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Tratamento Contabilístico de Câmbio

O documento discute o tratamento contabilístico de operações em moeda estrangeira, enfatizando a fixação da taxa de câmbio para compras e vendas. A norma NCRF 23 é citada, estabelecendo que transações em moeda estrangeira devem ser registradas na moeda funcional, que é o euro, e diferenças cambiais devem ser reconhecidas nos resultados. O procedimento da empresa em fixar a taxa de câmbio é considerado correto, desde que as conversões sejam feitas adequadamente na data de relato.

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Tratamento Contabilístico de Câmbio

O documento discute o tratamento contabilístico de operações em moeda estrangeira, enfatizando a fixação da taxa de câmbio para compras e vendas. A norma NCRF 23 é citada, estabelecendo que transações em moeda estrangeira devem ser registradas na moeda funcional, que é o euro, e diferenças cambiais devem ser reconhecidas nos resultados. O procedimento da empresa em fixar a taxa de câmbio é considerado correto, desde que as conversões sejam feitas adequadamente na data de relato.

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PT26936 - Taxa de câmbio

Abril 2022

Determinada empresa faz diversas importações e exportações e,


com vista a garantir uma maior segurança no que respeita à
flutuação das taxas cambiais, procede sempre à fixação destas para
as vendas e para as compras. Num projeto de compra em dólares,
por exemplo, o processo contabilístico que efetua consiste,
basicamente, em contabilizar a compra da moeda (depositada numa
conta em dólares), a fatura do fornecedor e respetivo pagamento
todos à mesma taxa, não gerando aqui quaisquer diferenças
cambiais. Caso posteriormente se verifique alguma variação
através do valor que permanece na conta bancária em dólares, é
essa a conta que avalia para eventuais processamentos de
diferenças cambiais. Para além disso, na eventualidade de existir
alguma fatura associada a uma fixação cambial que fique por
regularizar, assume que o valor da dívida não deve ser atualizado à
taxa de câmbio do dia, visto estar fixada. Os procedimentos
apresentados estão corretos?

O pedido de parecer está relacionado com o tratamento contabilístico das


operações em moeda estrangeira.
No caso em apreço, a entidade na compra e venda de bens em moeda
estrangeira procede à fixação da taxa de câmbio. Os pagamentos e
recebimentos são efetuados por intermédio de uma conta bancária em
moeda.
Considerando que não é indicado o normativo contabilístico adotado pela
entidade, iremos abordar esta temática no âmbito das Normas
Contabilísticas e de Relato Financeiro (NCRF) previstas no Aviso n.º
8256/2015, de 29 de julho.
O tratamento contabilístico do efeito de alterações de taxas de câmbio deve
atender aos procedimentos previstos na Norma Contabilística e de Relato
Financeiro (NCRF) n.º 23 - "Os Efeitos de Alterações em Taxas de Câmbio".
A NCRF 23 estabelece que, quando o principal ambiente económico da
empresa opere com uma moeda diferente da moeda normal de
apresentação das demonstrações financeiras, se possam emitir
demonstrações financeiras na moeda desse ambiente económico (moeda
funcional).
A moeda de apresentação das empresas estabelecidas em Portugal será o
euro, conforme determinado no parágrafo 8 da NCRF 1 - Estrutura e
conteúdo das demonstrações financeiras, todavia, pela aplicação da NCRF
23, a empresa pode também emitir demonstrações financeiras na moeda
funcional, ainda que diferente da moeda de apresentação.
O ambiente económico principal no qual uma entidade opera é
normalmente aquele em que a entidade gera e gasta dinheiro.
Ainda que a entidade efetue algumas operações de compra e venda de
bens em moeda estrangeira, se no seu ambiente económico principal, a
empresa efetua normalmente os seus pagamentos e recebimentos em
euros, nomeadamente pagamentos de salários, fornecimentos e serviços
externos e mesmo algumas compras e vendas de bens de inventário, a sua
moeda funcional é efetivamente o euro.
Nos termos do parágrafo 21 da NCRF 23, uma transação em moeda
estrangeira, nomeadamente compra e venda de bens e serviços,
empréstimos obtidos ou concedidos, outras formas de compra e venda de
ativos ou passivos, deverá ser registada, no momento do reconhecimento
inicial na moeda funcional (neste caso o euro), pela aplicação à quantia de
moeda estrangeira da taxa de câmbio entre a moeda funcional e a moeda
estrangeira à data da transação.
No momento da compra ou venda dos ativos (itens monetários) resultantes
das referidas transações, haverá que efetuar o respetivo registo à data
dessa operação de alienação.
Se existir uma diferença entre o câmbio em que foi registado inicialmente
esse item monetário (compra e venda de moeda estrangeira) e a respetiva
alienação, essa diferença (positiva ou negativa) deverá ser reconhecida nos
resultados do período da referida alienação, conforme previsto no parágrafo
27 da NCRF 23 (exceto quando sejam operações referentes a investimentos
numa unidade operacional estrangeira).
Subsequentemente, à data de cada balanço, o montante em saldo na conta
(bancária ou caixa) em moeda estrangeira, afetado pelo reconhecimento
das liquidações dos itens monetários, sendo também um item monetário em
moeda estrangeira, deverá ser transposto pelo uso da taxa de fecho, sendo
reconhecida a respetiva diferença de câmbio nos resultados desse período.
No caso em apreço, concordamos com o procedimento levado a cabo pela
entidade. Isto é, atendendo que as compras e vendas são efetuadas com
fixação da taxa de câmbio quer o registo das compras e vendas quer o
registo dos pagamentos e recebimentos deve ser utilizada a taxa câmbio
fixada. Por sua vez, o saldo da conta bancária em moeda estrangeira, na
data de relato deve ser transposta para a moeda funcional utilizando a taxa
de fecho.

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