Entendendo a Radiação Solar e Seus Efeitos
Entendendo a Radiação Solar e Seus Efeitos
Radiação Solar
A energia emitida pelo sol e transmitida sob a forma de radiação eletromagnética recebe o nome de
radiação solar. Metade dessa energia é emitida na forma de luz visível e no restante em infravermelho
e ultravioleta. Anualmente, a radiação solar fornece para a atmosfera terrestre aproximadamente 1,5 x
1018 kWh de energia. Essa, além de suportar a maioria das cadeias tróficas, é a principal responsável
pela dinâmica da atmosfera terrestre e também pelas características climáticas do planeta.
Insolação
Aproximadamente 25% da radiação solar penetram na superfície da Terra de forma direta, sem ne-
nhuma interferência. Isso constitui a insolação direta, enquanto o restante é refletido de volta para o
espaço, absorvida, ou ainda espalhada em volta até atingir a superfície terrestre. Mas o que determina
qual será a ação dessa radiação?
Grande parte do determinante do que acontece com a radiação é o comprimento de onda da energia
transportada, e também o tamanho e a natureza do material que intervém. Quando um corpo está em
equilíbrio radiante, isso significa que ele emite a mesma quantidade de energia que absorve e, quando
possui fonte de energia constante, então sua temperatura será constante.
A órbita terrestre é elíptica e, por isso, a quantidade de insolação pode variar ligeiramente no decorrer
do ano. Seu valor médio, no entanto, denominado constante solar, é o valor de duas calorias por cen-
tímetro quadrado por minuto, representado por 2 cal/cm²/min. Esse é número referência para a quanti-
dade de energia radiante incidente sobre uma superfície que é perpendicular aos raios solares antes
que ocorram perdas ou distribuições.
O comprimento de onda vai depender do corpo que está emitindo essas radiações. O sol, por exemplo,
possui um brilho branco incandescente cuja energia é denominada radiação de ondas curtas. Apesar
de a atmosfera, assim como a Terra, aquecer-se com essas radiações de ondas curtas, irradia energia
em ondas longas. Quando em ondas curtas, chamamos de radiação ultravioleta, e quando em ondas
longas, radiação infravermelha.
Composição Espectral
O topo da atmosfera terrestre é atingido por uma radiação solar proveniente da fotosfera solar que nada
mais é do que uma camada tênue de plasma que possui uma espessura de, aproximadamente, 300
km, e temperatura na ordem de 5800 K.
A composição espectral nada mais é do que o que seria de esperar na radiação de um corpo negro
aquecido a cerca de 6000°C, mas possui muita simetria que é resultante da absorção da radiação de
comprimento de onda mais curto pelas camadas exteriores do sol.
A radiação solar, quando falamos em comprimentos de onda, ocupa a faixa espectral de 100 nm a 3000
nm, com densidade espectral máxima de 550 nm, que corresponde à luz verde-amarelada.
A emissão solar é uma mistura de radiações com diferentes comprimentos de onda. Distinguem-se três
frações:
A luz ou radiação visível é o que a visão humana pode perceber; contém 42% da energia da emissão
solar e pode ser decomposta em radiações de cores distintas que vão do violeta ao vermelho. A radia-
ção visível contém a energia adequada para ser aproveitada pela fotossíntese. (Veja: Luz Visível).
A radiação ultravioleta representa 9% da energia total. Tem menor comprimento de onda que a luz
visível e não pode ser percebida pelas pessoas. E uma radiação energética e, portanto, capaz de pro-
vocar a ruptura de certas ligações químicas, levando à desorganização das moléculas. (Veja: Radiação
Ultravioleta).
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RADIAÇÃO SOLAR
A radiação infravermelha equivale a 49% da energia emitida pelo Sol, e seu comprimento de onda é
maior do que o da luz. Também não é percebida pelo ser humano. Tem pouca energia e só produz
agitação térmica, isto é, esquenta os corpos a ela expostos. (Veja: Radiação Infravermelha).
A atmosfera funciona como um filtro para a radiação solar, que deixa passar certos comprimentos de
onda e reflete ou retém outros.
Na parte alta da atmosfera está localizada a camada de ozônio, que absorve uma pequena porcenta-
gem da radiação total, correspondente à radiação ultravioleta, nociva aos seres vivos. Uma parte da
radiação é refletida para o espaço pelas camadas mais altas da atmosfera.
Outra parte é absorvida pelos gases responsáveis pelo efeito estufa: vapor d agua, gás carbônico,
metano etc.
Ao solo, chega somente 47% da radiação que penetrou na alta atmosfera. Dessa energia, 25,8% são
absorvidos pela água; 21% pelo solo e apenas 0,2% é utilizado na fotossíntese.
Ainda assim, a energia absorvida pelo meio físico (água e solo) é responsável por colocar em movi-
mento as circulações atmosférica e marítima, que são vitais para o funcionamento da biosfera.
Nem todos os pontos da superfície terrestre recebem a mesma quantidade de radiação solar. A posição
da Terra em relação ao Sol e o movimento dela ao redor de sua estrela fazem que as regiões localiza-
das próximo à Linha do Equador, por exemplo, recebam mais energia do que as localizadas próximo
aos polos, e que no verão haja mais energia do que no inverno.
Os valores mais altos de radiação próxima ao solo foram registrados em alguns desertos, onde obser-
varam-se medidas de 220 kcal/(cm2/ano). Os valores mínimos foram registrados nos polos, onde há
estimativas inferiores a 80 kcal/(cm2/ano).
Alguns observatórios meteorológicos realizam um controle diário do número de horas de sol e da quan-
tidade de energia recebida nos locais em que estão instalados.
O número de horas de insolação é medido por meio de um aparelho denominado heliógrafo, que con-
siste numa esfera de vidro que concentra os raios solares sobre uma fita de papel, na qual se marcam
as horas. Na ausência de nuvens, a luz queima a folha de registro, deixando um rastro carbonizado
que pode, então, ser medido. Já a energia da radiação solar é medida com aparelhos chamados sola-
rímetros.
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RADIAÇÃO SOLAR
A Constante Solar
A quantidade de energia radiante que chega ao limite da alta atmosfera recebe o nome de constante
solar e tem um valor aproximado de 2 cal/(cm2/min).
Apesar do nome, essa quantidade de energia varia de acordo com a distância entre o Sol e a Terra e
também segundo a intensidade da atividade solar.
Em um ano, um centímetro quadrado da alta atmosfera recebe em torno de 438 kcal, quantidade que
equivale, por exemplo, à sétima parte do consumo energético médio diário de uma pessoa adulta.
O nosso planeta, em seu movimento anual em torno do Sol, descreve em trajetória elíptica um plano
que é inclinado de aproximadamente 23,5o com relação ao plano equatorial. Esta inclinação é respon-
sável pela variação da elevação do Sol no horizonte em relação à mesma hora, ao longo dos dias,
dando origem às estações do ano e dificultando os cálculos da posição do Sol para uma determinada
data, como pode ser visto na figura.
A posição angular do Sol, ao meio dia solar, em relação ao plano do Equador (Norte positivo) é cha-
mada de Declinação Solar (d ). Este ângulo, que pode ser visto na figura 2.1.1, varia, de acordo com o
dia do ano, dentro dos seguintes limites:
A soma da declinação com a latitude local determina a trajetória do movimento aparente do Sol para
um determinado dia em uma dada localidade na Terra.
A radiação solar que atinge o topo da atmosfera terrestre provém da região da fotosfera solar que é
uma camada tênue com aproximadamente 300 km de espessura e temperatura superficial da ordem
de 5800 K. Porém, esta radiação não se apresenta como um modelo de regularidade, pois há a influên-
cia das camadas externas do Sol (cromosfera e coroa), com pontos quentes e frios, erupções cromos-
féricas, etc.
Apesar disto, pode-se definir um valor médio para o nível de radiação solar incidente normalmente
sobre uma superfície situada no topo da atmosfera. Dados recentes da WMO (World Meteorological
Organization) indicam um valor médio de 1367 W/m2 para a radiação extraterrestre. Fórmulas mate-
máticas permitem o cálculo, a partir da "Constante Solar", da radiação extraterrestre ao longo do ano,
fazendo a correção pela órbita elíptica.
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RADIAÇÃO SOLAR
A radiação solar é radiação eletromagnética que se propaga a uma velocidade de 300.000 km/s, po-
dendo-se observar aspectos ondulatórios e corpusculares. Em termos de comprimentos de onda, a
radiação solar ocupa a faixa espectral de 0,1mm a 5 mm, tendo uma máxima densidade espectral em
0,5 mm, que é a luz verde.
É através da teoria ondulatória, que são definidas para os diversos meios materiais, as propriedades
na faixa solar de absorção e reflexão e, na faixa de 0,75 a 100 mm, correspondente ao infra-vermelho,
as propriedades de absorção, reflexão e emissão.
A energia solar incidente no meio material pode ser refletida, transmitida e absorvida. A parcela absor-
vida dá origem, conforme o meio material, aos processos de fotoconversão e termoconversão.
De toda a radiação solar que chega às camadas superiores da atmosfera, apenas uma fração atinge a
superfície terrestre, devido à reflexão e absorção dos raios solares pela atmosfera. Esta fração que
atinge o solo é constituída por um componente direta (ou de feixe) e por uma componente difusa.
Notadamente, se a superfície receptora estiver inclinada com relação à horizontal, haverá uma terceira
componente refletida pelo ambiente do entorno (solo, vegetação, obstáculos, terrenos rochosos, etc.).
O coeficiente de reflexão destas superfícies é denominado de "albedo".
Antes de atingir o solo, as características da radiação solar (intensidade, distribuição espectral e angu-
lar) são afetadas por interações com a atmosfera devido aos efeitos de absorção e espalhamento.
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RADIAÇÃO SOLAR
Estas modificações são dependentes da espessura da camada atmosférica, também identificada por
um coeficiente denominado "Massa de Ar" (AM), e, portanto, do ângulo Zenital do Sol, da distância
Terra-Sol e das condições atmosféricas e meteorológicas.
Devido à alternância de dias e noites, das estações do ano e períodos de passagem de nuvens e
chuvosos, o recurso energético solar apresenta grande variabilidade, induzindo, conforme o caso, à
seleção de um sistema apropriado de estocagem para a energia resultante do processo de conversão.
Observa-se que somente a componente direta da radiação solar pode ser submetida a um processo
de concentração dos raios através de espelhos parabólicos, lentes, etc. Consegue-se através da con-
centração, uma redução substancial da superfície absorvedora solar e um aumento considerável de
sua temperatura.
Lambert (1870) observou a relação entre a transmissão de luz e a espessura da camada do meio
absorvente. Quando um feixe de luz monocromática, atravessava um meio transparente homogêneo,
cada camada deste meio absorvia igual a fração de luz que atravessava, independentemente da inten-
sidade da luz que incidia. A partir desta conclusão foi enunciada a seguinte lei: " A intensidade da luz
emitida decresce exponencialmente à medida que a espessura do meio absorvente aumenta aritmeti-
camente ".
===================
I = Io . 10-x1
===================
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RADIAÇÃO SOLAR
Lei de Beer
Beer em 1852 observou a relação existente entre a transmissão e a concentração do meio onde passa
o feixe de luz. Uma certa solução absorve a luz proporcionalmente à concentração molecular do soluto
que nela encontra, isto é, " A intensidade de um feixe de luz monocromático decresce exponencial-
mente à medida que a concentração da substância absorvente aumenta aritmeticamente ".
=================
I = Io . 10-kc
=================
Onde:
T= Transmitância
a= Constante
1= Espessura da solução
-lnT=a . l . c
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RADIAÇÃO SOLAR
em que: k = a/2.303.
As determinações das concentrações de compostos, o "1" (caminho óptico), são mantidas constantes
e têm grande importância para os bioquímicos, portanto:
-log T =k' . c
em que: k'=k. l
O -log (I/Io) foi denominado densidade óptica (DO) ou absorbância (A) ou extinção (E). Portanto, A =
k' . c. A relação entre A e a concentração da solução é linear crescente, conforme mostrado na Figura
1.5.
Quando um feixe de luz monocromática, atravessava um meio transparente homogêneo, cada camada
deste meio absorvia igual a fração de luz que atravessava, independentemente da intensidade da luz
que incidia. A partir desta conclusão foi enunciada a seguinte lei:
" A intensidade da luz emitida decresce exponencialmente à medida que a espessura do meio absor-
vente aumenta aritmeticamente ".
Esta lei foi descoberta pela primeira vez em 1729 pelo matemático, geofísico e astrônomo francês Pi-
erre Bouguer (1698-1758). A sua autoria é, contudo, frequentemente atribuída de forma errada ao ma-
temático, físico e astrônomo francês Johann Lambert (1728-1777). No seu trabalho em 1760, Lambert
citou a descoberta de Bouguer e constatou que a fração de luz que é absorvida por uma amostra é
independente da potência radiante incidente (Pλo). Este fato é conhecido como Lei de Lambert, embora,
na realidade, só seja verdadeira se Pλo for pequeno e se a extensão de outros fenômenos como a
dispersão da luz ou reações fotoquímicas for desprezável.
Só 92 anos depois é que a lei foi modificada de forma a incluir a concentração da solução na fórmula
de cálculo. Essa modificação foi da autoria do físico e matemático alemão August Beer (1825-
1863). Beer em 1852 observou a relação existente entre a transmissão e a concentração do meio onde
passa o feixe de luz. Uma certa solução absorve a luz proporcionalmente à concentração molecular do
soluto que nela encontra, isto é, " A intensidade de um feixe de luz monocromático decresce exponen-
cialmente à medida que a concentração da substância absorvente aumenta aritmeticamente ".
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RADIAÇÃO SOLAR
A lei de Beer-Lambert, também conhecida como lei de Beer ou lei de Beer-Lambert-Bouguer é uma
relação empírica que, na Óptica, relaciona a absorção de luz com as propriedades do material atraves-
sado por esta. Isto se pode expressar de distintas maneiras:
Onde:
k é o coeficiente de extinção
Em resumo, a lei explica que há uma relação exponencial entre a transmissão de luz através de uma
substância e a concentração da substância, assim como também entre a transmissão e a longitude do
corpo que a luz atravessa. Se conhecemos l e α, a concentração da substância pode ser deduzida a
partir da quantidade de luz transmitida.
No caso dos gases, c pode ser expressada como densidade (a longitude ao cubo, por exemplo cm−3),
em cujo caso α é uma seção representativa da absorção e tem as unidades em comprimento ao qua-
drado (cm2, por exemplo).
A lei tende a não ser válida para concentrações muito elevadas, especialmente se o material dispersa
muito a luz.
A relação da lei entre concentração e absorção de luz é a base do uso de espectroscopia para deter-
minar a concentração de substâncias em química analítica.
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RADIAÇÃO SOLAR
Para a correta utilização e aplicação da lei de Lambert-Beer, é necessário que estejam reunidos alguns
pré-requisitos, nomeadamente:
As partículas (átomos, moléculas ou iões) presentes em solução devem absorver a luz de forma inde-
pendente entre si;
A radiação incidente deve estar colimada (raios paralelos entre si) e deve atravessar a mesma distância
durante a qual interage com as partículas existentes em solução;
A radiação deve ser monocromática, isto é, ser composta por apenas um comprimento de onda seleci-
onado (normalmente, correspondente ao comprimento de onda para o qual a absorvância da espécie
em estudo é máxima);
O fluxo da radiação incidente não pode induzir processos que impliquem a desestabilização dos áto-
mos, moléculas ou iões, como por exemplo excitação eletrônica que dê origem a fenômenos de fluo-
rescência ou fosforescência.
Resolva as questões:
Qual a concentração de MnO 4 -1 em mol L-1 de uma solução com absorbância de 0,345 à 500nm
utilizando uma cubeta de 1cm? A absortividade molar a 500nm é 10.000 mol-1 Lcm-1.
Se a absorbância de uma solução padrão de CuSO4 com concentração de 0,00025 mol L-1 foi 0,150
à 540 nm utilizando-se uma cubeta de 2 cm, qual a absortividade molar da substância neste compri-
mento de onda?
Absorção e Espalhamento
O processo de absorção remove energia radiativa do feixe incidente transformando-a em outras formas
de energia. Na maioria dos processos atmosféricos, em energia térmica;
No espalhamento, a energia que incide em uma direção é espalhada ou desviada para outras direções,
havendo a produção de radiação difusa.
Tais processos são promovidos por alguns constituintes atmosféricos e dependem de suas caracterís-
ticas físicas, que podem ser o tamanho da partícula com relação ao comprimento de onda da radiação
incidente, de sua composição química, do arranjo dos átomos que compõem as moléculas. No próximo
tópico são apresentados os principais constituintes atmosféricos que interagem com a radiação eletro-
magnética. Antes, um exemplo do papel dos processos radiativos na atmosfera é discutido.
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RADIAÇÃO SOLAR
Causado pela foto-ionização devido à absorção de radiação UV e raios-X [Thomas e Stamnes, 1999].
É nesta região que se localiza a ionosfera e que torna possível a transmissão de ondas de rádio por
refleti-las de volta à superfície da Terra.
A atmosfera é composta por um grupo de gases com concentração praticamente constante e um grupo
de gases com concentração variável. Praticamente 99% da atmosfera seca é constituída por N 2 e O2.
Os gases traço importantes para os processos radiativos na atmosfera, também denominados gases
do efeito estufa são o vapor d’água (H2O), dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O),
ozônio (O3) e os clorofluorcarbonos (CFCs). A atmosfera também contém partículas sólidas e líquidas,
que constituem os aerossóis atmosféricos, gotas d’água e cristais de gelo. As concentrações desses
constituintes atmosféricos variam significativamente no espaço e no tempo. Por sua abundância na
atmosfera ou devido à importância aos processos radiativos, serão discutidos rapidamente os principais
mecanismos que caracterizam o ciclo desses compostos na atmosfera.
Gases
N2: Removido da atmosfera e depositado na superfície pelas bactérias fixadoras de nitrogênio e através
dos relâmpagos durante a precipitação. Retorna para a atmosfera por combustão de biomassa e deni-
trificação.
Vapor d’água: A concentração na atmosfera é variável tanto espacial quanto temporalmente. As maio-
res concentrações estão próximas ao equador, sobre os oceanos e florestas tropicais úmidas. As me-
nores concentrações são observadas sobre as áreas polares frias e regiões subtropicais desérticas. As
várias funções importantes do vapor d’água no planeta: a) redistribuição de energia via calor latente; b)
condensação e precipitação, fornecendo água doce essencial para a sobrevivência de plantas e ani-
mais; c) aquecimento da atmosfera terrestre através do efeito estufa.
CO2: Nos últimos 300 anos houve um aumento de concentração na atmosfera de mais de 25%. O
aumento foi associado à queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras formas de mudanças
no uso da terra. O aumento de sua concentração provoca o aquecimento global via efeito estufa. Seu
ciclo é majoritariamente via fotossíntese e respiração.
CH4: Importante gás do efeito estufa. Desde 1750 apresentou um aumento maior que 140% em sua
concentração na atmosfera. As principais fontes antropogênicas são: cultivo de arroz, animais domés-
ticos herbívoros, cupins, aterros, mineração de carvão e extração de óleo e gás:
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RADIAÇÃO SOLAR
depósito de carvão, óleo e gás natural: liberam metano para a atmosfera quando escavados ou perfu-
rados.
Aerossol
As principais fontes naturais são ressuspensão de poeira do solo, erupção vulcânica, spray marinho,
queimadas, grãos de pólen e reações entre emissões gasosas (processo denominado conversão gás-
partícula). Dentre as fontes antropogênicas destacam-se a queima de combustíveis fósseis, processos
industriais, poeira de ruas pavimentadas ou não, transporte, queima de biomassa.
O tempo de residência do aerossol na atmosfera varia de alguns dias a uma semana. Durante esse
tempo, as partículas sofrem “envelhecimento” que envolvem processos de coagulação, condensação,
evaporação, processamento dentro de nuvens. Sua remoção da atmosfera é feita por deposição seca
(sedimentação e difusão) e úmida (chuva). Devido ao curto tempo de residência na atmosfera, sua
concentração e o tipo (composição química, distribuição de tamanho, forma) são altamente dependen-
tes da fonte emissora.
Elas são importantes nos processos de espalhamento e absorção de radiação solar e na formação de
nuvens por atuarem como núcleos de condensação de nuvens. Houve uma intensificação no estudo
de seus processos e efeitos, nos últimos anos, por supostamente atuarem contra os gases do efeito
estufa, causando resfriamento do sistema terra-atmosfera. Maiores detalhes sobre a composição quí-
mica, a física dos aerossóis e seus processos de formação, evolução e remoção podem ser obtidos em
Seinfeld e Pandis [1998].
Absorção Molecular
Neste tópico são discutidos os princípios básicos sobre a absorção de radiação pelos gases atmosfé-
ricos, de forma a compreender o motivo pelo qual, embora sendo os mais abundantes compostos ga-
sosos que constituem a atmosfera, N2 e O2 não atuam nos processos de absorção e emissão de radi-
ação.
Com base no modelo clássico de um átomo, constituído de um núcleo e algumas camadas externas
onde orbitam os elétrons, a emissão (absorção) de radiação ocorre somente quando um elétron do
átomo sofre transição de um estado com uma determinada energia U k para outro com energia menor
(maior) Uj:
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RADIAÇÃO SOLAR
É importante lembrar que os estados são quantizados, de forma que o elétron sofre transição entre as
camadas se houver absorção (emissão) de radiação eletromagnética de determinada frequência. Para
o átomo de Hidrogênio, a energia de um nível n é determinada como:
Rhc Un = − 2
n
onde j e k são números inteiros definindo os níveis de energia mais baixo e mais alto, respectivamente.
Da mesma forma que o átomo de hidrogênio também só emite radiação cujo número de onda é calcu-
lado a partir da expressão 5.3.
O espectro de absorção molecular é mais complexo do que o de um átomo porque as moléculas pos-
suem várias formas de energia interna. Dessa forma, três tipos de espectros de absorção/emissão são
possíveis:
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RADIAÇÃO SOLAR
moléculas assimétricas
Figura 5.3 – Ilustração esquemática do arranjo geométrico dos átomos em moléculas: a) lineares; b)
com simetria esférica; e c) assimétricas.
Em geral, a energia total U de uma molécula pode ser resultante da soma dos seguintes tipos de ener-
gia:
Urot é a energia cinética de rotação. A radiação com energia da mesma ordem de grandeza desse tipo
de energia interna se encontra na região espectral do infravermelho
~
longínquo e microondas ( ~ 1 a 500 cm-1 ou ~103 a 105 m). Isso significa que, ao
absorver radiação cujo comprimento de onda se encontra nessa faixa espectral, a molécula adquire
energia interna suficiente para sofrer rotação sobre um eixo que passa pelo seu centro de gravidade.
Uvib é a energia cinética de vibração. Os átomos das moléculas são ligados por
certas forças que os permitem oscilar ou vibrar sobre suas posições de equilíbrio ao sofrer perturbação.
Por exemplo, ao absorver radiação com número de onda na região espectral do infravermelho 500 a
104 cm-1 ou ~ 2 a 100 m.
Uel é a energia eletrônica, isto é, a energia potencial envolvida nas transições eletrônicas (conforme
discutido no tópico 5.2.1 para um átomo). A radiação necessária para esse tipo de processo em uma
molécula gasosa típica da atmosfera terrestre abrange a região espectral do ultravioleta e visível.
104 a 105 cm-1 ou < 0,7 m.
Utr é a energia cinética de translação. Para temperaturas típicas da atmosfera, da ordem de 300K, a
troca de energia cinética entre as moléculas durante as colisões envolve valores de energia equivalen-
tes à radiação eletromagnética na região espectral do infravermelho térmico, com número de onda da
ordem de 200 a 400 cm-1, isto é, da mesma ordem de grandeza da energia necessária para rotação de
uma molécula.
Portanto, vale a relação: Urot < Utr < Uvib < Uel, o que significa que a energia cinética de translação pode
influenciar significativamente os níveis de rotação, moderadamente os níveis de translação e de forma
não significativa os níveis eletrônicos. Os processos de rotação, vibração e transições eletrônicas das
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RADIAÇÃO SOLAR
moléculas são eventos quantizados, de forma que Urot, Uvib e Uel são energias quantizadas, possuindo
valores discretos governados por regras de seleção.
Somente as moléculas que possuem momento de dipolo elétrico ou magnético permanente exibem
transições radiativas de energia puramente rotacional. Lembrando que um dipolo é representado por
centros de cargas positivas e negativas Q separados por uma distância d. O momento de dipolo asso-
ciado a esses centros de cargas é igual a Qd. Se as cargas estão distribuídas simetricamente implica
que não há momento de dipolo permanente e por isso não há atividade radiativa no infravermelho
longínquo (não há transições em energia rotacional).
Em outras palavras, moléculas cujos átomos são distribuídos simetricamente são transparentes para
radiação infravermelha longínqua. O CO2, por exemplo, não possui momento de dipolo permanente e,
portanto, não possui transição rotacional pura e por isso não apresenta linhas de absorção no infraver-
melho longínquo e microondas. Entretanto, como ele pode adquirir momento de dipolo oscilante em
seus modos vibracionais, ele apresenta bandas de vibração-rotação. Moléculas como CO, H2O e O3
exibem espectros puramente rotacionais.
As transições radiativas de energia vibracional requerem uma mudança no momento de dipolo (por
exemplo, momentos oscilantes). Dessa forma, moléculas que não apresentam momento de dipolo per-
manente podem ser induzidas radiativamente a apresentar momento de dipolo. A Figura 5.4 ilustra um
exemplo de como a molécula de CO2 pode adquirir momento de dipolo. Como Uvib > Urot, as linhas
espectrais relacionadas à vibração das moléculas apresentam outras linhas próximas devido à rotação,
isto, é, há bandas de vibração-rotação. Pela simetria das moléculas de N2 e O2, elas não apresentam
linhas de absorção por vibração e/ou rotação, embora sejam os gases mais abundantes da atmosfera.
Figura 5.4 – Modos vibracionais da molécula de CO2. Os modos de vibração assimétricos permitem
que a molécula adquira momento de dipolo. Dessa forma, as linhas de absorção associadas a tais
modos, apresentam outras linhas, associadas à energia cinética de rotação, gerando bandas de vibra-
ção-rot ação.
Nas transições eletrônicas, como foi visto anteriormente, os elétrons se deslocam para níveis de ener-
gia mais alta por absorção de radiação e ao retornar a níveis menos energéticos há emissão da energia
excedente na forma de radiação. No processo de fotoionização arrancam-se elétrons das moléculas e
na fotodissociação ocorre a quebra das moléculas ao absorver radiação. Tanto a fotoionização quanto
a fotodissociação produzem espectros de absorção contínuos. Nesses processos, os átomos ou molé-
culas podem absorver mais energia do que o mínimo necessário para a remoção do elétron ou disso-
ciação da molécula.
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RADIAÇÃO SOLAR
intensidade da linha S;
Toda linha tem uma largura natural associada. Esse alargamento natural de uma linha é devido ao
Princípio da Incerteza. Uma molécula excitada sofrerá decaimento espontâneo a um estado menos
energético com a emissão de um fóton. Cada estado, com exceção do estado fundamental, apresenta
uma meia-vida finita e, de acordo com o princípio de incerteza, deve possuir um intervalo finito (estreito)
de energias envolvidas [Goody e Yung, 1989]. Comparativamente aos outros efeitos, o alargamento
natural é praticamente desprezível.
Na atmosfera, vários processos podem resultar em um alargamento adicional de uma linha espectral:
colisão entre as moléculas (ou alargamento por pressão). Num processo de colisão, há transferência
de energia cinética de translação (energia não quantizada) entre as moléculas absorvedoras e entre
moléculas absorvedoras e não absorvedoras de radiação. O alargamento por pressão é fundamental
na transferência radiativa na baixa atmosfera onde a pressão é alta e, portanto, a densidade de molé-
culas é maior, resultando em alta probabilidade de colisão entre elas.
Irradiação Térmica
A irradiação (ou radiação) térmica é uma das formas de propagação do calor que ocorre por meio de
ondas eletromagnéticas, chamadas de ondas de calor.
Além dela, o calor pode ser transmitido por condução térmica (agitação das moléculas) ou convecção
térmica (correntes de convecção).
Importante destacar que a condução e a convecção são produzidas em meios materiais, enquanto a
irradiação pode ocorrer nos materiais e ainda, no vácuo.
Absorção e Reflexão
Dois conceitos que estão intimamente relacionadas com o de irradiação térmica são a absorção e a
reflexão.
As cores claras absorvem menos calor pois elas têm maior poder de reflexão e baixo de absorção.
Por outro lado, nas mais escuras, a energia colorífica possui mais poder de absorção em detrimento
da reflexão.
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RADIAÇÃO SOLAR
Isso explica o porquê de usarmos roupas mais claras num dia quente. Se fosse o contrário sentiríamos
muito mais calor, devido ao maior poder de absorção das cores mais escuras.
Além disso, o calor do sol é transmitido por meio de irradiação térmica. Sem ele, seria impossível a vida
no planeta.
O efeito estufa é um fenômeno natural que modifica a temperatura terrestre. Isso ocorre devido a
grande irradiação solar que o planeta recebe.
Assim, a Terra é aquecida, mas devido ao excesso de gases poluentes na atmosfera, a reflexão é
bloqueada impedindo que o calor saia.
Dessa maneira, parte da radiação infravermelha (calor) irradiada é enviada novamente à Terra, o que
causa o aumento do aquecimento global.
Radiação Térmica
A radiação térmica é uma radiação eletromagnética gerada pelo movimento térmico das partículas ele-
tricamente carregadas que formam a matéria.
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RADIAÇÃO SOLAR
Portanto, toda matéria, com temperatura superior ao zero absoluto, emite radiação térmica.
Por ser uma radiação eletromagnética, a transferência de calor por radiação ocorre mesmo no vácuo.
• a lâmpada incandescente.
Por se tratar de um fenômeno relacionado a partículas da matéria, seu comportamento só foi correta-
mente explicado após a descoberta da física quântica.
Planck, um dos pais da física quântica, propôs, em 1900 que a função de distribuição da radiação
emitida por um corpo negro seria dada por:
Onde:
De acordo com a expressão acima, a intensidade espectral de radiação do corpo negro independe da
direção, ou seja, o corpo emite calor em todas as direções.
A intensidade total será dada pela integral da expressão acima com relação ao comprimento de onda
e toda a área. Esta integral é dada pela expressão abaixo:
Onde:
A figura abaixo apresenta mostra o gráfico desta expressão. A grande vantagem desta expressão é
que ela não muda e pode ser utilizada para resolver diversos problemas. Importante notar que o valor
máximo ocorre para λT igual a 2898 μm.K e é normalmente conhecido como Lei de Wien.
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RADIAÇÃO SOLAR
Em decorrência desta lei, os corpos aquecidos começam a emitir luz quando atingem a temperatura de
798 K, chamada de ponto de Draper. Esta emissão começa com um tom vermelho escuro e com o
aumento da temperatura passa para um tom mais azulado até atingir o “branco quente”.
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