RECURSOS: metafora, hiperbole, hipalage, enumeracoes, anafora, apostrofe, interjeições,
anastrofe, oximero, presente do indicativo, personificaçao, onomatopeias, aliteração,
Alvaro de Campos síntese
fases decadentista e intimista.
1ª FASE: DECADENTISTA
1ª Fase - Decadentista (metaforas e anaforas, vocabulario disforico)
Desilução perante uma vida monotona e sem objetivo.
Nesta fase o poeta exprime o tédio,o enfado, o cansaço e o abatimento da
necessidade de novas sensações (“Opiário”). Esta fase expressa-se como a falta de
um sentido para a vida e a necessidade de fuga à monotonia, com preciosismo,
símbolos e imagens apresenta-se marcado pelo Romantismo e pelo Simbolismo.
Citações que sintetizam a fase:
“E afinal o que quero é fé, é calma/ E não ter estas sensações confusas.”
“E eu vou buscar o ópio que consola.”
"É antes do ópio que a minha alma é doente"
Tal é o reflexo da falta de um sentido para a vida e a necessidade de fuga à monotonia. Esta
fuga era feita habitualmente à base de estupefacientes, como era o caso do ópio. Um dos
poemas mais exemplificativos desta fase é o Opiário, escrito por Fernando Pessoa em 1915
para o primeiro número do Orpheu, todavia, foi datado de Março de 1914 para documentar,
mistificando, uma primeira fase de Campos.
3ª FASE: INTIMISTA
Esta fase caracteriza-se por uma incapacidade de realização, trazendo de volta o abatimento.
O poeta vive rodeado pelo sono e pelo cansaço, revelando desilusão, revolta, inadaptação,
devido à incapacidade das realizações. Após um período áureo de exaltação heróica da
máquina, Álvaro de Campos é possuído pelo desânimo e frustração. Parece apresentar pontos
comuns com a 1.ª fase - a decadentista -, contudo, há que sublinhar que a intimista traduz a
reflexão interior e angustiada de quem apenas sente o vazio depois da caminhada heróica.
Segundo Jacinto do Prado Coelho, este Campos decaído, cosmopolita, melancólico,
devaneador, irmão do Pessoa ortónimo no cepticismo, na dor de pensar e nas saudades da
infância ou de qualquer coisa irreal, é o único heterónimo que comparticipa da vida
extraliterária de Fernando Pessoa, afirmando o próprio "eu e o meu companheiro de psiquismo
Álvaro de Campos".
3ª Fase – Intimista/Pessimista (metaforas, excla, reticencias, inte…)
O eu tem una consciencia que desencadeia uma reflexão existencial angustiada,
tem a consciencia dramatica da sua identidade fragmentada
decepcao desalento e a angustia existencial pela vida moderna
vazio, falta de afeto e ausencia de ligacao ao outros
consciente de q nao saira desse estado
A fase intimista é aquela em que, perante a incapacidade das realizações, traz de
volta o desalento que provoca “Um supremíssimo cansaço, /Íssimo,íssimo,íssimo
/Cansaço…”. Nesta fase, Campos sente-se vazio, um marginal, um incompreendido.
Sofre fechado em si mesmo, angustiado e cansado. Como temáticas destacam-se:
a solidão interior, a incapacidade de amar, a descrença em relação a tudo, a
nostalgia da infância, a dor de ser lúcido, a estranheza e a perplexidade, a oposição
sonho/realidade – frustração, a dissolução do “eu”, a dor de pensar e o conflito entre
a realidade e o poeta. O poema "Tabacaria", escrito em 1928 e publicado em 1933,
é a maior obra da última fase de Álvaro de Campos.
POEMAS. ANÁLISIS
ESTAS VELHA ANGUSTIA.
Logo a abrir, o deíctico demonstrativo «esta» (repetido em anáfora nos versos 1 e 2
com a finalidade de expressar o estado de alma do sujeito) e o adjectivo qualificativo
«velha» remetem para a temática da angústia, para a sua presentificação.
O sujeito poético pretende comunicar que a angústia o consome (o complemento
preposicional «em mim» relaciona-o precisamente com esse sentimento) e é real ("Esta
(...) angústia, / Esta angústia» - vv. 1-2; «este mal-estar» - v. 9) e se vem a desenvolver
na sua alma («em mim» - v. 2), desde a idade da razão, desde que começou a tomar
consciência de si («velha» - v. 1; «que trago há séculos em mim» - v. 2 - notar a
hipérbole, para mostrar o enraizamento, a duratividade da angústia, já sugerida pela
expressão «trago (...) em mim»).
Por outro lado, a angústia do sujeito poético é «tanta» e dura há tanto tempo que
«transbordou da vasilha» (metáfora - v. 3), isto é, ele (o seu coração, a sua alma) já não
comporta mais, por isso não a pode esconder e tem de a exteriorizar através das
lágrimas, de grandes imaginações, de sonhos e de grandes emoções (vv. 4 a 6) - notar
a anáfora, a estrutura paralelística e os nomes abstractos que designam os sentimentos
e as emoções. Além disso, a adjectivação («grandes») sugere que as «imaginações» e
as «emoções» são muito numerosas, muito intensas ou muito elevadas e distanciadas
da realidade. Por outro lado, os nomes abstractos «pesadelo» e «terror» traduzem o
carácter opressivo dos sonhos, o que os torna semelhantes a pesadelos, embora sem o
medo que eles instilam («sem terror»). Por último, convém atentar no valor expressivo
do modificador preposicional «sem sentido nenhum», que destaca a desproporção entre
a intensidade das sensações experimentadas e a falta de lógica da sua existência.
Na segunda estrofe, despojado de qualquer argumento, em anáfora com o verso
3, repete-se a ideia de que a angústia transbordou, com a forma verbal isolada, a
sugerir que se trata de uma situação inexorável. Além de angustiado, o sujeito poético
sente-se perturbado, com mal-estar, sentimentos que deixam marcas na sua alma:
«pregas» (metáfora que traduz o incómodo) e um sentimento de indefinição («Mal sei
como conduzir-me na vida» - v. 8).
Este estado de espírito leva-o a expressar um desejo: «endoidecer deveras». O
advérbio de afirmação «deveras» permite inferir que o sujeito poético caminha para a
loucura, mas conserva a lucidez suficiente para o reconhecer, embora preferisse
perdê-la em definitivo («Se ao menos endoidecesse deveras» - v. 10). Esse estado de
loucura seria uma solução para um estado de espírito de pré-demência, de indefinição,
um «estar entre» (v. 11), «ser quase» (v. 12), «poder ser que» (v. 13). Repare-se no tom
gradativo, na disposição anafórica, na insistência nos demonstrativos «este (...) / Este
(...) / Este (...) / Isto» (vv. 11 a 14). Os últimos versos desta estrofe vão-se tornando
mais suscintos, sugerindo que o sujeito poético mergulhou de tal forma na sua
introspecção que se alheou de tudo o resto, culminando no pronome demonstrativo
«isto», que exprime a sua dor e a dificuldade em traduzir e exteriorizar o seu estado de
alma, além da contemporaneidade da situação. Por outro lado, as frases incompletas e
as reticências exprimem hesitação, incerteza e ansiedade.
Na terceira estrofe, o sujeito poético começa por afirmar que «Um internado no
manicómio é alguém», uma generalização traduzida pelo artigo indefinido «um». No
verso seguinte, declara que é um internado num manicómio sem manicómio, paradoxo
que significa que o sujeito não é «ao menos alguém». O seu estado é de ambivalência,
dividido entre a loucura («Estou doido», «louco») e a lucidez, a consciência do que se
passa consigo («Estou doido a frio», «Estou lúcido», «e igual a todos»). A metáfora
paradoxal «Estou doido a frio» traduz, precisamente, a sensatez e a lucidez do sujeito
poético. Ele está doido mas tem a consciência dessa loucura. De notar a estrutura
anafórica dos versos 17 a 20.
O recurso aos quantificadores «tudo» e «todos» é particularmente significativo
neste contexto. Assim, em «Estou alheio a tudo», o quantificador reflecte o estado de
indiferenciação e de alienação do sujeito a todas as pessoas, coisas e situações. Já em
«igual a todos», o «eu» apresenta-se num plano de equidade relativamente a toda
agente. A explicação para esta dicotomia surge nos três versos seguinte e é anunciada
pelos dois pontos. Embora esteja atento ao que se passa consigo («desperto»), ele não
consegue, por falta de estímulo, superar o estado de passividade («Estou dormindo
com sonhos»). Este nome («sonhos»), associado ao acto de «dormir», aponta para a
manifestação do inconsciente, enquanto ligado a «desperto» implica a co-existência da
imaginação e da consciência, o que, mais uma vez, remete para um estado intermédio -
o tal «estar entre» a que se referia no verso 11. Por isso, a ideia transmitida pela oração
subordinada adjectiva relativa restritiva que caracteriza o nome «sonhos» - «que são
loucura» - prefigura um estado de alienação; porém, a oração «porque não são sonhos»
remete para a indefinição permanente que o último verso desta estrofe associa ao
presente através do recurso ao presente do indicativo e ao advérbio de modo «assim».
As reticências acentuam a ideia de indefinição e denunciam o desânimo e o desalento
que envolvem o sujeito poético.
Este estado de indefinição e de alienação levam-no, de seguida, a invocar
(apóstrofe) a sua «Pobre velha casa» (note-se que também a angústia foi adjectivada
como «velha»), o símbolo da sua «infância perdida». A adjectivação com que a casa é
qualificada revela os sentimentos e as emoções que assaltam o sujeito poético neste
momento em que a invoca: o afecto, a protecção, o refúgio, a paz e a tranquilidade, o
viver campestre. No entanto, note-se como ele, de certa forma, projecta na casa a
piedade e a comiseração que sente por si próprio. É que, além de tudo, a casa, a prova
palpável de que existiu um outro tempo, está modificada e esse tempo e essa situação
são irrecuperáveis (ideia traduzida pelo particípio passado com valor de adjectivo
«perdida»). Repare-se como há aqui, pelo menos, dois tempos em confronto: o passado
da infância e um tempo posterior, equivalente à situação que o sujeito poético vive
presentemente. Assinale-se, por outro lado, a utilização da expressão «me
desacolhesse» (o verbo encontra-se na forma reflexa) e do intensificador «tanto», que
explicitam o grau de responsabilidade do «eu» na origem / criação da situação em que
se encontra. De facto, ao socorrer-se do pronome pessoal reflexo «me», parece indiciar
que não é a casa que não lhe dá mais abrigo, mas que ele é que o recusa. O ponto de
exclamação revela que o pronome interrogativo é, neste caso, empregado para reforçar
o tom de admiração, o sentimento de espanto perante o carácter inesperado e
excepcional da situação que vive.
Nos quatro versos seguintes (25 a 28), o sujeito torna clara a contraposição
entre o passado e o presente. De facto, as interrogações apontam para um tempo
passado - o da infância, personificada ao longo da estrofe, pois é apresentada como
sendo capaz de ouvir, de compreender e de ser cúmplice do «eu» - símbolo casa -,
durante o qual ele viveu protegido («teu menino» - repare-se na metonímia: o nome
«casa» está a representar outra realidade, nela centrada - a família), tranquilo («dormia
sossegado» - note-se que o pretérito imperfeito do indicativo denuncia o carácter
iterativo da situação «dormir»), abrigado / protegido («sob o teu tecto provinciano»). Já
as respostas a cada uma das respostas remetem para o presente, caracterizado por um
estado de locura («Está maluco»). Além disso, no último verso a reiteração do pronome
«quem», sendo o primeiro interrogativo e o segundo relativo («Quem de quem fui?»),
explicita a ânsia que o sujeito poético tem de reencontrar o «quem» do passado, da
infância. No entanto, a presença da forma verbal «fui» (pretérito perfeito do indicativo)
encerra em definitivo esse ciclo e torna coerente o presente enquanto tempo de
alienação.
A consciência que o domina e faz sofrer leva-o a desejar, na estrofe seguinte,
uma solução para o seu drama: uma religião qualquer (repare-se como o quantificador
universal «qualquer» traduz o desespero e a ansiedade com que o sujeito poético busca
algo em que acreditar). A título exemplificativo, relembra «aquele manipanso / que havia
lá em casa», o objecto representativo de algo que deve ser venerado, trazido de África.
O «eu» projecta, assim, a sua procura naquele de que se lembra. Por outro lado, os
dois adjectivos que qualificam o manipanso («feiíssimo», «grotesco») traduzem o seu
aspecto repulsivo, hiperbolizado pelo grau superlativo absoluto sintético do primeiro
adjectivo. Em contraponto, o verso 33, constituído por uma oração coordenada
adversativa, atribui ao ídolo um carácter divino, o que o torna digno de ser reverenciado
(quando os adjectivos mencionados o apresentavam como algo grotesco, feio e
perverso). Além disso, a característica da divindade acaba por ser alargada a todas as
coisas no verso 33, através do quantificador«tudo».
No verso seguinte, refirma o seu desejo de «crer num manipanso qualquer»,
evidenciando deste modo que procura por todos os meios ultrapassar a angústia que o
domina. Porquê? Porque a fé, a crença são do domínio do não racional - representa por
isso a subordinação da razão à sensibilidade - e a razão, o pensamento, a lucidez são a
causa do seu sofrimento. Logo, a crença constituiria a forma de se libertar desse
sofrimento, daí que afirme que qualquer representação do manipanso (Júpiter, Jeová ou
a Humanidade) «serviria». No entanto, o sujeito poético demonstra claramente que está
consciente de que tal desejo não é possível de alcançar ao fazer uso do presente do
modo condicional («Qualquer serviria» - v. 36). E a justificação prossegue no derradeiro
verso desta estrofe: a omnipotência do pensar - o significado das coisas depende
daquilo que pensamos delas («Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?». Por
conseguinte, basta pensarmos nalguma coisa para que o objecto de pensamento se
converta naquilo que se pensa dele.
No último verso do poema, o sujeito poético exorta o coração, «sede» tradicional
do sentir, a «estalar», pois tal constitui a derradeira e única solução para a angústia / o
sofrimento em que vive, dado que as demais não resultaram (a infância porque
irrecuperável; a crença porque toldada pela presença constante da lucidez). O coração
é de «vidro pintado», metáfora que significa a sua fragilidade e uma atitude de
fingimento, presente na ocultação da transparência inerente ao vidro, o que permite
concluir que a sensibilidade ainda reside nele, que o faz sofrer, nem que seja pela
simples consciência da sua presença.
Repare-se, pór último, que a confusão psicológica do «eu» e a sua incapacidade
para ultrapassar a angústia se espelham na forma do poema, nomeadamente na
irregularidade estrófica e métrica, bem como na pontuação, que reflecte a emotividade
do discurso (por exemplo, o uso das reticências e do ponto de exclamação).
DOBRADA A MODA DO PORTO.
•Podemos associar o aparte (V.12-15) á fase intimista, pois nela o Sujeito Poético
aborda tempos de infância, o que revela que está no momento a atravessar uma má
fase, despertando assim a necessidade de recordar os tempos melhores, neste caso a
infância.
NA CASA DEFRONTE DE MIM E DOS MEUS SONHOS
1. comprove que as sencacoes sao determinantes para a construcao do quotidiano
feliz aqui evocado, atentando nas 4 primeiras estrofes.
Nas quatro primeiras estrofes do poema, encontram-se representadas sensações
visuais e auditivas, através dos elementos seguintes: – «que já vi mas não vi» (v. 3) –
sensação visual; – «As crianças, que brincam às sacadas altas, / Vivem entre vasos de
flores» (vv. 5-6) – sensação visual; – «As vozes, que sobem do interior do doméstico, /
Cantam sempre» (vv. 8-9) – sensação auditiva.
2. Caracterize o tempo da infáncia, considerando a terceira estrofe.
Na terceira estrofe do poema, o tempo da infância é caracterizado: –por um ambiente
de despreocupação feliz, sugerido pelo acto de brincar («As crianças, que brincam às
sacadas altas, / Vivem entre vasos de flores» – vv. 5-6); –pela não consciência da
passagem do tempo («Sem dúvida, eternamente.» – v. 7).
3. Explique a relação que o sujeito poético estabelece com os «outros» nas seis
primeiras estrofes do poema, fundamentando a sua resposta em referências
textuais pertinentes
A relação que o sujeito poético estabelece com «os outros» nas seis primeiras estrofes
é marcada pela diferença: –os «outros» são felizes, como se deduz dos elementos
referidos no texto – alegria aparente (v. 2 e v. 4), brincadeira (v. 5), flores (v. 6), canto
(vv. 8 a 10), festa (v. 11); –o sujeito poético considera-se à parte e diferente deles –
«São felizes, porque não são eu.» (v. 4), «Que grande felicidade não ser eu!» (v. 14).
4. Relacione o conteúdo da última estrofe com as reflexões apresentadas nas duas
estrofes anteriores
A dor e o vazio expressos na última estrofe, particularmente no verso «Um nada que
dói...» (v. 26), decorrem das reflexões desenvolvidas nas duas estrofes anteriores. O
sujeito poético questiona-se quanto aos «outros» (v. 15) e aos seus sentimentos,
concluindo que: – cada outro é um eu (v. 16); só é possível sentir enquanto «eu» ou
«nós» (vv. 21-24); –não se pode saber o que eles, os «outros», sentem (vv. 17-20);
existe uma incomunicabilidade essencial entre os seres humanos, de que resulta a
consciência individual separada de cada eu.
Complete
entre ele e os outros seres humanos.
nao se pode saber o que os outros pensam
relacao de incomunicabilidade entre seres humanos? CORRIGIR pag 100 manual.
OPIÁRIO
Sendo este o unico poema da 1ª Fase, a fase decadentista, traduz-se por sentimentos
de tédio e pela necessidade de novas sensações. A falta de sentido para a vida e a
necessidade de fuga à monotonia leva ao consumo de drogas como o ópio.
Traduz a falta de um sentido para a vida e a necessidade de fuga à monotonia. É
marcado pelo romantismo e simbolismo.
No poema opiário de Álvaro de Campos, o título vem de ópio que é segundo o
dicionário Houaiss, uma substância extraída da papoula, usada na produção de morfina,
heroína etc.
LISBON REVISITED
Em Lisbon revisited (1923), o poeta debate-se com a inexorabilidade da morte, desejando até
morrer ("Não me venham com conclusões! / A única conclusão é morrer."). Todo o poema é
disfórico, daí a acumulação de construções negativas. Recusa a estética, a moral, a metafísica,
as ciências, as artes, a civilização moderna, apelando ao direito à solidão, apontando a
infância como símbolo da felicidade perdida ("Ó céu azul - o mesmo da minha infância - /
Eterna verdade vazia e perfeita!").
Nesta fase, Campos sente-se vazio, um marginal, um incompreendido ("O que há em mim é
sobretudo cansaço -"; "Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: / Porque eu amo
infinitamente o finito, / Porque eu desejo impossivelmente o possível"). A construção
antitética destes versos é, sem, dúvida, o espelho do interior fragmentado do poeta .
QUE NOITE SERENA.
O sujeito poético evoca o passado, que se caracteriza como calmo, suave, sossegado,
bom, como vemos nos versos: “Suave todo o passado”, “O sossego de outrora/Sossego de
várias espécies” e “E tudo bom e horas/De um bem…”.
O poeta refere serem bons esses tempos, porque não se preocupava com o futuro: “A
infância sem futuro pensado”.
Entretanto a vida mudou por sua culpa e pergunta a si próprio: “O que fiz da vida”? E dói,
dói, dói. Esta repetição de “dói” refere o sofrimento do poeta ao recordar a sua infância feliz
e a impossibilidade de voltar a vivê-la. A infância (boa ou má)m de nenhum de nós, não
consegue ser repetida. O tempo não volta atrás.
Parem com isso dentro da minha cabeça, diz ainda o poeta: São as recordações que
atormentam o sujeito poético.
E muito mais há a dizer deste poema, na sua análise e interpretação de português, mas o
espaço de que dispomos é pequeno.
“O que há em mim é sobretudo cansaco
Apontamento.
Neste poema, Álvaro de Campos mostra uma imagem extremamente negativa de si
mesmo, sendo ele apenas um vaso vazio que a empregada partiu na escada. Os
cacos representam a ideia de que o poeta se sente sem existência, como se não
tivesse alma. Observa-se que os cacos, apesar de conscientes de existirem, não
têm consciência de serem um conjunto. Para expressar a falta de sentido da sua
existência, o poeta termina o poema mencionando deuses indiferentes com o caco
no tapete, uma pobre representação da sua vida.
tabacaria.