ERICA: Prevalência de Dislipidemia em Adolescentes Brasileiros
ERICA: Prevalência de Dislipidemia em Adolescentes Brasileiros
Artigo Original
[Link]
I
Centro de Epidemiologia e Pesquisa Clínica. Escola de Medicina. Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Curitiba, PR, Brasil
II
Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde. Escola de Medicina. Pontifícia Universidade Católica do
Paraná. Curitiba, PR, Brasil
III
Universidade Federal de Rondônia. Porto Velho, RO, Brasil
IV
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Instituto de Medicina Social. Universidade do Estado do Rio
de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil
V
Faculdade de Ciência Médicas. Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente. Universidade do Estado do Rio
de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil
VI
Instituto de Estudos em Saúde Coletiva. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil
RESUMO
DOI:10.1590/S01518-8787.2016050006723 1s
Prevalência de dislipidemia em adolescentes Faria-Neto JR et al.
INTRODUÇÃO
MÉTODOS
Este trabalho faz parte do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA),
estudo transversal, nacional, de base escolar, conduzido em 2013-2014. O objetivo do ERICA
foi estimar a prevalência de diabetes mellitus, obesidade, fatores de risco cardiovascular e
de marcadores de resistência à insulina e inflamatórios em adolescentes de 12 a 17 anos que
frequentam escolas em municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes.
A população da pesquisa foi estratificada em 32 estratos constituídos por 27 capitais e
cinco conjuntos de municípios com mais de 100 mil habitantes em cada uma das cinco
regiões geográficas do País. Para cada estrato geográfico, as escolas foram selecionadas com
probabilidade proporcional ao tamanho e inversamente proporcional à distância da capital.
A amostra é representativa da população de adolescentes escolares em âmbito nacional,
regional e para as capitais. Questões como localização da escola (área urbana ou rural) e
administração (pública ou privada) também foram consideradas. Essa estratégia permitiu
concentrar a amostra no entorno das capitais, o que reduziu custos e facilitou a logística
do estudo, principalmente em relação à coleta de sangue e adequação de procedimentos
pré-analíticos. No total, foram avaliadas 1.247 escolas (de 1.251 selecionadas) em 122 municípios
(dos 124 selecionados). Mais detalhes sobre o processo de amostragem encontram-se na
publicação de Vasconcellos et al.27
No segundo estágio amostral, foram selecionadas três turmas de cada escola, considerando-se
combinações de turno (manhã e tarde) e anos elegíveis (sétimo, oitavo e nono do ensino fundamental
e primeiro, segundo e terceiro do ensino médio). Todos os alunos das turmas sorteadas foram
convidados a participar do ERICA, mas apenas alunos do turno da manhã, devido à necessidade de
jejum, participaram da coleta de sangue. Foram excluídos das análises, por não serem considerados
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Prevalência de dislipidemia em adolescentes Faria-Neto JR et al.
elegíveis, os adolescentes que não pertenciam à faixa etária de 12 a 17 anos, adolescentes grávidas
e os indivíduos com deficiência física ou mental, temporária ou permanente.
Os dados coletados foram obtidos usando-se questionário autopreenchível e aplicado com o uso de
coletor eletrônico de dados, denominado PDA (personal digital assistant). O questionário continha
cerca de 100 questões divididas em 11 blocos: aspectos sociodemográficos, atividades ocupacionais,
atividade física, comportamento alimentar, tabagismo, uso de bebidas alcoólicas, saúde reprodutiva,
saúde bucal, horas de dormir e acordar durante a semana e no final de semana, morbidade física
(autorreferida) e saúde mental. Também foram coletados dados de peso, estatura, perímetros
da cintura e do braço, de pressão arterial e de consumo alimentar, este último pelo recordatório
alimentar de 24 horas. Detalhes sobre o protocolo do estudo foram previamente publicados2.
Para a coleta de sangue, foi adotado protocolo de pesquisa padronizado e aplicado nos
27 centros. Foi utilizado apenas um laboratório de referência, no qual foram centralizadas
todas as análises bioquímicas do estudo, com rígido controle de qualidade, apoiado por
laboratórios parceiros locais que gerenciaram a coleta e o recebimento de amostras, permitindo
a padronização de medidas e a uniformidade dos resultados. Todos os laboratórios receberam
documentação com o protocolo a ser seguido em todas as etapas, do agendamento ao
transporte para a unidade central, incluindo o kit etiquetado para coleta de sangue de cada
adolescente. Os adolescentes foram orientados a ficar em jejum por 12 horas antes da coleta.
Um questionário foi aplicado antes do exame para confirmar o cumprimento do jejum.
Os exames realizados foram: TG, HDLc, glicose, hemoglobina glicada, insulina de jejum e
CT. O LDLc foi calculado pela fórmula de Friedewald4. A Tabela 1 apresenta os métodos
utilizados para análise de cada exame e os pontos de corte adotados28. Foi definido como
dislipidemia a presença de níveis elevados de CT, LDLc ou TG, ou níveis baixos de HDLc.
Os parâmetros glicêmicos não estão apresentados neste artigo.
Na presente análise, foram utilizadas informações sobre: sexo, idade em anos e por grupo
etário (12-14 e 15-17), tipo de escola (pública ou privada) e regiões do Brasil (Norte, Nordeste,
Centro-Oeste, Sudeste e Sul).
Foram calculadas as prevalências e intervalos de confiança de 95% (IC95%) de cada
componente do perfil lipídico por sexo, idade e tipo de escola, contemplando os âmbitos
nacional e regional. Foram descritas médias e proporções para as variáveis quantitativas e
categóricas, respectivamente, com IC95% em ambos os casos.
A distribuição das características foi ajustada segundo o delineamento amostral, utilizando-se
rotinas estatísticas para amostragem complexa, visto que a amostra do ERICA emprega estratificação
(cada um dos 27 municípios de capital e cinco estratos com o conjunto de municípios de mais
de 100 mil habitantes de cada uma das cinco regiões do país) e conglomeração (por escola e por
turma) em seus estágios de seleção. Os pesos amostrais foram calculados pelo produto dos inversos
das probabilidades de inclusão em cada estágio da amostra e foram calibrados considerando a
projeção do número de adolescentes matriculados em escolas localizadas nos estratos geográficos
considerados em 31/12/2013. Foi utilizado um estimador de pós-estratificação, que modifica o
LDLc: colesterol associado à lipoproteína de baixa densidade; HDLc: colesterol associado à lipoproteína de alta densidade
a
Sociedade Brasileira de Patologia.
b
V Brazilian Guidelines on Dyslipidemias and Prevention of Atherosclerosis, 2013.
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Prevalência de dislipidemia em adolescentes Faria-Neto JR et al.
Tabela 2. Distribuição da amostra por sexo, grupo etário, tipo de escola (pública ou privada) e região
geográfica. ERICA, Brasil, 2013-2014.
Variável Amostra %
Geral 38.069 100
Sexo
Masculino 15.247 40,0
Feminino 22.822 60,0
Idade
12-14 anos 17.434 45,8
15-17 anos 20.635 54,2
Sexo e idade
Masculino, 12-14 anos 7.140 18,8
Masculino, 15-17 anos 8.107 21,3
Feminino, 12-14 anos 10.294 27,0
Feminino, 15-17 anos 12.528 32,9
Escola
Pública 28.167 74,0
Privada 9.902 26,0
Região
Norte 7.322 19,2
Nordeste 11.821 31,1
Sudeste 8.653 22,7
Sul 4.758 12,5
Centro-Oeste 5.515 14,5
peso natural do desenho por um fator de calibração. Esse fator corresponde à razão entre o total
populacional e o total estimado pelo peso natural do desenho para o pós-estrato ou domínio
de estimação considerado. Mais detalhes sobre o delineamento da amostra encontram-se em
Vasconcellos et al.27 As análises foram realizadas no pacote estatístico Stata 14.0a.
O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição da Coordenação
Central do estudo (Instituto de Estudos em Saúde Coletiva, da Universidade Federal do Rio
de Janeiro) e das instituições responsáveis pela condução em cada estado brasileiro. Todos
os adolescentes entrevistados e examinados forneceram o termo de consentimento livre e
esclarecido assinado por seus responsáveis.
RESULTADOS
Foram analisados os dados de 38.069 adolescentes que responderam ao questionário e
tiveram a dosagem de perfil lipídico realizada no ERICA. A cobertura nacional para coleta
de sangue foi de 52,7%. A Tabela 2 descreve as características da amostra. Cerca de 2/3 dos
adolescentes eram do sexo feminino e a maioria, proveniente de escolas públicas.
A distribuição dos valores de lípides na amostra, por sexo, está ilustrada na Figura 1 e as
médias são apresentadas na Tabela 3. Observa-se que, de maneira geral e considerando a
estratificação por sexo e idade, as médias são muito próximas entre si, para todos os lípides
plasmáticos analisados. Os valores dos adolescentes do sexo feminino são sempre maiores
do que os dos adolescentes do sexo masculino.
Na avaliação da prevalência de dislipidemias, percentual maior de adolescentes do sexo feminino
apresentou níveis elevados de CT e LDLc. Por outro lado, a prevalência de níveis baixos de HDLc
foi menor no sexo feminino. Não houve diferença por sexo na prevalência de hipertrigliceridemia.
a
Stata Corp. Stata: statistical Não foram observadas diferenças nos níveis médios dos lípides dos adolescentes mais jovens
software for professionals.
Version 14.0. College Station, (12 a 14 anos) em relação aos mais velhos (15 a 17 anos). Da mesma forma, a prevalência de
Texas; 2015. dislipidemias não foi diferente entre estes grupos.
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Prevalência (%) Prevlalência (%) Prevalência (%) Prevalência (%)
0
4,0
8,0
12,0
16,0
20,0
0
4,0
8,0
12,0
16,0
0
2,0
4,0
6,0
8,0
10,0
12,0
14,0
16,0
18,0
0
6,0
12,0
18,0
24,0
30,0
36,0
42,0
≤ 20
≤ 20 ≤ 20 ≤ 50
C
A
D
20-30
20-30 20-30 50-60
30-40
30-40 30-40 60-70
40-50
40-50 40-50 70-80
50-60
50-60 50-60 80-90
60-70
60-70 60-70 90-100
HDLc (mg/dL)
90-100
90-100 90-100 120-130
100-110
100-110 100-110 130-140
110-120
110-120 110-120 140-150
120-130
120-130 > 120 150-160
130-140
130-140 160-170
140-150
140-150 170-180
150-160
150-160 180-190
160-170
160-170 190-200
LDL c (mg/dL)
170-180
170-180 200-210
180-190
CT (mg/dL)
180-190 210-220
190-200
190-200 220-230
200-210
200-210 230-240
210-220
210-220 240-250
220-230
220-230 250-260
230-240
TG (mg/dL)
230-240 260-270
240-250
240-250 270-280
250-260
250-260 280-290
260-270
260-270 290-300
270-280
270-280 300-310
280-290
280-290 310-320
> 290
290-300 320-330
300-310 330-340
310-320 340-350
320-330 > 350
330-340
Figura 1. Distribuição dos níveis séricos de CT, HDLc, LDLc e TG nos adolescentes. ERICA, Brasil, 2013-2014.
340-350
350-400
400-500
Prevalência de dislipidemia em adolescentes
500-550
550-600
600-650
650-700
CT: colesterol total; HDLc: colesterol associado à lipoproteína de alta densidade; LDLc: colesterol associado à lipoproteína de baixa
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700-750
5s
semelhantes. As prevalências de baixo HDLc foram elevadas nas regiões Norte e Nordeste.
CT, LDLc e TG não houve diferenças entre as cinco regiões, com percentuais de alterações
Faria-Neto JR et al.
A Figura 2 mostra as prevalências de dislipidemia pelas regiões do Brasil. Observa-se que para
> 750
Prevalência de dislipidemia em adolescentes Faria-Neto JR et al.
Tabela 3. Médias e IC95% dos lípides plasmáticos e prevalência e IC95% de valores limítrofes e alterados por sexo e faixa etária e população
estimada com alteraçãoa,b. ERICA, Brasil, 2013-2014.
Média Limítrofe Elevado População
Lípides estimada com
mg/dl IC95% % IC95% % IC95%
alteração
Colesterol total
Todos 148,1 147,1-149,1 24,2 22,7-25,8 20,1 19,0-21,3 2.940.705
Masculino 143,6 142,4-144,8 22,7 20,4-25,2 15,3 13,9-16,9 1.256.102
Feminino 152,6 151,4-153,9 25,7 24,5-27,0 24,9 23,4-26,5 1.684.602
12-14 anos 149,4 148,0-150,7 25,8 24,3-27,4 20,7 19,1-22,5 937.793
15-17 anos 147,1 145,8-148,3 22,8 20,8-24,9 19,6 18,0-21,2 2.002.911
LDLc
Todos 85,3 84,5-86,1 19,5 18,5-20,5 3,5 3,2-4,0 1.526.733
Masculino 83,4 82,2-84,5 17,4 16,0-18,9 2,9 2,3-3,6 669.805
Feminino 87,2 86,3-88,1 21,5 20,2-22,9 4,3 3,7-4,9 856.928
12-14 anos 86,2 85,1-87,3 20,6 19,0-22,4 3,7 3,1-4,4 467.877
15-17 anos 84,5 83,5-85,5 18,4 17,2-19,7 3,4 2,9-4,1 1058.856
Triglicerídeos
Todos 77,8 76,5-79,2 12,0 11,0-13,0 7,8 7,1-8,6 1.312.329
Masculino 76,4 74,7-78,1 10,9 9,8-12,2 7,6 6,5-8,8 610.449
Feminino 79,3 77,8-80,7 13,0 11,8-14,2 8,1 7,3-9,0 701.880
12-14 anos 78,9 76,7-81,0 12,7 11,0-14,6 8,3 7,2-9,5 434.638
15-17 anos 76,9 75,8-78,1 11,3 10,2-12,4 7,4 6,6-8,4 877.690
% Baixo
HDLc
Todos 47,3 46,7-47,9 46,8 44,8-48,9 - - 3.104.161
Masculino 44,9 44,4-45,5 55,9 53,7-58,2 - - 1.256.003
Feminino 49,6 48,9-50,3 37,8 35,4-40,2 - - 1.848.158
12-14 anos 47,4 46,7-48,1 45,0 42,3-47,8 - - 819.980
15-17 anos 47,2 46,4-48,0 48,4 45,9-50,8 - - 2.284.181
LDLc: colesterol associado à lipoproteína de baixa densidade; HDLc: colesterol associado à lipoproteína de alta densidade
a
alteração = valores limítrofes + elevados.
b
As estimativas de população para os domínios foram obtidas por meio de processamento dos microdados dos Censos Demográficos de
2000 e 2010 do IBGE.
70,0
60,0 Norte
Nordeste
50,0 Centro-Oeste
Prevalência (%)
Sudeste
40,0 Sul
30,0
20,0
10,0
16,5
18,8
23,5
20,0
22,8
58,7
51,6
46,2
45,9
36,9
2,7
3,3
4,3
3,7
3,5
9,6
9,4
8,7
6,8
8,2
0
CT ≥ 170 mg/dL HDLc < 45 mg/dL LDLc ≥ 130 mg/dL TG ≥ 130 mg/dL
CT: colesterol total; HDLc: colesterol associado à lipoproteína de alta densidade; LDLc: colesterol
associado à lipoproteína de baixa densidade; TG: triglicerídeos; N: Norte; NE: Nordeste;
CO: Centro-Oeste; SE: Sudeste; S: Sul
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Prevalência de dislipidemia em adolescentes Faria-Neto JR et al.
DISCUSSÃO
Embora medidas de prevenção primária de abrangência nacional pareçam estar reduzindo
algumas formas de DCV no Brasil21, o impacto socioeconômico dessas doenças em nosso
meio é significativo. O desenvolvimento de estratégias efetivas de prevenção cardiovascular
depende do adequado reconhecimento dos fatores de risco no País. O ERICA é o maior
estudo de prevalência de fatores de risco cardiovascular em adolescentes já realizado no
Brasil. As prevalências de alterações lipídicas foram elevadas nos adolescentes brasileiros
que estudam em municípios de mais de 100 mil habitantes, em especial as de níveis baixos
de HDLc e de níveis elevados de CT.
Colesterol elevado correlaciona-se com o risco cardiovascular11 e, mesmo em crianças
e adolescentes, está associado à presença de aterosclerose subclínica12 e ao risco de
dislipidemia em idade adulta20. No ERICA, a definição de valores alterados seguiu as
referências de uma diretriz nacional28, que difere de outras propostas, como o National
Cholesterol Education Program (NCEP)17. Essas diferenças nas definições de dislipidemia
devem ser consideradas ao se comparar os resultados do ERICA com outras populações.
As comparações tornam-se ainda mais difíceis pela escassez de dados de base nacional na
maior parte do mundo. Recentemente, a prevalência atual de dislipidemia em crianças e
adolescentes nos Estados Unidos e a tendência temporal entre 1999 e 2012 foi publicada10.
Cerca de 1/5 dos adolescentes americanos apresentam alguma alteração lipídica, e esse
percentual decresceu no período avaliado. No ERICA, o mesmo percentual é encontrado
apenas para o CT. Entretanto, parcela significativamente maior no Brasil apresenta
níveis baixos de HDLc. Embora envolvendo população de etnia bastante distinta, um
estudo de base nacional realizado na Coréia do Sul, mostrou valores médios de CT,
LDLc, HDLc e TG semelhantes aos encontrados na nossa população 29. No HELENA,
estudo multicêntrico europeu com escolares da mesma faixa etária do ERICA, foram
observados níveis de TG mais baixos do que os do ERICA (68 mg/dL [DP = 34]) para
toda a população e padrão semelhante de distribuição por sexo: 63 mg/dL (DP = 31) no
sexo masculino e 73 mg/dL (DP = 36) no sexo feminino22.
Já o estudo americano National Health and Nutrition Examination Survey III (NHANES III)
(1988-1994) observou níveis de lípides superiores aos do ERICA para todos os parâmetros,
CT 163 mg/dL (erro padrão [EP] = 1,0); LDLc 95 mg/dL (EP = 1,6); HDLc 49 mg/dL (EP = 0,4)
e TG 93 mg/dL (EP = 2,4)6.
A abrangência e a representatividade nacional do estudo ERICA mostraram dados
inéditos em nossa população. Aspectos distintos sobre faixa etária e sexo foram
observados. Não há consenso se o ideal para definição de presença de dislipidemia
em adolescentes é o uso de valores únicos de referência, como utilizado no ERICA
e mais difusamente aplicado na rotina clínica, ou se o uso de curvas com valores
específicos para sexo e idade.
Magnussen et al.13 compararam qual estratégia seria melhor para predizer a presença de
dislipidemia na vida adulta, utilizando os valores de referência do NCEP17 e curvas para
sexo e idade derivadas do NHANES7. Embora, a avaliação por curva tenha permitido melhor
predição de níveis baixos de HDLc na vida adulta, todos os demais parâmetros lipídicos
foram melhores preditos pelos valores de referência do NCEP, valores esses semelhantes
aos usados no ERICA. No ERICA, idade não foi determinante de diferenças significativas.
Os níveis médios de CT, LDLc, HDLc e TG não diferiram entre os adolescentes de 12-14 anos
e 15-17 anos, corroborando a ideia de que valores únicos de referência para adolescentes
possam ser utilizados para melhor identificação das alterações lipídicas28. Este dado reforça
a necessidade do adequado conhecimento dos valores de referência aqui utilizados por
aqueles que fazem o atendimento dessa população, o que hoje não ocorre5.
Nesta análise inicial, não foram desenvolvidas curvas específicas utilizando idade ano a
ano, mas estudos que o fizeram mostram discreta redução de CT, LDLc e HDLc no início
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