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Diversidade Cultural dos Povos Nativos

O documento aborda a história dos sambaquis, sítios arqueológicos que revelam a presença de povos pré-históricos no Brasil, e discute a diversidade cultural dos povos nativos brasileiros, enfatizando a importância de reconhecer suas identidades e modos de vida. Destaca-se a pluralidade das culturas indígenas, suas formas de morar, comer e suas tecnologias, além dos desafios contemporâneos enfrentados por esses grupos. O texto propõe uma reflexão sobre a valorização e o respeito às culturas indígenas, que são frequentemente ameaçadas e não reconhecidas.

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Diversidade Cultural dos Povos Nativos

O documento aborda a história dos sambaquis, sítios arqueológicos que revelam a presença de povos pré-históricos no Brasil, e discute a diversidade cultural dos povos nativos brasileiros, enfatizando a importância de reconhecer suas identidades e modos de vida. Destaca-se a pluralidade das culturas indígenas, suas formas de morar, comer e suas tecnologias, além dos desafios contemporâneos enfrentados por esses grupos. O texto propõe uma reflexão sobre a valorização e o respeito às culturas indígenas, que são frequentemente ameaçadas e não reconhecidas.

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Disciplina: História

o Fundamental
Série: 6º Ano – Ensin o
a Carvalho e Mauríci
Professores: Lucielm
Santos

RETOMANDO
HISTÓRIA – 5º ANO
Disciplina: História
o Fundamental
Série: 6º Ano – Ensin o
a Carvalho e Mauríci
Professores: Lucielm
Santos

Uma história antes do Brasil:


os Sambaquis
• Os sambaquis são sítios arqueológicos
distribuídos pela costa do Brasil e que
revelam a presença de povos primevos
(pré-históricos).
• Os registros datam de 8 mil a 2 mil anos
atrás;
Sambaqui é uma palavra em tupi-guarani
que significa “monte de conchas”.
Evidências dos estudos arqueológicos
Fonte: GASPAR, Madu. Tudo junto e misturado, separado pela crença e
compactado pelo tempo. Habitus. Goiânia, v. 14, n. 1, p. 35-50, jan./jun.
2016
Mais sobre os Sambaquis brasileiros em:[Link]

Fonte: GASPAR, Madu. Tudo junto e misturado, separado pela crença e


compactado pelo tempo. Habitus. Goiânia, v. 14, n. 1, p. 35-50, jan./jun.
2016
Reconstrução facial 3D de um Sambaqui
O processo de reconstrução facial do
Sambaqui de 5000 anos foi fruto de
uma parceria envolvendo o
IPHAN/DF, o designer Cícero
Moraes e Cir. Dentista Everton da
Rosa. Inicialmente foram efetuadas
32 fotografias do crânio em um
círculo completo. Estas fotos foram
enviadas a um algoritmo
computacional que digitalizou a peça
em 3 dimensões pela técnica de
fotogrametria.
Disciplina: História
o Fundamental
Série: 6º Ano – Ensin o
a Carvalho e Mauríci
Professores: Lucielm
Santos

Os povos nativos
brasileiros
Índio?
Logo de início, devemos entender que nomear todos os mais
diferentes povos nativos de “índios” renova o preconceito de
considera-los de selvagens.
O escritor Daniel Munduruku explica que não existe “índio”
no Brasil. A palavra “índio” foi se mantendo ao longo do
tempo e acabou chegando até nossos dias e, na maioria das
vezes, é usada para realçar o exotismo destes povos e/ou sua
inferioridade em relação ao “branco”. Eis aí um bom exemplo
de como a palavra reflete um modo de pensar excludente e
preconceituoso.
Então, estamos combinados: não podemos falar em “índio brasileiro”,
mas em diferentes formas de ser e de viver dos nativos brasileiros.
Sim, eles são atualmente muito poucos numericamente, mas têm
culturas plurais e diversificadas que constituem a cultura brasileira,
seja esta presença/experiência reconhecida ou não, valorizada ou
não.
Por outro lado, diante de culturas tão diversas e tão singulares em
relação aos padrões de vida da maioria dos brasileiros, é inevitável
que muitas coisas dos seus modos de vida possam parecer, para
alguns, “estranhas”. Muitas formas de sua expressão social, como o
jeito de se vestir e se pentear, os gestos, as músicas, os hábitos
alimentares e as maneiras de falar, podem ser “incompreensíveis”
para quem não conhece nem convive com estes grupos. Porém, como
acontece em todas as experiências de alteridade (ao dicionário), se
fizermos um esforço de deslocamento para compreender modos de
vida diferentes do nosso, a exemplo do que acontece quando
visitamos uma cidade ou um país onde se vive práticas e costumes
diferentes dos nossos, é possível ver e entender melhor as formas de
viver, as concepções de mundo e as culturas dos povos nativos do
Brasil, que hoje sobrevivem com tanto esforço e tanta luta.
Esperamos que vocês estejam dispostos a descobrir ao menos
algumas das ricas e diversas experiências historicamente vividas
pelos povos indígenas do Brasil.
Ao contrário do que nos levaram a
acreditar, eles não são “povos sem
história” e não eram, no passado, como
disse um colonizador povos “sem lei, sem
rei e sem fé”. Importante saber que eles
não vivem presos em um mundo
atrasado, superado. Que este exercício
nos permita um novo olhar sobre eles:
um olhar que não nos deixe esquecer que
todos nós temos um pouco de “índios”
dentro de si.
Pataxós, xavantes, ianomâmis, tupis, guaranis, carajás,
pancarurus, carijós, tupinajés, potiguares, tupinambás e
caetés... Estes são alguns exemplos de nações brasileiras que
continuam lutando para terem seus direitos reconhecidos e
suas culturas respeitadas. Cada uma delas nos leva a refletir
sobre a diversidade dos povos nativos que povoavam o
território brasileiro. Para vocês terem uma ideia, um estudo
realizado pelo IBGE, em 2016, revelou que os mais de 900 mil
povos nativos espalhados pelo Brasil se diferenciam por serem
parte de mais de 305 etnias que falam pelo menos 274 línguas
diferentes. Analisando as informações do IBGE, o estudioso
João Fellet afirma que “os dados fazem do Brasil um dos
países com maior diversidade sociocultural do planeta. Para
dar materialidade a esta ideia basta comparar: em todo o
continente europeu, há cerca de 140 línguas autóctones.
Portanto, a pluralidade numérica também se manifesta nos
elementos culturais, como na língua, por exemplo, e
igualmente nas formas de morar, comer, produzir tecnologia e
arte.
• Infelizmente,
essa variedade
de culturas não
é valorizada,
sequer
reconhecida, e
por isso, estão
ameaçadas.
Vamos apreciar
algumas delas?
1. Sobre formas de morar
Todo nós aprendemos que as populações indígenas
moram em aldeias, mas o que é uma aldeia? Aldeia
é um conjunto de casas organizadas de acordo com
significados e regras próprias de cada sociedade
indígena. O número e a disposição das casas que
compõem as aldeias variam de povo para povo.
Existem, ainda, povos que são seminômades e,
portanto, não têm aldeia fixa. Como a forma de
organizar moradia é uma dimensão da cultura, a
diversidade das formas de morar dos povos Mawê,
Xavante, Munduruku revela a riqueza de histórias
dos povos nativos.
Povo Mawê
O povo Mawê (Saterê), que vive no Amazonas, chama suas aldeias de vila. Lá,
devido aos muitos anos de contato com a sociedade mais ampla, esse povo
organiza sua aldeia de forma muito parecida a uma cidade.
Povo xavante
O povo xavante, do
Mato Grosso, constrói
sua aldeia em forma de
ferradura. No centro
dela, há um espaço
coletivo, onde eles
organizam as principais
cerimônias, os jogos e as
brincadeiras.
Povo munduruku
O povo Munduruku que muito
valoriza a convivência, em
particular, convivência das
crianças com os mais velhos,
organiza sua aldeia em fileiras de
casas, mas entre as casas há um
pátio onde as crianças podem
brincar livremente. Como se trata
de um povo que tem na pesca seu
principal sustento, a aldeia é
sempre construída bem próxima
ao rio.
Povo Sateré-Mawé
Tradicionalmente, os Sateré-Mawé
estabelecem-se em sítios e cada família
tem sua residência, mas na cozinha
coletiva, construída a meio caminho entre
a casa e o rio, onde, por exemplo, os
homens torram o guaraná e as mulheres
fazem a farinha de mandioca. No porto,
local às margens dos rios e igarapés, as
famílias tomam banho, lavam a roupa,
deixam a mandioca de molho, lavam o
guaraná e ancoram suas preciosas canoas.
Povos do Xingu
No parque indígena do Xingu,
localizado no Mato Grosso, a maior e
mais importante reserva indígena
brasileira, estão agrupados povos que
constituem diversas línguas: “Aruak
(como os Yawalapiti e os Uará), Karib
(Kuicuro e Kalapalo), além do grupo
tupi. Apesar de falarem diversas
línguas, eles cultivam certos traços
comuns”, como a forma de morar. Os
grupos dessa região organizam suas
aldeias em círculo, com casas de
formato alongado, que são construídas
por vários representantes da
comunidade e podem chegar até 40
metros de comprimento.
2. Sobre formas de comer
E para aqueles que acham que a alimentação dos
povos nativos se limita única e exclusivamente a
mandioca e o milho, Daniel Munduruku esclarece
que, assim como as formas de morar, as formas de
comer variam de povo a povo, inclusive no que se
refere às formas de consumir esses alimentos.
Tradicionalmente, a maioria das populações
indígenas se alimenta de carne de caça, pesca,
raízes, frutas diversas, castanhas, melancia,
jerimum, amendoim, mamão, favas e feijões,
sementes, folhas, além de cultivarem milho,
jerimum e batata doce no entorno da aldeia.
Historicamente os nativos extraíam destes
alimentos o máximo proveito possível e
inventavam sempre novos modos de
utilizá-los, o que resultou numa culinária
toda própria, inclusive para mandioca,
alimento nativo que sustentou por séculos
os colonizadores na nova terra em
substituição ao familiar trigo. Em algumas
culturas nativas, a mandioca tem um
caráter mítico e sobre sua origem, várias
lendas que foram registradas pelos
viajantes que durante todo o período
colonial (séc. XVI ao XIX) “desbravaram” o
Brasil e os brasileiros. Em todos estes
relatos, a importância desta raiz foi tão
destacada para sobrevivência dos povos
autóctones e dos colonizadores que ela foi
tida como uma “dádiva divina”. Impressão
reforçada por alguns estudiosos de nossa
história, como Câmara Cascudo, que a
denominou de “rainha das raízes”
brasileiras.
Esta valorização da mandioca pode ser
facilmente explicada se considerarmos
a pluralidade de pratos feitos com ela
ou a partir dela: angus, beijus, farinha,
bolos, purês, farofas, bebidas
fermentadas ou não, mingaus...
Conhecida também como macaxeira
esta raiz é uma variedade comestível
que não exige processamento, um
procedimento indispensável quando se
trata da mandioca brava.. É importante
ressaltar que o processamento da
mandioca envolve uma tecnologia
complexa, que consome muito tempo e
exige instrumentos criados e
produzidos pelos próprios indígenas.
3. Sobre tecnologias
Para os “não indígenas”, a ideia de tecnologia está diretamente associada à
grandes invenções ou a invenção de coisas mirabolantes. Já para os povos
“indígenas”, como diz Daniel Munduruku, “a tecnologia e o desenvolvimento
das técnicas de confecção dos objetos é determinado pelos valores e
necessidades do grupo.”
Ou seja, é a utilização e a finalidade que definem a produção tecnologica,
sabeers que passam, inclusive, pelas habilidades das pessoas que se
especializam na sua confecção. Essas tecnologias podem estar relacionadas
aos rituais, à agricultura, à caça, ou à pesca e podem ser feitas de palha,
madeira, argila, cipó, pedra, osso, dentes de animais e o que mais a natureza
prover, afinal, trata-se de uma civilidade baseada na relação com a natureza.
Entretanto, é importante dizer que estes povos não abandonam suas culturas
quando entram em contato com outras tecnologias ou sabres não indígenas
Os povos Suyá, por exemplo,
extraem o sal de aguapés usando
saberes específicos do seu povo.
Isso demonstra uma lógica diferente,
porque nascem de uma civilidade
diferente, na qual a relação com a
natureza é indistinguível da vida do
grupo que trabalha para atender as
necessidades.
Importante também lembrar que
muitas destas tecnologias são
conhecimentos tradicionais que
foram passados de geração em
geração (ao longo dos séculos) e que
fique definitivamente claro: muitos
conhecimentos hoje comuns para
nós indígenas e não indígenas, estão
nas origens do que chamamos de
povo brasileiro, como afirma Claudio
Figueiredo:
• “[...] desde a ação de tornar
a mandioca comestível ao
extrair dela seu veneno, até a
utilização do látex na
confecção de utensílios de
borracha, são muitas as
descobertas que devemos às
técnicas desenvolvidas pelos
povos da floresta”.
• Para Cláudio Figueiredo, “além desses procedimentos e técnicas, que atraem tanto interesse de
cientistas e empresas, existem outro saberes, menos cobiçados, mas não menos importantes”.
Eles incluem desde um jeito de fazer um cesto, uma canoa, de erguer uma habitação ou de fazer e
pintar um vaso de cerâmica. Também, os jeitos de dar nomes aos filhos, de casar ou de fazer uma
festa, as maneiras de conhecer e de se relacionar com a natureza, inclusive porque cada
sociedade indígena costuma ter um sistema próprio para nomear e classificar animais e plantas.
• Outra evidencia da grande diversidade das civilizações
nativas são suas manifestações culturais. Daniel
Munduruku entende que “a cultura é o que faz com
que as pessoas de um povo, de uma sociedade, olhem
e pensem o mundo e as coisas de uma determinada
maneira, sempre muito própria” e que “a partir da
cultura, as pessoas estabelecem o seu modo de agir e
de se relacionar com o mundo, com outras pessoas e
com o meio onde vive”. Para ele, um objeto, um
utensílio, assim como uma ideia ou um
posicionamento frente aos desafios da vida, são
igualmente culturais, de modo que a cultura vive em
constante mudança, é sempre construída e
reconstruída ao longo do tempo e do espaço. Se
entendermos a cultura dessa maneira, poderemos
compreender que ela se manifesta durante toda a
vida de um povo através da maneira como se planta,
como se constrói uma casa, na escolha do material a
ser utilizado na fabricação de determinados utensílios
de casas, comidas, instrumentos, moda e uma
infinidade de outras artes.
• Daniel Munduruku também reconhece a presença e a importância
das mudanças nas tradicionais culturais dos povos nativos por
como quaisquer outras elas sofreram e sofrem alterações ao longo
do tempo: “Por outro lado, é inegável que as mudanças
decorrentes do contato com a nossa sociedade podem, muitas
vezes, alcançar escalas preocupantes. Esse é o caso, por exemplo,
de povos que perderam suas línguas maternas e, hoje, só falam o
português”.
• Não podemos desconsiderar o peso secular da colonização
impostas a estes grupos. Precisamos reconhecer que os povos
indígenas continuam lutando para manter suas identidades e serem
reconhecidos e respeitados em suas particularidades e igualmente
em sua comum experiência de exclusão.
Sobrevivência e
desterritorialização:
as problemáticas
atuais dos povos
nativos brasileiros
Problema histórico
vivenciado pelos
O que é povos nativos
brasileiros que
desterritorialização? consiste na perda
do território.
Significados do território
para os nativos
Antes dos europeus...
• Calcula-se que eram quase mil povos, com línguas,
hábitos alimentares, rituais, religiões e costumes
próprios, mas também com relações sociais,
ambientais e tradições que os aproximaram. Um
exemplo destas relações é a existência de grandes
grupos étnicos e culturais: os Tupi-Guarani, os Jê, os
Aruaque, os Caraíbas, entre vários outros que
falavam 180 línguas e ou dialetos diferentes. Para
ter uma ideia da dimensão numérica destes povos é
importante saber que Portugal tinha, no mesmo
período, cerca de 1 milhão de habitantes.
Estima-se que em
1500 havia no
“Brasil” uma
população indígena
de 4 milhões de
pessoas
espalhadas por
todo o território, no
litoral e no interior,
nas florestas e nos
cerrados, nas
montanhas e nas
planícies.
No mapa, é
possível observar
a atual
distribuição dos
povos indígenas
sobreviventes
pelo território
brasileiro.
Analisando o
mapa...
• O mapa é chocante por que
expõe o processo de
desterritorialização que atinge
estes povos desde 1500.
Infelizmente, esta experiência
ainda é uma realidade muito
presente e muito sofrida, como
pode se ver na carta-denúncia
quem em 2016 a comunidade
Munduruku Iperegaysu,
localizada no estado Pará,
escreveu:
• Nós do movimento munduruku iperegaysu
comunicamos, com muita dor e vergonha, que a aldeia
PV na terra indígena munduruku não existe mais. O
garimpo invadiu tudo corrompeu com doenças nossos
parentes e matou a floresta e as roças, trazendo
doenças e uso de álcool entre os homens e as mulheres
e as drogas entre os mais jovens.
• O garimpo é controlado pelos pariwat (não indígenas)
que pagam parentes para vigiar suas máquinas. A
aldeia PV é hoje o principal pontos de doenças e
invasões do nosso território, lá tudo é controlado pelo
pariwat, a pista de pouso que existia para que o
atendimento a saúde pudesse chegar até os
moradores, foi mudada de lugar, porque atrapalhava
o garimpo. Os pariwat estão armados e deram armas
para os parentes defenderem.
• Muitas autoridades foram alertadas, mas preferiram
ficar nos escritórios ou fazendo reunião. Nada foi feito.
Por causa desse desespero do nosso povo decidimos
lutar.
Visibilidade
• Um dos recursos muito utilizados pelos grupos
indígenas na atualidade é dar visibilidade as
suas culturas e experiências dos seus povos.
Um bom exemplo é o livro Tempo de
Histórias, por meio do qual podemos conhecer
experiências e sabedorias do povo
munduruku, através do olhar de Daniel...
Munduruku, um professor e escritor que
nasceu em uma aldeia no estado do Pará.
• No livro o escritor indígena aborda intensas
experiências de troca afetiva e intelectual com
seus familiares com quem ele aprendeu que,
para ensinar e aprender é preciso estar cheio,
não só de conhecimentos, mas de futuro, de
esperança e de tolerância.
Os nativos e a natureza:
relação indissociável
Para os mundurukus “as estrelas contam histórias
passadas, guiando no presente e indicando o futuro.”
Vemos assim a profunda relação com a natureza e a
mãe terra que faz com que os mundurukus se sintam
como “os peixes, a mãe dos peixes, a mangueira, o
açaizeiro, o buritizeiro, a caça, o beija-flor, o macaco e
todos os outros seres dos rios e da floresta.” Além
disso, os mundurukus desenvolvem um forte
sentimento de pertencimento e coesão tanto como
nação, quanto como território ao qual estão ligados
por profundos laços culturais e espirituais. Há entre
eles uma relação de dependência e proximidade com a
terra vista por eles como chão-cultural e chão
sustentável.
Essa forma de ver o mundo, porém, tem esbarrado em
graves problemas, sobretudo, em decorrência da
desterritorialização. Essa longa palavra carrega consigo
um significado muito preocupante:
Primeiro por que a perda do vínculo com os territórios
de origem é histórica. Lembre-se que desde o período
colonial as terras indígenas foram invadidas e ocupadas
para produção destinada ao comércio.
Segundo porque esse problema permanece e se agrava.
Para os mundurukus, por exemplo, a presença dos
pariwat, intensificada no século XX, exigiu uma luta que
incluía estratégias, como guerrear, fugir e realizar ritos
para manter o contato com os xamãs da terra.
Experiencias difíceis de contar e de viver.
Atualmente, em todo o território nacional existem
grandes conflitos de terras envolvendo indígenas e
“homens brancos”. Trata-se, portanto, de uma questão
histórica, realimentada a mais de 5 séculos.
Por isso uma pergunta se impõe: como explicar uma situação de
conflitos num período tão grande?
•A resposta também tem uma longa história. Vejamos:
•A primeira iniciativa para proteção dos indígenas feita pelo governo
brasileiro foi criar, em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI),
que, em 1967, se transformou na Fundação Nacional dos Índios
(Funai). A proposta era criar um mecanismo específico para executar
políticas de proteção para todas as diferentes etnias do país.
•Entretanto, os direitos dos nativos, sobretudo o direito à terra,
continuaram a ser feridos em função de outros modos de ver o
mundo. Todos eles baseados na valorização dos aspectos econômicos
em detrimento do necessário equilibro em relação aos usos da
natureza. Apesar das inúmeras leis de proteção ao nativo, os
episódios de guerras pela posse de terras continuaram a ser uma
constante. A não aplicabilidade das leis de proteção acaba gerando
conflitos que comprometem a qualidade de vidas desses povos e,
sobretudo, inviabiliza sua sobrevivência física e cultural.
• Mas será que existe relação
desta discussão com a nossa
temática de estudo? A
alimentação pode nos ajudar a
entender os desafios
enfrentados pelas populações
indígenas até hoje? Pois saibam
que sim, e muito, pois a
principal consequência da
perda das terras é a fome.
A EXPERIÊNCIA
DE NÃO
COMER ENTRE
OS POVOS
NATIVOS
• A situação vivida pelo povo munduruku nos
últimos anos é muito similar aquelas que afeta
muitos outros povos originários: a insegurança
alimentar, problemas de saúde, desrespeito a
legislação indígena e ataques aos direitos dos
povos originários.
• A presença de atividades ilegais de promovidas
por mineradoras, garimpos e madeireiras, além da
construção de hidroelétricas e do avanço do
agronegócio predatório e as alternativas
propostas para solucionar os problemas como
retirá-las das áreas de risco levando-as a outras
terras, muitas delas inférteis, agrava enormemente
a situação gerando medo e insegurança.
Insegurança pela falta de alimentos, pelas doenças
que tem devastado as comunidades, pela perda do
vínculo com os ancestrais e, por não estarem mais
conseguindo “ouvir a natureza”. Insegurança que
também se expressa na culinária dos autóctones
que ultimamente vem sendo ameçada pelo
esquecimento e pela invasão dos alimentos
processados em decorrência da perca do acesso
aos alimentos tradicionais pelo desmatamento,
queimadas e limitação territorial.
De acordo com uma pesquisa realizada por
Ivana Diniz, da Sociedade Brasileira de
Alimentação e Nutrição (SBAN), a questão é
preocupante pelas graves consequências deste
processo que ela chama de dizimação cultural: a
fome e a desnutrição, que atingem
principalmente as crianças.

Atualmente, as crianças dos muitos e diferentes


povos indígenas estão entre os piores índices
desnutrição e mortalidade infantil de todo este
país chamado Brasil! Neste caso, a experiência
de insegurança alimentar, e do não comer,
enfrentadas por muitas crianças indígenas, pode
nos ajudar a entender os desafios de ser “índio”
no Brasil de hoje. Por isso, dissemos que
alimentação pode nos revelar muito sobre a
cultura e, inclusive, sobre os muitos problemas
dos brasileiros.
• Outros prejuízos que esse constante desrespeito aos modos
de ser e de viver dos povos nativos são as inúmeras doenças
trazidas pelos homens brancos e seus modos de vida. ,. Além
disso, a extração ilegal é um grave problema dentro das
terras mundurucus já que os minérios que tanto
interessavam os colonizadores recém-chegados nestas
terras, continuam sendo, até hoje, alvo de interesses
desenfreados e consequentemente, do massacre e dizimação
dos povos nativos.
CONSEQUÊNCIAS DO DESRESPEITO AO
TERRITÓRIO DO NATIVOS
• Na cosmologia guarani-kaiowá, as terras são
chamadas de tekoha (de teko – modo de ser – +
ha – lugar, uma palavra que poderia ser traduzida
como “lugar onde se pode viver do nosso próprio
jeito”).
• Retomar um tekoha é voltar ao contato com os
espíritos da terra e dos ancestrais. Valorizar a
tekoha dos povos nativos é uma necessidade mais
do que urgente. É nela que os nativos encontram
os recursos hídricos necessários para a
sobrevivência! É nela que plantam a mandioca, o
milho e colhem as frutas. É na tekoha também
que, cotidianamente, os diversos povos nativos
podem construir e perpetuar suas experiências
com a natureza e que tanto têm a ensinar aos
pariwat.
• Começamos nossa conversa falando sobre
as deliciosas experiências culinárias
provenientes da mandioca, uma herança dos
muitos povos nativos brasileiros, embora
hoje nem mandioca eles tem mais para
comer.
• É preciso respeitar seus modos de vida, é
preciso valorizar seu modo de viver sem
agredir o meio ambiente para que suas e as
nossas experiências não virem apenas
páginas em livros, mas sejam
cotidianamente relembradas como fonte de
esperança para a construção de um mundo
melhor. Que as delícias da mandioca não
nos deixem esquecer de onde viemos!
• No século XVII os portugueses começaram a produzir
açúcar no litoral e por conta desta iniciativa a vinda de
colonos foi intensificada. O “ouro branco” atraiu muita
gente e gerou muita riqueza, mas também misérias e
Instalação de •
sofrimentos difíceis de contar.
O vaivém dos navios pelo Atlântico transportava
africanos escravizados num infame comércio de gente
portugueses e sem precedentes (ao dicionário) na história da
humanidade. Uma experiência a qual voltaremos a falar
mais adiante.
africanos no • Por enquanto resta saber que ainda que barbaramente
escravizados os milhões de africanos que para cá vieram,
foram importantíssimos para a construção do Brasil e,
Brasil claro, da nossa cultura alimentar. E da mistura das
culturas nativas, portuguesas e africanas, também elas
muito diversas, que se consolidou a cultura e a
identidade plurais e ricas do Brasil e dos brasileiros,
inclusive no que se refere ao comer ou fazer comida.
O que os portugueses
trouxeram?
A escritora Maria Antônia Goes afirma em seu livro “Brasil na
hora de temperar” que até 1500 em Portugal “comia-se pão
e peixe cozido, confeitos, farteis, mel, figos passados,
massapão, bolos de amêndoas, marmeladas e peradas,
sopas, cal-dos de carne ou hortaliças sobre fatias de pão,
papas de trigo, centeio, cevada e aveia, milheitos, pastéis e
empadas de caça ou de peixe, perdizes, lebres, coelhos,
veados e porcos (em forma de presuntos, enchidos e
defumados). O cabrito, a vaca e o carneiro eram, na maioria
das cozinhas, assados no espeto, mas tam-bém se consumia
muitas galinhas e patos, ovos, sardinha, linguados, salmão,
trutas, salmonetes, besugos, sargos, pescadas, atum, polvos,
tainhas, berbigão e ostra, caranguejos, lagostas, leite, queijo
e manteiga, marmelos, limões e laranjas, melão, figo, uvas,
ameixas, cerejas, peras, castanhas, amêndoas e nozes, pe-
pinos, alhos e cebolas, grãos e lentilhas
• A expansão marítimo-comercial proporcionou não só
o intercâmbio culinário entre Portugal e Brasil,
(leia-se nativos) mas também a incorporação de
produtos e hábitos culinários dos africanos e dos
povos orientais, num circuito alimentar bem rico: os
portugueses trouxeram para o Brasil sementes de
especiarias do Oriente e levaram plantas daqui para
outras terras do Império português. Todas estas
trocas foram tão intensas e tão fre-quentes que os
pesquisadores muitas vezes se confundiram com a
origem de plantas e animais. Um dos exemplos desta
confusão é o coqueiro que, apesar de ser um símbolo
do Brasil, veio mesmo foi de Cabo Verde, na África. O
mesmo aconteceu com a manga, a jaca, a canela, o
açúcar e o algodão.
• Depois de se instalarem definitivamente no Brasil, os
colonizadores portugueses começaram a trazer tudo
o que era transportável da Europa ou das colônias
portuguesas de além-mar: trigo, parreiras e várias
outras sementes ou mudas: de figo, de romã, de
vários tipos de laranjas, limas e limões, além da cidra
e das tâmaras, como para confirmar a previsão do
escrivão Pero Vaz em sua carta de achamento do
Brasil de que: “nessa terra se plantando, tudo dá.”
De muito longe vieram também o arroz, o melão, a
melancia, alfaces variadas, couves, salsa, cominho,
hortelã, cebolinha, alho, berinjela, manjericão, pepino,
cenoura, acelga e espinafre. E toda esta variedade de
frutos, condimentos e hortaliças se espalhou pelo
imenso território do Brasil. Luis da Camara Cascudo
conta que os portugueses também trouxeram,
marmelos, coentro, alho, agrião, mastruço, cidra,
azamboa, abóboras, gengibre...ufa!
Recriação do
ambiente familiar
Na verdade os portugueses recriaram aqui o seu ambiente
familiar cercando-se dos recursos de curral, quintal e horta: boi,
ovelha, galinha, porcos, alface, rabanete são alguns outros
exemplos dos produtos e animais que foram trazidos para o
Brasil. Além disso, eles também trouxeram conhecimentos e
práticas de cozinha e de produção de alimentos que aqui foram
desenvolvidos e/ou adaptados para aqui recriar sua cultura
alimentar: novos modos de tem-perar, preparar, confeccionar e
conservar alimentos.
Para produzir, os colonos trouxeram novas tecnologias, que
incluíam a roda-d’agua, usada para movimentar o moinho; o
monjolo para moer grãos; e a moenda de cana, o machado, a
enxada, a foice e a faca de metal que aos poucos foram
substituindo os, que se contrapuseram aos instrumentos de pau
e pedra dos povos nativos.
Ao longo do século XVI surgiram os povoados, vilas
e cidades ao longo da costa brasileira. Quase
sempre onde se instalaram os portos para
exportação do açúcar e de importação dos
produtos vindos do comércio transatlântico...
• Desde o início da colonização os
pesquisadores encontraram nas
cidades recém criadas como Salvador,
Olinda, Rio de Janeiro e São Paulo
evidências dos quintalejos, uma
tradição portuguesa de ter nos
fundos das casas um espaço onde se
plantava hortaliças, frutas e verduras
e onde se criava galinhas, porcos e ca-
prinos.
• De acordo com Câmara Cascudo,
Salvador, a primeira capital, já no
século XVII, estava quase toda
ocupada com roças onde se
plantavam cereais, frutas e hortaliças.
Em Olinda, como em Lisboa, por
todos os lugares se via lavouras de
mantimentos de toda sorte, criações
de gado, porco, aves, diversos
gêneros de frutas. Foi assim que, aos
poucos a colonização foi se
consolidando e se aprofundando
Cozinhas
• Nas cozinhas, por sua vez, misturavam-se
as cuias feitas de cabaça e gamelas de
madeira feitas pelos nativos com tachos
de cobre e as frigideiras de ferro trazidos
pelos portugueses. Usava-se o fogão de
lenha, com chapa de ferro e o forno de
lenha para preparar a comida. Os fogões
de lenha, eram mantidos acesos o dia
todo para cozinhar o feijão , para fazer o
angu, alimentos básicos dos escravizados
que era preparado com farinha de milho
cozida em agua e sem nenhum tempero.
Era na cozinha também, onde se
preparavam os doces e assados tão
apreciados pelos senhores.
Os portugueses e a cultura alimentar brasileira
• Por tudo isso Gilberto Freire, sociólogo brasileiro, argumenta que,
sem os portugueses não existiria uma cozinha brasileira mas que
fique bem claro: os portugueses também se apaixonaram pela
variedade de frutas, peixes, caças e raízes que existiam por aqui e
logo incorporaram os alimentos ofertados pelos indígenas. Alguns
destes alimentos, inclusive, substituíram aqueles considerados
indispensáveis, como o trigo trocado pela mandioca. Por isso,
podemos afirmar que destas misturas e trocas que nasceu a
culinária brasileira.
Aceita um
docinho?
• À toda essa variedade que deu bases a cozinha
brasileira, devemos acrescentar e destacar a
importância do açúcar produzido nos engenhos. Como
uma especia-ria rara e preciosa, o açúcar, abundante
nestas plagas (ao dicionário), foi junto com o mel de
abelha e os ovos a base para desenvolver uma doçaria
muito variada, seja pela criação de novas receitas; seja
como modo de reinventar as tradicionais receitas de
doces portugueses. Doce de jaca, de goiaba, de limão,
de côco, de caju, de manga..., cada um de nós tem o
seu preferido, e todos nós, ou a maioria de nós tem o
hábito de comer um do-cinho. Pois a história deste
gosto é dos tempos do Brasil colônia.
• Finas doceiras, as mulheres
portuguesas se esbaldaram com as
grandes quantidades de açúcar e de
frutas aqui dis-poníveis e,
aproveitando a tradição de sua
terra somada a muita imaginação,
criaram as muitas compotas e mar-
meladas de frutas ou de legumes
(como a de abóbora e batata) que
hoje começam a ser reconhecidos
como patrimônios culturais deste
rico país chamado Brasil
Disciplina: História
o Fundamental
Série: 6º Ano – Ensin o
a Carvalho e Mauríci
Professores: Lucielm
Santos

O QUE HÁ DE ÁFRICA EM
NÓS
HORA DA

LEITURA
A leitura que muitas pessoas têm da África, dos
africanos e dos seus descendentes no Brasil e em
várias outras partes do mundo está relacionada a
imagens de fome, de miséria, de doenças e de guerra
ou, ao contrário, de lindas paisagens onde turistas de
todo o mundo participam de safáris e de festas com
mulheres de cangas coloridas. Porém, esta história
única sobre a África precisa ser revista. Para começo
de conversa, é preciso dizer que a África é
atualmente um continente formado por 54 países,
onde moram 800 milhões de pessoas que falam mais
de mil línguas diferentes. Toda esta riqueza de
culturas é muito, muito antiga, inclusive porque a
África foi o berço da humanidade e foi lá que se
constituíram as primeiras civilizações do mundo.
• Os diversos povos que habitavam o continente africano antes da
Na imagem a chegada dos colonizadores europeus eram verdadeiros “bambambãs”
biblioteca de em várias áreas: dominavam técnicas de agricultura, de mineração,
de ourivesaria e de metalurgia; usavam sistemas matemáticos
Tombuctu elaboradíssimos para não “bagunçar” a contabilidade de um comércio
rico e muito diversificado de mercadorias; e tinham conhecimentos
de astronomia importantíssimos para as ciências que começavam a
serem organizadas naquele período. A biblioteca de Tombuctu, em
Mali, por exemplo, reunia mais de 20 mil livros, uma coleção que
ainda hoje deixariam encabulados muitos pesquisadores
Você
conhece
esse
super-her
ói?
Wakanda
Reino fictício do Universo
Marvel
Quais as características
desse reino?
Você sabia que muito antes
dos portugueses chegarem,
o espaço que hoje nós
conhecemos como África
era constituído por muitos
reinos?
Conhecendo
alguns antigos
reinos africanos
• Império do Gana – 700 até 1250
• Também chamado de Uagadu
(“Gana” era o título do imperador),
prosperou graças às caravanas que
comercializavam ouro em pó e sal
pelo Saara. Relatos do século 11
dizem que Gana podia levar até 200
mil homens à guerra. Mas,
conforme o Império do Mali
cresceu, Uagadu perdeu força e se
dissolveu. Seria recordado em
1957, quando a Costa do Ouro se
tornou independente e passou a se
chamar República de Gana.
Império do Mali – 1230 até 1670
Se Gana cresceu pelas caravanas, Mali
– inicialmente um pequeno reino à
margem do Rio Níger – ganhou força
quando essas rotas se deslocaram ao
Sul. Seus nobres seguiam a fé islâmica
e chegavam a fazer peregrinações a
Meca, percorrendo 8 mil quilômetros
pelo deserto. No século 16, dinastias
menores começaram a acossá-lo.
Implodiu em 1670, após a capital Niani
ser destruída por tropas de Segu, um
reino vizinho.
Império de Oyo
(Iorubás) – 1300 até
1835
• A chamada Iorubalândia foi
sede de vários reinos,
incluindo Oyo, cuja poderosa
cavalaria ajudava a dominar a
região. Os povos iorubás se
organizavam em sociedades
altamente urbanizadas para os
padrões do continente.
Intrigas políticas e golpes
enfraqueceram as monarquias
da área, que passou a ser
dominada por britânicos e
franceses no século XIX.
Império Songai – 1460 até 1591
• Foi o maior império africano de
seu tempo – dominou uma área
equivalente a 1,4 milhão de km²
(maior que o atual Egito). O
primeiro imperador, Sunni Ali,
garantiu o controle sobre o Rio
Níger, enfraquecendo o vizinho
Mali. O rápido declínio veio
quando os bisnetos de Ali
iniciaram uma série de golpes nos
anos 1530, mergulhando o
império em guerras civis até ser
engolido por reinos adjacentes.
O que preciso aprender
sobre os reinos?
• Desenvolveram-se em épocas distintas ou
concomitantemente;
• Sociedades com exércitos bem organizados;
• Vastos conhecimentos sobre comércio;
• Domínio de técnicas complexas: ouro, metal;
• Havia reinos com características urbanas;
• Amplos conhecimentos arquitetônicos;
• Sociedades hierarquizadas.
Hora da leitura
•Sabemos que a decisão dos portugueses de efetivamente começar a colonização do
Brasil se deu pela necessidade de garantir a posse efetiva dos seus territórios no
“Novo Mundo”, posse que estava fortemente ameaçada pela presença de outros
povos europeus nas costas brasileiras, franceses à frente.
•O problema, no entanto, era: como povoar e colonizar um território tão imenso e
ainda desconhecido como a colônia Brasil? A solução encontrada pelos portugueses
foi a implantação de engenhos açucareiros nas áreas litorâneas dadas as condições
propícias para aquele tipo de produção agrícola: o clima quente, o solo muito fértil de
massapé, uma grande quantidade de rios que forneciam agua doce em abundancia e
chuvas regulares, características que favoreciam a produção da cana-de-açúcar em
larga escala. Além disso, o altíssimo valor comercial do açúcar na Europa tornava essa
iniciativa ainda mais interessante para os portugueses que, inclusive, já produziam
açúcar nos Açores.
Disciplina: História
o Fundamental
Série: 6º Ano – Ensin o
a Carvalho e Mauríci
Professores: Lucielm
Santos

O tempo do açúcar no Brasil:


Colonizadores, indígenas e africanos
na constituição de uma identidade
brasileira
PRIMEIRA
ORGANIZAÇÃO
ADMINISTRATIVA
COLONIAL
Estratégia:
instalação
de
engenhos
de açúcar
Era necessário incentivar o
povoamento
Motivações
para a
instalação
dos
engenhos
Onde foram
instalados
os
engenhos?
O que era
o
engenho?
Espaços
que
compunham
os
engenhos
Funcionamento de Canavial
Senzala
um Engenho Chiqueiros
e estábulos

Casa-grande
Capela
Curso de Cozinha do
água Moenda Açúcar Trabalhadores
Era necessário incentivar o livres
povoamento
Processo de produção do Açúcar

1. A cana-de-açúcar era cortada e transportada até a moenda;


2. O caldo da cana era extraído nas moendas;
3. O caldo era cozido em grandes tachos de cobre, até tornar-se um melaço;
4. O melaço era coado e despejado em formas de barro (pães de açúcar);
5. O açúcar era retirado das formas, batido e seco ao sol;
6. Depois de seco, o produto era encaixotado e enviado aos portos, de onde seguia
para diferentes regiões do Europa;
• Mas o que realmente eram os engenhos e como eles se
formaram?
• Antes de tudo, eram latifúndios onde foi instalada a
monocultura da cana de açúcar. Num lugar de destaque
ficava instalada a casa-grande, onde o senhor do engenho
vivia com sua família, os galpões da moenda, onde
cozinhava-se o caldo, e, finalmente, se produzia o açúcar.
Esses latifúndios nasceram no interior das enormes capitanias
hereditárias e inauguraram uma prática que perdura até hoje
no Brasil: a concentração de terras nas mãos de poucas
pessoas enquanto a maioria fica sem ter onde morar.
Canavial: cultivo da
matéria-prima
• Moradia do Senhor de engenho e sua
CASA família;
GRANDE • Centro do poder do senhor de engenho
SENZALA
• Moradia dos escravizados
• Lugar insalubre
• Movida pela força
Moenda dos escravizados,
animais ou água.
• Entender a importância do açúcar é, portanto,
fundamental para conhecermos as características da
sociedade brasileira que aos poucos de formava nos
engenhos e nos seus entornos. Como nos lembra a
historiadora Laima Mesgravis: “a sociedade colonial
brasileira organizou-se, desde o início, segundo as bases
econômicas ditadas pelos interesses do reino português e
dos colonos em contato com as realidades de um
povoamento que relacionava culturas tão díspares (ao
dicionário) como a europeia, a indígena e a africana.”
As capitanias
hereditárias
O SISTEMA
FALHOU...
Motivos:
1. Falta de interesse dos capitães
donatários
2. Distância em relação ao reino
3. Grande extensão das capitanias
4. Conflitos com os povos nativos

•Em 1548 o governo português


criou um governo-geral sediado na
Bahia

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