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Cuidados Pós-Parto: Guia Completo para Saúde

O documento aborda cuidados pós-parto, incluindo alterações fisiológicas, complicações comuns e recomendações para cuidados de rotina. Destaca a importância do monitoramento das pacientes nas primeiras semanas após o parto, bem como orientações sobre controle da dor, função urinária e intestinal, e contracepção. Além disso, fornece diretrizes sobre amamentação e atividade sexual após o parto.
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Cuidados Pós-Parto: Guia Completo para Saúde

O documento aborda cuidados pós-parto, incluindo alterações fisiológicas, complicações comuns e recomendações para cuidados de rotina. Destaca a importância do monitoramento das pacientes nas primeiras semanas após o parto, bem como orientações sobre controle da dor, função urinária e intestinal, e contracepção. Além disso, fornece diretrizes sobre amamentação e atividade sexual após o parto.
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PROFISSIONAL/GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA/CUIDADOS PÓS-PARTO E DISTÚRBIOS


ASSOCIADOS/CUIDADOS APÓS O PARTO

Cuidados após o parto

PorJulie S. Moldenhauer, MD, Children's Hospital of Philadelphia

Revisado/Corrigido: abr. 2024

VISÃO EDUCAÇÃO PARA O PACIENTE

Alterações fisiológicas pós-parto

Cuidados de rotina pós-parto

Cuidados preventivos pós-parto

Complicações pós-parto

As manifestações clínicas durante o puerpério (período de 6 semanas após o parto) geralmente


refletem a reversão das modificações fisiológicas que ocorreram na gestação (ver tabela Mudanças
pós-parto normais). Quando as pacientes procuram atendimento médico durante o período pós-
parto, essas alterações devem ser consideradas juntamente com questões que não estão
relacionadas à gestação.

As complicações mais comuns são

Hemorragia pós-parto imediata (primária) ou tardia (secundário)

Endometrite pós-parto

Infecção ou deiscência da ferida

Infecções do trato urinário (cistite e pielonefrite)

Mastite

Depressão pós-parto

Distúrbios hipertensivos pós-parto (pré-eclâmpsia pós-parto ou hipertensão pós-parto)

Alterações fisiológicas pós-parto

Parâmetros clínicos

Nas primeiras 24 horas após o parto, a frequência de pulso começa a diminuir e a temperatura pode
estar ligeiramente elevada.

A corrimento vaginal é grosseiramente sanguinolenta (lóquios rubros) por 3 a 4 dias, então, no


decorrer de 10 a 12 dias, torna-se castanho-clara (lóquios serosos) e, finalmente, branco-amarelada
(lóquios brancos).
Cerca de 1 ou 2 semanas após o parto, a cicatriz do local placentário desprende-se e o sangramento
ocorre; o sangramento geralmente é autolimitado. A perda sanguínea total é de aproximadamente
250 mL. Absorventes externos podem ser utilizados; para evitar infecção, a maioria dos médicos
desaconselha o uso de tampões. As mulheres devem ser orientadas a entrar em contato com o
médico se estiverem preocupadas com sangramento intenso ou prolongado (hemorragia pós-parto
tardia). Esses sintomas podem ser um sinal de infecção ou retenção placentária e devem ser
avaliados.

O útero involui progressivamente; após 5 a 7 dias, está firme e não mais sensível, com o fundo do
útero localizado entre a sínfise e o umbigo. Com 2 semanas, não é mais palpável pelo abdome e,
tipicamente, com 4 a 6 semanas retorna ao tamanho natural de antes da gestação. Nos primeiros
dias pós-parto, as contrações uterinas relacionadas ao processo de involução podem ser dolorosas
(dores pós-parto) e podem exigir analgésicos.

Parâmetros laboratoriais

Durante a primeira semana, o volume de urina aumenta temporariamente e torna-se mais diluído à
medida que o volume plasmático adicional da gravidez é excretado. Deve-se ter cuidado na
interpretação dos resultados da análise de urina, os lóquios podem contaminar a urina.

Como o volume sanguíneo é redistribuído, o Hct pode flutuar, embora com tendência a se manter
nos níveis pré-gestacionais, se a perda de sangue estiver dentro dos limites normais. Como a
contagem de leucócitos aumenta durante o trabalho de parto, a leucocitose marcada (até 20.000 a
30.000/mcL) ocorre nas primeiras 24 horas após o parto; a contagem de leucócitos retorna ao
normal em 1 semana. O fibrinogênio plasmático e a velocidade de hemossedimentação (VHS) se
mantêm elevados na primeira semana pós-parto.

TABELA

Mudanças pós-parto normais

Cuidados de rotina pós-parto

A mulher e o recém-nascido podem receber alta hospitalar em 24 a 48 horas após o parto. Alguns
centros obstétricos dão alta 6 horas após o parto se nenhum procedimento anestésico foi utilizado e
nenhuma complicação ocorreu.

Problemas graves são raros, mas uma visita domiciliar, no consultório ou um telefonema em 24 a 48
horas ajuda a monitorar complicações. Uma rotina de visita pós-parto é geralmente agendada para
3-8 semanas, para mulheres com um parto vaginal sem complicações. Se o parto foi cesárea ou
ocorreram outras complicações, o acompanhamento deve ser agendado para breve (1).

Cuidado perineal

Caso o parto não tenha apresentado complicações, o banho está autorizado, mas as duchas vaginais
estão proibidas (duchas não são recomendadas para nenhuma mulher, independentemente da
gestação). A vulva deve ser limpa de frente para trás. Algumas pacientes acham útil utilizar uma
garrafa com um bico para esguichar água morna no períneo.

Imediatamente após o parto, bolsas de gelo podem auxiliar na redução da dor e do edema no local
da episiotomia ou reparo das lacerações; às vezes, spray ou creme de lidocaína pode ser utilizado
para aliviar os sintomas.

Mais tarde, banhos de assento quentes podem ser utilizados várias vezes ao dia.

Tratamento de feridas cesarianas

Após a cesárea, aspacientes devem receber cuidados e monitoramento padrão.

Em geral, o curativo é removido em 1 a 2 dias após a cirurgia. As pacientes podem tomar banho após
a remoção do curativo, mas geralmente são aconselhados a adiar a imersão em banho até que a
ferida esteja totalmente cicatrizada. Se grampos cirúrgicos foram utilizados para o fechamento da
ferida e a incisão na pele é transversal, os grampos podem ser removidos após 4 a 6 dias. As
pacientes devem ser aconselhadas a entrar em contato com seu médico se houver sinais de infecção
da ferida (eritema, enduração, corrimento purulento, febre) ou deiscência (separação da ferida,
corrimento serossanguinolento).

Controle da dor

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINE) são eficazes tanto para o desconforto perineal como
para as cólicas uterinas (2). Paracetamol também pode ser utilizado. Paracetamol e ibuprofeno são
considerados seguros durante a amamentação quando tomados nas doses habituais recomendadas.

Após cesárea ou reparo de laceração perineal significativa, AINEs ou paracetamol podem ser
administrados. O uso de paracetamol IV reduz a necessidade de opioides (3). Algumas mulheres
necessitam de opioides para a aliviar o desconforto; deve-se utilizar a menor dose eficaz.
Se a dor se intensificar significativamente, deve-se avaliar nas mulheres complicações como
hematoma vulvar ou complicações pós-cesárea.

Função urinária e intestinal

Retenção de urina e sobredistensão vesical devem ser evitadas, se possível. Pode ocorrer diurese
rápida, especialmente depois que a ocitocina é suspensa. O esvaziamento vesical deve ser
estimulado e monitorado para prevenir sobredistensão vesical assintomática. A lesão do nervo
pudendo durante o parto pode causar disfunção vesical, algumas vezes impedindo que a paciente
sinta necessidade de urinar. Massa palpável na região suprapúbica ou elevação anormal do fundo
uterino acima do umbigo sugere sobredistensão vesical. Se ocorrer sobredistensão vesical, a
cateterização é necessária para a melhora dos sintomas e prevenção da disfunção vesical a longo
prazo. Se a hiperdistensão persistir, um catéter de demora ou intermitente pode ser necessário. A
retenção urinária pós-parto geralmente se resolve em 1 a 14 dias.

As pacientes são estimuladas a evacuar antes de deixarem o hospital, embora com a alta hospitalar
precoce essa recomendação seja geralmente impraticável. Muitas mulheres têm obstipação após o
parto, particularmente se tiveram cesárea ou se precisam de opioides para alívio da dor. Caso a
defecação não ocorra dentro de 3 dias, um purgativo leve (p. ex., psílio, docusato, bisacodil) pode
ser administrado. A manutenção de bom funcionamento intestinal pode prevenir ou melhorar
hemorroidas preexistentes, as quais podem ser tratadas com banhos de assento mornos. Mulheres
com reparo extensivo de laceração perineal envolvendo o reto ou o esfíncter anal devem receber
laxantes emolientes (p. ex., docusato) para evitar a obstipação e a necessidade resultante de
esforço, o que sobrecarrega a área reparada.

A anestesia regional (espinal ou peridural) ou geral pode atrasar a defecação e a diurese espontânea,
em parte por retardar a deambulação.

Dieta e atividade física

Após as primeiras 24 horas, o restabelecimento é rápido. Após o parto, uma dieta regular pode ser
dada assim que a paciente desejar. A deambulação é estimulada logo que possível.

As recomendações de exercícios são individualizadas, dependendo do modo de parto, complicações,


lacerações perineais ou episiotomia e presença de outras doenças. Em geral, os exercícios podem
ser iniciados depois que o desconforto do parto (normal ou cesárea) cessou, geralmente em 1 dia
depois de um parto normal e mais tarde depois de um parto cesárea (em geral, 6 semanas) (4). Não
está claro se os exercícios do assoalho pélvico (p. ex., Kegel) são úteis, mas esses exercícios podem
começar tão logo a paciente esteja preparada.

Ingurgitamento mamário

A acumulação de leite pode causar dor pelo ingurgitamento mamário no início da lactação.

Para mulheres que irão amamentar, os seguintes são recomendados até que a produção de leite se
ajuste às necessidades do lactente:

Expelir o leite com a mão em um banho quente ou com o uso de uma bomba de mama entre as
amamentações pode aliviar a pressão temporariamente (entretanto, a tendência é promover a
lactação, então isso deve ser feito somente quando necessário)

Amamentar o lactente de acordo com uma agenda regular

Utilizar um sutiã de amamentação confortável e que ofereça suporte 24 horas por dia

Para mulheres que não irão amamentar, os seguintes são recomendados:

Compressão mamária firme (p. ex., sutiã confortável), bolsas de gelo e analgésicos, controlam os
sintomas temporários, enquanto a lactação é suprimida

A compressão mamária pode suprimir a lactação, porque a gravidade estimula o reflexo da ejeção
do leite e encoraja o seu escoamento

Evitar estimular os mamilos e a ordenha manual, que podem aumentar a lactação

A supressão da lactação com medicamentos não é recomendada nos Estados Unidos, mas esses
medicamentos são utilizados em muitos países (5).
Pacientes que se desenvolvem mastite apresentarão febre e sintomas mamários: eritema,
endurecimento, sensibilidade, dor, edema e calor ao toque. A mastite é diferente da dor e fissuras
dos mamilos que muitas vezes acompanham o início da amamentação.

Atividade sexual

A atividade sexual após o parto vaginal pode ser retomada assim que desejado e confortável e após
a cicatrização de qualquer reparo de laceração ou episiotomia. Deve-se adiar a atividade sexual após
cesárea até a lesão cirúrgica cicatrizar.

Contracepção

Alguns dados sugerem que resultados obstétricos subsequentes são melhores quando a concepção é
postergada por pelo menos 6 meses, mas preferencialmente por 18 meses após o parto (6).

Para minimizar a chance de gestação, mulheres que fazem sexo com homens devem iniciar um
método de contracepção antes de retomar a atividade sexual. Se não são lactantes, a ovulação
normalmente ocorrerá em aproximadamente 4 a 6 semanas após o parto, 2 semanas antes da
primeira menstruação. Entretanto, a ovulação pode ocorrer mais cedo; há mulheres que concebem
em 2 semanas de pós-parto. As mulheres que são amamentadoras tendem a ovular e menstruar
mais tarde, normalmente, próximo ao 6º mês após o parto, embora poucas ovulem e menstruem (e
engravidem) tão rápido quanto aquelas que não são amamentadoras.

As mulheres devem escolher um método contraceptivo baseado nos riscos específicos e benefícios
de várias opções.

O estado de amamentação afeta a escolha do contraceptivo. Para as amamentadoras, métodos não


hormonais são, normalmente, preferidos; entre os métodos hormonais, contraceptivos orais
contendo somente progestina, as injeções de acetato de medroxiprogesterona, ou implantes de
progesterona, são preferidos, por não afetarem a produção de leite. Os contraceptivos de
estrogênio/progestina podem interferir na produção de leite e não devem ser iniciados até que a
produção esteja bem estabelecida. Anéis vaginais com uma combinação de estrogênio-progestina
podem ser utilizados depois de 4 semanas pós-parto, se as mulheres não forem amamentadoras.

Um diafragma só deve ser colocado após a involução completa do útero, em 6 a 8 semanas;


enquanto isso, preservativos e espermicidas devem ser utilizados.
Pode-se inserir dispositivos intrauterinos imediatamente após o parto da placenta, mas a inserção
após 4 a 6 semanas pós-parto minimiza o risco de expulsão.

Mulheres que não desejam fertilidade futura podem escolher esterilização tubária (7). A
esterilização tubária pode ser feita imediatamente após o parto, no momento da cesárea ou após o
pós-parto. Esse procedimento é considerado permanente e irreversível. Como a remoção das tubas
uterinas (salpingectomia) está associada a menor risco de câncer de ovário, as pacientes submetidas
à esterilização tubária devem receber salpingectomia (8).

Referências sobre cuidados de rotina pós-parto

1. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): ACOG Committee Opinion No. 736:
Optimizing Postpartum Care. Obstet Gynecol. 2018;131(5):e140-e150. Reafirmado em 2021.
doi:10.1097/AOG.0000000000002633

2. Pharmacologic Stepwise Multimodal Approach for Postpartum Pain Management: ACOG Clinical
Consensus No. 1. Obstet Gynecol. 2021;138(3):507-517. doi:10.1097/AOG.0000000000004517

3. Altenau B, Crisp CC, Devaiah CG, Lambers DS: Randomized controlled trial of intravenous
acetaminophen for postcesarean delivery pain control. Am J Obstet Gynecol 217 (3):362.e1–362.e6,
2017. doi: 10.1016/[Link].2017.04.030

4. Syed H, Slayman T, DuChene Thoma K: ACOG Committee Opinion No. 804: Physical Activity and
Exercise During Pregnancy and the Postpartum Period. Obstet Gynecol. 2021;137(2):375-376.
Reafirmado em 2023. doi:10.1097/AOG.0000000000004266

5. Drugs and Lactation Database (LactMed®) [Internet]. Bethesda (MD): National Institute of Child
Health and Human Development; 2006-. Cabergolina. [Atualizado 2023 Nov 15].

6. Hutcheon JA, Moskosky S, Ananth CV, et al: Good practices for the design, analysis, and
interpretation of observational studies on birth spacing and perinatal health outcomes [published
correction appears in Paediatr Perinat Epidemiol. 2020 May;34(3):376]. Paediatr Perinat Epidemiol.
2019;33(1):O15-O24. doi:10.1111/ppe.12512
7. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): ACOG Committee Opinion, Number
827: Access to Postpartum Sterilization. Obstet Gynecol. 2021;137(6):e169-e176.
doi:10.1097/AOG.0000000000004381

8. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): ACOG Committee Opinion No. 774:
Opportunistic Salpingectomy as a Strategy for Epithelial Ovarian Cancer Prevention. Obstet Gynecol.
2019;133(4):e279-e284. Reafirmado em 2020. doi:10.1097/AOG.0000000000003164

Cuidados preventivos pós-parto

Durante o período pós-parto, antes da alta hospitalar ou em uma consulta ambulatorial, certas
medidas preventivas são necessárias para prevenir infecção no neonato ou evitar complicações em
gestações subsequentes. A consulta pós-parto também pode ser uma oportunidade para a paciente
receber vacinas de rotina, se indicado.

Prevenção da sensibilização ao Rh

Quando tipo sanguíneo materno for Rh-negativo e a mulher tiver um filho com tipo sanguíneo Rh-
positivo e não estiver sensibilizada, a imunoglobulina Rho(D), 300 mcg, IM é administrada dentro de
72 horas subsequentes ao parto, com o intuito de prevenir a aloimunização.

Vacinação

As vacinas são administradas no pós-parto se

A vacinação foi recomendada, mas não recebida durante a gestação.

Uma paciente não foi vacinada ou não foi adequadamente vacinada ou não é imune (p. ex., não
completou uma série completa de vacinas ou é soronegativa apesar da vacinação prévia), e a vacina
é contraindicada durante a gestação.

A vacina contra tétano-difteria-coqueluche acelular (Tdap) é recomendado entre 27 e 36 semanas de


cada gestação; a vacina Tdap ajuda a aumentar a resposta imunológica materna e a transferência
passiva de anticorpos para o recém-nascido. Se as mulheres ainda não receberam a vacina contra
tétano-difteria-coqueluche (Tdap) (nem durante a gestação atual ou em uma gestação prévia, nem
quanto adolescente ou adulta), deve-se aplicar a Tdap antes da alta do hospital ou da maternidade,
independentemente do status de amamentação. Se os familiares que terão contato com o recém-
nascido ainda não receberam a Tdap, eles devem receber a Tdap pelo menos 2 semanas antes de
entrar em contato com o neonato para estarem imunizados contra a coqueluche (1).

Em agosto de 2023, a Food and Drug Administration dos EUA aprovou o uso de uma vacina contra o
vírus sincicial respiratório (VSR) em gestantes entre 32 e 36 semanas de gestação, com um aviso
para evitar o uso antes de 32 semanas (2). Não há nenhuma recomendação atual para administrar a
vacina VSR pós-parto para mulheres que não a receberam durante a gestação.

A vacina contra sarampo-caxumba-rubéola (SCR) e vacina contra varicela são vacinas vivas
atenuadas e não devem ser administradas durante a gestação. Pacientes soronegativos para
anticorpos contra sarampo, rubéola ou varicela devem ser vacinados no pós-parto (geralmente no
dia da alta).

Uma internação pós-parto ou consulta ambulatorial também oferece uma oportunidade para as
mulheres receberem quaisquer vacinas de rotina (p. ex., influenza, covid-19, hepatite B,
papilomavírus humano) que são recomendados para todas as pacientes ou para certas pacientes
com base nos fatores de risco de infecções específicas.

(Ver também Vaccines During Pregnancy,Guidelines for Vaccinating Pregnant Women, e CDC:
COVID-19 Vaccines While Pregnant or Breastfeeding.)

Referências sobre cuidados preventivos pós-parto

1. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): Committee Opinion No. 718: Update
on Immunization and Pregnancy: Tetanus, Diphtheria, and Pertussis Vaccination. Obstet Gynecol.
2017;130(3):e153-e157. Reafirmado em 2022. doi:10.1097/AOG.0000000000002301

2. U.S. Food and Drug Administration (FDA): FDA Approves First Vaccine for Pregnant Individuals to
Prevent RSV in Infants. FDA News Release, August 21, 2023.

Complicações pós-parto

Risco de infecção, hemorragia e dor precisam ser minimizados. As mulheres são geralmente
observadas por pelo menos 1 a 2 horas após a terceira fase do trabalho de parto e por várias horas
mais se a anestesia regional ou geral foi utilizada durante o parto ou se houve complicações na
gestação ou no parto.
Hemorragia

Hemorragia pós-parto imediata

Minimizar o sangramento é a primeira prioridade; as medidas incluem

Massagem uterina

Geralmente ocitocina parenteral

Às vezes, metilergonovina, misoprostol ou ácido tranexâmico

Durante a primeira hora após a terceira fase do trabalho de parto, o fundo uterino é massageado
periodicamente no abdome para assegurar que se contraia, evitando sangramento excessivo.

Após a separação placentária, a ocitocina 10 unidades, IM ou em infusão diluída de ocitocina (10 ou


20 unidades em 1.000 mL de solução IV em infusão de 125 a 200 mL/hora por 1 a 2 horas),
geralmente garante a contração uterina e reduz a perda sanguínea (1).

Se um sangramento grave persistir, monitoram-se os sinais vitais e se fornece suporte


hemodinâmico com fluidos intravenosos e oxigênio. Um hemograma completo e testes de
coagulação são feitos. Produtos sanguíneos são administrados, se necessário. Os médicos devem
monitorar a paciente para coagulação intravascular disseminada. Se houver febre, administram-se
antibióticos, se apropriado.

Após o parto vaginal, realiza-se um exame uterino interno para verificar a presença de membranas
retidas ou fragmentos placentários. Após cesárea, consideram-se as complicações cirúrgicas.

Tratamento farmacológico adicional pode ser com metilergonovina, misoprostol ou ácido


tranexâmico. Para sangramento que não pode ser controlado com medicamentos, podem-se realizar
procedimentos para diminuir o sangramento (p. ex., balão intrauterino ou tampão, sutura B-Lynch
[comprime o segmento uterino inferior] ou ligadura da artéria hipogástrica). A histerectomia é feita
como último recurso.

(Para informações adicionais, ver Hemorragia pós-parto.)

Hemorragia pós-parto tardia

As pacientes podem apresentar hemorragia pós-parto dias ou semanas após o parto. A hemorragia
pós-parto tardia pode ser causada por produtos retidos da concepção, infecção ou distúrbios de
coagulação. As pacientes devem ser informadas sobre quando entrar em contato com um
profissional de saúde ou ir a uma unidade de pronto atendimento. Uma orientação comum é que as
pacientes devem procurar atendimento médico se estiverem encharcando um absorvente ou
tampão a cada 1 a 2 horas, se coágulos sanguíneos grandes (> 2,5 cm) estão passando e/ou se estão
com a sensação de que vão desmaiar.

Quando as pacientes apresentam sangramento tardio significativo no pós-parto, a história da


gestação recente é revisada, incluindo o modo de parto e quaisquer complicações durante a
gestação ou no parto. A história obstétrica geral e a história clínica também são revisadas,
particularmente quanto aos fatores de risco de doenças hemorrágicas.

As pacientes são avaliadas quanto à presença de hemorragia pós-parto imediata e recebem suporte
hemodinâmico. Para sangramento pós-parto tardio, a exploração manual do útero não é feita. A
ultrassonografia pélvica pode revelar produtos retidos da concepção que requerem evacuação
cirúrgica, uterotônicos ou antibióticos.

Distúrbios hipertensivos

Pré-eclâmpsia pode se desenvolver após o parto. Os sinais e sintomas são semelhantes à pré-
eclâmpsia durante a gestação (hipertensão de início recente) combinada com nova proteinúria
inexplicada e/ou sinais ou sintomas de lesão de órgão-alvo (p. ex., trombocitopenia, disfunção
hepática, insuficiência renal, edema pulmonar, cefaleia, sintomas visuais). As mulheres devem ser
aconselhadas a entrar em contato com seu médico se sentirem esses sintomas pós-parto.

A avaliação é semelhante à realizada durante a gestação, incluindo monitoramento da pressão


arterial e avaliação laboratorial.
Nos casos que atendem os critérios para pré-eclâmpsia grave, as pacientes são hospitalizadas e
tratadas com sulfato de magnésio IV por 24 horas para evitar convulsões.

Infecção

Pacientes com febre ou outros sintomas ou sinais de infecção pós-parto devem ser prontamente
avaliadas e tratadas. Antes da alta hospitalar, as pacientes devem ser orientados sobre como
reconhecer os sintomas da infecção e quando procurar atendimento médico.

Infecções pós-parto podem incluir

Endometrite

Feridas com infecção

Mastite

Infecções do trato urinário (cistite ou pielonefrite)

Colite por Clostridioides difficile (em pacientes que receberam antibióticos durante ou após o
trabalho de parto e o parto)

Endometrite, mastite, e pielonefrite pós-parto são discutidos em detalhes separadamente.

A infecção da ferida nas incisões abdominais pode se desenvolver após cesárea ou esterilização
tubária pós-parto. Reparos perineais também podem ser infectados. Em casos graves, a infecção
pode causar celulite, abscesso, ou fasciite necrosante.

Distúrbios tromboembólicos
Distúrbios tromboembólicos—trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar (EP) — são as
principais causas da mortalidade materna.

A maioria dos trombos associados à gestação desenvolve-se no pós-parto e resulta de trauma


vascular durante o parto (2). O risco de desenvolver um distúrbio tromboembólico aumenta cerca de
6 semanas após o parto. A cesárea também aumenta esse risco. Pacientes pós-parto devem ser
monitorados quanto a sinais e sintomas de tromboembolia e orientados sobre como reconhecer
esses sinais e quando consultar um médico.

Cefaleia após anestesia neuroaxial (cefaleia espinal)

Algumas pacientes apresentam cefaleia decorrente de extravasamento de líquido cefalorraquidiano


pela raquianestesia ou punção da dura durante a anestesia epidural (referida como cefaleia espinal
ou cefaleia pós-punção). A cefaleia é posicional e deve ser diferenciada de outras etiologias (p. ex.,
pré-eclâmpsia).

Cefaleia decorrente de anestesia neuroaxial geralmente se resolve espontaneamente após 1 a 2


semanas e pode ser tratada com repouso e AINEs ou paracetamol; alguns dados sugerem que a
ingestão oral de cafeína ajuda a resolver (3). Se a cefaleia for grave, pode-ser tratá-la com uma placa
de sangue epidural (4).

Complicações do reparo perineal

Mulheres podem desenvolver as seguintes complicações do reparo perineal após laceração perineal
ou episiotomia:

Hematoma

Feridas com infecção

Deiscência da ferida

Dor crônica
Hematoma perineal, vulvar ou vaginal pode ocorrer após o parto vaginal. Essas complicações
normalmente se apresentam como uma massa acompanhada de dor crescente. Hematomas não
expansíveis são tratados conservadoramente com bolsas de gelo e observação. Se um hematoma
estiver em expansão ou houver suspeita de sangramento retroperitoneal, é necessária intervenção
cirúrgica.

Reparos perineais podem se romper ou tornar-se infectados. Nesses casos, a avaliação é feita para
infecção e danos ao esfíncter anal. O tratamento pode incluir antibióticos, desbridamento, re-sutura
e/ou deixar a ferida aberta para cicatrização por segunda intenção.

Algumas mulheres apresentam dor crônica ou dispareunia no local do reparo perineal. O tratamento
de primeira linha é com exercícios musculares do assoalho pélvico. Se os exercícios não forem
eficazes, a paciente deve ser encaminhada a um uroginecologista ou outro ginecologista com
experiência em dor crônica e cirurgia reconstrutiva pélvica.

Transtornos psiquiátricos

Os sintomas da depressão transitória (tristeza pós-parto) são muito comuns na primeira semana
após o parto. Os sintomas (p. ex., alterações no humor, irritabilidade, ansiedade, dificuldade de
concentração, insônia, crises de choro) são geralmente leves e normalmente diminuem em 7 a 10
dias após o parto.

Os médicos devem perguntar às mulheres sobre os sintomas da depressão antes e depois do parto e
devem estar alertas para reconhecê-los, que podem lembrar os efeitos normais da nova
maternidade (p. ex., fadiga, dificuldade de concentração). Eles devem também aconselhar as
mulheres a entrar em contato com eles se os sintomas depressivos continuarem por > 2 semanas ou
se interferirem nas atividades diárias, ou se as mulheres tiveram pensamentos suicidas e homicidas.
Nesses casos, a depressão pós-parto ou outras perturbações psiquiátricas podem estar presentes.
Durante uma consulta abrangente pós-parto, deve-se examinar em todas as mulheres à procura de
transtornos de humor e ansiedade pós-parto utilizando uma ferramenta validada (5).

Deve-se avaliar em pacientes com alucinações, delírios ou comportamento psicótico quanto à


psicose pós-parto. Mulheres com psicose pós-parto talvez precisem ser internadas,
preferencialmente em uma unidade supervisionada que permite que o lactente permaneça com
elas. Medicamentos antipsicóticos pode ser necessários, assim como antidepressivos.
Um transtorno psiquiátrico preexistente, incluindo depressão pós-parto anterior, é mais provável de
recorrer ou piorar durante o puerpério, então as mulheres afetadas devem ser acompanhadas de
perto.

Referências sobre complicações pós-parto

1. Committee on Practice Bulletins-Obstetrics. Practice Bulletin No. 183: Postpartum Hemorrhage.


Obstet Gynecol. 2017;130(4):e168-e186. doi:10.1097/AOG.0000000000002351

2. American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): ACOG Committee on Practice


Bulletins—Obstetrics. ACOG Practice Bulletin No. 196: Thromboembolism in Pregnancy [published
correction appears in Obstet Gynecol. 2018 Oct;132(4):1068]. Obstet Gynecol. 2018;132(1):e1-e17.
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