Admissibilidade de Provas Ilícitas no Penal
Admissibilidade de Provas Ilícitas no Penal
penal
RESUMO
O presente artigo aborda a complexa e polêmica questão da admissibilidade de provas obtidas de
forma ilícita no processo penal brasileiro. A obtenção de provas por meios ilegais, como tortura,
invasão de domicílio sem mandado judicial ou interceptação telefônica não autorizada, levanta um
importante dilema no direito penal: como conciliar a proteção dos direitos fundamentais com a
eficiência e efetividade do sistema de justiça criminal. A Constituição Federal de 1988, em seu
artigo 5º, inciso LVI, estabelece que “são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos”. Contudo, a aplicação prática desse princípio gera discussões tanto na doutrina quanto na
jurisprudência. Este estudo tem como objetivo analisar essa controvérsia à luz das normas
constitucionais brasileiras, da jurisprudência dos tribunais superiores e das teorias doutrinárias que
tratam do tema. Busca-se entender as implicações jurídicas, éticas e sociais da utilização ou rejeição
de tais provas, levando em consideração que o processo penal deve, ao mesmo tempo, garantir a
proteção dos direitos do acusado e assegurar a busca pela verdade real. Além disso, o artigo discute
as exceções ao princípio da inadmissibilidade, como a teoria da "proporcionalidade" e da
"inevitabilidade da descoberta", presentes em alguns ordenamentos jurídicos e ocasionalmente
mencionadas pela doutrina nacional. A análise procura, assim, identificar soluções que equilibrem
a preservação dos direitos fundamentais com a necessidade de efetividade no combate ao crime,
sem que haja violação das garantias constitucionais.
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Palavras chave: provas ilícitas, admissibilidade, direitos fundamentais, processo penal e
efetividade jurídica.
ABSTRACT
The present article addresses the complex and controversial issue of the admissibility of evidence
obtained illegally in Brazilian criminal proceedings. The acquisition of evidence through illegal
means, such as torture, home invasion without a judicial warrant, or unauthorized wiretapping,
raises a significant dilemma in criminal law: how to reconcile the protection of fundamental
rights with the efficiency and effectiveness of the criminal justice system. Article 5, section LVI
of the 1988 Federal Constitution states that "evidence obtained through illegal means is
inadmissible in court." However, the practical application of this principle generates debates both
in legal doctrine and case law. This study aims to analyze this controversy in light of Brazilian
constitutional norms, the jurisprudence of higher courts, and the doctrinal theories that deal with
the subject. It seeks to understand the legal, ethical, and social implications of using or rejecting
such evidence, considering that criminal proceedings must simultaneously ensure the protection
of the accused's rights and the pursuit of the real truth. Furthermore, the article discusses
exceptions to the principle of inadmissibility, such as the theories of "proportionality" and
"inevitable discovery," found in some legal systems and occasionally mentioned by national
scholars. The analysis, therefore, aims to identify solutions that balance the preservation of
fundamental rights with the need for effectiveness in combating crime, without violating
constitutional guarantees.
RESUMEN
Este artículo aborda la compleja y controvertida cuestión de la admisibilidad de las pruebas
obtenidas ilegalmente en los procesos penales brasileños. La obtención de pruebas por medios
ilícitos, como la tortura, el allanamiento de morada sin orden judicial o la interceptación
telefónica no autorizada, plantea un importante dilema en el derecho penal: cómo conciliar la
protección de los derechos fundamentales con la eficiencia y eficacia del sistema de justicia
penal. La Constitución Federal de 1988, en su artículo 5, punto LVI, establece que «las pruebas
obtenidas por medios ilícitos son inadmisibles en el proceso». Sin embargo, la aplicación práctica
de este principio genera discusión tanto en la doctrina como en la jurisprudencia. Este estudio
pretende analizar esta controversia a la luz de las normas constitucionales brasileñas, de la
jurisprudencia de los tribunales superiores y de las teorías doctrinales que tratan del tema. Busca
comprender las implicaciones jurídicas, éticas y sociales de la utilización o rechazo de tales
pruebas, teniendo en cuenta que el proceso penal debe garantizar tanto la protección de los
derechos del acusado como la búsqueda de la verdad real. Además, el artículo analiza las
excepciones al principio de inadmisibilidad, como la teoría de la «proporcionalidad» y la
«inevitabilidad del descubrimiento», presentes en algunos sistemas jurídicos y mencionadas
ocasionalmente por la doctrina nacional. El análisis busca así identificar soluciones que
equilibren la preservación de los derechos fundamentales con la necesidad de eficacia en la lucha
contra la criminalidad, sin violar las garantías constitucionales.
Palabras clave: prueba ilícita, admisibilidad, derechos fundamentales, proceso penal y eficacia
jurídica.
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1 INTRODUÇÃO
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Grinover, Scarance e Magalhães defendem que a ilicitude de uma prova se estende a todas
as demais provas dela decorrentes, tornando inadmissíveis as provas derivadas de atos ilícitos no
âmbito do nosso sistema constitucional.
“As chamadas provas ilícitas não constituem meios de provar a inocência do acusado,
mas colocam em suspeição o julgamento, pelo fato de apontarem para a probabilidade
de existência de conluio entre o juiz e a parte acusatória, prática esta considerada
imprópria pelo Código de Processo Penal. Discute-se que tais provas poderiam, em
casos específicos, anular o julgamento, visto que o direito tutelado tem sido considerado
mais importante que o direito processual, uma vez que se está “em jogo” a liberdade e
inocência dos indivíduos”. (apud. Berleze,2019, p.2).
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A inadmissibilidade de provas ilícitas está diretamente ligada ao respeito à dignidade
humana e à prevenção de abusos pelo poder estatal, equilibrando a necessidade de combater a
criminalidade com a preservação dos direitos individuais.
No entanto, a aplicação prática desse princípio pode ser desafiadora, especialmente
quando a exclusão dessas provas compromete a busca pela "verdade real" no processo penal,
podendo, em certos casos, resultar em absolvição de culpados gerando uma insegurança para a
sociedade.
Nesse sentido, quanto aos sistemas processuais, ensina Antonio Magalhães Gomes
Filho que, na denominada Escola Positiva, que influenciou o Código de Processo Penal
promulgado em 1941, defendia-se o papel de defesa da sociedade atribuído ao direito
penal e ao processo penal. Assim, sustentava-se a busca da “verdade efetiva, material,
histórica”, que constituiria o escopo específico do processo e que se realizaria por meio
do sistema inquisitório. (Vaz. apud. Gomes. 2019).
Esta proibição, presente no art. 5º, inciso LVI, tem como objetivo primordial proteger os
direitos fundamentais e evitar abusos por parte do Estado durante a persecução penal.
A jurisprudência brasileira, especialmente decisões do Supremo Tribunal Federal (STF),
reforça essa orientação, destacando a inadmissibilidade de provas ilícitas como um princípio
fundamental para a preservação das garantias constitucionais.
Portanto, a exclusão de provas ilícitas não apenas resguarda os direitos individuais, mas
também garante que o processo penal não se torne um instrumento de violação de garantias
fundamentais.
Assim, a devida busca por essa verdade não poderá, entretanto, realizar-se
ilimitadamente em relação aos direitos fundamentais da sociedade, pretendendo a
prevenção das atuações arbitrárias originárias do Estado na persecução penal, e na
Constituição Federal de 1988 em ser Art. 5º, LVI, que estabelece serem "inadmissíveis",
no processo, a obtenção de provas através de meios ilícitos. (Avena, 2016).
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No entanto, a evolução tecnológica e a globalização trazem novos desafios à obtenção de
provas e à aplicação das normas sobre admissibilidade.
Tecnologias de vigilância, coleta de dados e a doutrina dos "frutos da árvore envenenada"
introduzem complexidades adicionais na discussão. Há uma necessidade crescente de equilibrar
a eficácia das investigações com a proteção dos direitos individuais.
Como é sabido, vigora no direito processual penal o princípio da verdade real, de tal
sorte que se deve evitar limitação à prova, sob pena de se frustrar o interesse estatal na
justa aplicação da lei. Tanto é verdade essa afirmação que a doutrina e a jurisprudência
são unânimes em assentir que os meios de prova elencados no Código de Processo Penal
são meramente exemplificativos, sendo perfeitamente possível a produção de outras
provas, distintas daquelas ali enumeradas. (Capez. 2024.p.154).
3 DAS PROVAS
De acordo com Capez (2024), o objeto da prova envolve qualquer circunstância, fato ou
alegação relacionados ao litígio que permaneçam incertos e necessitem de comprovação diante
do juiz para que a questão seja adequadamente resolvida.
Quando se está diante de uma lei processual penal como a nossa, que remonta a uma
racionalidade do final do século XIX, início do século XX, e que possui uma inspiração
assumidamente fascista, além de exalar um ranço autoritário, os princípios
constitucionais são imprescindíveis para, através de uma (re)leitura pelo foco
constitucional, tentar compatibilizá-la com as exigências atuais. Trata-se de uma
complexa alquimia para que o CPP tente sobreviver a uma filtragem constitucional, e
isso somente é possível com a estrita observância dos seguintes princípios e garantias.
(Lopes Aury,2019. p.424).
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Compreender a natureza das provas e os princípios que regem sua admissibilidade ajudará
a situar a discussão sobre as limitações e os desafios que envolvem a utilização de provas obtidas
de forma ilegal.
O princípio da liberdade probatória é fundamental nesse cenário, uma vez que ele estipula
que, em regra, todos os meios de prova são aceitos no processo penal, contanto que não estejam
expressamente proibidos pela legislação e que respeitem os direitos fundamentais das partes
envolvidas.
Isso significa que o juiz tem a prerrogativa de considerar qualquer elemento que possa
contribuir para a formação de sua convicção sobre a verdade dos fatos, incluindo testemunhos,
documentos, perícias e outros meios de prova.
Esse princípio, portanto, cria um espaço amplo para a coleta de evidências, mas deve ser
equilibrado com a necessidade de proteção dos direitos individuais, o que é particularmente
relevante quando se discute a admissibilidade de provas ilícitas.
A respeito da prova ilícita, é fundamental entender que essa categoria se refere a qualquer
evidência coletada por meio de violação de normas constitucionais ou legais, comprometendo a
integridade do processo penal.
Exemplos clássicos de obtenção de provas ilícitas incluem tortura, invasão de domicílio
sem autorização judicial e interceptação telefônica não autorizada. Essas práticas não apenas
infringem direitos fundamentais, mas também minam a legitimidade do sistema judiciário.
Nesse diapasão
Prova ilícita é aquela obtida por meio de violação de normas constitucionais ou legais,
como, por exemplo, por meio de tortura ou invasão de domicílio sem ordem judicial. O
artigo 5º, LVI, da Constituição Federal de 1988, prevê que "são inadmissíveis, no
processo, as provas obtidas por meios ilícitos. (Capez, 2024).
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Contudo, a aplicação desse princípio na prática gera discussões intensas. A jurisprudência
brasileira, especialmente em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), reitera que a exclusão
de provas obtidas de forma ilegal é essencial para resguardar direitos constitucionais.
Essa posição é particularmente relevante em um contexto onde práticas abusivas podem
surgir, especialmente em situações de grande comoção social ou quando há pressões para que a
justiça seja "efetiva".
É importante ressaltar que a doutrina dos "frutos da árvore envenenada" se relaciona
diretamente com este debate, uma vez que estabelece que as provas derivadas de uma evidência
ilícita também são inadmissíveis.
Isso implica que, mesmo que uma prova inicial seja obtida de maneira legal, qualquer
outra evidência que resulte dela, se estiver conectada a uma prova ilícita, poderá ser considerada
igualmente inadmissível.
O uso de inteligência artificial (IA) e análise de grandes volumes de dados (big data) na
investigação criminal está se tornando comum.
A coleta e análise desses dados podem resultar em provas obtidas sem o devido processo
legal.
Com o avanço das tecnologias, como o uso de big data e inteligência artificial em
investigações, o debate sobre a admissibilidade de provas obtidas por meios
questionáveis tende a se intensificar. Novas formas de obtenção de provas, como a
vigilância eletrônica e a análise de grandes volumes de dados, exigem uma revisão
constante dos parâmetros legais para garantir que os direitos fundamentais continuem
protegidos. (Ferrajoli, 2016).
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A transparência e o controle são pilares essenciais para a legitimidade dessas tecnologias
no processo penal.
A adoção de um marco regulatório específico, supervisão judicial rigorosa e a
implementação de boas práticas são medidas indispensáveis para evitar a obtenção de provas
ilícitas e assegurar a justiça.
Por fim, Prova Testemunhal:
A prova testemunhal consiste na declaração de uma pessoa, sob juramento, sobre fatos
relevantes para o processo. A testemunha relata aquilo que presenciou ou tem
conhecimento, contribuindo para a formação do convencimento do juiz. O Código de
Processo Penal estabelece regras específicas para a produção dessa prova, incluindo as
condições de admissibilidade e as formas de inquirição. (Lopes, 2018).
Desta forma, o autor destaca que o Código de Processo Penal estabelece normas
específicas que regulamentam a produção desse tipo de prova.
Essas regras incluem condições que determinam quando uma prova testemunhal é
admissível no processo, além de estipular como as testemunhas devem ser inquiridas.
As normas têm o objetivo de garantir que a prova seja colhida de maneira justa e
confiável, preservando tanto os direitos da testemunha quanto os dos envolvidos no processo.
A prova ilícita é considerada inválida e não pode ser utilizada para embasar a condenação
do acusado.
A utilização de provas ilícitas representa uma violação aos direitos fundamentais do
acusado, como o direito à privacidade e o direito ao contraditório.
Neste sentido,
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A inadmissibilidade das provas ilícitas é fundamentada no princípio da proteção aos
direitos fundamentais, que visa evitar abusos por parte do Estado durante a investigação
e persecução penal. Esse princípio é essencial para manter o equilíbrio entre a eficiência
na aplicação da lei e o respeito aos direitos individuais, evitando que o processo penal
seja utilizado como ferramenta de opressão ou injustiça. (Capez, 2017).
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Este comentário ressalta a complexidade da aplicação da doutrina da inadmissibilidade
das provas ilícitas, especialmente em casos onde as provas derivadas de atos ilícitos são
essenciais para a elucidação de crimes graves.
Na ADI 3.685/DF, a relatora Min. Ellen Gracie, julgada em 22/03/2006, obteve em seu
entendimento a garantia individual do eleitor e cláusula pétrea, baseando no princípio da
anterioridade eleitoral, contida no art. 16 da Constituição Federal, e nesse julgamento
especificamente, decidiu que:
[...] Enquanto o art. 150, III, b, da CF encerra garantia individual do contribuinte, (ADI
939, rel. Min. Sydney Sanchez, DJ de 18.03.94), o art. 16 representa garantia individual
do cidadão eleitor, detentor originário do poder exercido pelos representantes eleitos, e
‘a quem assiste o direito de receber, do Estado, o necessário grau de segurança e de
certeza jurídicas contra alterações abruptas das regras inerentes à disputa eleitoras’.
(Turibio Junior. apud. Hobsbawn, 2017, p.61).
Outro sim:
Houve, entretanto, outra classificação acerca dos direitos fundamentais dentro da ordem
cronológica do processo de evolução dos mencionados direitos, e que se dividiram em
três gerações, sendo a primeira: os direitos referidos nas Revoluções americana e
francesa referente ao século XVIII e que representam os direitos às liberdades
individuais, tais como a consciência, reunião e a inviabilidade de domicílio, dentre os
mais relevantes nesse contexto. (Turibio Junior, apud. Ferrajoli, 2016).
No processo judicial, a prova é um conjunto de atos que visa formar a convicção dos
juízes sobre a existência ou inexistência de um crime.
A prova judiciária busca, assim, reconstruir os fatos investigados de forma abrangente.
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Sendo assim, a prova caracteriza-se, consecutivamente, através de um conjunto de atos
que são realizados no processo para obter a certeza acerca de determinado fato, e nota-se, deste
modo, que a finalidade principal da prova é convencer o magistrado da causa sobre a existência
ou inexistência sobre o alegado da petição inicial (STJ.2005).
No âmbito do Direito Processual Penal, a prova possui como sua primordial pretensão
dirigir o poder-dever do Estado ao combate dos crimes que se encontram elencados no
Código Penal (CP), bem como nas Legislações Penais Extravagantes, de forma que
sejam aplicadas as sanções cabíveis, quando for comprovada a transgressão (Duclerc,
2016).
No mesmo sentido
Razão pela qual, o processo penal, tendo em vista as vastas consequenciais geradas pelo
intermédio de uma condenação penal, solicita a exigência da materialização das provas,
denominadas como: verdade material, diversamente do processo civil, que obtém a
admissibilidade de uma presunção de veracidade em face aos fatos alegados na peça
introdutiva, quando da ausência de impugnação destes, chamada: verdade formal, de
acordo com Art. 341 do CPP. (Berleze, apud. Lachi, 2019).
Nesse panorama:
[...] Enquanto o processo civil admite uma certeza obtida pela simples ausência de
impugnação dos fatos articulados na inicial (art. 341, CPC/2015), sem prejuízo da
iniciativa probatória que se confere ao julgador, no processo penal não se admite tal
modalidade de certeza (frequentemente chamada de verdade formal, porque decorrente
de uma presunção legal), exigindo-se a materialização da prova. Então, ainda que não
impugnados os fatos imputados ao réu, ou mesmo confessados, compete à acusação a
produção de provas da existência do fato e da respectiva autoria, falando-se, por isso,
em uma verdade material. (Turibio Junior. apud. Pacelli, 2017, p.189).
Primeiramente, o termo "prova" pode ser entendido como o conjunto de atos processuais
realizados para buscar a verdade, o que implica em um processo investigativo que envolve
diligências, depoimentos e coleta de evidências. Isso enfatiza a atividade do juiz em buscar
esclarecer os fatos com base nas informações apresentadas.
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Em um segundo nível de interpretação, a "prova" pode ser vista como o resultado da
atividade probatória, ou seja, as informações e evidências que foram efetivamente coletadas e
apresentadas no processo.
Essa visão ressalta a importância da qualidade e da relevância das provas para a formação
do convencimento do juiz, que deve se basear em elementos que sejam adequados e pertinentes
ao caso.
Nesse sentido,
Jamais pode haver violação da legalidade probatória, ou seja, ainda que a prova seja
atípica, é imprescindível que respeite a base principiológica legal e constitucional
comum a todas as provas. No tensionamento entre a epistemologia e o respeito às regras
do jogo, é importante sempre destacar: há que se buscar um lugar comum, um equilibrio,
mas na falta ou impossibilidade disso, prevalecem sempre as regras do devido processo
e as garantias constitucionais. (Lopes Junior, 2023).
As provas diretas, conforme mencionado, estão diretamente ligadas ao fato que se busca
comprovar.
Elas são, portanto, mais robustas em termos de evidência, pois fornecem uma conexão
imediata e clara entre a prova e o fato em questão.
Exemplos típicos incluem testemunhos que presenciam diretamente o ocorrido,
documentos que confirmam um evento ou gravações que capturam o ato.
Por outro lado, as provas indiretas, também conhecidas como indícios, dependem de uma
relação mais complexa.
Elas não provam diretamente o fato em questão, mas apontam para ele através de
inferências.
A utilização de provas indiciárias é comum em situações onde a prova direta é inexistente
ou insuficiente.
Essas provas são essenciais, especialmente em casos onde a comprovação direta é difícil
ou impossível, como em crimes que ocorrem em locais isolados ou sem testemunhas.
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A referência ao conceito de "prova indiciária" ressalta a importância de considerar não
apenas a evidência em si, mas também o contexto e a interpretação que podem ser dados a essa
evidência.
É uma chamada para que os juristas e operadores do direito tenham cuidado ao avaliar a
relevância e a força probatória das provas indiciárias, uma vez que sua efetividade depende da
capacidade de estabelecer conexões lógicas e racionais com os fatos que se busca provar.
Em suma, a classificação das provas em diretas e indiretas é uma questão crucial no
direito penal, influenciando tanto a investigação quanto a decisão judicial. O uso adequado de
ambas as categorias pode ser determinante para alcançar um veredicto justo e fundamentado.
Relata-se, oportunamente que a prova também pode ser classificada de forma direta ou
indireta, sendo que no primeiro caso, a prova relaciona-se direta e imediatamente ao
fato a ser a prova, e num segundo caso, compete a outro fato (indício), por seu lado, está
ligada ao fato a ser provado, pois a prova indiciária, no entanto, sempre será
caracterizada como indireta (Rangel, 2023).
Nesse contexto
Tendo em vista esse contexto, argumenta-se que nos termos do Título II da Constituição
Federal de 1988, os direitos fundamentais, se repartem em cinco capítulos, sendo eles:
direitos e garantias individuais e coletivas, nacionalidade, direitos sociais, direitos
políticos e os que direitos que se relacionam aos partidos políticos, e se torna essencial
salientar que o Supremo Tribunal Federal (STF), em diversos casos julgados, decidiu
que os direitos fundamentais não se limitam aos previstos no art. 5° da mencionada
Constituição. (Turibio Junior. apud. Hobsbawn, 2017).
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A Ministra Ellen Gracie comparou essa proteção ao princípio da anterioridade tributária,
contido no art. 150, III, b, da Constituição, que garante ao contribuinte proteção contra a
imposição de novos tributos ou aumento dos existentes sem uma antecedência mínima.
Ela afirmou que, da mesma forma que o princípio tributário protege o contribuinte, o
princípio da anterioridade eleitoral protege o cidadão eleitor, garantindo-lhe um nível adequado
de segurança jurídica quanto às regras das eleições.
Além disso, o texto menciona uma classificação dos direitos fundamentais em três
gerações, baseada na evolução histórica desses direitos: Primeira geração: Referente às
liberdades individuais, como as proclamadas nas Revoluções Americana e Francesa do século
XVIII.
Esses direitos incluem a liberdade de consciência, reunião e a inviolabilidade do
domicílio, entre outros.
Essa classificação ajuda a contextualizar a evolução dos direitos fundamentais, mostrando
como as primeiras demandas por direitos focavam principalmente na liberdade individual e
proteção contra abusos do Estado.
Nesse cenário, as provas desempenham um papel central, sendo o meio pelo qual se
estabelecem os fatos e se atribuem responsabilidades.
A coleta de provas é, portanto, uma etapa crucial no processo penal, pois é a partir dela
que se forma a convicção do juiz e se garante a aplicação da lei.
Contudo, a pressão por uma obtenção rápida e eficaz de provas pode levar à tentação de
adotar práticas que desrespeitem os direitos dos indivíduos, como a obtenção de provas ilícitas,
o que gera um dilema ético e jurídico significativo.
Além disso, o crescente uso de tecnologias avançadas nas investigações, como a
vigilância eletrônica e a coleta de dados, levanta questões adicionais sobre a admissibilidade e a
legalidade das provas obtidas.
Essas tecnologias, embora possam aumentar a eficiência das investigações, também
suscitam preocupações sobre a privacidade e a proteção de dados pessoais, exigindo um rigoroso
controle e supervisão.
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Portanto, a busca pela eficiência no processo penal não deve ocorrer à custa dos direitos
fundamentais.
O desafio reside em encontrar formas de assegurar que a investigação e a punição dos
crimes sejam realizadas de maneira eficaz, mas sempre em conformidade com os preceitos legais
e os direitos dos cidadãos.
Para isso, é fundamental que os operadores do direito, incluindo juízes, promotores e
advogados, estejam conscientes da importância de respeitar as normas que garantem a proteção
dos direitos individuais, promovendo um sistema de justiça que não apenas puna, mas também
respeite os direitos humanos.
A inadmissibilidade das provas ilícitas, embora essencial para a proteção dos direitos
fundamentais, pode ter impacto na efetividade do processo penal, especialmente em
casos complexos onde as provas são escassas. O conflito entre eficiência e legalidade
se intensifica quando a exclusão de uma prova ilícita pode resultar na absolvição de um
réu culpado, levantando questões sobre a justiça do processo. (Duclerc, 2016).
Contudo, a busca pela eficiência pode levar a um dilema ético e jurídico: até que ponto
as autoridades investigativas podem ir para obter provas que levem à condenação de um culpado?
Em situações onde as provas são escassas ou difíceis de obter por meios legais, há uma
tentação, especialmente em casos de grande repercussão, de utilizar métodos que violam direitos
fundamentais, como interceptações sem autorização judicial, invasões de domicílio sem
mandado, ou mesmo a coerção ilegal de testemunhas.
O dilema entre eficiência e legalidade se materializa em casos concretos na jurisprudência
brasileira, onde os tribunais frequentemente se deparam com situações em que a prova obtida
ilicitamente é fundamental para a condenação de um réu.
Por exemplo, há casos onde a jurisprudência admitiu a utilização de provas ilícitas sob a
alegação de que elas eram indispensáveis para evitar a impunidade em crimes graves.
Essa posição, embora controversa, reflete a tensão permanente entre garantir a eficiência
da justiça criminal e manter a observância rigorosa dos direitos fundamentais.
A relativização da inadmissibilidade de provas ilícitas, mesmo em casos excepcionais,
traz implicações profundas para o sistema de justiça. Em primeiro lugar, pode criar precedentes
perigosos, que enfraquecem a proteção dos direitos fundamentais e incentivam práticas
investigativas abusivas.
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Além disso, pode gerar insegurança jurídica, uma vez que as partes envolvidas no
processo penal poderiam questionar a legitimidade das provas e, consequentemente, das decisões
judiciais baseadas nelas.
Por outro lado, a exclusão absoluta de provas ilícitas pode, em alguns casos, resultar na
absolvição de indivíduos que, embora culpados, escapam da justiça devido a falhas no processo
de obtenção de provas. Isso pode gerar frustração na sociedade e na comunidade jurídica, que
espera que o sistema de justiça seja eficaz na punição de crimes.
O conflito entre eficiência e legalidade no processo penal é, portanto, uma questão de
equilíbrio. É necessário que o sistema de justiça penal brasileiro encontre um meio termo que
permita a aplicação eficaz da lei sem comprometer os direitos fundamentais dos indivíduos.
5 CONCLUSÃO
Ao longo deste estudo, constatou-se que a busca pela eficiência na aplicação da justiça
penal, embora crucial para a manutenção da ordem social e a responsabilização de criminosos, não
pode prevalecer sobre o respeito absoluto aos direitos fundamentais garantidos pela Constituição
Federal de 1988.
A inadmissibilidade de provas obtidas de forma ilícita transcende a mera regra processual,
constituindo uma salvaguarda vital contra a arbitrariedade estatal e a violação das liberdades
individuais.
O conflito entre eficiência e legalidade é uma realidade inegável no sistema jurídico
brasileiro.
A solução não reside em sacrificar um princípio em favor do outro, mas sim em encontrar
um equilíbrio que assegure tanto a efetividade do sistema de justiça quanto a proteção dos direitos
fundamentais.
A jurisprudência brasileira, ao admitir a relativização da inadmissibilidade de provas ilícitas
em algumas circunstâncias, reflete as dificuldades práticas desse equilíbrio.
Contudo, essa prática também levanta preocupações, pois a criação de precedentes que
enfraqueçam as garantias constitucionais pode acarretar consequências graves.
Portanto, é imprescindível que essa relativização ocorra com a máxima cautela e apenas em
situações excepcionalmente justificadas.
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Para garantir que a busca pela verdade e pela justiça no processo penal não se desvirtue em
abusos que comprometam a legitimidade do sistema jurídico, o desenvolvimento de mecanismos
de controle rigorosos sobre a atuação das autoridades investigativas é essencial.
Somente assim será possível construir um processo penal que seja eficaz na punição dos
crimes, ao mesmo tempo em que respeita e protege os direitos de todos os cidadãos, promovendo
um sistema de justiça que reflita verdadeiramente os valores do Estado Democrático de Direito.
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