Terapia Cognitivo Comportamental (PDF1)
A terapia cognitivo-Comportamental é um modelo de psicoterapia fundado por Aaron
Beck, Psiquiatra americano na década de 60.
Remanescente de estudos profundos da Psicanálise, estabeleceu um método de trabalho
inicialmente construído para depressão, mas que se ampliou consideravelmente nos dias
de hoje e está baseado no empirismo colaborativo, concentrada no aqui e agora, com
atuação centrada nas cognições do paciente, através de sessões estruturadas, focadas em
metas e soluções de problemas
Aprofundando mais o tema, a terapia cognitiva aponta que todo ser humano exerce três
funções básicas para que se efetive a vida de relação: ele pensa, sente e age
O modelo cognitivo-comportamental parte do pressuposto
de que os nossos pensamentos influenciam intensamente as emoções e as reações de
comportamento que venhamos a ter.
Não é uma situação por si só que tem importância na modificação do humor; na verdade,
a interpretação que fazemos dela ou o modo como nós a entendemos é bem mais
significativo e é a causa das repercussões emocionais e comportamentais resultantes.
Pensamentos automáticos são aqueles que não passam peio crivo da razão, pela análise
consciente; não são decorrentes de deliberação ou raciocínio; adentram o nosso campo
mental e influenciam consideravelmente nossas emoções e condutas, causando mudança
negativa no humor e fazendo com que adotemos comportamentos também disfuncionais.
Habitualmente, somos capazes de notar multo mais nossas emoções do que os pensamentos que as
produziram.
Quando o paciente aprende a identificar e corrigir seus
pensamentos disfuncionais, normalmente o seu humor melhora e as suas atitudes perante
a vida ficam mais adequadas e otimistas
Normalmente, os pensamentos automáticos desadaptativos situam-se relacionados a três
áreas que Aaron Beck chamou de tríade cognitiva:
•A própria pessoa (o self): “eu não sou capaz”, “eu não mereço ser amado(a)”.
•O mundo e os outros: “O mundo é um lugar perigoso”, “as pessoas não são confiáveis”
•O futuro: “as coisas nunca darão certo”, “não vejo saída para mim”
Cada ser humano, em função da sua predisposição pessoal, desenvolve um sistema
próprio ou particular de ideias essenciais acerca de si, do mundo, do futuro, das pessoas,
da vida. Essas ideias essenciais são chamadas de crenças centrais ou nucleares e se
originam desde a infância e a partir da interação com o ambiente.
Crenças centrais ou nucleares:
Podem ser de três tipos:
1. Crenças de desamor
•“Não mereço ser amado(a)”
•“Não sou atraente”
•“As pessoas não gostam de mim”
•“Nunca serei feliz ao lado de alguém”
2. Crenças de Desvalor
•“Sou incompetente”
•“Sou incapaz”
•“Sou inútil”
•“As pessoas se saem sempre melhor do que eu”
•“Não faço nada certo”
3. Crenças de desamparo
•“Sozinho não consigo dar conta de mim”
•“Necessito que os outros me aprovem para que eu seja feliz”
•“Sou desajeitado(a)”
•“Melhor concordar sempre com as pessoas, assim elas não me abandonarão”
Essa maneira própria de vivermos, que se constitui a partir das crenças centrais, determina um padrão
específico de comportamento que adotamos para tentar “funcionar” no ambiente.
Existe também outro padrão de crenças, consideradas mais superficiais e acessíveis à
consciência chamadas de intermediárias ou periféricas e que podem se apresentar como:
Regras
•“Devo ser perfeito em tudo que faço”
•“Tenho que fazer tudo certo sempre, senão eu não suporto”
•“Não aceito críticas em hipótese alguma”
Atitudes ou posturas mentais
•“É horrível ser incompetente”
•“Como é triste ser inadequado”
•“Para evitar confusão, sempre é bom ficar calado”
Suposições
•“Se eu der duro, poderei alcançar um bom nível na escola”
•“Se eu tirar boas notas, meus pais me amarão mais”
•“Se eu me afastar dos outros, eles não vão perceber as minhas fraquezas”
Agora observe o esquema a seguir:
Amanda vai para casa desanimada porque não se saiu bem nos testes de gramática.
Alcançou uma média abaixo do esperado.
Mas se no momento no qual Janete tivesse esse pensamento negativo, ela respondesse ao
pensamento
Essa visão mais adaptativa e serena da situação permitiria que Janete enfrentasse de
maneira efetiva a entrevista, embora, naturalmente, não desaparecesse de todo a
ansiedade.
Desistir de tudo, no entanto, é
uma conduta contraproducente, inibidora de soluções sadias e também derivada,
fundamentalmente, de ideias irracionais que foram construídas pessoalmente.
O elevado grau de sofrimento e a desistência de lutar por uma condição melhor não foram
motivados pela perda do emprego, mas pela filosofia disfuncional que você nutre
intimamente. Ao modificar essa maneira nociva de pensar e interpretar a si mesmo, sua
vida, seu cotidiano, suas relações, buscando considerar tudo isso com mais cuidado, sendo
mais maleável consigo e com as pessoas, certamente, seria mais feliz e teria muito mais
sucesso.
Nosso comportamento é motivado sempre pelo conceito que formulamos sobre os eventos
e as emoções dele resultantes. Erros cognitivos, isto é, maneiras distorcidas (dogmáticas,
inflexíveis) de pensar sobre os fatos nos levam a numerosos comportamentos
disfuncionais.
Os principais erros cognitivos que encontramos na prática são:
•Leitura Mental: Imaginamos ter a capacidade de ler a mente das pessoas. Olhamos
para elas ou nos lembramos delas e ficamos a imaginar sem base comprobatória
qualquer: “Ele acha que sou um fracasso”; “Na certa, ela está pensando: Como ele é
bobo”.
•Adivinhação: Costumamos também prever o futuro com incrível facilidade, mesmo que
nada de concreto seja incrementado às nossas suposições. Achamos que tudo será um
desastre, que nada vai dar certo, que as coisas vão “se perder pelo ralo”. Pensamos:
“Vou ser reprovado no exame” ou “Não conseguirei o emprego”ou ainda “Isto não dará
certo”.
•Catastrofização: Outras vezes, ampliamos o significado de uma situação a ponto de
colocá-la em regime de catástrofe. Cremos que o que nos aconteceu o vai acontecer
será “o fim da picada” e não aguentaremos “o baque”, como, por exemplo, “Seria
horrível se eu fracassasse”, “Não vou suportar ficar sem ele”, “Minha performance foi
horrível”.
•Rotulação: Atribuímos rótulos com forte inflexibilidade em nossa direção ou na dos
outros, dizendo “Sou indesejável”, “Sou um lixo”, “Ele é uma pessoa imprestável”.
•Desqualificação do Positivo: É comum desvalorizarmos pontos fortes e aspectos
positivos existentes em nós e nos outros, atribuindo a tudo uma conotação
desqualificada: “Isso aí qualquer um faz”; “Não é mais que a sua obrigação tirar boas
notas”; “Esse benefício que consegui foi porque tiveram pena de mim”. Ou ainda
quando uma pessoa o elogia: “Você está muito bem vestido” e você responde: “Que
nada! Esta roupa é tão velha”.
•Abstração Seletiva: Diante de uma situação plenamente favorável, focalizamos
somente o pequeno percalço no seu decorrer. Por exemplo, após uma apresentação
valiosa em seu contexto total, você lembra: “Foi horrível a luz ter apagado por alguns
instantes. Estou envergonhado”; após o término de um aniversário bem-sucedido, você
recorda: “Viu só? Aquela criança deixou o prato cair na festa. Todos repararam”.
•Hipergeneralização: Não é raro generalizarmos situações que acontecem
endemicamente, por exemplo, “Tinha que acontecer justamente comigo. É sempre
assim”; “Ninguém é confiável”, “Nesse mundo só tem fofoqueiro”; “Homem não presta”;
“O mundo é dos espertos”.
•Pensamento Dicotômico: Quando estamos irritados, gostamos de levar as coisas para
os extremos, do tipo “Se não for para fazer bem alguma coisa, melhor nem começar”;
“Comigo é oito ou oitenta”; “Não aceito meio termo”; “Ou é desse jeito ou é nada”.
•O dogma dos “Deveria”: Achamos que certas coisas “deveriam” ser de tal modo ou
“tem que” se concretizar conforme idealizamos. Por exemplo, dizemos “Eu tinha que ser
melhor pai do que sou”; “Isso não deveria ter acontecido”; “Ela deveria ter me contado
antes”; “Você deveria ser mais responsável”.
•Personificação: Tornamo-nos responsáveis por tudo que acontece a nossa volta, como
se pudéssemos ser autores dos sentimentos e comportamentos das pessoas. “Ele me
olhou estranho hoje. Que será que eu fiz pra ele?”; “Parece que a conversa à mesa
esfriou um pouco. Isso é mau pra mim”; “Quando as pessoas estão tristes ou zangadas,
fico com receio de as estar perturbando de algum modo”
•Culpabilizações: Projetamos nos outros responsabilidades que são nossas: “Se eu fiquei
assim, foi por causa dela”; “As coisas deram errado porque faltou a contribuição de
fulano”; “Se você tivesse me apoiado mais, nossa relação não teria sido esse desastre”.
•Comparações: Prejudicamo-nos quando nos comparamos às demais pessoas.
Comparações são vias de angústia. Exemplo: “Ele sempre foi melhor do que eu em
tudo”; “Onde chego para trabalhar, sempre tem alguém fazendo melhor do que eu”;
“Vão acabar chamando outro candidato para ocupar o cargo. Eu sou o mais desastrado
de todos”.
•Crítica Retrospectiva: Insistimos em “olhar para trás” sempre que algo não saiu como
gostaríamos e nos recriminamos demoradamente: “Se eu tivesse me lembrado de dar a
informação, ele teria sido menos grosseiro”; “Não era para eu estar nessa situação
vexatória…”; “Deveria ter sido menos exigente. Agora é tarde”.
•Desculpismo: Há momentos em que persistimos nas ideias “do contra”. Rejeitamos
toda proposta que contraria o modo negativo de vermos nós mesmos, os outros, o
mundo. “Não acho que seja isso. Tem outros fatores envolvidos”; “Você diz isso porque
não o conhece. Ele ‘fez a sua cabeça’ totalmente”; “Você está errado. Deixou escapar o
quanto ela é cruel com todos”.
•Autodepreciação: Encontramos características de personalidade que elegem a
autodepreciação como rotina. “Pobre de mim. Acho que não vou conseguir”; “Ela se sai
tão bem. Queria ser como ela”; “Vivo me dando mal nos estudos”