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MEMORIAL
Pedro Henrique Bezerra Gondim Olivera
Parte 1:
Eu fui criado por mãe solteira sem nenhum tipo de assistência da família dela. Ela
acabara de se divorciar do meu pai e ele não aparecia muito para cumprir com seus
deveres. Minha educação foi baseada em uma presença feminina muito rigorosa, então
desde cedo aprendi sobre responsabilidades e consequências. Sempre fui incentivado a
estudar muito- "meu filho, tudo que posso lhe deixar é a educação. O resto é dever seu
correr atrás"- e isso me fez entender o quanto o conhecimento é valioso. Sempre me
destaquei na escola, tinha bolsa em uma escola particular, e também sempre me interessei
em aprender coisas novas. Esta particularidade foi diminuindo com um tempo,
principalmente quando entrei no ensino fundamental 2- quando eu comecei a morar com
meu pai, pois minha mãe teve alguns problemas de saúde- e, com isso, comecei a
"decorar" apenas o conteúdo para as provas. Quando eu completei meu ensino médio, eu
entrei para o curso de engenharia de pesca. Logo de início já fui percebendo que minha
inteligência já não era mais o suficiente( já não funcionava mais só estudar para as provas),
então tive que aprender a estudar novamente. Depois de 2 semanas de presencial, a
pandemia começou e com isso veio o lockdown. Virei monitor voluntário de ecologia e
descobri minha paixão por lecionar e preparar materiais didáticos. Durante a pandemia
comecei a dar aulas particulares e assim só se confirmou meu amor pela docência. Desde
então trabalho dando aulas particulares. Já lecionei para diversas particularidades, desde
alunos com dificuldades básicas a alunos de turmas olímpicas e militares. Uma das minhas
melhores experiências lecionando foi no quintal da minha tia, que montou um reforço
escolar neste ambiente. Conheci várias pessoas legais e histórias maravilhosas. Entendi
que ser professor é muito além de passar conteúdo. Ser professor é cativar seus alunos e
estimulá-los a se permitirem conhecerem mais sobre as mais diversas áreas. Depois disso
comecei a trabalhar no Alpha, uma cursinho para escolas particulares, onde minha
experiência não foi tão boa, mas foi uma experiência edificante ainda sim. Amadureci meu
método de ensino, apesar de cair na falácia da mercantilização da educação. Não via mais
propósito na educação a não ser ganhar dinheiro e sobreviver. Decidi sair do Alpha, pois
essa lógica estava minha adoecendo e entrei para o Integra, local no qual trabalho até hoje.
Este novo curso é especializado para crianças com déficit de aprendizagem, então os laços
que eu criei com elas me ajudaram a enxergar de novo o que é ser professor… o que é ser
uma inspiração, de certa forma. O que me ajudou a realmente me firmar como apaixonado
pela minha profissão, foi ver que toda hora eu pensava em maneiras diferentes de dar uma
aula melhor. Foi em uma conversa que eu tive com o meu barbeiro que entendi o que era
esse meu sentimento. Ele estava falando sobre como é bom se dedicar inteiramente àquilo
que nós amamos. Foi aí que eu finalmente descobri meu propósito e me reconectei com
minha paixão, que é sempre conhecer e ter curiosidade e passar isso para frente. Esse é
meu legado.
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Parte 2:
Este ano eu tive a felicidade de conhecer uma pessoa maravilhosa e me juntar a ela.
Moramos juntos, estamos construindo nosso futuro e isso tudo está muito lindo. Eu passo o
dia todo trabalhando e indo às aulas da faculdade (durante os intervalos das aulas me
encaminho para dar aulas para os meus alunos). Saio cedo e chego tarde em casa. Além
disso, sou membro do Diretório Acadêmico e isso agregou ainda mais responsabilidades no
meu cotidiano. Tento ficar alguns dias da semana na casa da minha mãe, para ela não
sentir que estou me afastando muito e isso tem me dividido muito e tem sido bastante
cansativo. Minha semana é lotada, então os horários livres que tenho para estudar são de
manhã bem cedo ou de madrugada. Me sinto decepcionado comigo mesmo por não estar
indo para academia, por falta de tempo e vontade, pois era onde eu descarregava meu
stress e conseguia me sentir menos exausto. Inclusive, enquanto escrevo este documento,
já estou me organizando para arrumar a casa e deixar tudo pronto para começar minha
rotina. Tenho estudado com o método Feynman, que consiste em dar aula para si mesmo
-de forma simples- do que você acabou de estudar. Este método tem me ajudado a fixar o
conteúdo e me inspirar em novos jeitos de dar aulas. Eu tô tendo muita dificuldade em ficar
em dias com os compromissos da faculdade, por causa da minha rotina super lotada. Mas,
esse desafio tem me estimulado bastante e estou dando conta aos poucos.
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Parte 3:
Todo ano eu tenho a ideia de fazer um concurso- gosto de me preparar para provas-,
mas acabo não concluindo o plano. Este ano pretendo fazer diferente: vou me preparar para
o concurso para professor de ciências da prefeitura de Caucaia. É um concurso que faz
sentido para mim, pois é para o cargo de professor, que é minha vocação. Quero me
organizar melhor com meus estudos, me inspiro muito na forma que minha companheira é
organizada e dedicada às coisas que ela se propõe a fazer e isso tem me feito ter muitas
ideias. Provavelmente eu irei tentar me preparar para a prova do ITA também, pois é uma
coisa que sempre quis e é bem desafiador para mim. Estou juntando uma grana, pois é um
que eu e a Ana temos: estudar e formar uma vida fora do país. Este sonho demanda várias
etapas e é muito estimulante pensar nisso. É claro que priorizo, acima de tudo, meu projeto
de ser professor. Por isso, quero acumular o máximo de experiências, para que eu possa
passar toda essa vivência para os meus alunos. Quero ser um professor que impacte, de
forma positiva, a vida deles. Portanto, para eu ser o melhor, tenho que começar a me
preparar. É muito empolgante falar sobre isso. Me faz lembrar do que me fez começar e
aonde quero chegar.