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Risco e Prazer em Tempos de Sexo Farmacologicamente Seguro: Resumo

O artigo analisa como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a carga viral indetectável=intransmissível (CVI=I) impactam as relações afetivo-sexuais de jovens gays/homens que fazem sexo com homens vivendo com HIV. A pesquisa, baseada em entrevistas com nove jovens, revela que, enquanto alguns se sentem mais seguros e abertos a novas experiências, outros ainda enfrentam estigmas e preocupações sobre a transmissão do HIV. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas que abordem as vulnerabilidades e promovam a autonomia nas escolhas preventivas em relação ao HIV/aids.

Enviado por

Brenda Duarte
Direitos autorais
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Risco e Prazer em Tempos de Sexo Farmacologicamente Seguro: Resumo

O artigo analisa como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a carga viral indetectável=intransmissível (CVI=I) impactam as relações afetivo-sexuais de jovens gays/homens que fazem sexo com homens vivendo com HIV. A pesquisa, baseada em entrevistas com nove jovens, revela que, enquanto alguns se sentem mais seguros e abertos a novas experiências, outros ainda enfrentam estigmas e preocupações sobre a transmissão do HIV. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas que abordem as vulnerabilidades e promovam a autonomia nas escolhas preventivas em relação ao HIV/aids.

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Rev Saude Publica.

2024;58 Supl 1:7s Suplemento PrEP1519


Artigo Original

[Link]

Risco e prazer em tempos de sexo


farmacologicamente seguro
Filipe Mateus DuarteI , Sandra Assis BrasilII , Mônica LimaIII , Jardel da Silva VidalIII ,
Laio MagnoII , Inês DouradoIV , Luís Augusto Vasconcelos da SilvaV

I
Universidade Federal da Bahia. Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Salvador, BA, Brasil
II
Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Ciências da Vida. Salvador, BA, Brasil
III
Universidade Federal da Bahia. Instituto de Psicologia. Salvador, BA, Brasil
IV
Universidade Federal da Bahia. Instituto de Saúde Coletiva. Salvador, BA, Brasil
V
Universidade Federal da Bahia. Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos. Salvador,
BA, Brasil

RESUMO
OBJETIVO: Neste artigo, discutimos como a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a carga viral
indetectável=intransmissível (CVI=I) têm produzido reconfigurações nos contextos de
encontros afetivo-sexuais de jovens gays/ homens que fazem sexo com homens (HSH) vivendo
com HIV (JVHIV).
MÉTODOS: Conduzimos entrevistas em profundidade com nove JVHIV, de 18 a 29 anos,
oriundos de duas pesquisas realizadas em Salvador/Bahia, em 2019 e 2021. Focalizamos narrativas
sobre acontecimentos inéditos na prevenção e no tratamento do HIV/aids, que têm permitido
experiências de maior intimidade e segurança, mas também desafios e tensionamentos às
relações afetivo-sexuais.
RESULTADOS: Momentos distintos da experiência de viver com HIV revelam diferentes
Correspondência:
Filipe Mateus Duarte
narrativas dos JVHIV com relação às novas biotecnologias de PrEP e CVI. Preocupações em
Universidade Federal da Bahia. torno de uma possível transmissão do HIV ou da obrigação de revelar a sorologia ficam mais
Instituto de Saúde Coletiva destacadas entre jovens com o diagnóstico mais recente, enquanto aqueles com maior tempo
Rua Basílio da Gama, s/n
40.110-040 Salvador, BA, Brasil de sorologia se colocam de forma mais confortável e confiante frente às novas tecnologias
E-mail: filipemateusduarte@gmail. e seus efeitos significativos nos encontros sexuais, ainda que permaneçam controvérsias
com a respeito das consequências morais e comportamentais do uso delas. Alguns JVHIV
reatualizam preocupações e trazem relatos sobre a continuidade do estigma em relação às
Recebido: 13 nov. 2023
pessoas vivendo com HIV. Outros JVHIV enfatizam os benefícios dos avanços biomédicos, com
Aprovado: 28 fev. 2024
abertura para novas possibilidades interativas, inclusive sem uso da camisinha, sublinhando
Como citar: Duarte FM, a existência de outras práticas, saberes, dinâmicas e formas de negociação do risco/cuidado,
Brasil SA, Lima M, Vidal JS, com tensionamentos no campo da própria sexualidade.
Magno L, Dourado I, et al
Risk and pleasure in the era of CONCLUSÕES: Reiteramos a necessidade de retomada de políticas públicas no campo do HIV/
pharmacologically safe. Rev
Saude Publica. 2024;58 Supl 1:7s. aids para além das estratégias biomédicas, dando destaque às vulnerabilidades, à disseminação
[Link] de informações sobre as novas tecnologias de prevenção e tratamento do HIV, ao respeito à
8787.2024058005962
autonomia das pessoas em suas escolhas preventivas e ao desenvolvimento de estratégias de
Copyright: Este é um artigo de enfrentamento aos estigmas associados ao HIV/aids.
acesso aberto distribuído sob os
termos da Licença de Atribuição DESCRITORES: HIV. PrEP. Indetectável. Jovens. Biotecnologias.
Creative Commons, que permite
uso irrestrito, distribuição e
reprodução em qualquer meio,
desde que o autor e a fonte
originais sejam creditados.

[Link] 1
Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

INTRODUÇÃO

A ampliação do uso de medicamentos antirretrovirais (ARV) para prevenção do HIV,


através das profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP, respectivamente) e do tratamento
como prevenção (TcP), é resposta eficaz ao enfrentamento da epidemia do HIV/aids. Ao
passo que produz impacto na prevenção de novas infecções, o uso dessas tecnologias
farmacológicas traz benefícios às relações afetivo-sexuais e levanta desafios e novas
questões para o cotidiano dos serviços de saúde e das pessoas1,2.
As evidências sobre o TcP, produzidas por diversos estudos ao redor do mundo, são cada
vez mais robustas ao argumentar que pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e com carga viral
indetectável (CVI) não transmitem o vírus em suas relações sexuais, o que se convencionou
chamar de indetectável igual a intransmissível (I=I)3. Esse avanço biotecnológico tem produzido
mais conforto na vida afetivo-sexual de PVHIV, representando um marcador de maior
segurança e atenuando preocupações em torno de seus encontros sexuais4, embora persistam
relatos sobre estigma, sentimentos de medo/culpa e receios de possível transmissão2.
Por outro lado, diferentes estudos demonstraram a eficácia da PrEP para evitar novas
infecções por HIV5-8. Na medida em que se adere consistentemente ao seu uso, a PrEP
funciona como uma barreira química ao HIV, oferecendo alta proteção mesmo em relações
sexuais sem a barreira física dos preservativos. Desse modo, a prevenção ganhou uma nova
faceta, sublinhada pelo uso de ARV por pessoas que não vivem com o vírus. Tal aspecto
tem conferido a elas um novo nível de agência, controle e maximização do prazer sensorial,
permitindo que experimentem uma intimidade sem medo da infecção por HIV, ainda que
continue existindo o risco para outras infecções sexualmente transmissíveis (IST).
Nesse contexto do sexo farmacologicamente seguro, o uso de ARV tem redefinido não
apenas a forma como algumas pessoas lidam com o HIV, mas com a própria sexualidade,
a gestão de sua saúde sexual e a concepção convencional de risco. Em particular, o
conceito de “farmacopoder” desenvolvido por Preciado9 nos oferece uma lente valiosa para
compreender esse contexto de profunda interseção entre farmacologia, corporeidade e
identidade. Ao dar continuidade ao exame do que Foucault10 denominou como “biopoder”,
ou seja, as estratégias de poder que atuam sobre a vida em uma escala populacional,
Preciado destaca como substâncias e medicamentos têm desempenhado um papel crucial
nas experiências de saúde/doença, produzindo nossas percepções sobre nós mesmos e
nossa relação com os outros.
Desse modo, a concepção de “sexo protegido” tem sido redefinida, pois suas fronteiras
agora estão borradas pela emergência dessas novas tecnologias, dado que a prevenção não
se dá exclusivamente pelo preservativo, mas passa a ser interiorizada também no próprio
corpo, por meio da ingestão de substâncias químicas11. Em contrapartida, uma vez que
a PrEP e o I=I destacam-se por proporcionar entre seus usuários uma experiência sexual
mais prazerosa e a redução da ansiedade relacionada à transmissão do HIV12,13,14, existem
receios entre profissionais de saúde e mesmo entre aqueles que utilizam essas tecnologias
sobre a possibilidade de maior engajamento em múltiplas parcerias sexuais, infidelidade,
maior frequência de relações sexuais e redução ou mesmo abandono do preservativo15,16,17,18.
Simultaneamente, persiste a reprodução de imagens negativas em relação aos homens cis
gays/homossexuais, tidos como sujeitos “excessivos”, ou, como problematiza Kane Race19,
um certo “pavor” da retomada do sexo “sem freios” entre homens.
Nessa direção, buscamos compreender como essas novas tecnologias de prevenção e
tratamento para o HIV têm mediado ou reconfigurado o sexo entre homens cis gays jovens
vivendo com HIV (JVHIV). Mais precisamente, destacamos como esse aspecto aparece no
quadro das distintas temporalidades do diagnóstico desses jovens, considerando tanto o

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

período mais recente de vivência com a sorologia quanto aquele de maior tempo. Dessa
forma, a partir da perspectiva de JVHIV, daremos destaque tanto às mudanças quanto
às ambivalências e tensões que persistem nos encontros afetivo-sexuais, especialmente
desconfianças e controvérsias emergentes a partir da introdução das tecnologias
farmacológicas, como a PrEP e a CVI=I.

MÉTODOS

Partimos de duas pesquisas distintas (PrEP15-19 e Sociabilidades Positivas (S+)),


realizadas em Salvador/Bahia. Conduzimos entrevistas em profundidade com nove jovens
gays/homens que fazem sexo com homens (HSH) vivendo com HIV, a partir de um roteiro
semiestruturado, que abordou temas como rotinas de tratamento e cuidado, engajamento
em relações afetivo-sexuais e suas perspectivas pós-diagnóstico de HIV.
A primeira rodada de entrevistas ocorreu no final do ano de 2019, entre os meses de
outubro e dezembro, com quatro jovens de 18 e 19 anos, no decurso do estudo PrEP15-19.
Mais informações metodológicas sobre esse estudo podem ser identificadas em Dourado
et al.20 e Magno et al.21. Esses jovens foram diagnosticados com HIV durante suas primeiras
visitas à clínica de prevenção combinada, para onde se dirigiram inicialmente em busca da
PrEP. Após o diagnóstico, receberam orientações sobre prevenção, cuidados com a saúde
e, então, foram encaminhados para tratamento no SUS. Posteriormente, foram convidados
por uma profissional de saúde da clínica para cederem entrevista à equipe de pesquisa
qualitativa do estudo. As entrevistas foram realizadas em período de 10 dias a 3 meses após
o diagnóstico. Esses jovens estavam em início do tratamento com ARV.
A segunda sequência de entrevistas ocorreu, aproximadamente, um ano após a primeira
rodada, em janeiro de 2021, com outros cinco jovens com idades entre 22 e 29 anos. Esses
jovens participaram da pesquisa S+, cuja equipe de pesquisadores vem acompanhando suas
trajetórias desde 2016, ano de seus diagnósticos2. No momento da entrevista, esses jovens
relataram estar com carga viral indetectável=intransmissível (CVI=I). Ao longo do texto,
citaremos entre aspas os fragmentos das narrativas dos jovens entrevistados, seguidos por
seus nomes fictícios, como parte do nosso compromisso ético com o anonimato.
As entrevistas foram conduzidas por uma equipe composta por pesquisadores/
as com treinamento em pesquisa qualitativa no campo da saúde. Foram realizadas
individualmente, de forma presencial, em uma sala privativa nas dependências da clínica
do estudo PrEP15-19. Ainda que produzidos no âmbito de dois estudos distintos, optamos
por reunir o conjunto de materiais de ambas as pesquisas, por entendermos que delineiam
aspectos dialógicos sobre as trajetórias afetivo-sexuais dos jovens participantes.
A análise dos materiais produzidos foi iniciada por meio de leituras exploratórias, a fim
de identificar temas e questões que se deslocavam nas narrativas em torno da condição
sorológica e dos contextos de encontros afetivo-sexuais desses jovens. Posteriormente,
qualificamos os aspectos comuns dessas narrativas, com destaque para os novos
acontecimentos na epidemia de HIV/aids, como o advento da PrEP e da CVI=I. Assim, ao
longo da análise, discutiremos três aspectos ou temas evidenciados pelos materiais: (1) o
desencontro entre avanços fármaco-médicos, que demarcam maior segurança em relação
à infecção/transmissão do HIV, e a experiência cotidiana da sorologia ainda marcada pelo
estigma e pelo medo da rejeição; (2) a reconfiguração dos modos como JVHIV lidam com
a sorologia e as situações cotidianas de encontros afetivo-sexuais, especialmente ao longo
do tempo de vivência com o HIV e com o acesso às evidências sobre sua condição de saúde;
e, por fim, (3) a reprodução de velhos dilemas morais ligados ao exercício das sexualidades.

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

Compreendemos que as narrativas “pessoais” desses JVHIV se conectam ao enredo


mais generalizado sobre a atual epidemia de HIV/aids, ao passo que reconhecemos que
diferentes histórias são reatualizadas, emergem e coexistem em relação a esse enredo22.
Portanto, ao longo da análise, consideramos a importância e a força das narrativas, com
sua heterogeneidade e polifonia, operando a abertura de novas questões para esse campo
de estudos23.
Sobre a caracterização dos participantes, sete dos entrevistados se identificaram como
negros (pretos e pardos) e dois como brancos (Quadro 01). No momento da entrevista, todos
os quatro participantes do estudo PrEP15-19 informaram residir com seus pais. Entre os
cinco participantes da pesquisa S+, dois referiram residir com os pais, dois sozinhos e um
dividia moradia com amigos. No que se refere à caracterização clínica, todos apresentavam
quadro assintomático no momento da entrevista.

Quadro 1. Caracterização dos participantes


Tempo de diagnóstico
Nome fictício Idadea Orientação sexual Raça/cor Escolaridade Relacionamento
do HIVa
Estudo PrEP15-19
Caio 18 Gay Pardo Ensino Médio incompleto Solteiro 10 dias
Ruan 18 Gay Pardo Ensino Médio incompleto Solteiro 1 meses
Henrique 19 Bissexual Preto Ensino Médio incompleto Solteiro 3 meses
Eduardo 19 Gay Pardo Ensino Médio incompleto Solteiro 5 meses
Pesquisa Sociabilidades Positivas
Samuel 22 Gay Preto Superior incompleto Solteiro 4 anos
Bernardo 27 Gay Pardo Superior completo Solteiro 4 anos
Caetano 29 Gay Branco Superior completo Namorando 4 anos
Douglas 27 Gay Branco Ensino Médio completo Namorando 4 anos
Ramon 24 Gay Pardo Ensino Médio completo Solteiro 4 anos
Fonte: Elaborado pelos autores.
a
No momento da entrevista.

Tomando como referência suas idades no momento da entrevista, sublinhamos que esses
jovens tinham entre 18 e 24 anos quando diagnosticados, evidenciando que se trata de
infecções ocorridas no início de suas experiências sexuais. Esse elemento apoia os dados
apresentados pelos Boletins Epidemiológicos dos últimos anos, que vêm demonstrando o
recrudescimento da epidemia no segmento etário juvenil e a necessidade de ampliação do
debate sobre as suscetibilidades socialmente configuradas, que produzem vulnerabilidades
ao HIV/aids, especialmente pela disponibilidade desigual de recursos para as pessoas se
protegerem e para produção de saúde/cuidado.
A pesquisa Sociabilidades Positivas foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa
(CEP) do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA)
(nº 1.684.862/2016). O estudo PrEP15-19 foi aprovado pelos CEP da Organização Mundial
da Saúde (Identificação: Fiotec-PrEP Adolescent study) e do ISC/UFBA (nº 3.224.384). As
entrevistas foram realizadas seguindo as diretrizes das resoluções 466/2012 e 510/2016,
do Conselho Nacional de Saúde, sobre ética na pesquisa em ciências humanas e sociais
em saúde.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na entrada da quinta década da epidemia do HIV/aids, centrada no progresso do tratamento


e da prevenção fármaco-médica, novos arranjos relacionais despontam a partir do uso das

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

fármaco-tecnologias. Nessa direção, destacam-se: relacionamentos afetivo-sexuais entre


pessoas sorodiferentes, em que o status indetectável de um dos parceiros é um marcador
de prevenção no interior da relação; ou relações em que um parceiro está indetectável e
o outro em uso de PrEP; ou mesmo um sentido de companheirismo entre “semelhantes”,
caracterizado pela “preferência” de PVHIV por se relacionar com parceiros de mesmo
status sorológico, afastando, assim, determinados dilemas, tensões e questionamentos
sobre sua sorologia2.
Ao tempo desses ineditismos na história da epidemia, ainda persistem entre PVHIV
desafios ao considerar se devem revelar sua sorologia aos parceiros, por receio de
serem estigmatizadas e rejeitadas e, por seu turno, o sentido de responsabilidade
pessoal em evitar uma eventual infecção/transmissão do vírus. Tais aspectos estão
tangenciados, por exemplo, pela ideia de que o HIV é uma condição da qual se deve
ter vergonha, por estar especialmente vinculada às práticas sexuais “desviantes”. Esse
quadro permitiu que Treichler24 cunhasse, desde a primeira década da epidemia, a
expressão “epidemia de significados”, que se tornou clássica ao analisar como a
linguagem – não apenas médica e científica – produz aquilo que concebemos como
HIV/aids, fornecendo as bases para a produção de estigmas e seu efeito prático, que
é a discriminação.
Neste estudo, argumentamos que esse quadro é atualizado diante de outros atores/
actantes, como a CVI=I e a PrEP18, que, fazendo parte de uma rede de interações, têm
contribuído para reconfigurar ou dar contornos inéditos não apenas à clínica da prevenção
e do tratamento, mas também aos relacionamentos afetivo-sexuais. É o caso, por exemplo,
de se “viver com HIV” e, no entanto, afirmar-se como “negativo usando PrEP”, conforme
destacado por um dos nossos interlocutores, com CVI=I, a partir de suas incursões em
aplicativos de relacionamento:

Eu vejo muita gente que tem HIV/aids e diz que tá usando PrEP. Vejo isso em
aplicativos, conversas, grupos. Num grupo mesmo, disseram que alguém tinha aids e
ele falou que tomava PrEP e era negativo. Eu conversei com um menino que me falou
que era HIV+ indetectável; eu queria dar um vácuo, mas não podia, aí falei que era
negativo usando PrEP. (Bernardo, 27 anos)

Essa narrativa reitera como a experiência cotidiana da sorologia parece ainda estar em
descompasso em relação aos avanços fármaco-médicos ocorridos nos últimos anos da
epidemia. Ou seja, ainda que esses novos avanços possam borrar a fronteira entre “negativos”
e “positivos”, ou melhor, entre “ausência” e “presença” do vírus HIV25, considerando aqui a
categoria indetectável, há de se destacar a persistência do medo ou receio de ser associado
ao HIV/aids, com a consequente discriminação. Nesse sentido, para além da medicalização
e normalização do HIV26,27 como uma doença crônica e tratável, não se pode esquecer
dificuldades e dilemas que persistem neste momento histórico que Simões denomina
como “nova aids”28, resultante de exitosas intervenções biomédicas sobre sua realidade
clínica e epidemiológica.
Vale enfatizar que diferentes estudiosos/as do tema29,30,31 têm reiterado que, atualmente, há
uma ênfase em perspectivas individuais no enfrentamento à epidemia do HIV/aids, com o
relativo deslocamento da prevenção dos espaços comunitários/coletivos para o interior da
clínica médica, especialmente centradas no ato de medicar. Nessa direção, um conjunto de
novos saberes sobre o HIV e as novas tecnologias, como I=I e PrEP, não têm circulado para
além de nichos específicos, contribuindo para manter o caráter persistente do estigma.
Apesar disso, conforme é discutido neste artigo, há também mudanças importantes

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possibilitadas por essas novas biotecnologias. Nas seções que seguem, alguns desses
aspectos do viver com HIV e das relações afetivo-sexuais ganham diferentes contornos a
partir de distintas temporalidades.

O tempo da descoberta sorológica: rupturas e tensões em foco

A sorologia positiva para HIV continua enredando a produção de dilemas e sentidos de


culpa, individualizando, simplificando e minimizando outros elementos em torno dessa
condição de saúde32,15. Como ocorre com outras doenças crônicas, em relação às rupturas
biográficas33 – mas principalmente pelo estigma do HIV, vinculado à ideia de “sexualidades
promíscuas”26 e “corpos perigosos”34,35 –, esse novo diagnóstico produz também
questionamentos sobre os próprios sujeitos e seus modos de vida15. Assim, o reengajamento
em relações pode implicar dificuldades, especialmente no início da vivência da sorologia,
como pode ser exemplificado por relatos de alguns de nossos interlocutores com tempo
mais recente de diagnóstico.

Na primeira vez que eu fui fazer [sexo] depois do diagnóstico, eu fiquei com medo.
Mas tentei me tranquilizar, tentei não pensar. Teve alguns momentos que eu pensei
na questão do HIV e tudo mais, com medo de acontecer tanta coisa, da camisinha
estourar e acontecer isso ou aquilo. [...] Me sinto um pouco assim... eu só fico
analisando cada passo, porque qualquer coisa que a pessoa fizer pode acabar me
afetando e eu vou ter que acabar contando [que tenho HIV] pra pessoa, entendeu?.
(Caio, 18 anos)

No que diz respeito ao dilema da revelação sorológica – “ter que acabar contando” –,
Agostini et al.36 enfatizaram em seu trabalho como a administração da condição de
soropositividade apresenta desafios no contexto dos relacionamentos afetivo-sexuais,
incluindo a necessidade de estabelecer um vínculo de confiança antes que o tema da
sorologia seja abordado. Assim, a gestão do segredo desempenha um papel importante
nessas relações, sendo mantida como estratégia de proteção contra o estigma, a rejeição
afetiva e a discriminação. Os autores também discutem como alguns desses jovens
demonstram uma grande preocupação em evitar a transmissão e adotam estratégias de
prevenção, como o preservativo.
Ainda que tensões relacionadas ao envolvimento sexual não se limitem ao período inicial
de vivência da sorologia, as narrativas dos interlocutores do estudo PrEP15-19 – conforme
relatado acima, por Caio – enfatizam mais esse aspecto do que as narrativas dos jovens da
pesquisa S+. Sobre isso, a partir de uma perspectiva de construção de sentidos ao longo do
tempo, o estudo de Anjos37 observou que o choque inicial do diagnóstico, frequentemente,
progride para uma aceitação gradual dessa condição por JVHIV. O autor explorou como
a vivência com o HIV é permeada por um período inicial de ajustamento emocional
e dificuldades na revelação do status sorológico aos familiares e parceiros, devido à
preocupação de serem estigmatizados e excluídos. No entanto, destaca a resiliência e a
busca por uma vida significativa por parte desses jovens, apesar dos desafios, medos e
incertezas presentes na vivência com o HIV. Ele também enfatiza como a temporalidade
do diagnóstico, seja ela recente ou mais longa, cumpre papel significativo na forma como
JVHIV convivem com sua sorologia, se adaptam a essa condição de saúde e lidam com seus
encontros afetivo-sexuais.
Embora seja importante reconhecer que o estigma, o medo e a discriminação ainda sejam
obstáculos significativos, independentemente do tempo desde o diagnóstico, esses estudos
sinalizam que aqueles que vivem com HIV por um período mais longo, com frequência,

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

têm uma melhor compreensão sobre sua condição de saúde, desenvolvem estratégias
de enfrentamento resilientes, aprendem a gerenciar aspectos práticos e emocionais
da sorologia e estabelecem um senso mais estável de identidade positiva em relação à
sua soropositividade.
Nossos interlocutores recém-diagnosticados e ainda no início do tratamento destacaram
histórias sobre como o envolvimento sexual pós-diagnóstico está rodeado por tensões,
que podem significar uma frequência maior de preocupações que antes do diagnóstico
pareciam menos pregnantes, como o uso do preservativo. Esses cuidados se relacionam
com os novos sentidos de risco ou “ameaça” para o outro que o diagnóstico de HIV passa a
mobilizar na vida desses jovens, a camisinha começa a ser vista como algo compulsório ou
mesmo como uma obrigação moral.

Eu uso camisinha pra tudo agora, camisinha pra tudo. Sem contar que... eu to tendo
muito mais cuidado. Mesmo com camisinha, eu acho bacana você aprofundar um
pouco mais antes de fazer qualquer coisa. Principalmente a parte de você usar
camisinha pra tudo, foi depois do projeto [PrEP15-19, no qual foi diagnosticado]. Isso
eu não fazia, não. (Ruan, 19 anos)

Hoje em dia eu sempre uso [preservativo], ele querendo ou não. Se não quiser, não
transo. Antes eu não tinha isso. Se quisesse, usava; se não quisesse, normal [não
usava]. (Eduardo, 19 anos)

Esses elementos permanecem ao longo da experiência da sorologia, implicando desafios


significativos para JVHIV. No entanto, em momentos distintos de suas trajetórias outras
preocupações vêm à tona, as quais ainda dizem respeito à segurança, mas que introduzem
novos sentidos para as relações sexuais, como liberdade e prazer.

A PrEP e CVI=I em cena: novas possibilidades interativas, de negociação do sexo e seus


tensionamentos

No contexto de segurança farmacológica do sexo, estratégias como a PrEP e a CVI=I têm


potencializado o bem-estar sexual de PVHIV38. Destacamos as histórias de encontros
sexuais relatados por Caetano – 29 anos e vivendo com HIV desde os 24 anos – e Douglas –
27 anos e vivendo com HIV desde os 25 anos. São contextos em que o uso da camisinha é
contingencial a elementos como “despreocupação”, ”conforto”, “estabilidade”, “confiança”,
“negociação” e “prazer”.

Quando estávamos marcando [um encontro], ele deixou claro que a minha sorologia
não fazia diferença pra ele e que ele usava PrEP. [...] Acho que é a primeira vez que
eu transo sem camisinha, sem ficar muito preocupado com o outro. [...] Agora eu
estou tendo o prazer de transar com alguém que faz uso da PrEP e algumas vezes
transamos sem camisinha. Essa zona de conforto em relação à proteção faz a gente
desfrutar mais. (Caetano, 29 anos).

[...] Hoje em dia a gente faz mais sem camisinha do que antigamente. [...]. Agora que eu
estou indetectável, ele parou [de tomar PrEP]. Ele até descobriu uma forma diferente
de usar a PrEP, usa um dia, depois dois dias, depois mais dois. (Douglas, 27 anos).

Por meio desses fragmentos, enfatizamos aspectos que passam a marcar o contexto
atual do HIV/aids, ou seja, a referência às novas biotecnologias como elementos
que fazem a diferença na tomada de decisão no interior das relações afetivo-sexuais.

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

As narrativas de JVHIV que alcançaram a indetectabilidade viral apontam elementos


que marcam a experiência da sorologia hoje e oferecem uma nova dinâmica no que diz
respeito à segurança. Nesse caso, a indetectabilidade produz uma sensação de liberdade
na exploração do prazer sexual e mudanças no modo como esses JVHIV desfrutam de
relações sem preocupações excessivas com a transmissão do vírus, ao mesmo tempo em
que enfrentam desafios envolvendo a comunicação e a negociação com parceiros. Em
consonância com as reflexões de Preciado9, esse contexto ressalta o cruzamento entre
farmacologia, corporeidade e identidade, no qual a medicina e a tecnologia exercem papeis
fundamentais na redefinição das experiências sexuais e na construção de novos sentidos
para as relações íntimas.
As experiências relatadas por esses e outros jovens demonstram como, a partir da
disponibilidade e da disposição para usar outras tecnologias que não o preservativo, as
pessoas podem combinar e negociar usos, colocando na balança preocupações e interesses
sexuais na medida em que desejam experimentar o prazer de forma “mais livre” e “sem
barreiras”. Assim como sublinhado por Silva et al18, tais fragmentos evidenciam como a
prevenção pode ser ajustada ou reconfigurada conforme a atuação de tecnologias (I=I,
PrEP, preservativo), o tipo de relacionamento ( fixo, casual, aberto, fechado), o tempo do
diagnóstico ou mesmo diante de situações em que a relação risco-prazer é dialogada entre
os parceiros.
Entretanto, é preciso destacar que, para além das evidências de benefícios e da efetividade da
PrEP e da CVI=I como prevenção ao HIV, entre alguns desses jovens também se apresentam
preocupações sobre as consequências morais e comportamentais da disponibilidade
desses novos recursos preventivos. Essas preocupações estão especialmente vinculadas à
imagem negativa de “promiscuidade” atribuída aos homens gays39. Como veremos adiante,
alguns dos nossos interlocutores percebem o sexo sem preservativo, mesmo entre aqueles
que estão em uso de PrEP, como uma ação desinformada ou algo “banalizado”. Além disso,
no plano simbólico, a associação da PrEP à “promiscuidade” e à “irresponsabilidade” pode
conduzir à estigmatização das pessoas que aderem ao método, principalmente quando
este é reputado como uma estratégia ligada à “loucura”, à “desproteção” e ao “descuido”.

Eu acho a PrEP importante, mas eu acho que rolou uma banalização da ideia de
segurança depois da PrEP. A PrEP é importante, mas a camisinha é indispensável [...],
mas aí, algumas pessoas acham que, por estarem tomando a PrEP, estão protegidas
de tudo. Aí nos aplicativos de pegação você vê que as pessoas só se confiam na PrEP.
(Samuel, 22 anos).

Muita gente está confiando na PrEP, mas a PrEP não protege outras doenças. [...] É
que as vezes a pessoa, quando tá namorando, pode se sentir segura em fazer sexo
sem camisinha. Tem gente que é louca. Tem amigos meus que fazem sexo sem
camisinha quando estão namorando. Eu fico muito em aplicativo e vejo muita gente
querendo barebacking pra cima e pra baixo. As pessoas confiam muito numa pílula
que pode falhar, no caso, a PrEP. Eu já vi documentários de pessoas que tomavam
PrEP e mesmo assim pegaram HIV. [...] Se for uma pessoa desleixada, não dá certo.
(Bernardo, 27 anos)

Ao discutirem confiança na eficácia do medicamento, esses jovens revelam suas


preocupações quanto ao uso da PrEP associadas aos riscos de outras IST e à imagem
negativa de “promiscuidade” gay em aplicativos de encontro. Suas suspeições dizem respeito
aos riscos que nesse caso são vistos como negativos e, portanto, como algo a ser evitado.
Como destaca Lupton40, esta ênfase em evitar o risco está fortemente associada a um desejo

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

de controle e racionalização da vida e do corpo, evitando as “vicissitudes do destino”. Nesse


cenário, o sexo sem preservativo, mesmo entre aqueles que estão indetectáveis ou em uso
de PrEP, pode ganhar contornos de “imprudência” e “desconfiança”, sendo concebido mais
como um sexo malcomportado, susceptível à “falha”, ao “descontrole” ou à “desrazão/
loucura”, do que como um “ponto de equilíbrio” entre custos e benefícios do risco e do
comportamento preventivo, como ressaltado por Eaton e Kalichman41, ou mesmo como
parte de uma rede complexa de negociação de perdas e ganhos42, em que se pondera o
medo/risco frente aos interesses sexuais e à busca por prazer14.
Para Spink43, embora continue anunciando a possibilidade da perda (“pegar HIV/IST”), o
risco também pode ser vivido como uma experiência positiva (negociação, intimidade,
prazer), uma vez que é possível afrontar os limites, “calibrar” prudência e desejo, perda
e recompensa, perigo e prazer, risco e segurança, rompendo com uma racionalidade
preventiva que desconsidera novos recursos e tecnologias que incidem sobre o desejo, a
intimidade e a segurança. A PrEP e a CVI=I acontecem em meio a essas controvérsias
e tensionamentos no cotidiano das pessoas, especialmente porque é de fato nessas
interações, nas práticas e nas situações concretas que essas tecnologias passam a existir.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo, abordamos narrativas de JVHIV, dando destaque a alguns aspectos que
persistem na vivência soropositiva, principalmente no contexto das suas parcerias sexuais.
Embora tenhamos evidenciado conflitos morais que persistem em relação ao HIV, nossas
descobertas apontam para um cenário marcado pela reconfiguração das experiências afetivo-
sexuais de JVHIV pelas novas tecnologias farmacológicas de CVI=I e PrEP, que produzem
maior sentido de segurança e prazer. Por sua vez, a confiança na atuação dos medicamentos
ARV como uma barreira química à transmissão/infecção por HIV também levanta questões
sobre outros aspectos da prevenção, como acesso, equidade, cidadania e direito à saúde.
Certamente, novos estudos serão necessários para acompanhar possíveis mudanças nesse
cenário, considerando os momentos distintos do viver com HIV, outras trajetórias de vida e
novas tecnologias que venham a surgir. Neste artigo, por exemplo, preocupações em torno
de uma possível transmissão do HIV ou da obrigação de revelar a sorologia ficam mais
destacadas entre jovens com o diagnóstico mais recente, enquanto aqueles com maior
tempo de sorologia se colocam de forma mais confortável e confiante frente às novas
tecnologias e seus efeitos significativos nos encontros sexuais, na medida em que esses
medicamentos remodelam as experiências sobre si mesmos e na relação com os outros,
ainda que controvérsias insistam em se apresentar.
Nessa direção, destaca-se também a necessidade de retomada de políticas públicas no
campo do HIV/aids que articulem as evidências sobre novas tecnologias de prevenção
e tratamento às experiências de mobilização das quais as comunidades mais afetadas
pela epidemia são protagonistas. Essas políticas devem estar ancoradas no horizonte dos
direitos humanos e, por sua vez, ser culturalmente sensíveis, considerando as diferenças
geracionais, os distintos pertencimentos sociais e o respeito à autonomia das escolhas
preventivas e de cuidado. Além disso, devem desenvolver estratégias de redução de
vulnerabilidades a partir do enfrentamento de contextos materiais, culturais e políticos
de injustiça social e discriminação às pessoas e às comunidades afetadas pela epidemia29.
Finalmente, como Mol44 nos informa, o cuidado é múltiplo, pois se faz nas práticas,
com suas imprevisibilidades, diferentes relações e condições, podendo ocorrer novas
experimentações, com o objetivo de se produzir uma existência possível. No campo da

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Risco, prazer e sexo farmacologicamente seguro   Duarte FM et al.

prevenção, esse aspecto é relevante na medida em que é preciso considerar a existência de


outras práticas, saberes, dinâmicas e formas de negociação do risco/cuidado, levando-se
em consideração as dimensões do desejo/prazer e os tensionamentos no campo da própria
sexualidade, como uma “zona fronteiriça” de coexistência diversa, por exemplo, de norma
e transgressão45.
Nessa direção, a PrEP e a CVI=I levantam desafios, mas também oportunidades para os
serviços de saúde, profissionais e usuários no que se refere ao enfrentamento de tabus
relacionados à sexualidade e ao HIV/IST. Ademais, elas provocam a necessidade de se
produzir novas abordagens de prevenção e cuidado que considerem as vulnerabilidades e
os processos de estigmatização ou de desvalorização do outro.

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Financiamento: UNITAID (processo - #2017-15 - FIOTECPrEP). Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da


Bahia (FAPESB – process APP 0016/2016).

Contribuição dos autores: Concepção e planejamento do estudo: FMD, LAVS. Coleta, análise e interpretação
de dados: FMD, SAB, JSV, LAVS. Preparação ou revisão do manuscrito: FMD, SAB, ML, JSV, LM, ID, LAVS.
Aprovação da versão final: FMD, SAB, ML, JSV, LM, ID, LAVS. Responsabilidade pública pelo conteúdo do
artigo: FMD, SAB, ML, JSV, LM, ID, LAVS.

Conflito de interesses: Os autores declaram não haver conflito de interesses.

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