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Radiação Solar e Atmosfera em Portugal

O documento aborda a radiação solar em Portugal, destacando o papel da atmosfera na sua propagação e os fatores que influenciam a sua variação no tempo e no espaço. A radiação solar é essencial para o equilíbrio térmico da Terra e pode ser aproveitada para fins energéticos e turísticos. Além disso, discute a distribuição da radiação solar em diferentes regiões de Portugal, considerando aspectos como latitude, relevo e continentalidade.
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Radiação Solar e Atmosfera em Portugal

O documento aborda a radiação solar em Portugal, destacando o papel da atmosfera na sua propagação e os fatores que influenciam a sua variação no tempo e no espaço. A radiação solar é essencial para o equilíbrio térmico da Terra e pode ser aproveitada para fins energéticos e turísticos. Além disso, discute a distribuição da radiação solar em diferentes regiões de Portugal, considerando aspectos como latitude, relevo e continentalidade.
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Radiação solar em Portugal

Qual a ação da atmosfera sobre a radiação solar?


Espectro eletromagnético - O conjunto de radiações eletromagnéticas, de diversos
comprimentos. A radiação solar propaga-se através de ondas eletromagnéticas. designa-se por
especto eletromagnético.

Radiação solar: energia sob a forma de luz (visível e não visível) emitida pelo sol e recebida
por unidade de superfície.

Comprimento de onda: distancia entre duas cristas consecutivas de uma onde


eletromagnética. Exprime-se em metros, micrómetros ou nanómetros (NM), por exemplo.

A atmosfera desempenha um papel fundamental na quantidade de radiação solar que chega á


superfície.

Esta camada gasosa que envolve a terra é constituída por diferentes gases, de concentração
permanente ou variável

A atmosfera é constituída por:

 Gases de concentração permanente:


Os mais importantes, são cerca de 99.96% que são o azoto, oxigénio, árgon.
Os raros, são menos de 0.1% são néon, hélio, crípton, hidrogénio, xénon,
radão, metano, óxido nitroso e etc.
 Gases de concentração variável:
Os mais importantes são o dióxido de carbono, ozono e vapor de água.

Atmosfera: camada gasosa com cerca de 800-1000 km de espessura, que envolve e protege a
terra e que a acompanha em todos os seus movimentos, devido á força de atração
gravitacional.

Constante solar: quantidade de energia solar recebida no limite superior da atmosfera pela
superfície de 1 cm2, na perpendicular com os raios solares, durante um minuto. Exprime-se em
calorias e o seu valor médio é de cerca de 2 cal/cm2/min.

Apenas 51% de radiação solar que toca o limite superior da atmosfera chega efetivamente á
superfície terrestre. Esse valor constitui a radiação solar global.

Ao atravessar a atmosfera, a radiação solar sofre um conjunto de acidentes de propagação


(absorção, reflexão e difusão) que desviam a sua direção e diminuem a sua intensidade.

Radiação solar global: total de radiação solar que atinge a superfície terrestre de forma direta
ou difusa.

Absorção: parte da radiação solar retida pela atmosfera e que resulta num aumento da
temperatura. Os principais absorventes são:

 Ozono
 Vapor de água
 Dióxido de carbono
 Partículas solidas e líquidas
Reflexão: parte da radiação solar, que, ao incidir sobre um corpo, vai, em maior ou menor
quantidade, sofrer uma mudança de direção que integra o albedo. Albedo é a proporção da
radiação solar refletida por um corpo em relação ao total de energia nele incidente.

Difusão: parte da radiação solar que se dispersa no espaço, numa multiplicidade de direções,
através dos gases e das partículas sólidas e líquidas em suspensão na atmosfera.

30% são perdidos por reflexão/difusão:

- 6% pela atmosfera

- 20% pelas nuvens

- 4% pela superfície terrestre

19% são perdidos por absorção:

-16% pela atmosfera

-3% pelas nuvens

51% são absorvidos pela superfície terrestre (radiação solar global)

Radiação solar direta: radiação solar que atinge a superfície terrestre sem ter sido afetada
pelos constituintes da atmosfera, isto é, sem encontrar obstáculos á sua propagação

Radiação solar difusa: radiação solar que atravessa obstáculos até chegar á superfície da
Terra, chegando indiretamente á superfície terrestre.

Como mantém a Terra o equilíbrio térmico?


O planeta está em equilíbrio térmico, pois, na globalidade, os ganhos de energia são iguais ás
perdas.

Equilíbrio térmico: manutenção de uma temperatura média constante no globo, de cerca 15º
C, em resultado de o sistema Terra-Atmosfera libertar para o espaço a mesma quantidade de
energia que recebe o Sol.
Com efeito, a radiação solar incidente no limite superior da atmosfera (100%) é exatamente
igual ao total de radiação saída para o espaço:

( 6 + 20 + 4 + 6 +38 + 26 = 100% )

Parte da radiação solar global que chega á terra, de pequeno comprimento de onda , é
convertida em energia calorifica de grande comprimento de onda (infravermelha) e emitida
para o espaço – radiação terrestre. Parte desta radiação, ao ser refletida pelas nuvens e pelos
gases da atmosfera, volta á superfície da Terra, a denominada contra radiação. A atmosfera
tem, pois, como uma das funções, a regulação das temperaturas, permitindo o equilíbrio
térmico da terra, através do efeito de estufa.

Radiação terrestre: energia sob a forma de calor emitida pela superfície terrestre para o
espaço (sobretudo de grande comprimento de onda).

Contrarradiação: parte da radiação terrestre que, ao ser refletida pelas nuvens e pelos gases
da atmosfera, volta á superfície da terra. Isto acontece devido aos processos atmosféricos
como a absorção, reflexão e difusão.

Efeito de estufa: aquecimento natural da baixa atmosfera devido á interceção e absorção


pelas nuvens, poeiras e certos gases da radiação infravermelha emitida pela Terra. Os gases
com efeito estufa (CO2) dióxido de carbono e metano, óxido nitroso existem naturalmente na
atmosfera e absorvem parte da radiação terrestre, contribuindo para a regulação da
temperatura do planeta.
Como varia a radiação solar?
Varia no tempo e de lugar para lugar em resultado de um conjunto de fatores.

 Ao longo do dia…
a radiação solar recebida num determinado lugar da superfície varia ao longo do dia, em
consequência do movimento de rotação da Terra, de que resulta o movimento diurno
aparente do sol.

Movimento de rotação: movimento que a terra executa em torno do seu próprio eixo

Movimento diurno aparente do sol: movimento que o sol parece executar ao longo do dia
natural

Dia natural: período em que o sol se encontra acima da linha do horizonte, isto é, o período e
tempo entre o nascer e o por do sol.
 Quanto maior for o angulo de incidência da radiação solar, menor é a quantidade de
radiação solar recebida (A e C) – a área de distribuição dos raios solares é maior, a
radiação recebida é menor; a massa atmosférica atravessada pelos raios solares é
maior, leva a maiores perdas energéticas por absorção, reflexão e difusão.
 Quanto menor for o angulo de incidência da radiação solar, maior é a quantidade de
radiação solar recebida (B) – a área é menor e a radiação é maior; a massa atmosférica
é menor, menos perdas de energia.

Massa atmosférica: espessura da atmosfera que os raios solares atravessam ate atingirem a
superfície terrestre

Angulo de incidência: angulo formado entre o raio incidente e a direção normal


(perpendicular) á superfície.

 Ao longo do ano…
A forma esférica da terra, da inclinação do seu eixo e do movimento de translação dão origem
ao movimento anual aparente do sol.

Movimento de translação: movimento que a terra executa em torno do sol, no sentido direto.
Tem a duração de 365 dias e 6 horas e dá origem á sucessão das estações do ano.
Portugal situa-se na zona temperada do hemisfério norte:

 De dezembro a junho, o dia natural aumenta e o ângulo de incidência dos raios solares
diminui, a quantidade de radiação recebida aumenta
 De junho a dezembro, o dia natural diminui, a radiação recebida diminui

Zénite do Sol – momento em que os raios solares incidem na perpendicular sobre o lugar.

Como varia, no espaço, a radiação solar e insolação?


A quantidade de radiação solar e de insolação recebidas na superfície terrestre varia de lugar
para lugar, em resultado de fatores como a latitude, as características do relevo e a
continentalidade.

 A latitude
Quanto menor for a latitude, menor é o angulo de incidência da radiação solar, o que se reflete
numa maior radiação solar recebia por superfície – os raios solares atravessam uma menor
espessura atmosférica, o que origina menos perdas energéticas, a energia tem de se distribuir
por uma área menor.

 O relevo…

A altitude

A radiação solar recebida aumenta, no geral, com a altitude, uma vez que, com o aumento da
altitude:

 A espessura da atmosfera a atravessar pelos raios solares diminui;


 A quantidade de vapor de água, de dióxido de carbono e de partículas solidas e
liquidas da atmosfera diminuem em altitude, decrescendo a absorção de radiação
solar
 Á medida em que a altitude aumenta, ocorre com frequência um aumento da
nebulosidade, o que origina uma redução de radiação solar e da insolação recebidas.
No entanto, a partir do limite superior das nuvens, a radiação solar e a insolação
recebidas voltam a aumentar com a altitude.

A exposição geográfica das vertentes aos raios solares

Em consequência do movimento de rotação da terra e do movimento diurno aparente do sol,


no hemisfério norte, ao meio dia, o sol indica o sul.

Assim as vertentes expostas a:

 Sul (soalheiras), registam maiores valores de radiação solar e de insolação


 Norte (umbrias), registam menores valores de radiação solar e de insolação
 A continentalidade

O oceano é uma fonte de vapor de água, favorecendo a humidade e a nebulosidade.

Como as nuvens absorvem e refletem parte da radiação solar incidente, as regiões próximas
do mar registam uma menor insolação e uma menor intensidade da radiação solar do que as
regiões de maior continentalidade.

Assim, as regiões do litoral, devido á maior proximidade do mar, registam ao longo do ano
uma maior nebulosidade do que as regiões do interior, pelo que possuem valores menores
de insolação e de radiação solar recebidos.

Como se distribuem a radiação solar e a insolação em Portugal?


 Entre o norte e o sul do continente, verificando-se, no Sul, valores de radiação solar
global e de insolação mais elevados do que no norte

 Entre o litoral ocidental e o interior, pois os valores de radiação solar global e de


insolação são inferiores no litoral e superiores no interior, isto é, aumentam do litoral
para o interior, devido á maior continentalidade
 Entre as áreas de maior e de menor altitude, sendo as regiões de maior altitude, as
que registam menor insolação.

 Nos arquipélagos verifica-se também uma variabilidade espacial da insolação e da


radiação solar. Assim, em ambos os arquipélagos:
o A insolação diminui do litoral para o interior, em virtude da variação da
altitude
o A radiação solar aumenta do litoral para o interior

Como varia no tempo a temperatura?


A variação da temperatura ao longo do dia e ao longo do ano esta relacionada com a
variabilidade diurna e anual da radiação solar e da insolação.

 longo do dia, a variação da temperatura resulta da diferente inclinação dos raios


solares que atingem a superfície terrestre, podendo observar-se que:
o Á medida que o angulo de incidência dos raios solares aumenta a
temperatura diminui
o Á medida que o angulo de incidência dos raios solares diminui a temperatura
aumenta.

Como varia no espaço a temperatura?


Fatores:
 Latitude – quanto menor for a latitude, mais elevadas são as temperaturas desse lugar e
vice-versa.

 Relevo

 Altitude – a temperatura diminui com a altitude


 através da exposição das vertentes em relação aos raios solares – sul (soalheiros)
registam maiores valores de temperatura, a norte (umbrias) registam menores
valores de temperatura
 disposição em relação à linha da costa – a orientação das cordilheiras
montanhosas em relação à linha da costa pode ser um obstáculo (relevo
concordante) á passagem dos ventos húmidos ou favorecer a sua passagem
(relevo discordante)

 Continentalidade através da disposição em relação á linha de costa


o Os oceanos têm um efeito amenizador das temperaturas
o Os continentes aquecem mais depressa do que os oceanos, mas também
arrefecem mais rápido:
 No verão – a água do mar demora mais tempo a aquecer do que a
terra, por isso o litoral é mais fresco do que o interior
 No inverno – a água do mar vai libertando o calor que acumulou no
verão, amenizando as temperaturas, por isso o litoral é mais quente
que o interior.

Como se pode aproveitar a radiação solar?


Portugal, localizado na Europa mediterrânea, a uma menor latitude do que a maioria dos
restantes países europeus, tem um elevado potencial de aproveitamento de radiação solar em
virtude dos maiores níveis de radiação solar global recebidos.

A radiação solar constitui um recurso climático que pode ser aproveitado para fins energéticos
e para a atividade turística.

 Aproveitamento energético – pode possibilitar ao país a diminuição da dependência


energética face ao exterior (redução défice da balança comercial e descarbonização e
diminuição das emissões de gases com efeito estufa)
o Aproveitamento passivo – captação, armazenamento e utilização da energia
solar sem recurso a qualquer dispositivo mecânico e elétrico (arquitetura solar
bioclimática – janelas, paredes, coberturas)
o Aproveitamento ativo – transformação da radiação solar noutras formas de
energia: térmica e elétrica (painéis solares ou coletores)
 Aproveitamento turístico – turismo balnear e outras formas
o O turismo balnear apresenta impactos ambientais negativos devido ao excesso
de consumo de energia, daí a necessidade dos empreendimentos turísticos
terem sistemas de eficiência energética. A sustentabilidade da atividade
turística deverá conciliar a preservação ambiental com o crescimento turístico,
minimizando os impactos ambientais e promovendo benefícios económicos
para as comunidades locais.
 Utilização de lâmpadas economizadoras
 Equipamentos elétricos de classe A ou superior
 Painéis solares para aquecimento da água
 Painéis solares térmicos para aquecimento da água
 Painéis fotovoltaicos para a produção de energia
 Sensores automáticos na iluminação das áreas públicas

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