(Vaccari e Almeida, 2007) Além de efeitos psicológicos existe também melhorias
fisiológicas além das citadas acima como melhoria da capacidade motora, sistema imunológico,
sociabilidade, autoestima, melhora do clima hospitalar, melhor adesão ao tratamento, mas
deixando claro que não é promessa de cura.
A adesão e desenvolvimento da TAA representa uma economia significativa nos cofres
públicos. Para Caetano (2010) também seria uma oportunidade de estender algum benefício as
organizações não governamentais onde essa prática já existe e atende a comunidades pelo país,
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em alguns casos sendo custo zero para o paciente tornando completamente mais acessível e
oferecendo alternativa nas situações em que os métodos tradicionais não foram eficazes.

Considerações finais

Diante de todas as palavras das quais se fizeram concretas neste escrito, é talvez na
poesia da conclusão que se revele a ideia que de fato pode vir a agregar e contribuir para um
novo pensar do cuidar e suas implicações, para além de uma prática hegemônica. Surgiram ao
longo das leituras e escritas, anseios, problemas e questões das quais proporcionaram reflexões
que levaram a um pensar da IAA enquanto possibilidade concreta e real no que se refere a levar
uma melhora de qualidade de vida aos indivíduos que dela precisam.
O atendimento usando animais está repleto de retornos positivos em todas as áreas em
que atuam até o momento o que nos fez chegar à conclusão de que seu uso seria de grande valia
para os usuários do atendimento e para os profissionais, contribuindo com aspectos relativos ao
cuidar, mais que necessário para ambientes onde os pacientes tendem a perder sua identidade,
as vezes lidam com o abandono dos familiares.
Foi percebido na realização deste trabalho a necessidade de mais pesquisas e
experimentos voltados para as Intervenções Assistidas por Animais, tendo em vista a
dificuldade ainda encontrada para obter escritos tendo psicólogos como autores. Há também
uma necessidade, de suma importância, que é a quebra do paradigma do uso somente de cães
de raças especificas uma vez que qualquer amigo do homem que atenda aos critérios expostos
neste artigo está apto a atuas nas IAAs.
Notou-se o tamanho dos benefícios que as IAAs podem trazer para a sociedade,
para a psicologia fatores como a diminuição do quadro depressivo, redução dos níveis dos
stress, são facilmente observados e os benefícios nos outros campos da saúde como a
diminuição do uso de medicamentos, melhoras na saúde, tornando a TAA e a AAA praticas
viáveis em inúmeros setores da saúde pública e privada.
Contudo, é impossível falar de tantos benefícios sem considerar os problemas, os
tramites e o percurso bem como os desafios enfrentados pelas atividades com animais, não
apenas no percurso histórico, mas repensando o futuro do cuidado enquanto linguagem em
saúde. A problemática deste aporte demonstra que este escrito é apenas uma gota no oceano de
possibilidades contributivas para um repensar dos recursos para melhorar a qualidade de vida
dos indivíduos. Existe uma necessidade muito importante dentro do cenário das IAAs de

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mostrar a diferença entre a TAA e a AAA, e conscientizar os interessados sobre suas
particularidades e uso para que no futuro não haja desentendimentos sobre seus conceitos e suas
aplicações.

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Como citar este artigo (Formato ABNT):

MOTA, Antônio Anderson Câncio; ROCHA, Maria de Fatima Brito Fontelene; BATALHA, Daniel de
Freitas; PINHO, Artur Mouta de. Terapia Assistida com Animais: Novas Possibilidades para um cuidar
em Psicologia. Id on Line [Link]. Psic., Maio/2021, vol.15, n.55, p. 575-594, ISSN:1981-1179.

Recebido: 03/03/2021
Aceito: 21/05/2021

594 Id on Line Rev. Mult. Psic. V.15, N. 55, p. 575-594, Maio/2021 - ISSN 1981-1179
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