0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações10 páginas

Objeto do Direito Internacional Privado

O artigo discute o objeto do Direito Internacional Privado (DIP) em um contexto de globalização, destacando sua função de resolver conflitos de leis que surgem em relações jurídico-privadas internacionais. O DIP é essencial para determinar a lei aplicável e a jurisdição competente em casos que envolvem múltiplos sistemas jurídicos. Além disso, o texto enfatiza a importância de regras de conflitos para regular situações transnacionais e garantir a eficácia das decisões judiciais em diferentes países.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações10 páginas

Objeto do Direito Internacional Privado

O artigo discute o objeto do Direito Internacional Privado (DIP) em um contexto de globalização, destacando sua função de resolver conflitos de leis que surgem em relações jurídico-privadas internacionais. O DIP é essencial para determinar a lei aplicável e a jurisdição competente em casos que envolvem múltiplos sistemas jurídicos. Além disso, o texto enfatiza a importância de regras de conflitos para regular situações transnacionais e garantir a eficácia das decisões judiciais em diferentes países.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

OBJECTO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO

ANCHA CHOMAR1

FACULDADE DE DIREITO – UNIVERSIDADE ROVUMA

Resumo

Diante do vigente cenário da globalização, a humanidade tem experimentado


mudanças éticas, econômicas, tecnológicas, ambientais e culturais as quais têm
proporcionado relações jurídico-privadas mais intensas no cenário internacional, face à
quantificação das relações humanas e materiais transcendendo as fronteiras físicas dos
Estados. Isso tem dado maior expressividade ao Direito Internacional Privado (DIPr). O
artigo visa abordar o objecto do Direito Internacional Privado.

O Direito Internacional Privado (DIP) surgiu com a finalidade de resolver conflitos


de leis no espaço, quando uma determinada situação jurídica vincula-se a mais de um
sistema normativo, como no caso de um casamento entre pessoas de nacionalidades
diferentes, de um contrato realizado entre partes domiciliadas em países distintos, ou de
um acidente de automóvel envolvendo pessoas domiciliadas em países diferentes,
ocorrido num terceiro país.

Em situações como essas, o DIP deve indicar ao juiz competente a lei que deverá ser
aplicada, podendo inclusive determinar que o juiz local aplique, no exercício de sua
jurisdição, lei estrangeira – razão pela qual é conhecido como “direito da tolerância”

No fundo, podemos dizer que são três as funções do Direito Internacional Privado:
 Determinação do ordenamento a que se deverá recorrer para encontrar resposta ao
problema jurídico em causa
 Determinação do tribunal competente, no âmbito do problema da competência
internacional
 Reconhecimento de decisões estrangeiras, visto que, tomada que esteja a decisão,
pode ser necessário que esta ganhe eficácia num sistema jurídico que não aquele
em que a mesma foi emitida

1
Estudante do 4o Ano, I semestre – Curso de Licenciatura em Direito pela Universidade Rovuma – Campus
de Napipine – Nampula.
Endereço eletrónico: anchachomar612@[Link]
O Direito Internacional Privado regula, na sua maioria, situações jurídicas privadas.
No entanto, adotando a terminologia utilizada pelo Professor Lima PINHEIRO2, pode
dizer-se que o Direito Internacional Privado regula, sim, situações transnacionais (pois
que há situações por este reguladas que não se reconduzem, directamente, a direito
privado). Desta forma, são situações transnacionais todas as que colocam em problema a
determinação do Direito aplicável e que devam ser resolvidas pelo Direito Internacional
Privado.

O Direito Internacional Privado tem como objecto resolver conflitos de leis no


espaço, o Direito Internacional Privado determina a lei aplicável a uma relação jurídica
com conexão internacional. Ou seja, decidir qual lei será aplicada quando houver
divergências entre as leis internas de dois países em questões de interesse privado.

Palavras-chaves: objecto, direito, internacional, privado, conflitos, particulares.

Considerações iniciais

Este artigo tem como tema Objecto de Direito Internacional Privado.

No cenário globalizado do atual sistema internacional, o Estado se destaca como


instituição soberana constitutiva de uma ordem jurídica própria, todavia, cada vez mais
tendo de acolher relações humanas que transcendem as suas fronteiras físicas e lhe
requerem mecanismos seguros na efetivação de suas relações jurídico-privadas, tanto na
instância local/regional quanto global, insertas no senso de cooperação internacional.

Nesse contexto, é fundamental que se identifique: qual o objeto do DIPr,


considerando os conflitos entre leis internas e internacionais envolvendo as intensas
relações jurídico-privadas na atualidade?

Este artigo responder a essa questões, para tal, propomos a leitura do texto mediante
as quais você identificará as normas reguladoras das relações jurídico-privadas
internacionais, conjugadas por leis de distintos ordenamentos jurídicos, os quais
permitem a aplicação da lei competente para a resolução de um conflito de leis no espaço.

Objectivos gerais

2
PINHEIRO, Luís de Lima. Direito internacional, vol. I, 2001, p. 53.
 Identificar o objeto do Direito Internacional Privado, considerando os
conflitos entre leis internas e internacionais envolvendo as intensas relações
jurídico-privadas na atualidade.

Objectivos específicos

 Objecto e denominação do direito internacional privado;


 Conflitos de leis como objecto do DIPr

Objecto do direito internacional privado

1. 1. Disposições gerais sobre o objecto do Direito Internacional Privado

O Direito Internacional Privado, ou visto como sector da ordem jurídica, ou tido


como técnica aplicação de certos ramos do direito, só pode ter um objeto. A orientação
clássica é no sentido de considerá-lo como parte integrante do direito positivo e assim
compreendido só pode ter um objeto, ou melhor, só deve ser direito com diferença
específica que não seja predominante nos demais compartimentos jurídicos.

E se não for tido como direito, mas como técnica de aplicação do direito, ainda assim
não se lhe poderá atribuir função própria de qualquer seção da ordem jurídica, sem
investir contra a lógica. Mas, em direito internacional privado, tudo tem sido tão
confundido e controvertido, que em tôrno de seu objeto não podia deixar de haver acesa
discussão.

Todos os autores estão de acôrdo em que organizar direito adequado à apreciação de


fatos anormais é objeto do direito internacional privado, entretanto a discórdia aparece
quanto à inclusão de outras matérias no âmbito dessa disciplina, como se um ramo do
direito, ou técnica de aplicação do direito, pudesse ter vários objetos.

Certos doutrinadores vão ao cúmulo de dizer que são cinco os objetos do direito
internacional privado:

a) organizar direito adequado à apreciação de fatos anormais;


b) resolver conflitos de jurisdição;
c) regular a nacionalidade e o domicilio;
d) determinar a condição; jurídica dos estrangeiros; e
e) regular a eficácia internacional dos direitos adquiridos.
As normas jurídicas do Direito Internacional Privado como afirma o brasileiro
Sebastião José ROQUE3, vêem o seu âmbito de eficácia limitado pelos factores tempo e
espaço.

Nesse sentido, segundo Roque4, “o ponto de partida do DIP assenta, por um lado,
sobre a regra da não transactividade das leis e, por outro lado, sobre o princípio do
reconhecimento das situações jurídicas constituídas no âmbito de eficácia duma lei
estrangeira”. Ao princípio da não transactividade corresponde a regra segundo a qual
nenhuma lei se aplica a factos que se não achem em contacto com ela.

Por outro lado, entende o Prof. Luís de Lima PINHEIRO5, que “o Direito dos
Conflitos das leis (quer no tempo, quer no espaço) assume como critério básico o da
“localização” dos factos: a “localização” no tempo para o Direito Intertemporal e a
“localização” no espaço para o Direito Internacional Privado6.

1. 2. Necessidade de regras de conflitos

Uma relação jurídica pode através de qualquer dos seus elementos, achar-se em
contacto apenas com o sistema jurídico moçambicano (por exemplo, um contrato de
mútuo celebrado em Moçambique, entre dois moçambicanos, para ser executado em
Moçambique), ou apenas com um determinado sistema jurídico estrangeiro (por exemplo,
um contrato de venda concluído entre dois espanhóis na Espanha, sobre coisa situada em
território espanhol, onde as obrigações dos contraentes devem ser cumpridas), ou com
vários sistemas jurídicos (como por exemplo, um comerciante moçambicano, domiciliado
na Cidade de Nampula, conclui na China um contrato de compra e venda de um telefone
(Redmi A2 Plus) com um comerciante chines, estabelecido na Honk Kong).

Relativamente aos exemplos supra referenciadas, no caso do primeiro exemplo


(caso meramente internos) ao órgão moçambicano de aplicação do direito não se põe

3
ROQUE, Sebastião José. Direito Internacional Privado. Coleção Elementos de Direito. São Paulo: Ícone,
2009, p. 34.
4
Ibidem.
5
PINHEIRO, Luís de Lima. Direito internacional, vol. I, 2001, p. 56.
6
Essa a razão por que se afirma que estes dois direitos são direitos “de conexão”: a conexão dos factos com
os sistemas jurídicos é a que constitui o dado determinante”. Pode-se afirmar como regra básica de todo o
Direito de Conflitos a seguinte: a quaisquer factos aplicam-se as leis – e só se aplicam as leis – que com
eles se achem em contacto (PINHEIRO, 2001, p. 56).
qualquer problema de determinação da lei estadual aplicável: esta lei há-de ser
necessariamente a lei moçambicana.

Nos casos do segundo tipo (casos relativamente internacionais ou puramente


internos relativamente a um Estado estrangeiro), já ao órgão moçambicano de aplicação
do direito se põem problemas de DIP, quais sejam o problema de saber se o sistema
jurídico moçambicano deve ou não ver o seu âmbito de aplicabilidade limitado no espaço
e, uma vez resolvida esta questão, o problema de saber que atitude tomar perante os factos
que transcendem o seu âmbito espacial de aplicabilidade7.

Nos casos do terceiro tipo (casos absolutamente internacionais), põem-se um


problema de determinação da lei aplicável, visto serem duas ou mais as leis em contacto
com a situação.

Das situações e exemplos acima apresentadas, passamos a entender que há uma


necessidade de regular as relações internacionais, ou seja, é necessária uma Regra de
Conflitos que venha resolver o concurso entre várias leis8.

É preciso fazer intervir uma Regra de Conflitos capaz de dirimir o concurso entre
as leis em contacto com os factos. No DIP, diferentemente do que se passa no Direito
Transitório, ao lado da conexão dos factos, há que atender ainda à sede das pessoas e à
situação das coisas como outros tantos elementos de conexão.

1. 3. Objecto e denominação do direito internacional privado

Para resolver um conflito de leis no espaço, o Direito Internacional Privado


determina a lei aplicável a uma relação jurídica com conexão internacional.
O Direito Internacional Privado, neste sentido, trata das relações humanas ligadas
a dois ou mais sistemas jurídicos, cujas normas materiais não coincidem, cabendo
determinar qual dos sistemas será aplicado9.

7
Por força de um princípio universal de direito, importa respeitar os direitos adquiridos e garantir a
continuidade da vida jurídica dos indivíduos, tutelando as suas naturais expectativas, terá de concluir-se
também que o juiz do foro deve em tais casos aplicar um direito estrangeiro. A situação está em contacto
com um só sistema jurídico e só este sistema jurídico pode ser aplicado (PINHEIRO, 2001, p. 57).
8
Cfr. CORREIA, A. Ferrer, Lições de Direito Internacional Privado, 4ª edição, Coimbra, 2000, p. 66.
9
Maristela BASSO (2013, p. 13) elenca a diversidade de ordenamentos jurídicos,
a extraterritorialidade das leis, o intercâmbio universal e o cosmopolitismo humano, como
alguns dos aspectos que explicam a importância do Direito Internacional Privado.
António Marques DOS SANTOS10, o objeto do Direito Internacional Privado
é, assim, decidir qual lei será aplicada quando houver divergências entre as leis internas
de dois países em questões de interesse privado.
O DIP tem como afirma CORREIA11 por objecto as situações da vida privada
internacional, ou seja, os factos susceptíveis de relevância jurídico-privada que têm
contacto com mais de um sistema jurídico (casos absolutamente internacionais) ou que
se passaram adentro do âmbito de eficácia de uma lei estrangeira.
São as trocas internacionais e as correntes migratórias entre os Estados que estão
na origem de todos ou quase todos os problemas de Direito Internacional Privado. Se uma
pessoa atravessa uma fronteira, por ex., não deve, por esse simples facto, perder o seu
status familiae ou o direito de propriedade sobre as bagagens que transporta.
Para Eliane Braz (2006, p.7) a característica essencial do Direito Internacional
Privado está na conexão, pela qual o juiz é levado a considerar preceitos de ordem jurídica
distinta da sua, embora essa determinação decorra de norma territorial (lex fori). É esse
elemento estrangeiro (pessoa, coisa, ato jurídico, decisão judiciária) que identifica o
objeto do Direito Internacional Privado. Sem a sua existência, não podemos falar de
Direito Internacional Privado.
Emerson MALHEIRO12, ensina que conhecer o objecto do Direito Internacional
Privado significa desvendar o assunto sobre o qual versa essa ciência. Para esse autor a
disciplina abrange quatro matérias distintas a saber:
i. O conflito de leis- que investiga as relações humanas ligadas a dois ou mais
sistemas jurídicos cujas regras matérias não são concordantes, assim com o direito
aplicável a uma ou diversas relações jurídicas de direito privado com conexão
internacional. Nesse sentido, o DIP é um direito interno conforme sua origem,
possuindo cada Estado suas normas sobre o assunto.
ii. Conflito de jurisdição – analisa a competência do poder judiciário nas soluções
das situações que envolvem pessoas, coisas ou interesse que extravasam o limite

10
DOS SANTOS, António Marques, Direito Internacional Privado, 1999;
11
CORREIA, A. Ferrer, Lições de Direito Internacional Privado, 4ª edição, Coimbra, 2000, p. 66.
12
MALHEIRO, Emerson. Manual de direito internacional privado. 2. Ed. São Paulo: Atlas 2012, p. 10.
de uma soberania, observando o reconhecimento e a execução da sentença
proferida no estrangeiro.
iii. A condição jurídica do estrangeiro – busca conhecer os direitos de estrageiro de
entrar e permanecer no pais, bem como de domiciliar-se e residir no território
nacional, se prejuízo de suas prerrogativas no âmbito económico, político e
também social.

Entre os Objetos do DIPr também são apontados os direitos adquiridos na dimensão


internacional.

DEL’OLMO13 nos ensina que o respeito aos direitos adquiridos é considerado basilar
para a segurança jurídica, fazendo parte dos ordenamentos jurídicos contemporâneos.
Segundo esse autor, verificar a prevalência desses direitos quando invocada em outro país
interessa ao DIPr. Aduz que muitos autores têm se ocupado do tema, considerando-o
objeto da disciplina (DIPr), enquanto outros adotam posição diversa, entendendo que os
direitos adquiridos alegados, nesse contexto, não se afastam dos conflitos de leis, por
estarem neles integrados.

O autor prossegue afirmando que seria um contrassenso imaginar o ser humano, ao


ultrapassar as fronteiras do seu país, deixando os direitos adquiridos, especialmente os
que constituem o seu estatuto pessoal. Trata-se de direitos privados, os quais foram
reconhecidos por ordenamento jurídico competente.

Nessa esfera são repelidos, por óbvio, os que ofendem a ordem pública, os bons
costumes e a soberania nacional. Assim, por exemplo, não se permitirão novas núpcias
de um cidadão árabe que aqui aportar já casado e alegar o direito de poligamia existente
na legislação de seu país. Igualmente alguém que trouxesse seus escravos e quisesse
mantê-los nessa condição aqui em nosso país.

Caio Mário da Silva PEREIRA14 ao se referir dos direitos adquiridos:

“Direito adquirido, in genere, abrange os direitos que o seu titular


ou alguém por ele possa exercer, como aqueles cujo começo de
exercício tenha termo pré-fixo ou condição preestabelecida, inalterável
ao arbítrio de outrem. São os direitos definitivamente incorporados ao

13
DEL’OLMO, Florisbal de Souza. Curso de Direito Internacional Privado. 10ª Ed. Rio de Janeiro:
Forense, 2014, p. 5.
14
PEREIRA, Caio Mário Da Silva. Instituições de Direito Civil. V. I, Rio de Janeiro: Forense, 1961, 125.
patrimônio do seu titular, sejam os já realizados ou aqueles que
simplesmente dependem de um prazo para seu exercício, sejam ainda
os subordinados a uma condição inalterável ao arbítrio de outrem. A
lei nova não pode atingi-los, sem retroatividade.”.

1. 4. Conflitos de leis no espaço como objecto de Direito Internacional Privado

A matéria do conflito de leis é de Direito Interno, referindo-se a normas que


definem qual o direito a ser aplicado a uma relação jurídica com conexão internacional,
indicando o direito aplicável15. Tem por objetivo a harmonização das decisões judiciais
proferidas pela justiça doméstica, com o direito dos países com os quais a relação jurídica
tem conexão internacional.

Isto porque não há um Governo Universal nem um Direito Universal. Há a


coexistência de Ordens Jurídicas Distintas e Independentes.

Assim, segundo Lima PINHEIRO16 o contato entre ordens jurídicas diferentes


remete ao conflito de leis no espaço, cuja solução é o objeto do DIPr, indicando o direito
competente para o fato interjurisdicional. Trata-se, portanto, de equacionar duas questões
básicas: jurisdição e lei aplicável.

O conflito de leis abrange leis de toda natureza e de toda origem: direito privado
e direito público, normas estabelecidas por Estados soberanos e por províncias, cantões
ou estados-membros de uma Federação, bem como regras oriundas de sistemas pessoais,
como as etnias e as religiões. (DOLINGER, 2012, p. 38).

1. 5. A autonomia do direito internacional privado

A autonomia do direito internacional privado diante dos demais ramos do direito


e defendida grosso modo por dois enfoques:

i. O da corrente sobre direito;


ii. O da corrente da coordenação da diversidade.
 De acordo com os defensores da corrente do sobredireito, o DIPR e um ramo do
direito cujo especificada esta no método de escolha entre a norma local ou
estrangeira para a gerenciada dos fatos transnacionais. O DIPR seria autónomo e

15
Ibidem.
16
PINHEIRO, Luís de Lima, Direito internacional, vol.I, 2001, p. 23.
distante dos demais ramos inclusive do direito internacional público, pois seria
uma disciplina de sobredireito não regeria o fato social, mas regularia as normas
jurídicas eu, por sua vez, incidiriam sobre os fatos transnacionais. De acordo com
a mesma corrente voltado a escolha da lei e o seu método de escolha entre as
diversas norma possíveis método indireto, remissivo ou conflitual determinam por
completo a identidade e autonomia da disciplina.
 A corrente de coordenação sustenta que o direito internacional privado e o ramo
de direito que visa a gestão da diversidade normativa e jurisdicional. Em contexto
de pluralidade de norma jurídicas de origem nacional e também internacional, o
direito internacional privado tem a sua especificidade criada a partir da
necessidade de regular fatos sócias da vida privada que ultrapassam as fronteiras
de um estado fatos transnacionais e que possuem vinculo com mais de um
ordenamento jurídico.
A autonomia do direito internacional privado e, assim, fruto dessa sua essência
voltada a gestão da diversidade regulatória nacional e internacional dos fatos
transnacionais referentes a vida de um individuo ou pessoa jurídica.

1. 6. Constituição e conteúdo das relações ou situações jurídicas

Uma distinção que importa ter presente, tanto no Direito Transitório como no DIP,
é a distinção entre constituição, por um lado, e conteúdo ou efeitos, por outro lado, das
relações ou situações jurídicas. Se por exemplo, dois argentinos casam na Argentina e
mais tarde, por qualquer razão, a validade do seu casamento tem que ser apreciada por
tribunais moçambicanos, estes não poderão deixar de decidir quanto à validade e à
existência da relação jurídica matrimonial por aplicação da lei argentina. Com efeito,
quando a relação se constituiu, os factos constitutivos só tinham contacto com o sistema
argentino.
Por isso, segundo Lima PINHEIRO17, por esta mesma lei se regulará o conteúdo
da relação matrimonial, enquanto os cônjuges mantiverem a nacionalidade argentina e
tiverem na Argentina o seu domicílio. Se eles, porém, vierem a mudar de nacionalidade,
o conteúdo da relação matrimonial passará a ser regido pela sua nova lei pessoal18.

17
PINHEIRO, Luís de Lima. Direito internacional, vol. I, 2001, p. 56.
18
Contudo, o problema da constituição da relação matrimonial continua a resolver-se em face da lei
espanhola.
Considerações finais

Terminado o presente artigo que versou sobre o Objecto de Direito Internacional


Privado. Foi possível perceber que o DIP seria um conjunto de princípios e regras sobre
uma legislação aplicável a solução de relações jurídicas privadas quando envolvidas nas
relações mais de um país, ou seja, a nível internacional.

Ou seja o Direito internacional privado regula, na sua maioria, situações jurídicas


privadas. No entanto, adoptando a terminologia do professor Luís de Lima PIMHEIRO19,
pode dizer-se eu o direito internacional privado regula, sim, situações transnacionais pois
que há situações por este reguladas que não se reconduzem, directamente, a direito
privado.

Desta forma, são situações transacionais todas as que colocam em problema a


determinação do direito aplicável e eu deve ser resolvidas pelo direito internacional
privado.

Referências bibliográficas

1) Legislação
MOÇAMBIQUE, Código Civil (1966) - aprovado pelo Decreto-Lei n.º 47 344,
de 25 de Novembro de 1966.
2) Doutrina
CORREIA, A. Ferrer, Lições de Direito Internacional Privado, 4ª edição,
Coimbra, 2000.
DEL’OLMO, Florisbal de Souza. Curso de Direito Internacional Privado. 10ª Ed.
Rio de Janeiro: Forense, 2014, p. 5.
MALHEIRO, Emerson. Manual de direito internacional privado. 2. Ed. São
Paulo: Atlas, 2012.
PEREIRA, Caio Mário Da Silva. Instituições de Direito Civil. V. I, Rio de Janeiro:
Forense, 1961, 125.
PINHEIRO, Luís de Lima. Direito internacional, vol.I, 2001.
ROQUE, Sebastião José. Direito Internacional Privado. Coleção Elementos de
Direito. São Paulo: Ícone, 2009.

19
PINHEIRO, Luís de Lima. Ob., cit., p. 58.

Você também pode gostar