TEORIA GERAL DO PROCESSO
TGP
PROFESSOR: ALBERNEI GALIZA
• TEORIA GERAL DO PROCESSO
Noções introdutórias e históricas. Faculdades Fundamentais do Direito
Processual: Jurisdição, Ação, Defesa e Processo. Aplicação do Direito Processual.
A Instrumentalidade do Processo. Estrutura do Poder Judiciário e Competência.
Processo e Constituição: remédios constitucionais e as ações coletivas. Formas
Alternativas de Resolução de Conflitos: conciliação, mediação e arbitragem.
Bibliografia:
GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo curso de direito processual civil: teoria geral e
processo de conhecimento. 15 ed. São Paulo: Saraiva, 2018. v. 1.
MELLO, Cleyson de Moraes. Teoria geral do processo. Processo, 2019. Disponível em:
[Link]
SILVA, Rodrigo Otávio Monteiro da. Teoria Geral do Processo. Curitiba: Intersaberes,
2022. disponível
em:<[Link]
AVALIAÇÕES:
-VA I: 15 pontos
-VA II: 25 pontos
-VA III: 35 pontos
- TDES: 25 pontos
CHAMADA
TRABALHOS
Sociedade e tutela jurídica
Se pudéssemos conceituar Direito diríamos que é “o conjunto das normas gerais e
positivas que regulam a vida social”. Portanto, o principal objetivo do Direito é
harmonizar as relações sociais intersubjetivas; é tornar possível a vida em sociedade,
conferindo-lhe ordem (ubi jus ibi societas – não há direito sem sociedade) através de
regras de conduta dotadas de coercibilidade.
O Direito exerce sobre a sociedade a função ordenadora. Coordenação dos interesses
que se manifestam na vida social.
Organiza a cooperação entre pessoas e compõe os conflitos.
Harmonizar as relações sociais intersubjetivas, a fim de ensejar a máxima realização
dos valores humanos com o mínimo de sacrifício e desgaste.
O Critério dessa harmonização é o critério equitativo e justo de acordo com os valores
prevalentes em determinado tempo e em determinado lugar.
CONFLITOS E INSATISFAÇÕES
A existência do direito regulador da cooperação entre pessoas e apto
a atribuição de bens a elas não é suficiente para evitar ou eliminar
conflitos.
Os conflitos são gerados a partir do momento em que alguém
pretendo para si determinado bem, não pode obtê-lo, seja porque
aquele que poderia satisfazer não a satisfaz, seja porque a própria
ordem jurídica proíbe a satisfação voluntária da pretensão.
Ex: Casamento não pode ser anulado por simples ato consensual das
partes, sendo necessária uma sentença que o anule.
A eliminação dos conflitos ocorrentes na vida em sociedade pode ser
obtido por obra de um ou de ambos os sujeitos dos interesses
conflitantes, ou por ato de terceiro.
Quando os sujeitos consente no sacrifício total ou parcial ocorre a
solução consensual, ou autocomposição)
Quando impõe o sacrifício do interesse alheio ( autodefesa ou
autotutela).
Conciliação, mediação e o processo ( estatal ou arbitral)
DA AUTOTUTELA A JURISDIÇÃO
Havendo entre duas pessoas ou grupos de pessoas um conflito, em princípio
para a solução do conflito deve-se invocar o Estado-Juiz, o qual dirá afinal qual
a vontade do ordenamento jurídico para o caso concreto e para que haja a
satisfação efetiva do direito, fala-se em execução.
Nas fases primitivas das civilização dos povos inexistia um Estado
suficientemente forte para superar os ímpetos individualistas. Não havia leis
(normas gerais e abstratas).
Os conflitos eram solucionados mediante imposição da força ou da astúcia.
Os atos criminosos eram reprimidos em regime de vingança privada.
Inicialmente o Estado, quando chamou para si o direito de punir, não observa
limites, não havia órgãos ou julgadores imparciais. Predomínio da autotutela ou
autodefesa.
Traços característicos da autotutela: a) ausência de juiz distinto das partes; b)
imposição da solução dos conflitos por uma das partes à outra.
Além da autotutela, outra solução possível, nos sistemas primitivos, a autocomposição.
Formas de autocomposição: a) desistência. b) submissão ( renúncia à resistência
oferecida à pretensão); c) transação ( concessões recíprocas).
Soluções de conflito de natureza parcial. No sentido de que dependem da vontade e da
atividade de uma ou de ambas as partes envolvidas. ( solução consensual de conflitos)
Os indivíduos começam a preferir, uma solução amigável e imparcial através de
árbitros, pessoas de sua confiança mútua. Geralmente sacerdotes ou anciãos.
Decisão do árbitro pauta-se pelos padrões acolhidos no sentimento coletivo, inclusive
costumes. O juiz surge antes do legislador.
Para facilitar a sujeição das partes às decisões de terceiro, a autoridade pública começou
a preestabelecer, em forma abstrata, regras destinadas a servir de critério objetivo e
vinculativo para tais decisões, afastando assim os temores de julgamentos arbitrários e
subjetivos. Surge, então, o legislador. A Lei das XII tábuas, do ano 450 a.C, é um marco
histórico fundamental dessa época.
Após período arcaico e clássico, veio outro, que se caracterizou pela invasão de área
antes não pertencente ao pretor: contrariando o ordem estabelecida, passou este a
conhecer ele próprio do mérito dos litígios entre os particulares, inclusive proferindo
sentença, em vez de nomear ou aceitar a nomeação de um árbitro que o fizesse.
O Estado passa a se impor sobre os particulares, de modo imperativo, solucionando os
conflitos. Os Juízes estatais passam a examinar as pretensões e resolvem os conflitos
iniciando, portanto, o que se denomina de Jurisdição.
Juiz passa a agir em substituição às partes, que não podem fazer justiça com as
próprias mãos.
A jurisdição se exerce através do processo. O processo é o instrumento por meio
do qual os órgãos jurisdicionais atuam para pacificar as pessoas conflitantes,
eliminando os conflitos e fazendo cumprir o preceito jurídico pertinente a cada
caso que lhes é apresentado em busca de solução.
A FUNÇÃO ESTATAL PACIFICADORA (JURISDIÇÃO)
O Estado moderno exerce seu poder para a solução de conflitos individuais.
O poder Estatal abrange a capacidade de dirimir conflitos que envolvem pessoas
( inclusive o Estado).
A Jurisdição visa a pacificação social mediante a eliminação de conflitos por uma decisão
justa.
Através dos objetivos da Jurisdição, o Estado institui o sistema processual, ditando
normas a respeito ( direito processual) criando órgãos jurisdicionais, exercendo assim o
seu poder.
MEIOS ALTERNATIVOS DE SOLUÇÃO DOS CONFLITOS
O processo é necessariamente formal, uma vez que sua forma
constitui o modo pelo qual as partes tem garantia de legalidade e
imparcialidade no exercício da jurisdição ( princípio da legalidade e
do devido processo legal.
No processo, as partes tem o direito de participar intensamente,
pedindo, requerendo, respondendo, impugnando, provando,
recorrendo. Garantia ao contraditório.
Tais ações demandam tempo, o que prejudica a efetividade da
função pacificadora.
Custa processuais, honorários advocatícios, perícias, recurso, são capazes de estreitar o
canal de acesso à justiça.
Surgimento dos meios alternativos dos conflitos: Mediação, conciliação e arbitragem.
Características: Ruptura com o excesso de formalismo.
O CPC estabelece com bastante amplitude que o Estado promoverá sempre que possível,
a solução consensual dos conflitos (art. 3º, §2º).
Art. 139- O Juiz deve promover a qualquer tempo a autocomposição, preferencialmente
com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais.
No procedimento comum a citação do réu, será acompanhada de uma intimação para
comparecer a uma audiência de conciliação que não será realizada se houve
manifestação das partes pelo desinteresse ou o caso não comportar a autocomposição.
Lei dos Juizados Especiais é voltada para a conciliação como meio de
solução dos conflitos.
Em matéria criminal. Acordo de não persecução penal, transação penal,
suspensão condicional do processo.
JURISDIÇÃO CONCEITOS E PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
CONCEITO DE JURISDIÇÃO
É uma das funções assumidas e exercidas pelo Estado, mediante a qual este se substitui
aos titulares dos interesses em conflito que os envolve com justiça. Essa pacificação é feita
mediante a atuação da vontade do direito objetivo que rege o caso apresentado em
concreto pertinente ao caso ( mediante uma decisão de mérito). Seja ao realizar ou fazer
com que se realize no mundo das coisas o que o preceito estabelece ( execução forçada).
Jurisdição é poder, função e atividade.
Poder é a manifestação do poder estatal, conceituado como capacidade de decidir
imperativamente e impor decisões.
Função: expressa o encargo que tem os órgãos jurisdicionais de promover a pacificação
de conflitos interindividuais, mediante a realização do direito justo e através do processo.
Atividade: É o complexo de atos do juiz ou do árbitro no processo, exercendo o poder e
cumprindo a função que a lei lhes comete.
A jurisdição exercida pelo árbitro tem as mesmas características e eficácia da jurisdição
exercida, ressalvados os atos de constrição exercidos sobre pessoas ou bens.
CARATER SUBSTITUTIVO DA JURISDIÇÃO
Exercendo a jurisdição, o Estado ou o Árbitro substituem, com sua atividade, as
atividades daqueles que estão envolvidos no conflito trazido á apreciação.
A Jurisdição é exercida através de pessoas físicas, que constituem seus agentes , ou seus
órgãos ( o Juiz exerce a jurisdição estatal, complementada a sua atividade pelos órgãos
auxiliares da justiça).
Juízes devem ser imparciais. Havendo interesse no litígio devem se declarar suspeitos
ou impedidos. Parentesco, amizade íntima, inimizade capital
OUTRAS CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO
A Lide é uma característica constante na atividade jurisdicional quando se trata de
pretensões insatisfeitas que poderiam ter sido satisfeitas pelo obrigado.
A Lide é um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. Alguém
pretende um determinado bem ou uma dada situação e o outro se nega a dar-lhe esse
bem. (obrigação de entregar um bem, obrigação de fazer, de não fazer).
A Inércia dos órgãos jurisdicionais é mais uma das características da Jurisdição. O
interessado deve buscar o judiciário para a solução do conflito.
A insatisfação de alguém é que motiva a instauração do processo. Artigo 2º do CPC ( O
processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo
exceções previstas em lei)
Exceções à inércia estatal: O juiz pode declarar de ofício a falência de uma empresa
em regime de recuperação judicial quando verifica que falta algum requisito para o
prosseguimento desta. O habeas corpus poderá ser concedido de ofício.
Os Atos jurisdicionais são imutáveis. Não podendo ser revistos ou modificados. A
CF/88 reza que A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a
coisa julgada.
AUTOTUTELA, AUTOCOMPOSIÇÃO E ARBITRAGEM NO DIREITO MODERNO
Apesar da enérgica repulsa à autotutela como meio ordinário para a satisfação de pretensões em
benefício do mais forte ou mais astuto, em relação a certos casos excepcionalíssimos a própria lei
abre exceções a tal proibição. Constituem exemplos o direito de retenção (CC, arts. 578,644, 1219,
1433, inc II, 1433, inc II, 1434, etc.) o desforço imediato (cc, art. 1210,§1º), o direito de cortar raízes
e ramos de árvores limítrofes que ultrapassem a extrema do prédio (CC, ar.1283), a
autoexecutoriedade das decisões administrativas etc. De certo modo podem ser incluídas entre
essas exceções o poder estatal de efetuar prisões em flagrante (CPP, art. 301) e os atos que, embora
tipificados como crimes, sejam realizados em legítima defesa ou estado de necessidade (CP, arts. 24
e 25- CC arts. 188, 929 e 930).
Razões pelas quais se admitem conduta unilateral: a) impossibilidade de estar o Estado-juiz
presente sempre que um direito esteja sendo violado ou prestes a sê-lo; b) a ausência de confiança
de cada um no altruísmo alheio, inspirador de uma possível autocomposição..
Autocomposição: meio alternativo de solução de conflitos consistentes na conciliação e mediação.
Autocomposição é admitida quando o interesse material for disponível. Transação,
submissão e renúncia ( processual ou extraprocessual).
Utiliza-se um terceiro facilitador para ajudar os interessados a encontrar solução para os
conflitos.
Conciliação é mais indicada para solução de conflitos que não se protraiam no tempo (
acidentes de veículos, relações de consumo)
Mediação visa prioritariamente a trabalhar o conflito, consistindo na busca de um acordo
objetivo secundário, e é mais indicada para conflitos que se protraiam no tempo ( relações
de vizinhança, de família ou entre empresas).
A autocomposição é instrumento precipuamente voltado à pacificação social, em alguns
casos mais que a própria sentença, pois lida com todo o conflito existente entre as partes
em sua vida real e não apenas com a parcela de conflito levada a juízo.
O juízo arbitral é delineado no direito brasileiro da seguinte forma: a) convenção de
arbitragem b) limitação dos litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis; c)
restrições à eficácia da cláusula compromissória inserida em contrato de adesão; d)
capacidade das partes; e) possibilidade de escolherem as partes as regras de direito
material a serem aplicadas na arbitragem.
Possibilidade de convencionar que a arbitragem se realize com base nos princípios gerais
de direito, nos usos e costumes e nas regras internacionais de comércio. Exceção:
arbitragem que envolva a administração pública.
Desnecessidade de homologação judicial da sentença
Atribuição a esta dos mesmo efeitos, entre as partes, dos julgados proferidos pelo Poder
Judiciário ( valendo de título executivo se for condenatória)
Possibilidade de reconhecimento e execução de sentenças arbitrais produzidas no exterior.
Árbitros não podem executar suas próprias sentenças, uma vez que não são revestidos do
poder estatal.
CONTROLE JURISDICIONAL INDISPENSÁVEL
Em certas matérias não se admitem a autotutela, nem é permitida a autocomposição para
a imposição de sanções legais.
Algumas situações regidas pelo direito privado ( anulação de casamento, suspensão ou
perda do poder familiar)
Nesses casos o processo é o único meio de obter a efetivação das situações ditadas pelo
direito material ( imposição da pena, dissolução do vínculo, etc)
No início da civilização dos povos inexistia a consciência da distinção entre ilícito civil e
ilícito penal.
O Estado passa a perceber que certas condutas além de prejudicar os particulares,
prejudica a ele próprio, Estado ou à sociedade que ele corporifica.
Surgimento da ideia da pena e do Estado como titular do direito de
punir.
Proibido a aplicação de qualquer pena sem prévia realização de um
processo ( nulla poena sine judicio). Proibição de autotutela do Estado;
proibição autocomposição.
Ampla defesa ( art. 5º, inc. LV CF)
PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO PROCESSUAL
Conceito e delimitação conceitual
Princípios são certas ideias básicas, ou fundamentais, sobre as quais se apoiam todas as
ciências. São como alicerces de uma construção, que se situam fora da edificação mas sem cujo
apoio não se sustenta.
Princípios devem ser observados pelo legislador na construção das leis processuais, em sua
interpretação e em sua aplicação em casos concretos..
Princípios do direito e da ciência do processo são principalmente aqueles estabelecidos na
Constituição Federal.
Segundo a doutrina clássica, os princípios têm quatro funções básicas, quais sejam:
(a)inspiradora do legislador; (b) interpretativa; (c) suprimento de lacunas; (d) sistematização
do ordenamento, dando suporte a todas as normas jurídicas e possibilitando o equilíbrio do
sistema.
Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional
A garantia do controle jurisdicional constitui uma verdadeira porta de entrada no
campo da jurisdição, pois significa que os indivíduos sempre hão de ser admitidos em
juízo para a busca de reconhecimento, satisfação ou acautelamento de seus alegados
direitos.
Art. 5º, inc. XXXV da CF/88 “ a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão
ou ameaça a direito.
CPC art. 3º, caput: “ não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a
direito.
Exceções: regras de competência internacional; a exclusão da censura jurisdicionais de
atos da administração pública, por razões de oportunidade ou conveniência ( mérito do ato
administrativo) ; sentenças arbitrais por razões de mérito.
Princípio da Razoável duração do processo.
Assevera o art. 5o , inciso LXXVIII, da CF: “A todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua
tramitação”.
princípio inserido como uma garantia fundamental processual a fim de que a decisão seja
proferida em tempo razoável. Dizia Carnelluti que o tempo é um inimigo no processo, contra o
qual o Juiz deve travar uma grande batalha. Para Rui Barbosa, a justiça tardia é injustiça
manifesta. Não se trata, apenas de regra apenas programática, ou de um regra que dependa de
regulamentação e especificação por lei ordinária, mas sim de um princípio fundamental que
deve nortear toda a atividade jurisdicional, seja na interpretação da legislação, seja para o
próprio legislador ao editar normas. A eficácia deste princípio é imediata nos termos do § 1o do
art. 5o da CF, não necessitando de lei regulamentadora. A duração razoável do processo deve ser
avaliada no caso concreto, segundo o volume de processos em cada órgão jurisdicional, a
quantidade de funcionários, condições materiais e quantidade de magistrados. Não obstante,
devem os Poderes Executivo e Legislativo aparelhar o Judiciário com recursos suficientes para
que o princípio seja efetivado.
PRINCÍPIO DA IGUALDADE (ISONOMIA)
Art. 5º, caput CF/88: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
As partes e os procuradores merecem tratamento igualitário para que tenham as
mesmas oportunidades de fazer valer em juízo as suas razões.
Artigo 7º: É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de
direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à
aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.
Não é um princípio absoluto: Igualdade substancial. Algumas classes de pessoas
merecem tratamento diferenciado. Hipossuficientes.
PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA
Contraditório é participação. Consiste na efetiva oferta de reais oportunidades para que
os litigantes possam pedir, alegar, resistir, provar, argumentar e recorrer.
A lei deve definir os momentos para que cada uma das partes peça, alegue, prove e
recorra quando for o caso.
Para a efetivação do contraditório e da ampla defesa o juiz também será responsável,
não só as partes. É dever do juiz franquear às partes o efetivo exercício das faculdades e
poderes inerentes à ação e à defesa, tem ele também o dever de participar ele próprio
comandando o andamento do processo, corrigindo-lhe eventuais falhas, determinando
ex-ofício a realização de provas indispensáveis não requeridas pelas partes.
Princípio da imparcialidade e do juiz natural
A imparcialidade é indissociável da jurisdição ( juiz ou árbitro). Haveria uma
inconstitucional contradição, ou mesmo uma traição, se o Estado, havendo obrigado as
partes a trazer ao juiz as suas pretensões contrapostas, vedando a autotutela e
investindo este no poder de impor imperativamente a solução que lhe pareça correta´,
permitisse que a condução do processo e a solução da causa pudessem ficar a cargo de
um sujeito já comprometido com os interesses de um dos litigantes. Da mesma maneira
os árbitros, que são escolhidos por ambas as partes.
Juiz Natural é aquele previamente instituído pela Constituição e por lei.
Duplo significado: Só é juiz o órgão investido de jurisdição (afastando-se desse modo, a
possibilidade de o legislador julgar)
Impossibilidade de tribunal ad hoc e de exceção para o julgamento de causa penais ou
civis.
PRINCIPIO DA PUBLICIDADE
Constitui garantia do indivíduo no tocante ao exercício da jurisdição.
Possibilidade de acompanhamento das audiências pelo público em geral.
Possibilidade de exame dos autos por qualquer pessoa.
A publicidade está prevista pelo CPC, conforme artigo 8º: Art. 8º Ao aplicar o
ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum,
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a
proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.
Exceção ao princípio da publicidade: Casos em que o decoro, o zelo pela privacidade ou
interesse social aconselhem que não seja divulgados. Publicidade restrita.
Limitação de acesso aos autos às partes e seus advogados. Processos em segredo de
justiça.
MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS.
esse princípio diz respeito ao dever de fundamentar as decisões
judiciais de modo a trazer segurança ao devido processo legal. Previsto
não só no Código de Processo Civil, mas, sobretudo, na Constituição
Federal é de grande importância.
Visa o controle sobre o exercício da função jurisdicional.
Ausência de motivação constitui vício formal, reputando-se invalidade a
decisão judiciária. Nulidade absoluta.
Compromete a segurança das partes em relação a idoneidade do
julgamento e diz respeito à própria estrutura do sistema e à ordem
pública.
expressamente elencado na Constituição Federal de 1988, no art. 93, in verbis:
IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença,
em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em
casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não
prejudique o interesse público à informação;
De maneira lógica podemos ainda inferir que esse princípio deve ser tratado como
cláusula pétrea. Isso ocorre porque a Constituição dispõe no inciso LIV do art. 5º que:
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”, e
concluindo que o Devido processo legal é irradiado por outros princípios, como o
Princípio da Motivação das Decisões Judiciais, deduzimos que se trata de cláusula pétrea
disposta no artigo 60, § 4º, IV, da CF/88, que trata da impossibilidade de emenda
tendente a abolir os direitos e garantias individuais.
PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO
O duplo grau de jurisdição é um princípio de direito processual. Assim, é o direito que as
partes têm de verem seus recursos sendo julgados por um órgão diferente daquele que
proferiu a decisão, o chamado juízo ad quem, ou seja, um juízo superior àquele que
julgou o caso em primeira instância.
O princípio do duplo grau de jurisdição objetiva garantir ao recorrente o direito de
submeter a matéria decidida a uma nova apreciação jurisdicional, seja total ou parcial,
desde que atendidos determinados pressupostos específicos, previstos em lei.
Dessa forma, considera-se que duplo grau de jurisdição somente existe quando o
tribunal ad quem, superior hierarquicamente na estrutura jurisdicional, analisa um
recurso de uma das partes da relação processual insatisfeita com a decisão do juízo a
quo.
Apesar de muitos afirmarem que o duplo grau é um direito fundamental,
verifica-se que ele não está devidamente expresso na Constituição Federal de
1988. O que muitos doutrinadores fazem é considerar tal princípio como estando
implícito.
PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE
Compreende-se o justo equilíbrio entre os meios empregados e os fins a serem
alcançados.
O principio da proporcionalidade pretende instituir a relação entre fim e meio,
confrontando o fim e o fundamento de uma intervenção com os efeitos desta para
que se torne possível um controle do excesso.
Sua principal função é exercitada na esfera dos direitos fundamentais servindo
também de atualização e efetivação da proteção da liberdade aos direitos
fundamentais.
Subprincípios relacionados à proporcionalidade
a) Principio da Adequação ou da Idoneidade
Para fazer valer o princípio da proporcionalidade, o juízo de
adequação da medida adotada para alcançar o fim proposto deve ser
o primeiro a ser observado.
Trata-se, pois, de adequar a relação dos meios aos fins, ou seja
exige-se que qualquer medida restritiva deve ser idônea à
consecução à finalidade perseguida, pois, se não for apta para tanto,
há de ser considerada, inconstitucional.
b) Principio da Exigibilidade ou da Necessidade
Este princípio tem como pressuposto que a medida restritiva indispensável para a conservação do
próprio ou de outro direito fundamental que não possa ser substituída por outra igualmente eficaz,
mas menos lesiva.
Conclui-se, portanto, que o princípio da necessidade traz em si o requisito da adequação. Só se fala
em exigibilidade se o meio empregado pelo legislador for idôneo à prossecução do fim
constitucional.
c) Principio da Proporcionalidade em Sentido Restrito
O Princípio da proporcionalidade visa indicar se o meio utilizado encontra-se em razoável
proporção com o fim perseguido. Quando se chega a conclusão da necessidade e adequação do
meio para alcançar determinado fim, deve-se perguntar se o resultado obtido com a intervenção é
proporcional à carga coativa da mesma. Meios e fim são colocados em equação mediante um juízo
de ponderação, a fim de se avaliar se o meio utilizado é ou não desproporcionado em relação ao
fim. A inconstitucionalidade ocorre, enfim, quando a medida é excessiva, injustificável, ou seja, não
cabe na medida da proporcionalidade. A proporcional idade strictu sensu deverá sempre ser
conectada aos princípios da adequação e da necessidade. Este princípio há de ser inferido a partir
de técnica de ponderação de bens.
PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL
A garantia do devido processo legal ( CF, art. 5º, LIV) constitui um sistema de
limitações ao exercício do poder, mediante traçado de instransponíveis landmarks
além dos quais não pode passar o próprio legislador, o administrador nem o juiz,
sob pena de violação ao próprio regime democrático constitucionalmente
assegurado no Estado-de- direito.
O princípio do devido processo legal constitui um núcleo de convergência e uma
condensação metodológica de todos os princípios constitucionais, recebendo de
parte da doutrina a qualificação de cláusula organizatória, porque observar essa
garantia é oferecer isonomia processual, o juiz natural, o contraditório, a
inafastabilidade do controle jurisdicional, a publicidade, a possibilidade de ampla
defesa, é cumprir o devido processo legal.
PRINCÍPIO DO IMPULSO OFICIAL
Impulso processual é a promoção da caminhada do procedimento ao seu destino final,
seja por atos das partes ou do juiz. Quando o impulso é promovido por este, tem-se o
impulso oficial, sabendo-se também que uma vez instaurado o processo, em princípio
o juiz não fica na dependência das provocações das partes para que ele prossiga. É
seu dever mover o procedimento de fase em fase, até exaurir a função jurisdicional.
PERSUASÃO RACIONAL DO JUIZ
Tal princípio, regula a apreciação e a avaliação das provas existentes nos autos,
indicando que o juiz deve formar livremente sua convicção. Situa-se entre o sistema da
prova legal e o do julgamento secundum conscientizam.
Prova legal significa atribuir aos elementos probatórios valor inalterável e prefixado, que
o juiz aplica mecanicamente.
Julgamento secundum conscientizam, o juiz pode decidir com base na prova dos autos
mas também sem provas e até mesmo contra a prova.
Exemplo de sistema da prova legal é dado pelo antigo processo germânico, onde a prova
representava, na realidade, uma invocação a DEUS. Ao juiz não competia a função de
examinar o caso, mas somente a de ajudar as partes a obter a decisão divina.
Os julgamentos secundum conscientizam são adotados pelos tribunais do júri,
compostos por juízes populares- os quais decidem pela condenação ou absolvição, com
absoluta liberdade e sem sequer motivar suas decisões.
Século XVI início do sistema intermediário do livre convencimento do juiz, ou da
persuasão racional, que se consolidou sobretudo com a Revolução Francesa de 1791. O
Brasil adota o princípio da persuasão racional: O juiz não é desvinculado da prova e
dos elementos existentes nos autos, mas sua apreciação não depende de critérios legais
determinados a priori. O juiz só decide com base nos elementos existentes no processo,
mas os avalia segundo critérios críticos e racionais.
PODER JUDICIÁRIO- FUNÇÕES, ESTRUTURA E ÓRGÃOS
O Poder Judiciário do Brasil é o conjunto dos órgãos públicos ao qual a Constituição
Federal brasileira atribui a função jurisdicional, ou seja, de solucionar as lides que lhes
são encaminhadas.
O Poder Judiciário é regulado pela Constituição Federal nos seus artigos 96 a 126. Em
geral, os órgãos judiciários brasileiros exercem dois papéis. O primeiro, do ponto de
vista histórico, é a função jurisdicional, também chamada jurisdição. Trata-se da
obrigação e da prerrogativa de compor os conflitos de interesses em cada caso
concreto, através de um processo judicial, com a aplicação de normas gerais e
abstratas. O segundo papel é o controle de constitucionalidade.
O exercício da jurisdição, assegurado constitucionalmente, é disciplinado por vários
princípios, balizas doutrinárias, conexões com a principiologia processual, ligações com
a Teoria do Estado, mas também deve ser regrado de ponderações de ordem mais
praticista, fundadas na ordem jurídica constitucional vigente.
É com este escopo que se organiza uma espécie de “esquema” de apresentação do
exercício da jurisdição no Brasil, indo do STF até o juiz estadual de primeira instância.
Os órgãos judiciários brasileiros podem ser classificados quanto ao número de
julgadores (órgãos singulares e colegiados), quanto à matéria (órgãos da justiça comum
e da justiça especial) e do ponto de vista federativo (órgãos estaduais e federais). Um
Tribunal Regional Federal é órgão colegiado, enquanto que um Juiz Federal é
considerado órgão singular. Da mesma maneira, o Tribunal de Justiça de um estado é
órgão colegiado, sendo o Juiz de Direito um órgão singular.
Os Tribunais e Juízes estaduais, os Tribunais Regionais Federais e os Juízes Federais
são considerados órgãos de justiça comum. Já os Tribunais e Juízes do Trabalho,
Eleitorais e Militares formam a justiça especial, por decidirem sobre matérias
específicas de cada área de atuação. Por fim, os juízes de 1º grau estão distribuídos em
comarcas (de diferentes entrâncias – aqui em Goiás, as maiores são de 3ª entrância; as
médias são de 2ª; e as menores são de 1ª; havendo aquelas, ainda, que de tão pequenas
são respondidas por outra, por região), se tratar de justiça estadual; ou seções
judiciárias, se justiça federal, os quais costumam coincidir com as comarcas.
Supremo Tribunal Federal (STF)
Trata-se do tribunal eminentemente “constitucional” na sistemática jurisdicional pátria,
responsável pelo julgamento dos casos mais notórios de eventuais ofensas à
Constituição Federal. O STF não é uma Corte só de controle e guarda da Constituição,
uma vez que, na estrutura pátria, também se vê às voltas com o julgamento de recursos
extraordinários (controle constitucional difuso), conflitos de competência entre
tribunais, conflito entre Estado estrangeiro e a União, a revisão criminal de seus
julgados, dentre outras matérias nas quais o foco não é um julgamento apenas de ordem
constitucionalista mas que são abordadas matérias constitucionais. O Supremo Tribunal
Federal (STF) é o guardião da Constituição Federal. Compete-lhe, dentre outras tarefas,
julgar as causas em que esteja em jogo uma alegada violação da Constituição Federal, o
que ele faz ao apreciar uma ação direta de inconstitucionalidade ou um recurso contra
decisão que, alegadamente, violou dispositivo da Constituição.
Na CF/88, o STF é disciplinado nos arts. 101/103. É composto por 11 Ministros,
escolhidos entre cidadãos com mais de 35 anos e menos de 65 anos, de notável saber
jurídico e conduta ilibada. Os Ministros são nomeados pelo Presidente da República,
mas a escolha passa pela apreciação do Senado Federal.
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Trata-se do tribunal responsável pelo controle da legislação infraconstitucional (CDC,
Lei Inquilinato, ECA, ente outras) no ordenamento pátrio, introduzido pela CF/88,
substituindo o já extinto Tribunal Federal de Recursos. Previsto na Constituição
Federal, nos arts. 104/105, é composto por 33 ministros, também escolhidos pelo
Presidente da República dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade,
de notável saber jurídico e conduta ilibada. Assim como o STF, tal indicação carece de
aprovação do Senado Federal. Os 33 Ministros devem ser escolhidos tendo em mente
os seguintes critérios: - 11 devem ser escolhidos entre desembargadores federais dos
Tribunais Regionais Federais; - 11 devem ser escolhidos entre desembargadores dos
Tribunais Estaduais; - 11 devem ser escolhidos dentre advogados ou membros do
Ministério Público.
Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
Embora não exerça jurisdição propriamente, um estudo completo da estrutura básica
do Poder Judiciário não poderia deixar de abordar este Conselho, instituído no artigo
103-B da CF/88 pela Emenda Constitucional 45/04. Tal Conselho, objeto de muita
controvérsia e discussões acerca de sua constitucionalidade, deve ser composto por
15 membros com mais de 35 anos e menos de 66 anos, com mandato de 2 anos,
permitida uma recondução. Interessante na composição deste Conselho é a inclusão
de membros indicados pelo Ministério Público, pela OAB e dois cidadãos com notório
saber jurídico indicados pelo Poder Legislativo. O Conselho Nacional de Justiça
colima o controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, bem
como zelar pelo cumprimento dos deveres funcionais dos juízes.
Justiça Federal (Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais)
A Justiça Federal é prevista na Constituição Federal nos arts. 106/110. É composta
pelos Tribunais Regionais Federais os Juízes Federais. À Justiça Federal compete
processar e julgar todos os feitos em que a União, autarquias, empresas públicas e
fundações públicas e federais sejam autoras, rés ou intervenientes, bem assim os
processos criminais quando se tratar de crimes que o Brasil, por convenção
internacional, obrigou-se a coibir. Os Tribunais Regionais Federais são compostos
por no mínimo 07 juízes, recrutados, quando possível, na região do Tribunal. São
nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais de 35 e menos
de 65 anos, sendo certo que 1/5 dos nomeados deve ser dentre advogados com mais
de 10 anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público
Federal com mais de 10 anos de carreira. Os outros membros são escolhidos
mediante a promoção de juízes federais com mais de 05 anos de exercício,
promovidos por antiguidade ou merecimento.
Justiça do Trabalho
A Justiça do Trabalho é prevista nos arts. 111/116 da CF/88. É composta pelo Tribunal
Superior de Trabalho (TST), Tribunais Regionais do Trabalho (TRT) e Juízes do
Trabalho. O Tribunal Superior do Trabalho é composto por 27 Ministros, todos
escolhidos dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos. São nomeados pelo
Presidente da República, dependendo de aprovação do Senado Federal. A composição do
TST deve conter um 1/5 de membros entre advogados com mais de 10 anos de
efetividade profissional e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de 10
anos de efetivo exercício. Os demais membros devem ser indicados através de promoção
entre juízes dos Tribunais Regionais do Trabalho oriundos da Magistratura. Já os
Tribunais Regionais do Trabalho são compostos por no mínimo 07 juízes, recrutados,
quando possível, na respectiva região. São nomeados pelo Presidente da República,
dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos, sendo 1/5 dentre advogados com
mais de 10 anos de efetiva atividade profissional e membros do Ministério Público do
Trabalho com mais de 10 anos de efetivo exercício e os demais retirados mediante
promoção de juízes do trabalho, seja por merecimento, seja por antiguidade.
Os órgãos da Justiça do Trabalho são o Tribunal Superior do Trabalho (TST), os
Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e os Juízes do Trabalho. Compete-lhe julgar
as causas oriundas das relações de trabalho. Os Juízes do Trabalho formam a
primeira instância da Justiça do Trabalho e suas decisões são apreciadas em grau de
recurso pelos TRTs. O TST, dentre outras atribuições, zela pela uniformidade das
decisões da Justiça do Trabalho. Em 31.12.2004 teve a sua competência fortemente
ampliada, para processar e julgar toda e qualquer causa decorrente das relações de
trabalho, o que inclui os litígios envolvendo os sindicatos de trabalhadores,
sindicatos de empregadores, análise das penalidades administrativas impostas
pelos órgãos do governo incumbidos da fiscalização do trabalho e direito de greve.
Recebe anualmente cerca de 2,4 milhões de processos trabalhistas.
Justiça Eleitoral A Justiça Eleitoral, prevista nos arts. 118/121, é formada pelo
Tribunal Superior Eleitoral, pelos Tribunais Regionais Eleitorais, pelos juízes
eleitorais e pelas juntas eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral é composto por no
mínimo 07 membros, escolhidos (mediante eleição secreta) dentre 03 juízes entre os
Ministros do Supremo Tribunal Federal e 02 juízes dentre os Ministros do Superior
Tribunal de Justiça. Os outros dois membros são escolhidos pelo Presidente da
República dentre advogados notável saber jurídico e idoneidade moral.
Os Tribunais Regionais Eleitorais (há um em cada capital de Estado e no Distrito
Federal) são compostos de 07 juízes, sendo eleitos, por voto secreto, dois juízes entre
Desembargadores de Justiça e 02 juízes entre juízes de direito escolhidos pelo
Tribunal de Justiça; um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do
Estado ou, não havendo tal tribunal no Estado, um juiz federal escolhido pelo
Tribunal Regional Federal respectivo e dois juízes nomeados pelo Presidente da
República dentre advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral
São órgãos da Justiça Eleitoral o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os Tribunais
Regionais Eleitorais (TREs), os Juízes Eleitorais e as Juntas Eleitorais. Compete-lhe
julgar as causas relativas à legislação eleitoral. Os TREs decidem em grau de recurso
as causas apreciadas em primeira instância pelos Juízes Eleitorais. O TSE, dentre
outras atribuições, zela pela uniformidade das decisões da Justiça Eleitoral. A Justiça
Eleitoral desempenha, ademais, um papel administrativo, de organização e
normatização das eleições no Brasil.
A composição da Justiça Eleitoral é sui generis, pois seus integrantes são escolhidos
dentre juízes de outros órgãos judiciais brasileiros (inclusive estaduais) e servem
por tempo determinado.
Justiça Militar
A Justiça Militar, prevista na Constituição Federal nos arts. 122/124, é composta pelo
Superior Tribunal Militar, pelos Tribunais Militares Estaduais pelos juízes militares. O
Superior Tribunal Militar é composto por 15 membros vitalícios, nomeados pelo
Presidente da República, depois de aprovada a indicação pelo Senado Federal. Na
indicação do Presidente, 03 devem ser oficiais generais da Marinha, 04 do Exército e 03
da Aeronáutica. Já os ministros civis, dentre 35 e 65 anos, devem ser escolhidos dentre
03 advogados de notório saber jurídico e conduta ilibada (com mais de 10 anos de
efetiva atividade profissional) e dois dentre juízes auditores e membros do Ministério
Público da Justiça Militar. A Justiça Militar compõe-se do Superior Tribunal Militar (STM)
e dos Tribunais e Juízes Militares, com competência para julgar os crimes militares
definidos em lei. No Brasil, a Constituição Federal organizou a Justiça Militar tanto nos
Estados como na União. A Justiça Militar Estadual existe nos 26 Estados-membros da
Federação e no Distrito Federal, sendo constituída em primeira instância pelo Juiz de
Direito e pelos Conselhos de Justiça, Especial e Permanente, presididos pelos Juiz de
Direito. Em Segunda Instância, nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do
Sul pelos Tribunais de Justiça Militar e nos demais Estados pelos Tribunais de Justiça
Tribunais e Juízes dos Estados
A Constituição Federal determina que os estados organizem a sua Justiça Estadual,
observando os princípios constitucionais federais. Como regra geral, a Justiça Estadual
compõe-se de duas instâncias, o Tribunal de Justiça (TJ) e os Juízes Estaduais. Os
Tribunais de Justiça dos estados possuem competências definidas na Constituição de
nosso país, bem como na Lei de Organização Judiciárias dos Estados. Basicamente, o TJ
tem a competência de, em segundo grau, revisar as decisões dos juízes e, em primeiro
grau, determinadas ações em face de determinadas pessoas.
A Constituição Federal determina que os estados instituam a representação de
inconstitucionalidade de leis e atos normativos estaduais ou municipais frente à
Constituição Estadual (art. 125, §2º), geralmente apreciada pelo TJ. É facultado aos
estados criar a justiça militar estadual, com competência sobre a polícia militar
estadual. Os integrantes dos TJs são chamados Desembargadores. Os Juízes Estaduais
são os chamados Juízes de Direito. Previstos nos arts. 125/126 da CF/88, também
devem se reportar às Constituições Estaduais, principalmente no que concerne à
fixação de competência
Versa sobre as causas comuns, menos especializadas, tais como família
(separação), cível (indenização), entre outras. Para dirimir conflitos fundiários, o
Tribunal de Justiça poderá propor a criação de varas especializadas, com
competência exclusiva para questões agrárias (art. 126 da CF/88). Assim como na
Justiça Federal e na Justiça do Trabalho, também há a possibilidade, implementada
pela Emenda Constitucional 45/04, dos Tribunais de Justiça dinamizarem a Justiça
itinerante.
Competência: conceito e relações com a jurisdição
A competência mantém o mais estreito relacionamento com a jurisdição,
pois é a distribuição da jurisdição entre os diversos órgãos do Poder
Judiciário que dá vida à teoria da competência.
A jurisdição é a um só tempo poder do Estado, expressão da soberania
nacional, e função, que corresponde especificamente, embora não
exclusivamente, aos órgãos jurisdicionais estatais.
A competência nada mais é do que “a medida da jurisdição”; e tanto é assim
que a autorizada doutrina faz coincidir a competência com “a quantidade de
jurisdição assinalada pela lei ao exercício de cada órgão jurisdicional”
(Liebman).
Nem todo órgão jurisdicional que tenha jurisdição é, também, competente para julgar
todas as causas; embora a recíproca seja verdadeira, pois todo órgão jurisdicional
competente tem, ipso factu (por isso mesmo), jurisdição.
A restrição ao exercício da jurisdição provém da lei, que traça os limites dentro dos
quais ela pode ser exercida; pelo que, se a lei não restringe a jurisdição de um juiz, ele
pode julgar tudo; mas se a lei lhe atribui poderes para julgar apenas determinadas
controvérsias (lides), a jurisdição fica demarcada pela competência.
Para cada possível causa (ou demanda), registra Liebman, existe, pelo menos, um juiz
(rectius, juízo) competente, corolário da aplicação do princípio do juiz natural; e, se
existir mais de um, ter-se-á uma competência “concorrente”
Cada juízo, singular ou colegiado, somente pode julgar aquelas causas que, segundo a
lei, estão compreendidas no âmbito dos seus poderes jurisdicionais; pois, fora desses
limites, é incompetente.
Sendo a “competência” um dos pressupostos processuais de validade do processo,
deve o juiz examinar, de ofício, se é ou não competente para a causa; pelo que, num
primeiro momento, julga sobre a própria competência; decisão que, no entanto, não
vincula outros juízos e tribunais.
O poder jurisdicional é amplo e abstrato, e dele estão investidos todos os órgãos
jurisdicionais, mas cada um tem a sua jurisdição delimitada pela competência.
A doutrina e a lei processual não têm feito a devida distinção entre “juízo” e “juiz”,
falando amiúde em juiz competente, quando, na verdade, se trata de juízo (ou vara)
competente, que é o órgão judicial dentro do qual se posiciona o juiz,pessoa física, no
exercício da jurisdição. Portanto, se o juízo for competente, essa competência se
estende ao juiz; embora possa não ter este condições de processar e julgar a causa, se
for impedido (art. 144) ou suspeito (art. 145).
Limites da jurisdição nacional. Delimitação da jurisdição no espaço:
competência interna e competência internacional
A jurisdição do Estado nacional vai até onde vai a sua soberania,
surgindo daí um primeiro problema, que é delimitar a jurisdição em
relação ao território, objetivando evitar que a jurisdição nacional entre
em choque com a de outros países, também soberanos, criando
conflitos intoleráveis na ordem jurídica internacional, com possíveis
danos à segurança externa.
Se a jurisdição pode, em tese, ser concebida ilimitadamente,
desconhecendo qualquer fronteira, motivos de ordem prática e razões
de natureza política aconselham ao Estado a agir de forma a não
conturbar a jurisdição de outros países, mesmo porque qualquer
medida que a comprometesse seria inoperante. Cuida, assim, cada
Estado soberano, numa primeira operação, de traçar a linha limítrofe ao
exercício da jurisdição dos seus juízes, além da qual ela não se exercita
em hipótese alguma, determinando a competência internacional (ou
externa). Nessa hipótese, fala-se também em competência de jurisdição
da justiça nacional.
O novo Código de Processo Civil dedica o Título II do Livro II aos Limites da
Jurisdição Nacional e da Cooperação Internacional, disciplinando no Capítulo I a
jurisdição nacional, em que regula, nos arts. 21 e 22, a competência concorrente, e,
no art. 23, a competência exclusiva do juiz nacional, tratando da Cooperação
Internacional nos arts. 26 e 27. Na cooperação internacional, regula também o novo
CPC o Auxílio Direto (arts. 28 a 34) e a Carta Rogatória (art. 36).
Competência interna: distribuição da jurisdição. Critérios de
determinação da competência
Estabelecida, numa primeira operação, a competência internacional (ou
externa), a multiplicidade de órgãos jurisdicionais, atuando no território
do Estado soberano, determina que, numa segunda operação, se reparta
entre eles o exercício da jurisdição, quando se fala, então, em
competência interna.
A doutrina aponta diversos critérios para a determinação dessa competência, não
havendo, contudo, uniformidade no que tange à fixação dessas diretrizes. Pode-se
afirmar que, grosso modo, as diversas teorias assentam as suas bases em cinco
elementos, a saber:
a) valor da causa; b) matéria; c) pessoa; d) território; e) função. 13 a) Valor da causa
– quando a competência se determina com base no valor econômico da relação
jurídica ou objeto da demanda. b) Matéria – quando é a natureza da relação jurídica
que serve de base para determinar a competência. c) Pessoa – quando se determina a
competência em razão da condição ou qualidade da parte em lide. d) Território –
quando a competência é determinada com base no lugar onde se encontra a parte ou
o objeto da relação jurídica que constitui objeto do processo. e) Função – quando a
competência atende à natureza da função que o órgão jurisdicional é chamado a
exercer em relação a uma determinada demanda.
I – Pelo critério objetivo, a competência é fixada em razão da matéria, em razão do valor
e em razão da qualidade da pessoa. A competência em razão da matéria é determinada
pela natureza da causa ou da relação jurídica material controvertida que se apresenta
ao juízo para ser decidida.
Algumas causas, em vista da natureza da relação jurídica material em lide, são
atribuídas exclusivamente a determinados juízos, independentemente do seu valor. O
que justifica essa distribuição da competência é o interesse público, em que o legislador
pretende conceder uma proteção mais eficaz ao indivíduo ou aos interesses sociais,
subtraindo essas controvérsias da cognição de alguns juízos, chamando determinados
(específicos) juízos a decidi-las. No âmbito da Justiça comum estadual, por exemplo, as
causas cíveis são da competência das varas cíveis, mas, se versar sobre questão de
família, passam a ser das varas de família, se houver; as causas penais tocam às varas
criminais; e assim por diante. Como sabido, o vocábulo “vara” é sinônimo de “juízo”,
órgão jurisdicional competente para processar e julgar a causa.
A competência em razão da matéria é distribuída aos órgãos jurisdicionais estaduais e
federais, de primeiro e de segundo graus, pelas Constituições Federal e Estadual, leis de
processo, especialmente o Código de Processo Civil e pelas leis de organização
judiciária estadual e federal; sendo a competência do Supremo Tribunal Federal e dos
tribunais superiores determinada pela Constituição.
Nas comarcas com vara única, toda a competência lhe é atribuída, mesmo porque é
também única; salvo se for da competência da justiça federal, trabalhista, eleitoral ou
militar.
A competência em razão do valor se assenta, em princípio, no fato de toda causa ter um
valor, seja o valor do objeto em lide, seja o do bem estimado em dinheiro, tendo o novo
CPC assegurado o seu julgamento por determinados juízos. O valor da causa não é
fixado arbitrariamente pelo autor, resultando de critérios estabelecidos pelo novo CPC
(art. 292).
A qualidade da pessoa interfere no sistema brasileiro de repartição de competência,
em que algumas pessoas jurídicas (União, autarquias, fundações públicas e empresas
públicas), por motivo de interesse público, gozam do privilégio de foro e de juízo,
quando se fala, então, em competência em razão da pessoa.
A Constituição distribui a competência em consideração à qualidade da pessoa,
quando estão em lide pessoas jurídicas de direito público, nacionais ou estrangeiras,
autoridades do Estado etc.
II – A competência territorial, também chamada competência de foro, atende à
necessidade de se determinar a competência, quando vários juízos, competentes em
razão da matéria, do valor ou da pessoa, exercem funções jurisdicionais nas
comarcas, seções ou subseções ou circunscrições judiciárias. Através dela se
distribuem as causas entre os juízos, tornando mais cômoda a defesa das partes, em
especial a do réu, e dispõe, para particulares espécies de controvérsias, que o
processo se desenvolva num juízo que, pela sua sede, possa exercitar as suas funções
de maneira mais eficiente.
O foro é o lugar onde a demanda deve ser proposta, ou a verdadeira sede da lide; não
se confundindo com fórum, que é o lugar onde se tratam as questões judiciais, nem
com juízo, que é uma unidade do Poder Judiciário que se coloca dentro do foro.
No processo civil, a competência territorial geral é determinada pelo domicílio do
réu nas ações pessoais e reais sobre bens móveis (CPC, art. 46, caput), sendo o
domicílio da pessoa natural o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo
definitivo (Código Civil, art. 70) e o da pessoa jurídica privada o lugar da sua
administração (Código Civil, art. 75, IV).
Se a pessoa natural tiver diversas residências onde, alternadamente, viva,
considera-se domicílio seu qualquer delas; quanto às relações concernentes à
profissão, o domicílio é o lugar onde esta é exercida; se não tiver residência habitual,
tem-se por domicílio o lugar onde é encontrada.
Se for ré pessoa jurídica que tiver diversos estabelecimentos em lugares diferentes,
será domicílio qualquer deles; se a administração ou diretoria tiver a sede no
estrangeiro, será domicílio a agência ou estabelecimento, no Brasil, quanto às
obrigações por eles contraídas.
No processo civil, a competência especial de foro se estabelece: a) em razão da
situação da coisa; b) em razão da condição da pessoa; c) em razão do ato ou fato
determinante da demanda
O critério da situação da coisa (forum rei sitae) atende à conveniência de ser a ação
proposta no foro onde a coisa está, porque as provas, em regra, aí se encontram,
podendo haver necessidade de inspeção judicial pelo juiz, que é excelente meio de
apuração dos fatos por quem vai julgar a causa. Nos termos do art. 47, caput, do novo
CPC, para as ações fundadas em direito real sobre imóveis, é competente o foro de
situação da coisa, podendo o autor optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de
eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão,
divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova (CPC, art. 47, § 1º);
O critério da condição da pessoa vem atender às condições especiais em que se
encontra determinada pessoa, como o incapaz (CPC, art. 50), o alimentando (CPC, art.
53, II), o idoso (CPC, art. 53, III, “e”) etc
O critério do lugar do ato ou fato determina o foro onde ocorreu um ou outro para a
ação de reparação de dano; e em que for réu administrador ou gestor de negócios
alheios (CPC, art. 53, IV, “a” e “b”); e, ainda, de local do fato, para a ação de reparação
de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronave (CPC,
art. 53, V) etc.
Prorrogação de competência: conexão e prevenção
A distribuição da jurisdição entre os diversos órgãos do Poder Judiciário atende, às
vezes, ao interesse público e, às vezes, ao interesse ou comodidade das partes.
Em atenção ao interesse público, determina-se a competência pelos critérios objetivo
e funcional; e, atendendo ao interesse ou comodidade das partes, determina-se a
competência territorial.
Quando a competência se determina em vista do interesse público, a lei não admite a
sua modificação, pelo que ela é improrrogável, tratando-se, portanto, de competência
absoluta.
Quando a competência tem em vista o interesse de uma das partes (autor ou réu), ela
pode ser modificada, tratando-se, portanto, de competência relativa.
No processo penal, esta distinção, entre competência absoluta e relativa, não
apresenta maior importância, porque, seja uma ou outra, deve o juiz de ofício
declarar a incompetência do juízo (rectius, do foro).
Fala-se em prorrogação de competência para designar o fenômeno pelo qual o juiz
tem ampliada a sua competência, para atuar num processo para o qual, em princípio,
seria incompetente.
A competência que pode ser ampliada é tão somente a competência de foro ou
territorial, prorrogação esta que pode ocorrer por determinação da lei ou pela
vontade das partes.
No primeiro caso, denomina-se prorrogação legal, em que o novo CPC, por motivos
de ordem pública, dispõe sobre a modificação; no segundo, diz-se prorrogação
voluntária, ligada ao poder dispositivo das partes, que pode ser expressa ou tácita. A
prorrogação legal ocorre nos casos de continência ou conexão, cujo objetivo é evitar
sentenças contraditórias e também por questão de economia processual.