DESIGN INSTRUCIONAL:
PERSONALIZAÇÃO, CONTEXTUALIZAÇÃO E TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO
INSTRUCTIONAL DESIGN:
CUSTOMIZATION, CONTEXTUALIZATION AND TECHNOLOGY IN EDUCATION
Recebido: 24/05/2023
Aceito: 14/06/2023
Rozilene Reis Bomfim da Silva1
José Ives Ferreira de Souza Júnior2
Maria Conceição Moraes de Araújo3
Albérico Luiz Oliveira Lima4
RESUMO
A criação de um ambiente virtual de aprendizagem por meio das Tecnologias
Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC) deve ser organizada,
interativa e articulada, de modo que contribua com os materiais do processo de
ensino-aprendizagem que serão utilizados pelos estudantes no decorrer de um
curso na modalidade EaD. Diante disso, este artigo tem por objetivo apresentar
as potencialidades do design instrucional como instrumento mediador e
colaborativo na construção de material didático para a Educação a Distância. A
metodologia adotada baseia-se em pesquisa bibliográfica a partir dos aportes
de Filatro (2008, 2010), Moran (2020), Simão Neto e Hesketh (2009), Silva
e Spanhol (2014). Os resultados apontam que, em um processo educativo, o
design instrucional é uma ação sistemática que permite a mediação pedagógica
e dinâmica do processo de ensino-aprendizagem.
PALAVRAS-CHAVE: Design Instrucional; Planejamento; Material didático; Educação a
Distância; Tecnologia na Educação.
ABSTRACT
The creation of a virtual learning environment through Digital Information
and Communication Technologies (TDIC) must be organized, interactive and
articulated, so that it contributes to the materials of the teaching-learning process
that will be used by students during a course in the EaD modality. Therefore,
this article aims to present the potential of instructional design as a mediating
and collaborative instrument in the construction of didactic material for Distance
Education. The methodology adopted is based on bibliographical research
on the contributions of Filatro (2008, 2010), Moran (2020), Simão Neto
and Hesketh (2009), Silva and Spanhol (2014). The results show that, in an
educational process, the instructional design is a systematic action that allows
the pedagogical and dynamic mediation of the teaching-learning process.
KEYWORDS: Instructional Design; Planning; Courseware; Distance Education;
Technology in Education.
1 Especialista em Produção de Mídias para Educação On-line pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Dis-
cente do Curso de Pós-Graduação em Educação Digital pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Santo Antônio de
Jesus-Bahia- Brasil. E-mail: lene-reis@[Link]
2 Pós-Graduado em Psicopedagogia Institucional e Clínica e Educação Inclusiva pela Faculdade de Ciências
da Bahia. (FACIBA). Discente do Curso de Pós-Graduação em Educação Digital pela Universidade Estadual da Bahia
(UNEB). Santa Luz-Bahia-Brasil. E-mail: ivysbleck@[Link]
3 Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Discente do Curso de
Pós-Graduação em Educação Digital pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Alagoinhas- Bahia-Brasil. E-mail:
mc.araujo1967@[Link]
4 Pós-Graduado em Gestão Governamental (FTC). Discente do Curso de Pós-Graduação em Educação Digital
pela Universidade Estadual da Bahia (UNEB). Salvador- Bahia-Brasil. E-mail: alolim@[Link]
REVISTA APROXIMAÇÃO — VOLUME 05. NÚMERO 10. — JAN-JUN 2023
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INTRODUÇÃO
Na década de 60, decorrer do século XX, com o advento da Revolução Industrial,
período em que a mão de obra começou a ser substituída por máquinas, equipamentos e
invenções, a tecnologia começou a ter papel decisivo nas formas de produção, surgindo
assim grandes fábricas e indústrias. No início, as inovações eram apenas práticas, conhe-
cimentos simples, realizados sem interferência do conhecimento científico. Com o passar
do tempo, o homem percebeu que as novas tecnologias poderiam contribuir para o rápido
desenvolvimento de uma sociedade capitalista e para os meios de comunicação; além de
influenciar na formação do sujeito contemporâneo.
A partir desses avanços, os meios analógicos e unidirecionais foram perdendo es-
paço para a cibercultura - fenômeno que permite que a comunicação e interação se deem
sem a presença física do homem, ou seja, por meio da interconexão de dispositivos digitais
nas redes, ligando pessoas e informações, independentemente das barreiras de tempo e
espaço, tendo “como principal característica valorizar e compartilhar a inteligência distri-
buída em toda parte nas comunidades conectadas e colocada em sinergia em tempo real”
(LÉVY,1999, p.190).
Nesse contexto, os ambientes de educação formal, como a escola, também foram
influenciados pela cibercultura. Assim surgiu a EaD - modalidade de educação a distân-
cia, como uma nova forma de fazer educação. Vale salientar que a educação a distância
já acontecia no passado, antes mesmo da internet, com o tempo foi potencializada pelos
novos processos tecnológicos.
De acordo com Decreto nº 5.622 de 19 de dezembro de 2005:
Art.1º-A Educação a Distância é uma modalidade educacional na qual a
mediação didática-pedagógicos nos processos de ensino e aprendizagem
ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comuni-
cação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas
em lugares ou tempos diversos (BRASIL, 2005).
Silva e Spanhol (2014) acrescentam que a EaD não é diferente da educação tradi-
cional, ela desempenha um papel proeminente para o desenvolvimento social com o apoio
das Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC), visto que essa modali-
dade educativa também possibilita que pessoas com pouco tempo, restrições geográficas
ou mesmo físicas tenham acesso ao conhecimento científico. Outro conceito importante
destacado por Moran (2002) é que essa forma de interação ocorre nos processos contínuo/
simultâneo, de aprender sempre, atrelando teoria e prática à própria experiência, ampliado
com novos saberes e relações. Deste modo, “o objetivo do aprendizado eletrônico é edu-
car, é provocar mudanças no comportamento de quem aprende, e isso implica estratégias
diversificadas da indústria de mídias em geral” (FILATRO, 2010, p. 58).
A Educação a Distância, portanto, constitui um avanço tecnológico para a área
educacional, um recurso essencial no processo de formação cidadã, contribuindo de for-
ma significativa para o crescimento da educação, inclusão social, flexibilidade, autonomia,
inovação disruptiva5, novas formas de pensar, direcionar e capacitar o indivíduo a imersão
desta nova era digital.
5 Processo em que uma tecnologia, produto ou serviço é transformado ou substituído por uma solução inovadora
superior. ( [Link]/blog/inovacao-disruptiva/)
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Essa forma de interatividade, entre alunos e professores, mediada por novas Tecno-
logias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC), pode tornar flexível a dinâmica
de estudo e, consequentemente, segundo Lévy (1999), aumentar as potencialidades de
inteligência individual e/ou coletiva das identidades humanas.
Serafim e Sousa (2008, p.20) corroboram afirmando que
[...] a escola de hoje é fruto da era industrial, foi estruturada para preparar
as pessoas para viver e trabalhar na sociedade, que agora está sendo con-
vocada a aprender, devido às novas exigências de formação de indivíduos,
profissionais e cidadãos muito diferentes daqueles que eram necessários
na era industrial.
Indubitavelmente, o crescimento da Educação a Distância ocorre em virtude de
um maior envolvimento entre as áreas tecnológicas e educacional. Isso pode promover
novos padrões de desenvolvimento social. Com essas mudanças, novas formas de se fazer
EaD está em consonância, o que era uma modalidade complementar ou especial passa
agora a ser específica, capacitando indivíduos que não podem ter acesso presencial para
a modalidade on-line. E, por isso, configuram-se como base significativa na produção e
democratização do conhecimento.
Essas novas estruturações na EaD, mediadas pelas Novas Tecnologias Educacio-
nais, potencializam o desenvolvimento dos espaços de aprendizagem, conhecidos como
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA) viabilizando vários recursos, principalmente a co-
municação, tanto síncrona, com como assíncrona. Assim, os canais de ensino a distância
tornam-se mais dinâmicos, interativos, com forma, clareza, linguagem, organização, re-
cursos, métodos diversificados, planejamentos, dentre outros elementos constituintes para
essa modalidade.
Entretanto, para ocorrer interação eficaz, compartilhamento de saberes e personali-
zação da aprendizagem nos ambientes virtuais de aprendizagem entre professores, alunos
e demais envolvidos, é necessário a atuação do design instrucional – “ramo de conheci-
mento que se preocupa com a pesquisa e a teoria sobre estratégias instrucionais e o pro-
cesso de desenvolvimento e implementação dessas estratégias” (SIMÃO NETO E HESKETH,
2009, p. 66). Constituindo-se, portanto, como a principal técnica para desenvolver proje-
tos de ensino. Usando tecnologia e recurso multimídia para promoção de conhecimento.
Esse recurso planeja, executa e constrói os materiais utilizados em um processo de apren-
dizagem na Educação a Distância, como: textos, hipertextos, gráficos, tabelas, imagens,
vídeos, sons, recursos interativos, questionários, atividades, entre outros, considerado um
dos grandes mecanismos da tecnologia na educação atual e que será o foco de análise
deste estudo.
Diante disso, surgiu o seguinte questionamento: “Como o design instrucional pode
constituir-se como uma ferramenta didática capaz de contribuir, de forma sistemática,
para a apropriação do conhecimento do aluno no progresso de um curso na modalidade
EaD?”. Com o intuito de responder à questão, este trabalho tem por objetivo geral apre-
sentar as potencialidades do design instrucional como instrumento mediador e colaborativo
na construção de material didático para a Educação a Distância (EaD).E, para alcançar o
objetivo geral deste trabalho, buscou-se: citar os principais conceitos e características do
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design instrucional; suscitar debates teóricas com o embasamento de autores que abordam
a temática design instrucional; descrever os principais recursos e etapas de elaboração do
design instrucional para o processo didático na modalidade EaD.
Assim, levando-se em consideração os teóricos que já discorreram as temáticas
que permeiam a EaD, adotou-se neste trabalho a Metodologia da Pesquisa Bibliográfica.
A partir de dados convergentes com os objetivos da pesquisa, buscou-se analisar, discutir
e correlacionar os conceitos apresentados pelos autores, a fim de apresentar discussões e
compartilhar conhecimentos diversos sobre o tema em diferentes contextos.
Portanto, para um melhor entendimento do assunto abordado e dos resultados ob-
tidos, este trabalho está dividido com as seguintes seções: a introdução que apresenta, de
forma concisa e didaticamente estruturada, uma breve apresentação do design instrucional
e os elementos mais relevantes utilizados para a composição deste trabalho; a segunda
descreve algumas considerações, conceitos e características do design instrucional no en-
sino a distância; a terceira aborda os procedimentos de elaboração e organização de um
design instrucional para a educação EaD; e por fim, as considerações gerais.
CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DO DESIGN INSTRUCIONAL NO
CONTEXTO EAD
O termo design refere-se ao ato de planejar, conceber, designar, desenhar e organi-
zar, por meio de um sistema de regras voltadas para a resolução de problemas, compreen-
dido e conceituado num sentido muito mais amplo e abrangente: o planejamento de todos
os produtos feitos pelo homem. E, apesar de parecer uma expressão nova, segundo Arty,
(2020), começou a ser entendido e aplicado de forma coerente, no início do século XIX, a
partir da Revolução Industrial.
O design tem diferentes papéis e funções na sociedade, e representa uma série de
atividades que requerem interação, diálogo e associação com diferentes sujeitos e suas
visões de mundo (COELHO, 2011). Essa visão engloba a essência profissional, que está
atrelada às possibilidades de resolver problemas com soluções focadas nos sujeitos.
A área do design é ampla e está dividida em vários segmentos. Temos no mercado
o design gráfico, industrial, de interiores, de moda, de interface, entre outros. Dados os
variados tipos de segmentos, neste contexto, a ênfase será em torno do design instrucional
ou (DI). Este pode ser conceituado ainda como didático, educacional ou pedagógico.
No contexto da EaD, através do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), mediados
pelas tecnologias, o design instrucional é uma ferramenta importante para a produção e
implementação de um curso a distância, é uma atividade à luz de princípios de comuni-
cação e ensino para a melhoria de materiais em ambientes de aprendizagem (ROMIS-
ZOWSKI,2005). “Baseando-se nos objetivos da ação pedagógica após ser analisada a
proposta educativa e o perfil dos alunos, avaliando todos os recursos necessários para
desenvolver as melhores possibilidades de aprendizagem que garantam que o aluno possa
construir seu conhecimento” (BARREIRO, 2016 p. 67, grifo nosso), articulando formas e
funções, para que se concretizem os objetivos educacionais propostos (FILATRO, 2010).
Seu campo de atuação comporta potencialidades e desafios, que envolvem pessoas, tec-
nologias, competências e infraestrutura.
Conforme os autores acima citados, o design instrucional aparece como uma fer-
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ramenta de extrema importância no campo da educação moderna e a distância, pois
corrobora com o processo didático da instituição, buscando entender os fundamentos edu-
cacionais e fornecendo-lhe o aparato necessário para o desenvolvimento em atividades e
projetos, de modo que facilite a atuação do docente, bem como a assimilação dos conteú-
dos que o aluno terá acesso durante o percurso educativo, permitindo que este desenvolva
sua autonomia.
Pode-se inferir ainda, que o design instrucional é um elemento norteador, pois aliam
ferramentas que atraem a atenção necessária para que a aprendizagem possa acontecer
de forma significativa, adequando os recursos audiovisuais e imagéticos às necessidades
de cada indivíduo; aperfeiçoando os elementos escolhidos para “desenhar” um curso,
tendo o cuidado na seleção dos recursos e a criatividade, que são capazes de trazer a
inovação, com vistas a uma finalidade. Logo, pode-se dizer que o design educacional é
a engenharia pedagógica, oferecendo um leque de habilidades e competências que au-
xiliam em seu processo instrucional, guiando os discentes e docentes e a um novo plano
de conhecimento onde os mesmos, conseguem unir metodologias, educação, tecnologia,
comunicação e saberes.
Desse modo, os caminhos que levam o aluno a um nível de aprendizagem exitosa
em um ambiente de ensino virtual e a distância é oferecido por um design instrucional bem
organizado, capacitado e perfeitamente em sintonia com as necessidades do aprendiz.
Cabe, portanto, ao design a função de pensar didaticamente como o conteúdo
deverá ser percorrido pelo aluno a distância; podendo ainda refletir sobre o controle e a
autonomia do discente, planejar a interação do curso e o acesso ao material, escolher as
tecnologias a serem utilizadas, entre outas funções. Assim, o design instrucional pode ser
entendido como um elo entre tecnologia e educação, interagindo com diferentes contextos
em um sistema planejado de atividades funcionais, levando a soluções inteligentes e pro-
movendo o processo de ensino-aprendizagem na modalidade EaD.
PROCESSO DE ELABORAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO DESIGN INSTRUCIONAL
O processo de planejamento de um curso ou componente curricular para oferta na
modalidade de Educação a Distância (EaD), envolve o trabalho de multiprofissionais em
diversas áreas distintas, como: coordenação, organização de conteúdo, criação e estru-
turação do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), tutoria para avaliações, correções e
suportes tecnológicos e pedagógicos, dentre outros.
Nesse âmbito, entre diferentes níveis de planejamento educacional, destaca-se o
design instrucional ou (DI), o profissional desta área é o designer instrucional, ele é o res-
ponsável por projetar soluções e ações múltiplas nos projetos de educação para diferentes
contextos e modalidades de ensino-aprendizagem. A pedagogia, conhecimentos gerais e a
gestão de projetos são competências inerentes a esse profissional. Pode-se considerar que
a atuação do designer permeia todo o processo de criação e desenvolvimento de um curso
num Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA).
Assim, a primeira abordagem que precisa ser esclarecida acerca do processo de
elaboração e organização do design instrucional na educação (EaD), é que essa metodo-
logia foca no planejamento de atividades, “numa ação intencional e sistemática de ensino
que envolve o planejamento e a aplicação de métodos, materiais, técnicas, atividades,
eventos e produtos educacionais” (SILVA E ALMEIDA, 2020, p.04), que auxiliam os cursis-
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tas de maneira modular e flexível, dentro de um sistema, conforme suas necessidades de
aprendizagens.
É nesse sentindo, para que o trabalho instrucional aconteça de forma assertiva,
como mencionado no primeiro parágrafo desta seção, há a necessidade de uma equipe
multidisciplinar, e uma das principais atribuições do designer instrucional é
assegurar a boa comunicação entre os diferentes membros da equipe,
de modo que as ideias iniciais se concretizem em soluções de qualidade.
O designer instrucional também é responsável por apresentar e validar
com o cliente e demais interessados os produtos resultantes de cada fase,
apresentando relatórios de análise e acompanhamento, documentos de
especificação, pilotos e avaliações (FILATRO, 2010, p. 26).
Pelas palavras da autora, fica claro que essa influência mútua, entre os membros de
uma equipe, que organizam um design instrucional, deve ser de ligação/conexão para que
o projeto, a partir dos princípios de aprendizagem, possa gerir resultados.
Nessa perspectiva, pode-se dizer que, para fazer design instrucional, é importante
ainda que o profissional reúna algumas características essenciais à função, a saber:
Quadro 1: Características e funções de um designer instrucional
CARACTERÍSTICAS FUNÇÕES
1. ORANIZAÇÃO Planejar e realizar cada etapa de trabalho.
2. ATENÇÃO Observar todo o desenvolvimento da estrutura do designer e
identificar ações que devem ser ajustadas.
3. PENSMENTO SISTÊMICO Analisar o conteúdo trabalhado em sua sequência temporal.
4. HABILIDADE ESPECÍFICA Demonstrar boas sugestões de ensino, a partir do contexto
apresentado.
5. COMUNICAÇÃO Perceber linguagens e canais que estejam direcionados à
aprendizagem.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2022.
As competências e habilidades, aqui definidas, são de suma importância para a
atuação do designer instrucional, tanto para realizar a sua função, como para se desenvol-
ver na carreira. Essas características devem estar atreladas às outras estratégias didáticas,
de forma interdisciplinar corroborando com ações multidisciplinares.
Para isso, como coadjuvantes desse processo, existem os campos de conhecimento
onde o DI atua. Essas ciências são utilizadas pelo designer, pois elas coordenam as etapas
de um projeto educacional, são elas:
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Quadro 2: Fundamentos do design instrucional
Fonte: Elaborado pelos autores, 2022.
Nota-se, portanto, a evolução histórica do design instrucional em que ciências hu-
manas, de informação e administração se realinham reciprocamente, compondo o ciclo
de evolução do design instrucional, estas se entrelaçam numa relação interdisciplinar, in-
tegrando com saberes diferentes e, ao mesmo tempo, indissociáveis na produção do co-
nhecimento.
E, para posterior desenvolvimento de um curso, é fundamental que o designer ins-
trucional conheça os níveis de conceber e implementar soluções educacionais, a fim de
saber em quais situações eles serão aplicados. Segundo Filatro (2008) são três níveis, são
eles:
Nível macro, define-se uma direção comum a todas as experiências de
aprendizagem de uma instituição, departamentos ou programa- é o res-
ponsável pelas diretrizes gerais do processo educacional a ser desenvolvi-
do; no nível meso, o design instrucional se ocupa da estruturação de pro-
gramas, cursos ou disciplinas- adequando ações educacionais de acordo
com o contexto; o nível micro trabalha com o design fino das unidades de
estudo, ou seja, no desenvolvimento de design de atividades para a mo-
dalidade on-line ou no desenvolvimento de storyboard/roteiro, este é um
esboço gráfico que revela quadro a quadro o conteúdo de um conteúdo
audiovisual, conforme especificidades de cada projeto. (FILATRO,2008,
p. 03).
Assim, os profissionais envolvidos nesse processo, devem ter conhecimento de que
o trabalho instrucional exige técnica e elementos variados, uma vez que diferentes moda-
lidades do processo de educação, bem como ações pedagógicas distintas, demandam
diferentes níveis de designs. Outro ponto que deve ser considerado é que as necessidades
do processo de ensino-aprendizagem na educação a distância são diferentes da educação
presencial, assim os recursos e os níveis necessários, certamente, poderão diferenciar. Por-
tanto, esse profissional deve ter uma visão macro para ver além todas as variáveis de um
projeto educacional.
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Filatro (2008), Rodrigues et al., (2014) e Silva e Almeida (2020) ainda destacam
que, para cada realidade e necessidade educacional, existe um tipo específico de design a
ser adotado, tais como:
• Design instrucional fixo: ajusta-se bem ao modelo ADDIE, já que sua ênfase está
nos modelos informacional, suplementar e essencial na elaboração e distribuição de pro-
dutos fechados, tais como objetos de aprendizagem e recursos digitais; muitas vezes, dis-
pensa a presença do professor, sendo ideal para a educação em massa (FILATRO, 2008).
Um curso planejado a partir do modelo de design fixo apresenta uma estrutura rígida,
atividades e recursos repetitivos, poucas possibilidades de interação, o que o torna pouco
atrativo para o aluno (RODRIGUES et al., 2014).
• Design instrucional aberto: destaca-se mais nos processos de aprendizagem do
que nos produtos; produz um espaço menos estruturado, já que a produção dos alunos é
considerada conteúdo do curso; caracteriza-se por atividades mais dinâmicas e flexíveis na
interação entre educadores e alunos individuais ou reunidos em grupos, o que pode favore-
cer êxito nos objetivos educacionais; demanda a participação de um orientador (FILATRO,
2008). “Utilizado para cursos on-line, de extensão, aperfeiçoamento e pós-graduação, na
educação básica e superior” (RODRIGUES et al., 2014, p. 06).
• Design instrucional contextualizado: baseia-se principalmente no modelo de
aprendizado eletrônico imersivo; tem características semelhantes ao design aberto, mas
não inclui o uso das unidades fixas e pré-programadas, devido às constantes alterações no
processo; é necessário a comunicação entre educador e alunos. (FILATRO, 2008). “ É ade-
quado para contextos de aprofundamentos (pós-graduação, aperfeiçoamentos de grupos
de estudos, graduação e web 2.0, ou seja, público com maior autonomia, disciplina e com
compromisso de organização das atividades coletivas”. (SILVA E ALMEIDA, 2020, p. 73).
A importância de se conhecer os tipos e design instrucional dá-se em razão de que
ele pressupõe uma visão simultânea de todo o processo de desenvolvimento metodológico
de um curso on-line. “Quando um projeto de design segue um modelo satisfatório, aumen-
tam-se as chances do sucesso de um curso EaD” (SILVA E ALMEIDA, 2020, p. 74).
A partir dessas etapas, aborda-se a fase em que o educador, o design instrucional
e a equipe de profissionais da educação se estabelecem para preparar e planejar o ensino
(FILATRO, 2010). E, como demonstra o fluxograma a seguir, a função do design instrucio-
nal já entra em ação com seriedade e coerência para dar forma ao desenho, mediados
pelas tecnologias adequadas para atingir os objetivos pretendidos.
Ainda segundo Filatro (2010) existem vários modelos que representam as etapas do
processo do design instrucional, e a principal metodologia utilizada no design instrucional
é conhecida como ADDIE, são elas:
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Quadro 3: Representação das etapas do design instrucional de um curso a distância
FASES PROCESSO ESTRUTURAÇÃO
ANÁLISE Avalia o contexto. Definições, levantamento de dados;
profissionais envolvidos; custos; carac-
terização; público-alvo; ferramentas
utilizadas; infraestrutura e
objetivos de aprendizagem.
DESIGN Estrutura e desenha as propostas Montagem do espaço virtual de apren-
de modulação para os cursos. dizagem; estratégias pedagógicas; tipos
de conteúdos digitais e tecnologias utili-
zadas; ferramentas de avaliação e
métodos de avaliação de aprendiza-
gem.
DESENVOLVIMENTO Produz os modelos informais, Elaboração, produção e distribuição de
suplementar e essencial. produtos fechados referentes aos obje-
tos de aprendizagem e recursos digitais
que são distribuídos ao longo do tempo
no DI fixo.
IMPLEMENTAÇÃO Situação didática em que ocorre a Disponibilizar as unidades de apren-
publicação da proposta do design dizagem para os alunos, fazendo
instrucional. carga de conteúdo, configuração de
ferramentas e distribuição de horários
para início e fim de atividades para os
cursistas.
AVALIAÇÃO Considerações sobre a efetivação Deve permear todo o processo de DI.
da solução proposta e revisão das
Avaliar, revisar e validar.
estratégias implementadas.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2022
O quadro representando o modelo ADDIE é amplamente aplicado no design ins-
trucional clássico, que, na situação didática, separa a concepção da execução. Como
dito alhures, esse processo envolve uma equipe educacional em sintonia com o design
instrucional, que juntos vão planejar e elaborar o ensino, com toda análise do conteúdo
programado, conforme o tempo de curso pretendido e ensino-aprendizagem que se deseja
desenvolver.
Percebe-se, então, que, para desenvolver as estratégias instrucionais, é necessário
um envolvimento contínuo para produzir caminhos sobre os princípios e métodos e instru-
ção mais adequados a diferentes tipos de aprendizagens, orientado pelo planejamento de
um currículo e integrado à cultura digital.
Por conseguinte, o profissional aplicará as ferramentas adequadas no AVA, confi-
gurando todo o ambiente virtual para oferecer ao participante (cursista) uma experiência
sistêmica e técnica. Para tanto, os materiais didáticos (livros, apostilas, artigos, textos, info-
gráficos vídeos, e outros), apoiados por Tecnologias de Informação e Comunicação, pre-
cisam estar bem-dispostos e acessíveis, bem como todas as atividades a serem realizadas
devem estar bem visíveis e organizadas, possibilitando a plena navegação e interatividade,
que possa corroborar com o interesse e atenção do público-alvo.
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O processo de criação de um design instrucional deve permear todos os princípios
eficazes para a construção do conhecimento, possibilitando, principalmente, um ambiente
de igualdade, onde os cursistas são tratados com respeito e dignidade, acreditando no
indivíduo como detentor de potencial para alcançar o sucesso (FILATRO, 2008). As ponde-
rações da autora deixam claro que esse envolvimento deve acontecer simultaneamente e
os pilares que sustentam o processo de formação do ensino e aprendizagem sejam capazes
de gerar saberes, reciprocidade e equidade.
No entanto, com todo esse planejamento das etapas do ADDIE, os problemas ins-
trucionais podem surgir, sobretudo, quando faltar o aperfeiçoamento e desempenho do
sistema, conhecimento e competências dos envolvidos, tanto na esfera acadêmica, quanto
profissionais.
Filatro (2010, p.70) adverte que “projetos de design instrucional têm fracassado
principalmente devido aos problemas de implementação, que desconhecem aspectos fí-
sicos, organizacionais e culturais do ambiente no qual o design instrucional está sendo
aplicado”. Simão Neto e Hesketh (2009, p. 48) acrescentam que “a abordagem dos con-
teúdos, bem como a criação das atividades de aprendizagem, podem influenciar decisi-
vamente no processo de aprendizagem, permitindo e facilitando - ou dificultando e até
impedindo o desenvolvimento do potencial cognitivo do aluno’’. Neste sentido, a atuação
do designer instrucional fará toda a diferença, pois o Ambiente Virtual de Aprendizagem,
configurado, deve ser capaz de atrair, afetivamente, o seu público alvo, desenvolvendo
ferramentas de acessibilidade e interatividade, capazes de motivar os educandos a perma-
necerem conectados com o conteúdo (objeto de ensino-aprendizagem).
É interessante ressaltar também que antes de desenvolver o conteúdo, o designer
instrucional deve certificar-se qual plataforma digital será utilizada, pois, desta maneira,
será mais fácil a execução de desenvolvimentos de módulos de aprendizagem, conteúdos,
atividades e interatividades, compatíveis com os tipos de conteúdos digitais permitidos pelo
Ambiente Virtual de Aprendizagem (GODOY, 2021).
Evidentemente, no que tange a atuação do design instrucional, nota-se que é um
trabalho que envolve uma série de fatores que devem ser combinados, relacionados e ob-
jetivados para construir - ou reconstruir um ambiente educativo.
Para isso é imprescindível que o designer instrucional participe do projeto do curso,
desde a sua concepção, e esteja familiarizado e identificado com o público alvo, objeto do
trabalho que será desenvolvido, formando um elo contínuo, preciso, dialógico e contex-
tualizado de elementos traçados e subsidiados, para que o trabalho coletivo ocorra e que
continuem se conectando em constante desenvolvimento até o final do processo educacio-
nal/instrucional.
CONSIDERAÇÕES GERAIS
Ao longo deste artigo foi apresentada as potencialidades do design instrucional
para a elaboração de cursos EaD, no qual, as tecnologias de Informação e Comunicação
– TIC’s desempenham, na atualidade, um papel significativo para o desenvolvimento da
Educação a Distância, gerando a possibilidade de uma maior democratização da educa-
ção. Nessa perspectiva, as TIC’s também têm possibilitado novas relações entre o aprendiz
e a instrução, pois ela traz novas possibilidades de aprendizagem, não apenas para a Edu-
cação a Distância, mas também para o ensino formal, autoinstrucional, dentre outros. Aqui
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são oferecidas inúmeras possibilidades de utilização de mídias para a elaboração, seja de
um curso ou de uma disciplina.
É nesse contexto que o papel do design instrucional ganha destaque ao ser respon-
sável pelo planejamento, desenvolvimento, execução e avaliação das atividades propostas
na elaboração de um curso e/ou disciplina. Por ser um trabalho que opera em vários níveis
- macro, meso e micro, o design instrucional apresenta-se de forma interdisciplinar tran-
sitando por diversas áreas do conhecimento, tais como a Ciências Humanas, Ciências da
Informação e Ciências da Administração.
Nessa perspectiva, o profissional designer instrucional precisa apresentar algumas
características essenciais para a boa execução do design instrucional planejado, tais como:
organização, atenção, pensamento sistêmico e habilidade específica.
Considerando que o designer é responsável por todo planejamento e execução do
design de um curso, ele irá elaborar todo o material necessário no Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA), por exemplo: livros, vídeos, artigos, etc., construindo um ambiente
acessível, contextualizado e que possibilite ao aprendiz a busca por informações, o apren-
dizado e a construção de uma consciência crítica.
É importante ressaltar também que o design se estrutura consoante a realidade
educacional para o qual está sendo elaborado. Desta maneira, ele pode ser fixo, aberto
ou contextualizado. Dentre as metodologias utilizadas destaca-se a metodologia ADDIE na
qual importantes etapas devem ser seguidas, não de maneira estanque, para a boa exe-
cução do design, a saber: análise – que avalia o contexto; design – construção e desenho
do curso e/ou disciplina; desenvolvimento – elaboração de materiais e produtos; imple-
mentação – momento em que ocorre a capacitação, ambientação e a situação de ensino
e aprendizagem; avaliação – acompanhamento, revisão e manutenção das ações.
A partir do exposto, é evidenciado a importância do design instrucional para a
estruturação e implantação de um curso no âmbito da EaD, pois ele traz clareza,
objetividade e coerência para que o curso e/ou disciplina desenhados possam ser execu-
tados de maneira contextualizada e com atenção aos detalhes para o seu sucesso. Além
disso, possibilita que o aprendiz possa percorrer o caminho no AVA de maneira autônoma
construindo o seu processo de aprendizagem.
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