0% acharam este documento útil (0 voto)
21 visualizações27 páginas

Anomalias Temporais em Neo-Ática

Em um futuro distópico, Serena, uma Guardiã da Linha Temporal, é enviada de volta a 1998 para corrigir uma anomalia que ameaça colapsar a linha do tempo. Ao chegar, ela descobre que um homem misterioso está alterando eventos cruciais, o que resulta em mudanças drásticas na realidade. Determinada a restaurar o curso do tempo, Serena deve confrontar esse Renegado e corrigir os erros antes que seja tarde demais.

Enviado por

emesquita280
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
21 visualizações27 páginas

Anomalias Temporais em Neo-Ática

Em um futuro distópico, Serena, uma Guardiã da Linha Temporal, é enviada de volta a 1998 para corrigir uma anomalia que ameaça colapsar a linha do tempo. Ao chegar, ela descobre que um homem misterioso está alterando eventos cruciais, o que resulta em mudanças drásticas na realidade. Determinada a restaurar o curso do tempo, Serena deve confrontar esse Renegado e corrigir os erros antes que seja tarde demais.

Enviado por

emesquita280
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

SUMÁRIO

Capítulo –

A Linha que Não Deveria Existir

A cidade de Neo-Ática brilhava sob o céu artificial, projetado para imitar o pôr do sol perfeito
de 2215. As torres de vidro e metal reluziam em tons dourados, refletindo o espetáculo
luminoso criado pelas mãos humanas. Lá embaixo, entre as ruas flutuantes e passarelas
magnéticas, Serena observava o movimento frenético da metrópole através da vidraça da
sede dos Guardiões da Linha.

“Primeiro dia de trabalho e eu já estou com dor de cabeça...” murmurou, ajeitando o


uniforme branco e azul que ainda lhe parecia estranho.

O display holográfico à sua frente piscou com um alerta vermelho. “Anomalia Temporal
Detectada – Ano 1998”.

O coração de Serena disparou. Seu treinamento mal havia terminado e já estavam lhe
enviando para uma correção temporal. Ela deslizou os dedos sobre o painel, analisando os
dados. O evento-alvo era um simples encontro casual em uma cafeteria, algo aparentemente
inofensivo, mas que desencadearia uma cadeia de eventos que levaria ao colapso de uma
linha temporal inteira.

— Nervosa? — A voz grave e carregada de sarcasmo veio de trás dela.

Serena se virou, encontrando os olhos de Orion, o veterano da equipe. Ele tinha cicatrizes
que não pertenciam à sua era e um olhar que carregava o peso de séculos. Diziam que ele já
havia visto o fim do tempo... duas vezes.

— Eu só... não esperava começar tão cedo. — Ela tentou soar confiante, mas falhou
miseravelmente.

— É assim que funciona. Se a linha for alterada, ela se expande como um eco... E um eco
nunca para, a menos que alguém o silencie. — Orion lhe entregou um dispositivo prateado,
um Relicário Temporal, que permitia aos Guardiões navegarem pelas dobras do tempo. —
Não estrague tudo.

2
Antes que pudesse responder, a sala de transferência iluminou-se com um brilho azulado.
Serena respirou fundo e se posicionou no centro da plataforma. Seus átomos começaram a
vibrar, sentindo a atração irresistível da linha temporal que a aguardava.

O ano de 1998 a esperava... junto com o desconhecido.

Com um clarão, ela desapareceu.

3
Capítulo –

2 Ecos do Passado

A brisa morna de 1998 tocou o rosto de Serena como um sussurro esquecido no tempo. Ela
se materializou num beco estreito, cercada por paredes grafitadas e sacos de lixo
empilhados. Inspirou fundo, sentindo o cheiro agridoce de poluição e fritura de fast-food.
“Autenticidade histórica”, pensou, franzindo o nariz.

O Relicário Temporal preso ao seu pulso emitiu um bip suave. O holograma projetou
coordenadas flutuantes: “Alvo: Café Aurora, 15h32”. Ela olhou para o relógio: 15h18.
Tinha pouco tempo.

Ajustando o casaco marrom – uma peça retirada do Departamento de Camuflagem Temporal


– Serena saiu do beco, misturando-se à multidão. O zumbido da cidade era um contraste
gritante com o silêncio calculado de Neo-Ática. Aqui, as pessoas riam alto, tropeçavam umas
nas outras, seus rostos carregando emoções cruas.
Tudo tão... real.

Ela localizou o Café Aurora na esquina. O sino sobre a porta tilintou quando entrou,
anunciando sua chegada. O ambiente era acolhedor, decorado com pôsteres desbotados de
bandas de rock e poltronas de couro desgastadas. O cheiro de café fresco a envolveu,
despertando memórias vagas de uma infância que parecia pertencer a outra pessoa.

Serena se posicionou estrategicamente numa mesa próxima à janela, de onde tinha uma
visão clara da entrada. O Relicário piscou novamente, projetando a imagem holográfica do
alvo: um homem de cabelos escuros e barba rala, carregando uma pasta preta. Nome: Daniel
Foster. Evento: Encontro casual. Impacto: Desconhecido.

O protocolo era simples: observar, identificar o ponto de ruptura temporal e, se necessário,


intervir. Mas Serena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Se esse evento era tão
insignificante, por que a Linha estava em risco?

O sino da porta tocou novamente. Daniel Foster entrou, os olhos varrendo o local antes de se
dirigirem ao balcão. Exatamente como o relatório previa.

4
Então, algo deu errado.

Um segundo homem entrou logo atrás de Daniel. Alto, vestido de preto, seus olhos eram um
vazio profundo. Ele se moveu com uma precisão mecânica, parando ao lado de Daniel. O
Relicário de Serena tremeu, um alerta vermelho piscando furiosamente. “Anomalia
Detectada – Intervenção Externa”.

— Não pode ser... — Serena sussurrou, enquanto o estranho se inclinava sobre Daniel,
sussurrando algo em seu ouvido. Num movimento fluido, ele desapareceu pela porta dos
fundos, deixando Daniel pálido e imóvel, a pasta negra pendendo de sua mão.

Serena se levantou instintivamente. Nada na linha original mencionava aquele encontro. O


que quer que tivesse sido dito, alteraria o curso da história.

Ela tentou acessar o arquivo temporal, mas o Relicário falhou, as linhas de código distorcidas
como se alguém as tivesse corrompido.

“O que está acontecendo?” A sensação de pânico cresceu. Ela estava fora do protocolo, sem
informações e com uma linha temporal se desfazendo diante de seus olhos.

Ao longe, as paredes do café tremeram levemente, como se a própria realidade estivesse


oscilando.

Serena tinha que agir... antes que o eco daquela mudança se espalhasse.

3 O Homem de Preto

Serena saiu apressada do Café Aurora, os olhos vasculhando a rua movimentada. O homem
de preto não podia ter ido longe. As coordenadas no Relicário estavam instáveis, oscilando
como se o tempo ao redor estivesse fragmentado.

“Intervenção Externa”... Ela já tinha ouvido rumores sobre isso durante o treinamento.
Agentes não registrados, operando fora da jurisdição dos Guardiões.
Mas eram apenas histórias, certo?

5
Capítulo –

O brilho do casaco preto dobrou a esquina, desaparecendo numa viela estreita. Serena
correu, seu coração disparado. Assim que entrou na viela, sentiu o ar vibrar.
Um eco temporal. Algo aqui estava fora de lugar.

O homem estava de costas, parado em frente a um portal cintilante, semelhante aos


utilizados pelos Guardiões, mas sua cor era de um vermelho intenso, quase sanguíneo. Ele
não parecia surpreso ao notar sua presença.

— Eu esperava que um de vocês aparecesse. — Sua voz ecoou, misturando-se com o chiado
do portal. — Vocês Guardiões são previsíveis.

Serena firmou os pés no chão, tentando não demonstrar o medo que crescia em seu peito.
— Quem é você? O que disse a Daniel Foster?

O homem virou-se lentamente, revelando um rosto marcado por cicatrizes finas e olhos sem
brilho. Era como se a luz ao redor dele se recusasse a tocar sua pele. — Alguém que entende
o verdadeiro poder do tempo. Diferente de vocês, que só seguem ordens cegamente.

— Você está alterando a linha temporal. Vai causar um colapso! — Serena deu um passo à
frente, a mão sobre o Relicário, pronta para qualquer coisa.

— Ah, sim... o tão temido colapso temporal. — Ele sorriu, um gesto frio e desumano. — Mas
me diga, Guardiã, o que é mais importante? Preservar a história... ou criar um futuro
melhor?

Antes que Serena pudesse responder, ele levantou a mão e um pulso de energia explodiu do
portal. O tempo ao redor dela se distorceu. As paredes da viela se contorceram,
transformando-se em sombras líquidas. Serena caiu de joelhos, a mente inundada por
imagens de linhas temporais fragmentadas, destinos colidindo e futuros apagados.

Quando o pulso cessou, o homem havia desaparecido. O portal também. A viela voltou ao
normal, mas algo estava errado. Ela se levantou, cambaleando até a rua principal.

6
A cidade parecia a mesma... mas diferente. O Café Aurora não estava mais lá. No lugar dele,
uma loja de eletrônicos exibia televisores com imagens de notícias:
“Guerra Fria Reacende – Tensão Nuclear Aumenta”.

“Isso não estava na linha original...” Serena sentiu um frio na espinha. Aquele homem não só
havia alterado o passado... ele reescrevera o presente.

O eco estava se espalhando. E ela era a única que sabia disso.

7
---

Capítulo 4 – Fragmentos do Tempo

O ar em Neo-Ática estava pesado, como se a cidade estivesse se contorcendo. Serena andava


pelas ruas de forma apressada, os olhos fixos no Relicário, que piscava freneticamente em
seu pulso. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo. A linha temporal estava
em colapso, e o homem de preto estava no centro disso.

A realidade parecia vacilar à sua volta, como se o próprio tecido do tempo estivesse sendo
rasgado. Ela precisava de respostas, mas onde encontrá-las?

O Relicário indicava uma direção. Serena seguiu as coordenadas, movendo-se rapidamente


por ruas e vielas até que finalmente chegou a um edifício discreto, escondido entre outros
mais modernos. Ela se aproximou da entrada, e as portas se abriram automaticamente,
como se estivesse sendo esperada. A sala estava vazia, exceto por uma cadeira no centro.

Sentou-se, sentindo uma onda de cansaço. Tudo isso estava acontecendo rápido demais. Mas
antes que pudesse descansar, uma voz cortou o silêncio.

— Você chegou tarde. — O Arquivista apareceu diante dela, uma figura misteriosa, seus
olhos escuros e profundos. Ele era um dos Guardiões mais antigos, alguém que compreendia
o tempo de uma forma que poucos podiam.

Serena não teve tempo para perguntar como ele sabia de sua chegada. Ele continuou, sem
dar espaço para interrupções.

— O homem de preto... — Ele pausou, como se estivesse medindo cada palavra. — Ele não é
um simples agente, como você imagina. Ele é um Renegado. Um Guardião que desertou e
agora está tentando criar um novo futuro. Ele acredita que pode reescrever tudo, incluindo o
que não deve ser alterado.

Serena sentiu uma sensação de pânico crescer em seu peito. — Mas o que ele fez?

Como ele conseguiu mudar o presente? A Guerra Fria... isso nunca deveria ter acontecido!
8
O Arquivista cruzou os braços. — Cada mudança que ele faz cria um efeito dominó,
fragmentando o tempo. O futuro que ele tenta construir é baseado em ilusões. O que você
viu no Café Aurora não foi um acidente. O que está acontecendo agora é apenas o começo.
Ele está quebrando a linha do tempo, e se continuar, tudo que você conhece poderá
desaparecer.

Serena se levantou, sentindo o peso das palavras dele. — Como podemos pará-lo?

— Existe um ponto específico onde ele começou. Um momento-chave em que a linha se


partiu. — O Arquivista se aproximou de uma tela holográfica que mostrava vários pontos de
energia temporal. — Você precisa voltar até lá, Serena. Encontrar o início dessa distorção e
corrigir o que ele fez.

Serena olhou para o Relicário, que agora brilhava com mais intensidade. Era sua única chance
de salvar o futuro.

— E se eu não conseguir? — Ela perguntou, a dúvida tomando conta dela.

— Não haverá um futuro para salvar.

Com essas palavras, ele ativou um portal à sua frente. Serena respirou fundo e, com um olhar
decidido, entrou.

---

---

Capítulo 5 – O Portal da Distorção

Serena atravessou o portal com um estremecimento, sentindo o impacto da transição entre


as linhas temporais. O ambiente à sua volta se contorceu, como se o próprio ar estivesse se
retorcendo, e a sensação de desorientação a tomou. O Relicário no seu pulso tremia com a
intensidade da distorção, e ela quase perdeu o equilíbrio quando a transição finalmente
cessou.
9
Ela se encontrou em uma cidade diferente. Ou, mais precisamente, em uma versão
alternativa da cidade de Neo-Ática. As torres ainda estavam lá, mas não refletiam o mesmo
brilho futurista. Em vez disso, estavam cobertas por arranhões e sinais de desgaste, como se
o tempo tivesse sido cruel com elas. As ruas estavam desertas, uma quietude mórbida
pairando sobre o cenário. Serena sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

“O que aconteceu aqui?” Ela murmurou, ajustando seu casaco. A linha temporal que ela
conhecia não deveria parecer assim.

O Relicário iluminou uma coordenada na tela: “Ponto de Alteração: Estação Central, 19h42.”
Era lá que o evento crucial teria ocorrido. Serena não teve tempo para questionar mais. Ela
precisava encontrar o que causava essa distorção, antes que fosse tarde demais.

Caminhou pelas ruas, os sons de passos distantes ecoando ao fundo. O lugar parecia
congelado no tempo, sem vida, como se o próprio tempo tivesse sido interrompido. Ela
avançou com cautela, o Relicário funcionando como um guia silencioso, vibrando sempre
que se aproximava do local correto.

Chegando à Estação Central, algo a fez parar. A estação estava diferente. As placas de
informações estavam cobertas por camadas de poeira, e as telas digitais piscavam em cores
irregulares. No meio do grande salão, uma figura estava parada, observando um relógio
digital que exibia uma contagem regressiva.

O homem de preto.

Ele estava ali, com sua presença quase etérea, sua silhueta distorcendo o ar ao seu redor.
Serena sentiu o coração disparar. Ele sabia que ela viria. Ele sempre sabia.

Ele se virou lentamente, e seus olhos sem brilho encontraram os dela. O silêncio entre os
dois era pesado, carregado com a tensão de um confronto inevitável.

— Ah, você... — A voz do homem de preto cortou o silêncio. — Eu sabia que você não iria
desistir tão facilmente.

10
Serena manteve a distância, seu olhar firme. — O que você está tentando fazer?
Qual é o seu objetivo com tudo isso?

O homem sorriu de maneira fria, seus lábios curvando-se de uma forma quase zombadora.
— Estou apenas... reescrevendo. Corrigindo os erros do passado, para que o futuro seja
diferente. O futuro que merecemos.

Ele deu um passo à frente, e o relógio digital fez um barulho baixo, como se estivesse se
aproximando de seu fim.

— Você está alterando o fluxo natural do tempo. Está criando um futuro incerto, cheio de
caos! — Serena gritou, a frustração e a raiva se misturando em sua voz.

— O caos é apenas uma palavra para o que você não entende. Você está presa a regras, a
limites... eu sou livre para fazer o que for necessário. — O homem de preto deu mais um
passo, agora a poucos metros de distância. — Você não vai me parar, Serena. Nenhum de
vocês vai.

Ela sentiu o peso de suas palavras, e uma onda de pavor a envolveu. O futuro, como ela o
conhecia, estava prestes a ser apagado. E ela estava sozinha, sem apoio, sem respostas
claras.

Mas algo dentro dela despertou. Não era só o medo que a movia agora, mas a necessidade
de proteger o que ainda restava. Ela apertou o Relicário em seu pulso, sentindo a energia que
emanava dele. O poder do tempo estava ao seu alcance. Ela só precisava saber como usá-lo.

— Você não vai destruir tudo. Eu não vou deixar.

Sem dar mais tempo para o homem de preto reagir, Serena deu um passo à frente e ativou o
Relicário, emitindo um pulso de energia. A distorção ao redor dela aumentou, o espaço
começando a se fragmentar. O homem de preto recuou, sua expressão de surpresa fugaz.
Mas ele não se moveu o suficiente.

11
Serena sentiu um impulso dentro dela, como se uma força maior estivesse se alinhando. Ela
não estava sozinha, nem sem opções. O futuro não precisava ser apagado, ele poderia ser
restaurado.

Mas o que aconteceria quando a linha temporal se chocasse com sua força?

---

---

Capítulo 6 – O Preço da Coragem

A luz do Relicário pulsava intensamente, preenchendo a Estação Central com um brilho azul.
Serena sentia o poder do dispositivo em suas mãos, e ao mesmo tempo, a pressão crescente.
O pulso de energia que ela havia gerado se expandiu, reverberando pelo ar, causando uma
distorção no espaço ao redor. As paredes da estação começaram a ondular, como se o tempo
estivesse desmoronando sob a pressão de suas ações.

O homem de preto reagiu rapidamente. Com um gesto de sua mão, ele fez o espaço ao seu
redor se distorcer, criando um campo de energia que bloqueava o efeito do Relicário. O ar
estalava entre eles, como se estivessem em um confronto direto com o próprio tempo.

— Você não entende, Serena. — Ele falou, sua voz carregada de frieza. — O tempo não é algo
que você pode controlar. Ele é algo que deve ser moldado, guiado... ou destruído. E eu vou
destruí-lo, se necessário.

Serena sentiu um tremor percorrer seu corpo, mas não recuou. Ela sabia que precisava agir
rápido, ou a distorção iria se espalhar, afetando mais do que ela poderia imaginar.

— Você está errado! — Ela gritou. — Não podemos jogar com o tempo como se fosse uma
peça de xadrez. O que você está fazendo não é um ajuste... é uma destruição. Você está
apagando o que existe, e com isso, você está apagando a chance de um futuro real!

O homem de preto olhou para ela, um sorriso sombrio tocando seus lábios.
12
— O que você chama de "futuro real" é apenas uma ilusão. Uma prisão criada por aqueles
que têm medo da liberdade. Eu não vou permitir que o medo continue governando o que
ainda está por vir. O tempo pode ser uma prisão... mas também pode ser uma arma. E eu sou
aquele que a controla agora.

Com um movimento rápido, ele estendeu a mão e um campo de energia negra se formou
entre eles, pressionando Serena contra o chão. O impacto foi imediato, e ela sentiu uma dor
aguda, como se estivesse sendo dilacerada por dentro. Mas, em meio à dor, ela se agarrou
ao Relicário, concentrando toda a sua energia no dispositivo.

A dor aumentou, mas sua determinação também cresceu. Ela não poderia deixar que ele
vencesse. Não podia permitir que esse homem, esse renegado, destruísse o que restava de
um futuro que ela ainda acreditava ser possível.

— Não... — Ela ofegou, a voz saindo com dificuldade. — Você... não... pode.

Em um último esforço, Serena usou a força do Relicário para se livrar da pressão do campo
negro. Um estrondo ressoou pela estação quando ela disparou um feixe de energia pura,
criando uma onda que desfez o campo de energia do homem de preto. Ele gritou, surpreso,
quando foi lançado para trás, colidindo com uma das paredes da estação.

Serena caiu de joelhos, exausta. O preço da sua ação era evidente. O Relicário tremia em seu
pulso, e ela sentia os efeitos do uso excessivo de energia. Mas ela não tinha tempo para
descansar.

Ela olhou para o homem de preto, que agora se levantava lentamente, com os olhos ardendo
de raiva.

— Isso não acabou, Serena. — Ele sibilou, a voz cheia de veneno. — Você não sabe o que
está fazendo. O que está prestes a acontecer vai destruir tudo que você conhece. E você...
será responsável por isso.

Serena o encarou com firmeza. Seu corpo doía, mas ela sabia que não podia parar. Ela não
poderia deixar aquele homem destruir o tempo. Não poderia permitir que ele continuasse

13
sua busca destrutiva. O futuro ainda tinha valor, e ela estava disposta a arriscar tudo para
protegê-lo.

O homem de preto desapareceu em um estalo, sumindo na distorção que ele próprio havia
criado. O tempo ao seu redor começou a estabilizar, mas Serena sabia que o impacto de suas
ações não seria apagado tão facilmente. O eco da batalha continuaria reverberando.

Ela olhou para o Relicário em seu pulso, sentindo o peso da responsabilidade. O caminho à
frente não seria fácil. As linhas temporais estavam instáveis, e ela ainda não tinha ideia de
qual seria o custo final de suas escolhas.

Mas uma coisa estava clara: a luta estava apenas começando.

---

14
---

Capítulo 7 – O Peso da Escolha

Serena se recostou contra a parede da Estação Central, respirando fundo para acalmar os
batimentos acelerados do seu coração. A luta com o homem de preto havia deixado
cicatrizes profundas – não só físicas, mas emocionais. A distorção que ele causara ainda
estava presente, um eco latente nas fibras do espaço-tempo.

O Relicário em seu pulso estava quente, mas a sensação de que algo estava errado com ele
persistia. Ela não podia se dar ao luxo de ignorar as consequências de suas ações. Cada
movimento que fazia agora tinha o potencial de afetar não apenas o passado, mas o próprio
futuro.

Ela olhou para o horizonte artificial da cidade de Neo-Ática. As torres de vidro refletiam o
brilho distante de um céu projetado, sem nuvens, sem imperfeições. Uma cidade de
perfeição tecnológica, mas em constante equilíbrio instável. E nesse equilíbrio, Serena agora
se via no centro.

— Preciso de respostas... — Ela murmurou para si mesma.

Foi quando o som do seu comunicador ecoou em seu ouvido, interrompendo seus
pensamentos. A voz familiar de Orion surgiu.

— Serena, onde você está? A linha temporal está se fragmentando mais do que nunca.
Precisamos conversar.

Ela apertou o botão no comunicador, sua voz tensa.

— Eu sei, Orion. O que estamos fazendo... está mais complicado do que imaginávamos. Algo
se deslocou, e as distorções começam a afetar o presente. O homem de preto... ele não está
mais apenas interferindo no passado. Ele está... moldando o futuro.

15
— Você encontrou ele, então. — Orion disse, e Serena pôde ouvir a preocupação em sua voz.
— Eu já imaginava que ele não ficaria longe por muito tempo. Mas o que você fez? A linha já
está instável, você pode ter causado mais dano do que imaginava.

— Eu não tive escolha. Ele quase me destruiu, Orion. Eu só reagi. Não consegui prever as
consequências, mas... se não tivesse feito nada, ele teria vencido. Não posso simplesmente
assistir enquanto ele apaga tudo. Não podemos deixar que ele destrua a história.

Orion fez uma pausa. Serena sentiu que ele estava ponderando as palavras com cuidado.

— Eu entendo. Mas precisamos ser mais cuidadosos, Serena. Cada interferência que fazemos
tem um custo. E você sabe melhor que ninguém que o tempo não perdoa. O Relicário pode
nos guiar, mas ele também nos corrompe. Precisamos de um plano.

Serena olhou para o Relicário, sentindo o peso das palavras de Orion. Ele estava certo. A
tentação de usar o dispositivo para corrigir tudo era grande, mas ela também sabia que o
poder de alterar o tempo não vinha sem suas armadilhas.

— E qual é o plano? — Ela perguntou, tentando encontrar alguma clareza na neblina de


incertezas que se formava ao seu redor.

— Primeiro, você precisa voltar para a linha de base. Restabelecer o fluxo original do tempo.
A presença do homem de preto está criando um vórtice temporal. Se não conseguirmos
neutralizar isso logo, as consequências podem ser irreversíveis. O que você viu no presente...
aquela mudança no Café Aurora, a tensão nuclear... isso é apenas o começo. A história está
se distorcendo à medida que ele avança.

Serena sentiu o peso de suas palavras. Ela sabia que a situação era crítica, mas a ideia de
voltar atrás e tentar corrigir novamente a linha temporal a deixou desconfortável. Cada
movimento parecia mais arriscado do que o anterior. Como poderia ela, uma simples
Guardiã, tomar decisões sobre o destino de milhões de vidas? O fardo da responsabilidade
era esmagador.

— Eu preciso de mais informações. Como posso parar isso sem causar ainda mais danos?

16
— Vamos precisar de um ponto de ancoragem no tempo. Um evento chave que não tenha
sido afetado até agora. Algo que possamos usar para restabelecer a linha sem interferir nas
correntes mais profundas. Vou procurar essa ancoragem para você. Enquanto isso,
mantenha-se vigilante. O homem de preto não está longe, e ele não vai desistir tão fácil.

Serena fechou os olhos por um momento, tentando se concentrar. Ela sentia que o tempo
estava se esvaindo entre seus dedos. Cada segundo parecia mais precioso que o anterior.

— Entendido. Vou procurar essa ancoragem. Mas, Orion, se eu falhar...

— Não falhe, Serena. O futuro depende disso.

O comunicador se desligou, e ela ficou sozinha, olhando para o horizonte artificial de Neo-
Ática. A cidade estava tranquila, mas no fundo, ela sabia que a tempestade estava se
formando. O eco do homem de preto ainda ressoava, e seu impacto na linha temporal estava
começando a afetar mais do que ela podia imaginar.

Ela se endireitou, respirando fundo, e começou a caminhar. A busca por respostas a levaria a
lugares perigosos, mas ela não podia hesitar. O tempo era frágil, e ela tinha uma missão. Se
houvesse uma chance de salvar a linha temporal, ela iria encontrá-la.

O peso da escolha agora estava em suas mãos.

---

Capítulo 8 – A Rota do Destino

Serena deixou a Estação Central e seguiu pelas ruas flutuantes de Neo-Ática. O zumbido das
passarelas magnéticas e o som das conversas dos pedestres eram uma constante. Tudo
parecia normal, mas ela sabia que a normalidade era uma ilusão. As distorções temporais
estavam se espalhando como uma mancha de tinta, e ela não sabia quanto tempo teria até
que a linha temporal se quebrasse de vez.

17
O Relicário em seu pulso vibrou novamente, projetando uma sequência de coordenadas
flutuantes. Ela leu rapidamente: um ponto de ancoragem no ano de 1995, em uma pequena
cidade chamada Graystone, no norte do país. Serena sabia que, se encontrasse esse evento-
chave, poderia começar a restaurar o equilíbrio da linha temporal.

Ela respirou fundo. Graystone era uma cidade pacata, longe dos grandes conflitos e das áreas
de alta tecnologia. Um lugar que, de acordo com os relatórios, jamais deveria ter sido
alterado. Mas algo ali estava errado, e ela precisava descobrir o que era antes que o eco
temporal se espalhasse.

Dirigiu-se para a plataforma de transporte mais próxima e entrou na cápsula que a levaria ao
ponto de ancoragem. Durante a viagem, o silêncio dentro da cápsula era quase palpável, e
Serena se perdeu em seus pensamentos. “O que poderia ter afetado uma cidade tão
pequena e isolada? E por que o Relicário apontou justamente para lá?”, refletiu, tentando
juntar as peças do enigma.

Quando chegou a Graystone, a cidade parecia ainda mais tranquila do que imaginara. As ruas
eram estreitas, com casas de tijolos antigos e jardins bem cuidados. A sensação de tempo ali
era quase palpável, como se o mundo estivesse parado em um momento específico.

O Relicário piscou em seu pulso, apontando para uma pequena livraria na esquina de uma
rua calma. Serena olhou ao redor, procurando sinais de qualquer anomalia. Não havia nada
óbvio, mas a sensação de que algo estava prestes a acontecer parecia estar no ar.

Ela entrou na livraria, o sino sobre a porta tilintando suavemente. O cheiro de livros antigos a
envolveu, e ela percebeu que a atmosfera naquele lugar era incomum. Uma loja simples,
com estantes repletas de volumes, mas havia algo de especial ali. O Relicário em seu pulso
tremia, indicando que o ponto de ancoragem estava próximo.

O atendente, um homem de meia-idade com óculos, sorriu de forma gentil.

— Posso ajudar? — perguntou ele, a voz baixa e tranquila.

18
— Estou procurando algo específico, talvez um livro raro... algo que poucas pessoas
conheçam — respondeu Serena, tentando soar casual. Ela não sabia exatamente o que
estava buscando, mas o Relicário indicava que a resposta estava naquela loja.

O atendente assentiu, como se entendesse exatamente o que ela queria. Caminhou até uma
prateleira nos fundos e puxou um livro antigo, coberto de poeira. Quando o colocou na mesa
diante de Serena, ela sentiu uma onda de energia atravessar seu corpo.

O livro era antigo, com capa de couro e páginas amareladas. O título estava desgastado, mas
ainda era legível: “Crônicas de Graystone”. Ela passou os dedos pela capa, sentindo uma
estranha conexão com aquele objeto. O Relicário vibrou mais forte, confirmando que aquele
livro era o ponto de ancoragem.

— Esse livro... de onde veio? — Serena perguntou, sem tirar os olhos da capa.

— Ah, este é um exemplar raro. Dizem que o autor nunca foi identificado, mas as histórias
nele são incrivelmente detalhadas... como se quem escreveu tivesse visto tudo acontecer
com seus próprios olhos. — O atendente olhou para o livro com um misto de respeito e
curiosidade. — Quase ninguém sabe da existência dele.

Serena folheou as páginas, parando em um capítulo que mencionava um evento em 1995,


exatamente na mesma data apontada pelo Relicário. A descrição detalhava um encontro
misterioso na praça principal de Graystone, algo que parecia insignificante, mas que
desencadearia mudanças sutis na história.

— Posso levar este livro? — perguntou Serena, tentando esconder a urgência em sua voz.

O atendente sorriu novamente. — Claro. Mas tenha cuidado. Alguns dizem que quem lê
essas páginas é tocado pelo tempo de um jeito... incomum.

Ela assentiu, ciente de que aquilo não era apenas um boato. O livro carregava um fragmento
de tempo, uma verdade oculta que precisava ser revelada para restaurar a linha temporal. Ao
sair da livraria, Serena sentiu o peso daquela responsabilidade sobre seus ombros.

19
Ela tinha o ponto de ancoragem nas mãos. Agora, precisava descobrir como usá-lo para
restaurar o equilíbrio antes que o eco temporal se espalhasse.

20
Capítulo 9 – Ecos de Graystone

Serena caminhou pelas ruas tranquilas de Graystone com o livro antigo firmemente segurado
em suas mãos. O Relicário permanecia em silêncio, mas ela podia sentir uma energia
pulsante emanando das páginas. O vento frio sussurrava entre as árvores da praça principal,
o mesmo local descrito no capítulo que detalhava um evento misterioso em 1995.

Ela se aproximou do centro da praça, onde um velho carvalho estendia seus galhos
retorcidos. Havia algo estranhamente familiar naquele lugar, como se ecos do tempo
estivessem impregnados no ar. Serena folheou o livro, relendo o trecho sobre o encontro que
não deveria ter acontecido. A descrição era precisa, detalhando até a posição das sombras
naquele dia específico.

Sentou-se em um dos bancos e observou o movimento ao redor. Graystone parecia


congelada no tempo, suas ruas sem pressa, suas pessoas vivendo um dia comum... Mas
Serena sabia que nada ali era realmente comum. O ponto de ancoragem estava próximo,
escondido em algum detalhe insignificante que passaria despercebido para qualquer um,
exceto para um Guardião.

Enquanto lia o capítulo mais uma vez, uma frase chamou sua atenção: “Naquele instante, o
tempo sussurrou o nome que não deveria ter sido ouvido.” O que isso significava? Um
nome? Um sussurro do tempo? Ela franziu o cenho, tentando decifrar o enigma.

Foi quando ouviu. Um murmúrio suave, quase um eco distante. Virou-se rapidamente, mas
não havia ninguém por perto. Mesmo assim, o som parecia dançar ao seu redor, como se as
palavras fossem carregadas pelo vento.

— Daniel...

Serena congelou. O nome flutuou no ar, um sussurro tão fraco que poderia ter sido sua
imaginação. Mas o Relicário em seu pulso brilhou intensamente, confirmando que aquilo não
era uma ilusão. O nome de Daniel Foster estava conectado àquele ponto de ancoragem.

21
Ela fechou os olhos e se concentrou, tentando seguir o eco. O tempo à sua volta pareceu
desacelerar, as cores ficando ligeiramente desbotadas. Serena se levantou e caminhou
lentamente ao redor do carvalho, seguindo a pulsação do Relicário.
Cada passo a aproximava do ponto exato onde o evento havia ocorrido.

Parou de repente, sentindo um arrepio percorrer sua espinha. O vento cessou, o mundo ficou
em silêncio. Ali, sob a sombra do carvalho, o tempo estava partido, preso em um loop
invisível. O ponto de ancoragem não era apenas um local físico, mas um instante congelado
no tempo, repetindo-se infinitamente.

Serena abriu o livro na página marcada e leu as palavras em voz alta: “Naquele instante, o
tempo sussurrou o nome que não deveria ter sido ouvido.” No momento em que terminou a
frase, o ar ao seu redor tremeu, como uma onda de calor distorcendo a realidade.

O eco ficou mais forte, os sussurros crescendo em intensidade. As folhas do carvalho


começaram a vibrar, seus galhos movendo-se como se tentassem alcançar algo invisível. A
praça ao redor ficou desfocada, as cores se misturando numa névoa surreal.

De repente, uma imagem se formou à sua frente. Era uma visão espectral, translúcida como
um reflexo em água tremulante. Serena viu Daniel Foster parado sob o carvalho, olhando
ansiosamente ao redor. Sua expressão era de confusão, como se estivesse perdido no tempo.

— Isso não é real... — sussurrou Serena, mas o Relicário confirmou o contrário. Aquele era o
momento exato do ponto de ancoragem, o evento que nunca deveria ter acontecido.

Antes que pudesse reagir, outra figura apareceu na visão. Uma mulher, seu rosto obscurecido
pela distorção temporal, se aproximou de Daniel. Ela falou algo inaudível, suas palavras se
misturando aos ecos. Daniel recuou um passo, chocado. A mulher estendeu a mão, e no
momento em que tocou seu ombro, a visão se partiu em mil fragmentos, como vidro
quebrando.

Serena foi arremessada para trás pela onda de energia que explodiu do ponto de ancoragem.
O carvalho balançou violentamente, suas folhas caindo como chuva dourada. O Relicário
disparou alarmes, os números no visor piscando descontroladamente.

22
Quando finalmente conseguiu se levantar, a praça havia voltado ao normal. O ponto de
ancoragem estava fechado, mas não resolvido. Serena sabia que aquela mulher era a chave
para entender a alteração na linha temporal. Quem era ela? E por que estava conectada a
Daniel Foster?

A única certeza que Serena tinha era que o tempo estava se desfazendo mais rápido do que
ela imaginava. E as respostas estavam escondidas nas páginas da “Crônicas de Graystone”.

23
Capítulo 10 – O Retorno do Homem de Preto

Serena ainda estava tentando processar a visão quando uma sombra passou rapidamente
pela periferia de sua visão. Ela se virou instintivamente, os sentidos em alerta. A praça de
Graystone estava vazia, mas o ar parecia mais pesado, como se o tempo estivesse prendendo
a respiração.

— Você está fora do seu tempo, Guardiã. — A voz gelada fez seu sangue congelar.

O homem de preto estava parado sob o carvalho, exatamente no ponto de ancoragem que
acabara de colapsar. Seu casaco negro tremulava levemente, apesar do ar parado. Os olhos
dele brilhavam com uma frieza que parecia absorver toda a luz ao redor.

Serena recuou um passo, o Relicário disparando alertas frenéticos.


— Você... o que fez com Daniel Foster?

O homem de preto sorriu, um gesto vazio e cruel.


— Você ainda não percebeu, não é? Eu não fiz nada com ele... Ele fez isso consigo mesmo. —
Ele deu um passo à frente, o chão sob seus pés ondulando como água.
— Eu apenas mostrei a verdade.

— Que verdade? — Serena sentiu sua raiva crescendo, mas manteve a postura defensiva. —
Você está manipulando o tempo, quebrando as linhas naturais!

— E quem decidiu o que é natural? Vocês Guardiões seguem regras impostas por aqueles
que temem o poder do tempo. Mas eu... eu o compreendo. — Seus olhos brilharam
intensamente, as sombras ao redor se curvando em sua direção. — O tempo não é uma linha
reta. É um oceano, e eu aprendi a navegar por ele.

Serena apertou o Relicário, preparando-se para ativá-lo.


— Você está brincando com forças que não entende. Vai causar um colapso temporal!

O homem de preto soltou uma risada fria.

— Colapso? Você realmente acredita nisso? O tempo não colapsa... ele se adapta.
24
Ele muda, evolui. É você quem não entende, Guardiã.

Ele ergueu a mão, e o ar ao redor dele começou a vibrar. A realidade se distorceu, como se o
espaço estivesse se retorcendo ao seu comando. Serena sentiu uma pressão esmagadora em
seus ossos, o peso de múltiplas linhas temporais convergindo em um único ponto.

— Você não pode detê-lo. — A voz dele ecoou, fragmentada e distorcida. — Tudo o que
conhece vai se desfazer... e um novo tempo surgirá.

Antes que Serena pudesse reagir, ele desapareceu, deixando apenas um rastro de sombras
dançantes sob o carvalho. A praça de Graystone ficou em silêncio, o tempo voltando ao seu
fluxo normal, mas Serena sabia que nada estava realmente normal.

O homem de preto não era apenas um agente externo... Ele estava reescrevendo as regras
do tempo. E agora, mais do que nunca, ela precisava descobrir como detê-lo.

25
Capítulo 11 – O Fim do Eco

Serena surgiu no Vértice do Tempo. Tudo ao seu redor era um vazio infinito, cortado por
engrenagens colossais girando em ritmos irregulares. No centro, o homem de preto a
esperava, seu olhar inexpressivo.

— Você finalmente entendeu, não é? — Ele disse, sua voz ecoando em múltiplas frequências.

Serena ergueu o Relicário. Agora ela sabia a verdade.

— Você não é uma pessoa... — murmurou. — Você é uma falha na linha temporal.

O homem sorriu. Sua forma começou a se distorcer, os contornos do seu corpo oscilando
como uma projeção defeituosa.

— E o que você pretende fazer com essa descoberta? — Ele zombou. — Eu existo porque o
tempo não é perfeito. Eu sou o reflexo das suas tentativas de consertá-lo.

Serena não hesitou. Ela ativou o Relicário e a prisão temporal se formou ao redor dele.
Correntes luminosas surgiram, envolvendo sua silhueta fragmentada. Ele tentou resistir, mas
era tarde demais.

— O tempo sempre se ajusta — disse Serena. — E você será esquecido.

A prisão selou-se com um brilho intenso. O homem de preto—ou melhor, a falha temporal—
encarou Serena uma última vez antes de ser consumido pelo vórtice.

Por um instante, tudo ficou em silêncio. Então, a prisão se desfez.

O homem de preto havia desaparecido.

Serena olhou para o vazio onde ele estivera. O eco finalmente havia sido silenciado.

Agora, o tempo poderia seguir seu curso.

26
28

Você também pode gostar