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Tratamento Contábil de Depósitos em Dólar

O documento aborda o tratamento contabilístico e fiscal de depósitos em moeda estrangeira, especificamente em dólares americanos, por uma entidade sujeita ao IRC. A norma NCRF 23 estabelece que as transações em moeda estrangeira devem ser registradas na moeda funcional (euro) e que as diferenças de câmbio devem ser reconhecidas nos resultados do período. As diferenças de câmbio favoráveis são tributadas, enquanto as desfavoráveis são aceitas para efeitos de IRC.

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Tratamento Contábil de Depósitos em Dólar

O documento aborda o tratamento contabilístico e fiscal de depósitos em moeda estrangeira, especificamente em dólares americanos, por uma entidade sujeita ao IRC. A norma NCRF 23 estabelece que as transações em moeda estrangeira devem ser registradas na moeda funcional (euro) e que as diferenças de câmbio devem ser reconhecidas nos resultados do período. As diferenças de câmbio favoráveis são tributadas, enquanto as desfavoráveis são aceitas para efeitos de IRC.

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Ajustamentos – moeda estrangeira

PT27235 - outubro de 2022

Determinada pessoa coletiva, sujeito a IRC nos termos gerais a que


aplica o SNC integral, constituiu um depósito à ordem em dólares
americanos no início deste ano.
Entretanto o dólar americano valorizou-se e o contra-valor em
euros deste depósito será bastante superior em 31 de dezembro de
2022.
No final do ano tem de se contabilizar o valor do depósito à ordem
considerando a cotação do dólar americano em 31 de dezembro de
2022 ou pode ser mantido o valor da cotação da data da
constituição do depósito? O ganho cambial potencial é sujeito a
tributação em sede de IRC?

Parecer técnico

O pedido de parecer está relacionado com o tratamento contabilístico e


fiscal de uma conta bancária em moeda estrangeira.
No caso apresentado, a entidade adota as normas contabilísticas e de relato
financeiro (NCRF).
O tratamento contabilístico do efeito de alterações de taxas de câmbio deve
atender aos procedimentos previstos na norma contabilística e de relato
financeiro (NCRF) n.º 23 - Efeitos de alterações em taxas de câmbio.
A NCRF 23 estabelece que, quando o principal ambiente económico da
empresa opere com uma moeda diferente da moeda normal de
apresentação das demonstrações financeiras, se possam emitir
demonstrações financeiras na moeda desse ambiente económico (moeda
funcional).
A moeda de apresentação das empresas estabelecidas em Portugal será o
euro, conforme determinado no parágrafo 8 da NCRF 1 - Estrutura e
conteúdo das demonstrações financeiras, todavia, pela aplicação da NCRF
23, a empresa pode também emitir demonstrações financeiras na moeda
funcional, ainda que diferente da moeda de apresentação.
O ambiente económico principal no qual uma entidade opera é
normalmente aquele em que a entidade gera e gasta dinheiro.
Ainda que a entidade efetue algumas operações de compra e venda de
bens em moeda estrangeira, se no seu ambiente económico principal, a
empresa efetua normalmente os seus pagamentos e recebimentos em
euros, nomeadamente pagamentos de salários, fornecimentos e serviços
externos e mesmo algumas compras e vendas de bens de inventário, a sua
moeda funcional é efetivamente o euro.
Nos termos do parágrafo 19 da NCRF 23, uma transação em moeda
estrangeira, nomeadamente compra e venda de bens e serviços,
empréstimos obtidos ou concedidos, outras formas de compra e venda de
ativos ou passivos, deverá ser registada, no momento do reconhecimento
inicial na moeda funcional (neste caso o euro), pela aplicação à quantia de
moeda estrangeira da taxa de câmbio entre a moeda funcional e a moeda
estrangeira à data da transação.
No momento da compra ou venda dos ativos (itens monetários) resultantes
das referidas transações, haverá que efetuar o respetivo registo à data
dessa operação de alienação.
Se existir uma diferença entre o câmbio em que foi registado inicialmente
esse item monetário (compra e venda de moeda estrangeira) e a respetiva
alienação, essa diferença (positiva ou negativa) deverá ser reconhecida nos
resultados do período da referida alienação, conforme previsto no parágrafo
26 da NCRF 23 (exceto quando sejam operações referentes a investimentos
numa unidade operacional estrangeira).
Nos termos do parágrafo 22 da NCRF 23, na data de relato (à data de cada
balanço):
- Os itens monetários em moeda estrangeira deverão ser transpostos pelo
uso da taxa de fecho;
- Os itens não monetários que sejam mensurados em termos de custo
histórico numa moeda estrangeira devem ser transpostos pelo uso da taxa
de câmbio à data da transação;
- Os itens não monetários que sejam mensurados pelo justo valor numa
moeda estrangeira devem ser transpostos pelo uso das taxas de câmbio
que existiam quando os valores foram determinados.
Assim, subsequentemente, à data de cada balanço, o montante em saldo na
conta (bancária ou caixa) em moeda estrangeira, afetado pelo
reconhecimento das liquidações dos itens monetários, sendo também um
item monetário em moeda estrangeira, deverá ser transposto pelo uso da
taxa de fecho, sendo reconhecida a respetiva diferença de câmbio nos
resultados desse período.
Na data de relato (à data de cada balanço), como vimos anteriormente:
- Os itens monetários em moeda estrangeira deverão ser transpostos pelo
uso da taxa de fecho;
- Os itens não monetários que sejam mensurados em termos de custo
histórico numa moeda estrangeira devem ser transpostos pelo uso da taxa
de câmbio à data da transação.
De um modo geral, as diferenças de câmbio apuradas no recebimento e
liquidação de itens monetários, ou na data de relato, são reconhecidas como
resultados do período no âmbito das contas 6863/6887/692/7861/7887/793.
Em termos fiscais, as diferenças de câmbio desfavoráveis são aceites para
efeitos de IRC, nos termos da alínea c) do n.º 2 do artigo 23.º do CIRC. As
diferenças de câmbio favoráveis são tributadas nos termos gerais, conforme
artigo 20.º do CIRC.

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