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Estatuto da Criança e do Adolescente: Direitos e Proteção

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil, instituído pela Lei nº 8.069/90, estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, assegurando-lhes prioridade em diversas áreas como saúde, educação e convivência familiar. A doutrina da proteção integral substitui a antiga doutrina da situação irregular, garantindo que todos os direitos fundamentais sejam respeitados e que a família, sociedade e Estado sejam responsáveis por sua efetivação. O ECA também define os direitos fundamentais e as obrigações do poder público e da sociedade em relação a crianças e adolescentes, promovendo um conjunto de políticas e medidas de proteção.
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Estatuto da Criança e do Adolescente: Direitos e Proteção

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil, instituído pela Lei nº 8.069/90, estabelece a proteção integral de crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, assegurando-lhes prioridade em diversas áreas como saúde, educação e convivência familiar. A doutrina da proteção integral substitui a antiga doutrina da situação irregular, garantindo que todos os direitos fundamentais sejam respeitados e que a família, sociedade e Estado sejam responsáveis por sua efetivação. O ECA também define os direitos fundamentais e as obrigações do poder público e da sociedade em relação a crianças e adolescentes, promovendo um conjunto de políticas e medidas de proteção.
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ESTATUTO DA CRIANÇA E DO

ADOLESCENTE
PROFESSOR HIGOR FERNANDES
EVOLUÇÃO HISTÓRICA

- No Brasil a Constituição Federal de 1988, art. 227, reconheceu a doutrina da proteção


integral da criança e do adolescente, que no âmbito internacional foi reconhecida em 1989.

Aít. 227. É deveí da família, da sociedade e do Estado asseguíaí à cíiança, ao adolescente e ao jovem, com
absoluta píioíidade , o diíeito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazeí, à píofissionalização, à
cultuía, à dignidade, ao íespeito, à libeídade e à convivência familiaí e comunitáíia, além de colocá-los a salvo
de toda foíma de negligência, discíiminação, exploíação, violência, cíueldade e opíessão. (Redação dada Pela
Emenda Constitucional nº 65, de 2010.
Art. 4º ECA - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com
absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
e comunitária.
EVOLUÇÃO HISTÓRICA

A Doutrina da Situação Irregular, advinda dos Códigos de Menores, é substituída pela Doutrina
da Proteção Integral instituída pelo ECA.

Visando que crianças e adolescentes deixassem de ser objetos de intervenção para serem
compreendidas como sujeitos de direitos e garantindo igualdade de direitos a todas as crianças.

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem
prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as
oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social,
em condições de liberdade e de dignidade.

Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e adolescentes.


EVOLUÇÃO HISTÓRICA
- NO ANO DE 1989 A ONU PROCLAMOU O TEXTO DA
CONVENÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA, obrigando aos
signatários a adequação das normas pátrias às
países
internacionais.

O ECA (Lei nº 8.069/90) é um microssistema legislativo, que pode ser dividido em 03


principais subsistemas de garantia:

1)Primário de garantias → vida, saúde, educação, convivencia


familiar e comunitário → art. 4º do ECA → absoluta prioridade

2) Secundário → art. 101 do ECA → medidas de proteção

3) Terciário → se apli ca ao adolescente → medidas socioeducativas


Há ainda, para alguns doutrinadores um
quarto sistema: o de Responsabilidade →
medidas aplicáveis aos pais ou responsáveis.
CONCEITO DE CRIANÇA E ADOLESCENTE

O art. 2º do ECA dispõe:


CRIANÇA → é o indivíduo até 12 anos de idade incompleto
ADOLESCENTE → indivíduo de 12 completos a 18 anos (incompletos).
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade
incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.
Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às
pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.
JOVEM → indivíduo entre 15 e 29 anos de idade (LEI Nº 12.852, DE 5 DE AGOSTO DE
2013.)

É um conceito cronológico absoluto ou cronológico objetivo.


O ECA se aplica excepcionalmente às pessoas entre 18 e 21 anos, é o caso das medidas
socioeducativas que vão até os 21 anos, por critério de política criminal.
O adolescente emancipado continua protegido pelo ECA, não conta o critério de discernimento.
DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL
PROTEÇÃO INTEGRAL: Não há conceito na lei sobre essa doutrina (conjunto de princípios) que
para alguns é um princípio (art. 1º e 3º do ECA).
Pode ser conceituada como uma garantia a toda criança e adolescente, de que o direito os
mesmos direitos dos adultos (a vida, cultura, educação, integridade, lazer e etc) sejam
cumpridos com prioridade e primazia em relação ao menor.
Há um conjunto amplo de mecanismos jurídicos voltados à tutela da criança e do adolescente.
Os responsáveis são a família, Estado, sociedade e comunidade em geral, sendo que o principal
responsável é o Estado.
Sujeitos de Direitos → criança e adolescentes tem direitos específicos, que devem ser protegidos
de forma prioritária.

O art. 5º do ECA estabelece que eles não serão objetos de qualquer forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
DOUTRINA DA PROTEÇÃO INTEGRAL
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar,
com ABSOLUTA PRIORIDADE, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância
e à juventude
.
O art. 5º do ECA estabelece que eles não serão objetos de qualquer forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
PRINCÍPIOS
Art. 227 CF-88. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao j ovem, com absoluta prioridade , o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (Redação dada Pela Emenda
Constitucional nº 65, de 2010)

Art. 1º ECA - Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente
PRINCÍPIOS

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar,


com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à
liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as
exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da
criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.
PRINCÍPIOS
1) DA PRIORIDADE ABSOLUTA: prevista no art. 4º do ECA, que compreende a primazia de
receber socorro, precedência no atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública,
preferencia na formulação e execução de políticas públicas e destinação privilegiada de
recursos públicos.
2) MELHOR INTERESSE → é um desdobramento da proteção integral, sendo casuístico, não deve
haver formulações genéricas e sim a partir da análise do caso concreto.
3) DA UNIVERSALIDADE → Todas as crianças e adolescentes, independente da situação
financeira, posição social etc.
4) DA MUNICIPALIZAÇÃO → Todos os entes são responsáveis pela aplicação das políticas
voltadas as crianças e adolescentes, sendo o principal o Município, por meio do Conselho
Tutelar.
5) PROPORCIONALIDADE → a medida aplicada ao caso deve ser proporcional.
PRINCÍPIOS
6) DA RESPONSABILIDADE PARENTAL → a família não pode ser excluída, sendo verificada a
responsabilidade dos familiares. A mera carência de recursos financeiros não é suficiente para
retirar a criança do seio familiar.
7) DA INTERVENÇÃO PRECOCE → O Conselho Tutelar, o MP e o Judiciário devem atuar de forma
precoce nos casos.
8) DA INTERVENÇÃO MÍNIMA → o mínimo de autoridades atuando com o mínimo de medidas
aplicadas no caso.
9) ATUALIDADE → voltada ao Poder Judiciário, atentar para a situação presente na aplicação da
medida e não apenas com os fatos narrados no passado. Evitando decisões inócuas.
10)PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO PROGRESSIVA → a infância e a adolescência são períodos de
grandes transformações do ser humano, podendo a criança e o adolescente ser ouvida, de
acordo com o seu desenvolvimento.
DIREITOS FUNDAMENTAIS
Para Canotilho direitos fundamentais são os direito inatos ao ser humano, garantidos e limitados
de forma variável no espaço e no tempo.

A CF/88 estabelece como um dos dogmas da sociedade a dignidade da pessoa humana,


devendo cada cidadão, e especialmente a criança e o adolescente, ver respeitado os seus direito
pelos demais membros da sociedade e pelo Poder Público.
O art. 227 da CF/88 elenca os direitos fundamentais indispensáveis à formação do indivíduo:
vida, saúde, alimentação, educação, lazer, profissionalização, cultura, dignidade, respeito,
liberdade e a convivencia familiar.
Os arts. 157 e 158 da Constituição do Estado do Rio Grande do Norte repetem os preceitos da
CF/88 com poucas mudanças.
DIREITOS FUNDAMENTAIS
O Título II do ECA também dispõe sobre os direitos fundamentais das crianças e dos
adolescentes (do art. 7º ao 69), que são em sua maioria de caráter prestacional (contém deveres
de fazer ou de dar impostos ao Poder Público, aos pais e responsáveis.

Do art. 7º a 14 → Direito à vida e à saúde


Do art. 15 a 18 → Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade.
Do art. 19 a 52-D → Direito à convivência familiar.
Do art. 53 a 59 → Direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer.
Do art. 60 a 69 → Direito à profissionalização e à proteção no trabalho.

INTERPRETAÇÃO - Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que
ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a
condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.
DIREITO À VIDA E À SAÚDE

A VIDA é um bem limitado no tempo, sendo o mais elementar e absoluto dos direitos. Não se
confunde com sobrevivência, visto que é o direito de viver com dignidade, de viver bem.

O art. 7º dispõe que a efetivação do direito à vida e à saúde ocorrerá por meio de políticas
sociais públicas (conjunto de ações de incumbência do Poder Executivo, e a sua omissão pode
ser sanada via Ação Civil Pública).

Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação
de políticas sociais públicas que permitam O NASCIMENTO E O DESENVOLVIMENTO SADIO E
HARMONIOSO, em condições dignas de existência.

O art. 8º do ECA assegura a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de saúde
da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção
humanizada à gravidez, AO PARTO E AO PUERPÉRIO E ATENDIMENTO PRÉ-NATAL,
PERINATAL E PÓS-NATAL INTEGRAL no âmbito do Sistema Único de Saúde.
DIREITO À VIDA E À SAÚDE

§ 4 o Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe, no


período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as consequências do
estado puerperal.

§ 5 o A assistência referida no § 4 o deste artigo deverá ser prestada também a gestantes e


mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção, bem como a gestantes e
mães que se encontrem em situação de privação de liberdade.

§ 6 o A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um) acompanhante de sua preferência durante


o período do pré-natal, do trabalho de parto e do pós-parto imediato

§ 9 o A atenção primária à saúde fará a busca ativa da gestante que não iniciar ou que
abandonar as consultas de pré-natal, bem como da puérpera que não comparecer às consultas
pós-parto.
DIREITO À VIDA E À SAÚDE
Art. 9º O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao
aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade.

Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares,
são obrigados a:
I.- manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito
anos;
II.- identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão
digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente;
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-
nascido, bem como prestar orientação aos pais;
IV.- fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do
desenvolvimento do neonato;
V.- manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe.
VI. - acompanhar a prática do processo de amamentação, prestando orientações quanto à técnica
adequada, enquanto a mãe permanecer na unidade hospitalar, utilizando o corpo técnico já existente.
DIREITO À VIDA E À SAÚDE
Segundo a OMS, SAÚDE é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas
ausência de doenças.
Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cuidado voltadas à saúde da criança e do
adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, observado o princípio da equidade no
acesso a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde.
§ 1 o A criança e o adolescente com deficiência serão atendidos, sem discriminação ou
segregação, em suas necessidades gerais de saúde e específicas de habilitação e reabilitação.
§ 2 o Incumbe ao poder público fornecer gratuitamente, àqueles que necessitarem,
medicamentos, órteses, próteses e outras tecnologias assistivas relativas ao tratamento,
habilitação ou reabilitação para crianças e adolescentes, de acordo com as linhas de cuidado
voltadas às suas necessidades específicas.
Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde, inclusive as unidades neonatais, de
terapia intensiva e de cuidados intermediários, deverão proporcionar condições para a
permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de
criança ou adolescente.
MAUS-TRATOS

Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel


ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente
comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras
providências legais.

Responsável “é a pessoa que, não sendo pai nem mãe, zela pela criação e educação
do menor, suprindo-lhe com regularidade suas necessidades básicas” (José Luiz
Mônaco da Silva).
MAUS-TRATOS
O CT intimará o agente e o menor, podendo inclusive efetivar o abrigamento do menor
em situação de risco, e comunicar a Vara da Infância e Juventude para
acompanhamento.
O genitor pode perder o poder familiar.
Médicos, professores, responsáveis por estabelecimentos de saúde, ensino fundamental, pré-
escola ou creche têm o dever de comunicar (ao Conselho ou à autoridade judiciária) os maus-
tratos sob pena de incidir em sansão administrativa do art. 245 do ECA.
DIREITO À VIDA E Á SAÚDE
A mãe ou gestante que deseja entregar o seu filho para adoção deverá ser encaminhada à VIJ
(art. 13, § 1º), para orientação e auxílio, lembrando que a diretriz principiológica do Estatuto é a
preservação da família natural. Esta mãe terá acompanhamento psicológico (art. 8º, § 5º).
§ 1 o As gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão
obrigatoriamente encaminhadas, sem constrangimento, à Justiça da Infância e da Juventude.
Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e odontológica
para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e
campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos.
§1o - É obrigatória a vacinação das crianças nos casosrecomendados pelas autoridades
sanitárias.
§ 5 º É obrigatória a aplicação a todas as crianças, nos seus primeiros dezoito meses de vida,
de protocolo ou outro instrumento construído com a finalidade de facilitar a detecção, em
consulta pediátrica de acompanhamento da criança, de risco para o seu desenvolvimento
psíquico.
DIREITO À LIBERDADE
A Liberdade é faculdade ou poder outorgado à pessoa para que possa agir, segundo a
sua própria determinação, respeitadas as regras legais instituídas (De Plácido e Silva).
Portanto, envolve o direito de ir, vir, estar e permanecer; bem como a escolha entre
duas ou mais alternativas.

A criança e o adolescente podem (art. 16):


1)Ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as
restrições legais = Caberão aos pais, família e comunidade fiscalizar o exercício;
2)Opinião (passiva – formar convencimento) e expressões (ativa - externar) = para
isso é necessário o acesso à educação;
3)Crença e culto religioso = num primeiro momento os pais devem fornecer educação
formal e moral, e formação religiosa; depois, na adolescência, os pais não podem
interferir no processo de escolha;
DIREITO À LIBERDADE

A criança e o adolescente podem ainda (art. 16):


4)Brincar, praticar esportes e divertir-se = com respeito a sua especial condição de
desenvolvimento;
5) Participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
6) Participar da vida política, na forma da lei = direito ao voto a partir dos 16 anos;
7) Buscar refúgio, auxílio e orientação.
DIREITO AO RESPEITO E À DIGNIDADE
Respeito “é o tratamento atencioso à própria consideração que se deve manter nas relações
com as pessoas respeitaveis, seja pela idade, por sua condição social, pela ascendencia ou
grau de hierarquia em que se acham colocadas” (De Plácido e Silva).

O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da


criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia,
dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais (art. 17).
Dignidade “é qualidade moral que, possuída por uma pessoa, serve de base ao próprio
respeito em que é tida” (De Plácido e Silva).

É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de


qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor (art. 18).
DIREITO AO RESPEITO E À DIGNIDADE

Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo
físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou
qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos
agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de
cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los.
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se:
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a
criança ou o adolescente que resulte em:
a) sofrimento físico; ou
b) lesão;
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou
ao adolescente que:
a) humilhe; ou
b) ameace gravemente; ou
c) ridicularize.
Capítulo III

DIREITO AO RESPEITO E À DIGNIDADE


Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos
executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças
e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou
tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer
outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes medidas,
que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado; (Incluído pela Lei nº 13.010, de
2014)
V - advertência.
Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo
de outras providências legais.
DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
A criança e o adolescente tem o direito de ser criado e educado no seio da sua família e,
excepcionalmente (por diversas razões, como maus-tratos, violência sexual, abandono material
e intelectual etc.), em família substituta (art. 19).
Art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado e educado no seio de sua família e,
excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em
ambiente que garanta seu desenvolvimento integral.
Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de
liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável.
Art. 19-A. A gestante ou mãe que manifeste interesse em entregar seu filho para adoção,
antes ou logo após o nascimento, será encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude.

§ 3 o A busca à família extensa, respeitará o prazo máximo de 90 (noventa) dias, prorrogável


por igual período.
DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

§ 4 o Na hipótese de não haver a indicação do genitor e de não existir outro


representante da família extensa apto a receber a guarda, a autoridade judiciária
competente deverá decretar a extinção do poder familiar e determinar a colocação da
criança sob a guarda provisória de quem estiver habilitado a adotá-la ou de entidade
que desenvolva programa de acolhimento familiar ou institucional.

§ 8 o Na hipótese de desistência pelos genitores - manifestada em audiência ou


perante a equipe interprofissional - da entrega da criança após o nascimento, a criança
será mantida com os genitores, e será determinado pela Justiça da Infância e da
Juventude o acompanhamento familiar pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias.

§ 10. Serão cadastrados para adoção recém-nascidos e crianças acolhidas não


procuradas por suas famílias no prazo de 30 (trinta) dias, contado a partir do dia do
acolhimento.
PROGRAMA DE APADRINHAMENTO

Art. 19-B. A criança e o adolescente em programa de acolhimento institucional ou familiar


poderão participar de programa de apadrinhamento. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)

§ 1 o O apadrinhamento consiste em estabelecer e proporcionar à criança e ao adolescente


vínculos externos à instituição para fins de convivência familiar e comunitária e colaboração com
o seu desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo, educacional e financeiro.
§ 2º Podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maiores de 18 (dezoito) anos não inscritas nos
cadastros de adoção, desde que cumpram os requisitos exigidos pelo programa de
apadrinhamento de que fazem parte.
§ 3 o Pessoas jurídicas podem apadrinhar criança ou adolescente;
- Prioridade para crianças ou adolescentes com remota possibilidade de reinserção familiar ou
colocação em família adotiva.
- Os programas ou serviços de apadrinhamento apoiados pela Justiça da Infância e da
Juventude poderão ser executados por órgãos públicos ou por organizações da sociedade civil.

.
DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
Não pode haver distinção entre havidos dentre ou fora do casamento (art. 20), sendo igual o
exercício do poder familiar entre pai e mãe (art. 21), podendo recorrer ao judiciário em caso de
discordância (também disposto no art. 1.631 do CC).
O art. 22 dispõe sobre os deveres dos pais em relação aos filho: sustento, guarda e educação,
além de fazer cumprir as determinações judiciais (como a fixação de guarda e visitas). Amplia o
rol do art. 1.634 do CC/2002.
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a
suspensão do poder familiar
§ 2º A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a destituição do poder familiar,
exceto na hipótese de condenação por crime doloso sujeito à pena de reclusão contra outrem
igualmente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou outro descendente. (Redação
dada pela Lei nº 13.715, de 2018)
Art. 24. A perda e a suspensão do pátrio poder poder familiar serão decretadas judicialmente,
em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de
descumprimento injustificado dos deveres e obrigações DE GUARDA, SUSTENTO E EDUCAÇÃO
DOS FILHOS.
DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
O conceito de FAMÍLIA NATURAL está previsto no art. 25 do ECA: “a comunidade formada
pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes”. Este último é chamado de família
monoparental.

Há ainda o conceito de família extensa e ampliada, a qual abrange além dos pais ou filho, os
parentes próximos com os quais a criança ou adoslecente mantenha vínculos de afinidade e
afetividade (amor, amizade).

Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível


e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem
qualquer restrição, observado o segredo de Justiça.
A criança pode ser adotada por membro de sua família, excluído os ascendentes e irmãos (art.
42, §1º), ainda que não cadastrado previamente (art. 50, § 13, inc. II)
DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
Superada ou impossível a permanencia da criança e do adolescente com sua família natural,
busca-se a colocação em FAMÍLIA SUBSTITUTA.
São 03 as forma de colocação em família substituta (art. 28):
a)Guarda
b)Tutela
c)Adoção
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção, independentemente da
situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei.

As diretrizes gerais sobre a colocação em família substituta estão disciplinadas nos art. 28 a 32
do ECA, e são:
1) Oitiva da criança ou do adolescente previamente por equipe interprofissional, sempre que
possível;
2) Oitiva obrigatória do adolescente em audiência, para colher seu consentimento;
DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
3) Preferência a família substitutas que tenham alguma relação de parentesco ou afetividade;
4) Os grupos de irmãos devem ser mantidos juntos, na mesma família substituta, exceto no
caso de comprovada existência de risco de abuso;
5) Preparação gradativa e acompanhamento posterior da criança ou adolescente;
6) A identidade social e cultural da criança ou adolescente (indígena, quilombola) deve ser
analisada na escolha da família substituta, de preferencia colocadas no mesmo grupo
étnico;
7) Incompatibilidade com a natureza da medida (ex: adoção por avós) e ambiente inadequado
(ex: uso de entorpecentes, prostituição);
8) Impossibilidade de tranferência a terceiros sem autorização judicial;
9) Família substituta estrangeira somente de modo excepcional e na modalidade da adoção;
10) O responsável prestará compromisso nos autos da guarda e tutela.
GUARDA
A colocação da criança e do adolescente em família substituta e medida excepcional, sendo a
guarda uma das modalidades na qual assume o detentores o compromisso de prestar toda a
assistência ao menor e o direito de opor-se a terceiros, regulariando a posse de fato (art. 33).

De acordo com FRANÇA “guarda de menor é o conjunto de relações jurídicas que existem entre
uma pessoa e o mesmo, dimanadas do fato de estar este sob o poder ou companhia daquele, e
da responsabilidade daquela em relação a este, quanto a vigilancia, direção e educação”.
A Guarda do ECA é diferente da disposta no CC/2002, pois a 1ª é direito assistencial e a 2ª é
um encargo do poder familiar.
GUARDA
Nos arts. 33 e 34 do ECA encontramos 03 tipos de guarda:
a) Provisória → para regularizar a posse de fato (art. 33 §1º), podendo ser deferida, liminar ou
incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto nos processos de adoção por
estrangeiros;
b) Peculiar → fora dos casos de tutela e adoção (art. 33 §2º), para atender a situações
peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável;
c) Permanente → quando não se logrou a tutela ou a adoção, regularizando a guarda de fato,
sendo de cunho perene (art. 34).
Difere dos tipos de guarda do CC/2002:
a)Unilateral → atribuída a um só dos genitores (art. 1.583) ou a alguém que o substitua (art.
1.584, § 5º);
b) Compartilhada → responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe
que não vivam sob o mesmo teto (art. 1584).
GUARDA
No ECA há ainda a guarda e tutela como medida de protetiva da criança e ao adolescentes.

Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos
reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I.- por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II.- por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III - em razão de sua conduta.

Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais e
subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio
familiar.
§ 1 o A inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar terá preferência
a seu acolhimento institucional..
O ECA proíbe, portanto, que uma pessoa ou casal que esteja cadastrado para a adoção
venha se tornar uma família acolhedora.
GUARDA
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA GUARDA:
- Regularização jurídica de posse de fato;
- Implica o dever de assistência material, moral e educacional;
- O guardião pode opor-se à vontade de terceiros, inclusive dos pais;
- Pode ser concedida em processo autônomo ou no bojo de processo de tutela ou adoção,
exceto se adoção estrangeira;
- Pode incluir direitos de representação para determinados atos;
- Concede benefícios previdenciários;
- Permite a visitação dos pais à criança ou ao adolescente, exceto guarda para adoção e
determinação expressa em contrário;
- É revogável a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o MP (art. 35
do ECA);
- A guarda transfere ao guardião alguns dos atributos do poder familiar, permanecendo os
pais com o exercício de outros atributos, inclusive com o dever de prestar alimentos e o
direito de visitas.
TUTELA
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos
incompletos.

A tutela é também modalidade de colocação em família substituta totalmente delineada no


CC/2002 nos art. 1.728 à 1.766.

É um conjunto de direitos e obrigações conferidos pela lei a um terceiro, para que proteja a
pessoa de um menor não emancipado que não se acha sob o poder familiar, administrando seus
bens e representando-o ou assistindo-o nos atos da vida civil.

Na tutela há um munus público, visto ser uma atribuição imposta pelo Estado para atender a
interesses públicos e sociais.
A tutela não coexiste com o poder familiar, visto ser um sucedâneo do poder familiar (art.
1.728).
O seu deferimento pressupõe previa perda ou suspensão do poder familiarr e
implica necessariamente o dever de guarda (art. 36 do ECA).
ADOÇÃO
A adoção é a mais completa das modalidades de colocação em família substituta, visto que
transforma a criança/adolescente em membro da família.

Arnoldo Wald conceitua adoção como “ato jurídico bilateral que gera laços de paternidade e
filiação entre pessoas para as quais tal relação inexiste naturalmente”.
Adoção é o ato jurídico em sentido estrito, cuja eficácia esta condicionada a chancela judicial,
pelo qual alguém (adotante) estabelece um vinculo de filiação, trazendo para sua família, na
condição de filho, pessoa (adotando) que lhe é estranha.
A adoção constitui um parentesco eletivo, pois decorre exclusivamente da vontade, consagrando
a paternidade socioafetiva.
É ato jurídico solene, excepcional e irrevogável (art. 39), sendo vedada a adoção por procuração
(exige-se o contato pessoal).
TIPOS DE ADOÇÃO
a) conjunta → o casal ou companheiros se apresentam como postulantes à adoção, com a
devida comprovação de estabilidade da família (art. 42), excepcionalmente é possível que o
ex-casal possa realizar este tipo de adoção;

b) unilateral ou semiplena → permite a substituição de somente um dos genitores e respectiva


ascendência, nos seguintes casos:
1) filho reconhecido por apenas um dos pais e o novo cônjuge ou companheiro deseja
adotar a prole do outro;
2)filho reconhecido por ambos os pais e o novo cônjuge ou companheiro deseja
adotar a prole do outro, concordando o pai natural com a adoção;
3)em face do falecimento do pai biológico, pode o órfão ser adotado pelo cônjuge ou
companheiro do genitor sobrevivente.
TIPOS DE ADOÇÃO
c) de maiores → regulado pelo CC/2002 (art. 1.618 e 1.619) com as mesmas regras do ECA;

d) internacional → tem por adotante pessoa domiciliada fora do Brasil, independentemente se


brasileira ou estrangeira (art. 51);

e) póstuma → quando há procedimento judicial de adoção em andamento e o adotante falece (o


efeito da sentença retroage à data do falecimento), e quando levada a efeito por meio de
testamento (art. 42 §6º, ECA).
O art. 40 do ECA determina que o adotando deve contar com no máximo 18 anos na data do
pedido, salvo de estiver sob guarda ou tutela do adotantes.
Quando maior, a adoção não será na VIJ.
REQUISITOS DA ADOÇÃO
1. Adotante com idade mínima de 18 anos independente do estado civil (art. 42 ECA);

2. Adotantes devem ser cônjuges ou companheiros, se feita adoção por duas pessoas (art. 42
ECA), comprovada a estabilidade da família, bastando que um deles tenha completado 18
anos (art. 42, §2º do ECA);

3. Diferença mínima de idade entre adotante e adotado de 16 anos (art. 42, §3º do ECA);

4. Consentimento do adotante, do adotado (se maior de 12 anos), e de seus pais ou


representante legal (art. 45 ECA), sendo dispensado no caso de pais desconhecidos ou
destituídos do poder familiar;

5. Intervenção judicial (art. 1.619 – art. 39 e ss ECA);

6. Efetivo beneficio para o adotado;


REQUISITOS DA ADOÇÃO
7. É vedada a adoção do tutor ou curador enquanto não prestar contas de sua administração e
efetuar pagamento dos débitos (art. 44);
8. Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem adotar
conjuntament , contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o
estágio
e de convivência tenha sido iniciado na constância do período de convivência e que
seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e afetividade com aquele não detentor
da guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão.(art. 42, §4º ECA);
9. O consentimento do representante legal do adotando é revogável até a data da publicação da
sentença constitutiva;
10. A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais;
11. É vedada a adoção da criança/adolescente por seus ascendentes (avós, bisavós etc) e irmãos
(art. 42, §1º ECA).
12 A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em
motivos legítimos.(Art. 43)
CONSIDERAÇÕES DA ADOÇÃO
13. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando. O
consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam
desconhecidos ou tenham sido destituídos do poder familiar.
14. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo máximo de
90 (noventa) dias, observadas a idade da criança ou adolescente e as peculiaridades do caso. O estágio
de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante
durante tempo suficiente para que seja possível avaliar a conveniência da constituição do vínculo.
15. Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o estágio de convivência
será de, no mínimo, 30 (trinta) dias e, no máximo, 45 (quarenta e cinco) dias, prorrogável por até igual
período, uma única vez, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária.
16. O estágio de convivência será acompanhado pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância
e da Juventude. O estágio de convivência será cumprido no território nacional, preferencialmente na
comarca de residência da criança ou adolescente, ou, a critério do juiz, em cidade limítrofe.
REQUISITOS DA ADOÇÃO
17. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que será inscrita no registro civil mediante
mandado do qual não se fornecerá certidão.
18. A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais, bem como o nome de seus ascendentes
19. O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registro original do adotado.
20. Nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões do registro.
21.A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva, exceto na adoção
póstuma, caso em que terá força retroativa à data do óbito.
22. Terão prioridade de tramitação os processos de adoção em que o adotando for criança ou adolescente
com deficiência ou com doença crônica.
23.O prazo máximo para conclusão da ação de adoção será de 120 (cento e vinte) dias, prorrogável uma
única vez por igual período, mediante decisão fundamentada da autoridade judiciária.
24.O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao processo
no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos.
.

REQUISITOS DA ADOÇÃO
25. A morte dos adotantes não restabelece o poder familiar dos pais naturais.
26. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um registro de crianças e
adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas na adoção.
27. A inscrição de postulantes à adoção será precedida de um período de preparação psicossocial e jurídica,
orientado pela equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos
técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar.
28. Haverá cadastros distintos para pessoas ou casais residentes fora do País.
29. A autoridade judiciária providenciará, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, a inscrição das crianças e
adolescentes em condições de serem adotados e de casais deferidos.
30. Será assegurada prioridade no cadastro a pessoas interessadas em adotar criança ou adolescente com
deficiência, com doença crônica ou com necessidades específicas de saúde, além de grupo de irmãos.
31. A alimentação do cadastro e a convocação criteriosa dos postulantes à adoção serão
fiscalizadas pelo Ministério Público.
CADASTROS
O pretendente a adoção deve primeiro habilitar-se na VIJ de sua Comarca ou, inexistindo nela
vara especializada, na Vara competente para o processo de adoção.

O procedimento de adoção possui 03 fases:


1)Preparação psicossocial e jurídica = por meio de cursos e entrevistas;
2)Inscrição no cadastro = via sentença de habilitação;
3)Procedimento de adoção efetiva.

Os habilitados são indicados exclusivamente de acordo com a ordem cronológica de habilitação.


Hipóteses de adoção fora do cadastro (art. 50, §13):
-Adoção unilateral.
-Parente com o qual mantenha vínculo de afetividade.
-Guarda legal ou tutela deferida anteriormente de criança maior de 03 anos ou adolescente, com
fixação de laços de afetividade.
EFEITOS DA ADOÇÃO

A sentença de adoção possui eficácia constitutiva e seus efeitos começam a fluir a partir do
transito em julgado (ex nunc), salvo quando adoção póstuma que retroage a data de
falecimento.
A sentença produz efeito desde logo, embora sujeita a apelação (recebida exclusivamente no
efeito devolutivo), salvo quando se tratar de adoção internacional ou se houver perigo de
dano – art. 199-A ECA).
Efeitos da sentença:
1. O adotado adquire a condição de filho do adotante, estabelecendo laços de parentesco civil,
com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios recíprocos;
2. O adotado passa a ter o sobrenome dos adotantes, podendo haver modificação do prenome
(se por pedido dos adotantes, o filho deve ser ouvido)
EFEITOS DA ADOÇÃO
Efeitos da sentença (cont.):
3. Rompimento automático do vínculo de parentesco com a família de origem, salvo
impedimentos matrimoniais (art. 1.626);
4. Irrevogabilidade;
5. Transferência definitiva do poder familiar;
6. O novo registro poderá ser lavrado no cartório de Registro Civil do município dos adotantes;
7. As certidões extraídas do cartório não podem fazer referência à adoção.
Importante: o adolescente, ao alcançar a maioridade tem direito de conhecer
sua origem (art.48). O acesso ao processo de adoção poderá ser também
deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido, assegurada
orientação e assistência jurídica e psicológica (art. 48, parágrafo único)
ADOÇÃO INTERNACIONAL
Forma de adoção permitida no art. 227, § 5º da CF/88.

Será adoção internacional aquela na qual a pessoa ou casal postulante é residente ou


domiciliado fora do Brasil, conforme previsto no Artigo 2 da Convenção de Haia (1993), relativa
à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, aprovada pelo
Decreto Legislativo no 1, de 14 de janeiro de 1999, e promulgada pelo Decreto no 3.087, de 21
de junho de 1999.

De acordo com o art. 51, § 1o do ECA, este tipo de adoção somente terá lugar quando restar
comprovado:
- que é necessária a colocação em família substituta;
-que foram esgotadas todas as possibilidades de colocação da criança ou adolescente em família
substituta brasileira;
-que, em se tratando de adoção de adolescente, este foi consultado, por meios adequados ao
seu estágio de desenvolvimento, e que se encontra preparado para a medida, mediante parecer
elaborado por equipe interprofissional.
ADOÇÃO INTERNACIONAL
A habilitação para adoção internacional terá início no país de origem, que fará estudo psicossocial
e emitirá relatório autenticado pelo consulado e traduzido, encaminhado-o às autoridades
brasileiras com cópia da legislação do país de origem e prova de sua vigencia.

No Brasil poderá ser solicitado a complementação dos estudos e análise de uma comissão
estadual judiciária de adoção internacional (CEJAI), que fornecerá o respectivo laudo de
habilitação (com validade de 01 ano) para instruir o processo competente na VIJ.

As CEJAI (CEJARN) são compostas por desembargadores e juízes de direito, procuradores e


promotores de justiça, psicólogos, sociólogos, pedagogos, assistentes sociais, advogados,
médicos e outros.

A adoção de estrangeiro feita por brasileiros concede ao adotado a condição de brasileiro nato.
DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER
Estes direitos estão disciplinados nos art. 205 e 217 da CF/88 e não podem ser menosprezados
por serem meramente normas programáticas.

A educação é o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança


e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social (De Plácido e
Silva).
O art. 205 da CF/88 prevê: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será
promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da
pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER

Será assegurado (art. 53):


-igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
-direito de ser respeitado por seus educadores;
-direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instancias
escolares superiores;
-direito de organização e participação em entidades estudantis;
-acesso à escola pública e gratuita, próxima de sua residência,
garantindo-se vagas no mesmo estabelecimento a irmãos que
frequentem a mesma etapa ou ciclo de ensino da educação básica. Os
pais têm direito a conhecer o processo pedagógico e participar da
definição das prospostas educacionais.
DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER
O art. 54 apresenta os deveres do Poder Público no que tange ao direito à educação, que
encontra correspondencia com o art. 208 da CF/88:
I.- ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na
idade própria;
II.- progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;
III.- atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na
rede regular de ensino;
IV.- atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a cinco anos de idade;
V. - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a
capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador;
VII - atendimento no ensino fundamental, através de
programas suplementares de material didático-escolar,
transporte, alimentação e assistência à saúde.
DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER

Importante:
-a VIJ é competente para analisar a conduta comissiva ou omissiva do local por
meio de ACP;
-é crime previsto no art. 6º da Lei 7.716/89 a recusa de ingresso de aluno
em estabelecimento de ensino público ou privado com base em preconceito de
raça e cor.
Art. 54. (...)
§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.
§ 2º O nãooferecimento do ensino obrigatório pelo poder
público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da
autoridade competente.
§ 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental,
fazer-lhes a chamada e zelar,
junto aos pais ou responsável, pela frequência à escola.
DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER
O Estado é o grande artíficie da educação das crianças e adolescentes, mas os pais também
precisam cumprir sue dever de matricular os filhos na escola (art. 55), sendo que a omissão pode
caracterizar crime de abandono intelectual (art. 246 do CP).
O art. 56 do ECA determina que é dever dos dirigentes de estabelecimento de ensino
fundamental a comunicação ao Conselho Tutelar da situação de maus-tratos ( IMEDIATAMENTE ),
reiteração de faltas injustificadas(APÓS ESGOTADOS OS RECURSOS ESCOLARES), evasão escolar
(APÓS ESGOTADOS OS RECURSOS ESCOLARES) e elevado nível de repetência
(IMEDIATAMENTE ).
A omissão da comunicação ao CT caracteriza infração administrativa do dirigente (art. 245).
DIREITO À EDUCAÇÃO, CULTURA, ESPORTE E LAZER
O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas
a calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com vistas
à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental
obrigatório (Art. 57).

No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e


históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-
se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura (Art. 58).

Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a


destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e
de lazer voltadas para a infância e a juventude (Art. 59).
DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E PROTEÇÃO NO
TRABALHO

A profissionalização integra o processo de formação do adolescente, mas


devido a sua condição de pessoa em desenvolvimento, exige um regimes
especial de trabalho, com direitos e restições.

A criança não pode trabalhar, e o adolescente a partir dos 14 anos completos


pode trabalhar em
determinaras condições.

O art. 7º, inc. XXXIII da CF determina que “é proibido o trabalho noturno,


perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores
de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos”.
O trabalho do adolescente está disciplinado nos art. 402 a 441 da CLT, sendo
vedado o trabalho noturno (entre 22 e 05 horas).
DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E PROTEÇÃO NO
TRABALHO
IDADE TRABALHO
Criança (até 12 anos incompletos) Não pode exercer nenhum trabalho

Adolescente entre 12 a 14 anos inc. Não pode exercer nenhum trabalho

Adolescente entre 14 e 16 anos inc. Trabalha apenas na condição de


aprendiz
Adolescente entre 16 e 18 anos inc. Pode trabalhar regularmente, exceto no
período noturno ou função perigosa ou
insalubre
A partir dos 18 anos Atinge a maioridade e pode exercer
qualquer tipo de trabalho
DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E PROTEÇÃO NO TRABALHO

O contrato de aprendizagem está previsto no art. 428 da CLT, sendo específico para formação
técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento.
Art. 428. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por
prazo determinado, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de 14
(quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito em programa de aprendizagem
formação técnico-profissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e
psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa
formação.
Ao aprendiz é assegurada bolsa (art. 64). O art. 80 da CLT fixa o salário do aprendiz em ½
salário mínimo durante a 1ª metade da duração máxima e 2/3 na 2ª metade.
A súmula 205 do STF dispõe que “tem direito a salário integral o menor não sujeito à
aprendizagem metódica”.
DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E PROTEÇÃO NO
TRABALHO
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA PROTEÇÃO AO TRABALHO DO ADOLESCENTE (ART. 62 A 69)

Garantia de acesso e frequência obrigatória ao ensino regular (art. 63)

Atividade compatível com o seu desenvolvimento (art. 63)


Horário especial para o exercício das atividade (art. 63)
Garantia de direitos trabalhistas e previdenciários (art. 65)
Trabalho protegido ao adolescente portador de deficiencia (art. 66)

Vedação ao trabalho noturno, perigoso, insalubre ou penoso (art. 67)

Vedação ao trabalho realizado em locais prejudiciais à sua formação e desenvolvimento físico, psíquico, moral
ou social (art. 67)
Vedação ao trabalho realizado em horários ou locais que impeçam a frequência escolar (art. 67).
DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E PROTEÇÃO NO TRABALHO

Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho,


aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-
governamental, é vedado trabalho:
I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas
do dia seguinte;
II.- perigoso, insalubre ou penoso;
III.- realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento
físico, psíquico, moral e social;
IV.- realizado em horários e locais que não permitam a frequência a escola.
PREVENÇÃO
O Título III do ECA trata da prevenção a ameaça ou a violação de direitos das crianças e dos
adolescente, sendo este dever é de todos (art. 70). A INOBSERVÂNCIA DESSAS NORMAS
ACARRETARÁ A RESPONSABILIZAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS E FÍSICAS (art. 73).

O ECA trata da prevenção geral em 03 níveis:


-primária = medidas que garantam os direitos fundamentais, e devem se orientar no
apoio à ações dos Conselhos de Direitos da criança e do adolescente;
- secundária = se materializa nos programas de apoio, auxílio e orientação ao jovem e
à família, com atuação dos Conselhos Tutelares;
- terciária = por meio de medidas socioeducativas visando à reeducação do adolescente
infrator.

- Também há no ECA a prevenção especial, que visa


preservar a infância e juventude da influência dos ambientes
perniciosos ou que sejam contraproducentes à sua formação.
PREVENÇÃO
Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do
adolescente.
Art. 70-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão atuar de forma articulada na
elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico ou de
tratamento cruel ou degradante e difundir formas não violentas de educação de crianças e de adolescentes,
tendo como principais ações:
I - a promoção de campanhas educativas permanentes para a divulgação do direito da criança e do
adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante
e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos;
II - a integração com os órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, com o
Conselho Tutelar, com os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e com as entidades não
governamentais que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente;
III - a formação continuada e a capacitação dos profissionais de saúde, educação e assistência social e dos
demais agentes que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente para o
desenvolvimento das competências necessárias à prevenção, à identificação de evidências, ao diagnóstico e
ao enfrentamento de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente;
PREVENÇÃO
IV - o apoio e o incentivo às práticas de resolução pacífica de conflitos que envolvam violência contra a
criança e o adolescente;
V - a inclusão, nas políticas públicas, de ações que visem a garantir os direitos da criança e do adolescente,
desde a atenção pré-natal, e de atividades junto aos pais e responsáveis com o objetivo de promover a
informação, a reflexão, o debate e a orientação sobre alternativas ao uso de castigo físico ou de tratamento
cruel ou degradante no processo educativo;
VI - a promoção de espaços intersetoriais locais para a articulação de ações e a elaboração de planos de
atuação conjunta focados nas famílias em situação de violência, com participação de profissionais de saúde,
de assistência social e de educação e de órgãos de promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do
adolescente. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
VII - a promoção de estudos e pesquisas, de estatísticas e de outras informações relevantes às
consequências e à frequência das formas de violência contra a criança e o adolescente para a
sistematização de dados nacionalmente unificados e a avaliação periódica dos resultados das
medidas adotadas;(Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022)
VIII - o respeito aos valores da dignidade da pessoa humana, de forma a coibir a violência, o
tratamento cruel ou degradante e as formas violentas de educação, correção ou disciplina; (Incluído
pela Lei nº 14.344, de 2022)
PREVENÇÃO
IX - a promoção e a realização de campanhas educativas direcionadas ao público escolar e à
sociedade em geral e a difusão desta Lei e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos das
crianças e dos adolescentes, incluídos os canais de denúncia existentes; (Incluído pela Lei nº
14.344, de 2022)

X - a celebração de convênios, de protocolos, de ajustes, de termos e de outros instrumentos de


promoção de parceria entre órgãos governamentais ou entre estes e entidades não governamentais,
com o objetivo de implementar programas de erradicação da violência, de tratamento cruel ou
degradante e de formas violentas de educação, correção ou disciplina; (Incluído pela Lei nº 14.344,
de 2022)

XI - a capacitação permanente das Polícias Civil e Militar, da Guarda Municipal, do Corpo de


Bombeiros, dos profissionais nas escolas, dos Conselhos Tutelares e dos profissionais pertencentes
aos órgãos e às áreas referidos no inciso II deste caput, para que identifiquem situações em que
crianças e adolescentes vivenciam violência e agressões no âmbito familiar ou
institucional; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022)
PREVENÇÃO

XII - a promoção de programas educacionais que disseminem valores éticos de irrestrito


respeito à dignidade da pessoa humana, bem como de programas de fortalecimento da
parentalidade positiva, da educação sem castigos físicos e de ações de prevenção e
enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a criança e o
adolescente; (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022)

XIII - o destaque, nos currículos escolares de todos os níveis de ensino, dos conteúdos
relativos à prevenção, à identificação e à resposta à violência doméstica e
familiar. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022)

Parágrafo único. As famílias com crianças e adolescentes com deficiência terão prioridade de
atendimento nas ações e políticas públicas de prevenção e proteção. (Incluído pela Lei nº 13.010,
de 2014)
PREVENÇÃO
Art. 70-B. As entidades, públicas e privadas, que atuem nas áreas da saúde e da educação, além
daquelas às quais se refere o art. 71 desta Lei, entre outras, devem contar, em seus quadros, com
pessoas capacitadas a reconhecer e a comunicar ao Conselho Tutelar suspeitas ou casos de crimes
praticados contra a criança e o adolescente. (Redação dada pela Lei nº 14.344, de 2022)
Parágrafo único. São igualmente responsáveis pela comunicação de que trata este artigo, as pessoas
encarregadas, por razão de cargo, função, ofício, ministério, profissão ou ocupação, do cuidado,
assistência ou guarda de crianças e adolescentes, punível, na forma deste Estatuto, o injustificado
retardamento ou omissão, culposos ou dolosos. (Incluído pela Lei nº 13.046, de 2014)

Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões,
espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou
jurídica, nos termos desta Lei.
PREVENÇÃO ESPECIAL

I) INFORMAÇÃO, CULTURA, LAZER, ESPORTES, DIVERSÕES E ESPETÁCULOS

-Cabe ao Poder Público manter órgão competente para a fiscalização das diversões e espetáculos
(art. 74), evitando a participação de crianças e adolescentes em eventos inadequados.
-O proprietário do estabelecimento devem fixar em local visível e de fácil acesso, as informações
sobre o espetáculo e faixa etária/classificação (se é proibida a entrada de criança e adolescente
naquele local), sob pena de infração adm. do art. 252 a 258 do ECA.
Art. 75. Toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e espetáculos públicos classificados como
adequados à sua faixa etária.
Art. 76. As emissoras de rádio e televisão somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto
juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas.
-O mesmo vale para:
a) Programas de rádio e tv, que devem indicar a faixa etária antes do início da apresentação (art.
76);
b) Aqueles que trabalham com locação e venda de vídeos (art. 77);
c) Para revistas e publicações (art. 78 e 79).
PREVENÇÃO ESPECIAL

I) INFORMAÇÃO, CULTURA, LAZER, ESPORTES, DIVERSÕES E


ESPETÁCULOS
-A entrada desacompanhada pelos pais em espetáculos é a partir de 10
anos de idade (art. 75), quando menor de 10 anos é obrigatória a
presença dos pais ou responsável.
-O pai pode autorizar o acesso do filho a espetáculos com classificação
superior a faixa etária, porém inferior a 18 anos, desde que
acompanhado por ele ou por terceiro expressamente autorizado.

Art. 79. As revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter ilustrações,
fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão
respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família.
-O descumprimento do art. 75 leva ao cometimento de infração
administrativa do art. 254, 255 e 258 do ECA.
PREVENÇÃO ESPECIAL
II) PRODUTOS E SERVIÇOS
Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adolescente de:
I - armas, munições e explosivos;
II - bebidas alcoólicas;
III - produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda
que por utilização indevida;
IV - fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial
sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida;
V - revistas e publicações a que alude o art. 78;
VI - bilhetes lotéricos e equivalentes.
Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em
hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvo se
autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável.
A fiscalização deve ser feita pelo Conselho Tutelar, MP e Poder Judiciário.
AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR
III) AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR:
A) NO BRASIL:

- Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá


viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis
sem expressa autorização judicial.

II. Embarque no território nacional:


ART 83, § 1º A autorização não será exigida quando:

a)tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16


(dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana;
b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado:

1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco

2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável


AUTORIZAÇÃO PARA VIAJAR
Do art. 83 ao 85 do ECA.

A) Regra geral – Quando se tratar de viagem ao


exterior, a autorização é dispensável, se a
criança ou adolescente:

→ estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável,


→ viajar na companhia de um dos pais, autorizados
expressamente pelo outro através de documento com firma
reconhecida.

Obs.: Embarque de criança ou adolescente para o .exterior


acompanhada de estrangeiro –
autorização judicial.
DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO
Art. 86. A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de
um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais, da União, dos estados,
do Distrito Federal e dos municípios.
São diretrizes da política de atendimento:
I - municipalização do atendimento;
II - criação de conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do
adolescente;
III - criação e manutenção de programas específicos;
IV - manutenção de fundos nacional, estaduais e municipais vinculados aos respectivos
conselhos dos direitos da criança e do adolescente;
V - integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Segurança
Pública e Assistência Social, preferencialmente em um mesmo local;
VI - integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Conselho
Tutelar e encarregados da execução das políticas sociais básicas e de assistência social, para
efeito de agilização do atendimento de crianças e de adolescentes inseridos em programas de
acolhimento familiar ou institucional;
VII - mobilização da opinião pública para a indispensável participação dos diversos segmentos
da sociedade.
Das Entidades de Atendimento
VIII - especialização e formação continuada dos profissionais que trabalham nas diferentes
áreas da atenção à primeira infância, incluindo os conhecimentos sobre direitos da criança e
sobre desenvolvimento infantil;
IX - formação profissional com abrangência dos diversos direitos da criança e do adolescente
que favoreça a intersetorialidade no atendimento da criança e do adolescente e seu
desenvolvimento integral;
X - realização e divulgação de pesquisas sobre desenvolvimento infantil e sobre prevenção da
violência.

Art. 90. As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades,
assim como pelo planejamento e execução de programas de proteção e socioeducativos
destinados a crianças e adolescentes, em regime de:
I - orientação e apoio sociofamiliar;
II - apoio socioeducativo em meio aberto;
III - colocação familiar;
IV - acolhimento institucional;
V - prestação de serviços à comunidade;
VI - liberdade assistida;
VII - semiliberdade; e
VIII - internação.
Das Entidades de Atendimento

As entidades governamentais e não governamentais deverão proceder à inscrição de


seus programas, especificando os regimes de atendimento, na forma definida neste
artigo, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá
registro das inscrições e de suas alterações, do que fará comunicação ao Conselho
Tutelar e à autoridade judiciária.

Os recursos destinados à implementação e manutenção dos programas relacionados a


essas entidades serão previstos nas dotações orçamentárias dos órgãos públicos
encarregados das áreas de Educação, Saúde e Assistência Social, dentre outros.

Os programas em execução serão reavaliados pelo Conselho Municipal dos Direitos da


Criança e do Adolescente, no máximo, a cada 2 (dois) anos.
Das Entidades de Atendimento
Art. 91. As entidades não-governamentais somente poderão funcionar depois de registradas no
Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual comunicará o registro ao
Conselho Tutelar e à autoridade judiciária da respectiva localidade.
O registro terá validade máxima de 4 (quatro) anos, cabendo ao Conselho Municipal dos Direitos
da Criança e do Adolescente, periodicamente, reavaliar o cabimento de sua renovação.
Art. 92. As entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional
deverão adotar os seguintes princípios:
I - preservação dos vínculos familiares e promoção da reintegração familiar;
II - integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família
natural ou extensa;
III - atendimento personalizado e em pequenos grupos;
IV - desenvolvimento de atividades em regime de coeducação;
V - não desmembramento de grupos de irmãos;
VI - evitar, sempre que possível, a transferência para outras entidades de crianças e
adolescentes abrigados;
VII - participação na vida da comunidade local;
VIII - preparação gradativa para o desligamento;
IX - participação de pessoas da comunidade no processo educativo.
Das Entidades de Atendimento
O dirigente de entidade que desenvolve programa de acolhimento institucional é equiparado ao
guardião, para todos os efeitos de direito.

Os dirigentes de entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional


remeterão à autoridade judiciária, no máximo a cada 6 (seis) meses, relatório circunstanciado
acerca da situação de cada criança ou adolescente acolhido e sua família, para fins da
reavaliação.

Os entes federados, por intermédio dos Poderes Executivo e Judiciário, promoverão


conjuntamente a permanente qualificação dos profissionais que atuam direta ou indiretamente
em programas de acolhimento institucional e destinados à colocação familiar de crianças e
adolescentes, incluindo membros do Poder Judiciário, Ministério Público e Conselho Tutelar.

As entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional somente


poderão receber recursos públicos se comprovado o atendimento dos princípios, exigências e
finalidades desta Lei.
Das Entidades de Atendimento
Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em
caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes sem prévia determinação da
autoridade competente, fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz
da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade.

Art. 94. As entidades que desenvolvem programas de internação têm as seguintes obrigações,
entre outras:
I - observar os direitos e garantias de que são titulares os adolescentes;
II - não restringir nenhum direito que não tenha sido objeto de restrição na decisão de
internação;
III - oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades e grupos reduzidos;
IV - preservar a identidade e oferecer ambiente de respeito e dignidade ao adolescente;
V - diligenciar no sentido do restabelecimento e da preservação dos vínculos familiares;
VI - comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos em que se mostre inviável ou
impossível o reatamento dos vínculos familiares;
VII - oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene,
salubridade e segurança e os objetos necessários à higiene pessoal;
Das Entidades de Atendimento

VIII - oferecer vestuário e alimentação suficientes e adequados à faixa etária dos


adolescentes atendidos;
IX - oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêuticos;
X - propiciar escolarização e profissionalização;
XI - propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer;
XII - propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas crenças;
XIII - proceder a estudo social e pessoal de cada caso;
XIV - reavaliar periodicamente cada caso, com intervalo máximo de seis meses, dando ciência
dos resultados à autoridade competente;
XV - informar, periodicamente, o adolescente internado sobre sua situação processual;
XVI - comunicar às autoridades competentes todos os casos de adolescentes portadores de
moléstias infecto-contagiosas;
XVII - fornecer comprovante de depósito dos pertences dos adolescentes;
XVIII - manter programas destinados ao apoio e acompanhamento de egressos;
Das Entidades de Atendimento

XIX - providenciar os documentos necessários ao exercício da cidadania àqueles que não os


tiverem;
XX - manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias do atendimento, nome
do adolescente, seus pais ou responsável, parentes, endereços, sexo, idade, acompanhamento
da sua formação, relação de seus pertences e demais dados que possibilitem sua identificação e
a individualização do atendimento.

Art. 94-A. As entidades, públicas ou privadas, que abriguem ou recepcionem crianças e


adolescentes, ainda que em caráter temporário, devem ter, em seus quadros, profissionais
capacitados a reconhecer e reportar ao Conselho Tutelar suspeitas ou ocorrências de maus-
tratos.
Da Fiscalização das Entidades
Art. 95. As entidades governamentais e não-governamentais referidas no art. 90 serão
fiscalizadas pelo Judiciário, pelo Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares.
Art. 96. Os planos de aplicação e as prestações de contas serão apresentados ao estado ou
ao município, conforme a origem das dotações orçamentárias.
Art. 97. São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que descumprirem obrigação
constante do art. 94, sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou
prepostos:
I - às entidades governamentais:
a) advertência;
b) afastamento provisório de seus dirigentes;
c) afastamento definitivo de seus dirigentes;
d) fechamento de unidade ou interdição de programa.
II - às entidades não-governamentais:
a) advertência;
b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas;
c) interdição de unidades ou suspensão de programa;
d) cassação do registro.
Da Fiscalização das Entidades

Em caso de reiteradas infrações cometidas por entidades de atendimento, que


coloquem em risco os direitos assegurados nesta Lei, deverá ser o fato
comunicado ao Ministério Público ou representado perante autoridade judiciária
competente para as providências cabíveis, inclusive suspensão das atividades
ou dissolução da entidade.

As pessoas jurídicas de direito público e as organizações não governamentais


responderão pelos danos que seus agentes causarem às crianças e aos
adolescentes, caracterizado o descumprimento dos princípios norteadores das
atividades de proteção específica.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO

As medidas de proteção são aquelas que visam evitar ou afastar perigo ou a


lesão à criança e ao adolescente; podendo ter viés preventivo ou reparador.
Difere das medidas socioeducativas aplicadas aos adolescentes que praticam ato
infracional. Quais são as situações de risco? Todas as hipóteses em que os
direitos estão ameaçados ou violados, sendo os agentes (causadores) aqueles
descritos no art. 98:
I.- por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II.- por falta (morte, abandono, ausencia), omissão ou abuso dos pais
ou responsável;
III - em razão de sua conduta (ex: menor envolvido com drogas).
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
As medidas de proteção podem ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa (art. 99)
e estão elencadas, de forma exemplificativa, no art. 101:
I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de
responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III.- matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino
fundamental;
IV.- inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao
adolescente;
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar
ou ambulatorial;
VI.- inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a
alcoólatras e toxicômanos;
VII.- acolhimento institucional;
VIII.- inclusão em programa de acolhimento
familiar;
IX - colocação em família substituta.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO

O cumprimento das medidas de proteção é feito pelo Conselho Tutelar (art. 136, inc. I),
e serão acompanhadas da regularização do registro civil (art. 102).

A competência é da Justiça da Infância e Juventude (art. 148, § único) quando


caracterizada a situação de risco.

O art. 100, parágrafo único apresenta um rol de 12 princípios pertinentes à aplicações


das medidas de proteção, transmitindo valores, mandados de otimização que devem
permear todo o sistema jurídico relativo à criança e ao adolescente.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Art. 100, parágrafo único (...)
I - condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos;
II - proteção integral e prioritária;
III.- responsabilidade primária e solidária do poder público;
IV.- interesse superior da criança e do adolescente;
V – privacidade;
VI.- intervenção precoce;
VII.- intervenção mínima;
VIII.- proporcionalidade e atualidade;
IX - responsabilidade parental;
X.- prevalência da família;
XI.- obrigatoriedade da informação;
XII - oitiva obrigatória e participação;
ATO INFRACIONAL

O direito infracional no Brasil possui 03 fases distintas:


1ª → doutrina do direito penal do menor (início do século XIX ao início do século XX) →
menores entre 07 e 18 anos possuíam direito a uma diminuição de 1/3 da pena
2ª → doutrina da situação irregular (de 1927 a 1990) → se pautava pela imposição do medo e
da solução dos problemas sociais pela internação
3ª → doutrina da proteção integral (com a vigencia do ECA) → se baseia em 02 pilares: o
reconhecimento do adolescente como pessoa em desenvolvimento e do princípio do melhor
interesse.
Crime = fato típico + antijurídico + culpável
Uma pessoa inimputável não comete crime (não é culpável), sendo o menor de 18 anos
inimputável de acordo com o art. 228 da CF, art. 27 do CP e art. 104 do ECA.
A criança ou o adolescente não pratica delito ou crime, mas ato infracional análogo (equiparado).
ATO INFRACIONAL
Ato infracional = conduta da criança e do adolescente descrita como crime ou como
contravenção (art.103).

O ECA e o CP adotam o princípio da atividade: considerando praticado o ato infracional/crime


no momento da ação ou da omissão, ainda que outro seja o resultado (art. 104).
O que interessa é a idade do jovem na data que comete o ato infracional.
Quanto ao lugar do ato infracional adota-se a teoria da ubiquidade: considera-se praticado
em território brasileiro o ato infracional no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou
em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir o resultado.
O adolescente está sujeito às medidas previstas no ECA (art. 104 c/c art. 112).
A criança infratora é penalmente inimputável (art. 228, CF) e irresponsável diante do ECA,
recebendo apenas medidas de proteção (art. 105 c/c art. 101) aplicadas pelo CT.
ATO INFRACIONAL
Pessoa Legislação Ato praticado Medida
Criança (até 12 anos ECA Ato infracional De proteção
incompl.)
Adolescente (de 12 a 18 ECA Ato infracional De proteção e
incomp.) sócioeducativas
Maior (18 anos completos) CP, CPP e Leis Penais Crime ou contravenção Pena privativa de liberdade,
Extravag. restritiva e direitos e multa.

Art. 228 CF-88. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação
especial

Art. 227 ECA. Os crimes definidos nesta Lei são de ação pública incondicionada.
DIREITO INDIVIDUAIS

Os art. 106 a 109 trazem os direito individuais, as garantias ao adolescente, dentre elas:
-Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por
ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente (art. 106): não cabe prisão
preventiva ou temporária ou custódia para averiguações;
-O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis por sua apreensão, devendo ser
informado acerca de seus direitos (art. 106. parágrafo único);
-A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontre recolhido serão incontinenti
comunicados à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele
indicada; examinar-se-á, desde logo e sob pena de responsabilidade, a possibilidade de liberação
imediata (art. 107): não está submetido ao pagamento de fiança;
DIREITO INDIVIDUAIS

-É possível a internação provisória, por prazo não superior a quarenta e cinco dias, devendo a
decisão que a decretar fundamentar-se em indícios suficientes de autoria e materialidade,
demonstrada a sua necessidade (art. 108): prazo para finalização do procedimento de
sindicancia para aplicação da medida socioeducativa;
-O adolescente civilmente identificado não será submetido à identificação, salvo para
confrontação quando há dúvida fundada (art. 109).
Se ocorrer a custódia do menor por + de 45 dias? Há 02 posições: a 1ª leva a liberação do
adolescente por constrangimento ilegal (STJ – HC 131.770/RS); e a 2ª não leva a liberação,
desde que constatada a periculosidade do adolescente.
GARANTIAS PROCESSUAIS

Os artigos 110 e 111estabelecem as garantias processuais (de forma exemplificativa) que o


adolescente goza no curso do processo de apuração do ato infracional:
- Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal;
- Pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio
equivalente;
-Igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir
todas as provas necessárias à sua defesa;
-Defesa técnica por advogado (causa nulidade a aceitação do fato com pedido de aplicação da
medida de internação);
- Assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;
- Direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente;
- Direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedimento.
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

“É o modo legal de responsabilização do adolescente autor de ato infracional, com o significado


de evidenciar a inadequação de uma determinada conduta penal e destinado a prevenir a prática
de novas infrações e propiciar a adequada inserção social e familiar, através da adesão voluntária
ao fazer incidir vivências pedagógicas correspondentes às necessidades do infrator” (Afonso A.
Konzen).
É a responsabilização sócio-educativa do adolescente infrator.
São medidas sócio-educativas (art. 112 do ECA):
Advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade
assistida, inserção em regime de semiliberdade e internação em estabelecimento educacional e
qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
Para aplicação de medida socioeducativa, o juiz deve obervar um série de características e
requisitos do ECA:
-capacidade do adolescente de cumprir
-as circunstancias
-a gravidade do ato praticado.

É vedada a prestação de trabalhos forçados.


Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental não tem a mesma capacidade de
compreensão dos demais, por isso a medida não pode ser a mesma dos demais.
É possível a cumulação de medidas socioeducativas e de proteção a um adolescente.

As medidas podem ser substituídas a qualquer tempo, devendo dar oportunidade do adolescente
e seu defensor manifestarem acerca da pertinência e adequação da substituição.
MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS
O art. 114 estabelece que a aplicação de medidas socioeducativas demanda comprovação
de autoria e materialidade, sendo do MP esta incumbência na sua representação.

A confissão isolada do adolescente é condição


insuficiente paraa imposição de medida socioeducativa.
Após a oitiva do adolescente, da produção de provas e de alegações finais, então o juiz
poderá impor ao adolescente o cumprimento de medida socioeducativa, salvo no caso de
remissão e advertência.

A idade máxima para o cumprimento de medida socioeducativa é 21 anos.

Critérios para o juiz escolher a medida:


-gravidade do delito
-primariedade ou não do adolescente
-vinculação com a família natural ou extensa
ADVERTÊNCIA

Consiste em admoestação verbal, em audiência admonitória, que será reduzida a termo e


assinada (art. 115).

O parágrafo único do art. 114 prevê a possibilidade de se aplicar advertência só com a


prova da materialidade e indícios suficientes da autoria.

Porém, o entendimento predominante é que deve existir a prova tanto da materialidade


quanto da autoria, até por se tratar de sanção.

É medida altamente pedagógica.


OBRIGAÇÃO DE REPARAR DANO
Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade judiciária poderá
determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano,
ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima (art. 116).
Medida com pouca aplicação, visto que adolescente abaixo de 14 anos não pode trabalhar.
Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada.

O ECA não prevê a responsabilidade civil dos pais ou responsáveis pelo ato infracional do
adolescente. O CC/2002 prevê no art. 933 tal responsabilidade independente de culpa.
O STJ reiterou entendimento de que ambos os genitores, inclusive o que não detém a guarda,
são responsáveis (Resp 777.327/RS)
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS À COMUNIDADE

Consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, em entidades assistenciais,


hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas
comunitários ou governamentais (art. 117).
Carga horária: 8 horas semanais, inclusive aos sábados, domingos e feriados, de modo
que se compatibilize com os estudos e com a jornada normal de trabalho do socioeducando.
Tempo máximo: 6 meses.
Proposta pedagógica: as tarefas serão atribuídas de acordo com as aptidões do adolescente,
podendo este se recusar a cumpri-las, caso não seja observado esse critério, em face do
que dispõe o § 2º do art. 112 do ECA, que não admite o trabalho forçado.
Não se admite a prestação de serviços a empresas privadas.
O uso de entorpecentes permite a aplicação dessa medida, mas a participação na
comercialização veda a mesma.
É possível aplicação de tal medida para jovem envolvido com jogo do bicho. Não é
possível sua substituição por multa, pois falta previsão legal.
LIBERDADE ASSISTIDA
Consiste no acompanhamento, auxílio e orientação ao adolescente em conflito com a lei,
devendo a autoridade judiciária designar pessoa ( orientador judiciário) idônea e qualificada para
acompanhá-lo (art. 118).
Deve o orientador, dentre outros encargos (art. 119):
-promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os,
se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social;
-supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive,
sua matrícula;
-promover a inserção do adolescente no mercado de trabalho;
-apresentar relatório do caso.
Duração da medida: o prazo mínimo é de seis meses. A lei não fixou o tempo máximo, sendo
este interpretado como o tempo suficiente à inserção familiar e social do adolescente ou até que
ele complete 21 anos de idade (art. 118 do ECA).
Durante a execução da medida, esta pode ser, a qualquer tempo, prorrogada, revogada ou
substituída por outra, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor (art. 118, § 2º do
ECA).
SEMILIBERDADE

É medida de privação de liberdade, em entidade especializada, uma vez que o


adolescente sujeito a ela enfrenta restrição no direito de ir e vir (art. 120). A medida
pode ser aplicada como meio de transição para o meio aberto (progressão) ou como
regime inicial (art. 120 “caput” ECA).
Possibilitada a realização de atividades externas,independentemente de autorização
judicial.
Eles podem trabalhar e estudar durante o dia e recolher-se à noite e nos finais de
semana. Não comporta prazo determinado.
Aplicam-se, no que couber, as diretrizes para a internação (§ 2º, 120 ECA), o que
implica a apresentação do relatório de acompanhamento no prazo máximo de seis
meses e internação por um período que não exceda a três anos, ou ainda, até o jovem
completar 21 anos de idade (§ 2º, 3º e 5º do art. 121 ECA).
INTERNAÇÃO

Prevista nos arts. 121 a 125 do ECA, implica a privação da liberdade do


adolescente, em entidade de atendimento especializada, com proposta
pedagógica obrigatória e com possibilidade de atividades externas, salvo
ordem judicial em contrário.
Condições de aplicabilidade taxativas (art. 122 e §§ do ECA):
-ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência contra a pessoa;
-reiteração no cometimento de outras infrações graves
-descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta
(regressão – art.
122, III, e § 1º do ECA e súmula 265 do STJ).

SÚMULA N. 265 É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a


regressão da medida socioeducativa.
INTERNAÇÃO

São três os princípios que norteiam a aplicação e execução da internação:


1)Brevidade → tempo de internação. Deve ser de, no mínimo, seis meses (§ 2º, art. 121),
e, no máximo, três anos (§ 3º, art. 121). Não comporta prazo indeterminado.
2) Excepcionalidade → “em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra
medida adequada” (§ 2º, art. 122 do ECA).
3) respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento (art. 121 “caput” ECA) → por
essa razão ele deve ficar internado em estabelecimento adequado, exclusivo para
adolescentes, obedecida a rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e
gravidade do ato (arts. 123 e 125 do ECA).

O objetivo é ressocializar e não punir.


INTERNAÇÃO

Pode ser realizada atividade externa, a critério de equipe técnica, que pode ser
vedada expressamente pela autoridade judiciária, bem como revista a qualquer tempo
(art. 121.

Prazos de cumprimento da medida de internação:


-ato infracionalpraticado com violência ou grave ameaça ou reiteraçãono cometimento
de infrações graves = 03 anos
-descumprimento reiterado de medida anterior (regressão) = máximo de 03 meses
decretada judicialmente (art. 122, §1º)
Reavaliação da medida, no máximo, a cada 06
meses. Liberação compulsória aos 21 anos.
INTERNAÇÃO
São direitos do adolescente privado de liberdade (art. 124 do ECA): -ser entrevistado,
pessoalmente, pelo representante do Ministério Público;
-peticionar diretamente a qualquer autoridade;
-avistar-se reservadamente com seu defensor;
-ser informado de sua situação processual, sempre que solicitado;
-ser tratado com respeito e dignidade;
-permanecer internado na localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou
responsável;
-receber visitas, ao menos semanalmente;
-corresponder-se com os seus familiares e amigos;
-ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal;
-habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade;
-receber escolarização e profissionalização;
INTERNAÇÃO
-realizar atividades culturais, esportivas e de lazer;
-ter acesso aos meios de comunicação social;
-receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o
deseje;
-manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para
guardá-los, recebendo
comprovante daqueles que porventura depositados em poder da entidade;
-receber, quando de sua desinternação, os
documentos pessoais indispensáveis à vida em
sociedade.

Em nenhuma hipótese haverá incomunicabilidade, podendo a autoridade


judiciária suspender, temporariamente, a visita de parentes e amigos, em
decisão fundamentada (§§ 1º e 2º do art. 124 do ECA).
REMISSÃO
Trata-se de uma espécie de perdão
prevista no ECA. São 02 as modalidade:
a)promovida pelo órgão do Ministério Público, antes da propositura da ação
judicial, como forma de exclusão do processo (art. 126 do ECA), podendo
incluir, eventualmente, qualquer das medidas prevista no estatuto, exceto as
de privação de liberdade (art. 127 do ECA).
b)iniciado o procedimento, a remissão será concedida pela autoridade
judiciária (parágrafo único do art. 126 e § 1º do art. 186 do ECA), como forma
de extinção ou suspensão do processo, em qualquer fase do processo antes
da sentença.
A medida aplicada por força da remissão pode ser revista, a qualquer tempo,
mediante pedido expresso do adolescente ou de seu representante legal, ou
do Ministério Público (art. 128 do ECA).
REMISSÃO

Características da Remissão:

-não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da


responsabilidade
-não prevalece para efeito de antecedentes
-pode ser cumulada com medidas de proteção e socioeducativas (exceto
semiliberdade e
internação), devendo passar pelo crivo da autoridade judiciária
-o juiz pode discordar da remissão dada pelo MP e encaminhar ao PGJ, a
quem cabe a decisão final sobre a remissão
-cabe apelação contra a decisão que concede ou denega a remissão.
MEDIDA APLICÁVEIS AOS PAIS OU RESPONSÁVEIS
O art. 129 do ECA prevê as medidas aplicáveis aos genitores:
I.- encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
II.- inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a
alcoólatras e toxicômanos;
III.- encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
IV.- encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
V.- obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e
aproveitamento escolar;
VI.- obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;
VII.- advertência;
VIII.- perda da
guarda; IX -
destituição da tutela;
X - suspensão ou destituição do poder familiar.
MEDIDA APLICÁVEIS AOS PAIS OU RESPONSÁVEIS

Não se pode aplicar medida ao pais em procedimento de apuração de ato


infracional do filho, pois não são partes no processo.

O afastamento do genitor da moradia comum poderá ocorrer por determinação


da autoridade judiciária quando verificado maus-tratos (definido no art. 136 do
CP), opressão ou abuso sexual (art. 130).

Na medida cautelar de afastamento do lar constará, ainda, a fixação provisória


dos alimentos de que necessitem a criança ou o adolescente dependentes do
agressor.
APURAÇÃO DE ATO INFRACIONAL

Os artigos. 171 a 190 estabelecem o procedimento a ser seguido quando um adolescente pratica
ato infracional.

São aplicáveis os princípios processuais constitucionais, como contraditório, ampla defesa,


devido processo legal e duração razoável do processo.

O ECA elenca um rol de direitos individuais (art. 106 a 109) e garantias processuais dos
adolescentes infratores (art. 110 e 111).

A apreensão de um adolescente pode ocorrer em duas situações:


-Cumprimento de ordem judicial = o adolescente será encaminhado à autoridade judiciária (art.
171)
-Flagrante de ato infracional = o adolescente será encaminhado à autoridade policial (art. 172)
FASE POLICIAL
Flagrante de Ato Infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa (art. 172 e
173):
1. Lavrar AUTO DO APREENSÃO, ouvidos testemunhas e adolescente; (IP)
2. Apreender o produto do Ato infracional;
3. Requisitar exames ou perícias necessárias a comprovação da materialidade e autoria da
infração;
4. Comunicar a autoridade judiciária competente e a família ou pessoa por ele indicada;
5. Informar dos direitos;
6. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto de apreensão pode ser substituído
por Boletim de Ocorrência Circunstanciado;
7. Encaminhamento ao MP.
FASE POLICIAL
➢Em caso de não liberação: encaminhar ao MP no prazo máximo de 24h (art. 175), juntamente
com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência. Não havendo Delegacia Especializada
na localidade nem entidade de atendimento: Apreensão pela autoridade policial em
dependências separadas da destinada a imputáveis.
➢ Em caso de liberação: comparecimento dos pais ou responsáveis, assinatura de termo de
compromisso para se apresentar ao MP no mesmo dia ou dia seguinte.

• Comparecimento dos pais


Liberação
• Termo de Compromisso

Privação de • Encaminhamento ao Ministério


Liberdade Público, max. 24h
FASE MINISTERIAL
O adolescente sempre será apresentado ao MP, seja levado pelos seus pais ou pela autoridade
policial ou pela entidade de atendimento.
1. Oitiva informal do adolescente, pais ou responsável, vitima e testemunhas – objetivo de
formar a convicção acerca co ato infracional, suas circunstancias e desdobramentos. O MP
também se vale do auto de apreensão, BOC ou IP, antecedentes e autuação do cartório
judiciário (art. 179);
2. Providências – possíveis medidas do MP (art. 180)
• Arquivamento → verificado que não ocorreu ato infracional ou não caracteriza
ato infracional ou o adolescente não praticou tal ato;
• Remissão → verificada a ocorrência do ato infracional praticado pelo adolescente, opta
por não instaurar
processo, tendo em vista as circunstancias do fato, a personalidade do adolescente, seu
contexto familiar e
sua participação no ato;
• Representação → à autoridade judiciária para aplicação de medida socio-educativa.
FASE MINISTERIAL

Tanto no caso de arquivamento quanto de remissão o MP deve fundamentar seu pedido e


encaminhá-lo à autoridade judiciária que:
1. Faz a Homologação judicial
2. Não se convence das razões do MP – não faz homologação – remete autos ao Procurador
Geral de Justiça, que
pode:
• Designa outro membro do MP para apresenta ou ratifica o arquivamento ou remissão
• Quando ratifica, vincula a autoridade judiciária, que fica obrigada a homologar
• Designa outro membro do MP para apresenta ou ratifica o arquivamento ou remissão
• Quando ratifica, vincula a autoridade judiciária, que fica obrigada a homologar
FASE MINISTERIAL

No caso de oferecer REPRESENTAÇÃO → via petição que propõe instauração


de procedimento, que equivale à denuncia e deve conter:
• Resumo dos fatos
• Classificação dos atos infracionais
• Rol de testemunhas
• Independe de prova pré-constituída

Se o adolescente estiver apreendido em flagrante, o MP pode pedir que sua


internação seja mantida; e se estiver solto é possível pedir a decretação de sua
apreensão provisória.
FASE JUDICIAL
Se ADOLESCENTE INTERNADO PROVISORIAMENTE → 45 dias para conclusão procedimento,
sendo prazo máximo e improrrogável (art. 183). Esgotado tal prazo: colocar em liberdade
imediatamente
PROCEDIMENTO JUDICIAL:
1. Recebida a representação é decidido, pela manutenção ou não da
internação provisória –
Decisão Interlocutória
2. Aprazada audiência de apresentação
3. Citação aos pais e adolescentes, da representação e da audiência
4. Audiência de apresentação
5. Audiência de Continuação, se necessário
FASE JUDICIAL
A AUDIÊNCIA DE APRESENTAÇÃO é ato processual realizado no início do procedimento, em que
o adolescente é ouvido e se manifesta acerca do ato infracional que lhe atribui o MP.
Providencias para realizar a audiência de apresentação:

Situação Consequencia
Adolescente em liberdade não é Expedição de mandado de busca e
encontrado para citação apreensão e sobrestamento do feito
Adolescente internado Sua apresentação é requisitada à
entidade de atendimento
Adolescente é citado, mas não Codução coercitiva
comparece
Pais ou responsável não encontrados ou Designação de curador especial para
não comparecem acompanhar o adolescente na audiencia
FASE JUDICIAL
O ECA não estabelece como deve ser realizada a oitiva do adolescente, deve-
se usar os art. 185 a 196 do CPP.
É direito do adolescente reunir-se separadamente com seu advogado ou
defensor público, permanecer calado (não significa confissão nem
prejudica sua defesa).
O Promotor e defensor/advogado podem fazer perguntas ao adolescente.
Os pais ou responsável podem ser ouvidos. Pode ser determinada a
elaboração de estudos e pareceres sociais ou psicológicos.
➢ Defesa Prévia → Antes da audiência de Continuação: prazo de 3 dias após a
audiência de
Apresentação, oferecerá defesa e rol de testemunhas.
➢ Juntada ao processo de:
•Diligências
•Relatório de equipe interprofissional
CONSELHO TUTELAR

Art. 131. O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não


jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos
direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei.

Os recursos para o seu funcionamento devem constar em lei orçamentária

municipal. Decisões: não precisam ser homologadas pelo Judiciário.

Revisão: as decisões podem ser apreciadas pelo Judiciário.

O Conselho de Direitos é órgão deliberativo de formulação de política públicas, não é


de execução. Função de interesse público não remunerado, nas 03 esferas: UNIÃO,
ESTADO e MUNICÍPIO.
CONSELHO TUTELAR
Em cada Município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal haverá,
no mínimo, 01 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante da administração
pública local:
-Composto de 05 (cinco) membros,
- Escolhido pela população local, para mandato de 04 (quatro) anos,
-Permitida a livre recondução, mediante novo processo de
escolha. O processo de escolha é uma forma de envolver a comunidade no
debate sobre a defesa/ promoção dos direitos da criança/ adolescente e
aproximá-la dos membros do Conselho Tutelar.
O processo é regido pelo Conselho Municipal de Direitos, fiscalizado pelo MP.
- O CONANDA recomenda, preferencialmente, a criação de um Conselho Tutelar
a cada 100 mil
habitantes (art. 3º §1º da Resolução CONANDA nº 170/2014).
CONSELHO TUTELAR

Requisitos para o cargo: tem que residir no município, idade maior que 21
anos, reconhecida idoneidade moral. (art. 133)
Impedimentos: marido e mulher, ascendentes e descendentes, padrasto ou
madrasta e enteado, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhado, tio e sobrinho,
se estende em relação ao MP e juiz (art. 140).
Competência: a mesma competência territorial do juiz da infância e
juventude = Local da residência dos pais ou responsáveis, ou onde se
encontra a criança quando não se encontra os pais. (art. 138)
As decisões do CT podem ser revistas pela autoridade judiciária (art. 137) a
pedido de quem tenha interesse, sendo cabível apelação.
CONSELHO TUTELAR
Art. 134. Lei municipal ou distrital disporá sobre o local, dia e horário de funcionamento do Conselho
Tutelar, inclusive quanto à remuneração dos respectivos membros, aos quais é assegurado o direito a:
I - cobertura previdenciária ;
II - gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de 1/3 (um terço) do valor da remuneração mensal;
III - licença-maternidade;
IV - licença-paternidade;
V - gratificação natalina .

Parágrafo único. Constará da lei orçamentária municipal e da do Distrito Federal previsão dos recursos
necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar e à remuneração e formação continuada dos conselheiros
tutelares.

Art. 135. O exercício efetivo da função de conselheiro constituirá serviço público relevante e estabelecerá
presunção de idoneidade moral.
CONSELHO TUTELAR

Art. 139. O processo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar será
estabelecido em lei municipal e realizado sob a responsabilidade do Conselho
Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a fiscalização do
Ministério Público.
§ 1 o O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar ocorrerá em data
unificada em todo o território nacional a cada 4 (quatro) anos, no primeiro
domingo do mês de outubro do ano subsequente ao da eleição presidencial.
§ 2 o A posse dos conselheiros tutelares ocorrerá no dia 10 de janeiro do ano
subsequente ao processo de escolha.
§ 3 o No processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, é vedado ao
candidato doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor bem ou vantagem
pessoal de qualquer natureza, inclusive brindes de pequeno valor.
ATENDIMENTO
CONSELHO TUTELAR
Atribuições do CT: (art. 136)
I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as
medidas previstas no art. 101, I a VII;
CONSELHO TUTELAR

II.- atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no


art. 129, I a VII;
III.- promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
a)requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social,
previdência, trabalho e segurança;
b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento
injustificado de suas
deliberações.
IV.- encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração
administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
V.- encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
VI.- providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as
previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional; (medidas
específicas de proteção) VII - expedir notificações;
CONSELHO TUTELAR
Atribuições do CT: (art. 136)
VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando
necessário;
IX.- assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e
programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
X.- representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no
art. 220, § 3º, inciso II, da CF. Art. 220. (…) § 3º - Compete à Lei Federal:II - estabelecer os meios
legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou
programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da
propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
XI.- representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar,
após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural.
XII.- promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divulgação e
treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescentes.
Parágrafo único. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o
afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe
informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o
apoio e a promoção social da família.
JUSTIÇA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE
Os Estados e DF podem criar VIJ (art. 145), cabendo ao Poder Judiciário
estabelecer sua proporcionalidade por número de habitantes.
O juiz da VIJ é o juiz natural para tratar das matérias do art. 148.

A competência territorial da VIJ será (art. 147):


-Domicílio dos pais ou responsável
-Lugar onde se encontre a criança ou adolescente, na falta dos pais ou responsável
-Local da ação ou omissão em caso de ato infracional.
-Sede estadual da emissora ou rede, em caso de transmissão simultânea de rádio
ou tv que atinja mais de uma comarca.
JUSTIÇA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE
A competência material da VIJ será (art. 148):
I.- conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração
de ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis;
II.- conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo;
III.- conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes;
IV.- conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos
afetos à criança e ao adolescente, observado o disposto no art. 209;
V.- conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento,
aplicando as medidas cabíveis;
VI.- aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à
criança ou adolescente;
VII.- conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando as medidas cabíveis.
JUSTIÇA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE
A competência material em caso de situação de risco (art. 148, § único):
a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
b)conhecer de ações de destituição do pátrio poder poder familiar, perda ou
modificação da tutela ou guarda;
c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;
d)conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao
exercício do pátrio poder poder familiar;
e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais;
f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou
de outros
procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou
adolescente;
g) conhecer de ações de alimentos;
h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento
e óbito.
JUSTIÇA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE
A competência da autoridade judiciária disciplinar a presença do jovem em eventos, por meio
de portaria, ou autorizar por meio de alvará (art. 149):
I - a entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou
responsável, em:
a) estádio, ginásio e campo desportivo;
b) bailes ou promoções dançantes;
c) boate ou congêneres;
d) casa que explore comercialmente diversões eletrônicas;
e) estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e televisão.

II - a participação de criança e adolescente em (ainda que acompanhado dos pais):


a) espetáculos públicos e seus ensaios;
b) certames de beleza.
JUSTIÇA DA INFÂNCIA E JUVENTUDE
A inobservância da norma do art. 149 caracteriza infração administrativa prevista no
art. 258 do ECA.
Critérios que o juiz utiliza para permitir a presença do jovem em eventos:
a) os princípios desta Lei;
b) as peculiaridades locais;
c) a existência de instalações adequadas;
d) o tipo de freqüência habitual ao local;
e) a adequação do ambiente a eventual participação ou freqüência de crianças e
adolescentes;
f) a natureza do espetáculo.
Delegação de cumprimento de medidas: é possível o cumprimento de medidas
socioeducativas e de proteção em local diverso em que foi praticado o ato infracional.
SÚMULAS - Súmulas importantes para o estudo do ECA.
A. Súmula 74 STJ: para efeitos penais o reconhecimento da menoridade do
réu requer prova por documento hábil.
B.Súmula 108 STJ: a aplicação de medida socioeducativa ao adolescente pela
pratica de ato infracional é da competência exclusiva do juiz.
C.Súmula 265 STJ: é necessária a oitiva do menorinfrator
antes de decretar-se a regressão da medida socioeducativa.
D.Súmula 338 STJ: a prescrição penal é aplicada nas medidas socioeducativas.
E.Súmula 342 STJ: no procedimento de medida socioeducativa é nula a
desistência de outras provas em face da confissão do adolescente.
SÚMULAS

F.Súmula vinculante nº11(Uso de algemas): só é licito o uso de algemas em caso de


resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia,
por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil, e penal do agente.
G.Súmula 705 STF: a Renúncia do réu ao Direito de Apelação, manifestada sem a
assistência do defensor, não impede o conhecimento da apelação por este interposta.
H.Súmula 718 STF: a opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não
constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o permitido
segundo a pena aplicada.
I. Súmula 492 STJ: o ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente.
J. Súmula 149 STF: É imprescritível a ação de investigação de paternidade, mas não o é
a de petição de herança.
K. Súmula 500 STJ: A corrupção de menores, prevista no art. 244b do ECA, é delito formal.

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