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Definições e Teorias da Arte

O documento explora a filosofia da arte, discutindo definições e teorias sobre o que constitui a arte, incluindo teorias essencialistas e não-essencialistas. As teorias abordadas incluem a representativa, expressivista e formalista, cada uma com suas características e objeções. O texto também apresenta críticas a essas teorias, destacando a complexidade de definir a arte de maneira satisfatória.

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Definições e Teorias da Arte

O documento explora a filosofia da arte, discutindo definições e teorias sobre o que constitui a arte, incluindo teorias essencialistas e não-essencialistas. As teorias abordadas incluem a representativa, expressivista e formalista, cada uma com suas características e objeções. O texto também apresenta críticas a essas teorias, destacando a complexidade de definir a arte de maneira satisfatória.

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FILOSOFIA DA ARTE

. "O que é a arte?"- Os filósofos procuram responder a esta pergunta e apresentar uma definição
de arte. Uma boa definição deve dizer-nos:
• O que é a arte;
• O que distingue o que é arte das coisas que não o são: ou seja, tem de apresentar uma ou
várias características que todas as obras de arte possuem e que apenas elas possuem. As
condições necessárias e suficientes para algo ser arte.
- Se essa característica for X, então:
. Se algo é uma boa obra de arte, então é X.- Característica X é uma condição necessária.
. Se algo é X, então é arte.- Característica X é uma condição suficiente.
Porém, para se conseguir uma boa definição se arte, a característica X deve
ser,simultaneamente, uma condição necessária e suficiente:
-Algo é arte se, e só se, é X.

TEORIAS ESSENCIALISTAS E NÃO-ESSENCIALISTAS


Essencialistas:
. Uma teoria é essencialista quando aceita a ideia de que h´uma essência da arte, ou seja,
quando considera que existem determinadas características que constituem a natureza da arte e
que são tanto condições necessárias (existem em todas as obras de arte) como condições
suficientes ( apenas existem nelas). Consideram que são características inerentes/ intrínsecas às
obras de arte. Essas teorias procuram captar essa essência, indicando as condições necessárias
e suficientes que uma obra deve ter para ser arte.

Não-essencialistas:
. Estas teorias rejeitam que haja uma essência da arte. Admitem que se podem identificar
condições necessárias e suficientes da arte e com elas elaborar uma definição da mesma,
porém, para eles, essas características não são intrínsecas às obras, não são algo que se posso
observar nas mesmas. As características são relacionais e t~em haver com o contexto social que
envolve as obras. Consideram que é possível definir arte apesar de não existem uma essência,
mas sim um contexto.

TEORIA REPRESENTATIVA (essencialista)


. Se algo é arte, então é uma representação.
É teoria da arte mais antiga e enquanto que antigamente era caracterizada por "imitação", mas
pensasse que "representação" seja uma tradução mais apropriada.
Uma imitação é uma representação que visa ser semelhante à coisa imitada. Durante séculos,
todos os artistas entendiam o ser trabalho como um esforço para imitar as coisas do mundo do
modo mais fiel possível. Ex: Na antiga Grécia, as esculturas procuravam imitar o corpo humano,
representá-lo a form mais realista possível.
Esta maneira de ver a arte determinava também o modo como se avaliava determinava o valor
artístico das obras de arte. Pensava-se que uma obra tinha mais valor artístico quanto mais
semelhante ao original fosse. Ou seja, se dois escultures esculpissem a mesma coisa, a obra
melhor seria aquela que mais parecida ao real fosse.
Considera-se que uma imitação é apenas uma representação que tenta ser realista, que tenta ser
semelhante à original. Porém, a imitação é apenas um tipo de representação, entre muitas
outras que existem. Assim sendo, a representação é mais abrangente que a imitação. Isto
acontece pois uma coisa pode representar outra mesmo que não seja semelhante a ela, mesmo
sem ser uma imitação dela. Ex: uma pomba simboliza a paz, embora não seja semelhante à paz.
Devido a isto, a evolução da arte colocou em causa esta teoria, pois encontramos inúmeras
obras que apesar de não imitarem nada, representam algo. Assim, a conceção de arte como uma
representação imitativa da realidade foi posta em causa. Mas a ideia de que algo para ser arte
precisa de representar e não imitar algo continua a ser aceite por muitos.

OBJEÇÕES À TEORIA DA REPRESENTAÇÃO


• Não apresenta uma definição de arte
Um dos problemas desta teoria, segundo os críticos, é que a mesma não apresenta uma
autêntica definição de arte. Ou seja, esta objeção defende que esta teoria apresenta condições
necessárias da arte, mas não suficientes.
A ideia de que "se algo é arte, então é representação" implica que a representação seja uma
condição necessária da arte, pois todas as obras de arte são representação,mas não que apenas
a arte é representação, logo não constitui uma condição suficiente da arte. Ou seja, o conceito
de representação é demasiado abrangente para apenas a arte o ser,pois inclui coisas que
obviamente não são arte, como os sinais de trânsito, que são uma representação mas não são
considerados arte.
Assim sendo, esta teoria apenas apresenta a condição necessária da arte e não a suficiente por
isso não pode ser considerada uma boa definição de arte.

• Contraexemplos
Os críticos consideram que até a representação ser considerada a condição necessária de arte é
bastante discutível. Isto acontece pois existem inúmeros exemplos de obras que são
consideradas arte mas que não representam absolutamente nada, como, por exemplo, a pintura
abstrata. Ou seja, existem demasiados contraexemplos.
Assim, apesar da representação ser uma característica fundamental de muitas obras de arte,
não se pode afirmar que seja de todas. Logo, não se pode afirmar que a teoria da representação
conseguiu captar a essência de arte.

TEORIA EXPRESSIVISTA (essencialista)


Uma teoria expressivista defende que a arte é essencialmente uma expressão de sentimentos ou
emoções.
De acordo com Collingwood, a expressão de emoções, que é a essência da arte, consiste num
esforço por parte do artista de clarificar as suas emoções que tem, mas que não compreende
bem. Tratam- se de sentimentos em bruto, a crescer, que inicialmente o artista não tem bem a
noção que os tem, nem é capaz de os identificar.
O filósofo considera que as emoções são algo involuntário, que não se escolhe ter, e que podem
até ser opressivas e perturbadoras. o mesmo considera que compreendê-las alivia e tranquiliza a
mente.
Ao pintar, ao compor, o artista clarifica as suas emoções mas isso não significa que ele se torne
consciente de qual era a emoção sentida, se era a alegria, ou o medo. O que está em causa não
são emoções gerais, mas sim especificas, particulares. Não está em causa a alegria que costuma
ser utilizada para exprimir uma emoção geral, mas sim a sua alegria particular, que pode ter
muitas peculiaridades e que pode ser diferente da alegria de outra pessoa.
Assim, segundo Collingwood, ao fazer arte o artista tem o intuito de exprimir as suas emoções
individuais, de modo a clarificá-las.

O filosofo defensor desta teoria considera que muitas vezes chamamos obra de arte a muitas
coisas que não são realmente arte. ele distingue dois conceitos, a arte autêntica- a arte que é
genuína e que realmente merece o nome de arte- e o oficio.
O oficio é uma atividade, como a carpintaria, que transforma um certo material num produto
segundo plano previamente estabelecido. Nos oficios usa-se um certo meio material para
alcançar um determinado fim, como um oleiro manipula o barro (o meio) de acordo com uma
determinada técnica para fazer uma jarra (o fim). Quem desempenha esse oficio tem uma ideia
clara do que quer fazer e dos meios que deve alcançar para o conseguir, ele sabe o que quer
fazer antes de o fazer e esse planeamento é determinante na sua atividade.
porém isto não acontece com os verdadeiros artistas, pois eles só ganham consciência daquilo
que estão a expressar depois de iniciarem o seu projeto. pois ao inicio eles não conseguem
identificar as suas emoções, só após começarem a sua obra de arte é que as conseguem
clarificar.
Por isso, na arte a distinção entre meios e fins não é importante e pode até mesmo não existir,
pois até nas obras que exigem grande planeamento, como grandes estátuas, o mais importante
é sempre a componente de exploração pessoal e de descoberta, a tal tentativa de clarificar
emoções, que não existe no oficio. Por isso, se se utilizar o termo "arte do oleiro" está-se a
utilizar a palavra arte de modo inapropriado, pois trata-se de um ofício e não de uma arte.

Collngwood considera que também a música, o teatro ou de algo que visa o entretenimento e
não a expressão das emoções do artista não são verdadeiramente arte e os seus autores não
podem ser chamados artistas, pois não o são na realidade.
Na "arte" do entretenimento procura-se suscitar no publico certas emoções, através de
situações previamente concebidas pelo criador e que possibilitam uma espécie de liberdade
pessoal, procurando distrair ou divertir o espetador. Assim sendo, o seu objetivo é estimular
emoções especificas, concebidas pelo autor em antemão, utilizando certas técnicas e por isso a
2arte" o entretenimento não é arte autêntica, mas sim uma forma de oficio.

Segundo o auto desta teoria, a finalidade da verdadeira arte não é despertar ou desencadear
emoções, mas sim expressar e clarificar as emoções do artista das oportunidade ao publico de
expressar e clarificar as suas, já que o artista mostra através da obra como isso pode ser feito. A
contemplação das obras de arte não pode ser passiva, mediante a imaginação de cada um
partilham a experiencia do artista. Assim, a arte promove o autoconhecimento tanto do artista,
como do publico, que assim ganham consciência do seu mundo interior e das forças emocionais
que nele exitem.

OBJEÇÕES À TEORIA EXPRESSIVISTA


• há muitos contraexemplos
A definição de arte como expressão e clarificação de emoções é demasiado restrita, pois exclui
muitas obras que costumam ser consideradas artísticas, existindo, portanto, muitos
contraexemplos.
Por exemplo, o Shakespeare,um dos artistas mais considerados mundialmente, muitas das suas
obras não poderiam ser consideradas arte, caso esta fosse a real definição, pois são comédias e
têm o principal objetivo de divertir os espetadores e não de exprimir e clarificar emoções. Se
Collingwood tivesse razão estas comédias seriam apenas um oficio e não uma arte.
Contudo, é implausível que tais obras de arte não sejam arte, e por isso, podemos considera-las
contraexemplos à teoria expressivista. Logo, é também implausível que a clarificação de
emoções seja uma condição necessária da arte.

• O estado de espírito dos artistas é muitas vezes desconhecido


Muitas das vezes não é possível saber o que sentiram certos artistas ao fazerem as suas obras,
uns porque já morreram, outros porque são desconhecidos... ; e por isso não é possível o
observador ter a experiencia imaginativa das emoções do autor. Sendo assim, ao contrário do
que defende Collingwood a apreciação de uma obra de arte deve ser independente dos
sentimentos do artista e os membros do publico não partilham a experiencia do artista, ao
contrário do que ele diz.
Assim, a expressão de emoções e a sua clarificação são algo fundamental de muitas obras de
arte mas não se pode dizer que isso ocorra necessariamente em todas nem que essa seja a
essência da arte.

A TEORIA FORMALISTA (essencialista)

Segundo Bell, defensor desta teoria, o que distingue as obras de arte de coisas que não são arte
é o facto de possuírem uma característica a que deu o nome de forma significante, que é a
qualidade comum a todas as obras de arte. Considera que esta é a essência da arte existe em
tudo aquilo que é considerado arte.
• Um objeto ou atividade é arte se, e só se, tem forma significante.
A forma significante tem o poder de provocar emoção estética. Esta emoção é diferente de todas
as outras, muito distinta das emoções referidas pela teoria expressivista. É uma emoção
especial, que só temos quando estamos diante de uma obra de arte e parte de cada um e das
suas próprias vivências.
O que é a forma significante?
• Na pintura é uma certa combinação de linhas, cores e formas;
• Na música é uma certa relação de sons, timbres e ritmos;
• Na dança é uma certa organização de movimentos.
esta forma significante é diferente da mera forma física dos objetos. É uma certa relação entre as
partes da obras e é independente da sua função, ao contrário do lápis, por exemplo, que tem
aquela forma tendo em conta a sua função. A forma significante é algo que se destaca por si
mesma e que nos chama à atenção, deixando-nos agradados ou até mesmo maravilhados.

Segundo Bell, para sentir a emoção estética é preciso sensibilidade estética e para captar a
forma significante é preciso inteligencia e experiência.. Porém muitas pessoa não têm essa
sensibilidade de todo. Essas pessoas sem sensibilidade estética estão diante uma obra de arte
como um surdo está diante um concerto e não percebem nada. Contudo, a sensibilidade
estética pode ser estimulada pela experiência e pela educação. As pessoas que não têm
sensibilidade estética, podem ter uma boa cultura e formação e mesmo assim não a ter, e por
isso são incapazes de sentir emoções estéticas.

Para Bell, uma obra de arte pode ou não representar algo, e mesmo quando representa algo não
é isso que faz com que ela seja considerada uma obra de arte. A representação não é algo
essencial numa obra de arte. que realmente importa numa obra é se possui ou não forma
significante e os verdadeiros apreciadores de arte que possuem sensibilidade estética vão estar
atentos à disposição das formas, à relação entre as linhas, às cores, e não ao tema da abra em si.
o que o quadro representa não tem relevância estética.
Bell pensa o mesmo em relação às emoções, para ele, uma obra pode ou não exprimir emoções
mas esse nunca é o aspeto mais relevante, é sempre a form significante.
Ele considera que as outras teorias apresentam características da arte mas e aspetos que elas
têm, mas não o mais necessário, que é a forma significante. As obras valem pela forma e não
pelo conteúdo. Na apreciação das obras não devem ser considerados outros aspetos, poe
exemplo, uma obra ter surgido num certo contexto social ou politico é esteticamente irrelevante,
por isso é irrelevante considera-lo quando distinguimos o que é arte o que não é.
Logo, qualquer objeto que tenha forma significante e provoque emoção estética pode ser
considerado arte, independente se tenha tido a intenção artística ou não.
Ao analisar algumas obras, Bell conclui que muitas obras consideradas arte não são na realidade
arte pois não têm forma significante e não exprimem emoção estética e quem as considera arte
não tem sensbilidade estética. Então, bell considera essas obras meros dcumentos ou
descrições que não merecem ser consideradas arte.

OBJEÇÕES À TEORIA FORMALISTA

• Contraexemplos
Existem muitas obras que Bell considera que não são arte e que são consideradas por muitos
arte, e os seus artistas são muito prestigiados. Pode-se gostar mais ou menos das suas obras
mas não se pode dizer que as mesmas não são arte, isso é implausível. Por isso, s admitirmos
que essas obras não têm forma significante, como Bell queria, temos de admitir que a forma
significante não é uma condição necessária.
Também existem outros objetos considerados artísticos que não se conseguem distinguir
visualmente de outros objetos que não são considerados artísticos. Por exemplo, "A fonte", uma
obra de arte que é um urinol com uma frase, não se consegue distinguir de outro urinol vulgar.
Porque se aquele urinol era arte, então todos os urinóis teriam de ser arte, pois todos têm a
mesma forma. Mas é óbvio que nem todos os urinóis são obras de arte, o que faz com que esses
sejam contraexemplos á teoria formalista.
Os críticos acusam Bell de ter feito uma teoria baseado num aspeto que não desenvolveu muito
bem, pois consideram que não é muito claro aquilo que tem ou não forma significante. E
também consideram que nesta teoria Bell baseIa-se muito na sua opinião pessoal, pois parece
que para ele ter sensibilidade estética é ter os mesmos gostos que ele, e obviamente que algo
pode ser arte e nós não gostarmos, por isso a teoria fracassa ao tentar distinguir o que é do que
não é arte.
• Circularidade
Acusam a teoria formalista de ser circular. Bell diz que a forma significante é a característica que
os objetos possuem que é capaz de provocar a emoção estética, mas também diz que a emoção
estética é provocada pela observação de objetos que possuem forma significante. ou seja, a
forma significante provoca a emoção estética e a emoção estética é provocada pela forma
significante, um conceito remete para o outro. Ambos os conceitos são diferentes e por isso
deveriam ter uma explicação própria, como não o têm não são conceitos esclarecedores.
Assim, apesar de ser verdade que os aspetos formais são fundamentais em muitas obras de arte,
é implausível que a teoria formalista tenha captado a essência da arte e que tenha produzido
uma boa definição da mesma.

CETICISMO ACERCA DA POSSIILIDADE DE DEFINIR ARTE

Os defensores desta teoria consideram que as teorias 8representativa, expressivista e formalista)


se contrariam umas às outras e que são confrontadas com objeções bastante pertinentes e com
inúmeros contraexemplos. por isso,os mesmos consideram que não é possível definirmos
adequadamente arte.
Os filósofos consideram que a causa das dificuldades por parte dos autores das teorias não é a
sua incompetência, mas sim a natureza da própria atividade artística. Na arte, os artistas
valorizam principalmente a liberdade e a criatividade e isso leva-os a experimentarem
frequentemente novas possibilidades e a experimentar coisas diferentes.
Devido a esta constante inovação por parte dos artistas, estão sempre a ser produzidas novas
obras que, à luz das ideias anteriores, não seriam consideradas arte, o que vai alargando o
âmbito da arte. u seja, aquilo que se chama arte numa época surpreenderia a anterior e nada
nos diz que no futuro não haverão coisas novas a serem consideradas arte.
Esta é a razão pela qual existe tanta diversidade na arte. Existem coisas muito diferentes que são
consideradas arte, desde esculturas super realistas da Grécia Antiga, a obras que não requerem
qualquer pericia como a obra "A fonte".
Assim pode-se defender que a arte não tem um conjunto de características que toda e a apenas
a arte possua, pois a arte não tem limites estabelecidos e fixos que possam ser captados numa
definição. Assim, tanto as teorias atuais como futuras fracassarão na tentativa de definir arte
pois a arte ainda está em construção e pode mudar muito.
Isto significa que a arte é um problema em aberto. Um conceito fechado é por exemplo um
triângulo, pois não é de esperar que a sua definição se altere. Contudo arte é um conceito que
tem mudado ao longo dos anos e pode continuar a mudar.
Por isto, as teorias representativa, expressivista e formalista, todas falharam, e qualquer outra
futura teoria que tente encontrar a essência da arte falhará também, pois a arte poderá sempre
tornar-se outra coisa diferente do que é no presente.
Para além de que tentar definir arte tem um mau resultado pois estão a tentar imo fronteiras aos
artistas e isso empobrece a arte, impede os artistas de terem a sua liberdade e criatividade que é
o que eles mais valorizam, assim o resultado é a diminuição da qualidade artística.
Por tanto, os defensores desta teoria consideram que não é possível definir arte, daí que sejam
céticos.

TEORIA INSTITUCIONAL (não-essencialista)

Esta teoria considera que é possível definir arte, encontrar as condições necessárias e
suficientes, mas as características não fazem parte das próprias obras de arte, mas sim do
contexto em que se inserem. As obras arte dependem do contexto institucional em que são
apreciadas.
Esta teoria tenta refutar o ceticismo e responder aos desafios colocados pela mesna na
possibilidade de definir arte.
-Algo é arte se for um artefacto e se for considerado arte por alguém que faz parte do mundo da
arte.
Um artefacto é não só objetos produzidos pelo próprio artista, tem um significado mais
alargado. É:
• Objetos ou atividades concebidas pelo artista;
• Objetos fabricados por outras pessoas, mas escolhidos pelo artista, como "A fonte", o urinol
não foi concebido pelo artista, mas foi ele que o escolheu para ser uma obra de arte;
• Coisas retiradas da Natureza e colocadas noutro contexto.
Um tronco de árvore retirado da natureza e colocado num museu pode ser um artefacto basta
que o artista escolha esse tronco, nem sendo necessário que o modifique.
Basta ser criado pelo artista, não precisa de ter sido feito por ele, precisa sim de ter sido
escolhido por ele.
Já o mundo da arte é uma instituição social, ou seja, com uma prática social estabelecida, tal
coo uma família é na sociedade, por exemplo. Tal como na sociedade há uma deia estabelecida
e aceite de que a família é um conjunto de pessoas que assegura que conseguimos viver, o
mundo da arte funciona da mesma maneira. Fazem parte dele, artistas, críticos, historiadores de
arte, galeristas, etc... e até mesmo o próprio público. Os membros desta instituição social têm
funções e regras que têm que cumprir,tal como numa família. A diferença é que no undo da arte
as funções e regras estão estabelecidas de um modo mais informal e impreciso do que nas
outras instituições. O mundo da arte e uma maneira que as pessoas arranjaram para apreciar
arte, mas com regras informais e não muito bem definidas,onde o seu poder é declarar aquilo
que é e não é arte.
Um artefacto pode ser considerado arte a partir do momento em que alguém do mundo da arte
diz que esse objeto ou atividade é um candidato de apreciação. Essa expressão é utilizada para
frisar que pelo facto de uma obra ser considerada arte não significa que seja realmente
apreciada, ela pode ou não sê-lo. O publico é que decide se quer ou não vê-la e se a aprecia ou
não. Dizer que algo é arte é diferente de dizer que algo é boa arte.
Esta é uma teoria classificativa e não avaliativa. Ou seja, esta teoria apenas nos diz o que é ou
não é arte, não distingue o que é boa de má arte.
O defensor desta teoria, Dickie, critica as teorias essencialistas por serem teorias
avaliativas/normativas. Ele considera que elas em vez de indicarem apenas as características
que as obras têm de ter, indicam também as que deviam ter. Por isso, em vez de dizerem apenas
que objetos ou atividades são arte acabam por avaliar também o seu valor, considerando que
muitas obras não são arte autêntica. logo, afirmar que certas oras consideradas arte não o são é
um dos principais problemas dessas teorias.

OBJEÇÕES Á TEORIA INSTITUCIONAL

• Contraexemplos
Esta teoria tem dificuldades em lidar com as obras que são consideradas obras de arte, mas
cujos autores não fazem parte do mundo da arte. Ou seja, uma obra cujo seu autor não era
considerado um artista quando a fez, não era considerada arte até alguém do mundo da arte a
reconhecer como obra de arte,mas depois disso tornou-se arte. É muito implausível, pois as
obras eram exatamente iguais antes e depois do reconhecimento pú[Link] significa que se
nunca ninguém do mundo da arte as tivesse descoberto elas nunca chegariam a ser arte. isso
também seria implausível pois a obra era exatamente igual. Não há qualquer diferença entre a
obra que alguém considerou obra de arte e aquela que ainda ninguém do mundo da arte tinha
observado.
Assim,isto é um grade contraexemplo à teoria constitucional e que sugere que o
reconhecimento do mundo da arte não é uma condição necessária da arte.

• A noção de mundo da arte é vaga e pouco clara


Ninguém sabe muito bem quem são as pessoas que constituem o mundo da arte, nem quais são
as suas regras e os seus procedimentos. O mundo da arte não é uma instituição bem definida,
como é uma família. O papel dos intervenientes não é claro pelo que não se consegue perceber
exatamente o que é o mundo da arte. Ou seja, um dos principais conceitos desta teoria é vago e
pouco claro, por isso ela não pode ser uma boa teoria.Não se sabe bem a partir de que momento
é que uma pessoa tem legitimidade para dizer que faz parte do mundo da arte, para além que as
pessoas que a constituem podem não ser imparciais e apenas considerar certas obras como arte
por causa de cunhas ou ser corrupção.
Assim, os aspetos presentes nesta teoria são bastante relevantes na arte mas a teoria também
não é satisfatória.

TEORIA HISTÓRICA (não-essencialista)


O aspeto contextual presente em todas as obras de arte é o seu carácter histórico ou retrospetivo
da arte, ou seja, toas as obras se relacionam de modo intencional com as anteriores.
Segundo Levinson, o principal defensor desta teoria, um objeto ou atividade é arte na medida
em que o seu autor quer que este seja encarado como foram as obras de arte do passado, e estas
também são arte pois os seus autores queriam que estas fossem encaradas como as obras
anteriores a elas, e sempre assim sucessivamente. A intenção de inserir as obras numa tradição
histórica é a única coisa que todas as obras de arte têm em comum, os seus autores queriam que
elas fossem admiradas, e isto explica a unidade e a continuidade da arte ao longo do tempo,
apesar da sua enorme diversidade.
Esta intenção das obras serem admiradas pode ser explicita(transparente) ou implícita (opaca).
Lenvinson considera a intenção muito importante, pois sem ela as obras de arte seriam apenas
um acaso. Ele considera também que esta intenção tem de ser séria, firme e duradoura, para
poder transparecer na própria obra e podermos descobrir essa intenção sem precisar de avaliar
os estados mentais do artista.
Um artista tem uma intenção explicita quando ao criar a obra já sabe que quer que ela seja,
admirada tal com foram as do passado. Porém, o artista pode ter uma intenção
implícita/indireta, quando não está completamente consciente que tem essa intenção. Por
exemplo, um doente mental que cria uma obra de arte não tinha uma intenção explicita, mas
pretendia representar e/ou expressar algo, logo tinha uma intenção indireta.
Esta "historicidade essencial" das obras de arte significa que os artistas ao fazerem as suas obras
têm a intenção de as inserir numa certa tradição histórica para que sejam encaradas de um
modo similar ao modo como foram encaradas as suas obras anteriores. Contudo, essa relação
com o passado não significa que os artistas ao fazerem as suas oras imitem obras passadas ou
sequer que se inspirem nelas. Os artistas são diferentes e não querem imitar as obras dos outros
nem quer dizer que se inspirem nelas, apesar de por vezes se inspirarem. Apenas existe a relação
na medida de que querem que sejam vistas, como as do passado foram. Se o que acontecesse
fosse uma imitação então a arte nunca mudaria, mas na realidade ela muda.
• X é uma obra de arte se, e só se, é um objeto cujo o artista, possuindo o seu direito de
propriedade, tem ou teve uma intenção séria de que a mesma seja encarada com as do
passado foram.
A definição inclui a referência ao direito de propriedade. Eta é referida para que um artista não
possa tentar transformar em arte coisas que não lhe pertencem ou cujo uso não seja autorizado
pelos proprietários. Este direito de propriedade é uma condição necessária da arte. Por isso,
algo só é arte caso o artista seja o próprio proprietário ou caso tenha sido autorizado pelo
proprietário a utilizar tal coisa.

OBJEÇÕES À TEORIA HISTÓRICA


• Contraexemplos
Esta objeção afirma que os artistas podem não ter o direito de propriedade sobre algumas
obras, e estas podem ser obras de arte. Por exemplo, os autores de graffitis fazem muitas vezes
as suas obras em paredes que não lhes pertencem. Porém é implausível pensar que graffitis,
como os de Banksy, não são obras de arte. Assim sendo, estas obras são contraexemplos à teoria
histórica e sugerem que o direito de propriedade não é uma condição necessária para haver
arte.

• O problema da primeira obra de arte


A definição de arte de Levinson baseia-se num critério regressivo ( algo é arte se for visto como
eram as obras anteriores, e as anteriores são arte porque são vistas como as suas anteriores, e
sempre assim). Mas sendo assim, como se explica a primeira obra de arte? Pois essa não poderia
ter a intenção de ser vista como as anteriores eram, visto que não existiam anteriores. Mas
obviamente que tem de existir uma primeira obra de arte, mas não existia uma anterior para
estabelecer a relação de continuidade.
Assim,não podemos aceitar esta teoria nem a definição de arte de Levinson, e que por isso o
problema da arte continua em aberto.

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