Material Didático de Álgebra Nível 3
Material Didático de Álgebra Nível 3
Material Didático
Álgebra
Nível 3
Última Atualização: 22 de abril de 2021
2
Sumário
I Álgebra 7
2 Polinômios 31
2.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.2 Definição de Polinômio . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
2.3 Definições básicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
2.3.1 Grau de um polinômio . . . . . . . . . . . . . 32
2.3.2 Valor numérico . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
2.3.3 Multiplicidade das Raízes de um Polinômio . 33
2.4 Igualdade de polinômios . . . . . . . . . . . . . . . . 33
2.5 Divisão de polinômios . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
2.5.1 Introdução à Divisão de Polinômios . . . . . 34
2.5.2 Método da Chave . . . . . . . . . . . . . . . . 35
2.5.3 Divisão de um polinômio por um binômio da
forma ax + b . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.5.4 Teorema do Resto . . . . . . . . . . . . . . . 39
3
2.5.5 Divisão de um polinômio por um binômio da
forma x + b . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.5.6 Teorema de D’Alembert . . . . . . . . . . . . 43
2.5.7 O Dispositivo de Briot-Ruffini . . . . . . . . . 44
2.5.8 Teorema das Raízes Racionais (ou teste das
raízes racionais) . . . . . . . . . . . . . . . . 46
3 Relações de Girard 55
3.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.2 Relações de Girard para uma Equação Polinomial de
Grau 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
3.3 Relações de Girard para uma Equação Polinomial de
Grau 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
3.4 Generalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
4 Revisão - Aulas 1, 2 e 3 67
4.1 Álgebra - Equações do Segundo Grau . . . . . . . . 67
4.2 Álgebra - Polinômios . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68
4.3 Álgebra - Relações de Girard . . . . . . . . . . . . . 69
5 Números Complexos 71
5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
5.2 Unidade Imaginária e Forma Algébrica . . . . . . . . 71
5.3 Operações com Números Complexos . . . . . . . . . 72
5.3.1 Soma de Números Complexos . . . . . . . . . 72
5.3.2 Produto de Números Complexos . . . . . . . 73
5.3.3 Divisão Entre Números Complexos . . . . . . 74
5.4 Classificação dos Números Complexos . . . . . . . . 75
5.5 Equações do Segundo Grau com Raízes Imaginárias 77
5.6 Interpretação Geométrica dos Complexos . . . . . . 79
5.7 O conjugado e suas propriedades . . . . . . . . . . . 80
5.7.1 Propriedades do conjugado . . . . . . . . . . 81
5.8 Potências da unidade imaginária . . . . . . . . . . . 84
5.9 Forma Trigonométrica . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
5.9.1 Como Determinar a Forma Trigonométrica de
Um Número Complexo . . . . . . . . . . . . . 86
4
5.9.2 Multiplicação na Forma Trigonométrica . . . 93
5.9.3 Divisão na Forma Trigonométrica . . . . . . . 94
5
8 Revisão - Aulas 5, 6 e 7 155
8.1 Álgebra - Números Complexos . . . . . . . . . . . . 155
8.2 Álgebra - Equações de Grau Maior do Que 2 . . . . 155
8.3 Álgebra - Progressões Aritmética e Geométrica . . . 156
10 Recorrências 175
10.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175
10.2 Conceitos Básicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 175
10.2.1 Sequências Numéricas Sem Regra de Formação 176
10.2.2 Sequências Numéricas Com Regra de Formação176
10.3 Equações de Recorrência . . . . . . . . . . . . . . . . 177
10.4 Recorrências Lineares de Primeira Ordem . . . . . . 178
10.4.1 Encontrando Fórmulas Fechadas . . . . . . . 178
10.5 Recorrências Lineares Homogêneas de Segunda Ordem 182
6
I
Álgebra
7
Aula 1
Equações do Segundo
Grau
Gustavo Rodrigues da Silva
1.1 Introdução
Uma equação do segundo grau, ou equação quadrática, é uma
equação da forma
ax2 + bx + c = 0,
• x2 + x = 0
• 2x2 + 5 = 0
• 3x2 + 5x + 2 = 0
9
1.2 Equações do Segundo Grau Incompletas
Trabalharemos nessa seção a resolução de uma equação do se-
gundo grau quando um dos seus coeficientes é nulo. Então seja a
equação ax2 +bx+c = 0, com a, b, c ∈ R e a 6= 0. Temos os seguintes
casos:
• Se b = 0:
ax2 + bx + c = 0 ⇒ ax2 + c = 0
⇒ ax2 = −c
c
⇒ x2 = −
ra
c
⇒x=± −
a
Solução:
2x2 − 16 = 0 ⇒ 2x2 = 16
16
⇒ x2 = =8
2 √
√
⇒ x = ± 8 = ± 22 · 2
√
⇒ x = ±2 2
• Se c = 0:
Nesse caso apenas colocamos x em evidência e analisamos as
parcelas do produto, como segue:
ax2 + bx + c = 0 ⇒ ax2 + bx = 0
⇒ x · (ax + b) = 0
10
Dessa última igualdade, obtemos que x = 0 ou ax + b = 0. Do
segundo caso temos que:
ax + b = 0 ⇒ ax = −b
b
⇒x=−
a
Solução:
3x2 − 4x = 0 ⇒ x · (3x − 4) = 0
4
Então temos que x = 0 ou 3x − 4 = 0 ⇒ 3x = 4 ⇒ x = .
3
4
Portanto, as soluções da equação dada são x = 0 e x = .
3
11
diferença do lado esquerdo. Então temos:
x2 − 6x = 8 ⇒ x2 − 2 · x · 3 = 8
⇒ x2 − 2 · x · 3 + 3 2 = 8 + 3 2
⇒ (x − 3)2 = 17.
√
Então x − 3 = ± 17 e, portanto, as soluções da equação dada são:
√ √
x1 = 3 − 17 e x2 = 3 + 17.
b c
x2 + ·x=− .
a a
12
esquerdo o quadrado de uma soma:
bx c b c
x2 + = − ⇒ x2 + 2 · x · =−
a a 2a a
!2 !2
b b c b
⇒ x2 + 2 · x · + =− +
2a 2a a 2a
!2
b c b2
⇒ x+ =− + 2
2a a 4a
!2
b −4ac b2
⇒ x+ = +
2a 4a2 4a2
!2
b b2 − 4ac
⇒ x+ = .
2a 4a2
13
• Se ∆ < 0, não existem soluções reais.
14
Exemplo 1.4. Resolva a equação x2 −6x−8 = 0 usando a Fórmula
de Bhaskara.
Solução:
Note que se a equação x2 − 6x − 8 = 0 está escrita na forma
ax2 + bx + c = 0, então temos que a = 1, b = −6 e c = −8. Pela
Fórmula de Bhaskara temos:
√
−b ± b2 − 4ac
x=
2a p
−(−6) ± (−6)2 − 4 · 1 · (−8)
=
√ 2·1
6 ± 36 + 32
=
√2
6 ± 68
=
2√
6 ± 4 · 17
=
2√
6 ± 2 17 √
= = 3 ± 17.
2
√ √
Portanto, as soluções são x1 = 3 − 17 e x2 = 3 + 17. Note
que as soluções condizem com as obtidas anteriormente através do
processo direto de completamento de quadrados.
Outra maneira de encontrarmos as soluções de uma equação do
segundo grau é através do Método de Soma e Produto, que veremos
a seguir.
15
Note que se efetuarmos a soma das soluções teremos:
√ ! √ !
−b − ∆ −b + ∆
x1 + x2 = +
2a 2a
2b b
=− =− .
2a a
E efetuando o produto temos:
√ ! √ !
−b − ∆ −b + ∆
x1 · x2 = ·
2a 2a
b2 − ∆2
=
4a2
b − (b2 − 4ac)
2
=
4a2
b − b2 + 4ac
2 4ac c
= = 2 = .
4a2 4a a
Ou seja, dada uma equação da forma ax2 + bx + c = 0, uma maneira
alternativa de encontrar as soluções é encontrando os números reais
x1 e x2 tais que:
b c
x1 + x2 = − e x1 · x2 = .
a a
Exemplo 1.5. Encontre as soluções da equação x2 + 9x + 14 = 0
pelo método de soma e produto.
Solução:
Queremos encontrar x1 e x2 tais que:
• x1 + x2 = − ab = − 91 = −9
c 14
• x1 · x2 = a = 1 = 14
16
Proposição 1.1. x1 e x2 são raízes da equação ax2 + bx + c = 0
b c
se, e somente se, x1 + x2 = − e x1 · x2 = .
a a
Demonstração:
Por um lado, se x1 e x2 são raízes da equação do segundo grau
2
ax + bx + c = 0, então como já vimos anteriormente, temos que
x1 + x2 = − ab e x1 · x2 = ac .
Por outro lado, supondo que x1 e x2 são dois números tais que
x1 + x2 = − ab e x1 · x2 = ac , na equação ax2 + bx + c = 0 vamos
colocar a em evidência (o que pode ser feito pois a 6= 0), e assim
teremos o seguinte:
!
bx c
2
a· x + + = 0,
a a
ou ainda,
!
2 b c
a · x − − · x + = 0.
a a
a · [x2 − (x1 + x2 ) · x + x1 · x2 ] = 0,
isto é,
a · (x − x1 ) · (x − x2 ) = 0.
Note que, como ax2 + bx + c = 0 é equação do segundo grau, temos
que a 6= 0. Portanto, da igualdade acima, concluímos que x−x1 = 0
ou x−x2 = 0 e, com isso, os valores de x que são soluções da equação
dada são x = x1 e x = x2 . Disso temos que x1 e x2 são raízes da
equação dada.
Veja que a segunda parte dessa demonstração sugere também o
seguinte resultado:
Proposição 1.2. x1 e x2 são raízes da equação ax2 + bx + c = 0
se, e somente se, ax2 + bx + c = a · (x − x1 ) · (x − x2 ).
17
Demonstração:
Por um lado, basta considerar a equação ax2 + bx + c = 0, pôr
a em evidência e substituir x1 + x2 = − ab e x1 · x2 = ac , como já
fizemos anteriormente.
Por outro lado, supondo ax2 + bx + c = a · (x − x1 ) · (x − x2 ),
basta substituir x por x1 ou por x2 no segundo membro da igualdade
acima para verificar que ele se anula. Logo x1 e x2 são as raízes da
equação quadrática.
18
Vamos ilustrar o método acima com o seguinte
Exemplo 1.6. Resolver a equação 2x2 − 5x + 3 = 0 pelo método
de Po-Shen Loh.
Solução:
Calculando a soma e o produto das raízes pedidas, temos S =
−(−5)/2 = 5/2 e P = 3/2. Para encontrarmos α, devemos resolver
5 5 3
−α · +α = ,
4 4 2
ou
25 3 1
α2 = − = .
16 2 16
Portanto, as raízes procuradas são
r
5 1
x1 = − = 1,
4 16
e r
5 1 3
x2 = + = .
4 16 2
x, se x ≥ 0
|x| =
−x, se x < 0
• |0| = 0 porque 0 ≥ 0.
• | − 2| = 2 porque −2 < 0.
• |15| = 15 porque 15 ≥ 0.
19
Demonstração:
Dividiremos a demonstração em dois casos:
• Se x < 0, então |x| = −x. Mas se x < 0, então −x > 0 ⇒
|x| > 0.
• Se x ≥ 0, então |x| = x ≥ 0.
Com isso mostramos que para todo x ∈ R, temos |x| ≥ 0.
Exemplo 1.7. Mostre que |x2 | = |x|2 .
Solução:
Primeiro vamos demonstrar a igualdade para x < 0 e, em se-
guida, para x ≥ 0, da seguinte forma:
• Se x ≥ 0: |x2 | = x2 = |x|2 .
• Se a > 0, então:
|x| = a ⇒ |x|2 = a2
⇒ x2 = a2
⇒ x2 − a2 = 0
⇒ (x − a) · (x + a) = 0
⇒ x − a = 0 ou x + a = 0
⇒ x = a ou x = −a
20
Uma vez que o valor de |x| é diferente para x negativo e x não-
negativo, problemas que envolvem igualdades com módulo exigem
a análise de cada caso separadamente, como segue.
Exemplo 1.8. Resolva |2x + 1| = 3.
Solução: Primeiramente, vamos igualar o termo 2x + 1 a zero e
descobrir quais valores de x tornam a expressão negativa, nula ou
positiva:
2x + 1 = 0 ⇒ 2x = −1
1
⇒x=−
2
Com isso temos os seguintes casos:
1
• Se x < − , então 2x + 1 < 0 ⇒ |2x + 1| = −(2x + 1), dessa
2
forma temos:
|2x + 1| = 3 ⇒ −(2x + 1) = 3
⇒ −2x − 1 = 3
⇒ −2x = 4
4
⇒x=−
2
⇒ x = −2
1
Repare que x = −2 atende à restrição inicial, de que x < − .
2
Então x = −2 é uma solução.
1
• Se x ≥ , então 2x + 1 ≥ 0 ⇒ |2x + 1| = 2x + 1. Dessa forma
2
temos:
|2x + 1| = 3 ⇒ 2x + 1 = 3
⇒ 2x = 2
2x 2
⇒ =
2 2
⇒x=1
21
Note que x = 1 atende à restrição desse outro caso, de que
1
x ≥ − . Então x = 1 é a outra solução da equação dada.
2
Exemplo 1.9. Resolva |x − 1| = −7.
Solução:
Como vimos anteriormente, se k ∈ R, então |k| ≥ 0. Ou seja, se
|x − 1| ≥ 0, então |x − 1| = −7 não possui solução.
22
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
23
11. N Sabendo que x é um número real que satisfaz
1
x=1+ ,
1 + x1
an+2 = an+1 + an .
24
a 1882) e Ruffini (matemático italiano, que viveu de 1765 a
1822) desenvolveram métodos para encontrar soluções para as
equações chamadas recíprocas. Nesta questão você vai desen-
volver, passo a passo, a essência desses métodos.
1 1
a) Se y = x + , calcule as expressões x2 + 2 em termos de
x x
y.
b) Determine todas as raízes reais da equação x2 − 5x + 8 −
5 1
+ 2 = 0.
x x
18. (Banco de Questões da OBMEP 2010, nível 3, questão 16):
1
Se 3 e são as raízes da equação ax2 − 6x + c = 0, qual é o
3
valor de a + c?
a) 1
b) 0
−9
c)
5
18
d)
5
e) -5
25
21. F (CN - 88) A equação do 2o grau x2 − 2x + m = 0, m < 0,
tem raízes x1 e x2 . Se xn−2
1 + xn−2
2 = a e x1n−1 + x2n−1 = b,
n n
então x1 + x2 é igual a:
a) 2a + mb
b) 2b − ma
c) ma + 2b
d) ma − 2b
e) m(a − 2b)
26
Problemas Propostos em 2021
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
27
Dicas e Soluções
1. x = 1 é raiz de multiplicidade 2.
2. x = 0 ou x = 3.
3. x = 0 ou x = 9.
4. x = −2 ou x = 2.
5. Primeiramente, veja que se a e b são os lados do retângulo,
então 2a + 2b = 24 e a · b = 28.
6. x = 3 é a única solução.
√ √
7. x = − 2 ou x = 2.
8. a = 4.
9. Foram compradas 9 garrafas.
10. a = −3 ou a = 1.
√
1± 5
11. x = .
2
12. Na relação dada, substitua an por xn e coloque xn em evidên-
cia.
13. Analise o discriminante.
14. Repare que da equação x2 − 4x + 1 = 0 é possível obter x4 + 1
e x3 + x.
15. A parte principal do problema é encontrar uma expressão que
represente o número de apertos de mão. Suponha n = número
de pessoas e p = número de apertos de mão, em seguida, conte
o número de apertos que cada pessoa deu, tomando cuidado
para não contar apertos repetidos. Após fazer isso, p poderá
ser escrito em função de n e será possível concluir que haviam
12 pessoas presentes na festa.
28
16. a) Conclua que a2 < A < (a + 2)2 e, portanto, A = (a + 1)2 .
b) Conclua que (b + 1)2 < B < (b + 4)2 . Em seguida, mostre
que é impossível que B = (b + 2)2 e, portanto, B = (b + 3)2 .
Disso segue que b = 4, a = 8, A = 92 e B = 72 .
29
30
Aula 2
Polinômios
Gustavo Rodrigues da Silva
2.1 Introdução
Nessa aula estudaremos a definição, solução, igualdade e divisão
de polinômios, bem como alguns teoremas relacionados.
31
2.3 Definições básicas
2.3.1 Grau de um polinômio
Definição 2.2. O grau de um polinômio é o maior expoente que
esse polinômio possui.
Ou seja, se an 6= 0, dizemos que o polinômio
32
Solução:
P (2) = 23 + 3 · 22 + 10 = 8 + 12 + 10 = 20
P (2) = 23 + 10 · 22 + 2 · 2 + 5
= 23 + 10 · 22 + 2 · 2 + 5
= 8 + 40 + 4 + 5
= 57
33
para que dois polinômios sejam iguais é que os coeficientes dos
termos correspondentes sejam iguais.
Exemplo 2.4. Calcule a, b e c sabendo que x2 + 2x + 1 = a · (x2 +
x + 1) + (bx + c) · (x + 1)
Solução: Primeiramente vamos desenvolver a expressão do lado
direito da igualdade para explicitar os coeficientes:
x2 + 2x + 1 = a · (x2 + x + 1) + (bx + c) · (x + 1)
= ax2 + ax + a + bx2 + bx + cx + c
= (a + b)x2 + (a + b + c)x + (a + c)
Agora podemos igualar os coeficientes dos termos correspondentes
da seguinte forma:
x2 = (a + b)x2 ⇒ a + b = 1 (2.1)
2x = (a + b + c)x ⇒ a + b + c = 2 (2.2)
a+c=1 (2.3)
Substituindo (1) em (2) temos:
a+b+c=2⇒1+c=2⇒c=1
Substituindo c = 1 em (3) temos:
a+c=1 ⇒ a+1=1 ⇒ a=0
Por último, substituindo a = 0 em (1) obtemos que b = 1. Então
temos a = 0, b = 1 e c = 1.
34
1. P (x) = D(x) · Q(x) + R(x)
35
5x5 −x +1 x+2
− 5x5 − 10x4 5x4 − 10x3 + 20x2 − 40x + 79
− 10x4
10x4 + 20x3
20x3
− 20x3 − 40x2
− 40x2 − x
40x2 + 80x
79x + 1
− 79x − 158
− 157
Logo, temos que Q(x) = 5x4 −10x3 +20x2 −40x+79 e R(x) = −157.
Com isso, podemos escrever P (x) = 5x5 − x + 1 = (x + 2)(5x4 −
10x3 + 20x2 − 40x + 79) − 157.
Vejamos, a seguir, outros exemplos de divisão de polinômios pelo
método da chave.
Exemplo 2.5. Efetue a divisão de P (x) = 4x3 + 3x2 + x − 8 por
D(x) = x − 1.
Solução:
4x3 + 3x2 + x − 8 x − 1
− 4x3 + 4x2 4x2 + 7x + 8
7x2 + x
− 7x2 + 7x
8x − 8
− 8x + 8
0
Onde o quociente é Q(x) = 4x2 + 7x + 8 e o resto é R(x) = 0.
Note que se R(x) = 0, então temos uma divisão exata. Nesse caso
dizemos que P (x) é múltiplo de D(x) e Q(x), ou ainda, que Q(x)
e D(x) são divisores de P (x). Portanto, podemos escrever P (x) =
D(x) · Q(x) ⇒ 4x3 + 3x2 + x − 8 = (x − 1) · (4x2 + 7x + 8).
36
Exemplo 2.6. Efetue a divisão de P (x) = 6x4 + 2x2 + x + 1 por
D(x) = x2 + 3.
Solução:
6x4 + 2x2 + x + 1 x2 + 3
− 6x4 − 18x2 6x2 − 16
− 16x2 + x + 1
16x2 + 48
x + 49
4x2 − 2x + 3 2x − 1
− 4x2 + 2x 2x
3
2x − 1 = 0 ⇒ 2x = 1
1
⇒x=
2
37
1
Calculemos agora P :
2
1
P = 4x2 − 2x + 3
2
2
1 1
=4· −2· +3
2 2
1 2
=4· − +3
4 2
4
= −1+3
4
=1−1+3
=3
1 1
Note que R(x) = 3 = P , onde é a raiz do divisor B(x) =
2 2
2x − 1.
Uma dúvida interessante a respeito disso é a seguinte: o resul-
tado acima é uma coincidência ou sempre acontece? Veremos a
seguir outro exemplo, encontrando o resto da divisão de P (x) =
3x3 − 2x2 + 2 pelo binômio B(x) = 3x + 1:
3x3 − 2x2 + 2 3x + 1
1
− 3x3 − x2 x2 − x + 3
− 3x2
3x2 + x
x +2
− x − 13
5
3
5
Note que R(x) = . Encontremos agora a raiz do divisor B(x) =
3
3x + 1 :
3x + 1 = 0 ⇒ 3x = −1
1
⇒x=−
3
38
1
Calculemos agora P − :
3
1 1 3 1 2
P − =3· − −2· − +2
3 3 3
1 1
=3· − −2· +2
27 9
3 2
=− − +2
27 9
1 2 18
=− − +
9 9 9
−1 − 2 + 18
=
9
15
=
9
5
=
3
5 1 1
Note que nesse caso também temos R(x) = = P − , onde −
3 3 3
é a raiz do divisor B(x) = 3x + 1.
De fato, isso é algo que sempre acontece e, com isso, temos o
Teorema do Resto, que será enunciado a seguir.
D(x) = 0 ⇒ ax + b = 0
⇒ ax = −b
b
⇒x=−
a
39
!
b b
Assim, concluímos que x = − é raiz de D(x), ou seja, D − =
a a
0.
Lembremos que, na divisão de P (x) por D(x), sempre temos
gr(R) < gr(D). Ou seja, se D(x) possui grau 1, então R(x) possui
grau zero e, portanto, o resto é uma constante tal que R(x) = k,
com k ∈ R. Considerando agora a divisão de P (x) por D(x), temos
b
que P (x) = D(x) · Q(x) + k. Substituindo x por − nessa última
a
igualdade, temos:
! ! !
b b b
P − =D − ·Q − +k
a a a
!
b
=0·Q − +k
a
=0+k
=k
!
b
Com isso, temos que P − = k, onde k é o resto da divisão de
a
P (x) pelo binômio D(x) = ax + b.
Exemplo 2.7. Decida se P (x) = 6x3 + 5x2 + 2x + 1 é divisível pelo
binômio D(x) = 3x − 1.
Solução: Uma forma de resolver o problema é efetuando a divisão
com o método da chave, da seguinte forma:
6x3 + 5x2 + 2x + 1 3x − 1
− 6x3 + 2x2 2x2 + 73 x + 13
9
7x2 + 2x
− 7x2 + 37 x
13
3 x +1
13
− 3 x + 13
9
22
9
40
22
Note que o resto obtido é R(x) = 6= 0 e, portanto, P (x) não é
9
divisível por D(x).
Outra forma, bem mais simples, de resolvermos o problema, é
obtendo o resto por meio do Teorema do Resto, da seguinte maneira:
• 1o passo: Calculamos a raiz do divisor:
D(x) = 0 ⇒ 3x − 1 = 0
⇒ 3x = 1
1
⇒x=
3
1
• 2o passo: Calculamos P :
3
3 2
1 1 1 1
P =6· +5· +2· +1
3 3 3 3
1 1 2
=6· +5· + +1
27 9 3
6 5 2
= + + +1
27 9 3
2 5 6 9
= + + +
9 9 9 9
2+5+6+9
=
9
22
=
9
1 22
Usando o Teorema do Resto, temos que P = = R(x) e,
3 9
como o resto é diferente de zero, temos que P (x) não é divisível por
D(x).
Exemplo 2.8. Encontre o resto da divisão de P (x) = 3x4 − x3 + 2
por D(x) = 2x − 1.
Solução: Vamos usar o Teorema do Resto. Para isso, encontrare-
mos primeiramente x1 , que é a raiz de D(x). Em seguida, calcula-
remos P (x1 ) e usaremos a relação enunciada no Teorema do Resto,
como segue:
41
• 1o passo: encontrar a raiz de D(x):
D(x) = 0 ⇒ 2x − 1 = 0
⇒ 2x = 1
1
⇒x=
2
1
• 2o passo: calcular P :
2
4 3
1 1 1
P =3· − +2
2 2 2
1 1
=3· − +2
16 8
3 2 32
= − +
16 16 16
3 − 2 + 32
=
16
33
=
16
1 33
Por fim, o Teorema do Resto nos diz que P = = R(x). Com
2 16
33
isso, o resto da divisão é R(x) = .
16
42
determinar o resto k dessa divisão usando o Teorema do Resto, da
seguinte forma:
• 1o passo: encontrar a raiz de D(x) = x + b:
D(x) = 0 ⇒ x + b = 0
⇒ x = −b
Com isso, temos que, dada a divisão de P (x) pelo binômio D(x) =
x + b, o resto da divisão é k = P (−b), o que sugere o teorema a
seguir.
43
Exemplo 2.10. Calcule o resto da divisão de P (x) = 5x4 − 3x2 + 5
por D(x) = x + 5.
Solução: Pelo Teorema de D’Alembert, temos que o P (−5) = k,
onde k é o resto da divisão. Então temos:
P (3) = 0 ⇒ 33 − 6 · 3 + 3p − 1 = 0
⇒ 27 − 18 + 3p − 1 = 0
⇒ 3p + 8 = 0
⇒ 3p = −8
8
⇒p=−
3
44
• 1o passo: Identificamos os coeficientes de P (x) e a raiz do
divisor D(x). Veja que P (x) = 5x5 −x+1 possui os coeficientes
5, 0, 0, 0, -1 e 1. Além disso, a raiz de D(x) = x + 2 é x = −2.
• 2o passo: Desenhamos uma chave; escrevemos a raiz do di-
visor ao lado esquerdo e, os coeficientes de P (x), dentro da
chave.
• 3o passo: repetimos o primeiro coeficiente na parte debaixo
da chave e efetuamos a seguinte sequência de operações:
– Multiplicamos o primeiro coeficiente pela raiz do divisor,
somamos com o segundo coeficiente e escrevemos o resul-
tado abaixo do segundo coeficiente.
– Multiplicamos o resultado anterior pela raiz do divisor,
somamos com o terceiro coeficiente e escrevemos o resul-
tado abaixo do terceiro coeficiente.
– Repetimos esse procedimento até acabarem os coeficien-
tes, conforme o esquema abaixo:
5 0 0 0 −1 1
−2 − 10 20 − 40 80 − 158
5 − 10 20 − 40 79 − 157
45
Solução: Veja que P (x) = 5x4 − 3x2 + x − 10 possui os coeficientes
5, 0, -3, 1 e -10. Além disso, o divisor D(x) = 2x − 1 possui raíz
1 1
x = . Com isso, escrevemos a raíz x = à esquerda da chave, os
2 2
coeficientes de P (x) na parte superior e efetuamos a sequência de
operações explicadas no exemplo anterior. Da seguinte forma:
5 0 −3 1 − 10
1 5 5 7 1
2 2 4 − 8 16
5 7 1 159
5 2 − 4 8 − 16
5 7 1
Com isso, temos o quociente Q(x) = 5x3 + x2 − x + e o
2 4 8
159
resto k = − .
16
!
p p
Seja uma raiz racional de P (x), ou seja, P = 0, com p, q ∈ Z
q q
e mdc(p, q) = 1. Então p é um divisor de a0 e q é um divisor de an .
Demonstração: Seja P (x) = an xn + an1 xn1 + ... +!a1 x + a0 para
p
certos valores de a0 , ..., an ∈ Z, e suponha que P = 0, onde p e
q
q são inteiros e primos entre si (dizer que p e q são primos entre sí
é o mesmo que dizer que mdc(p, q) = 1).
46
Multiplicando ambos os membros por q n , temos:
!
p
P =0
q
!n !n−1 !
p p p
⇒an + an−1 + ... + a1 + a0 = 0
q q q
!n !n−1 !
p p p
⇒q n · an + an−1 + ... + a1 + a0 = 0
q q q
! ! !
pn pn−1 p
⇒an · q n + an−1 · q n + ... + a1 · q n + a0 · q n = 0
qn q n−1 q
47
com p e q inteiros e primos entre si. O teorema nos diz que p é um
divisor de 3 e q é um divisor de 1. Com isso, temos que p = 1, −1, 3
p
ou −3 e q = 1 ou −1. Consequentemente, temos que = 1, −1, 3
q
ou −3. A partir disso, podemos testar qual desses números é uma
raíz de P (x), da seguinte forma:
P (1) = 13 − 4 · 12 + 2 · 1 + 3 = 1 − 4 + 2 + 3 = 2
P (−1) = (−1)3 − 4 · (−1)2 + 2 · (−1) + 3 = −1 − 4 − 2 + 3 = −4
P (3) = 33 − 4 · 32 + 2 · 3 + 3 = 27 − 4 · 9 + 6 + 3 = 27 − 36 + 6 + 3 = 0
P (x) = (x − 3) · (x2 − x − 1)
48
divisor de 1. Com isso, p ∈ {±1, ±2, ±3, ±6} e q ∈ {±1}. Fa-
zendo todas as combinações possíveis, chegamos à conclusão de que
p
∈ {±1, ±2, ±3, ±6}. Substituindo esses valores na equação dada,
q
percebemos que x = 1 é uma solução. Então x3 − 6x2 + 11x − 6
é divisível por x − 1. Efetuando essa divisão com o Dispositivo de
Briot-Ruffini, temos:
1 −6 11 −6
1 1 −5 6
1 −5 6 0
49
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
4. Fatore:
a) 15x4 − 10x3 + 25x2
b) x2 + 12x + 20
c) 9x2 − 25y
d) 3(x + 3)2 (x − 8)4 + 4(x + 3)3 (x − 8)3
50
8. N (ITA - 2005) No desenvolvimento de (ax2 − 2bx + c + 1)5
obtém-se um polinômio cujos coeficientes somam 32. Se 0 e
−1 são raízes de p(x), então a soma a + b + c é igual a:
1 1 1 3
a) − b) − c) d) 1 e)
2 4 2 2
9. N Dos polinômios abaixo, o que pode ser identicamente nulo
é:
a) P (x) = (a2 − 4)x2 + (b − 1)x + (a + 1)
b) P (x) = (b − 2)x2 + (a − 1)x + (b + 2)
c) P (x) = (a2 + 4)x2 + bx
d) P (x) = (b − 1)x2 + 3x + (b − 1)
e) P (x) = (b + 2)x2 + (a − 2)x + b2 − 4
51
(Dizer que P (x) é de grau mínimo significa que P (x) é o po-
linômio de menor grau que atende às condições estabelecidas).
52
Dicas e Soluções
3. A não é múltiplo de B.
6. c) -28.
7. b) 114.
1
8. a) − .
2
9. e). Basta que b = −2 e a = 2.
10. m = −4.
13. mn = −84.
53
17. Se x é raíz de multiplicidade 3, então (x − 0)3 = x3 |P (x).
Divida P (x) por x3 usando o Método da Chave, o resto obtido
nessa divisão deve ser zero. Igualando o resto a zero você terá
um sistema de equações, de onde são obtidos os valores de a, b
e c. Para conferir se os valores encontrados estão corretos,
substitua-os em P (x) e efetue novamente a divisão por x3 . O
resto dessa última divisão deve ser zero e o quociente Q(x)
deve ser tal que Q(0) 6= 0 (pois se Q(0) = 0, então x = 0 seria
uma raíz de multiplicidade maior do que 3).
18. b) 37.
19. a) -2.
54
Aula 3
Relações de Girard
Gustavo Rodrigues da Silva
3.1 Introdução
Nessa aula estudaremos o conceito, a forma de obtenção e as
aplicações das Relações de Girard: relações entre as raízes de uma
equação polinomial e seus coeficientes.
Como vimos anteriormente, podemos determinar a soma e o pro-
duto das raízes de uma equação polinomial do segundo grau, mesmo
sem conhecê-las. De início, vamos recordar a obtenção desse resul-
tado, enunciando também as Relações de Girard para uma equação
polinomial de grau 2.
55
Desenvolvendo o produto do lado direito da igualdade, temos que:
ax2 + bx + c = a(x2 − x · x2 − x · x1 + x1 x2 )
= a[x2 − (x1 + x2 )x + x1 x2 ]
= ax2 − a(x1 + x2 )x + ax1 x2
b
b = −a(x1 + x2 ) ⇒ − = x1 + x2
a
c
c = ax1 x2 ⇒ = x1 x2
a
Assim, obtemos as relações de soma e produto das raízes, que tam-
bém podemos chamar de Relações de Girard para uma equação
polinomial de grau 2.
A fim de ilustrar melhor a estrutura das Relações de Girard fare-
mos, na próxima seção, um procedimento similar para encontrarmos
essas relações em uma equação polinomial de grau 3.
56
Se igualarmos termo a termo, obtemos as igualdades:
b
b = −a(x1 + x2 + x3 ) ⇒ − = x1 + x2 + x3
a
c
c = a(x1 x2 + x1 x3 + x2 x3 ) ⇒ = x1 x2 + x1 x3 + x2 x3
a
d
d = ax1 x2 x3 ⇒ − = x1 x2 x3
a
E assim obtemos as Relações de Girard para uma equação polino-
mial de grau 3.
3.4 Generalização
Para facilitar o entendimento das Relações de Girard, podemos
pensar que, para uma equação de grau 2, temos a soma das raízes
separadamente, depois a soma das raízes aos pares, o que coincide
com o produto das raízes. Para uma equação de grau 3, temos a
soma das raízes separadamente, depois a soma das raízes aos pares,
e depois a soma das raízes aos trios, o que coincide com o produto
das raízes.
Sendo assim, para a equação ax4 + bx3 + cx2 + dx + e = 0, de
grau 4 e raízes x1 , x2 , x3 e x4 , temos:
b
x1 + x2 + x3 + x4 = −
a
c
x1 x2 + x1 x3 + x1 x4 + x2 x3 + x2 x4 + x3 x4 =
a
d
x1 x2 x3 + x1 x2 x4 + x1 x3 x4 + x2 x3 x4 = −
a
e
x1 x2 x3 x4 =
a
E isso pode ser extendido para equações polinomiais de qualquer
grau, sempre dividindo os coeficientes b, c, d, e... por a e fazendo a
alternância de sinais.
Exemplo 3.1. Seja a equação 2x4 + 3x2 + 8x + 1 = 0, com as
raízes x1 , x2 , x3 e x4 . Determine os valores numéricos das Relações
de Girard para essa equação.
57
Solução.
b 0
x1 + x2 + x3 + x4 = − =− =0
a 2
c 3
x1 x2 + x1 x3 + x1 x4 + x2 x3 + x2 x4 + x3 x4 = =
a 2
d 8
x1 x2 x3 + x1 x2 x4 + x1 x3 x4 + x2 x3 x4 = − = − = −4
a 2
e 1
x1 x1 x3 x4 = =
a 2
Veja que as Relações de Girard são importantes, pois permitem
a obtenção de resultados acerca de uma equação mesmo sem antes
conhecermos suas soluções.
Exemplo 3.2. Determine uma equação de grau 3 cujas raízes sejam
1, 2 e 3.
Solução. Resolveremos esse problema de duas maneiras diferentes.
A primeira maneira é a que segue.
Como já vimos, podemos escrever a equação do terceiro grau
ax3 + bx2 + cx + d = 0 como a(x − x1 )(x − x2 )(x − x3 ) = 0, onde x1 ,
x2 e x3 são as raízes. Como temos as raízes 1, 2 e 3, vamos substituí-
las no lugar de x1 , x2 e x3 , respectivamente. Assim, obtemos:
x3 − 6x2 + 11x − 6 = 0
58
Outra forma de resolvermos o problema é utilizando as Relações
de Girard, como faremos a seguir.
Sabemos que x1 = 1, x2 = 2 e x3 = 3 são as raízes da equação
que queremos determinar. Então, usando as Relações de Girard
temos:
b
− = x1 + x2 + x3 = 1 + 2 + 3 = 6
a
c
= x1 x2 + x1 x3 + x2 x3 = 1 · 2 + 1 · 3 + 2 · 3 = 2 + 3 + 6 = 11
a
d
− = x1 x2 x3 = 1 · 2 · 3 = 6
a
Note que temos 3 igualdades para determinar 4 incógnitas (a, b, c e
d). Então precisamos inicialmente estabelecer um valor para uma
delas para, em seguida, determinar as outras. Note que a maneira
mais fácil de fazermos isso é estabelecendo um valor para a. Então,
para simplificar as expressões, consideremos a = 1. Dessa forma,
temos b = −6, c = 11 e d = −6. Com isso, temos a equação:
Veja que essa última equação também possui como raízes os números
1, 2 e 3.
Exemplo 3.3. Resolva a equação polinomial x3 + 4x2 + x − 6 = 0
sabendo que umas de suas raízes é 1.
Solução 1: Sejam x1 , x2 e 1 as raízes da equação dada. Pelas
Relações de Girard temos:
b 4
x1 + x2 + 1 = − = − = −4 ⇒ x1 + x2 = −5 (3.1)
a 1
59
c 1
x1 x2 + x1 · 1 + x2 · 1 = = = 1 ⇒ x1 x2 + x1 + x2 = 1 (3.2)
a 1
d −6
x1 x2 · 1 = − =− = 6 ⇒ x1 x2 = 6 (3.3)
a 1
Note que, com as equações (1) e (3), já podemos concluir que as
outras soluções procuradas são x1 = −2 e x2 = −3.
x3 + 4x2 + x − 6 x − 1
− x3 + x2 x2 + 5x + 6
5x2 + x
− 5x2 + 5x
6x − 6
− 6x + 6
0
60
Solução. Primeiramente, somando as frações temos o seguinte:
1 1 1 C B A
+ + = + +
AB AC BC ABC ABC ABC
A+B+C
=
ABC
Repare que A + B + C e ABC são valores que podem ser determi-
nados com as Relações de Girard para uma equação polinomial de
grau 3, da seguinte forma:
b 0
A+B+C =− =− =0
a 5
d 12
ABC = − = −
a 5
Com isso, temos:
1 1 1 A+B+C
+ + =
AB AC BC ABC
0
=
12
−
5
=0
61
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
L M N P
+ + + .
MNP LN P LM P LM N
62
9. N Determine os valores de m e n na equação x2 + (m − n +
2)x + n + 1 = 0 para que a mesma tenha raízes nulas.
10. N Calcule o valor de m na equação x2 − 6x + 2m = 0, de modo
que uma de suas raízes seja o dobro da outra.
11. N Determinar a equação do 2o grau para a qual uma das raízes
é o triplo da outra e a soma dos quadrados das raízes é 40.
12. N Determine m na equação 3x2 − 2x + 5m = 0, de modo que
a diferença entre suas raízes seja 1.
13. N Os três números distintos a, b, c verificam as igualdades:
3
a + pa + q = 0
b3 + pb + q = 0
c3 + pc + q = 0
Prove que a + b + c = 0.
14. (ITA) As raízes da equação de coeficientes reais x3 + ax2 +
bx + c = 0 são inteiros positivos consecutivos. A soma dos
quadrados dessas raízes é igual a 14. Determine o valor de
a2 + b2 + c2 .
15. Determine o valor da soma a + b para que as raízes do
polinômio 4x4 −20x3 +ax2 −25x+b = 0 estejam em progressão
1
aritmética de razão .
2
16. Determine k na equação x2 + kx + 36 = 0, de modo que a
soma dos inversos de suas raízes seja igual a 512.
17. Dada a equação 2x2 + 8x + k = 0, determine o valor de k de
modo que a soma dos quadrados de suas raízes seja igual a 7.
18. Considere a equação x2 − mx + 1 = 0 cujas raízes são a e b
reais e desiguais. Componha a equação do 2o grau que admita
as raízes a + 1 e b + 1.
63
19. Sejam a e b as raízes da equação 2x2 −3x+k = 0. Determine
k de modo que a3 + b3 = −2438.
20. F Provar que a condição para que uma raíz de ax2 +bx+c = 0
(n + 1)2
seja n vezes a outra é b2 = ac.
n
64
Dicas e Soluções
1. k = 3.
4. a = −24.
5. c) 4 e 2.
9. m = −3 e n = −1.
10. m = 4.
11. x2 + 8x + 12 = 0 e x2 − 8x + 12 = 0.
1
12. m = − .
12
13. Dica: c3 − d3 = (c − d)(c2 + cd + d2 ).
14. a2 + b2 + c2 = 193.
15. a + b = 41.
16. k = −18432.
17. k = 9.
18. x2 − (m + 2)x + m + 2 = 0.
65
261
19. k = .
18
20. Dica: sejam as raízes x1 e x2 , então x1 = nx2 ; use as Relações
de Girard com essas raízes.
66
Aula 4
Revisão - Aulas 1, 2 e 3
Gustavo Rodrigues da Silva
Matheus Kinceski
(a) 5.
√
(b) 3 6.
√
(c) 2 6.
√
(d) 7 5.
√
(e) 6 3.
4x2
2. Encontre todas as soluções reais de: x2 + = 12.
(x − 2)2
(a) 0.
(b) 1.
67
(c) 2.
1
(d) .
2
(e) Impossível determinar sem conhecer o valor de α.
q √
4. Resolva a equação 5− 5 − x = x, com 0 < x < 5.
(x2n+1 + x)(x2n+1 −
2. (EPCAR - 2012 - Adaptado) Simplifique a expressão:
(xn + x)2 − x2n
com x 6= 0.
3. (CN) Numa divisao polinomial, o dividendo, o divisor, o quo-
ciente e o resto são respectivamente: 4x3 + ax2 + 19x − 8, 2x −
b, 2x2 − 5x + 7 e -1. A soma dos valores de a e b é igual a:
(a) -14.
(b) -13.
(c) -12.
(d) -11.
(e) -10.
4. De uma cartolina quadrada de 50cm de lado, retira-se um
quadrado, de cada um dos cantos, de lado xcm, sendo 0 <
x < 25cm. Determine:
68
(a) A expressão que determina a área da cartolina após os
cortes.
(b) A expressão que determina o volume da caixa obtida.
(c) A área e o volume da cartolina se x = 5cm.
69
Dicas e Soluções
1 Álgebra - Equações do Segundo Grau
√
1. b) 3 6.
n √ √ o
2. S = −1 + 5, −1 − 5 .
2 Álgebra - Polinômios
1. b) 9.
3. d) -11.
70
Aula 5
Números Complexos
Gustavo Rodrigues da Silva
5.1 Introdução
Nesta aula, estudaremos os Números Complexos. Apresenta-
remos, inicialmente, a forma algébrica, as operações básicas nessa
forma e as classificações dos números complexos. Em seguida, serão
abordadas as equações do segundo grau com soluções imaginárias,
a interpretação geométrica dos números complexos, a definição e as
propriedades do conjugado e as potências da unidade imaginária,
apresentando sua periodicidade. Por fim, será apresentada a forma
trigonométrica de um número complexo, bem como as operações
básicas nessa forma.
71
a + bi. Nesse caso, dizemos que a é a parte real de z e b é a parte
imaginária. Denotamos por a = Re(z) e b = Im(z). Chamamos
z = a + bi como a forma algébrica de z.
Exemplo 5.1. Seja z = (3 + i)2 + 5i + 2. Escreva z na sua forma
algébrica.
Solução.
z = (3 + i)2 + 5i + 2
= 32 + 2 · 3 · i + i2 + 5i + 2
√
= 9 + 6i + ( −1)2 + 5i + 2
= 9 + 6i − 1 + 5i + 2
= 10 + 11i
72
Exemplo 5.2. Sejam z1 = 3 + 5i, z2 = 8 − 2i e z3 = 3i. Determine
o valor de z1 + z2 + z3 .
Solução.
z1 + z2 + z3 = 3 + 5i + 8 − 2i + 3i
= 11 + 6i
73
5.3.3 Divisão Entre Números Complexos
Primeiro, vamos definir o conjugado de um número complexo:
Definição 5.7 (Conjugado de um Número Complexo). O conju-
gado de um número complexo z é denotado por z. Se z = a + bi,
então z = a − bi.
Seja o número complexo z = a + bi, onde a, b ∈ R e i é a unidade
imaginária. Note que, ao efetuar a multiplicação z · z, temos:
z · z = (a + bi)(a − bi)
= a2 − (bi)2
= a2 − b2 (i2 )
= a2 − b2 (−1)
= a2 + b2
74
Definição 5.8 (Divisão de Números Complexos). Se c + di 6= 0,
temos:
!
a + bi ac + bd bc − ad
= 2 + i
c + di c + d2 c2 + d2
75
complexo. Então, o conjunto do reais está contido no conjunto dos
complexos. Simbolizamos por R ⊂.
Agora, vamos às classificações dos números complexos. Um nú-
mero complexo pode ter três classificações: real, imaginário e ima-
ginário puro. Seja o número complexo z = a + bi. A classificação de
z ocorre da seguinte forma:
1. z seja real.
Solução. Para que z seja real, precisamos que Im(z) = 0, ou
seja:
2k + 3 = 0 ⇒ 2k = −3
3
⇒k=−
2
3
Portanto, para que z ∈ R, basta que k = − .
2
76
Im(z) 6= 0 e Re(z) = 0. Então temos:
2k + 3 6= 0 ⇒ 2k 6= −3
3
⇒ k 6= −
2
3 − 5m = 0 ⇒ −5m = −3
3
⇒m=
5
3
Portanto, para que z seja imaginário puro, temos que k 6= −
2
3
em= .
5
Exemplo 5.6. (UFPA) Qual é o valor de m para que o produto
(2 + mi)(3 + i) seja imaginário puro?
Solução. Primeiro, vamos efetuar a multiplicação e escrever o re-
sultado na forma algébrica:
(2 + mi)(3 + i) = 2 · 3 + 2i + 3mi + mi2
= 6 + (2 + 3m)i − m
= (6 − m) + (2 + 3m)i
Agora, para que o produto seja imaginário puro, queremos que sua
parte real seja nula, e sua parte imaginária, não-nula. Então temos:
6−m=0⇒m=6
2
2 + 3m 6= 0 ⇒ 3m 6= −2 ⇒ m 6= −
3
Ou seja, basta que m = 6.
77
com discriminante negativo. Como vimos na aula sobre Equações
do Segundo grau, se o discriminante de uma equação é negativo,
não temos soluções reais para essa equação. Por outro lado, temos
as soluções imaginárias, como veremos no exemplo que segue.
Exemplo 5.7. Encontre as soluções da equação x2 + x + 1 = 0.
Solução. Primeiro, vamos determinar o discriminante da equação
dada:
∆ = b2 − 4ac
= 12 − 4 · 1 · 1
=1−4
= −3
78
1
Assim, obtemos as duas soluções imaginárias da equação dada: − −
√ √ 2
i 3 1 i 3
e− + .
2 2 2
De forma geral, sempre que uma equação quadrática tiver o dis-
criminante negativo, podemos prosseguir com a Fórmula de Bhás-
kara, usar a propriedade da radiciação
√ mencionada na solução acima
e efetuar a substituição i = −1. Dessa maneira, determinamos as
soluções imaginárias de uma equação quadrática.
79
possui os números imaginários puros. A distância do ponto z à ori-
gem é chamada de "módulo de z" e denotada por |z|. Além disso, o
ângulo θ é chamado de "argumento de z" e denotado por arg(z).
Note que, usando o Teorema de Pitágoras, temos que:
p
|z|2 = a2 + b2 ⇒ |z| = a2 + b2
80
Figura 5.2: O número complexo z = a + bi e o seu conjugado z =
a − bi no plano complexo.
81
validade pelo menos uma vez antes de conferir a demonstração.
O conjugado de z é z, ou seja, z = z. Por isso dizemos que z e
z são mutuamente conjugados. Por definição, o conjugado de z é
z = a − bi. Com isso, o conjugado de z é z = a − (−bi) = a + bi.
Portanto, z = z.
O módulo de z é igual ao√módulo de z, ou seja, |z| = |z|. Como
vimos anteriormente, |z| = a2 + b2 . Pela definiçãopde módulo de
2 2
√ número complexo, também temos que |z| = a + (−b) =
um
2 2
a + b = |z|.
z = z ⇔ z ∈ R.
82
z1 + z2 = z1 + z2 .
z1 + z2 = (a1 + b1 i) + (a2 + b2 i)
= (a1 + a2 ) + (b1 + b2 )i
= (a1 + a2 ) − (b1 + b2 )i
= (a1 − b1 i) + (a2 − b2 i)
= z1 + z2
z 1 · z2 = z1 · z2 .
z1 · z2 = (a1 + b1 i)(a2 + b2 i)
= a1 a2 + a1 b2 i + a2 b1 i + b1 b2 i2
= (a1 a2 − b1 b2 ) + (a1 b2 + a2 b1 )i
= (a1 a2 − b1 b2 ) − (a1 b2 + a2 b1 )i
z1 · z2 = (a1 − b1 i) · (a2 − b2 i)
= a1 a2 − a1 b2 i − a2 b1 i + b1 b2 i2
= (a1 a2 − b1 b2 ) + (a1 b2 + a2 b1 )i
Ou seja, z1 · z2 = z1 · z2 .
z1 z1
= . Exercício.
z2 z2
Um fato importante sobre as raízes imaginárias de uma equação
do segundo grau, que envolve o conjugado de um número complexo,
será mostrado com a próxima proposição.
Se z é solução de uma equação quadrática, então z também é.
Sejam a equação quadrática ax2 + bx + c = 0 e o número imaginário
z = p + qi, onde z é solução da equação dada. Primeiramente, se a
equação em questão admite solução imaginária, então
√ seu √discrimi-
nante é negativo. Sendo assim, podemos escrever ∆ = i h, com
83
h > 0. Então, sejam x1 e x2 as soluções da equação dada. Usando
a Fórmula de Bháskara, temos que x1 e x2 são da forma:
√ √
−b − ∆ −b i h
x1 = = −
2a√ 2a 2a
√
−b + ∆ −b i h
x2 = = +
2a 2a 2a
Sem perda de generalidade, podemos assumir z = x1 . Então temos
que:
z = x1
√
−b i h
= −
2a 2a
√
−b i h
= +
2a 2a
= x2
Ou seja, concluímos que z é a outra solução da equação inicial.
84
Exemplo 5.9. Determine i37 .
Solução. Fazendo a divisão de 37 por 4, obtemos o resto 1. Isso
significa que i37 = i1 = i.
Reconhecer esse tipo de repetição em potências é muito impor-
tante. Encontramos a necessidade disso em outras situações tam-
bém, como veremos no exemplo que segue.
Exemplo 5.10. Determine (1 + i)25 .
Solução. Primeiramente, note que (1 + i)2 = 12 + 2i + i2 = 1 + 2i −
1 = 2i. Usaremos isso para determinar (1+i)25 com mais facilidade.
Veja que podemos decompor (1 + i)25 da seguinte forma:
(1 + i)25 = 212 · 1 · (1 + i)
= 212 · (1 + i)
= 212 + 212 i
Observe que, da mesma forma, podemos usar que (1 − i)2
= −2i
para resolver potências desse tipo com expoentes maiores. Ilustra-
remos isso no próximo exemplo, envolvendo também as situações já
vistas anteriormente.
Exemplo 5.11. Calcule i113 · (1 + i)19 · (1 − i)15
Solução. Primeiramente, vamos escrever (1+i)19 e (1−i)15 de uma
forma conveniente e utilizar o fato de que (1 + i)2 = 2i e (1 − i)2 =
−2i. Em seguida, desenvolveremos o produto e escreveremos as
85
potências de i de uma forma conveniente, utilizando o fato de que
i4 = 1, da seguinte forma:
86
Figura 5.3: O número complexo z = a + bi no plano complexo.
z = a + bi ⇒ z = |z|cosθ + |z|senθi
⇒ z = |z|(cosθ + isenθ)
87
seguintes relações, que obtemos logo acima:
a
cosθ =
|z|
b
senθ =
|z|
√ √
3 2 1
Cosseno
2 2 2
88
Figura 5.4: O número complexo z = 2 + 0i no plano complexo.
89
Figura 5.5: O número complexo z = 0 + 3i no plano complexo.
90
Figura 5.6: O número complexo z = 1 + 1i no plano complexo.
91
√
Exemplo 5.15. Escreva o número 1+i 3 na forma trigonométrica:
√
Solução. Representando o número z = 1 + i 3 no plano complexo,
temos:
√
Figura 5.7: O número complexo z = 1 + i 3 no plano complexo.
√
Agora, vamos encontrar |1 + i 3|:
√ q √ √ √
|1 + i 3| = 12 + ( 3)2 = 1 + 3 = 4 = 2
92
[cos(60o ) + isen(60
"
o )] ou
#
√
2π 2π
1 + i 3 = 2 · cos + isen .
3 3
z1 · z2
={|z1 | · [cos(θ1 ) + isen(θ1 )]} · {|z2 | · [cos(θ2 ) + isen(θ2 )]}
={|z1 ||z2 |}{[cos(θ1 ) + isen(θ1 )] · [cos(θ2 ) + isen(θ2 )]}
=|z1 ||z2 | · [cos(θ1 )cos(θ2 ) + sen(θ2 )cos(θ1 )i + sen(θ1 )cos(θ2 )i − sen(θ1 )sen(θ2 )]
=|z1 ||z2 | · {[cos(θ1 )cos(θ2 ) − sen(θ1 )sen(θ2 )] + [sen(θ2 )cos(θ1 ) + sen(θ1 )cos(θ2 )]i}
=|z1 ||z2 | · [cos(θ1 + θ2 ) + isen(θ1 + θ2 )]
93
Solução. Usando a fórmula obtida, temos:
z1 |z1 |
= · [cos(θ1 − θ2 ) + isen(θ1 − θ2 )]
z2 |z2 |
z·w |z · w|
= · [cos(75o − 45o ) + isen(75o − 45o )]
z |z|
√
2 3
= · [cos(30o ) + isen(30o )]
√ 2
= 3 · [cos(30o ) + isen(30o )]
94
Solução. Aplicando a fórmula da divisão na forma trigonométrica,
temos que:
z |z|
= · [cos(45o − 30o ) + isen(45o − 30o )]
w |w|
2
= √ · [cos(15o ) + isen(15o )]
3
√
2 3
= √ · √ · [cos(15o ) + isen(15o )]
3 3
√
2 3
= · [cos(15o ) + isen(15o )]
3
95
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
96
8. N Encontre números reais x, y, u, v satisfazendo
z =x+i
w = 3 + yi
z+w =u−i
zw = 14 + iv
97
17. Prove que se z é raiz de uma função polinomial p(x) =
an xn + . . . + a1 x + a0 , com a0 , a1 , ..., an reais, então z também
é raiz de p(x).
(a) a = 0.
(b) b = 0.
(c) a 6= 0 e b 6= 0.
(d) a 6= 0 e b 6= 0 e a = ±b.
(e) Nenhuma das alternativas acima.
z |z|
= [cos(α − β) + isen(α − β)].
w |w|
98
(b) Determine quantas raízes tem a seguinte equação:
! !
q
n α + 2kπ α + 2kπ
z= |w| cos + isen .
n n
99
Dicas e soluções
2. i8n+3 + i4n+1 = 0.
6. z = −2i.
(3 + i) · (3 − i) 16 2
7. = + i.
(2 + i) · (3 − 2i) 13 13
8. x = 4, y = −2, u = 7 e v = −5.
√
9. (a) b = 0 ou a = ±b 3.
(b) a = 0.
100
(b) zw = cos(135o ) + isen(135o ).
√ √ !
2 2
(c) zw = − + i
2 2
14. z = 2 − 3i.
1
15. Escreva z + na forma algébrica. O que é necessário para que
z
1
z + seja real?
z
16. Escreva z1 +z2 e z1 ·z2 na forma algébrica. Sabendo que ambos
os números são reais, analise suas partes imaginárias.
101
102
Aula 6
6.1 Introdução
Nesta aula, serão abordadas diferentes maneiras de resolver uma
equação de grau 3 ou grau maior. Algumas dessas maneiras já foram
trabalhadas nas aulas anteriores, outras não. De início, serão lista-
dos os passos para resolver uma equação desse tipo. Depois, cada
passo será trabalhado separadamente em uma seção, com a ajuda
de vários exemplos.
103
as raízes são inteiras, ou se existem duas raízes opostas ou in-
versas, são algumas informações relevantes que indicam o uso
dessas relações;
104
A seguir, cada forma de resolução acima listada será trabalhada
em uma seção separada, com o auxílio de exercícios para exemplificar
cada uma.
105
De maneira geral, as Relações de Girard mostram-se eficientes
para solucionar problemas de equações polinomiais onde já conhe-
cemos algumas informações sobre suas raízes.
Agora que já recordamos a construção das Relações de Girard,
vamos aos exemplos. A seguir, temos exercícios cujas resoluções de-
mandam o uso dessas relações para a obtenção das raízes de equações
de grau maior do que 2.
Exemplo 6.1. As raízes da equação polinomial x3 − 15x2 + 71x −
105 = 0 estão em progressão aritmética. Calcule essas raízes.
Solução. Sejam x1 , x2 e x3 as raízes da equação dada. Se essas
estão em progressão aritmética de razão r, então a1 = a2 − r e
a3 = a2 + r. Com isso, temos que as raízes da equação dada são
a2 − r, a2 e a2 + r. Agora, usando as Relações de Girard para a
soma e o produto das raízes:
b −15
x1 + x2 + x3 = − ⇒ (a2 − r) + (a2 ) + (a2 + r) = −
a 1
⇒ 3a2 = 15
⇒ a2 = 5
d −105
x1 x2 x3 = − ⇒ (5 − r) · 5 · (5 + r) = −
a 1
⇒ (5 − r) · (5 + r) · 5 = 105
⇒ (52 − r2 ) · 5 = 105
⇒ 52 − r2 = 21
⇒ r2 = 4
⇒ r = ±2
Veja que obtemos r = ±2, mas como r é a razão da P.A., deve ser
um número não-negativo. Portanto, temos que r = 2. Com isso, as
raízes são x1 = 3, x2 = 5 e x3 = 7.
Observação: note que, uma vez que as raízes estão em P.A. de
razão r, poderíamos escrevê-las como x1 , x1 + r e x1 + 2r. Porém,
106
ao escrevermos as raízes como x2 − r, x2 e x2 + r, simplificamos as
contas com alguns cancelamentos da constante r.
Exemplo 6.2. (ITA) Seja k ∈ R tal que a equação 2x3 + 7x2 + 4x +
k = 0 possua uma raíz dupla e inteira x1 e uma raíz x2 , distinta
de x1 (ou seja, as raízes são x1 , x1 e x2 ). Determine o valor de
(k + x1 ) · x2 .
Solução. Vamos utilizar as Relações de Girard para a soma e soma
aos pares das raízes:
b 7
x1 + x1 + x2 = − ⇒ 2x1 + x2 = − (6.1)
a 2
c 4
x1 x1 + x1 x2 + x1 x2 = ⇒ x21 + 2x1 x2 = = 2 (6.2)
a 2
7 7
2x1 + x2 = − ⇒ x2 = − − 2x1
2 2
Substituindo x2 em (2):
4 7
x21 + 2x1 x2 = = 2 ⇒ x21 + 2x1 − − 2x1 = 2
2 2
⇒ x21 − 7x1 − 4x21 = 2
⇒ −3x21 − 7x1 − 2 = 0
⇒ 3x21 + 7x1 + 2 = 0
107
lução inteira é x1 = −2. Substituindo x1 na expressão de x2 , temos:
7
x2 = − − 2x1
2
7
= − − 2 · (−2)
2
7
=− +4
2
7 8
=− +
2 2
8−7
=
2
1
=
2
1
Portanto, temos x2 = . Usando novamente as Relações de Girard,
2
dessa vez para o produto das raízes, temos:
d 1 k
x1 x1 x2 = − ⇒ (−2) · (−2) · = −
a 2 2
k
⇒2=−
2
⇒ −k = 4
⇒ k = −4
Finalmente, substituindo os valores em (k + x1 ) · x2 , temos:
1
(k + x1 ) · x2 = (−4 − 2) ·
2
1
= −6 ·
2
= −3
108
4, sobre Números Complexos, sabemos que a seguinte proposição é
verdadeira: Se o número complexo z é raiz de uma função polino-
mial p(x) = an xn + ... + a1 x + a0 , com a0 , a1 , ..., an reais, então z
também é raiz de p(x).
Sabendo disso, quando uma equação tem coeficientes reais e é
dada uma raiz complexa, então o conjugado dessa raíz complexa
também é raíz da equação em questão. Sendo assim, podemos pros-
seguir no problema utilizando as Relações de Girard ou abaixando
o grau da equação com a qual estamos trabalhando.
Veja que, se z = a + bi é raiz de um polinômio p(x), então
z = a − bi também é. Dessa forma, p(x) é divisível por z e por z e,
consequentemente, p(x) será divisível por z · z = a2 + b2 . Com isso,
ao efetuarmos a divisão de p(x) por z · z, obtemos um polinômio
q(x) com dois graus abaixo de p(x).
Agora, vamos às resoluções de alguns exercícios que exigem a
aplicação desses conceitos.
Exemplo 6.3. (ITA 2005 - Modificada) O número complexo 2 + i
é raiz do polinômio f (x) = x4 + x3 + px2 + x + q, com p, q ∈ R.
Sabendo que as demais raízes de f (x) são reais, a alternativa que
mais se aproxima da soma dessas raízes reais de f é:
(a) 4
(b) -4
(c) 6
(d) 5
(e) -5
Solução. Como 2 + i é raíz de f (x) e os coeficientes são todos reais,
então 2 − i também é raiz de f (x). Sejam x1 e x2 as demais raízes.
Usando a Relação de Girard para a soma das raízes, temos:
b 1
x1 + x2 + (2 + i) + (2 − i) = − ⇒ x1 + x2 + 4 = −
a 1
⇒ x1 + x2 = −5
109
Ou seja, a soma das raízes reais de f (x) é igual a x1 + x2 = −5.
Portanto, a alternativa correta é a (e) -5.
Exemplo 6.4. (ITA 2006) Seja p um polinômio com coeficientes
reais, de grau 7, que admite 1 − i como raiz de multiplicidade 2.
Sabe-se que a soma e o produto de todas as raízes de p são, respec-
tivamente, 10 e −40. Sendo afirmado que três raízes de p são reais
e distintas e formam uma progressão aritmética, então, tais raízes
são:
√ √
3 193 3 193
(a) − ,3e + .
2 6 2 6
√ √
(b) 2 − 4 13, 2 e 2 + 4 13.
(c) −4, 2 e 8.
(d) −2, 3 e 8.
(e) −1, 2 e 5.
(1 − i) + (1 − i) + (1 + i) + (1 + i) + (α − r) + α + (α + r) = 10
(1 − i) · (1 − i) · (1 + i) · (1 + i) · (α − r) · α · (α + r) = −40
4 + 3α = 10 ⇒ 3α = 6
⇒α=2
110
Lembremos que (1 + i)2 = 2i e (1 − i)2 = −2i. Usando isso para
simplificar a segunda equação e, sabendo que α = 2, temos:
111
• Equações bicúbicas: são equações da forma ax6 +bx4 +cx2 +
d = 0. Para resolver uma equação assim, podemos efetuar a
substituição de x2 = y, obtendo a equação cúbica ay 3 + by 2 +
cy + d = 0. Após encontrar os valores de y que satisfazem à
essa equação, substituímos os três valores de y encontrados na
igualdade x2 = y, obtendo três equações de grau 2, de onde
descobrimos as 6 soluções da equação do sexto grau.
112
quadrática com a variável y, então temos:
Por outro lado, a mudança de variável necessária pode não ser
tão trivial, como no exemplo que segue.
√
Exemplo 6.7. √
√ Encontre as soluções reais da equação x2 − x + 2+
x2 − x + 7 = 2x2 − 2x + 21.
Solução. Vamos introduzir uma nova variável y = x2 −x+2. Então,
teremos a equação:
√ p p
y+ y+5= y + 17.
113
último, lembremos que y = x2 − x + 2 e, agora que conhecemos y,
podemos determinar os possíveis valores de x da seguinte maneira:
x2 − x + 2 = y = 4 ⇒x2 − x − 2 = 0
114
x3 + 5x2 − 2x − 24 x − 2
− x3 + 2x2 x2 + 7x + 12
7x2 − 2x
− 7x2 + 14x
12x − 24
− 12x + 24
0
Veja que, na divisão de p(x) por x − 2, obtemos o quociente q(x) =
x2 + 7x + 12. Isso significa que podemos escrever p(x) = (x − 2) ·
(x2 + 7x + 12).
Agora, se queremos encontrar as demais raízes de p(x), basta
encontrar os valores de x tais que q(x) = 0, ou seja, as raízes da
equação x2 + 7x + 12 = 0. Usando o Método de Soma e Produto,
queremos encontrar x1 e x2 tais que:
x1 + x2 = −7
x1 x2 = 12
Com isso, temos que x1 = −3 e x2 = −4 são as demais raízes de
p(x).
4
√ 3
Exemplo
√ 6.9. Considere
√ o polinômio p(x) = x − (1 + 2 3)x +
2
(3 + 2 3)x − (1 + 4 3)x + 2.
(a) Determine os números reais a e b tais que p(x) = (x2 + ax +
1) · (x2 + bx + 2).
Solução. Primeiramente, efetuando o produto dos dois fato-
res de p(x), temos:
p(x) = (x2 + ax + 1) · (x2 + bx + 2)
= x4 + (a + b)x3 + (3 + ab)x2 + (2a + b)x + 2
Mas veja √que o valor de√p(x) dado no
√ enunciado é p(x) =
4 3 2
x − (1 + 2 3)x + (3 + 2 3)x − (1 + 4 3)x + 2, então temos:
√ √ √
x4 − (1 + 2 3)x3 + (3 + 2 3)x2 − (1 + 4 3)x + 2
=x4 + (a + b)x3 + (3 + ab)x2 + (2a + b)x + 2
115
Igualando os coeficientes, temos as seguintes equações:
√
a + b = −1 − 2 3 (6.3)
√ √
3 + ab = 3 + 2 3 ⇒ ab = 2 3 (6.4)
√
2a + b = −1 − 4 3 (6.5)
Isolando a em (3):
√ √
a + b = −1 − 2 3 ⇒ a = −1 − 2 3 − b
Substituindo esse valor de a em (5):
√ √ √
2a + b = 1 + 4 3 ⇒ 2(−1 − 2 3 − b) + b = −1 − 4 3
√ √
⇒ −2 − 4 3 − 2b + b = −1 − 4 3
⇒ −b = −1 + 2
⇒ b = −1
Substituindo b = −1 em (4), temos:
√ √
ab = 2 3 ⇒ a · (−1) = 2 3
√
⇒ −a = 2 3
√
⇒ a = −2 3
√
Portanto, temos que a = −2 3 e b = −1.
(b) Determine as raízes de p(x).
Solução. Veja que, no item anterior, vimos que p(x) pode √ ser
escrito como p(x) = (x2 +ax+1)·(x2 +bx+2), com a = −2 3
e b = −1, ou seja:
√
p(x) = (x2 − 2 3x + 1) · (x2 − x + 2).
√
Com isso, temos que p(x) = 0 quando (x2 − 2 3x + 1) = 0
ou (x2 − x + 2) = 0. Com a Fórmula de Bhaskara, √ podemos
√
facilmente ver que a primeira
√ equação tem raízes 3 ± 2, e a
1±i 7
segunda tem raízes . Portanto, as raízes do polinômio
2
p(x) são:
116
√ √
√ √ √ √ 1−i 7 1+i 7
3 − 2, 3 + 2, e .
2 2
117
p ∈ {±1, ±2, ±3, ±5, ±6, ±10, ±15, ±30} e q ∈ {±1}. Com isso, te-
p
mos que ∈ {±1, ±2, ±3, ±5, ±6, ±10, ±15, ±30}. Feito isso, na
q
tentativa de encontrar alguma solução para o problema, devemos
p
substituir cada um dos possíveis valores de na equação dada,
q
como faremos a seguir.
• Substituindo x = −1:
(−1)3 − 6(−1)2 − (−1) + 30 = −1 − 6 + 1 + 30 = 24 6= 0
• Substituindo x = 1:
13 − 6 · 12 − 1 + 30 = 1 − 6 − 1 + 30 = 24 6= 0
• Substituindo x = −2:
(−2)3 − 6(−2)2 − (−2) + 30 = −8 − 24 + 2 + 32 = 0
118
Exemplo 6.11. Resolva a equação 6x3 − x2 − 20x + 12 = 0.
6 −1 − 20 12
2
3 4 2 − 12
6 3 − 18 0
2
3 2
6x − x − 20x + 12 = x − · (6x2 + 3x − 18).
3
119
Fórmula de Bhaskara, temos:
p
−3 ± 32 − 4 · 6 · (−18)
x=
√ 2·6
−3 ± 9 + 432
=
√12
−3 ± 441
=
12√
−3 ± 32 · 72
=
12
−3 ± 3 · 7
=
12
−1 ± 7
=
4
Com isso, temos que as outras raízes que procurávamos são x1 =
−1 − 7 −8 −1 + 7 6 3
= = −2 e x2 = = = . Portanto, concluímos
4 2 4 4 2
que a equação6x3 − x2 − 20x + 12 = 0 possui o conjunto solução
2 3
S= , −2, .
3 2
120
chamados de números recíprocos, o que é o mesmo que dizer que
são inversos.
x4 + 2x2 + 1 = 0 (6.7)
121
Note que, quando organizamos as variáveis conforme a ordem
decrescente da potência, os coeficientes são 1, 2, 3, -3, -2 e
-1. Note que os coeficientes equidistantes dos extremos são
opostos. Com isso, a equação (8) é recíproca de 2a espécie.
Outro exemplo é a seguinte equação:
122
Exemplo 6.14. (ITA 2008) É dada a equação polinomial (a + c +
2)x3 + (b + 3c + 1)x2 + (c − a)x + (a + b + 4) = 0, com a, b, c reais.
Sabendo-se que esta equação é recíproca de primeira espécie e que
1 é uma raiz, então o produto abc é igual a:
(a) -2.
(b) 4.
(c) 6.
(d) 9.
(e) 12.
Solução. Sabemos que uma equação é recíproca de primeira espécie
quando os coeficientes equidistantes dos extremos são iguais e, tendo
a informação de que 1 é raiz da equação dada, temos o seguinte
sistema de equações:
a + c + 2 = a + b + 4
b + 3c + 1 = c − a
(a + c + 2) + (b + 3c + 1) + (c − a) + (a + b + 4) = 0
a + 2b + 5c + 7 = 0 ⇒ a + 2b + 5(b + 2) + 7 = 0
⇒ a + 2b + 5b + 10 + 7 = 0
⇒ a + 7b + 17 = 0
123
Veja que agora temos as equações:
a + 3b + 5 = 0 (6.10)
a + 7b + 17 = 0 (6.11)
a + 7b + 17 = 0 ⇒ (−3b − 5) + 7b + 17 = 0
⇒ 4b + 12 = 0
⇒ 4b = −12
⇒ b = −3
a = −3b − 5 ⇒ a = −3b − 5
⇒ a = −3 · (−3) − 5
⇒a=9−5
⇒a=4
c = b + 2 ⇒ c = −3 + 2
⇒ c = −1
124
• Se n for par: note que se n for par, então temos uma quanti-
dade ímpar de coeficientes do lado esquerdo. Com isso, temos
um coeficiente central. Se a equação p(x) = 0 for recíproca de
primeira ordem, independente do valor do coeficiente central,
temos que -1 e 1 são soluções. Caso p(x) = 0 seja uma equação
recíproca de segunda ordem com o coeficiente central igual a
0, então -1 e 1 serão soluções.
• Se n for ímpar: se p(x) = 0 for de primeira espécie, o valor
-1 é sempre uma solução. Se p(x) = 0 for de segunda espécie,
o valor 1 é sempre uma solução.
Observação: de maneira mais prática, sempre que estivermos di-
ante de uma equação recíproca, os valores 1 e -1 são fortes candi-
datos às soluções dessa equação. Portanto, devemos substituir esses
valores na equação dada para verificar se são raízes.
Exemplo 6.15. Encontre todas as soluções da equação p(x) =
2x3 − 3x2 − 3x + 2 = 0.
Solução. Note que a equação dada possui grau ímpar e é recíproca
de primeira espécie, isso significa que possui -1 como solução. De
fato, pois:
p(−1) = 2 · (−1)3 − 3 · (−1)2 − 3 · (−1) + 2
= −2 − 3 + 3 + 2
=0
Sabendo que -1 é raiz, podemos abaixar o grau da equação dividindo
o primeiro membro por x + 1. Faremos isso utilizando o Método da
Chave:
2x3 − 3x2 − 3x + 2 x + 1
− 2x3 − 2x2 2x2 − 5x + 2
− 5x2 − 3x
5x2 + 5x
2x + 2
− 2x − 2
0
125
Veja que o quociente obtido é q(x) = 2x2 − 5x + 2. Então, podemos
reescrever a equação inicial como:
(x + 1) · (2x2 − 5x + 2) = 0.
Com isso, as demais soluções são as raízes de q(x). Vemos facilmente
1
que q(x) tem raízes 2 e . Portanto, as soluções da equação inicial
2
1
são −1, 2 e .
2
126
Por último, devemos analisar as expressões dentro dos parênteses e
efetuarmos a mudança de variável apropriada. Nesse caso, podemos
1
tomar y = x+ . Com isso, precisamos também escrever a expressão
x
2 1
x + 2 em função de y. Podemos fazer isso da seguinte maneira:
x
2
1 1
y = x + ⇒y 2 = x +
x x
2
1 1
⇒y 2 = x2 + 2 · x · +
x x
1
⇒y 2 = x2 + 2
x2
1
⇒y 2 − 2 = x2 + 2
x
1 1
2
12 · x + 2 − 56 · x + + 89 = 0
x x
2
⇒12 · (y − 2) − 56y + 89 = 0
⇒12y 2 − 24 − 56y + 89 = 0
⇒12y 2 − 56y + 65 = 0
5 13
Da equação quadrática acima, temos que y = ou y = . Recor-
2 6
1
demos que y = x + , então:
x
127
5
• Se y = :
2
5 1 5 x2 + 1
=x+ ⇒ =
2 x 2 x
5
⇒ x = x2 + 1
2
5
2
⇒x − x+1=0
2
13
• Se y = :
6
13 1 13 x2 + 1
=x+ ⇒ =
6 x 6 x
13
⇒ x = x2 + 1
6
13
⇒x2 − x+1=0
6
128
6.9 Resolver Equações do Tipo f (f (f (...(f (x)))) =
x
Se temos uma equação do tipo f (f (f (...(f (x)))))) = x, po-
demos buscar suas raízes de uma maneira relativamente simples,
como segue. Veja que, pela construção dessa função composta, se
f (x) = x, então f (f (x)) = f (x) = x, consequentemente temos
f (f (f (x))) = f (f (x)) = f (x) = x, e assim por diante. Isso quer
dizer que, se x0 é raiz da equação f (x) = x, então x0 também será
raiz da equação f (f (f (...(f (x)))))) = x. Assim, podemos achar raí-
zes dessas funções compostas olhando primeiramente para a raiz de
f (x) = x.
s r q √
Exemplo 6.17. Resolva a equação x = 2+ 2 + 2 + ... 2 + x,
de onde se extrai a raiz quadrada n vezes, com n ≥ 2.
√ q √ √
Solução. Veja que, se x = 2+ x, então 2+ 2 + x = 2+ x = x,
√
e assim sucessivamente. Portanto, se x0 é raiz de x = 2 + x,
também será raiz da equação inicial. Analisemos então as soluções
√
de x = 2 + x:
√ √
x = 2 + x ⇒x − 2 = x
√
⇒(x − 2)2 = ( x)2
⇒x2 − 4x + 4 = x
⇒x2 − 5x + 4 = 0
129
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
(a) 0.
1
(b) .
9
2
(c) .
3
11
(d) .
9
11
(e)
3
2. (Cesgranrio 97) Se a, b e c são raízes da equação x3 − 10x2 −
2x + 20 = 0, então o valor da expressão a2 bc + ab2 c + abc2 é
igual a:
(a) 400.
(b) 200.
(c) -100.
(d) -200.
(e) -400.
130
5
(c) − .
2
11
(d) − .
4
7
(e) − .
2
4. (Mackenzie 98) Na equação x3 − 5x2 + 5x − 2 = 0, de raízes
a, b e c, o produto (a + 2) · (b + 2) · (c + 2) vale:
(a) 45.
(b) 40.
(c) 35.
(d) 30.
(e) 25.
(a) 11.
(b) 13.
(c) 17.
(d) 23.
(e) 29.
131
(b) Encontre o conjunto solução da equação p(x) = 0.
(a) 27.
(b) 54.
(c) 81.
(d) 162.
(e) 12.
132
11. N (Uel 98) Dada a equação x3 + 6x2 − 4x + t = 0, cujos coe-
ficientes são números inteiros, sabe-se que uma de suas raízes
é a média aritmética das outras duas. O produto das raízes
dessa equação é:
(a) 36.
(b) 24.
(c) 12.
(d) -24.
(e) -36
(a) 5.
(b) -7.
(c) -9.
(d) -5.
(e) 9.
133
(b) Mostre que, se a e b são números reais e se não são ambos
nulos, então as raízes da equação x4 + ax + b = 0 não
podem ser todas reais.
134
Dicas e Soluções
11
1. Alternativa (d) .
9
2. Alternativa (d) −200.
5
3. Alternativa (c) − .
2
4. Alternativa (b) 40.
7. (a) a = −3.
(b) S = {−i, i, 1, 2}.
12. S = {1 − i, 1 + i, 2 − i, 2 + i, −3}.
135
14. Alternativa (d) -5.
( √ √ )
−1 + i 11 −1 − i 11
15. (a) S = −1, 2, , .
2 2
(b) Uma dica é supor que p e q são raízes e analisar a fato-
ração da equação dada.
17. x = 3.
1 1
18. S = 2, , 3, .
2 3
( √ √ )
−5 ± i 35 −1 ± i 11
19. S = , .
2 2
n √ √ o
20. S = 1 ± 19, −10 ± 4i 5 .
22.
23.
√ √ √ √ √ √ √ √
24. S = {3, 2+ 7i, 2− 7i, − 2 + 7i, − 2 − 7i}.
25. (a) x = 2.
√
3+ 5
(b) x = .
2
(c) S = {−2, −1}.
(d) Dica: comece reescrevendo o lado esquerdo da equação
como (x9 − 6x6 + 12x3 − 8) + 2. A expressão dentro dos
parênteses pode ser fatorada como (a − b)3 . Em seguida,
você deve manipular a equação obtida de forma a obter
uma equação do tipo f (f (...(f (x)))) = x.
( √ √ )
−1 − i 7 −1 + i 7
Solução: S = 1, , .
2 2
136
Aula 7
Progressões Aritmética e
Geométrica
Gustavo Rodrigues da Silva
7.1 Introdução
Nesta aula, trabalharemos as Progressões Aritméticas (P.A.’s) e
as Progressões Geométricas (P.G.’s). Ao longo da aula, serão apre-
sentadas as definições de cada tipo de progressão, suas classificações
e a dedução de suas fórmulas gerais e das fórmulas para efetuar a
soma dos termos. Além disso, esta aula conta com vários exemplos
para trabalhar a aplicação de cada fórmula demonstrada.
137
termos consecutivos de razão.
Exemplo 7.1. Seja a sequência numérica (2, 5, 8, 11 . . . ). Essa
sequência é uma P.A.?
Solução. Veja que a diferença entre dois termos consecutivos dessa
sequência é 3:
5−2=3
8−5=3
11 − 8 = 3
...
7 − 15 = −8
−1 − 7 = −8
−9 − (−1) = −8
• Se r = 0, a P.A. é constante.
138
7.2.3 Fórmula do Termo Geral de uma P.A.
Seja a seguinte sequência numérica:
a1 , a2 , a3 , a4 . . .
a1
a2 = a1 + r
a3 = a2 + r = a1 + 2r
a4 = a3 + r = a1 + 3r
...
an = a1 + (n − 1)r.
an = ak + (n − k)r.
139
Solução. Primeiro, precisamos encontrar a razão. Veja que a dife-
rença entre dois termos consecutivos é −15 − (−19) = 4. Então, a
P.A. possui razão r = 4. Sabemos que o primeiro termo é a1 = −19.
Com isso, usando a Fórmula do Termo Geral de uma P.A., o n-ésimo
termo será dado por:
an = −19 + 4 · (n − 1) ⇒ an = −19 + 4n − 4
⇒ an = 4n − 23
Exemplo 7.4. Sabendo que o primeiro termo de uma P.A. é a1 =
−8 e o último é a8 = 13, Determine os outros termos da progressão.
Solução. Primeiro, vamos encontrar a razão usando a fórmula do
termo geral:
an = a1 + (n − 1)r ⇒ a8 = −8 + (8 − 1)r
⇒ 13 = −8 + 7r
⇒ 21 = 7r
⇒r=3
140
Solução. Veja que, ao somarmos o primeiro termo com o último,
temos 1 + 100 = 101. Ao somarmos o segundo termo com o pe-
núltimo, temos 2 + 99 = 101. Continuando, temos 3 + 98 = 101,
4 + 97 = 101, e assim sucessivamente. Note que, como a P.A. tem
100 termos, que é uma quantidade par, podemos formar 100 2 = 50
pares de termos desse tipo, cuja soma é sempre 101. Então, a soma
S100 de todos os termos é:
100
S100 = · (1 + 100) = 50 · (101) = 5050
2
Note que, nesse caso, para obtermos a soma de todos os termos,
somamos o primeiro termo com o último e multiplicamos o resultado
obtido por 50, que é a metade do número de termos da P.A..
Exemplo 7.6. Determine a soma de todos os termos da P.A. (1,2,3,
. . . , 99, 100, 101).
Solução 1. Veja que, pelo Exemplo 7.5, conhecemos a soma da
P.A. (1, 2, 3 . . . , 100), que é S100 = 5050. Portanto, para determinar
a soma S101 da P.A. (1, 2, 3, . . . , 101), basta fazermos:
Outra maneira de solucionarmos esse problema é fazendo um ra-
ciocínio semelhante ao feito no Exemplo 7.5, como faremos a seguir.
141
Observação: veja que, na Solução 2, para determinarmos a soma
S100 , somamos o primeiro termo com o último, multiplicamos o re-
sultado obtido por 101-1=100 (onde 101 é a quantia ímpar de ter-
mos) e, por fim, adicionamos o termo central. Perceba que o resul-
tado obtido nas duas soluções foi o mesmo.
+ (an − r)
a2 + an−1 = (a1 + r) = a1 + an
+ (an −
a3 + an−2 = (a1 +
2r) = a1 + an
2r)
+ (an −
a4 + an−3 = (a1 +
3r) = a1 + an
3r)
...
" # " #
n n
a n2 + a n2 +1 = a1 + − 1 r + an − −
1 r = a1 + an
2 2
142
usando a fórmula 7.1 e, por fim, adicionar o último termo an ,
como segue:
(n − 1) · (a1 + an−1 )
Sn = Sn−1 + an = + an
2
Note que an−1 = an − r. Substituindo, temos:
(n − 1) · (a1 + an − r) 2an
Sn = +
2 2
n · (a1 + an ) − nr − a1 − an + r + 2an
=
2
n · (a1 + an ) − nr + (an + r) − a1
=
2
n · (a1 + an ) − nr + an+1 − a1
=
2
n · (a1 + an ) −
nr
+a −
nr
1 + a
1
Sn =
2
n · (a1 + an )
⇒ Sn =
2
143
que Sn = 132, a1 = 2 e an = 2n. Substituindo na fórmula, temos:
n · (2 + 2n)
132 = ⇒ 132 = n · (1 + n)
2
⇒ 132 = n2 + n
⇒ n2 + n − 132 = 0
a1 , a1 + r, a1 + 2r, . . .
• 3 termos: a2 − r, a2 , a2 + r.
144
constante, temos a seguinte lei de formação para os termos de uma
P.G.:
an = an−1 · q
Veja que o termo an é o produto do seu antecessor an−1 pela
constante q, chamada de razão.
145
• Constante: uma P.G. é constante quando a razão é q = 1.
Assim, todos os termos da P.G. são iguais. Por exemplo:
a1
a2 = a1 · q 1
a3 = a2 · q = a1 · q 2
a4 = a3 · q = a1 · q 3
...
an = a1 · q n−1
a1 , a1 q, a1 q 2 , . . . , a1 q n−1 .
Sn = a1 + a1 q + a1 q 2 + . . . + a1 q n−1 .
146
Para determinarmos a fórmula da soma, basta multiplicarmos a
equação acima por q e subtrairmos Sn dos dois lados. Em seguida,
resta isolar Sn novamente, como faremos a seguir:
Sn =a1 + a1 q + a1 q 2 + . . . + a1 q n−1
⇒ Sn q =a1 q + a1 q 2 + a1 q 3 + . . . + a1 q n
2 3
⇒ Sn q − Sn =
a1
q +
a1
q a1
+ q
+ ...+
a1 q n − (a1 +
a1
q +
a12
q + ... + q n−1
a1 )
⇒ Sn · (q − 1) =a1 q n − a1
a1 q n − a1
⇒ Sn =
q−1
a1 · (q n − 1)
⇒ Sn =
q−1
Observação: veja que assumimos q 6= 1 para não termos uma
divisão por zero, que não está definida. Além disso, quando a razão
é q = 1, todos os elementos da P.G. são iguais. Então, nesse caso,
se queremos a soma dos n primeiros termos, basta fazer Sn = a1 · n.
147
Agora, multiplicando ambos os lados da equação acima por 3,
temos: 2
1 1
S∞ · 3 = 3 + 1 + + + ...
3 3
Por fim, vamos subtrair S∞ dos dois lados da última equação e
isolarmos S∞ , como segue:
S∞ · 3 − S∞
" 2 # " 2 3 #
1 1 1 1 1
= 3+1+ + + ... − 1 + + + + ...
3 3 3 3 3
148
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
1. Dada a P.A. (−19, −15, −11, . . .), calcule o seu n-ésimo
termo.
2. Os ângulos de um triângulo estão em P.A., prove que um
dos ângulos é 60o .
3. Calcule a soma dos 1000 primeiros múltiplos positivos de 7.
4. Prove que numa P.A., um termo qualquer é sempre a média
aritmética entre seu sucessor e seu antecessor, e vice-versa.
5. Sejam an e ak termos de uma P.A. com a razão r. Prove a
seguinte igualdade:
an = ak + (n − k)r.
149
Determine o 4o termo da 20a linha.
11. N Se (a, b, c) formam, nesta ordem, uma P.A. e uma P.G. si-
multaneamente, mostre que a = b = c.
150
15. (OCM) Determine a soma dos n primeiros termos da sequên-
cia:
151
Dicas e Soluções
1. an = 4n − 23.
3. S1000 = 3503500.
9. A P.A. procurada é 1, 3, 5, 7, . . ..
11. Dica: sabendo que (a, b, c) é uma P.A. de razão r, temos que
b = a + r e c = a + 2r. Além disso, se (a, b, c) é uma P.G.
de razão q, temos b = aq e c = aq 2 . Com isso, temos duas
igualdades que levam à solução.
152
12. Dica: multiplique os dois lados por c2 + b2 . Use o fato de que
se a, b e c são não-nulos e b2 = ac, então (a, b, c) é uma P.G.
(tente provar essa afirmação).
13. a1 = 315.
15. Sn = 2(n+1) − n − 2.
18. n = 502.
153
154
Aula 8
Revisão - Aulas 5, 6 e 7
Gustavo Rodrigues da Silva
(a) 27.
155
(b) 54.
(c) 81.
(d) 162.
(e) 12.
156
3. (OCM) Determine a soma dos n primeiros termos da sequên-
cia:
Sm m2
4. Numa P.A., tem-se = 2 , sendo Sm e Sn as somas dos
Sn n
m primeiros termos e dos primeiros n termos, respectivamente,
com m 6= n. Prove que a razão da P.A. é o dobro do primeiro
termo.
157
Dicas e Soluções
1 Álgebra - Números Complexos
7 + 9i
1. .
13
2. A forma trigonométrica é z = 211 cos(0) + isen(0) = 211 .
2. S = {1 − i, 1 + i, 2 − i, 2 + i, −3}.
( √ √ )
(−1 + i 3) (−1 − i 3)
3. • Para m = 0, temos S1 = 1, , .
2 2
( √ √ )
(−1 + 21) (−1 − 21)
• Para m = −3, temos S2 = −2, , .
2 2
√ √ √ √ √ √ √ √
4. S = {3, 2 + 7i, 2 − 7i, − 2 + 7i, − 2 − 7i}.
3 Álgebra - Progressões Aritmética e Geométrica
1. Dica: multiplique os dois lados por c2 + b2 . Use o fato de que
se a, b e c são não-nulos e b2 = ac, então (a, b, c) é uma P.G.
(tente provar essa afirmação).
3. Sn = 2(n+1) − n − 2.
158
Aula 9
Princípio da Indução
Finita
Gustavo Rodrigues da Silva
9.1 Introdução
O Princípio da Indução Finita é utilizado como ferramenta de
demonstração. Nesta aula, estudaremos esse princípio e sua aplica-
ção em alguns problemas.
(2 − 8) · 3 = −18 ⇒ −6 · 3 = −18
⇒ −18 = −18
159
2. Começando pelo lado direito:
(2 − 8) · 3 = −18 ⇒ (2 − 8) · 3 = −6 · 3
⇒ (2 − 8) · 3 = (2 − 8) · 3
(2 − 8) · 3 = −18 ⇒ (2 − 8) · 3 + 18 = −18 + 18
⇒ −6 · 3 + 18 = 0
⇒ −18 + 18 = 0
⇒0=0
9.2.2 Motivação
Agora, consideremos o seguinte exemplo:
Exemplo 9.1 (Soma dos n primeiros números naturais). Prove a
seguinte igualdade para todo n ∈ N:
(1 + n) · n
1 + 2 + 3 + . . . + (n − 1) + n = .
2
Veja que 1 é o primeiro valor de n a ser testado, pois é o primeiro
número natural. Para entender melhor o problema, façamos o teste
substituindo n = 1 em ambos os lados da igualdade:
(1 + 1) · 1 2·1
1= ⇒1= =1
2 2
Veja que a igualdade em questão é verdadeira para n = 1. Testemos
agora se o mesmo funciona para n = 2:
(1 + 2) · 2
1+2= ⇒3=3
2
160
Note que, novamente, chegamos a uma igualdade. Ou seja, a
igualdade também é verdadeira para n = 2. Por curiosidade, faça-
mos mais um teste, substituindo n = 3:
(1 + 3) · 3 4·3
1+2+3= ⇒6= =2·3=6
2 2
Veja que, mais uma vez, a igualdade foi verdadeira. Isso nos leva
a pensar que essa igualdade, de fato, deve funcionar para qualquer
valor natural de n.
Porém, e se não for verdadeira para n = 4? Ou ainda, se tes-
tarmos todos os valores naturais até n = 100, o que garante que,
quando substituirmos n = 101, a igualdade também seja verdadeira?
De forma geral, podemos testar a validade da igualdade em ques-
tão para todos os valores naturais até n = k, mas restará ainda
provar para n = k + 1, para n = k + 2 e assim por diante, pois o
conjunto dos naturais tem infinitos elementos.
Visto isso, como fazemos para provar a igualdade do Exemplo
9.1? Uma alternativa é o uso do Princípio da Indução Finita.
161
Figura 9.1: Efeito dominó.
162
Observação: supor que a proposição vale para n = k é o que
chamamos de hipótese de indução.
(1 + n) · n
1 + 2 + 3 + . . . + (n − 1) + n = .
2
• Base: Veja que, como n ∈ N o primeiro valor de n é 1. Ou
seja, a base deve ser feita para n = 1. Como vimos no iní-
cio da aula, essa proposição é verdadeira para n = 1, então
consideramos concluída a etapa da base.
(1 + k) · k
1 + 2 + 3 + . . . + (k − 1) + k = .
2
163
como segue:
1 + 2 + 3 + . . . + k + (k + 1)
=1 + 2 + 3 + . . . + (k − 1) + k + (k + 1)
(1 + k) · k
= + (k + 1)
2
(1 + k) · k (k + 1) · 2
= +
2 2
(1 + k) · k + (k + 1) · 2
=
2
(k + 1) · (k + 2)
1 + 2 + 3 + . . . + k + (k + 1) = .
2
Assim, finalizamos a demonstração e concluímos o Exemplo
9.1.
5k+1 + 2 · 11k+1
164
Para mostrar que 3 divide essa expressão, precisamos eviden-
ciar a expressão 5k + 2 · 11k para substituí-la por 3q com base
na hipótese de indução. Então temos:
165
• Passo indutivo: mostrar que, se a proposição vale para todo
valor de n tal que b ≤ n ≤ k, então valerá para o seguinte, ou
seja, para k + 1.
O princípio da indução matemática é útil em inúmeras situações.
Além de usá-lo quando queremos provar uma igualdade, podemos
usá-lo também com desigualdades, como veremos a seguir.
Exemplo 9.3. Seja a seguinte sequência definida como:
a) Os dois primeiros termos são a1 = 1 e a2 = 3;
b) Cada um dos termos seguintes é definido como sendo igual à
soma dos dois termos anteriores, isto é: an + 2 = an + 1 + an ;
Assim, os primeiros termos desta sequência serão:
1, 3, 4, 7, 11, 18, 29, . . . .
n
7
c) Queremos demonstrar que an ≤ .
4
7 48 7 2
Solução. De fato, temos que a1 = 1 < ; e a2 = 3 = < =
4 16 4
49
.
16
Seja então n > 2 e suponhamos agora que a proposição vale para
todo inteiro positivo menor ou igual a k. Queremos então provar que
k+1
7
ak+1 < .
4
Da hipótese de indução, a afirmação vale para n = k e n = k − 1.
Logo, temos:
k
7
ak ≤ (9.3)
4
k−1
7
ak−1 ≤ (9.4)
4
Somando as inequações 9.3 e 9.4 teremos:
k k−1
7 7
ak + ak−1 ≤ + (9.5)
4 4
166
Mas, sabemos do enunciado por b) que ak+1 = ak + ak−1 . Logo,
substituindo na desigualdade 9.5, temos:
k k−1
7 7
ak+1 ≤ + .
4 4
Por fim, somando as frações do lado direito da desigualdade
acima, temos que:
k
7 7 k−1
ak+1 ≤ +
4 4
k−1 k−1
7 7 7
≤ · +
4 4 4
k−1
7 7
≤ · +1
4 4
k−1
7 11
≤ ·
4 4
11 11 · 4 44 49 7 2
Mas como = = ≤ = , podemos substituir
2
4 4·4 16 16 4
11 7
por na última desigualdade obtida, pois isso não alterará
4 4
a desigualdade (o lado esquerdo continuará sendo menor ou igual que
o direito). Então temos:
k−1 2
7 7
ak+1 ≤ ·
4 4
k+1
7
⇒ak+1 ≤
4
Assim finalizamos a resolução.
Exemplo 9.4. Prove que uma soma arbitrária de n ≥ 8 centavos
pode ser paga com moedas de 3 e 5 centavos (tendo essas moedas
em quantidade suficiente).
Solução. Como 8 = 3 + 5, então a operação é possível para 8. Su-
ponha que m > 8 centavos possam ser pagos. Então, será necessário
provar que m + 1 centavos podem ser pagos dessa maneira.
167
Se a soma de m centavos foi paga utilizando pelo menos uma
moeda de 5 centavos, então substitua esta moeda de 5 centavos por
duas de 3 centavos e a quantia final será m + 1 centavos.
Caso contrário, a soma de m centavos foi paga somente com
moedas de 3 centavos e, como m > 8, há ao menos três moedas de
3 centavos. Troque então três moedas de 3 centavos por duas de 5
centavos e novamente a quantia final de m + 1 centavos desejada foi
obtida.
Exemplo 9.5. A sequência (ai ) é definida por a1 = 0, a2 = 1,
an+2 = 3an+1 − 2an . Encontre uma fórmula explícita para o n-
ésimo termo dessa sequência.
Solução. Vamos calcular alguns termos iniciais na busca de algum
padrão para a fórmula explícita, aquela que depende apenas de n e
não mais de outros termos.
a3 = 3a2 − 2a1 = 3 · 1 − 2 · 0 = 3
a4 = 3a3 − 2a2 = 3 · 3 − 21 = 7
a5 = 3a4 − 2a3 = 3 · 7 − 2 · 3 = 15
a6 = 3a5 − 2a4 = 3 · 15 − 2 · 7 = 31.
a3 = 3 = 2 2 − 1
a4 = 7 = 2 3 − 1
a5 = 15 = 24 − 1
a6 = 31 = 25 − 1
168
Os casos iniciais já estão escritos e validam a conjectura - ou
seja, a base já está feita. Em seguida, vamos supor que tenhamos
a fórmula válida para todo n ≤ k (indução forte). Em particular,
estamos supondo que, para k − 1 e k:
ak−1 = 2k−2 − 1
ak = 2k−1 − 1
Daí,
169
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
1 + 3 + 5 + . . . + 2n − 1 = n2 .
170
∗ → R∗ uma função
7. N (OBM 2003 – 2a fase Nível 2) Seja f : R+ +
x y
tal que f (x) · f (y) − f (x · y) = + quaisquer que sejam os
y x
reais não nulos x e y.
(a) Calcule f (1).
(b) Encontre uma fórmula para f (x).
8. N Mostre, por indução, que 2 + 22 + . . . + 2n = 2n+1 − 2, para
todo n ∈ N.
9. N Considere a sequência definida recorrentemente por an+1 =
3 · an + 4, n ∈ N. Supondo a0 = 0:
(a) Calcule a1 , a2 , a3 , a4 .
(b) Conjecture uma fórmula para an e prove-a por indução.
10. N Prove que
Ou em outra notação:
1 · 1! + 2 · 2! + 3 · 3! + 4 · 4! + . . . + n · n! = (n + 1)! − 1.
b0 , b1 , b2 , . . .?
3n + 1
Prove que bn = .
2
171
13. N Demonstre a validade da seguinte afirmação para n no con-
junto dos naturais:
1 + (1 + 2) + (1 + 2 + 3) + . . . + (1 + 2 + 3 + . . . + n).
172
19. Considere as potências de 2 com expoente inteiro positivo,
ou seja, os números da forma 2n em que n é um inteiro positivo:
prove que toda potência de 2 com expoente inteiro positivo
pode ser escrita na forma 5xy − x2 − 2y 2 , com x e y inteiros
positivos.
20. F
√
(a) Mostre,√por indução em n, que (2 + 3)n é da forma
an + bn 3, com an e bn inteiros, para todo n ≥ 1.
√ √
(b) Prove, por indução em n, que se√(2 + 3)n = an√+ bn 3,
com an e bn inteiros, então (2 − 3)n = cn + dn 3, onde
cn = an e dn = −bn , para todo n ≥ 1.
√ √
(c) Use o item (b) para mostrar que (1 + 3)2n + (1 − 3)2n
é divisível por 2n+1 , para todo n ≥ 1.
√
(d) Deduza que d(1+ 3)2n e é um número divisível por 2n+1 ,
para todo n ≥ 1, onde dxe denota o teto de x, ou seja, o
único inteiro k tal que k − 1 < x ≤ k.
Observação: Uma outra maneira de descrever o teto de
x é a seguinte:
173
Dicas e Soluções
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
174
Aula 10
Recorrências
Gustavo Rodrigues da Silva
10.1 Introdução
175
10.2.1 Sequências Numéricas Sem Regra de Formação
Exemplo 10.1. São exemplos de sequências numéricas sem regra
de formação:
√ 3
• 2, 3, −14, 3, , . . . .
5
• (10, 8, 6, 1006, 1005, . . .).
• (1, 2, 3, 4, . . . , n) ⇒ ak = k;
• (1, 2, 4, 8, . . .) ⇒ ak = 2k − 1
176
Exemplo 10.3 (Forma de Recorrência). Se o termo inicial for T1 =
1, usando a regra de formação Tn = Tn−1 + 2, temos a sequência dos
números ímpares: (1, 3, 5, 7, 9, . . .).
177
10.4 Recorrências Lineares de Primeira Or-
dem
Dizemos que uma recorrência é linear quando seus termos não
possuem expoente maior do que 1 na relação de recorrência.
Exemplo 10.4. São exemplos de recorrências lineares:
• Tn = Tn−1 + 2, com T1 = 2.
• Tn = 3 · Tn−1 , com T1 = 2.
178
Usando a recorrência, podemos escrever os termos assim:
T1 = 4
T2 = T1 + 6
T3 = T2 + 6
...
Tn = Tn−1 + 6
T1 = 4
T2 = T1 + 6
T3 = T2 + 6
...
Tn−1
Tn = + 6
Tn = 4 + 6 · (n − 1).
T1 = 0
T2 = T1 + 1 − 1
T3 = T2 + 2 − 1
...
Tn = Tn−1 + (n − 1) − 1
179
Somando todas as equações, temos os cancelamentos:
T1 = 0
T2 = T1 + 1 − 1
T3 = T2 + 2 − 1
...
Tn−1
Tn = + (n − 1) − 1
Tn = 1 + 2 + . . . + (n − 2)
(n − 2) + 1 · (n − 2)
⇒Tn =
2
(n − 1) · (n − 2)
⇒Tn =
2
Observação: veja que usamos a fórmula da soma dos termos de
uma P.A. na resolução acima.
De modo geral, esse procedimento utilizado nos dois exemplos
anteriores será útil para encontrarmos uma fórmula geral para toda
recorrência desse tipo:
A · Tn = A · Tn−1 + f (n),
180
forma:
X1 = 1
X2 = 2X1 + 1
X3 = 2X2 + 1
...
Xn−1 = 2Xn−2 + 1
Xn = 2Xn−1 + 1
X1 = 1
X2 = 2X1 + 1
X3 = 2X2 + 1
...
Xn−2 = 2Xn−3 + 1
= 22 X
2X n−2 + 1 · 2
n−1
Xn = 2X
n−1 + 1
2n−1 X1 = 1 · 2n−1
2n−2 X2 = 2n−1 X1 + 1 · 2n−2
2n−3 X3 = 2n−2 X2 + 1 · 2n−3
...
22 Xn−2 = 23 Xn−3 + 1 · 22
2Xn−1 = 22 Xn−2 + 1 · 2
Xn = 2Xn−1 + 1
181
Agora, somando todas as equações, temos todos estes cancela-
mentos:
2n−1 X1 = 1 · 2n−1
2n−2 2n−1 X + 1 · 2n−2
X =
1 1
n−3 n−2
1 · 2n−3
2 X3 =
2 X1 +
...
22
X 22
n−2 = n−3 + 1 · 2
X 2
= 22
2X Xn−2 + 1 · 2
n−1
Xn = 2X + 1
n−1
1 · (2n − 1)
Xn = = 2n − 1
2−1
182
a relação:
an−2 → x0 = 1
an−1 → x1 = x
an → x2
183
2
Que nos dá a solução A = −1 e B = , então podemos final-
3
mente escrever an como:
184
Fazendo a segunda equação menos 3 vezes a primeira, temos:
9 · A + 16 · B = 3
−(9 · A + 12 · B = 0)
4·B =3
3
Isso nos dá B = e, consequentemente, A = −1. Assim:
4
3 n
an = −3n + · 4 ⇒ an = 3 · 4n−1 − 3n−1 .
4
185
Problemas Propostos
N F
Fácil Médio Difícil Desafio
Tn+1 = Tn + 5, com T1 = 3.
Tn+1 = 3 · Tn , com T1 = 2.
Xn = 3Xn−1 + 5, com n ≥ 2 e X1 = 2.
186
10. N Encontre o termo geral da seguinte equação recorrente:
2an − 3an−1 = 0, com a0 = 2.
14.
187
17. Para cada n ∈ N, seja an o número de sequências de com-
primento n com elementos do conjunto {0, 1, 2} sem que exis-
tam dois algarismos não nulos consecutivos. Por exemplo,
para n = 2 as sequências que podem ser construídas são
(0, 1), (0, 2), (1, 0), (2, 0), (0, 0) e, como são 5 sequências pos-
síveis, temos a2 = 5.
(a) Verifique que a3 = 5 + 2 · 3.
(b) Mostre que an = an−1 + 2an−2 .
(c) Encontre uma expressão, em função de n, para an .
18. Considere n quadrados dispostos lado a lado, como mostra
a figura:
188
Encontre uma expressão em função de n para an .
(a) Calcule x2 , x3 e x4 .
(b) Verifique que a sequência é estritamente crescente, ou
seja, que xn > xn−1 para todo inteiro positivo n.
(c) Perceba que a sequência parece crescer muito pouco. Após
calcular alguns termos iniciais, poderíamos suspeitar que
nenhum termo excede 2016, mas de fato vamos provar que
existem termos maiores que 2016. Para isso, vamos usar
a sequência auxiliar yn = (xn )3 . Prove que yn > yn−1 + 3
para todo n ≥ 2.
(d) Prove que existe um número N tal que xN > 2016.
189