Reflexões Cósmicas
Tomei ¼ de LSD, e depois de mais de uma hora, NADA, tomei mais ¼ e mais uma hora se passou
e NADA, comecei a assistir videos sobre pessoas que relatam suas experiências, e percebi que
não preciso ter tanto medo, pois o próprio Albert Hoffman teve experiência com doses altas de
LSD, como eu tinha só um papelzinho, encarei ele e tomei mais metade, a viagem começou de
maneira sutil, com o LSD demorando cerca de três horas para começar a mostrar seus efeitos.
Mas quaaaaando bateu, veio tudo de uma vez só, o início da experiência não foi algo simples,
mas exigiu que eu encontrasse a concentração certa. Para ativar os efeitos, usei imagens de Alex
Grey, um artista que retrata realidades espirituais e multidimensionais. Ao focar em imagens
específicas e trocar o foco ocular, percebi que podia acessar camadas mais profundas de
percepção.
O maior choque de realidade aconteceu quando vi uma imagem azul com girassóis. O azul
sempre foi uma cor associada ao sexto chakra, trazendo-me uma sensação de tranquilidade.
Mas, à medida que minha percepção se aprofundava, a imagem dos girassóis se transformou
em algo mais complexo: seis esferas de cores distintas, dispostas de forma harmônica, com uma
centopeia caminhando entre elas. Essa centopeia não se comunicava verbalmente, mas eu sabia
intuitivamente que estava ali para me confortar e me acompanhar durante a viagem.
Por volta das 22:30, o ambiente do meu quarto começou a se transformar. O que antes parecia
frio e estático, tornou-se fluido, como se eu estivesse ajustando a frequência de um rádio e
mudando de estação. A cada movimento que eu fazia, uma nova realidade se desdobrava, como
se estivesse sintonizando dimensões alternativas. Em uma dessas frequências, cheguei a um
planeta cuja gravidade parecia muito mais intensa que a da Terra. No início, pensei que poderia
ser Júpiter, mas até hoje não sei ao certo. Nesse planeta, uma pressão esmagadora tomou meu
crânio, seguida por uma "bad trip", onde a sensação de compressão no corpo se tornou
insuportável. Era como se minha língua estivesse sendo engolida, e eu mordi a coberta para
aliviar a tensão.
Tentando me acalmar, busquei conforto em meu cachorro Shih Tzu, de dois anos. Para minha
surpresa, percebi que ele também estava reagindo às frequências que eu estava acessando,
como se ele também estivesse sendo influenciado pelas mudanças de percepção ao meu redor.
Isso me fez perceber que o ambiente e os seres ao meu redor não eram imunes a essas
transições dimensionais. Quando sintonizei uma frequência mais quente, meu corpo começou a
esquentar intensamente, como se estivesse em um planeta orbitando um sol vermelho,
sentindo uma espécie de calor cósmico pulsando em sincronia com a nova frequência.
Embora eu não tenha tido os visuais intensos que muitos relatam, o que mais me impressionou
foi a troca constante de frequências e a transformação de realidades, a cada novo foco de
atenção. Foi nesse ponto que consegui me acalmar o suficiente para refletir sobre minha
existência. Comecei a perceber que, de algum modo, sou um espírito antigo, que já passou por
essa Terra inúmeras vezes, em várias formas e épocas. Essa reflexão me levou a uma metáfora
que compartilhei com meu amigo Gab: a vida é como um "battle royale" em primeira pessoa.
Antes de nascermos, escolhemos nossa família, o lugar onde vamos viver e outras condições,
mas o destino final é determinado pelas nossas escolhas e atitudes, que carregamos de uma
encarnação para outra. A evolução espiritual é um processo contínuo, onde aprendemos e
crescemos.
Esse entendimento me fez refletir sobre as adversidades do mundo, como a fome e as guerras.
De alguma forma, eu entendi que as pessoas envolvidas nesses cenários "merecem"
cosmicamente estar ali, como parte de seu próprio processo evolutivo. Com 20 anos, já vivi
muitas experiências, como morar fora do país, ser paciente de craniofaringioma e lidar com
ansiedade. Essas experiências, dentro do meu "avatar" terrenal, me ajudaram a me tornar um
ser humano mais consciente e maduro a cada dia. No entanto, sempre senti que eu era
diferente, que minha percepção da realidade ia além do padrão vibracional que as pessoas ao
meu redor pareciam seguir. Acredito que meus sintomas de autismo leve e TDAH podem
explicar, em parte, essa maneira única de enxergar o mundo. Por mais introspectivo e solitário
que me sinta, sei que um dia encontrarei uma energia compatível com a minha. São poucas as
pessoas que confio minhas palavras, pessoas próximas que tenho a chance de poder falar
espontâneamente sobre qualquer assunto me fazem perceber que não estou completamente
sozinho, e do começo do ano passado para cá quando comecei a usar maconha para controlar
minha ansiedade e engolir a realidade por forma de fumaça percebi que achei com quem posso
falar sobre loucuras, os próprios “loucos”, como meu fiel amigo Djalma, que trouxe
anormalidade para os dias tão monótonos na empresa onde eu trabalhava.
Enquanto a viagem avançava, eu senti uma conexão profunda com os cristais e pedras que
estavam na minha janela alinhadas por cores. Escolhi a ametista, ao pegar ela percebi que
estava sentindo a sua antiguidade e a história que ela carregava. A partir daquele momento,
percebi o efeito borboleta cósmico – como aquela pedra chegou até mim, comprada em São
Thomé das Letras, uma cidade que já fala por si só.
Durante a viagem, eu também me deparei com uma mandala colorida, vibrante e cheia de
alegria. Isso me levou a refletir sobre extraterrestres, e tive uma revelação interessante: os
alienígenas são uma evolução futura de nossa própria espécie. A humanidade está tão
desenvolvida que a próxima mutação que ocorrerá trará uma aparência semelhante à dos seres
que chamamos de "alienígenas". Com isso, comecei a entender que os extraterrestres não são
seres de outros planetas, mas uma versão de nós mesmos, de um futuro evoluído.
Essas reflexões me conduziram a uma série de questionamentos sobre a natureza da nossa
evolução e da realidade que nos cerca. Vi os aliens como uma versão nossa do futuro, ou de
realidades alternativas, já evoluídos para além das limitações físicas atuais. Não mais atados à
necessidade de altura ou força, esses seres seriam mais baixos, mas com cérebros maiores, em
um processo de evolução mental e espiritual muito mais avançado. E seus olhos, negros e
protegidos por uma espécie de película, refletiam sua adaptação a um ambiente onde eram
necessários para viagens galácticas.
Além disso, percebi que, para os extraterrestres, a evolução não é apenas física. Eles precisam
de nós, da nossa genética, para sobreviver e continuar sua própria evolução. Eles são, em certo
sentido, uma versão futura de nós, tentando evitar uma extinção, buscando regeneração em
nossa realidade. E, no fundo, entendi que essa conexão entre nós, humanos, e essas criaturas
não é apenas uma questão de biologia, mas de uma profunda interconexão espiritual, algo que
transcende o tempo, as dimensões e as realidades.
Com esses pensamentos, cheguei à conclusão de que, na vastidão do cosmos e da evolução,
nós, seres humanos, somos muito mais do que carne e osso. Há uma essência que conecta
nossas almas ao universo, e talvez, os psicodélicos sejam uma ferramenta para acessar o que
está oculto, uma maneira de expandir a consciência e alcançar essas realidades paralelas que,
de outra forma, seriam invisíveis.
Agora, refletindo sobre tudo isso, vejo que esta experiência não é apenas pessoal. Ela
representa uma visão mais ampla sobre quem somos, de onde viemos e para onde estamos
indo.
+ QUE INDESCRITÍVEL !