DIREITO ROMANO – 18/09
O Direito e a Política (conceitos Interconvertiveis) – Para
perceber o direito romano é preciso perceber como é que Roma
se encontra politicamente.
História Política de Roma:
Monarquia
Organizações valorizadas: Rex, Organização GENS, a família
A monarquia romana primitiva classifica-se como uma
comunidade que escolhia (eleição) e investia de forma
ritualizada um dos membros da comunidade em poderes
políticos, religiosos e militares supremos.
Assim, as magistraturas e as instituições republicanas
seriam uma evolução natural da república romana primitiva
sem ruturas.
1. A vida em Sociedade em Roma começa com a Família. A
família em Roma constitui se por um Pater de autoridade –
não depende de laços sanguíneos: A família é a unidade
da base da organização social romana e caracteriza-se
pela união sanguínea entre os seus mebors, ligações
religiosas especcificas ou a sujeição comum a um pode
absoluto
COGNATITIO vs. AGNATITIO
O Poder do Pater controla totalmente a vida dos seus filhos
(exemplo: nenhum deles se pode apresentar em tribunal
sozinho)
2. A Gens: Organização social primitiva que por esta regra
está submetida a um Pater família – Clã (grupos de
famílias).
3. Rex: Governa e desempenha determinadas funções:
o A condução dos exércitos - Chefe Militar
o Intervenção divina- dimensão sagrada, interpreta a
vontade divina: mediador entre Deus e o Romanos-
Denominados auspicia/ augúrios
o Condução dos destinos coletivos, regular as condutas
individuais em termos gerais ou abstratos - realiza
leis: legislar. (Mores Maiorum) Mores: Tradição
Maiorum: Dos antigos
o Símbolos associados à realeza romana: Manto
púrpura, cadeiras do trono
o Os reis romanos eram eleitos pelos Patres patrícios
o Leges Regiae: regras ordenadas pelo rei
o Como é que se chega à rei? (responsabilidade do
Senado)
Eleição - Intercessio. Lex Curiata de
Imperium
Dois grupos sociais em Roma:
-Famílias Patrícias: Aristocracia Romana, têm o poder de
escolher os membros da GENS, exercem as posições mais
relevantes no exército, a cavalaria patrícia domina, exploram as
terras. Os Pater governavam a cidade quando o cargo do rei
estava vago até à eleição de um novo rei. O Pater famílias
tinham poder de participar nas organizações políticas.
- Plebeus: Plebe
-Ter direitos em Roma supõe: Ser livre e cidadão de Roma e
chefe de uma família autónoma.
Vários vínculos jurídicos em Roma:
-Relação de clientela – Porquê? Necessidade da proteção do
Pater família: Existem deveres de lealdade e proteção. Pode ser
voluntário ou não, depende das situações sociais onde se
encontra o “cliente”. Os clientes eram subordinados à Gens
(era a principal fonte de poder destes)
1. Submissão voluntária de um grupo familiar ou político
2. Submissão de um estrangeiro à proteção da Gens
3. Instituto pelo qual um escravo deixava de ser escravo
(Neste modelo, os escravos mesmo que fossem libertados e os
estrangeiros (inimigos- nome em latim hostes) estavam
privados de direitos)
A fidelidade da clientela é muito significante e a violação desta
pode levar à pena de morte. A fidelidade é de natureza
sagrada.
A sociedade romana é profundamente hierarquizada,
estratificada.
Mudanças socias com o Último Rei: Mecanismos de
ascensão social
- Quando a guerra se torna uma realidade é preciso um exército
de qualidade: quem decide a sua participação é a própria
plebe, mas também se querem promover a paz ou a guerra.
- Graças aos Plebeus surge o COMÉRCIO: uma atividade
atrativa, mas igualmente arriscada
- Criação das comitia centuriata (a participação nesta não era
determinada pelo nome de família, mas sim pela quantidade de
bens/património),
Soldados: depende da capacidade económico que era definida
pelo censo, atualiza de 5 em 5 anos.
-Comitia Curiata: participam com base na capacidade de gerar
riqueza e não na origem familiar.
Ordens jurídicas:
Existe uma preferência pela idade, são chamados
“sábios”.
Riqueza + Ancianidade
Senado: (Fundado por Rómulo) Formado exclusivamente por
100 elementos selecionados pelo rei, em que os mais
poderosos (Patrícios) e ricos (Chefes da Gens) aconselham o
rei. Têm autoridade dos “Paters”, dos mais velhos, mas não
pode impor a sua opinião.
O Senado também tem poder de Intercessio, quando o Rei
morre é este que garante estabilidade da cidade. Com isto os
senadores vão optar por escolher um InterRex (costuma durar
5 dias) que vai governar até à atribuição de um novo Rei. O
Senato também intervém no processo de aprovação das leis:
Auctoritas patrum. Quando o Senato emite uma opinião
chama-se um Senato Consultum. Atenção: Os Sacerdotes
Pontífices interpretavam os auspícios na falta do rei até ele
regressar ao Senado A conclusão/ratificação dos tratados
internacionais com a escolha obrigatoriamente do povo.
Funções:
1. Representa a aristocracia romana
2. Combinava auctoritas e consilium
3. Tem competência de ratificar as decisões da plebe
tomadas nos comitia curiata, cobrindo-as ou não com a
sua auctoritas.
4. Interregnum
5. Está encarregue dos tratados internacionais, conselho e
auxílio do rei
Assembleias populares:
HA uma falta de autonomia dos membros que questiona a
autonomia estas assembleias.
As assembleias na monarquia existem para auxiliar o Rex
e o seu poder (concentrado e indiviso)
Comissia Curiata - constituída pelos cidadãos (filhos
família, clientes, Pater famílias) de Roma, desempenhado uma
posição política, que elegem o novo Rei, é a assembleia popular
mais antiga. Os principais ritos sagrados são desenvolvidos
nestas assembleias pois os sacerdotes que as presidam
participavam nestas - dimensão sagrada (sacrifícios rituais).
Ainda aprovam os reis.
o Órgão que reunia todo o populus de Roma (concilia
era so a plebe)
o Vínculos que ligavam os membros eram de via
familiar e de linhagem
o A comitia curiata provavelmente não era um órgão
legislativo porque não tinha competência de aprovar
as leis. As leis vigoravam uma vez que aprovadas
pelo rei.
o No entanto pode se dizer que nestas assembleias se
aprovava o futuro rei de Roma (a segunda votação do
Lex Curiata Imperium- reconhecimento do novo rei
proposto pelo InterRex e dos seus poderes
o As discussões nestas eram propostas pelo
magistrado (não escolhiam os assuntos aqui
tratados, simplesmente aceitavam ou rejeitavam)
o Natureza passiva
o Esta assembleia era importante para as regras
concretizadas no Mores Maiorum e na disciplina de
negócios (entre famílias, submissões a Pater famílias-
base de Roma, por isso é normal que fosse discutido
nas assembleias dos Populus.
Comissia Centuriata - formado pelo povo de roma,
reúnem -se simbolicamente no campo de Marte (Deus da
Guerra): Decidem fazer a guerra ou promover a paz.
Concílio - Os plebeus congregam- se numa assembleia
antiga e defendem os interesses da plebe.
Colégio dos Augures - uma instituição que tem
essencialmente a função de interpretar os sinais dos deuses
independentemente da sua forma. Não é uma instituição
política, mas pode determinar estas decisões. Os augures
conhecem a vontade dos deuses e observam os sinais divinos .
Os deuses dão a conhecer a sua vontade através de sinais aos
que têm potestas - magistrados, Pater famílias
o Auguria: Procurar em todo o tipo de acontecimentos
a vontade dos deuses
o Implicava a possibilidade de uma decisão, o
Augurium permitia que certas decisões fossem
afastadas, mas não visava um facto ou uma decisão
concreta - abrangente. No entanto era mais completo
que o Auspicium porque procurava a vontade divina
e traduzi-la numa ação ou numa omissão- pretendia
densificar as condições para um melhor exercício da
ação humana.
o Livre iniciativa e validade limitada, atos solenes de
autorictas
Diferente de Auspícia: Presságios transmitidos pelo voo das
aves
o Auspicium - fundamental no exercício do poder do
rei, determinava a sua ação e o tempo de executar.
Regulava a oportunidade na efetivação de uma
determinada decisão que na determinação do seu
conteúdo.
o Competência do Pater famílias e dos magistrados,
validade ilimitada, em qualquer lugar Potestas
o Com o tempo a potestas vence a auctoritas
o Auctoritas Augurium convocação de assembleias,
guerra ou paz
Colégio dos pontífices - (formada pelos patrícios) uma
instituição formada por 3 pontífiex (com Sacerdotes) que têm
uma função de mediação. Liderados por “Pontifex Máximos”
que podem ditar as regras e a moralidade comprovada. Nesta
época o direito tem uma dimensão sacralizada. Mores Maiorum
- uma tradição de comprovada moralidade interpretada pelos
sacerdotes e a partir desta estabeleciam regras.
Tradição: um comportamento repetido e um elemento
subjetivo, a indicação que é obrigatório atuar assim,
juridicamente obrigatória. Quando há costume é implícito que é
imposto.
Comportamento translatício escrito ou oral de um ato que é de
autoridade
o Guardava as pontes do Rio Tibre: importantes para o
comércio e a comunicação da cidade
o Protegia os interesses das famílias (patrícias)contra O REX,
limitava o poder deste
o Invoca que as famílias tinham poderes político-religiosos
o Sacrifícios rituais , Rituais Litúrgicos, determinam o
calendário
o Desenvolvem o Ius e o Fas através da interpretação dos
Mores Maiorum
o Mantinham viva o Mores Maiorum
o Como não havia distinção clara entre o direito e a religião,
deviam interpretar regras- presença obrigatória e
intervenção em todas as atividades judiciarias
o Interpretação de regras e sinais
o 3 pontífices (MAIS TARDE 5) PONTIFEX Maximus
o Estavam isentos de pagar impostos e de cumprir serviço
militar - cargo vitalício
o Colégio sacerdotais - Não têm potestas (só auctoritas)
logo os seus decreta (regras sobre assuntos religiosos)
não tinham natureza imperativa.
o Pontifex Maximus: têm funções com autorictas e poderes
de potestas. (exemplo: castigar as virgens vestais que não
guardavam a castidade)
Principais órgãos do governo quiritário em Roma: Período de
Rex e Gentes
-Rex, Senatus, Os comitia curiata, colégio dos Pontífices
Transição para a república - Direito das 12
Tábuas: 509-367ª.C
A luta pela igualdade política e pela paridade face ao Direito.
A queda da monarquia é uma revolução? Não, existe uma
continuidade histórica sem ruturas definitivas. A república
surge gradualmente com as ascensões sociais e distribuição de
poderes. Há obviamente uma diferença entre viver sob reis e
viver sob magistrados e os romanos sentiam isso. No entanto
existem vários sinais para acreditar que não existiu consciência
política comum para acreditar que a república surge como um
regime político que vem substituir a monarquia. Os romanos
tinham um conceito civilizacional/cultural da república -
integradora.
Santo Agostinho: Républica como uma comunidade
Conceito jurídico da Res Publica: viagem comum ao
publico
O termo “república” foi desenvolvido e tornado um
conceito jurídico-político para designar o período da historia de
Roma que vai da expulsão dos reis até ao principado.
Esta transição é marcada pela luta de igualdade entre patrícios
e plebeus.
o A abolição da proibição dos casamentos entre estes dois
grupos permitiu o incio da homogeneização da
comunidade romana e paridade política e jurídica entre
patrícios e plebeus Abrindo lhes portas ao exercício de
imperium.
o A clientela foi desarticulada pela mudança de condições
económicas em Roma (causadas pelo comércio) causando
um reequilíbrio de poderes
o Intervenção militar dos plebeus contribui para a ascensão
social destes
Quando a Monarquia cai, Roma vai ter um problema com os
antigos apoiantes da Monarquia porque deixar de estar sob a
proteção dos etruscos. Com a probabilidade da guerra, surge a
importância do exército. Cresce a importante do exército, da
cavalaria patrício, mas também da infantaria plebeia. A própria
infantaria organiza-se e passam a ter homens ao seu comando,
no entanto mesmo com riqueza significante não vão poder ter
cargos políticos. Com isto, estes não se encontram satisfeitos
com esta regulação. Os plebeus estão encarregues da carreira
de armas e comércio não aceitam os lugares subalternos. Uma
mudança que existe é o comércio: torna-se fonte de riqueza
para os plebeus. A plebe procurava elementos uniformizados
que unissem o grupo.
Os plebeus tinham liberdade, não eram escravos e cidadania
romana, no entanto eram privados de poder, do acesso às
magistraturas, dos direitos inerentes à liberdade e eram
considerados de condição inferior
O equilíbrio das forças está a mudar
A abolição da proibição de casamentos entre os dois grupos
sociais, a equiparação no acesso a cargos for Estado, o fim das
restrições na aquisição da terra e a abolição do vínculo que
colocava o credo com poder ilimitado sobre o devedor
(possibilidade de o vender, de o matar) são elementos
fundamentais da coesão identitária em Roma.
Quando cai a monarquia, Roma tem de se reinventar. Roma
passa a ser governada por 2 Consolos e por outras instituições
para dividir o poder entre magistrados- evitar o absolutismo. A
dualidade (colegialidade) de pessoas no exercício de um cargo
político estabelecia uma regra que limitava a possibilidade de
abuso de poder no exercício de cargos supremos (intercessio)
Aristocracia: populus + Senado
Em 510 a.C. - Tarquínio Soberbo é derrubado
Estabelece-se uma espécie de republica aristocrática dominada
pelo senado (300 membros) e pelos Comitia Curiata .
Mantem-se o Rex por questões religiosas - Rex Sacrorum
Magistraturas:
No plano político e militar o rei é substituído por Magistrados
Cônsules- Poder político
Pretores - Poder militar e judicial
Esta situação resulta por causa da partilha do imperium
absoluto e vitalício do rei por vários magistrados eleitos.
Existe agora um Chefe supremo do exército (Praetor Maximus)
com os mesmos poderes militares do Rei (Ditador)
acompanhado pelo chefe da cavalaria (Magíster equitum)
O poder é exercido
Surge o tribuno da plebe 8 pós 509ª.C). e tem a função de
salvaguardar os interesses deste grupo social: elegem um
magistrado extraordinário (fora da normalidade), que só é
eleito pelo conselho em situações graves. Este pode exercer o
poder do interssesio - pode paralisar o poder dos cônsules
(quando estes fariam decisões particularmente afetuosas para
os plebeus). Equilíbrio dos poderes.
Reforma militar: exército maior que dá acesso aos diferentes
grupos sociais em Roma.
A infantaria (plebeus) detém agora um poder principal
sobre a cavalaria (patrícios)
Censo: determinado pela propriedade/património (quantum -
riqueza avaliada)
O elemento de diferenciação social que passou a
assentar no censo
Centúrias não só como unidades territoriais, mas ainda de
recrutamento militar, mas também como unidades de voto nos
comícios.
Mantem se a predominância dos mais velhos na vida política
(prudentia)
Quanto menor for o número de membros de uma centúria,
maior a possibilidade de alguns influenciarem todos.
Censura: Criada para organizar o censo dos cidadãos romanos
2 Censores (5 anos)
o Organizam a lista do senado
o Podem acusar uma pessoa de desrespeito pelos
costumes e a moral de Roma
o Considerados os guardiões da moralidade na cidade
o São eleitas pessoas com grande prestígio e
experiência
O Rex não abdica de nenhum dos seus poderes
Há uma abertura do acesso à decisão política permite a
preparação para a república romana e um renovamento das
normas jurídico-organizativas axiomáticas (valorativas).
Separação de Poderes na Maiestas - Poder Soberano
A Maiestas concretiza-se no poder dos Magistrados (Potestas
e imperium)
Magistraturas são independentes, quer como Maiestas quer
como imperium
Os magistrados exercem pelo imperium a potestas do Populus
Romanus.
O magistrado não recebe o poder (potestas) do magistrado
anterior.
Cada magistrado que exerça funções após a eleição recebe o
poder (imperium) diretamente do populus - fonte da
legitimidade para o exercício de poderes políticos.
O poder absoluto (imperium) está limitado
Há colegialidade na magistratura
A colegialidade não é uma divisão de potestas, é indivisível,
mas pode ser partilhada.
Os magistrados podem sofrer intercessio do colega que exerce
um poder igualmente absoluto e indivisível
O magistrado exerce um poder pessoal separado e completo
A colegialidade é para a auctoritas e os collegae para a
potestas
Actoritas Patrum: conselhos dados pelo senado nos senatus
consultum aos magistrados
Auctoritas é o saber socialmente reconhecido pelo Populus
Potestas é o poder socialmente reconhecido pelo Populus
Estas duas têm de estar em equilíbrio para que o regime
político seja uma república.
Mais tarde, o Principado opera a transferência da Maiestas do
Populus para o prínceps
Cidadania: pertença da pessoa à comunidade
politicamente organizada. Quem nascia numa família da
cidade (laços de sangue) fazia partes das gentes. -Há uma
maneira de aceitar estrangeiros /povos vencidos pelos
romanos) como cidadãos de Roma numas cerimónias
sagradas (Rómulo)
Racionalização do direito: Lei das 12 Tabuas: 451-499
Significa politicamente uma luta para a paridade, o sucesso dos
Plebeus.
Jurisprudência em Roma: Invocando os deuses (Mores Maiorum),
definiam regras do direito justo. (Sacerdotes - Patrícios). Por
causa do seu estatuto, a plebe vai exigir que o direito não
escrito passe a ser escrito para todos o conseguirem ler. Isto
leva a perturbações imensas. A lei das 12 Tabuas é escrita por
10 Patrícios. Ser um texto oficial e ser publicado cria uma maior
segurança das partes e maior estabilidade normativa e
interpretativa. As decisões dos magistrados estão sujeitas ao
intercessio. Impunha um empréstimo desproporcional.
Prudência: permite-nos distinguir o devido do indevido
Provocatio Ad Populum - significa que se um cidadão romano fosse
condenado à morte por um Cônsul, ele tem o direito que esta
pena fosse avaliada num processo do comissio curiata.
Importante para a paridade, a regra é que o plebeu estava do
lado do condenado
o Chefe político e militar passa para o Rex Sacrorum e
depois para o Pontifex Maximus
o O imperium passou para os magistrados
o Tribuno da plebe: instituto assente na deliberação popular
- (instância de recurso nas penas mais graves). Permitia a
um cidadão condenado à morte e evitar a condenação
pedindo a instauração de um processo nos comitia
inquérito + resposta da assembleia
Tribuni Militum consulari potestate:
o Colégio de comandantes militares, cargos políticos que os
plebeus podiam ter.
o Relevância constitucional: constatação de uma
participação de plebeus nas magistraturas supremas
o Chefe militar que tinha imperium consulare podia ser
plebeu
o No entanto ainda existem restrições aos plebeus
o Abertura dos auspicia aos plebeus
Leges Liciniae Sextiae: 367 - As assembleias populares que
aprovam as leis. Comando normativo que o povo dá -se a si
mesmo. Aprovadas pelo Comissio Curiata. Exercício dos cargos
políticos é gratuita.
1. Um dos cônsules pode ser plebeu.
2. O acréscimo dos juros do empréstimo que devia ser pago
podia ser mutuado e o remanescente da divida vai ser
dividido em 3 prestações.
3. Limita a medida que cada Pater família pode deter me
termos da exploração da terra da propriedade pública
romana. Cada Pater família pode no máximo deter 500
jeiras de terra - faz com que a terra fique acessível para
outros.
4. Roma vai se racionalizar. Os livros sibilinos (Sibila é
profetiza, e estes livros são profecias do Oráculo que
transmitiam todo o saber do universo) vão poder ser
guardados por plebeus. Metade dos guardas dos livros
podem ser plebeus, no entanto na prática só mais tarde é
que vai ser possível. 312ª.C.
Plebiscitos ganham força de lei para os plebeus em 449
367 Podem ser cônsules 367
356 Podem ser censores
337 podem ser Pretores
336 Podem ser Edis curuis
312 Podem entrar para o senado
287 Os plebiscitos obrigam como leis tanto plebeias como
patrícios
A preparação para a república com as mudanças sociais que
estavam a ocorrer levou com que não houvesse uma divisão
territorial com esta (em torno dos dois grupos sociais - patrícios
e plebeus).
IMPORTANTE: Esta mudança social não é súbita/imediata . A
supremacia dos patrícios sobre os plebeus manteve-se como
constante na organização política e na ordenação jurídica de
Roma por todo este período
Républica: 367ª.c
Garante se um sistema de regras e princípios que garantem a
estabilidade e continuidade ao modelo político institucional,
legitimado e preservado pelo direito.
Magistrados: Imperium
Senado: Auctoritas política - órgão de conselho e consulta
dos magistrados
Populus onde assenta a Maiestas ( tem uma organização
institucionalizada que expressa as suas posições através de
deliberações das suas assembleias)
Républica: Modelo de governo da Civitas
Cives- cidadãos. (Quirite)
A cidadania romana é exclusiva àquele que é filho de romano.
Se for filho de um estrangeiro e uma romana é cidadão, mesmo
nascido antes do matrimónio, é romano. No entanto se o a mão
for estrangeira e o pai romano, então tem de ser submetido a
uma autorização específica por Magistrados. Também há
estrangeiros que conseguem ser autorizados por magistrados
próprios a adquirir a cidadania. As magistraturas são
reservadas. Um escravo nem um individuo acusado de infâmia
(gladiador) não pode ser cidadão de Roma.
1. Maiestas do povo: Património do povo reunido em
assembleia. As assembleias populares exercem um
poder crescente (centuriata, Curiata, tribos) embora
fragmentado.
Assembleias:
I. Comitia curiata : Grupo da infantaria- Centuriae,
presididos pelo Pontifex Maximus tinham a
responsabilidade da 1. Lex curiata do imperium -
investidura formal no poder do imperium As
Comitia Curiata perdem competências políticas
que passam para o Comitia Centuriata (a mais
importante). Vinculada a tratar de questões
simplesmente de 2. índole sagrada, passou a
decisão política para os comitia centuriata, fazem
a 3. confirmação do imperium dos magistrados
maiores. Estes entram em decadência com a
república
II. Comitia centuriata: Expressão de um poder
crescente da plebe. Têm o 1. poder de eleger
cônsules, Pretores, ditadores, censores, 2. aprovar
leis pelos magistrados, formalizar 3. declarações
de guerra e tratados de paz, dar veredictos sobre a
4. vida e a morte A participação do povo na
atividade financeira é decidida nestas
assembleias.
III. Comitia Tributa: Base da organização territorial,
assembleias deliberativas, popular de todos os
cidadãos presidida pelo Magistrado maior e 1.
elegem os magistrados menores (questor, edil), 2.
exercem votações da lei de decisões de menor
importância e 3. atribuições religiosas residuais.
IV. Concilia Plebis: (não têm o direito de participar no
senado) Salvaguarda os interesses plebeus:
Plebeus passam a ter competências legislativas na
cidade, nomeadamente a votação de uma serie de
medidas que traduziram reformas profundas no ius
civile,
1. convocados pelos magistrados plebeus,
2. elegem estes magistrados,
3. votam os plebiscita, exercem o iudicium para os
crimes puníveis por multa.
2. Imperium Potestas dos magistrados: Nem todos os
magistrados têm o mesmo poder. Os magistrados eram
designados pelos seus antecessores. (a partir do seculo
V a.C. são eleitos pelo povo). Colégio dos pontífices e
dos augures estão abertos aos plebeus
Magistrados: Da monarquia, O imperium mais forte era o
do rei que passou para o ditador, os cônsules e os
pretores.
o Pluralidade: Cursos Honorum - As magistraturas
romanas estão integradas numa carreira. Depende
da ordem familiar e da riqueza. Para subir na carreira
é necessário dar provas de sucessão de magistratura
anterior.
Para ser candidato a uma magistratura:
Podem ser submetidos à votação do eleitorado ativo
Não ser um escravo liberto ou filho deste
Ser plebeu ou patrício
Não ter sido acusado de infâmia
Ter 28 anos ou mais
o Maiores: Imperium, Potestas - Preside o Senado,
comanda os exércitos, lê os auspícios superiores,
convoca os comitia centuriata e propor uma
aprovação da Lex Curiata Centuriata
o Menores: Não podem exercer certas competências,
Sem imperium mas com Potestas: Edil Plebeu (eleito
no cilia Plebis), Edil Curul, Questores (eleitos nos
comitia tributa)
o Ordinárias: Constituídos em permanência a governar a
cidade Maiores e ordinários (Sensor, Cônsul, Pretor)
Menores e ordinários (Edil, Prestor) Tributa. Pretor
subordinado ao Cônsul (podia vetar as decisões do
pretor)
o Extraordinários: São eleitos para fazer face a uma
determinada situação (tribuno da plebe, ditador).
o Quem exerça um cargo superior já passou pelos
cargos menores.
Maiores e ordinários: Censor, Cônsul, Pretor
Menores e ordinários: Edil, Prestor
o A experiência governativa exige experiência de vida -
28 anos e são cargos temporais e funcionam em
conjunto. Com exceção do Pretor que só tem um
titular. Cada titular tem o poder de intercesio sobre o
outro.
o As magistraturas são reservadas a grupos sociais
específicas.
o Todos os magistrados romanos são eleitos em
comissio e devem ao povo prestar um programa
eleitoral.
o Ius sufrágio faz com que representem o povo romano
o Durante o mandato era responsável por todas as
infrações que cometia, há uma impossibilidade de
repetir cargos. A possibilidade de voltar a exercer um
cargo da magistratura só se sucede com 10 anos de
intervalo. Menos para a censura que é proibido
o Regras específicas em relação aos tipos de M.
o Qualquer cidadão reunido em assembleia pode ir
contra um ato praticado por qualquer magistrado
(menos o ditador)
-Magistraturas maiores tinham imperium e potestas
-Magistraturas menores tinham apenas potestas
-Magistraturas extraordinárias (tribuno da plebe, que não tinha
imperium, tinha tribunitia potestas e ditador), eram sempre
permanentes e tinham poderes de intercessio sobre os atos de
todos os magistrados ordinários.
-Potestas: correspondia a um poder limitado que cada
magistrado exercia na esfera das suas competências próprias
Cônsul: a magistratura mais importante
-Imperium consular corresponde ao rei
-Anualidade do cargo, colegialidade, intercesiso, divisão de
poderes com outras magistraturas, provocatio ad populum
-Para não haver problemas de dualidade entre as funções
metiam se a funcionar: turnos, divisões geográficas e o Senado
escolhia competências pessoais para cada um destes.
-Este não tem obrigação de seguir o Senado (consilium) para
qualquer decisão
-Cônsul é o comandante militar - o exercício militar do cônsul
estava sujeito às regras normais constitucionais.
-O princípio da hierarquia dos magistrados sobrepõe se ao
principio da competência das magistraturas. Exemplo: o preto
está em carregue do exercício de jurisdição, mas o cônsul pode
influenciar estas decisões
-Cônsul pode convocar as assembleias nacionais e apresentar
propostas de lei
-Pretor tem funções complementares à do Cônsul
-Os censores e questores desprovidos de imperium tinham de
recorrer ao cônsul para dar efetividade às suas ordens
-Censor: são ratificados pelos comissia centuriata e têm a função
de organizar o senso (18 meses) - são os guardiões morais da
cidade. (eleitos por 5anos)
-Pretor: substitui o cônsul, e administra a justiça, ele preside ao
tribunal.
-Magistrado maior, mas menor que o cônsul
-Imperium idêntico ao do cônsul, mas com potestas de menor
amplitude
-Pretor era investido nos comícios centuriais - aplicava a justiça
-Pretor substituía o cônsul nos seus impedimentos, não por
escolha deste, mas nos termos constitucionais
-Eleição dos magistrados menores
-Comandava o exercito fora da cidade
Pretor urbano: conflitos entre cidadãos romanos
Pretor peregrino: conflitos entre cidadãos e estrangeiros
-Passam a ser 6 pela complexidade da sua função e o aumento
do território
-Edil Curul: Garante a segurança interna, contratos comerciais
surgidos dos mercados públicos e a organizar festas e
espetáculos públicos, ajuda aos tribunos.
-Questor: Gere o horário público - o que é que se deve gastar,
onde é que se deve gastar. Acompanhavam os magistrados
maiores como comandantes militares, garantiam uma
administração financeira, supervisão de receitas fiscais, faziam
a instrução e acusação dos crimes punidos com pena de morte.
-Tribune da plebe: Pode exercer intercessio (paralisar) o ato de
qualquer magistrado, também pode presidir os comitia curiata.
Importância:
-Garantia os interesses da plebe, tinha imunidade absoluta e o
direito de se opor as decisões de todos os outros magistrados.
-Inicialmente eleitos pelos comitia tributa e depois pelos
Comitia Plebis
-Nova aristocracia politica com um poder imenso , efeitos da
sua intercesssio na justiça civil e criminal
-Aplicavam multas e ordenavam a apreensão de bens
-Ditador: Perante uma emergência, os cônsules determinavam a
impossibilidade de governar, o senado reunia-se e nomeava
alguém que durante 6 meses iria ter poder ilimitado para poder
por a ordem. Ninguém tem poder de intercessio sobre o
ditador. Não está sujeito à Provocatio ad Populum (até 300)
Comando de 6 meses, comando militar, direito de convocar e
de presidir aos órgãos colegiais: senado e assembleias, actos
coercivos que têm de ser obedecidos pelos cidadãos e pelos
magistrados menores. o senado não exercia qualquer controlo
político sobre ele e no fim do mandato não tinha de responder
a qualquer uma das suas ações
Ditadura: Imperium Maius e de Maior Potestas
Havia riscos de uma tirania
-Criou se em 220ª.c um Magíster Equitum - homem de
confiança do ditador que comandava o exército - outra
magistratura extraordinária. Mas isto obviamente não é uma
forma de limitar o poder ou controlar as escolhas do ditador.
Harmonização das magistraturas e eventuais conflitos e sobreposições
de competências entre magistrados
-Distinção: Magistrados com império eram identificados, tinham
auspicia maiorum e disponham de meios para exercer a
coercitio (opiniões/decisões)
-O maior problema era resolver os conflitos de competências
que existiam nas áreas de sobreposição das esferas
tradicionais dividida para separar as magistraturas
-3REGRAS:
1. Prevalência do imperium: os magistrados com imperium
podiam vetar qualquer ato
2. A hierarquia das magistraturas: o magistrado com
imperium maius e maior potestas podiam anular as ordens e
vetar os atos de outros magistrados que não as tinham
3. A tutela da plebe: a plebe podia subtrair o poder dos
magistrados que tinham o poder de veto sobre a actividade de
outros . Participação efectiva da plebe, controlo de arbítrio da
magistratura a favor de interesses e pespectivas de grupo a
que pertenciam os magistrados patrícios e a prevenção de
aitutdes ditatórias
O acesso às magistraturas estava na prática reservado aos
filhos das famílias com posso e com fama, não ao Homo Novus
Os candidatos tinham de aparecer perante o eleitorado com
alguns trunfos nas promessas que faziam formalizadas no
éditos
3. Auctorictas do Senado: O senado tem a capacidade de
ser reconhecido pelos seus pares. Existem 300
senadores com mandato de 5 anos (ganham mais poder
político por causa da duração deste mandato).
o Importância do senado como órgão consultivo de
referencia no exercíto da auctoritas política
-Neste período já não representa a classe patrícia
-Agora representa a assembleia política da aristocracia romana
patrícia ou plebeia, escolhida pelos cônsules e pelos tribunos
militares e depois por via dos censores
-Garantia a estabilidade, continuidade institucional, orientava
as magistraturas e a vontade popular
-Embaixadas, tratados com outros povos e fazer declarações de
guerra
Poderes:
1. Interregnum: continuidade do imperium por morte ou
ausência do cônsul (+auspicia) - senadores patrícios
2. Auctoritas patrum- poder senatorial de confirmar as
deliberações das outras assembleias
o Quando os magistrados apresentavam uma proposta de
lei ou um nome de um candidato para um cargo, deveria a
remeter a decisão da assembleia popular para analise do
senado- esta assembleia podia por a sua auctoritas
confirmando o decidido na assembleia popular
o Esta dava ao senado um poder efetivo de controlo e de
ratificação das deliberações das assembleias
o Em 229 a.c a auctoritas patrum passa a ter carater
preventivo, é previas as deliberações dos comícios
incidindo sobre as propostas dos magistrados. Passa a ser
aposta sobre a proposta dos magistrados antes de este a
submeter a votação na assembleia popular. Evitava-se que
uma lex ou um candidato que não fosse aprovado pela
auctoritas patrum não entrasse em vigor ou não tomasse
posse
o Durante uns momentos a auctoritas patrum era
vinculativa ao tribuno da plebe, mas em. 287 uma lex
equipara os plebiscitos à lei e por isso aplicou se o regime
de esta ser previa, mas não vinculante
o Só na ditadura de sila é que esta volta ao regime anterior
o Em 70 a.C foi restaurado o regime preventivo
o A inversão da auctoritas patrum (de posterior a previa)
reforça o papel político do senado e a sua importância na
formulação do direito romano.
Aos poucos os seus poderes vão sendo dissociados, por
exemplo quando um magistrado tinham poder de intercessio
superior a um magistrado que presidia o senado, o senado
não podia constituir um senatus consultum
3. Senatus Consultum - opinião, (conselhos), respeitada
pelos membros que, governam dada a um magistrado a
pedido deste.
o Complexo
o Processo podia ser interrompido por intercessio, de um
dos cônsules ou do tribuno da plebe o que retirava a
validade jurídica à deliberação que passava a designar-se
como senatus auctoritas e não como senatus consultum
o Apesar da sua importância nunca criam direito na
república romana
Se não houver consenso na governação o senado exerce o
interregnum, ou seja, o senado atesta a situação de dificuldade
e traça o perfil de quem seria ideal para ter o cargo de ditador
e o cônsul iria escolher alguém.
Morte de Júlio césar FIM da republica
Principado
Principex- 43ª.C 1. Octavio César Augustus, era primeiro
cidadão, o primeiro senador etc... Tinha funções de comandar
os exércitos, era magistrado de todas as províncias, tinha
intercessio sobre qualquer magistrado, poderia convocar o
senado e aprovar leis. Primos interpares - há um primeiro que
desenvolve a palavra príncipe. Pendor subjetivo do titular do
poder , sobrepunha-se sempre às tentativas de objectivar o
regime em normas e instituições jurídico-políticas
o Centro de um triunvirato
o Mandato de 5 anos
o Cônsul único, todo o território de Roma e comanda o
exercito - há uma concentração de poderes em si
próprio
o Poderes plenos do Estado:
1. Veto sobre as deliberações de todos os
magistrados
[Link] e apresentar propostas `assembleia
populares do senado
3. Comanda os exércitos
[Link]ção
5. Poder de iniciativa de alterar as leis
constitucionais - controla a renovação jurídica do
estado
6. Poder de intercessio
7. Votar os plebiscitos
8. Convocar o senado
9. Comando militar supremo
10. Controla a legislação
11. Investir nos pontífices
12. Mores Maiorum, Costume
O imperium consulare e a potestas não são poderes
permanentemente conferidos ao príncipes, simplesmente
podem ser adquiridos .As instituições republicanas funcionem
sem qualquer poder ou intervenção na vida politica e nas
decisões a tomar- Poderes concentrados num só homem
Títulos:
Imperador - titular do poder, chfe único e absoluto
Princeps - primazia institucional e a sua lideraça política
Augustus- honoróficos
Augusto cria um regime híbrido de republica e monarquia em
torno de elementos ligados à personalidade do titular -
Príncipes- que às possibilidades institucionalizardes que dariam
estabilidade ao regime político.
Papel da Res Gestae: Testamento político de augusto
Tem como destinatários - os romanos instruídos das classes de
senadores e cavaleiros, as chefias do exército e uma burguesia
de negócios, emergente com a paz e estabilidade. Com
aspirações políticas. Augusto pretende mostrar os benefícios do
regime que instaurou, a paz política, social e militar e as suas
qualidades humanas e políticas a favor de Roma e da sua
grandeza
República fundada no Prínceps no topo
Voto popular comícios
Fim da motivação do cursos honorum
Principado a favor da aristocracia:
Reação oportuna das elites romanas
-Trabalhadores do estado com um rendimento fixo que eram
mantidas pela administração imperial - mantendo se a divisão
entre a elite e o resto da população.
-Octávio garante a manutenção do poder pela aristocracia e a
supremacia de Roma no mundo
-Prestígio militar de Octávio, a sua ligação familiar com César e
a sua proximidade do senado permitiram uma base de
aceitação consensual
Sucessão do Prínceps:
-Depende das suas próprias vontade pessoas, e dos militares
-A decisão tem de ser deliberada pelo Senado e confirmada
pelo populus
-Com a degradação do Senado e as características republicanas
do regime, deixa de ser marcada pela deliberação do senado,
confirmada pelo Populus e passa a ser determinante
-Prínceps pode efetivar a transição do Ius para Lex através do
seu poder autocrático
Formalmente os órgãos da república mantinham-se os
mesmos, o senado, as assembleias populares, todos
legitimavam os poderes do principado.
Contudo, a figura do principex torna-se central, assim
sendo até os cônsules queriam agradá-lo.
Materialmente este processo foi um caminho para
absolutização dos poderes que vão levar ao império.
Neste período, havia estabilidade, Roma estava a
aumentar as suas fronteiras e havia um grande fluxo de
dinheiro.
Para garantir a segurança o Príncipex vai instaurar vários
conceitos:
Ius publice respondendi- Atribuição a certos prudentes a
permissão para imitirem opiniões que vinculam no caso
concreto , não têm potestas nem imperium mas saber
universalmente reconhecido. Com a Auctoritas (política) do
Príncipe.
o Criação de um enunciado de regras jurídicas novo para
responder aos novos casos
o Condição de acesso à solução do jurisprudente à sentença
a proferir pelo juiz com utilidade para a parte que o
consultava
o O direito de responder e publico as questões colocados
pelas partes como se fossem o próprio prínceps
o Imperium
o Iudex para confirmação
o -Torna secreta a atividade do jurisprudente que conduz
decisão do iudex e por isso garante a possibilidade da
manipulação da sentença
A Autocensura do jurisprudentes + aprovação pela comunidade
da escolha que acaba com a auctoritas e imperium
-Prudência: capacidade de distinguir o justo do não justo
Principal fonte de Ius civile (ponto 9 página 170) é a Ius
prudência - doutrina romanista
Pretor: preside ao tribunal, administra a justiça
Retrocesso jurídico:
-Número Limitado de membros da aristocracia senatorial
-Princeps - Passou a ser fonte de direito, obrigatório mesmo se
não criasse direito, vinculava sobre o juiz
-Substituído pelas compilações de soluções do Digesto por
jurisprudentes poderosos dotados por 1 só poder, Ius publice
respondendi
-Não só atraiu os jurisprudentes para a área politica o circulo de
poder, como tornou a jurisprudência uma coisa oficial isto é
fiscalizada pelo poder politico e subordinada ao poder do
prínceps
Decadência dos órgãos colegiais em Roma:
-Resulta da concentração de poderes do príncipes
-Papel meramente formal
Ligação à república
Degradação dos comícios no Principado:
-Assembleias do populus, comícios
Manipulação desta por causa da divinização do
imperador
Controlo efectivo destes pelos príncipes
Princeps controlava as propostas, manipulava as
votações e instrumentalizava as deliberações
Falta de iniciativa, criatividade
COMICIOS SENADO prínceps (transferência do
poder)
Magistrados já não podem propor candidatos, só
votar as listas os do senado, nem aprovam as do
populus
Regras:
-Torna mais difícil a libertação de um escravo - manumissão dos
escravos (era libertos, mas não cidadãos)
-Regula o processo civil e penal
O principado era um regime monárquico mitigado e não um regime de cariz
aristocrático
Efeitos jurídicos na degradação dos comícios:
-Augusto reduz o número de senadores, passa a por convocar o
senado sem qualquer formalismo ou regra
-Expande os poderes ao senado retirando-os do Populus
-Os poderes do senado eram exercidos pelo Princeps
-O senado perde todas as funções que exercia individualmente
Poderes novos do Senado para aumentar os poderes do
Prínceps:
Administração de províncias senatorias
Nomeação de magistrados
Derrogações pontuais as leis em vigor
Poder de legislar
Legislar com autonomia
Cunhagem da moeda Eneia
1. Auctoritas patrum
a. Ratifica ou não a proposta do magistrado aprovada
na assembleia popular
b. Controlo efetivo sobre a atividade legislativa
2. Intervenção preventiva
a. Qualquer magistrado pode se dirigir ao senado
para pedir parecer sobre uma decisão (magistrado
aconselhado a obedecer)
3. Ingerência nas decisões do pretor
As características monárquicas impossibilitaram a convocação
e a atuação dos comícios que reuniam unicamente a plebe
urbana. O Senado passa a ser a única assembleia que podia
reunir sem ameaça as bases de legitimação do poder do
Princeps. No final o senado passa a atuar em nome do Princeps
e as assembleias fazem se no palácio imperial.
Leis passam a ser regras gerais e abstratas
Degradação do Principado:
- Princeps: destruiu o conteúdo jurídico-político que sustentava
a sua existência constitucional
-As instituições republicanas perderam a iniciativa politica e a
capacidade de intervenção, limitando-se a exercer tarefas
meramente administrativas, sem qualquer decisão.
-Agradavam o Prínceps
- “Morte do pretor (da função) foi adiada” pelo conhecimento
que esta posição necessitava, mas ocorreu mais tarde o
desaparecimento da pretura
-Censores foram ativados por Augusto para funções especificas
-Edis curuis: mantiveram se como magistrados, mas as suas
competências foram reduzidas ação burocrática dependente
do poder imperial
-Questores foram reduzidos a metade
Poderes exercidos pelos príncipes que mudaram as fontes do
Ius Romanum:
Principais poderes dos príncipes eram
Imperium consulare maius e infinitum - comando militar,
administração do império, influenciar as decisões, rede de
clientela que exercia cargos dependentes dele para atingir
os impérios,
Tribunitia potestas - faculdade de paralisar qualquer
procedimento ou ação do senado ou das magistraturas
Dois tipos de trabalhadores:
Funcionários: nomeados pelo Princeps, tempo indeterminado,
estrutura hierarquizada
Magistraturas: eleitos pelo populus, tempo determinado, não há
hierarquia entre eles
Carreiras Administrativas:
-Preotrianos: corpo de segurança
-Curatores: as funções antigas dos censores
-Preatores e Curatores exercem na prática competência
juridiscional
-Legati augusti: auxiliavam o príncipe na administração das
províncias
O surgimento destas carreiras administrativas consolidam a
primazia do príncipe como chefe publico do estado - Identifica-
se a lex do principe como ius de Roma
Poder legislativo:
- Princeps exerce uma atividade normativa própria
- Prínceps é a cabeça do regime, exerce um poder quase
absoluto, não está vinculado a cumprir as leis de Roma
-Poder político, plano normativo, atos normativos: produção
legislativa
-Edicta, mandata, rescripta, epistolae, decreta : constituições
imperiais
-A lei é produto da vontade do prínceps
FIM do Principado
1. Estrutura híbrida que deixa em aberto a relação com
príncipe com os órgãos do poder da republica - não estão
satisfeitos porque são sujeitos a este. O sistema favorecia
sempre o príncipe
2. Desromanização/desitalianização do império romano, foi
se esvaziando, a sua demografia entre em crise profunda -
a sede do principado e a figura do prínceps enfraquecem
com a perda de importância de Roma e da Itália no seio do
Império.
3. Campo é abandonado pela falta de escravos , movimento
acelerado de urbanização, esvaziamento de um setor de
apoio e recrutamento de pessoal para as instituições
republicanas como era o mundo rural - crise porque a
organização de novos trabalhos livre não aconteceu .
Romanos eram obrigador a exercecer certas tarefas até à
morte, os filhos a seguir a atividade dos pais (colonos no
cultivo estavam insatisfeitos)
4. Incapacidade política de manter os vínculos institucionais
a Roma
5. Recrutamento de pessoas da província para o exercito,
abriu o caminho para divisões territoriais, barbaridade
6. Cristianismo: ameaça a figura do imperado, a sua
divinização, a recusa dos cristãos em adorar o imperador
e os novos valores morais por eles introduzidos com êxito
no vasto espaço do império. Fragiliza a importância da lei
comum
A desagregação de Roma:
1. O exército passa a ter “estrangeiros “que defendem os
seus próprios interesses
2. Vasta extensão do território geográfico, mais difícil de
controlar
3. Principado vive em função das características do seu líder
4. Religião - Guerras religiosas, perseguição dos cristãos
Princeps como Rex no império único 285-395
Recuperação da unidade do império:
Centralidade: a importância de roma
Surge uma monarquia com base em insittuições jurídico-
politicas
Construção de um corpo normativo disciplinado,
hierarquizado, permitiu a substituição dos muitos
exercítos
Hierarquia da administração central que comandava a
burocracia imperial, órgão de consulta do prínceps
Governadores das províncias tornaram- se representantes
da administração imperial nas províncias
Hierarquia administrativa que tinha no topo o prínceps e
os seus agentes distribuídos por territórios - 4 Preturas
Reforma tributária
Simplicidade dos critérios de recolha publica através de
impostos, todos compreendem o sistema
Iugum: unidade fiscal
Preço definido para todos os bens e penas tudo publicado
no - Edictum de pretiis rerum venalium
Curator civitatis: controlo governamental
Tetrarquia Imperial:
Diocleciano: Ocidente
Maximiano: Oriente
Com isto, separação o império em dois blocos:
Império Romano do Oriente Império Romano do
Ocidente
Bizâncio (Constantinopla) Roma
o Nomeados sucessores, imperadores não envelhecem no
cargo
o Escolha dos militares em Roma era feita pelas suas
aptidões e não pelas suas famílias
o Simplificação do sistema tributário para não ser um
critério de desagregação, de diferença.
o Criação de um Esquema de sucessão: Tetrarquia
É preciso gerir a multiplicidade de funções dos imperados.
Incapacidade de responderem a tudo a toda a hora, precisam
de ajuda. O direito e o exército é poder do imperados.
Nomeação de dois imperadores (Um César para cada um
deles). À medida do tempo, já têm idade e experiência para se
tornarem imperadores, e por isso estes escolhem os Césars. Os
próximos Césars escolhem um Constantino, o último deste que
reunifica Roma.
312- Regime Monárquico de Constantino- direito
corresponde à vontade do soberano expressa na lei.
Cristianismo: Unifica, torna-se religião oficial, erradica-se a
Heresia
Constantino converter-se ao cristianismo, a religião torna-
se significante para reunificar o império. Ele considera a
religião cristã uma religião permitida do império romano
através do Édito (lei formal, geral e abstrata do imperador) de
Milão - 313 (torna livre e legitimo o culto cristão, valor jurídico
porque é associado à aplicação de normas, vigente como lei)
Em 324- Cristianismo é a única religião oficial em Roma
Teocracia Romana:
Pagãos são mortos e perseguidos, não há astrologia, templos
pagãos destruídos
Édito de Tassalónica: Declara a unidade e exclusividade do
cristianismo, no rito de Niceia. Conversão em massa e pouco
autêntica dos habitantes do império à nova religião”
NOTA: Roma tem em conta o cristianismo segundo o ponto de
vista imperial (1. Indiferença, 2. Perseguição - Diocleciano, 3.
Tolerância)
O império retoma a sua instabilidade por causa dos
conflitos dos filhos de Constantino.
o 379 - Imperador Teodósio
Provoca a barbarização no exército - Permite a participação dos
Visagodos (povo derrotado)
Morre em 395 e rompeu se definitivamente a possibilidade de
manter o império romano unido.
o 486 - Fim do Império do ocidente depois da derrota
do último imperador. No entanto, o império romano
do oriente mantem se.
Por fim, O direito já não cabia aos jurisprudentes, o direito
fixava-se na lei.
Desde diocleciano para de se usar o ius publice respondendi
Neste caso, a vulgarização do ocidente é um fator de
barbaridade do direito, depreciação do direito romano: fim do
direito clássico.
Direito Romano:
Direito: expressão da justiça
Justiça: constante e perpétua vontade, hábito - atribuir a cada
um o que é seu (Justiniano). Vertente intersubjetiva- Quais são
os critérios? A justiça traduz se em modalidades dependendo
dos sujeitos na relação.
Justiça Distributiva –Preside às relações entre Societas
Perfecta (coletividade) e os indivíduos. Exemplo: os impostos
– ato de justiça para com a comunidade: Justiça Legal.
Orienta a distribuição de bens matérias ou imateriais pelos
membros da comunidade. Todos os iguais devem receber o
mesmo e todos os desiguais devem receber de forma
desigual. Relaciona-se com a justiça social, critérios de
necessidade. Critério de diferença: Rendimento
Critérios: Mérito, talento, trabalho, competência, dedicação
Justiça Comutativa (comunicado entre iguais) - Preside às
relações entre iguais, no contexto de relação onde não existe
uma desigualdade de Status. Espaço onde acontece maioria do
direito positivo. Aplica-se nas transações entre os indivíduos -
afere o equilíbrio e controla a reparação de qualquer violação
de direito. Critério de Igualdade
-Equidade- Regula lésbica
-Procura-se sempre olhar para a justiça no caso concreto
Benefício da execução prévia
Ius romanum é intui persona - Só é aplicado para os cidadãos
romanos
Ius Civile:
O ius civile é o direito dos cidadãos romanos e o o resultado do
trabalho dos jurisprudentes. É o direito jurisprudencial comum,
e a designação dada ao conjunto de regras, opiniões, soluções
que não têm uma designação especifica no direito romano.
Atividade criativa e criadora dos jurisprudentes romanos de
livre interpretação desde a leis das 12 tábuas.
solucionar casos concretos: jurisprudência, e o conjunto
de normas criadas e aplicada constrói o ius civile (leges
aciones, lei das 12 tabuas)
formas de expressão normativas de poder -
Fontes: Pluralidade Forma de revelação e expressão de uma
regra jurídica
1. Mores Maiorum - uma tradição de comprovada moralidade
interpretada pelos sacerdotes e a partir desta
estabeleciam regras.
Tradição: um comportamento repetido e um elemento
subjetivo, a indicação que é obrigatório atuar assim,
juridicamente obrigatória. Quando há costume é implícito que é
imposto.
-O costume era essencial para é eficácia das normas legais e a
efetividade das regras do direito.
-O Mores Maiorum em Roma tem o seu fundamento num
consenso tático dos cidadãos que respeitam e observam essas
regras comuns de forma voluntária dando-lhes juridicidade.
-Tem de ter uma característica geral e com autoridade para
funcionar como fonte.
-O Mores Maiorum são uma tradição, não costume.
-O Mores Maiorum dá à Assembleia a sua potestas e da uma
certa forma de auctoritas ao costume.
-Os Mores Maiorum continua a ser um fundo tácito de valores e
tradições, consensualmente aceites, essencial com referência
padrão na criação de regras e na sua aplicação aos casos
concretos e na expressão processual que permite a
concretização em cada caso da solução mais justa para
selecionar o conflito.
2. Consuétudo: O direito é consuetudinário. Um costume que
não fosse de acordo com os Mores Maiorum, não poderia
ser considerado fonte de direito. Apenas eram jurídicos os
costumes que fossem de acordo com a moralidade
comprovada. A primeira lei em Roma assenta nos Mores
Maiorum, uma fonte consuetudinária.
Lei das XII tábuas
Contexto: A aceitação de que um direito consuetudinário não
escrito permitia aos intérpretes (os sacerdotes patrícios -
interpretação livre), detentores dos segredos do sagrado, um
imenso arbítrio e amplitude na forma de resolver os litígios
invocando o ius, favorecendo uns (patrícios) em detrimento de
outros (plebeus).
-Com a luta pela paridade entre ambos os grupos sociais há
uma influência de uma tradição de comprovada moralidade
levou a que a redação das leis das 12 tábuas fosse possível.
Antes: A plebe não estava integrada na gente, tinha cargos
subalternos e auxiliares no exercício, sem poder ocupar cargos
publicas, sem poder haver casamentos entre os dois grupos
sociais, segregados, pobres.
Fatores que contribuem para a coesão social e política:
1. Concilia Plebis, e aprovam normas vinculantes para eles
- plebiscitos, Tribune da plebe: onde escolhem o seu
representante.
2. Abolição da proibição do casamento entre os grupos
sociais.
3. Leges Leciniae Sextiae: podem ascender ao consulado e
mais tarde a vários sacerdócios, livros sibilinos. (limita o poder
patrimonial dos patrícios)
4. Equiparação dos Concilia Plebis aos outros comícios,
logo do valor legal aos plebiscitos.
Conteúdo:
A lei de das 12 tábuas é uma coletânea e leis já existente na
tradição oral romana que foram finalmente publicadas.
- Foi elaborada por 10 homens, nomeados pelos comitia
curiatas e centuriatas. A primeira comissão era totalmente
construída por patrícios e fizeram 10 leis. A segunda era
constituída por 5 patrícios e 5 plebeus e fizeram as 2 leis
restantes. As primeiras 10 tábuas foram aprovadas nos comitia
centuriata. Passou a ser escrito em tábuas de bronze passa a
vigorar como fonte de todo o direito publico e privado dos
homens.
-Devido a vários incidentes, como guerras, fogos, não foi
possível a reconstrução textual destas leis. (a construção faz se
através dos fragmentos que restaram).
-A influência grega nas leis das 12 tabuas acontece com a
viagem à Grécia por 2 embaixadas romanas para conhecerem
as instituições e a sua organização política.
Objetivo: Acabar com o segredo pontífice do Direito. As normas
a aplicar (decididas através do mores maiorum) passaram a
ser, no seu núcleo essencial, do conhecimento de todos. A
resistência patrícia não permitiu uma normação mais concreta
e complexa, mas foi um primeiro e importante passo.
-A lei das de 12 tábuas fixou o direito, formulou regras escritas
e publicou as mas não tornou públicas as formas de exercer o
direito conte nessa regra isto permitiu aos patrícios manterem
quase intacto os privilégios que tinham antes da entrada em
vigor da lei das 12 tabuas pois mantinham secretas as formas
de interpretar e aplicar essas leis.
-Depois do trabalho de Flávio, há a descoberta que o direito é
produto da razão do homem. Até ao século 4ª.C, mantiveram a
interpretação dos mores Maiorum e lei das 12 tábuas na
resolução de litígios.
- As compilações escritas trouxeram maior segurança a
aplicação do direito. Um monopólio de direito pelos sacerdotes
pontífice devido a oralidade das regras e ao segredo dos modos
de aplicação no concílio pontífice foi sendo substituído pelos
jurisprudentes não sacerdotes.
-A regra também perde a sua sacralidade, exposta ao publico e
sujeita à opinião geral. A palavra dita dessacralizou-se e ao ser
escrita e formulada na lei das 12 tábuas. O ius civile fundado
na lei das 12 tábuas tem um conteúdo normativo preparatório
deixe leis inscritas nas 12 tábuas. Lei em sentido jurídico ≠
Sagrado
Assuntos tratados na lei das 12 Tábuas:
-As leis referentes a família, o casamento, o divórcio, as
heranças, a posse e transferência de propriedade, os assaltos e
as injúrias contra pessoas e bens, as dívidas, escravatura,
procedimentos administrativos, atos formais dos processos a
levar ao juiz (iudex), regulamenta ações de caráter religioso.
-Evita tratar das instituições da cidade, das magistraturas, da
propriedade pública, das questões econômicas e da regulação
da riqueza.
-Introduzem se procedimentos a seguir com pessoas acusadas
de crime e firmou-se essa expressão em relação às regras
religiosas e sociais.
-Esta lei contém mais direito privado que público a ponte final.
Apontava com um documento de conciliação entre interesses
políticos divergentes de 2 grupos sociais bem definidos.
Dimensão simbólica da lei das 12 Tábuas:
-Surge quando se exige uma mudança de regime com a
Constituição de Roma. Muitas vezes o apelo a tradição era
usado para impedir as mudanças exigidas pela realidade
presente, servindo para legitimar as desigualdades, mas a lei
respeita a tradição e ao mesmo tempo a inovação. A lei das 12
tábuas embora corresponda a uma tentativa de positivação de
regras jurídicas não tinha caráter normativo.
O direito Romano agora separado da moral cívica e religiosa e
depois a assentar por escrito as regras fundamentais para o
desenvolvimento jurisprudencial do direito, finalmente ao
marcar a conexão necessária entre o direito e o processo
através das leges actiones o que permitiu que a jurisprudência
criativa e prática abrindo várias portas para a criação da
magistratura do pretor.
Influência da lei das 12 tabuas no legislador romano:
-Determinou o estilo adotado posteriormente pelo legislador
romano na feitura das normas legais. Forma de redação e
estilo direto.
-No entanto não trouxe nenhum acréscimo de legitimidade
jurídica à criação do ius romnaum. É considerado como ius
consentudinarium lato sensu ou através da lei aprovada pelos
comícios. Mas, trouxe clareza, constituindo um ponto de partida
para o trabalho dos jurisprudentes.
A lei das 12 tabuas como uma limitação jurídica aos abusos de
poder:
- Há uma preocupação em limitar a jurídico dos magistrados
supremos, impedir o arbítrio dos tribunais extraordinários da
Plebe, vigiar a coertio dos magistrados através da provocatio
ad populum, substituir a pena capital pelo exílio, defender a
propriedade privada a ti no ar os efeitos de servidão por
dívidas.
Provocatio as Populum:
Ius flaviano:
-Flávio, escriba do pontífice Claudius, que era cego, publicou
uma coleção de fórmulas processuais das legis actiones,
revelando o segredo bem guardado pelos pontífices do
processo seguido na transmissão das actiones. Esta coleção ou
recolha de fórmulas processuais ficou conhecida como ius
flaviano.
-Revelando as fórmulas processuais e o calendário com os dias
fastos e nefastos para a coleção das ações, considera-se ser
uma das etapas mais importantes para o fim do monopólio
pontífico e do domínio do sagrado no âmbito da criação, da
interpretação e da aplicação do Direito em Roma. Acaba com o
mistério e o secretismo que envolviam o ius e o processo que
levava à solução do caso em litígio, é promulgada, quase de
imediato, a Lex Ogulnia, em 300 a.e, a permitir o acesso da
plebe aos colégios pontifícios.
-Os romanos descobrem que nada existe de político ou de
sagrado na resolução justa de conflitos. Tudo está na
racionalidade humana e na criação de condições para que seja
possível o exercício livre da jurisprudência.
- Completa reivindicação plebeia. Através do ius flaviano as leis
fixadas nas 12 tabuas passam a ser um instrumento processual
para serem aplicada sem segredos de forma publica `avista de
todos e com ações a todos conhecidas.
3. Leis
Lex Rogata: Lei proposta por o povo sobre proposta de um
magistrado com imperium - cônsul ou pretor (nos Comitia
Centuriata) e que está submetida a ratificação dos Pater.
Há vários órgãos que participam na criação da lei, da
discissão com o povo, a aprovação dos povos, intervenção
do senado. (Lex Publica). Todos os diferentes órgãos
políticos participam na feitura da lei.
o Promulgatio: Conhecimento prévio para a votação
dos Comitia Centuriata. Apresentação feita pelos
magistrados, aos Comitia Centuriata, da proposta de
lei. O normal é os comitia saberem de antemão qual
a atividade que o magistrado quer desempenhar ao
longo do mandato (apresentação da proposta de lei).
1. Primeiro tem de ser afixada em praça pública 2.
Tem de ser conhecida por todos para ser discutida
por todos; após ser publicado 3. O texto está em
consulta pública durante 3 semanas (afixada para
que as pessoas tenham conhecimento da proposta
de lei);
o Conciones: Magistrados convocam cidadãos para
explicar em reuniões informais o conteúdo da
proposta. As propostas não sofrem alterações.
Reuniões onde a proposta é discutida em praça
pública; (concordância, alterações) consegue-se
perceber se há tendência de aprovação ou de
reprovação; magistrado percebe qual é o sentido do
cidadão romano quanto à lei que lhe é proposta;
podem permitir alterar o texto proposto pelos
magistrados. Suasiones vs. Dissuasiones; (ninguém
pode falar sem a palavra lhe for concedida)
o Rogatio: O magistrado convoca a assembleia e vai
rogar a Lex Rogata (pedida) - que aprove a sua
proposta. A convocação dos comitia centuriata (com
presença do magistrado), em assembleia. Estes,
reunidos em assembleia, vão votar a lei.
o Votação: Já não se pode propor alterações. (Uti
rogata, Antiquo, Non liquet). Voto pode ser favorável,
abstenção ou desfavorável. O voto era oral e dado
com palavras sacramentais. (Ano 131 a.e - Lex
Papiria Tabellaria- voto passa a ser secreto e escrito.)
o Aprovação pelo Senado: Através da concessão da
Auctoritas Patrum. Este vai conceder, ou não,
Auctoritas patrum (concede à lei o reconhecimento
de que a lei não viola os Mores maiorum- papel
essencial na produção legislativa romana- papel de
verificação da conformidade das leis com os Mores
maiorum). Porém, o Senado pode recusar a
atribuição de autorictas patrum. Recusa A lei não
pode entrar em vigor. Isto pode causar uma crise
institucional entre o magistrado proponente da lei
(órgão) os comitia, que votam ambos a favor da
proposta e o senado, que discorda.
1. Auctoritas Patrum:
Regulamentação/Reconhecimento das leis
2. Senatus Consultum: opinião do senado
sobre um assunto pedido por um
magistrado. Muitas vezes o senado era
consultado antes do processo para evitar
conflitos institucionais.
1. Senatus Consultum: Produto da atividade do Senado,
é a resposta dada pelo senado - pareceres
a. Monarquia: O rei coloca uma questão e o senado
pronuncia-se, mas a sua resposta não é
vinculativa, é meramente consultiva.
b. Républica: Órgão consultivo dos magistrados. O
senado continua na república a existir onde
apenas estão representados cidadãos patrícios,
aristocrático, e funciona como um órgão de
conselho aos magistrados (aconselhados a
seguir a sua opinião).
c. Dominado: Oratio Prínceps: proposta de Senatus
Consultum apresentada pelo prínceps. O senado
(com ovação) aprova. É a expressão ou
manifestação da vontade do imperador com
força obrigatória geral, qualquer que seja a
forma que essa vontade assuma. Esta pode ser
uma disposição normativa geral e abstrata.
Como a proposta do Prínceps é sempre
aprovada, com o passar do tempo, o Prínceps
deixa de ir presencialmente ao Senado,
nomeando um representante que, da mesma
maneira, é ovacionado e a legislação é
aprovada. O povo vai-se, então, habituando à
ideia de que o Prínceps pode criar lei. Assim, a
dinâmica de criação de leis passa a ser vertical.
As leis do Prínceps chamam-se Constituição
Imperial. No dominado é solução legislativa e
vontade dos imperadores. Alteração política
que retira competência política ao Senado
(centralização do poder para o prínceps. Com
força de lei-transofrma-se num órgão legislativo
e depois surge o oratio prínceps.
Lista de senadores (antes definida pelo censor)
passa para o prínceps.
2. Auctoritas Patrum: Poder do Senado- específico do
processo de feitura de leis em Roma (posterior à
aprovação nos comícios) e com a sua auctoritas
aprova ou não a lei antes de ser publicada. Mais
tarde, a auctoritas (no Dominado por exemplo o
prínceps controla todos os assuntos discutidos em
assembleias) precede aos comícios no processo de
feitura da lei. É a Lei Philliae que determina que
auctoritas patrum passe a ser concebida antes da
votação para evitar as crises institucionais. (Após as
Conciones e antes da Rogata) - Antes de pedir
aprovação aos comitia, sabe que está previamente
autorizada pelo senado. A partir de 339 a.e, deixa de
haver conflito entre Senado e Comitia pois passa pelo
Senado antes de ser aprovada pelos comitia.
o Publicação: Fixação em praça pública no fórum
(centro político de Roma), para que seja do
conhecimento público e, assim, possa ser aplicada.
Publicadas em tábuas de madeira ou de bronze .
Simbiose dos 3 órgãos:
Aprovação o povo
Proposta feita pelo Magistrado
Auctoritas do Senado
Forma da Lex Rogata:
Praescriptio: Prefácio: Nome do magistrado proponente,
Assembleia (homens que votaram) que o aprova, data
Rogatio- Parte dispositiva da lei, o corpo, normas ditas para
cumprir, qual o objeto da lei;
Sanctio- parte final relativa à eficácia da lei e, muitas vezes, a
parte sancionatória da mesma. Lei é eficaz, e quem não a
cumpre tem determinadas consequências.
Tipos de sanções: (pode não haver sanção específica)
1. Sanção Perfectae: Declaram-se nulos os atos contrários às
suas disposições e impõe sanções
2. Minus quam perfectae: Imposição de apenas multas
3. Imperfectae: Não há nulidade nem sanções
Forma como as leis se designam:
O nome da lei se constitui pelo nome do magistrado que a
propõe, e pode acrescentar-se o cognomen.
Exemplo: Lex Aebutia de Formulis (Aebutio - formulas)
Lex publica: Declaração solene com valor normativo feita pelo
povo pelo facto de aprovar em comum nos comícios, com uma
autorização responsável a proposta apresentada pelo
magistrado. Valor normativo imposto pelo povo diante proposta
de magistrado.
Lex data: lei que o magistrado emite com base numa
delegação por parte dos comícios. Os. Comícios delegam ao
magistrado o poder de definir por ele próprio em certas
matérias a lei (de menor dignidade e relevância) de natureza
administrativa.
Lex dita: magistrado emite/formula no uso dos poderes
próprios
Plebiscitos: Propostas de atos normativos feitas pelo Tribune
da plebe e apresentadas (votadas) ao concílio Plebis. Os
plebiscitos, no início, tinham um carácter normativo não
jurídico (meros conselhos), não vinculando nem os patrícios,
nem os plebeus. A partir de 419a.C com a Lex Valeria Horacia
,os plebiscitos adquirem força vinculativa igual à das leges,
mas apenas em relação aos plebeus. Por fim com a Lex
Hortênsia (287ª.C) passam a vincular tanto para plebeus como
para patrícios.
4. Constituição imperial: Leis com força obrigatória geral da
vontade do imperador qualquer que seja a forma - A
vontade unilateral do imperador. As constituições imperais
tornaram-se a única fonte de Direito (ius novum) porque,
no plano político, foi possível vencer as resistências do ius,
num processo que funcionaliza, com a aceitação da
comunidade, magistrados e jurisprudentes e concentra
nas mãos do prínceps a totalidade dos poderes públicos.
Há uma tentativa de apresentar um direito novo em que o
príncipe torna-se o criador do Ius que resulta da
deslocação dos poderes legislativos do senado para o
Prínceps (substitui os comícios e o senado) .
-No seculo 2, as constituições imperiais passam a ser
forma mediata de Direito, equiparado às leis e no seculo 3
tornam-se oficialmente leis. Passou a ser aceite pelos
romanos que o texto da proposta do imperador ao Senado
(oratio prínceps) valesse como lei, prescindindo-se, pela
inutilidade, da sua votação e aprovação pelos senadores.
-No seculo IV- única fonte de direito aplicada em Roma; a
sua consideração como lei vai proceder a uma alteração
substancial da forma como se legisla e se olha o Direito.
(Geral e abstrata, e não olhando para uma situação
concreta.
Lex Curiata de Imperium:
Formas:
1. Édito – Tipo de constituição imperial mais solene. É uma
lei geral e abstrata. ato normativo produtor de normas
de o caráter genérico. Eram estes atos legislativos
mais frequentes do prínceps, emanavam do seu
imperium proconsulare maius, e a sua jurisdição
abarcava uma ou mais províncias ou municípios.
(Caracala; Milão; Tessalónica). O edictum mais citado
como exemplo é a Constitutio Antoniniana, de 212, de
Caracala, que estendeu a cidadania romana a todos os
habitantes do império.
2. Decreta – Decisões ou sentenças do imperador
proferidas no contexto do tribunal especial que o
imperador preside. O tribunal do imperador julga,
essencialmente, em função de recurso. O Imperador
pode chamar a si qualquer caso (1ª ou 2ª instância) -
atua enquanto juiz. (Uma decisão judicial pronunciada
pelo Imperador)
-O iudex não era obrigado, na formalidade
constitucional, a seguir os decreta, mas na prática
judiciária tinha poucas possibilidades de ignorar ou
contrariar a sentença/decisão do imperador. Os decreta
tinham inovações normativas, quer resultante das
formas que eram interpretadas e aplicadas, quer pela
forma e o fundamento das exceções invocadas. Assim,
os decreta não só aplicavam as regras estáveis de ius à
resolução de conflitos na atualidade, mas também
mantinham a adaptação concreta dessas regulae iuris
ao tempo em que eram aplicadas, modificando as
soluções e reescrevendo a formulação textual nas
normas vigentes.
-Um novo tipo de processo penal: a Cognitio Extra
Ordinem, (já não há dois processos) para compatibilizar
o papel jurídicoconstitucional do imperador, no novo
regime político vigente, com a sua participação adjetiva
na resolução de conflitos que afetavam a comunidade;
intervenção crescente do prínceps e dos seus
funcionários no processo penal, com claro prejuízo para
a criação de direito pela intervenção dos magistrados-
faz de magistrado e de juiz.
Prínceps tem um conjunto de juristas que trabalham
em seu nome
3. Rescritos – São respostas que o Imperador dá a pedidos
de consulta, tanto de particulares como de magistrados ou
entidades públicas para questões jurídicas controversas. O
rescritos tem a sua eficácia limitada ao caso a que
responde, não podendo ser aplicados a casos diferentes
daqueles em que foi proferido; só vinculava o juiz que o
solicitasse e, na condição de os factos expostos serem
verdadeiros, as suas disposições não valiam contra as
normas ficadas num edictum. No entanto, com o tempo,
embora de forma cada vez mais esporádica, os rescripta
passa também a aplicar-se a casos idênticos.
Epistolae: respostas dos imperadores que são dadas
às perguntas feitas por entidades oficiais. A resposta
do imperador é expressa em documento separado do
da consulta.
As subscriptiones são respostas do imperador a
consultas/ perguntas (as chamadas preces) feitas por
particulares (as partes do processo). Apreciadas por
colaboradores do imperador que dão o seu parecer, o
prínceps limita-se a concordar ou não com ele no
próprio documento. Por definição, não incidem sobre
nenhuma consideração que envolva matérias de
facto. A partir do século IV, as Subscriptiones
Anotationes: Expressão de concordância expressa no
próprio documento submetido a consulta, de forma
muito sucinta. Com o tempo, já não elabora uma
resposta, mas escreve a sua opinião (Concordo,
Autorizo)
[Link] – Ordens que o Imperador vai emitir às
entidades oficiais que estão sob a sua alçada. Tipo de
constituição imperial menos solene. Não há consulta do
imperador. São instruções dadas pelo imperador aos
governadores e demais funcionários das províncias e
depois passam a ser regulamentos gerais que afetavam a
vida dos cidadãos, visavam a subordinação/obediência
administrativa dos funcionários ao imperador, recorrendo
à vinculação hierárquica do modelo organizativo de
administração imperial: conteúdos administrativos,
políticos, criminais.
-O prínceps baseava-se no seu imperium proconsulare
para emanar estas instruções, fundamentais para o
governo uniforme do império e para a igualdade de
procedimentos face a todos os administrados. Dado o
caráter pessoal das instruções dadas, eram elas
destinadas a vigorar apenas em vida do imperador. Só
que, com o correr do tempo, foram ganhando estabilidade
e tornaram-se translatícios- partes significativas dos
mandata eram aceites pelo imperador que se sucedia,
constituindo um corpo normativo que deu uniformidade e
institucionalizou as regras da Administração romana.
-Atividade administrativa e inovações normativas
(Há quem defenda a exclusão dos mandata das
constituições imperiais pois não criam normas jurídicas,
antes pressuporem e retirarem a sua legitimidade das já
existentes. Com o tempo, os mandata são substituídos por
leges generales ou por epistolae.)
FORMA:
-Inscriptio: primeira parte e contém o nome do imperador, ou
dos imperadores, autor(es) da Constituição e da pessoa a quem
ela é dirigida;
-Corpus: corpo normativo da Constituição, isto é, a sua parte
dispositiva. Aí estava o conteúdo. Aí estava o conteúdo material
do comando normativo nela encerrado;
-Subscriptio: parte final da Constituição, contém a data e a
indicação do lugar em que foi escrita.
A constituição imperial é direito novo, ou ius novum (Já não é
ius vetus)
Ius vetus: Típico da república direito criado para resolver
casos concretos na prossecução da justiça; O ius vetus era o
ius criado por uma pluralidade de fontes.
Ius novum: direito emanado do imperador para criar
legislação geral e abstrata e para criar um ordenamento
jurídico: que se impõe- não é quebrar o passado, é olhar para
o direito já não num sistema de pluralidade jurídica
assumindo na mesma a tradição jurídica de Roma, bem
como as soluções jurídicas criadas da república e principado,
ou seja, o ius novum é uma imposição do direito por parte do
imperador, decorrente do seu poder de proconsulare maius
-Mudança do paradigma- o direito já não se aplica porque há
o imperium do pretor ou de outro qualquer magistrado, ou
porque há autorictas do jurisprudente, mas agora impõe-se
porque é uma ordem- do príncipe, fonte do direito. O poder
do imperador de vincular com a sua vontade a ordem
jurídica de Roma vai fazer sentido no próprio direito a aplicar
pelo tribunal.
Augusto- Tentou disciplinar a jurisprudência
Ius publice respondendi- (reduz a pluralidade).
Jurisprudentes que emitiam a sua opinião e vai
determinar que vinculam o tribunal e o juiz com a sua
opinião. Com o Rescrito de Adriano - Vinculativo
Problema: Qual opinião a ser decidida do tribunal?
Isto causava dúvidas aos tribunais. Surgem varias
medidas a partir do séc. IV para disciplinar e organizar as
opiniões dos jurisprudnetes a serem seguidas em tribunal;
o que se determina é que é o próprio imperador a
determinar quem vincula.
A jurisprudencia livre da república torna-se
restringida pela vontade do imperador.
Este consiste num instituto novo na história romana
e que vai surgir com o Princeps Augusto e constitui quase
como uma autorização de vinculação ao parecer/à
opinião- significa o direito de dizer, de emitir a sua opinião
em público e de ser consultado. Através do lus publice
respondendi, a opinião proferida em determinadas
circunstâncias pelo iurisprudente, tem uma dimensão
superior à que tinha antes: passa a vincular - os seus
pareceres vinculam o príncipe e o seu tribunal; não
significa que haja uma limitação no dizer ou opinar sobre
o direito/ não restringe a opinião do jurisprudente mas
delimita que só aquele que tem ius publice respondere,
vincula o príncipe e o seu tribunal.
Jurisprudência: A maior produtora de Ius Civile: Doutrina,
principal fonte de soluções.
-Prudência (Virtude- hábito bom orientado; distinguir o bem e o
mal, o justo do injusto) própria da ciência jurídica. A opinião
justa proferida por homens conhecedores do princípio de
direito. A jurisprudência é feita de forma gratuita, a
compensação é o aumento da auctoritas e do poder. Também
é feita de forma secreta, para proteger as opiniões dos
prudentes. Mais tarde, um cuidado que se tem na
jurisprudência é o facto de não desagradar o Príncipe. Depois
do rescrito do Adriano os pareceres dos jurisprudentes ganham
força vinculativa e com isto tornam -se fonte imediata.
-Passa a existir uma funcionalização da jurisprudência para o
serviço do príncipe.
Contexto histórico: A interpretação do lus civille era
considerada, no início de Roma, uma atividade em monopólio
exclusivo dos pontífices e situava-se no âmbito religioso. Só no
século 3ª.C se iniciou o processo de racionalização progressiva
da iurisprudencia, libertando-se da imposição religiosa que a
caracterizava, num processo designado normalmente como
"laicização/secularização da jurisprudência.
Racionalização do Direito:
1. Lei das 12 tábuas: Positiva o Mores Maiorum. Através das
normas escritas, existe uma maior segurança para o grupo
social desfavorecido. Só parte do Mores Maiorum é que foi
publicado, o jurisprudente tem de continuar a responder a
diversas questões.
2. Ius Flaviano: As Leges Actiones passam a ser escritas e
publicadas. Formulas do sistema passam a ser acessíveis
a todos. Publicação ainda o calendário que explicita os
dias mais propícia para assistir/aceder ao Tribunal.
3. Pontifex Maximus Plebeu - Tibério em meados do seculo
3ª.C muda completamente a forma de se mudar o direito.
Em praça publica responde argumentando, sobre a
opinião justa sobre um caso da vida, com reconhecimento
de auctoritas. (Ensino em publico do direito. Ato de
argumentar em publico.)
4. O ensino público do Direito (transmissão de um saber que
se julgava provir dos deuses e só era revelado aos
sacerdotes). Consolida como exercício racional.
Monarquia: A lurisprudencia era - conhecimento dos Mores
maiorum, lendo os augúrios, perante o caso concreto, propor
soluções justas para aquele caso. Direito moral e religião são
um todo. Rei está no topo da hierarquia do poder, e jurídica
(porque também faz parte do colégio dos pontífices). Dentro
dos colégios sacerdotais circulavam formulas para que em
conformidade com as questões colocadas, eles pudessem dar
uma questão.
Revolta: Período de transição entre Monarquia e República-
período de revolta e de insatisfação dos plebeus face aos
patrícios. O poder de iurisdictium pertence ao cônsul A partir
de 367 o pretor ganha o poder de iruisdictium.
Percurso para iniciar o processo de laicização da iurisprudencia:
processo de secularização do direito. Inicia-se em Roma, a
partir da Lei das XII tábuas, um processo de laicização da
iurisprudencia- forma de perceber o direito vai ser retirada da
esfera divina para se enquadrar na esfera puramente humana.
A partir do momento da positivação do direito a partir da lei das
XII tábuas, não é uma construção só divina mas também há leis
e começa-se a interpretar o seu sentidoprimeiro momento de
laicização/secularização da iurisprudencia.
Há uma rotura entre a jurisprudência de matriz religiosa dos
pontífices e a jurisprudência secularizada dos prudentes está
na mudança da crença e da mentalidade.
Principado: ´Há um juízo de evolução por causa da
preocupação de agradar ao Prínceps. A jurisprudência perde a
dimensão sagrada. No principado a jurisprudência já não é
livre, mas sim através da auctoritas do princeps, vinculada com
a política - Princeps - aquele que participa no processo político.
Jurisprudente: Sabedoria prático: exercia uma atividade de
mediação entre a norma e os seus destinatários. Era através da
interpretação dos prudentes que se podia atribuir a uma regra
vigente uma nova finalidade visando a solução justa de um
litígio.
Os digesta eram obras mais completas e desenvolvidas,
contendo coleções de perguntas e respostas para os casos
apresentados recorrendo os autores a uma argumentação
bem estruturada e fundamentada em leis e outras Fontes
normativas. Os autores desta são os jurisprudentes mais
prestigiados que têm maior competência, experiência,
maturidade e autoridade incontestável.
Papel das 12 tabuas na tensão tradição inovação da
jurisprudência:
-Foi a base para a primeira tentativa de organizar a forma
sistemática os contributos da jurisprudência.
-Revela a tendencia tradicionalista dos jurisprudentes
-Lei das 12 tabuas está no centro da relação da jurisprudência
com o passado e a história do direito. É a referência dos
jurisprudentes para justificar a mudança do ius e o pomo da
discórdia.
-Há conteúdos normativos da lei das 12 tabuas que pertencem
a um passado já morto, sem a possibilidade de recuperação
para o direito vivo. Com isto, permite autonomia criadora,
permite a sua alteração.
- A jurisprudência é uma síntese cumulativa de regras e de
soluções que parte da lei das 12 tábuas e essa origem e
identitárias do jurídico legitimante da jurisprudência com fonte
do ius e referencial para os jurisprudentes: o direito assenta,
mas naquilo que é duradouro, tradição, que naquilo que é
mutável, circunstância, mantendo aberto, pelo conhecimento
do passado o Horizonte do futuro.
-Jurisprudentes: sabedoria prática. Revelam através da sua
responsa o ius que, vindo das regras possa estar na lei, no
edito do pretor, nas tradições e costumes. Também criam ius
com conhecimento da história e experencia da função,
exercendo a sua auctoritas, a partir dessas formas de
expressão da comunidade.
-Jurisprudência é sustentada pela auctoritas dos jurisprudentes.
Atividades principais do Jurisprudente:
Respondere - emite as suas opiniões perante casos da vida, o
jurisprudente é aquele que conhece o direito. Emissão de
parecer/ consultas aos particulares ou aos magistrados quando
forem consultados para isso. O jurisprudente era consultado
pelas partes {dúvidas) ou os próprios magistrados podiam
consultar- o pretor podia consultá-lo (problemas no tribunal)
Conselhos sobre a possibilidade de intentarem uma actio.
Atividade mais importante. Construir uma resposta para uma
questão controversa.
Agere - auxilia as partes acerca da forma como se devem
comportar em juízo no Tribunal. Há um formalismo romano
(ritos, palavras, gestos - e se falarem perdem na causa) -
assistência às partes no processo. Aconselha na aplicação do
direito, qual a via processual mais adequada. Processo e os
atos a praticar na presença do magistrado, orientando o seu
comportamento em juízo, também era designada como
actionem instutuere. Ato de formlizar negócios jurídicos ,
utilizar as palavras adequada em juiz
Cavere - auxilia as partes a formalizar/realizar os seus negócios
jurídicos. O jurisprudente não é um magistrado, mas muitos
magistrados são jurisprudentes. Explicando as palavras
sacramentais, quais as cláusulas a ser ditas e como. Os
conselhos eram dados oralmente, dada a simplicidade dos
negócios. Sempre que o contrato ou o ato a praticar eram mais
complexos e sofisticados, o jurisprudente poderia passar a
escrito o seu conselho- com as palavras e as fórmulas a
pronunciar pelo interessado e o momento de o fazer.
Poder de Iurisdictium: Poder de participar no processo de
resolução de litígios, concretamente presidir à primeira fase.
In Iure Magistrado: Pode conceder a actio ou não
(pode proteger esta situação? Sim ou não) Isto obriga
uma avaliação, quem avalia é o jurisprudente - que
está na retaguarda deste.
Apud Iudicem Juíz
Duas características fundamentais da atividade jurisprudencial
eram:
A gratuidade- pareces não remunerados, mas como forma de
conquistar prestígio e acumular honras, acréscimo de
auctoritas. Não está vinculado a um determinado resultado,
logo em principio os seus pareceres eram totalmente livres.
A publicidade- as respostas dadas eram públicas e
argumentadas, em contraponto ao segredo que rodeava a
atividade dos pontífices antes da laicização da iurisprudentia.
Esta atividade interpretativa do ius civille permitia uma
permanente correção e atualização do ius. Os ouvintes mais
atentos dos jurisprudentes eram os juízes e os magistrados,
dada a necessidade de fundamentar as suas decisões.
3 atividades jurisprudenciais:
A atividade docente - ensinar o Direito;
Ensino público do direito: audiências públicas, ouviam o
iurisprudente a conceder as actiones e a dizer o direito. Direito
ensinado em praça publica para quem queria apender e ouvir-
jurisprudente ensina o direito a quem quer aprender; é uma
função gratuita; consultado pelos cidadãos para dar a sua
opinião sobre o Direito. lurisprudente não tem imperium (não
tem poder de comando), não tem potestas (não vincula
ninguém) e não tem iurisdictio. Tem apenas autorictas: saber
socialmente reconhecido, bom senso É ouvido, seguido,
consultado porque a sua opinião é aceite.
A atividade polémica- dizer o Direito: subjetividade,
diversidade de opiniões e de respostas e discussão franca,
aberta e argumentada das questões jurídicas suscitadas.
A atividade literária- escrever o Direito. A Jurisprudência como
principal fonte de Direito
Magistrados com intervenção legislativa
-Elaboração da lei pode ter por trás um jurisprudente. Os
magistrados consultavam a opinião do jurisprudente para poder
formar a sua. Jurisprudente com papel extraordinário na
construção jurídica de Roma.
Posição de Veracruz:
A jurisprudência é a grande fonte de direito romano. Esta não
vincula com a sua opinião os cidadãos romanos, mas têm uma
opinião indiciadora da alteração jurídica e da própria criação do
direito, no papel de aconselhamento às partes, no papel de
consulta pelo pretor, de apoiar a elaboração legislativa romana.
Os jurisprudentes na república, tiveram uma função
importante na construção jurídica de Roma. O jurisprudente
tem influência nas fórmulas novas que o pretor criava. Antes do
pretor dizer "concedo-te a actio", há um trabalho prévio por
parte do jurisprudente. De uma forma silenciosa, o prudente é
o grande criador do Direito na república romana.
O Jurisprudente como fonte mediata (elemento mediador) do
direito romano
fonte mediata- a iurisprudencia é fonte de direito, mas
necessita de um veículo para se assumir enquanto tal. Sozinha
constitui um mero conselho, não vincula mas o prudente pode
ser utlizado por outros intervenientes que tenham imperium e
potestas e através de um outro veículo impõe-se na sociedade
e faz ouvir a sua voz.
Motivos da criação do lus publice respondendi:
1. Proliferação de prudentes em Roma- havia cerca de 300 a
emitir a opinião, a aconselhar juridicamente, a acompanhar os
cidadãos nas escrituras e no tribunal do pretor, a aconselhar os
preteres e magistrados, a exercer a sua função na sua tríplice
atividade, com opinião própria e podem ser todas válidas desde
que fundamentadas. Problema na era de augusto: um cidadão
romano com um problema pode recorrer ao jurisprudente A que
lhe emite uma opinião, ao B que lhe diz outra. Qual deverá
seguir? Qual é juridicamente mais justa e adequada? Isto cria
confusão e incerteza jurídica e Augusto quis criar regras e, de
alguma maneira, acalentar ou dar alguma segurança aos
cidadãos romanos e por isso cria o ius publice respondendi (o
direito de responder em publico com auctoritas do prínceps.)
2. Muita da evolução política de Roma é feita por equívocos dos
cidadãos; é complicado existirem equívocos; vamos tendo
alterações de regimes políticos- da monarquia para a república-
da república para o principado (evolução principal) - do
principado para o Império. Há aceitações tácitas por parte da
população da evolução das instituições. Quando Augusto
assume consulado único, quando a tradição era o consulado
dualproconsule- magistratura que não existe: o povo romano
não se opõe e reconhece nele o líder; quando Augusto cria o
tribunal e tira funções ao pretor- não há revolta, povo aceita. Se
os cidadãos romanos aceitam, os magistrados não vêm com
bom agrado o que se passa, pois Augusto está a tirar poderes
às magistraturas; estas também aceitam porque sabem que
dependem deste.
3. Há uma voz que discorda: O jurisprudente: tem o seu saber e
vincula as pessoas; estes começam a pôr em causa as
transformações de Augusto ele cria o lus publice respondendi,
onde é ele que escolhe as opiniões que vinculam no tribunal.
Há uma lista que determina estes jurisprudentes - sujeitos à
vontade do príncipe. Meteu fim às críticas, combate a opinião
dos jurisprudentes que o contestavam
Este constitui 2 grandes consequências:
Funcionalização da iurisprudencia (antes não estava
ligado a nenhum órgão da república romana, podia proferir as
opiniões que quisesse) passa a estar vinculado à vontade do
príncipe: os cidadãos passam a consultar jurisprudentes dessa
lista; jurisprudente que integrar a lista, passa a ter opinião
oficial.
Passa-se da resolução dos casos concretos da república
para um direito de funcionalização do principado; a liberdade
de pensar o direito desvanece pois passa a ser um direito
oficial, pelos juristas que são escolhidos pelos príncipes para
vincularem com os seus pareceres os cidadãos romanos.
O que chegou até nós? Digesto
Síntese:
Fontes de Direito:
Mores maiorum- fonte de direito mais importante da
monarquia; acompanha toda a evolução jurídica de Roma pois
constitui a base jurídica de todo o direito romano;
Costume- há em todos os períodos;
Lex rogata- não há na monarquia; há na república; no
principado está numa transição para o fim; não há no
dominado (comitias abolidos entretanto);
Jurisprudencia: monarquia sim república sim principado-
Dominado- ius publice respondendi;
Senatusconsulta: só são vinculativos no período do
principado, pois antes existiam mas não com caráter
vinculativo então não é correto afirmar-se que se tratavam de
fontes de direito.
Oratioprinceps: só no principado no final e não há no
dominado;
Constituições imperiais: só no final do principado e no
Dominado. Conclusão: a república é a época da pluralidade de
fontes. Senado apenas ouvido como órgão consultivo.
Principado- período de transição de fontes- do pluralismo para
o período do monismoúnica fonte por excelência: constituições
imperiais- leis do príncipe ou imperador, feitas de acordo com a
sua vontade legislativa. De pluralismo para o monismo; de
fontes plurais para fonte única (principado como veículo da
evolução).
Ius vetus- período da república- direito elaborado por todos os
cidadãos, período da pluralidade; jurisprudente por tráss de
todos os grandes intervenientes na criação jurídica, direito em
que o cidadão e o jurisprudente são os criadores do direito-
pluralidade de fontes; resolve o caso através do facto-
aplicação da equidade na resolução dos casos concretos.
lus novum- Dominado; decorre da vontade legislativa e
imperativa do imperadornão parte do caso; parte da
generalização e da abstração jurídica; não se preocupa com as
questões concretas; preocupa-se em legislar de forma geral e
abstrata para todo o império romano. Não ignora o que está
para trás, até pode aplicar, mas manda aplicar através de uma
constituição imperial: através da vontade do imperador.
Constituições imperiais: decisões de caráter jurídico proferidas
pelo imperador. Poder ilimitado de governar sobre Roma- maius
A partir do sec II e III d.c- início da produção legislativa das
constituições imperiais, o que faz com que estas se
transformem na principal fonte de direito, vontade do príncipe,
que com a sua vontade vincula os cidadãos
Evolução da atividade do pretor:
2 partes:
Desde o aparecimento da magistratura pretoriana em 367
até 130 a.C: data de publicação da 130 a.C - Lex Aebutia
de Formulis- pretor atua como interprete, aplicador e
integrador do Jus civille, sem poder alterá-lo; atua no
âmbito dos seus poderes de Imperium, concedendo actios
ou ações da lei.
A partir de 130 a.C até 130 d.C- pretor atua como
intérprete, aplicador e integrador do ius civille, mas
também como criador de direito novo, através de
fórmulas. As fórmulas são direito escrito, criadas no
âmbito dos poderes de luris diction (poder de dizer o
direito) do pretor. 130 d.p é um marco importante porque
é o Edictum 35 perpetuum de Adriano- este vai quase por
fim à pretura.
Ius honorarium - direito criado pelos magistrados
Ius Pretorum - direito criado pelo Pretor. (preside à primeira
fase do processo) participar no processo de resolução jurídico.
Até à institucionalização do processo formulário, o pretor não
cria direito. O preto tem potestas e imperium, administra os
casos da justiça presidindo ao tribunal. A sua função está
orientada em 3 princípios: dar a cada um o que lhe é devido,
ser honesto e por fim, não lesar ninguém. O Pretor vai ter a
necessidade de criar as suas ações, para derrogar o ius civile.
Pretor: Magistrado que administra o direito
-Interpreta o Ius Civile (adiuvandi)
-Integra as regras do Ius Civile (supplendi)
-Corrige os efeitos da aplicação do ius civile (corrigendi)
A ação dos pretores era fiscalizada pelos cônsules, através da
provocatio ad populum e pelo labor critico dos jurisprudentes.
O pretor dava ações que davam acesso ou impediam o acesso
ao juiz, era eleito baseado num edictum.
Os expedientes do pretor podiam ser expressos através de
duas formas:
1. Decretum - quando tinha de solucionar um caso concreto
2. Edictum- fazia um anúncio publico da concessão de certos
expedientes no âmbito do seu programa geral de ação
(comunicações denominadas ius edicendi)
Edito do pretor:
A partir da lex Cornelia de Edictis praetorum de 67ª.c o pretor
passou a estar legalmente vinculado ao edito que fazia
publicar.
Edicta Repentina: O edito do pretor era maioritariamente
composto pela repetição do edicto anterior e por algumas
inovações ligadas à prática judicial e a criação jurisprudencial,
os casos inéditos não mencionados no ius civile que o pretor
era chamado a resolver em qualquer altura do ano por ato de
imperium levam à sua produção.
Edicta perpetua: Era a que o pretor anunciava no princípio de
sua magistratura com o programa que seguiria ao longo do
ano.
Edicta nova: disposições que o pretor acrescente a edicto
perpetuo por sua própria iniciativa seguia normalmente o que
já estava estabelecido pela jurisprudência reduzindo a
liberdade do ius civile. Este integra as respostas dos
jurisprudentes.
Edicta translatícia - as disposições que se mantinham,
reproduzia disposições já [Link] vez mais o edito era
translatício.
As formas de criação de ius civile eram demasiado lentas para
responder à dinâmica da sociedade e às exigências da
realidade dos cidadãos.
O pretor abriu vias de solução de validade/eficácia das regras
substantivas, através das ações. A possibilidade de
concretização judicial por concessão de ações novas,
resultantes da leitura da realidade feita pelo pretor com o
prestigio social e o imperium constitucional das magistraturas,
de situações não diretamente derivadas do ius civile, mas que
continuavam a ser legitimadas por estarem na orbita da ação
dos que dele cuidavam. O direito criado pelos pretores, e os
próprios muitas vezes também jurisprudentes, corrigindo,
integrando completando, afastando regras e procedimentos do
ius civile foi essencial como fonte de criação do ius.
A intervenção do pretor acontecia no domínio das leges
actiones como no domínio do processo formulário, in iure e in
iudicio.
Leges Actiones: As ações da lei são concretizadas pelas
fórmulas. As ações da lei, pelo menos 12, em Roma
antiga, quem tinha uma ação tinha o direito tutelado.
1. In Iure: Magistrado Litis Contestatio:
O magistrado tenta encontrar um acordo entre duas partes que
discutem. Se o Pretor dava a ação entre o processo passava
para a segunda fase. O processo era organizado sob a
presidência de um magistrado, primeiro o cônsul e a partir de
367ª.c o pretor. Este exercia, com iuris dictio, o ius dicere: a
afirmação solene de existência ou inexistência do direito. Não
era concretizado pelo pretor numa sentença ou decisão, mas
numa espécie de ordem que o pretor dava ao juiz e que dava a
este legitimidade para proferir uma sentença neste ou naquele
sentido conforme a prova apurada.
O pretor urbano era um magistrado que tinha por função dar
soluções justas é casos concretos interpretando normas legais
e respostas dos jurisprudentes ao abrigo e em defesa do ius
civile
2. Apud iudicem Processo diante um juiz - Iudex . Aqui
existe o iu-dicare, É é aplicação do direito, decidindo de
acordo com o direito já fixado.
A primeira fase do processo era conhecida por uma pessoa
normalmente conhecia o ius civile e a segunda fase do
processo por uma pessoa que deveria ter bom senso e
aceitação social, mas normalmente não conhecia direito.
Como decide o Iudex? As sentenças eram todas baseadas na
auctoritas que lhe permite resolver com uma solução justa o
caso concreto quero chamado é solucionar, tinha um saber
judicial socialmente reconhecido expresso na indicação do
pretor ou na escolha das partes. Não tem potestas, somente
auctoritas por isso se o caso não tivesse claro não decidia.
República: A auctoritas dos Iudex não permitia que o processo
fosse objeto de recurso para uma instancia superior. A sentença
não podia ser impugnada, o decidido pelo iudex tinha de se
manter.
Principado: Augusto começa a aceitar apelações das partes
vencidas em sentenças dadas pelos juízes (supplicationes)
Como a auctoritas do príncipe acaba submetida pela potestas
do princeps, surge a figura do juiz subordinado.
O pretor administra a justiça e o juiz fazia a justiça.
Como não tinham formação jurídica, a sua resposta era
assenta na opinião dos jurisprudentes.
No principado surge a obrigatoriedade de aplicar as
constituições imperiais, no entanto os juízes opõem-se. Augusto
resolve esta oposição com consequências como perda de
cargo, confiscação de bens. Ganha a vontade do Princeps (que
eram transmitida pelas normas) e perdem o ius, a justiça que o
juiz encarnava.
Sentenças dos Juízes como fonte do Ius Novum:
Eficácia da sentença assente na sua natureza normativa e
substantiva, desta forma colocada ao lado dos outros atos que
podiam criar o direito vigente. Era um expediente técnico que
valorizava o labor do juiz de garantia o respeito pelo caso
julgado e estabilizando a aplicação do direito na sentença do
juiz.
A concentração de todos os poderes no príncipe e as
características totalitárias do regime do dominado e a
constante intervenção dos poderes executivos degrada função
de julgar e a titularidade do cargo.
Neste sentido agora (no final principado e dominado) o
importante é que o juiz sejam funcionários competentes com
formação jurídica, para garantir que a aplicação das regras e
das leis se faz com maior amplitude na possibilidade de justiça
para o caso concreto em situação tão desfavorável, juízes com
poderes desligados do príncipe.
Há uma deterioração institucional.
Antes das Leges Leciniae Sextiae:
Não existia uma tutela jurisdicional pública dos direitos dos
cidadãos. O sistema estaria perto de uma autotutela desse
direito com vinculações religiosas compreendidas e aceites pela
sociedade. O direito era celebrado de acordo com o ritual como
nas normas da lei da das 12 tábuas. Nesta altura, quer o rei
quer o magistrado não dispunham ainda de poder para criar a
ação. A sua intervenção era apenas formal para legitimar o
exercício da força pelas partes privadas.
Decidere: significa o magistrado indicar a regra jurídica
aplicável a solução do conflito no processo.
Quem podia ser Juiz?
Antes só existia um Arbiter
Iudex inicia a sua função em Roma com o processo das
Leges Actiones. Era um cidadão escolhido pelas partes numa
lista pré-selecionada onde estavam senadores e cavaleiros.
Cidadão romano com plena capacidade de exercício, homem
com pelo menos 30 anos e não deviam exercer funções onde
detivessem imperium.
Edicto do Pretor: O programa das atividades a desenvolver
durante o mandato pela pessoa que se apresentava para
exercer a magistratura do pretor, é fixado publicamente na
apresentação da candidatura logo antes do início de funções. (é
tão significante que normalmente é identificado como todo o
ius honororium, mas na verdade é so uma parte.)
-O edito do pretor era uma das Fontes do direito objetivo em
Roma, logo aceitamos as suas disposições com manifestações
normativas. A natureza normativa, era a regra, é programática,
a exceção.
-Vinculado ao pretor a partir da Lex Cornelia 67ª.c e limitada
pela opinião publica e por interessio do seu colega.
-O pretor era um magistrado que dispunha de meios coercitivos
sobre o iurisdictium, que era em geral o procedimento através
do qual um juiz decidia um litígio dando uma solução - o próprio
tribunal onde ocorria o processo.
No principado: O ius publice respondendi obscurece o prestigio
do pretor e diminui o seu poder.
O príncipe faz leis, o jurisprudente cria de forma direta o
direito com as suas respostas e o poder do magistrado que
exerce a pretura definham no plano das Fontes do direito.
A partir do principado, época de Augusto (época imperial),
houve uma alteração na vida política de Roma. Júlio César inicia
o período de transição mas este vai ser consolidado com César
Augusto e os seus sucessores e este vai iniciar um processo
lento e que os príncipes subsequentes vão adotar- processo de
redução da intervenção e do poder das magistraturas e de
centralização paulatina das funções que os magistrados têm na
sua pessoa ou em oficiais por ele (príncipe) nomeados.
A partir de Augusto, assistiu-se à criação do tribunal do
príncipe: este entende que se deve iniciar o processo de se
centralizar uma nova figura, que é um tribunal novo para
centralizar a justiça em Roma. Novo tribunal: o do pretor e
outro presidido por um juiz, que já não é um homem bom do
tribunal do pretor mas o do tribunal do príncipe é um homem
que vai resolver questões e aplicar a justiça em nome do
príncipe- vai centralizar no juiz duas funções: a apreciação da
matéria de facto e a aplicação do direito à matéria de facto.
Tribunal do príncipe- o juiz do tribunal do príncipe é alguém que
conhece o direito, ouve as partes e aplica o direito aos factos
integrados: aplica o direito em nome do príncipe. Atua em
simultâneo com o tribunal do pretor (ambos em funções) no
entanto, este, a partir do momento em que o príncipe é visto
como a principal figura política social e religiosa de Roma, o
cidadão vai optar: vai escolher o tribunal do príncipe, ao invés
do tribunal do pretor.
Esta realidade vai, de forma lenta, esvaziar a competência do
pretor. O pretor, o qual uma das principais funções era a
aplicação da justiça, para além de outras, e que mantinha esta
43 função, vai ver com o tempo (processo gradual- vai-se
verificando com rapidez)- o seu tribunal esvaziado de
competências.
O pretor acaba por perder a suscetibilidade de criar direito e a
tendência do pretor passa a ser a de manter o edicto do pretor
anterior: deixam de inovar "Eu mantenho o edicto do pretor
anterior"- edicto translatício. Se quiser acrescentar algo, faz
edicto nova, acrescentando algo ao do pretor anterior- Sec I a.C
O pretor, a partir do sec. I a.C deixa de ter capacidade de
inovar, até porque não tem situações concretas que o
permitam, e então vai fazer edictos cada vez mais repetidos.
Isto vai fazer com que, em 130 d.C, o imperador Adriano aprove
o edicto perpetum (de Adriano)- que consiste na compilação de
todos oz edictos do pretor numa obra só e os pretores, a partir
dessa data, deixam de ter capacidade criadora; só podem
aplicar o que está no edictum perpetum: cristalização do
trabalho do pretor. Dá-se a decadência tal até à sua extinção no
sec Ili. A lei compila todos os edictos numa obra só, dizendo
que o pretor está vinculado na aplicação no seu tribunal do
edicto perpetum; fim da pretura enquanto criadora e aplicadora
do direito.
Rationes: argumentos (equidade, lógica, tempo) vão fortalecer
a opinião do jurisprudente.
A jurisprudência me Roma não se transforma pela razão da
força, mas pela força da razão.
Expedientes do pretor:
[Link] Praetoriae: objetivo de proteger uma certa
situação social. Stipulatio é um negócio jurídico entre
presentes. significa um acordo solene, ritualista, formal e
abstrato que gera uma obligatio para o devedor, e uma actio
na esfera do credor. É um acordo de vontade que gera para o
credor uma actio para fazer valer o seu direito se a obligatio
não for cumprida pelo devedor. Perante a inexistência de uma
stipulatio válida para o ius civile, o pretor impõe as partes a
celebração de um stipulatio válida. Esta cria obrigações a partir
de uma pergunta feita pelo credor, stipulator, e numa resposta
imediata dada pelo devedor, promissor, se unem
materialmente pele constituir com autonomia a obligatio. Da
stiupulatio nasce a obligatio para o devedor e uma acrtio para o
credor
Actio: Credor obriga o devedor a cumprir a sua obligatio
Quando o devedor não cumpria a sua promessa, o credor
recorria às stipulationes praetoriae, onde o pretor ordenava
uma nova stipulatio.
[Link] in possesium: É um embargo de bens que é
determinado pelo pretor como meio de coação justo. O pretor
dá uma ordem autorizando, com o poder de imperium, uma
pessoa apoderar-se ou de ter certos bens de outra pessoa
durante um determinado período com a possibilidade dos
administrar e deles fruir.
1. Missio in ren - Uma coisa ou conjunto de coisas
2. Missio in bona- A ordem recaía sobre um património de uma
pessoa ou um conjunto indeterminado de bens.
Se o destinatário da ordem não cumprisse uma ordem de
conservação dos bens, o pretor podia simplesmente força-lo a
cumprir através de outra missio.
[Link] in integrum: Reconstituir uma situação antes da
stipulatio. As partes revogavam, perante o pretor, a actio.
Aplica se casos em que o negócio jurídico resulta
desequilibrado e injusto quanto efetivado. Um credor que
tivesse uma actio em sue favor pode ser privado dela pelo
pretor , se a obtenção do credito não for justa ou adequada.
Desobriga as partes da stipulatio que criou a obligatio e a actio.
No tempo acaba por resultar como uma mera declaração de
inexistência da stipulatio criadora de injustiça.
A partir da Lex Aebutia de Formulias: O pretor através de
um decretum concede:
[Link] exceptio ao devedor inutilizando à cabeça os efeitos
pedidos pelo credor
[Link] denegatio actiones, impedindo o credor de usar a actio
contra o devedor e ,assim, de obter o resultado injusto.
[Link]: ordens que o pretor dá as partes que não estão
previstos no ius civile. Uma ordem dada pelo pretor, de forma
suscinta indireta e imperativa, com base no seu império
tomando apenas como fundamento uma aparência jurídica
espere pro ter uma certa situação que cresce dela. A ordem do
pretor fica condicionada e assim aberta a uma reapreciação
sempre possível em qualquer momento posterior à ação
primeira do pretor. Normalmente este é concedido pelo pretora
pedido de um particular interessado na tutela obtida. Pode ser
concedido quando é de interesse público.
1. Exibitórios: Quando a ordem do pretor se destinava a
apresentar ou mostrar, exibir uma certa coisa
[Link]ítutótios: Se a ordem é a desenvolver ou restituir uma
coisa
[Link]ório: Se a ordem do pretor é de impedir ou proibir que
uma pessoa perturbe o gozo de um direito legítimo de outra.
Os Interditos Possessórios são expedientes do pretor que se
destinam a proteger após que o direito não prevê qualquer
forma de proteção para ela.
1. Retinendae possesionis. destinados a reter
posse ou manter posse específica legítima
e não precária de alguém que está a ser
perturbada por outrem
2. Recuperandae Possesionis. Destinados a
recuperar a posse ilegitimamente perdida
para outrem. (divide-se na subcategoria
para a defesa de posse de coisas imóveis,
e para a defesa da posse de coisas
móveis.)
Lex Aebutia de Formulis: o pretor pode criar na fórmula ações
próprias. Já não está limitado às ações da lei, aos mecanismos
de proteção de direito previstos nas leis. Se o pretor não é um
jurisprudente, ele terá de recorrer ao jurisprudente.
Expedientes do pretor baseados na sua iurisdictio: Sistema
Formulário
Ordem dada por escrito pelo pretor ao Iudex para que condene
o absolve o réu consoante os factos ou não foram provados. É
um prudente que apresenta a fórmula
1. Exceptio e denegatio actiones
No sistema das Leges Actiones, em que o processo era oral, o
pretor, tinha uma intervenção simples dar ou não a ação.
Depois da Lex Aebutia Formulis que introduzir o modo de agir
segundo as fórmulas, processo escrito pelas partes é forma é
do processo e isso é tipicidade é que determinam a forma e o
tipo do direito. A actio é o ius, quem tem a actio tem a fórmula.
Fórmula: ordem escrita que o pastor dava ao juiz para condenar
o absolver consoante este outro facto fossem apurados e
validados como provas.
Assim, após a Lex, o pretor pode:
Anular os efeitos da actione civilis sempre que a justiça ou
a equidade assim exigissem, ou através da denagtio
actionis, ou pela exceptio que retirava a eficácia da ação.
Criar actiones próprias.
2. Actiones Praetoriae - As ações próprias do pretor com
complexidade.
Actiones Civilis + Actiones Praetoriae
Actiones in factum conceptae: servem para tutelar certas
situações ou factos que requerem proteção jurídica não
estavam no direito civil logo não eram protegidas.
Actiones fictiae: servem para ficionar com existente um
facto ou uma situação que não insistia, visava a justiça do
caso concreto,
Actiones Utiles: eram ações que o pretor criava por
analogia com ações civiles para casos análogos ou
idênticos aos que tutelavam.
Actiones Adiecticiae qualitatis: eram as que se destinavam
a responsabilizar solidariamente Pater famílias os pelas
dívidas dos filhos e dos seus servos no âmbito de
contratos.
O pretor não é um jurista, podendo até não saber nada do
direito; é um magistrado que segue e tem funções de aplicar a
justiça, o ius civille, e até tem iuris diction porém, mas na maior
parte dos casos, o pretor não é conhecedor do direito.
O pretor necessita da intervenção de uma outra pessoa:
iurisprudente; o pretor pode recorrer sempre à figura do
iurisprudente- vozes caladas cujos nomes nem se sabem
alguns mas que eram homens que estudavam o direito, que
conheciam e interpretavam o direito e era a estes homens que
o pretor recorria para perceberem que direito aplicar e que
direito criar.
O iurisprudente detinha um saber socialmente reconhecido,
tem autorictas; iurisprudentenão é um magistrado nem um
oficial; não tem imperium nem potestas; a sua opinião não
vincula ninguém, apenas era alguém com um saber
socialmente reconhecido, que conhecia o direito.
Pretor e cônsul- administravam a justiça; estes seguem um
curso onorum, podem concorrer ao cargo mas não têm
necessariamente de ter um conhecimento jurídico. Poder de
recorrer a quem pensa o direito- muito do trabalho do pretor,
quer na aplicação do direito quer na criação jurídica de novas
fórmulas, está aconselhado por iurisprudente.
O pretor tem total liberdade para recorrer ao iurisprudente:
"como resolvo a situação?". Se não concordar, pode ainda
recorrer a outros pois podem existir opiniões divergentes.
Opretor tem a liberdade de seguir aquela mais adequada e
justa ao caso concreto. As partes em causa também podem
recorrer ao iurisprudente.
O pretor institucionalmente tem o poder, mas este recorre ao
iurisprudente.
Papel do advogado:
O advogado exerce uma ação desenvolvida em defesa de
uma das partes em litígio no âmbito de um processo.
No sistema das leges actiones as partes não podiam ser
representadas. No entanto no sistema formulário em que
deveriam apresentar a sua causa nos termos exatos previsto
nas leis as partes poderiam se fazer representar por um
procurador. É aberto o processo o acusado podia entregar a sua
defesa é um advogado
A remuneração eram os honorários: um ovo de crescimento
do patrocinado pela honra de ter sido ajudado por pessoas tão
ilustres e honradas - Respeito e gratidão vale mais que o
dinheiro.
Ius Novum:
Chegamos a 426 e no dia 7 de novembro foi aprovado pelo
imperador Valentiniano Ili uma constituição imperial que foi
antecedida de uma oratio prínceps e vai ter a designação de lei
das citações.
Lei das citações: Vincula o tribunal à vontade do
Imperador; porque os juristas que ele escolheu seguem a
opinião dita oficial; funcionalização dos iurisprudentes; lei
das citações- cria direito oficial que tem de ser seguido
pelos tribunais na resolução dos casos concretos e esta
vai ser contida no código de justiniano.
Tribunal dos mortos era outro nome para lei das citações- a
lei vai definir quais os juristas que podem ser usados em
tribunal; regras de citação em tribunal e já estavam todos
mortos; consagra 5 juristas a serem aplicados ou seguidos no
tribunal:
Paulo
Ulpiano
Gaio
Papiniano
Modestino
Estes também são denominados de príncipes do direito.
Uma das decisões da lei das citações- mantem o
afastamento da opinião de Paulo e Ulpiano em caso de
opinião contrária a Papiniano, esta não seria válida. A lei
das citações confirma a autoridade suprema das Pauli
sententiaerecuperar a solução da lei das 321- sobre a
aplicação das leis nos tribunais, por Constantino.
Num âmbito de uma questão juridicamente contrariada,
aplica-se a aplicação de um dos jurisprudentes, no entanto
as conclusões destes jurisprudentes podem ser diferentes.
Nesta medida, se as opiniões destes forem contraditórias,
aplica-se a regra da maioria, senão, aplicava-se o parecer
de Papiniano. No caso de não haver nenhum parecer
daqueles jurisprudentes, mas de outros, pode se seguir as
opiniões dos outros.
Se houver empate e for Papiniano que não se
pronunciaopinião do juiz. Se Papiniano nada tiver dito e
houver empate entre os iurisprudentes, o tribunal irá
escolher a decisão que melhor resolva o caso concreto em
análisequando não se permitir ser uma decisão
quantitativa.
Papiniano- o grande jurista consagrado pela Lei das citações;
há 5 grandes juristas mas a opinião que sobressai é a de
Papiniano.
2 critérios:
1. Quantitativo (opinião mais perfilhada entre os 5 principais
jurisprudentes).
2. Qualitativo- a opinião de Papiniano vale sobre as outras
opiniões (qualidade da opinião).
A lei das citações mata a jurisprudência em Roma: já é
completamente indiferente toda e qualquer opinião proferida
por novas iurprudentes; só é atendida a opinião destes
iurisprudentes. A partir de 426 é indiferente que surja outro
génio com sabedoria porque essa não vincula os juízes/ não é
admitida em tribunal porque o juiz encontra-se vinculado à lei
das citações, à opinião dos juristas que emitiram opinião no seu
tempo e q uejá morreram.
Conclusão: Não termina com o direito a interpretação das
regras, mas limita fortemente esta possibilidade porque baste
um do tribunal dos mortos ter se pronunciado para termos de
seguir a opinião deste.
Atividade jurisprudencial limitada no seu alcance e
amplitude.
Compilações:
Séc. IV Preocupação por parte dos imperadores (período em
que o prínceps é imperador- domínio global e soberania plena
sobre toda a vida de Roma) para criar um processo de
compilação do Direito Romano:
Este movimento de compilação operou através de 2 vias:
-O Compilar constituições imperais- Como leges: A compilação
do direito oficial vigente em Roma
-A Compilação de jurisprudência- Compilação de iura
(doutrina)- compilar a doutrina com ius publice respondendi.
2 vias possíveis e ambas tentadas.
Privada- feita por jurista que decide compilar, por
exemplo, todas as constituições imperiais e inclui-las num
livro. Valor jurídico desta compilação- não vincular.
Pública
Há 2:
=> Codex Gregorianus
Séc. III d.c- Gregório como jurista da época e é uma
compilação de constituições imperiais que foram compiladas no
período de Deoclesiano. Esta é feita numa cidade oriental e
tem apenas validade privada;
Trabalho constituído por 15 livros, subdivididos em títulos e
rúbricas;
Servem como modelo e instrumento de trabalho; serve de
repositório de constituições de constituições imperiais.
=> Codex Hermogenianus.
Séc. III composto por 16 livros;
objetivo- compilar constituições imperiais; até Deoclesiano
mas também integra algumas constituições imperiais
posteriores.
Oficiais- feitas por ordem do imperador.
Há 2:
=> Código Teodosiano - Primeira compilação Pública (429)
Compilar todo o direito romano quer em termos de leges quer
em termos de iura (todo o direito legal e doutrina). Desafio de
compilar toda a doutrina, em especial a doutrina com ius
publice respondendi e não o que está para trás- isso não
significa que o ius publice respondedi faça corte com o que
está para o tempo da repúblicaabsorve-se o que havia para
trás.
Não conseguiu cumprir os objetivos a que se propunha: incapaz
de compilar a doutrina e só conseguiu compilar o trabalho
relativo às leges. elaborar um código de constituições
imperiais.
A elaboração do código de Teodosiano:
2 fases:
Primeira comissão de 8 homens para compilar leges e lura-
não consegue.
435- nomeada nova comissão com 16 membros com o
encargo de reunir constituições imperiais. Trabalho concluído
em 438, entrando em vigor a janeiro de 439, já no reinado do
imperador seguinte- Valentiniano III;
Obra compilada com 16 livros e contem apenas /eges. Destes
16 livros, 11 são de matéria de direito público- regula as
relações entre estado e cidadãos; 5 de direito privado.
=> Código Justiniano - De maior importância
-Desejo de reestabelecer o império romano do ocidente e a sua
glória no todopercebe que é necessário unificar/compilar todo o
direito romano; considera importante reerguer o império
através do direito (todo aquele que foi elaborado ao longo dos
séculos).
-Compilação de direito romano extracolado- alterado pelo
tempo, desde o tempo na monarquia romana, principalmente
no período da república- período áureo da produção jurídica
romana; mas vai sofrer alterações com principado e dominado,
com a divisão do império. O que chega a justiniano não é
direito romano clássico (criado durante a república)esse chega
mas modificado: porque a língua evoluiu: evolução.
-- código com imperium, o que marca aqui também uma
diferente na aplicação do direito romano da época clássica para
a época de Justiniano: clássica- por força do imperium dos
magistrados, mas era desenvolvido na auctoritas do
iurisprudente- de forma discreta ia aconselhando e marcando a
sociedade romana, ora aconselhando o pretor e outros
magistrados, ora aconselhando as partes; era ele que, de forma
nem sempre visível, marcava o entendimento do direito. O
código de Justiniano não é isso- é uma lei- justiniano manda
aplicar isto com o seu imperum- direito todo ele marcado com
imperum que se impõe e que não se aplica pela auctoritas do
jurisprudente mas por ordem de Justiniano- doutrina do
Digesto: interpretação considerada oficial- soluções jurídicas
que ele quer que se apliquem.
Nova forma de olhar para o direito- vale como lei- aplica-se
porque se ordena: imperium e potestas do soberano.
Direito evolutivo: O que chega a Justiniano é o que ele manda
compilar: o que estudamos não é direito romano clássico, é
direito romano pós-classice, extracolcado, alterado pelo tempo,
soluções jurídicas, e modificado por influências dos povos com
quem os romanos mantiveram contactonão é um ius civile puro
(que evitava influências do estrangeiro- ius civille e ius
gentium).
Vai constituir uma comissão com Tribuniano- encarrega-o e à
sua equipa de fazer compilação do Direito Romano- vai ser feita
no Oriente- compila todo o Direito romano. Trabalho de
compilação bem-sucedido e apresentado ao imperador
Justiniano numa grande obra dividida em 4 grandes elementos
ou conjunto de livros:
Código- primeira versão 529 (código vetus) e segunda
versão de 534 (código novum). Constituído por 12 livros e
é composto por constituições imperiais;
Dedicados a leges- direito imposto pelo imperador no
âmbito do seu poder de imperium e potestas e do seu
poder proconsulare maius. Teve como inspiração os
Códigos Gregoriano, Hemogeniano, Teodisianocompilações
de todas as constituições imperiais que foram feitas em
Roma. Não é obra histórica- para ser aplicado nos
tribunais; as constituições inseridas no código são direito
vigente. Preocupação de retirar contradição entre
Constituições imperiais. Quando é aprovada vale como
constituição imperial- próprio código acaba por assumir
natureza de CI porque vai ser aprovada por ordem do
imperador. Tinha como objetivo retirar as várias
contradições que poderiam existir.
Digesto- 533. Compilação de doutrina; compilação de 50
livros. Doutrina oficial em Roma, a jurisprudência com ius
publice respondendi. Sem contradições intrínsecas e que
constituísse a doutrina oficial de Roma. Há a criação de
uma nova obra - Digesto (Pandectas- grega) aprovado por
justiniano que é composto por 50 livros. Obra
monumental parte do Corpus Iuris Civiles. Constituição
Tanta. Parte mais importante.
lnstitutas ou instituições- 533. 1 só volume e é um Manual
para o ensino do direitoredigido por 3 juristas: Tribuniano,
Teófilo e Doroteia. Importância das institutas: apesar de
ser manual escolar com força legal, a função do
preâmbulo- natureza jurídica obrigatório- regras de
interpretação jurídica, no preambulo das institutas;
Manual escolar cujo preâmbulo tem força de lei. O ensino
universitário é renovado à medida que as novas fontes
normativas surgiam. Instituciones - novo manual
adaptado àquilo que será o novo direito, aprovada
também por justiniano.
Novelas- 534- sinónimo de lei nova. Compilação das
novas constituições imperiais de Justiniano: uma parte
tinha sido compilada no código e depois justiniano
continuou a legislar, as novas constituições imperais de
62 justiniano estão todas nas novelas- para resolver
problemas interpretativos que tinha sido encontrados no
Codex. Nova compilação de constituições que se
completa o codex: Novela (Nova Lei) Posterior a 534,
justiniano já noa aprova nem atribui força de lei porque
morre, mas depois de forma privada. Vai incluir
constituições imperiais para resolver problemas
interpretativos que tinham sido detetados no código.
Dentro dessas leis: relativa à lei das citações- não a
revoga mas vai confirma-la através de uma lei chamada
Deo Autorictae - incluída no código de Justniano e por isso
chega até nós- confirmação por justiniano da lei das
citações.